Mostrar mensagens com a etiqueta Media. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Media. Mostrar todas as mensagens

04 abril, 2012

Porto Canal, a despertar da hibernação? Se sim, ainda bem!

Enfim, já não era sem tempo! O FCPorto lá se decidiu a reagir às últimas notícias venenosas dos mesmos patifes de sempre [eufemisticamente conhecidos por jornalistas] que, como vem sendo hábito, desde há muitos anos, mais não visam do que desestabilizar o clube e o seu grupo de trabalho. A inveja tem destas coisas.

Fez muito bem Pinto da Costa, tal como nós aqui reclamávamos, usar o Porto Canal para desmascarar este tipo de situações, porque é também para isso que a televisão serve, tanto mais, num país onde a democracia a nível da comunicação social [e não só], está praticamente dominada pela mediocridade. Só ainda não morreu porque os portugueses continuam de costas voltadas para as questões de cidadania, sempre à espera que um D.Sebastião qualquer lhes resolva os problemas. Assim - custa-me dizê-lo -, têm o que merecem. A este propósito, nunca será demais recordar a petição que eu próprio lancei na Net no sentido de responsabilizar a direcção da RTP pela forma sectária e discriminatória como trata o FCPorto, e que em 3 mêses só conseguiu angariar mil e poucos votos... 

Portanto, saúda-se o regresso de Pinto da Costa à combatividade que lhe é peculiar e que fez dele o melhor dirigente português de todos os tempos e, sem exagero, um dos mais argutos do mundo. Mas, atenção, é preciso continuar esta luta, porque os nossos adversários há muito que esqueceram essa condição para se transformarem em nossos inimigos, e impiedosos. Por isso, inventaram o Processo Apito Dourado, que apesar de ter redundado para os autores num vergonhoso fracasso em termos jurídicos, não deixou de causar alguns incómodos ao Presidente do FCPorto, com cansativas deslocações a tribunais e as consequentes mossas na sua imagem. Com o Porto Canal atento e reactivo a estas frequentes investidas, talvez consigamos finalmente embaraçar seriamente os nossos inimigos. Levará o seu tempo, mas pode conseguí-lo. 

Curiosamente, ontem, Pinto da Costa falou no Porto Canal, e muito bem, nas constantes aldrabices publicadas pel' A Bola, hoje também reproduzidas parcialmente no Jornal de Notícias, onde desmentiu a saída de Victor Pereira, mas abordou igualmente as falsas notícias sobre entradas e saídas de jogadores, citando, por exemplo, o nome de Michu Pérez, jogador do Rayo Vallecano do qual diz nunca ter ouvido falar. Pois, é verdade. Mas é também verdade que a mesma notícia foi transmitida, quer pelo próprio JN, quer pelo jornal O JOGO de Joaquim Oliveira. Como se constata, mais uma vez, em matéria de comunicação social ninguém se safa, imitam-se uns aos outros para vender.

É verdade que o jornal A Bola é um nojo, e a mim incomoda-me sobremaneira saber que portistas como Rui Moreira e Miguel Sousa Tavares continuem a escrever nesses pasquins com o argumento de ser o jornal desportivo mais lido do país e como tal, poderem defender o FCPorto do lixo tóxico que lá se produz contra o clube. A mim, surpreende-me que, portistas com a credibilidade e o portismo que lhes reconhecemos continuem a cooperar com um jornal cuja linha editorial é manifestamente hostil ao FCP, e que nunca tenham pensado em se aliarem, numa acção de veemente repúdio contra esse estado de coisas, desistindo em bloco de colaborar com esse pasquim [é assim que ele é conhecido entre os portistas], enquanto o alinhamento não fosse alterado para padrões de outro nível. Sinceramente, não consigo compreender tal estratégia.

E, se os adeptos têm absoluta razão em chamar pasquim à A Bola, talvez ajude avivar a memória de alguns, ou esclarecer o grande público do que é afinal um pasquim:


1. Publicação difamatória.

2. [Depreciativo]  Jornal de baixa qualidade, sem importância. = JORNALECO




01 abril, 2012

A directoria do Porto Canal será masoquista? Ou andará a dormir?

Esqueçamos, ou melhor, descontemos para o caso aqueles nortenhos desintegrados, sem espinha dorsal nem raízes, que não sentem mas tudo consentem aos centralistas, porque são tão bons ou piores do que eles. Não os ignoremos no entanto, e registemos na nossa memória, para justiça futura, os seus rostos e os seus nomes. 

Já agora, aproveito para recomendar à actual direcção do Porto Canal uma reflexão profunda sobre aquilo que pretende fazer do projecto de televisão para o Norte, porque ao que vejo, anda de portas escancaradas para esse tipo de criaturas, enquanto as mantém fechadas para pessoas que nunca renegaram as suas origens nem se venderam ao centralismo. Só para citar um caso [negativo], sugiro que não repita a gracinha de convidar o socialista Renato Sampaio e outros como ele, para falar sobre a regionalização, visto não ter deixado dúvidas a ninguém sobre a aversão que tem à causa, conhecidas que são as suas posições de apoio ao anterior governo PS, tão centralista como o governo actual do PSD.

A citação ao Porto Canal, parecendo a despropósito não é. De facto, continuamos a não usar o canal para denunciar determinado tipo de condutas anti-democráticas que a RTP - canal pago com o contributo dos contribuintes -, continua a praticar com o FCPorto. Estas condutas vergonhosas continuam a ser uma constante na RTP, e contudo, parecem passar despercebidas à direcção do Porto Canal. 

Hoje, no telejornal da noite, o jornalista começou a informação desportiva informando o resultado do jogo do Sporting com o União de Leiria acompanhada de algumas imagens. Logo a seguir, quando anunciava a victória do FCPorto sobre o Olhanense, e olhava para o monitor esperando pelas respectivas imagens, as que apareceram nos écrans foram as do jogo entre o Benfica e o Braga e os comentários da praxe do bajulado treinador dos vermelhos de Lisboa. A seguir, passou ao automobilismo e do FCPorto, nada! Nem um pedido de desculpas.

Ontem, durante a transmissão do "programa desportivo" onde participam João Gobern e Bruno Prata, aconteceu algo hilariante: o resultado entre o Braga e o Benfica mantinha-se ainda empatado 1-1, quando inadvertidamente, as imagens mostraram o anafado comentador benfiquista a levantar com inusitada exuberância [via-se que se sentia em casa] o braço pelo golo que acabaria por dar a victória ao seu clube, provando a quem tinha dúvidas, o facciosismo reinante naquela casa, paga também com o dinheiro dos contribuintes de outros clubes...

Se comportamentos deste nível não são suficientes para se ter uma ideia do sectarismo instalado impunemente na RTP, não imagino quais podem ser. Mas, o Porto Canal, mais uma vez, deixou passar...Não há dúvida, somos Porto. Mas que Porto?

27 março, 2012

Porto Canal, somos mesmo Porto?

