26 novembro, 2010

Rui Moreira tem razão

Fonte: Semanário Grande Porto
Autor :
Rogério Gomes - Director Interino

A posição de Rui Moreira em ponderar a sua não continuidade à frente da Associação Comercial do Porto é compreensível e perfeitamente demonstrativa da apatia que tomou conta da “sociedade civil”, neste caso nortenha. O presidente da ACP tem sido nos últimos anos talvez a voz mais interveniente no debate público regional, em especial quando as questões dizem respeito ao Porto e ao Norte – diríamos que sempre que os interesses da região ou da cidade estão em causa.

Curiosamente, dada a propriedade com que se pronuncia sobre os assuntos, reúne quase sempre um conjunto vasto de concordâncias ou, pelo menos, de aquiescências tácitas. O problema é que raramente há movimentação sócio/política consequente com os aplausos que as suas palavras merecem.

No muito discutido caso da reorganização da ANA que leva a gestão do aeroporto de Sá Carneiro e os seus lucros para uma holding que, naturalmente vai diluir os interesses próprios e a autonomia financeira do equipamento, Rui Moreira ainda teve a satisfação de ver um grupo económico (Sonae) a interessar-se pelo assunto. Mas agora, quando denuncia uma manobra semelhante em relação à APDL que, a concretizar-se a intenção do Governo, será integrada numa estrutura que vão “comer” o altamente lucrativo porto de Leixões, a resposta é a indiferença.

Se o caso do aeroporto levantou vozes e alertou consciências, a hipótese de também a gestão dos portos do Douro e de Leixões serem centralizados devia levar-nos a uma revolta imediata e enérgica contra esta intenção.

Mas, não: reina o silêncio (uma excepção no caso do teatro de S. João, cuja passagem para uma administração centralizada em Lisboa motivou uma concentração de centenas de pessoas; o Movimento para o Partido do Norte telefonou a Rui Moreira a apoiar as suas posições) 

A crise parece ter amolecido o ânimo social e as “forças vivas” do Porto e do Norte estão desmotivadas. Os partidos andam entretidos com a discussão do orçamento, os empresários procuram entre as migalhas do Estado e os milhões da Europa alguns tostões para manter actividade e os cidadãos fazem contas à vida e à crise, tentando não perder o emprego e assegurar a saúde e a educação dos seus. Os líderes políticos, ou estão reféns de estratégias pessoais que não passam por acicatar neste momento os ânimos ou à esperam uma redefinição política nacional para jogarem os seus trunfos.

Ao Porto e ao Norte falta-lhes sentimento de revolta; falta-lhes, hoje, a capacidade de indignação e quem tenha a capacidade de a corporizar. Não existe uma opinião pública forte capaz de mobilizar consciências e de iniciar um movimento suficiente forte para contrariar o centralismo galopante que o Governo vem impondo.

Todos os dias temos muita gente a queixar-se de Lisboa, do modo como o Estado suga recursos e abafa o desenvolvimento regional. Não faltam exemplos, grandes e mais pequenos, de como diariamente isto é feito. Também não é difícil ter o acordo de muitas figuras públicas e até de dirigentes partidários locais em como isto é assim mesmo… Mas, depois, falta a consequência. E demasiadas vezes vemos como aqueles que, em privado, concordam connosco, em público, se remetem a uma comprometido silêncio ou são capazes mesmo de se contradizerem.

Por inveja política, por calculismo partidário ou por simples comodismo, é o silêncio que impera. E quando pessoas como Rui Moreira se vêem a pregar no deserto é muito natural que sintam desânimo e que não vale a pena continuar.

É muito difícil remar contra esta maré de apatia e de posturas calculistas de quem tinha a obrigação de defender a região e a cidade. Seria, no entanto, uma enorme perda para ambas se Rui Moreira deixasse de ser aquilo que é: um portuense, uma referência e uma das principais vozes do Norte.

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De facto, Rui Moreira é a única voz a remar contra a maré, para além de Pedro Baptista e Anacoreta Correia que, contra ventos e "anti-corpos", se vão esforçando por implantar um novo Partido político a partir do Porto.

Talvez Rui Moreira comece agora a perceber a imprestabilidade  da sociedade civil do Porto contemporâneo, principalmente a das chamadas elites, acomodada, submissa, e  sem capacidade de reacção aos flagelos centralistas.

O Movimento Pró Partido do Norte precisa de mobilizar para os seus quadros gente capaz e séria, que possa criar propostas bem estruturadas de forma a afastar do povo  o sentimento de desconfiança profunda em relação aos partidos políticos.

Há um outro ponto [quanto a mim fundamental], que devia ser incluído nos estatutos do novo Partido, que é prevenir situações de novas formas de compadrio e oportunismo. Evitar que se instale no seio dos seus militantes a ideia do tacho, do carreirismo e da banha da cobra. 

Falar sério e agir ainda mais  a sério, é  o futuro da boa governabilidade.


25 novembro, 2010

Comunicado do Partido Pró Movimento do Norte

Para quem estiver interessado em ler, clicar aqui.

