09 maio, 2015

Ainda há homens do Norte, ou há apenas medo?



Desenganem-se os sulistas se pensam que a questão com que intitulei esta crónica lhes confere qualquer vantagem sobre os nortenhos. Não, não confere. Mas nem por isso afirmarei que o carácter dos homens se encontra nos pontos cardeais, ou na côr da pele. O que sei, e todos os nortenhos sabem, é que foi no Norte, e particularmente no Porto  que mais se lutou, morreu pela Liberdade e repeliu a tirania absolutista. 

Por ironia, o Porto tem como ícone, a  Liberdade, protagonizada pelo lisboeta mais portuense da história de Portugal, o rei D. Pedro IV, que disso fez prova quando decidiu doar ao Porto o próprio coração, após a sua morte. Esta, é a mais nobre, e quiçá a única recordação vinda de um lisboeta para com o povo do Porto que tenho na memória. Deverá certamente haver outras, mas com esta grandiosidade e com este peso histórico, não conheço.

Desde então, de Lisboa, o Porto e o norte em geral, só recebem ódio e desprezo. Isso, é mais do que notório na política, na sistemática obsessão pelo centralismo, quase  sempre acompanhado por um esvaziamento de protagonismo económico, social, e político. Se falarmos de futebol, então a coisa torna-se mais descarada, mais afrontosa, mais provocatória. E que fazem hoje os nortenhos para combater esta nova tirania? Nada! 

Há quem ache que as coisas não são bem assim, que isto são tudo complexos de inferioridade de um natural de uma segunda cidade por ciume da primeira, que tem de ser sempre a capital... Se tem de ser sempre a primeira, ou não, tenho as minhas dúvidas, mas aposto que nem sempre é a melhor, aqui, como em qualquer pais do Mundo. Depois fala-se, e acredita-se ao que parece, que vivemos numa democracia, mas ninguém ousa explicar - e há muita gente que podia fazê-lo -, se é natural viver-se num clima de medo e intimidação numa democracia.

A RTP, por exemplo, é uma empresa que pela sua grandeza e visibilidade reflecte bem esse clima de medo. Não é infelizmente a única. Todas as estações sediadas em Lisboa seguem a mesma cartilha. Os jornais, e as rádios, também. Mesmo as estações radiofónicas do Porto mais poderosas apregoam o centralismo. A cartilha é o centralismo, ou neo-colonialismo, se entenderem mais abrangente. E o medo deste século, não é propriamente gerado por pressões políticas, é vincadamente por gostos clubistas e o anti-portismo é quase uma causa. Basta estar um pouco atento e seguir com regularidade certos programas para se perceber que esse medo existe e não é tão inofensivo como pode parecer.

Sabemos que as estações lisboetas sem estúdios autónomos no Porto estão mais confortáveis e não precisam muito de reprimir, para fomentar as políticas que mais lhes interessam, mas na RTP do Porto só lá trabalha e pode progredir, quem souber anestesiar o seu portismo, ou quem se render (Hugo Gilberto) aos caprichos avermelhados de certos ditadorzitos, como um que dá pelo nome de Carlos Daniel... É ele quem controla o pessoal para os programas da bola, a que eles chamam graciosamente "debates". É ele quem escolhe a dedo o perfil dos representantes dos outros clubes, e se forem do FCPorto, só podem ser daqueles mansinhos, civilizados, controláveis...

Isto tudo, passa-se na RTP, num canal do Estado pago por todos nós. Como é possível estarmos também nós portistas, a contribuir para o sustento de um gajo reles como esse Carlos Daniel e de outros como ele?  Os próprios comentadores portistas de futebol têm medo de dizer o que pensam, porque sabem se o fizerem perdem logo a avença. E como o amor ao vil metal supera a coragem, toleram tudo... Como é possível que num estado de direito ainda nenhuma figura desse estado de direito tenha reparado nisso? 

Mas o medo, também está no Porto, no FCPorto, e no Porto Canal. O medo pela autocrítica, misturado de atracção parola pelos colunáveis de Lisboa, e uma abjecta subserviência ao centralismo. Ao contrário do que nos querem vender, o Porto Canal é o pior exemplo de autonomia informativa que podíamos ter. Não há ali uma ideia, uma sequência coerente de programação, uma ambição de qualidade, um projecto com pés e cabeça, exigente, inovador. Nada!

Preferia o FCPorto sem o Porto Canal, porque a verdade é que este "casamento" só trouxe ao clube mediocridade, desilusão e o silêncio do medo. Não era nada disto que esperava de um canal à Porto. A menos que o canal à Porto que se quer, seja o do FCPorto desta  silenciosa era de Pinto da Costa. E se é desse Porto que se fala, eu não compro, porque não gosto.

Mas há mais. Há também medo dentro do próprio FCPorto. Medo de perguntar ao Presidente o que se passou este ano para não contestar o que era contestável, em vez de se entreter a desviar a atenção dos adeptos para questões comezinhas. Há medo de lhe lembrar que o clube não lhe pertence, que não pode encolher os ombros às adversidades que nos colocam, dentro e fora das 4 linhas. Se anda tanta gente com medo, agora, que [insisto], nos asseguram vivermos em democracia, como foi possível a alguns [como eu], resistirem a uma ditadura?

Algo deverá estar mal contado, na porra da história deste indescritível país. E você, leitor, é um homem do Norte?
   

07 maio, 2015

Que FCPorto teremos na próxima temporada?


