29 junho, 2016

Romanização


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Capítulo II

Romanização
A Galécia (em latim Gallæcia) foi uma província romanana extremidade norte-ocidental da Península Ibérica, que corresponde ao território onde se encontra a cultura Celta na actual Galiza e norte de Portugal. A cidade mais importante e capital histórica era Bracara Augusta, a actual cidade de Braga. Fazia parte da Hispânia Tarraconense, e tinha divisa ao sul com a Lusitânia.
A Galécia nasceu política e administrativamente com a invasão romana, embora ao nível cultural já existisse uma unidade regional, liderada por Décimo Júnio Bruto, desde a Lusitânia em território dos "populi castrorum" (as gentes dos castros) ou gallæci (latinização do etnónimo grego "kallaikói"), nome por que eram conhecidas essas tribos do noroeste da Península Ibérica na antiguidade clássica.

Os gallæci/kallaikoi (castrejos) estavam distribuídos em três tribos principais à que corresponde a etimologia celta (latinizada nos documentos clássicos):
os artabri, (Galiza); os grovi, (norte de Portugal); os asturi, (Astúrias). 
Já aparecem documentados os galaicos nas guerras deLusitânia, trabalhando como mercenários de guerra para o líder tribal lusitano Viriato, contra o Império Romano.
D.I. Brutus, depois de conquistar a Gallæcia, rebaptizar-se-á a si mesmo como Décimus Iúnius Brutus Callæcus (o Galego).
Dividia-se administrativamente em três "conventus":
Convento asturiense, capital Asturica Augusta; Convento lucense, capital Lucus Augusti; Convento bracarense, capital Bracara Augusta;

28 junho, 2016

Para sabichões da treta


História do Norte! (Capítulo I)


O Princípio
"A região na qual se encontra actualmente Portugal esteve habitada por pelo menos há quinhentos mil anos, primeiro pelos Neandertais, e mais tarde, pelos homens modernos. Cerca de 10 000 a.C., a Península Ibérica era habitada por povos autóctones sem parentesco aparente com quaisquer outros povos conhecidos, denominados Iberos." Nesta altura já havia diferenças entre as varias regiões pela península ibérica.


Mas só se cristalizou as diferenças devido à geografia e a vindas de emigrações de alguns povos para esta região que marcaram profundamente as bases para a identidade do Norte de Portugal.



Os Nosso Antepassados (CELTAS)
Cerca de 1000 a.C. mas provavelmente ainda antes, a região passou a ser habitada por povos Indo-Europeus, de origem Celta que coexistiram com os povos Iberos, habitando regiões distintas da Península Ibérica. Na zona Leste da meseta Central, os povos Celtas mesclaram-se com os povos Iberos dando origem aos Celtiberos, que não se devem confundir com os Celtas Ibéricos (Celtas da Península Ibérica) que em Inglês se denominam de Celtiberians. Vários povos habitavam a Península Ibérica, divididos em três ramos étnico-culturais primordiais: Os Celtas Indo-Europeus, os Iberos de origem desconhecida e os Celtiberos que viviam na Meseta Central. Entre esses povos encontravam-se: os Lusitanos, os Calaicos ou Gallaeci e os Cónios, entre outras menos significativas, tais como os BrácarosCélticosCoelernosEquesos,GróviosInteramicosLeunosLuancosLímicosNarbasos,NemetatosGigurriPésuresQuaquernosSeurbos,TamaganiTaporosZoelasTurodos. Influências mínimas exerceram os Gregos e os Fenícios-Cartagineses com as suas pequenas colónias-feitorias comerciais costeiras semi-permanentes de grande importância estratégica. Estes últimos dois povos não contribuíram virtualmente para a ascendência dos povos da Península.
Os Celtas viviam principalmente na zona Norte e Ocidental da Península enquanto que os Iberos viviam na zona Sul e Leste da mesma. Para uma maior compreensão do tema, é favor procurar a versão Inglesa, muito mais completa e independente.

27 junho, 2016

Custa tanto ser do Porto nesta merda de país

Tiago Monteiro venceu, a selecção de futebol, vamos ver...

Se há gente que aprendi a perceber como funciona, e me teria feito milionário várias vezes se a observação se chamasse sorte, são esses "jornalistas" que por permissividade corporativa de outros jornalistas lhes mancham a reputação. 

