Segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

A regionalização armadilhada

Não me julgo com vocação nem para ser o que se chama um "corvo branco"(num bando de corvos pretos) nem para ser arauto de desgraças, mas continuarei a discordar de que se realize o refendo constitucional à Regionalização sem que préviamente se tome uma série de iniciativas de preparação, sem as quais nos arriscamos à vitória do NÃO o que, a acontecer, inviabilizaria a regionalização por mais longos anos, a menos que viesse a ocorrer qualquer coisa parecida com o que aconteceu em 74.

Todos os preceitos constitucionais estão programados para constituir uma armadilha anti-regionalização, e "mergulhar de cabeça" no desejo de "Referendo já!" é de uma ingenuidade e de uma irresponsabilidade que o centralismo agradecerá. O referendo, com o actual enquadramento legal, é uma farsa. Nenhum governo - passado, presente ou futuro - nem nenhum partido político do Arco do Governo, quer a regionalização. Por razões sobejamente conhecidas, o que ambos pretendem é a manutenção do actual regime de colonialismo centralizado.

Assim sendo, sem o estudo detalhado das armadilhas semeadas no caminho e das necessárias contra-medidas, eu penso que qualquer regionalista convicto deve rejeitar a realização de um referendo no estilo "meia bola e força".

Rui Veloso / Primeiro Beijo



Um bom feriado, e boa sorte para o FCPorto

Educação e vocação ou, simplesmente, valores

Ponto 1º.
Concordo absolutamente com a necessidade da junção de um conjunto de requisitos para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, como: Educação, Formação Académica, Técnica, Profissional e Vocacional.
Ponto 2º.
Sendo certo que, por razões de vária ordem, intelectual, económica e vocacional, uma grande parte não conseguirá reunir plenamente todos esses requisitos, é fundamental que reúnam, pelo menos, o primeiro deles. A Educação*.
A este propósito o Professor Sobrinho Simões - que o JN do passado sábado, dia 5/11, informou [e espero que se trate apenas de um lamentável lapso] estar a leccionar na Faculdade de Medicina de Lisboa, mas que suponho tratar-se da Faculdade de Medicina do Porto -, fez um comentário ilustrativo sobre a importância de um de esses requisitos igualmente importante, que é o da vocação. Abordava igualmente um outro aspecto pertinente e que é outra praga da nossa sociedade, que consiste na dificuldade ou na mesquinhez que temos de trabalhar em equipa. "Temos um problema que é termos bons solistas mas sermos maus a trabalhar em orquestra e isso tem a ver com as limitações históricas" - disse. E escreveu a seguir: "Temos de ter um sistema de recrutamento com avaliação curricular e os candidatos têm que ter provas escritas e entrevista" .
Há muito que defendo esta ideia, mas de forma menos "diplomática". A profissão de Médico, vai - na minha óptica -, muito para além da licenciatura e das especialidades. É a única profissão, a que pela sua interligação imediata com a saúde pública, devia ser exigível o factor vocação. Antes de se candidatarem a Médicos, todos os alunos, incluindo os melhor classificados, deviam ser submetidos a rigorosos exames psicológicos [a que Sobrinho Simões prefere chamar entrevistas], para avaliar uma das maiores virtudes que um médico pode ter, para lá das técnicas e cientificas: a componente humana e a capacidade de comunicar com os doentes. Só assim se entende esta outra expressão de Sobrinho Simões: "Os 'minifundiários' e as 'pequenas invejas' são defeitos culturais e não genéticos".
Na política, aquilo em que os políticos mais investem é na representação. Passe a redundância,
não é politicamente correcto afirmar isto, mas na minha opinião, o politicamente correcto é outra forma de representar, por isso, apesar de termos de conviver com estas farsas, devemos ridicularizá-las o mais que pudermos. Quem gostar de representar terá definitivamente de optar pelo Teatro, pelo Cinema ou pelas Telenovelas. Ponto. Aos políticos, teremos de proibir essa vocação, porque é gravemente desviante e não é isso que esperamos deles.
Um indivíduo muito educado, muito polido [eu não pertenço a esse grupo porque não tenho relevância pública, podendo dar-me a certas brejeirices], pode não ser um indivíduo fiável e integro, mas se representa um alto cargo no Estado tem de ser superiormente educado, porque na eventualidade de recair sobre si uma suspeita de corrupção ou de qualquer outro tipo de crime, e for escutado a verbalizar ordinarices que até os simples cidadãos não usam, o povo tem todo o direito de duvidar da sua idoneidade. É apenas esse, o significado do velhinho e sábio ditado da mulher de César...Sábio, mas não quanto baste, para fazer com que certas figuras públicas tenham bem presente a elevação exigível aos seus cargos.
Com isto termino dizendo que, à luz destes exemplos, de tudo o que vamos descobrindo sobre os hábitos comportamentais das nossas "maiores" figuras do Estado, me considero , uma pessoa educada.
*
Apenas a partir deste pilar é que podemos falar em Justiça