Espero bem não me enganar se disser que, a partir do momento que Pinto da Costa aceitou integrar o heterogéneo grupo do Conselho Editorial do JN, os portistas não terão mais razões para se preocuparem com as informações distorcidas no que ao FCPorto respeita. É respaldado nesta realidade que dou como credíveis as notícias que dão como certas as saídas de seis jogadores do plantel principal do FCPorto, a saber: Danilo (já contratado pelo Real Madrid), Casemiro, Óliver Torres, Jackson Martinez, Alex Sandro e Brahimi. A serem incorrectas estas notícias no seu conjunto, a ver vamos se Pinto da Costa as desmente, ou se vai também remeter-se ao silêncio...

Com o empréstimo obrigacionista (num total de 40 milhões de euros) ontem anunciado pelo administrador da SAD, Fernando Gomes, ficamos ainda sem saber qual vai ser a estratégia de aquisições para a próxima época. E era importante que isso fosse esclarecido para sabermos com o que podemos contar. 

Ficou provado que o método contratual dos empréstimos, tem mais inconvenientes que vantagens. Os jogadores com mais potencial, serão naturalmente devolvidos à procedência e dificilmente assumirão o espírito de jogador à Porto. Teremos de esperar muito da sorte, ou dela depender, para nestas condições acreditarmos na abundância de jogadores com o carácter de Casemiro, por exemplo. Por outro lado, fazemos rodar e crescer esses jogadores, dando-lhes visibilidade, que estariam certamente na sombra dos titulares nos clubes de origem, sem com isso retirarmos grandes dividendos. Depois, conviria redefinir a ideia do jogador à Porto de que tantas vezes se fala. Quaresma, é um jogador talentoso mas gosta mais de si próprio que do FCPorto, e só joga quando lhe apetece. Por mais beijos que dê no emblema, não será com essas manifestações que convence os adeptos mais exigentes que é um jogador à Porto. A sua irreverência roça muitas vezes a indisciplina e transmite maus exemplos aos restantes jogadores. A aposta em dar-lhe a braçadeira pode ter sido bem intencionada, mas foi ingénua, porque não é aos 31 anos que Quaresma vai alterar a sua personalidade, como aliás se comprova. 

Uma época pouco azul e branca, a do FCPorto desta época. A bipolaridade já não é de agora, começou por alturas em que Victor Pereira era treinador, acentuou-se com Paulo Fonseca e continuou com Julen Lopetegui, que mesmo assim conseguiu fazer uma carreira louvável na Champions League podendo ainda, com muita sorte é certo, ser campeão, mas arriscando-se a não ganhar nada.

Não sei se tudo isto está a ser devidamente estudado pela direcção portista, nem faço ideia se  Pinto da Costa percebe a sua quota parte de responsabilidade nos insucessos do clube que, significativamente, se estendeu a quase todas as modalidades e escalões. O que sei, é que, se o FCPorto pretende regressar às victórias para a próxima temporada vai ter de dar uma volta de 180º em vários aspectos. No modelo de contratações, da comunicação, dentro e fora do clube, e sobretudo na forma de defender os seus interesses, quer junto das instituições desportivas (Liga e Federação), quer com a comunicação social centralista. Para isso, dispõe de uma ferramenta preciosa, um canal de televisão de que a maioria dos clubes não pode usufruir.

Uma coisa vos garanto: Pinto da Costa, vai mesmo ter de falar seriamente aos adeptos. Nos êxitos, desculpam-se falhas, nas derrotas, nunca! Desviar as atenções do futebol para guerrinhas de alecrim e manjerona com portuenses/portistas como Rui Moreira e emudecer com os desmandos proveitosos dos seus adversários,  é visar o pássaro errado, e perder pontos...     


05 maio, 2015

Rui Moreira acusa Governo de investir em Lisboa e "deixar côdeas" para resto do país



"Todos os recursos disponíveis do país vão sendo canalizados para uma única região. Depois sobram côdeas. A região está confrontada com isto. Mas vamos ter eleições. Os fundos comunitários vão ser usados para coisas mais ou menos isotéricas. Está na altura de a população perceber o que está em causa e questionar os partidos sobre o resto do país", frisou o autarca independente.
Rui Moreira abordou a questão a propósito da falta de financiamento do Estado para suportar os custos da segunda fase do metro do Porto, suspensa desde 2011, mas admitiu ter dificuldades em restringir o assunto ao transporte público porque "o projeto de desenvolvimento do país tem tido como foco uma única região".
"As pessoas deviam questionar os partidos sobre se, algum dia, vão ter de desligar a luz e ir viver para a única região que recebe investimento", ironizou.
Para Rui Moreira, é por este motivo que "o país não consegue sair da cepa torta".
O presidente da Câmara do Porto criticou o Governo por incluir nas grandes opções de investimento o terminal de contentores do Barreiro, considerando que se trata de uma obra "absolutamente desnecessária" e a "repetição do aeroporto da Ota [projeto de localização de um novo aeroporto em Lisboa que não chegou a avançar]".
"Este porto no Barreiro [terminal de contentores] é uma forma de justificar uma terceira travessia [em Lisboa], a reabilitação da zona ribeirinha de Lisboa, ou seja, uma segunda Expo, e um novo aeroporto na margem sul [do rio Tejo]", afirmou Rui Moreira.

Sem comentários II...

