Terça-feira, 7 de Dezembro de 2010

Há algo de podre no vale do Tua [in DN]

Há algo de podre no vale do Tua, e não é o fantasma do futuro a trazer um travo a esgoto das águas eutrofizadas da albufeira do Tua.

Há algo de errado quando um Estudo de Impacto Ambiental e um Relatório de Conformidade Ambiental de Projecto de Execução (RECAPE) afirmam numa base científica que a barragem vai ser desastrosa a nível regional e insignificante a nível nacional, mas a barragem avança.

Há algo de errado quando a Linha do Tua tem vindo a ser abandonada ou mesmo mencionada no caso Face Oculta, mas a culpa da má manutenção da via e estações é atirada como que para os próprios utentes que a utilizam. Há algo de muito errado quando um consultor da UNESCO afirma deslumbrado que a Linha do Tua tem todas as condições para ser considerada Património da Humanidade, reiterando o que disse o Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Ifespar) sobre o seu valor patrimonial único, mas depois os ministérios do ambiente e da cultura (e depois o próprio Igespar) concluem que nem o vale nem a Linha do Tua têm valor patrimonial ou ambiental algum, arquivando com uma celeridade desconcertante o processo de classificação desta como Património Nacional.

Algo não está bem quando os comboios da Linha do Tua ficam sobrelotados de turistas, quando o Plano Estratégico Nacional de Turismo e o Plano Regional de Ordenamento do Território do Norte prevêem maravilhas turísticas para esta região, e quando um projecto de turismo ferroviário para a Linha do Tua fica em terceiro lugar num concurso nacional de empreendedorismo, e a CP e a Refer fecham as portas à sua exploração turística.

Algo de muito errado se passa quando com um projecto ferroviário de baixo custo se poria um madrileno em Bragança em duas horas, e nos debates havidos em Trás-os-Montes sobre desenvolvimento ninguém diz uma palavra sobre caminhos-de-ferro.

Muito mal vai o estado da Democracia quando a voz de 18 mil peticionantes contra a construção da barragem do Tua e a favor da reabertura, modernização e prolongamento da Linha do Tua, defendendo inclusivamente métodos alternativos mais baratos e mais eficientes de produção e poupança de energia, não é ouvida ou não é suficiente para calar a de meia dúzia de indivíduos mal intencionados e de carácter duvidoso.

A lista de incongruências, atropelos, e laivos de actividades amplamente contempladas no Código Penal avoluma-se. Vagas de estudos científicos e pareceres de especialistas de entre os quais UNESCO e Comis- são Europeia que apontam um severo dedo à barragem do Tua e coroam de louros o vale e a Linha do Tua, esboroam-se com um rumor de espuma do mar contra sabe-se lá que perigosos rochedos e contracorrentes.

Chegados a este ponto é lícito perguntar: em que mundos vive o Ministério Público e a PJ, ou será que o vale e a Linha do Tua é que já não pertencem a este mundo? Tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto fede...

Daniel Conde [DN]

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...tudo isto é fado, remato eu.

Sr. Presidente da República:

Prove-me que a sua existência é mais do que uma figura decorativa e interesse-se por esta causa!

Prove-me que está atento ao pais!

Prove-me que tem alguma utilidade e salve a Linha do Tua! Em nome de Portugal, que - não sei se tem ideia disso -, dispõe de mais território, para além do Terreiro do Paço.

Vamos ao trabalho.  Prometo que até votarei em si se for capaz de impedir que um outro monstro como a Barragem do Tua nasça da terra.

Vá, prove-me que estou enganado sobre a sua inutilidade.

Surpreenda-me, senhor Presidente!

