19 janeiro, 2016

José Peseiro, é o novo treinador do FCPorto

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Depois de um turbilhão de especulações, conduzidas pela comunicação social sobre o nome do substituto de Lopetegui, foi José Peseiro o treinador eleito para orientar o FCPorto no que resta jogar do Campeonato, e das restantes competições em que ainda está envolvido.

Subscrevo portanto a opinião de muitos portistas, que é, apoiar este treinador e os jogadores, independentemente da nossa opinião pessoal. Só espero, é que assim pense também a estrutura directiva do FCPorto, a começar por Jorge Nuno Pinto da Costa, porque, ninguém se iluda, a discriminação ao nosso clube vai continuar. Foi assim que sempre procedi, com Lopetegui ou qualquer outro. Quem tiver dúvidas, que se dê ao trabalho de procurar nos posts mais antigos e ficará esclarecido. A diferença entre apoiar cegamente, ou apoiar confiadamente (como prefiro), consiste numa série de factores que a partir de determinado momento deixei de ver reunidos, para me manter optimista. Já os citei noutras ocasiões, e portanto, não preciso de me repetir.

O que digo - porque nunca é demais fazê-lo -, é que se José Peseiro não fôr apoiado nas situações em que a sua equipa seja manifestamente lesada, dentro ou fora do campo, teremos a segunda série do caso Lopetegui, agora na versão portuguesa. Como disse, acho que não foi apenas isso que impediu que a equipa desenvolvesse um futebol mais vistoso e objectivo, mas que contribuiu muito para a desestabilizar, disso não tenho a mínima dúvida. Não me interpretem mal. Não pretendo dar-me ares de sabichão, apenas digo o que as experiências do passado recente me ensinaram, embora o mesmo não possa garantir da parte de quem deve.

Não foram poucos os jogos a que assisti em que me apeteceu bater nos jogadores, de criticar A, ou B, pelas asneiras primárias que faziam. Mas sempre me custou admitir que não tinham qualidade, ou que faziam de propósito, e que não se aplicavam porque não queriam. Houve efectivamente um, ou outro, que não confirmou os créditos de que gozavam, mas isso também pode ter sido potenciado pelo apagamento da liderança do Presidente.

É impossível que os jogadores não tenham sentido essa "orfandade" da parte da Directoria, no que concerne a defesa do treinador e do próprio clube, e que não pensassem para si mesmos que se entrassem mais virilmente a uma jogada, o melhor era levantar o pé, senão eram expulsos. Os casos do Imbula e do Aboubakar, que sempre foram de uma correcção exemplar, são paradimáticos, independentemente de fazerem falta, ou não. Da primeira vez que decidiram ser mais "durinhos", lá vai cartão, e... a implacável expulsão.

É contra esta discriminação que os jogadores pouco ou nada podem fazer. Têm de ser outros a fazer esse trabalho. E quando à discriminação se alia a falta de confiança, não há garra nem portismo que resista. Pelo que leio por essa blogosfera dentro, há muitos adeptos que não querem pensar nisto, que desatam a bater nos jogadores, a atribuir-lhes responsabilidades sem compreender que mentalmente estão feitos num farrapo. Depois, com alguma infantilidade, acham que as coisas se resolvem com slogans, com coisas como "até os comemos", ou "somos Porto", como se estas dificuldades se superassem sem a garantia de uma liderança administrativa forte e um treinador idêntico.

É este o difícil desafio que Peseiro tem pela frente. Se Lopetegui não foi o único responsável pelo que se passou até aqui, não será certamente também qualquer outro treinador. Chame-se ele Peseiro, ou Mourinho.

Off the record:

Li há instantes que Victor Baía voltou a dar um tiro no pé. Pelo que pude perceber descascou em Pinto da Costa e na SAD. Independentemente do que tenha dito, ele não devia esquecer-se que foi um jogador que, se chegou onde chegou, deve-o muito ao FCPorto. Transitou do FCPorto para o Barcelona por mérito seu, mas também do clube que o vendeu. Ele não pode comportar-se como um comum adepto, porque ganhou a vida num FCPorto em que Pinto da Costa brilhava. 

Mas, o pior nem é isso. É ele escolher o pasquim mais ordinário do país, o que mais odeia o seu antigo clube, para falar de Pinto da Costa. Se é assim que ele pensa conquistar os portistas para o apoiar numa eventual candidatura à Presidência do FCPorto, talvez os pipoqueiros gostem, mas pela minha parte, bem pode tirar o cavalinho da chuva, porque nem para relações públicas o queria, tal é o seu défice de inteligência. 

Mal, por mal, prefiro um Pinto da Costa abúlico... Nunca daria o prazer aos adversários do FCPorto de me puxarem pela língua para os ajudar a vender jornais. Aqui, digo o que penso (bem ou mal), mas não ganho um tostão por isso.  

18 janeiro, 2016

Entre o pragmatismo e a gratidão há incompatibilidades

Por mais que queiramos separar a conduta política do povo da conduta clubística, é difícil negar as afinidades que as unem. Mas, já lá chegaremos.

Pinto da Costa foi sem dúvida o presidente  mais bem sucedido da Europa, se comparado com outros dirigentes de clubes economicamente mais poderosos. Foi a sua astúcia e combatividade que guindaram o FCPorto ao patamar mais alto do futebol mundial. Foram muitos anos, sempre a subir na ambição, no prestígio e nos êxitos. A isto, chama-se perseverança e competência. Havendo competência, há o direito legítimo ao reconhecimento público. Foi o que eu e milhões de portistas fizeram, e bem.  

