17 abril, 2015

Do El País . "El Porto sorprende al Bayern

Um toque para controlar a bola enviado a 50 metros por Alexandro, a manobra fugaz entre Dante y Boateng, e a culminação, demolidora, elegante, coroaram Jackson Martínez à frente de um magnífico Porto. O colombiano recebeu a ovação vulcânica do estádio do Dragão em reconhecimento ao seu trabalho, e a esse 3-1 definitivo, quiçá o mais visível de uma partida colossal que deixou  o  Bayern desorientado. O grande estádio do rio Douro já constitui um dos melhores encontros da temporada europeia. Não é por acaso que Lopetegui e Guardiola partilham escola e princípios. Não foi casual tão pouco que estiveram até 12 jogadores espanhóis implicados de alguma maneira. O jogo foi uma verdadeira homenagem  da contribuição de Espanha no futebol contemporâneo. 

A noite foi abundante em contradições. Não há centrais menos adequados para jogar como gosta Guardiola. Mas o Bayern joga com Boateng y Dante. Lentos e vacilantes, parecem expostos a um drama que resistem a representar. Mostram-se preocupados ante a exigência de pensar a partida, fazer o primeiro passe, adiantar linhas, governar o latifúndio. O medo reflecte-se na sua expressão corporal. O público que assiste ao espectáculo sabe-o. Sabem-no os  seus companheiros. Sabe-o  Xabi Alonso, que pareceu nervoso quando se baixou para receber a bola, controlou e duvidou. Foi num segundo. Jackson Martínez lançou-se como uma pantera. No vértice do sistema de pressão do FCPorto, essa máquina que se liga quando o adversário dá mostras de insegurança com a bola o dianteiro colombiano faz de bisturi. Astuto, ágil, elástico, veloz, roubou a bola ao médio-centro espanhol e ficou só  ante Neuer. O guarda-redes desvalorizou-o, houve um contacto, Jackson caiu e o árbitro marcou penalti. Eram decorridos dois minutos de jogo quando Quaresma celebrou a execução, abrindo as portas de um jogo que concentrou desde o principio toda a problemática deste Bayern onde que se chocam duas culturas.
Não se tinha o Bayern ainda recomposto da surpresa,  quando Rafinha passou a bola a Dante e Quaresma lha tirou dos pés. O extremo português, que, contrariando a sua inclinação para a displicência, jogou concentrado, batendo  Neuer sem lhe dar tempo para reagir. O 2-0 aos dez minutos de jogo submeteu  o Bayern a uma prova de resistência psicológica. A situação colocava várias questões pondo em causa algumas das máximas inculcadas pelo treinador . Foi um bom momento para descobrir quem está,  e quem não está para trabalhar. Guardiola já sabe que pode contar com Lahm, com Lewandowski, e, sobretudo, com Thiago Alcántara. As suspeitas estendem-se a outros, especialmente sobre o lânguido Götze.
Thiago apresentou-se em todas as partes para solucionar todos los problemas do Bayern. Não eram poucos. Las dificuldades inundavam a jacto o campo numa corrente que partia desde a linha defensiva estendendo-se até à área contrária. Nessa conjuntura, a pior imaginável, destacou-se Thiago. O médio espanhol fez uma exibição de pundonor e classe. Tentou resolver o grande dilema da sua equipa: sair limpo desde trás, clarificar as jogadas, conectar com os atacantes até driblar para romper linhas. Thiago  apenas encontrou colaboração. Chamou a atenção o caso de Götze, que andava desaparecido. E o de Müller, cujo carácter expressionista contrasta com a lógica cartesiana que o seu técnico tenta transmitir nas manobras de ataque. Sem as fintas de Robben, que está lesionado, a equipa desgastou-se . 

O golo do Bayern chegou depois de um canto. Boateng surpreendeu o seu marcador, fugiu-lhe e centrou.   Thiago aproveitou o descuido da defesa   para marcar à vontade.  Foi o único erro do FCPorto, elevado centímetro a centímetro sobre o seu gigantesco oponente, graças ao contributo impecável de todos os seus jogadores. Todos estiveram à altura. Comportaram-se como fanáticos para fechar as linhas de passe do Bayern, pressionaram, e uma vez que roubavam a bola jogaram-na com serenidade. Casemiro é um medio-centro maduro, Brahimi um extremo formidável, Quaresma um temerário, Oliver o sócio de todos, e Herrera um interior valente, dinâmico e hábil.
O Bayern não conseguiu penetrar com clarividência nas linhas que encontrou pela frente. Não se refez da perplexidade. Tão pouco Alonso, substituído no fim da partida, símbolo da claudicação, de das confusões do Bayern e do ímpeto de um FCPorto desafiador.

Nota do RoP:
Não é que seja difícil para nós portugueses entender o castelhano, mas como estamos num país divisionista, que anda a retalhar o solo pátrio através do futebol, e dos media (por mesquinhez e inveja ao FCPorto), entendi traduzir para a nossa língua este excelente artigo do El País, porque acho que vale a pena, e precisamente para destacar o facto de a voz da mouraria não entrar na consideração do país vizinho... Eles só piam cá dentro. Lá fora, rendem-se à sua menoridade intelectual... 

O original pode ler-se aqui.

15 abril, 2015

FCPorto 3 - Bayern de Munique 1, e o David venceu Golias



Ainda é cedo para lançar foguetes, mas a primeira parte foi cumprida. Com 20 valores! Jogo soberbo!

