11 dezembro, 2007

Os 99 anos de Manoel Oliveira

«O mais premiado cineasta português de todos os tempos, Manoel de Oliveira, que hoje completa 99 anos, disse à agência Lusa que está determinado a realizar todos os filmes que ainda tem em projecto.

"Continuo enquanto me deixarem e enquanto tiver saúde", disse à Lusa Manoel de Oliveira, garantindo que quer realizar todos os projectos que tem, sem dar prioridade a nenhum em especial."Não quero chegar a parte nenhuma, [o cinema] foi só a minha paixão, foi quase que instintivo", afirmou o cineasta.Manoel de Oliveira escusou-se a falar sobre o seu passado, sublinhando que está concentrado apenas nos planos para o futuro."Não olho para os filmes que fiz", frisou.Manoel de

Oliveira nasceu no Porto em 11 de Dezembro de 1908, mas foi registado como se tivesse nascido no dia seguinte.Com 76 anos de cineasta e 99 de idade, Manoel de Oliveira é o mais velho realizador de cinema do Mundo em actividade e o mais premiado do cinema português."Douro, Faina Fluvial" (1931), "Aniki Bobó" (1942), "Benilde ou a Virgem Mãe" (1974), "Amor de Perdição" (1979), "Francisca" (1981), "Le Soulier de Satin" (1985), "Os Canibais" (1988), "Vale Abraão" (1993) e "o Quinto Império" (2004) são alguns dos mais de 40 filmes que realizou."Belle Toujours" e "Cristóvão Colombo - O Enigma" (com estreia marcada para 10 de Janeiro) são as obras mais recentes de Manoel de Oliveira, que tem em projecto "O estranho caso de Angélica" e a adaptação para cinema do conto de Eça de Queiroz "Singularidades de uma rapariga loira".


PARABENS!

Duas notas positivas contra quatro negativas (do JN)

Contra o silêncio (de David Pontes)
Haverá, evidentemente, quem leia este artigo e o considera 'populista'. Nada mais artificial. Vale a pena ler e reavivar a memória da historinha da cena do Metro de Lisboa com a actriz contratada para derrubar Fernando Gomes, com sucesso, diga-se.

A sala de visitas (de Alberto Castro)
"...que a crítica à ousadia da ACP tenha, em alguns casos, vindo do... Porto é demonstrativa do Estado de indigência em que certos círculos nortenhos se deixaram encurralar".
"este raciocínio é paradigmático da mesquinhez e do medo dos que, habituados a ter mercados cativos, convivem mal com o potencial aparecimento de concorrência."
Mais populismo? Tudo manifestações provincianas...

Noite à 8 anos sem o contolo das polícias
Pois é, se calhar, o tempo é curto para encontrar uma pista convincente para condenar Pinto da Costa ( o grande vilão do Norte) e não chega para tarefas "menores"...

Universidade do Porto está nas 500 melhores do Mundo
Maior Universidade portuguesa, maior produtor de ciência no país (de Portugal, entenda-se), são alguns dos pontos positivos que nos fazem manter a esperança.

Trabalhadores da Unicer em greve
a empresa liderada por Pires de Lima eliminou em 2006, mais de 400 postos de trabalho. Este é mais um político, entre muitos, que não lhe chega a macrocefalia lisboeta. Político e ex-deputado,acentue-se, desce à província - como se por cá não houvesse gestores competentes - para comer a "chicha" de uma empresa do Porto e despedir pessoal. Um exemplo a 'seguir' e imaginar o que faria se fosse Poder...

4 Ligações novas e Linha Amarela estendida até Vila d'Este
Se este estudo da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) for para diante é uma boa notícia para o Porto

10 dezembro, 2007

... e o resto é paisagem

Acabei de ver no noticiário da RTP2, uma notícia acerca do lançamento de uma campanha governamental, baseada num audio-visual, destinada a dar uma nova imagem de Portugal no estrangeiro. O chefe da orquestra é o inefável ministro da Economia, o mesmo que patrocinou a parolíssima e idiota ideia de transformar o Algarve em allgarve. Sem rir, e com o ar mais solene possível, afirmou que se pretende que o país dê uma imagem de inovação, capacidade empreendedora, e não sei mais o quê.

Até aqui tudo bem, é o habitual show de irrelevâncias e fantasias a que os nossos governantes nos habituaram e que ninguém cá dentro leva a sério: é mesmo para inglês ver, só que estes também não vão acreditar. Basta olhar para as estatísticas, económicas e outras.

Mas o que sinceramente mais me irritou foi que, além de todas as figuras (menos uma) apresentadas como símbolos deste tal Portugal renovado, serem figurões de Lisboa, a banda sonora é um fado cantado por uma qualquer fadista lisboeta.

Por muito que queiram na capital, o fado não é a canção nacional. Nada tenho contra quem gosta dele, apenas apresento aqui o meu protesto (inofensivo e inóquo infelizmente) contra mais um abuso centralista: reduzir todo país à área da capital e pretender que os símbolos locais lisboetas sejam forçosamente símbolos nacionais.

Nada disto é novidade, eu já devia estar habituado. Mas não consigo!

PORREIRO, PÁ!!!

Porreiro pá! Como nós somos bons, pá! Como podemos sentir vaidade por estarmos a governar tão bem, pá. Tu, viráste as costas às responsabilidades que assumiste perante o teu povo para arranjares um bom emprego que te dá prestígio e dinheiro, embora nada de importante realmente faças e apesar disso, ainda há portugueses que se orgulham de ti. Vê lá, pá!