Os tempos entretanto mudaram, e esse homem que outrora fora competente, começou a dar sinais indicadores que algo nele estava a mudar, para pior. Dos mais relevantes, destaca-se a perda de combatividade na defesa do clube e a nula comunicação com a massa associativa e adeptos. A estas mudanças, seguiram-se contratações precipitadas de treinadores sem currículo, desajustadas às novas exigências do clube. A última verdadeiramente bem sucedida foi com André Vilas Boas na época brilhante de 2010/2011. Seguiram-se as épocas de 2011/2012 e 2012/2013 treinadas por Victor Pereira, a última das quais ganha no fim da linha e com muita contestação à mistura. Desde então,  as escolhas de Paulo Fonseca e posteriormente de Lopetegui confirmaram que as coisas estavam a mudar, e o FCPorto nada ganhou.

É aqui que encontro certas semelhanças entre a política e o futebol. Para as presidenciais que se aproximam há quem dê Marcelo Rebelo de Sousa como vencedor antecipado. A comunicação social, como sempre, é responsável por esta propaganda, mas haverá dúvidas quanto à influência que isso poderá ter nas eleições? Na forma infantil como o povo se deixa contagiar? Alguém quer saber da seriedade, da integridade, do perfil do candidato? Alguém tratará de vasculhar o currículo deste e doutros candidatos para votar? Votam porque é simpático, porque fala bem, enfim, por uma infinidade de frivolidades que pouco contam para a eleição.

No futebol, no caso, o FCPorto, é quase a mesma coisa, com uma diferença: Pinto da Costa tem um currículo que fala por si, e só isso explica, embora não justifique, a confiança excessiva que o próprio tem nesse currículo e o leva a afastar-se de forma quase provocante dos adeptos.  Esses, os adeptos, sofrem, revoltam-se (com carradas de razão), criticavam o treinador, os jogadores, e agora até criticam a SAD e Pinto da Costa, mas por consideração ou gratidão passam ao lado, não ousam contestá-lo. Custa-lhes aceitar que o Presidente que tanto admiraram (eu fui um deles) atingiu o famoso princípio de Peter, que começa a ser mais prejudicial que útil ao clube e não dá sinais de perceber isso.

A questão que se coloca é a seguinte: estarão os portistas dispostos a tolerar a decadência do Presidente com a decadência do FCPorto? Estará ele à frente dos interesses do clube? Como na política, cedemos ao sentimentalismo, em vez de privilegiarmos a competência? E Pinto da Costa, estará ele preocupado com os nossos sentimentos? O seu comportamento connôsco nos últimos tempos terá revelado isso, ou antes uma indisfarçavel indiferença, para não dizer quase dresprezo? Dantes, quando havia "fumaça" no ar, sabíamos que Pinto da Costa trataria de nos sossegar sem perdas de tempo. Agora, por que é que se esconde, porque não assume as suas responsabilidades por inteiro se ainda é pago como presidente?

Nestas coisas não tenho contemplações, o FCPorto está em 1º. lugar. As relações têm de ter reciprocidade na consideração e no respeito, mesmo que não nos conheçamos pessoalmente. Se assim não fôr, não são boas relações, independentemente do estatuto de cada um. E, como já aqui disse em várias ocasiões, Pinto da Costa está a inverter toda a admiração pessoal que tinha por ele. Está a colocar-se numa poltrona de arrogância que contrasta com aquilo que sempre preconizou: o respeito pelos portistas.

E se a arrogância nos passa ao lado quando a competência se faz sentir, é um sentimento insuportável no fracasso.

17 janeiro, 2016

A culpa é do Casillas?

Fim de carreira desastroso e lamentável

Ou, será dos árbitros? Ou, do Corona? Será do Brahimi? Talvez do Aboubakar, não? Deixemo-nos de tretas!

A culpa vai todinha para Pinto da Costa, que contratou um treinador incompetente que tornou o FCPorto irreconhecível na sua categoria, alma e qualidade. Fez do FCPorto o clube mais vulnerável do campeonato nacional a quem todos perderam o respeito.

A culpa é de Pinto da Costa porque não quis reconhecer, em tempo útil, que Lopetegui não era treinador para o Porto, e que, pelo contrário, lhe reforçou a confiança, pouco tempo antes de se ver obrigado a despedí-lo.

A culpa, é sim, de Pinto da Costa, por ter desistido de defender o clube e o próprio treinador quando os árbitros beneficiavam os nossos adversários e prejudicavam ostensivamente o FCPorto. A culpa é toda dele, por não se dignar comunicar com os portistas, sócios e simpatizantes, provando que não os merece. E finalmente, a culpa é também dos sócios que não têm coragem para obrigar Pinto da Costa a dar-lhes as explicações a que eles têm direito, no sítio próprio.

Uma vergonha! Não para o clube, mas para o currículo de Pinto da Costa. No melhor pano cai a nódoa. Pinto da Costa deixou cair a sua. A porta das traseiras é o que o espera se não abrir os olhos.

PS I:


Deixar Rui Barros a cozer em lume brando, é uma injustiça para um jogador que tanto deu ao clube. 

PS II:

Ponto 1 - Não retiro uma vírgula ao que acima comentei.

Ponto 2 - O FCPorto é uma estrutura desportiva eclética, com modalidades distintas.

Ponto 3 - Sendo certo que as modalidades e os escalões de formação júnior mantêm alguma estabilidade com resultados desportivos positivos, é, e sempre foi o futebol sénior, a alavanca motriz do grosso das receitas do clube e a principal fonte de motivação dos adeptos.

Ponto 4 - É indiscutivelmente no  futebol sénior actual que se concentram os maiores problemas e a fonte de descaracterização do FCPorto.

