27 outubro, 2017

Provocação aos «Somos Porto»


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Suponho ser do conhecimento de uns poucos comentadores da blogosfera portista a relação de amizade que mantenho com o Manuel Vila Pouca. Foi através dos nossos blogues que nos conhecemos, juntamente com o saudoso Engº. Rui Farinas, homem vivido, culto e profundamente regionalista, que também aqui colaborou comigo algumas vezes. 

Quando o conhecemos, já se aproximava dos 80 anos, mas tinha um gosto pela vida, e uma fibra de fazer corar de vergonha muitos jovens. Amava genuinamente o Porto, e toda a região do Douro. Ainda hoje, sinto a sua falta. 

Foi o futebol (Clube do Porto) que nos uniu, mas sobretudo a rejeição comum que sentíamos por essa macabra doença chamada centralismo. Infelizmente, já não está entre nós, e faz falta, porque não abundam homens com a sua irreverência. Ainda me recordo, quando me encontrei com ele pela primeira vez no Clube Literário do Porto, e das reuniões que mais tarde tivemos por altura do precocemente abortado Movimento Pro Partido do Norte, criado pelo ex-deputado socialista, Dr. Pedro Baptista, e mais tarde o Dr. Anacoreta Correia, com quem cheguei a reunir, juntamente com Rui Farinas, na residência do primeiro. 

Faça-se justiça, outros (poucos) comentadores da blogosfera portista e portuense compareceram a essas reuniões. Estou-me a lembrar do Jorge Aragão, do Carlos Romão do blogue A Cidade Surpreendente, e algumas figuras públicas com aparentes simpatias regionalistas. Aparentes, porque também lá apareceram tipos como Narciso Miranda e Carlos Abreu Amorim, os quais, confesso, não me inspiram a mínima confiança.

Vem este regresso ao passado a propósito de uma conversa que tive com o Vila Pouca sobre a disponibilidade de alguns portistas para darem o seu contributo pessoal na luta contra a discriminação que continuamos a sofrer por parte da comunicação social, nomeadamente no que concerne ao futebol. Todos reconhecem que o terreno está minado, que vai ser difícil reverter esta tendência anti-democrática e anti-constitucional de proteger o Benfica das malhas da Justiça. Apesar disso, nem todos se mostram disponíveis para ajudar a combater este gigante maléfico. Queixam-se, reclamam em todas as direcções, criticam, sugerem sem explicar como, mas querem ficar sempre no seu cadeirão de espectadores passivos. 

Foi a este propósito que no nosso bate-papo semanal disse ao Vila Pouca em jeito de provocação sadia, que estava com vontade de lançar novamente um desafio a esses portistas exigentes, mas muito acomodados, que consistia em perguntar-lhes o que estavam dispostos a fazer para apoiar o FCPorto nesta luta de David e Golias, contra o centralismo corrupto. O Vila Pouca respondeu: não vale a pena Rui, você não se lembra da resposta que deram à petição que lançou para censurar o comportamento da RTP? Ripostei: eu sei Vila Pouca, mas não valeria a pena tentar de novo para testar a reacção?

Sei que o Vila Pouca não se vai importar por ter revelado esta inócua conversa, até porque a considero algo pedagógica, mas pergunto: será que nem com o Francisco J. Marques a denunciar o comportamento criminoso do clube do regime e o silêncio dos media, ainda há portistas sem coragem para o apoiarem?

Fica ao cuidado dos adeptos abstencionistas (isto não é votar em partidos, é mais importante), porque os poucos que aderiram à primeira petição não merecem censura. Cumpriram a sua parte.

PS: Peço desde já desculpa se porventura me esqueci de citar o nome de alguns
que colaboraram e compareceram nas referidas reuniões.

25 outubro, 2017

Fernando Gomes, o chico-esperto da FPF



O tempo passa, e continuo a manter a mesma resiliência contra a falta de pudor implantada em Portugal. Sinto-me um inadaptado nesse aspecto, mas também não tenciono adaptar-me, porque se isso alguma vez viesse a acontecer, algo de muito estranho teria acontecido comigo. Nesse caso, já não era eu, mas sim mais um homenzinho vulgar igual a tantos outros que conspurcam de maus hábitos a sociedade.

Confesso, que não me é totalmente indiferente saber que o Dr. Fernando Gomes, actual presidente da FPFutebol, foi atleta e dirigente do FCPorto. Pelas piores razões. Deixa-me desgostoso saber que alguém tantos anos ligado ao meu clube de estimação o tenha deixado para presidir à Federação, esteja a revelar-se afinal um fraquíssimo líder. 

Ao contrário do que algumas mentes mesquinhas possam pensar, não estaria à espera que pelo facto de ser portista, fosse para a Federação com o intuito de beneficiar o FCPorto. Isso, seria trair os meus próprios conceitos éticos. Seria querer para o meu clube, o aproveitamento ilícito do poder que censuro a outros. Mas também não queria, nem tão pouco imaginaria, que para Fernando Gomes se sentir confortável no lugar, se juntasse -sem a menor subtileza -, ao Benfica, clube que pautou os últimos anos, por uma postura anti-desportiva de métodos altamente censuráveis, marcados por uma concorrência manifestamente desleal. 

Esse, foi talvez o pior erro da sua recente carreira. Deixou crescer o monstro, alicerçado no poder e na influência do Benfica, a todos os níveis, sem se preocupar com os danos e as injustiças que daí pudessem resultar para todos os outros clubes. Essa, foi a razão, a génese de todas as culpas que agora tenta atribuir a terceiros, sempre, abstractamente. Sempre, com o apito da irresponsabilidade na boca. Sempre a assobiar para o lado, como convém a um bom oportunista.