No fundo, o nosso povo até é porreirinho pá! Então,se até um treinador brasileiro o convenceu a pendurar bandeirinhas nas janelas sem nada ter ganho e a desprezar os portistas, como é que nós não havíamos de tocar no seu orgulho nacionalista por termos conseguido trazer a Lisboa tanta gente ao mesmo tempo? Ó pá, isto é como lhes dar uma laranja sem sumo, porque o que realmente importa é mostrar-lhes a laranja. Quando derem conta que a laranja afinal não existe entretanto, já cá não estamos e os que nos sucederem que se safem que aprendam a aldrabar com classe e com porte de estadista que isto não é para todos. Não é pá? Porreiro.

Os ditadores é que vieram comprometer um bocado os nossos princípios democráticos, mas nestas ocasiões já sabes pá, temos de fazer uso da técnica do palavreado que aprendemos quando éramos novatos e chapamos-lhes com aquela da "real politik" e toda a gente engole pá! Tás a ver pá?

É preciso também, falar-lhes de optimismo pá, sobretudo quando os assaltos aumentam na razão directa das ondas crescentes de desemprego que é para eles se sentirem "comprometidos" com o regime. Vê lá tu pá, que há alguns que até já comeram aquela do "todos somos responsáveis" que tantos debates e crónicas de propaganda nos custou. Sabes pá, isto dá algum trabalho pá, mas vale a pena. É que sem conseguirmos alterar uma vírgula ao estado das coisas - a não ser para pior - somos tidos como pessoas importantes e confessa lá que isso não te realiza? Anda lá, confessa pá.

Porreiro, pá.


O mundo do avesso

Enquanto o nosso primeiro-ministro, com aquele sorriso de provinciano deslumbrado consigo mesmo, reunia com o maior ajuntamento de facínoras que jamais foi feito na Europa, as coisas cá pelo Porto, e não só, pioraram.
Enquanto os nossos governantes andam entretidos a "resolver" os problemas de África, precisamente com aqueles que são os principais responsáveis pela infame situação dos povos desse continente, a incompetência das nossas polícias ganha contornos de record europeu. A famosa Polícia Judiciária - "uma das melhores do mundo" - depois de meses a ser literalmente gozada pela imprensa britânica, continua a sua incomparável saga de incompetência mostrando-se absolutamente incapaz de travar a onda de criminalidade violenta que assola o Porto. Depois de seis assassinatos em apenas 4 meses, vídeos na Internet e entrevistas nos jornais, a PJ continua às aranhas. Parece que só é capaz de sacar confissões às mães das infelizes joanas deste mundo. O senhor presidente da Câmara, nos intervalos da sua vida entre o gabinete da Câmara e os fins-de-semana em Viana, diz umas vacuidades sobre a situação.
Mas nada disto admira num país cujo procurador geral ouve ruídos estranhos no telemóvel, pensa que não é necessário um esforço suplementar na investigação do caso Casa Pia, apesar dos fortes indícios de continuada actuação de redes pedófilas em volta da instituição. Mas para fazer uma entrada de leão, e dar circo aos famosos "seis milhões" de cidadãos, nomeou uma procuradora especial para investigar a batota no jogo da bola. Esta, por sua vez, veio cá com grande aparato, usou três automóveis, e deslocou-se em grande velocidade pela cidade em holliwoodescas manobras de diversão.
Aquilo que interessa, aquilo que verdadeiramente afecta a vida dos cidadãos, ninguém mostra vontade de querer resolver. O senhor Sócrates e um tal de Durão (o tal que viu, com aqueles que a terra há-de comer, documentos que provavam a existência segura de armas de destruição maciça no Iraque, e mais tarde desertou do cargo de primeiro-ministro quando se apercebeu que não tinha arcaboiço para a dureza da tarefa), convivem com cleptocratas como o senhor presidente de Angola, déspotas como o senhor Mugabe e ditadores senis e ridículos como Ghadaffi (parece que é assim que o homem se chama agora) e esquecem-se dum país real que se afunda e onde cada vez mais, particularmente nesta região, os seus melhores voltam a ter que emigrar aos milhares.
A festarola parece que custou largos milhões de euros. Não faz mal, fecham-se mais umas escolas, maternidades e urgências no interior.
Tirem-de daqui!!

09 dezembro, 2007

Já acabou esta palhaçada da cimeira Euro-africana?

Uf! Até que enfim. Acabou esta feira de vaidades inconsequentes no esplendoroso palco de Lisboa.

Pelo menos agora, fica mais atenuada a imagem ridícula que os políticos dão quando se esforçam por nos convencer que estão a tratar de coisas sérias. Haja estômago para tanto cinismo.

Filhos de um deus menor

A primeira fase do Metro do Porto está a terminar pelo que, compreensivelmente, se começam a lançar ideias concretas para a segunda fase. Cada uma delas é acompanhada por uma reticência: "se o governo estiver de acordo e autorizar".