O estranho exemplo de Passos Coelho



































































































































05.05.2015
MARIANA MORTÁGUA

Passos Coelho escolheu a inauguração de uma queijaria para marcar o Dia do Trabalhador. Aí, elogiou de forma muito decidida não o esforço dos trabalhadores, mas o dos empresários. Corrijo, elogiou "de uma forma muito amiga e especial" um empresário em concreto. Diz o primeiro-ministro que a história deste "empresário bem-sucedido" é um exemplo para todos quantos "sabem que, se queremos vencer na vida, chegar longe, ter uma economia desenvolvida e pujante, temos de ser exigentes e metódicos". Um empresário que "viu muitas coisas por esse Mundo fora", e que nos dá lições importantes ao mostrar que "os ricos não são ricos a esbanjar dinheiro".
Mas quem é, então, esta conjugação de Steve Jobs com Henry Ford? Dias Loureiro. Compreendo o seu espanto, pois também foi o meu quando vi as imagens, mas é esse mesmo Dias Loureiro. O do BPN que nos custou mais de 5000 milhões de euros. O homem que "viu muitas coisas no Mundo", de Porto Rico a Marrocos, onde arranjou uns negócios ruinosos (estou a ser simpática na definição...) que acabaram todos a ser pagos pelos contribuintes. O "metódico" Dias Loureiro que garantiu, na comissão de inquérito ao BPN, que não conhecia um fundo usado pelo BPN nos seus esquemas financeiros, mas que se mostrou dias depois ter assinado vários documentos desse fundo. A mentira, recorde-se, foi um dos motivos que o levou a renunciar do Conselho de Estado, para o qual tinha sido nomeado por Cavaco Silva.
As conclusões do relatório dessa comissão parlamentar, aliás, não deixam muitas margens para dúvidas sobre o modelo de negócio e "exigência" deste "empresário bem-sucedido". O seu nome e o de Oliveira e Costa são os únicos nomeados para explicar como foi montado o "banco laranja". "O Grupo desenvolveu-se rapidamente mercê da colaboração objectiva de várias pessoas influentes, em virtude do exercício de altos cargos públicos, designadamente, o Dr. Dias Loureiro e o próprio Dr. Oliveira e Costa, bem como alguns acionistas".
Sobre Dias Loureiro não há muito mais a dizer, mas as palavras escolhidas por Passos Coelho, na verdade, dizem-nos mais sobre a forma como o primeiro-ministro vê o Mundo, e a relação entre política e negócios, do que sobre um dos responsáveis pelo caso de polícia que foi o BPN. Esperava-se que um empresário com as características elencadas por Passos fosse alguém que tivesse criado empregos bem pagos e desenvolvido a economia do país, não alguém que, à sombra de Oliveira e Costa, ajudou a montar uma espécie de Tecnoforma gigante. Ou então é isso, é mesmo este modelo de vida, negócio e "vencer na vida" que Passos conhece e admira.

(do JN)

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10 milhões de Dias Loureiros

Com 10 milhões de Dias Loureiros a “empreender” e 10 EDPs teríamos de ter vinte vezes o PIB da Noruega para saquear
Texto de João Camargo • (Público)

Sabemos, finalmente, o que Passos Coelho quer de Portugal. Depois de anos em que nos incitou abstractamente a sairmos da zona de conforto, a sermos empreendedores, a não nos queixarmos da má sorte que a vida nos deu por ter calhado vivermos nas grandes depressões e recessões económicas, finalmente indicou um modelo a seguir: Dias Loureiro.

Em Aguiar da Beira, o primeiro-ministro descobriu, escondido entre o público da Queijaria Sabores do Dão, para assistir ao seu discurso, Dias Loureiro. Para quem não sabia de Loureiro desde que ele desapareceu para Cabo Verde enquanto era investigado por causa do BPN, ei-lo ressurgido. Ressurgido e tornado novo ideal. Passos olhou Loureiro e encontrou um espelho da medida de empreendedorismo que deseja para o país. Dizendo de Loureiro que “conheceu mundo, é um empresário bem-sucedido, viu muitas coisas por este mundo fora e sabe, como algumas pessoas em Portugal sabem também, que se nós queremos vencer na vida, se queremos ter uma economia desenvolvida, pujante, temos de ser exigentes, metódicos”, o primeiro destacou as capacidades impressionantes do ex-ministro do PSD.

Começando pela mobilidade, é evidente a mobilidade internacional de Dias Loureiro, destacada aquando da sua magnífica fuga para longe de qualquer tribunal português enquanto se julgava o caso BPN, mas também enquanto tratava dos negócios da SLN no exterior, em Porto Rico e em Marrocos. É ainda relevante a sua mobilidade interna, social e económica.

Diz que quando saiu da política “não tinha dinheiro nenhum” e poucos anos mais tarde declarava no IRS anual mais de 200 mil contos (1 milhão de euros). Enquanto Ministro da Administração Interna de Cavaco Silva, mandou carregar sobre os manifestantes no buzinão da Ponte 25 de Abril, que protestavam contra o aumento das portagens para financiar a construção da segunda ponte, também da Lusoponte, de outro empreendedor e ex-ministro do PSD, Ferreira do Amaral. O seu sucessor na Administração Interna foi Jorge Coelho, com quem Loureiro jogava à bola, e que saíria, anos mais tarde, para liderar a Mota-Engil. Novos exemplos de mobilidade.

Dias Loureiro venceu amplamente na vida, saiu de Aguiar da Beira para o mundo, montou um percurso declareza e transparência, e nem ter sido arguido do maior "roubo" alguma vez feito num banco em Portugal ou ter mentido à Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o BPN podem apagar os seus feitos. Enquanto ministro exigia às secretas relatórios ilegais de líderes políticos e sociais, perseguia sindicalistas e colocava os seus conhecidos em posições-chave. Depois, foi esperar: jogava golfe, conseguia a adjudicação da rede de vigilância do SIS à SLN, dava-se com traficantes de armas, emocionava-se com o "Menino de Oiro" (biografia de Sócrates), e geria SLN e BPN sem saber nada das tropelias que por lá se passavam. Passos Coelho também acha que o modelo de empresa a seguir é o de uma empresa privada que vive à conta de subsídios públicos e que aumenta os preços dos seus serviços enquanto distribuiu milionários lucros pelos accionistas, liderada por um ex-ministro do PSD. Isso foi apenas dois dias antes de Loureiro, quando Passos Coelho disse aquele que é o “exemplo para as outras empresas”: a EDP.