Rui Valente

Recado amigo aos jogadores do FCPorto



FCPorto, o Invicto da Invicta

Para variar um bocadinho, hoje vou falar um pouco da instituição que mais tem honrado a cidade do Porto: o Futebol Clube do Porto. Ou melhor,  falarei sobre as últimas declarações de alguns jogadores do Futebol Clube do Porto. Antes disso, vem a propósito lembrar que a versão antagónica do FCPorto versus, Jorge Nuno Pinto da Costa, é hoje em dia [para desgosto meu] precisamente a Câmara Municipal do Porto, versus Rui Rio [o desenraízado].

Agora, falando mais a sério, inaptos pareciam estar também a maioria dos jogadores do FCPorto no encontro realizado contra o Victória de Setúbal no magnífico Estádio do Dragão [que hoje não existiria se tal dependesse da vontade de Rui Rio, recorde-se...]. Há sempre forma de arranjar explicações para as más exibições, e ontem, com muita chuva,  um Estádio abaixo da média de espectadores,  um adversário teoricamente pouco apelativo, a ressaca de um desgastante jogo em Viena num campo onde em lugar da relva havia neve, argumentos é coisa que não faltaria. E até podíamos aceitá-los a todos.

O que já não se aceita - porque no FCPorto isso não é habitual nem costuma falhar -, é que haja jogadores que ainda não tenham absorvido, como convém, a "filososfia" portista e venham fazer declarações para a comunicação-social como se trabalhassem para ela e não para o clube. São disso exemplo, as palavras de Belluschi e de Ruben Micael que, a pretexto das exuberantes exibições do colega de equipa Hulk, disseram, em momentos diferentes, que seria muito difícil ao FCPorto mantê-lo por muito mais tempo no clube. 

É provável que a intenção destes dois jogadores até tenha sido apenas elogiar as qualidades do colega, mas se foi, a verdade é que não o conseguiram. Primeiro, porque os adeptos não gostaram, e depois porque, coincidência ou não, daí para cá Hulk parece ter-se deslumbrado com os pirôpos dos colegas e tem vindo a decrescer de produção. Por isso, será necessário e urgente explicar a todos os jogadores que antes da liberdade de pensamento, existe uma coisa chamada espírito de equipa à Porto que, se traduz em separar as águas, e saber distinguir o falar enquanto atleta profissional, do falar enquanto simples cidadão. A pior coisa que podia acontecer ao FCPorto era copiar os maus exemplos do principal adversário, ou seja, ceder às pressões dos media e das revistas côr-de-rosa vindo cá para fora posar para fotografias e dizer aquilo que os nossos adversários querem que seja dito... Esses, não são hábitos portistas!

Além de mais, parece-me inadequado e contraproducente que um jogador perca o sentido emocional do grupo [clube], esquecendo que para os adeptos do FCPorto, este é o melhor clube do mundo, é o topo de gama da ambição clubística. Logo, os jogadores, sem prejuízo das suas legítimas ambições financeiras, têm o dever de sentirem esse mesmo sentimento de "adepto", pelo menos, enquanto continuarem a trabalhar para o clube que lhes paga [e não costuma ser pouco] os vencimentos. E isso mostra-se no campo, com abnegação e espírito de victória. Radamel Falcao, ao contrário dos seus colegas, soube fazê-lo, tanto fora do campo, dizendo que agora é só FCPorto que lhe interessa, como dentro dele, correndo, jogando e marcando.

Depois, convenhámos, é muito pouco inteligente e até desagregador, ouvir um atleta ainda a meio do percurso competitivo do clube que lhe paga, exteriorizar - ou dar a entender -, publicamente que há clubes, por mais ricos que sejam, "melhores" que o FCPorto. Porque isso,  é simplesmente uma alucinação. Uma heresia imperdoável.

Segunda-feira, 6 de Dezembro de 2010

Gente submissa pede maus governantes

No post anterior, o Rui Farinas disse que é impossível recuperar um país sem a colaboração activa da sua população e que tal só acontecerá quando esta recuperar a confiança na classe política. Não posso estar mais de acordo. Hoje mesmo passei por uma situação que justifica plenamente as suas preocupações e que valerá a pena divulgar.   