Fernando Gomes sabe bem onde estão os responsáveis pela violência no futebol, quais são as claques ilegais, mas não tem coragem para os enfrentar. Como típico Judas assumido que é, prefere trair quem lhe abriu as portas ao desporto, e a cargos de alta responsabilidade (foi administrador da SAD do FCP), do que cumprir a parte mais importante das suas obrigações. Passou para o patamar dos despudorados: vendeu-se.

É um vendido, aos vendidos profissionais. Um farrapo de homem. Mais um, que soube imitar muito bem o caminho exemplar dos políticos.

Chico-esperto? Sim, concerteza! Homem? Não! Seguramente.

PS (26-10-17):
Por indisponibilidade momentânea, não vou acrescentar nada ao que atrás está escrito, embora me apetecesse. De qualquer forma, acho que nem vale a pena, porque o indivíduo em questão, tratou de se antecipar quando, para justificar o ódio de que abstractamente se queixou no Parlamento, não encontrou melhor do que divulgar mensagens ameaçadoras a um árbitro, com um objectivo bem definido: deixar a palavra MOURO entre linhas para indentificar o autor como portista. 
Já agora, pode queixar-se de mim à vontade, porque não sou anónimo e disponho-me com gosto a reiterar o que penso sobre ele em qualquer tribunal. Gosto muito de ser intimidado.

23 outubro, 2017

E se os cartilheiros vermelhos forem passados a lexívia?


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Os últimos 4-5 anos da gestão do FCPorto, foram, sem margem para dúvidas, muito negligentes e desanimadores para todos os portistas. Habituados que estavam a uma liderança forte e competente de Pinto da Costa, nunca chegaram a saber exactamente as causas para uma mudança tão radical. Durante estes anos, nunca se ouviu do presidente uma palavra para os esclarecer, de forma a evitar especulações desagradáveis. Limitou-se a dar uma entrevista no Porto Canal, onde apenas reconheceu que o FCPorto tinha batido no fundo, sem contudo apresentar argumentos convincentes que explicassem os planos que tinha para o fazer voltar à superfície.

Alguns portistas mais complacentes, atribuíam os maus resultados desportivos e financeiros, ora à idade avançada do Presidente, ora aos seus problemas de saúde misturados com outros incidentes que o obrigaram a hospitalizar-se. Outros, apontavam como causas da viragem à retaguarda, a intervenção nem sempre subtil do filho em negócios do futebol, como a compra de jogadores de qualidade duvidosa. Esta última hipótese está ainda por confirmar, apesar de a data da aproximação do Alexandre ao pai, coincidir curiosamente com os anos de insucesso do FCPorto... 

Seja como fôr, o FCPorto de Pinto da Costa perdeu a capacidade de luta que durante muitos anos o notabilizou. Essa, foi talvez a pior, a mais inesperada das surpresas. É um facto! E não creio que seja só para mim.

Sendo portanto um facto a contenção interventiva de Pinto da Costa para as grandes "batalhas", importa agora questionar se terá preparado alguma estratégia para a eventualidade de a investigação da PJ aos emails do Benfica ficar em águas de bacalhau. Se, tenciona manter o programa Universo Porto da Bancada a divulgar outras maroscas entre cartilheiros, ou se pura e simplesmente abandona o barco desta luta, obedecendo passivamente a uma justiça própria de uma República das Bananas. 

Nem quero sequer imaginar nesta última hipótese! Que diabo, eu que sou um simples cidadão, nem por isso me inibo de escrever publicamente a indignação que me vai na alma por viver num país com governantes tão rascas, e o FCPorto que não é propriamente um clube de bairro, não tem meios, nem gente lá dentro capaz de levar este caso às instâncias mais fiáveis da Justiça europeia? Afinal, não vivemos numa aldeia global? Então, testemos-lhe a veracidade!

Se o baixar de braços acontecer (coisa em que não quero acreditar), o FCPorto e todo o staff dirigente estará implicitamente a abdicar da luta, manchando de modo quiçá irreversível a honra do clube e dos seus adeptos. Estará também a contribuir para a degradação, ou mesmo a morte, da própria democracia.

Não acredito que tenha pegado neste caso tão vergonhoso, em que a ética e o respeito são permanentemente desprezados, apenas para alimentar as audiências de um programa de televisão. Se desistir de lutar pela integridade da dupla instituição FCPorto/Porto (isto, não é assunto exclusivo do futebol), estará a anular-se enquanto clube, mas também enquanto cidade e símbolo de multidões de cidadãos! Será também a maior derrota da história do FCPorto fora do campo. Será uma facada na Justiça.

Não vou querer acreditar nesta hipótese. Seria mau demais. Talvez fosse o princípio do fim dos meus posts, sobre a realidade portista. Acho que não escrevia mais.

22 outubro, 2017

Sol na eira, e chuva no nabal...



... é o que todos gostaríamos de ter nas nossas vidas. Seria perfeito, mas lamento dizer, isso não é possível. Se fosse, não existiam os sábios aforismos populares que tantas vezes nos ensinam a pensar melhor.

Pois o futebol não foge à regra, e as pessoas também não. Acho bizarro que se aplauda o carácter de um treinador, um homem frontal e com ideias próprias, e que depois se entre na onda de certos lugares comuns em que o futebol é fértil, para logo se pôr em causa as qualidades desse mesmo treinador.  

Falo naturalmente de Sérgio Conceição, como já devem ter percebido. Que os jornalistas do regime procedam assim, não é novidade. Em Portugal, particularmente, vivem da intriga e por isso a cultivam. Agora, que os adeptos do FCPorto mordam o isco, sabendo quão corrompidos eles são,  e quanto odeiam o nosso clube, isso já não se compreende.