Queremos um FCPorto à David!

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  O troféu que tornou Lisboa a capital mais invejosa e centralista da Europa

Para o jogo desta noite [o mais importante a nível internacional] , com o FCPorto, como vem sendo habitual, a ser a única equipa portuguesa a representar o país, não espero milagres. O que espero, é a mesma abnegação, a mesma força mental, a mesma concentração que levou o FCPorto em 1987 a trazer para o museu do clube o primeiro e mais importante troféu europeu. 

Já por essa altura era dado todo o favoritismo ao Bayern de Munique, um colosso do futebol mundial. Para além disso, tratava-se de uma final que ainda por cima foi disputada "democraticamente" em Viena de Austria, país irmão da equipa adversária, portanto, com todos os condimentos teoricamente adversos ao FCPorto. 

Como país pequenino que somos - na acepção mesquinha do termo -  e que alguns teimam em preservar, e com os media da capital a rangerem os dentes de inveja, ansiando por uma derrota humilhante da equipa portista, mais uma razão para os jogadores do FCPorto se encherem de brios, e fazerem da inveja lisbonária e dos seus vassalos, um elixir de garra e ambição.  

Força FCPorto, a Europa tem os olhos em ti!

13 abril, 2015

As novas tecnologias de comunicação

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Inspirado neste artigo publicado no JN de hoje e assinado por José Manuel Diogo, cuja leitura aconselho para melhor entendimento do que escrevo, quero desde logo declarar a minha simpatia pelo progresso, no qual se incluem as novas tecnologias de comunicação, que para mim só não é total, pelas razões que adiante enunciarei. Antes porém, faço questão de reiterar aquilo que já tive oportunidade de dizer sobre a ideia que tenho do progresso, ou seja: tudo o que possa contribuir para melhorar a qualidade de vida humana, de preferência sem efeitos colaterais negativos... Utopia? Admito que sim. Mas então, progresso que não contemple a segurança da humanidade, também não é progresso, antes um modo utópico de definir o progresso.

O autor, avisa-nos para a necessidade de nos habituarmos à época da comunicação (como ele diz) desmaterializada, o que por outras palavras, significa não corporalizada, com um menor contacto físico entre pessoas (ou empresas), para realizarmos um sem número de serviços e negócios. 

Sem querer contestar a ideia de "matéria" do articulista, começo logo por discordar com este seu ponto de vista, porque do meu, tanto o que ele prevê para daqui a dez anos, como o que já acontece agora, está mais materializado que nunca. São cada vez mais os computadores pessoais e as impressoras que tanto jeito nos dão, os responsáveis pela perda de emprego de muita gente, para proveito das grandes empresas.

Em Portugal, raramente, ou nunca, beneficiamos destas evoluções tecnológicas. Por exemplo: se o leitor aderir à factura electrónica para pagar diversos serviços (Electricidade, gás, TVCabo, etc.), está com isso a reduzir os custos dos fornecedores em sêlos de correio, envelopes, impressão e a passá-los para si, sem contudo ser recompensado por isso, bem pelo contrário, os preços estão sempre a subir, por isto ou por aquilo. Logo, não me fascinam as tecnologias que aparecem inicialmente na forma de brinquedo, para logo se tornarem em mais um encargo para o consumidor, apesar das vantagens que nos aportam. 

Hoje, já há muita gente a usar os computadores e seus derivados (Tablets, Ipad's, Smartphones), que reagem invariavelmente de forma acrítica e demasiado entusiasta às novas tecnologias. Mas tal como os fabricantes, deixam para mais tarde (ou para nunca), as questões relacionadas com os efeitos no meio ambiente de milhares de milhões de pilhas e adaptadores que depois de usadas vão para as lixeiras poluir terras e águas de cujos produtos nos alimentámos. A isto, recuso-me a chamar progresso, embora também tenha o meu PC e Telemóvel, porque, como a grande maioria dos cidadãos, fui coagido pelo mercado a participar num estilo de vida para o qual nem sequer fui consultado.

Por isso, é fácil, mas não menos cínico, para os defensores e fanáticos destas modernidades, argumentarem que ninguém nos "obriga" a adquirir estes produtos, mas eles sabem bem como somos empurrados para "conviver" com elas, correndo o risco de nos desenquadrarmos da realidade, com os custos que tal importa...

Por conseguinte, não auguro nada de esplendoroso para as gerações vindouras quando descobrirem, ou sofrerem na pele, as consequências dos efeitos secundários das tão idolatradas novas tecnologias.
  

10 abril, 2015

Carro eléctrico na Praça Filipa de Lencastre

Praça Filipa de Lencastre

Nojentos e hipócritas

Há no país, um determinado grupo de figuras públicas com o condão de me desinteressarem radicalmente de tudo o que dizem, ou fazem. Corrijo! Há uma excepção:  que é ouví-las dizer que tencionam sair do país para sempre, ou  simplesmente desaparecer...

Falei em desinteresse, mas talvez me tenha exprimido mal. É mais uma espécie de temor de contaminação por proximidade. É o mesmo sentimento que temos com as coisas más, como o cancro, a sida, as máfias, ou com a própria morte. Grande parte dessas pessoas, são políticos com funções governativas, embora não o mereçam. Quando tal gentinha surge de rompante no écran da tv rodeada de repórteres, primo rápida e instintivamente o botão de comando para mudar de canal, como se de uma epidemia virosa se tratasse. Cito apenas dois exemplos: Passos Coelho e Cavaco Silva. A única diferença entre eles e uma virose, é que para certas viroses ainda podemos ter remédio...

