02 maio, 2008

UM ALVO, PARA CENTRALISTA ENTENDER

Para estar actualizado e procurar outras opiniões, costumo, sempre que posso, dar uma espreitadela à blogoesfera da "concorrência" que se dedica também às coisas do Porto. É um hábito bom, que me faz sair da rotina e por vezes me coloca perante ideias diferentes e novos desafios.
Só que, os desafios trazem sempre consigo uma pontinha de provocação, um convite à nossa capacidade criativa. Mas, como em quase tudo na vida, convém não abusar. E não falta quem faça do abuso uma forma de vida.
A corrente desafiadora em que alguns se deixam exageradamente arrastar, leva-os a transformar a provocação estimulante em autênticos insultos ao senso comum e isso é inadmissível. É pois, quase impossível levar a sério aqueles que não respeitam minimamente as regras básicas da comunicação humana. Aquelas regras que nos permitem diferenciar coisas tão simples como uma manhã soalheira e brilhante, de uma noite escura e chuvosa. Confundir realidades tão contrastantes como estas, já não é uma provocação nem um desafio, é um sinal claro de senilidade mental.

Próximo da senilidade são podem estar aqueles ridículos "resistentes" que, após tanta informação, crónica, estatístisca, estudo, e debate, insistem em fazer de conta que o centralismo é uma espécie de fantasma parido por noites de insónea e pesadelos de alguns provincianos como eu. Para reforçar esta tese senil, nada melhor do que especular factos e evidências para inventar argumentos.

É do centralismo e dos centralistas locais que estou a falar. Por incrível que pareça ainda há quem continue a insinuar que o centralismo é uma invenção nossa, um mito gerado pelas suas vítimas. "O Porto está em decadência, porque todos nós, assim o quisemos", teimam em dizer. Argumento mais covarde e oportunista não pode haver, mas já satura.

Mas, vou-lhes dar uma derradeira oportunidade para se tornarem espertos, falar-lhes como se fossem muito burros. Vou fazer-lhes um "desenho redactorial" para ver se percebem apenas o lado moral/humano do centralismo. Os outros efeitos colaterais ficam para outra ocasião, porque os miolos são fracos e não suportam grandes raciocínios.

O desenho é o seguinte: imaginem uma família, uma família como a vossa. Não precisa ser muito grande. Bastam três filhos e os respectivos progenitores. Agora imaginem (se forem capazes, claro) que os malandros dos paizinhos desta história decidiam alimentar, educar, vestir e calçar, em vez dos três filhos, apenas um deles e se esqueciam dos outros dois. O que fariam?

A avaliar pelas amostras, depreendo que desatavam à bofetada. Não aos vossos pais, porque isso seria muito feio, mas a vós próprios, claro. Provavelmente, o 2º. Acto desta edificante peça teatral levaria os dois irmãos "mal-amados" a um choro constante, com acusações recíprocas e assim passariam a vida... Entre a pieguice das queixas e gritos de auto-censura, diriam: a culpa é nossa, a culpa é nossa, os papás não têm culpa, tadinhos! Os papás são pequeninos, nós é que os devíamos educar e sustentar, embora ainda não tenhámos idade sequer para trabalhar!

Pois bem, senhores centralistas, a caricatura pode não ser a mais feliz, mas anda lá perto. O país, não é bem a vossa casa, as populações não são precisamente os dois irmãozinhos bastardos da história, nem o govêrno os vossos papás, mas a responsabilidade hierárquica e o comando são comparáveis.

Mas digam lá se o sadismo e a imoralidade do paralelismo da história não comporta crimes da mesma envergadura? Ainda não perceberam? Se for preciso, para a próxima faço mesmo um desenho. Enorme!

2 comentários:

  1. Caro Rui Valente, vou continuar a sua alegoria e dar-lhe notícias da família evocada, anos depois.

    Os filhos, já crescidos e adultos, empregaram-se. Porém os pais exigem que eles lhes entreguem integralmente os seus salários. Devolvem-lhes depois uma pequena parte, mas são eles, os pais, que decidem o montante e aquilo em que os filhos o podem gastar. Nesta distribuição, o filho querido continua a ser beneficiado: é o que recebe mais e é o único que gasta o dinheiro naquilo que quiser.

    Não consta que os seus irmãos se tenham rebelado, mas parece que a história ainda não acabou...

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  2. Caro Rui Farinas,

    Na mouche, o seu complemento da "historinha centralista".

    O silêncio de Sócrates ao discurso de Rui Moreira, é a melhor prova de que não tenciona alterar o que quer que seja.

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Abrimos portas à frontalidade, mas restringimos sem demagogia, o insulto e a provocação. Democraticamente...