19 setembro, 2017

Ninguém descobriu a pólvora no Universo Porto da Bancada, mas acrescentou outra...


Para memória futura e presente, e para que a ingratidão não bata a esta porta, com discursos de pedagogia barata, venho recordar certos  leitores do Renovar o Porto, que apesar de ser muito crítico quando acho que devo ser, não me deixo ficar pela crítica, proponho, apresento alternativas e até faço um desenho se preciso fôr.   

Desde que o FCPorto decidiu autorizar a divulgação do programa Universo Porto da Bancada, apresentado por Tiago Girão, no Porto Canal, nunca deixei de o ver e sempre me congratulei com a iniciativa, particularmente pela denúncia de casos com relações obscuras entre o Benfica, árbitros, e outras figuras ligadas ao futebol, protagonizada pelo director de Comunicação do FCPorto, Francisco J. Marques. Só lamentei os anos de atraso que se perderam para tomar essa decisão, porque não só nos custaram alguns campeonatos, como foram humilhantes para a massa adepta do FCPorto (para parte dela, pelo menos). Humilhantes, e revoltantes, senhor Pinto da Costa!

Por vezes, dizia para mim se era só eu que desconfiava do comportamento demasiado suspeito das arbitragens, tão permissiva e muda, que era (e ainda é, diga-se) a reacção do Presidente a todas as tropelias à verdade desportiva protagonizada por vários árbitros. Tive sempre muita dificuldade em acreditar que se tratasse de simples incompetência, como alguns ingénuos ainda pensam. Tinha de haver marosca, e pelos visto há. E da grande.

Por isso, e como acima referi, criticar construtivamente pode ser uma coisa muito boa. Se houver dúvidas, basta reler o que aqui escrevi em 01/02/2014, dando o meu contributo com os meus disparates politicamente incorrectos, para ser feito aquilo que faltava. 


01/02/14


O problema do PortoCanal, será o Porto ?

(De Rui Valente, http://renovaroporto.blogspot.ch/)
Porto Canal - Homepage
Espero um dia vir a mudar de opinião se a interrogação em título não chegar a confirmar-se, mas receio que o Porto e o Norte poucas vantagens cheguem a retirar por disporem de um canal de televisão. Quando digo vantagens, refiro-me naturalmente para a população e não tanto para ao lado económico e financeiro da empresa, ainda que esse seja também um aspecto importante. 

Apesar de bastante decepcionado com o rumo difuso e algo paradoxal que o Porto Canal parece estar a seguir, não cometerei a injustiça de afirmar que tudo o que até agora foi feito é mau. O que digo e repito, é que sou contra a política do engodo de entreter os espectadores com doses maciças de repetições de programas de entretenimento de gosto duvidoso sem haver o cuidado de os informar. 

Já tive oportunidade de elogiar alguns programas de qualidade, seja no âmbito generalista, seja na área do desporto/clube, embora sem nada de verdadeiramente original, diga-se. Joel Cleto e o seu "Caminhos da História", culturalmente falando, é o meu preferido. Segue-se o painel de debate político "Pólo Norte" e a um nível inferior, mas bem humorado, o "Pena Capital". No que concerne o FCPorto, há coisas interessantes, mas é flagrante a falta de um programa de debate sobre assuntos relacionados com o futebol, entre os quais um que denuncie as intermináveis deturpações e arbitrariedades veículadas pelas 3 estações centralistas e os seus múltiplos canais derivados.

Não me interpretem mal, não quero, nem nada que se pareça, uma réplica do lixo que se faz em Lisboa. Nem por sombras. O que gostaria  mesmo, é que o Porto Canal, realizasse um programa que demonstrasse ao país que o que se faz em Lisboa nessa matéria, é isso mesmo : lixo e fanatismo. Pelos vistos, não é essa a "estratégia" da direcção do Porto Canal, é outra, bem mais soft, que passa por ignorar, por permitir a proliferação do veneno difundido pela comunicação social centralista e deixar que ele se instale na opinião pública sem qualquer tipo de desmentido, talvez na vã esperança que o Portugal profundo compreenda o sentido de tamanha permissividade. Pura ilusão. Por mais que a direcção do Canal (e do FCPorto) procure ignorar as ofensivas centralistas, não se livram de deixar no ar - e na cabeça de muita gente - a ideia de que se cala, é porque consente, com a agravante de manter acesa a convicção que o Processo Apito Dourado até valeu a pena e que Pinto da Costa terá sido "mal" absolvido... Infelizmente, os portugueses ainda não atingiram um patamar de maturidade cívica suficientemente alto para não se deixarem influenciar pelo mau jornalismo. Se assim não fosse, o nosso país não seria seguramente um dos países mais atrasado da Europa, nem teria desperdiçado o 25 de Abril com governantes sem escrúpulos nem competência.

Mas o paradoxo desta "estratégia" vai mais mais além. O Porto Canal parece apostado em defender o Norte imitando Cristo, dando a outra face ao estalo depois de andar a ser esbofeteado todos estes anos de centralismo feroz. Continua a chamar a si, a escancarar as portas a gente da capital que se fartou de denegrir a imagem do FCPorto, do seu Presidente e da própria cidade (João Malheiro, António Sala, a "feiticeira" Maya, Carlos Barbosa e todo um rol imenso de gente insignificante que o Norte está cansado de conhecer por força da imposição monopolista do centralismo.

Já me perguntei o que terá levado a direcção do Porto Canal a pensar que estas pessoas fazem falta ao Norte, ou o que delas esperará para ajudar os nortenhos a livrarem-se da chaga neocolonialista lisboeta, a sua terra... Pensar que essa gente é alheia ao fenómeno centralista é passar um atestado de imbecilidade aos nortenhos e a si próprios. Aliás, pergunto: que pensará Pinto da Costa sobre este assunto? Será que ele sabe o rumo que o canal está a levar? Será que ele vê mesmo o Porto Canal e é cúmplice desta aberrante estratégia? Se vê, e gosta, então já não sei o que pensar e que explicação encontrar para tamanho fenómeno. A não ser que de repente um forte surto de sado-masoquismo tenha assolado a nossa região, e se calhar até eu fui contaminado, e ainda não dei por isso...

