26 setembro, 2019

Este país é um pesadelo, nada mais

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Tão amigos que eles eram...

Enquanto a comunicação social se entretém a brincar com os portugueses, tentando convencê-los que laboram fieis  ao seu brilhante código deontológico, a opinião pública civilizada vai desacreditando paulatinamente a classe.

Como venho escrevendo, o próprio Jornal de Notícias, que é o único jornal que ainda leio, um histórico matutino do Porto, continua a apostar no populismo centralista da capital e, pouco a pouco, a privilegiar o que por lá acontece, como qualquer outro pasquim daquelas bandas.  Era previsível que isto acontecesse. Eu avisei aqui mesmo que corríamos esse risco. Nem o facto de terem nomeado como Director Geral Domingos Andrade (ex-Porto Canal) me convenceu. 

Esta decisão serviu também para "anestesiar" os tripeiros atentos de uma simples armadilha, que era ocuparem o poder, e centralizarem o critério  editorial do jornal. E conseguiram. Foi fácil, os portuenses de agora (ainda) andam mansos... Na falta de massa crítica, a cidade do Porto não tugiu nem mugiu (eu, fui excepção, devo dizê-lo). Nem o Porto Canal se pronunciou sob o assunto... Para o FCPorto (seu proprietário), parece tudo continuar dentro da normalidade, bem ao estilo subserviente de Júlio Magalhães, e de outros.

Aliás, para que Domingos Andrade subisse a Director (no jornal, nem sequer consta Director Geral), foi preciso promover o Director que o antecedeu, Afonso Camões, albicastrense (e benfiquista) a membro do Conselho de Administração. É este orgão específico quem de facto detém o poder, nele se incluindo o advogado lisboeta, Daniel Proença de Carvalho, como Presidente do Conselho de administração, acompanhado de *Rolando Oliveira, Jorge Carreira, José Pedro Soeiro, Guilherme Pinheiro, Paulo Rego, Philipe Yip.

Se atentarmos bem, estes cavalheiros usaram exactamente a mesma estratégia (manha) que os gajos do Governo usaram com algumas instituições estatais, como o IAPMEI, por exemplo. Deixaram as Sedes no Porto, mas implantaram o poder em Lisboa...

O que a mim me decepciona sobremaneira, é não aparecer nenhuma figura pública do Porto, a contestar estes roubos manhosos, esta usurpação de património do Porto pela Sacro Santa capital da corrupção.

De tudo isto, o curioso, é sabermos que o Sr. Pinto da Costa, na qualidade de presidente do FCPorto, e de "assumido" regionalista, nunca se tenha pronunciado sobre o tema (refiro-me ao JN).

Nas páginas côr de rosa, e desportivas, as figuras públicas prioritárias com mais enfoque, passaram a ser uma grande maioria de Lisboa. Tudo isto começou lentamente, com uma certa timidez (para ver no que dava), e como ninguém abriu a boca, agora já o fazem à descarada, como se tratasse de um jornal de Lisboa! Rapam tudo, como ratos esfomeados!

Qualquer dia ainda vamos ouví-los dizer que o JN foi sempre um jornal de Lisboa. Esta gente é tão ordinária, tão repugnante, como capaz de negar o ar que respira. Os fundadores do jornal morreriam outra vez de desgosto se soubessem que isto estava a acontecer, sobretudo agora, num país cujo regime se apregoa como democrático. Só que, já não morrem, porque felizmente para eles, já não estão entre nós...  

A propósito, mesmo preso, Rui Pinto vai tendo a coragem que falta a muitos. Diz-se preso político, e vítima de terrorismo. E tem toda a razão. O Estado português, ou quem o representa, são dejectos nauseabundos, comparados com o rapaz. 

Portugal é um país fértil a produzir escândalos! Os governos trabalham muito essa área de actividade! Tivemos o escândalo do BES, de Sócrates, de Duartes Limas, a promiscuidade criminosa e miserável de Tancos, mais um Governo protector descarado de um clube de corruptos. Temos gente ligada à polícia, e à justiça, a dar-lhes uma mãozinha...  Apesar disso, ainda nos querem convencer que têm moral, ou autoridade cívica para condenar o rapaz? A mim, meus senhores, não me convencem. Os piratas, são «V. Exas»., porque para agirem com tanta incoerência e injustiça, é porque muito temem, muita coisa querem encobrir, e não é com certeza a vida privada do vizinho do lado.

*Devo lembrar os leitores que Rolando Oliveira, é filho de Joaquim Oliveira (da Olivedesportos) e sobrinho do putativo candidato ao lugar de Pinto da Costa, António Oliveira, candidatura essa que não aprovo, de todo.  

25 setembro, 2019

Quero ver se o polvo continuar a ganhar por "outro lado"...

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Pinto da Costa recandidata-se
mas não acrescenta nada

Inquestionavelmente, falta massa crítica, ao Porto, e ao FCPorto. Os tripeiros, entre os quais orgulhosamente me incluo, parecem ter perdido aquela alma bairrista que os caracterizava. Era um atributo muito particular, que de certa maneira ultrapassava os preconceitos entre classes na nossa região, não se confinava apenas ao povo. 

O 25 de Abril, assim como o período vitorioso do FCPorto, e a época garbosa de Pinto da Costa, parece não lhes ter empolgado o regionalismo. Pelo contrário, deixou-os toldados pelo sucesso, demasiado passivos, e hoje, que tanto precisamos de dinamismo, de garra, e muita determinação, andamos para aqui meios perdidos a carpir mágoas, como os calimeros de Alvalade...

Continuamos naquela luta desigual, limitando-nos a confirmar factos perversos, sem nunca fazermos sentir aos nossos inimigos o aroma ácido da nossa revolta. Ainda não lhes demos uma pequena amostra daquilo que realmente somos capazes de fazer.  E eles, claro, crápulas que são, continuam a aproveitar.

Esta crítica não me absolve de "culpas", porque se há coisa que me deixa completamente decepcionado é não poder fazer mais do que denunciar as poucas vergonhas que o próprio Estado consente. No que à minha pessoa respeita, que mais posso eu fazer? Todos devemos estar unidos, sim, mas não apenas para apoiar a equipa, ou assistir a jogos, também temos o direito de nos fazermos ouvir junto do presidente, e da SAD, mais que não seja para sabermos o que de novo tem Pinto da Costa para nos dizer de relevante. Só ele parece ignorar a nossa principal angústia, que é não sentirmos que o FClube do Porto esteja a ser defendido à altura dos seus pergaminhos. Ele pensa que só nos contentamos com algumas palavras banais, como dizer que tenciona levar o clube a um novo ciclo rotineiro de victórias. É caso para lhe perguntar se nestes últimos anos deixou de pensar assim, sem nada nos dizer...