Domingo, 6 de Dezembro de 2009

Boicotar quem?

Sobre o assunto do momento, o "caso Red Bull", sinto que tenho uma opinião que foge um bocado à generalidade dos pontos de vista que tenho lido, razão pela qual julgo que pode ter interesse dá-la a conhecer aqui, e deste modo poder talvez contribuir para o debate.

Qual é a génese do problema? Uma empresa, a Red Bull, firmou um acordo, válido por três anos, com os municípios de Porto e Gaia, no sentido de realizar sobre o Douro um festival aéreo que é basicamente um acto de promoção comercial daquela bebida. Terminado o contrato, verifica-se que um dos contratantes, o exibidor, resolveu procurar outro local para o próximo triénio. Será lógico considerar inadequado que uma empresa procure rentabilizar ao máximo os resultado de um evento que promove com fins exclusivamente comerciais? Porque razão se há de considerar a Red Bull como uma instituição de benemerência com a obrigação de substituir-se ao Estado, promovendo o turismo no Porto, mesmo com resultados financeiros menos favoráveis?

Obviamente que a questão tem outros contornos, o principal dos quais é a acção dos poderes públicos - directamente ou através de empresas participadas - no auxílio dado à Red Bull no sentido de lhe criar condições mais atractivas em Lisboa do que em Porto-Gaia. Dito isto, aponte-se a ignomínia (para utilizar o termo do António Alves) da actuação estatal que, como é hábito, beneficia a capital à custa de todos aqueles portugueses que não têm a "prerrogativa" de viver em Lisboa e arredores. Sim, porque ninguém acredita que empresas como EDP, PT, Galp, além da própria Secretaria de Turismo, não tenham patrocinado através de auxílios diversos, sobretudo financeiro, o desvio do festival do Douro para o Tejo, por muito que o neguem veememente. Daí que se proponha o boicote aquelas empresas, ao qual gostosamente estou pronto a aderir, já que não posso boicotar o Estado Português, sobretudo na miserável forma que ele hoje apresenta.

Quero referir um último ponto que não me lembro de ver focado em toda a dialéctica à volta deste caso. Se a não renovação do contrato com Porto-Gaia é por incapacidade financeira para satisfazer as exigências do promotor, não teríamos nós, os portuenses, o direito de supor e esperar que empresas de vulto do grande Porto se prontificassem a colaborar financeiramente, até como acto de publicidade, no esforço a levar a cabo para garantirmos o festival, pelo menos por mais três anos? E então fico a pensar se o boicote não deveria ser dirigido para empresas como Sonae, Amorim, Salvador Caetano, RAR, CIN, Sogrape, e tantas outras, que não se preocupam em levantar o estandarte da região. Acabo por ficar irritado comigo próprio quando me lembro que procuro dar preferência aos seus produtos sempre que possível, sem me preocupar se são os melhores, para afinal verificar que no fim de contas se estão "nas tintas" para a região onde estão inseridas.