Só há um problema com as recomendações: com 10 milhões de Dias Loureiros a “empreender” e 10 EDPs teríamos de ter vinte vezes o PIB da Noruega para saquear

29 abril, 2015

Os descentralistas do Porto sofrido no habitat da corte

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O Juca diz: então digam lá se não nos portamos bem, este ano! Nem
o nosso grande Presidente abriu a boca. Gostam assim, ou também
querem o estádio do Dragão?

Se o futebol fosse a coisa mais importante da minha vida, criava um blogue dedicado exclusivamente ao FCPorto. Já estive para o fazer, mas achei que era redutor, para poder abordar outros temas. Não sendo a coisa mais importante para mim, o futebol é mesmo assim uma das mais importantes, de contrário não escreveria tanto sobre futebol, e quem diz futebol, diz Futebol Clube do Porto. que é o único clube do mundo que me consegue emocionar...O clube verdadeiramente português, ainda quero acreditar...

A decisão de falar do FCPorto não foi apenas estimulada pelo gosto do futebol jogado. Foi também, mas não unicamente. Para esse fim, existe uma série de blogues especializados, onde tudo é esmiuçado ao detalhe, das tácticas às estratégias, sem esquecer o lado negro das arbitragens (que o digam os portistas). A ideia, era que, através do futebol, pudesse catapultar para áreas da vida social mais importantes (como a política, e a cidadania), esse ainda imenso grupo de portistas apaixonados, que por serem apaixonados não percebem que há problemas que não cabe ao FCPorto resolver, mas sim a todos nós, portuenses, portistas, e nortenhos em geral. São problemas da governação nacional, de decisão política. Não percebem, e a avaliar por aquilo que leio, continuam sem perceber, o que significa que a minha mensagem não passou. Demérito meu, admito, mas ninguém me pode acusar de não tentar. 

Confio que interpretem pela positiva o que acabo de afirmar, porque não passa por mim a intenção de insinuar, mas só constatar factos, e os factos falam por si. Não me refiro apenas às pessoas intelectualmente mais condicionadas, pelo contrário, refiro-me também àquelas figuras que sendo públicas e letradas, pouco interesse mostram pela coisa pública (excepto, pela sua própria imagem). Se lerem o início deste texto , do Manuel Serrão, vão compreender onde quero chegar.

Como poderão confirmar na sua crónica de hoje no JN, Manuel Serrão até parece alguém altamente seduzido pela descentralização (de regionalização, é que já ninguém se atreve a falar...), tal como o seu amigo do Porto Canal, Júlio Magalhães, ainda que essa sedução não iniba o primeiro de se deixar insultar nos estúdios da TVI por um médico alcoólatra, num programa onde o "D" de Democracia consiste em humilhar o FCPorto, e o segundo de não abdicar da presença dos amiguinhos de Lisboa no Porto Canal (que o diga a Maria Cerqueira Gomes).

Talvez por mero gesto de gratidão, é que ontem estes dois amigos "portistas" e "regionalistas", foram convidados pela nossa "descentralizada e amiga" RTP, para o programa da tarde do Herman José, onde nem sequer faltou a presença num filme de apanhados do nosso querido *amigo Carlos Daniel, com... o Director do Porto Canal.

São assim mesmo, os novos homens do Norte. Nada provincianos, nada bairristas, nada ressentidos. Os homens do Porto, agora deram nisto: sofridos, mas contidos. O lema destes dois amigos, é:  "quanto mais me bates, mais gosto de ti...". Por este andar, Pinto da Costa ainda vai completar o trio... 

Que mundo este, que ventos tão estranhos varreram o Porto.


* Se pesquisarem bem, o link permite ver o filme onde Júlio Magalhães acompanha (espanto!) o benfiquista de Paredes, Carlos Daniel... Parece uma provocação.
   

27 abril, 2015

Julen Lopetegui, o novo patinho feio da imprensa rasca

JULEN LOPETEGUI

Como  a memória amiúde é curta, mesmo para quem tem à frente do nariz um rol de posts a avivá-la, eu sempre respeitei e admirei o trabalho de Pinto da Costa no FCPorto, enquanto Presidente. Está feito, e não me arrependo de assim ter procedido, porque da minha parte, esses foram reconhecimentos honestos, justos e merecidos, tanto pela competência, como pela resiliência revelada como defensor-mor do grande clube da cidade do Porto. O que mais queria mesmo, era continuar a manter essa admiração por muitos anos, sendo certo que só a manteria se ela fosse merecida, se o presidente do FCPorto conservasse intactas as suas faculdades de líder, de primeiro baluarte do nosso clube. Mas, isso depende mais dele que de terceiros, da sua capacidade para perceber as suas próprias condicionantes físicas e intelectuais, e principalmente da sua capacidade para intuir os anseios do universo portista. Assim, como essa admiração foi ferida pela remissão ao silêncio, só me resta o respeito pelo que Pinto da Costa fez no passado recente.

Como tudo foi correndo bem nestes últimos anos, e porque muitos foram  os anos de sucesso, a tendência natural, foi concentrar em Pinto da Costa os louros do mérito, e secundariamente nas equipas técnicas e jogadores. Até fazia sentido que assim fosse. Pelas razões opostas, já não faz sentido que derive exclusivamente para o treinador, ou para a equipa, a responsabilidade pelos fracassos. Nesta linha de pensamento, tentarei não me contradizer por considerar Julen Lopetegui o menos culpado por tudo o que sucedeu de negativo esta temporada. E não se trata de mera simpatia, trata-se de avaliar a postura de um treinador personalizado, que dentro dos limites da sua função mostrou, fora do campo, mais coragem que aqueles que o deviam fazer e lhe estão acima na escala hierárquica.

