Sexta-feira, 23 de Maio de 2008

O senhor Procurador não viu, não ouviu nem quer saber

Líder do SuperDragões queixa-se de ter sido algemado após a final da Taça e PSP diz que cumpriu a lei

Eu não sou da área senhor Procurador, mas sou capaz de dar uma preciosa ajuda a V. Exa. se o alertar para a possibilidade de se estar a praticar em Lisboa uma declarada xenofobia clubística da parte da polícia local aos adeptos do F. Clube do Porto.
Eu sei que custa a acreditar, porque "normalmente" estas coisas de vandalismos são mais hábitos de portuenses, desses energúmenos, mas olhe que é capaz de não estar a ver bem a coisa. É. Faça o favor de nos convencer da sua imparcilidade, porque nós por cá já começamos a duvidar dela, sabe. Há que ter decoro, senhor Procurador, porque nós somos tão dignos de atenção como os seus vizinhos lisboetas, ainda para mais quando já eramos portugueses antes de Lisboa existir.

É o JN ainda um jornal do Porto?

Há uns meses atrás li algures um post que inumerava instituições nortenhas consideradas de referência nacional. Aí eram citadas a Sonae, a Cin, a Rar e mais algumas, entre as quais o Jornal de Notícias. Mas será este um genuíno representante da nossa cidade? Tenho fortes dúvidas, pois tornou-se aparente uma deriva que puxa o jornal para o sul.

Na edição de ontem, duas notícias são profundamente irritantes pelo aspecto de nítida propaganda a valores sulistas.

A primeira é um artigo a duas páginas, ilustrado com numerosas fotos, com todo o aspecto de peça publicitária. Aliás já na véspera tinha sido publicada outra peça do mesmo teor. Enaltecem a Expo-98 com um tom exageradamente entusiasta, gabando todos os equipamentos criados e tentando mostrar como eles são vantajosos e agradáveis para os utilizadores (quase exclusivamente lisboetas, por certo!). É também largamente enaltecida a recuperação daquela zona ribeirinha, explicando como foi louvável e benéfica para a cidade. O título é bem elucidativo: "A herança de um evento que marcou o País". É óbvio que se trata de "cobra mandada". Querem-nos fazer engolir que o governo vá dar 400 milhões de euros para nova recuperação em Lisboa, agora na frente Cais do Sodré-Santa Apolónia, enquanto nos atira uma migalha de um milhão para a Sociedade de Reabilitação Urbana do Porto. Não pretendo comentar este facto em si mesmo, aliás já muito comentado. De resto acho mesmo que nem merece comentários, tão miserável ele é. Apenas deve ser registado e nunca esquecido.

O meu propósito é outro. Como leitor do JN sinto-me profundamente insultado por esta tentativa de me atirarem areia aos olhos e quererem tomar-me por atrasado mental. E o caso é tanto mais grave quanto estou profundamente convencido de que a ordem para esta descarada decisão editorial não partiu da direcção do Porto. Isto vem com certeza do centro máximo de decisão, localizado, como é sabido, em Lisboa. Como "cesteiro que faz um cesto faz um cento" prevejo que a independência editorial do JN tenha terminado.

O segundo artigo a que me referi aparece na secção desportiva, a propósito da selecção de futebol. Os títulos não enganam ninguém: "Talentos de Alvalade dominam equipa das quinas" e depois " Leão é o rei de Portugal". Trata-se de tremendo elogio às "escolas do Sporting" que "continuam a formar talentos em série" e portanto " as garras do leão estão bem expostas na equipa das quinas". Segue-se referência à " fábrica de craques leonina" onde se formam "referências do futebol mundial".

Esta descarada e parcialíssima prosa sectária teria lugar apropriado no boletim do Sporting. No JN, nunca. Se toda a comunicação social de Lisboa nos despreza e ataca do modo mais vil o clube mais representativo da cidade, justifica-se que um jornal supostamente do Porto actue deste modo? É do domínio público que o big boss da empresa jornalística, é lagarto. Será que isto explica alguma coisa? E será que, como pergunto no título, o JN ainda é um jornal do Porto?

Os escolhos que podem afundar o referendo (2)

O grande escolho à regionalização é indiscutivelmente o prórpio governo. Os sucessivos governos não a têm querido, por muito que hipocritamente digam o contrário, ou então inventam alternativas, como a chamada reforma Relvas, para enganar os incautos. O próprio referendo de 1998 foi uma fraude, porque todos os partidos fizeram, o PS encapotadamente, tudo o que puderam no sentido de o sabotar. Outra técnica utilizada pelos governos há mais de 20 anos, é a invenção de pretextos que pretendem explicar que "naquele momento" o referendo é "inconveniente". Estou convencido que irá acontecer o mesmo em relação ao referendo prometido para a próxima legislatura. Qualquer desculpa servirá. Pode ser a crise monetária, o preço do petroleo ou o tamanho do buraco na camada de ozono.

Não me canso de lembrar que regionalizar é abdicar de poderes que hoje pertencem a um reduzido núcleo que é a essência do centralismo. Nenhum partido o fará a menos que a tal seja obrigado. Estou convencido que os nossos políticos conhecem perfeitamente as vantagens, para o país, decorrentes da regionalização ou da autonomização, mas a grande maioria deles põe em primeiro lugar os benefícios próprios, tendo chegado à conclusão que manter o status quo lhes é vantajoso. Assim como há o GQT (Governo Que Temos) há também os PQT (Políticos Que Temos).

Há outro tipo de obstáculo. A insuficiente divulgação do estatuto das regiões, dos critérios geográficos da sua divisão, do binómio regionalização-autonomização são, entre outros, obstáculos invisíveis mas reais. As pessoas não se sentirão motivas a votar se não se sentirem elucidadas. Tentarei falar disto num próximo post.

A minha alienação com o futebol é tal, que...

... o campeonato da Europa nem sequer começou e já estou enjoado.

Sinto-me sinceramente revoltado e envergonhado por ver os pategos da comunicação social de Lisboa supostamente a falarem em meu nome e em nome de muitos portugueses que não se revêem neste folclore à volta da selecção. A bajulação bacoca para com o treinador brasileiro é de uma pirosice digna de liderar qualquer ranking terceiro-mundista. Não me revejo nesta gente, este, não é o meu povo. Não pode ser.
Para além de mais, toda esta festa adiantada, esta foguetada prematura costuma dar maus resultados. Como já nem sequer se incomodam em dissimular o desrespeito que têm pelo país real , traçam com a selecção, as mesmas estratégias pretensiosas que aplicam ao Benfica assim que começa cada nova temporada: são campeões antecipados. Quando descem à terra e o verdadeiro campeonato termina, normalmente os campeões são outros... e ainda bem, digo eu.