Este condicionalismo provavelmente não choca muita gente, por considerarem normal que seja o governo a decidir. A mim choca-me, e choca-me porque corresponde a passarem-nos um atestado de menoridade intectual e cívica. Pergunto-me porque raio uns supostos "patrões" que estão em Lisboa, é que vão decidir se para nós, portuenses, é mais conveniente termos uma linha circular, uma ligação entre Senhora da Hora e Hospital de S. João, ou outro qualquer percurso? Nós aqui no Porto damos porventura palpites sobre a expansão do metro deles?

Eu sei qual é o argumento que o governo considera decisivo para justificar esta interferência. "O dinheiro é dado por nós, portanto cabe-nos decidir o que vocês vão fazer".

Eu penso, e gostaria que uma grande maioria pensasse da mesma forma, que o dinheiro não é "deles". O governo deveria ser apenas considerado como uma espécie de fiel depositário do dinheiro dos impostos que são pagos por todos nós, que é nosso, e que portanto o governo não deveria nunca arrogar-se o direito de se considerar o seu légítimo proprietário, dispondo posteriormente dele segundo lhe dá na sua real gana. Quando muito, seria admissível que fosse negociado um limite máximo de investimento para a segunda fase. Mas uma vez acordado esse valor, a decisão quanto ao desenho de expansão da rede, deveria ser uma competência exclusivamente local, em moldes que estariam préviamente definidos.

Estou perfeitamente consciente de que, nas circunstâncias actuais, este desiderato é perfeitamente quimérico, mas é nesse sentido que deveríamos caminhar. O primeiro passo, sem dúvida, será conquistar uma regionalização que efectivamente descentralize e delegue poderes. Daí, a importância transcendente que o próximo referendo irá ter.

07 dezembro, 2007

Novo canal regional do Norte

Vamos lá ver, se é desta vez que vamos ter um canal 100% nortenho sem metástases centralistas...

As preocupações dos canais tv/empresas com a conquista rápida de mercados, leva-os a cometer sempre os mesmos erros, contando-se entre eles um muito particular, que é a obsessão de repetir o que já se faz em Lisboa e para Lisboa.

Infelizmente, continua a haver entre nós muitos "melros" que quando entram nestas coisas da TV não resistem a prestar vassalagem à capital, como que para transmitir a ideia politicamente correcta de bons meninos muito "cosmopolitas".

Nada mais errado, se começarmos a ver e ouvir nos écrans da nova RNTV (o nome confunde-se com a anterior NTV) as mesmas pessoas que os canais centralistas nos impingem há séculos...Há muita gente interessante no Porto e em todo o Norte do país, basta saber ir ao seu encontro.

A oportunidade terá de ser dada a gente do Porto e de todas as outras cidades do Norte de forma declaradamente prioritária e assumidamente regional. Há muita juventude local com talentos e capacidades à espera de uma opotunidade para se revelarem sem terem de imigrar para a capital do Império. Esperemos portanto,que desta feita não se cometam erros de um passado ainda recente que mais uma vez nos impediram de dar um importante passo em frente em termos de autonomia cultural e informativa.

NOTA: Este canal será transmitido, por cabo, 24 horas por dia em todo o país pela TVTel



Oliveira Marques sim, João Cravinho não!

Os novos bons costumes "democráticos" mandam que sejamos cinicamente educados mesmo para quem da educação retirou muito pouco. Por isso serei comedido nos meus adjectivos.

O "Termómetro" do JN de hoje, atribui duas setas ascendentes a João Cravinho e Oliveira Marques respectivamente, mas, do meu ponto de vista, só uma delas se compreende e aplaude: a de Oliveira Marques, obviamente.

Oliveira Marques, teve um papel preponderante no projecto do Metro do Porto, apesar das dificuldades financeiras que (como já vem sendo hábito) o Estado tem criado à sua sustentabilidade. Como sempre, o Estado persiste em dar maus exemplos. Através dos governos, o Estado faz aprovar e propagandear os investimentos públicos que lhe convém para recolher votos, mas depois vira as costas ao planeamento atempado dos respectivos financiamentos.

Assim mesmo, com todas estas incongruências da parte do Governo, Oliveira Marques fez o seu trabalho com distinção. Teve, é verdade, algumas falhas na concepção técnica de alguns detalhes (como o sistema de aquisição de títulos, a leitura de zonas, a falta de protecção solar nos monitores das box de títulos, etc.), mas, ultrapassados esses e outros pormenores importantes, o grosso da obra é altamente lisonjeiro para a sua administração.

Agora, João Cravinho? O protótipo do político portuga, que na oposição diz uma coisa e mal põe os pezinhos no governo, diz outra? O JN, ter-se-à esquecido do entusiasmo que este cavalheiro mostrava com a Regionalização quando o PSD governava, e mal o PS venceu as eleições perdeu completamente o pio, nunca mais tocou no assunto?

Este homem que se fosse do Norte e adepto do FC do Porto tinha toda a comunicação social a censurá-lo por "misturar" política com futebol e vice-versa, mas como é simpatizante do Benfica não se coíbe, mesmo fora do contexto desportivo tecer loas ao seu Benfica como se isso fosse a coisa mais natural do Mundo e sem que ninguém ouse criticá-lo?