É ele que, de certo modo, está a  desanimar os adeptos, mau grado a tolerância paciente que (alguns) ainda lhe reservam. Grande número de portistas sentem-se num labirinto, chamado Pinto da Costa, que os inibe de escolher pacificamente entre a porta de saída e a continuidade. Indirectamente, é ele quem a fecha, mantendo-os ciclicamente indecisos entre a consideração e a revolta.  Neste capítulo, assemelha-se muito a certos políticos... Foi por posturas assim que deixei há muitos anos de votar.

Pinto da Costa pode hipotecar tudo o que de construtivo fez no FCPorto, e vir a ser responsabilizado por todos os prejuízos desportivos e financeiros que venhamos a ter no futuro que se avizinha, caso o clube do regime continue activo a ganhar no desporto, mas com a ajuda da corrupção, e da  justiça...

Já estou cansado de bater no ceguinho. Cabe a palavra ao Sr. Pinto da Costa. Desejo-lhe sorte, porque muito precisa dela.


20 setembro, 2019

E o MP teima em conspurcar a instituição. Que vergonha!


A defesa de Rui Pinto considera que a acusação do Ministério Público (MP) "contém numerosas falsidades, nulidades e ilegalidades" e que visa "silenciar e destruir" o denunciante do Football Leaks.

O MP acusou Rui Pinto de 147 crimes, 75 dos quais de acesso ilegítimo, 70 de violação de correspondência, sete deles agravados, um de sabotagem informática e um de tentativa de extorsão, por aceder aos sistemas informáticos do Sporting, da Doyen, da sociedade de advogados PLMJ, da Federação Portuguesa de Futebol e da Procuradoria-Geral da República, e consequente divulgação de dezenas de documentos confidenciais destas entidades.

Com a acusação agora tornada pública e o pedido de manutenção da prisão preventiva, confirma-se a vontade do MP de silenciar e destruir Rui Pinto, evitando que prossiga a colaboração que vinha mantendo com as autoridades de investigação de outros países", refere uma nota enviada à agência Lusa assinada pelos advogados Francisco Teixeira da Mota e William Bourdon.

No entender dos advogados, a acusação deduzida contra Rui Pinto "contém numerosas falsidades, nulidades e ilegalidades", que a defesa do arguido "irá reagir no processo no seu devido tempo". O comunicado acrescenta que a equipa constituída pelo MP para investigar a criminalidade no mundo do futebol "parece estar mais dedicada a perseguir aqueles que a denunciam do que a investigar aqueles que a praticam".

"A defesa de Rui Pinto lamenta que o MP, ao mesmo tempo que consegue evitar que a SAD de um clube de futebol seja pronunciada, consegue 'descobrir' 147 crimes contra o seu constituinte e enquanto em Espanha a Doyen é objeto de processos fiscais e criminais, em Portugal goza do beneplácito das autoridades de investigação", sublinham os advogados.

Nota de RoP:
Tudo indica que há muita gente ligada ao poder com mais medo de Rui Pinto, que este do poder. Não deve ser apenas gente particular, é gente ligada à área judicial e da política. Não tenhamos dúvidas que lá fora há já muita malta a comentar do piorio deste país. 

Nem no tempo de Salazar assisti a escândalo tão grande. Portanto, caros amigos, espero que ainda não tenham dúvidas sobre a irrelevância dos cargos. Hoje, um pé descalço é mais fiável que um ministro, ou um juiz.

18 setembro, 2019

Desabafo contra os falsos estatutos


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Mesmo com um Estado em risco de coma, com os mais altos dirigentes do país a comportarem-se como vulgares vigaristas, sem que haja uma alma viva a dizer basta, isto não pode continuar assim, Portugal parece não se importar de transmitir ao mundo a imagem do país mais corrupto da Europa.

Eu, sou português, gosto da terra onde nasci, mas detesto gente que pactua com o crime e com criminosos.  Neste imenso grupo, inclui-se a Justiça, o Governo e a Presidência da República. Quem não gostar de ler isto, quem se identificar com este  regime  e tiver poder para isso, que me prenda, e dite prisão perpétua, que nada me fará mudar a convicção. 

A verdade ficará sempre comigo.

PS-Para os ingénuos que continuam a morder iscas de ratoeira, como ratinhos bébés, que ainda censuram a abstenção, vai um conselho: em vez de votarem em branco, gerando mais papel falsificável, proponham ao país também o direito ao voto demissionário. 

Isto de votar apenas para eleger, é uma grande mama, é a ditadura a mandar na democracia. O voto popular não devia servir apenas para decidir quem pode mandar, mas também para demitir quem não sabe. 

Utópica, e enganosa, é a estrada de uma só direcção. Se assim não fosse, nas próximas eleições, podíamos mandar para o olho da rua os inúteis que nos infernizam a vida.



17 setembro, 2019

Rui Pinto é mais importante que o próprio Estado. Foi este, que o promoveu...

Rui Pinto, a tábua de "salvação" da (IN)justiça
lisbonária

William Bourdon admite que o português está cansado e ansioso, mas tem sido bem tratado na prisão
William Bourdon, advogado de Rui Pinto, concedeu uma entrevista à revista alemã Der Spiegel, na qual fez o ponto de situação sobre a detenção do denunciante português do Football Leaks, detido em Lisboa desde 22 de março e ainda sem qualquer acusação formalizada.

Estado de Rui Pinto: "Está isolado, mas bem tratado pelos guardas. Mesmo que o Rui mostre a mesma coragem de sempre, é possível detetar o cansaço e a ansiedade nos seus olhos, ele sente que a situação é injusta. Também sei que ele é apoiado pelos outros detidos, não podem vê-lo, mas gritam-lhe palavras de apoio."


Um pirata informático pode ter estatuto de denunciante? "Ser acusado de pirataria pode ser um obstáculo, mas não podemos esquecer que estas questões legais não extremamente novas. Um exemplo: Antoine Deltou, o informador do Luxleaks, foi acusado e condenado duas vezes por acesso ilegal, mas, no fim, foi absolvido porque o juiz entendeu que ele preencheu os requisitos do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem para ser considerado denunciante. Outro exemplo vem do denunciante dos Panama Papers: graças a ele, mais de mil milhões de euros foram recuperados por várias autoridades tributárias e ele não era funcionário de qualquer empresa do Panamá.


