09 novembro, 2009

Degradação de Estado e seus derivados

Devem-se ainda lembrar que durante uns dias ou semanas seguidas, fartei-me de "martelar" contra o atraso vergonhoso do Processo Casa Pia. Cheguei mesmo a pensar continuar a fazê-lo todos os dias, mas, como qualquer ser humano normal que preserva a manutenção da sanidade mental, tive de apontar as "baterias" para outros assuntos igualmente graves que ocorrem com mais assiduidade do que seria desejável num país respeitável.
Acontece, que esta interminável bandalheira vai minando a credibilidade de todos os agentes do Estado com responsabilidades directas na manutenção de escândalos em que estão envolvidos "grandes" figuras da vida pública como acontece agora com este Processo Face Oculta, e aconteceu há bem pouco tempo, com o BPN/BPP, Freeport e a Operação Furacão.
O povo, já não acredita, e com toda a razão, na Justiça, e sabe de antemão que nestes casos, onde constam os "tubarões" da sociedade e altos funcionários do Estado, os processos irão arrastar-se indefinidamente, até à absolvição final dos mais poderosos. Se for possível [e costuma ser...], lá prendem durante uns diazinhos ou uns mezitos, um qualquer Bibi ou preventiva faz-de-conta, enquanto os tubarões continuam a gozar a vida e a [in] justiça...
Não descortino, por tudo isto, qualquer razão honesta para avocar o respeito público por figuras como o Presidente da República, o 1º. Ministro, ou o Procurador Geral da República [só para falar nas mais relevantes]. Nâo sei porque razão teremos de sentir especial consideração por um Presidente da República que permitiu - independentemente dos seus poderes estatutários -, que um homem como Dias Loureiro permanecesse no exercício de um cargo com a dignidade de Conselheiro de Estado depois de saber do seu envolvimento num caso obscuro de criminalidade sem exercer, em tempo útil, a sua inflûencia para o convencer a demitir-se, mais que não fora para poupar o Conselho de Estado a uma exposição pouco condizente com a sua respeitabilidade.
Tenho na minha estante o Arquipélago de Gulag, de Alexandre Soljenitsine, que já li há umas dezenas de anos, e me ajudou a perceber as vulnerabilidades pouco edificantes do regime comunista, mas em contrapartida [ainda] não li qualquer volume de O Capital, de Karl Marx, para poder ter uma ideia mais profunda sobre o mesmo. Mas também não preciso, para chegar à conclusão de que o Capitalismo não é a solução para a Humanidade, que não pode nem deve confundir-se com Democracia, nem a Democracia como uma espécie de sacramento inviolável. Todos estes preconceitos mascarados de ideologia ou de filosofia de vida, únicos, devem ser substituídos por conceitos sólidos e justos para governar o Mundo.
O tempo da escravatura, à primeira abordagem, parece-nos distante porque já não vemos o amo com o chicote na mão a obrigar o escravo a trabalhar, mas dela ainda há muitos resquícios. A roupagem, os cenários, foram as poucas coisas que mudaram. Os empresários da sociedade moderna ainda gostam de ser tratados por patrões, e os licenciados pela sigla anterior ao nome,
que lhes confere a diferença estatutária sobre o outro. Nunca, ou muito raramente, nos lembramos de aprofundar a discussão destas normalidades porque, de algum modo, sempre pensamos um dia poder vir a beneficiar desse estatuto, mesmo que seja por interposta pessoa ou um familiar. Nós queremos a mudança sem percebermos que ela implica uma nova maneira de encarar a vida e os costumes.
Desculpem-me estas aborrecidas dissertações sem pretensões filosóficas, mas tal como as sociedades estão hoje organizadas, não vislumbro forma de acabar com o lamaçal em que se transformaram. Os líderes, são marginais ambiciosos e sem escrúpulos. A Justiça, tenta livrar-se deste lixo, mas acaba por se envolver e afundar com ele.
A violência, as revoluções, o sangue, a morte de muitos inocentes, advêm sempre da degradação dos impérios. E por aqui, os vestígios do imperialismo estão mais vivos do que parecem. A camuflagem disfarça-os, mas é fraca.

1 comentário:

dragao vila pouca disse...

Num comentário curto, um três em um: feche-se isto e reabra-se com outra gente.

Um abraço