Sábado, 5 de Dezembro de 2009

Red Bull can be BullShit



Se a ignomínia for avante nós não o esqueceremos e actuaremos em conformidade.

em memória de meu pai que foi um fã de Mario Lanza




BOM FIM DE SEMANA

A cobardia de um Estado forte com os fracos

Será improvável num país onde a Justiça pura e simplesmente não existe, vermos os grandes criminosos [políticos & Ca.] a serem tratados assim pela Polícia. Em vez desta senhora que se limitou a exigir de um Banco administrado por ladrões, o dinheiro que era seu, a Polícia devia pegar pelo cachaço e meter na cadeia esta lista de pessoas:

Embaixador Jorge Ritto, jornalista Carlos Cruz, médico Ferreira Diniz, advogado Hugo Marçal, advogado Vale e Azevedo,ex-provedor da Casa Pia Manuel Abrantes, Paulo Pedroso ex.Ministro do Trabalho e "Solidariedade" [todos envolvidos no Processo Casa Pia excepto o ex-Presidente do Benfica que está fugido do país acusado de burla e falsisficação de documentos]. O mais influente dos "suspeitos" e que foi ilibado é curiosamente [só isso] irmão de um Juíz... e ainda recebeu uma indemnização do Estado!

Ex-Ministro e Conselheiro de Estado [com offshores...], responsável do BPN, Dias Loureiro, e todos aqueles que andam a tratar de fugir do envolvimento no caso Freeport, no Operação Furacão, etc. Estou também a lembrar-me vagamente de um Carlos Melancia e de Macau... e de um eventual tráfico de diamantes em Angola com um acidente de helicóptero pelo meio. Enfim, toda esta gente se safa e a Justiça permite que a opinião pública especule, porque os advogados, como sabemos só se interessam por defender quem lhes pode dar muito dinheiro a ganhar, mesmo que sejam criminosos retintos. Com os pobres, os advogados fazem umas cócegas para disfarçar, mas raramente levam os processos até ao fim.

É a gente deste nível - quase toda de Lisboa - que alguns doutores imbecis do burgo prestam homenagem e protegem dos ataques "provincianos" .

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Nota:
Tantos são os cambalachos que até me esquecia de referir o mais recente: o Face Oculta

Sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

Norte Sim - Associação para a Região Norte - Reunião Preparatória


Carísssimos,

Venho por este meio convidar para reunião preparatória da Norte Sim – Associação para a Região Norte a realizar na Cooperativa de Ramalde (Rua Dr. Pedro de Sousa, 725
4100 – 392 Porto) no dia 11/12 às 19h00.

Ordem de Trabalhos - Constituição dos grupos de trabalho conforme a reunião anterior e inicio dos respectivos trabalhos :

Grupo 1 - Impacto das Barragens na região, 2 – Criação de Banco ou Caixa Regional, 3 - Desvios na Aplicação do QREN, 4 - Acessibilidades e Ferrovia, 5 - Apresentação e síntese sobre a Região Norte, 6 - Plano de comunicação, 7 - Internet (site, blog, forum e redes sociais), 8 - Organização geral.

Por favor estendam este convite a quem tiver interesse em participar.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Pereira [TVTel]

OBS.-Esta informação foi-nos enviada por e-mail pelo autor

O Jorge, é mesmo Fiel

Clicar sobre a imagem para ler
[Recorte extraído do jornal Grande Porto]
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Os lambe botas

Coerente com o que tenho escrito em apoio às causas do Norte, comprei hoje o semanário Grande Porto. Continuo a pensar que este jornal não está devidamente publicitado pelos proprietários nem adequadamente exibido nas bancas dos jornais. Há, pois, que procurar sensibilizar os comerciantes destes estabelecimentos no sentido de lhe darem mais visibilidade, isto se é que estão mesmo interessados em vendê-lo...
Na página destinada a um painel de personalidades seleccionadas para responder a um determinado tema, a pergunta desta semana era esta: «É viável um boicote aos produtos dos patrocinadores da Red Bull Air Race se essas empresas ajudarem a que a prova se dispute em Lisboa?». No SIM, votaram entre outras pessoas menos conhecidas, o jornalista Jorge Fiel, o Manuel Serrão, e no NÃO, Rui Moreira, Carlos Abreu Amorim, Pedro Baptista, Pedro Abrunhosa e o Professor Universitário, Mário Melo Rocha.