Penso não se perder grande coisa, se aliviarmos a pressão de negativismo económico e social instalada no país pelo mão suicida do(s) govern(s), e nos focarmos de novo nos assuntos que nos estão mais próximos. Vou então voltar à carga com a situação do Porto Canal.

Dizia-me hoje o amigo e companheiro de blogue e tertúlias, Rui Farinas, que o FCPorto, actual co-proprietário do Porto Canal, parece alheado do respectivo planeamento programático e informativo. Tenho a mesma impressão, e como já tive oportunidade de dizer, não entendo por que é que o director Júlio Magalhães ainda não foi instado pela SAD do FCPorto a apresentar uma explicação/informação aos espectadores sobre as razões pelo atraso a que aparentemente se chegou. Seria um singelo gesto público de consideração, que só lhes ficava bem e que podia servir eventualmente para tranquilizar as potenciais audiências. 

Além da má imagem que esse estranho silêncio transmite, o Porto Canal arrisca-se a perder a confiança dos espectadores que dele perspectivam, mais do que um canal de televisão, uma plataforma de comunicação importantíssima, para o Porto, o Norte e o FCPorto se afirmarem, e se defenderem do ostracismo, da indiferença, e diria mesmo, do desprezo, a que têm sido votados, a todos os níveis, pelo intratável centralismo.  

Em termos programáticos, o que de bom ainda há no Porto Canal, vem da anterior administração. Dos poucos programas entretanto criados, suponho que pela actual direcção, alguns, como o que ontem foi transmitido [com o nome "O Parlamento da Região"], com a participação de deputados conhecidos que pouco mais fazem que defender a partidarite trauliteira do costume, não se vislumbra originalidade nem vontade de dar voz a gente mais credível, que podia muito bem fugir do quadro político-partidário, principalmente do  chamado arco do poder [PS/PSD/CDS]. 

O Norte e o Porto, precisam, em primeira instância, de um canal ousado, honesto, frontal; que saiba distanciar-se q.b. de protagonistas gastos e sem credibilidade, chamando a si,  de preferência, pessoas sem rabos de palha, com ideias novas, combativa, sem aquele medo irritante de provocar rupturas necessárias. Trazer os amigos do "politicamente correcto" ao canal, será mais uma forma de repetir o embuste de outros projectos que também muito prometeram, e nada cumpriram, acabando engolidos pelos capangas do centralismo [NTV e RTPN]. 

Falando nisto, lembrei-me de Pedro Baptista, líder do Movimento do Partido do Norte, e do seu aparente afastamento do Porto Canal. Terei de lhe perguntar, se foi ele que se afastou, ou se é o Porto Canal - ou alguém em seu nome -, que recomendou o seu afastamento, talvez inspirado naquele enigmático argumento de ser portador de alguns "anti-corpos"...

Pessoalmente, considero que no contexto político e social da actualidade, todos os anti-corpos são necessários para fazer frente a um outro corpo, esse sim, monstruoso, chamado centralismo que, paradoxalmente, parece não provocar alergias a ninguém, embora alguns passem a vida a queixar-se dele, só e quando, vão ao Porto Canal...

Tem a palavra o FCPorto. E, seria bom que a palavra do FCPorto fosse a do Jorge Nuno Pinto da Costa irreverente, dos bons velhos tempos.

24 março, 2012

Porto Canal, o marasmo continua

Não sei se é do meu pessimismo, mas, ou  muito me engano, ou o Porto Canal vai ser apenas mais um canal. Para já, ainda não se nota qualquer evolução nos timings dos noticiários e na qualidade/quantidade da programação. A repetição de programas gravados mantém-se, e no desporto não se está a tirar o melhor partido do canal, mais que não seja para defender o FCPorto das deturpações e falsidadades que sobre ele, os canais generalistas públicos e privados, continuam a anunciar. Neste capítulo no Porto Canal, verifica-se uma apatia mortificante, um silêncio de impotência face a estes ataques que contrasta com a propalada defesa do Norte, que a nova direcção prometera ser ainda mais enérgica que a anterior.  

Ainda ontem, o parvalhão do José Rodrigues dos Santos apresentou no telejornal, desta maneira a sua versão da queixa movida pelo pai de uma criança contra o Jardim Escola: "O FCPorto não quer que crianças de um infantário cantem uma canção infantil com o nome do Benfica."  Como toda a gente que leu a notícia original sabe, não foi o FCPorto, mas sim o pai da criança, que é adepto do FCPorto, quem apresentou queixa ao Ministério da Educação, aliás com fundamentos perfeitamente razoáveis. Não contente com a desvirtuação da notícia, a RTP, imbuída do espírito anti-portista que se lhe conhece - que aliás já nem consegue esconder -, decidiu entrevistar a funcionária do Jardim Escola, rodeada dos pais das crianças adeptos do Benfica para opinar sobre o assunto. Como era de esperar, todos dispararam contra o queixoso e aplaudiram a "inocente" ideia da direcção do infantário por ter levado a clubite aguda para um local onde seria suposto e.d.u.c.a. r, e não tentar fanatizar crianças.  

Obviamente, não é apenas por esta ocorrência que digo que o Porto Canal está a falhar com o prometido, mas se agora dispõe de um canal de televisão, não tendo de momento muita matéria para encher a programação, não se percebe por que é que não aproveitou para denunciar o comportamento da RTP, pela forma incorrecta e maliciosa como comunicou a notícia. Sempre teria outra visibilidade e muito mais  impacto que um simples comunicado no site do clube, que muita gente nem lê. Estou certo que todos os adeptos portistas, sem excepção, gostariam de ver o clube melhor defendido, na hora, e no momento certo, com a veemência que tão torpe comportamento impunha. Mas, nada.

Politicamente, a programação também pouco ou nada está a trazer de novo ao público. Pelo contrário, os debates são cada vez mais parecidos com os dos canais lisboetas, com os mesmos protagonistas também, e o tema da regionalização parece dar sinais nítidos de abrandamento.

Sinceramente, por mim, não estava à espera de uma revolução no Porto Canal, mas apenas de um pouco mais de originalidade e afirmação em matéria política. Não estou optimista, mas espero enganar-me, e que rapidamente comecemos a sentir o Porto Canal  mais próximo do Porto [e do Norte] e bem mais distante de tentações centralistas.

28 fevereiro, 2012

Que Porto Canal pretende o Júlio Magalhães?

Vamos por partes. Se vivessemos no melhor dos mundos - ou, baixando o nível da ambição -, num país coeso e bem governado, onde um tripeiro se sentisse confortável em Lisboa, sem sequer imaginar ser discriminado na sua condição de portuense e portista, acharia um disparate o que a seguir vou escrever. Como a realidade não corresponde, nem de longe nem de perto, a nenhum desses casos e a discriminação de que vos falo tem várias frentes, talvez importe encararmos o assunto como uma coisa séria.