A cassete do costume


Animado pela terceira derrota do Benfica na Champions, onde a chantagem sobre os árbitros e os "sistemas" não cola nem é permitida, hoje só me apetecia falar das flores e dos passarinhos. Mas, nem essa fútil alegria me afaga a alma. Tal como o Benfica, o país é um bluff!

Como é hábito [encarniçado], o governo teima em ver o que não existe e ignora a realidade dos factos. A greve geral, apesar de ultimamente estar a ser desvalorizada por tudo quanto é opinador oficial dos media, foi um sucesso. Contudo, o Governo, desonesto como é, vira mais outra vez as costas à realidade e à população com o coerente desprezo  do costume preferindo dizer que a greve foi um fracasso, mitificando e aldrabando. Para isso é que lá tem gente qualificada na matéria.  

Solidário com a prole rapa-tachos do Partido, o Ministro da Defesa, naquela arrogância típica dos deslumbrados do Poder, desvaloriza a oposição dos 3 ramos das Forças Armadas à reforma da saúde militar, como de resto desvaloriza tudo o que colida com as suas magnas decisões. E como não há-de ele desvalorizar se, tal como o resto do Governo, está farto e cansado de dar provas inequívocas da sua competência?

Para nosso desgosto, a oposição e certos opinadores credenciados pela lógica do porque sim, não nos deixam dormir sossegados [excepto se o soporífero Benfica der uma ajudinha], porque continuam a manifestar uma visão maniqueista da Política. O melhor Estado menos Estado é a tecla gasta de alguns iluminados, dando sinais preocupantes de algumas limitações estratégicas e ideológicas caso venham a ser Governo. Miguel Júdice, é um desses casos típicos. Fazendo parte da comissão de honra da candidatura de Cavaco Silva às Presidênciais, entendeu agora publicar um livro malhando sem dó nem piedade no seu Presidente de eleição alegando entre outras coisas que "Cavaco fez do PSD um partido de consumidores, que aumentou o peso do Estado espartilhando a sociedade civil... Se o Estado tivesse emagrecido, se tivesse alterado a Lei laboral [cá temos a crónica tentação para mexer nas leis], hoje estaríamos melhor".

Não é que discorde com o que este senhor advogado diz sobre Cavaco [embora de forma paradoxal, diga-se], só não consigo é ouvir ninguém a explicar quem é que controla a sociedade civil uma vez que o próprio Estado não é capaz de se controlar a si próprio. Estou-me a lembrar daqueles "empresários" que aproveitando a boleia do Estado [e da sempre-eterna crise] se habituaram, sem dignidade nem vergonha, a dizer aos empregados que não sabem se têm dinheiro para lhes pagar, para desta forma lhes manterem os salários em atraso. Ou então, daquele gerente do Intermarché que atentou contra a vida dos seus funcionários só porque ousaram aderir à greve.

Suponho que o Dr. Miguel Júdice terá na manga algum trunfo para este modelo de liberalização da sociedade civil. Talvez confie na auto-regularização, digo eu. É que, nós somos mesmo bons a auto-regular-nos. Basta contar os longos anos que levamos a convencer os automobilistas a parar nas passadeiras e a colocar o cinto de segurança...

Que líderes tão cinzentamente repetitivos!

24 novembro, 2010

Mais nojo



Como um autêntico tsunami que tudo destrói à sua volta, o "Governo" continua apostado em infernizar a vida aos portuenses. Agora, chegou a vez do Teatro S. João servir de cobaia à paranóia açambarcadora do centralismo lisboeta, com a intenção de o incluir no Organismo de Produção Artística [OPART] da capital.

Não tarda muito, entram-nos pelas nossas casas, para nos dizerem como temos de escovar os dentes... Só à bala mesmo! F.D.P.!

Mas, haverá ainda  quem acredite que o Partido Socialista quer mesmo a Regionalização? Ler mais, aqui: http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Cultura/Interior.aspx?content_id=1719322
 

Nojo!

Quando um povo aceita resignadamente ser comandado por um grupo de indivíduos com características criminosas, esse povo é também cumplíce passivo de todas as patifarias por eles cometidas. Não chega a constatação dos factos, é preciso fazer qualquer coisa para impedir que este comportamento se propague e contagie os governos que se seguirão e a própria população. Um povo que assiste, desinteressado e com alma fadista à destruição compulsiva do seu país é um povo que não  merece ser respeitado. E é precisamente isso que este bando de crápulas que detém o Poder já percebeu, e lhe está a fazer.

Não é só criminoso o psicopata que mata a namorada à marretada, nem o traficante de droga de rua, há muitas outras maneiras de assassinar, sem facas ou pistolas, mas com outro tipo de armas muito mais destruidoras, como mandar por incúria e completa imoralidade, centenas de milhar de pessoas para o desemprego, para a doença e para a miséria.

Se realmente vivemos numa Democracia representativa, se o Poder popular ainda não chegou à rua, são os nossos representantes e todos aqueles que continuam a dar-lhes crédito, os únicos responsáveis pela pouca vergonha a que o país chegou. Se há crime - e penso que já ninguém terá dúvidas sobre isso -, tem de haver castigo, caso contrário o país entrará numa espiral crescente de violência e de ilegalidade que será muito difícil de controlar.

