09 fevereiro, 2009

A sociedade e a clubite vermelha

Sei sempre ao que me arrisco, quando incomodo alguém. Ninguém gosta que lhe coloquem na frente do rosto o espelho de uma realidade à qual preferem pensar não pertencer. A vida está a abarrotar de pessoas assim. Roubam, manipulam, abusam do poder, para conseguirem benesses, violam leis, caluniam os adversários e, depois de tudo, continuam a ter de si mesmas a convicção que são as pessoas mais íntegras do mundo. Melhor dizendo, continuam a querer convencer a sociedade que são dignas de um respeito que, na verdade, não merecem. Percebe-se, é o instinto de defesa a funcionar, ou a consciência a avisá-las que o teatro da vida não perdoa os maus actores.
Estamos, diariamente, a assistir a esses tristes espectáculos. É na política, é na Banca, é na comunicação (anti)social, é no futebol, é, em todo o lado onde os aromas do Poder se fazem sentir. Nem perderei muito tempo a dar exemplos, mas, só para recordar algumas mentes preguiçosas, cito (no futebol) apenas um: Vale e Azevedo. "Ilustre" e milionário advogado que, a juntar aos exuberantes luxos que já tem, se dá ao luxo de brincar (brincar, disse bem), às escondidas com a Justiça portuguesa e com a própria Lei. Enquanto, como diz o ditado, o "pau vai e vem, folgam as costas", o tempo passa, e o trafulha vai gozando a sua vidinha de nababo. Mas, adiante.
Na política, é um perfeito lamaçal de oportunismo, de negociatas obscuras e nunca integralmente investigadas. Mas, no "pása nada". Desde que haja um Bruno Pidá para encarcerar (umas Noites Brancas) ou um Pinto da Costa (uns Apitos Dourados) para o tentar transformar à força num mafioso, os 6 milhões de alucinados consolam-se com o anestésico que, entretanto, os impede de ver as vigarices que lhes passa à frente do nariz, cometidas por gente que tinha o dever de zelar pela sua - e a nossa - qualidade de vida.
Não tarda nada, cá temos um "incomodado" a bater à porta da caixa de comentários, a espumar de raiva, por não estar habituado a que lhes exibam este modelo de espelhos que os obrigam a ver e ouvir o que não gostam, mas cá estarei para lhes dar o devido trato.
Para esses, os bons espelhos, são os deles, os dos outros, são espelhos de hereges, de provincianos, de corruptos. Enfim, não valem nada. Eles sim, devem incondicionalmente ser levados a sério, ainda que passem o tempo a espoliar os seus compatriotas dos seus direitos. Para eles, os bons espelhos, chamam-se: RTP, SIC, TVI, toda a imprensa escrita, TSF, Rádio Renascença, etc.
Tudo é insuspeito e bom, desde que lhes alimentem o ego clubista e encham as capas dos jornais ou abram os noticiários da TV para tecer loas ao glorioso ou para denegrir a imagem de Pinto da Costa, que é o mesmo que dizer, desde que contribuam para afastar do caminho um "osso" duro de roer, chamado Futebol Clube do Porto, o grande pesadelo das suas vidas, responsável pela humilhação de uma ave de rapina que não sabe voar, condizente com a campanha de conspirações que há décadas promovem.

6 comentários:

Anónimo disse...

09-02-2009 LABAREDAS

Terão existido dois jogos?

Confesso que a leitura diária dos jornais me reconforta. É interessante perceber que a inveja continua a comprometer a seriedade e a cegueira a subverter os princípios da profissão. Será sempre assim no caso do FC Porto. É um excelente reflexo da nossa competência e não costuma justificar mais que um encolher de ombros. Esta segunda-feira, todavia, detive-me na primeira página da O Jogo. Fogo nela!

«Erro confirma líder». A manchete é suportada pela unanimidade do Tribunal de Árbitros, mas esquece que, aos 18 minutos, Reyes rasteirou Lucho González, como confirmam as opiniões dos três ex-juízes. Apesar de concordar com a decisão de Pedro Proença, António Rola diz que Lucho sofreu de facto um toque, mas deixa no ar a lógica da lei da vantagem. Não há lei da vantagem numa grande penalidade, caro Rola!

