26 agosto, 2017

A nenhuma-vergonha é para continuar? Até quando?


Deixemo-nos de artifícios, Portugal é de facto, socialmente o país mais africanizado da Europa. Aqui, o "africanizado" não tem nada a ver com as diferenças da côr da pele, nem com paixões ardentes dos nossos governantes pela inclusão racial. Bem pelo contrário! Em Portugal exerce-se racismo político e territorial, contra os próprios conterrâneos! Que importa especificar as diferenças entre os vários tipos de discriminação? Discriminar pela côr da pele, pelo local de nascença, ou pelo clube de futebol, que diferença faz? É sempre discriminação. Ponto.

A expressão "africanizado" é para mim a que melhor define o nosso atraso, pela reputação antiga que têm a grande maioria dos países desse continente, quer em termos de civismo social, como de seriedade política. Só nos faltam as bananeiras, porque República, já a temos. 

Desenganem-se aqueles que pensam que o 25 de Abril mudou alguma coisa. Portugal está a ficar pior. A única diferença é que, agora não é a PIDE a perseguir e condicionar quem contesta o regime. Agora, é o centralismo* quem faz esse serviço   propagandeado e desenvolvido e pelos media instalados na capital .

Sedes de Bancos, Jornais, Estações Rádio e Televisão [públicas e privadas], quantas existem fora de Lisboa? E no tempo da outra senhora, seria mesmo pior? Nesse tempo, que não era propriamente dourado, o Porto  tinha jornais, rádios, sedes de bancos e grandes empresas, só não tinha estações de tv porque a televisão ainda não existia, e se existia era ainda incipiente. Então, como é, estamos melhor agora? Somos mais autónomos?  Haverá algum político que se atreva a negar esta realidade? Pode ter a certeza que se o fizer aqui, chamo-lhe vigarista.

Políticos... Sobre esta pouca vergonha que se está a passar no futebol, não abrem a boca? Confiam nos órgãos de justiça desportivos? Ainda não perceberam que estão corrompidos?  Por que não falam, nem reagem? Mesmo assim, querem convencer-nos a votar? Acham porventura que lhes reconhecemos mérito e dignidade para o merecerem? E os partidos da oposição, nada têm a dizer das denúncias que semanalmente são divulgadas no Porto Canal sobre as habilidades mafiosas do Benfica que fariam envergonhar Al Capone? 

Onde estão V. Exas., que ninguém vos vê, a não ser na rua a vender banha da cobra? Onde está o Partido Comunista? O Bloco de Esquerda e todos os outros, que também optaram pelo assobio para o lado? Terão medo de perder os votos dos vermelhos? Mas olhem que eles não são assim tantos como parecem, e mesmo que sejam, a vossa atitude não deixa de ser infâme.

Continuem neste registo de fazer do povo um trampolim para as vossas inúteis carreiras e um dia, quem sabe,  talvez se venham a arrepender. 

Fica desde já aqui declarada a minha opinião sobre o que penso da vossa utilidade. E gostava muito, muito mesmo, que me lêssem e se atrevessem a contestar-me, ou negar o que aqui está lavrado. Mas, acho que não têm coragem para isso, porque sabem tão bem como eu que jamais as negaria. 

Mesmo o argumento de o FCPorto ainda não ter apresentado queixa oficial (que não se compreende) contra estes escândalos às autoridades respectivas, não explica a indiferença nem o silêncio de toda a classe política, sobretudo do 1º. Ministro, e mesmo do Presidente da República. 

Isto não é Pedrogão Grande, não tem a gravidade da morte de 64 pessoas, mas esta é outro tipo de fogueira não menos perigosa: trata-se da degradação cívica e moral de todo um país. 