Ainda sem acusação: "É uma especificidade da lei portuguesa. Mas é incomum ter alguém detido por tanto tempo sem uma acusação formal. Para além disso, contradiz completamente o que é esperado e requisitado pelo Parlamento Europeu, pela Comissão Europeia e pela sociedade civil. O consenso é de que a proteção aos denunciantes tem de ser aumentada."
Evolução da investigação e alegadas provas de outros crimes, como invasão informática a políticos e sociedades de advogados: "As investigações são mais ou menos secretas em Portugal. Em França, poderia facilmente obter uma cópia do processo, mas há um nível de restrição em Portugal que não facilita o trabalho de um advogado. O mandato de detenção respeitava o Princípio da Especialidade, só podia dizer respeito a determinadas questões e não a acusações de forma generalizada. Pergunto-me se as autoridades portuguesas sabiam dessas outras acusações desde o início. Se sabiam, porque não as incorporaram? Há a suspeita de que o Princípio da Especialidade pode ter sido violado."

Cooperação com as autoridades portuguesas: "Que eu saiba, só um pequeno interrogatório.Ele reiterou a sua vontade em colaborar, abriu essa porta, mas as autoridades portuguesas ainda não a utilizaram. Isto leva-nos a um paradoxo histórico: já foram pagas enormes multas e outras serão pagas no futuro por jogadores, agentes e clubes. Há inquéritos a decorrer nos próximos meses, que envolvem atividades criminais no futebol e, ao mesmo tempo, Rui Pinto continua preso. Os suspeitos cujas atividades deveriam ser investigadas foram poupados. Isto é absurdo."

16 setembro, 2019

Um domingo de sorte...

Houve um esforço final, é verdade, mas a sorte não o traiu


Afinal, alguns dos atletas que estavam em dúvida, acabaram por entrar em campo, e jogaram. Estas coisas acontecem, mas, na minha opinião, deviam evitar-se. Cheguei à conclusão que Sérgio Conceição prefere espremer até ao limite o esforço físico dos jogadores que lhe dão mais garantias, a alterná-no com outros mais frescos. É uma opção legítima, mas de risco elevado que já nos custou caro. Marega, e Aboubakar que o digam (só para falar nestes dois).  Alex Telles foi um herói, conseguiu aguentar-se muito tempo, mas não resistiu aos excessos de uma titularidade incondicional. Se juntarmos a este hábito do treinador, outros, igualmente perniciosos, como  o de reagir tardiamente, quando a equipa dá sinais de relaxar, temos um cocktail altamente perigoso.

Foi o que sucedeu no jogo de ontem, com o Portimonense. Talvez a entrada de Nakajima não tenha sido feliz, mas a decisão foi algo tardia (faltavam poucos minutos para o fim do jogo), nunca é um estímulo para o atleta, é quase um SOS, um "resolve tu", e o resultado foi o que se viu. Quem me conhece, sabe que não sou daqueles que me atiro aos treinadores quando algo corre mal. Gosto de lhes dar tempo, assim como aos jogadores, para mostrarem o que valem. Mas, há limites. Sérgio Conceição devia ter mexido na equipa logo, assim que sofremos o primeiro golo, para evitar que o adversário crescesse, e os nossos entrassem em "pânico", como veio a acontecer. Se o 1-0 é um resultado perigoso, o 2-0 é traiçoeiro, porque pode induzir ao relaxamento.

Este ano entraram alguns reforços de qualidade, e mesmo assim, nem todos parecem ter agradado ao treinador, o que é um tanto incompreensível, visto ter dado o seu aval à contratação, por exemplo, do argentino Saravia (que não tem jogado). Depois, continuamos a ter no plantel um grupo de jogadores interessantes, mas com limitações técnicas antigas. Danilo é um deles. É aplicado, por vezes eficaz, gosta de jogar, mas continua a ter grandes dificuldades em rematar, tanto com o pé, como com a cabeça. Assim por alto, em 10 oportunidades, acerta uma na baliza. Sem pretender ousar substituir-me a Sérgio Conceição, acho que algumas das dificuldades técnicas dos jogadores podem ser perfeitamente corrigidas com treino específico. O caso de Danilo é paradigmático. Vejamos: ele procura o golo, quer mostrar serviço, mas não tira daí muito proveito, porque não faz o movimento certo para ter sucesso. Remata com a cabeça frequentemente, mas quando salta, raramente consegue elevar a cabeça acima do nível da bola, e quando é assim não pode dar a direcção correcta à cabeça, ou seja, imprimir-lhe o movimento descendente (de cima para baixo) e a força necessária. Isso explica porque é que a bola sobe sempre demais. Com os pés, passa-se o mesmo. A bola sobe demais porque, ao abordá-la, ou é o tronco que não leva a inclinação para a frente, ou é o peito do pé que faz levantar demais o esférico raspando-o pela base. Estas coisas dependem do jeito de cada um, é natural, mas são perfeitamente aperfeiçoadas se os treinos forem regulares e de acordo com a habilidade específica de cada jogador.

Resumindo: ainda há muito para corrigir. O treino não pode ser apenas uma rotina, tem de responder às dificuldades técnicas que um conjunto de jogadores não consegue dominar. O Ronaldo ainda goza da reputação de "o melhor do mundo", e nem sequer é pelas suas qualidades técnicas genéticas, é pela sua pertinácia de querer sempre fazer melhor. E treina sozinho, muitas vezes... E é isso que mais admiro nele. Messi, é naturalmente mais evoluído, parece uma máquina de carne e osso, mas o Ronaldo tem uma força de vontade que Messi não tem, e supera-o nos resultados. Ora, não é isso que o FCPorto precisa, mas podia servir de inspiração ao treinador do FCPorto para ensinar os jogadores menos assertivos.

Quanto ao jogo de ontem, é para não esquecer.

14 setembro, 2019

Do futebol, uma dúvida


Apenas um pormenor sobre o FCPorto. Não é a primeira vez que abordo este tema. As últimas notícias indicam que neste momento há 5 jogadores do plantel com  problemas físicos (lesões). Portanto, é pertinente ter abordado mais uma vez este potencial problema, e a razão é simples: o histórico de situações deste tipo vem sendo habitual no FCPorto de Sérgio Conceição.

Só resta saber se a mesma mensagem já foi absorvida pelo treinador. É demasiado cedo para começarmos a ter este tipo de problemas, quando ainda nem disputamos meia dúzia de jogos. Se isto não convida a uma reflexão profunda dos métodos usados para trabalhar a condição física dos jogadores, tomando em consideração o perfil físico de cada jogador, então não imagino o que pode convidar.

Espero que, uma vez mais, não insistam no mesmo erro, e deixem correr o marfim, à espera que tudo se resolva, sem corrigir eventualmente o que está mal nesta matéria. Se nada fôr feito, não há argumentos que possam poupar o treinador dos seus métodos de treino, ou, quem sabe, do próprio modelo de jogo. Que isto não é muito normal, não é.


