07 abril, 2015

Repensar as nossas possibilidades

Mariana Mortágua



Lembrei-me das entusiasmadas palavras do primeiro-ministro, que apregoava o novo e saudável modelo económico português, assente na justiça social, e livre do endividamento, a propósito de duas pequenas notícias que saíram a semana passada. A primeira, uma investigação do "Dinheiro Vivo", diz-nos que as empresas cotadas do PSI-20 distribuíram, no ano passado, mais de 1,8 mil milhões em dividendos, acima do valor de 2007. Ao mesmo tempo, nos últimos oito anos, aumentaram a dívida em 23%, para 37 mil milhões de euros.
Apesar da crise, dos despedimentos, dos prejuízos e da necessidade de investimento, as grandes empresas portuguesas estão a distribuir mais dinheiro aos acionistas do que faziam antes da entrada da troika no país, quando vivíamos "acima das nossas possibilidades".
A PT é, aliás, um belíssimo exemplo disto mesmo. Uma empresa que, há 20 anos, antes de António Guterres lhe ter aberto as portas às maravilhas do mundo privado, valia mais 75% do que vale hoje, depois de por lá ter passado o melhor CEO do Mundo. Entretanto deu mais de 11 mil milhões a ganhar em dividendos aos seus acionistas, embora a dívida se fosse acumulando. Não é a única.
A EDP, que cobra as astronómicas contas de eletricidade em Portugal, lucra cerca de mil milhões ao ano. Em 2014 distribuiu 67% desse valor em dividendos, quase nada ficou em Portugal. Ao mesmo tempo, o gigante elétrico apresenta uma dívida de 17.083 milhões de euros, cerca de 10% do PIB português.
Mas vamos à segunda notícia, outro exemplo de como a austeridade pode ser tão seletiva. A REN prepara-se para pagar aos seus administradores mais 26% em 2015, ao mesmo tempo que corta 2% nos custos totais com pessoal. Há que fazer escolhas, não é?
Já nos bons velhos tempos de 2013 a PT pagava à volta de 1 milhão a Zeinal Bava, mas isto foi, é claro, nos bons velhos tempos. Hoje a PT não se pode dar a estes luxos. Mas a EDP pode, e paga um valor semelhante a António Mexia. Na GALP o salário de CEO chega aos 1,7 milhões.
Salários milionários, dividendos impossíveis e dívida. Tem sido esta a fórmula da maior parte das grandes empresas portuguesas, na sua maioria privatizadas, a operar em lucrativos monopólios naturais. Era assim antes da troika, e continua a sê-lo depois.
A nova economia que Passos Coelho apregoa não passa da mesma velha e relha economia. Mudaram os donos e os CEO.
[do JN]                                                                                                                                                
Nota de RoP: 
É uma pena que os partidos à esquerda do PS (BE, PCP, PEV, etc.), não se determinem a constituir-se como alternativas de governo. Desta maneira, - e apesar dos fracassos históricos dos partidos do arco governativo -, acabam dando alguma "razão" a estes últimos,  quando os tratam como partidos menores, e demagôgos. É que, se há demagogia (e incompetência) provada e comprovada, é exactamente a dos partidos que têm "governado" o país. As aspas, dizem tudo.  





























03 abril, 2015

Manoel de Oliveira, um tripeiro de gema, um Homem autêntico, partiu...

MANOEL DE OLIVEIRA
Há quem tenha da cultura conceitos antagonistas. Uns, olham-na com snobismo, como uma coisa hermética, reservada a mentes intelectualmente superiores... Esta classe de pessoas, é normalmente a que menos absorve da cultura. Para outros, não menos preconceituosos, tudo é cultura, partindo do princípio que nada é inexplicável. Estou a lembrar-me daqueles mamarrachos que os emigrantes (e não só) construiram por esse país fora, feios e inestéticos, que constrastavam pela negativa com as características das regiões onde eram implantadas,  em perfeito conflito com a paisagem envolvente. Esses, explicavam a teoria com o facto daquele tipo de construções assinalar uma época histórica (o processo de emigração), que não devia ser ignorada, defendendo portanto a sua manutenção. Pessoalmente, não acredito que as piores causas, mesmo que históricas, justifiquem classificações culturais quando não têm qualquer ligação com a arte. 

Com Manoel de Oliveira, penso que sucedeu o mesmo. Muitos, diziam que não compreendiam os filmes dele e que por isso não gostavam. É a mesma teoria que  à partida negava o talento de Salvador Dali e de Pablo Picasso, só porque os seus quadros não possuíam o bucolismo de uma máquina fotográfica. 

A cultura é arte, e a arte sem criatividade é arte postiça, morre. Manoel de Oliveira era sobretudo um cineasta documentarista, ligado à cidade, ao Douro e às gentes do Porto. Os seus filmes eram para ver segundo o homem que estava por detrás da câmara. Eu, também não acho que o cinema tenha que ter obrigatoriamente sexo, violência, rodas a chiar, e carros a capotar, e contudo parece ser o que as pessoas mais gostam. Eu também abomino os Big Brothers das televisões, mas o povo, segundo as estatísticas audiovisuais, parece adorar... A arte é tudo menos aquilo que nos é imposto como bom. 

Morreu uma pessoa da minha cidade, talentosa, de uma dignidade rara e de quem gostava muito. Lamento-o, mas a vida é assim mesmo. Teve uma vida longa, e suponho que muito feliz, porque gostava do que fazia.

Fica para a história do Porto e do resto...   


02 abril, 2015

Agora, só nos resta a utopia

Podem dizer o que quiserem. Que os jogadores não se empenharam, que o Lopetegui armou mal a equipa, que devia lançar o jogador A, em vez do B, que a relva não ajudou, que o árbitro fez (como de costume), "as coisas pelo outro lado", como marcar um penalti duvidoso contra o FCPorto e perdoar outro claro à equipa adversária. 