Não é por gostar de futebol que me inibo de reconhecer o aproveitamento que dele fazem os media para influenciar o público. O futebol é o meu desporto favorito, mas não me tolda a mente. Quando ligo a televisão e vejo um jornalista a destacar com euforia os feitos desportivos de um atleta de outras modalidades, a primeira conclusão que retiro do atleta é esta: o gajo, ou a gaja, só podem ser benfiquistas... Raramente falha. É só aguardar um tempinho curto e logo ficámos a saber que o homem ou a mulher, são benfiquistas de berço, mesmo que pratiquem tenis, ou automobilismo... O contrário acontece com atletas que não alinhem pela merda desse clube. Ninguém abre a boca, e os jornais de Lisboa nem sequer reservam uma linha se o atleta for adepto do FCPorto. São uns verdadeiros democratas...

A selecção "portuguesa" de futebol está a ser - aliás como é costume naquela terra de saloios - a ser levada ao colo e colocada num pedestal antes mesmo de lá estar, e sem o mínimo respeito por equipas que consideram à partida fáceis e inferiores à nossa. Não vencemos à Islândia nem à Hungria e a sorte fez-nos chegar aos quartos de final eliminando a Croácia uma selecção, técnica e fisicamente mais forte. Duvido que tenhamos pedalada para a Polónia que tem um futebol muito pragmático e fisicamente poderoso muito semelhante ao alemão. Mas, veremos. Hostilizo completamente o excesso de fanfarronice e as victórias antecipadas. Não me revejo nesse portugusesismo bacôco, chamem-lhe a isso o que quiseram.

Mas, o que eu queria anunciar é uma notícia positiva e já concretizada, portanto motivo de alegria para os portugueses que não trabalham na televisão e têm capacidade para pensar pelas suas cabecinhas: ontem, Tiago Monteiro venceu a corrida principal da etapa da corrida de Vila Real (prova da WTCC) e a RTP - paga por todos nós - não reservou um segundo sequer a transmitir a notícia. Só deu futebol comentado...E não adianta que me digam que viram às tantas da madrugada um apontamento sobre o assunto, porque isso não muda nada, faz parte de uma estratégia hipócrita e mesquinha para arquivarem caso estas denúncias ganhem relevo para servir de contraditório... 

Só hoje, soube pelo JN o acontecimento. Não foi nada, mas Tiago Monteiro, que eu saiba, foi o único corredor português a subir ao pódio na fórmula um, e apesar disso nunca o trataram como aquele menino lisboeta que nunca lhe chegou aos calcanhares, e que me escuso a dizer o nome por uma questão de reciprocidade deontológica. 

Fosse Tiago Monteiro vermelho, ninguém aturava a parolada. É por estas e muitas como estas que não me orgulho desta portugalidade merdeira e xenófoba. 