Não quero aqui discutir se é, ou não, viável o boicote, a única coisa que pretendo dizer sobre isto é que, talvez não perdêssemos nada em retirarmos as dúvidas fazendo a experiência. É em situações extremas como esta suscitada pela cobiça do evento da Red Bull pela capital, que muitos deviam ousar pôr à prova o tal optimismo que noutras ocasiões reclamam dos outros. Meter o rabo entre as pernas, dando à partida como derrotada uma iniciativa que podia realmente abanar com a estrutura despótica centralista, parece-me de fraca ambição para quem pretende defender os interesses regionais.

Do grupo de pessoas que disseram NÃO ao boicote a declaração que mais me espantou pela negativa [ou se calhar, nem por isso...], foram as do Prof. Mário Melo Rocha: «Inconsequente e quixotesco. Os portuenses vão boicotar a TMN ou a PT? Se, como já veio noticiado, o Red Bull Air Race for para Espanha, é o Porto que vai levar com as culpas.» Mais adiante, acrescentou, referindo-se aos defensores do boicote: «Eles não vêem um palmo à frente do nariz. Eles não vêem mais do que a sua sombra imediata, não percebem que Lisboa, e o resto do país, vai apontar o dedo ao Porto e, aí sim, considerar o Porto provinciano».

Douto senhor Rocha: pela parte que me toca devo dizer-lhe, se porventura passar por aqui e tiver o azar de me ler, que me estou perfeitamente nas tintas com o que Lisboa e o resto do país pensa de mim, porque prefiro que me achem provinciano, ou até bairrista, do que chulo. Porque, aos chulos, eu não costumo passar cartão. São parasitas, escória social, como em escória nacional se transformou Lisboa com a política de eucalipto que exerce ao tal resto do país. Se V. Exa. gosta de lamber os pés a quem o mal trata é lá consigo, eu corro-os a pontapé se preciso for. É com hipócritas do seu tipo que uns vão enriquecendo e a maioria penando. Como eu o compreendo... A radiografia está tirada e detectou uma doença grave muito em voga: você tem um problema e não sabe, tem um cancro no carácter!

Ah, e não se esqueça que me dá mesmo gozo que Lisboa pense mal de mim. Nem imagina quanto!
PS-Para memória futura coloquei o rosto de um regionalista de trazer por casa. De seu nome: Mário Melo Rocha

Quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

Extraída do blogue A Cidade Surpreendente...

...esta jóia rara da fotografia, onde é possível ver ao lado da então novinha em folha Ponte de D. Luís a velhinha ponte Pensil. Vale a pena visitar A Cidade Surpreendente, surpreendente como esta foto.

Assinem

Assinem. Pode ser que esta "guerra" da Red Bull possa ser a gota que faça transbordar o copo.