Esta polémica do Casillas nem sequer devia ser comentada por nós. Porque, se admiramos a rotatividade assertiva que Sérgio Conceição implantou no FCPorto,
que tanto sucesso tem conseguido, não encaixa na minha compreensão que já não o possa fazer com os guarda-redes. É verdade que o prestígio de Casillas é meio argumento para ser o principal titular, mas não é menos verdade que Casillas não é o futuro, e José Sá talvez possa ser... Se tem lançado jogadores como o Galeno e Diogo Jalot, o que é uma ousadia louvável, porque raio não o devia fazer com Casillas? Quem nos diz que Casillas jamais sofreria o frango de José Sá na Champions? Serão capazes de negar que Casillas já não os sofreu até em jogos internos,e com equipas muito menos poderosas que o Leipzig?  Haja bom senso, e abertura intelectual à audácia, porque é coisa que não tem abundado no FCPorto nos últimos anos.

A mim, perturba-me menos a frontalidade de Sérgio do que a hibridez desalmada de Nuno Espírito Santo. Já sei, nunca me esqueço,que é imprudente mexer demasiado numa equipa, mas Sérgio é inteligente, sabe reconhecer as suas experiências erradas e corrigí-las, o que já é uma virtude. E digo mais. Se Sérgio Conceição conseguir imprimir um pouco mais de velocidade, concentração (o golo do Paços nasceu de uma asneira de Herrera), e qualidade de execução aos jogadores, tenho a certeza que ganha ao Leipzig! E eles, podem crer, são muito melhores do que alguns jogadores de reputados  clubes europeus.

Para consumo interno, acho que o FCPorto tem muitas hipóteses de ganhar o campeonato! Ontem, provou-o! 

20 outubro, 2017

Ramalho Eanes, um exemplo raro de honradez

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General Ramalho Eanes

Na minha  modesta opinião, ainda está por provar que blindar uma Democracia de mecanismos normativos que protejam a ética e o respeito social, possa afectar a Liberdade. 

Não me canso de enfatizar esta convicção, porque acredito genuinamente, que é a ausência dessas condutas ao mais alto nível, bem como a resistência à sua aplicação, que torna débil qualquer Democracia. 

Desiluda-se, quem acredita que as normas comportamentais podem pôr em causa a Liberdade. Pelo contrário, em Portugal o futebol é, a par da política, o sector onde é mais evidente a falta de respeito à Liberdade. Se no futebol, amparados por essa ideia errática de comunicar, são permitidos insultos e suspeições de todo o tipo, e na política vemos a troca de gestos obscenos entre colegas de profissão, sem que se faça ouvir a voz  soberana de um 1º Ministro, ou de um Presidente da República recomendando contenção, que podemos esperar dos resultados?

Programas tematicamente desportivos, como o Dia Seguinte, e muitos outros do género, que em vez de desporto, fomentam rivalidades odiosas, e se conspira contra rivais, são tudo, menos um exemplo sadio de liberdade. E não são apenas maus exemplos para o desporto, são para toda a sociedade, sobretudo quando alguns dos piores protagonistas são ex-ministros, como Rui Gomes da Silva. Por incrível que pareça, durante todos estes anos, não se ouviu uma reprimenda, ou uma observação pedagógica vinda do seu partido, de   nenhum dos seus colegas, ou superiores hierárquicos! Nem uma palavra! Tudo por respeito à liberdade da mixórdia!   Não meus amigos, não acredito que um cancro, mereça a rédea-solta só por ser de índole social. Tal como o cancro corporal, deve ser tratado, e em última análise, destruído, porque é maligno e mata.  

Desde o 25 de Abril de 1974 até hoje, tivemos protagonistas na vida política para todos os gostos. Dos Presidentes da República que mais respeitei, foi o General Ramalho Eanes, pela sua integridade, pela sua coragem e pelo seu exemplo. No entanto, talvez por ter exercido o cargo entre 1976 e 1986, muito antes da fundação da SIC (em 1992), não teve a mesma responsabilidade soberana pela propagação perversa desses programas, como os que lhe sucederam. Estou convencido que se este tipo de programas que redundaram em processos judiciais tivessem sido emitidos no seu tempo, com a obscenidade de agora, ele teria mandado uns recados a Pinto Balsemão e talvez as coisas nunca tivessem chegado a este ponto.

Recomendar bom senso, não é censura, é pedagogia e não atenta contra a Liberdade. Pelo contrário, torna-a mais sadia e dá músculo à verdadeira Democracia.

PS-A citação da SIC como (mau) exemplo, não lhe é exclusiva, estende-se com igual gravidade a todos os outros canais de televisão, com a agravante especial para a RTP, que pertence ao Estado.
  

18 outubro, 2017

Marcelo Rebêlo de Sousa, o Presidente dos afectos, e das grandes causas?


Marcelo exige ação a Costa e dá a palavra ao Parlamento

O Presidente da República, Marcelo Rebêlo de Sousa, surpreendeu os portugueses pela forma original e pouco ortodoxa como desempenha o cargo. Simpático, comunicativo e afectuoso, não precisou de muito tempo para se tornar popular. Apesar disso, houve quem duvidasse da longevidade do estilo quando confrontado com situações melindrosas, como é o caso dos incêndios, e se sentisse obrigado a tomar medidas impopulares para o Governo. Fui uma dessas pessoas. 

A verdade, é que desta vez o Presidente da República, sem perder a postura conciliadora que o distingue, soube falar forte e grosso (sem ser grosseiro) ao Governo, e ao Parlamento, como era seu dever. Agora, vai ser preciso conhecer minuciosamente o que tenciona fazer o Governo com o problema dos fogos, e mais do que isso, saber como será escrutinado o respectivo planeamento florestal, e por quem.