PS-Nem de propósito. No momento em que acabei de publicar este post, soube que, mais uma vez, o Norte foi prejudicado nos fundos do novo Quadro de Apoio, e que Lisboa, a região mais beneficiada do país, vai receber mais dinheiro. É assim. Eles perderam-nos o respeito. Agora, digam que Rui Moreira não tinha razão de desconfiar...  

18 setembro, 2017

Rio Ave 1 - FCPorto 2, o melhor foi o resultado


Dever cumprido

O meu receio, antes deste jogo, era saber se o estado anímico dos jogadores portistas estaria suficientemente recuperado da derrota em casa na Champions. Pouco tempo depois de começar o jogo de Vila do Conde, percebeu-se que não ia ser fácil a tarefa da equipa, tal era a confusão do futebol praticado.

Um dos aspectos que mais me entusiasmaram nos jogos da pré-época, e nos primeiros do campeonato, foi Sérgio Conceição ter-se decidido por habituar a equipa a pressionar alto (e bem), povoando a área da baliza adversária com vários jogadores aumentando assim as oportunidades de golo, o que era coisa complicada (e tardia) de acontecer, sobretudo nas 1ªs. partes, com NES. 

Só que, como sabemos, este tipo de jogo tem um inconveniente: exige dos jogadores um desgaste físico e uma concentração muito grandes quando há perda de bola, promovendo contra-ataques perigosos à equipa contrária. Compreende-se assim que Sérgio Conceição tenha corrigido posições, mantendo a equipa mais distante da primeira linha adversária, acautelando essa possibilidade, mas também facultando-lhes mais oportunidades para pensarem melhor o seu futebol. 

Depois, há um outro factor que não devemos menosprezar, que é o perfil técnico, físico e psicológico de alguns jogadores do plantel, pouco homogéneo e ainda com resquícios de "medos" de épocas recentes passíveis de deixar o pânico instalar-se aos primeiros reveses.

Nesta caso, entra também o perfil individual de cada elemento. Alguns há, que de repente parecem entrar em negação, cometendo asneiras infantis nos momentos menos indicados, mesmo depois de se terem exibido superiormente. Claro que tudo tem a ver também com a qualidade específica de cada jogador, mas o contágio negativo é sempre mais fácil de contrariar que o positivo, porque exige menos deles.

Aqui chegado, considero que a tarefa mais dura de Sérgio Conceição, está em estabilizar psicologicamente a equipa, de forma a reagir positivamente às adversidades. Por outro lado - e aqui já vou entrar numa área que não domino - acho que devem também treinar os aspectos técnicos individuais de certos jogadores que ainda mostram uma certa imaturidade. Alguns deles (lamento dizê-lo mas isto são os meus olhos a falar), chutam mal e sem nenhuma convicção.

Sei bem que isto não é fácil, que cada um é como é, e que não se pode transformar um jogador mediano em craque, se ele não tiver vontade de evoluir. Mas esta época (e se calhar as vindouras), não temos outra alternativa. Se os jogadores que temos são estes, e se queremos vencer alguma coisa com eles, temos de os tornar mais competentes em todos os pontos de vista. Olhar bem, e com rapidez,  antes de endossar a bola, quer seja para passar, cruzar ou rematar. Habituá-los a criar rotinas com rápidos coups d'oeils à sua volta,  evitando desarmes inesperados nas costas que podem ser fatais, e corrigir-lhes as posturas erradas.

Num plantel recheado de atletas experientes e tecnicamente evoluídos, este aspecto do treino pode ser resolvido com as rotinas de treino habituais, mas com equipas que não disponham de jogadores desse nível, o modelo de treino específico atrás referido deve ser intensificado com a regularidade necessária, conforme cada caso.

Eu treinador de bancada, falo e argumento, baseado no que vejo. Talvez por saber que não temos o melhor plantel do mundo e que não há dinheiro nos cofres do FCPorto (não me refiro aos dos dirigentes, nem assessores) para ir comprar outros, só posso apresentar sugestões.

Há quem nem isso saiba fazer. Há quem só saiba exigir, mas não às pessoas certas, e as pessoas certas ainda estão dentro do clube. Por último, aqui deixo a minha declaração de interesses (imateriais): nada é definitivo, tudo se pode reinventar. Até no futebol.  

17 setembro, 2017

Estaremos melhor no andebol com o novo treinador?

Fazendo fé na sabedoria popular, é sempre melhor começar bem uma competição do que mal. Isto para mim faz mais sentido do que o contrário, ou seja, começar mal, e terminar bem. Por uma razão muito simples: quando começas bem uma prova, tens um estímulo acrescido para consolidar a confiança e partires para um final feliz. Se a começas mal, tens de recuperar a confiança, e se a sorte do jogo não fôr favorável, a confiança é ainda mais complicada de restaurar.

Mas há alguns casos que contradizem esta tese. O anterior treinador de Andebol do FCPorto, Ricardo Costa, começou de forma soberba o campeonato, com um registo excepcional de victórias na 1ª. volta, que ainda assim não bastou para o conquistar.

Há quem defenda que se tratou de uma deficiente gestão física no quadro competitivo. Até pode ter sido isso que aconteceu. Mesmo assim, considero que Ricardo Costa fez um bom trabalho e acrescentou qualidade ao plantel, tanto em termos defensivos como ofensivos. Pessoalmente, acho que conseguiu melhores exibições, do que o anterior treinador sérvio Obradovic, apesar dos 7 triunfos seguidos. 

Por motivos certamente distintos, hoje não temos nem um, nem outro. Fomos buscar um treinador dinamarquês ao que consta com créditos firmados, mas pelos resultados de início de época, a coisa não está melhor. Oxalá, desta vez, prevaleça a versão em que menos acredito: que termine bem, e recuperemos de novo o troféu de campeões nacionais (neste preciso momento estamos a peder na casa dos mafiosos 18-13). 

15 setembro, 2017

Pedir decência em Portugal será pedir o impossível?


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Desçamos  à   terra. Sem nunca      desistirmos  de combater o rumo sombrio da vida    contemporânea, ser hoje   pessoa  honrada é uma luta          tremendamente desigual.  Talvez          por degeneração  intelectual, fruto  de  hábitos  pobres em civismo     e    seriedade, os governantes  perderam completamente a noção   da   importância da sua interferência em momentos sensíveis da sociedade. Estou convencido que se assim não fosse, se  os Presidentes da República, ou  mesmo Primeiros Ministros que nos governaram e governam tivessem exercido activamente a magistratura de influência nos momentos  certos, e em situações  socialmente melindrosas,   podiam   ter  evitado, ou  pelo  menos   atenuado,    o ambiente perverso que hoje vivemos. 