As frentes dessa discriminação começaram na política, percorreram a economia, cresceram no futebol, e terminaram em toda a sociedade. Os nortenhos, em particular aqueles cujas raízes à região são fortes, sabem muito bem que não há ponta de exagero neste diagnóstico, porque a história não o pode desmentir [a não ser que também a adulterem]. Há registos em vídeo, na rádio e na imprensa do mal que nos tem sido feito. A memória dos factos, evoca-nos imensas declarações de desprezo, de ironia sectária e de conspirações ao Porto/FCPorto de algumas figuras públicas de Lisboa [e outras do Porto], simpatizantes do Benfica, em programas de televisão, para já não falar das infindáveis entrevistas mediáticas para tentar explorar e influenciar o resultado do processo Apito Dourado e a eliminação do Presidente do FCPorto, e por tabela, do próprio clube. E então? A memória já não tem valia?

Tudo o que acima descrevi remeteu-me para uma ocorrência da qual já aqui vos falei e que me começa a preocupar, que é a obsessão de Ricardo Couto em convidar para o programa do Porto Canal, "À Conversa com Ricardo", figuras públicas como as que atrás referi. Se a memória não me falha, Ricardo Couto num curtíssimo espaço de tempo já convidou: a astróloga/tia, Maia, o Fernando Alvim, o António Sala, e muitas outras pessoas de Lisboa, relacionadas com o Benfica, e que ainda por cima não acrescentam qualquer mais valia para o canal. Por este andar, qualquer dia Ricardo Couto vai-nos brindar com a presença de Luís Filipe Vieira,  para fazer umas palhaçadas...

A questão que se coloca é a seguinte: o que é que Ricardo Couto, ou alguém por ele, pensa que pessoas com este "perfil"  podem trazer de verdadeiramente inédito à programação do canal? O que é que estas pessoas têm de especial que o justifique? E no Norte, já se esgotaram as figuras programáveis? Será este o caminho para que aponta o Porto Canal no sentido de dar mais norte ao Norte? Será porventura Pinto da Costa quem selecciona os convidados? E ele, terá conhecimento, por acaso, sobre que tipo de pessoas é que estão a recair as preferências da régie para o programa? Quem as escolherá, afinal? E qual é o papel de Júlio Magalhães no meio destas aberrações/provocações programáticas?

Talvez tenha chegado a altura de alguém de direito transmitir o que se está a passar no Porto Canal a Pinto da Costa, caso contrário, um dia destes até ele, se lá quiser entrar, ainda vai bater com o nariz na águia Glória ou nalgum steward do Benfica.


PS: 
Enviarei para o Porto Canal este post.    

27 dezembro, 2011

Sobre as galinhas de Tchekov


Alexander Tchekov dedicou toda a vida à titânica e mal sucedida tentativa de ensinar as suas galinhas a entrarem sempre pela mesma porta e saírem por outra. Esta grotesca tentativa do irmão mais velho de Anton, o genial escritor russo, faz-me lembrar os não menos vãos esforços de tentarem fazer o país andar para a frente apostando todos os recursos em Lisboa.


A Grécia, o mais acabado dos exemplos da falência da macrocefalia, iniciou, a instâncias da troika, um processo de desconcentração do poder e descentralização dos recursos, deixando-nos sozinhos, como o único país não regionalizado da zona euro.

Estarmos orgulhosamente sós não preocupa os filhos das fábricas partidárias que nos desgovernam, pois infelizmente eles partilham o egocentrismo daqueles lisboetas que estão convencidos que não têm sotaque (pois tomam o deles como cânone) e a indigência de raciocínio do automobilista que segue na auto-estrada a tentar evitar os carros que lhe aparecem pela frente e que ao ouvir na rádio que há um carro a circular em contra-mão na A5 comenta para os seus botões: "Um?!? São às centenas!".

O nó do problema reside na incapacidade demonstrada pelos nossos governantes - de Soares a Passos, passando por Cavaco, Guterres, Durão, Lopes e Sócrates - em sequer verem que o pecado original está na estratégia de concentrar todos os recursos na capital, na esperança que essa locomotiva reboque o resto do país, o que nunca acontecerá porque Lisboa já há muito que está desengatada das outras carruagens do comboio português.

Quando se está no Terreiro do Paço perde-se a perspectiva do resto do país, que passa ao estatuto secundário de paisagem (ou província). O resultado é o acentuar das desigualdades internas.

Quem olha para o país de fora de Lisboa já percebeu que a chave para o desenvolvimento consiste em repensar tudo e apostar numa cobertura equilibrada do território nacional.

Por que é que Espanha tem dez cidades com mais de meio milhão de habitantes e Portugal só tem dez cidades com mais de 40 mil almas? A diferença de população entre as duas nações não é a resposta, que encontramo-la se olharmos para 1992, o ano em que Madrid foi Capital Europeia da Cultura, Barcelona teve os Jogos Olímpicos e Sevilha recebeu a Expo Universal - e nos lembrarmos que o magnífico Guggenheim, riscado por Gehry, foi para Bilbau.

Chegamos a esta crise devido a uma administração desonesta da riqueza - o alerta não é meu, mas antes do padre Manuel Morujão, o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa.

A macrocefalia de Lisboa é um problema estrutural do país - o diagnóstico não é meu, mas sim de D. Manuel Clemente, que é bispo do Porto mas cresceu e fez-se homem em Lisboa.

O que nos vale a nós, portugueses da província e figurantes da paisagem, é que a questão política deixou de ser central , pois a incompetência dos políticos que só têm ideias com rugas gerou a vitória da economia - e o primado do económico e social.

Quando pioram, as coisas ficam mais claras.*

* Este Fin foi pedido emprestado a Godard

[Fonte: JN]

21 dezembro, 2011

Que Porto Canal teremos em 2012?

Só a partir de Janeiro é que podemos ficar com uma ideia da nova linha editorial e programática do Porto Canal, que, como bem sabem, passou a ser gerido pelo FCPorto desde Agosto último. Entretanto, a avaliar pelo crescente número de figuras públicas simpatizantes da Regionalização que ali têm participado em debates e  telejornais, espera-se que a Direcção saiba corresponder às expectativas dos nortenhos e passe a dar mais atenção aos seus problemas e necessidades, que foi coisa que nenhum dos canais sediados em Lisboa [incluindo a estação estatal RTP], fez.

Lamentavelmente, habituados que estamos às piruetas dos governantes, com efeitos secundários em muitos cidadãos, entre os quais se destacam certos jornalistas, talvez seja o momento de recordar as palavras de Domigos de Andrade, actual Director de Programação e Informação do Porto Canal: 

A gestão do Porto Canal “vai estar assente em 2 pilares”, considera Domingos de Andrade: a informação e programação não desportiva por um lado e a desportiva por outro, com Rui Cerqueira a assegurar esse campo, estando prevista uma maior cobertura de diversas modalidades desportivas do FC Porto.