Petição contra a centralização: http://www.peticao.com.pt/centralizacao

Fraquezas da nossa Democracia

Caros amigos,

Houve um comentador que, sobre o que foi anteriormente escrito se limitou a dizer: "tanto blá-blá- e não acontece nada!" . Estive quase para lhe responder que tinha razão, se não considerasse essa resposta profundamente injusta e simplista para aqueles que, como muitos de nós, sentem terrivelmente o peso e as consequências da forma ultrajante como o Porto e, genericamente, o Norte do país, vem sendo tratado pelo Governo central.
No meio desta enorme massa de gente descontente há situações específicas para cada caso. Uns, estão empregados, vivem relativamente bem, mas não se conformam com o que vêem, outros estão já reformados com reformas razoáveis, assim-assim, ou miseráveis [a maioria], e outros estão desempregados, quase desesperados, sem vislumbrar no horizonte próximo qualquer saída para as suas vidas. É assim que devemos começar por analisar a situação. Ela é ambígua, como se percebe, porque se os que estão menos mal temem perder o que têm e receiam envolver-se em movimentos que possam fazer perigar o seu relativo bem estar, os que estão mal deviam ser em teoria os mais inconformados [e se calhar até são], mas não têm como se defender.
Posto isto, é simples de perceber porque é que, por regra natural, são as pessoas melhor instaladas na vida, as mais "optimistas", mais cautelosas e "tolerantes". Elas sabem que o país não tem ponta por onde se lhe pegue, mas nos seus casos pessoais vai dando para viver bem, por isso tendem sempre a deitar água na fervura no caos governativo, para sua própria segurança. Daí considerar ser uma tremenda demagogia pensarmos que isto se resolve com associativismos e voluntarismos. Os resultados destes movimentos, na prática, assemelham-se aos das [poucas] casas reabilitadas do centro histórico do Porto pela Porto Vivo [Sociedade de Reabilitação Urbana] que são incomportáveis para quem precisa mesmo, e acessíveis para quem já tem outras casas.
Por outro lado, o povo é pacífico, não quer realmente recorrer ao único recurso que lhe resta, partir para a violência, e vai deixando passar o tempo à espera que algum Messias lhe resolva os problemas. Na vida selvagem é a Lei do mais forte que conta para sobreviver, na sociedade humana também, mas com limites. Esses limites não podem ser ultrapassados e foi para isso que se inventaram as regras. Sucede que, em sociedade, o mais forte não pode ser quem viola as regras, com maior ou menor habilidade, porque esse é precisamente o primeiro sinal de fraqueza do ser humano. Nestes casos, teria obrigatoriamente que intervir a força cega da Lei, doesse a quem doesse, mas a Lei não intervém*.
Ora, descendo de novo à terra, são exactamente esses pontos débeis humanos que vemos a serem disseminados pela nossa classe política [e empresarial], dia após dia. Impunemente. Tal situação, associada ao desemprego, ao desprezo por uma região historicamente importante do país, à acentuação do seu empobrecimento em benefício da capital e daqueles que o desgovernam e infligem fracturas na coesão, só pode degenerar em violência. É uma questão de tempo.
A União Europeia, se arrepiar caminho [estou a ser optimista] e exercer um controlo efectivo na gestão dos respectivos países, corrigindo-lhes este tipo de desvios e ilegalidades, ainda pode funcionar como um travão à desordem pública, caso contrário, o povo, mais ou menos organizado, começará a fazer estragos.
Aquilo a que assistimos pela TV há uns mêses em Paris [carros incendiados e lojas saqueadas], pode acontecer aqui, na América Latina, em qualquer lado. Responsáveis? Quem? Toda esta comandita de políticos e governantes fúteis e acomodados que se entretêm a golpear os restos de democracia do regime, à espera que ela sangre e morra de vez.
* Memorete:
Caso Casa Pia e respectivo elenco que todos conhecem [tudo gente bem], Moderna, Freeport, BPN, BCP, BPP, Dias Loureiro, Operação Furacão, e mais recentemente Face Oculta, etc. Todos os tubarões saem dos processos [quando chegam a entrar], sistematicamente ilibados. Conclusão: a primeira das fraudes em Portugal chama-se Justiça!

Quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

e SE nós, nortenhos,

assim, como quem não quer a coisa, inventássemos o nosso IF e:
nos recusássemos a pagar impostos?

fizéssemos um manguito à la Rafael Bordalo Pinheiro, a pagar portagens?

deixássemos de nos interessar absolutamente por eventos realizados em Lisboa e nunca mais lá puséssemos os pés?

nos indisponibilizássemos para o serviço militar, em caso de emergência "nacional"?

deixássemos às moscas os locais de visita [esporádica] à nossa cidade quando os nossos governantes cá viessem?
se nos recusássemos a votar, enquanto o tema da Regionalização continuasse a ser ignorado?

se deixássemos todos de assinar a TV Cabo, PT, Sport TV, Meo, etc.?
O que é que de mais desprezível, aqueles bandalhos, lá em baixo, se lembrariam de nos fazer? Mandar-nos-iam para uma Câmara de Gaz?