12 setembro, 2019

Justiça, em Portugal? Que é essa merda?


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É tão risível a argumentação dos juízes Rui Teixeira, e de Maria Féria, do Tribunal da Relação de Lisboa, que só agrava a já péssima reputação da justiça portuguesa. De tal modo, que até a mim me custa escrever a palavra justiça, porque ao fazê-lo posso estar a dar-lhe uma credibilidade que pura e simplesmente não existe. E já agora, não posso deixar de censurar o vocabulário usado pelo JN sobre esta execrável decisão quando diz que o tribunal da relação (com minúsculas) arrasou o Ministério Público, como se tratasse de um bombardeamento, ou de um jogo de futebol... 

Este país, está mesmo uma merda, em todos os aspectos! Mas algo de positivo se pode concluir desta pouca vergonha: ficamos com a nossa desconfiança reforçada nesta matéria, isto é, em Portugal NÃO HÁ JUSTIÇA, há gente a brincar com coisas sérias, e a julgar, quando devia ser julgada e provavelmente condenada, fosse Portugal um genuíno Estado de Direito... Mas não é! Palavra de homem! Coisa que os políticos de agora jamais saberão o que significa, porque continuam a falar do Estado de Direito como se isso em Portugal fosse uma realidade.

Mas, há aqui um detalhe que convém não esquecer. Aparentemente, se este golpe de asa do T.R. de Lisboa visa apenas lançar o odioso da decisão para cima do Ministério Público, e não passar de mais um acto de teatro entre pares (Tribunal R.L., e MP), como pode ser o caso, o Ministério Público terá obrigatoriamente de dar uma resposta à altura. Mas cá para mim, palpita-me que isso não vai acontecer... Uma reacção destas, seria digna, e apropriada a uma instituição que ainda acredita viver numa democracia. Mas, se não a tomar, estará a assumir que teme, e se rende, à ditadura em que se tornou o país.

É por estas, e por outras, que quando uma estrutura de poder não funciona sectoriamente (trata-se do poder político), é para os mais altos representantes que devemos apontar responsabilidades. Ontem, citei aqui a pessoa do presidente da república e do 1º.ministro, precisamente por avaliar as coisas por esta ordem. 

Pela mesma razão, mas por motivos diferentes, censuro o presidente Pinto da Costa. Sempre fui avisando que as coisas podiam não correr bem se ele, e a SAD, não apresentassem pessoalmente uma queixa firme numa reunião com o Governo, ou com o próprio PR. Fiaram-se na justiça e resultou nisto. É no que dá optar pelo politicamente correcto...

Sr. Pinto da Costa, não fique triste, revolte-se!


PS-Tomem bem nota, para a posteridade: 

a imagem perfeita da pouca vergonha, em Portugal, é ver a bancada do estádio da luz recheada de uma corja de políticos a sorrir para o mundo, como se fossem todos filhos de pais incógnitos. Isto é, orfãos de encarregados de educação...


11 setembro, 2019

Vamos contentar-nos com lamentações? Para que serve a União Europeia?

O Tribunal da Relação de Lisboa decidiu, esta quarta-feira, não levar a SAD do Benfica a julgamento, no caso e-Toupeira, considerando que não se concluiu que os corpos sociais da Benfica SAD "concordaram ou anuíram à conduta do arguido" Paulo Gonçalves.
No acórdão da decisão, a que o JN teve acesso, lê-se que a SAD do Benfica só iria a julgamento se o crime tivesse sido "cometido em seu nome e no interesse coletivo" das pessoas que nela ocupassem uma posição de liderança ou "sob a autoridade das pessoas com posição de liderança". Posição essa que o arguido Paulo Gonçalves, ex-assessor jurídico do Benfica, não tinha, "já que não foi mandatado pelos corpos sociais para intervir em processos pendentes nos Tribunais judiciais e não estava nas suas funções laborais intervir nos mesmos", considerou a Realção.
A decisão do juiz desembargador Rui Teixeira, que confirma a da juíza Ana Peres na fase de instrução, motivou uma reação por parte do diretor de comunicação do F. C. Porto que, na terça-feira, frisou que Paulo Gonçalves assinava documentos como membro da SAD encarnada.
Nota de RoP: Se  já não tinha uma opinião famosa do país, agora tenho uma certeza: somos governados por um Estado corrupto, amigo de gangsters. Está-me a ler, sr. Marcelo Rebêlo Sousa? E você, seu 1º- Ministro de Cartilheiros?  Se não fosse um aldrabão, louvava-lhe a competência. Assim, não passa de mais um vigarista.
Nota 2: Mesmo assim, nunca perdoarei a Pinto da Costa se aceitar pacificamente esta decisão do Tribunal de Recurso de Lisboa. Existe na estrutura do FCPorto, uma pessoa respeitável, experiente, que podia muito bem apoiar de alguma maneira o clube. Foi magistrado de prestígio, e exerce agora o cargo de presidente da Assembleia Geral do clube e da SAD. É pai do actual ministro do Ambiente, chama-se José Manuel Matos Fernandes. 

Recordo, para que conste, o que ele disse por altura da entrega da Roseta de Ouro em 2018:
    "Juro que acabo de ser apanhado de surpresa. Ainda por cima, numa fase em que juízes e futebol são um cocktail supostamente indesejável e em que nós, magistrados, temos de nos proteger, pelos vistos, da canalha com que andamos envolvidos. Devo dizer que nunca dei por ela e dizer que em tempos em que não era dirigente de futebol andei em bem piores companhias.”

"O que posso dizer depois desta surpresa completa? Ainda bem que está aqui na sala o meu ilustre cardiologista, pode dar-se o caso de ele ainda hoje ter de prestar alguns serviços ao seu paciente. A todos vós, muito obrigado. Viva o FC Porto!"

08 setembro, 2019

Portugueses fora de Lisboa preferem a Regionalização?!


Se a sondagem publicada no JN for fiável, pode ser um sinal positivo. Pode ser...
Mas, numa primeira análise, peca por incluir o referendo, o que significa dar uma segunda oportunidade aos que, em 1998, atraiçoaram a Constituição da República. O referendo é a PIDE dos falsos democratas. É uma espécie de Benfiquistão da Democracia...