Mais que previsível, é certo, que desportivamente falando, este ano dificilmente teremos razões para nos congratularmos. No que diz respeito ao futebol sénior, já se foram dois troféus: a Taça de Portugal, e hoje mesmo, a da Liga. E deixemo-nos de alinhar pela demagogia barata de Pinto da Costa que sempre mostrou desprezo pela Taça da Liga (hoje perdida), porque se fosse verdade  mais valia recusar disputar o troféu. Ponto. Mesmo admitindo que o FCPorto  estava obrigado a participar, então, podiam ter dado oportunidade aos júniores A, ou à equipa B, para rodarem, e mais que não fosse para vincar a coerência no discurso. Assim, nem houve troféu, nem coerência no discurso...

Venho dizendo há uns tempos a esta parte, que com esta política de medo, de submissão humilhante às mais torpes discriminações a que o clube tem sido sujeito, isto só pode acabar mal. Qualquer pessoa minimamente experiente sabe a influência que tem para os colaboradores de uma organização empresarial, militar ou desportiva, o sentimento da falta de liderança, sobretudo quando se sentem prejudicados por ocorrências externas que não podem controlar. Se os adeptos, que são quem mais ama o clube, andam aborrecidos e pouco confiantes com o que se está a passar, e que sendo sócios têm mais a perder que a ganhar, ao contrário de quem trabalha para o clube, o mínimo que lhes era devido, era uma palavra de consideração, acompanhada com mais algumas que explicassem o porquê desta "política" de comunicação fratricida.

O Campeonato ainda não está perdido, é verdade, mas é verdade também que não se vislumbra alma, determinação, para o ganhar, sobretudo no topo da pirâmide da SAD e do Presidente. A Champions, não é impossível, mas é quase uma utopia se tivermos bem a noção das diferenças com o nosso próximo adversário.

Caso não consigamos vencer nada esta época, então sim, talvez seja o início do fim de um ciclo indesejável, mas que o senhor Pinto da Costa consciente, ou inconscientemente, ajudou a cavar,


   

01 abril, 2015

Porto Canal, outra vez distraído

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Se bem conheço Júlio Magalhães - que não é propriamente um homem humilde - não sei que desculpa poderá ele apresentar, quando colocado perante determinadas situações (factuais) ocorridas no Porto Canal que não abonam nada a seu favor, tais como:
  • Por que é que sendo - ou estando para ser -,  o FCPorto sócio maioritário, ou se preferirem, o principal proprietário do Porto Canal [é prudente não dar já como certo...], portanto com acesso privilegiado a informações relacionadas com o clube, a estação não foi capaz de se antecipar à concorrência para dar a notícia sobre a venda de Danilo ao Real Madrid devidamente autenticada pela CMVM?  Tenho a minha resposta: logo após ter lido essa notícia de "última hora" em rodapé, na SIC e na TVI, pulei imediatamente para o Porto Canal para saber se também diziam alguma coisa sobre o assunto, mas "nicles", no seu lugar estava, devidamente gravado, a retransmissão do programa "Consultório"... 
  • Já hoje, no noticiário da hora do almoço, quando o locutor anunciava a pouca vergonha* do dia, isto é, a habilidade de António Costa para contornar o impedimento camarário de cobrar directamente a taxa de turismo, transferindo-o para a ANA (gestora dos aeroportos portugueses), e se preparava para nos dar imagens da reportagem, eis senão quando nos impingem em segunda dose uma reportagem completa sobre o caso da Igreja de Nossa Sra.dos Navegantes, em Vila do Conde... Finda a reprise, o pivot optou por ignorar a ocorrência sem sequer apresentar um pedido de desculpas, e o tema da ANA morreu ali mesmo.
Se tudo isto é  competência, então,  serei eu que  não  faço ideia do  que é ser competente,  e o problema  estará em mim.   Mas,  se fôr  incompetência, ou desleixo  - como  me parece  que é -, então, é porque a entidade patronal ( FCPorto & Compa.)  não  acompanha   com  o  cuidado devido o trabalho desenvolvido pela régie (controladores técnicos das emissões)  e demais  colaboradores (dirigentes incluídos) ? E  se fôr verdade  que  é  o  FCPorto  quem  paga  os salários   do   director geral,  o assunto  fia mais fininho, porque os associados do clube têm uma palavra a dizer.

Mais uma vez, estou a falar de factos. Isto não pode acontecer, nem deve ser encoberto, sob pena de nos tornarmos uns imbecis, só porque não ousamos pôr em causa a imagem de Pinto da Costa. Se disso se tratar, descansem, porque essa imagem já pertence ao passado.

* Pouca vergonha se o privilégio turístico não fôr extensível a outras autarquias...


PS-Que me desculpe o leitor o preciosismo da observação. É que, não sei se repararam, já há alguns tempos alguém decidiu pintar a preto e branco o logótipo do Porto Canal que detinha o azul no lugar do preto, nos microfones... Não me digam que foi por razões "estratégicas", que ainda me dá um AVC. 


31 março, 2015

A verdadeira lista VIP

Mariana Mortágua

Faz agora um ano. Foi no dia 16 de abril que o ministro da Defesa saiu do seu gabinete para se deslocar à base naval do Alfeite. O dia estava cinzento, mas não era o conforto do Sol ou a brisa do Tejo que Aguiar-Branco procurava. Estava em causa a apresentação do primeiro drone português. O momento foi tratado com a pompa que merece uma visita ministerial, dada a circunstância ser o apadrinhamento de uma empresa nacional pelo Governo. Lembram-se deste momento? O vídeo circulou por todo o lado, não tanto pelo extraordinário fulgor do engenho nacional, mas porque a maquineta tinha aspirações a submarino, e não chegou a voar mais de dois metros antes de se afundar no Tejo.
O vídeo tornou-se imparável, até porque tem piada. O que verdadeiramente levou o ministro ao Alfeite é que não tem graça nenhuma. A revista "Sábado" levantou um pouco o véu. A empresa em causa, Tekever, é gerida por um antigo assessor de Aguiar-Branco chamado Adão da Fonseca, que já que antes tinha estado na Empordef, nomeado por Aguiar-Branco.
Este é apenas um pequeno, pequeníssimo, exemplo da dança de cadeiras que compõe a verdadeira lista VIP que governa o país. Nestas nomeações, nestas empresas, escolhidas a dedo para viajar com o ministro certo, há negócios de milhões. Negócios que passam quase sempre pelos grandes escritórios de advocacia. Como o do advogado Aguiar-Branco, cujas operações, revela a mesma revista, seguem demasiado atentamente a agenda do ministro Aguiar-Branco.
Em outubro de 2014, o ministro foi à Colômbia. Uma semana antes, o seu escritório tinha promovido um seminário sobre oportunidades de investimento na Colômbia. Em janeiro de 2015, o ministro deslocou-se ao Peru. Três meses mais tarde, o escritório anunciava um parceiro peruano.
O labirinto de ligações e nomes cruzados entre os interesses do escritório de advogados e a promoção empresarial efetuada pelo ministro só não provocam mais escândalo porque neste país a constante porta giratória entre interesses privados e governantes já nos habituou ao pior. Há casos para todos os gostos, do BES à EDP.
Esta lista VIP adora criticar o Estado. Chama gorduras aos serviços públicos, enquanto proclama a libertação da economia da regulação estatal. Nos entretantos, lá vai assinando mais um contratozinho e capturando mais uma nomeação para levantar mais uma carreira.
Por tudo isto, quando ouvir dizer que a lista VIP tem apenas quatro nomes, não acredite. A verdadeira lista VIP de Portugal tem quase 40 anos e muito mais linhas.