Para o bem e para o mal, Lopetegui foi contratado pela SAD portista e Pinto da Costa. Quando chegou ao Porto era um estranho. Decorridas as primeiras jornadas do campeonato, percebia-se que continuava alheado da realidade chamada FCPorto, o que deixava transparecer alguma negligência da parte da estrutura portista em termos de apoio ao treinador na adaptação muito própria  a um clube como o FCPorto.

Como é sabido, esta época deram-se mudanças profundas no modelo de contratações de jogadores. Uns, chegaram emprestados pelos clubes de origem, com clausulas que, não afectando os interesses do FCPorto privilegiam também o retorno à origem, no caso desses jogadores se evidenciarem, o que numa primeira análise, debilita as condições negociais do clube contratante. Outros, como Brahimi, estão com os passes parcialmente detidos por fundos (a Doyen, creio que com 80%). Depois, vêm-me igualmente à memória casos de jogadores como, Óliver, Casimiro e Tello (só para falar destes 3). Curiosamente, todos eles, cedo tiveram momentos brilhantes na Champions League, o que fez com que os seus nomes começassem a surgir na imprensa internacional como potenciais alvos da cobiça de grandes clubes estrangeiros. Ainda mal tinham tido tempo para conhecerem os cantos à casa, e já as suas cabeças eram dominadas pela possibilidade de sair para clubes milionários... Como combater esta praga? Será esta situação compatível com uma entrega integral dos jogadores ao clube? A mim, parece-me difícil, e não deve ser por acaso que a famosa mística do jogador à Porto se viu pouco esta época, sobretudo nos jogos decisivos. Salta à vista a necessidade de acrescer mais qualquer coisa aos antigos paradigmas de ambientação (e contratação) dos novos jogadores, sob pena de para o ano voltarmos a assistir a "fenómenos" semelhantes, ou ainda piores.

Há outra questão relacionada com a anterior, que sustenta a ideia de alguns para ultrapassar estes problemas, que passa pela aposta na formação. É preciso ter em conta a dificuldade em formar jogadores competitivos com capacidade para jogarem na equipa principal, sobretudo portugueses. Por isso, é que eles tem de rodar noutros clubes, e quando o fazem, às vezes não se chegam a afirmar. Aliás, se olharmos para a equipa B, só meia dúzia deles parecem dar garantias de poderem impor-se como séniores, e nem todos são nacionais...

Portanto, para resumir, muito há para fazer no FCPorto na época que vem. Primeiro, será preciso saber que estratégia querem para defender o clube - e não se iludam com essa treta de que é dentro do campo que as coisas se resolvem - porque como se viu esta época, foi mais fora dele que o nosso principal adversário as resolveu -, e quem será designado para essa função. Sim, porque ficou provado (espero), que a estratégia do silêncio só beneficiou os adversários, e só acredita que o silêncio tenha sido uma estratégia quem não souber em que país vive, e quão colonialista se tornou. Segundo: como resolver o problema da aceleração/adaptação ao FCPorto de jogadores estrangeiros. Terceiro: como desenvolver o factor comunicação (dentro e fora do clube), e qual o papel do Porto Canal nesse projecto.

Por todas estas lacunas, e pela forma como deu o corpo às balas pelo clube, sem as subserviências de outros treinadores portugueses, e sem o apoio inequívoco da estrutura directiva em momentos chave, é que esta época endereço totalmente a minha gratidão ao basco Julen Lopetegui. Podia ter feito mais? Talvez, mas Pinto da Costa também.


26 abril, 2015

O canto do cisne do FCPorto, ou de Pinto da Costa?

Escolha o leitor, se é sócio (eu já fui)

Em termos teóricos, não se pode dizer que o FCPorto se tenha despedido hoje do campeonato e com isso o tenha entregue de bandeja ao clube que simboliza o pior que há em Portugal, mas vendo as coisas pelo lado realista, é quase como se  lhe tivesse dito adeus. Neste momento, podia falar do jogo, da segunda parte miserável da arbitragem, dizer que o FCPorto teve mais posse de bola, que jogou mais que o Benfica e que o podia vencer, mas como não ganhou, não vou perder tempo com isso, porque nesta hora de total frustração é irrelevante.

Já o que não é irrelevante - porque a carreira do FCPorto  também foi manchada por motivos ligados às arbitragens -, foi a passividade de Pinto da Costa face a esses mesmos fenómenos, pautada por um silêncio de permissividade que não lhe era habitual, e que nem os próprios adeptos compreendem. Tenho dificuldade em acreditar que Pinto da Costa não se conheça um pouco a si próprio, que não entenda que o seu comportamento já não é o mesmo, que tal como eu, outros portistas o estranhem e que por essa razão, deve uma explicação à massa associativa.

Por muito que os portistas lhe devam pelo que fez no passado, tal não lhe dá o direito de não falar com os adeptos, de optar por uma postura sobranceira e distante com eles, e em contrapartida não abrir a boca para defender o clube de todas as trafulhices que se fizeram por esses  estádios fora, quer para beneficiar o Benfica, quer para prejudicar o FCPorto. Para falar honestamente, não foi só por isso que o FCPorto falhou esta época, houve erros próprios da equipa e do treinador que não devem ser negligenciados. Assim mesmo, se Pinto da Costa tivesse agido no momento certo, como só ele sabia, se tivesse sabido defender o clube quando ele precisou, talvez isso bastasse para ganhar este campeonato.

Resumindo: se fôr para repetir a "gracinha" para a próxima época, Pinto da Costa deve ponderar bem a sua recandidatura. Para mim, é o principal responsável pelo que aconteceu em termos desportivos internos*, porque uma liderança a sério não se contenta com victórias do passado.  