No tempo da outra senhora, de Salazar a Caetano, aquilo também era uma hipocrisia, monótona e cinzentona. Sabíamos que era uma farsa, que não podíamos dizer abertamente o que pensávamos, mas não esperávamos nada de novo porque as coisas eram mesmo assim. Mas ninguém nos dizia que vivíamos numa democracia. Agora, a ditadura é outra, vestiu a roupagem da democracia, e em vez da PIDE, usa as escutas, a informática e a autoridade tributária para nos espiar. E em vez das armas, usam os votos. Em vez das balas, usam os impostos e o saque às reformas.

Nunca, em tempo algum, seria capaz de mexer uma palha para lutar por um país com tão miseráveis comandantes. Oxalá um dia não precisem de mim, para defender a "pátria" (Lisboa, segundo eles), porque saberei muito bem de que lado estarei.


07 abril, 2015

Um FCPorto igual ao Presidente de agora

Não tenho dúvidas sobre a importância de uma personalidade como a de Pinto da Costa para levar a bom termo o projecto de um Futebol Clube do Porto vencedor  ao longo de 33 anos. Só alguém com as suas características seria capaz de resistir ao poder absolutista do Terreiro do Paço exercido nos bastidores do desporto, e de lhe trocar as voltas sempre que tal se impunha. Astuto, e interventivo q.b., sempre arranjava forma de travar os ímpetos imperialistas dos clubes de Lisboa, e assim impedir que os abusos, as manipulações das arbitragens, bem como o controle dos órgãos desportivos (Liga e Federação)  atingissem os seus desígnios pouco escrupulosos. Foi por ser como era, que os adeptos o idolatravam, lhe perdoavam os excessos, e algumas contradições até.

Julgo ser por esse passado brilhante, que muitos portistas, sobretudo aqueles que [como eu] sempre o apoiaram na luta que travou contra o centralismo desportivo têm hoje alguma relutância em admitir que Pinto da Costa esteja a perder faculdades. Mesmo assim, continuo a pensar que aqueles que o davam como "finito" há uns anos atrás, não tinham razão, porque argumentavam com as mesmas teses intriguistas dos nossos adversários lisboetas. Além disso, Pinto da Costa não estava tão recolhido, tão ausente como agora. Este estilo apático, contemplativo, muito dado a recordar o passado, não é o estilo do líder que tantas glórias deu ao FCPorto, é de outra pessoa notoriamente diferente. Mais que a questão da idade, já alvitrei a hipótese de se tratar de uma questão de saúde, decorrente da operação cardíaca a que foi submetido, de recomendações médicas, e se assim fôr, mais uma razão para justificar uma estratégia para cuidar do futuro próximo do clube. O que não é tolerável, é a manutenção do silêncio.

O clube, está a ressentir-se da ausência do mestre, a combatividade dos atletas nas várias modalidades parece perder fulgôr. O Porto Canal está cada vez pior, e ninguém sabe o que esperar de positivo com a falta de ideias do Director Geral. Por outro lado, há momentos que o canal nem parece pertencer ao FCPorto, não fossem os programas desportivos lembrar-nos... Instalou-se a apreensão na comunidade portista, misturada de melancolia e de revolta contida. Os adeptos começam a perder a esperança nos êxitos das modalidades - e do futebol em particular - em que o clube participa. Não há feedback do Presidente às preocupações da maioria dos portistas, que se porta como alguém distante dos associados e da realidade. Que se pode fazer? O que pensarão os sócios desta situação? Vão continuar, também eles, calados, à espera de um D. Sebastião, ou tencionam exigir a resposta a que têm direito?

Pessoalmente, confesso, começo a ficar decepcionado com a postura de Pinto da Costa, e quando assim é, surge a tendência para se pôr em causa muito daquilo em que acreditamos, incluindo nele próprio. É incompreensível esta aposta no obscuro, no passado, na ausência. Teremos ainda um Presidente, ou estará ele a testar a paciência dos portistas?

PS-São mais que muitos, os indícios de que as coisas já não são como antes no FCPorto da actualidade, e como a perda de liderança se repercute nas várias áreas de actividade do clube. É o caso (como escrevi anteriormente), do Porto Canal. Uma das falhas que venho observando, é a incapacidade de estar em cima do acontecimento, na hora, como ditam as regras básicas da informação dos tempos modernos. 

Outro dia, em vez de ser a estação do Porto a dar a notícia da transferência de Danilo para o Real Madrid ( até porque é  fonte privilegiada), o director do Porto Canal deixou para a concorrência lisboeta essa oportunidade... Como disse na altura, à mesma hora que tive conhecimento na SIC,e na TVI, o Porto Canal impingia-nos uma gravação do programa "Consultório" que passa em directo às 18H00... 

Hoje, foi através do JN, portanto, um dia depois, que soubemos do 43º.aniversário da Casa do Desporto onde se prestou tributo a Manuel Puga pai do médico do clube, Nelson Puga, e, note-se, com a presença do Director do Porto Canal. Curiosamente, ou talvez não, Pinto da Costa aproveitou o momento para evocar o homenageado como "um grande defensor dos interesses do Norte e do Porto  e de lutador contra o centralismo"... E não encontrou melhor pretexto para ironizar do que mandar umas bicadas a Rui Moreira, não simagino a que propósito. Se lá estivesse, talvez perguntasse a Júlio Magalhães o que pensava sobre o assunto, já que parece continuar mais preocupado em chamar ao canal gente de Lisboa, do que do Norte, e do Porto (isso sim, é provincianismo). A última figura a merecer uma entrevista ("importantíssima" para os nortenhos), foi o actor Fernando Mendes, o qual aliás foi recebido com honras de chefe de Estado. Aliás, o senhor Pinto da Costa devia era explicar por que é que fechou as portas do Porto Canal a Rui Moreira, ou se as abriu, que diga aos portuenses por que é que ele não as franqueou. 