*Termo capcioso para  não se dizer racismo

25 agosto, 2017

10 razões para votar Rui Moreira


Logicamente que todos os cidadãos que amam o Porto vão votar Rui Moreira. Tenho a certeza que os milhões de estrangeiros que nos visitam todos os anos também votariam nele, se pudessem. Eu voto com mais vontade porque nasci e cresci nesta maravilhosa cidade que é um ex-libris incontornável da forma peculiar de ser Português. Do Minho a Timor todos são portugueses, mas os do Porto têm lá o étimo generativo (passe o pleonasmo).
Impõe-se elencar as razões pela minha opção por Rui Moreira, para dar continuidade ao excelente trabalho que tem feito.
1 – Recuperou a cultura para a cidade. Ao convidar Paulo Cunha e Silva para o pelouro da cultura, denunciou a promoção das Artes como desígnio político fundamental.
2 – Visão correta para o desenvolvimento da cidade. Retomou do consulado de Rui Rio a necessidade de manter as contas públicas corretamente saudáveis, mas investiu em projetos estruturantes que, por sê-lo, não podem ser feitos em cima do joelho. As críticas que os seus adversários políticos lhe fazem, principalmente o PCP e PSD, por alguma morosidade na consecução dos projetos, são sound bites marginais dos afastados do poder. A política de fundo não se compadece de pressas. Pressas tiveram, após o 25 de Abril, os comunistas e os esquerdistas dos extremos na ocupação daquilo que era dos outros. Política responsável tem de olhar ao trabalho e ao capital com os mesmos olhos equidistantes no sentido do desenvolvimento máximo da cidade.
3 – Tem um coração azul e branco. Eu voto nele com mais vontade porque ele é Portista, mas se fosse benf….. até me custa dizer a palavra, ou sport….. até me custa dizer a palavra, eu, menos motivado, continuaria convencido da sua competência política e continuaria a votar nele.
4 – Liberal e independente. Uma das suas forças mais pregnantes radica na sua reafirmada independência de tutelas partidárias que lhe tentem coartar a sua liberdade de pensar e agir.
5 – Apesar dos ataques soezes que lhe querem fazem ao carácter tenta anular a crispação nas relações com todas as forças políticas e sociais da cidade.
6 – A elegância e elevação cívica com que assume as diferenças políticas. Urgia, na cidade do Porto, um político que mantivesse a dissensão política ao nível dos argumentos e não dos ataques ínvios pessoais.
7 – A profunda convicção com que promove o desenvolvimento económico e social da cidade. Enquanto a “cigarra” comunista anda a cantar o estafado fado da recuperação das ilhas, Rui Moreira porfia no sentido de repovoar o centro da cidade com aqueles que não tragam os cartéis da droga e delinquência para a alma da urbe. A elites culturais e a classe média têm que ter condições para repovoar a baixa.
8 – Ganhou as últimas eleições contra tudo e contra todos porque os portuenses viram nele um homem sério e de forte carácter. A sua gestão tem comprovado o acerto dessa aposta dos tripeiros. Bateu as máquinas partidárias do PSD e PS mas, no interesse último da cidade, estabeleceu pontes com todos aqueles que aceitassem o seu projeto. O PS aceitou a sua tutela e colaborou profundamente com a sua governação; o PSD, ressabiado como virgem ofendida, remeteu-se a um ostracismo continuamente bloqueador que só não afeta a cidade porque a relação de forças o impede.
9 – A capacidade de ouvir os outros que também foram eleitos pelo povo. Rui Moreira, demonstrando que o interesse da cidade está acima de qualquer outro, corroborou propostas políticas dos seus adversários do PCP e Bloco.
10 – A cereja no cimo do bolo. A sua capacidade de dizer não ao controlo partidário do PS. Temos de reconhecer que Pizarro foi o “general” expedito das tropas do “rei”. Soube secundarizar-se, como obviamente tinha de fazer, para fazerem uma gestão autárquica que porfiasse em objetivos da cidade e não das máquinas partidárias. A nomenklatura bolchevique do Partido Socialista queria centralismos onde a alma é centrífuga. O centro para Rui Moreira são as periferias da cidade e não as cartilhas dogmáticas dos viciados no poder. Ao não ceder à chantagem aparelhística do PS ganhou nova liberdade para escolher os seus que, de certeza, também terão o bem da cidade como foco governativo.
Não conheço pessoalmente Rui Moreira, nem nunca falei com ele. Só sei que é um político com H grande como diria o melhor lateral direito do meu clube. Ao votar nele, voto na minha cidade.
(José Augusto R. Santos)
          Porto24

24 agosto, 2017

A cultura do medo numa democracia é Ditadura!

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Tenho um grande dilema. Não grave. Um sentimento misto de dúvida e ignorância parece ter-se apoderado de mim. Por um lado, tento acreditar nas virtudes da democracia conquistada no 25 de Abril. Não por convicção pessoal, que não a tenho, mas porque ainda vejo muita gente aparentemente convencida de que a usufrui, que algo tem a ganhar com ela. Apesar da ascenção galopante dos abstencionistas, ainda há demasiada gente a votar, a dar emprego aos profissionais da mentira. A política séria é uma causa, não um trampolim para interesseiros.  

As consultas diárias de jornais e televisões, ainda que cobertas de negatividade e contradições, corroboram muito para que essa ideia imprecisa de democracia mantenha alguma solidez, porque neste país há sempre um bom samaritano pronto para fazer crer nessa balela os mais incautos. Portugal pode estar a ferro e fogo (como está), mas o optimismo, esse grande mago, é que nunca falha. Resultado: Portugal é, e sempre será,  um país livre e democrático! Amén!

Por outro lado, algo coíbe o entusiasmo por este modelo de consensualidade, muito prá-frentex e optimista. Antes de tudo, porque é impossível haver democracia sem liberdade, e porque para haver liberdade também é preciso saber merecê-la. É aqui que reside a génese de todas as ditaduras: o medo. O medo, é o grande responsável por todas as cobardias, pelo anonimato, pelos nomes falsos, pela "coragem" sem rosto.

É o medo, a incapacidade de dizer não, quando alguém ultrapassa os limites da decência, seja ele patrão, político, ou o próprio pai. O poder exagerado e abusivo sobre alguém, deve sempre ser combatido com determinação. A não ser assim, como podemos nós acreditar num regime que se assume como liberal e democrático, e que ao mesmo tempo transforma pessoas aparentemente normais em perfeitas marionetes? Gente incapaz de condenar o condenável, quando o condenável tomou conta de si?

Estas questões não podem nunca ser interpretadas como impertinentes. Esse, tem sido um dos nossos males dos últimos anos, a incapacidade para reagir assertivamente às adversidades. Veja-se o que está a acontecer no futebol, a pouca vergonha que um simples clube (o Benfica) conseguiu semear no país para conseguir ultrapassar os adversários, a ponto de silenciar o próprio poder político? Veja-se igualmente a delicadeza como o FCPorto tem abordado este caso, além de apresentar publicamente as denúncias? Do Presidente não se ouve um rumor que seja! Veja-se como o silêncio dos órgãos de comunicação social "nacionais" pactuam com este caso gravíssimo, sem mesmo se preocuparem com a imagem abjecta que deixam na opinião pública? Então, aonde pára a liberdade desta gentinha, a moral, o sentido de justiça, da ética, da democracia? Conhecerá esta gente a história do menino que passava o tempo a gritar pelo lobo quando nem sequer o lobo via? Saberão o que aconteceu ao menino mentiroso? É uma história, é certo, mas talvez os ajudasse a crescer se os paizinhos a contassem no tempo certo... Assim, continuam a ter atitudes de catraios.

O meu espanto não se queda por aqui. Depois das velhaquices, das armadinhas que fizeram ao FCPorto, e ao seu Presidente, de todos os prejuízos éticos, desportivos e económicos porque passaram, o mínimo que o clube portista devia fazer, era exigir da justiça empenho e divulgação iguais aos que os fizeram passar. Mas não é isso que acontece. Suplicam. Agora que temos elementos, (praticamente provas) de uma rede mafiosa instalada no futebol, ainda estamos com paninhos quentes a pedir às autoridades desportivas e civis que façam o favor de investigar quando o que eles querem é que os deixem em paz?