Além de mais, é imperioso determinar e calendarizar, as circunstâncias para as respectivas sanções, caso o planeamento florestal não salte do papel (quando oiço dizer que vai demorar muito, passo-me). Para o impedir, consideradas as sucessivas negações nesta matéria, dos governos anteriores, e a sua vetusta idade, sempre justificadas com argumentação duvidosa, devia constituir-se um comité independente para acompanhamento regular da execução dos trabalhos no terreno, de modo a desmotivar novos entraves no processo. Há muito a fazer, é verdade, mas também é verdade que se os governos anteriores tivessem realizado parte da obra, hoje, tudo seria mais simples.

Não havendo castigo, podemos ter a certeza, a indulgência dinamizará o crime as  vezes que a irresponsabilidade quiser. E Marcelo, se entender assim, pode ter um papel importantíssimo na história, caso saiba pôr em prática a magistratura de influência que lhe é concedida.

Os incêndios são crime. Naturais, ou não.

17 outubro, 2017

Um Porto ao ritmo do futebol português


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Foi tiro e queda, bastou o Sérgio Conceição substituir Casillas pelo José Sá, para começar o discurso do bota-abaixismo! Para azar dele, o primeiro golo foi um meio frango do Sá, mas a verdade é que também Casillas já sofreu os seus, é bom não esquecer. Até aqui, o Sérgio era bestial, se calhar agora vai começar a ser uma besta. Sinceramente, espero que não. Espero que os adeptos deixem de ser tão reactivos, porque isso só pode prejudicar o FCPorto.

É verdade que o FCPorto não jogou tão concentrado como costuma, não foi tão intenso, foi pressionado e não pressionou, mas é preciso não esquecer que o Leipzig tem jogadores extraordinários, tecnicamente, e tremendamente rápidos, detalhes pouco habituais no futebol português. Penso que foi a qualidade de passe, e principalmente a rapidez como o Leipzig jogou que bloqueou os nossos jogadores.

Admito que Sérgio Conceição não tenha tomado as opções correctas, mas não penso que tenha sido a mudança de guarda-redes o problema principal. Para ser sincero, penso mesmo que não é Casillas o ponto mais forte da defesa, e acho que foi corajosa a decisão do treinador. Corajosa, e coerente. Senão, talvez tenhamos oportunidade de o confirmar no próximo jogo no Dragão, se Casilhas fôr o escolhido.

Uma vez mais, Brahimi provou que dificilmente será jogador de top, porque ainda não sabe dosear os momentos entre o individualismo que o caracteriza e o colectivismo,  provocando assim várias situações de perigo à sua própria equipa. O seu drible circulante, algumas vezes, peca por excessivo, como foi o caso esta noite. Foi quase sempre desarmado pelos adversários provando que estudaram bem os seus pontos fracos.

Não vale a pena negá-lo, o Leipzig, do meio campo para a frente tem jogadores rapidíssimos, e excelentes tecnicamente. Acho até que alguns deles tinham lugar de caras num Barcelona, ou Real Madrid. Mesmo jogando melhor na segunda volta, o FCPorto vai ter muitas dificuldades, porque o Leipzig tem jogadores habituados a jogar verticalmente e a pressionar quando perde a bola, sempre a um ritmo diabólico.

Mesmo assim, ainda nada está perdido. 


Responsabilidades? Isso é que era bom!


Gosto de assistir a debates. Como não podia deixar de ser a fome de audiências dos media sob vertiginosamente quando se dão catástrofes com vítimas mortais. Daí, em nome do interesse público, sempre do interesse público, a razão nuclear da profusão de debates.

A partir daí, é só escolhermos o tipo de comentador, ou comentadora, preferido. Sendo para mim seguro que o problema basilar dos descontrole dos incêndios está na negação política de privilegiar a prevenção, este é sempre aflorado de modo superficial por todos eles. 

De todos os debates que vi, esses comentadores cingem-se à constatação dos factos, isto é, quase todos lamentam que a prevenção nunca tenha sido levada a cabo, mas poucos se escandalizam com isso. Curiosamente, não ouvi nenhum a reclamar punições aos governos que assim procederam...

É tudo gente boa! Como dizia o outro: o povo é sereno.  

16 outubro, 2017

As minhas suspeitas sobre os incêndios

Isto é fogo organizado

Este, é um  recado exclusivamente dirigido à classe política, e a todos que (ainda) acreditam nela!

Censurem-me à vontade, que posso bem com isso. O que já me custa aceitar, é passar por mais um cidadão acéfalo sem capacidade de pensar com os seus próprios neurónios. 

Quando leio, ou oiço alguém, de forma dissimulada ou frontal, a contemporizar com a  criminalidade ou a incompetência, podem ter a certeza que não lhes adianta nada contar com a influência do estatuto, porque fico logo com a pior imagem possível dessas pessoas. Isto, estende-se aos optimistas profissionais, com, e sem estatuto (seja lá o que isso fôr).

Nós já temos incompetência que chegue, já temos irresponsáveis em excesso, mas o que está a ocorrer com os incêndios, com a incapacidade total para os combater, e sobretudo prevenir, é uma bomba atómica prestes a eclodir sobre o país. Para já, e até ver, as áreas escolhidas pelos incendiários têm privilegiado o Norte e o Centro, o que é em si mesmo suspeito. Um destes dias talvez seja o país inteiro.

Por mais que os responsáveis políticos se esforcem, bem como quem os acompanha na lábia, estes incêndios são demasiado extensos e extemporâneos para desencadearem por espontaneidade natural. Segundo ouvi há pouco, já causaram 27 mortos! O que teremos a dizer, senão concluir que este país não tem gente ao leme para o proteger? Como disse em artigos anteriores, qualquer garoto pode destruí-lo se souber organizar-se. Bastam uns dronezitos - que até nem carecem de licença -  para despoletar uma tragédia em segurança... Sim, porque estes "brinquedos" foram lançados no mercado a bem da economia, sem legislação prévia.