Senão, vejamos: alguém imaginaria, quando o país finalmente se livrou da ditadura, que a liberdade conquistada iria permitir que uma pessoa difamasse publicamente outra pessoa (ou instituição), sem ser imediatamente advertido? Eu, creio que não, sobretudo pessoas com idade para poderem falar do regime anterior com conhecimentos próprios, como é o meu caso, e talvez o de alguns leitores. 

Pois, a difamação pública e audio-visual, ainda acontece nos nossos dias e é não só tolerada como permitida pelos nossos dirigentes políticos. São tão rudimentares e timoratos que são capazes de justificar a incapacidade de impor o respeito com a defesa da liberdade, o que é um perfeito paradoxo.

Como sabemos, o FCPorto, e o seu presidente, foram vítimas dessas "liberdades", de forma indecorosa, por gente torpe, com a permissividade das autoridades do país! É verdade! Mas, há mais: essa libertinagem ainda se mantém activa, mesmo depois de os tribunais terem inocentado as vítimas, e perdoado aos difamadores! A conclusão do desfecho do processo Apito Dourado é tão insólita que tornou justamente os seus mentores em réus por julgar, e esses réus não são mais que todos aqueles que corroboraram com o Benfica,

Que conclusões podemos então extrair de tudo isto? Voltemos ao ponto de partida: que os governantes se demitiram da sua função dissuasora. Que optaram pela comodidade do silêncio, face a comportamentos altamente censuráveis, em vez de decidirem pela recomendação pedagógica da sensatez.

A gravidade desta situação não se pode cingir apenas a um caso específico. Hoje, é o FCPorto, amanhã pode ser outro clube qualquer, pessoa particular, ou colectiva. A gravidade maior, a suprema, é exactamente aquilo que referi nas primeiras linhas deste artigo: os políticos desceram tão baixo, tão baixo, que nem coragem têm para exercer o seu prestígio para dissuadir os maus cidadãos de atitudes perigosas e socialmente condenáveis como as que acima citei. Mesmo que este desleixo provenha da consciência de já não gozarem de prestígio algum, a um governante que se preze nunca pode ser tarde para o conquistar, desde que dentro de cada um ainda reste um pouco de respeito próprio. 

O que está a acontecer, a mixórdia em que o Benfica, por culpa própria (e dos Governos que o permitiram) se meteu, pode hipotecar a credibilidade do próprio Estado de Direito.

Se a Justiça não fôr célere, justa e implacável, corre sérios riscos de se anular. Se este caso tentacular fôr branqueado (que nem quero admitir), qualquer cidadão poderá dar-se à Liberdade de insultar a própria Justiça, sem dar qualquer direito a esta de exigir o respeito devido, porque  deixou de o merecer. 


14 setembro, 2017

FCPorto, paga juros de 4 anos de desmazelo administrativo

Esta gente merece RESPEITO!

Há uma característica na personalidade de Ronaldo com a qual não simpatizo nada, que é ser demasiado exibicionista. Ainda que se compreenda, porque o seu currículo fala por si, penso que essa forma de estar só lhe trás desvantagens e inimizades, perfeitamente dispensáveis. Mas Ronaldo tem uma enorme virtude, que é a ambição constante de se superar. Ao contrário de Messi, que é um talento nato, parecendo ter nascido numa bola de futebol, Ronaldo não teve esse privilégio, e é precisamente isso que lhe acrescenta mais valia, ou seja , teve de trabalhar muito para ser o jogador super-eficiente que é.

Ora, não tendo Ronaldo nada a ver com o FCPorto foi a partir do seu exemplo que ontem voltei a interrogar-me sobre as causas que podem ter levado o meu clube nos últimos anos a contratar jogadores sem praticamente conhecer as suas qualidades. Sobre as causas, acho que as conheço mais ou menos bem, ainda que não tenha sido a SAD, ou o Sr. Pinto da Costa a anunciá-las (era o que faltava, dirá ele), mas prefiro por agora não me pronunciar. 

Não querendo generalizar, a verdade é que, a olhar para o tipo de jogadores que o FCPorto tem contratado, para a sua personalidade, nível técnico e físico, a ideia que fica é que não têm nada a ver com o passado. É difícil afastar a impressão que a  pesquisa e contratação de jogadores é feita um pouco ao calhas ou por imposição de  interesses que não os desportivos. Sem citar nomes, porque não quero contribuir para desestabilizar o clube, há jogadores no FCP que padecem de falta de qualidade física e técnica para poderem vingar num clube de top, como o FCPorto. Ando a escrever isto há alguns anos, o que é mau sinal.  A falta de técnica e potência física a chutar é por demais evidente em alguns jogadores. Há uma bipolaridade ostensiva na produção qualitativa do jogo que, ou nunca foi devidamente tratada (e isto já vem do tempo de outros treinadores), ou é pura e simplesmente intratável. E não pode ser.  

Já me cansa falar deste assunto, mas a verdade é que ele continua por resolver. Lamento imenso que Sérgio Conceição tenha pegado nesta herança, quando a outros treinadores foram facultadas oportunidades para contratar jogadores que este ainda não teve, e provavelmente não terá. Não sei o que ele vale como treinador, mas sei que pelo menos não se esconde, nem usa o discurso plástico e comprometido de NES, o que já não é mau.  Pergunto: com um plantel curto, com alguns jogadores instáveis, teremos hipótese de competir dentro e fora de portas? É que a nível interno temos outro problema que ainda está longe de ser resolvido, que são as arbitragens vigaristas. Por isso, é melhor preparar-mo-nos para outra época de sofrimento.

Não me digam que já estou a antecipar desgraças porque essa conversa ando a ouví-la há quatro anos sempre com desfechos desastrosos. Nós andamos a ser tolerantes demais com o senhor presidente que não se dá à bondade de retribuir com o respeito que também merecemos, até porque nem resultados desportivos conseguiu para o clube. O currículo de Pinto da Costa não é, nem pode ser, um certificado de impunidade para a eternidade. 

A não ser que estejamos disponíveis para fazer o funeral prematuro ao nosso clube.