O Jogo fechou os olhos a duas evidências: uma grande penalidade e uma entrada violenta de Sidnei sobre Lucho González, que se enquadrava num cartão vermelho. Tudo isto ainda na primeira parte, com um empate sem golos. Não acham que mudaria por completo o clássico? Talvez o lance aludido na capa de hoje não merecesse sequer referência nas páginas interiores… Mas que importa isso? Para quem não é isento, de facto, não conta para nada… De relevar, isso sim, apenas o tom da ocorrência.

Será sempre assim, já o disse. O fogo do Labaredas, porém, não pode ser reprimido. É que no preciso momento em que lia os jornais, passei os olhos pelo resumo da RTP. A mesma lógica, desta vez com uma agravante: nem uma referência ou imagem do penálti sobre Lucho González. Perfeito para agradar a quem manda! O F.C. Porto, de facto, serve-lhes para tudo. Menos para serem felizes.

Rui Valente disse...

Entre eles e nós, há uma diferença abissal e, curiosamente, é na seriedade da qual tanto gostam de se fazer passar por paladinos, onde mais metem o pé na poça, e se destacam pela negativa.

Depois, há ainda outra diferença. Além de abusarem do Poder, abusam da burrice.

Anónimo disse...

10-02-2009 LABAREDAS

Palmas para quem?!?

Acham normal um presidente de uma autarquia defender uma ilegalidade? É com estes discursos que incentiva os jovens de Sintra para os princípios do desporto? E a mentira? Como pode dar eco televisivo a algo que lhe sopraram ao ouvido com intenções manipuladoras? O Labaredas deitou-se tarde para escutar mais um debate futebolístico, mas valeu a pena.

«Aplaudo as claques do Benfica, comportaram-se exemplarmente». Importa-se de repetir, Dr. Fernando Seara? Onde estava quando foram lançadas várias tochas no sector visitante? Como pode bater palmas a algo que não existe? Como jurista e presidente de câmara devia saber que, ao contrário do F.C. Porto, o seu clube não tem associações de adeptos oficiais. Não quiseram legalizar-se, lembra-se? Como pode defender publicamente uma ilegalidade?

O desplante já se arrasta desde a semana passada. «Aquela explosão nos No Name e na bancada central (…) da claque do Benfica e da sua adesão permanente, mesmo nos momentos difíceis e nos locais difíceis (…)». Como na Trofa, quando lançaram uma tocha ao guarda-redes da equipa da casa? Os jovens de Sintra estão orgulhosos dos gostos pirotécnicos do seu presidente. O futebol com chama fica muito mais interessante, mas não é este fogo que o dinamiza.

Gostos não se discutem, mas mentiras não podem passar em claro. Para defender as claques ilegais do seu clube, o Dr. Fernando Seara referiu que estavam apenas cinco stewards no momento da revista aos adeptos. Na realidade eram 18, número considerado suficiente face à experiência do F.C. Porto decorrente da organização de eventos internacionais, entre os quais meias-finais da UEFA Champions League, merecedores de rasgados elogios por parte da UEFA.

Claro que o seu clube não sabe o que isso é. E, por isso, fica mal lançar um papagaio verde de bico encarnado para dar lições de uma moral que não conhece. Mas ao louro perdoa-se a ignorância. A um homem das leis é mais complicado.

Anónimo disse...

Não quero ter de viver mais 82 anos


Os cabecilhas da revolta do 31 de Janeiro

Não tem aparecido na lista dos grandes investimentos públicos, onde as estrelas são as linhas de TGV e o aeroporto de Alcochete.

Mas a reabilitação da frente ribeirinha de Lisboa tem já garantido um financiamento gordo de 400 milhões de euros. Só o Turismo de Portugal entra com 70 milhões.

