29 janeiro, 2009

A «escaldante» água na fervura do Director do JN

Leio, sem compreender muito bem, na coluna Frases de Ontem, do Público, esta expressão do director do JN, José Leite Pereira:

"Portugal é infelizmente, um país que gosta de dizer mal. E dizer mal do país é uma forma de diminuir quem está no Poder, quem tem as rédeas na mão. Como qualquer generalização, é má política."

Começo pelo fim da frase de JLP, perguntando aos leitores, se, dizendo, como disse JLP, que "Portugal é, infelizmente, um país que gosta de dizer mal", não está, ele mesmo, a produzir outra generalização? A palavra "infelizmente", será a única de toda a frase, com a qual estarei de acordo. Portugal é, de facto, um país infeliz, não é um país derrotista.

É um país infeliz, por múltiplas razões. Uma delas, é também por ter uma comunicação social oportunista e pouco corajosa, que confunde a "crítica" que ela própria produz, com a da opinião pública, o que não é a mesma coisa. A outra razão, está à vista de todos: o país vai, de facto, de mal a pior. Se alguém ousar dizer que alguma vez se viveu bem em Portugal (mesmo excluindo a época anterior a 25 de Abril), mente, ou gosta de filmes de ficção muito pouco científicos.

Portanto, o que é que sobra a Portugal para gostar de "dizer bem"? Auto-estradas? Hipermercados? Centros Comerciais com emprego precário? Centralismo? Incumprimento constitucional da Regionalização? Off-shores? Escândalos financeiros, na Banca? Altos salários de quadros administrativos ocupados em grandes empresas por políticos incompetentes? O baixo nível de vida da grande maioria dos portugueses? O escândalo Casa Pia? Corrupção informativa dos media, como na RTP? Perseguição afrontosa e descarada ao Porto e suas instituições mais populares, como a que está a ser movida ao FCPorto? Educação? Saúde? Enfim, o quê?

Sejamos sérios, deixemos essa fantasia do optimismo para os psiquiatras. Para se ser sério, não é obrigatório usar paninhos quentes, nem pintar de rosa o que continua negro. Pior seria, neste mundo cão, em que o povo observa, impotente, o pântano de corrupção política onde gente com responsabilidades (mas, irresponsável), está envolvida, se não existissem indivíduos ou pequenos grupos de pessoas, que vão conseguindo sobreviver e até destacar-se com algum sucesso em várias áreas!

Se é a essa gente, mais ou menos anónima, que José Leite Pereira se quer referir quando diz que "Portugal só sabe dizer mal", então é mau analista. A árvore não faz a floresta, como um bom médico, não faz um bom Hospital, como um bom ministro não faz um bom Governo. Então, como quer o Director do JN que os portugueses "elogiem", em lugar de "diminuirem" quem está no Poder, se as rédeas que o detêm são de papel e nada fiáveis?

Tenham paciência, mas o meu orgulho nacional não se alimenta de folclore à La Scolari, com bandeirinhas na janela para no final da festa me limitar a apanhar as canas dos foguetes que outros lançaram. Nem tão pouco se alimenta com um Governo mais centralista do que o de Salazar, a desprezar cronicamente o canto da terra onde vivo e nasci.

O meu orgulho nacional em nada se parece com o do Sr. Presidente da República que disse uma vez orgulhar-se dos emigrantes portugueses. Eu, se fosse Presidente da República, lamentava a emigração, não me orgulhava dela. Porque a emigração, não é mais do que um símbolo da falta de trabalho e da sua baixa remuneração, em Portugal. Se eu fosse emigrante não depositava um cêntimo num Banco Português. Entregava-o à confiança do país que me deu a oportunidade para sobreviver e ser gente. Esse, é que é o verdadeiro país dos emigrantes. O outro, é o da fantasia, do coração. É o país a quem nós gostaríamos de pertencer de corpo e alma, mas a onde só nos resta ligada a alma.

3 comentários:

Anónimo disse...

29-01-2009 LABAREDAS

Merece comentário?

Depois de uma entrada em cena que dispensou aviso prévio, tempo agora para as apresentações: sou o Labaredas e estou pronto para soltar fogo sobre temas da actualidade que envolve o F.C. Porto. Os Portistas podem esperar chamas atentas e oportunas. E há muito desvario para «chamuscar».

O calendário desportivo avança e o F.C. Porto permanece em quatro frentes competitivas. Contra tudo e contra todas… as opiniões. À míngua de argumentos para desdizer os feitos da nossa equipa, os comentadores apostam cada vez mais na falta de vergonha. É uma enxurrada patética.

Diz hoje um senhor que costuma debitar conhecimento na rádio do Estado e que até alimenta um blog, que o Nuno Gomes devia vir ao Dragão de elmo e armadura para enfrentar Bruno Alves…

Na TV igualmente paga pelos portugueses, a tal onde as dúvidas são transformadas em penáltis inequívocos, até os pivots estão preocupados com o facto de um treinador ter sido mais brando do que antes na análise ao jogo da sua equipa contra o F.C. Porto. Pudera, até ele ficou com dúvidas, ao contrário do que sucedera na reclamação anterior…

Outros ainda, no ambiente cabo que os amantes da bola pagam religiosamente para alimentar o negócio, confundem isenção com fanatismo, dando amiúde a cara como anti-fãs do F.C. Porto numa rubrica de jornal desportivo…

Também no cabo, há um comentador que consegue ser o único habitante do planeta a não ver motivo para grande penalidade num lance em que o jogador do Braga é arrancado pela raiz. Haverá jarra para tamanha falta de visão?