13 setembro, 2017

Universo Porto da Bancada, a caminho da objectividade?

Imagino bem, que governar uma empresa de audiovisual como o Porto Canal não fique nada barato. Então, se o pessoal contratado fôr superior à dimensão do projecto, e os patrocinadores minguarem, ou não forem generosos na promoção das suas marcas, deve ficar mesmo muito caro! Vale isto para dizer, que para viabilizar um bom projecto de televisão não só é preciso dinheiro, como boas ideias. 

Conhecidas que são as dificuldades financeiras do FCPorto [salvo informação contrária], não será com fundos próprios que o Porto Canal conseguirá ampliar a sua grelha programática, de molde a preencher totalmente o tempo normal de emissão, de segunda-feira a domingo. A nível regional e cultural o Porto Canal tem feito um trabalho interessante, mas pouco consolidado. Em matéria de debates, é pouco criterioso, tanto chama a si gente eminentemente interessante, como trivial, ou mesmo descartável. Dentro dessa diversidade algo anárquica, tem-lhe faltado habilidade para manter critérios regulares de coerência. 

Na área desportiva, as coisas melhoraram um pouco, mas não tanto como seria exigível. Afinal, é o FCPorto quem fornece a matéria-prima principal, como é o caso dos jogos das modalidades em todos os seus escalões, assim como os debates pré, e pós-matchs. A estrela dos programas desportivos, é sem dúvida o Universo Porto da Bancada, e não é pelas melhores razões, dada a sua intervenção pública na divulgação de concorrência desleal, mas presta  ao mesmo tempo  um grande serviço público à justiça e ao futebol.   

Já aqui apresentei algumas vezes dúvidas sobre a eficiência do impacto das denúncias dos e-mails cartilhados, por não serem acompanhadas de medidas objectivas aos organismos judiciais civis, dentro e fora do país (em última instância).

Os receios de banalização que fui divulgando  pareciam justificar-se, uma vez que nem sequer serviram para intimidar os suspeitos nem travar as ilegalidades, com, ou sem, vídeo-árbitro. A desfaçatez da seita benfiquista devia ser usada a nosso favor, porque somos parte interessada em torná-la pública. No entanto, o programa de ontem Universo Porto da Bancada e sobretudo a Providência Cautelar do Benfica, refrearam os meus receios. Primeiro, porque mais uma vez foi o próprio Benfica quem contribuiu para agravar o caso contra si próprio com a apresentação da Providência Cautelar, assumindo implicitamente com isso a veracidade dos e-mails. Mas a estupidez [ou desespero] do Benfica não se ficou por aqui, resolveu inventar uma lista dos clubes supostamente mais corruptos, onde entre outros, constava o FCPorto num "honroso" 3º.lugar.

Como era de prever, o FCPorto tratou de contactar o jornal inglês, onde supostamente teria sido publicada tal lista a fim de confirmar a origem da mesma, que foi categoricamente desmentida. Uma vez que o FCPorto tenciona apresentar queixa por tão grave difamação e informar os outros clubes visados desta ocorrência, já não encontro motivos para grandes preocupações. Desta vez, tenho a certeza que o facto de Pinto da Costa se manter calado não desguarnece o FCPorto de respeitabilidade, nem o torna vulnerável às insídias mafiosas dos cartilheiros do Benfica, porque é o próprio Benfica que se auto-condena no alto da sua arrogância. Agora começa a perceber-se melhor a estratégia do FCPorto, e isso é de louvar. Mesmo assim, penso que podiam ter sido um pouco mais cuidadosos com os espectadores, porque a forma como os programas foram apresentados deixavam no ar a ideia de algum voluntarismo e insegurança.
  
Por último, deixo uma sugestão para um programa desportivo para o Porto Canal: por que não convidar dirigentes dos outros clubes a participarem num debate criado para o efeito onde a temática seria precisamente os e-mails e as cartilhas? Não seria uma maneira simples e simpática de conhecer a sua posição face a este miserável escândalo, e ao mesmo tempo testar as suas reacções... É que também seria de grande utilidade saber, quem é quem, no futebol nacional, face a tão gigantesca degradação.




11 setembro, 2017

O vídeo e o árbitro: um casamento à experiência

Imagem de perfil de Manuel Luís Mendes
Manuel Luís Mendes
O treinador do FC Porto pôs o dedo na ferida: a implementação do vídeo na análise dos lances de futebol está, para já, a padecer de uma das maiores doenças da arbitragem, ou seja, de uma alarmante e perigosa falta de critério!

Porque, repita-se pela enésima vez, só a uniformidade de critério confere à competição, credibilidade, confiança, neutralidade e igualdade competitiva.
Se assim não for, as explicações que a Federação procura dar será sempre um embuste para o seu Conselho de Arbitragem (CA) mostrar que há transparência onde, efetivamente, não há!
Um exemplo: o CA divulgou o diálogo entre o VAR (Verdade Atropelada Regularmente…) e o árbitro do jogo onde se nota que este manda aquele suspender a decisão de validar um golo que dava o empate ao Portimonense, em casa do Benfica, pois houve fora-de-jogo , logo irregularidade, no golo da referida igualdade.
Até aqui, tudo bem. O problema, a polémica e as dúvidas de imparcialidade vêm a seguir!
Realmente, no primeiro golo dos benfiquistas, há unanimidade, entre os comentadores especializados, sobre o erro da decisão arbitral, ao assinalar uma grande penalidade, após simulação de um jogador da casa. Então, se assim foi, por que motivo o agora expedito VAR não usou o mesmo critério e mandou suspender o julgamento errado do árbitro Gonçalo?
Não se sabe, mas estranha-se…E daí o lógico levantar de suspeições e arbitrariedades. E por que razão, então, neste caso, já não foi revelada qualquer troca de palavras entre o Gonçalo e o Fábio que era o assistente do juiz, no visionamento?
Não haja medo nem pudor, a única resposta possível é ter havido uma atuação parcial por parte de quem deveria ser isento!
Com mais rigor: o critério existente não é o de defender o espetáculo e a chamada verdade desportiva, mas, sim, o de proteger um clube em detrimento de outro ou de outros… A isto chama-se ausência total de critério !
Por isso, a transparência e o esclarecimento só existem para as situações que podem favorecer os federativos e não para aquelas que podem afetar a sua neutralidade.
Nesta medida, se localizam as preocupações do técnico Sérgio Conceição que alega que a sua equipa já viu quatro penalties serem “esquecidos” pela dupla árbitro de campo e vídeo-assistente.
Logo, se se pretende conferir seriedade e distanciamento à competição, há que ser coerente e não escolher, de forma unilateral, os lances mais polémicos e bem ajuizados para mostrar uma razão que só existe nas suas mentes e não na opinião pública. A não ser que se confunda esta com a de um clube, apenas…
Se não houver a intenção de dignificar, de uma vez por todas, a modalidade que reina em Portugal, então só nos resta entoar a célebre canção francesa de Dalida: ” Palavras, palavras, apenas palavras…”
[Porto24]