Se é com estes exemplos de união que o Porto se quer afirmar, vamos longe, vamos.

Repensar as nossas possibilidades

Mariana Mortágua



Lembrei-me das entusiasmadas palavras do primeiro-ministro, que apregoava o novo e saudável modelo económico português, assente na justiça social, e livre do endividamento, a propósito de duas pequenas notícias que saíram a semana passada. A primeira, uma investigação do "Dinheiro Vivo", diz-nos que as empresas cotadas do PSI-20 distribuíram, no ano passado, mais de 1,8 mil milhões em dividendos, acima do valor de 2007. Ao mesmo tempo, nos últimos oito anos, aumentaram a dívida em 23%, para 37 mil milhões de euros.
Apesar da crise, dos despedimentos, dos prejuízos e da necessidade de investimento, as grandes empresas portuguesas estão a distribuir mais dinheiro aos acionistas do que faziam antes da entrada da troika no país, quando vivíamos "acima das nossas possibilidades".
A PT é, aliás, um belíssimo exemplo disto mesmo. Uma empresa que, há 20 anos, antes de António Guterres lhe ter aberto as portas às maravilhas do mundo privado, valia mais 75% do que vale hoje, depois de por lá ter passado o melhor CEO do Mundo. Entretanto deu mais de 11 mil milhões a ganhar em dividendos aos seus acionistas, embora a dívida se fosse acumulando. Não é a única.
A EDP, que cobra as astronómicas contas de eletricidade em Portugal, lucra cerca de mil milhões ao ano. Em 2014 distribuiu 67% desse valor em dividendos, quase nada ficou em Portugal. Ao mesmo tempo, o gigante elétrico apresenta uma dívida de 17.083 milhões de euros, cerca de 10% do PIB português.
Mas vamos à segunda notícia, outro exemplo de como a austeridade pode ser tão seletiva. A REN prepara-se para pagar aos seus administradores mais 26% em 2015, ao mesmo tempo que corta 2% nos custos totais com pessoal. Há que fazer escolhas, não é?
Já nos bons velhos tempos de 2013 a PT pagava à volta de 1 milhão a Zeinal Bava, mas isto foi, é claro, nos bons velhos tempos. Hoje a PT não se pode dar a estes luxos. Mas a EDP pode, e paga um valor semelhante a António Mexia. Na GALP o salário de CEO chega aos 1,7 milhões.
Salários milionários, dividendos impossíveis e dívida. Tem sido esta a fórmula da maior parte das grandes empresas portuguesas, na sua maioria privatizadas, a operar em lucrativos monopólios naturais. Era assim antes da troika, e continua a sê-lo depois.
A nova economia que Passos Coelho apregoa não passa da mesma velha e relha economia. Mudaram os donos e os CEO.
[do JN]                                                                                                                                                
Nota de RoP: 
É uma pena que os partidos à esquerda do PS (BE, PCP, PEV, etc.), não se determinem a constituir-se como alternativas de governo. Desta maneira, - e apesar dos fracassos históricos dos partidos do arco governativo -, acabam dando alguma "razão" a estes últimos,  quando os tratam como partidos menores, e demagôgos. É que, se há demagogia (e incompetência) provada e comprovada, é exactamente a dos partidos que têm "governado" o país. As aspas, dizem tudo.  





























03 abril, 2015

Manoel de Oliveira, um tripeiro de gema, um Homem autêntico, partiu...

MANOEL DE OLIVEIRA
Há quem tenha da cultura conceitos antagonistas. Uns, olham-na com snobismo, como uma coisa hermética, reservada a mentes intelectualmente superiores... Esta classe de pessoas, é normalmente a que menos absorve da cultura. Para outros, não menos preconceituosos, tudo é cultura, partindo do princípio que nada é inexplicável. Estou a lembrar-me daqueles mamarrachos que os emigrantes (e não só) construiram por esse país fora, feios e inestéticos, que constrastavam pela negativa com as características das regiões onde eram implantadas,  em perfeito conflito com a paisagem envolvente. Esses, explicavam a teoria com o facto daquele tipo de construções assinalar uma época histórica (o processo de emigração), que não devia ser ignorada, defendendo portanto a sua manutenção. Pessoalmente, não acredito que as piores causas, mesmo que históricas, justifiquem classificações culturais quando não têm qualquer ligação com a arte. 

Com Manoel de Oliveira, penso que sucedeu o mesmo. Muitos, diziam que não compreendiam os filmes dele e que por isso não gostavam. É a mesma teoria que  à partida negava o talento de Salvador Dali e de Pablo Picasso, só porque os seus quadros não possuíam o bucolismo de uma máquina fotográfica. 