Com a selecção, receio que o resultado final possa ser parecido. Temo mesmo, que com tanta fanfarronice nem sequer cheguemos aos quartos de final. Por isso, comigo, bandeirinhas como prognósticos, só no fim. E mesmo assim, só se estiver bem disposto.

E mudar as coisas?

A propósito da belíssima crónica do Manuel Carvalho abaixo publicada, o grande problema é que diz-se, escreve-se, protesta-se com base nas verdades mais elementares e não acontece nada. É tudo inconsequente. O Terreiro do Paço já está habituado aos nossos queixumes ou mesmo explosões justificadamente coléricas. Ri-se ou encolhe os ombros. Acham a coisa mais normal do mundo, ser o país a pagar as obras na cidade de Lisboa por ser a capital, como acharão natural que o investimento público previsto seja de 35% para Lisboa, 6% para o Porto, 5% para Braga, 4% para Aveiro. Acham a coisa mais normal do mundo encherem os ecrãs do espectro televisivo nacional com os seus problemas locais. Os seus problemas locais não são locais, são nacionais, pela razão simples de aquilo não ser um local, ser a nação. Como acharão normal que se diga que chove porque lá chove independemente de fazer sol em todo o país. O problema não é a constatação desta evidência. Nem sequer percebermos que o centralismo é o responsável primeiro pela desgraça da economia compensada pela impetuosidade do fisco, que o centralismo está a destruir este país, que todos esses usufrutuários dos desvios dos fundos nacionais para os locais dos seus interesses são autênticos autores de crimes de lesa-pátria.
O problema é como acabar com este estado de coisas! Como passar do queixume ao protesto! Do protesto ao clamor! Do clamor à vitória, salvando o país, do abismo ou do caixote de lixo para onde se dirige inexoravelmente... Nós sabemos como é. O que é preciso, é que todos o saibam também, sem ser preciso vir dizê-lo. Apenas por pensá-lo, por senti-lo e, consequente, por agir. Por agirmos, unidos por uma vez, como já não acontece há tantos anos, talvez há quase um século...

Pedro Baptista
(Blog Servir o Porto)


Lisboa e Paisagem

A concentração dos fundos do Estado e dos fundos estruturais na capital determinou a criação de uma cabeça cada vez maior que arrasta um corpo cada vez mais anémico. A velha bandeira do cavaquismo que proclamava Lisboa como a metrópole que havia de conduzir o país à Europa e ao desenvolvimento está de volta. Para o Governo, os investimentos na expansão do metro, na nova travessia do Tejo, na construção do novo aeroporto, nas prioridades de ligação do TGV ou até na mais prosaica requalificação da frente ribeirinha são absolutas prioridades nacionais que hão-de centralizar o essencial do investimento público nos próximos anos. Para alguns observadores qualificados da vida pública, como António Mega Ferreira, a opção é tão indiscutível como as vacas na Índia. Porque "os países têm de assumir que há uma cidade que é capital", o que "implica investimentos de outra dimensão". Corolário lógico: "É demagogia criticá-los.
"É verdade que muitos dos debates em torno das prioridades do investimento público estão contaminados pelo ressentimento tribal. É também verdade que muito mais importante do que discutir o destino das fatias do bolo é avaliar a importância de projectos concretos para o desenvolvimento, acreditando à partida que as obras públicas são capazes de o promover. Mas se estas premissas são verdadeiras, são-no independentemente do lugar onde será aplicado o dinheiro do Estado. O que não se pode, nem se deve, é formular uma ideologia desenvolvimentista para legitimar o excesso de concentração de gastos públicos em Lisboa e Vale do Tejo. Como aconteceu nos anos dourados de Cavaco Silva ou começa a acontecer na era da governação Sócrates. Criticar esse excesso não é "demagogia", é apenas alimentar a discussão incontornável sobre o país que podemos, ao menos, ambicionar. O que está em causa não é o facto, natural e inquestionável, de a capital receber mais investimento que as segundas ou terceiras cidades. O que importa estabelecer é o grau desse privilégio. Olhando as evidências do passado, o exagero foi evidente. A distância dos níveis de rendimento entre Lisboa e Vale do Tejo e o resto das regiões acentuou-se desde a integração europeia, apesar de a tendência ter abrandado nos últimos anos; a Comissão Europeia lembrou várias vezes que "o problema é que os fundos [estruturais] foram concentrados de forma excessiva na região de Lisboa".
E o que este processo isento de qualquer princípio de solidariedade nacional está a conseguir é a criação de um modelo de desenvolvimento que obedece mais a parâmetros do Terceiro Mundo do que de um qualquer país europeu - um relatório da ONU de 2001, World Urbanization Prospects, apontava para o facto de Lisboa poder concentrar 45 por cento da população do país em 2015. A excessiva concentração dos fundos do Estado e dos fundos estruturais na capital determinou a criação de uma cabeça cada vez maior que arrasta um corpo cada vez mais anémico. É este o país que queremos?Quando autarcas como Rui Rio ou empresários de Braga ou de Aveiro começam a recuperar as palavras de ordem de há dez anos para questionar a partição dos parcos recursos do Estado, estão a olhar pelos seus interesses naturais, mas, ao mesmo tempo, estão a dar o seu contributo para a discussão sobre os danos que os excessos do centralismo colocam ao país. Ninguém espera que por cá haja "expos" em Aveiro como vai haver em Saragoça, ninguém acredita que o Tribunal Constitucional vá para Coimbra como na Alemanha está em Karlsruhe, ninguém pensa que será o Estado a resolver os problemas que a concorrência mundial coloca à indústria do Norte ou a desertificação aos dois terços do território do interior.
O que se discute é se a frente de obras da ribeira do Tejo é um projecto de interesse nacional capaz de justificar que todos os contribuintes do país as paguem, em vez da Câmara de Lisboa.Claro que é, como todas as requalificações de frentes ribeirinhas de Melgaço a Vila Real de Santo António.Só que para essas não há ajudas do Governo.
Manuel Carvalho
(Público)

Quarta-feira, 21 de Maio de 2008

Declarações irresponsáveis

Quando alguém com responsabilidades de Procurador Geral da República como é o caso do senhor Pinto Monteiro, *argumenta num debate promovido pela Associação dos Antigos Alunos da Universidade Lusíada, que há interesse público legítimo noticiar certos factos sem exigir a quem os divulga o máximo rigor e seriedade, está - talvez por profunda e lamentável ignorância - a sugerir que certo jornalismo que por Lisboa se faz, seja mais leviano e pasquineiro do que já é.
Está de certo modo, a estimular os profissionais da difamação a prosseguirem na senda da perseguição e da caça às bruxas daqueles que não correspondam às suas "simpatias".
Se este senhor, em vez de Pinto Monteiro se chamasse Pinto da Costa, não tenhámos dúvidas, já estava preso. E é a homens (e mulheres) deste calibre que se entrega a melindrosa tarefa de investigar a criminalidade em Portugal. Bonito. Mas, o que vai ser deste país, meus senhores?
Decididamente, este é o Procurador Geral mais incompetente e irresponsável que Portugal já teve, até hoje.