Este homem que agora se cola ao mega projecto da OTA e anda outra vez arrogantemente convencido que os portugueses são parvos e que só existem dentro da grande Lisboa?
E é a um homem com estas características, que nada fez de verdadeiramente notável pelo país que o JN considera meritório o lugar que lhe ofereceram no Banco Europeu de Reconstrução de Desenvolvimento? Não será antes provocatória para a população uma promoção desta natureza artribuída a um homem que só se notabilizou pelo método ziguezagueante de fazer e estar na política. O JN hoje equivocou-se. O Jornal de Notícias de hoje, promoveu o oportunismo na política como se os portugueses já não tivessem que baste. Assim, definitivamente jamais seremos um país de gente séria. João Cravinho, devia ser sim, era irradicado da vida política, porque é um dos muitos que nos vem enganando, compulsivamente.

05 dezembro, 2007

Destaques do JN de hoje

Tempo de máscaras (de António Pina)

Será que o Porto se importa?
(de Helena Teixeira da Silva e José Miguel Gaspar)

Os pequenos partidos são uma falsa questão

Para não recuarmos ainda mais no tempo vamos considerar que a discussão só tem 17 anos, lembrando-nos do ano em que o então primeiro-ministro e líder do PSD, Cavaco Silva, tentou aprovar uma reforma do sistema eleitoral que haveria de ser rejeitada pelo Parlamento.17 anos depois, esta reforma que prevê a criação de círculos uninominais num sistema misto onde conviverão com um círculo nacional, volta a estar em cima da mesa e, como sempre acontece nestas coisas, por iniciativa do partido que não está no Governo.

Agora como então, os dois maiores partidos, PS e PSD, aparentam forte motivação para fazer vingar a proposta, tecendo os maiores elogios à principal virtude que lhe está subjacente a introdução dos círculos uninominais aproxima os eleitores dos eleitos.Logo aqui se percebe a urgência desta transformação. Se os dois principais partidos reconhecem e valorizam a necessidade de aproximação dos eleitores aos eleitos, é porque não duvidam que no sistema vigente existe um enorme e irreversível afastamento entre quem elege e quem é eleito.

O aumento exponencial da abstenção que se tem registado nos últimos actos eleitorais terá múltiplas razões, mas esta falta de identificação crescente entre quem vota e quem se apresenta a votos será um dos factores cruciais deste desencanto que tem afectado as recentes eleições.

Outro dos motivos deste alheamento que tem marcado os resultados eleitorais das legislativas tem também a ver com o desrespeito que permite que os primeiros nomes das listas nem sequer cheguem a tomar posse como deputados, ou abandonem os seus lugares quando a legislatura ainda se encontra bem longe do fim. Isto só é possível porque no actual modelo não existe (nem se cria…) qualquer ligação sólida e responsável entre o candidato a deputado e os eleitores do seu círculo distrital.Agora como então, o único argumento que parece ensombrar a discussão é a ideia de que a criação destes círculos uninominais prejudica a representação dos pequenos partidos.

Dito assim, até podíamos ser levados a pensar que estávamos perante um momento enternecedor da política portuguesa, quiçá inspirado pela época natalícia os grandes partidos que tudo mandam e tudo decidem na vida política nacional estão deveras preocupados com os pequenos partidos. Que bonito!Se há estórias que têm um final feliz, esta não é de certeza uma delas.

Os numerosos deputados dos dois maiores partidos estão preocupados, e muito, é com os seus lugares e com a possibilidade de não conseguirem a reeleição, num quadro em que os eleitores tenderão a afastar quem poucas ou nenhumas provas de respeito por eles deu nos últimos anos.

Por outro lado, os estados-maiores dos dois partidos também não esquecem que o seu controlo e influência sobre todos e cada um dos deputados sofrerão profundas alterações. Tornando-se mais dependentes dos eleitores do que das direcções partidárias, os novos deputados terão uma maior tendência para pensar pela sua cabeça e votar na defesa dos seus interesses, que passarão a ser muito mais regidos pelo sentimento e pelas cabeças dos eleitores do seu círculo, em vez de se alinharem invariavelmente pelas orientações dos chefes do partido.

Para que esta reforma não tenha o mesmo triste fim, era preciso que Sócrates e Menezes tivessem total consciência da imperiosa necessidade de a conseguir impor aos seus correligionários. Bem ao estilo divertido daquela série inglesa que fez as delícias de muitos dos meus serões, o "Yes minister", não será nunca por culpa dos dois líderes que ela ficará mais uma vez no tinteiro, ou como se deveria dizer nos tempos que correm, no desktop. Menezes e Sócrates sabem muito bem que as eleições respectivas dificilmente estarão em causa.

O problema está e estará sempre nos homens que os rodeiam, muitos dos quais perfeitos desconhecidos, mas cuja vida e sobrevivência política estão intimamente ligadas a uma suposta legitimidade eleitoral, que sempre têm conseguido com mais facilidade na frequência dos corredores do Poder do que no trabalho de campo junto dos seus verdadeiros eleitores.

Aqui está uma boa oportunidade para o dr. Menezes dar mais um sinal de que na sua eleição não foram só algumas moscas que mudaram.

Manuel Serrão

Fonte: JN

04 dezembro, 2007

Incúria, discriminação ou ignorância?


Há já alguns mêses (quase um ano), por razões de ordem familiar apontei aqui na Baixa do Porto esta singular ocorrência:

em vários quarteirões das redondezas da Rua Coronel Almeida Valente, só a placa toponímica desta rua e da Rua do Dr. Carlos Ramos,permaneciam inalteradas, com o antigo fundo branco. E permanecem ainda...