A cultura é arte, e a arte sem criatividade é arte postiça, morre. Manoel de Oliveira era sobretudo um cineasta documentarista, ligado à cidade, ao Douro e às gentes do Porto. Os seus filmes eram para ver segundo o homem que estava por detrás da câmara. Eu, também não acho que o cinema tenha que ter obrigatoriamente sexo, violência, rodas a chiar, e carros a capotar, e contudo parece ser o que as pessoas mais gostam. Eu também abomino os Big Brothers das televisões, mas o povo, segundo as estatísticas audiovisuais, parece adorar... A arte é tudo menos aquilo que nos é imposto como bom. 

Morreu uma pessoa da minha cidade, talentosa, de uma dignidade rara e de quem gostava muito. Lamento-o, mas a vida é assim mesmo. Teve uma vida longa, e suponho que muito feliz, porque gostava do que fazia.

Fica para a história do Porto e do resto...   


02 abril, 2015

Agora, só nos resta a utopia

Podem dizer o que quiserem. Que os jogadores não se empenharam, que o Lopetegui armou mal a equipa, que devia lançar o jogador A, em vez do B, que a relva não ajudou, que o árbitro fez (como de costume), "as coisas pelo outro lado", como marcar um penalti duvidoso contra o FCPorto e perdoar outro claro à equipa adversária. 

Mais que previsível, é certo, que desportivamente falando, este ano dificilmente teremos razões para nos congratularmos. No que diz respeito ao futebol sénior, já se foram dois troféus: a Taça de Portugal, e hoje mesmo, a da Liga. E deixemo-nos de alinhar pela demagogia barata de Pinto da Costa que sempre mostrou desprezo pela Taça da Liga (hoje perdida), porque se fosse verdade  mais valia recusar disputar o troféu. Ponto. Mesmo admitindo que o FCPorto  estava obrigado a participar, então, podiam ter dado oportunidade aos júniores A, ou à equipa B, para rodarem, e mais que não fosse para vincar a coerência no discurso. Assim, nem houve troféu, nem coerência no discurso...

Venho dizendo há uns tempos a esta parte, que com esta política de medo, de submissão humilhante às mais torpes discriminações a que o clube tem sido sujeito, isto só pode acabar mal. Qualquer pessoa minimamente experiente sabe a influência que tem para os colaboradores de uma organização empresarial, militar ou desportiva, o sentimento da falta de liderança, sobretudo quando se sentem prejudicados por ocorrências externas que não podem controlar. Se os adeptos, que são quem mais ama o clube, andam aborrecidos e pouco confiantes com o que se está a passar, e que sendo sócios têm mais a perder que a ganhar, ao contrário de quem trabalha para o clube, o mínimo que lhes era devido, era uma palavra de consideração, acompanhada com mais algumas que explicassem o porquê desta "política" de comunicação fratricida.

O Campeonato ainda não está perdido, é verdade, mas é verdade também que não se vislumbra alma, determinação, para o ganhar, sobretudo no topo da pirâmide da SAD e do Presidente. A Champions, não é impossível, mas é quase uma utopia se tivermos bem a noção das diferenças com o nosso próximo adversário.

Caso não consigamos vencer nada esta época, então sim, talvez seja o início do fim de um ciclo indesejável, mas que o senhor Pinto da Costa consciente, ou inconscientemente, ajudou a cavar,


   

01 abril, 2015

Porto Canal, outra vez distraído

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Se bem conheço Júlio Magalhães - que não é propriamente um homem humilde - não sei que desculpa poderá ele apresentar, quando colocado perante determinadas situações (factuais) ocorridas no Porto Canal que não abonam nada a seu favor, tais como:
  • Por que é que sendo - ou estando para ser -,  o FCPorto sócio maioritário, ou se preferirem, o principal proprietário do Porto Canal [é prudente não dar já como certo...], portanto com acesso privilegiado a informações relacionadas com o clube, a estação não foi capaz de se antecipar à concorrência para dar a notícia sobre a venda de Danilo ao Real Madrid devidamente autenticada pela CMVM?  Tenho a minha resposta: logo após ter lido essa notícia de "última hora" em rodapé, na SIC e na TVI, pulei imediatamente para o Porto Canal para saber se também diziam alguma coisa sobre o assunto, mas "nicles", no seu lugar estava, devidamente gravado, a retransmissão do programa "Consultório"... 
  • Já hoje, no noticiário da hora do almoço, quando o locutor anunciava a pouca vergonha* do dia, isto é, a habilidade de António Costa para contornar o impedimento camarário de cobrar directamente a taxa de turismo, transferindo-o para a ANA (gestora dos aeroportos portugueses), e se preparava para nos dar imagens da reportagem, eis senão quando nos impingem em segunda dose uma reportagem completa sobre o caso da Igreja de Nossa Sra.dos Navegantes, em Vila do Conde... Finda a reprise, o pivot optou por ignorar a ocorrência sem sequer apresentar um pedido de desculpas, e o tema da ANA morreu ali mesmo.
Se tudo isto é  competência, então,  serei eu que  não  faço ideia do  que é ser competente,  e o problema  estará em mim.   Mas,  se fôr  incompetência, ou desleixo  - como  me parece  que é -, então, é porque a entidade patronal ( FCPorto & Compa.)  não  acompanha   com  o  cuidado devido o trabalho desenvolvido pela régie (controladores técnicos das emissões)  e demais  colaboradores (dirigentes incluídos) ? E  se fôr verdade  que  é  o  FCPorto  quem  paga  os salários   do   director geral,  o assunto  fia mais fininho, porque os associados do clube têm uma palavra a dizer.