Pessoalmente, revolta-me, incomoda-me profundamente ser "governado" e dever obediência cívica a um conjunto de gente desqualificada, sem sentido ético nem seriedade. Desprezo-os como desprezo o fedor dos escrementos! A esses biltres, só não os coloco na cadeia porque não tenho condições para isso. Comigo, toda essa gente não tinha um único advogado a defendê-los, simplesmente porque não merece defesa. Direito à defesa sim, mas só para o que é defensável. Há coisas que não são defensáveis!

Sei que estas palavras não são politicamente correctas nem encaixam nos padrões democráticos patentes nos chips que durante longos anos colocaram no cérebro do povo, mas é exactamente por isso que hoje estamos reféns desses fúteis paradigmas. Estou-me a borrifar para toda a Democracia que usa as mesmas balanças da Justiça como qualquer feroz ditadura! Chamar a este regime uma  Democracia é insistir num erro que alguns não estão interessados em corrigir porque lhes dá jeito, porque lhes convém viver com a Injustiça que inflinge ao Povo.     

23 novembro, 2010

Imagens do Parque Biológico de Gaia


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Charles Darwin no Parque Biológico de Gaia

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Optimismo, procura-se, mais vivo que morto

Abrimos o jornal [JN]e lemos:

140 euros para salvar os bancos irlandeses
*[falidos salvam falidos?]

Défice cresce 215 Milhões até Outubro
[a endividar-nos somos mesmo bons! E... rápidos]

Greve Geral

Baleado por ter demorado a sair da passadeira
[convenhamos que é castigo exagerado, mas que há para aí uns meninos que gostam de provocar os automobilistas, isso é verdade. Só lhes falta fumar um cigarro e ler o jornal]

Idoso premeditou pegar fogo à mulher

Gangue de menores assaltava estudantes

Tios detidos por raptar sobrinhos

Comerciante atingiu assaltante a tiro

Detido por maltratar mulher, GNR e bombeiros

Cantinas da Câmara de Gaia dão comida todo o dia

Problemas laborais resolvidos a soco

Chefe dos CTT ficou com donativos

E isto é apenas um resumo das notícias de hoje. É claro que os "optimistas" de plantão ao rectângulo plantado à beira mar, dirão que desprezei o Emmy das telenovelas ganho pela TVI em Nova Iorque, que Sócrates "garante" que a crise não afectará a ciência, ou então, que a selecção portuguesa chapou com 4 secos à Espanha. Mas os optimistas são assim mesmo, contentam-se com pouco, normalmente, com muito e bom, dentro da barriga.


*Os textos entre parêntesis são da minha autoria 

22 novembro, 2010

O Porto no New York Times

Clicar em baixo sobre o link para ler

A Grécia está prestes a implementar a Regionalização

Esta notícia talvez surpreenda muitos portugueses que há décadas ouvem quotidianamente a velha lengalenga dos anti-regionalistas que, quais velhos do Restelo, propalam aos sete ventos que a Regionalização é sinónimo de despesismo, "tachismo" e provocaria uma crise.

Mas não. A Grécia, um dos 3 últimos países não regionalizados da União Europeia a 15 (os outros são Portugal e a Irlanda, ou seja, todos eles países da «cauda da Europa», coisa que os anti-regionalistas nem comentam...), e considerado, a par de Portugal, um dos países mais centralizados da Europa, vai implementar a Regionalização. Isto enquanto vive a pior crise da sua história recente. E, segundo os gregos, precisamente para combater essa crise. Tudo isto quando está fortemente pressionada e vigiada pela UE e pelo FMI, e sem que estes se mostrem contra- antes pelo contrário!

Até os gregos já chegaram à conclusão que a Regionalização é dos melhores instrumentos de combate à crise. Foi precisa uma grande crise para o admitirem, mas mais vale tarde que nunca!

Vamos, então, perceber melhor o modelo de Regionalização da Grécia:

A Regionalização é o pilar fundamental do Plano Kallikratis, cujo objectivo é acabar de vez com o caos administrativo no qual a Grécia, à semelhança de Portugal, vive cronicamente. Até agora, a Grécia estava dividida em 3 tipos de unidades administrativas: periferias, prefeituras e municípios.

As periferias eram 13, e equivaliam às nossas Províncias tradicionais: não tinham órgãos eleitos, praticamente não tinham poder a não ser o equivalente às nossas CCDR's, mas eram as divisões mais tradicionais.

As 54 prefeituras eram órgãos intermunicipais, o equivalente às nossas Comunidades Intermunicipais NUT-III. Essas sim, já tinham órgãos eleitos, embora as suas competências fossem mais alargadas que as das nossas Associações de Municípios, uma vez que as prefeituras gregas tinham competências intermédias entre as dos nossos distritos e municípios.

Nos municípios residia um dos grandes problemas: a existência de 1033 municípios num país pouco maior que Portugal fazia com que o mapa administrativo grego fosse ainda equivalente ao que existia em Portugal antes do séc.XIX, com as reformas do reinado de D. Maria II.


O que se fez, então, na Grécia?

Extinguiram-se as prefeituras, e fez-se uma profunda reforma nos restantes órgãos.