Como se pode constatar pelas fotos expostas, placas de outras ruas das proximidades (quase todas) foram devidamente substituídas pelas verdes. A questão que me intriga e quero aqui colocar ao senhor vereador do urbanismo da C.M.P., é a seguinte: será por incúria, discriminação ou ignorância que a placa do meu avô ainda não foi substituída?

Se foi por ignorância, posso ajudar:

O Coronel Almeida Valente de quem tenho muita honra de ser neto foi:
Militar ilustre, nascido em 2/12/1874 e falecido em 20/11/1949 que se notabilizou nas campanhas coloniais da 2ª. década do séc.XX
Aposentado da vida militar,foi vereador da CM do Porto,tendo sido convidado para presidir à autarquia, recusou o convite.
Foi Presidente do Tribunal Militar do Distrito do Porto e também Presidente da Associação de Proprietários e Lavradores do Norte de Portugal
O Primeiro de Janeiro destacou a sua morte assim:

"desaparece uma das figuras mais brilhantes da vida portuguesa
contemporânea!"
"como político - político na mais nobre acepção da palavra - comportou-se
sempre como um português de lei!"

Se a C.Municipal do Porto puder e quiser, fico muito grato que quem de direito. me informe qual destas três situações motivou e motiva tal tratamento.

Rui Valente
(Publicado também no blogue a Baixa do Porto)

PACHECO PEREIRA

Por falar em centralismo; já viram este ex-político- político e pseudo-intelectual-intelectual ou vice-versa, "portuense", (por sinal muito acarinhado pela SIC centralista de Pinto Balsemão) preocupado com a macrocefalia governativa?

Sendo um homem cotado de inteligente, há qualquer coisa de estranho nesta forma de ver os problemas nacionais...Qualquer coisa parecida como confundir Lisboa com o país...Qualquer coisa de muito pouco popular, muito característica de tão híbrida personagem...

RAMALHO EANES

Goste-se ou não (a relevância das figuras públicas não se deve orientar por simpatias), Ramalho Eanes é das personalidades mais íntegras que o Portugal de Abril conheceu. A prova, é que não agradou nem à esquerda nem à direita.

Ora, se o ditado diz que no centro é que está a virtude e que na política o centro não existe, não é exagero afirmar que Ramalho Eanes é um virtuoso. Não genericamente, mas naquilo que é essencial a um Presidente da Republica: coragem e integridade.

Num tempo onde alguns "amigos de Peniche" deixaram vazios os seus lugares no Estádio do Dragão por se terem deixado impressionar com a "caça ao homem" movida a Pinto da Costa pela ditadura centralista, Ramalho Eanes é igual a ele próprio: um HOMEM DE CORPO INTEIRO!

ISTO É DEMOCRACIA

Enquanto estes "pardais" (Renato Sampaio e Marco António Costa) se trocam de mimos à volta de uma causa (Regionalização) que nenhum (PS e PSD) chegou verdadeiramente a defender e respeitar, nós vamos assistindo, serenamente, como "bons" espectadores, à espera das próximas eleições, para tudo ficar como dantes...

03 dezembro, 2007

MEMORANDUM CASA PIA VII

O Escândalo Casa Pia rebentou nos finais de 2002, quando um antigo aluno da Casa Pia em entrevista à jornalista Felícia Cabrita, alega ter sofrido de abusos sexuais, enquanto jovem. Os principais responsáveis desses abusos eram figuras públicas e um ex-funcionário da Casa Pia, Carlos Silvino, mais conhecido como Bibi.

A 29 de dezembro de 2004, o Procurador-geral da República, José Souto Moura, acusa formalmente várias personalidade de abusos sexuais a menores (pedofilia):Herman José e Carlos Cruz, duas estrelas da televisão portuguesa.O arqueólogo Francisco Alves e o antigo médico da Casa Pia, Ferreira Diniz, o ex-Ministro da Segurança Social do governo de António Guterres e actual deputado do Partido Socialista, Paulo Pedroso e o embaixador Jorge Ritto.

O julgamento iniciou em 25 de Novembro de 2004, com sete arguidos: Carlos Silvino, Carlos Cruz, Jorge Ritto, Ferreira Diniz, Manuel Abrantes, Hugo Marçal e Gertrudes Nunes. O caso arrastou-se durante anos, com audiências públicas e não públicas para auscultar as alegadas vítimas. Em DEZEMBRO DE 2007 o caso ainda decorre.

O tema - valha-nos isso - não envolve o Porto, mas indigna todo o país. Os media tradicionais andam ao "ritmo" do regime e já se devem ter "cansado" de o pressionar. Nós não. Todas as semanas faremos questão de lembrar aqui esta vergonha nacional. Para que os respectivos responsáveis possam ter a noção exacta da valia da sua honorabilidade.

A Justiça criminosa

Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado. Não se fala mais nisso.

Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada.

Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia que se sabe que nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado.

Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve.

Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços do enigma, peças do quebra-cabeças. E habituámo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal e que este é um país onde as coisas importantes são "abafadas", como se vivêssemos ainda em ditadura.

E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogues, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade.

Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém que acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muito alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos?

Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção.

Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo "normal" e encolhem os ombros.

Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência de Leonor Beleza com o vírus da sida?

Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático?

Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico?

Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana?

Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?

Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma.

No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém? As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não substancia.

E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu?

E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou?

E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente"importante" estava envolvida, o que aconteceu?

Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.