Mais uma vez, estou a falar de factos. Isto não pode acontecer, nem deve ser encoberto, sob pena de nos tornarmos uns imbecis, só porque não ousamos pôr em causa a imagem de Pinto da Costa. Se disso se tratar, descansem, porque essa imagem já pertence ao passado.

* Pouca vergonha se o privilégio turístico não fôr extensível a outras autarquias...


PS-Que me desculpe o leitor o preciosismo da observação. É que, não sei se repararam, já há alguns tempos alguém decidiu pintar a preto e branco o logótipo do Porto Canal que detinha o azul no lugar do preto, nos microfones... Não me digam que foi por razões "estratégicas", que ainda me dá um AVC. 


31 março, 2015

A verdadeira lista VIP

Mariana Mortágua

Faz agora um ano. Foi no dia 16 de abril que o ministro da Defesa saiu do seu gabinete para se deslocar à base naval do Alfeite. O dia estava cinzento, mas não era o conforto do Sol ou a brisa do Tejo que Aguiar-Branco procurava. Estava em causa a apresentação do primeiro drone português. O momento foi tratado com a pompa que merece uma visita ministerial, dada a circunstância ser o apadrinhamento de uma empresa nacional pelo Governo. Lembram-se deste momento? O vídeo circulou por todo o lado, não tanto pelo extraordinário fulgor do engenho nacional, mas porque a maquineta tinha aspirações a submarino, e não chegou a voar mais de dois metros antes de se afundar no Tejo.
O vídeo tornou-se imparável, até porque tem piada. O que verdadeiramente levou o ministro ao Alfeite é que não tem graça nenhuma. A revista "Sábado" levantou um pouco o véu. A empresa em causa, Tekever, é gerida por um antigo assessor de Aguiar-Branco chamado Adão da Fonseca, que já que antes tinha estado na Empordef, nomeado por Aguiar-Branco.
Este é apenas um pequeno, pequeníssimo, exemplo da dança de cadeiras que compõe a verdadeira lista VIP que governa o país. Nestas nomeações, nestas empresas, escolhidas a dedo para viajar com o ministro certo, há negócios de milhões. Negócios que passam quase sempre pelos grandes escritórios de advocacia. Como o do advogado Aguiar-Branco, cujas operações, revela a mesma revista, seguem demasiado atentamente a agenda do ministro Aguiar-Branco.
Em outubro de 2014, o ministro foi à Colômbia. Uma semana antes, o seu escritório tinha promovido um seminário sobre oportunidades de investimento na Colômbia. Em janeiro de 2015, o ministro deslocou-se ao Peru. Três meses mais tarde, o escritório anunciava um parceiro peruano.
O labirinto de ligações e nomes cruzados entre os interesses do escritório de advogados e a promoção empresarial efetuada pelo ministro só não provocam mais escândalo porque neste país a constante porta giratória entre interesses privados e governantes já nos habituou ao pior. Há casos para todos os gostos, do BES à EDP.
Esta lista VIP adora criticar o Estado. Chama gorduras aos serviços públicos, enquanto proclama a libertação da economia da regulação estatal. Nos entretantos, lá vai assinando mais um contratozinho e capturando mais uma nomeação para levantar mais uma carreira.
Por tudo isto, quando ouvir dizer que a lista VIP tem apenas quatro nomes, não acredite. A verdadeira lista VIP de Portugal tem quase 40 anos e muito mais linhas.

(do JN)






                                                                                                                                    



         
    Nota: 

 o sombreado do texto é de responsabilidade do Renovar o Porto

30 março, 2015

O princípio de Peter chegou a Pinto da Costa?

Se antecipar um quadro de consequências nefastas para o FCPorto, resultantes de uma crise de liderança, fosse o mesmo que jogar na lotaria, garanto que já estaria rico, e por várias vezes... Portanto, prever o que pode acontecer, segundo parâmetros comportamentais,  não é o mesmo que lançar dados à toa para uma mesa de casino, ou, como diz o povo, com a presunção de alguém com a mania que é bom. A falta de liderança, ou tão só a quebra dela, mesmo que episodicamente, sempre custou caro a quem a perde e aos que dela dependem. Muitas e boas empresas faliram por causa disso, e com os clubes, actualmente organizados em SAD's pode acontecer o mesmo.

A pior coisa que podia acontecer ao FCPorto era perder o seu líder. Por muito que custe admití-lo, eu que fui sempre seu admirador, começo a ter poucas dúvidas que Pinto da Costa atingiu o princípio de Peter, ou seja, chegou ao ponto em que já não consegue fazer o que tão bem fazia até um determinado momento, e em determinadas circunstâncias. Mas o que mais custa, é que ele próprio pareça não se aperceber disso, nem as consequências que daí podem advir para si e para o próprio FCPorto. Custa igualmente admitir que não haja ninguém dentro do seu quadro de amigos, ou da própria SAD, que não tenha a frontalidade de lhe transmitir a gravidade que esta situação pode constituir para o bom funcionamento do clube. Não há qualquer catastrofismo nestas apreciações, porque contra factos não há argumentos.

Primeiro facto - remissão ao silêncio de Pinto da Costa perante situações óbvias de discriminação relativamente simples para justificar protestos categóricos, que contribuíram, de forma directa e indirecta, para o Benfica (principal adversário) se manter com 6, depois com 4, e agora 3 pontos na frente do campeonato. Mas atenção, porque este aproximar do FCPorto, não tem qualquer relação com a melhoria das arbitragens, mas sim com a incompetência do Benfica... 