Começando pelo nível inferior -os municípios-, os Gregos fizeram uma reforma equivalente à que Portugal fez no reinado de D. Maria II, embora com mais de 150 anos de atraso. De 1033 municípios, passaram a ter apenas 325, um número equivalente ao que existe actualmente em Portugal (o que só prova que, ao contrário do que certas vozes clamam, Portugal não tem concelhos a mais).

Quanto às periferias, passam de 54 para 13, e verão as suas competências ser reforçadas. O cerne da Regionalização grega está nas periferias, que serão as verdadeiras Regiões Administrativas da Grécia. Tal como os municípios, terão órgãos eleitos de 5 em 5 anos, neste caso um Periferiado (equivalente à Junta Regional) e uma Conselho Periferial (equivalente à Assembleia Regional). Deixam, assim, de ser um "híbrido" entre municípios e regiões, e assumem-se como verdadeiras unidades regionais, conforme o seguinte mapa:


Por fim, e para pouco mais que fins estatísticos, a Grécia decidiu instituir 7 "administrações descentralizadas", que serão agrupamentos de periferias que não terão mais que uma representação do Governo, à semelhança do que acontece com o Representante da República na Madeira e nos Açores, sendo que na Grécia participarão neste órgão também representantes das periferias e dos municípios.



A questão do tamanho das regiões:

Em Portugal, há a tendência em afirmar que as regiões devem ter dimensão e população relativamente grandes, supostamente para terem "massa crítica", e que para isso se devem ignorar os contrastes geográficos, económicos e sociais, e esquecer as identidades regionais tradicionais. Daí em Portugal alguns defenderem o mapa de 5 regiões, com as regiões "norte e centro", completamente contrastantes no seu seio, apenas para terem grande tamanho.

Na Grécia, ao invés, pensou-se de outra maneira e seguiu-se aquilo que foi feito em praticamente todos os países regionalizados da Europa (destaco os Países Baixos, a Itália, a Espanha e a Suíça): teve-se atenção aos contrastes regionais, e respeitou-se as identidades existentes, ignorando o tamanho e a "massa crítica"- questão que aparentemente só em Portugal foi suscitada, e que nunca, em nenhum país, foi encarada como um problema.

Deste modo, as regiões (prefeituras) gregas variam muito em tamanho e em população. A região continental menos populosa é a Macedónia Ocidental, que contava em 2005 com 303.857 habitantes (menos do que teriam, por exemplo, Trás-os-Montes e Alto Douro ou a Beira Interior, ambas rondando os 350 a 400 mil habitantes), sendo que a região insular do Egeu Setentrional tem ainda menos habitantes: 208.151. Já no extremo oposto, a região mais populosa é Ática, com 3.841.408 habitantes (população equivalente à de Entre-Douro e Minho ou Estremadura e Ribatejo, ambas superando os 3 milhões de habitantes).

Assim, mais uma vez, fica demonstrado que a questão da "massa crítica" das regiões é um não-problema, suscitado apenas em Portugal para desviar atenções e atacar a Regionalização.


Implementação e reacções 

Esta nova reforma vai apenas entrar em vigor no dia 1 de Janeiro de 2011, e não precisou de qualquer referendo para ser aprovada (à semelhança do que se passou com quase todos os processos de Regionalização da Europa). Os gregos contam, com esta reforma, combater mais eficazmente a crise, diminuir as desigualdades entre as regiões (ao nível europeu, só Portugal as suplanta) e gerir mais eficientemente o território, ao mesmo tempo que diminuem os custos com a administração pública. Ou seja, seguem o lema «com menos, fazer mais», que presidiu à maioria das regionalizações na Europa.

Por seu turno, na Grécia praticamente ninguém fala numa hipotética ameaça à unidade nacional, antes pelo contrário! E não nos esqueçamos que a Grécia é, tal como Portugal, um país historicamente coeso, em que a esmagadora maioria da população fala apenas uma língua, com uma cultura muito própria e enraizada há milénios, com uma história incontornável, e um sentido patriótico bem presente na população. Porém, na Grécia os inacreditáveis discursos anti-regionalistas não colam- talvez devido à Grécia ser não só a pátria-mãe da democracia, como a pátria-mãe da Regionalização: as centenas de Cidades-Estado autónomas existentes na Grécia Antiga foram a primeira forma de Regionalização a nível mundial.

Os gregos já foram às urnas para eleger os novos governantes regionais. Tal aconteceu no mesmo dia das Eleições Autárquicas (aí está uma boa forma de poupar nos gastos e atrair mais votantes), a 7 de Novembro último, com uma tradicional segunda volta no dia 14. Interessante também é o modelo de escolha dos candidatos: estas eleições são apartidárias, e no boletim de voto aparece apenas o nome dos candidatos, tal como acontece em Portugal nas Eleições Presidenciais.


Em jeito de conclusão, saliente-se o modo como a Regionalização foi encarada na Grécia: uma reforma de futuro, para modernizar o Estado e o País, reduzir os custos da Administração Pública e assim combater o défice e a crise, aproveitando para atenuar os contrastes regionais e promover o desenvolvimento.