E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente "importante", jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê?

E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára?

O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha.

E aquele médico do Hospital de Santa Maria suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?

E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca.

Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento. Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade.

Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra.

Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade. Este é o maior fracasso da democracia portuguesa e contra isto o PS e o PSD que fizeram? Assinaram um iníquo pacto de justiça.

de Clara Ferreira Alves

(Fonte OFC)

30 novembro, 2007

Os nossos bravos deputados

Sempre que me é possível, protesto contra o sistema em que os deputados à Assembleia da República são praticamente obrigados a votar com o seu Partido, mesmo em situações que lesam legítimos interesses dos circulos eleitorais que os elegeram. Por razões que detalhei num dos primeiros posts para este blogue, acredito que a existência de partidos regionais corrigiria esta anomalia.

Vem isto a propósito da notícia lida no JN de hoje em que se afirma que o governo resolveu que o prolongamento da futura A4 terá portagens nas circulares de Vila Real e de Bragança, sendo que o troço entre estas duas cidades será isento. A notícia de portajar envolventes de cidades é tão incongruente que o presidente da CM de Bragança admite que se trate de um lapso do diploma legal, que o governo se apressará a corrigir. Dadas as trapalhadas feitas pelo ministro Lino, até nem seria impossível que, mais uma vez ele desse provas da sua inabilidade. Creio que não será o caso.

Mas o mais interessante da história é que um distinto parlamentar do PS eleito por Bragança, na sua ânsia de agradar e mostrar serviço aos seus masters, e depois de acusar um seu colega do PSD, de não ter vergonha nas declarações que este fizera contra as portagens nas circulares urbanas, saiu-se com este desarrincanço: engano, as portagens nas circulares à cidade até são benéficas, porque os condutores, para poupar o valor da portagem, atravessam a cidade e deste modo estimulam a economia local!

Fala-se na diminuição do número de deputados. Espero que se concretize. Talvez o nível médio intelectual dos dignos representantes da Nação, sofra um acréscimo!

"O MEU 'IF', PARA A POLÍTICA NACIONAL"











Rudyard Kipling

Se, ao eleitor, fosse permitido, nas campanhas eleitorais partidárias, exigir aos respectivos representantes políticos :

  1. A apresentação de certificado passado por registo notarial de um prazo de execução prática das suas promessas eleitorais


  2. Uma declaração pessoal e partidária registada por notário de como não se queixariam da gestão anterior do cargo para o qual se candidataram


  3. Um atestado de honra registado em Notário, em como se comprometiam a abdicar do cargo público que exerciam caso não cumprissem o prometido dentro do prazo previsto para a sua excecução prática, constante no ponto 1.


  4. Documento notarial a garantir a irradicação imediata do respectivo cargo e em qualquer escalão hierárquico com recurso a intervenção policial (se necessário), de todo e qualquer político que violasse o enunciado no ponto 2


  5. A implementação de uma lei registada em notário, que impedisse o desempenho para altos cargos administrativos de grandes empresas, como Bancos, Companhias de Seguros, Petrolíferas e afins, a ex-políticos que tivessem obrigado a comunidade a recorrer ao artigo 4


  6. Implementação legal, registada em notário, que obrigasse os políticos em funções governativas a reduzir em percentagens ascendentes (partindo de uma taxa de 20%) os seus vencimentos, cada vez que exigissem sacrifícios e contenção salarial à população
Em democracia, o acesso ao poder devia ser concedido naturalmente à nata da sociedade, aos mais honrados, mais inteligentes, mais corajosos, mais capazes. Ora, todos sabemos que não é isso que acontece. Salvo muito raras excepções, os políticos em Portugal, não se têm destacado pela rectidão de processos e de acções. Esta, é a fama que eles mesmos se encarregaram de ganhar e desenvolver. Não é mito, nem mania da populaça, é um facto.

O sarcasmo das seis alíneas do meu "IF para a política nacional" pode ser exagerado pelas bizarras 'muletas' da intervenção Notarial nelas inscritas, mas não é por acaso. É que, a experiência diz-nos que mais depressa se desrespeita a Lei Constitucional do que um simples registo de Notário. Então porque não tentar mecanismos legais de certificação mais populares? Afinal, a Constituição da República Portuguesa não tem a importância sacramental que se pintava, mas ainda é muito 'útil' para impressionar em discursos solenes.

29 novembro, 2007

RUI MOREIRA

Rui Moreira, é sem sombra de dúvida a personalidade eminente da sociedade civil portuense.

Com a sua habitual diplomacia consegue superar em pragmatismo e dinâmica a actividade da classe política regional. É um homem honesto e suficientemente corajoso para merecer a confiança dos cidadãos, mas isso, irá também custar-lhe algumas inimizades.

O dilema, é saber até quando é que sua intervenção na vida pública poderá manter-se sem se sentir "coagido" a filiar-se num qualquer partido político.

No dia em que isso acontecer (se acontecer), perderemos o que de melhor existe na sua personalidade: a autenticidade.

De qualquer forma, a nota positiva que o JN hoje lhe dedica é mais do que merecida.
PS-Aposto aqui e agora, como o estudo que Rui Moreira encomendou à UCP para o aeroporto
de Lisboa não terá a aceitação do Governo, por mais válida que ele seja. Era o que mais
faltava o Centralismo admitir que há quem apresente alternativas às suas propostas
faraónicas fora Lisboa!