Esta manhã, dirigi-me à estação dos CTT's da Avenida dos Aliados para pagar uma simples factura. Era meio-dia. Retirei o meu ticket de atendimento, calhou-me um com a letra A e o nº 170, que dizia "atendimentos rápidos" e fiquei a aguardar pela minha vez. Reparei, através dos 6 [seis] minúsculos monitores de 17"  que havia sobre o balcão corrido [precisamente iguais aos do meu computador que é para usar a uma distância de 50 cms], que apenas uma funcionária ocupava uma das 6 cadeiras correspondentes aos 6 postos de atendimento. Cinco, estavam vazias e assim se mantiveram até abandonar o local. O placard informava o nº 125 como sendo o utente a ser atendido naquele momento.

Percebi que ia ter de ser paciente e esperar, mas nunca pensei que fosse tanto. Entretanto, como tinha tempo, decidi espiar mais além para me inteirar como as coisas funcionavam e dei-me conta que havia outros dois balcões de atendimento com diferentes serviços, um com 9 postos de atendimento, só com 2 funcionários e um mais pequeno, com 4 e um funcionário. Estes indícios foram suficientes para retirar logo a conclusão que algo de errado tinha aquela loja. Uma delas, foi constatar que havia equipamento a mais para pessoal a menos, o que se traduziu numa sobrecarga para o que estava de serviço e num sádico teste à tolerância dos utentes. Além do mais, havia muitos idosos, mães com crianças ao colo e aquela resignação de carneiro típica dos portugueses...

Com imensa dificuldade em conter-me, regressei à minha "área de serviço" e continuei a esperar. Faltavam 5 minutos para as 13 horas, quando fui atendido! É verdade, uma hora! Paguei a factura e perguntei à funcionária se o chefe de posto estava presente ao que me respondeu afirmativamente informando-me do local do respectivo gabinete. Antes porém, sugeri à funcionária, que até foi educada e diligente, para de futuro não pactuar passivamente com aquela desorganização visto ser ela quem "dá a cara" junto dos clientes.

Depois de dar o devido puxão de orelhas ao chefe de posto, que só não ouviu mais porque teve o bom senso de me entregar em tempo útil o livro de reclamações [que preenchi], saí furioso e indignado dos Correios com mais este triste testemunho de bagunça nacional.

Mas, mais do que a incompetência do chefe de posto, o que me entristeceu, foi a passividade dos clientes. Só sabiam protestar entre si, baixinho, e alguns até pareciam estar a divertir-se com aquela seca. Só tive pena, foi dos velhos, coitados. Esses, até têm alguma desculpa pelos resquícios que trazem colados à alma  [e se calhar ao corpo] dos muitos anos de ditadura. Mas que diabo, será que ainda não perceberam que a única coisa que ainda têm de democrático é a liberdade de se indignarem?

Ps-Para que conste, eis o rosto e o nome dos meretíssimos angariadores de ordenados porno, administradores dos CTT-Correios de Portugal, S.A. [menos Estado, melhor Estado! Estão a topar?]


Domingo, 5 de Dezembro de 2010

Os inteligentes e os outros

É impossivel recuperar um país sem a colaboração activa da sua população, e esta colaboração não existirá se não houver confiança na classe política que terá obrigatoriamente de dirigir o movimento recuperador.

Em Portugal nunca o prestígio dos políticos esteve tão em baixo, e verdade se diga que essa condenação é merecida. O nivel dos políticos tem baixado assustadoramente ao longo dos últimos 25 ou 30 anos. Fica-se com a impressão que as pessoas com capacidade governativa, cada vez mais têm relutância em misturar-se com essa gentinha que nos tem governado, e deste modo cada vez mais oportunistas e aventureiros se sentem atraídos pela política, que vêem como um campo com futuro para satisfazer as suas ambições económicas, pois propicia as mais variadas situações de compadrio e corrupção, todas elas altamente rentáveis. Basta olhar para as notícias e fait-divers do dia a dia para verificar que assim é.