O que mais será preciso para que em Portugal se deixe de pensar na Regionalização como "tachismo", "despesismo" e "separatismo"? O que mais será preciso para que os anti-regionalistas deixem de chamar aos regionalistas "provincianos", ignorando que com isso estão também a chamar "provincianos" aos alemães, franceses, belgas, holandeses, espanhóis, italianos, suíços, austríacos, ... ?

Está na hora de mudar mentalidades.


João Marques Ribeiro
[in blogue Regiões]

20 novembro, 2010

Ainda o top 10 2010, da Wine Spectator


1 º. SAXUM / 65 $
Origem: Califórnia

3 º. Peter Michael / 85 $
Origem: Califórnia

2 º. Two Hands / 65 $
Origem: Austrália

10 º. Clos des Papes / 100 $
Origem: França


9 º. CARM Douro / / 27 $
Origem: Portugal




6 º. Paul Hobbs / 45 $
Origem: Califórnia

5 º. ALTAMURA / 85 $
Origem: Califórnia

4 º. Revana / 125 $
Origem Califórnia
8 º. Fontodi / 110 $
Origem: Itália 




7 º. Schild / 20 $
Origem: Austrália


Além do 9 º. Lugar do atribuído ao nosso CARM / Douro, não é irrelevante o facto de constarem nesta pequena lista de vinhos premiados, 5 vinhos norte americanos, 2 australianos e apenas três de origem europeia [Itália, Portugal e França].


Doris Day - Autumn Leaves - 1956

19 novembro, 2010

DOURO - CARM reserva Douro 2007 no top 10 do "ranking" da Wine Spectator

O vinho CARM Reserva Douro 2007 foi considerado este ano um dos “dez melhores do mundo” pela revista norte-americana Wine Spectator, que classificou este vinho português no nono lugar do seu ranking anual.

A revista norte-americana Wine Spectator, considerada internacionalmente 'a bíblia' dos vinhos, está desde segunda feira a divulgar paulatinamente o Top 10 de 2010 depois de analisar mais de 15.000 vinhos de todo o mundo.

Na nota de prova pode ler-se que este reserva Douro 2007 é um “elegante e poderoso tinto, pleno de estrutura, com intensos aromas e sabores de baga vermelha, fumo, framboesa e especiarias com taninos bem integrados. Estilo da Borgonha, com final focalizado em frutas vermelhas esmagadas, e ainda é um bebe para beber”.

Filipe Madeira, responsável comercial da Companhia Agrícola Reboredo Madeira (CARM), disse que “é a segunda vez que um vinho português aparece na lista dos 10 melhores vinhos do ano".

Este facto "é muito significativo para nós e para os vinhos do Douro”, disse.

“Hoje quando cheguei ao escritório tínhamos já dezenas de pedidos de todo o mundo para serem distribuidores e para saberem mais sobre as características do vinho” observou Filipe Madeira, acrescentando que as primeiras posições do 'ranking' são, normalmente, ocupadas por vinhos franceses e italianos.

O destaque deste vinho português dos enólogos Rui madeira e António Ribeiro obteve 94 pontos, no nono lugar.

O décimo lugar foi atribuído ao francês Clos des Papes - Châteauneuf-du-Pape branco 2009.

A empresa CARM, situada no Douro Superior, em Almendra, Vila Nova de Foz côa, foi criada em 1999 para trabalhar com a herança das propriedades de vários séculos da família que produz igualmente azeites e produtos gourmet.

A 22 de novembro a revista irá apresentar a lista completa dos 100 e o “melhor vinho do mundo” deste ano.

Esta lista anual que iniciou a sua apresentação em 1988 chama, segundo a organização “a atenção às marcas mais importantes e trás à luz da ribalta regiões e os seus ilustres produtores”.

(In Portugal Global)


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RoP:
E os supermercados nortenhos a abarrotar de vinhos alentejanos...

Ana Belén e Victor Manuel



DESLIGUEM-SE [SE PUDEREM] DA DROGA DA CIMEIRA DA NATO. É MAIS UMA PAROLADA À MODA LISBOETA. DIVIRTAM-SE [SE SOUBEREM]. BOM FIM DE SEMANA!

Boys, boys, boys

[Fonte: JN]

O Estado português, é sabido, tem as costas largas. Demasiado largas. Tão largas que há quem trepe por ele acima, se empoleire nos seus ombros e, lá do alto, grite, a plenos pulmões: "Também eu já bebi do seu cálice, também eu já fui bafejado pela sorte!"

O cálice é o Orçamento do Estado, a sorte é ser amigo de alguém que mexe uns cordelinhos no partido que está no poder. Ou, como normalmente são designados, os "boys" que se acotovelam nas trincheiras desta Função Pública que oscila de regime para regime, gente esperta o suficiente para não fazer muitas perguntas inteligentes.

Veja-se o caso do jovem dirigente socialista que, sem currículo profissional ou canudo académico, conseguiu a proeza de ser, simultaneamente, assessor político da Câmara de Lisboa (lá está, a confiança) e receber subsídios do Instituto do Emprego para criar uma empresa que, entretanto, está desactivada.