Crónicas sobre o futuro/de Henrique Neto

Nos dois textos anteriores expliquei alguns dos erros do programa do Governo.Todavia, o pecado
maior do programa é ser um texto mentiroso, no sentido em que foi escrito para agradar e não para ser cumprido. Desde logo por razões financeiras.
Na semana passada o Ministro das Finanças anunciou o que já se sabia, o défice previsto das contas do Estado subiu para os 8,7%, ou seja, a margem de manobra do Governo para continuara a endividar o Pais é agora ainda menor e só o facto da palavra do Governo não contar para nada é que permite que se continue a enganar os portugueses com a solução para a crise do investimento público.
De facto, seria o cúmulo da irresponsabilidade se o Governo, nas actuais condições das finanças portuguesas, continuasse a construir mais auto estradas e mais pontes, para além de tudo desnecessárias. Podemos por isso dizer, sem margem para qualquer dúvida, que os chumbos do Tribunal de Contas, para além de um acto de seriedade, são também uma bênção para o País.
Cabe aqui uma palavra para falar sobre o ministro das Finanças. Sempre nutri por ele o maior respeito, desde o tempo em que foi secretario de Estado do saudoso ministro Sousa Franco. Todavia, todos sabemos dos efeitos perniciosos que a convivência com os maus líderes pode ter sobre os seus seguidores, por vezes mesmo sobre os melhores. Fico pois com a dúvida se isso está a acontecer com o actual ministro das Finanças, mas todos o ficaremos a saber em breve: ou assume seriamente a tarefa de pôr em ordem as contas públicas, que foi o seu objectivo quando chegou ao Governo, começando por dar razão a Oliveira Martins nos seus chumbos à arbitrariedade e ao desmazelo do interesse público, ou teremos mais um bom cidadão corrompido pelo poder de um primeiro ministro, que, no mínimo, não tem a preparação necessária para o cargo.
Claro que ao fazer esta afirmação não desconheço a tese de que o investimento público, previsto no programa do Governo, é preciso para criar emprego e combater a crise. Poderia ser de facto uma ajuda, mas para tal seria necessário que existisse no País um clima mínimo de confiança na seriedade e nos propósitos éticos do Governo, o que não é certamente o caso. Com o clima de corrupção generalizada existente, com os métodos usados na revisão dos preços, com os objectivos anunciados e com as prioridades conhecidas do Governo a serem a EDP, a PT, a Mota Engil, a Ongoing, Joaquim de Oliveira, a Martifer, a Sá Couto e quejandos, é fácil de ver para onde irão os milhares de milhões de euros de investimentos públicos previstos. Para mais, tratando-se de financiamentos da Caixa Geral de Depósitos, do BCP, do Banco Espírito Santo e outros, recursos que são retirados ao investimento privado, nomeadamente exportador, esse sim necessário para criar empregos e para evitar o fecho de muitas empresas. Ou seja, a grande prioridade de José Sócrates não são os postos de trabalho, mas a ajuda às empresas do regime e o controlo dos meios de comunicação, para que os portugueses não se apercebam disso. O que o ministro das Finanças fará em relação a isso está para se ver. Pessoalmente, espero que esteja à altura do que faria Sousa Franco em idênticas circunstâncias.
Passados quatro anos e meio de governo de José Sócrates, a credibilidade da Justiça portuguesa bateu no fundo. Fazer menos, ou fazer pior, dependendo dos pontos de vista, seria difícil. Todavia o programa do Governo propõe as mesmas generalidades de há cinco anos: “Justiça mais simples e desburocratizada, Justiça mais célere, Justiça mais acessível, Justiça mais transparente e previsível, ” e por aí fora. Ou seja, tudo aquilo que não foi feito nos últimos quatro anos e meio.
Ao mesmo tempo, o primeiro ministro tudo faz para esconder dos portugueses as conversas em que foi apanhado ao telefone a organizar o apoio às empresas do regime. O Presidente do Supremo e o Procurador Geral da República entendem- se com o mesmo objectivo, com base numa lei feita pelo actual Governo, e, ao mesmo tempo, as empresas de sucesso de um sucateiro tornado célebre, continuam a ganhar os concursos públicos em que entram. Mesmo depois de se saber que ganham os concursos porque utilizam meios ilegais, como o roubo puro e duro. Trata-se de um bom incentivo para que as empresas que perdem os concursos pensem em imitar as empresas vencedoras.
Entretanto, no programa do Governo, cheio de medidas para todos os gostos, no capítulo da corrupção não há nenhuma medida proposta. Mais palavras para quê?
Crónicas sobre o futuro
HENRIQUE NETO,
empresário
netohenrique8@gmail.com
Nota de Renovar o Porto:
Considerando a importância do tema e a possível dificuldade de alguns leitores para encontrarem este artigo linkado pelo António Alves no post anterior, decidi publicá-lo directamente.
O autor esqueceu-se de incluir a EP [Estradas de Portugal], agora gerida pelo antigo Presidente da RTP, Almerindo Marques, que não se coibiu de chantagear o Presidente do Tribunal de Contas, Oliveira Martins, por não ter aprovado alguns orçamentos para o pagode em que se transformou a construção de estradas, ameaçando-o com a responsabilidade pela perda eventual de "imensos postos de trabalho..."
Lá lata, é coisa que não lhes falta!