Por isso creio firmemente que a recuperação de Portugal passa por outros factores muito para além da questão de saber se o FMI vem ou não vem. Passa, para principiar, por uma profunda reforma do sistema político, da qual fará parte a elaboração de uma nova Constituição, reforma essa que provavelmente trará consigo, para a política, gente mais séria e melhor preparada, e com mais vontade de " servir "do que de " servir-se".

Tudo indica que esta autêntica revolução não se gerará no interior do sistema, isto é , nos partidos existentes. Muito ingenuamente ainda pensei, há uns anos atraz, que Cavaco Silva poderia - e quereria - dar a volta à situação. Enganei-me. A mudança terá então de originar-se no exterior do sistema. Como e por quem, em face do estado de apatia bovina dos portugueses, confesso que não sei. Penso apenas que acredito (ou deveria antes dizer "acreditei"?) que o Partido do Norte tinha aqui uma óptima oportunidade para mostrar que é diferente e que se propõe ser uma lufada de ar fresco neste ambiente político altamente tóxico em que vivemos. Neste aspecto, a leitura das suas Linhas Programáticas, desiludiu-me.

É minha profunda convicção que ou tudo isto leva rapidamente uma grande volta, ou então continuamos a cair no enorme buraco negro que já começou a engolir-nos e do qual, em qualquer caso, só sairemos após grande sofrimento e muitos sacrifícios. Mas isto deve ser pessimismo meu, pois os nossos clarividentes políticos continuam a discutir o sexo dos anjos, e eles é que são os inteligentes...

Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2010

Fly Away/JOHN DENVER

Rogério Gomes, um jornalista que faz a diferença


Quem me lê com regularidade sabe muito bem que não tenho dos jornalistas a melhor das opiniões. Não são todos iguais - dir-me-ão os mais susceptíveis -, e eu contraponho: sim, sim, são quase todos, mas desgraçadamente mais os todos, do que os quase... Nada me move contra a profissão em si, que é nobre e fantástica se desempenhada com respeito pela verdade e pelos cidadãos, que são a fonte do seu sustento. O que me impressiona pela negativa nas pessoas em geral  e nos jornalistas em particular, é o oportunismo e a cobardia.

Felizmente, não é esse o caso de Rogério Gomes, director interino do semanário Grande Porto. Venho acompanhando o seu trabalho desde o jornal O Jogo, passando pelo Comércio do Porto e agora com mais regularidade no Grande Porto, e reconheço-lhe uma grande coerência assim como uma incansável combatividade na defesa do Porto e do Norte, não vacilando nem se inibindo perante os lobbys ou os corporativismos da classe.

Citarei apenas alguns trechos do sua crónica editorial de hoje para perceberem porque penso assim. Diz o seguinte:

"No início desta semana, o presidente da CCDR-N, Carlos Lage, promoveu uma reunião de reflexão sobre a Regionalização entre os mais altos quadros da instituição e responsáveis editoriais de jornais com sede ou delegações no Porto. Compareceram directores ou representantes dos órgãos de comunicação Grande Porto, Jornal "i", JN, Público, Lusa, DN e ainda alguns jornalistas a título pessoal.

Nenhum dos presentes se pronunciou contra a reforma e todos os presentes estiveram de acordo sobre a sua necessidade e urgência, em especial para que a Região Norte possa cumprir o seu potencial no contributo para o desenvolvimento do País. Também todos apontaram alguns obstáculos à sua concretização nesta legislatura, desde a crise até à má vontade que os directórios partidários mostram para com a Regionalização, especialmente fora das campanhas eleitorais. A CCDR-N---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------tarefa.

Na sequência do encontro, a questão que se põe é a seguinte: tendo estado presentes os responsáveis editoriais dos jornais mais influentes da Região e tendo todos eles manifestado a sua "militância" regionalista, porque é que isto não se reproduz nas páginas dos órgãos que dirigem?