*  Na Champions fomos até onde podíamos, ou até mais longe. Nessa competição, o FCPorto ganhou muito jogos e dinheiro, e chegou aos quartos de final. Isto explica em parte o que atrás disse das arbitragens em Portugal, e também porque o Benfica sem árbitros cobardes não consegue brilhar na Europa. Mas explica também as consequências do que é ter um Pinto da Costa mansinho... 
   

24 abril, 2015

41 anos de Abril por cumprir...


...que se faça outro, com mais justiça.
Os responsáveis são conhecidos. Uns estiveram nos Governos, outros ainda lá estão. Os cravos não foram respeitados, e as balas serão?

22 abril, 2015

Amar o FCPorto

Em certos casos, é justo e faz todo o sentido que alguns portistas se sintam mais portistas que outros. Se falarmos daqueles portistas que nunca baixam a guarda, quando se trata de defender o FCPorto, independentemente do local e da condição em que o fazem, parece-me justo. Nestes casos, merecem ser discriminados pela positiva, comparativamente com aqueles outros que, por cobardia, ou submissão às avenças dos patrocinadores de programas desportivos (que mal soa esta designação), se sujeitam a si mesmos e ao FCPorto aos maiores vexames públicos. Outros há, que se julgam especiais por acharem que nunca devem criticar o clube, ou quem o dirige, seja em que circunstâncias fôr. Compreende-se, se a coisa fôr encarada sob o ponto de vista do adepto apaixonado, mas não lhe acrescenta nada à qualidade de portista. Aliás, como se sabe, a paixão é uma coisa irracional, que se não evoluir para o amor [que é um sentimento bem mais sério e consistente], pode degenerar para o ódio...

Mas amar um clube, é mais difícil de gerir que amar a pessoa que connosco partilha a vida, porque estando próximos, sempre podem [se o quiserem e forem inteligentes], recorrer ao diálogo para esclarecer dúvidas, e eventualmente resolver conflitos. Vale isto por dizer, que numa relação, seja ela de ordem pessoal ou institucional, há sempre um factor preponderante que jamais deve ser negligenciado: a comunicação. 

Assim sendo, não aceito insinuações que relacionem o meu estado de espírito com a derrota de ontem do FCPorto, porque o que eu ando a dizer há muito tempo, e está aqui escrito para quem tiver dúvidas, é que no FCPorto de há uns tempos para cá, falta, entre outras coisas, liderança e uma política de comunicação a valer. Dantes, já o disse, justificava-se a blindagem de determinadas informações, porque o clube não tinha meios para contrapôr às deturpações dos media centralistas e o Presidente sabia como poucos lidar com eles. Agora, o FCPorto dispõe de uma estação de TV, tem tudo para combater a máquina mafiosa da informação do regime e não tem mostrado capacidade para tirar partido desse privilégio. Pelo contrário, o Presidente Pinto da Costa pouco ou nada tem usado o Porto Canal para falar de coisas importantes. Quando fala, agora, é para recordar o passado, ou para não dizer o que os adeptos esperavam. E há muitas coisas para esclarecer.

Em primeiro lugar, saber qual é a nova estratégia para o futebol, tendo em conta as condições do mercado expressas na nova política de contratações, onde o paradigma do recurso ao mercado sul-americano é curto para garantir a compra de jogadores já formados e de qualidade. A contratação de jogadores jovens é uma saída, mas comporta riscos, como se constata agora. O presidente do FCPorto não pode prometer aos adeptos dois objectivos em simultâneo e antagónicos, que é adquirir jogadores jovens, alguns deles emprestados, e esperar que tenham maturidade para competir ao mais alto nível. Os adeptos portistas têm-se revelado generosos e pacientes, apesar do silêncio algo arrogante do presidente que eles tanto admiram, e respeitam. Deviam e mereciam também ser mais respeitados...

Outra coisa que pessoalmente gostava de ouvir do Presidente Pinto da Costa era que dissesse se tem, ou tenciona ter, um projecto para o Porto Canal. Não queremos saber detalhes (o segredo é alma do negócio), mas seria importante explicar os contornos desse projecto, sobretudo os de ordem generalista e regional. E por que não exprimir com frontalidade o que ele próprio pensa do trabalho que está a ser desenvolvido no Porto Canal, também seria interessante, quanto mais não seja para termos uma ideia dos seus objectivos nessa matéria.

Continuando a assobiar para o lado, ignorando quem mais o estima, está a semear uma fonte de instabilidade dentro do clube. Pinto da Costa tem de aparecer "vivo", para falar mais do futuro que do passado, porque essa postura só serve para credibilizar as teses daqueles que o davam "finito" para o futebol. Além do mais, não acredito que o silêncio possa ser o caminho correcto para se transmitir liderança, e ninguém nos pode garantir que tal postura tenha incutido  qualquer espécie de optimismo no comportamento dos jogadores em quase todas as modalidades. Bons resultados não deu, como se comprova agora. Esta época, houve jornadas a mais de ilegalidades e discriminações em jogos do FCPorto que justifique tão estranho silêncio da parte do Presidente portista. É incompreensível, e para mim, confesso, acho mesmo intolerável.

Domingo próximo será o dia derradeiro: ou os jogadores do FCPorto se transcendem e oferecem uma última alegria aos portistas, ou arriscam-se a não ganhar nada este ano. Se tal suceder, se a equipa se deixar afundar, apontarei o dedo em primeiro lugar, e com desgosto, a Pinto da Costa. Não pelo que fez, mas pelo que decidiu não fazer.

     

19 abril, 2015

Força FCPorto! Impossível, não é coisa de portistas!

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Como admirador que sempre fui de Pinto da Costa, esperava conservar para sempre, ou na pior das hipóteses, por mais algum tempo, a mesma admiração, o mesmo respeito pelo líder do FCPorto. Era sinal que podia acreditar com segurança num futuro risonho para o FCPorto. Só que agora, é complicado. Há coisas que me levam a pensar que os tempos mudaram, que vou ter de me adaptar a uma outra realidade e conjugar no passado essas considerações.