Estratégia, Lucidez e Coragem

Este caso da Red Bull e o seu evidente sucesso no Porto é um bom motivo para ser abordado numa perspectiva mais estratégica. A Região do Grande Porto encontra-se no miolo de uma mega região com cerca de 8 milhões de habitantes - toda a área que vai de Aveiro à Corunha. Este território ,principalmente no seu litoral, é uma região densamente povoada e recheada de cidades médias - Aveiro, Braga, Guimarães, Viana do Castelo, Vigo, Pontevedra, Santiago de Compostela e Corunha - com história, tradição, dinâmicas e vida própria e, também, suficientemente independentes, no caso das portuguesas, do grande centro urbano que é o Grande Porto. É uma região estruturalmente saudável. Este policentrismo é na verdade uma das nossas maiores riquezas. Num raio de 60 km centrado na cidade do Porto encontramos, por exemplo, 3 excelentes universidades: Porto, Aveiro e Minho. Esta é uma prova do dinamismo e da criatividade da região e é coisa ímpar no território português quase todo ele, principalmente a sul, desertificado pelo grande eucalipto que é Lisboa.

O que nos falta, e isso é cada vez mais evidente, são políticos com coragem, independência e não subservientes ao seu medíocre emprego de deputadozinho ou ministrozinho deste projecto de país com a falência adiada praticamente desde que um tolinho de Lisboa, que chegou a rei, resolveu matar-se em África lá por volta de 1578 (1). Falta-nos políticos com visão estratégica para darmos o grande salto em frente. Falta-nos também empresários com coragem para investirem o seu dinheiro e potenciarem este imenso capital humano. É hora daqueles que nesta sociedade forjaram as suas fortunas devolveram uma parte delas a quem de direito e deixarem-se de estratégias cobardes à Mota-Engil (2).

Estamos no meio de 8 milhões de pessoas, a 500 km de Madrid e a 2 horas de Londres. É este o nosso maior activo e vantagem competitiva. Não somos um conjunto de 3 milhões de habitantes encravados entre o mar e os desertos alentejano e estremenho espanhol que só tem a importância que tem porque há muito usurpou este estado decadente e parasita em seu favor. Estamos à espera de quê? Tomemos o futuro nas nossas mãos. Os objectivos imediatos são assumir o nosso próprio poder e usar o nosso dinheiro em nosso favor. E isso não se faz com falinhas mansas e subserviências. Faz-se com coragem e espírito guerrilheiro.

1 - Na minha opinião o projecto de país chamado Portugal morreu antes: morreu com D. Dinis. Pouco tempo depois Lisboa viciou-se em pimenta e anda de dependência em dependência desde então. Quando em carência rouba a família como qualquer drogado.
2 - Para os que insistem em não saber o que é uma estratégia à Mota-Engil recomendo a leitura do artigo de Henrique Neto no Jornal de Leiria

Eu protesto, tu protestas, ele protesta...

...nós protestámos, vós protestais, e eles gozam na nossa cara!