14 janeiro, 2016

Vai ter uma tarefa árdua o próximo treinador do FCPorto

Um "uppercut" bem puxado nesta amostra de árbitro era merecido

Não vou falar das constantes arbitragens prostituídas contra o FCPorto, porque isso compete a quem tem o dever de o fazer, e não faz. O Presidente, como é óbvio. Nem falarei de tácticas, nem de estratégias, porque essas podem variar consoante a evolução dos próprios jogos. Prefiro falar daquilo que os meus olhos,  e os olhos de uma grande parte dos espectadores vêem, sem que isso me torne obrigatoriamente num pretensioso treinador de bancada. 

Lopetegui, já cá não está. Sabendo como são duvidosas as vantagens de mudar de treinador a meio da temporada, a meteórica velocidade da descaracterização da equipa, de jogo para jogo, tornou a sua saída imperiosa, o menor dos males. Repito: não acredito que Lopetegui ganhasse qualquer troféu. E não vale a pena reagir a esta afirmação como se ela comportasse uma cisma de má fé contra o treinador, ou uma manifestação de mau-portismo, porque duvido que alguém seja mais portista que eu. Amo o Porto como poucos. De tal maneira que, ao contrário de certos portistas, boavisteiros e salgueiristas, a seguir ao meu clube dilecto - o FCPorto -, sempre simpatizei com todos os outros clubes da cidade, e fico feliz com as suas victórias, menos contra o Porto. E quem diz do Porto diz do Norte. Só lamento, é ver muitas vezes boavisteiros e salgueiristas encostarem-se aos principais clubes da capital, que tudo têm feito para os prejudicar (o Boavista sabe-o) e prejudicar o maior clube da cidade, o FCPorto. E quando digo o maior clube, não é no sentido megalómano do termo, é por ser uma realidade.  

Mas, indo directamente ao assunto, do que é que eu não gosto neste FCPorto? Em primeiro lugar, da postura resguardada e passiva do líder do FCPorto, responsável pelos abusos das arbitragens, traduzidas em benefício para as equipas da capital e em permanentes danos para a nossa. Na aparente insconsciência de Pinto da Costa de não perceber que mudou, e que é preciso renovar a liderança.

Em segundo lugar, falando agora de questões técnicas, o que é que nós vemos nesta equipa do FCPorto? Falta de garra? De amor à camisola? De mística? Okey, se quisermos, podemos incluir esses ingredientes no menú, mas porventura alguém acredita que só isso chega para voltarmos a ver os nossos jogadores jogarem à Porto? Eu não acredito, é-me difícil acreditar. Mas, afinal, onde é que estão os defeitos desta equipa, que transforma bons jogadores em jogadores medíocres? Talvez me vá repetir, mas isso só consolida as minhas convicções.

A equipa deixou de saber pressionar em todas as linhas. Se estivermos atentos, verificamos que os nossos jogadores quando iniciam os movimentos de pressão fazem-no sempre fora de tempo, ou seja, quando decidem correr de encontro ao adversário já este teve tempo para passar a bola a um colega, o que torna esses movimentos inconsequentes, sem contudo deixarem de se cansar. As recepções e controles da bola são autênticos passes, quase remates. A bola não trava, ressalta. Os jogadores sentem dificuldade em parar a bola para a poderem jogar devidamente, daí resultando autênticos passes oferecidos aos opositores. Quando progridem com bola e têm um colega desmarcado, dão toques e mais toques para a frente, ou para o lado, até que quando decidem passá-la já estão bloqueados com dois ou três adversários à ilharga. Isto é recorrente, são factos, e não me parece que estejam apenas relacionados com sistemas tácticos. Digo apenas, porque considero que o estilo que Lopetegui tentou implementar, de ter muita posse de bola sem ousadia atacante, não só retirou criatividade aos jogadores como lhes estrangulou algumas aptidões técnicas. Se juntarmos a isto a anarquia defensiva, temos o cocktail perfeito para a perda de qualidade e de confiança. Custa-me dizer isto, mas Lopetegui conseguiu o mais difícil: destreinou os jogadores. Resultado: não conseguiu ganhar qualquer troféu, nem provavelmente o conseguiria se continuasse neste registo.

Por tudo o que atrás foi dito, quem quer que venha a ocupar o lugar de treinador principal, terá à sua espera uma tarefa hercúlea para corrigir os jogadores e fazer impôr os seus métodos de treino. No jogo para o Campeonato com o Boavista, pareceu-me ver nos jogadores uma vontade de jogar que não víamos ultimamente, não obstante se notassem as deficiências técnicas que apontei. Ontem, talvez por não fazerem o 2º. golo, tudo se tornou outra vez um bicho de sete cabeças e quase deixavam fugir a permanência na Taça. Isto, sem falar na indiscritível falta de categoria do árbitro que permitiu que o jogo quase se transformasse num ring de luta-livre... 

Não é garra que falta aos jogadores. Eles até correm, só que correm sem saber bem para onde. Há um labirinto nas suas cabeças, em vez de adversários. Foi Lopetegui quem o inventou. Mas foi Pinto da Costa quem quis o inventor. No topo das pirâmides do poder está sempre o principal responsável, para o bem e para o mal.

11 janeiro, 2016

Rui Barros, transmitiu calma à equipa

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Rui Barros, o pequeno Grande Homem

Calma também aos leitores mais acelerados a intrepetar leituras, porque não vou dizer que Rui Barros é a pessoa certa para tomar o comando do plantel. Até pode ser que venha um dia a sê-lo , mas nesta altura, mantê-lo no lugar de treinador principal seria o mesmo que lançá-lo às feras. Se Pinto da Costa o quiser fazer, que o faça noutra altura, não agora.