  




01 setembro, 2019

Timor-Leste


Valter Hugo Mãe *

Depois do massacre no cemitério de Santa Cruz, tornou-se insuportável a hipocrisia dos estados em relação a Timor-Leste. A descolonização portuguesa, tardia, foi negligente culminando uma ainda mais negligente ocupação de séculos. O país soube nada acerca de criar paridade, não ultrapassou um racismo elementar, auferiu dos lugares, das pessoas, dos seus corpos, sem convicção alguma de caminhar para a igualdade, para a tão retórica e prometida integração. A colonização foi uma aberração histórica que trouxemos até demasiado recente. Quando vimos em direto as imagens grotescas de Timor-Leste, assistimos à falência moral da nossa propalada história de feitos tão bravos quanto cruéis.

Poucas vezes o povo português se mobilizou emotivamente com uma causa como com esta. Diria que nunca mais vi o mesmo mar de acenos brancos, comoções pela paz que exigiam dos governantes da altura uma ação imediata. Claro que foi a divulgação internacional das imagens do massacre, mormente na CNN, que criou o efeito de indignação na diplomacia do Mundo. Foi a imprensa internacional e foi Kofi Annan, secretário-geral da ONU, homem do Gana, que já vinha revelando uma preocupação para com a situação e a intenção clara de defender aquele povo no sentido da sua libertação.

Portugal, de povo unido, podia muito pouco depois de haver abandonado atabalhoadamente os países que ocupara, mais ainda, depois de guerrear com eles, matando milhares, destruindo quanto pudesse. Éramos o maior aliado num misto de profunda culpa e vergonha.

Passam 20 anos desde o referendo que estabelece a independência de Timor-Leste e o consequente nascimento da sua democracia. O mais que se sabe é a luta contra a miséria. Que vocação tivemos para deixar na miséria os países ocupados! Até a naturalmente riquíssima Angola sangramos de fome. Até o Brasil não foi, para nós, senão o imenso celeiro de onde extorquíamos bens. Integrámos ninguém. Abastecemo-nos e mestiçámos por gulas, não por respeito humano, vontade de ouvir, partilha.

Hoje, o meu orgulho é no povo timorense que soube resistir e soube escolher a independência. Com todo o empenho de tantos, há vinte anos, o mérito é de quem resistiu ali. Esta data é uma vitória que elogia Timor. A diplomacia e a comoção portuguesas não serão mais do que a solidariedade possível depois do abuso. A memória do todo é o único caminho para um futuro onde nada disto se possa repetir.

*Escritor 
(JN)

Nota de RoP:
A lucidez, ao contrário dos gostos, não é, nem pode ser comparável ao gostar do azul, ou do vermelho. É uma questão de seriedade intelectual, independente e intransponível. É uma espécie de diamante no meio de pedras sem brilho. E afinal, nem pedras são, trata-se de gente vulgar. Por isso, considero Valter Hugo Mãe, o intelectual mais honesto da actualidade.   

28 agosto, 2019

À saída do Estádio das Trevas houve portistas agredidos. Sabiam? E agora? Calámos?

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Francisco J. Marques deu a cara pelo FCPorto,
 e revelou o que outros não sabiam.
 Convém não esquecer este detalhe...


Não fôra a mentalidade vulnerável de alguns comentadores portistas, não precisava de perder tempo com explicações dispensáveis. Quero com isto dizer, que lamentavelmente  nem todos os portistas têm consciência da verdadeira dimensão dos prejuízos causados ao FCPorto pelos seus inimigos. Fossem os prejuízos exclusivamente desportivos, seria também  lamentável, mas incomparávél com os que  acontecem há uns anos a esta parte. Senão, atentem que eu não chamei adversários aos causadores desses danos, chamei inimigos, porque como concordarão, não são um, ou outro clube rival mais competitivo que nos estorva, é aquilo a que outros portistas atentos (e bem informados) chamam, e bem, "o clube do regime".   

E por que será que estou a escrever com tanto "preciosismo", se quero que a união entre portistas se mantenha sólida e cada vez mais coesa? É simples. Porque ainda há entre nós quem se deixe influenciar pelo que dizem e escrevem os nossos inimigos! Influências tão infantis que já chegaram ao ponto de criticar o Director de Comunicação do FCPorto, Francisco J. Marques. Críticas essas, que por mais toleráveis que sejam, não se justificam, quando se trata de alguém que deu a cara para denunciar aquilo que poucos sabiam. Esquecer isto, é ser portista do tipo moínho de vento, isto é: frágil e  imprevisível.

O nosso maior problema não está no nome do clube rival, do adversário. O problema está no regime que o sustenta e ampara. Em suma, nos nossos multifacetados inimigos.  É esse monstro real (sem coroa)  que nos persegue e ataca, e em várias direcções. Funcionam, quer a partir de estações de televisão (privadas e estatais), dos jornais desportivos e generalistas, quer do próprio poder político! Se as acusações que aqui  assumo fossem levianas, se tudo isto não estivesse a acontecer, se não fosse uma realidade, podiam-me acusar à vontade de difamação que não me restava outra coisa que não "meter a viola no saco", e calar-me. Só que, sendo pura verdade, não será qualquer juiz que me fará mudar de opinião. Essa, é inalterável. 

Contudo, e pelas mesmas razões, não são apenas os portistas manipuláveis, os únicos responsáveis por estarmos a dar demasiadas oportunidades ao dito inimigo (clube do regime), que continua a tirar vantagem da situação, é também o silêncio, não apenas do presidente (porque esse ainda é visível), como do Dr.Fernando Gomes, do Dr. Adelino Caldeira, e restantes elementos da SAD! Ainda não abriram a boca para falar aos portistas (como lhes competia) sobre este caso concreto, mais que não fosse para dizerem se confiam, ou não, na Justiça, porque nós ainda não temos a certeza de nada, portanto, não fomos esclarecidos. O que sabemos, é através do F.J.Marques, e não consta da boca dele nada alusivo à opinião dos membros da SAD. Por conseguinte, tanto o longo silêncio da SAD, como o súbito emudecer da Justiça só têm contribuído para aumentar os prejuízos do FCPorto. E os adeptos são sempre os mais prejudicados, como se constatou sábado passado, de forma criminosa!

Foi justamente por ter ouvido ontem Francisco J. Marques noticiar  que mais uns adeptos do FCPorto tinham sido barbaramente agredidos à saída do "Galinheiro das Trevas", é que falei dele e dos seus críticos "portistas". Um desses feridos foi  internado no Hospital S. João. Foi por eles que voltei a trazer à baila este assunto, por adeptos que seguem o clube para todo o lado, pelos que acompanham e prestam apoio ao FCPorto sujeitando-se a ser agredidos por bestas protegidas pelo regime.