25 junho, 2016

O “Brexit” pode ser o abanão de que a Europa precisa

Mais do que uma vez disse que tinha “mixed feelings” em relação ao Brexit, era sensível a argumentos a favor ou contra a permanência do Reino Unido, embora estivesse convencido que no fim ganharia o “remain” por uma pequena margem. Depois do assassinato da deputada trabalhista, pensei que o efeito perverso seria inverter as tendências que apontavam para a vitória do “Brexit” e foi isso que pareceu nas últimas sondagens. No entanto, nada disso se verificou e basta olhar para o mapa dos resultados para percebermos como a divisão do voto no referendo penetrou fundo no tecido social, nacional e político inglês. Vai muito para além dos anátemas com que os europeístas quiseram exorcizar um monstro que em grande parte criaram quando estão há décadas a erodir a democracia na Europa.
Take our country back” é um slogan poderoso, entre outras coisas, porque é verdadeiro. O “país”, sob formas mais ou menos capciosas e nunca legitimadas pelo voto com a clareza que é precisa nestas matérias, tinha de facto sido “roubado”, como aliás acontece com muitos países da Europa, a começar pela Europa do Sul. Querer impor sanções a Portugal e Espanha e não à França, porque “a França é a França”, como diz Juncker, é o exemplo do que é a Europa de hoje, indiferente ao voto nacional, comportando-se de forma diferente conforme o tamanho dos países, e correndo para punições como um polícia velho. Aliás o referendo inglês teve algo de parecido com o grego: as tácticas do medo reforçaram o sentimento nacional.
No Reino Unido não votaram os anti-emigrantes contra os amigos dos emigrantes, porque o benefício que Cameron levou para a campanha, dado por uma Europa sem princípios, foi exactamente a excepção para o Reino Unido de poder retirar direitos aos emigrantes. No Reino Unido não votaram os velhos contra os jovens, o campo contra cidade, os populistas emotivos contra os “racionais”, os que olham para o “futuro” contra os que olham para o “passado”. Votaram os escoceses a favor da independência da Escócia por via do sim à Europa, votaram os irlandeses do Norte que não querem uma fronteira externa da União ao lado da República da Irlanda, e votaram os mais pobres e mais excluídos, tirando o tapete ao Partido Trabalhista, e recusaram o voto a tudo quanto é grande interesse, a começar pelo capital financeiro e pelas grandes empresas que são, há muito, mais internacionalistas do que qualquer Internacional Comunista.
Era uma combinação muitas vezes contraditória de intenções de voto? Era, mas as democracias são assim. E os ingleses têm uma velha democracia, e um conjunto de “peculiaridades”, que permitiram a E. P. Thompson um dos mais notáveis ensaios sobre como o adquirido democrático e liberal, penetrou tão fundo no Reino Unido sem paralelo na Europa, e “pertence” a todos. Dohabeas corpus, ao julgamento por um júri, do respeito pelas tradições próprias mesmo quando parecem irracionais e pouco eficazes, como seja a recusa do sistema métrico, ou a condução pela esquerda, a resistência ao controlo de identificação, a momentos que só podiam acontecer em Inglaterra como o apoio dos homossexuais aos mineiros durante as grandes greves contra Thatcher, que ainda hoje faz com que um dos sindicatos mais duros do Reino Unido, participe por gratidão nas paradas gay. Existe uma forte cultura nacional identitária. Umas coisas são mais importantes, outras menos e nem todas são boas, mas isso é que significa “ser inglês”, um complexo de história, cultura, tradição, laços de identidade, que justificaram o “take our country back”.
Os burocratas europeus e os interesses internacionais do dinheiro não percebem esta realidade, e acham que é um anacronismo, mas Jean Monnet, um dos fundadores de uma Europa que já não existe, percebia-o bem demais. E por isso defendia uma Europa de iguais, de “pequenos passos”, de solidariedade e que, para existir, tinha de ter em conta a diversidade das nações. Uma classe política como a portuguesa, que andou anos a jurar nas campanhas eleitorais que não era federalista e que agora acordou toda federalista e hiper-europeia, não percebe isso, porque há muito perdeu os laços com a identidade nacional e aceita tudo. Aceita tudo agora porque o modelo económico imposto é próximo dos seus interesses, porque se a política europeia fosse keynesiana, havíamos de os ver todos anti-europeus.
(do Público)

22 junho, 2016

Grande golo Ronaldo!

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É muito bem feito!

Esta moda muito portuga de considerar alguém o "melhor do mundo", é expressão com a qual não simpatizo nada. Reconheço-a como positiva, quando usada para encorajar, para incentivar o visado, ou a visada, a fazerem sempre melhor. Apenas por isso. Já me provoca repulsa e até alguma vergonha enquanto português, quando oiço e vejo a loucura colectiva a quem a comunicação social  incumbe os seus agentes de contagiar a população, dentro e fora do país, de fazer de um jogador de futebol mais do que um herói nacional, um Deus! 

Falo de Cristiano Ronaldo, como já terão percebido. Como jogador, é sem dúvida dos melhores da actualidade. Os prémios que recebeu não se deveram a cunhas, a favores, foram merecidos. Se foram sempre justos, aí já tenho as minhas dúvidas. A maior virtude de Cristiano é a corrida e a perseverança, o querer fazer sempre mais. Mas isso não significa que seja o melhor do Mundo. Depende do ponto de vista como é avaliado. Pessoalmente, considero Messi um jogador mais completo, tecnicamente muito mais evoluído que Ronaldo. Mas, há muitos mais grandes jogadores na Europa (o Gareth Bale é apenas mais um, o Ibrahimovic, outro). Com características diferentes, mas com talento para dar e vender, até porque os vejo fazer coisas que nem o próprio Messi faz). Enfim, quando falamos das qualidades das coisas e sobretudo das pessoas, devíamos fazê-lo com um pouco mais de moderação porque não é pela fanfarronice que nos tornámos num povo respeitável. 