Tudo somado, recebeu qualquer coisa como 41 mil euros indevidos. Tanto quanto ganhariam 86 trabalhadores que aufiram o salário mínimo. Mas o partido achará que o jovem "boy" vale bem por 86.

Veja-se, ainda, o exemplo dos arábicos salários de que beneficia(ra)m os elementos do Conselho de Administração da Fundação Cidade de Guimarães, entidade que gere a Capital Europeia da Cultura, e que ontem levaram uma castanhada. Haja justiça, pensará o incauto leitor. Mais ou menos.

Isto porque o corte de 30% decretado pela autarquia, parecendo salomónico, não corrige o erro e a falta de pudor. Mesmo com o acerto de contas, o vencimento de Cristina Azevedo, presidente do Conselho de Administração, baixa de 14.300 para 10 mil euros mensais (mais do que, por exemplo, ganha o presidente da República e o primeiro-ministro).

A mais extraordinária lição a tirar desta história é que foi António Magalhães, autarca local, a decidir o montante a pagar aos representantes daquele órgão, num acto de desprezo pelos dinheiros públicos. Se um deputado do PCP chamado Agostinho Lopes não tivesse reparado, calava-se tudo bem caladinho.

Não custará muito projectar, a partir destes dois casos, milhares de outros. Um exército silencioso que se encosta ao poder, que priva com ele, que desfruta das suas mordomias, que tem do Estado uma visão maniqueísta ("eu sou o Estado, por isso, ele tem de me servir"), gente que não abunda nos discursos dos políticos, porque é sempre mais fácil atacar os desempregados e os beneficiários de prestações sociais. Esses sim, são as sanguessugas dos nossos impostos. Os outros não. Os outros são "atarefados" funcionários públicos. Com amigos nos sítios certos.

Pedro Ivo Carvalhoa

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Nota do RoP

Este paradigma dos jobs for the boys, também aqui magnificamente glosado por M. António Pina, explica, em parte, ou até no todo, por que é que os fundos [RIME's, ILE's e outros] concebidos para apoiar e incentivar a iniciativa privada e a criação do próprio emprego, nunca ou muito excepcionalmente foram atribuídos a quem não tinha filiação partidária...

18 novembro, 2010

Orgulho socratiano

É um assombro perder alguns segundos para observar a bem ensaiada pose de José Sócrates sempre que é entrevistado ou quando debita algum discurso de circunstancia! Fala com tal expressividade e convicção, que até ele deve acreditar no que diz.

Se há coisa que me custa é ter de elogiar alguém que ignora a essência das suas responsabilidades e cuja acção governativa vem desgraçando o país, mas tenho de reconhecer o inesgotável talento do 1º. Ministro pela arte de bem representar a todo o palco.

Excluídos estes inadequados talentos, purgados os efeitos hipnóticos das primeiras impressões, pouco sobra de edificante do comportamento de José Sócrates enquanto governante. Só mesmo os distraídos, ou a malta agradecida do aparelho e os boys, é que são de outra opinião...

Sócrates, talvez pela sua profunda falta de visão estratégica para administrar o País no seu todo, abusa demais da pior face da política, onde a inverdade e o compulsivo incumprimento de promessas estão na ordem do dia. Com a imagem  de um moderno estadista multiplica-se em iniciativas de duvidosa bondade procurando passar a ideia de que são o País e a oposição parlamentar que não o compreendem. É firme a resistir à adversidade e não gosta de dar parte de fraco, embora sem conseguir encobrir uma crónica obsessão centralista e uma parolice própria dos mais básicos complexados.

Quem se orgulha de um evento como "marco histórico" [Cimeira da NATO] por ele se realizar em Lisboa, sem antes se preocupar com os custos para um país que está de tanga e de mão estendida para o Mundo, pode ser um magnífico propagandista, mas não deixa de parecer uma espécie de palhaço-rico numa terra que se transformou num circo lunar a céu aberto.

17 novembro, 2010

Valerá a pena, Suu Kyi?

Foi com enorme satisfação que recebi a notícia da libertação de um cativeiro de 7 anos, da Nobel da Paz e opositora do regime militar birmanês, San Suu Kyi .  Tenho um especial fascínio e respeito por esta mulher corajosa mas de aspecto frágil, por tudo o que tem feito e sofrido para levar a Democracia ao seu país. Porém, receio bem que esta grande mulher tenha uma noção realista da profundidade ideológica da sua luta e das muitas frustrações que a esperam.

É claro, que qualquer regime ditatorial é condenável, seja ele mais ou menos musculado, isso é indiscutível. As ditaduras já não deviam sequer existir. Pertencem aos tempos mais negros e violentos da história da humanidade, e é isso que é preocupante: não conseguirmos consolidar o passo seguinte à queda de uma Ditadura.

A questão que me coloco é esta: será o fracasso da construção da Democracia no Mundo responsável pela manutenção das Ditaduras? É do conhecimento público que foi o agiotismo social e o oportunismo político que fez falir a Democracia na Alemanha que guindou Hitler ao Poder. Em Portugal, por razões quase similares, há quem já peça  uma mão de ferro para pôr "ordem na casa".