*("não se pode exigir uma certeza absoluta aos jornalistas porque senão não há notícias").

Foram estas as declarações do Sr. Procurador. É caso para perguntarmos: terá o senhor Procurador acções de alguma empresa de notícias?

O despertar tardio de Rui Rio

Apesar de não ter passado a usar óculos, nem ter sido operado às cataratas, Rui Rio passou, de repente, a ver melhor. Descobriu que o Governo Sócrates concentra os grandes investimentos públicos na região de Lisboa e faz vista grossa ao Norte.
“O país discutiu o novo aeroporto, depois começou a discutir-se a nova travessia sobre o Tejo, antes tínhamos discutido o TGV e em particular a ligação Lisboa-Madrid, e agora temos a frente ribeirinha com mais 400 milhões de euros”, declarou o presidente da Câmara do Porto.
Foi a frente ribeirinha, que Sócrates quer que seja a obra emblemática do seu consulado, que fez acordar Rio, que não leva bem que o Turismo de Portugal contribua com 70 milhões de euros para esta empreitada.
“Quantos anos são necessários para o Turismo de Portugal dar 70 milhões ao Porto? Se calhar 70 anos”, ironizou.
Rio acordou tarde, Mas, como diz o povo, mais vale tarde do que nunca. Qualquer ainda o apanhamos a fumar (não num local proibido, como o outro, porque o autarca é um cidadão cumpridor da lei), a defender a Regionalização e a frequentar o Estádio do Dragão.
Para o ano há eleições autárquicas.

Jorge Fiel
(Bússola)

"Os números não enganam"

Para recolocar uma velha discussão no seu devido lugar aqui vai, segundo o Site Futebol Finance, o verdadeiro nº de adeptos que os clubes portugueses têm. Como sabem, futebol não é apenas o conjunto de pessoas que se reúnem nos estádios para assistir a um jogo: além das óbvias conotações políticas em volta dos clubes símbolo, também há muita economia e negócio. E neste campo a cidade do Porto tem um enorme potencial que continua a ser teimosamente ignorado pela Câmara.

Até quando Rui Rio vai continuar a fazer o papel do ‘pateta útil’ dos interesses do centralismo futebolístico?

PORTUGAL - Liga Portuguesa de Futebol Profissional, 2003*:

1. Benfica - 4,1 milhões (38,8%)
2. Porto - 2,6 milhões (24,4%)
3. Sporting - 2,1 milhões (20,2%)

E também o nº total de espectadores na última Bwin Liga:
Porto 579.481
Benfica 563.368
Sporting 440.712
4º V.Guimarães 293.671
Braga 234.211
Académica 103.087

* Sendo estes números de 2003, é provável que o FC Porto tenha até melhorado ainda mais o seu desempenho no que toca à popularidade.

Publicado na Baixa do Porto
por António Alves

Venham mais vozes

Há analistas políticos que, provavelmente também por terem sido ou ainda serem políticos, têm uma condescendência para com os seus pares de tal forma inadequada ao grau de exigência cívica face à actualidade regional e nacional, que por vezes toca as raias da ingenuidade.
Leio sempre com interesse e respeito as opiniões do Arqº. Gomes Fernandes, algumas das quais já aqui publiquei com prazer e não quero crer que haja da sua parte qualquer espécie de proteccionismo para com a classe política pela qual também já passou com muita dignidade e empenho.
Deste interessante artigo, intitulado "Venham mais vozes", e com o qual estou 99% de acordo, extrairei apenas alguns dos parágrafos correspondentes à micro-percentagem da minha divergência, mas ainda assim relevante.
Dois exemplos:
"andou bem Francisco Assis, primeiro vereador do PS na Câmara do Porto, ao vir lembrar ao Governo, do seu Partido, que a cidade pela qual foi eleito para essa função, também tem uma frente ribeirinha para tratar e um projecto orientador para o efeito".
"Goste-se ou não de Rui Rio ele tem sido um voz inconformada com a situação subalterna a que o Governo tem remetido o Porto em relação a Lisboa, veja-se o arrastamento da segunda fase do Metro, a indecisão sobre a questão do aeroporto Sá Carneiro, o tempo que demorou a "montar" a SRU, a falta da Autoridade Metropolitana de Transportes e outras pequenas questões avulsas mas que, tudo somado reflectem uma atitude mental e política que não deveria ser denunciada só pelo presidente da Câmara portuense e por figuras da sociedade civil fora dos partidos".
Estes dois exemplos corporizados por duas figuras de partidos e cargos diferentes têm um aspecto em comum: ambos padecem de um confrangedor défice de afirmação.
Se Francisco Assis "agiu bem" por avançar com a ideia de solicitar ao Governo a recuperação e reabilitação da frente ribeirinha do Douro, agiu mal pelo timing e pela capacidade de se fazer ouvir. Não é compreensível para a população portuense que a oposição se limite a apresentar esporádicos fogachos reivindicativos. Os dirigentes regionais do Partido Socialista têm-se comportado como autênticos carreiristas políticos acomodados com a situação do Porto. Carlos Lage e Renato Sampaio são figuras com demasiadas responsabilidades mas sem qualquer acção verdadeiramente positiva e influente para a cidade. Estão com o Governo, não estão com o país e muito menos com a região. São essas, evidentemente, as suas opções. Não vale a pena dissecar mais, são cartas nulas.
Com Rui Rio, a coisa piora. Porque é Presidente da Câmara, e da "voz inconformada", caro arquitecto, só tem uma brisa, tão leve que nem chega a sair das paredes dos Paços do Concelho, e isso, está bastante longe de traduzir inconformismo. Ele pretende chegar a 1º. Ministro e não quer nem lhe interessa, levantar ondas mesmo com um Governo de um partido da oposição.
De vez em quando os adultos portam-se como crianças, quando deviam aprender com elas para poderem crescer. As traquinices e pequenas chantagens que as crianças usam com os pais quando contrariadas podem resolver-se pontualmente com um simples olhar reprovador, mas é uma falsidade afirmarmos que não tivemos um dia de elevar a voz para que elas nos levassem a sério.
É com essa falsa teoria que Rui Rio se quer impor. Falando baixinho para não incomodar e deixar dormir a criança, que tem nome de Governo.

Terça-feira, 20 de Maio de 2008

O Português da Galiza

Milhares de manifestantes percorreram ontem as ruas de Santiago de Compostela, na Galiza, em defesa da língua galega, criticando a alegada tentativa estatal de impor o uso do castelhano naquela região autónoma espanhola. Sob o lema "Pelo direito de vivermos em Galego", os manifestantes, cerca de 25 mil de acordo com a organização, não temeram o fim de manhã chuvoso e responderam ao apelo lançado pela Mesa pela Normalização Linguística.