A lavagem da cara da marginal da capital, que contempla enterrar o comboio da linha de Cascais no troço entre o Museu da Electricidade e o Centro Cultural de Belém, vai ser a grande obra comemorativa do centenário da República.

No Porto, continuo sem saber notícias do concurso internacional aberto para reabilitar os 3,5 quilómetros da marginal do Douro.

Desconheço se há ou não projecto aprovado, quando vai custar a empreitada e quem a vai pagar – e mesmo se o Turismo de Portugal está disposto a dar uma ajudinha ou vai gastar a nota toda em Belém.

Só espero que não estejam à espera das comemorações do bicentenário da revolta do 31 de Janeiro de 1891, o primeiro levantamento armado contra a Monarquia, que teve o Porto republicano como berço.

Não quero ter de viver mais 82 anos para ver a marginal do Douro remoçada.

Jorge Fiel

www.lavandaria.blogs.sapo.pt

dragao vila pouca disse...

A propósito da clubite vermelha, no meu blog está um post com o título "Possesso" que é muito curioso e explica muita coisa.

Um abraço

Anónimo disse...

10-02-2009 FUTEBOL
Comunicado do F.C. Porto

No seguimento do último jogo da Liga 2008/09 no Estádio do Dragão e da sequência de declarações infelizes que este motivou, vem o F.C. Porto esclarecer o seguinte:

1 – Tendo em conta o jogo do passado domingo, o F.C. Porto concebeu o esquema de segurança habitual para desafios considerados de alto risco e para a previsão de 2500 adeptos visitantes;

2 – O planeamento da segurança para este jogo foi feito em consonância com a PSP. Na reunião de preparação para o encontro, o F.C. Porto alertou que, tendo em conta a expectativa de dois comboios com adeptos visitantes, o ideal seria separá-los em dois grupos de 750 cada, o que facilitaria o processo de revista no acesso ao Estádio do Dragão. A PSP decidiu juntá-los numa única coluna;

3 – O F.C. Porto comunicou à PSP que, face às ocorrências recentes em compromissos da equipa visitante, a revista dos adeptos seria forçosamente minuciosa. Como se comprovou com a apreensão de diverso material pirotécnico e de material passível de ser arremessado, como esferas de aço, esta medida foi acertada. Alguns desses objectos proibidos, como petardos, apenas foram detectados após a vistoria ao calçado de alguns adeptos;

4 – O F.C. Porto estranha que, apesar de dizer que ainda se encontra «a analisar» os factos, o Director Nacional da PSP já apresente conclusões. No entender de Oliveira Pereira, «o problema surgiu no estádio, com o número de entradas da fiscalização da segurança privada, dos ARD’s [assistentes de recintos desportivos], que eram só dois e tivemos de solicitar o reforço do número de agentes, para que fosse mais acelerada a entrada dos apoiantes do Benfica»;

5 – Na realidade, e como pode ser comprovado com a consulta às gravações das câmaras do estádio, os ARD’s destacados para este processo começaram por ser 18, número que subiria para 25, ainda antes da hora do jogo, com o intuito de agilizar os procedimentos de revista. Não eram cinco, como foi anunciado por um comentador desportivo, nem dez, como relatou um adepto visitante a um programa de rádio. Muito menos dois, de acordo com as palavras do Director Nacional da PSP;

6 – Perante tamanha incerteza, as palavras do Director Nacional da PSP não podem deixar de provocar alguma perplexidade. O F.C. Porto tem larga experiência na organização de esquemas de segurança para jogos de alto risco. Como se comprovou com o aparecimento de algumas tochas no sector visitante, não há planos infalíveis, mas estas excepções apenas vêm confirmar o acerto das medidas assumidas;

7 – O F.C. Porto costuma proceder à análise dos factos antes de avançar com conclusões e está sempre disponível para discutir com todas as entidades no sentido de melhorar os procedimentos de segurança. Não é hábito do clube dirigir responsabilidades próprias para terceiros. Muito menos em eventos que envolvem o bem-estar de 50 mil pessoas e extravasam em muito lógicas meramente clubísticas.

Porto, 10 de Fevereiro de 2009