(do JN)






                                                                                                                                    



         
    Nota: 

 o sombreado do texto é de responsabilidade do Renovar o Porto

30 março, 2015

O princípio de Peter chegou a Pinto da Costa?

Se antecipar um quadro de consequências nefastas para o FCPorto, resultantes de uma crise de liderança, fosse o mesmo que jogar na lotaria, garanto que já estaria rico, e por várias vezes... Portanto, prever o que pode acontecer, segundo parâmetros comportamentais,  não é o mesmo que lançar dados à toa para uma mesa de casino, ou, como diz o povo, com a presunção de alguém com a mania que é bom. A falta de liderança, ou tão só a quebra dela, mesmo que episodicamente, sempre custou caro a quem a perde e aos que dela dependem. Muitas e boas empresas faliram por causa disso, e com os clubes, actualmente organizados em SAD's pode acontecer o mesmo.

A pior coisa que podia acontecer ao FCPorto era perder o seu líder. Por muito que custe admití-lo, eu que fui sempre seu admirador, começo a ter poucas dúvidas que Pinto da Costa atingiu o princípio de Peter, ou seja, chegou ao ponto em que já não consegue fazer o que tão bem fazia até um determinado momento, e em determinadas circunstâncias. Mas o que mais custa, é que ele próprio pareça não se aperceber disso, nem as consequências que daí podem advir para si e para o próprio FCPorto. Custa igualmente admitir que não haja ninguém dentro do seu quadro de amigos, ou da própria SAD, que não tenha a frontalidade de lhe transmitir a gravidade que esta situação pode constituir para o bom funcionamento do clube. Não há qualquer catastrofismo nestas apreciações, porque contra factos não há argumentos.

Primeiro facto - remissão ao silêncio de Pinto da Costa perante situações óbvias de discriminação relativamente simples para justificar protestos categóricos, que contribuíram, de forma directa e indirecta, para o Benfica (principal adversário) se manter com 6, depois com 4, e agora 3 pontos na frente do campeonato. Mas atenção, porque este aproximar do FCPorto, não tem qualquer relação com a melhoria das arbitragens, mas sim com a incompetência do Benfica... 

Segundo facto - todas as situações já referidas (arbitragens tendenciosas), que foram sucessivamente acentuadas em discriminação e descaramento, jornada após jornada, premiando os infractores e o clube beneficiado. 

Terceiro facto - o distanciamento do Presidente no que concerne o desenvolvimento do Porto Canal bem como a qualidade de produção, a par da manifesta inabilidade para o cargo do Director Geral.

Quarto facto - os timings escolhidos para falar, em flagrante contraste com o silêncio ensurdecedor imposto sobre temas da maior importância: os que citei nos factos anteriores, mais a confirmação da inexistência de um plano bem concebido para o Porto Canal. Ora, foi justamente na escolha dos momentos certos para agir que Pinto da Costa mais se destacou. Sabíamos todos que nunca falava por falar, havia sempre um alvo. Agora, fala e decepciona, porque não acrescenta nada de novo. 

Por último, não acredito que nestas circunstâncias as prestações desportivas das equipas técnicas e dos próprios jogadores sejam imunes a desconcentrações, a um certo desânimo mesmo. Considerar uma casualidade o facto de todas as modalidades em que o FCPorto compete estarem a perder o fõlego de outros tempos, é não querer ver o que está à vista. O FCPorto parece uma criancinha a quem lhe tiraram os pais: órfã, e triste. Há paradigmas demais esta época. O mais recente, foi ontem, na disputa da final da Taça em Andebol. Independentemente dos aspectos técnicos e tácticos e anímicos, que estiveram manifestamente mal, com algumas culpas para o treinador Obradovic, e  de o FCPorto ter falhado um livre de 7 metros nos últimos segundos, o árbitro tudo fez para impedir o nosso clube de vencer o troféu, expulsando incompreensivelmente o Ricardo Moreira num momento crucial e sem que se vislumbrasse falta.

Quando uma equipa é ultrajada da forma como foi ontem a de andebol, e não tem um líder capaz de dizer basta, de fazer o que tão bem sabia fazer, tenham paciência, mas não há amor à camisola que resista, porque o líder murchou de vez, e os nossos rivais agradecem. Por este andar, ainda lhe erguem uma estátua...

PS-Do passado recente de Pinto da Costa guardo boa memória, mas pelos vistos ele não. Do primeiro nunca me esquecerei. Deste, sinceramente, prefiro acreditar que é um momento mau. Mas, será que consigo?



27 março, 2015

FCPorto, sempre curto, sempre atrasado


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Não escondo a ninguém o meu desagrado com o modo como o Pinto da Costa da actualidade tem dirigido o FCPorto, e tem gerido a sua (não) relação com os adeptos. Ultimamente, remete-se ao silêncio quando se esperava que falasse, e fala quando podia estar calado. Diga-se o que se disser, Pinto da Costa não é o mesmo. Não é por acaso que o Porto Canal é uma nódoa no que à informação diz respeito. Comete erros de palmatória, técnicos e de comunicação, como o FCPorto dos últimos tempos.