Esta situação degradante continua a afectar o clube, mas também os adeptos e sócios que a sofrem na pele como ninguém. E não duvidem, as vigarices e as injustiças não vão parar. O FCPorto ganhou no "galinheiro", só encostou ao clube do regime na pontuação, mas isso é suficiente para accionarem o modo "fazer as coisas por outro lado". Não duvidem! Um dos agredidos referiu mesmo que um agente da PSP viu o que estava a acontecer, e não foi ajudá-lo! O FCPorto, os seus digentes, não podem continuar a fazer de conta que não sabem o que está a acontecer, ou então não vale a pena denunciar estas barbaridades pela voz do Director de Comunicação do FCPorto que está sob constante observação dos cartilheiros do Regime, com o carrasco José Meirim à cabeça.

Das duas uma, ou os dirigentes do FCPorto mostram o que valem, e têm coragem para enfrentar o poder político, obrigá-los a assumir se sabem com rigor o que está a acontecer, e explicar por que é que permanecem calados. E (digo eu), na improvável hipótese de justificarem o silêncio com um "NIM", responderem então que não assumirão qualquer responsabilidade do que possa vir a acontecer se um dia seja um adepto benfiquista a ser agredido por qualquer suposto portista. Acrescentando, nesse caso, e por mais grave que fosse essa agressão, a responsabilidade teria de ser endossada ao Estado português, nas pessoas dos senhores Primeiro Ministro, e Presidente da República. O que, num país civilizado, significaria cumplicidade criminosa do Estado. 

Se estou a  exagerar, expliquem-me então por que é que não tenho papas na língua a tirar conclusões tão "óbvias". O óbvio não é o que esconde, é o que se vê. E os líderes da SAD terão papas na boca a abafar-lhes a voz? Que estranha maleita esta, a do silêncio que castra a liberdade e o direito à defesa...

Será por temerem poderes de autoridade duvidosa?
  

PS-Espero que nenhum parente próximo dos elementos da SAD tenha o azar de um dia ser agredido, como foram os adeptos acima citados, porque nesse caso hipotético duvido que se mantivessem impávidos e serenos, como agora estão.    

26 agosto, 2019

O Museu

Valter Hugo Mãe

Um Museu Salazar na casa onde o ditador nasceu não é possível que seja isento de saudosismo. Há uma atmosfera de capela na ideia impossível de apagar. Qualquer que seja o nome que se dê a este espaço, o perigoso enfoque está criado. Por mais que se destituam os conteúdos de ideologia, o gesto corrompe-se por definição. Os malfeitores devem ser lembrados pelos lugares onde mataram e onde morreram, é isso que nos ensina e nos urge lembra


Não é verdade que favorecer a memória de Salazar como um "filho da terra", figurão na História do país, seja só uma liberdade democrática, porque não é. É uma desfaçatez. Salazar mandou assassinar, criou campos de concentração, torturou, mentiu, falseou eleições, dispôs do país e das colónias como se fossem sua mercearia e seu jogo de soldadinhos. Por isso, o que diz respeito à saudade de Salazar não é opinião, é desfaçatez. Não é exercício democrático, é branqueamento de um regime que assassinou, torturou, mentiu e empobreceu os bolsos e os espíritos dos portugueses e de todos os povos de que os portugueses tiveram a ilusão de ser proprietários.

O museu que tinha de haver era o que se perdeu com a sede da PIDE. Aí, sim, haveria de se espanar o saudosismo. A simples ostentação daquelas portas e daquelas paredes serviria para se contar a História a partir do prisma da decência; aquele que imediatamente diz que nenhum poder se pode arrogar a perseguir os seus opositores. Ninguém nos pode voltar a diminuir na liberdade de pensamento e de expressão. Não nos podem matar.

O entusiasmo de Leonel Gouveia, eleito pelo PS na autarquia de Santa Comba Dão, é, no mínimo, inusitado. Já sabemos que o diabo encontra meios de colocar os néscios ao seu serviço, também já suspeitávamos que muita da Esquerda trabalhasse na verdade para a mais pura Direita. Que fizesse um favor tão grande ao fascismo é que não estaria à espera. De Centro Interpretativo a lugar de velas é um passo. Com o rumo que o Mundo leva, se não formos mais espertos, o que vemos a acontecer espantados em outros países regressa ao nosso em esplendor. Quero dizer, para matar as saudades dos assassinatos e dos desaparecimentos, e da tortura e da mais elementar mentira. Vai ser uma curiosidade, depois, ver onde nasceu o novo ditador para cuidar de lhe manter a casinha em pé e ir para lá interpretar o raio que parta.
*Escritor


Nota de RoP:

Costuma dizer-se, que mais cedo se apanha um mentiroso que um côxo. Quantos Leonel Gouveias deste país andam por aí a exibir bandeiras do PS, com o amor a Salazar no coração?  

Haverá uma diferença assim tão grande entre o espírito de um salazarista e de um centralista? Olhem que não, olhem que não...

25 agosto, 2019

As peneiras encarnadas pagam-se caras

Marega,
Treina-me esse remate e serás indomável


Ontem, só o Marega podia ter goleado o Benfica, não fosse tão perdulário a rematar. Pelo menos, falhou mais 2 golos! 


Mesmo assim, fez uma grande exibição. O FCPorto dominou o Benfica no galinheiro, sem a menor contestação. Jogou rápido, muito concentrado, defendeu bem, e atacou melhor. Executou passes acertados, trocou a bola ao primeiro toque, e pressionou alto sem dar grandes oportunidades à equipa da casa. 
Isto, aplica-se obviamente a toda a equipa, e a melhor prova desse domínio foram os 90 minutos de "férias" na baliza de Marchesín.  Ninguém pode agora negar que Sérgio Conceição não fez bem o trabalho de casa. O que é preciso é manter-se assim.



22 agosto, 2019

Que debates tem feito o Porto Canal sobre a Regionalização? Quantos?


"Quando me fazem convites para almoçar, ou jantar, ou mesmo convites profissionais, nunca digo Não. Não gosto de desiludir as pessoas. Às vezes tenho 3 reuniões quase à mesma hora, ou 3 jantares marcados para o mesmo dia. Ainda por cima detesto burocracias. Não anoto nada.  A minha secretária é que sofre."

Estas, foram parte das respostas que Júlio Magalhães, Director Geral do Porto Canal deu à revista "Notícias Magazine"  sob o tema da dificuldade que algumas pessoas têm de dizer Não.  Numa primeira avaliação, e se não levarmos em conta o contexto da referida entrevista, esquecendo a actividade profissional do entrevistado, provavelmente, a tendência dos leitores inclina-se para pensar que Júlio Magalhães é "um gajo porreiro" . Eu próprio, acho que sim, que deve ser um tipo de contacto fácil, independentemente do que pensamos do "porreirismo". Mas se juntarmos às respostas que ele deu à revista, o modo e a escassez de rigor como gere o Porto Canal, perceberemos facilmente por que é que isso acontece. E nesse caso, já não achamos piada nenhuma à sua forma demasiado blasée de dirigir uma empresa de televisão, que nem sequer é sua. O "porreirismo" pode transforma-se em anarquia.