Ontem no Bessa, o FCPorto fez um óptimo resultado,  e isso por si só, já é uma boa notícia, depois dos últimos maus resultados e exibições, dentro e fora de casa.

Apesar de se notarem hábitos e vícios do passado - como era aliás previsível - houve algo que fez toda a diferença, e não foi só a atitude, foi a alegria de jogar patente numa maior liberdade de movimentos. Por mais simples que pareça, talvez tenha sido a calma de Rui Barros no banco que tenha funcionado como um tónico de confiança na cabeça baralhada de todos os jogadores, e isso é muito importante.

É claro que o Boavista é uma equipa com problemas de toda a ordem, que ainda não conseguiu sair do espartilho estrangulador de uma má gestão interna, e sobretudo das sacanices que o poder central lhe causou, mas mesmo assim não desmerece o esforço dos jogadores do FCPorto que até conseguiram gizar jogadas bonitas, provando que têm qualidade e talento. Brahimi, é o caso mais flagrante, mas parece-me que precisa de amadurecer mais e deixar-se de querer resolver tudo sozinho. Esperemos que o novo treinador saiba moldá-lo e fazer dele um jogador muito mais completo e útil para o FCPorto.

Resumindo: dadas as circunstâncias, gostei do jogo. Que seja para continuar. Pode ser, que ainda possamos chegar ao tôpo.

PS-Quando afirmei que não acreditava que o FCPorto ganhasse qualquer troféu este ano, referia-me claro está, a um FCPorto treinado por Julen Lopetegui. 

10 janeiro, 2016

GOVERNO E RUI MOREIRA VÃO REUNIR-SE ESTA SEGUNDA-FEIRA

O Presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, vai receber na 2ª feira o 1º.Ministro António Costa, o Ministro Adjunto, Eduardo Cabrita, e o Ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes.

Em cima da mesa da reunião, que ocorre pelas 10h30 de segunda-feira, deverá estar a questão da concessão da Metro do Porto e da STCP, cuja subconcessão conjunta foi anulada pelo anterior Governo.

O modelo de gestão dos transportes públicos em Porto e Lisboa poderá passar, agora, para as autarquias, uma questão que será discutida na reunião, a primeira entre os dois políticos com António Costa no Governo.
[Simão Freitas/Porto24]

08 janeiro, 2016

Lopetegui,um adeus inevitável


Lopetegui acerta rescisão

Quem me conhece, e lê o que venho escrevendo sobre Julen Lopetegui, sabe que não fui daqueles que logo nas primeiras impressões desatou a malhar nas suas capacidades enquanto treinador. Levei sempre em conta a necessidade de tempo para conhecer o valor do plantel e nele poder implantar as suas ideias de jogo e se adaptar à realidade de um clube com as características do FCPorto. Foi-lhe dado esse tempo. Numa primeira fase, suscitou alguma expectativas, embora sem entusiasmar, mas nunca me pareceu ser um mal amado, como a comunicação social gosta de enfatizar.

Os problemas de Lopetegui, foram identicos aos que Victor Pereira e Paulo Fonseca tiveram de enfrentar ainda que com condições e resultados algo diferentes. Resumindo: todos foram protagonistas de um futebol que não dava garantias de sucesso, nem da qualidade a que os adeptos estavam habituados. Há medida que o tempo decorria a tensão dos adeptos explodiu com o afastamento da Champions League, no jogo em casa com o Dínamo de Kiev quando todos esperavam passar à fase seguinte.

Os portistas habituaram-se (e bem) ao convívio com o palco-mor do futebol europeu, não só pelo prestígio, como pelo dinheiro que aporta ao clube, impossível de obter de outras fontes. Por isso, colocaram como meta mínima de tolerância na Champions, os quartos de final. Lopetegui começou a baquear nos momentos decisivos, e isso acelerou a desconfiança. A partir daí, as exibições afrouxaram, a confiança esboruou-se e contaminou os jogadores. Não vale a pena encontrar mais bodes espiatórios. Se há aqui um 1º. culpado, esse chama-se Pinto da Costa, porque foi ele quem o contratou. Diga-se, que o Presidente portista nem sempre o ajudou nos piores momentos... Ponto.

De resto, só podia ser  este o desfecho. No futebol criam-se demasiados mitos que às vezes bloqueiam as decisões mais correctas. O facto da história nos provar que a mudança de treinador a meio de uma época nem sempre resulta não deve deixar nenhum clube refém de um problema. De futuro, o FCPorto tem de ponderar melhor os riscos das contratações no início das épocas porque depois delas serão certamente maiores, como é o caso. Mas tem de ser. Lopetegui vinha dando sinais de não controlar os acontecimentos, os jogadores já não o ouviam, a confiança estava perdida. Dir-me-ão, e agora, será possível recuperar essa confiança com outro treinador, quando o tempo escasseia? É difícil, mas impossível não é.   

De qualquer forma, desejo a Julen Lopetegui a maior sorte do mundo. Gostava dele como pessoa. Pareceu-me um homem honesto, mas prisioneiro das suas convicções que infelizmente se revelaram inadequadas. Boa sorte Lopetegui!

O FCPorto tem de se reequilibrar. Tropeçou, mas talvez estejamos ainda a tempo de não o deixar cair. 