10 setembro, 2017

Temos treinador, mas não temos presidente

Já não espero nada de verdadeiramente relevante da parte de Pinto da Costa. Daí não estar muito expectante quanto à evolução do FCPorto em termos desportivos. No futebol, vamos ter de ir a jogo com os jogadores que temos. Não entraram jogadores novos para os lugares pretendidos, e portanto vamos ter de pedir aos Deuses para que nenhum jogador fundamental se lesione. Esta, vai ser mais uma época de risco, em que além de um plantel curto, teremos de continuar a assistir à roubalheira do costume do clube fantoche de Lisboa. Apesar de Sérgio Conceição...

Pelo que pude observar nos primeiros encontros, o andebol não me parece mais forte, e o básquete é outra incógnita. O hóquei, a ver vamos. Do Porto Canal, também não espero grandes surpresas. A liderança de Júlio Magalhães é fraca e preguiçosa, e a imaginação não abunda. Nota-se que o canal tem mais gente do que seria necessário, para uma programação tão pouco ambiciosa.  

No que concerne o caso dos e-mails, configura-se aquilo que venho receando: a banalização das denúncias. Como a justiça tarda a actuar, a intimidação não se faz notar, nem assusta os infractores, logo, não os inibe de travarem os impulsos embusteiros a que estão habituados. A época mal começou e as arbitragens encomendadas continuam a ser descaradas, acrescentando pontos ao Benfica quando deviam subtraí-los. E o Presidente do FCPorto mantém-se alegre e contente no papel de mero observador... 

Os cartilheiros vermelhos passaram ao contra-ataque, agora tentando copiar as nossas denúncias com imagens dos jogos do FCP, ao bom estilo dos vigaristas. Com o tempo, tudo vão fazer para transformar o FCPorto pacífico de agora, no Benfica homicida e trafulha de sempre. Eles lá sabem como falsificar as provas. Nós é que tudo devíamos fazer para as levar a tribunal. A verdade, é que neste país é muito fácil inverter os factos, e por isso se torna imperioso que o FCPorto passe para um patamar mais assertivo na defesa dos nossos interesses. 

A Unidade de Combate Contra a Corrupção da PJ precisa do seu tempo para concluir as investigações, mas se fôr pressionada pelo Governo para abrandar, abranda. Seria por isso de toda a conveniência sermos nós a espevitar as autoridades, caso contrário ainda nos vamos queixar de termos ficado por aqui.

Por último, considero esgotado o tempo de tolerância dos sócios face à soberba do Presidente. Ele tem cometido erros constantes nestes últimos 4 anos e nunca os assumiu frontalmente. Se este ano perdermos o campeonato da forma como perdemos os 4 que passaram, terá chegado a hora de os sócios fazerem mea-culpa, que também a terão, se tal vier a acontecer. 

Ser sócio de um clube também implica responsabilidades próprias. 

07 setembro, 2017

Para memória futura e vergonha presente


Imagem de perfil de Manuel Luís Mendes
Manuel Luís Mendes

Lamentável e progressivamente, o caso da comunicação subterrânea entre elementos do Benfica e certos (pretensos) árbitros, através de e-mails, chegou, agora, a um nome importante da área da arbitragem, o inefável Bruno Paixão (BP).
Ao ler mais esta denúncia do FCPorto, veio-me, de imediato, à lembrança, o jogo mais vergonhoso e mais arbitrário a que assisti, protagonizado, precisamente, pelo dito BP.
Para memória futura, teremos de recuar até ao ano 2000 e ao mês de Fevereiro, embora pareça que foi ontem…
O FC Porto, então, deslocou-se a Campo Maior, a casa do extinto Campomaiorense. O treinador portista era Fernando Santos, o nosso selecionador.
O FC Porto precisava de ganhar, mas somaria o seu segundo desaire do campeonato,ao perder por 1-0 e, em consequência, perderia a liderança da prova.
Bem, a arbitragem de BP (então uma jovem promessa – diziam… – com 25 anos… ) foi daquelas que jamais se esquecerá e que só ficará ao nível do tristemente célebre Benfica- CUF, dos anos 50 tendo como ‘artista’ principal, o famigerado Inocêncio Calabote que seria, posteriormente, irradiado.
Falar desse encontro é falar de uma das maiores iniquidades no mundo da arbitragem.
O avançado Jardel foi, do primeiro ao último minuto, agarrado, agredido, torpedeado sem que alguma falta fosse assinalada!
Teria direito a três penalties e…nem um. Marcaria um golo limpo que seria anulado. Acabaria o jogo com a camisola rasgada. No final, desabafaria: ” Desde que estou em Portugal nunca vi o FC Porto ser tão prejudicado por uma arbitragem !!!”.
Hoje, volvidas quase duas décadas, o nome de BP volta a ser motivo de vergonha. Porque, não se doure a pílula ou se tente branquear o sujo, porém este tipo de atitudes escandalosas, nunca seriam protagonizadas por um árbitro digno e sério.
Neste tipo de situações de correspondências cúmplices com clubes, os juízes honestos, sem objetivos clandestinos – que serão a maioria – ficam de fora.
Todavia, ante tanta promiscuidade, os órgãos policiais e de justiça, continuam a assobiar para o lado como nada se passasse.
Nem um comunicado, nem uma posição oficial, nem um esclarecimento.
Do Benfica, não se pode esperar nada, o que é natural, pois ninguém gosta de chutar contra a própria baliza.
Agora, das entidades públicas este silêncio é aterrador. E, das duas, uma: ou o futebol é considerada coisa menor e irrelevante e, por isso, não merece uma linha de esclarecimento, ou, então, estranhas cumplicidades existem que toldam e boicotam toda a transparência que a opinião pública exige.
De qualquer modo, convirá relembrar que o maior Inimigo da especulação, da mentira ou do boato é sempre o esclarecimento.
Por isso, para o sossego mental e emocional de todos os adeptos, torna-se urgente clarificar, oficialmente, uma situação que ameaça tornar-se crescentemente, mais nebulosa…
[do Porto24]
Nota de RoP:
Nada contra, o conteúdo deste artigo. 
Apenas uma observação, para acabar com as dúvidas (se é que as tem) do autor:   o futebol não é, nem nunca foi, considerado coisa menor e irrelevante, sobretudo para os políticos! A existirem cumplicidades (para mim são óbvias), é ao poder político e judicial que elas se devem. A seguir, vem a Comunicação Social, área de actividade do articulista...