Segundo facto - todas as situações já referidas (arbitragens tendenciosas), que foram sucessivamente acentuadas em discriminação e descaramento, jornada após jornada, premiando os infractores e o clube beneficiado. 

Terceiro facto - o distanciamento do Presidente no que concerne o desenvolvimento do Porto Canal bem como a qualidade de produção, a par da manifesta inabilidade para o cargo do Director Geral.

Quarto facto - os timings escolhidos para falar, em flagrante contraste com o silêncio ensurdecedor imposto sobre temas da maior importância: os que citei nos factos anteriores, mais a confirmação da inexistência de um plano bem concebido para o Porto Canal. Ora, foi justamente na escolha dos momentos certos para agir que Pinto da Costa mais se destacou. Sabíamos todos que nunca falava por falar, havia sempre um alvo. Agora, fala e decepciona, porque não acrescenta nada de novo. 

Por último, não acredito que nestas circunstâncias as prestações desportivas das equipas técnicas e dos próprios jogadores sejam imunes a desconcentrações, a um certo desânimo mesmo. Considerar uma casualidade o facto de todas as modalidades em que o FCPorto compete estarem a perder o fõlego de outros tempos, é não querer ver o que está à vista. O FCPorto parece uma criancinha a quem lhe tiraram os pais: órfã, e triste. Há paradigmas demais esta época. O mais recente, foi ontem, na disputa da final da Taça em Andebol. Independentemente dos aspectos técnicos e tácticos e anímicos, que estiveram manifestamente mal, com algumas culpas para o treinador Obradovic, e  de o FCPorto ter falhado um livre de 7 metros nos últimos segundos, o árbitro tudo fez para impedir o nosso clube de vencer o troféu, expulsando incompreensivelmente o Ricardo Moreira num momento crucial e sem que se vislumbrasse falta.

Quando uma equipa é ultrajada da forma como foi ontem a de andebol, e não tem um líder capaz de dizer basta, de fazer o que tão bem sabia fazer, tenham paciência, mas não há amor à camisola que resista, porque o líder murchou de vez, e os nossos rivais agradecem. Por este andar, ainda lhe erguem uma estátua...

PS-Do passado recente de Pinto da Costa guardo boa memória, mas pelos vistos ele não. Do primeiro nunca me esquecerei. Deste, sinceramente, prefiro acreditar que é um momento mau. Mas, será que consigo?



27 março, 2015

FCPorto, sempre curto, sempre atrasado


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Não escondo a ninguém o meu desagrado com o modo como o Pinto da Costa da actualidade tem dirigido o FCPorto, e tem gerido a sua (não) relação com os adeptos. Ultimamente, remete-se ao silêncio quando se esperava que falasse, e fala quando podia estar calado. Diga-se o que se disser, Pinto da Costa não é o mesmo. Não é por acaso que o Porto Canal é uma nódoa no que à informação diz respeito. Comete erros de palmatória, técnicos e de comunicação, como o FCPorto dos últimos tempos.

Não vai muito tempo, escrevi vários artigos sobre o Porto Canal, e - para meu desgosto - não foi pelas melhores razões. Foi para alertar para algum laxismo que se estava a instalar e sobretudo para a falta de criatividade dos seus responsáveis directos. Ao mesmo tempo, e uma vez que o FCPorto era (diziam) seu proprietário, estendia as críticas à aparente indiferença dos responsáveis do clube com o que se estava a passar no Porto Canal.

Há cerca de 3 anos, os jornais, incluindo o JN, anunciavam a compra pelo FCPorto de 97% do capital  da Media Luso (do grupo espanhol Mediapro), prevista para Janeiro de 2012. Esta notícia nunca foi desmentida. A partir daí, nunca mais soubemos ao certo como andavam as coisas. Nem o Porto Canal, nem o FCPorto, tiveram o cuidado de informar o universo portista do que se estava a passar, o que, como é normal nestas condições, deu aso a todo o tipo de especulações. Nunca ouvi o Presidente Pinto da Costa dizer nada de concreto sobre uma ideia de projecto para o Porto Canal. Apenas trivialidades. Coisas como: "será um canal para o Porto e para o Norte, com particular destaque para as regiões". De concreto, ficamos a saber que não seria um canal exclusivamente desportivo, mas antes um misto de generalista e desportivo. E foi tudo.

Hoje, tanto o JN, como o Porto Canal, publicitaram a entrevista que Pinto da Costa deu ao jornal do clube, e que será transmitida logo à noite. Pelo pouco que pude saber, trata-se de mais do mesmo, redundâncias. A realidade, é que já não condiz com o que foi  propagado anteriormente, que o FCPorto era quase dono do PCanal. Agora sabe-se, que há uma nuance em relação ao que o JN escreveu em 2011, ou seja, que afinal os espanhóis da Mediapro ainda eram proprietários do Porto Canal, e só agora (ler aqui) é que o FCPorto (FCP-Media) deterá cerca de 70% do capital, 20% para a Mediapro, e  o restante das acções serão para algumas empresas nortenhas. 

Quanto ao conteúdo, nada de novo. Banalidades. Será, "um canal para a região nortenha e contra o centralismo" (palavras de Pinto da Costa). Para mim, e até prova em contrário, isto é palha, pois nada de verdadeiramente novo foi dito. Não há um projecto, um sinal que seja que indicie uma profunda remodelação, uma linha de rumo, uma substância. Se zelar pela região fôr manter programas com nome apelativo, mas sem conteúdo, e sem verdadeiro interesse público, como o "Parlamento das Regiões", que é pura intriga política, estamos conversados. 