É verdade que os estrangeiros que nos visitam, têm por hábito elogiar o nosso país. O clima é bom, há sol em abundância, as pessoas são simpáticas, as paisagens bonitas. Estão cá de férias, optam por ser simpáticos e educados com o país de acolhimento, o que só lhes fica bem. Mas tenho a certeza, que já não pensam o mesmo do histerismo que aquela gente de Lisboa (os media estão praticamente todos lá implantados), dedica ao futebol e às suas vedetas de eleição tão contrários a um verdadeiro espírito congregador e nacional. Uma vez chegados aos seus países, os turistas devem achar-nos uns complexados que à falta de um nível de vida decente, se agarram ao futebol endeusando as suas vedetas. Numa coisa se enganam, porém. É que, sendo cada cidadão responsável por si mesmo, pela vulnerabilidade ou resistência que oferecem a quem teima incutir-lhes emoções, são os jornalistas, essa classe corporativa que não ousa varrer do seu seio quem lhes corroi o prestígio, os principais responsáveis pela mentalidade saloia de que continuamos a gozar. E não pensem que são os portugueses, são mais os lisboetas, porque é lá que se fabrica a opinião. Há dúvidas? 

Assim sendo, não me sobra o menor respeito pelo atrevido que colocou o microfone na boca de Ronaldo,  que teve como resposta ir procurá-lo no lago por onde o jogador passava. Esta gente, é o pior que o país tem. Superam mesmo os políticos em falta de carácter. Por isso digo: grande golo Ronaldo! Eu talvez escolhesse outro alvo...

20 junho, 2016

Rui Moreira/FCPorto

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Rui Moreira o líder que o Norte não sabe aproveitar

Terminou a temporada 2015/16 com o FCPorto a ter talvez dos piores resultados desportivos das últimas 10 épocas, com os efeitos colaterais que isso implica do ponto de vista financeiro e de imagem para o clube. Com os cofres mais vazios e as desastradas opções nos negócios da compra de jogadores que têm pautado os anos mais recentes, será extremamente difícil acreditar que a temporada que aí vem seja promissora. Se a isso juntarmos a rendição clara e notória do presidente e dos seus colaboradores mais próximos às tropelias dos adversários com a habitual conivência dos órgãos federativos e da Liga, é improvável que possamos fazer melhor.

Como se pode comprovar facilmente, dedico parte considerável do tempo neste blogue a falar do FCPorto mais sob o ponto de vista político e social do que propriamente desportivo, embora não me prive de mostrar a alegria  que as suas victórias me causam sobretudo quando acompanhadas de bom futebol. Isto, porque num país centralista, profundamente assimétrico pouco dado a exercícios democráticos como Portugal, é extremamente injusto carregar apenas nas costas dos dirigentes a tarefa hercúlea de o mudar.

Não me interpretem mal, porque não estou com isto a dizer  que o Presidente e os seus colaboradores mais próximos devam manter-se mudos e indiferentes como têm feito nos últimos anos. Pelo contrário, essa postura é inaceitável e indigna, como aliás já aqui o dei a entender sem meias palavras. Mais. Perdi muito do apreço que tinha por Pinto da Costa e duvido, pelas reacções que tem revelada a todas essas arbitrariedades que volte a recuperá-lo.

Exceptuando um restrito número de portistas que por aqui passam regularmente deixando os seus comentários, a grande maioria parece estar convencida que isto do centralismo se resolve através do futebol, o que é um grande erro. Foi por causa da discriminação que ao longo dos anos nos discriminou e prejudicou que começamos a dar valor às intervenções polémicas, mas oportunas, de Pinto da Costa que serviram para conter os abusos centralistas e fizeram dele um líder. Até porque na área política nunca tivemos um verdadeiro líder regional. Mas é tempo de exigirmos aos políticos essa responsabilidade, sobretudo no que concerne a zona norte. Que os benfiquistas de todo o país se deixem comer como otários com o sedativo nacional benfiquista, lastima-se, mas ainda se percebe, agora que os nortenhos não saibam unir-se, independentemente das preferências clubistas, contra esse cancro chamado centralismo, é um atestado de imbecilidade que passam a si próprios, e isso sai-lhes do bolso, a eles e a nós...