Estou tão indignado com isto que nem paciência tenho para ordenar a minha raiva. A passividade demonstrada pelas autoridades públicas com estes e outros crimes,  leva-me a pensar que o país não tem quem o governe.  Não sendo fã de teorias da conspiração sinto-me naturalmente encorajado por essas supostas autoridades a suspeitar que estes incêndios podem estar a ser conduzidos por qualquer gangue benfiquista com objectivos bem definidos, isto é: lançar o pânico no país, para desviar as investigações da Alta Autoridade da PJ para outros caminhos (os incêndios). Podem querer emperrar as investigações.

Face ao comportamento omisso dado pelo Governo, pelo próprio Parlamento e pela maioria dos media, que direito têm  de criticar quem assim pensa, quando a comunicação social do país tudo tem feito para branquear os crimes do Benfica, alguns dos quais culminando com a MORTE de um adepto? Quem consente e oculta o que está a acontecer neste clube não pode impedir nenhum cidadão de alimentar tais suspeitas, e ainda menos de lhes coartar esse direito. 

Espiar a vida dos árbitros para os chantagear obtendo falsos resultados desportivos a seu favor, é, ou não crime? Planear retaliações agressivas aos árbitros desobedientes, é outro. Traficar droga, também. Sabendo como sabemos o que esta gente é capaz de fazer, acho que a PJ já devia estar no terreno a procurar vestígios, porque estes incêndios não são provocados por simples pirómanos nem são de combustão espontânea. Não é possível! O calor fora da estação não é suficientemente intenso para admitir essa hipótese. Eu não acredito mesmo nesta possibilidade. No contexto actual, para mim, isto é crime organizado!

Por mais que tentem disfarçar, os cartilheiros do Benfica começam a demonstrar alguma fragilidade nas suas peculiares mentiras. Estão desesperados e receosos de serem incriminados. Tratando-se de gente sem escrúpulos, com comportamentos de fazer inveja à Máfia, não é impossível que estas suspeitas possam confirmar-se. Eles são capazes de tudo. 

E aqui chegado, deixo também um recado aos governantes, actuais e passados: foram eles, a par de alguns partidos políticos, responsáveis por deixar crescer o monstro. Por isso, caso venha a confirmar-se estas suspeitas, também eles devem ser severamente punidos.

PS-Decretar luto nacional pela morte de mais 31 pessoas, é politicamente correcto, ou seja, mais uma hipocrisia política, mas no fundo não é nada. 

Honrar estas vítimas, e as 64 de Pedrogão Grande, era que o Estado se obrigasse (sob caução contemplada com pena de prisão efectiva aos governantes) a implementar um plano nacional de prevenção florestal, minuciosa, e previamente estudado com efeitos vinculativos aos futuros governantes que suspendessem a sua efectivação. Porque este é um crime que se perpétua no tempo sem que os prevaricadores sejam naturalmente punidos. 

15 outubro, 2017

Pobre Moncho Lopez

FCPorto 78  -  Oliveirense 93

É a segunda derrota do FCPorto em Basquete... Sem entrar por caminhos escusos, comparando a qualidade das equipas nacionais adversárias que já pude ver jogar (ambas, em casa) como o Iliabum e a Oliveirense, a ideia que fica é que o plantel do Porto é apenas mediano, com alguns jogadores tecnicamente interessantes, e outros tantos psicologicamente fracos, particularmente nos lançamentos de 3 pontos.

Se para esta modalidade não há dinheiro para contratar jogadores mais qualificados, ou competência para lutar com clubes como os acima referidos, então não vale a pena alimentarmos ilusões, como no ano passado.

Grande e poderosa equipa, a do Oliveirense!

PS- São só dois jogos, é verdade, mas com duas derrotas em casa... A minha opinião já vem da época passada. Há ainda no FCPorto alguns jogadores sem fibra nem qualidade para jogar neste clube. 
Num contexto destes, acho irrisória a ambição de querer chegar à Europa.

Of toppic:
Não acredito na treta das temperaturas demasiado elevadas para justificar tanta mata ardida! 

Há crime posto premeditado. Só pode! Nunca vi coisa assim! Um dos incêndios de hoje, começou às 2 horas da madrugada.Suspeito bem quem podem ser os autores...

11 outubro, 2017

A hipocrisia evita-se, não se fomenta

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Não sei, não tenho como saber, o que é que os pais de hoje entendem como educar bem os filhos. Se, tendo possibilidades para lhes dar formação académica privilegiam esse sector específico, sem prejuízo das boas maneiras e do respeito pelos outros, ou se apenas se interessam pelo chamado «canudo» dos filhos. Não tendo como certa a prevalência de uma ou outra preferência, resta-me  a intuição alicerçada no que posso observar nos jovens adultos dos nossos dias. Ressalvo, com a melhor compreensão, o papel proteccionista dos pais de quererem garantir-lhes um melhor futuro, mas já não corroboro na ideia de que uma coisa tenha forçosamente de anular a outra.

A verdade, é que olhando para a sociedade que nos rodeia, e apesar de termos hoje mais gente com formação académica intermédia, ou superior, do que há 40 anos atrás, a educação regrediu a olhos vistos. Não será casual o facto de sabermos quão mal educados são muitos dos jovens que enveredaram pela carreira política, não obstante o grau de instrução escolar elevado, mas também adulterado, o que ainda é mais preocupante. 

Assim, dá que pensar como é que os jovens de hoje absorvem os programas alienantes, desportivos, ou de outro tipo, transmitidos pelas televisões, onde invariavelmente impera a libertinagem sem terem um progenitor por perto a recomendar-lhes outros caminhos. Caminhos esses que a televisão não tem para oferecer.  