Pergunto: também tu FCPorto, tens medo? O que será isso do "Somos Porto", o que quererá essa linda frase ainda dizer nos tempos que correm? "Somos Medrosos", será? Se não é, façam o favor de explicar os porquês para tanta parcimónia quando falámos de crimes de altíssimo teor criminável! Ou, estaremos a ser tolerantes com o crime? Em que posição ficamos? Na expectativa? Esperando que numa manhã de sol caia do céu um Justiceiro que venha pôr ordem no país? Isso nunca vai acontecer.

Esta pouca vergonha das cartilhas, por ser demasiado óbvia, desafiante, grave e tentacular devia servir como baluarte ao FCPorto, para lhe estimular a coragem que tem faltado estes últimos anos, sobretudo ao seu presidente. Neste momento, a par das denúncias que tivermos de continuar a fazer, devíamos pressionar o Governo português até o fazer agir, sair da toca, em vez de deixar que continue a fazer de conta que nada se passa. Devíamos envergonhar o poder político pela indiferença que dá mostras face ao maior escândalo do futebol nacional.

Pela minha parte (e isto que sirva de exemplo aos medrosos) afirmo aqui, neste simples blogue, sem qualquer receio de punição, que tanto o 1º. Ministro, como o Presidente da República, são cúmplices por, até ao momento, nem sequer terem dado sinais de exercer a tal magistratura de influência de que muitas vezes falam e muito poucas praticam.

Resumindo, e concluindo: em Portugal, a democracia não existe! Vive-se há 43 anos numa ditadura em que a mentira equivale à tortura da PIDE de outros tempos.

Tenham muita paciência senhores políticos, nunca conquistarão um voto meu. Pela minha parte, vão ter de arranjar outro emprego, ou na falta dele, emigrar!

22 agosto, 2017

Fogo, futebol e fado. A nova trilogia lusa

Não há argumentos dignos
de respeito para justificar
isto

Decorridas três jornadas da nova época futebolística, até ver, não se vislumbram sinais de mudança no comportamento dos organismos que tutelam o futebol português. Como sempre, há uns fogachos de boas intenções que  mais não  são do que areia para os olhos de quem assiste impotente à degradação (essa sim, galopante) de todas as áreas da sociedade. 

Sem me abstrair do futebol, que não é, nem deve ser a coisa mais importante da vida de todos nós, os incêndios, que para quem ainda não entendeu [refiro-me a todos os governantes], significa morte de humanos e animais, mais a destruição de florestas e terras de cultivo, são o fenómeno que melhor espelha o nível de civismo de quem tem gerido o país. 

Portugal, é, ao contrário do que esses mesmos políticos tentam fazer crer, o país mais inseguro e frágil da Europa. Qualquer criança malvada, pode arrasar o país com uma simples caixa de fósforos, porque a prevenção simplesmente não existe. Nunca vi um inferno destes em lado nenhum, com a mesma intensidade e progressão. Pena é, que os locais dos incêndios não se concentrem em casas ou propriedades de políticos, porque talvez assim tivessem um pouco de vergonha na cara de condicionarem a resolução destas desgraças às desculpas de sempre.

Por isso, se nem vidas humanas respeitam (apesar das palavras afectuosas do PR), é pouco provável que em Portugal, o futebol venha algum dia a ser regenerado. Os vídeo-árbitros são aparelhos que podiam ajudar as más decisões dos árbitros, mas são perfeitamente inúteis se atrás deles continuarem homens desonestos. Não vale a pena imaginar o contrário. Os erros dos árbitros são muito simples de tolerar, se forem apenas erros humanos, porque acontecem pontualmente, e um árbitro íntegro sabe muito bem ultrapassar essas situações pela sua competência na maior parte do tempo do jogo. Os erros criminosos, são deliberados, persistentes, e no caso português, mesmo provocatórios.

Ainda no sábado se constatou o que acabo de dizer, no jogo entre o Belenenses e o Benfica, numa jogada em que o vídeo mostra com nitidez que Eliseu pisou deliberadamente o adversário, e o árbitro deixou passar uma falta que implicaria a expulsão do jogador encarnado. Agora, não há lugar a desculpas. Ou o árbitro é desonesto, ou tem medo de alguma coisa, e se tem, que o diga a quem de direito.

Gostava que o FCPorto, tal como o Porto Canal, sendo duas referências da nossa cidade, se tornassem num modelo para o país, cada qual na sua área. Gostava, porque amo a minha cidade e tudo o que lhe está ligado. Que o FCPorto, neste caso concreto, quem nele manda [o Presidente] soubesse transformar ambas as instituições, em dois exemplos de vanguardismo. Que o Porto Canal produzisse um novo estilo de informação, mais sério, mais objectivo e mais pragmático, e que o FCPorto fosse um exemplo de combatividade desportiva, e cívica.

Como já não tenho idade para me iludir, embora o sonho comande a vida (como diria António Gedeão e cantava Manuel Freire], não acredito de todo que Pinto da Costa tenha as mesmas ideias. E se pensarmos no desleixo que paira no Porto Canal, e na subserviência de Júlio Magalhães para com os amigos lisboetas e do centralismo, a certeza dessa impossibilidade é total.

17 agosto, 2017

Incêndios para todos os "gostos"

Mais um verão de fogo e destruição no país. É assim, em Portugal, ano após ano, e cada qual o pior. Como noutras coisas, somos primeiros no que de mau se faz, e os últimos nas coisas mais relevantes. O pouco de positivo que conhecemos, é residual e muito particular. Não chega, para fazer de nós um país respeitável. Já nem há argumentos que sobrem para censurar esta forma de viver. Estou cada vez  mais enojado com a mediocridade dos governantes e da nossa classe política. Nada me retira a convicção de que, antes de mudarmos as leis, e os governos que as aprovam, temos de mudar de políticos e a política. A nossa exigência como povo tem obrigatoriamente de começar por aí, sob pena de tudo piorar, se é que ainda é possível piorar alguma coisa. 