A culpa, não é dele, é de quem o contratou, e  também parece estar a borrifar-se para o sucesso do Porto Canal. Para não deixar aqui uma ideia  demasiado crítica de Júlio Magalhães, cito de memória os poucos canais de cultura que aprecio e gostaria que fossem poupados a repetições exaustivas que em nada beneficiam os autores: "Caminhos da História", "Nota Alta", "Mentes que Brilham" , "A Falar é que a Gente se Entende" . A área desportiva também podia melhorar, sobretudo a programação criada para debater e (defender) o FCPorto. Está bem a transmissão dos jogos das modalidades.  E é tudo.

Os programas referidos, já não são novos, mas não sou contra a sua continuidade, pelo contrário. Agora, o que está a falhar é a continuidade de outros, a aposta na qualidade informativa sobre a Regionalização. Ainda há poucos mêses éramos informados pelo Porto Canal que tencionavam intensificar esta temática, mas de repente deixaram-na morrer, e é isso que tem falhado. A continuidade regular de certos programas não é levada a sério, e assim é mais complicado gerar audiências. 

Foi já a 7 de Maio que vimos o único programa de jeito, ou melhor, uma interessante entrevista feita por Tiago Girão ao Presidente da CCDR-N, Fernando Freire de Sousa, onde se debateu o ardil das sedes fictícias de instituições que vieram para o Porto, mas que tinham os administradores e a maioria do pessoal em Lisboa. Foi mais uma entrevista que um debate, mas mesmo assim, um bom, um utilíssimo programa. Mas, foi o único verdadeiramente interessante. A partir daí, voltou tudo ao mesmo. Assim, não vale a pena. Seria fundamental convidar gente seriamente empenhada na causa, e evitar a presença de políticos que andam há anos a fingir o seu regionalismo, que não acrescentam nada ao tema, e só servem para baralhar e desestabilizar. Seria fundamental que o critério qualificativo dos protagonistas, a sua autenticidade de regionalistas não  fosse negligenciado, sob pena de voltarmos a perder tempo.    

É surpreendente como os representantes do principal accionista (FCPorto) andam tão distantes  do Porto Canal e do seu bom funcionamento. Um deles até lá tem uma filha a ganhar a vida... Nunca é demais lembrar a quem de direito que o FCPorto é uma associação desportiva cotada em bolsa. É que, às vezes, o silêncio misturado com a ausência parece provocar amnésia.

21 agosto, 2019

Blah, Blah, Blah, Blah, Blah ! Chega de vigarices, garotos!

Professor de Coimbra que estudou tentativas de regionalização cético em relação à sua concretização


O docente da Universidade de Coimbra Daniel Gameiro Francisco não acredita que seja desta vez que a regionalização vá para a frente, afirmando que o tema surge ciclicamente há décadas, associado à preparação dos debates que antecedem eleições.


Daniel Gameiro Francisco, professor na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra que desenvolveu trabalhos sobre o tema, considera que “o sistema político se viciou em falar em descentralização e em regionalização” periodicamente “como quem vai regularmente a uma missa ou a uma cerimónia qualquer”, mas isso “não tem grande significado real”.

“Há aqui uma espécie de sismógrafo. Quando o sismógrafo da regionalização começa a tremer, é porque se aproxima qualquer tipo de momento importante para o sistema político, normalmente eleições. A partir daí tudo desaparece. 

Portugal é um país de regionalistas com amnésia”, considerou, em declarações à Lusa.
O docente, que fez a sua tese de mestrado sobre o tema, salientou que nas últimas décadas se fala na regionalização quase sempre em associação à preparação do debate eleitoral, ou autárquico ou legislativo, embora também já tenha acontecido antes de eleições presidenciais.
“É cosmética. O sistema político português, os seus principais protagonistas nunca realmente estiveram interessados em regionalizar. 
E em descentralizar também não, mas como a descentralização em Portugal se limita um pouco à escala municipal, com esse grau de descentralização consegue-se viver. 
Agora, com mais do que isso, com preparar o Estado para se adaptar às grandes necessidades do território, inclusive as que são regionais, nunca houve uma vontade muito prolongada”, disse.
O professor universitário considera que o Estado está organizado de uma forma que não responde ao que o país precisa, “organiza-se para si próprio, vive para si próprio e não vive para o país, que, aliás, conhece muito mal”. De vez em quando volta ao tema como uma “espécie de apaziguamento de consciência”.
“Grande parte dos nossos governantes já foi regionalista na sua vida, mas, quando assume funções no Estado, o Estado envolve estas pessoas numa outra lógica, que é a própria posição centralista do Estado, e que os leva a esquecer tudo o resto. Portanto, é a partir dali que se governa o país e ponto final”, disse, salientando, contudo, a “coerência mais longa de posição regionalista de alguns políticos”.
Numa altura em que o tema voltou à ordem do dia, Daniel Gameiro Francisco considera que falar de regionalização é como a história de Pedro e do lobo.
“Ao fim de tanto falarmos no lobo, ele pode vir, tanto se fala dele que ele pode vir, mas não acredito”, reforçou, considerando que o país está “em mais um desses momentos quase litúrgicos, quando, ainda por cima, se fala muito do interior, da desertificação, da situação de abandono”.
O docente considerou que a necessidade das regiões permanece, mas já não é a mesma que existia após o 25 de Abril.
“As comissões de coordenação [e desenvolvimento regional] vão fazendo um simulacro. Não é mau trabalho, é um bom trabalho, mas não chega, não chega”, acrescentou.
A necessidade do planeamento regional das funções do Estado permanece, mas hoje a regionalização “teria a ver com o estar preparado para desafios que são mais recentes”.
“Não é só o equilíbrio do desenvolvimento das regiões, mas o tipo de desenvolvimento que é necessário adaptar a cada uma delas, porque, apesar de tudo, elas têm muitas semelhanças, mas também têm especificidades”, disse.
Entre os desafios atuais, o professor destacou a economia digital, a transição energética, o federalismo municipal para levar para a frente novos projetos – questões que “não existiam há 30 ou 40 anos”.
Dr. Daniel Gameiro Francisco

Nota de RoP:

Sobre este artigo de opinião, incontestavelmente coerente, falta apenas acrescentar, que todos os governos que se seguiram ao 25 de Abril, além de incompetentes, pecaram, e continuam a pecar, por traírem a Constituição. E convém termos a noção clara de quão grave e criminoso é o significado desta palavra.

