23 junho, 2009

Esquerdo direito,um dois, esquerdo, direito...

Foi ao som deste canto pré-belicista, que aprendemos todos a marchar na tropa, ou mesmo antes, na escola e no liceu, na disciplina de "educação física". Hoje, politicamente falando, dizer-se que se é de esquerda ou de direita é algo bem menos clarividente e diferenciável do que a direcção que queremos dar aos nossos passos.
Em termos ideológicos, tanto a esquerda [o comunismo], como a direita [o capitalismo], já deram provas quanto baste de não se adequarem aos interesses gerais das populações. Não fosse uma absurda e completa utopia, o que no fundo no fundo, toda a gente realmente gostaria de ser, era rica, ter dinheiro para comprar tudo aquilo que precisa e [nalguns casos paranóicos] até aquilo que não precisa.
É curioso, e não tão raro quanto se pensa, às vezes encontrarmos pessoas endinheiradas com almas generosas e outras, sem terem um vintém, despóticas e extremamente egoístas, de onde se pode concluir que não é o dinheiro ou a falta dele que faz o carácter das pessoas. Contudo, uma sociedade onde as desigualdades sociais e económicas são exorbitantes, como é a nossa, isso é o pior que há para se fundarem os alicerces para a paz e para a solidariedade humana.
Não devo estar enganado se pensar que todos nós fazemos intimamente esse raciocínio dicotómico "direita/esquerda", quando lemos o que alguém escreve, procurando descobrir se temos ou não afinidades ideológicas com essa pessoa sem muitas vezes percebermos que com isso podemos estar a abortar o que de mais precioso existe nas relações humanas: a amizade.
Porém, desafortunadamente, a história diz-nos, que a natureza dos povos não é toda igual. Se no norte da Europa, em países como a Noruega, a Suécia e a Dinamarca, o regime capitalista é bem sucedido em razão da predominância de elites com formação, de facto superior, quer a nível social, cultural e cívico [com regimes monárquicos], no resto da Europa, sobretudo em países do Sul, as coisas mudam de figura, sendo os próprios governantes os primeiros a dar às populações os piores exemplos. O Sul, tem simuladores de elites, ainda não tem elites.
Sílvio Berlusconi, é o paradigma acabado do que não deve ser um 1º. ministro, ou um homem de Estado se preferirem. Ninguém se escandalizaria tanto se o visse à administrar um bordel ou um casino, mas foi na política, com a responsabilidade de governar o destino do povo italiano onde esta "sagrada" democracia o colocou... Da mesma forma que nós portugueses tivemos um conselheiro de Estado, iminente acusado de roubos astronómicos, ainda em liberdade e a ser tratado com todas as mordomias pela justiça "nacional" [as aspas é para lembrar que há uma justiça a Norte e outra a Sul o que me parece pouco nacional]...
Resulta deste meu despretensioso raciocínio, que o nosso país [tal como em Itália], não está preparado para gozar de uma Democracia tão branda, nomeadamente para aqueles que têm mais responsabilidades e delas tiram proveitos pessoais e obscuros. A justiça em Portugal só mete na cadeia os pilhas galinhas, os marginais fracos, aqueles que precisam de armas para actuarem. Não é capaz de ser célere e categórica a fazer o mesmo com os malfeitores que agem cobardemente, a coberto de armas invisíveis mas muito mais mortíferas para a sociedade, chamadas Poder e de todo o exército de camaradas [guarda-costas] que se movem dentro dele.
Esta é uma realidade, mas haverá sempre alguém disposto a contrariá-la, podem ter a certeza. E isso, quer dizer tudo. Talvez seja chegada a hora de aprendermos terminologias mais sustentáveis do que esta marcha enfadonha e inconsequente ladaínha do: um dois, esquerdo, direito, um dois.
Só precisamos é de descobrir um novo caminho, para volver. Não, também não é o do centro[CDS/PP). Nem pensem! É o caminho da consciência (CDC).

8 comentários:

meirelesportuense disse...

"Não devo estar enganado se pensar que todos nós fazemos intimamente esse raciocínio dicotómico "direita/esquerda", quando lemos o que alguém escreve, procurando descobrir se temos ou não afinidades ideológicas com essa pessoa sem muitas vezes percebermos que com isso podemos estar a abortar o que de mais precioso existe nas relações humanas: a amizade."

Muitas vezes esse raciocínio é inconsciente, salta de forma imprevista e irreprimível quando percebemos o objectivo que se pretende alcançar...Mas o mais importante é existir boa-fé, sinceridade e respeito pelos outros...Os interesses de todos são mais ou menos coincidentes e buscam encontrar a felicidade.
Se esses interesses são tão universais, não percebo porque os homens não se conseguem entender de forma duradoira.

Rui Valente disse...