Depois de mim, já outros com mais poderes e responsabilidades políticas, protestaram publicamente contra o iminente saque que Lisboa se prepara para fazer ao Porto desviando as corridas Air Race promovidas por "aquela bebida" [como diz Manuel Serrão] para a nossa mui solidária capital. Além do conhecido comentador desportivo, fizeram-no, hoje, o director do JN, José Leite Pereira e o Arqº. Gomes Fernandes, e ontem, o Prof.Alberto Castro, no mesmo jornal.

Pela pertinência do comentário acho que vale a pena reproduzir o Post scriptum deste economista:
«Defendo a tese que não é o Porto que vive obcecado com ser a 2ª cidade do país, mas Lisboa que não suporta a ideia de não ser a primeira. Em tudo. É essa a sua concepção do país. Em Portugal um evento com a Red Bull Air Race só faz sentido em Lisboa. Pela ordem natural das coisas. Só não será lá se o governo decidir governar, ou seja, fazer acontecer o que, de outro modo, não aconteceria. Ou se forças mais altas se levantarem. Confesso que o alarido de Menezes e Rio me parece conversa de perdedores. Se os financiadores da eventual mudança são empresas de âmbito nacional é falar-lhes a linguagem que conhecem: deixar de ser cliente delas e desencadear uma campanha para que outros o façam. Se o financiamento vem, pelo contrário, de organismos públicos, denuncie-se e use-se a Assembleia da República para pedir explicações e a ameaça do voto [Francisco Assis percebeu-a de imediato]. E já agora, uma provocação. As corridas de aviões são um acontecimento de impacto nacional, divulgam o nome da cidade mas também o do país. Por isso, no caso de mudança para Lisboa, que tal financiá-la ao abrigo dos efeitos "spill-over"? Eles a vê-los voar [os aviões] e nós a vê-los voar[os euros]. Chama-se a isto equidade!
Não parece haver dúvidas que o Prof.Alberto Castro, além do excelente sentido de humor patente neste trecho do artigo, está a mandar um recado claro aos Presidentes da Câmara do Porto e de Gaia pelo modo abúlico como têm reagido a estas notícias, chamando-lhe "conversa de perdedores", ao mesmo tempo que os "convida" à acção, quando diz, "Ou se forças mais altas se levantarem" . Só não sabemos é se aquilo que o prestigiado economista nortenho lhes propõe tem peso suficiente [ou merece consideração] para influenciar quanto baste os destinatários e para os fazer sair da letargia em que mais uma vez se deixaram cair [principalmente o edil do Porto].

Para além disto, modéstia à parte, não há nada que o Prof. Alberto Castro sugira - como o boicote às empresas financiadoras do evento - que eu já não tenha sugerido. Duvido é que haja coragem e força de vontade para isso. No meu infímo espaço individual, vou fazendo o que posso para não contribuir para a engorda das empresas lisboetas. Opto sempre por comprar produtos da região, desde vinhos [do Douro que cada vez estão melhores], a outros. Não desperdiço há muitos anos um cêntimo na aquisição de um jornal lisboeta, seja ele desportivo ou generalista, com a regularidade de um relógio. Fizessem certos empresários nortenhos o mesmo, estaríamos nós bem melhor. Dá-me a impressão que já nem é por razões meramente económicas que se colam ao Poder central, mas sim por autismo sobre o seu próprio Poder. Não aceitam desafios porque estão totalmente despojados de valores de cariz regional e social.
Não dá para entender porque não há nenhum Belmiro ou Amorim que injecte capital ou mesmo compre, a estação de TV da Porto Canal e ouse canalizar para lá mais publicidade dando prioridade aos produtos, serviços e eventos de toda a região Norte. Seria uma tarefa árdua e talvez lenta, mas seguramente também a única forma de robustecer a economia local e de abalar a gula centralista.
Resumindo e concluindo: parafraseando a única frase sensata que ontem ouvi sobre o Tratado de Lisboa na voz do "fujão" Durão Barroso, "os Tratados não servem para nada se não houver vontade política". Idem, idem, aspas, aspas, no que concerne à descentralização e à regionalização, constitucionalmente desrespeitados. Mas, isso, é outra conversa, não é senhor Durão?

PS.-Única nota interessante do pacóvio Tratado de Lisboa: a presença da simpática e bela Shakira. O resto, foi pura naftalina.