Por outras palavras, podemos acrescentar que as promessas temporárias da Regionalização, mais não são que o melhor certificado da génese vigarista dos políticos portugueses. Da direita, ao centro, e do centro à esquerda. Ninguém escapa. Assim, é muito fácil acusarem os cépticos de pessimismo, e manterem-se no poleiro como se fossem gente.

Este é o Portugal dos pequeninos que se orgulha de separar o país.

19 agosto, 2019

Ao Porto


Entendo bem porque Dom Pedro, o primeiro do Brasil, à inauguração daquele maravilhoso país, quis de qualquer modo deixar o coração no Porto, cidade intrincada que se ama apenas por maturidade. Não é para paixões inconsequentes, o Porto é uma disciplina, uma localização espiritual que se reconhece sobretudo no mapa da resiliência.


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Valter Hugo Mãe *

Julgo que aprendi a amar o Porto pela robustez do casario. Vinha de olhos cheios com as minhas terras de Guimarães, onde passávamos sobretudo pela aldeia, as pessoas esparsas, uma rarefação maior, e encontrava nos Aliados a monumentalidade da pedra, a declinação em direção ao rio onde a pedra é uma ideia contínua. Eu via um povo contínuo. Gente junta como a fazer força, a erguer uma cidadania preparada para qualquer ataque.
Diziam-me que era a cidade Invicta, a que nunca sucumbiu. E o meu pai explicava sempre que o fascismo começou a cair ali, e que a consciência elementar do bem e do mal se apurava muito mais naquele lugar, na cidade monumental do trabalho. Mostrava os braços. O meu pai foi longamente um administrativo, mas mostrava os braços porque a palavra trabalho esplendorava quando implicava o dispêndio físico. O Porto, eu via pelas pedras habitadas, era uma ideia conquistada a certo milagre físico. Não se entende sem assombro e sem sombra.
Lembro bem da idade em que comecei a ir de comboio sozinho às livrarias e às lojas de discos na Cedofeita e nas imediações do Rivoli. Erguia a cabeça como um portuense orgulhoso, mesma carne daquela antiquíssima equação. Eu lembro do entardecer, quando o povo eminentemente proletário recolhia e o intrincado das ruas deitava fantasmagorias sobre a minha solidão. Pouca coisa enriqueceu o meu imaginário mais do que isso. Essa insinuação de gente no bulício quase nenhum que me pareceu invariavelmente coisa de inverno. Uma estranheza de sentir prazer ao demorar ali, demorar no entardecer, chegar à noite com o frio, um pouco de vento, o silêncio profundo.
Em algumas alturas, como agora, vou deitar os olhos pelo promontório da Sé e espio só como é obrigatoriamente brava a vida naquele lugar. Seguimos meditando naquelas pedras, fugazes na sua eterna memória, na sua paciente resistência. O Porto permanece feito para amores maduros. Entrega-se devagar, talvez se entregue nunca. Num frasco de vidro ou num poema, sei bem que também eu lhe deixarei, inevitavelmente, o coração. Sinto pelos braços um leve sobressalto. Pudesse o poema levantar as pedras, ser físico, valer à cidade como quem nela trabalhou.

* Escritor

Nota de RoP: 

Valter Hugo Mãe foi protagonista de um programa cultural do Porto Canal, no qual fazia também o papel de entrevistador. Foi do melhor que vi na televisão do FCPorto. É um comunicador do melhor que há neste país. Como sempre, o que é bom, se não é bem estimado,procura novos ares... 

PS-Esta crónica sobre o Porto é uma delícia para a alma portuense 

18 agosto, 2019

O céu azul estará a chegar? Palpita-me de repente que sim?

Temos goleador? Eu acho que temos.


Tapar o sol com a peneira, como se dizia antigamente, significa encobrir as causas de um problema durante algum tempo, com iniciativas ténues, habitualmente inadequadas, que só servem para o agravar numa espécie de fuga às responsabilidades. Este, é o risco que os dirigentes do FCPorto optaram por correr, deixando em paz os prováveis autores de uma série incontável de crimes, que apenas podem contribuir para a prescrição dos processos de que são acusados. No caso, as ditas iniciativas nem sequer foram assumidas pessoalmente pelos administradores da SAD, o que à partida retirou ao processo peso institucional, deixando, como se constata, o clube  vulnerável às perfídias dos criminosos.  

Isto não é nenhuma novidade, é corrente, e uma das causas principais dos maiores problemas do FCPorto que estão na origem das muitas preocupações de numerosos portistas, desde uns tempos a esta parte.  É um facto.

Se querem saber, neste momento, nem sequer interessa explorar demasiado quem está do lado dos dirigentes, ou quem está contra, embora não se possa afirmar que é algo de insignificante, porque não é (quem comanda, tem de assumir responsabilidades). Neste momento, o que devemos fazer é pensar no nosso clube como elo principal de união, mais nada. Somos todos portistas, temos de ser uma família, uma comunidade de gostos e classes diversas, mas com o símbolo do Dragão a colar-nos. Isto, é irreversível. Tem de ser irreversível! E temos de nos proibir reciprocamente de interpretar as diferentes opiniões de cada um, sempre como uma barreira. Pode até ser uma alternativa. O que vale é nunca esquecermos que o FCPorto é a nossa casa comum. Eu tenho as minhas convicções, mas nunca deixarei de olhar para um verdadeiro portista como alguém próximo. Ponto.

Resumindo. Sobre o que penso, mantenho, sem ter motivos para mudar por agora. Mas isso, não me impede de ter ficado extremamente contente com a exibição do nosso clube. Entraram no jogo determinados, e concentrados. Venceram com garbor. Bravo! Acho que ontem a ideia defendida por alguns adeptos sobre a fraca qualidade de reforços se dissipou. Hoje, tenho a certeza  que vamos ler muitos elogios a todos jogadores. Eu não fujo à regra. Todos merecem elogios, mas fiquei particularmente feliz por finalmente saber que temos gente que gosta e sabe rematar, o que é um grande passo para a rentabilidade do grupo. Depois, descobrimos um guarda-redes que me enche as medidas, não só pela sua personalidade, como pela elasticidade que revela. É caso para esquecermos os primeiros jogos da época. Foram péssimos, é um facto, mas isso confirma outro facto: falhámos no timing da contratação dos reforços, e ninguém pode argumentar que não tenha sido a causa principal das más exibições da abertura da época. A Champions é só para o ano, e devia ser este. Que chatice.