Não vai muito tempo, escrevi vários artigos sobre o Porto Canal, e - para meu desgosto - não foi pelas melhores razões. Foi para alertar para algum laxismo que se estava a instalar e sobretudo para a falta de criatividade dos seus responsáveis directos. Ao mesmo tempo, e uma vez que o FCPorto era (diziam) seu proprietário, estendia as críticas à aparente indiferença dos responsáveis do clube com o que se estava a passar no Porto Canal.

Há cerca de 3 anos, os jornais, incluindo o JN, anunciavam a compra pelo FCPorto de 97% do capital  da Media Luso (do grupo espanhol Mediapro), prevista para Janeiro de 2012. Esta notícia nunca foi desmentida. A partir daí, nunca mais soubemos ao certo como andavam as coisas. Nem o Porto Canal, nem o FCPorto, tiveram o cuidado de informar o universo portista do que se estava a passar, o que, como é normal nestas condições, deu aso a todo o tipo de especulações. Nunca ouvi o Presidente Pinto da Costa dizer nada de concreto sobre uma ideia de projecto para o Porto Canal. Apenas trivialidades. Coisas como: "será um canal para o Porto e para o Norte, com particular destaque para as regiões". De concreto, ficamos a saber que não seria um canal exclusivamente desportivo, mas antes um misto de generalista e desportivo. E foi tudo.

Hoje, tanto o JN, como o Porto Canal, publicitaram a entrevista que Pinto da Costa deu ao jornal do clube, e que será transmitida logo à noite. Pelo pouco que pude saber, trata-se de mais do mesmo, redundâncias. A realidade, é que já não condiz com o que foi  propagado anteriormente, que o FCPorto era quase dono do PCanal. Agora sabe-se, que há uma nuance em relação ao que o JN escreveu em 2011, ou seja, que afinal os espanhóis da Mediapro ainda eram proprietários do Porto Canal, e só agora (ler aqui) é que o FCPorto (FCP-Media) deterá cerca de 70% do capital, 20% para a Mediapro, e  o restante das acções serão para algumas empresas nortenhas. 

Quanto ao conteúdo, nada de novo. Banalidades. Será, "um canal para a região nortenha e contra o centralismo" (palavras de Pinto da Costa). Para mim, e até prova em contrário, isto é palha, pois nada de verdadeiramente novo foi dito. Não há um projecto, um sinal que seja que indicie uma profunda remodelação, uma linha de rumo, uma substância. Se zelar pela região fôr manter programas com nome apelativo, mas sem conteúdo, e sem verdadeiro interesse público, como o "Parlamento das Regiões", que é pura intriga política, estamos conversados. 

Pinto da Costa tem razão para arrasar Fernando Gomes, actual presidente da FPF, mas talvez fosse mais útil para o clube que atacasse o toiro pelos cornos, isto é, que já tivesse alertado a Comissão de Arbitragem da dita cuja federação para a pouca vergonha das arbitragens que nos custaram pelo menos 6 pontos na tabela classificativa.

Por isso, não espero logo à noite qualquer surpresa na entrevista de Pinto da Costa. Como já tenho vindo a dizer, este, não é o senhor Jorge Nuno Pinto da Costa que me habituei a admirar. Este, rendeu-se ao triste papel de corta-fitas.    


25 março, 2015

Meu Porto, meu Douro, minha região, e o resto...

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Grande Douro
A moda é efémera, por isso, é bom não nos entusiasmarmos demais com ela. Mas que culpa temos nós se o Porto, o Norte e o Douro não páram de ser notícia. Seria caso para desconfiar, se fossemos nós próprios a "inventar" tanta e boa notícia. Por este andar, Passos Coelho, condicionado que é, intelectualmente, ainda pensa que estamos todos ricos, e vem cá roubar-nos a Casa da Música, Serralves e o Estádio do Dragão...

Na moda, ou fora dela, a verdade é que, ou tenho andado muito distraído, ou nunca vi tanto entusiasmo vindo do exterior com Lisboa, como tenho visto com o Porto.

Hoje, foi só mais uma dessas notícias. O JN noticiou aqui, que os passeios de barco no Douro foram considerados pelo jornal on-line norte americano The Huffington Post, dos 8 melhores da Europa. E ainda bem, digo eu. É que, se em vez da Europa fosse do País, às tantas já tínhamos os lisboetas e o seu Tejo à perna, tratando a notícia como mais um sinal de bairrismo bacôco.

Os gostos não se discutem, diz-se. Sou tão suspeito por gostar da minha cidade e da região onde nasci, como um lisboeta é por gostar de Lisboa e da Estremadura. No entanto, não é por gostar da minha cidade, mais que qualquer outra, dentro e fora do país, que me sinto inibido de gostar de outras. Prefiro cidades pequenas, como Viana do Castelo, Braga, Barcelos, Vila do Conde, ou mesmo Esposende. Guimarães tem um antiquíssimo centro histórico, mas tem um senão para mim: parece uma cidade fechada em si própria. Lá fora, só para falar do país vizinho, prefiro Barcelona a Madrid, embora neste caso ache a capital espanhola também muito bonita, com um pequeno senão em relação à Catalunha: falta-lhe o mar.

Como os gostos não se discutem, ninguém pode levar a mal se disser que de Lisboa só aprecio algumas coisas (como a Rua Rodrigo da Fonseca onde vivi, na zona pombalina), mas a cidade no seu todo não me entusiasma, e gosto muito pouco da região onde está plantada. Em seu redor, os lisboetas só têm a aristocrática Sintra (onde também vivi, de 1974 a 76) para regalar os olhos, e mais além, a saloia Mafra com o seu imponente mosteiro. Até nisso, a região do Porto é diferente. Não é preciso percorrer muitos quilómetros, quer a norte, como a sul, para em pouco tempo, estarmos em Monção, na região do Alvarinho, ou um pouco mais a sul na Bairrada, a terra do verdadeiro leitão (nunca o de Negrais). O Porto desfruta de si próprio, mas também da frescura bucólica típica da região, que torna qualquer viagem aprazível, quer se rume ao Minho, quer serpenteando as encostas xistosas do magnífico Douro plantadas de vinhedos deslumbrantes. Amar o Porto é também amar o Norte, e todas as suas cidades, e pessoas.