Helder Pacheco no JN

Aconselho vivamente a leitura deste artigo. É caso para dizer: "ontem, como hoje."

E a paciência dos tripeiros a esticar, esticar, esticar...Até quando?

28 novembro, 2007

O nosso destino muda-se combatendo o embuste

Muito antes do referendo pela Regionalização de 1998 já a defendia. E por quê?

Primeiro, por estar prevista na Constituição, e depois, por me ir apercebendo, que a Regionalização era mesmo uma reforma necessária. Foram as sucessivas acções políticas de alternados governos, quer do PS, quer do PSD, com tendências para acentuarem a concentração do poder na capital que me retiraram as poucas dúvidas que ainda podia ter sobre o assunto e me fizeram interiorizar a sua necessidade.

O nosso país é pequeno para regionalizar, diziam e ainda dizem - com o descaramento de quem está impunemente habituado a vender banha da cobra - os defensores do status quo do regime. A seguir, cantavam-nos ( e ainda cantam) o fado vadio da "descentralização" e assim davam a volta ao eleitorado mais ingénuo e aos respectivos aparelhos partidários, ao bom estilo dos homens dos carrinhos de feiras de diversão: "nova corrida, nova viagem, freguês!"

A Regionalização não é cura para todos os males do país, mas só pode ser um sistema político/administrativo muito mais justo e eficaz do que aquele que agora vivemos. A sua maior vantagem, é a de aproximar o cidadão dos orgãos do poder e das suas reais necessidades. A outra, é a de lhe permitir também uma maior participação e controle do desempenho governativo.

Dizia há dias António Arnaut no lançamento de um livro seu, que hoje, há falta de carácter na política e que a astúcia se lhe sobrepõe... Pois sim, estamos fartos de saber que assim é, mas para quê usar expressões tão simpáticas como carácter e astúcia quando as podemos traduzir numa frase mais grosseira mas não menos honesta como: temos de acabar com a vigarice na política?

E por que é que o senhor dr.António Arnaut, que tanto se bateu pelo Serviço Nacional de Saúde, não disse nem explicou aos eleitores quem foi e o que foi que abortou esse seu desígnio quando esteve no Govêrno? Só se fala dos obstáculos criados (quando é o caso) passado muito tempo, quando a memória do povo começa a encurtar... Por que será? Ou terá o senhor doutor guardado segredo até hoje para nos esclarecer com a venda do seu livro?

Já repararam que hoje, há poucos políticos que tenham a dignidade de se demitir dos seus cargos e a coragem de explicar publicamente, preto no branco, as causas que estão na origem do boicote às suas reformas políticas, chamando os "bois pelo nome"? Mas então, estará a obediência partidária acima do dever de esclarecer os eleitores? Os partidos interessam mais que as pessoas? Se assim é, então não precisamos dos partidos políticos para nada, porque deixam de ser um organismo ideológico de representação pública para passar a ser um seu adversário, um entrave à cidadania.

Os próprios debates televisivos (muito bem pagos) onde participam governantes e ex-governantes são igualmente um processo cínico e simples para estes branquearem as suas incompetências e incumprimentos e ao mesmo tempo para restaurarem a sua credibilidade. Mas, o que nos obriga a aceitarmos isto? A televisão terá porventura mais força que a vontade do cidadão?

É óbvio que tem. Os cidadãos agora, comunicam (virtualmente) mais através da Net, mas mobilizam-se pouco. Por aqui, já podemos ter uma ideia mais realista do nosso efectivo poder e como será extremamente difícil mudar o nosso destino a mantermo-nos neste teatro de governabilidade.

Com a Regionalização, estou seguro, o nosso destino estará muito mais próximo das nossas mãos e das nossas legítimas ambições.

27 novembro, 2007

Podemos nós tomar o destino em nossas mãos?

José Sócrates, primeiro-ministro de Portugal em passeio pelo Norte, lançou há dias um repto à região dizendo que está nas mãos dos nortenhos suster a rota de declínio económico e levar a região para níveis que a façam sair da situação actual. Nas nossas mãos?

Esta afirmação ou é uma hiprocrisia ou, o que é menos crível, demonstra uma ignorância dos mecanismos governativos, que seria inadmissível num primeiro ministro.Dado o contexto, parece até uma provocação. Repare-se que a reunião em que esta afirmação foi feita, foi a mesma em que figuras públicas da sociedade civil do Porto lançaram um apelo para que o governo central despachasse favoravelmente a pretenção de uma low cost que quer trazer para a região Norte dinheiro e turistas. Esta pretenção foi travada e inviabilizada pela ANA, departamento do governo, através de argumentos espúrios, apresentados de forma terminante.

E qual foi a reacção do primeiro ministro, o mesmo que nos desafia a melhorar a nossa situação? " Os interesses nacionais e das regiões têm que estar acima dos interesses das empresas", foi esta a resposta.

Esta genérica declaração de princípio não é certamente resposta adequada a uma legítima pretenção regional que, beneficiando a região, beneficiaria automaticamente o país a que ela pertence.

O que acontece é que esta recusa, na realidade, é mais uma prova do conceito centralista de que aquilo a que se chama "benefício para o país" é coisa que não existe, porque o país, ele mesmo, é uma entidade abstracta. Existe sim Lisboa, e é em relação a ela que o binómio custo-benefício de qualquer medida é considerado. O resto... bem o resto é aquela zona difusa e nebulosa a que eles chamam "província", provadamente habitada por uma população de classe inferior em relação à qual convém manter uma salutar distância.