No futebol, o problema é o mesmo. Mas agora não foi invertido, como os cartilheiros do regime fizeram crer. Agora, há mesmo matéria séria para investigar. Se houve mérito nas denúncias das trocas de e-mails entre a seita Benfica, o mais relevante foi ter apanhado de surpresa muita gente ligada à política e a diversos órgãos do poder, civil e desportivo. Sobre o da comunicação social nem é preciso falar, porque o silêncio a que se tem submetido é a prova acabada da assunção de culpas. E agora, qual é a iniciativa que se segue? Como é que o senhor Pinto da Costa e respectivo corpo directivo tencionam actuar? Continuar a apresentar denúncias, sem exigir do Estado a clarificação desta pouca vergonha? Ou vai dar tempo aos infractores para preparem a sua defesa? Sabendo como sabemos o tipo de personagens ligadas a este escândalo e o poder de que ainda gozam, será de uma intolerável estupidez não pressionar a investigação (se é que está a ser feita) e assim dar tempo aos envolvidos para continuarem a mover influências e tornar as provas mais fragéis.

Como sempre fui dizendo, pouco depois dos primeiros programas do U.Porto da Bancada, as denúncias isoladas, sem a abertura de um processo a quem de direito, podem ser esvaziadas pelo tempo e ganhar uma matriz negativa de credibilidade na opinião pública. Como tal, continuo a pensar que os sócios do FCPorto têm um papel muito importante, que é pedir explicações ao Presidente sobre o que tenciona fazer face a este caso que tantos dissabores trouxe ao FCPorto... Terão coragem para isso?   

08 agosto, 2017

Impensável, a réplica da época passada


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Já não sei o que é pior. Se a corrupção que se instalou no país, com a permissividade dos governantes, ou se são os cidadãos que a condenam, mas que ao mesmo tempo a toleram. 

Não fui eu, nem seguramente os leitores, que induziram os Dias Loureiros e os Duartes Limas desta bela democracia a enveredar pelos honrosos caminhos da delinquência. Se um, conseguiu escapar à Justiça e enriquecer subitamente, o outro, vai gozando os frutos das suas rapinagens num apartamento de luxo, em liberdade, embora nos queiram convencer que se mantém em prisão preventiva...

Podia falar também do ex-1º. Ministro José Sócrates, que só não foi condenado por viver em Portugal, onde a Justiça não passa de um constante circo cujas cobaias são zelosamente extraídas da pequena marginalidade para servirem de "exemplo". Esses, vão quase sempre parar à cadeia. Não faltam outros modelos, além dos que elenquei, davam para um livro com 600 páginas. Mas, não é preciso, porque sabemos todos muito bem quem eles são.

Mas, isto cansa de facto. Tal como os leitores, pouco mais posso fazer que denunciar esta pouca vergonha neste despretensioso espaço. No futebol, a nojeira é ainda mais difícil de suportar. O clima de impunidade perene  é cada vez menos tolerável porque além de sermos espectadores, somos simultaneamente testemunhas da podridão instalada nos bastidores do nosso futebol.   

A vergonha será tanto maior quanto a permitirmos. O futebol tem de ser antes de tudo regenerado. Mantê-lo neste estado, onde os sinais de corrupção já passaram ao patamar de provas, é colaborar para mais um campeonato viciado à partida. Os demais clubes (excepto o Sporting)  estão silenciosos. Não deviam, porque como já disse inúmeras vezes, nestes casos o silêncio é um voto de apoio ao criminoso. É outra forma de  cumplicidade. Mas isso, é lá com a consciência dos respectivos dirigentes.

Com o FCPorto não aceito mais um ano de silêncio. Estou (quero estar), convencido que depois de termos feito o papel de Sherlock Holmes, de denunciarmos este embuste mafioso dos e-mails, que não vamos deixar o(s) criminoso(s) sair intactos desta escandaleira, mesmo conhecendo a dimensão dos tentáculos do polvo. O campeonato já começou, e ao que pudemos ver, a bandalheira continua. Com vídeo-árbitro, ou sem ele, é a integridade dos homens que conta. Quem vicia o jogo no campo, também o faz frente a um ecrã. Não tenho ilusões sobre isso. A tecnologia vale o que vale. 

Não estou disposto a assistir a mais uma época de provocações e ofensas. O Porto, o meu Porto não era assim. Lutava, e exigia! Temos moral, e razões de sobra para ralhar com o Governo! Se o FCPorto se deixar de novo anestesiar por qualquer promessa politiqueira, sem que a Justiça seja reposta, deixo de uma vez por todos de falar do meu clube. Ele, como a cidade, como os portistas, merecem mais coerência com os slogans que o caracterizam. Basta de lamentos, vamos às atitudes e obrigá-los a olhar para nós com respeito. Definitivamente.
   

06 agosto, 2017

Há países, e paísezinhos

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Venceu a Holanda, mas se fosse
a Dinamarca era igual.
Venceu a dignidade e
o futebol sério


Assisti, por mero acaso, à final do Campeonato Europeu de futebol feminino entre a Holanda e a Dinamarca, e fiquei francamente impressionado. E não foi por se tratar do belo sexo das nórdicas e das holandesas. Foi muito mais do que isso. 

Quem quiser ficar agarrado a preconceitos machistas como aquele que por aí ainda anda, afirmando que o futebol é um desporto exclusivamente para homens, pode continuar a pensar assim, mas parou no tempo com certeza.

A evolução técnica do futebol feminino, comparada com o masculino, levando em consideração a antiguidade dos machos, é muito superior em muitos aspectos. Há na nossa 1ª. Liga, e mesmo nos escalões mais altos dos juniores, jogadores que rematam e dominam a bola muito pior que muitas mulheres. 