Há outra coisa que não ajuda Lisboa a ser mais apreciada, que é ser uma capital onde se concentram o maior número de provincianos por metro quadrado, em que os piores de todos, são precisamente aqueles que abandonaram as suas terras para ganharem a vida e delas quase se esqueceram com medo de serem socialmente discriminados.

Lisboa, é sobrevalorizada pelos que lá estão, e pelos que lá estando, não são de lá. Lisboa, é o centralismo. Abusiva e poeticamente, alguém se lembrou de a baptizar como a cidade-luz, adulterando o cliché e a fama atribuída a Paris. Não nasceu centralista, mas cresceu mentalizada para essa vocação, e os que de lá nos desgovernam, achando isso pouco, tudo têm feito para obliterar o crescimento do resto do país, e ofuscar quem possa tirar-lhe o brilho. Lisboa, tem complexos de inferioridade em relação ao Porto, não o contrário. Por isso, tenta amordaçá-lo, política, económica e desportivamente. O FCPorto que o diga, e os responsáveis pela comunicação social do país que o confirmem, se ainda tiverem um pingo de dignidade. Lisboa, é como uma única foz, onde obrigatoriamente têm de desaguar todos os rios do país.

Ainda bem que a Natureza fala mais alto que o centralismo de Lisboa, num português correcto  e bem mais patriótico...

PS-Para que não sobrem dúvidas, Lisboa, é também a gente que lá vive. Sendo alguns meros cidadãos, pacíficos, e sem responsabilidades políticas, nem por isso se lhes ouviu a voz para contestar a discriminação feita ao resto do país... Tal como alguns portuenses, aliás. Só com uma pequena grande diferença: o Poder está em Lisboa.
     

24 março, 2015

Cavaco Silva, barra BES

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Parece um presidente? De quê?

Se alguém disser, escrever, berrar, acusar até, que Cavaco Silva é cúmplice, por omissão, pelos maus tratos infligidos pelo Governo  à população, estará porventura a fazer algo indevido, a desrespeitar Sua Exa.?

Se alguém, porque confiou na palavra do Presidente da República, depositou e investiu nos Bancos (BES) as suas economias, e que passado algum tempo ficou despojado das mesmas, poderá afirmar, sem cair no ridículo, que o PR alguma vez usou da magistratura de influência para sugerir ao Banco de Portugal a reposição dos valores subtraídos? Não, não pode, bem pelo contrário!

Cavaco, induziu os depositantes em erro quando disse que (sic), "os portugueses podiam confiar no BES". Cavaco, é tão intelectualmente limitado, que ao proferir essas palavras estava a dizer aos portugueses (e aí sim, com sabedoria) que não podiam confiar no homem, nem no Presidente da República...

Cavaco é duplamente cúmplice e irresponsável: primeiro, porque influenciou, e segundo porque se demitiu de responsabilizar quem o influenciou a ele. Mas há ainda um terceiro grau de irresponsabilidade: decorridas todas estas peripécias, nem mesmo assim Cavaco foi capaz de abrir a boca para se redimir das suas leviandades perante os cidadãos

Ainda que mal pergunte: e agora, senhor Cavaco? Teria V. Exa. coragem para consentir a prisão dos depositantes se amanhã decidissem eles assaltar o BES? Teria sim, senhor, digo eu! A coragem dos fracos. Porque para decisões dessa "grandeza" nem é preciso ser corajoso!

23 março, 2015

Democracia, "por vezes num segundo se evolam tantos anos"

Talvez estejamos no mais baixo ponto de funcionamento da nossa democracia. Será a ausência do grande reformador o mais sério sintoma, presságio, de uma perturbação funcional da democracia?

1. Por vezes, a democracia também falha...
O processo de selecção da democracia deveria conduzir à escolha dos melhores. Por vezes, porém, conduz à escolha dos piores. Por vezes, a democracia escolhe pessoas que não prestam. Como é que a democracia nem sempre distingue, a tempo, e não segrega, os políticos de pouca diligência, de débil carácter, por vezes o puro sacana e velhaco, por vezes o venal? Para mim, isto é quase um mistério.
A democracia deveria ter mecanismos de alerta, e tem, mas funcionam mal e tarde. E por vezes, a democracia afasta os melhores e flagela o mérito, a honra, a rectidão. Por vezes, a democracia guia-se mais pelas belas palavras do que pelas boas ideias.
E, por vezes, fecha os olhos ao nepotismo, oportunismo, facilitismo, e a outras formas de corrupção intelectual ou material.
Por vezes, a democracia embarca em erros e omissões que nos desestruturam, por muitos anos. Por exemplo, tivemos a opção de uma entrada desproporcionada na moeda única. Foi logo no início dos anos 90, quando iniciámos as etapas da "convergência nominal". Escrevi então várias vezes, como outros fizeram, sobre as nefastas e longas consequências da opção, mas em vão.
Por vezes, a democracia tolera perigosos desvios à ética da responsabilidade de políticos que estão no topo das funções do Estado. Por exemplo, um dos maiores erros dos presidentes da República foi aquele, de 2004, em que o PR concordou que a democracia fosse subalternizada, diria, humilhada, pelo primeiro-ministro que trocou o seu lugar democraticamente eleito pelo lugar de chefe dos eurocratas.
Noutro campo, já não por vezes, mas em predomínio, a democracia cultiva o centralismo e está de costas voltadas para o bom princípio da subsidiariedade política. Somos um dos países de finanças públicas mais centralizadas de toda a UE. Ora, foi sob o manto deste centralismo que ocorreu o histórico colapso das nossas finanças públicas.