Em tempos pouco distantes Pinto da Costa não precisava de falar muito, porque quando falava tinha sempre um objectivo: defender os interesses do FCPorto, "contra tudo e contra todos", era o mote...Só por hipocrisia, medo ou cegueira, é que alguém pode negar a espantosa mudança de estilo e subjectividade do Presidente portista dos últimos anos. É natural, e humano, que por razões sanitárias, ou mesmo de idade, que Pinto da Costa não queira envolver-se como outrora nas golpadas geradas pela inveja centralista, porque desgastam e são perniciosas para a sua saúde. Mas se fôr esse caso, não é razoável nem compreensível que não tenha já delegado alguém da sua confiança para desempenhar essa função. 

Como portista e portuense fervoroso que me prezo de ser, receio que Pinto da Costa não se dê conta das suas limitações físicas e psicológicas, e se agarre ao poder sem a consciência dos malefícios que tal opção pode comportar para o FCPorto. Pessoalmente, estou convencido que esse vazio de liderança, essa inconsciência, se transmite à maioria dos portistas, mas também junto dos atletas, o que de certa maneira explica a intermitência competitiva em várias modalidades nos momentos decisivos.

Nem a fortíssima exibição contra o todo poderoso Bayern de Munique nos deve fazer esquecer os silêncios inoportunos de P. Costa numa época  marcada por casos de arbitragens altamente sectários e escandalosos contra o FCPorto, e de uma cumplicidade gritante com o rival de Lisboa. Ao contrário de alguns adeptos, Pinto da Costa nunca foi daqueles que diziam "não vale a pena", quando se tratava de defender o FCPorto. O que é certo,é que agora só ele parece indiferente ao que se está a passar. Esta é uma realidade que ninguém pode negar, nem ele próprio, se estiver em perfeita posse das suas faculdades intelectuais. O que já não me agrada de todo, é que ele ache que não deve explicações a ninguém, porque nesse caso estará a dar razão a todos aqueles que passaram a vida a perseguí-lo e cobrí-lo de defeitos.

Quem acompanhar o trabalho que é feito no Porto Canal e ignorar que o FCPorto tenciona adquirir o canal (e digo tenciona, porque Pinto da Costa ainda não confirmou a compra, apenas a anunciou), e se esquecer dos conteúdos desportivos, não acredita que o Porto Canal tenha qualquer relação com o nosso clube, pois vem sendo gerido um pouco ao sabor dos ventos, coisa que felizmente nunca aconteceu no FCPorto na gestão de Pinto da Costa. Se há coisa em que o FCPorto sempre se distinguiu pela positiva, foi pela forma cuidadosa e atempada de administrar, e de lidar com situações complexas, como contratações, lesões e recuperações de atletas, como aconteceu recentemente com Jackson Martinez, que apareceu a jogar são como um pêro, logo no jogo com o Bayern de Munique...

Ora, se não vemos sinais da mesma organização, da mesma competência, do mesmo rigôr no Porto Canal, só pode ter uma explicação: o FCPorto não superintende o Porto Canal. É certo, que existe uma estrutura directiva definida e remunerada, mas tenho sérias dúvidas que essa estrutura seja suficientemente idónea para poder funcionar autonomamente, já que não se vislumbra qualquer progressão, antes pelo contrário.

Agora pergunto: o evidente alheamento de um negócio que supostamente terá (ou já tem, não sabemos) o FCPorto como principal accionista, será normal numa pessoa com as características que conhecemos em Pinto da Costa? E se não é alheamento, o que será, se tudo está pior? Era deste canal amador e culturalmente pobre, que estávamos à espera? É com entrevistas aos meninos e meninas de Lisboa, perfeitamente dispensáveis, repetidas, uma, duas, três e quatros vezes, que o Norte e o Porto pretende afirmar-se, como estamos cansados de constatar ao extremo da náusea? Afinal, quem querem enganar?

Francamente, não sei de que massa é feita esta gente. Curvam-se, curvam-se, até causa dó...

PS:
Na terça-feira, teremos a segunda parte da eliminatória para aceder aos quartos de final da Champions com esse colosso alemão chamado Bayern de Munique.  Portanto, é hora de puxar pelo nosso grande clube, desejar todo o sucesso do mundo e deixar estas questões para outra altura. Apesar de tudo, estou mais confiante nesta grande competição, que no pequenino campeonato nacional, onde, tal como com o governo, paira a mediocridade  e a mesquinhez. Mesmo sabendo do poder dos grandes lóbis europeus, confio mais depressa nas arbitragens do exterior que nas "caseiras", onde os dados estão mais que viciados. Por isso força FCPorto! Impossível, não é para portistas!
   

Na Foz do Douro


17 abril, 2015

Do El País . "El Porto sorprende al Bayern

Um toque para controlar a bola enviado a 50 metros por Alexandro, a manobra fugaz entre Dante y Boateng, e a culminação, demolidora, elegante, coroaram Jackson Martínez à frente de um magnífico Porto. O colombiano recebeu a ovação vulcânica do estádio do Dragão em reconhecimento ao seu trabalho, e a esse 3-1 definitivo, quiçá o mais visível de uma partida colossal que deixou  o  Bayern desorientado. O grande estádio do rio Douro já constitui um dos melhores encontros da temporada europeia. Não é por acaso que Lopetegui e Guardiola partilham escola e princípios. Não foi casual tão pouco que estiveram até 12 jogadores espanhóis implicados de alguma maneira. O jogo foi uma verdadeira homenagem  da contribuição de Espanha no futebol contemporâneo. 