A indústria cinematográfica dos EUA (chamam-lhe cultura...) é poderosa, influente e cada vez mais global. Domina o planeta e os povos que o habitam. Podemos dizer, sem risco de errar, que 80% das temáticas dessa indústria são bélicas. Armas, morte, sangue, e sexo, têm de estar sempre presentes. Ninguém de bom senso acredita que sendo esses quatro itens parte real da nossa existência aconteçam com a frequência perversa com que são transmitidos. Felizmente que ainda não é assim em todo o lado. Diariamente, os telejornais seguem pelo mesmo diapasão, contam-se por dois dedos de uma mão as notícias factualmente positivas, a maioria são deprimentes. 

Terá mesmo de ser sempre assim, pergunto? Que bondade se pode extrair desta opção quase generalizada de fazer cultura e jornalismo?   Ou, se acharmos mais adequado, de explorar a condição humana? É a vida que temos? É o seu retrato nu, e cru? Talvez. 

Então, que tal fazer alguma coisa para a mudar, em vez de a constatar sadicamente.

Alô, Porto Canal? Terás tu estofo para fazer a diferença?

Já sei, sou um sonhador. Esqueçam.

10 outubro, 2017

Também tu JN és cartilhista?

Deixo ao critério dos leitores portistas, e sobretudo anti-centralistas, a interpretação devida à "sondagem" que o JN entendeu por bem publicar na edição de hoje.

Pela parte que me toca, só posso confirmar, desta vez com o mais profundo repúdio, aquilo que já pensava deste jornal, agora liderado pelo lisboeta Proença de Carvalho, e dirigido (para já ainda no Porto) pelo cartilheiro AFONSO CAMÕES:

foi um jornal do Porto, agora também capturado pelos vândalos centralistas. Uma humilhação para os portuenses e uma traição àqueles que honraram o jornal.


Se amanhã qualquer político deste país, ou governante, ousasse lançar-me areia para os olhos com a treta da coesão nacional, dir-lhes-ia alto e bom som: agora, sou a favor da independência do Porto!

É assim, com este tipo de jornalismo desonesto, tendencioso, corrompido e belicista, que se fabricam guerras e separatismos.  Que esperar de um país assim?

Só espero que logo à noite, no Universo Porto da Bancada, o Francisco J. Marques não se esqueça de repudiar esta provocação pasquineira e de incluir  o JN na longa lista de cartilhados vermelhos, caso contrário, desisto de ver o programa. Já deixei de comprar e ler outros jornais, este vai ser o próximo. Desta vez, para sempre, ou até que aquela casa seja despoluída de jahidistas.


O que estes garotos são capazes de ficcionar para tentar transformar criminosos em vítimas, e vice-versa... 

E eu, que até ando chateado com Pinto da Costa por ele estar tão calado! Foi preciso vir agora o JN dizer-me que, afinal, ele tem andado a semear o ódio. 

Sem o saber, também eu devo andar a comer sorvetes com a testa...


09 outubro, 2017

Porto Canal, estará a parasitar o FCPorto?.


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A avaliar pela conduta da Direcção Geral do Porto Canal, pouco esmerada no rigor, e na informação atempada, os espectadores não merecem qualquer consideração. 

Consideração que, no mínimo, podia ser reflectida num pouco mais de empenho, na actualização dos programas, bem como na celeridade da informação. Por mais válidas que sejam as causas para tanto desmazelo, perdem-se em razão da incapacidade de quem dirige o canal perceber quão negativo é para uma empresa de comunicação deixar a espectadores e a investidores, uma imagem próxima da anarquia.

Admitindo que as férias do pessoal do Porto Canal tivessem iniciado no mês de Junho, ou Julho, é incompreensível que no mês de Outubro ainda se note alguma inércia e que tenham de recorrer a entrevistas gravadas, já anteriormente repassadas, para preencher a programação. Este visível folguedo é tudo, menos prometedor. Presta-se às piores especulações e pulveriza quaisquer êxitos de audiências que eventualmente possam ser garbosamente anunciados.  Nem sequer cai bem na opinião pública ouvir o director-geral destacar o âmbito generalista do Porto Canal, e gabar-se das audiências, quando elas são maioritariamente geradas pelo sector desportivo do clube.  A incapacidade de preencher os espaços vazios com novos conteúdos, tem sido mascarada pela repetição exaustiva de alguns dos melhores programas, fazendo com que estes se vulgarizem pelas repassagens abusivas, com prejuízo inclusivé para os próprios criadores.  

Tudo isto acontece, porque alguém o permite, e esse alguém chama-se Jorge Nuno Pinto da Costa, mas não só... Sendo o FCPorto proprietário do Porto Canal, os sócios têm direitos, e parecem ainda não ter entendido que um deles consiste em ter informações da parte da SAD sobre o que está planeado para o futuro do Porto Canal. 

A cada nova temporada o canal fecha para férias prolongadas, e a pretexto da programação que vem a seguir, as expectativas têm sido repetidamente frustradas no aspecto qualitativo, o que tem forçosamente de se reflectir pela negativa na tesouraria. 

Não caprichando na qualidade, os investidores afastam-se, e depois falta o dinheiro para pagar aos que lá trabalham. Para bem de todos (clube e canal), o Porto Canal tem de trabalhar para se auto-financiar. 

É muito importante que os sócios estejam atentos, não vá ser o FCPorto a pagar-lhes os ordenados, para receber tão pouco em troca...
  

O Miguel está de parabéns (é portista!)