Há uns tempos atrás anunciei aqui o lançamento do último livro de Rui Moreira "TAP-Caixa Negra" , que recomendei por esclarecer minuciosamente o imbróglio do negócio, com evidentes prejuízos (passados, presentes e seguramente futuros) para a região e para nós próprios cidadãos. Ali se explica tintim por tintim as omissões, as condradições do negócio TAP, com evidentes sinais de embaraço para os responsáveis da TAP e do próprio Governo.

A causa da TAP não é uma causa que importa apenas aos viajantes aéreos, interessa aos bolso de todos nós. Por isso devíamos acompanhá-la com mais interesse, quanto mais não seja para termos uma ideia justa do combate que Rui Moreira está a travar contra mais esta facada ao Norte e ao Porto. António Costa mantem-se calado... Rui Moreira está estrategicamente a aguardar pelas respostas que precisa do Governo a tudo o que só o livro pode esclarecer, dado que para a imprensa e comunicação social em geral, este é um assunto tabu. Não será por ela (comunicação social) que ficaremos esclarecidos. Moreira, está a fazer um trabalho notável em defesa do Norte. Tem gente a apoiá-lo, mas precisa de muita mais, de todos nós. Trabalho tanto mais admirável quanto tem de arrastar com ele políticos engajados nos respectivos partidos ideologicamente diferentes, o que não é fácil,porque só depende do carácter e sentido de cidadania de cada um. 

No meio deste turbilhão de desconsiderações, é no mínimo incompreensível que o Porto Canal não tenha até hoje revelado interesse nem coragem para apoiar a luta de Rui Moreira. Ele não está parado, e continua a olhar como sabe e pode pela nossa cidade. E tem estado bem. Estou certo e seguro que vai ser reeleito. Esta desunião entre autarca e Presidente do FCPorto, não é culpa sua. O tempo se encarregará de desvendar este estúpido mistério. Mas era preferível que se entendessem pela mesma luta. Com o Porto assim, dividido, estamos a fazer a vontade aos centralistas.  É assim que eles nos querem ver: divididos.

Será que lhes vamos fazer a vontade? Que raio de alma é essa, a dos nortenhos? Onde pára o nosso orgulho?

19 junho, 2016

Marcelo e as elites. Mas, que elites?