O facto de este jogo ter sido disputado entre duas equipas de países do Norte da Europa é de per si uma das razões que explica o fenómeno. E não se pense que as mulheres evitam o jogo "viril" muito peculiar nos homens. Não senhor, dão o corpo à bola com valentia, mas com muito mais fair play. Tive oportunidade de ver noutros jogos, jogadoras marcarem golos sem deixarem pousar a bola na relva verdadeiramente espectaculares! Golos que raramente, muito raramente mesmo, vemos no futebol masculino em Portugal. Para mim, são os golos mais sensacionais, porque não dão grandes hipóteses de defesa aos guarda-redes.

A cerimónia final deste evento foi sóbria, de uma dignidade tal, que ao vê-la, lembrei-me do esgôto descapotável em que se tornou o futebol nacional. Chegou-me logo aos neurónios a qualidade postiça dos nossos árbitros e a promiscuidade entre estes e um certo clube, abençoada e partilhada pelo Estado. Senti-me profundamente triste por ter nascido neste país, e simultaneamente (confesso),  com ciúmes daqueles dois pequenos/grandes países (apesar de todas as crises).

Caros amigos, não precisam evocar a universalidade da imperfeição humana, porque cá o rapaz já tem uns anitos, e já correu um pouco do mundo. Não há países perfeitos. Mas que diabo, podíamos ser um bocadinho mais amigos da rectidão e dos bons hábitos. 

  

05 agosto, 2017

Hugo Miguel...

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Será para isto que foi escolhido?

Tudo indica que é Hugo Miguel o árbitro nomeado para o jogo FCPorto-Estoril...

Este mundo do futebol não deriva muito dos outros mundos, mas amiúde parece destoar do resto da sociedade, cada vez mais dominada pelas redes sociais e pelos media. As más notícias saem, e repetem-se, mesmo antes de acontecerem. Mas quando se trata do Benfica emudece.

Se não conhecesse bem o projecto de país em que vivo, era capaz de estranhar esta nomeação. Talvez não acreditasse na existência de televisões especializadas em cartilhas, nem em pasquins boateiros, capazes de tudo para prejudicar o FCPorto.

Mas como tenho uma ideia realista e pouco fantasista do Portugal que temos hoje, tenho a certeza que quem nomeou este árbitro para o primeiro jogo do FCPorto, não o fez com a melhor das intenções. Sim, porque não acredito que quando escreveu no Facebook esta pérola, não estava seguramente a referir-se ao Benfica.

Já não falta muito para tirarmos a prova dos nove, é já 4ª feira...

04 agosto, 2017

"Continuamos a fingir que está tudo bem, é isso?"


Foi com estas palavras que Pedro Marques Lopes terminou o seu artigo habitual no jornal A Bola (li-o na blogosfera). Se o contexto fosse outro, se esta singela expressão estivesse relacionada com arrufos entre clubes, fruto das típicas rivalidades, ou por causa de uma ocasional má arbitragem, não vinha daí mal ao mundo. O caso, é outro. Trata-se de assuntos demasiado graves, da demissão pública do poder político pelo cumprimento da Lei. É o Estado, representado por um secretário de Estado, a fugir às suas obrigações, e a dar um péssimo exemplo aos cidadãos. Não é isso que reza na Constituição. Ora, como é sabido, trata-se de Luís Filipe Vieira, das suas vigarices, e da flagrante cumplicidade entre ele e várias figuras públicas com altas responsabilidades políticas!  

Considero portanto ser já altura de não nos ficarmos pelas denúncias, porque embora louvável, é assunto das autoridades [e dos jornalistas] depois de apuradas as investigações. Além de outras denúncias que possam vir a ser apresentadas, é imperioso acelerar a nossa indignação junto das figuras mais representativas do país e desafiá-las a provar-nos que a lei é mesmo para ser cumprida, sem excepções. E provar, nunca poderá passar por fechar os olhos [e refazer a lei] se o infractor fôr persona grata ao poder. Foi exactamente isso que fez o Secretário de Estado do Desporto, que para todos os efeitos se auto-desautorizou perante o governo e país ao irrelevar a lei permitindo a realização do próximo jogo na Luz entre o Benfica e o Braga! O 1º. Ministro devia tê-lo demitido, e não o fez. Perdeu uma boa oportunidade para atenuar os efeitos negativo dos incêndios, provando ao país [e não a um clube de futebol corruptor] que não se inclui no grupo imenso e pluri-partidário de cartilheiros.

Não gosto mesmo nada de continuar a ouvir este tipo de expressões simplórias como a de Pedro Marques Lopes. É demasiado suave face à gravidade do(s) caso(s). Não estamos a lidar com birras de crianças nem temos de a elas reagir como paizinhos "tolerantes".  Pedro Marques Lopes é um grande portista e nem sequer é isso que está em causa. Gosto das suas opiniões e da sua maneira de ser, mas este discurso assertivo parece-me demasiado tolerante e nada condiz com as exigências que tanto ele como todos os portistas fazemos aos nossos jogadores. Garra e valentia não é deixar a bola ao adversário só porque jogou com a mão, ou nos fez uma careta... Dizer-lhe: "ó pá, jogaste a bola com a mão, é assim?", não é grave, mas é pouco natural.

O caso Vieira/Benfica/Cartilheiros, envolve ocorrências da maior gravidade, exige outro tratamento, outra reacção da nossa parte. Mais duro, mais categórico. Senão, ninguém nos leva a sério, e vão continuar a olhar para nós com a soberba descrita aqui abaixo pelo senhor Embaixador...

O resto é paisagem


Francisco Seixas da Costa*
Tornei-me lisboeta pela vida. Meio século na capital, preservando as raízes nortenhas e mantendo-me como viajante obsessivo pelo país, acabou por me tornar um nativo diferente: olho os lisboetas com uma mirada algo exterior, julgo que lhes topo bem as reações, os não-ditos - para ser mais claro, os preconceitos.