A noite foi abundante em contradições. Não há centrais menos adequados para jogar como gosta Guardiola. Mas o Bayern joga com Boateng y Dante. Lentos e vacilantes, parecem expostos a um drama que resistem a representar. Mostram-se preocupados ante a exigência de pensar a partida, fazer o primeiro passe, adiantar linhas, governar o latifúndio. O medo reflecte-se na sua expressão corporal. O público que assiste ao espectáculo sabe-o. Sabem-no os  seus companheiros. Sabe-o  Xabi Alonso, que pareceu nervoso quando se baixou para receber a bola, controlou e duvidou. Foi num segundo. Jackson Martínez lançou-se como uma pantera. No vértice do sistema de pressão do FCPorto, essa máquina que se liga quando o adversário dá mostras de insegurança com a bola o dianteiro colombiano faz de bisturi. Astuto, ágil, elástico, veloz, roubou a bola ao médio-centro espanhol e ficou só  ante Neuer. O guarda-redes desvalorizou-o, houve um contacto, Jackson caiu e o árbitro marcou penalti. Eram decorridos dois minutos de jogo quando Quaresma celebrou a execução, abrindo as portas de um jogo que concentrou desde o principio toda a problemática deste Bayern onde que se chocam duas culturas.
Não se tinha o Bayern ainda recomposto da surpresa,  quando Rafinha passou a bola a Dante e Quaresma lha tirou dos pés. O extremo português, que, contrariando a sua inclinação para a displicência, jogou concentrado, batendo  Neuer sem lhe dar tempo para reagir. O 2-0 aos dez minutos de jogo submeteu  o Bayern a uma prova de resistência psicológica. A situação colocava várias questões pondo em causa algumas das máximas inculcadas pelo treinador . Foi um bom momento para descobrir quem está,  e quem não está para trabalhar. Guardiola já sabe que pode contar com Lahm, com Lewandowski, e, sobretudo, com Thiago Alcántara. As suspeitas estendem-se a outros, especialmente sobre o lânguido Götze.
Thiago apresentou-se em todas as partes para solucionar todos los problemas do Bayern. Não eram poucos. Las dificuldades inundavam a jacto o campo numa corrente que partia desde a linha defensiva estendendo-se até à área contrária. Nessa conjuntura, a pior imaginável, destacou-se Thiago. O médio espanhol fez uma exibição de pundonor e classe. Tentou resolver o grande dilema da sua equipa: sair limpo desde trás, clarificar as jogadas, conectar com os atacantes até driblar para romper linhas. Thiago  apenas encontrou colaboração. Chamou a atenção o caso de Götze, que andava desaparecido. E o de Müller, cujo carácter expressionista contrasta com a lógica cartesiana que o seu técnico tenta transmitir nas manobras de ataque. Sem as fintas de Robben, que está lesionado, a equipa desgastou-se . 

O golo do Bayern chegou depois de um canto. Boateng surpreendeu o seu marcador, fugiu-lhe e centrou.   Thiago aproveitou o descuido da defesa   para marcar à vontade.  Foi o único erro do FCPorto, elevado centímetro a centímetro sobre o seu gigantesco oponente, graças ao contributo impecável de todos os seus jogadores. Todos estiveram à altura. Comportaram-se como fanáticos para fechar as linhas de passe do Bayern, pressionaram, e uma vez que roubavam a bola jogaram-na com serenidade. Casemiro é um medio-centro maduro, Brahimi um extremo formidável, Quaresma um temerário, Oliver o sócio de todos, e Herrera um interior valente, dinâmico e hábil.
O Bayern não conseguiu penetrar com clarividência nas linhas que encontrou pela frente. Não se refez da perplexidade. Tão pouco Alonso, substituído no fim da partida, símbolo da claudicação, de das confusões do Bayern e do ímpeto de um FCPorto desafiador.

Nota do RoP:
Não é que seja difícil para nós portugueses entender o castelhano, mas como estamos num país divisionista, que anda a retalhar o solo pátrio através do futebol, e dos media (por mesquinhez e inveja ao FCPorto), entendi traduzir para a nossa língua este excelente artigo do El País, porque acho que vale a pena, e precisamente para destacar o facto de a voz da mouraria não entrar na consideração do país vizinho... Eles só piam cá dentro. Lá fora, rendem-se à sua menoridade intelectual... 

O original pode ler-se aqui.

15 abril, 2015

FCPorto 3 - Bayern de Munique 1, e o David venceu Golias



Ainda é cedo para lançar foguetes, mas a primeira parte foi cumprida. Com 20 valores! Jogo soberbo!

Queremos um FCPorto à David!

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  O troféu que tornou Lisboa a capital mais invejosa e centralista da Europa

Para o jogo desta noite [o mais importante a nível internacional] , com o FCPorto, como vem sendo habitual, a ser a única equipa portuguesa a representar o país, não espero milagres. O que espero, é a mesma abnegação, a mesma força mental, a mesma concentração que levou o FCPorto em 1987 a trazer para o museu do clube o primeiro e mais importante troféu europeu. 

Já por essa altura era dado todo o favoritismo ao Bayern de Munique, um colosso do futebol mundial. Para além disso, tratava-se de uma final que ainda por cima foi disputada "democraticamente" em Viena de Austria, país irmão da equipa adversária, portanto, com todos os condimentos teoricamente adversos ao FCPorto. 

Como país pequenino que somos - na acepção mesquinha do termo -  e que alguns teimam em preservar, e com os media da capital a rangerem os dentes de inveja, ansiando por uma derrota humilhante da equipa portista, mais uma razão para os jogadores do FCPorto se encherem de brios, e fazerem da inveja lisbonária e dos seus vassalos, um elixir de garra e ambição.  

Força FCPorto, a Europa tem os olhos em ti!