25 outubro, 2009

Espelhos de uma imprensa livre e democrática...




Capas das edições do Jornal de Notícias de hoje
da esquerda para a direita: edição Norte, edição PAÍS (Lisboa) e edição Porto.

Será que aqueles que trabalham ou colaboram para este jornal têm a noção do ridículo em que caiem sempre que escrevem, com suposto sentido crítico, que "Portugal é Lisboa e o resto paisagem"? O que é que eles estão a fazer, senão a corporizar implicitamente essa realidade com estes critérios editoriais?
OBS. - Senhores jornalistas e putativos candidatos: nada têm a recear sobre os vossos postos de trabalho. Não é denunciando como denuncio as aberrações cívicas dos vossos chefes e patrões que vos posso roubar o emprego. Além disso, falta-me o vosso talento e, principalmente, a vossa insuspeita integridade.

7 comentários:

Anónimo disse...

O jornal de notícias; é um jornal
neste momento, escrito do Sul para
o Norte.

Manda quem pode.Obedece quem precisa.

O Eça de Queiroz, tinha razão nessa
altura.
Hoje se resssuscita-se, volta a morrer com vergonha!... de estar tudo na mesma.

O PORTO È GRANDE VIVA O PORTO.

Juan disse...

A BEM DA NAÇÃO.

PGS disse...

A proposito do genial Eça não resisto a deixar aqui uma sua Farpa sobre o jornalismo português, em particular, o lisboeta...

As Farpas: Chronica Mensal da Politica, das Letras e dos Costumes

Outubro a Novembro de 1873


A imprensa de Lisboa não tem opinião. Aquelles dos seus membros que por excepção presentem as idéas proprias, vivas, originaes zumbindo-lhes importunamente no cerebro, enxotam-as como vespas venenosas. É que a missão do jornalismo portuguez não é ter idéas suas, é transmittir as idéas dos outros. Por tal razão em Lisboa o homem que pensa não é nunca o homem que escreve. O jornalista nunca se concentra, nunca se recolhe com o seu problema para o meditar, para o estudar, para o resolver. Nunca procura a verdade. Procura apenas a solução achada pelo publico, pelo publico d'elle, pelo seu partido politico, pelos consocios do seu club, pelos seus amigos, pelos seus protectores, pelos seus assignantes. Portanto trabalha na rua, debaixo da arcada do Terreiro do Paço, nos corredores ou nas tribunas de S. Bento, no Chiado, no Martinho, no Gremio. Como trabalha? Trabalha d'este modo: informando-se;—é o termo technico. Uma vez informado, o jornalista considera-se instruido. Desde que tem a informação recebida tem o jornal feito. O que elle vos escreve hoje—notae-o bem—é o que vós lhes dissestes hontem. O jornal não é uma fonte de critica, de analyse, de investigação. O jornal é o barril de transporte das idéas em circulação, das soluções previamente recebidas e approvadas pelo consenso publico. O jornalista é o aguadeiro submisso e fiel da opinião. Não a dirige, não a corrige, não a modifica, não a tempera. O unico serviço que lhe faz é este: transporta-a dos centros publicos aos domicilios particulares. O publico é a nascente, é o veio, é o manancial; a imprensa periodica é simplesmente — o cano.

victor sousa disse...

Para mim chega. A partir de amanhã vou ler, os gratuitos. São de borla.
E sempre me poupa a esta m...

dragao vila pouca disse...

Pois é Rui, o seu é mais completo que o meu, mas eu nem sabia que tinha publicado, caso contrário já não fazia. Quanto ao facto de eu não saber, das afinal, três capas JN, é natural pois só leio o JN ao domingo e pelos anúncios.

Um abraço

Carvalho Guimarães disse...

O único Jornal que eu ainda leio é o Primeiro de janeiro.
Quanto ao JN podemos ver a coisa pelo lado mais interessante, que é o seguinte:Acho que já estão a prever a Independência do Norte e portanto, o Nacional deve ficar a ser só Lisboa, e talvez o Alentejo......

Rui Valente disse...

Não me recordo de ter observado, de Salazar a Caetano, de Soares a Cavaco, tanta cobardia instalada, tanto deserto de carácter.

A vergonha morreu, vivam os vigaristas da nova Europa!