2. Por vezes, a democracia não equaciona "fins e meios"...
Por vezes, a democracia entra em negação e recusa ver a realidade. O exemplo mais flagrante é o da dimensão do Estado e da sua sustentabilidade, ou, por outras palavras, a questão dos "fins" e dos "meios". Há dez anos escrevi um livro sobre isto e dizia que o abismo estava perto, se não se fizesse a reforma estrutural do Estado. Debalde. O desabamento das finanças públicas e a troika surgiram em 2011, e a austeridade instalou-se por uns anos, que ainda não acabaram. Hoje, o nosso esforço fiscal é dos mais severos da Europa. Mesmo assim, a dívida pública está elevadíssima, porque, na implacável questão dos "fins" e dos "meios", estes são sistematicamente inferiores àqueles.
Percorri a constituição em busca da racionalidade dos "meios", mas nada. A democracia e a constituição sobrecarregam o Estado de "fins" e funções mas, no outro prato da balança que é o das finanças públicas, não encontramos uma única palavra sobre a temperança dos "meios".
Além disso, por vezes, a democracia convive com monstruosidades do despesismo, como certas obras em auto-estradas demasiado densas, ou certos equipamentos militares de motivação duvidosa, ou o enorme "défice tarifário" das energias, ou a extravagância de diversas PPP, etc. Por vezes, a democracia abre portas a "negócios públicos" que são péssima afectação de recursos do Estado e, pior, são plausível fonte de corrupção ao mais alto nível.

3. Por vezes, a democracia é tardia...
Regressemos ao início deste escrito. A qualidade das pessoas que andam na política conta muito. Todavia, penso que precisamos de subir bastante mais a montanha e tentar avistar lá de cima o que se passa. Já não é o político A ou B quem avistamos, já não é um Passos ou um Costa, pessoas de bem, o que mais importa. O problema essencial está acima disso.
O que está em causa é a democracia. Como sistema de sistemas(sistema de governo e de separação de poderes; sistema de mais ou menos presidencialismo; sistema eleitoral e sistema de partidos; sistema de instituições da República, etc.). Comoorganização e superestrutura, como rede de forças endógenas, como esfera de relações e escolhas, de poderes e contra-poderes. Como conceito e matriz constitucional. Como funçãoestabilizadora, mas, por vezes, capaz de destabilizar as coisas a fim de as re-estabilizar noutro equilíbrio...
Não vou falar em eficiência no sentido económico do termo, claro que não vou. Mas, no fundo, do que se trata é de uma espécie de eficiência da democracia, no sentido mais filosófico e qualitativo da expressão.
E chegamos ao âmago. Como hei-de compreender, nestes tempos da democracia, a absoluta ausência de um grande reformador? Como hei-de explicar, do ponto de vista do bom funcionamento da democracia, o quase "grau zero" de autêntico reformismo do Estado? Pois, pergunto, não foram estes quatro anos, em quatro decénios da democracia, a maior oportunidade reformista e o melhor ensejo social e político para chegarmos à solução estrutural da equação dos "meios" e dos "fins", de que tanto necessitamos? Não foi este o tempo mais propício para a democracia gerar a aparição do grande reformador?
Lamento dizê-lo, uma democracia que deste modo se desperdiça não pode estar bem. Tem dentro de si um "mal ruim", como se diz em bom pleonasmo popular. Desse mal ruim, provavelmente, as eleições de 2015 nada vão tratar e resolver, infelizmente. O que é grave e muito delicado. Sinto, como outros sentem, crescentes preocupações sobre a governabilidade da nossa democracia, embora acredite que a democracia também contenha, em si, sementes de regeneração. Só que, por vezes, é tardia, "por vezes ah por vezes num segundo se evolam tantos anos", veio-me à lembrança o belo poema de David Mourão-Ferreira.

(Miguel Cadilhe, no JN)

22 março, 2015

FCPorto ainda

Na continuidade do que anteriormente escrevi, só quero acrescentar que sejam quais forem os resultados desportivos no futebol e das restantes modalidades do FCPorto, não retiro uma vírgula ao que escrevi sobre a direcção do clube.

Se querem saber, penso mesmo que a indolência que se instalou em alguns adeptos, pouco eufóricos no apoio à equipa e estranhamente passivos com as arbitrariedades de toda a ordem infligidas ao clube, pode muito bem ser um efeito de dominó da fonte, isto é, do  Presidente. Todos sabem que quando uma liderança é frágil, seja em que negócio fôr, os resultados nunca podem ser positivos durante muito tempo, acabam sempre por se repercutir na produtividade e na moral de toda a empresa. Hoje o futebol está profissionalizado e os clubes são empresas que empregam muita gente. Por isso, se a liderança perde a eficácia, o resto vem por acréscimo.

Há no entanto factores que podem atenuar a queda, um deslize da concorrência, ou um conjunto circunstancial de situações que a retardam. Como atrás referi, esta falta de ânimo, de empenho, de vontade, constatável em várias modalidades, só pode encontrar explicação num liderança em perda.

Lamento ter de o dizer, mas é exactamente isto o que penso.  

21 março, 2015

FCPorto que não sabe aproveitar os erros dos adversários


Um FCPorto bipolar é o que temos visto esta época. Uns dias depois de uma jornada europeia espectacular contra o Basileia  e  posterior victória sobre o Arouca, com alguma dificuldade, que fez renascer a confiança aos portistas, o FCPorto não teve arte nem engenho para aproveitar a escorregadela do Benfica em Vila do Conde e ficar apenas a um ponto do rival regimental.

Para não me alongar mais, porque estou naturalmente insatisfeito com o resultado e com a exibição da equipa - lenta e pouco determinada -, cheguei à conclusão que, se equipas com um plantel muito inferior conseguem dificultar tanto a vida ao FCPorto, então se o Bayern de Munique quiser, nem precisa de atacar, basta fechar-se muito bem na defesa para passar nas calmas as duas eliminatórias. Isto, se o Bayern fosse equipa para se remeter à defesa, que não é de todo, como toda a gente sabe. Portanto, cuidado, podemos ter uma decepção muito grande...

Sem querer extrapolar para outras condicionantes, a verdade é que este ano, esta bipolaridade parece transmitir-se  a todas as modalidades (Andebol, Hóquei em Patins e Futebol Júnior). Parece faltar estofo e moral às equipas para, quando estão em vantagem no marcador, saber gerir essa situação e tirar partido dela sobre os adversários.