Assumindo o risco de todas as generalizações, diria que o lisboeta médio, por muito que disfarce, dá razão íntima ao dito macrocéfalo de que "Portugal é Lisboa, o resto é paisagem". A sua curiosidade pelo resto de Portugal, salvo se tiver família numas berças a que, às vezes, vai por exercício folclórico-antropológico, é muito escassa. Arrumado abril, o Alentejo passou a ser, para o cidadão de Lisboa, o seu sinónimo de "campo", muitas vezes apenas visitado a caminho do Algarve, para um "fossado" gastronómico ou uma curta vilegiatura num monte "confortabilizado".

O Norte, para muito ulissipo-dependente, é um mistério que não chega sequer a mobilizar a sua curiosidade. Tenho amigos para quem chegar a Leiria significa atravessar uma fronteira psicológica que os coloca já às portas do Porto, mesmo na vizinhança da Galiza - dessa Espanha onde conhecem "de ginjeira" Barcelona ou Córdoba, Toledo ou Valência. Mas não Viseu, a Guarda ou Bragança - como há dias me confessava um amigo com décadas de mundo e cosmopolitismo.

No cume dessa geografia do desconhecimento está o Porto. O cinzento da pedra, o intrincado das rua, a reserva das famílias, as cumplicidades quase (e às vezes) maçónicas do círculos de amigos tornam o Porto praticamente ilegível para o lisboeta. Como resposta, usa a sobranceria, o olhar arrogante sobre uma "província" que o sotaque ajuda a caricaturar, ajudado pelo agravar das rivalidades do futebol. Para o cidadão da capital, a menor reivindicação do Porto surge como um ato de despeito, revela uma impotência feita reação. O lisboeta olha com risota o ar façanhudo com que alguns portuenses clamam contra a falta de atenção à sua especificidade, à dimensão nacional dos seus interesses.

Lembrei-me disto há dias, a propósito da Agência Europeia de Medicamentos. Sabe-se que António Costa, que tem do país uma visão menos "lisboeteira", expressou a ideia, desde o primeiro momento, de que esse era um tema em que importava envolver o Porto. Não foi esse o parecer de alguma vontade central, que sempre tem Lisboa como sinónimo óbvio do país. E as coisas deram no que deram. Se e quando o Porto vier a perder a candidatura, um certo centralismo lisboeta, agora derrotado, sentir-se-á vingado. Lisboa não admite que possa haver um oásis na paisagem.
* EMBAIXADOR (do JN)

03 agosto, 2017

A tarefa não é fácil, mas é possível. Há bons sinais no horizonte portista

Sérgio Conceição
A uma semana do início da nova época, não importa escalpelizar demasiado os contras do 4x4x2 de Sérgio Conceição. Prefiro destacar os prós, comparando este sistema de jogo com o de Nuno E. Santo e deixar que sejam os olhos a decidir qual é o melhor. No que cabe aos meus, e aconteça o que acontecer, a decisão já está tomada. Dando como garantida a impossibilidade da perfeição, admito, sem me chatear muito, que o FCPorto tenha de ganhar alguns jogos sem jogar bem, mas confesso que prefiro o modelo dois em um: ganhar,  vendo bom futebol...

Não é novidade para ninguém que este sistema de jogo exige uma preparação física superior, e uma melhor gestão da mesma. Quanto a mim, será essa a tarefa mais complexa que Sérgio Conceição tem pela frente: gerir o físico do plantel, sem lhe afectar a ambição. Além disto, vai ter de explicar muito bem aos jogadores o timing dessa gestão, ou seja, a importância de marcar cedo e de ampliar a vantagem para um resultado confortável (2, ou 3 golos) e só depois reduzir a intensidade ofensiva. 

Ao contrário de NES, Sérgio não faz afirmações fictícias, não diz publicamente que a equipa joga bem, quando não joga ou não corresponde às directrizes estabelecidas com os jogadores. Sérgio fala e vê como um adepto, com autenticidade. Tem muito pouco de político (o que é uma virtude). É exigente, sem ser postiço. Terá de moderar q.b. a impetuosidade que lhe é peculiar, sobretudo com os jogadores, sem nunca abdicar de lhes dizer o que fôr preciso, inclusive metê-los na ordem se eventualmente descambarem para birras de meninos mimados. Camaradagem, união e ambição, é o mais importante, o resto será a inteligência do grupo a decidir. 

Acredito que Sérgio vai cumprir a missão com sucesso. Paralelamente, há o outro lado do campeonato que já não depende dele, que é o da liderança do CLUBE. Já foram dados os primeiros passos, através do director de Comunicação Francisco J. Marques. Agora, é preciso ir até ao fim. E ir até ao fim significa não descansarmos enquanto não vermos, com atitudes, e não com promessas, a ordem e a lei restabelecidas. Permitir que o clube do regime repita as cenas aviltantes dos últimos anos, seria o maior erro da história que o FCPorto podia cometer.

02 agosto, 2017

Centralismo, não! Isto, é racismo!



Quem tem de si mesmo a certeza da sua própria integridade intelectual, não precisa de provas nem argumentos, para convencer quem quer que seja da malignidade do centralismo.  Ele é tão tão óbvio, tão imoral, tão provocador e injusto, que para melhor ser percebido, devia simplesmente chamar-se racismo.

Em Portugal, falar apenas de centralismo é uma ingenuidade. Hoje, usar esta palavra significa o mesmo que acariciar um cancro, em vez de o aniquilar, é perpetuar o branqueamento de um crime e dos seus autores.   

Por isso, caros amigos, ficam já a saber, a partir de agora vou chamar os bois pelo nome. Acabou-se essa abstração geométrica chamada centralismo. Não estamos a falar de pontos cardeais, ou de mapas, nem do local onde colocar um bibelot, trata-se do respeito devido a cidadãos do mesmo país, com deveres e direitos iguais.  Assim esclarecidos, podemos ser mais precisos na adjectivação: Portugal é um país onde se fomenta o racismo!