Aquela ideia da Manuela Ferreira Leite de suspender a Democracia por 6 meses [impressiona a precisão do timing], não será um claro sintoma de que a Democracia, tal como a concebemos, não leva a lado nenhum? Palpita-me que o problema reside aqui. A Democracia alberga em si mesma, mais Liberdade do que a que realmente pode oferecer, sendo parte dela, completamente inócua quando devia ser utilitária e consequente. E é por essa razão que os portugueses  assistem hoje impotentes à destruição do país por um punhado de irresponsáveis sem disporem de meios eficazes e suficientemente céleres para deles se desembaraçarem. Falta à Democracia um mecanismo legal que permita a ablação, em tempo útil, deste tipo de obstáculos. 

Nada me convence de que este status quo sirva ao Povo. Serve o Poder e quem o detém, mas não serve certamente o Povo. É só uma questão de tempo, e veremos como as coisas se vão passar na Birmânia de San Suu Kyi...

Até poderá acontecer mais liberdade, daquela liberdade que permite o insulto fácil e a difamação pública injustificada, mas que pouco irá contribuir para a melhoria de condições de vida do Povo. Por essa altura, o que iremos perceber é que o "nome" do regime mudou, mas os oportunistas continuam lá todos, só que, com outros rostos.  Tal como no tempo de Salazar e de Sócrates.

A melhor defesa da Europa vive no Dragão

Os líderes do campeonato são a equipa com menos golos sofridos das principais Ligas europeias. A explicação está num bom entrosamento, contratações atempadas e integração paciente.

Luis Aguiar, Lima, Faouzi e Carlão. Estes são os autores dos quatro golos que o FC Porto sofreu no campeonato, os únicos que conseguiram ultrapassar a muralha defensiva dos “dragões” e obrigar Helton a ir buscar a bola ao fundo das redes. Decorridas 11 jornadas da Liga, os portistas têm, por larga margem, a melhor defesa da prova. O Marítimo é segundo no ranking, com oito golos sofridos, seguido pelo Olhanense, que já sofreu dez golos. Os três perseguidores na tabela, Benfica, Vitória de Guimarães e Sporting, contam 11 golos sofridos (média de um por jogo).

O registo actual do FC Porto é uma melhoria assinalável em relação à época passada. Em 2009-2010, à 11.ª jornada, os “dragões” tinham nove golos sofridos. A equipa então orientada por Jesualdo Ferreira não tinha sido batida em apenas três jogos – tantos quantos aqueles em que o conjunto liderado por André Villas-Boas sofreu golos. Pelo contrário, em 2007-2008 (no segundo ano de Jesualdo Ferreira), o FC Porto chegou à 11.ª jornada com os mesmos quatro golos sofridos da presente época.

Mas a solidez defensiva dos portistas não se fica pelo plano interno. Nos jogos da Liga Europa, a equipa de Villas-Boas sofreu dois golos em quatro jogos. Contando as partidas da Supertaça e da Taça de Portugal, a média global é pouco superior a 0,4 golos sofridos por jogo.

Se nos debruçarmos sobre os principais campeonatos da Europa, a conclusão é que os “dragões” têm a melhor defesa, à frente de equipas como Real Madrid, Chelsea ou Inter de Milão.

Os merengues de José Mourinho concederam cinco golos em 11 jogos da Liga espanhola, mais dois na Liga dos Campeões e um na Taça do Rei. A média total é de 0,47 golos/jogo – próxima da do FC Porto, mas superior. Já o campeão inglês tem uma prestação razoável no campeonato (oito golos sofridos em 13 jogos) e na Champions (dois em quatro), mas a média é inflacionada pelas derrotas na Supertaça (1-3) e na Taça da Liga (3-4). Feitas as contas, os blues concederam 0,89 golos/jogo.

Estes bons resultados surgem num ano em que a defesa portista perdeu uma referência como Bruno Alves, transferido para o Zenit de São Petersburgo. Ao PÚBLICO, dois antigos defesas do FC Porto desvalorizam esse facto. “No futebol, ninguém é insubstituível”, frisa Eduardo Luís, campeão europeu em 1987, acrescentando: “A forma como o FC Porto joga faz com que os adversários tenham poucas oportunidades de golo. Para além disso, há a grande qualidade dos jogadores na defesa.”

À situação actual não será alheio o facto de os três totalistas do FC Porto no campeonato serem defesas: Helton, Álvaro Pereira e Rolando jogaram os 90’ nos 11 jogos disputados. Otamendi alinhou em três partidas (duas a titular) enquanto Sapunaru e Fucile se têm revezado na lateral direita – o romeno foi sete vezes titular contra quatro do uruguaio. “Na defesa não há só os quatro que jogam, o FC Porto tem seis ou sete jogadores a postos e o treinador não tem dores de cabeça em substituí-los”, continua Eduardo Luís, que vê melhorias também no meio-campo: “Toda a equipa trabalha no sentido de recuperar a bola o mais rapidamente possível.”

Augusto Inácio, que foi parceiro de equipa de Eduardo Luís, concorda, destacando a “organização, confiança e espírito colectivo bastante forte” na equipa do FC Porto. “Não é só a defesa que sofre poucos golos. A equipa ataca e defende bem, tem que ver com o nível de confiança”, aponta.