Rogério Gomes prossegue depois referindo casos concretos como o do Porto de Leixões/Rui Moreira, a Regionalização na Grécia sem referendo, e interroga-se por que é que de todos os media só a Lusa lhes deu relevo. E concluiu desta maneira:

"Uma vez mais o silêncio imperou em toda a Comunicação Social portuguesa. Percebe-se que os anti-regionalistas escondam o facto. Mas é muito estranho que os seus adeptos, os que por exemplo na reunião com a CCDR-N se declararam seus defensores, o permitam e não levantem o exemplo como bandeira."

Por incrível que pareça, é a primeira vez que vejo um jornalista a colocar o dedo na ferida, sem receio de ferir susceptibilidades corporativistas e de sofrer retaliações. Só por isso, dou-lhe nota 20 e sugiro aos leitores do Renovar o Porto que lhe remetam um e-mail para rogerio.gomes@grandeportoonline.com com um abraço de solidariedade.

Por fim, darei a minha resposta às dúvidas de Rogério Gomes que só pode ser esta:
medo do patrão, egocentrismo e muita hipocrisia.

Quinta-feira, 2 de Dezembro de 2010

Ah! Ver o Porto…

Ah! Ver o Porto…Ver o Porto é – sempre ou quase – reencontrar imagens de certa forma de cidade escondida, que conservamos dentro de nós. Imagens densas, impenetráveis como neblinas envolvendo as manhãs.

Imagens de crepúsculos nos outonos tingindo o casario, telhados, clarabóias, águas-furtadas, torres, lanternins e chaminés de S. Nicolau, Vitória e Miragaia. Tingindo-os e misturando a suavidade de cores indefinidas, de cores esbatidas sugerindo atmosferas que as palavras não conseguem (ou não podem) descrever: púrpuras e cobaltos desmaiados ou brevemente laranjas. Violetas-cinza penetrados por claridades que produzem brilhos leves nas vidraças das janelas. Imagens de entardeceres vistos da Ponte, do Jardim do Morro, da Serra do Pilar, pontilhados de luzes, milhares de luzes reflectidas nas águas do rio.

Ah! Ver o Porto…Ver o Porto é – sempre ou quase – um ajuste de contas. É um acertar das nossas percepções com as imagens de certa forma de perenidade que guardamos num recanto da memória (ou talvez da fantasia), dentro de nós. Imagens das escuridões eivadas de sobressaltos e inquietudes (ou solidões) quando anoitece. Quando anoitece e aumenta aquela impressão subjectiva – será do granito e das morrinhas ou é apenas sentimento? – da cidade sombria e húmida, da cidade agreste e desabrida. Imagens de tonalidades frias dos invernos do noroeste, mesclados de azul esbranquiçado e verde, em transparências, em velaturas de suaves e quase imperceptíveis gradações.

Imagens concretas. Imagens afirmativas dos lugares onde a História assentou raízes. Nas marcas dos tempos, nas evocações das crónicas e lendas retidas no imaginário persistente nos habitantes. Imagens de ruas e travessas, escadas e recantos, vielas, becos e esquinas com referências, com espírito e razão sedimentados nos séculos.

Dantes, os rabelos vinham, às centenas, rio abaixo, até à Ribeira, carregando sangue do comércio que fez prosperar a cidade. E agora? Agora estão ali, feitos silhuetas melancólicas e nostálgicas, pousando num rio agredido de que restam, apenas, a poesia e as recordações. Recordações da azáfama dos vapores e batelões, barcaças e caícos. Nostalgias de um rio de que restam, apenas, névoas e gaivotas. E restam, no Cais de Vila Nova, barcos sobreviventes dos tempos da epopeia de descer o rio, reconstruídos com os últimos saberes que persistem nos mestres dos estaleiros de Rei Ramiro.