“É um canal generalista, sendo que tem uma missão específica a nível desportivo. O FC Porto quer aproveitar uma estrutura existente para dar à região Porto e Norte do país uma voz, que [hoje] é diminuta. E é uma oportunidade para a região”, declarou Domingos de Andrade. Podem ler o texto restante aqui


Como é legível, Domingos de Andrade, embora sem usar a palavra "regional, ou regionalista", falou simultaneamente em "canal  generalista", e em "dar à região Porto e Norte uma voz, que (hoje) é diminuta". Não me interpretem mal, até porque, como acima disse, só depois de Janeiro  poderemos ficar com uma ideia precisa sobre o rumo que o canal pretende seguir, mas no contexto da realidade nortenha actual, a expressão "generalista" assusta-me um bocadinho. Se por generalista entendermos uma televisão de conteúdos diversificados, com informação de carácter regional e nacional, com programação diferente mas de qualidade, avessa ao lixo do que se produz em Lisboa , de desporto, claro, mas com um cunho acentuado de rigor e [por que não] com alguma originalidade, então, não haverá razões para alarmes. Agora, se "generalista" significar mais do mesmo, e com a mesma gente, aquela que o país profundo conhece de gingeira, mesmo sem querer, então sim, teremos entornado o caldo e a decepção estará instalada. 

Será justo reconhecer, que a anterior direcção, apesar de ter pertencido a um espanhol [Juan Figueiroa], e de não dispor de grandes recursos técnicos e financeiros, conseguiu fazer um trabalho notável, quer em termos de descentralização, quer de programação, coisa que a nado-morta NTV, com portuguesinhos, nunca logrou fazer... Há programas que vêm da anterior Direcção que devem ser mantidos, e vamos acreditar que será  isso que irá ser feito. Mas, outros há, como o "À conversa com Ricardo Couto" [e isto não tem nada a ver com o apresentador], que não podem continuar, pelo menos nos moldes do actual figurino, onde os entrevistados nada trazem de novo, porque são figuras por demais conhecidas do grande público, que nada acrescentam de verdadeiramente relevante à programação e ao público nortenho. 

É claro que o que atrás escrevi presta-se a muitas as especulações. Maldosas... O meu discurso perturba alguns, eu sei. Na óptica subserviente de alguma gentinha de cá, e de lá [de Lisboa], co-responsável pelos progressivos  abusos dos governos centralistas, e pela infame discriminação  lançada à própria região, o que eu quero propor para o Porto Canal, é coisa de "provinciano", ou de quem quer criar uma guerra norte/sul, e coisas do género. Eles sabem bem que o "filme" é ao contrário, mas como cínicos que são, fazem de conta que não percebem que nos estão a maltratar e a chular, como proxenetas.

Muita dessa gente, são políticos e figuras do Norte, certos empresários e jornalistas, que em vez de se unirem, de reclamarem tratamento igual para o Norte, de se submeteram, sem resistência, ao centralismo, adoptaram para si os "valores" e os preconceitos da capital, e censuram quem não lhes segue o passo.

Isto não se trata de ficção, é assim mesmo. Direcções de jornais do norte em Lisboa [Público], edições Norte/Sul no Jornal de Notícias, estações de rádio locais desactivadas, sedes de bancos levadas para a capital , companhias de seguros, instituições públicas, verbas do QREN desviadas para Lisboa, enfim,  nada disto tira o sono àqueles que a esta hora estão a chamar-me radical, ou coisa parecida, apenas porque reclamo o tempo, o espaço e a liberdade que nos são devidos.

Regressando ao tema Porto Canal, o que ambiciono para a região, é uma televisão gerida por Homens determinados, que se saibam soltar das amarras do centralismo e se dediquem ao Norte [não só ao Porto] e às suas gentes, a tempo inteiro. Que sobre política, procurem colher impressões de novos protagonistas, e que esqueçam aqueles que andam há anos a cirandar nos canais da capital, incapazes de promover a ruptura com a escloresada política centralista e de apresentarem novos caminhos para governar a sério o país. Se é para imitar o que se faz em Lisboa, não vale a pena, nós não precisamos.

O Norte será tanto mais forte quanto mais cedo se livrar da influência nefasta centralista, e não é chamando ao Porto Canal pessoas que corroboraram e foram cumplíces do regime que o conseguiremos. Lá mais para diante, daqui a uns anos, quando a região e o país estabilizarem, então abram devagar, e com cautela, as portas do canal à capital, e ao Sul, porque até hoje, de lá para cá, as portas sempre estiveram fechadas. Além disso, o masoquismo pode até ser uma expressão de prazer, mas não deixa de ser um prazer humilhante...

PS-Este post foi enviado, hoje mesmo, para o FCPorto e Porto Canal

22 outubro, 2011

Hélder Pacheco e a Porto Canal [no JN]



Pinto da Costa na Porto Canal
Lamento que o JN tenha indisponível on-line as extraordinárias crónicas do professor Hélder Pacheco, porque, a par de Germano Silva, é dos poucos portuenses que ainda preservam intacta a fidelização às origens, e que escrevem, sem aqueles rodeios hoje muito em voga na comunidade portuense.  Gosto de gente assim, é nelas que me revejo e gostaria que se revissem todos os meus conterrâneos, independentemente do seu estatuto social. E lamento também por não poder publicar o  artigo de hoje, porque nele reli muito do que eu próprio já tenho escrito no Renovar o Porto, o que - perdoe-se-me a imodéstia -, me deixa orgulhoso, e muito confortável no meu sentido crítico. Talvez amanhã possa publicar o referido artigo.

Adianto contudo, a quem não teve ensejo de o ler, que a crónica gira à volta do massacre a que as televisões nos têm  submetido com a crise, talvez para nos ensandecer, e da dificuldade que temos em sair desse autêntico sufoco, sem ter de desligar o aparelho. A alternativa é, diz HPacheco: o Porto Canal.

Hélder Pacheco, aponta como referências, exactamente os mesmos programas que já aqui aconselhei a manter pela nova administração da Porto Canal. Parece que combinámos o tema, mas infelizmente nem sequer nos conhecemos pessoalmente.

Mas, o que realmente queria destacar prende-se com o receio de que, o bom senso não impere, e que a nova direcção do Porto Canal acabe com o que de bom se produzia antes, e enverede por aquele tipo de programação popularucha e imbecilizante para concorrer com os canais centralistas. Que cometa o erro de convidar para seus colaboradores pessoas de competência e idoneidade duvidosa, que nos momentos difíceis que a cidade [e o FCPorto] atravessou, nunca deram a cara para a defender, colando-se, por omissão ou puro oportunismo, às directrizes centralistas. No dia em que isso acontecer, será o princípio do fim do Porto Canal, não tenho a menor dúvida. Digo isto, porque apesar do FCPorto não ter traçado ainda toda a programação, vislumbrei sinais dessa inexplicável tentação num programa que, começava a dar mais protagonismo a figuras públicas de Lisboa, do que às do Norte e do Porto. O maior sinal de provincianismo, será esse, de querermos agradar a Lisboa como se tivéssemos que nos redimir de algum crime. Crime sim, cometeram todos os que nos [des]governaram quando decidiram desrespeitar constitucionalmente a implantação da Regionalização no país .  