Pinto da Costa tem razão para arrasar Fernando Gomes, actual presidente da FPF, mas talvez fosse mais útil para o clube que atacasse o toiro pelos cornos, isto é, que já tivesse alertado a Comissão de Arbitragem da dita cuja federação para a pouca vergonha das arbitragens que nos custaram pelo menos 6 pontos na tabela classificativa.

Por isso, não espero logo à noite qualquer surpresa na entrevista de Pinto da Costa. Como já tenho vindo a dizer, este, não é o senhor Jorge Nuno Pinto da Costa que me habituei a admirar. Este, rendeu-se ao triste papel de corta-fitas.    


25 março, 2015

Meu Porto, meu Douro, minha região, e o resto...

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Grande Douro
A moda é efémera, por isso, é bom não nos entusiasmarmos demais com ela. Mas que culpa temos nós se o Porto, o Norte e o Douro não páram de ser notícia. Seria caso para desconfiar, se fossemos nós próprios a "inventar" tanta e boa notícia. Por este andar, Passos Coelho, condicionado que é, intelectualmente, ainda pensa que estamos todos ricos, e vem cá roubar-nos a Casa da Música, Serralves e o Estádio do Dragão...

Na moda, ou fora dela, a verdade é que, ou tenho andado muito distraído, ou nunca vi tanto entusiasmo vindo do exterior com Lisboa, como tenho visto com o Porto.

Hoje, foi só mais uma dessas notícias. O JN noticiou aqui, que os passeios de barco no Douro foram considerados pelo jornal on-line norte americano The Huffington Post, dos 8 melhores da Europa. E ainda bem, digo eu. É que, se em vez da Europa fosse do País, às tantas já tínhamos os lisboetas e o seu Tejo à perna, tratando a notícia como mais um sinal de bairrismo bacôco.

Os gostos não se discutem, diz-se. Sou tão suspeito por gostar da minha cidade e da região onde nasci, como um lisboeta é por gostar de Lisboa e da Estremadura. No entanto, não é por gostar da minha cidade, mais que qualquer outra, dentro e fora do país, que me sinto inibido de gostar de outras. Prefiro cidades pequenas, como Viana do Castelo, Braga, Barcelos, Vila do Conde, ou mesmo Esposende. Guimarães tem um antiquíssimo centro histórico, mas tem um senão para mim: parece uma cidade fechada em si própria. Lá fora, só para falar do país vizinho, prefiro Barcelona a Madrid, embora neste caso ache a capital espanhola também muito bonita, com um pequeno senão em relação à Catalunha: falta-lhe o mar.

Como os gostos não se discutem, ninguém pode levar a mal se disser que de Lisboa só aprecio algumas coisas (como a Rua Rodrigo da Fonseca onde vivi, na zona pombalina), mas a cidade no seu todo não me entusiasma, e gosto muito pouco da região onde está plantada. Em seu redor, os lisboetas só têm a aristocrática Sintra (onde também vivi, de 1974 a 76) para regalar os olhos, e mais além, a saloia Mafra com o seu imponente mosteiro. Até nisso, a região do Porto é diferente. Não é preciso percorrer muitos quilómetros, quer a norte, como a sul, para em pouco tempo, estarmos em Monção, na região do Alvarinho, ou um pouco mais a sul na Bairrada, a terra do verdadeiro leitão (nunca o de Negrais). O Porto desfruta de si próprio, mas também da frescura bucólica típica da região, que torna qualquer viagem aprazível, quer se rume ao Minho, quer serpenteando as encostas xistosas do magnífico Douro plantadas de vinhedos deslumbrantes. Amar o Porto é também amar o Norte, e todas as suas cidades, e pessoas.

Há outra coisa que não ajuda Lisboa a ser mais apreciada, que é ser uma capital onde se concentram o maior número de provincianos por metro quadrado, em que os piores de todos, são precisamente aqueles que abandonaram as suas terras para ganharem a vida e delas quase se esqueceram com medo de serem socialmente discriminados.

Lisboa, é sobrevalorizada pelos que lá estão, e pelos que lá estando, não são de lá. Lisboa, é o centralismo. Abusiva e poeticamente, alguém se lembrou de a baptizar como a cidade-luz, adulterando o cliché e a fama atribuída a Paris. Não nasceu centralista, mas cresceu mentalizada para essa vocação, e os que de lá nos desgovernam, achando isso pouco, tudo têm feito para obliterar o crescimento do resto do país, e ofuscar quem possa tirar-lhe o brilho. Lisboa, tem complexos de inferioridade em relação ao Porto, não o contrário. Por isso, tenta amordaçá-lo, política, económica e desportivamente. O FCPorto que o diga, e os responsáveis pela comunicação social do país que o confirmem, se ainda tiverem um pingo de dignidade. Lisboa, é como uma única foz, onde obrigatoriamente têm de desaguar todos os rios do país.

Ainda bem que a Natureza fala mais alto que o centralismo de Lisboa, num português correcto  e bem mais patriótico...

PS-Para que não sobrem dúvidas, Lisboa, é também a gente que lá vive. Sendo alguns meros cidadãos, pacíficos, e sem responsabilidades políticas, nem por isso se lhes ouviu a voz para contestar a discriminação feita ao resto do país... Tal como alguns portuenses, aliás. Só com uma pequena grande diferença: o Poder está em Lisboa.