Tanto o presidente desta instituição, Carlos Callón, como o vice-presidente da Xunta da Galícia (a autarquia local), Anxo Quintana, classificaram esta marcha como histórica. "O que nós exigimos, acima de tudo, é o reconhecimento da condição internacional da nossa língua, que é falada por centenas de milhões de pessoas no mundo, quer como língua nativa, como é o caso dos galegos, quer como língua oficial de oito Estados", disse, Alexandre Banhos Campo, um dos principais mentores desta manifestação, citado pela agência Lusa. "A nossa língua não é regional nem dialectal, mas sim internacional. O galego é o português da Galiza, e o que nós queremos é que o galego se confunda com o português, mantendo, obviamente, as suas especificidades próprias", acrescentou.
O castelhano e o galego são línguas oficiais de Espanha, mas em 2004 foi aprovado o chamado Plano de Normalização Linguística, a que Alexandre Campo prefere chamar "plano de substituição linguística". "O que nós assistimos é a uma brutal imposição do castelhano em tudo quanto é serviço público, para tornar o galego desnecessário ", realçou.
Os dados estatísticos mais recentes indicam que 90% dos galegos com mais de 65 anos falam português da Galiza, mas essa percentagem é muito reduzida entre os que têm menos de 20 anos. Para inverter esta tendência, os participantes nesta manifestação exigiram também a tomada de medidas para a recepção das rádios e televisões na Galiza, conforme proposta já aprovada no Parlamento espanhol
JOÃO ABREU MIRANDA / LUSA (JN)
19.05.2008
De Lisboa, o Govêrno empenha-se em criar a discórdia e o divisionismo, na Galiza aproximam-se e reivindicam a língua portuguesa. Não era mais fácil para ambos decidirem em que país querem ficar?

Manoel de Oliveira

Talvez mais do que o próprio visado, faço questão de realçar que é um homem do Porto, o cineasta mais idoso do mundo (velhos são os trapos) ontem homenageado em Cannes. Por razões óbvias, teve de montar casa no estrangeiro próximo, num país chamado Lisboa que a par de Taiwan ainda não foi reconhecido pelas Nações Unidas.


Salvaguardadas as devidas diferenças, está um pouco para o cinema como Pinto da Costa está para o futebol. Cada um na sua área, são os melhores. Por justiça e por factos. E ambos são do Porto.


Lá fora, são-lhes reconhecidos os méritos. Por cá, refinam-se as invejas do costume, tenta-se minimizar o êxito dos melhores ao mesmo tempo que se promove e enaltece os medíocres. Como no futebol...


Nem sempre o que é comercial é bom, e porque é essa a bitola que rege erradamente a qualidade, há quem se aproveite desse conceito ilusório para acinzentar as qualidades dos que saem do padrão ordinário. À imagem do realizador sueco Ingmar Bergman, Manoel de Oliveira foge aos padrões bélico-pornográficos de Wollyood, mas a verdade é que - sem presunção de fingido intelectual -, gostava muito de ver os seus filmes. Faz todo o sentido a expressão de Jean Luc Godard sobre este cineasta, quando disse : "o cinema não é um ofício, é uma arte!"
Parabéns portanto a Manoel Oliveira, pelos seus produtivos e tenros 100 anos de vida.

Sr. Pacheco Pereira, há promiscuidade na Câmara de Lisboa?

Como devem saber, a SIC Notícias costuma transmitir às quartas-feiras a "Quadratura do Círculo". com Lobo Xavier, o intelectualóide Pacheco Pereira e - agora - o caloiro António Costa.


Recomendo portanto que amanhã, dêem uma olhadela ao programa (não que ele sirva para algo de relevante), para verem se Pacheco Pereira vai ou não fazer qualquer referência à tal promiscuidade entre a política e futebol que tão mal estar lhe provocava quando o FCPorto festejava na Câmara as suas vitórias.


Pode até ser que me engane, mas palpita-me que se vai esquecer...

Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

O Dia Seguinte da SIC

Não resisto, é impossível deixar de observar a baixeza de carácter e desonestidade intelectual dos opositores do Dr. Guilherme Aguiar no programa "O dia seguinte", na SIC.
Aquele belo exemplar, modelo perfeito dos políticos que aqui gosto de "enaltecer", de seu nome Fernando Seara, Presidente da Câmara de Sintra (vejam bem), é o tipo de figura mais repugnante que alguma vez conheci. Intriguista, desonesto, mexeriqueiro, cobarde, não consegue perder uma oportunidade para destilar o veneno que lhe corre nas veias.
No programa em questão, não deixou de se colar ao outro faccioso centralista Dias Ferreira, de lhe piscar o olho num acto descarado de cumplicidade abjecta, com risinhos cínicos e as habituais interrupções às intervenções de Guilherme Aguiar.
Bem, para mim não são estas peças que me surpreendem. Todo o lixo cheira mal e este não foge à regra, por isso rejeito-o. O que me surpreende é a paciência de Job de José Guilherme Aguiar para se manter naquele ambiente, onde o ódio e a má fé chegam a ser sufocantes.
Haja dignidade, senhor Guilherme, saia-me já desse alcouce e deixe esses gajos a falar sózinhos!