07 janeiro, 2016

A suave beleza da monarquia

Tenho por hábito inscrever, num armazém de memórias com pretensão a diário, a forma como as acontecências quotidianas me vão marcando. Recuperei de 1 de Dezembro passado, esta pérola de fervor patriótico.
“O governo de Passos Coelho, tocado pela centelha nacional-socialista, de obediência cega à führer Merkel, proclama a dignidade do trabalho e institui o Arbeit macht freicomo supremo desígnio da nação. Segundo os heroicos patriotas do PC e Bloco, Passos alienou a lusa pátria ao imperialismo teutónico e, no sentido de combater a preguiça congénita dos portugueses, reduziu-lhes os feriados nacionais.
Pôr o país a trabalhar mais está bem; anular-lhe a história, isso é que não. O 1º de Dezembro é intocável. Viva a monarquia, abaixo o rei. Hoje, que se comemora a restauração da independência e a morte dos que se venderam a Espanha.
Que lógica assiste a esta proclamação paradoxal? Porquê uma monarquia sem rei? Esperem que eu explico esta minha serôdia aderência a um projeto pró-monarquia. Os que me conhecem como indefetível republicano tenderão a classificar-me como louco ou traidor. E, para traidor, só a solução que os conjurados utilizarem com o Miguel de Vasconcelos – lançamento do alto das ameias da liberdade. Perguntarão alguns:
- Quais as vantagens da restauração da monarquia?
- A melhoria da competitividade empresarial que nos permitisse ombrear com as maiores potências económicas do mundo? A resposta é não.
- A atenuação dos impostos usurários que tendem a reduzir a classe média a um novo lumpemproletariado? Também não.
- A erradicação do nepotismo que vinga na classe política e que é causa de favorecimentos vários que optam pelo amiguismo em detrimento da competência? Não, outra vez.
- A criação de um escol de políticos com elevada dimensão patriótica, com vida social e profissional relevantes e que entrem na política com espírito de missão? Mais uma vez, não.
- A criação de uma escola que respeite os valores que sedimentaram, para o bem e para o mal, a idiossincrasia que a história nos inculcou? Redondamente, não.
- A promoção de um sistema universal de saúde que não permita que nenhum cidadão, legal ou ilegal, preto ou amarelo, rico ou pobre, novo ou velho, fique sem os cuidados de saúde quando deles necessite? Outra vez, não.
- A responsabilização da família na formação dos filhos que evite que a escola se torne num gueto de irresponsabilidade que amedronte professores e funcionários? Não, também aqui.
- A procura de finanças públicas justas que coloquem o Estado ao serviço do cidadão, evitando todos os desperdícios, e que, adequados investimentos públicos e privados, concorram para a melhoria da saúde económica do país? Também isso, não.
Então por que carga de água quererás tu a monarquia?, perguntariam os meus interlocutores já desnorteados.
- Por causa da bandeira. Sim, vocês já viram como a bandeira monárquica é linda. Uma bandeira azul e branca que nos extasia os olhos e aquece a alma. O símbolo central realça a conjugação de duas cores tão perfeitas. Instaurando a monarquia, o azul e branco constituir-se-iam como as cores da nação. Depois, fazia-se outra revolução e mandava-se o rei para o exílio, ali para os arrabaldes sul de Vila Franca de Xira e recuperava-se a República sem as cores cruentas e sanguinárias que caracterizam a bandeira republicana. Verde e vermelho, não podem dar uma bandeira estética e eticamente aceitável.
A monarquia é a solução transitória para Portugal se tornar num país eticamente saudável e esteticamente admirável. Uma república com bandeira azul e branca realiza a utopia da perfeição. Tenhamos coragem de a implantar.

[ José Augusto Rodrigues Dos Santos/Porto24]

Nota de RoP:
Como terão reparado, o artigo não é de agora. Inseri-o, não por ser apologista da monarquia (tal como o autor), mas por partilhar com ele o gosto pela bandeira monárquica, bem mais bonita e elegante que a da República, que acho de um mau gosto inominável. 

06 janeiro, 2016

A culpa será dos pipoqueiros?

Caros amigos, não vale a pena dizer que o Porto não fez um mau jogo, como está neste momento a dizer o Cândido Costa no Porto Canal, pensando que negando a porcaria do jogo que todos vimos, com os vícios do costume, a falta de atitude, de velocidade, e de concentração, é mais portista que nós.

Tenham paciência, por mais que queiramos negar a realidade, não vamos lá. Se presidente, técnico e jogadores pensam que assim vão ganhar alguma coisa, declaro desde já que estão enganados. Dou-vos todo o direito de me censurarem. insultarem até, se por obra e graça do Nosso Senhor, o nosso clube ganhar este campeonato. Não vai ganhá-lo, não. Sou realista. Este, é o pior FCPorto que vi jogar em toda a minha vida.

E, Cândido Costa, não vale a pena exagerares com as tuas expressões de portismo, de mística e de fé religiosa, porque sei que não podes estar a ser sincero. Se isto é dar o litro, como disseste, então todas as equipas do FCPorto que vi jogar até hoje foram sobrenaturais. 

Curvemo-nos em sua honra. Com saudade.

PS-Já sei que as chicotadas psicológicas nem sempre resultam, o problema é que o fracasso não pode  vir a acontecer, já aconteceu. A partir daí, acho que todos os riscos são aceitáveis.