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05 outubro, 2017

Sobre Francisco J. Marques, no Observador



Francisco J. Marques tornou-se jornalista, tal como Nuno Saraiva, no começo da década de noventa. Chegou ao Público precisamente no ano da fundação do jornal: 1990. Esteve lá até ao dia 31 de dezembro de 2002. Pelo meio, um mês no jornal O Jogo e seis no 24 Horas, voltando sempre à redação-mãe.
Foi Manuel Queiroz o seu editor nos primeiros tempos de jornalismo. Ainda hoje trata Francisco J. Marques por “Chico”. “Ele começou comigo, começou. Primeiro como colaborador, depois a tempo inteiro. O Bruno Prata era amigo do Chico e apresentou-mo certo dia. O Chico fazia desporto, sobretudo desporto, porque tinha uma cultura muito grande a esse nível, mas como era o começo e ainda tínhamos pouca gente, tinha que fazer de tudo um pouco.” Queiroz elogia-lhe a organização. E recorda a timidez. “Ele sempre foi um tipo sério, em quem se podia confiar. E tinha uma coisa que eu e outros jornalistas do Desporto não tínhamos: sempre foi muito bom com jornalismo de dados, nunca se enganava com números. O Francisco era um tipo extremamente organizado no trabalho. Muito, muito organizado. Mas no começo sentia que ele era mais um jornalista de ‘secretária’ do que de entrevistar pessoas. Não sei se era tímido ou se não. Mas não era de contacto fácil no começo – isso era uma característica da personalidade dele. Nunca foi um jornalista de ter muitas fontes, não ‘sacava’ notícias como os outros, mas se lhe pedisses um trabalho ele entregava-to a tempo e horas”, conta.
Marques trocaria o Público pelo Jornal de Notícias. Na redação do Porto trocou também o Desporto pela Sociedade. Assumiu a editoria a 1 de fevereiro de 2003, dia em que Carlos Cruz foi detido e o vaivém espacial Columbia se desintegrou em pleno voo.Mais tarde (entre 2008 e 2011) foi editor de Desporto da Agência Lusa, cargo onde viveu os piores dias no jornalismo, sendo à época acusado de ser próximo do Futebol Clube do Porto. O Benfica apresentou mesmo uma queixa à Entidade Reguladora da Comunicação Social, acusando o então editor de “jornalismo tendencioso”. Francisco J. Marques nunca escondeu a sua preferência clubística. Mas sempre garantiu que o clube com quem mais diferendos teve enquanto jornalista foi precisamente o Futebol Clube do Porto. Ao mesmo tempo, nunca escondeu que nenhum outro como o Benfica o tentou “penalizar” tanto enquanto foi editor da Lusa — garantindo que é o clube da Luz quem está por detrás de uma alegada pressão do então Primeiro-ministro José Sócrates com vista ao “saneamento” de Marques.
“Sempre soube qual era o clube dele, sempre soube que era portista. Os jornalistas têm clube — e nós sabíamos o clube uns dos outros. Mas isso nunca interferiu com o trabalho dele”, explica Manuel Queiroz. “Lembro-me perfeitamente da acusação que lhe fizeram enquanto foi editor de Desporto na Lusa. O João Gabriel [então diretor de comunicação do Benfica], particularmente ele, atacava muito o Chico. Porquê? Porque o cargo de editor de Desporto da Lusa é importante. Tem-se acesso a coisas. Ele foi muito maltratado. E injustamente — porque a postura dele sempre foi a correta. Se tivesse que dar uma notícia, fosse sobre o Benfica, fosse sobre o Futebol Clube do Porto, uma notícia incómoda ou não, o Chico dava-a e pronto”, acrescenta convictamente o jornalista.
Marques sempre acusou Luís Bernardo [hoje diretor de comunicação do Benfica e à época assessor do Primeiro-ministro José Sócrates] de estar envolvido na pressão política feita para que o editor de Desporto fosse afastado da Lusa. Contactada pelo Observador, fonte próxima de Luís Bernardo nega as acusações. E reage: “Isso é completamente falso. E não tem fundamento. Perguntem ao Domingos Andrade [à época diretor de informação da Lusa, hoje diretor adjunto do JN] se houve alguma pressão. Não houve! Agora, que ele [Francisco J. Marques] fazia um bocadinho de ‘clubite’, fazia. E que houve queixas, claro que houve. E uma chamada de atenção… Um órgão público como a Lusa não podia tomar partidos. Tudo o mais é uma fantasia. Luís Bernardo nem sabia bem quem ele era”.
Francisco J. Marques tem 51 anos. Nasceu a 13 de maio (sendo por isso batizado Francisco) em Miranda do Douro. Apesar de não ser um “marreta” no futebol, o único desporto federado que praticou durante anos foi o xadrez, no Clube de Propaganda da Natação, em Ermesinde. Abandonou a modalidade quando chegou ao Público e os horários (e distância) se tornaram inconciliáveis. O ídolo maior de Marques no desporto não é, curiosamente, um futebolista e menos ainda um praticante de xadrez; diz-se um “federerista” convicto, sendo adepto de ténis e do tenista suíço Roger Federer, mas igualmente de futebol americano e dos Saints.
Quanto a Nuno Saraiva, a idade varia. Sim, varia. Nasceu a 22 de julho de 1971. Mas no cartão de cidadão surge 72. Porquê? Um esquecimento por parte dos pais na maternidade e a burocracia que se lhe seguiu explicam o facto de só ter sido registado um ano depois do nascimento.
A reunião de maio no Altis foi importante para o retomar das relações institucionais entre Sporting e Futebol Clube do Porto. “Concluída esta reunião, verificámos que há caminho que pode e deve ser feito em conjunto, considerando que é muito mais aquilo que nos une [o recurso ao vídeo-árbitro, a divulgação dos relatórios de jogo, a revisão do regulamento disciplinar da Liga de clubes ou a legalização das claques de futebol] do que aquilo que nos separa”, explicaram os clubes em comunicado. Mas também é verdade que poucos meses após a reunião, em agosto, Nuno Saraiva e Francisco J. Marques se desentenderam em público. Ou melhor, nas redes sociais.