As falsas ofensas

Quando se constatam (o que, está sempre a acontecer), factos tão obscenos como este, pedir aos cidadãos sacrifícios e toda a sorte de deferências não é querer ser-se mais papista que o Papa? Não é, revelar uma incomensurável ausência de sentido de Estado? Que reacção podem esperar do povo os representantes do Govêrno que assim procedem? Respeito? Compreensão? Simpatia?
A Sra. Dra. Manuela Ferreira Leite bem tentou, em entrevista à SIC Notícias, demarcar-se da concorrência partidária (interna e externa), procurando, à sua maneira, convencer-nos que é pessoa mais credível. Nestas coisas, como sabemos, os jornalistas só mostram as unhas com perguntas pertinentes quando estão perante alguém que já foi pública e previamente julgada por algo que ainda não se sabe se efectivamente fez, ou quando o entrevistado não corresponde aos seus cânones de preferência política, social e clubística. Há mais, mas Alberto J. Jardim e Pinto da Costa, são apenas dois exemplos suficientemente convincentes do que acabo de dizer.
Daí que, quando a Dra. Manuela andava ali às voltas, a tentar não chamar mentirosos aos seus colegas de profissão (políticos), alegando que ela não era como outros que prometim e depois não cumpriam, a jornalista não soube tirar partido do filão que inopinadamente a entrevistada lhe tinha oferecido para explorar e dissecar até à última réstea de resistência a simulação. Até os jornalistas são coniventes com o poder, quando lhes convém.
Se consultarmos um bom dicionário ou uma enciclopédia, todos sabemos que é apenas aí que podemos encontrar a descrição rigorosa do significado das palavras e é com base nela que devemos aferir as nossas opiniões, jamais em quem as manipula.
Na Diciopédia de 2007, da Porto Editora, podemos verificar que a palavra insultar, é um verbo transitivo que significa injuriar, ofender e ultrajar. Do adjectivo/substantivo impostor, apuramos que tem vários sinónimos, como: embusteiro, charlatão, mentiroso, vaidoso, hipócrita, caluniador, propagandista de falsas doutrinas. E, chega.
Já abordei de outra forma e noutra altura esta questão, mas volto à carga, porque nunca é demais fazê-lo. Os senhores ministros e quejandos adoram argumentar com a palavra-chave demagogia, quando são confrontados com simples questões como estas, mas para as quais não encontram resposta, porque a única aceitável seria terem de admitir que são de facto mentirosos. Ora tal, não é propriamente prestigiante para a classe. Por isso, repudiam-na, não por ser afrontosa - porque podem bem com o fardo -, mas por revelar uma realidade com a qual não gostam de conviver. Eles detêm o Poder e acham que ele lhes confere tudo, até a honra. Outra ilusão, porque o Poder não dá nada disso. Se a honra não existir antes de beneficiarem do Poder, depois, só pode corromper.
Decorre desta realidade a maior demagogia que alguma vez se pode praticar, que é a possibilidade de permitir às "autoridades democráticas" incriminar um cidadão comum por difamação ou injúria, só por eventualmente se atrever a dizer, cara a cara, nas barbas de algum político aquilo que ele muitas vezes é: um impostor.
Contudo, o cidadão não ofendeu, limitou-se a falar verdade. Pergunta que se impõe: será isto democracia, ou um problema de fonética? Hipocrisia, quem sabe.

SOBRE A VITÓRIA DO SPORTING NA TAÇA DE LISBOA

Ponto 1

Não foi exclusivamente por causa da arbitragem, caseiríssima, do árbitro, que o Futebol Clube do Porto não ganhou a Taça de Lisboa.
Ponto 2


As duas dezenas de pontos de vantagem do FCP em relação ao 2º.classificado são um argumento de peso a favor de Jesualdo Ferreira, mas nem por isso devo deixar de dizer que esteve mal neste jogo. "Peças" mal arrumadas, como a colocação de João Paulo a lateral esquerdo sem qualquer rotina do lugar, e a falta de autoridade em relação a certos jogadores como Quaresma e Bosingwa. Este último não pôde jogar (estranha-se as exigências do Chelsea), mas, Quaresma, à imagem do que fez muitas vezes durante este campeonato esteve completamente invisível e Jesualdo não teve coragem para o substituir. Foi menos uma peça na equipa, mesmo quando o FCPorto ainda jogava com onze jogadores. O notório cansaço de um número significativo de jogadores denotou alguma dificuldade para gerir e mentalizar o plantel para um desafio decisivo como este. Esteve mal, nas substituições. Manteve Quaresma, mas substitui Mariano Gonzalez que estava a par de Nuno a ser o melhor jogador em campo. Fez entrar Tarik tardiamente, já quando pouco podia fazer-se. Enfim, Jesualdo não esteve bem nesta final.
Ponto 3
Escrevi no ponto 1 que não foi por causa da arbitragem que o Porto perdeu. Como expliquei a equipa não esteve ao seu melhor, mas isso não implica que o árbitro não tenha tido influência no resultado. Teve e muita. Apesar disso, devo dar os parabéns ao Sporting que esteve quase sempre melhor. Apesar disso, faço questão de lembrar aos monges da "verdade desportiva" que frequentemente o Futebol Clube do Porto também tem razões para se queixar da parcialidade de algumas arbitragens e nem por isso precisa de mover campanhas difamatórias para parir processos e inventar sistemas. O nosso sistema é outro, é económico e cada vez menos social. Se lhe juntarmos esta aberração política chamada centralismo temos um país de merda.
PS-Tenho sérias dúvidas que o FCP consiga vender Quaresma pelo valor da cláusula dos 40 milhões de euoros ou (como PdC ironiza, mais euro, menos euro). Suponho que vamos ter mesmo de ficar com ele para a próxima época. A não ser que o FCP baixe a fasquia para metade. Mesmo assim, a ser tão intermitente como foi (sobretudo esta época), duvido que Quaresma se aguente muito tempo num clube de top. Lá fora não querem génios em part-time.

Domingo, 18 de Maio de 2008

Luís Filipe Vieira, o gangster protegido do regime!

Esta notícia saiu na última página do JN de ontem e por esquecimento não lhe fiz referência.


Imaginem se a mesma ocorrência (que é já habitual com o Presidente do Benfica) tivesse outros protagonistas, de outras regiões e de outros clubes? Lá bem longe, nos confins das serranias transmontanas até ao alentejo profundo, não havia guardador de rebanhos que já não conhecesse a história de cor e salteado.



Por favor senhores amigos dos bons costumes, quando resolverem dar opinião sobre a matéria não se esqueçam de dar provas de isenção e denunciar também estas poucas-vergonhas.


O Porto não precisa para nada de mais PACHECOS PEREIRAS ! Um já chega. Não para usar, mas para deitar fora...

AVISO À NAVEGAÇÃO


Para quem tenha intenção de ver pela televisão (SIC) o final da Taça de Portugal, aqui vai um bom conselho:

Ponham algodão nos ouvidos ou cortem simplesmente o som.
Garanto que imparcialidade por parte dos comentadores da casa, é coisa que não irão ter.

Em alternativa, se não quiserem abdicar do som, façam de conta que estamos no tempo do Salazar... Talvez seja a atitude correcta.

Sábado, 17 de Maio de 2008

RELAÇÃO DE MARCAS DE LIXO TÓXICO













Portuenses! Não sejam masoquistas, não gastem o vosso dinheiro nestes pasquins.
Isto sim,é alienação e banditismo. A procuradoria não quer ver, ler e ouvir. É cúmplice!
Transmitam esta mensagem ao maior número possível de pessoas.
A bem da nossa cidade!

Estranha-se e depois repugna

Director
A Coca Cola teve em tempos uma publicidade em que se dizia mais ou menos isto "Primeiro estranha-se, depois entranha-se"- uma bela frase da autoria de Fernando Pessoa. Lembrei-me disto quando ontem lia duas notícias de capa de jornais de Lisboa. Numa delas, na linha do que vem sendo hábito, o Benfica atirava o F.C. Porto para fora da Europa do futebol.