Manuel Carvalho
Quando o Presidente da República subiu ao palco do 10 de Junho para recordar que “foi o povo, a arraia-miúda, quem nos momentos de crise soube compreender os sacrifícios e privações em favor de um futuro mais digno e mais justo” ou para sublinhar que “foi o povo, sempre o povo, a lutar por Portugal”, não se estava certamente a referir à crise de 1383-1385. Quando apontou o dedo a “algumas elites” que “nos falharam, em troca de prebendas vantajosas, de títulos pomposos, meros ouropéis luzidios, de autocontemplações deslumbradas ou simplesmente tiveram medo de ver a realidade e de decidir com visão e sem preconceitos” não estava seguramente a falar de D. João I ou a pensar em Nuno Álvares Pereira. Para notória infelicidade do povo, Marcelo Rebelo de Sousa pode pegar nas histórias da Caixa Geral de Depósitos, no ilusionismo de José Sócrates, na fuga de Durão Barroso, na arrogância venal de Ricardo Salgado ou na incompetência premiada de Vítor Constâncio (o homem que travou o debate sobre o desequilíbrio externo nacional acabou, recorde-se, na vice-presidência do BCE) para dizer o que disse. 
O que o Presidente não disse, e nós gostaríamos muito de saber, é se acha que a nova elite que governa hoje o país é capaz ou não de “ver a realidade e decidir com visão e sem preconceitos”. Porque, definitivamente, estamos cansados de andar sempre às voltas com o passado e de ver como o país esperançoso de 1986 a 2000 acabou no limiar da bancarrota e no sufoco de escândalos sucessivos. Sim, já sabemos que uma parte da elite política portuguesa contemporânea é o exemplo acabado do fracasso e da venalidade.
É por isso ridículo que o PSD queira avançar com uma comissão parlamentar de inquérito à Caixa Geral de Depósitos, porque todos e cada um dos seus deputados sabem o que todos e cada um dos portugueses conhecem: que a Caixa foi durante anos a fio um instrumento do tráfico de influências políticas, o lugar onde o Estado se deixou aprisionar em nome de uma rede de privilegiados sem o mínimo laivo de honra ou de sentimento de dever público. A questão é: e agora?
Se houve nos anos de chumbo da troika uma boa notícia foi a da varredela de uma certa elite que se instituiu com o alto patrocínio do Estado e dos nossos impostos. O fim do império do BES, a investigação judicial aos indícios que pairam sobre os negócios de José Sócrates ou de Armando Vara, a passagem à reserva (sejamos crédulos, ao menos por uns instantes) de Miguel Relvas ou a queda da Ongoing deixaram entrar algum ar fresco pela janela.
Mas, e o presente? Nada nos garante que debaixo dos escombros do ajustamento tenha nascido uma verdadeira elite política destinada a reformar o país e a expurgar o Estado das suas pústulas e dos seus vícios. Pelo contrário, podemos até suspeitar que nas negociatas da TAP ou nos arranjos com os estivadoresesteja outra vez presente o instinto de sobrevivência de uma oligarquia política (a expressão feliz de Rui Ramos nas suas crónicas no Observador) que faz tudo para se perpetuar no poder.
Num livro lúcido e admiravelmente bem escrito que a Fundação Francisco Manuel dos Santos lançou recentemente (Crime e Castigo, Os desequilíbrios e o resgate da economia portuguesa, de Fernando Alexandre, Luis Aguiar-Conraria e Pedro Bação) faz-se uma viagem pelos traumas do passado recente que nos conduz a uma actualidade não menos assustadora: os problemas que Portugal tinha no início da sua década e meia perdida (por volta do ano 2000) e que nos obrigaram a pedir um resgate à troikacontinuam presentes.
A dívida pública e privada é mais elevada do que no início desta fase da vida nacional e o crescimento económico continua a ser anémico. O défice, está bem, melhorou, mas permanecemos sentados em cima de um barril de pólvora. Portugal precisava de uma elite política que fosse capaz de ter coragem de assumir que a gravidade deste problema não se esgota nos artifícios fantasiosos do debate parlamentar actual. Que tivesse coragem de assumir que há reformas profundas a fazer, sejam as que se encaixam mais nos pergaminhos da direita ou as que reclamam a adopção de mecanismos de protecção social que se revêm mais facilmente nos programas da esquerda
(Fonte: Público)

18 junho, 2016

Visitas guiadas à história dos jardins do Palácio

Visitas guiadas à história dos jardins do Palácio
Enquadrada nas comemorações dos 150 anos dos jardins do Palácio de Cristal, haverá esta sexta-feira, 17 de junho, pelas 21,30 horas uma visita guiada pelo historiador Joel Cleto subordinada ao tema "Da Torre de Pedro Sem à Torre da Marca".

O percurso inicia-se no Largo da Maternidade e termina nos Jardins do Palácio de Cristal, onde será visitada a Capela de Carlos Alberto.

No dia 26 de junho, pelas 17,30 horas, haverá outra visita, essa conduzida pelo investigador Francisco Queiroz intitulada "Dos Jardins Emil David à Capela Carlos Alberto". O ponto de encontro será junto ao portão principal dos Jardins do Palácio de Cristal.

+Info: Necessária pré-inscrição através do 225 320 080 ou parquesurbanos@cm-porto.pt

14 junho, 2016

Só para ouvir. Rui Moreira, ontem na Rádio Renascença

A luta é (sempre) mais difícil

Eduardo Victor Rodrigues
Presidente da C.M.Gaia


A distribuição das verbas do novo quadro comunitário foi um dos momentos mais negros da Região Norte, território que tem vindo a perder influência e capacidade de reivindicação. Isso já foi evidente nas discussões da água e dos transportes.

O processo começou mal; não era imaginável que o Governo anterior atribuísse tão pobres montantes para a Região. Enquanto o Estado encontrava expedientes para se financiar pelas verbas europeias, retirava recursos às regiões e aos municípios.

Na altura, justiça seja feita, Rui Moreira assumiu a amplificação da voz dos descontentes, onde eu também me incluí, fazendo-o por razões objetivas e não por combate partidário. Outros ficaram calados, mesmo se a sua responsabilidade institucional os obrigaria a reclamar; falou mais alto a defesa das cores partidárias, a vontade de serem obedientes ao poder instituído ou o mero conformismo.