Cada um tire as suas conclusões deste episódio. Eu já tirei as minhas.

26 novembro, 2007

"MEMORANDUM CASA PIA-VERSÃO 2008"

O Escândalo Casa Pia rebentou nos finais de 2002, quando um antigo aluno da Casa Pia em entrevista à jornalista Felícia Cabrita, alega ter sofrido de abusos sexuais, enquanto jovem.

Os principais responsáveis desses abusos eram figuras públicas e um ex-funcionário da Casa Pia, Carlos Silvino, mais conhecido como Bibi. A 29 de dezembro de 2004, o Procurador-geral da República, José Souto Moura, acusa formalmente várias personalidade de abusos sexuais a menores (pedofilia):Herman José e Carlos Cruz, duas estrelas da televisão portuguesa.

O arqueólogo Francisco Alves e o antigo médico da Casa Pia, Ferreira Diniz.O ex-Ministro da Segurança Social do governo de António Guterres e actual deputado do Partido Socialista, Paulo Pedroso.O embaixador Jorge Ritto.O julgamento iniciou em 25 de Novembro de 2004, com sete arguidos: Carlos Silvino, Carlos Cruz, Jorge Ritto, Ferreira Diniz, Manuel Abrantes, Hugo Marçal e Gertrudes Nunes. O caso arrastou-se durante anos, com audiências públicas e não públicas para auscultar as alegadas vítimas. Em Fevereiro de 2008 o caso ainda decorre, e é tempo de mais.

Começamos a suspeitar das razões: talvez Pinto da Costa, ou (deixemo-nos de tretas) mais precisamente, as vitórias do F. Clube do Porto. Não é nada, não é nada, mas com elas o glorioso vem definhando e o eclipse é total.

O tema (até ver) não envolve o Porto, mas indigna todo o país. Os media tradicionais andam ao "ritmo" do regime e já se devem ter "cansado" de o pressionar. Nós não. Todas as semanas faremos questão de lembrar aqui esta vergonha nacional. Para que os respectivos responsáveis possam ter a noção exacta da valia da sua honorabilidade

DEMOCRACIA OU PACTOS COM MENTIRAS?

Aqui, como um pouco por toda a blogoesfera, discutem-se todo o tipo de questões relacionadas com a centralização e o consequente empobrecimento económico e social do Porto e do interior norte de Portugal. E daí?
Será esse o melhor caminho para mudarmos a situação? Francamente, não creio.
De forma mais ou menos contundente ou pacífica, vamos debatendo todo o tipo soluções para estes problemas, desde a descentralização efectiva dos vários orgãos de poder até à simples regionalização do país, mas na verdade esquecemos a sua essência, que também passa pela cumplicidade dos cidadãos para com os graves e repetidos erros governativos provocados por constantes atropelos às leis e a promessas eleitorais.
Com receio de sermos intolerantes ou acusados pelos fantasmas do radicalismo, vamos convivendo mal com as habituais artimanhas governativas com uma fatídica inevitabilidade em nome de uma aparente obediência cívica.
Mas, afinal, será mesmo este nosso comportamento o mais sensato? Será ele condizente com a letra do regime democrático? Quanto a mim, não é. Há demasiada subserviência da nossa parte - e que nada tem a ver com exemplos de boa cidadania - perante aspectos básicos essenciais às regras da democracia, entre os quais consta um da maior importância, como seja o da exigência de seriedade de processos, pela parte de quem governa (e como nos governa).
É justamente neste ponto, tão simples quanto óbvio, que reside a nossa cumplicidade face ao desempenho governativo. Sabemos que o regime democrático é (em tempo útil) parco em mecanismos reivindicativos e de rejeição governativa, mas embora discutindo, vamo-nos conformando parcimoniosamente com este tão espartilhado "trunfo" de cidadania democrática como é o voto eleitoral, deixando à oposição o papel retransmissor do nosso descontentamento.
Ora, todos sabemos que o défice de pragmatismo democrático não se tem circunscrito à actividade governativa, mas que também se estende ao desempenho das oposições, igualmente acomodadas e pouco interventivas. Entretanto, os anos passam, o país vai-se atrasando, o povo vai vivendo cada dia pior, ainda que ao som de uma "colorida" música regimental que lhe fala de progresso e reformas que porventura jamais chegará a usufruir.
Não se compreende a contestação diplomática quando se lida com ilegalidades. A diplomacia é um convívio que se alimenta e revigora com princípios de seriedade recíproca, mas que é inócua face a intervenientes desleais. O que sucede, é que este modelo de democracia em que vivemos não é compatível com protagonistas falsos. Poderá até funcionar razoavelmente com governantes idóneos (como sucede nos países nórdicos), mas é uma perigosa utopia quando praticada em países cujos principais responsáveis são os primeiros a romper compromissos.
Pessoalmente, na minha qualidade de cidadão, não me dá qualquer conforto moral saber que os nossos governantes mentem (é este o termo correcto), que mentiram e vão continuar a mentir aos eleitores. O conforto moral só acontecerá quando tiver a oportunidade democrática de os levar à barra de um tribunal e os condenar com equivalente gravidade pelos prejuízos causados à Nação.