Ah! Ver o Porto…Ver o Porto é permanecer fiel a um certo, subtil e indizível sentimento de viver, de pertencer a um território com caracter e tradição.

Ah! Ver o Porto…Ver o Porto é guardar imagens da luz e da atmosfera que, em algumas horas e em certos dias, envolve, define ou atenua os contornos do burgo: morros e torres, maciços verdes e muralhas, pontes e palácios, margens e cais.

Ah! Ver o Porto, eis o desafio para olhar e reter os encantos e magias que sobrevivem na cidade inesquecível que aí está, à espera da nossa descoberta, da nossa nostalgia e da nossa paixão. Porque, afinal – confirmando Saint-Exupéry ao escrever que o essencial é invisível para os olhos -, ninguém, acho eu, pode ver (e entender) o Porto senão com o coração.

Hélder Pacheco

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Nota de RoP: 
Ah! Um Homem do Porto... Ah! Onde estarão os outros?

Tartarugas e grous [Parque Biológico de Gaia]



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Banqueiros ao Poder, já!

É "indispensável" liberalizar despedimento individual, diz Ulrich

Mas por que raio temos de gramar a opinião de personalidades que pouco ou  nada [antes pelo contrário]contribuem para o bem estar do país? Será possível que alguém, com os miolos no sítio, espere dos banqueiros novas e sensatas soluções para mudar o rumo às coisas? Estes gajos [é mesmo assim que devem de ser tratados], só sabem falar em despedir e reduzir salários. Deve ser mesmo aquilo que mais gostam de dizer.

Que coerência e sintonia é que estas declarações - vindas da boca de quem ganha ordenados pornográficos e que contrariam absolutamente a teoria dos méritos -, têm com a tão propalada criação de postos de trabalho?

Culpados, são aqueles que lhes estendem o microfone e nos impingem os seus pareceres como se prestassem para alguma coisa.

Quarta-feira, 1 de Dezembro de 2010

Estabilidade e crescimento?

A seguir à palavra "crise", do que mais se ouve falar e mais se lê, é dos PEC. São vários, já vão no terceiro e ainda não vão ficar por aqui. Usa-se tanto o acrónimo PEC, que a tendência é esquecer o seu significado. PEC é, toda a gente sabe, Programa de Estabilidade e Crescimento. Estabilidade? Crescimento? Desde quando é que as medidas do PEC 3 vão originar crescimento económico? Crescimento de desemprego, de instabilidade social (ao invés de ESTABILIDADE) , dos problemas diários dos portugueses, isso sim.

Trata-se de mais mentiras do actual governo, de mais uma tentativa de mascarar a gravidade da nossa situação. Em vez de honesta e corajosamente falar verdade e explicar aos portugueses o que nos espera nos anos mais próximos, atiram-nos poeira para os olhos e querem-nos fazer crer que "no pasa nada".

Muitos portugueses já estão conscientes da situação e consequentemente preocupados com o futuro. Os outros, os que se deixam embalar pelas cantigas das cigarras, irão ter um doloroso acordar.

Contrastes de uma Democracia doente

Ver foto original no blogue A cidade Surpreendente

Sobre o MPM

Caros Tiago Azevedo Fernandes e Augusto Küttner de Magalhães


Muito se agradece a análise e os comentários que já fizeram ao Projecto de Linhas Programáticas (LP) do MPN (versão completa aqui), bem como as considerações pessoais de confiança e apoio, que retribuo. A título pessoal, quero dizer-vos que sempre me envolvi em questões do domínio político, mas que só agora abracei uma organização partidária, porque me cansei de ser ingénuo e bom rapaz perante autênticos atentados à democracia e ao interesse público a que venho assistindo, com o silêncio e a conivência de todos os actuais partidos. Cheguei a fazer debates em que notei perfeitamente o mal-estar em que todos os partidos se posicionam quando cidadãos (SCUT’s, aeroporto Francisco Sá Carneiro, Bairro do Aleixo, Linha do Tua, Fridão-Tâmega, TNSJ, Porto de Leixões) aparecem a defender interesses que não se enquadram nos “timings” da vida profissional e partidária. Em todo o espectro, da esquerda à direita, com curiosas variações, para mim inimagináveis se não as tivesse vivido. Ninguém passa cheques em branco a governações de 4 ou 5 anos, tudo validando, para se chegar ao cúmulo de alguém decretar “Interesse Nacional” para interromper PDM’s que possam colocar em causa a submersão da Linha do Tua ou o risco de inundar Amarante. Rui Moreira vem recentemente estranhar tanto silêncio das forças vivas do Norte quanto à questão da integração do Porto de Leixões numa holding nacional.