O caminho a seguir pela Porto Canal, e o único que lhe poderá garantir o sucesso, é preencher o muito espaço ainda vazio, com conteúdos vários, sempre assentes na qualidade e nos interesses da região, sem esquecer nunca a vocação regionalista.

Resumindo: mesmo tratando-se de um canal propriedade de um clube de futebol [FCPorto], a Porto Canal tudo deverá fazer para não ser acusada de portocentrismo, como alguns idiotas centralistas gostam de dizer, mas sem qualquer seriedade.

31 agosto, 2011

O serviço "público" da RTP...

Isto, alguma vez foi serviço público?
Podia falar-vos do coração partido de Rui Rio pelo  tratamento discriminatório ao Norte, agora com os passes sociais, ou da audição que os deputados tencionam fazer ao antigo director do SIED [Serviço de Informações Estratégicas e Defesa], mas como já todos sabemos no que isto vai dar, poupo-vos a mais uma mesmíce e passo. Porque é na informação, na sua qualidade e seriedade, que assenta a raiz de grande parte dos nossos problemas, prefiro abordar esta temática.

Há quem esteja preocupado com a anunciada privatização de um dos canais da RTP, e estoicamente se esforce por  justificá-la, com a inexorável "perda" do esmerado serviço público que nos tem sido prestado, se tal vier a acontecer.  Pois eu, não estou nada preocupado. Bem pelo contrário. Até acho que a RTP devia ser toda privatizada. Talvez até seja essa a melhor forma de acabar com muitos anos de proxenetismo* e sectarismo jornalístico, contra o próprio público. Porque, se há coisa que me indigna e faz trepar pelas paredes, é o trabalho sujo e sectário que anda a ser desenvolvido há demasiado tempo, por directores e jornalistas da RTP contra os interesses do Norte [e do próprio país], a todos os níveis. Não serei eu, pois, quem se comoverá, se muita desta gente desqualificada ficar sem emprego. Terão apenas um pouco daquilo que merecem!

É preciso descaramento para invocar o serviço público como argumento, quando ninguém ajuizado é capaz de vislumbrar diferenças profundas entre o que faz a RTP e o que faz a SIC ou a TVI. Tem dias que até os noticiários são exactamente iguais na forma e no tempo, e quanto à programação, são cópias uns dos outros. Não será pois o canal 1 da RTP que poderá vangloriar-se de prestar serviço público. Se algum canal da RTP tem de continuar a servir o Estado, então o Governo só poderá eleger o canal 2, nenhum outro. E, se quiser economizar como anda a apregoar, que acabe imediatamente com programas como o Trio de Ataque e com a colaboração sectária de determinadas figuras que só têm contribuído para denegrir a imagem do próprio Estado.

No que respeita às estações privadas, estamos conversados. O estatuto de privado, em vez de refinar a qualidade, serve-lhes de pára-quedas à irresponsabilidade, por isso, nada de dignificante daí poderemos expectar. Em contra-ponto, é uma oportunidade de oiro para o Porto Canal marcar a diferença, que, obviamente, só pode ser para melhor. Que a saibam agarrar, de uma vez por todas!

Pode fazer a diferença
* O Estado vai pagar em 2012 à RTP [do Estado] 225 milhões de euros de dívida. Se isto não é proxenetismo, o que é?

25 agosto, 2011

Os Grupos de Trabalho para a TV

Segundo os jornais, parece estar em marcha um estudo para avaliar o serviço público dos órgãos de comunicação social do Estado. Para o efeito, foi criado um novo Grupo de Trabalho que terá a tarefa de apreciar o que se faz noutros países nessa matéria. Essa equipa, será liderada por João Duque*, e contará com a colaboração de: Ribeiro Cristóvão, E. Cintra Torres, Felisbela Lopes, F. Sarsfield Cabral, João do Amaral, José Manuel Fernandes, Manuel J. Damásio, M. Villaverde Cabral e Manuela Franco.

Cito estes nomes, porque quase todos eles são gente ligada ao jornalismo, conhecida pela maioria das pessoas, sobre as quais seguramente alguns de nós já teremos a nossa opinião formada, enquanto profissionais. Este grupo, terá assim dois mêses para tirar conclusões e apresentar o respectivo relatório ao Governo.

A curiosidade desta notícia, consiste no facto de não o ser. Ou seja, obriga-nos a pensar se valerá a pena avançar com ela. Isto, porque no passado recente [em 2002], outros Grupos de Trabalho foram criados para o mesmo fim e com alguns dos actuais elementos, sem grandes resultados. Podemos dizer, sem exagero, que daí para cá, o serviço público de televisão piorou. E muito. Até porque, Miguel Sousa Tavares, um dos analistas do Grupo de 2002, assegura que o trabalho sobre serviço público já foi feito, apenas não foi levado a sério pelo Governo de então... Então, para quê repetir a receita se o "cozinheiro" Governo não a garantir? Estarão desta vez asseguradas as responsabilidades governativas, se as conclusões do estudo não forem colocadas em prática, como em 2002? E se estiverem, quais são? Teremos alguma vez conhecimento delas?

Espanta-me [ou se calhar, nem por isso], que tratando-se de uma discussão de interesse público, que neste Grupo de Trabalho não conste um, ou mais cidadãos, desvínculados do jornalismo, o que, desde logo, abona muito pouco em favor da seriedade do objectivo, e lhe compromete o sucesso. Como diz o outro, as ovelhas não se tosquiam a si mesmas...Isto, já para não falar da credibildade de alguns membros da equipa, para não dizer mesmo, de todos eles.

Até hoje, não me parece ter ouvido uma única palavra crítica da parte de qualquer destes jornalistas em relação à qualidade do serviço público, de determinados programas desportivos, da RTP e RTPN [e também dos dois canais privados], que mais parecem autênticos silos de pólvora, de sectarismo e provocação apontados manifestamente ao FCPorto e aos seus adeptos.

Se estas pessoas fossem verdadeiramente idóneas, já há muito se teriam demarcado destes critérios "jornalísticos", não só para os rejeitar, como para condenar os colegas que os seguem,  desonrando-lhes o nome, e o da própria classe. Não o tendo feito, é porque corroboram com essas práticas.

Está pois, bem à vista de todos, aquilo que podemos esperar deste Grupo de Trabalho:  zero!

*João Duque é economista e líder desta equipa. Não é jornalista, mas tal como Villaverde Cabral, está bem relacionado no meio...

29 julho, 2011

TELEVISÃO-FCPorto assume Porto Canal esta segunda-feira

O FCorto assume esta 2ª.feira a gestão e a Direcção do Porto Canal. Já no dia 1 de Agosto entram em grelha os novos conteúdos na área do desporto e, para marcar o 1º.dia, está reservada uma surpresa para o período de horário nobre, diz o canal nortenho em comunicado.

O desporto passa a ter uma representatividade reforçada na emissão, havendo blocos informativos e programas especializados. Para a segunda quinzena de Setembro está agendado o reforço da informação geral. Estas são as novidades imediatas no Porto Canal, estando a ser trabalhadas alterações mais profundas para o início de 2012. A televisão mantém as características base de canal generalista, tendo como linha condutora ser um canal de televisão da Região Porto e Norte de Portugal para o resto do país.