Só falando de hoje, vi os juniores sub-19 perderem a poucos minutos do fim com o Guimarães por 2-1, depois de estarem a ganhar por 0-1,  vi  o andebol com a equipa dinamarquesa do Skjern em que o FCPorto também esteve a ganhar por 23-20 e a poucos minutos do final deixou-se derrotar por 23-24. No hóquei o ambiente parece também não ser o melhor, e talvez tenhamos a confirmação já este fim de semana contra o Benfica para a Liga Europeia.

Ninguém de boa fé me pode garantir que a liderança frouxa e atípica de Pinto da Costa das últimas épocas não tenha reflexos no comportamento dos atletas. Na minha opinião, tem. Isto, já para não falar da permissividade do líder portista, quase cooperante  com as arbitragens hostis e abertamente sectárias com o FCPorto. 

Cada vez me convenço mais ter chegado a hora de Pinto da Costa passar o testemunho...


Links de interesse local







Sinais dos tempos

 

Serafim Ferreira foi jornalista no Jornal de Notícias. Podem ler aqui a notícia da sua morte. 

20 março, 2015

O nazismo da pasquinada



Falta o Record, para completar o leque dos pasquins ditos desportivos. Mas também não faz falta, porque, como toda a gente sabe, alinha pela mesma especulação dos que aqui estão plasmados. Pode, no entanto ler-se no Google a capa, que diz assim: "Lopetegui arrasa expulsões a favor do Benfica" (o link foi retirado...).
Como é simples de constatar, este lixo jornalístico, passa despercebido nas mais altas figuras da nação. Não sabem, ou se sabem, fingem que não sabem o que se passa. Mas podem ter a certeza, que se um dia algum adepto portista pregar uns murros bem dados nalgum dos responsáveis por estas provocações, essa figurinha imprestável chamada Cavaco Silva, sairá finalmente da sua carapaça de tartaruga para se insurgir contra a violência... Como lhe é habitual, sempre fora de tempo, sempre dentro da irresponsabilidade que o define.
Lopetegui, tudo tem feito para se esquivar das questões cretinas e descontextualizadas dos profissionais pasquineiros. Ele bem tenta pragmatizar as conferências de imprensa, mas quando responde, transcrevem as suas palavras como se tivesse sido ele a fazer as perguntas.  Então, o folclore transfere-se dos pasquins para os programas de televisão, onde tudo é feito para diabolizar o treinador do FCPorto, dando a entender que é ele quem está a tentar pressionar os árbitros. A ideia é essa. De jornalismo isto não tem nada. 
Isto é nazismo, à velha maneira hitleriana. 



18 março, 2015

Gráficos / Porto Canal


Sem ter qualquer conhecimento da fonte deste gráfico, não posso assumir a sua fiabilidade. No entanto, e independentemente deste detalhe importante, considero algo abusiva a comparação com as estações referidas. Primeiro, porque, ao contrário dos outros, o Porto Canal não é um canal  de âmbito exclusivamente desportivo, é generalista, por isso apelativo a um universo de espectadores mais heterogéneo, mais alargado.  Não quero com isto dizer que prefira o modelo dos canais acima referidos, bem pelo contrário, o que acho, e não me parece correcto, é que não se devem comparar coisas incomparáveis.

Sendo mais portista que português, e mais portuense que bom chefe de família [segundo os cânones bafientos do Estado Novo], gostava muito que o Porto Canal fosse a referência mediática que a cidade há muito precisa. Mas, por aquilo que venho observando, e que já aqui comentei, a coisa não aponta para esse caminho. 

Fora do âmbito desportivo, aboliram-se abruptamente e sem explicação, os poucos programas de interesse público (como o "Pólo Norte") e conservaram-se os medíocres (como o "Parlamento das Regiões), de chicana política imprestável, para os que se interessam a sério pelo futuro das regiões. De novo, ou original, nada digno de registo. Há uma clamorosa falta de ideias, e tecnicamente um aparente descontrole na supervisão. Ainda não é possível ao espectador com cabo consultar a programação, através das novas ferramentas dos servidores, por exemplo. Pelo que fui registando, preferem remeter para o site do canal toda a informação, o que não é nada prático, quando qualquer canal menor já o consegue fazer usando a tecnologia da NOS, ou da MEO. Ao fim de semana, à hora do almoço de sábado, não há telejornal, limitam-se a reproduzir o programa Territórios, empurrando os espectadores que querem ver as notícias para os canais da concorrência...

Vale portanto ao Porto Canal de Júlio Magalhães, os conteúdos desportivos do FCPorto, que não sendo extraordinários, sempre servem para aumentar as audiências e disfarçar o muito que ainda está por fazer em matéria de informação e programação geral. Há ainda um sem número de pessoas do Porto e de outras cidades do Norte que ninguém se lembrou de entrevistar ou mesmo para colaborar, e continua-se a convidar os mesmos de sempre da capital, numa clara manifestação de provincianismo que nada tem a ver com a hospitalidade que nos caracterizava.

Os presidentes de Câmara nortenhos, são quase sempre os mesmos (Guilherme Pinto, Ribau Esteves, os mais assíduos), os outros só aparecem remotamente. E sobre o Presidente da Câmara do Porto, continuamos sem saber por que é que ele nunca foi convidado, ou se foi, porque razão não aceitou o convite. Goste-se ou não, Rui Moreira é o actual Presidente da Câmara do Porto, e nada justifica que os portuenses não tenham merecido até hoje a menor explicação para essa ausência. Seria bom, que quando puxam dos galões do interesse público, da tal janela do Porto aberta para o Mundo, que os responsáveis alegavam querer fazer do Porto Canal, se lembrassem que os portuenses não são estúpidos, que merecem mais respeito, e vêem que essa janela continua fechada para o seu Presidente da Câmara.

PS-Sobre Rui Moreira, o seu portismo, e o seu apêgo à cidade do Porto, falarei um destes dias. Das suas divergências com Pinto da Costa, também, embora com reticências para ambos...

17 março, 2015

CA da FPFutebol é descarado e cínico!