Só pelos Movimentos dos Cidadãos pouco se alcançará, porque são sempre vistos como oposições simpáticas e facilmente populares, como a ministra Canavilho ainda ontem veio afirmar. Há falta de democracia no dia-a-dia das relações dos políticos com os cidadãos. Por isso entendi que se lhes deveria fazer frente exactamente no seu mesmo campo, o partidário. Algo a que também me vou habituando, é que só se critica quem faz ou propõe, o que nunca me desanimará, e muito menos à generalidade do MPN. Também entendo que não há ninguém que seja dono de causas ou de ideais, porque são precisamente estas quintinhas em que muitas pessoas do Norte gostam de ir vivendo que não tem permitido a verdadeira afirmação de uma revolta cada vez mais necessária. É evidente que não estou a pensar nos dois, mas em outros que foram escrevendo nos seus blogues sem nada sugerir ou concretamente apontar.Se quiserem mesmo saber, as dúvidas são muitas, nem sempre concordo com o MPN propõe, mas um Partido à minha imagem era capaz de nem sequer um voto ter, se nesse dia estivesse zangado comigo mesmo.

Agora mais focalizado nas respostas a questões colocadas:

•a) Este projecto agora colocado à discussão pública é o resultado de 4 meses de discussão interna, e pretende ser o pontapé de saída para chegarmos a um documento melhor e mais completo até à realização do Congresso do Partido do Norte. Para esse feito colocamos o documento à discussão pública, o que a nosso ver só pode ser profícuo partindo de uma base, correndo assim alguns riscos, mas por outro lado podendo vir a colher importantes contributos no decurso deste processo;

•b) As LP pretendem acima de tudo realçar alguns dos temas que mais preocupam o MPN, como são a despesa pública, a regionalização politica-administrativa, o desenvolvimento económico e o desemprego, a universalidade e qualidade no ensino e na saúde, a gestão de infraestruturas estratégicas como o Aeroporto, Portos, Caminho de Ferro, Barragens e a mobilização das instituições da Região nos destinos do Norte e do país;

•c) As medidas e propostas que avançamos não são nem revolucionárias nem conformistas, mas pretendem mostrar que é possível sair do marasmo em que nos encontramos há demasiado tempo, através da reforma e reorganização do Estado e da criação de novos instrumentos, com um Banco e Fundos Regionais.

•d) No caso concreto dos Pólos de Inovação Regional, percebendo e até concordando pessoalmente com o que está subjacente às objecções do TAF, a nossa proposta vai de encontro às orientações da U.E. e ao pensamento de várias pessoas sobre a ineficácia dos actuais sistemas de apoio e inovação empresarial. Pretende-se aproveitar ao máximo em cada sub-região as potencialidades das suas escolas superiores e colocá-las ao lado das associações empresarias e das associações de municípios, e por outro lado passar a gestão de grande parte dos fundos disponíveis para uma escala mais próxima das empresas. A fusão do IAPMEI, AICEP, UMIC, COMPETE e Agência de Inovação diminuirá a burocracia e a despesa gerada nestes organismos, possibilitando assim estabelecer Pólos de Inovação Regionais distribuídos por todo o Norte e focados nas capacidades concretas, quer a nível da indústria, quer na agricultura, turismo, pescas, etc.