A primeira página do JN espelha o que acabo de dizer e confirma as suspeitas que logo aqui expus quando passou para a administração de Proença de Carvalho e para a Direcção de Afonso Camões (um gajo que ninguém do Porto conhecia). Eles bem se ginasticam para disfarçar as suas  reais intenções que é, paulatinamente, assim como quem não quer a coisa, tornar o JN mais um pasquim de Lisboa.

Honra seja feita a um dos poucos jornalistas que respeito, o Luís Costa actual director da RTP Internacional, (que naturalmente tem andado escondido das câmaras) que condenou energicamente a forma como foi dada a notícia associando a tragédia ao cadastro da vítima. Que necessidade, que interesse tinha dizer que o rapaz pertencia às claques dos Super Dragões e que já tinha sido detido?  Pensando bem, talvez entenda. 

Como o Director do JN é benfiquista, talvez tenha interesse em lançar fumaça para os olhos do grande público desviando-os da Benfica Central de Corrupção para um desgraçado que acabava de morrer e cometeu o crime de pertencer a uma claque legalizada, como é a do FCPorto. 

Ao contrário da do seu clube, e do seu  boçal presidente, o ex-presidiário Luís Filipe Vieira.

PS:
A  questão, é esta: como continuar a impôr a lei a uns, e a gozar de impunidade outros, sem perder toda a autoridade, senhores aprendizes de governantes? 
    

31 julho, 2017

Um Porto de pré-época com aroma Vintage

Ambiente relaxado no banco do FCPorto
É sempre o mesmo por esta altura, após assistirmos aos primeiros jogos de preparação que antecedem a época que se avizinha. Temos de ser muito cautelosos a dar a nossa opinião, de contrário lá temos de aturar os puristas com os seus avisos providenciais: "não podemos embandeirar em arco!", "não deitemos foguetes antes do tempo!".  Estas recomendações não deixam de ser sensatas, porque não falta quem se entusiasme demais e depois, quando começa o campeonato a sério, ao primeiro deslize, entram em depressão e começam a criticar tudo e todos. Mas, não há como contornar isto. As impressões que temos dos jogos nesta fase são apenas sinais momentâneos do que pode ser o futebol praticado na época que se segue.

Lembro-me muito bem de no ano passado por esta altura a pré-época não ter sido estimulante, mas mesmo assim, ficou uma reserva de esperança que fosse o tempo a burilar o que parecia estar menos bem, e que a adaptação recíproca entre o técnico e os jogadores fizesse o resto. Só que, para o bem e para o mal, nem sempre é isto que acontece.

Por mais que queiramos negar, o futebol de Nuno Espírito Santo era - desportivamente falando - mais resultadista que tecnicista. E, sejamos francos, muito pouco espectacular. Mas, mantenho a opinião de sempre: num campeonato são os resultados que contam, mas o espectáculo é a essência do futebol, sem ele, não há adeptos. Não foi por termos estado muito perto de vencer o campeonato passado, nem mesmo por termos sido manifestamente lesados pelas arbitragens que podemos dizer que praticamos um futebol espectacular. Longe disso.

A verdade  é que, repito, apesar de ser uma opinião momentânea, os sinais que a equipa agora comandada por Sérgio Conceição deixou foram extremamente positivos, considerando que estamos em pré-época. Deixemo-nos de tretas, Sérgio está a conseguir fazer precisamente aquilo que muitos de nós dizíam que NES não era capaz, que era dar mobilidade à equipa em pressão alta. O sistema de jogo ultra-cauteloso de NES com a equipa sempre muito recuada com trocas de bola lentas, lateralizadas e atrazadas, tornava ineficiente a pressão da sua equipa  porque obrigava os jogadores a percorrerem grandes distâncias para chegarem aos adversários, dando-lhes tempo de sobra para fugirem às marcações e contra atacarem. Se é certo que jogando desta maneira [com o bloco recuado] os adversários tinham alguma dificuldade em progredir no terreno, também é verdade que as dificuldades para a nossa equipa criar perigo eram tremendas. Foram muitos os jogos sem marcar um único golo nas primeiras partes!

Naturalmente, Sérgio Conceição terá de se precaver com a defesa, porque este sistema de jogo pede uma boa condição física, e sendo muito mais agradável [e produtivo], é também mais arriscado, e Sérgio já percebeu isso. Além de mais, esta forma de jogar, mais solta, mais subida, mais veloz e mais pressionante tem outros predicados que é revelar o verdadeiro talento dos jogadores que é muito melhor do que o sistema de NES fazia supor.

Já se ouvem por aí, nos programas do costume, com os comentadores do costume, muitos encómios a NES que antes nunca foram audíveis, nem legíveis, numa manifesta intenção de não (para já...) reconhecer o bom trabalho de pré época de Sérgio Conceição. É bom sinal:  é porque "gostam" do que vêem, sem querem assumí-lo...

Pela parte que me toca, o que os meus olhos têm visto de momento, dizem-me que há algumas coisas a afinar e muitas outras a melhorar. Mas dizem-me também que os jogos que vi, praticamente todos, não bastando para esquecer o sofrimento da época transacta, agradaram-me imenso e reabilitaram a minha confiança no futuro próximo. Sei que não estou só neste sentimento.

Que sejas feliz Sérgio!



    

29 julho, 2017

Tudo dentro da "normalidade"...