Ser do Porto e ser do Norte

Emídio Gomes
Sendo certo que se poderá dizer que não se escolhe a terra onde se nasce, o mesmo já não será necessariamente verdade com o local em que se vive. Por decisão dos meus pais nasci no Porto, na freguesia de Massarelos. Por opção própria, é também nesta cidade que vivo, após regressar definitivamente de um intervalo de cerca de treze anos que se seguiu à conclusão do liceu. Descontando algum grau de parcialidade, entendo que vivo num dos melhores locais do Mundo. A relação da cidade com o rio e com o mar, que estão dentro de si, a situação geográfica, o seu caráter moldado pelas pessoas, as infraestruturas, o acesso à educação e à saúde e o nível de segurança percebida fazem do Porto um local único para viver. Acresce ainda um lado emocional puro que resulta da minha paixão pelo Futebol Clube do Porto, com que me identifico desde que tenho memória de infância e então me deslocava a pé durante mais de uma hora para o estádio, levado pela mão de um avô substituto, porque a lei na vida não me permitiu conhecer os verdadeiros. Este lado não se explica, sente-se; é um estado de espírito que me levará a nunca compreender os que assobiam o seu próprio clube, mas também a ter um respeito absoluto por todos aqueles que não partilham esta minha causa.
Mas sou também de Trás-os-Montes e Alto Douro por adoção. Vivi mais de seis anos em Vila Real, cidade que fez de mim seu cidadão "grau ouro". Desde os cinco anos sou também de uma aldeia de São João da Pesqueira, bem no coração da mais fantástica região vinhateira do Mundo, justamente reconhecida pela UNESCO Património Mundial.
Gosto de ser do Norte, com muito orgulho em ser português. É nesta região que me sinto bem a trabalhar para o país, com o privilégio atual de gerir a sua CCDR. Em que cada um dos projetos que abraço é o mais importante de sempre, porque é aquele que no momento importa. Porque me sinto muito bem como profissional da Universidade do Porto há trinta anos, onde fui pró-reitor, da mesma forma que tive enorme orgulho em presidir ao Conselho Geral da Universidade de Trás-os-Montes, em ter integrado o Conselho Estratégico da Universidade do Minho, em ter sido diretor de uma Escola da Universidade Católica do Porto e na colaboração com dezenas de projetos envolvendo municípios da região, visando a criação de emprego e a sua qualificação.
Porque acreditem que é muito bom ser do Porto, gostar de ser do Norte e ser português inteiro

05 janeiro, 2016

A letargia de Pinto da Costa também vende jornais

Esta foto saiu várias vezes no JN

Estou convencido que o novo assédio justicialista movido a Pinto da Costa pelos mesmos do costume, vai dar em nada. A avaliar pelos sinais de evidente discriminação face a outros suspeitos, o ruído vai continuar a fazer-se ouvir nos jornais e na televisão durante mais uns tempos e depois, quando finalmente a Justiça actuar (se chegar a isso), ficaremos a saber que a montanha pariu um rato e que tudo não passou de mais uma campanha de desestabilização contra o FCPorto. 

Essa minha convicção, assenta no historial de competência do departamento jurídico do clube que em matéria de legalidades e questões contratuais não costuma desmazelar-se, precisamente por saber que o FCPorto é muito mais escrutinado que qualquer dos seus adversários. Se assim não fôr, será para mim uma surpresa, embora ultimamente já pouco me surpreenda com os tiros nos pés que lá para os lados do Dragão se tem vindo a dar.

Actualmente não sou sócio do FCPorto, mas já fui. Para ser franco, duvido que se voltasse a inscrever-me, não viesse logo a arrepender-me, caso me fosse coartado o direito de questionar a Direcção e de obter as respectivas respostas em tempo útil.  Às vezes, penso que me preocupo mais com a imagem do clube e do Presidente que ele próprio, e isso não me agrada nada. Já disse e repito, as questões sentimentais, só são saudáveis e duradouras se forem vividas como uma viagem de ida e volta. Por isso, não quero ser, nem parecer, mais papista que o papa. Só posso imaginar o que faria neste momento se estivesse no lugar do papa...

Em primeiro lugar, promovia uma reunião-geral com os sócios para debater o estado do clube, para os informar sobre as questões que me fossem previamente colocadas. Prometia manter esse hábito no futuro e apoiar o treinador, quando e sempre que necessário. Exigia ao Director do Jornal de Notícias que retirasse imediatamente o meu mome do Conselho Editorial do jornal por perda de confiança na actual Direcção e pela clara perda da sua matriz nortenha e portuense (sim porque o JN não teve que pedir a Lisboa licença para nascer). 

Se a  decisão fosse contestada, e me perguntassem os motivos que a fundamentavam, responderia perguntando quem é Nuno Miguel Maia, o jornalista responsável pela publicação na página de Justiça da "Operação Fénix" (que criatividade), e porque razão publica repetidamente a mesma notícia durante vários dias quase seguidos, praticamente com o mesmo texto,  quando não haviam dados novos que o justificassem.  Aproveitaria para perguntar também por que é que publicaram notícias sem aparente evolução, dias a fio, sobre um suposto traficante de droga (Vitor do Ouro, no foto) sempre vestido com a camisola do FCPorto...

Bem, isto sou eu a sonhar. Ou por outra, isto podia ser o Pinto da Costa de outrora, operário, lúcido, corajoso. Não o aburguesado, o oligarca de agora. Sim, porque quando vemos o rumo que o Porto Canal está a levar, ninguém acredita que Pinto da Costa e o FCPorto sejam os principais patrões.

Chega a ser uma provocação.