Domingos Andrade, até agora director adjunto da Agência Lusa e ex-chefe de Redacção do JN é o Director de Informação e de Programação dos conteúdos não desportivos, ficando a área do desporto sob a Direcção de Rui Cerqueira, ex-jornalista da RTP e actual Director de Comunicação do FCPorto. 

Obs.RoP
Que seja um "casamento" feliz, porque não é um casamento qualquer...

01 julho, 2011

F.C Porto assume gestão do Porto Canal em Agosto

Adiou-se por um mês. O F.C Porto começa dia 1 de Agosto a tomar conta da grelha do Porto Canal. Numa primeira fase, está prevista a inclusão de espaços informativos acerca das actividades desportivas.

Só em Janeiro se apresentará uma antena completamente renovada e também se reserva para essa altura um contributo regular ou pontual em antena, ainda a definir, de Jorge Nuno Pinto da Costa, presidente do F.C. Porto.

O clube adquiriu a parte detida pela Media Luso (97%), pertencente ao grupo espanhol Mediapro, mediante um acordo que prevê uma aquisição completa de capital em três anos e o compromisso de fornecimento de programas durante quatro anos, cujo tecto mínimo é de 60%.

"O compromisso é o da qualidade e não o da rapidez", justifica fonte ligada ao processo. Durante Agosto, será visível a pincelada azul e branca transversal a alguns programas focados no clube, ainda que a ideia seja sempre adaptar esse grafismo ao existente, para que não destoe.

Um ponto forte será a transmissão desde o estúdio criado no estádio do Dragão. Garante-se ainda o manutenção do carácter generalista da estação e a cobertura da região Norte, como tem sido estratégico.

A direcção do canal foi confiada a Rui Cerqueira, director de comunicação do clube. Nos próximos dias, será fechada a contratação do director de Informação.

[Dina Margato/JN]

12 maio, 2011

Jornal de Notícias mais amigo do Porto? Ou, um bluff?

Manuel Taveres e Joaquim Oliveira
O futuro director do Jornal de Notícias, Manuel Tavares, disse, esta quarta-feira, que quer consolidar o diário como "marca popular e de qualidade", apostando numa "relação de proximidade" com a população do norte do país.

No dia em que o Conselho de Redacção do JN deu parecer favorável à nomeação do ainda director d'O Jogo para assumir a direcção do título da Controlinveste, Manuel Tavares explicou à Lusa que quer atrair as pessoas que "deixaram de comprar ou que nunca compraram um jornal diário em papel" para que o comprem agora "por verem nele reflectidos os problemas da sua rua, da sua cidade, da sua região".

O Conselho de Redacção do jornal deu parecer favorável por maioria, com uma abstenção, depois de ter ouvido o director cessante, José Leite Pereira, e o nomeado pela administração.

O texto, ao qual a Lusa teve acesso, indica que foram obtidas garantias de que o programa do futuro director, assente na lógica de "jornal popular de qualidade e de proximidade", "não representa uma deriva tabloidizante" nem a "descaracterização" da publicação.

O Conselho de Redacção do jornal encara o programa apresentado como "um esforço de valorização do capital de ligação do JN aos problemas e anseios das populações, especialmente da sua área geográfica de maior influência".

"Eu acho que não há jornais nacionais, isso é uma ficção", afirma Manuel Tavares, que acrescenta não querer dar detalhes sobre projectos e ideias concretas por ainda não ter a equipa da direcção formada e por ainda não ter tomado posse, evento sem data marcada.
[JN]


Nota RoP
Não estou muito optimista [que querem, estou farto de falsas promessas], quanto a grandes mudanças no rumo editorial do jornal. As garantias, e o parecer favorável do Conselho de Redação do jornal, podem querer significar, "se prometeres portar-te bem, damos o nosso aval à tua nomeação" ...   

Esta frase presta-se igualmente a várias interpretações: "não representa uma deriva tabloidizante" nem a "descaracterização" da publicação. Pergunta-se: então o que é que vai mudar? Mais notícias regionais sobre o assalto à gasolineira do burgo, ou uma efectiva assunção de proximidade em termos sócio-políticos? Que a edição Sul é para terminar? Que o JN vai funcionar como contra-balança à imprensa centralista?

Vamos ver. Gostaria muito que o meu "pessimismo" fosse contrariado por um alinhamento editorial mais regionalista. De mansinho...  

08 abril, 2011

Será capaz o futuro Porto Canal de fazer a diferença?


É já do conhecimento público que o Director da TVI Porto, Júlio Magalhães, foi sondado pelo FCPorto para incorporar o futuro projecto do Porto Canal na qualidade de Director. É certo, que esta foi apenas uma primeira abordagem no sentido de auscultar a disponibilidade do jornalista. Mas, independentemente da decisão final, parece uma excelente escolha. Júlio Magalhães, disse hoje ao semanário Grande Porto estar aberto a conversações, desde que o convite envolvesse  um bom projecto...

Além de se ter mostrado satisfeito com a ideia, pelo facto de  o projecto contemplar a criação de um canal quase generalista a nível de informação geral, JM enfatizou [e bem] a questão orçamental bem como os custos elevados que este tipo de projectos comporta, para terem viabilidade. Até aqui, tudo bem. Agora, a única parte destas declarações que me deixa com a pulga atrás da orelha, é não ter bem a certeza do que é que Júlio Magalhães entende por um bom projecto. É aqui que entronca um problema comum a um grande número de jornalistas, isto é, descobrir o que estão dispostos a fazer sem correrem o risco de servirem o público alvo com um prato requentado em lugar de um prato novo... Passo a explicar.

Um bom projecto, na óptica de um jornalista, pode cingir-se à ganância das audiências a qualquer preço, como sucede nas televisões centralistas, o que nem sempre reflecte qualidade e  diversidade. Em Portugal, os canais generalistas,  não sabem inovar, limitam-se a concorrer entre si, copiando-se reciprocamente... É muito comum, estações diferentes, transmitirem ao mesmo tempo as mesmas notícias, e mesmo a programação só difere [ou nem isso] nos figurantes e nos adereços . Ora, sem pretender ser mais papista que o papa, não era este tipo de televisão que pessoalmente gostava de ver implantado no Porto Canal. O Porto e o Norte, carecem de mais e melhor. Não podem, nem devem, cometer o erro de copiar a medíocridade do que já se produz. Tendo em conta a importância  das audiências, convirá não cairmos no "clássico" mais do mesmo. Importa aqui relembrar, o triste fim da NTV que por ter sido lançada no mercado deficientemente estruturada, acabou sugada pelas goelas gananciosas da RTP centralista.