•e) O nosso pensamento é que as empresas do Norte, em especial aquelas mais expostas à concorrência global e as mais pequenas, precisam de apoios financeiros e nível dos processos de produção, pesquisa e desenvolvimento, inovação de produto, marketing internacional, etc. e que é dever do Estado encontrar as melhores forma de ajudar essas empresas, que são a fonte de emprego na região.

Obrigado pela vossa colaboração.

Um abraço
José Ferraz Alves

[Fonte: A Baixa do Porto]

De volta ao palco mítico


F. C. Porto Campeões europeus de 1987 viajam com o actual plantel azul e branco para Viena

O F. C. Porto de 2010 e o de 1987 juntam-se hoje na viagem para Viena, a cidade a que nenhum dragão fica indiferente, por ter sido o palco da histórica final da Taça dos Campeões ganha ao Bayern de Munique. Hulk, Falcao, Madjer e Juary voam juntos...

O avião que, hoje de manhã, transporta a equipa portista para a capital austríaca leva também os heróis do dia 27 de Maio de 1987. Há 23 anos, o F. C. Porto ganhou em Viena a final da Taça dos Campeões Europeus e o clube decidiu juntar os jogadores de então com os que, amanhã, defrontarão o Rapid, em partida da quinta jornada do Grupo L da Liga Europa. Os dragões já estão apurados para a fase seguinte da competição, pelo que a ocasião para a confraternização não podia ser mais propícia.

Sinal de vitalidade

"Geralmente, os clubes não fazem isto, mas o F. C. Porto faz... É um sinal de que o clube está vivo e de que se lembra das pessoas. Penso que se trata de uma homenagem a uma equipa que protagonizou um episódio marcante, que o F. C. Porto não quer esquecer", afirmou ontem, ao JN, Artur Jorge, o treinador campeão europeu de 87, que também fará a emocionante viagem no tempo: "Se não tivéssemos uma equipa boa, não teríamos ganho aquela final. De então para cá, o clube foi crescendo, mas continua com a mesma vontade de vencer e de conquistar coisas importantes. Tendo em vista o que se tem passado na presente época, estou convencido de que o F. C. Porto, com os bons jogadores que possui, pode voltar a chegar longe na Europa".

Com excepção dos que vivem fora de Portugal, os jogadores que derrotaram o Bayern (Mlynarczik, João Pinto, Inácio, Eduardo Luís, Celso, Quim, André, Sousa, Jaime Magalhães, Futre, Madjer, Frasco e Juary), para além de Fernando Gomes e de Lima Pereira, que não puderam jogar a final devido a lesão, juntar-se-ão no Estádio do Dragão, rumo ao aeroporto Sá Carneiro, de onde a comitiva azul e branca parte para a Áustria, num voo com início marcado para as 9.45 horas.

Em Viena, está prevista uma visita ao Estádio do Prater, que agora se chama Ernst Happel, onde a equipa treinada por André Villas-Boas fará o habitual treino de adaptação ao relvado, às 18 horas, e depois um jantar de gala com os dirigentes portistas.

[Fonte: JN]

Inquéritos mortos, inquéritos ressuscitados. Até quando?

Novo inquérito a Camarate pode unir Portas e Passos [notícia JN]

Será que nem a crise, e as desgraças governativas semeadas durante tantos anos chegam para nos poupar dos caprichos destes políticos inválidos?  Depois de gastos rios de dinheiro, de tantos inquéritos, fechados e posteriormente reabertos, sempre com os mesmos desfechos inconclusivos, é este o momento adequado para reabrir outra vez o caso? Ou, estarei mal informado e as custas deste processo vão ser pagas pelos mentores da iniciativa?

Uma sugestão: por que é que Freitas do Amaral não aproveita o resultado das vendas do seu novo livro para ajudar a pagar o inquérito? Não é hora de austeridade?