Na outra notícia, avançavam-se mais uns pormenores do chamado Apito Dourado.Ao princípio estranha-se. Estranha-se que alguém ache possível passar consecutivamente a mensagem de que a corrupção atingiu todos os passos dados pelo F.C. Porto. Estranha-se ainda mais quando vem um jurista defender a possibilidade de uma justiça retroactiva, impossível à luz de qualquer princípio do Direito. Estranha-se que coisas destas sejam utilizadas para intoxicar, para torcer a realidade, para criar um clima.
Nem a maioria dos seis milhões de benfiquistas acreditará serem possíveis tais coisas. É por isso que, depois se estranhar, não se entranha. Repugna.
No outro caso, o que se estranha é uma colagem notícias com origem na mesma pessoa são preferencialmente publicadas no mesmo jornal. Não se estranha que as coisas vão sempre no mesmo sentido, pois o objectivo é consolidar a acusação. O que se estranha é que já nem a fonte sinta a necessidade de diversificar os meios que utiliza para a divulgação. Começa-se por estranhar e acaba por também repugnar tamanho à vontade.
Quem julgar que tudo isto é apenas futebol, desengane-se. É bem mais do que isso.
Tal como eu tenho vindo a alertar, também José leite Pereira, no seu estilo discreto, vem afirmar que o que se está a passar é bem mais do que futebol.Mas está na hora de começar a reagir e começar a fazer pagar todos aqueles que de um modo ou de outro potenciam e beneficiam desta vaga de portofobia em curso. A começar, por exemplo, pela empresa detentora de um dos
pasquins que mais se tem notabilizado pelo ódio que nutre à cidade do Porto. Por estranho que pareça, essa empresa, a COFINA, tem até sede nesta cidade. Julgo que é chegada a hora de sentirem na carteira a nossa repugnância. Todos os produtos desta empresa renegada devem ser boicotados pelos portuenses. São eles:AutoMotor Correio da Manhã Destak Máxima Máxima Interiores JNegócios PCGuia Record Rotas & Destinos Semana Informática
Publicada por António Alves
Como não podia deixar de ser, subscrevo o comentário de António Alves. O que ele sugere - sem presunção - eu já faço há muitos anos e só vou a Lisboa quando não posso mesmo evitá-lo (o que não é muito difícil).
Mesmo assim, creio que já não ponho lá os pés há pelo menos uns 12 anos. Mas para que a sua proposta resulte, é preciso que os portuenses não gastem sequer um cêntimo na compra destes pasquins símbolos da fase mais negra do pós 25 de Abril. Uma vergônha!

Comentário sério de um anónimo não portista

Pela seriedade do comentário ao post "Maldito futebol", de um ilustre anónimo merecíamos a honra de conhecer o seu nome. Não há por aí muita gente assim...
Eu não sou portista, mas tal facto não me impede de encarar os factos com seriedade e de os tratar como tal; factos e não convicções. Presentemente tenho que confessar que já não consigo calar a minha revolta e estupefacção pelo momento que atravessa Portugal.
Assistimos, neste momento, ao assassinato social de uma personagem pública, em absoluto frenesim mediático e perante o gozo, finalmente alforrio, de três quartos do país. Pinto da Costa é o seu nome e atrás dele arrasta-se pelo chão o nome do clube a que ele preside – o Futebol Clube do Porto.
Na entrega dos Globos de Ouro, onde o Jesualdo Ferreira recebeu o galardão de treinador do ano, as vaias e apupos que se ergueram só não foram mais explícitas na transmissão televisiva por causa das palmas pré-gravadas; esta reacção fez-me corar de vergonha como se tivesse sido eu o alvo. Perante a audiência das elites mediáticas sufragou-se o nojo do país por tal clube e presidente.
No dia seguinte a um outro espectáculo mediático, este o da leitura da sentença da Liga de Clubes, publicaram-se notícias sobre a perda de sigilo bancário de Pinto da Costa em relação a contas de empresas suas, vítimas de denúncias de Carolina Salgado. Quando o inimigo cai no lodo não se deve cometer o erro estratégico de o deixar levantar; as solas das botas servem para alguma coisa.
Mas afinal qual a causa que levou, finalmente, à condenação, não dos tribunais – que estes são o que sabemos – mas em sede da opinião publica (desportiva?), do homem por causa de quem foi formada a segunda equipa especial de investigação do Ministério Público em toda a história da terceira república em Portugal. Antes desta só uma foi criada e foi-o para investigar um outro fenómeno de "proporções equivalentes": as FP 25 de Abril.
O que está aqui em causa não é se ele é corrupto ou não. Eu disso não sei e se o for não sei se é muito diferente dos que o perseguem, inclusive dos que dirigem o meu clube. O que está aqui em causa são duas acusações específicas, ocorridas numa determinada data, envolvendo determinadas pessoas. Acusações que são o corolário de anos de investigação por parte da mais cara e mais "independente" equipa de investigação em Portugal e que continuamos a pagar como se não houvesse problemas mais graves a resolver neste pais. Por mais que alguns queiram, não se trata de absolutamente mais nada.
Todos os que comentam este caso confessam, em privado ou na televisão, o seu desconhecimento do processo, mas no entanto louvam a coragem da condenação. Como é possível? Que estado de loucura é que nos atingiu?
De certeza que não é por causa das escutas telefónicas que Pinto da Costa será condenado, porque se for, não se compreende por que é que as escutas que mostram Luís Filipe Vieira, João Rodrigues e Veiga a escolher árbitro e pedir favores, e que foram publicados nos mesmos jornais, não deram origem a processos.
De certeza que não é por causa do testemunho de Carolina, porque em qualquer parte do mundo ela não seria considerada uma testemunha credível. Não por causa do seu passado de alterne, mas porque é uma companheira desavinda e com pronunciada e notória intenção de denegrir o antigo companheiro. Para além disso nunca conseguiu apresentar qualquer prova do que afirmou, exibindo apenas testemunhos contraditórios. E testemunhos valem o que valem. Todos podemos dizer mal ou bem de quem nos apetecer.
Pinto da Costa é condenado porque existe uma generalizada convicção de culpa. De que é corrupto e que arquitecta os resultados do clube a que preside à mais de vinte e cinco anos e que portanto este não os merece e que lhes deviam ser retirados. Esta convicção continua a ser uma convicção e não uma certeza, depois do falhanço da toda-poderosa equipa de Morgado em apurar factos novos e emancipados da Carolina. Neste momento a equipa da eminente magistrada investiga transferências de jogadores do FCP e mais recentemente empresas de Pinto da Costa para apurar fugas ao fisco. Tudo com base nas informações de Carolina. Já não se trata de futebol. É a procura de um ponto fraco, do calcanhar de Aquiles. Trata-se de um inimigo que urge abater a qualquer custo. Se doer melhor. Eu nisto não me revejo.
E quem possui, então, esta convicção tão forte que até se confunde com uma certeza? Esta convicção que desmobiliza qualquer interesse sobre aspectos legais ou morais e apenas direcciona para o pelourinho. Os adeptos do Porto não a têm, claro. Têm-na os adeptos dos seus dois clubes realmente rivais, os quais constituem perto de três quartos dos adeptos em Portugal.
E como é possível que massas tão colossais de pessoas tenham crenças tão parecidas ou tão diferentes?
A explicação não me parece difícil. Todos se lembram do campeonato ganho pelo Sporting em 1999/2000? Pois o Sporting chegou ao último jogo com dois pontos de vantagem sobre o Porto, depois de o segundo ter sido "roubado" de uma forma – mesmo eu tenho que admitir - inacreditável, por Bruno Paixão em Campomaior. Os meus amigos portistas ficaram cabalmente convencidos da corrupção desse campeonato que lhes roubou o "Hexa".
No ano seguinte o mundo do futebol escandalizou-se com a benevolência com que o "sistema" permitiu ao Boavista molhar a sopa em praticamente todos os relvados do país, deixando uma esteira de mortos e feridos nas fileiras adversárias.
Em 2001/2002 o Sporting ganhou um campeonato em que os adeptos contrários se indignaram com o número de jogos resolvidos com penaltis. As suspeitas foram como de costume descomunais.
Em 2004/2005 o Benfica arrecadou um campeonato invulgar, pisando com pezinhos de lã o que se convencionou chamar de "passadeira vermelha". Mais uma vez foi grande e generalizada a revolta e a suspeita.
Ora, este curto parágrafo contém a descrição de todas os campeonatos ganhos por equipas adversárias do Porto desde 1994 e isto é que constitui o cerne do problema. Basta aplicar a fórmula explicada em cima para se perceber o porquê do ódio ao Porto e da convicção, por parte dos adversários, da sua culpa e da do seu presidente que tem permanecido o mesmo.
Neste país ninguém ganha por merecimento. Tudo ganha na batota. Ganhasse o Porto dois campeonatos por década e era um clube simpático e o presidente um tipo culto que até declama poesia, passe a pronúncia.
É claro que existe corrupção no futebol. Ninguém é ingénuo. No futebol e na politica, nas modalidades amadoras e sociedades recreativas. A corrupção existe onde existem interesses. Nas mesas de café, por entre cervejas e tremoços, os amigos e conhecidos repartem amigavelmente estas histórias e convencimentos, riem-se do golo que marcaram com a mão e ofendem-se com a vista grossa feita à bola que bateu em pelo menos 15% do ombro e portanto deveria ser penalti.
Falta apenas o catalisador de todas estas energias, positivas e negativas e o catalisador são os media. No momento em que escrevo este texto não sei quantas pessoas o vão ler, mas se o fizer na televisão sei que vai ser escutado por milhões. Os dirigentes dos clubes que não ganham o suficiente, ou então velhas comadres desavindas, extravasam os seus ódios e dissimulações nos meios de comunicação e catalisam todas as frustrações dos adeptos que conduzem da mesma forma que os políticos gerem os povos nos comícios e mesas de voto.
Temo que o processo tenha ido longe demais e apenas a justiça civil tenha oportunidade de repor o estado de direito que permanece na aparência mas que foi suspenso de facto. Nesta sociedade, quem acusa tem que provar, não o contrário. Nesta sociedade, perante a justiça, causas iguais originam processos iguais. Não pode haver descriminação. Não pode haver perseguição.
Aquilo que está aqui em causa é apenas demonstrar se os dois acontecimentos de que Pinto da Costa é acusado são provados ou não. O resto é política, mediatismo ou clubite.
Quando a chacina de uma pessoa por causa de campeonatos ou outra coisa tão mesquinha como esta, é permitida - gostemos da pessoa ou não da pessoa, e eu não gosto - mais vale passarmos mudarmos de vida. No fim, o trago será sempre amargo. Assim não vale a pena.