Foi dramática a acomodação às imposições do poder central; mas ainda pior foi o astuto processo de colocar a Região a discutir a distribuição das migalhas.

É clara a falta de músculo político na Região e na Área Metropolitana do Porto. Importa lembrar que o maior desenvolvimento do Norte ocorreu nos tempos dos compromissos regionais exigentes, liderados por gente que não se vergou às orientações da tutela. Fernando Gomes terá sido o seu mais evidente representante. Mas, também, Mário de Almeida, Vieira de Carvalho, Valente de Oliveira e Braga da Cruz. Todos juntos pela Região.

A proposta de financiamento comunitário foi indigna para a Região. Foi exígua nos recursos e foi injusta pelos modelos de distribuição. Basta publicar o mapa da capitação por Município para se perceber que há quem receba per capita três vezes mais do que o vizinho; basta publicar o mapa da distribuição para não se perceber como um Município com menos habitantes receba quase o dobro do outro.

Mas não pode ser este o principal debate. O dinheiro é pouco e o maior favor que podemos fazer à tecnocracia é desatarmos a discutir a divisão do pão, em vez de lutarmos por mais pães. E nisso, alguns foram magistrais, colocando os municípios uns contra os outros.

A verdade é que houve quem aceitou a proposta, presumindo-se contentamento ou resignação (para o caso, tanto faz). Outros não aceitaram, recusando-se a assinar os PEDU sem uma nova tentativa de exigir justiça e mais recursos. Sublinho que uns não são melhores do que os outros, apenas assumiram posturas bem diferentes.

Foi então iniciado um processo reivindicativo público e exigente. Aquilo que alguns chamam de "negociação direta", foi um normal processo reivindicativo. Se os representantes da Região e da Área Metropolitana estavam satisfeitos com o resultado, não restava alternativa aos descontentes que não fosse levar as reivindicações diretamente ao poder central.

O ministro Pedro Marques, em nome deste Governo, assumiu a necessidade de encontrar soluções imediatas de compensação. É verdade que haverá uma reprogramação dos fundos, mas convinha que, antes disso, houvesse reforço de verbas.

À custa dessa luta dos municípios que recusaram assinar à primeira veio um adicional de 20 milhões de euros para a área da inclusão social, domínio em que a Região tem mais debilidades. Não foi extraordinário, é verdade, mas sem a nossa luta esses recursos não viriam.

No final, os que assinaram à primeira também acharam ter direito ao acréscimo que os outros reivindicaram. Mas teríamos sido mais fortes se todos batalhassem.

Contudo, todos têm razão. O dinheiro foi tão escasso que não há os bons e os maus. Mas há os que lutaram por mais e os que não acreditaram na luta. É justo criticar os poucos recursos que vêm para a Região? É justo, mas convinha lutar por mais e melhor, em vez de capitular.

A Região não precisa de gente que se afirme atirando uns contra os outros. A solidariedade tem que ser lutadora e exigente, não deve capitular aos receios do pó do campo de batalha com o poder central. É mais ordeiro, mas não serve a Região.



Nota de RoP:

Fartos de saber como a região Norte em geral, e a área Metropolitana do Porto em particular, têm sido prejudicadas por um centralismo parasita e anti-democrático, alguns autarcas da região, em vez de se unirem em bloco, e apontarem baterias para o inimigo comum, que é o centralismo do Terreiro do Paço, não; preferem obedecer aos interesses partidários que olhar pela vida da população que lhes deu o voto e a quem tinham o dever de servir.

Este artigo do autarca de Eduardo V. Rodrigues, é bem esclarecedor. Por isso, compreendo e concordo com a decisão de Rui Moreira e dos autarcas de Gaia, Matosinhos e Gondomar. Se o Porto só serve para servir de charneira para facilitar os interesses dos outros e não serve para ser por eles apoiado no interesse das regiões, depois não venham com a treta do portocentrismo, porque isso não existe. 
 

13 junho, 2016

Marcelo é fixe, mas às vezes fala demais

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Marcelo e o abraço da praxe a Holland
Os homens não são perfeitos, estamos cansados de saber. Porém, alguns há, que talvez por se acharem perfeitos, ética e intelectualmente, entendem que têm capacidade para governar outros homens, coisa que ainda está por provar, sobretudo num país como Portugal. Se a par dessa já habitual presunção houvesse seriedade, o mínimo que se lhes devia exigir, era que errassem menos, caso contrário muito dificilmente escapam da vulgaridade a que se habituaram (e ainda se queixam de ganhar mal).