Curiosas coincidências







Mariana Mortágua
[JN]
Trezentos e quatro mil e oitocentos euros (304 800euro) é quanto Sérgio Monteiro vai receber ao longo dos próximos 12 meses para vender o Novo Banco. Sabemo-lo porque, finalmente, o Banco de Portugal publicou o contrato que assinou com o antigo secretário de Estado do Governo PSD/CDS.
O Banco de Portugal anunciou a contratação no dia 29 de outubro de 2015. Um mês depois, no dia 27 de novembro, perante notícias sobre a remuneração milionária de Monteiro, o regulador voltou a fazer novo comunicado. Dizia então que "o contrato de prestação de serviços, que terá a duração de doze meses, prevê que o dr. Sérgio Monteiro tenha uma remuneração igual à que auferia na Caixa - Banco de Investimento, SA antes de desempenhar as funções de secretário de Estado (...)".
O problema é que os lugares numa administração não são cativos. A menos que fosse novamente nomeado administrador, Sérgio Monteiro voltaria ao grupo Caixa como simples diretor, cujo salário mensal não chega decerto a 25 mil euros. Mas, se Monteiro tem estatuto de administrador da Caixa para justificar o salário milionário, então deve explicar como pode dirigir a privatização do Novo Banco, uma vez que a Caixa é credora do Fundo de Resolução que é acionista do Novo Banco. É difícil não identificar um conflito de interesses, certo?
Mas as curiosidades deste caso não terminam aqui. Conhecendo a sua delicadeza política, chamemos-lhe assim, no dia 11 de dezembro o Bloco de Esquerda perguntou ao Banco de Portugal pelo contrato assinado com Sérgio Monteiro. Acumulavam-se as questões de conflito de interesses e motivação da escolha e o Banco de Portugal continuava sem publicar o contrato na base de Contratos Públicos online, como manda a lei. Tivemos de esperar até ao último dia de dezembro para que finalmente o contrato fosse publicado. Qual não foi o nosso espanto ao verificarmos que tem data de 18 de dezembro. Isto é: só depois da pergunta do Bloco é que o Banco de Portugal se deu ao trabalho de realizar o contrato. Até aí, o vínculo de Sérgio Monteiro era apenas informal.
Se não houvesse pressão pública, não sabemos quanto mais tempo teria passado até ser assinado um contrato. Também não sabemos a razão deste caríssimo ajuste direto, não só pelo montante, mas sobretudo pela completa falta de pudor político. Acrescentado o potencial conflito de interesses, é insustentável que Sérgio Monteiro e Carlos Costa, o governador do Banco de Portugal, continuem a desempenhar funções em choque permanente com o interesse público

03 janeiro, 2016

O FCPorto não era isto!

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O Dragão não é uma Feira de Moda

Há um tempo para tudo. Do meu ponto de vista, o actual treinador do FCPorto já teve o seu tempo. Ao todo, totaliza uma época inteira e quase metade da actual. Porque tenho o hábito de dar tempo ao tempo, quando treinador e equipa são novos, e porque acreditei que quem contratou Lopetegui sabia o que estava a fazer, fui observando, e esperando que se fizesse luz nos seus conceitos técnico-tácticos e partisse daí para uma época empolgante. Enganei-me. O treinador não é novo, e o plantel também não. A decepção está instalada. Não estou só, nesta situação. Como eu, estão muitos, uma maioria seguramente de portistas. Mas, ficam por aqui as críticas a Julen Lopetegui que, afinal de contas não é o principal responsável pelas asneiras e más prestações das últimas 4/5 temporadas do FCPorto.

Lopetegui é apenas responsável pelo rendimento da equipa. Acima dele há uma SAD e um presidente com um passado que fala por si. Foi Pinto da Costa [e respectivos quadros directivos] o primeiro responsável por tudo o que de melhor aconteceu ao FCPorto nos últimos 30 anos. Pelo meio, teve a desestabilizar-lhe o currículo, um processo instigado pela inveja dos vários representantes do centralismo que não obstante  a falta de matéria acusatória legal e os sucessivos recursos vencidos, lhe causou grande desgaste físico e psicológico. As intervenções cirúrgicas a que foi submetido não devem ser alheias a isso.  É portanto natural que essas coisas tenham deixado mossa, embora a imputação objectiva entre uma e outra coisa seja discutível. Mas, a verdade é só uma: Pinto da Costa não é o mesmo.

É impossível dissociar as várias áreas ligadas ao FCPorto, distintas entre si, mas com deficiências semelhantes, em que se verificam abstracções impensáveis no Pinto da Costa do passado. Clube e Televisão não devem ser separados porque a entidade patronal é a mesma. Vamos lá ver se me lembro das mais evidentes. 

A primeira que me ocorre, é o distanciamento que o líder portista mantém com a massa associativa, com os adeptos e a própria equipa técnica. Lopetegui foi (e continua a ser), como são quase todos os treinadores do FCPorto, intensamente perseguido e gozado pelos mesmos do costume: a comunicação social. Na hora em que estava a ser mais achincalhado, não se ouviu a voz do presidente a apoiá-lo. Isto, era impensável no Pinto Costa de antigamente (que voltas o mundo dá...).

No Porto Canal, nota-se, tanto a ausência de Pinto da Costa como a presença das vicissitudes que agora o (des)caracterizam. Indiferença, com os espectadores, falta de coerência e sentido de oportunidade na acção (que é quase nula). Agora, é vê-lo franquear as portas aos representantes dos jornais que mais denegriram a sua imagem e a do FCPorto. Ontem, à entrada do Altis, vimo-lo dar uma palmadinha nas costas ao Nuno Luz, o gajo que fez o trabalho sujo da SIC contra ele e o nosso clube, no tempo do miserável programa "Donos da Bola". Percebem estas atitudes? Eu também não.

Não há portista com sentido crítico, que esteja satisfeito com a gestão e programação de Júlio Magalhães do Porto Canal. Na informação, as opções são no mínimo bizarras para quase toda a família portista... Júlio M., foi incapaz de usar a própria "casa" (o Porto Canal) para informar o público alvo sobre o futuro do canal, mas não esteve com modas para dar uma entrevista ao jornal Económico, por sinal um jornal híbrido, de pouca popularidade. Claro que, as informações que prestou falharam rotundamente como se pode provar. Mas há mais.