Porque nem o capitalismo é solução para os problemas da humanidade,pintem-no da côr que pintarem, nem o comunismo por outro tipo de ambições individuais o é, também.
De resto, subscrevo o seu último parágrafo.

Rui Farinas disse...

O que acho curioso no caso italiano é que parece que quanto mais safadezas o Berlusconi faz,mais os italianos votam nele. Será admiração pelas suas proezas de "macho latino"?

Rui Valente disse...

Meu caro Farinas,

qualquer dia, os pais educam os filhos para se formarem numa qualquer faculdade de pornografia.

É tudo uma questão de tempo

meirelesportuense disse...

Meu caro Rui estive hoje nas Fontaínhas, passei por lá como me é habitual, porque não consigo desligar o clik...Mas a Ponte do Infante(?) destruiu a área que eu conhecia. É irreversível, embora a população insista em ir lá por uma questão de tradição, a Ponte destruiu, matou o São João das Fontaínhas...Talvez fosse esse o objectivo, levar as pessoas para a Ribeira e para a baixa.
Quanto aos sistemas políticos, em breve lhe demonstrarei cabalmente o meu ponto de vista, mas uma coisa posso adiantar já, o essencial é educar a População, dar-lhe a cultura de que ele necessita, para poder escolher bem em todos os momentos da sua vida.E isso é uma tarefa gigantesca que demorará talvez gerações...Isto, se os Portugueses estiverem mesmo dispostos a isso.

meirelesportuense disse...

Coloquem uma Sociedade estruturada nas mãos de um grupo de indivíduos sem escrúpulos e ele destruirá tudo em meio tempo...

meirelesportuense disse...

O que eu acho em relação aos sistemas políticos é simples...Numa Sociedade existem pessoas com determinadas capacidades diferenciadas entre si...Buscam todas, a sua realização pessoal em termos afectivos e pessoais de tipo muito diferente...Mas nem todos podem dar o mesmo tipo de contributo, tem que existir organização que distribua as pessoas de forma racional e as coloque nos lugares certos e adequados às suas capacidades...Uma Sociedade Ideal colocaria as pessoas certas no seu lugar certo, aqui não acontece nada disso, uns vão conseguindo subir por força de conhecimentos da família, da sua condição Social do seu próprio esforço pessoal...E acontece haver uma luta muito parecida com a que existe na Selva, vence o que consegue assustar o adversário...Na nossa Sociedade existem adversários, não contribuintes líquidos na sua capacidade de concretização...E quanto menos elevada for a Cultura e a Consciência Social de um Povo pior...Vale tudo para ascender aos patamares desejados e postos à disposição...É nessa terrível realidade que assenta o nosso Mundo...Por isso, quase todos apoiam pessoas que são na sua essência, pessoas sem conteúdo Moral elevado, apenas sabem gerir os afectos à sua volta de forma muito conveniente e do seu agrado...Um Mundo assim não tem Futuro, resta-lhe esperar pela sua inevitável extinção...E ela já bate à porta, embora a maioria tente fechar os olhos à realidade.
Somos nós que destruímos o Mundo em que nascemos, consumindo de forma desenfreada e muitas vezes criminosa os produtos que a Natureza nos pôs à disposição, porque nos estamos marimbando para as gerações que vêm depois de nós...Apenas existimos nós e mais ninguém...Sabemos que a Morte espreita em cada momento e parece que em vez de tratar com ela de olhos abertos, a buscamos inconscientemente de modo incontrolado, como se fôssemos autênticos suicidas...Como se comporta alguém que sabe ter um doença terminal e quer demonstrar o contrário...E podíamos ser mais generosos e corajosos e tentar viver um vida mais digna e respeitadora de todos os que fazem esta curta "viagem" connosco...Os que lutam por isso são rejeitados e chamados de hipócritas, porque se considera que querem apenas enganar a maioria, como se a maioria não andasse constantemente a ser enganada...

Rui Valente disse...

Cuidado Meireles,
concordo com o seu pensamento. O meu amigo, está a entrar no mundo do idealismo, o que para os "sábios do regime" é comparável à utopia,à demagogia ao surrealismo, e muitas vezes até, à idiotice. Enfim, todo aquela panóplia de presunção e soberba que conhece.
Eu não vejo as coisas assim. Sei que para se sobreviver [à ganância] nesta selva de gente que gosta de dar-se ares de civilizada e culta, é preciso fazer o que fazem os Jardins Gonçalves e os Dias Loureiros. Quem não proceder assim, por feitio ou dificuldade, limita-se a sobreviver ou na melhor das hipóteses a viver, o que já não é mau, num mundo completamente invertido de valores e de respeito pelo semelhante. É por essas e por outras que não levo a sério os políticos. Custa-me dizer isto, porque pode haver sempre excepções, mas desprezo-os.