Sei que me restam poucas alternativas, mas estou decidido a não dar mais um cêntimo pelo Jornal de Notícias. E não o farei apenas pelos muitos erros ortográficos que o jornal deixa passar, nem pela vocação trágico-populista dos seus conteúdos, mas pela baixa qualidade jornalística, que é cada vez mais evidente. Hoje, por exemplo, um senhor chamado Paulo Felizes, resolveu eleger para figura do dia o Presidente do Benfica, plasmando-lhe a foto como se de um grande estadista se tratasse, acompanhada do seguinte texto:
* «O Presidente do Benfica aproveitou ontem a inauguração de mais duas casas do clube para atacar o secretário de Estado do Desporto, reposicionando-se estrategicamente em relação à situação da FPF. Reconhecendo que o apoio a uma anunciada candidatura à presidência da Federação de Fernando Seara terá sido precipitado, LFV voltou-se agora para o Governo e para Laurentino Dias, que acusa de não fazer cumprir a Lei, a propósito da obrigatoriedade da FPF adequar os estatutos à Lei de Bases do Sistema Desportivo. Ao contrário de outros presidentes de clube, Vieira está a envolver o Benfica no processo das mudanças federativas. Até agora, fez todo um trabalho político claro. Lançou um candidato às eleições federativas, foi obrigado a recuar e introduziu uma nova questão ao problema, responsabilizando o Governo pela situação na Federação. As pressões do Benfica aos governantes não são novas e é um terreno em que o presidente do clube da Luz se movimenta particularmente à vontade.»
Independentemente da importância da adequação dos estatutos à Lei de Bases e da oposição de um número razoável de associações que não estão dispostas a abdicar da sua influência para a entregar a terceiros, o que é "admirável" é a argumentação utilizada pelo articulista para elevar as declarações do presidente do Benfica à categoria de grande estratega quando na realidade do que se trata é de uma chantagem intolerável do Benfica sobre o Governo. Para o jornalista a envolvência do presidente do Benfica é uma acção louvável, um trabalho político, e a candidatura de Fernando Seara à presidência federativa -um benfiquista assumido - , é tida com um "inocente" reconhecimento de precipitada... Francamente, não sei aonde foi o jornalista descobrir neste acto manifesto de arbitrariedade e promiscuidade algo digno de ser elogiado. Só mesmo, por descarado fanatismo benfiquista. O JN, um jornal histórico do Porto, está agora transformado num miserável porta recados benfiquista. Ao que se chegou!
A única maneira de resolver este assunto sem levantar muitas ondas, seria entregar a presidência da FPF e respectiva equipa a pessoas altamente qualificadas, insuspeitas, e sem vínculos político-associativos aos clubes de futebol, sejam eles quais forem. Depois, era reformular a distribuição de votos de forma equilibrada e sensata, sem desrespeitar os antigos direitos adquiridos pelas associações de futebol esvaziando-lhes o poder apenas para o substituir por outro mais "conveniente". Aquilo que salta à vista da tão gabada "estratégia" do presidente do Benfica resume-me a uma coisa: ocupar a FPF com gente afecta ao clube da Luz para a controlar a seu bel prazer. Ponto.
Com a Liga de Futebol, os procedimentos deviam ser idênticos, isto é, a presidência e cargos directivos deviam, por Lei, ser entregues a pessoas de reconhecida isenção clubísta. Tudo o que fuja a estes princípios só fará o problema arrastar-se no tempo, indefinidamente, com guerras e guerrinhas cheias de boas intenções, que só servirão para empolar conflitos e encobrir interesses de seriedade duvidosa.
* Imaginam um texto desta natureza se o estratega se chamasse Jorge Nuno Pinto da Costa?
Outra coisa: depois de ler as declarações de LFV haverá quem acredite que a política e o futebol são compartimentos estanques?
Com a Liga de Futebol, os procedimentos deviam ser idênticos, isto é, a presidência e cargos directivos deviam, por Lei, ser entregues a pessoas de reconhecida isenção clubísta. Tudo o que fuja a estes princípios só fará o problema arrastar-se no tempo, indefinidamente, com guerras e guerrinhas cheias de boas intenções, que só servirão para empolar conflitos e encobrir interesses de seriedade duvidosa.
* Imaginam um texto desta natureza se o estratega se chamasse Jorge Nuno Pinto da Costa?
Outra coisa: depois de ler as declarações de LFV haverá quem acredite que a política e o futebol são compartimentos estanques?