Em primeira análise, o lado mais interessante da iniciativa, é o facto de não pretender confinar o novo Canal à área metropolitana do Porto, embora, como pioneira do projecto que é, lhe seja dedicado mais amplo destaque. O que importa, é que cubra todo o Norte do país, do litoral ao interior, o mais abrangente possível, de modo a tornar-se em pouco tempo, a voz e os olhos, de todos os nortenhos. No fundo, trata-se de fazer aquilo que nenhum dos canais generalistas existentes fez até hoje. O  mercado do Porto Canal será esse, só pode ser esse, e não aquele outro, falido e subserviente, que prometia janelas viradas para "mundos" cujos destinos já todos sabemos onde iam parar: a Lisboa... 

Esperemos então, que Júlio Magalhães traga ideias novas, e tenha pensado no assunto com a especificidade e atenção que o Porto e o Norte em geral, merecem e precisam.

25 março, 2011

A Democracia e o jornalismo desportivo

Falta precisamente hoje um mês, para que o histórico dia 25 de Abril cumpra 37 anos, data em que Portugal comemora a conquista da Liberdade e a implantação da Democracia. Desde então, o país foi incapaz de se livrar do torpor desse momento de fantástica alegria, sem nunca ter verdadeiramente conseguido a clarividência necessária para se reorganizar e adaptar a uma nova realidade.

À libertação da ditadura, sucederam-se compreensíveis reivindicações, alguma anarquia,  imensas greves, com umas tantas fugas do país de gente que, por boas e más razões, receou pela sua segurança e pelo seu futuro.  Se quisermos ser honestos com a história, teremos de reconhecer que nunca chegamos a provar o doce sabor da estabilidade económica e da prosperidade social. Portugal viveu sempre amarrado a crises. A única diferença, é que a crise actual, é de longe a pior que se viveu desde esse tempo a esta parte. Infelizmente para nós, não temos para recordar bons e saudosos tempos, em termos genéricos. Só os banqueiros, os políticos e meia dúzia de grandes empresários podem dizer o contrário, o que não é o mesmo que dizer a verdade. Resumindo: nunca nos soubemos governar, enquanto país. E o raciocínio dedutivo a fazer desta realidade é uma enorme mancha de incompetência e vergonha para toda a classe política. Se lhe acrescentarmos o sucesso económico que contra a corrente desta lógica muitos desses políticos entretanto alcançaram, podemos afirmar - sem receio de sermos injustos - , que estes cavalheiros passaram o tempo a cuspir para a Democracia, que é como quem diz, para o Povo.

Por estas razões, considero que a minha relutância em engajar-me em qualquer dos partidos políticos existentes foi uma decisão sensata e acertada. Se o tivesse feito teria perdido o meu tempo e acumulado desgostos. Não tenho dúvidas. A não ser que me deixasse encantar, como a grande maioria deles, pelo comodismo característico dos funcionários públicos. Os nossos políticos, no governo ou na oposição, nunca foram capazes de ultrapassar esse nível comportamental. Por isso, andamos hoje a estender a mão à Europa sem grandes expectativas em relação ao futuro.  

Mas alguma coisa sobrou de positivo deste tsunami pós 25 de Abril :  a Liberdade. Não confundamos as coisas, falar de Liberdade, não é falar de Democracia, embora muita gente ainda fale desta como um dado adquirido. Os jornalistas então, são quem mais parece venerá-la. Pura ilusão. Eles não a veneram, usam-na e estendem-na, consoante as [suas] conveniências. Usam-na sobretudo para consumo próprio, num ininterrupto teste de resistência, quando em causa  está algo susceptível de fazer vender os jornais do patrão, mas temem-na e desconfiam dela quando se trata da sua própria sobrevivência. Eles, melhor que ninguém, sabem que a Democracia é um embuste, mas pactuam com ele, por uma questão de sobrevivência. Falta-lhes coragem para dar o passo seguinte.

O jornalismo desportivo é talvez o sector onde a liberdade de opinião é mais submissa com o patronato. É o patrão e os lobbies quem ditam o que deve ser dito ou escrito. Há na imprensa desportiva, como na televisão e na rádio, profissionais que não hesitam em submeter as suas ideias à ditadura das linhas editoriais, mesmo que discordando delas. Os jornais desportivos são o espelho do que de pior se tem feito em Portugal em termos de informação. O fanatismo está patente nas suas capas e a democracia informativa pura e simplesmente não existe. Há três jornais desportivos, dois deles de Lisboa, e um sediado no Porto com duas edições [Norte e Sul].  Todos eles, sem excepção, se conduzem pela mesma cartilha: o Benfica é o guia espiritual. Os outros clubes, mesmo com melhores performances desportivas, são remetidos para o quase anonimato e quando são falados [sobretudo o FC Porto], é sempre pelas piores razões. E todos eles pactuam com este genuíno atentado aos valores da Democracia. Em nome das vendas e do todo poderoso Benfica...

Os jornalistas simpatizantes do FC Porto sabem-no, e prestam-se a este trabalho de prostituta. Dizem que têm filhos para criar e que a vida está difícil, etc... Como prostitutas, vendem a alma ao patrão. Como podem eles ser levados a sério? Como querem ser respeitados? Então, que se assumam como prostitutos da informação e terão direito ao respeito proporcional a quem se deixa prostituir. Se a ideia de honra chegou a tão baixos padrões, estarão porventura eles também disponíveis para verem prostituir-se os próprios filhos? 

Haja paciência. A vida está má para todos. A justificação de ter de a ganhar, não pode explicar tudo. Urge repudiar o trabalho sectário, a mentira, o insulto, a conspiração, e a injustiça mesmo que o patrão ameace com o despedimento. Isso fará toda a diferença, entre o lacaio e o Homem.

E quando falarem sobre Democracia, seria bom que se lembrassem do contributo que estão a dar para a sua degeneração. Cobardemente.

24 março, 2011

Provedor do telespectador demite-se



Paquete de Oliveira anunciou esta quarta-feira a sua demissão do cargo de provedor do telespectador. Um mês antes, já tinha avançado a sua decisão ao presidente da RTP.



Nota de RoP

Aceitam-se novas candidaturas!

Perfil do candidato:
  • Saber ler e escrever
  • Ter aspecto de pessoa séria
  • Fazer de conta que regula e não regular nada
  • Não responder a perguntas embaraçosas para a RTP
Oferece-se:
  • Salário compatível com a idoneidade

02 fevereiro, 2011

Porto Canal, ou ponto final?

Caso os nossos desacreditados governantes tivessem sido fiéis aos seus compromissos eleitorais e houvessem respeitado,  como era seu dever, a Constituição da República, em vez de a tratarem consoante os  interesses partidários, talvez hoje não fizesse sentido falar de Regionalização, apesar de ela lá constar [Cap.IV,Artº256/76]. Ano após ano, foram-nos fazendo falsas promessas de descentralização, enquanto de facto, hiper-concentravam os Poderes na capital, com os resultados que hoje se conhecem. Um país praticamente reduzido à área da Grande Lisboa e mesmo assim, mal governado. Não podiam ter feito pior, pois ao contrário do que agouravam os anti-regionalistas, é o centralismo com as suas idiossincrasias que está a bulir gravemente com a  coesão nacional.