Foi logo após o triunfo do Sporting frente ao Vitória de Setúbal — com um penálti de Bas Dost nos minutos finais. “Se tivesse marcado o lance do Coates podia discutir-se, mas este é a brincar. Se o VAR não serve para corrigir…”, escreveu Francisco J. Marques no Twitter. “Acho que ainda vamos assistir a um momento histórico e inédito: o Francisco J. Marques em sintonia com o António Rola [ex-árbitro e atual comentador da BTV]! Como diria o Scolari: “Hummm, e o burro sou eu?!”, respondeu Nuno Saraiva no Facebook.
Francisco J. Marques tem passado os últimos meses a denunciar no Porto Canal um alegado esquema de favorecimento das arbitragens ao Benfica. Tiago Girão apresenta o programa “Universo Porto”. Confessa que, mesmo tendo sido jornalista de Desporto na SIC durante anos, nunca havia contactado com Francisco J. Marques antes de se cruzarem no Futebol Clube do Porto. E garante que o que o diretor de comunicação dos portistas faz no programa é uma “extensão” do que fazia como jornalista – o próprio Francisco J. Marques admite que o faz é um jornalismo “mais militante”, mas ainda assim de “investigação”.
“Vejo o que ele faz no programa como jornalismo, sim. O programa vai fazer um ano em antena, sou eu quem o coordena, e até hoje nunca colocámos uma peça no ar sem antes fazer o contraditório, sem confirmar com fontes se é verdade ou não. É muitas vezes o próprio Francisco quem o pede. Essa veia jornalística dele está lá toda, intacta. Ele quer sempre a verdade e o rigor em tudo quando faz no programa. E se alguma coisa for para o ar de forma incorreta, não é a primeira vez que no programa seguinte admitimos o erro e repomos a verdade dos factos”, lembra o apresentador do Porto Canal, que todas as semanas dá a cara pelo que é emitido no programa. A divulgação de e-mails do Benfica envolvendo nomes de árbitros tornou-se na última grande polémica do futebol português — e aqui, o contraditório (o clube da Luz) não tem sido propriamente protagonista.
O tom de Francisco J. Marques no “Universo Porto” (mas igualmente no Twitter) é quase sempre sarcástico e, até, agressivo. “Agressivo? Ele não é agressivo. O que mais destacaria na postura dele é o sentido de justiça. No programa e fora dele. É sensível e justo. Se alguma vez se exalta ou é incorreto com alguém, o Francisco é o primeiro a inverter a situação e a admitir que não esteve bem. Mas destacaria, isso sim, e uma vez que se fala de ‘agressividade’, o sentido de humor dele. É um humor refinado e que nem toda a gente entende ou gosta, um humor muito próximo daquele que por vezes lhe vemos no Twitter ou no programa”, contrapõe, em sua defesa, Tiago Girão.
Manuel Queiroz garante que o “Chico” é exatamente o mesmo que conheceu ainda no Público. “Se está diferente agora? Não concordo. O Chico sempre foi como jornalista o que agora é como diretor de comunicação. Não acho que seja agressivo; é, isso sim, assertivo. E naquilo que tem denunciado no Porto Canal, geralmente acerta e confirma-se que é verdade. O Chico é dos tipos mais pacatos que conheço. Conheço-o há muitos anos e nunca o ouvi levantar a voz a ninguém, por exemplo. A personalidade dele não mudou só porque agora é diretor de comunicação e antes era jornalista. É tudo absolutamente igual; o que tem é mais holofotes do que antes ”, explica, acrescentando: “Ele tem acesso a informações que são relevantes, que são notícia. O que faz? Verifica-as e, quando são verdade, apresenta-as. Aquilo é a continuação do trabalho jornalístico dele na imprensa. Mas claro que agora tem uma ‘causa’ [Futebol Clube do Porto] e antes não tinha”.
A vida e rotinas de Francisco J. Marques alteraram-se drasticamente nos últimos meses, sobretudo desde que começou a divulgar no programa do Porto Canal e-mailsconfidenciais que envolvem dirigentes do Benfica. E sucedem-se as ameaças ao diretor de comunicação portista, o que o impossibilita, por exemplo, de visitar Lisboa ou de, como antes, “ir a concertos e jantar em restaurantes” — garante fonte próxima de Marques ao Observador, que acrescenta: “É constantemente insultado na rua”.
Mas não é somente na rua que Francisco J. Marques se diz vítima de ameaças. Nos últimos tempos, a sua conta de e-mail tem sido constantemente atacada, como o próprio denunciou no Twitter, por piratas informáticos, acrescendo a isso um facto mais sórdido: “as informações pessoais [do diretor de comunicação] têm sido partilhadas em sites de pornografia homossexual”, conta fonte próxima ao Observador, que diz que Marques não tem dúvidas de que o Benfica poderá estar envolvido em muitas destas situações que considera “graves”.
Ao Observador, fonte da direção do Benfica nega, contra-atacando: “Toda a gente sabe que o verdadeiro diretor de comunicação do FC Porto é o Manuel Tavares [ex-diretor de O Jogo e do JN]. É ele que coordena tudo. O Francisco faz o trabalho dele… Foi uma personagem criada — e onde se mistura o papel de diretor de comunicação com o de comentador. O rosto disto [Francisco J. Marques] é alguém que não tem muito a perder. É ele mas podia ser outro qualquer. Quando isto apertar, com indemnizações, processos-crime, o desgraçado é que paga. Está a dar a cara e será lançado aos lobos…”
Nota de RoP:
Excerto de um artigo de Tiago Palma, sobre Nuno Saraiva e Francisco J. Marques. Pela longa extensão, limitou-se a publicação conjunta ao Director de Comunicação do FCPorto.