# autor desconhecido
17 de Maio de 2008 14:12

O Portugal em que vivemos hoje

Uma adolescente de 16 anos pode fazer livremente um aborto mas não pode por um piercing.

Um cônjuge para se divorciar, basta pedir; Um empregador para despedir um trabalhador que o agrediu precisa de uma sentença judicial que demora 5 anos a sair. Na escola um professor é agredido por um aluno.
O professor nada pode fazer, porque a sua progressão na carreira está dependente da nota que dá ao seu aluno. Um jovem de 18 anos recebe €200 do Estado para não trabalhar; um idoso recebe de reforma €236 depois de toda uma vida do trabalho.
Um marido oferece um anel à mulher e tem de declarar a doação ao fisco. O mesmo fisco penhora indevidamente o salário de um trabalhador e demora 3 anos a corrigir o erro. O Estado que gasta 6 mil milhões de euros no novo Aeroporto recusa-se a baixar impostos porque não tem dinheiro. Nas zonas mais problemáticas das áreas urbanas existe 1 polícia para cada 2.000 habitantes; cada Ministro tem 4 polícias guarda-costas; o Governo diz que não precisa de mais polícias.

Numa empreitada pública, os trabalhadores são todos imigrantes ilegais que recebem abaixo do salário mínimo e o Estado não fiscaliza. Num café, o proprietário vê o seu estabelecimento ser encerrado só porque não tinha uma placa a dizer que é proibido fumar. Um cão ataca uma criança e o Governo faz uma lei.
Um professor é sovado por um aluno e o Governo diz que a culpa é de causas sociais. O IVA de um preservativo é 5%. O IVA de uma cadeirinha de automóvel, obrigatória para quem tem filhos até aos 12 anos, é 21%. Numa entrevista à televisão, o Primeiro-Ministro define a Política como 'A Arte de aprender a viver com a decepção'. Estaremos, como Portugueses, condenados a aprender a viver com este Primeiro-Ministro?

Renato Oliveira

Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

Multar ou Caçar Multas?

Declaração de interesses. Há umas semanas atrás, fui apanhado à vertiginosa velocidade de setenta e tal km/hora, na Circunvalação, a meio da manhã de um dia útil, em zona sem tráfego significativo, sem peões a circular, sem ruas transversais ou saídas de prédios. Paguei uma multa exagerada e arrisco-me a ficar sem carta de condução por um período de 1 a 12 meses.

Hoje, há bocado, lá continuava a prestimosa corporação, na mesma Circunvalação e praticamente no mesmo local, a caçar incautos.

Não tenho nada contra a PSP, pelo contrário. Também não alinho naquela vulgarizada opinião de que toda e qualquer coima por infracção rodoviária, ou de outra natureza, é uma "caça à multa". Simplesmente é verdade que a caçã à multa existe e este é um desses casos. Pergunto em que é que a segurança da circulação rodoviária, isto é a segurança de bens e pessoas, melhora pelo facto de se "caçarem" condutores apanhados a circular, naquela quase auto-estrada, a 70 ou 80 Km/h. Pergunto também se esta atitude da PSP contribui para o prestigio da corporação.