Nos poucos fóruns onde se debate a Regionalização encontram-se comentários que espelham bem uma "nova" mentalidade decorrente do efeito perverso do centralismo: uma, talvez a mais usada, é a ideia da proliferação dos caciquismos, a outra, é o portocentrismo. Confundir o centralismo, que é antes de tudo político e, por efeito também económico, com a legitimidade de cidades ou regiões exaltarem a sua afirmação económica resultante da sua própria dinâmica e de tradições sócio culturais, é como desconfiar da origem portuense das tripas à moda do Porto, da bracarense Bacalhau à Narcisa, ou da alentejana Açorda com o mesmo nome. Gente há, que amiúde aborda a Regionalização com este bairrismo artificial imbuído de visíveis influências centralistas, cuja principal característica, como é sabido, consiste precisamente em dividir o que devia manter-se unido...

É por estas razões que vejo com alguma preocupação as declarações do Director da Porto Canal ao JN que admite mudar o nome da estação [para Canal do Norte]. A ideia de expansão para outras regiões do Norte bem como a abertura de novas sedes [já tem sete], é de louvar, mas o passado recente diz-nos que estas iniciativas acabam sempre por servir de pretexto para a inversão do projecto inicial. Tivemos a miserável experiência com a NTV que também propunha transformar-se na voz que faltava ao Norte, e que pouco depois se "deixou" absorver pela RTP [N], que só manteve o ene de Norte numa primeira fase para não levantar suspeitas. Pouco mais tarde, transformou o N de Norte em N de Notícias e por último num estranho ene de, parte do mundo, parte de si ... Dir-se-ia que as estratégias comerciais das televisões não dispensam tratar os consumidores como um monte de loiras muito burras [sem ofensa para as loiras], o que, convenhamos, não abona muito à dignidade dos nortenhos. 

Sendo certo que o conteúdo é mais importante que o invólucro, então não se entende este crónico complexo centralista, diria mesmo, medo, por tudo o que esteja colado ao nome Porto a pretexto de uma qualquer alteração estratégica. Pela mesma razão, não chocaria nada aos nortenhos a sigla RTP, SIC ou TVI, caso estas estações de tv tivessem primado por uma política de informação e programação descentralizada.

Então, para quê mudar agora o nome da Porto Canal se o objectivo é, como parece, descentralizar? Então, porque não se lembraram desse terrível "anti-corpo" estratégico quando abriram as portas? A Porto Canal está a crescer, o que é animador, mas crescerá mais e melhor, se não se esquecer do sítio e das razões porque nasceu, caso contrário, arrisca-se a ser mais um canal, igual aos que já existem sem sequer ter tempo para a engorda que tornou os outros arrogantemente centralistas.

Nota:
Este post foi enviado nesta mesma data, por e-mail,  à Direcção da Porto Canal


21 setembro, 2010

Frustrante Liberdade

Não foi hoje que me dei conta da quase inutilidade da liberdade de expressão [ainda]  permitida a países como o nosso, onde a democracia foi deficientemente assimilada e pior  explicada.  Com os inqualificados professores que tivemos e temos [os dirigentes políticos], era inevitável,só podíamos ter maus alunos.

A blogosfera e as redes sociais trouxeram aos cidadãos um considerável progresso ao nível da autonomia e da liberdade de opinião, mas ainda estão longe de ter o impacto público dos media tradicionais. Com o desemprego a crescer, haverá seguramente um grande retrocesso nessa romântica Liberdade...

A Liberdade de cidadania numa democracia evoluída não pode limitar-se a um exercício platónico de voyerismo estéril  sobre os abusos ou as asneiras dos Poderes, deve ser interactiva e consequente. Os Poderes não simpatizam com a ideia de se deixarem controlar pelos cidadãos e preferem deixar tudo como está, fingindo que assim é que está bem. 

A comunicação social está cada vez mais clonizada e a liberdade dos jornalistas obedece a normas semelhantes às de um Big Brother corporativo cujos limites conhecem bem e raramente ousam ultrapassar, mesmo contra a sua própria consciência. No jornalismo - e não falo só do desportivo que é o mais desonesto -, há uma espécie de doença endémica instalada, da qual parece não se quererem curar. Dão-se bem assim, intelectualmente amarrados aos seus critérios, às suas influências e intromissões. Sentem-se confortáveis, quase em completa imunidade, sentem-se, enfim, como o 4º Poder...

Deste modo, dificilmente podemos esperar o empenho dos media pela descoberta da(s) verdade(s), na objectividade dos assuntos, porque isso para eles pode constituir uma ameaça aos seus privilégios. Há até quem suspeite que os media vêem igualmente na Blogosfera uma ameaça e não lhes agrada a sua expansão ou influência. A união dos bloggers é pois um perigo latente para os Governos e empresas mas ainda está longe de se constituir num 5º Poder, porque enquanto a pobreza alastrar e os povos tiverem fome não será possível substituir o pão pela Net.  

13 agosto, 2009

Porto Canal, que futuro?

O JN de ontem informava de forma discreta o abandono da direcção do Porto Canal, de Bruno Carvalho, para assumir funções destacadas na Direcção da Media Luso, empresa accionista maioritária do grupo espanhol Media Pro.
A evolução do Porto Canal continua a ser expectante. Fica-se com a ideia de que se trata de mais um projecto sem bases sólidas e com ambições pouco definidas a nível regional. Sabendo-se que Bruno Carvalho é benfiquista e das incongruências provocadas pela clubite na actividade política e social do país, não vislumbro grande futuro para a estação da Senhora da Hora.
Diz também o jornal que o antigo director será susbstituído por Juan Figueroa, um espanhol que, pelo que é noticiado, e pelo que percebi, ficará sob a dependência da Direcção e Grandes Formatos da Media Luso que é como atrás foi dito, uma empresa accionista maioritária do grupo para a qual Bruno Carvalho foi agora nomeado director.
Posso enganar-me, mas palpita-me que vamos ter, a curto prazo, um Porto Canal menos portuense, e menos regional. Há até alguns programas que já começam a cheirar a sul...
ps. Bruno Carvalho, recente candidato derrotado à presidência do SLB, vai desempenhar o novo cargo onde os «portuenses de gema» mais ambicionam chegar: a Lisboa...

12 maio, 2009

Pólo Media: Centro do Porto junta órgãos de comunicação portugueses

Não sei se devamos rir ou chorar. Em Portugal, é conveniente e saudável, sempre que se anuncia uma notícia interessante para a autonomia das populações, reservarmos uma considerável distância de segurança, caso contrário, a decepção será certa.
Caso, esta informação comporte o factor liberdade em termos directivos e informativos, e não fôr mais uma muleta camuflada do centralismo para caçar mais uns votinhos, então pode ser uma boa nova. Aguardemos [sentados]. Todos os orgãos de informação mencionados (Público, Agência Lusa, Rádio Nova, não passam da voz do dono...). Quanto ao canal de televisão, a notícia não adianta nada. Talvez o Porto Canal...