Recortes secretos de jornais

Faz agora um mês. Mas vamos começar por anteontem. O secretário-geral do Sistema de Informações da República, Pereira Gomes, assumiu no Parlamento ter sabido do assalto aos paióis de Tancos pelo SIS (os serviços secretos).
O SIS soube a 29 de junho do furto de material. Pela Imprensa. No dia em que a Imprensa o noticiou.
A secretária-geral do Sistema de Segurança Interna, Helena Fazenda, que chefia a Unidade de Coordenação Antiterrorismo, também soube pelos jornais.
Neste entretanto, durante os três meses anteriores andava o Ministério Público a investigar informações (dadas por fonte anónima) de que estaria iminente o assalto a um quartel. Disto, não sabia o SIS, nem os serviços de informações militares.
Ponto intermédio. A Lei de Segurança Interna obriga à partilha de informação entre todas as estruturas associadas à segurança, desde o crime organizado, ao terrorismo.
Está a ser aplicada, como se percebe.
Recuemos ao dia do assalto. Ou melhor, aos dias em que se soube pela Imprensa.
O chefe do Estado-Maior do Exército considera o caso grave. O ministro da Defesa admite que as armas roubadas possam ir parar às mãos de uma rede terrorista. A Procuradoria-Geral da República alinha pelo mesmo temor. O primeiro-ministro vai de férias com as garantias, fornecidas pelos militares, de que o furto não tinha o dramatismo que lhe estavam a dar.
Cinco comandantes são afastados. Temporariamente. Para não constituírem um entrave às investigações. E reintegrados nos seus postos 15 dias depois por já não constituírem qualquer ameaça às investigações. Sem que se tenha qualquer informação sobre as conclusões das ditas investigações.
O primeiro-ministro regressa de férias. E reúne os militares. Que o sossegam. O material roubado só valia 34 mil euros. E a maior parte dele até estaria obsoleto. Um roubo que foi um alívio, portanto. Explosivos. Granadas de mão. Lança-roquetes. E munições.
Voltemos a anteontem. Júlio Pereira considera pouco provável que o armamento seja usado em Portugal, mas, claro, ninguém pode dar garantias quanto a isso. E claro que, através de sucessivas transações no mercado negro, o material pode ir parar "às mãos da ameaça terrorista".Já passou um mês. Voltamos ao assunto para o ano. 
Domingos Andrade
DIRETOR-EXECUTIVO (JN)

27 julho, 2017

Não podemos deixar morrer o escândalo dos e-mails!

Para que não haja equívocos, começo por assumir-me como parte integrante do grande exército de portistas descontentes com a moleza dos dirigentes portistas face à prepotência dos órgãos que tutelam o nosso futebol. Podem, se quiserem, colocar-me na fila da frente dessa multidão. 

Quem se habituou a ler o que aqui vou escrevendo sabe o que penso sobre o assunto, e o enorme desgosto que isso me provoca. Que diabo, o país e quem o devia governar, só nos dão decepções. Em quatro décadas de democracia (segundo a versão corrente), não tiveram capacidade para nos fazer sair do grupo de países mais atrasados da Europa. 

Persistem em centralizar em vez de regionalizar, sob o cínico pretexto de manter a coesão nacional, sem sequer perceberem que com isso estão a cavar uma maior desagregação territorial. E agora, o que nos resta? Até o futebol querem centralizar num só clube e numa só região? Onde pára a coerência da coesão nacional?  Mas, o que é isto se não uma grande fantochada, um grande embuste nacional? 

O FCPorto soube passar durante muitos anos por entre estes ácidos pingos de chuva com estoicismo e a grande competência do seu presidente. Enfrentou o sistema, combatendo-o sempre que era preciso, e com muita dedicação ao clube. Hélàs, o presidente mudou! Afrouxou, permitindo a intrusão de corpos estranhos ao clube, rendendo-se às fraquezas próprias da terceira idade. O resultado, é o que sabemos...

Pouco antes da época transacta terminar, surgiu a figura até então desconhecida de Francisco J. Marques, actual director de Comunicação do FCPorto que, através do Porto Canal, denunciou uma série interessante de contactos altamente comprometedores, entre o Benfica, árbitros, ex-árbitros e figuras destacadas da Federação.  O conteúdo, a identidade e o currículo dos protagonistas dos e-mails, são por demais inequívocos para lhes darmos o benefício da dúvida. Se os associarmos ao comportamento de alguns  árbitros (a maioria) destas últimas épocas, ficamos sem margem de manobra para admitir a presunção de inocência. 

Aliás, nem foi preciso esperar pela nova época para vermos a diferença entre Jorge de Sousa, que arbitrou sem problemas a 1ª.parte do jogo de preparação  entre o Victória de Guimarães e o FCPorto, e a 2ª. parte desafiante apitada por João Pinheiro, para notarmos as diferenças. Mais do que a mostragem do cartão vermelho à falta grosseira de André André, foi o contexto em que o fez (era um jogo particular) e sobretudo a atitude do árbitro. A arrogância e o exibicionismo falam por si! Sobre este, e outros passarinhos, não tenho a mínima dúvida: são desonestos!

Portanto, esperam-nos tempos difíceis.  Os dirigentes do Benfica, como gente habituada a viver fora da lei nas barbas do país, e porque não dizê-lo, com a cumplicidade de todos os governantes , vão testar até à exaustão a "fidelidade" das autoridades do regime para avaliar até onde os deixam ir. Isso, já está a acontecer, mas haverá mais, é só aguardar que o "circo" comece.  

Como tal, cabe-nos também a nós adeptos fazer o comboio andar, aditando-lhe o combustível que precisa com a nossa mobilização. Se o comboio (leia-se, dirigentes portistas) continuar a mostrar-se pêrro, somos nós quem tem de o forçar a abastecer-se, dando-lhes os sinais que precisam. Nada fazer, como disse um dia alguém, é o maior de todos os erros. Como dizia Martin Luther King, o tempo é sempre certo para fazer o que está certo! Não podemos permitir que o silêncio a que querem submeter Francisco J. Marques seja para respeitar, sem exigir respeito ao FCPorto, tratamento igual ao seu elemento mais sério:  os adeptos. 

Para isso, a Justiça civil tem de ser célere, de mostrar aos portugueses e portistas em particular, que é realmente cega e sabe trabalhar.