04 setembro, 2017

Medos e "Inquietações"

Vivemos numa época caracterizada pelo medo. Um dos  mais vulgares e mesquinhos, é o medo de se assumir a própria identidade. Para mim, é algo incompreensível, por mais razões que hajam para o justificar.

Como já aqui referi variadas vezes, vivi uns anos em Lisboa. Nunca, em tempo algum, me passou pela cabeça negar as minhas origens tripeiras. Pelo contrário, dizia-o com o peito cheio de orgulho (com "o" fechado) e sempre com um sentimento vincado de exclusividade boa. Atrevo-me mesmo a dizer que gosto mais do Porto, que do FCPorto. Não por querer separá-los, mas por saber que dentro do clube que melhor representa a cidade e o país, há quem goste menos do Porto que eu. 

A certeza do que estou a dizer é o medo que venho observando há uns anos a esta parte, de certas pessoas em defenderem o clube como as suas altas funções exigiriam... Bem sei que essas pessoas não são o FCPorto, mas estão lá dentro e com cargos muito bem remunerados. Só que, hoje em dia parecem pouco interessadas no clube, e interessadas demais em si mesmas... Só por isso fiz a separação entre os dois Portos.

Não é o futebol que agora pretendo particularizar, é o ser do Porto. O que inspirou o meu comentário de hoje, foi o medo tímido, aquele tipo de medos que nenhum sentido fazem, e que despem completamente o carácter das pessoas, por mais que tentem disfarçá-lo. Lendo detalhadamente este artigo no Público, podemos perceber como é que alguém com raízes no Norte, e neste caso, também no sul, residindo e vivendo em Lisboa, tem necessidade de justificar as suas origens nortenhas perante os lisboetas, mesmo com sentimentos muito floreados por todas elas.

A autora declara que gosta do Porto, mas ao contrário do que disse de outras terras, não foi capaz de enumerar um só aspecto daquilo que gosta no Porto. Preocupou-se sim, em dizer que a pronúncia do Porto não é igual à de Guimarães (terra materna), sem especificar a diferença...

Lendo com atenção, vão concerteza notar alguma parcimónia nos elogios ao Porto, que segundo diz, foi o seu local de nascença... Mas o que quero mesmo realçar, é a atitude de vassalagem que a autora do artigo denuncia e que está patente no próprio título: "Inquietações". Eu acho que percebo o que a inquieta.

É assim, há sempre que dar sinais de fidelidade canina a quem lhes paga.

01 setembro, 2017

Ó sr. Presidente da República, e que tal um beijinho para estes meninos?


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ex-deputado condenado por ter roubado gravadores a jornalistas com pena confirmada pelo Tribunal da Relação em 2013, acaba de ser nomeado para o Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais.


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2-António Gameiro, deputado e advogado condenado em tribunal por ter ficado com 45.000 euros de um cliente​ ​com pena confirmada pelo Tribunal da Relação em 2016, acaba de ser nomeado para o Conselho de Fiscalização do Sistema Integrado de Informação Criminal.
Sendo obviamente impossível esperar que os senhores deputados fizessem o favor de aprovar uma lei que impeça políticos condenados de voltarem algum dia a exercer cargos públicos, pois Portugal não é a Suécia nem a Alemanha, seria pedir muito que aprovassem pelo menos um período de nojo mínimo de 10 anos ?

Nota de RoP:

De facto,  a integridade de carácter, hoje, não vale nada. Qualquer pilha-galinhas tem acesso aos partidos políticos, e a partir daí, ao Poder. 

Como ainda ontem referi, não é a competência, nem muito menos a honradez, que explica o "sucesso". É a pulhice. Quem ousar contrariar esta norma ( musa inspiradora de todas as cartilhas), sujeita-se a ir parar à prisão.  

30 agosto, 2017

Chegou a altura de falar de Fernando Gomes, presidente da FPF.

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Fernando Gomes, Presidente da FPF

A circunstância de o actual presidente da FPF, Dr. Fernando Gomes, ter sido atleta e administrador da área financeira da SAD do FCPorto, não pode impedir-nos de lhe dedicarmos alguns minutos. 

Não sei, nem interessa saber, se houve outras razões para a sua saída do FCPorto além da ambição pessoal. O importante, é tentar perceber como é que alguém cotado como bom profissional no FCPorto, não consegue corresponder na Federação a essa mesma reputação dentro do próprio organismo.  A opinião é minha, não é uma opinião generalizada, considerando os cargos que lhe têm sido atribuídos no estrangeiro (é presidente e membro do Comité Executivo de Competições de Clubes da UEFA). 

Nos tempos que correm, as avaliações dos altos dirigentes  feitas de fora para dentro, não traduzem forçosamente provas de reconhecimento por competência e integridade, mas antes uma garantia de obediência a determinados padrões de domínio hierárquico. Foi o caso de Victor Cônstâncio que transitou promovido de presidente do Banco de Portugal, para vice do Banco Central Europeu, e o caso ainda mais antagónico de Durão Barroso, de 1º Ministro, para Presidente da Comissão Europeia. Em ambos os casos, não foi, nem a competência, nem o rigor, que lhes valeu a promoção. Um, foi completamente inócuo com o buraco do BES, e o outro, com a governabilidade do país. Paradoxos dos tempos modernos...  