Na opinião do treinador do Leixões, a própria política de contratações do clube ajuda a equipa a manter os mecanismos, nomeadamente a solidez defensiva. “O entrosamento é bom, os jogadores já se conheciam há algum tempo”, aponta Augusto Inácio. “O FC Porto trabalha para além do momento. Não ficam à espera que as coisas aconteçam. A base colectiva nunca se desfaz”, vinca o técnico, apontando como exemplo as contratações de Maicon e Rolando.

[Fonte: Público]

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Nota do RoP
Manda o bom senso que o que aqui vem descrito não deva ser levado demasiado à letra. A megalomania é paranóia que não encaixa lá muito bem no espírito dos portistas. Esses, são complexos proprios dos frequentadores da 2ª- circular, não dos da Circunvalação. Não digo com isto que não haja no FCPorto alguns exagerados, mas  estou convencido que no Porto ainda não se perdeu o sentido da realidade e ... do ridículo.  Agora, factos são factos, e se não há argumentos para contrariar os factos, por que havemos de ser nós portistas a contrariá-los? Só fazemos votos é que estas estatísticas se mantenham.

16 novembro, 2010

Sistema não funciona e discrimina turistas e visitantes estrangeiros

[Fonte: Pùblico]

Reclamação de cidadão inglês dá conta das suas infrutíferas tentativas para tentar pagar portagens. "Muitos não irão incomodar-se a voltar", conclui

Um sistema inconveniente, que não funciona e discrimina os visitantes estrangeiros e turistas. É assim que, num email de protesto remetido à Câmara do Porto, um cidadão inglês descreve a cobrança de portagens das Scut, concluindo de forma elucidativa: "O Porto não é um lugar ideal para se visitar e muitos simplesmente não irão incomodar-se a voltar."

O desabafo do comerciante britânico, que regularmente se desloca em negócios pelo Norte do país, pode bem ilustrar os receios quanto aos efeitos que a confusão com as portagens pode causar sobre o turismo e o movimento no aeroporto do Porto, dois exemplos de crescimento económico na deprimida região Norte.

No email, a que o PÚBLICO teve acesso, o visitante conta a sua infrutífera odisseia na tentativa de pagar as portagens depois de ter circulado com um carro alugado à chegada no aeroporto. No regresso, quando quis pagar, informaram-no de que apenas o poderia fazer no posto de Correios. Além de o encontrar já fechado, foi informado de que também nunca o poderia pagar, uma vez que os dados não estão disponíveis antes de 48 horas após a passagem pelos pórticos das Scut.

Mesmo tendo que apanhar o voo de regresso, diligenciou depois junto de amigos em Portugal para que lhe efectuassem o pagamento. Nem assim, já que, além das passagens nos três dias em que circulou com o carro alugado, nos Correios exigiam que fossem igualmente liquidadas outras 20 passagens efectuadas pela mesma viatura em dias anteriores. "Tudo isto quando eu estou mais que disposto a pagar o euro que me custaria, mas não há maneira de o fazer", lamenta o britânico. Concluindo que "o sistema é impossível de utilizar por um visitante que chegue ao Porto", o indignado comerciante questiona: "Qual é a intenção? Impedir para sempre as visitas ao Porto, pois é isso que o actual sistema vai fazer", vaticina.

Mas não são só os estrangeiros. Também os utentes que optam por pagar nos Correios ou nas pay-shop se têm queixado da cobrança abusiva das taxas administrativas. A lei diz que será cobrada por cada viagem, mas o que acontece é que está a ser liquidada uma por cada operador, mesmo que numa só viagem. Quem, por exemplo circular na A28 (Viana/Porto) em direcção ao aeroporto é obrigado a pagar uma dupla taxa. Com a agravante de que para as centenas de metros que faz na A41 a taxa (30 cêntimos) é até superior aos 20 cêntimos que são cobrados pela portagem.

Portagens: Comissões de utentes acreditam que ainda é possível fazer o Governo recuar

Um mês depois da introdução de portagens nas ex-SCUT do Norte, as comissões de utentes ainda acreditam que é possível fazer o Governo recuar na decisão, tendo hoje lançado um abaixo assinado para exigir a revogação das portagens.

Numa acção simbólica de protesto no cruzamento das Guardeiras, na Maia, as comissões de utentes contra as portagens nas ex-SCUT Norte Litoral, Grande Porto e Costa da Prata distribuíram folhetos aos condutores relativos ao abaixo assinado hoje lançado online.

Em declarações à agência Lusa, o porta-voz das comissões de utentes, José Rui Ferreira, considerou que “é um dia muito simbólico”, acrescentando que “durante este mês se confirmaram muitas das preocupações manifestadas e que a introdução de portagens é um erro”.

Segundo José Rui Ferreira, “as vias alternativas são pseudo alternativas, tendo-se gerado situações de grande congestionamento de tráfego e sérios problemas de insegurança”.

O porta-voz disse ainda que as comissões querem “passar uma mensagem aos utentes”, garantindo que há toda a disponibilidade para continuar com o movimento de protesto.

(Fonte: Público)