Em contra-partida, precisamente também hoje, eu e muitos outros condutores ficamos parados na faixa descente da Av.da Boavista, por duas vezes, ambas nas cercanias de dois estabelecimentos de ensino, e isto porque as pressurosas mães que vão buscar as suas criancinhas às referidas escolas, param e esperam por elas em plena faixa de circulação, muitas vezes fechando-a totalmente. As buzinadelas são o único recurso de que os "engarrafados" dispõem, mas revelaram-se de pouco efeito. Enquanto esperava que a condutora dum flamejante Mercedes (nada contra!) resolvesse acabar por encostar à direita ( em segunda fila, claro) assim desentupindo a avenida, pensei se os polícias entretidos a multar gente na Circunvalação, não seriam melhor empregues naquele local, a impedir que pessoas provavelmente com muito dinheiro mas com pouco civismo ou pouca inteligência, complicassem a vida dos outros. Será tão difícil as chefias da PSP perceberem isso?

Peço desculpa pela falta de originalidade deste post, mas é a forma que encontrei de aliviar a minha indignação.

p.s. Depois de se saber que a ASAE impõe aos seus funcionários quotas de multas e quejandos, estou a admirar-me de quê?

Maldito futebol

Se era suposto eu escrever alguma coisa sobre este filme do "Apito final", aqui fica.
Em Portugal, é comum ser adepto de futebol, e essa é uma condição que tolhe a racionalidade. Em Portugal, que tem, cada vez mais, um só centro de decisão, os cordelinhos são maioritariamente movidos por gente que, mais do que nas virtudes da pátria ou no milagre de Fátima, acredita nas propriedades patogénicas do presidente do F. C. Porto. Ou seja, como os que mandam e julgam, regra geral, odeiam mais o Pinto da Costa do que amam as próprias mães, é impossível que haja equilíbrio. Adeptos que são - e essa é a camisola que mais custa a despir -, agem como tal, mesmo que escondidos atrás do diáfano manto da incorruptibilidade.
P.S. - E mais, não posso deixar de dizer mal desse "Lone Ranger" fanhoso que encheu os programas televisivos, dizendo que é bom todos os dias e que, fizesse ele as leis, mais implacável e justiceiro seria.
Pedro Olavo Simões
(jornalista)

O meu comentário:

Só não concordo com o chavão de "o futebol tolher a racionalidade". O que tolhe a racionalidade não é a paixão clubística ao futebol, é outra coisa muito simples que se esconde atrás dela: a desonestidade moral e intelectual dos indivíduos.

Muitos outros padecem desse mal e não querem saber do futebol para nada. Estou a lembrar-me de um autarca...

Procuram-se, procuradores sérios

Questionar, questionar, questionar. Mais do que nunca, é o que nós cidadãos, temos de nos habituar a fazer com as decisões dos governantes sempre que elas nos suscitem dúvidas. Depois, devemos por todos os meios legais, debatê-las, contestá-las e, em última análise e se for caso disso, aceitá-las ou refutá-las.
Precisamos de ter cada vez mais cuidado com os "opinion maker" que, ao invés do que pensamos concebem e difundem linhas de conduta muitas vezes imponderadas e completamente contrárias ao interesse público.
Uma dessas linhas, há alguns anos em vigôr, diz-nos que devemos reprimir toda e qualquer contestação, substituíndo-a tão rápido quanto possível, por soluções concretas capazes de resolver o que a origina. Por outras palavras, sugere-nos o "faz", em vez do "contesta". Óptimo. Mas apetece perguntar: o comum cidadão terá assim tanto poder económico (money) e político para executar, em vez de contestar? Bem, se assim fosse, eu já teria despedido sem bilhete de retôrno muitos governantes, mas não posso. Este "fantástico" regime democrático obriga-me a aguentá-los, no mínimo, de 4 em 4 anos.
Como é que então posso fazer valer os meus direitos quando não acredito no desempenho dos orgãos do poder? Da justiça, por exemplo? Como posso eu - dando de barato que as suspeitas contra Pinto da Costa são fundamentadas - acreditar no senhor Procurador Geral e respectiva adjunta quando revelam ter dois pêsos e duas medidas? Quem, efectivamente, pode controlar a seriedade destas duas importantes figuras? Se o governo não pode ou não quer controlá-los quem o pode fazer?
Temos todo o direito para duvidar, tanto da seriedade da Dr. Maria José Morgado e do advogado Ricardo Costa, como eles têm de duvidar da de Pinto da Costa. E quem se atreve a mover-lhes um processo por tráfico de influências que as sua condutas arbitrárias fazem supor e já justificam há muito? Eu? Se alguém souber que mo diga, porque se não custar muito dinheiro faço-o imediatamente? Caso contrário, esqueçam a história do "em vez de reclamares, faz", porque não passa mesmo de mais uma das demagogias correntes neste paradisíaco regime. Não será este o cerne do futeboleiro "sistema"?
Todo o país ouviu o presidente do Benfica ao telefone com Valentim Loureiro a escolher um árbitro para um determinado jogo como se estivesse no supermercado a escolher maçãs. Quando lhe era sugerido um nome, o homem dizia, esse não, porque é muito nortista, esse também não porque é gordo, esse não porque não gosto... O que é isto? Como terá afinal interpretado o senhor Procurador & Companhia Ilimitada esta conversa? Como um hino aos bons costumes e à transparência? Por que está tão calado? O auto-endeusamento já terá alcançado uma escala tão grande que se julgam acima de qualquer suspeita?
Pois eu aqui declaro, que enquanto não for explicada pública e racionalmente esta manifesta dualidade de critérios, tenho toda a legitimidade para lançar as piores suspeitas sobre a ética e a honra destas pessoas.

Quinta-feira, 15 de Maio de 2008

PLACA TOPONÍMICA DA RUA CORONEL ALMEIDA VALENTE

-------Mensagem original-------

De: Rui Valente
Data: 07-05-2008 16:13:07
Para: Direcção Municipal da Via Pública (CMP)
Assunto: PLACA TOPONÍMICA DA RUA COR. ALMEIDA VALENTE

À ATENÇÃO DO EXMO. SR. ENGº., SÉRGIO BRANDÃO

Exmos. Senhores,

Faz hoje exactamente 48 dias (19-03-2008), que o Sr. João Aguiar, coordenador desse departamento, me telefonou a informar que o assunto supra referenciado seria resolvido com toda a diligência, ainda que sem me ter apresentado qualquer prazo. Pela atenção e simpatia demonstradas, aceitei dar mais algum tempo, procurando compreender, tanto quanto possível as v/ dificuldades para resolver um problema simples, como este deveria ser. Desde então, nunca mais me foi dada qualquer informação sobre o andamento do processo e a placa continua por substituir.

Muito antes dessa data (19-03-08), já me tinha desdobrado em contactos (e-mails) para vários dos v/ departamentos camar