São registos deste tipo, que nos conferem uma certeza: o melhor juíz das capacidades de liderança públicas, é o público. É neste mesmo registo que avalio o trabalho de Fernando Gomes à frente da Federação Portuguesa de Futebol. O seu comportamento enquanto chefe máximo da estrutura do futebol português não tem correspondido ao prestígio que adquiriu. Tem sido omisso e passivo com o que está a acontecer, mesmo tendo a colaboração preciosa do FCPorto com a denúncia de uma rede de corrupção instalada no futebol português, que era algo que não devia acontecer, e está a acontecer. A sua intervenção e colaboração neste caso concreto tem sido nula, e demasiado permissiva. Se antes mesmo de ter conhecimento dos emails critiquei Pinto da Costa por não defender o FCPorto dos abusos das más arbitragens que foram crescendo de intensidade nos últimos anos, não posso deixar de fazer o mesmo com Fernando Gomes dentro da sua área. 

O silêncio, num caso de tamanha gravidade como é este, só serve os infractores e compromete seriamente quem o defende. É no silêncio, face às suspeitas de que são objecto, que os cartilhistas vermelhos apostam. A táctica é essa, nada responder, e converter tanto quanto possível a defesa em ataque. Dar tempo a uma rede tão poderosa e maléfica como é a deste "Polvo", é ajudá-lo a manipular pessoas e organismos desportivos e  públicos de toda a ordem. Repito: o FCPorto tem toda a legitimidade para exigir explicações céleres ao Governo. Há que testá-lo, para vermos até que onde quer levar os crimes do clube do regime à lavandaria. O Governo tem de se retratar. Mas também a Assembleia da República.

Como disse Francisco J. Marques ontem, se calhar precisamos de fazer uma revolução para sermos atendidos. Já o admiti antes: a aparente passividade do FCPorto pode obedecer a uma estratégia sustentada em pareceres jurídicos experimentados de não querer interferir nas investigações em curso pela Unidade N. Contra a Corrupção. Mesmo assim, não me parece desaconselhável pressionar o Governo para também os investigadores perceberem que podem avançar com a investigação.

Se o Governo não reagir, resta-nos o recurso aos tribunais europeus, à revolta, ou em último caso desistir (morreria de desgosto). Assim, seríamos mais um clube a contribuir para que Portugal se afirme como a cloaca mais fétida da Europa.     

Para que serve...

Palácio de S. Bento


... a Constituição da República Portuguesa?


  • O Presidente da República?
  • A Assembleia da República?
  • O Governo?
  • O Tribunal?

Para quem representa estes órgãos de soberania é  demasiado simples responder: os subterfúgios do costume.

Para quem os analisa e não está agarrado a qualquer compromisso de favor, como é o meu caso, e o de muitos portugueses, a resposta só pode ser uma e curta: para nada! Ou, se preferirem (mas vai dar ao mesmo), para brincarem aos países! 

29 agosto, 2017

O artigo de Vitor Santos podia ser útil, só não é por lhe faltar profundidade

Não sei que tipo de pacto fala o autor da crónica do post anterior, o que sei, é que mais uma vez, quando se trata do Benfica, os jornalistas não conseguem ser pragmáticos, optam sempre pela abstracção das generalidades, ou então quando identificam, são os adversários... 

Resumidamente, o que parece preocupar Vitor Santos é a violência no futebol. Para isso, valeu-se de algumas ocorrências entre adeptos nos jogos entre o Rio Ave e o Benfica, o Braga-FCPorto, e também do vandalismo na casa dos dragões em Famalicão. Em princípio toda a violência é censurável, e eu só posso estar de acordo, só não percebo são as razões estafadas apresentadas. Expressar como argumento causa-efeito as Associações de Clubes através da Liga, e o cultivo do discurso violento na praça pública entre dirigentes sem especificar quem, é criticar todos, sem criticar ninguém. 

O momento actual, pode ser único para os jornalistas sérios decidirem se querem continuar alinhados num jornalismo cartilhista e cobarde, ou se optam pela coragem de chamar os bois pelo nome, como fizeram quando o clube do regime inventou o processo Apito Dourado com o fracasso vergonhoso que se sabe. Aí, até o JN pela mão do jornalista Nuno Miguel Maia foi incansável no acompanhamento do dito processo sem nunca se coibir de falar de Pinto da Costa e do FCPorto. Não se percebe portanto que, agora, com tantos, e tão evidentes indícios criminosos no seio do Benfica e do seu presidente, os jornalistas, como aparenta ser o caso de Vitor Santos, veja nos dirigente(s) a culpa da falta de fair -play e da violência. Assim como se estranha não acompanhar o comportamento da Federação Portuguesa de Futebol face aos escândalos em que muitos árbitros estão aparentemente envolvidos, e este "aparentemente", é delicadeza minha... 

Sinceramente, para um jornalista, é uma visão demasiado ingénua, desfocada da realidade e do alvo. Os jornalistas têm, como é natural, acesso privilegiado à informação, portanto só podemos atribuir ao medo que o autor do artigo não tenha encontrado melhor argumento que uma abstracção já muito gasta. 

Mas pronto, eu vou fazer de conta que não li, que se trata de um jornalista muito distraído, e presto-lhe uma ajuda: o Benfica é suspeito de ter construído uma rede gigantesca de esquemas ilícitos no futebol português. 

Que tal começar por aí? Pelo menos, seria original. 


Um pacto à grande

Victor Santos
(JN)

