No que diz respeito ao feito desta selecção, há que louvar o espírito solidário e de resiliência, tanto dos jogadores (sem execepção) como do treinador Fernando Santos. Não venceu dando grandes espectáculos, é verdade, mas com o pragmatismo e o realismo dos grandes líderes. Por isso, digo com toda a franqueza, que apesar do histerismo a que atrás aludi, gostei daquele grupo de jogadores, todos, incluindo os que não tiveram oportunidade de jogar. Eles, só eles, o treinador e o público, mereceram esta grande alegria, mais que não seja por contribuirem para a moralização de um povo fustigado pelas contínuas trafulhices de governantes miseráveis. Destes portugueses sinto asco, um desprezo mortífero.
Como desprezo, o despropósito dos mesmos do costume (pasquineiros da imprensa, rádio e tv) de continuarem a promover os clubes da capital, com incidência tendenciosa para o Benfica, à pála da selecção como genuínos parasitas de fazer inveja aos xulos do Bairro Alto. Ainda agora, por altura da aterragem do avião que transportava a selecção no aeroporto de Lisboa, pudemos assistir a mais um golpe destes. Logo a seguir à abertura da porta de saída do avião, houve alguém que decidiu colar na fuselagem a fotografia do Eusébio como se ele fizesse parte da selecção. Isto, é não só uma falta de respeito pelos jogadores que acabaram de realizar este sonho, como pelo próprio Eusébio, que já cá não está entre nós, e que apesar de ter sido um grande jogador, tal como Ronaldo, também não jogava sozinho e nem sequer conseguiu a mesma proeza da actual selecção, apesar da prematura publicidade dada a Renato Sanches, que como ontem se viu nem sequer foi dos melhores.
Mas é assim o fanatismo centralista, lisboetizar um país quando devia uní-lo. A esses, dedico o meu maior e eterno desprezo.
Mas é assim o fanatismo centralista, lisboetizar um país quando devia uní-lo. A esses, dedico o meu maior e eterno desprezo.