Como é evidente, reportava-me aos  auto-considerados modelos de homens "quase" perfeitos que usam a política como trampolim  para vôos mais altos, do tipo cherne barrosão, que é como quem diz políticos fugidios que saltitam sem mais nem para quê do governo para comissários europeus, administradores bancários ou similares. O programa anteriormente plasmado da Quadratura do Círculo, dá-nos uma ideia próxima de quão preciso é recorrer a uma linguagem esteriotipada para caiar o oportunismo instalado na mente dos actores políticos. A perfeição é um mito que todo o homem de bem deve tentar alcançar, e a norma é tanto mais premente quanto maiores forem as responsabilidades de cada um.

Sem o querer encaixar neste quadro, Marcelo Rebelo de Sousa é talvez o Presidente da República eleito desde o 25 de Abril que mais tem surpreendido o país. Ainda é muito cedo para opiniões conclusivas, mas é por demais evidente que o seu estilo descontraído, cooperante, afectuoso, e pouco convencional, tem merecido rasgados elogios por uma grande franja da opinião pública. Neste aspecto também eu aprecio o género. Naturalmente, há sempre aqueles que criticam tudo, até a bondade - que é das melhores qualidades humanas -, mas temos de dar um desconto, porque esses fazem da má língua e da calúnia um modo de ganhar a vida, por sinal com sucesso e muitos seguidores.

Excluindo esta espécie, muito prolífica em Portugal, duvido que a maioria dos portugueses não olhe para o estilo de Marcelo Rebelo de Sousa com simpatia e alguma confiança. Mas, como disse há dias José Pacheco Pereira (com certa razão), será preciso ao actual P.R. controlar um pouco esta nova forma de presidir, porque a função do cargo assim o exige. Trata-se de moderar, não de mudar de estilo. Lá chegará o dia em que terá necessidade de se resguardar por efeito de uma qualquer situação delicada. Continuando neste ritmo, acelerado e dialogante, sobre tudo e sobre nada, a margem de manobra para a contenção será curta se um dia tiver de falar de assuntos importantes, ou impopulares. Nessa altura, o povo terá dificuldade em compreender a mudança. Oxalá me engane.

Marcelo decidiu, quanto a mim bem, comemorar o dia de Portugal em Paris, junto dos emigrantes, uma originalidade que outros nunca ousaram levar por diante. Esteve bem quando discursou junto de François Holland, da maire de Paris e da comunidade lusa. Seria "perfeito" se um dia depois não tivesse exagerado na linguagem com o intuito de alimentar o patriotismo dos presentes. O entusiasmo fê-lo cair numa autêntica ratoeira, precisamente por falar demais.  Esquecendo-se que estava em França, num país anfitrião, e como convidado, disse qualquer coisa como isto: os franceses são excepcionais, mas nós somos muito melhores!

Se quisermos avaliar estas declarações à luz do nacional-porreirismo, como um  estimulante sopro de orgulho para os emigrantes, esquecendo o país de acolhimento onde estas palavras foram proferidas, nada há a objectar.  Sucede, é que esse argumentário nacionalista podia (e ainda pode) ser interpretado pelo país anfitrião, no mínimo, como  soberba, como uma coisa deselegante, com odor a ingratidão. Afinal, qual dos dois países deu as melhores condições de vida aos portugueses em termos de dignidade humana? O país de origem, ou aquele que os acolheu?

Estes orgulhos de circunstância, assentes num passado de país de descobertas, colonizador - que hoje mesmo coloniza "o resto do país" com o centralismo -, que flutua num presente de prosperidade dúbia, e ainda lança para a emigração muita gente, a mim, provocam-me vergonha. É verdade que hoje em dia, toda a Europa está doente, mas não me importava nada de trocar a paz pôdre portuguesa, pela instabilidade da França.

Cá entre nós que ninguém nos ouve: os franceses (e não só) estão a pagar caro o preço de já terem sido um país "el dorado"  para muitos povos, incluindo os portugueses, e de lhes terem escancarado as portas de entrada.

Afinal, a onde é que está a nossa grandeza contemporânea, para lá da bazófia? Exmo. Sr, Presidente: optimismo, venha ele. Demagogia já temos que chegue.