O Jornal de Notícias está cada vez mais parecido com os pasquins de Lisboa. Não tarda muito, saio definitivamente da sua lista de leitores. Não é só pela notícia que aqui abordo, mas também por uma certa tendência para copiar o protagonismo do tom de vermelho  dos parceiros lisboetas. Veremos se isso não passa de uma fase infeliz ...

Fiquei fascinado com o cantinho da capa de hoje reservado à miserável arbitragem de Cosme Machado no jogo do FCPorto com o SCBraga para a Taça da Liga onde se pode ler à boa moda do Correio da Manhã, que o Relatório do Conselho de Arbitragem "arrasa Cosme Machado e dá razão ao FCPorto"(sic)Formidável, não acham? E sobretudo, muito oportuno, não é verdade?

Estes clones de políticos do Conselho de Arbitragem da FPF, trapaceiros e incompetentes, decidiram dar finalmente um ar da sua graça, depois de o clube do regime, que os controla, ter sido sistematicamente protegido pelas arbitragens com influência na classificação geral, para dizer que existe, e que até é eficiente...

Naturalmente que, para fazer "justiça", tinha de escolher um jogo da Taça da Liga, e com o SCBraga, porque os jogos do Campeonato e as arbitragens que levaram o Benfica ao colo e prejudicaram o FCPorto, foram todos impecáveis, como sabemos. Ou então, só lá mais para a frente, quando matematicamente já não fôr possível destronar o "glorioso" do trono do Campeonato, é que vão acordar e falar das más arbitragens.

Tanto cínismo!

PS:
Mesmo que a decisão do CA tenha derivado de uma queixa do FCPorto, a razão agora reconhecida  pelo CAR ao FCP, e a culpa do árbitro, pecam por omissão do CA. Além disso, prova que o FCPorto errou quando consentiu, durante vários jogos do Campeonato, sem um protesto, toda a pouca vergonha que sabemos e que colocou os vermelhos com alguns pontos à nossa frente, se calhar, irreversíveis. Não me revejo neste FCPorto patético.

16 março, 2015

Políticos, fora do futebol. NOW!


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Continuo a achar muito estranha, a forma como alguns (demasiados) avaliam a política e a própria democracia. Curiosamente, os cidadãos parecem dar-se mal com a moderação. Por vezes, sou tentado a pensar que as pessoas não sabem bem o que querem. 

No tempo do Estado Novo, autocrático e autoritário, ninguém usufruía de liberdade para votar porque simplesmente não lhe era permitido, a não ser que votasse no candidato pré-eleito. A Constituição da época, previa a realização de eleições legislativas e presidenciais, porém, os resultados eleitorais eram controlados de modo a garantir a victória ao candidato escolhido. Uma fraude, portanto. "Engraçado", que na Constituição Portuguesa de 1976 do regime em vigor, a que alguns (muitos) ainda chamam democrático, também lá consta um artigo (o 256º) no capítulo referente às Regiões Administrativas que obriga o Estado à instituição das regiões, e decorridos 40 anos, a reforma  ainda está por realizar. Nunca é oportuna, dizem os "democratas"... Outra fraude, portanto, mas agora com a marosca pintada de democracia...

Estes dois pólos de regime, aparentemente distintos, parecem convergir em muitos aspectos. A hipocrisia é apens um deles. Mas, para quem como eu viveu nos dois regimes, posso dizer sem receio de me enganar, que neste capítulo o actual regime é ainda mais hipócrita que o do Estado Novo, porque se abriga atrás de uma democracia postiça para fazer o mesmo [e até pior] que fazia Salazar, e assim se livrar da fama horrenda de uma Ditadura. Mas, é uma Ditadura! A única diferença, mesmo que pouco poderosa, é que hoje (e para já), ainda podemos dizer publicamente o que pensamos deles. Mas é pouco, muito pouco para uma Democracia autêntica.

Tenho uma ideia (vivida) da dificuldade que há em organizar um partido, ou Movimento político em Portugal, sobretudo quando escasseiam os recursos financeiros. Mas a verdade é que existem partidos políticos novos já formados, e outros, como o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda, que praticamente nunca governaram. Uns, porque apostam mais na ideologia que no pragmatismo, ficando reféns dessa condição,  outros porque são incapazes de persuadir os eleitores das suas capacidades para governar, deixando transparecer algum conforto por  não ousarem ultrapassar a fronteira, de certo modo cómoda, de partidos da oposição.

Não tendo qualquer ideia do teor dos Estatutos desses partidos (dos outros, já conheço a resposta), há um ponto tremendamente importante (para mim, pelo menos, é), que gostaria de descobrir, que era saber se nesses estatutos consta alguma alínea que iniba os militantes de participarem como comentadores clubísticos, caso cheguem a deputados. Não preciso que me lembrem, que não seria por uma medida desta natureza que esses partidos passariam a ter credibilidade para governar, mas era um princípio, um pequeno passo, uma forma de dizer não à actual promiscuidade praticada  por políticos, e ex-políticos, curiosamente, dos partidos do arco da governação...

Quando mais acima dizia que os portugueses não sabem bem o que querem, era aqui que queria chegar. As leis, os regulamentos, os limites, são extraordinariamente difíceis de coabitar com a Liberdade, porque implicam compreensão e respeito, logo, contenção. E é aqui que as coisas se complicam (porque dá jeito a muitos pardais). Se uma simples alínea de um Estatuto sugere contenção, um sinal de Stop, logo se levantam os adeptos do "Je suis Charlie" a reclamar, para dizer que lhes estamos a coartar a Liberdade, os direitos... Mais parecem criancinhas de infantário. 

Termino, com esta questão: sendo o futebol um fenómeno universal, onde a paixão pode toldar a razão, por que é ainda não surgiu um líder político a colocar juízo na cabecinha dos candidatos aos órgãos do poder, e a exigir que nas fileiras do partido só entre gente com capacidade para entender que misturar o futebol com a política pode ser o primeiro passo para a sua própria descredibilização?

Das duas, uma: ou ainda não o fizeram porque "não se lembraram", ou querem fazer de mim um iluminado (que sei que não sou), ou em última hipótese, os políticos são mesmo todos iguais e ainda não entenderam a essência das diferenças, e das responsabilidades.