O fim de semana deixou-nos sinais preocupantes no que concerne à violência no futebol. E desvalorizar o que se passa é meio caminho andado para, um dia destes, voltarmos a ter mais um problema sério, até porque o campeonato principal ainda está a começar e já abundam episódios que apenas servem para afastar as pessoas dos estádios. Convém, portanto, não enfiar a cabeça na areia, antes enfrentar a situação de frente.
A Liga Portuguesa de Futebol Profissional tem realizado ações importantes no sentido de promover o fair-play na competição, mas nada parece chegar para arrefecer o ambiente, o que nem espanta. Afinal, a Liga é uma associação de clubes que "apertam a mão" nas reuniões de Direção, mas continuam a cultivar um discurso violento na praça pública, por vezes, através de responsáveis, noutras situações de forma encapotada, socorrendo-se de blogues e páginas no Facebook para dizer aquilo que pensam, ou querem que os outros pensem, sem sofrerem qualquer admoestação ou castigo.
A violência esteve bem patente sábado, no Estádio do Rio Ave, quando, após o final do encontro com o Benfica, adeptos da águia carregaram sobre vila-condenses, depois de o contrário também ter acontecido, mas dentro do recinto. Horas depois, em Famalicão, a Casa do F. C. Porto foi apedrejada e atingida com engenhos pirotécnicos; no domingo, registaram-se incidentes entre adeptos portistas e do Sporting de Braga, na Cidade dos Arcebispos.
Uma ocorrência já era de lamentar, mas o facto de se multiplicarem numa fase tão precoce da época dá que pensar. Se é assim agora, como será quando o campeonato aquecer verdadeiramente? Não faltam questões por resolver, como a das claques - as que existem e as que teimam em dizer que não existem -, mas entendo que o problema é mais vasto, e passará, sobretudo, por um pacto, ou um acordo, entre os três grandes clubes portugueses, no sentido de não deitarem gasolina na fogueira, seja de forma oficial ou oficiosa.
Por mais medidas de segurança que sejam adotadas - e algumas poderão ajudar a evitar problemas - não vejo outra forma de impedir uma escalada de violência a não ser com o exemplo a partir de cima. Todos sabemos a quem os adeptos dão ouvidos. A bola está nas mãos dos responsáveis dos clubes, convém que não a larguem e que a tratem bem, não vá um dia destes quererem agarrá-la e ela ter fugido irremediavelmente ao seu controlo, com consequências imprevisíveis.
EDITOR-EXECUTIVO-ADJUNTO
Nota de RoP: Tenho algo a dizer sobre este artigo. Será explicado dentro de alguns minutos. 

28 agosto, 2017

Do futebol na relva aos bastidores

Corona festeja o seu golo à Maradona

Não é por falta de apoio dos portistas que o FCPorto tem razão para se queixar. Apoio desse tem tido de sobra, graças a uma massa de adeptos generosa que nunca se cansa de puxar pela(s) equipa(s) - não é só no futebol - mesmo que o senhor presidente tenha decidido nos últimos anos actuar como uma espécie de raínha de Inglaterra. Ele, e os outros, que o rodeiam... 

Sobre o jogo de ontem, foi um bom jogo com os jogadores aplicados, mas muito nervosos na hora de rematar. Valeu o resultado, ou melhor, os 3 pontos do resultado, e o empenho da equipa. Um golo soberbo de Corona, pleno de técnica e beleza. Pena é ainda vermos alguns passes mal dirigidos a permitir aos adversários intercepções perigosas perto da baliza que podem deitar a perder a vantagem no marcador. Esse, é um aspecto que ainda falta melhorar a par do lado psicológico na hora de rematar. Nota-se ainda alguma ansiedade, alguma pressa de ampliar o marcador, o que é compreensível numa equipa cujos jogadores têm sido submetidos a permanentes arbitragens discriminatórias que desmoralizam o mais duro valentão. Tenho isto como um dado adquirido, as arbitragens tendenciosas (que agora sabemos fazem parte da cartilha) podem destruir qualquer equipa.

É neste capítulo, e no distanciamento algo arrogante da SAD, que os adeptos não podem dizer que se sentem apoiados. Nada mesmo. A soberba, tal como o poder absoluto, corrompe o carácter e a noção do dever. Pinto da Costa foi um grande Presidente, um dos melhores do futebol internacional, mas perdeu a noção dos seus deveres para com a massa associativa. Esquece-se que o prestígio que conquistou não lhe dá o direito de proceder como se o FCPorto fosse propriedade sua, que não é de todo, apesar da legitimidade do seu cargo. E uma das suas muitas obrigações para com os adeptos é explicar os insucessos desportivos, mas também os financeiros. As más contratações, o desperdício de capital, não podem ser  justificados em Assembleias tímidas nem tão pouco com silêncio.

Mas, o pior que tem feito Pinto da Costa nestes últimos anos, é não querer dar a cara para defender o clube. Estou sempre a dizer o mesmo, a gestão invisível do Presidente continuando a delegar nas denúncias de Francisco J. Marques responsabilidades que deviam ser suas, não chega para defender o FCPorto.

A SAD portista tem um departamento jurídico experiente, e já devia ter uma estratégia de defesa estudada. Se tem, não parece. A sensação que  a SAD deixa é opaca, parece sentir-se confortável  na expectativa que seja a boa vontade dos dirigentes desportivos e disciplinares da Federação a resolver os problemas, e isso, como tem sido evidente, é o que eles querem para continuarem a fazer nada. Aliás, nem faz sentido que façam, porque alguns deles são parte interessada no status quo. Outros, estão ligados à cartilha por razões clubistas e pecuniárias. José M. Meirim é só um deles. Ele é suspeito, não lhe adianta ser juiz em causa própria para puxar dos galões da seriedade. É preciso parecer, e ser sério. 

Vou dizer uma redundância, mas às vezes elas são precisas, tal é a minha incapacidade para compreender a apatia dos dirigentes do FCPorto. Se alguém me assaltar a casa, eu recorro à Polícia, se a Polícia não actuar terei de recorrer ao Ministério Público e deste para a Procuradoria-Geral. Se nenhum actuar, como obriga um Estado de Direito, então resta-me fazer justiça pelas próprias mãos... Não sei se o FCPorto, passe a ligeireza do raciocínio, pode argumentar desta maneira, mas a situação acaba por ser essa. O FCPorto não é um clube amador, tem toda a legitimidade e o dever de processar a Justiça Desportiva, porque o problema está aí. O Benfica, ou melhor, quem o representa e com ele colabora (Imprensa, Televisão e Rádio), é o autor do crime, mas quem o permite é a Justiça Desportiva! Ou não será assim?

Já estou cansado deste folclore. Pessoalmente, e como portista, não me vejo ressarcido dos longos anos de discriminação praticados contra o FCPorto com denúncias. É preciso dizer às autoridades: vocês têm aqui a "papinha", agora façam o vosso trabalho. Não precisam de nos agradecer, mas avancem e digam-nos a que conclusão chegaram.    

A pergunta que deixo no ar e para quem de direito, é esta: afinal, o FCPorto está ou não está a ser lesado no seu património desportivo? Se está (e para nós portistas não restam dúvidas), por que não leva o caso às instâncias judiciais mais altas da Europa? Se as nacionais não funcionam porque não recorrer à UEFA? Sim, porque a avaliar pelo comportamento da Direcção portista, existe ainda muita disponibilidade para perder.

E não é só dinheiro, são títulos!