De quem narra os jogos da Taça de Portugal nem vale a pena falar… Não há palavras para descrever ou tempo para dispensar a quem se entusiasma com «o grande futebol» dos adversários do F.C. Porto, estejam eles a jogar bem ou não…

Enfim, o costume. Acicatado pelos sucessos do F.C. Porto e exacerbado pela pobreza de espírito.
www.fcporto.pt


Fogo neles LABAREDAS.

Anónimo disse...

Não calem o JN
www.petitiononline.com — Assunto: Pelo JN
Não calem o JN
Petição pela preservação da identidade do Jornal de Notícias
(clicar no link)

http://www.petitiononline.com/pelojn/petition.html

To: Toda a sociedade portuguesa
Manifesto pelo último grande jornal da cidade do Porto

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Há um só jornal de dimensão nacional sedeado fora de Lisboa, o "Jornal de Notícias", resistente último à razia que o tempo e as opções de gestão fizeram na Imprensa da cidade do Porto. Todavia, nunca a precariedade dessa sobrevivência foi tão notória como hoje, sendo tempo de todas as forças vivas da sociedade reclamarem contra o definhamento da identidade de uma instituição centenária que sempre as representou, passo primeiro para a efectiva e irreversível extinção.

Desde sempre duramente penalizado pela integração em grupos de Comunicação Social, pois sempre foi impedido de viver à medida das audiências e dos resultados, o "Jornal de Notícias" tende a ser profundamente descaracterizado pela remodelação que o Grupo Controlinveste encetou, ao lançar um processo de despedimento colectivo que afectou, para já, 122 pessoas em quatro dos títulos de que é proprietário.

São cada vez mais nítidos os indícios de que o referido grupo económico está a usar a crise para levar a cabo uma reestruturação, longamente pensada, que, através da criação de sinergias, destruirá a identidade dos dois jornais centenários de que é proprietário: o JN e o "Diário de Notícias". Se o processo não for travado, os dois jornais, mesmo que mantenham cabeçalhos diferenciados, serão apenas suportes de conteúdos sem alma. A ideia não é nova e, com a concentração dos media e com alterações legislativas feitas à medida, está em pleno curso. É agora prática corrente a figura do "enviado notícias", jornalista de um dos dois títulos em serviço no estrangeiro, que vê a sua reportagem (ipsis verbis) publicada em ambos, ainda ontem concorrentes, mesmo que integrados no mesmo grupo. Foi agora criada, à custa do despedimento de fotojornalistas, uma agência fotográfica cujos membros integrantes trabalharão, indiscriminadamente, para os jornais "Diário de Notícias", "24Horas" e "O Jogo" (o JN entrará logo depois nesse esquema, a primeira grande machadada nas matrizes identitárias das publicações).

O resto virá a seguir. Os jornais do Grupo Controlinveste passarão a ser, não importa se sob uma ou várias marcas, veículos de um pensamento unificado. Pensando apenas em optimização de recursos, descaracterizam-se redacções e nada impedirá, como acabou de suceder no JN com a informação internacional, que secções sejam extintas, uma vez que, nesta visão redutora, um só jornalista chegará para alimentar quantos jornais e páginas da Internet for necessário. A prática que se adivinha está já em curso na informação desportiva, em que JN e "O Jogo" partilham trabalho jornalístico.

Com a solidificação deste assustador processo, será o JN o mais penalizado e, com ele, a cidade do Porto, todo o Norte do país, vastas extensões da região Centro e, por conseguinte, a própria qualidade da democracia portuguesa. Toda esta estratégia está a ser desenhada à distância, integrando-se nela a recuperação, há menos de um ano, do cargo de director-geral de publicações, entregue ao director do "Diário de Notícias". Não importa a qualidade boa ou má dos propósitos, apenas que a estratégia do JN vem sendo traçada por pessoas que desconhecem por completo a história, o papel social, o estilo, os leitores ou os agentes sociais que ao longo de décadas tiveram neste jornal a sua voz.

Cada vez mais, o JN deixará de ser a montra dos problemas e dos anseios de vastas zonas do país (o fecho e o emagrecimento de filiais são paradigmáticos). Com isso, haverá um crescente isolamento de regiões que o centralismo tem colocado cada vez mais na periferia. Com isso, o debate sobre a regionalização será restrito e controlado pelo espírito centralista. Com isso, questões como o peso do Porto e do Norte no Noroeste Peninsular serão menorizadas. Problemas como o da gestão do Aeroporto Francisco Sá Carneiro serão menos discutidos. A progressão da rede de metro do Porto será menos reclamada. O poder local será ainda mais invisível. O empreendedorismo será asfixiado. A vida cultural será ainda mais silenciada. O país exterior à capital será cada vez mais paisagem.

Em sede própria, estão os trabalhadores afectados pelos despedimentos (não apenas jornalistas), muitos deles em situações dramáticas, a lutar pelos direitos que lhes assistem. Aqui, é o jornal que luta pela própria existência. Dentro dos deveres que lhes são impostos, os representantes eleitos pelos jornalistas do "Jornal de Notícias" erguem a voz pela história que lhes cumpre honrar, pedindo que se lhes juntem as vozes de quantos virem na preservação desta identidade uma causa justa.

A cidade do Porto e o Norte assistiram, calados, ao desmantelamento de ícones como "O Primeiro de Janeiro" e "O Comércio do Porto". Quando reclamaram, era tarde. No caso do JN vão ainda tempo de exigir responsabilidade e sensatez. Quando perceber que o fim de tudo foi assim evitado, também o Grupo Controlinveste agradecerá, e é por isso que reclamamos a recuperação urgente do verdadeiro JN. Nacional mas do Porto

Anónimo disse...

Mas a "alentejana" há algumas semanas que anda muito, muito calma e isso é muito, muito, muito estranho!!!!!!!!!