Recentemente, Fernando Gomes, o administrador da SAD portista, aceitou o Diário de Lisboa para dissertar sobre o famoso negócio da Altice/PT/Meo...  O entrevistador não podia ser "melhor", foi o mesmo Manuel Queiroz, esse grande "portista" que comentou na TVI os jogos do FCPorto com mais sectarismo que o mais aziado dos vermelhos. A entrevista teve lugar no restaurante Líder nas Antas e nem faltou o menú, com o preço da conta e tudo... Percebem o critério, do jornal e do entrevistado? A mim, transcende-me. Devo ser de outra galáxia.

Se juntarmos a isto a cultura de vaidade que está a ser implementada, quer na estação de tv, quer nos próprios jogadores que mais parecem modelos da Giorgio Armani, nada disto tem a ver com a cultura de austeridade e dedicação clubista que outrora fez escola e tantos sucessos trouxe ao FCPorto. Nem no Canal, nem no clube, impera o rigor e o respeito por quem menos ganha com ambos: os adeptos/espectadores.

Talvez assim se explique o que está a acontecer com a equipa principal, que afinal de contas tem sido a maior fonte de receitas do FCPorto. O Lopetegui, é só um pormenor, um erro entre os vários que aqui apontei.

PS-Recomendo a leitura da entrevista de Fernando Gomes ao DN. Lá está bem espelhada a ideia que hoje se tem de um clube/empresa, dos custos e das "facilidades"... 

Última hora:
Pinto da Costa outra vez nas malhas da Justiça. Ler aqui. Como consta da notícia, a acusação refere apenas uma suposta ilegalidade por benefício de serviços de guarda-costas ao clube e Estádio do Dragão. Uma questão de ter ou não ter alvará... 
Mais uma vez, é só Pinto da Costa que o Ministério Público gosta de investigar. O Vieira do Benfica e outros dirigentes de clubes, "não tem" guarda-costas, e se tem, estão todos legalizados(como a claque dos Diabos Vermelhos) uns anjinhos... O caso Porta 18, do Estádio da Luz, da cocaína, de repente, evaporou-se...  É isto que me enoja nesta comunicação social de merda. São uns vendidos, uns perfeitos hipócritas.
Mas, Pinto da Costa põe-se a jeito. Espero que desta vez perceba que não sé possível estar bem com Deus e com o Diabo. Esse,é o seu pior defeito. Além disso, está a prejudicar o clube. Se nada teme, que ataque, em vez de se limitar a defender. 


31 dezembro, 2015

2016 NOVO



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Que toda a esperança, sensatez, emoção e felicidade, caiam como uma imensa chuva global, para fazer do mundo um sítio melhor para se viver. Anseio sinceramente que as expectativas para 2016 passem depressa a realizações de alegria e bem estar, para todos, principalmente para os que mais precisam.

BOM ANO!

30 dezembro, 2015

Criticar pode ser construir


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Tenho duas opiniões antagónicas àcerca da comunicação virtual. Por um lado, permite aos cidadãos de todo o mundo trocarem opiniões sem sequer se conhecerem pessoalmente. Por outro, propicia aos frouxos e pobres de espírito, excelentes oportunidades para - a coberto do anonimato -, destilarem fel acumulado e insultarem, em vez de comentarem seriamente os seus pontos de discórdia. Esta, é uma das razões por que prefiro expressar-me no blogue e abdicar de maior visibilidade nas redes sociais como o Facebook onde os comentários são bem mais imoderados e impessoais. Só o tempo que ia perder a eliminar essa peçonha chamada anónimos, justifica a opção de me ficar pelo blogue. Prefiro assim. 

Costumo acompanhar, e por vezes comentar, na blogosfera portista, que é o mesmo que dizer que conheço a angústia por que estão actualmente a passar. Mesmo aqueles que, com louvável contenção, preferem esconder o que lhes vai na alma a criticar o FCPorto, a sua estrutura directiva, o seu presidente, ou o seu treinador. Pensam talvez que essa postura lhes confere um ascendente de amor clubista superior aos que dizem o que pensam.

Em Portugal, a crítica é ainda vista como uma coisa perniciosa, quase profana, um manifesto do mal. Ainda me lembro, com muita saudade, de uma espécie em vias de extinção (ou mesmo já extinta) chamada críticos de televisão que muito contribuíram para ensinar os espectadores  a avaliar mais a substância e a dispensar o fútil. Estou-me a recordar de um chamado Mário Castrim, que nos anos 70 assinava uma rúbrica no Diário de Lisboa, dedicada aos conteúdos de televisão. Hoje, se ainda fosse vivo, faria corar de vergonha os produtores de tv da actualidade. Os Big Brothers e os Dias Seguintes iam cedo à falência, mas o público passava a ter outro tipo de exigências...

Bem, mas vamos ao que interessa. Como é possível ficar indiferente ao FCPorto da actualidade e ao seu Presidente? Como é possível continuar a confiar num homem que já não é o mesmo? Os tempos mudaram, é verdade. Não podemos pedir que os métodos de acção de Pinto da Costa de hoje sejam os mesmos do passado, como sempre se impunha quando queria fazer ouvir a sua voz. Mas deixar de ter voz, ou falar de banalidades, não parece ser a melhor adaptação aos novos tempos.

Hoje o FCPorto tem uma "ferramenta" poderosa que outrora nunca teve, ao contrário dos clubes do regime que sempre foram privilegiados pelos media privados e do Estado, e contudo não tem sabido usá-la para defender os seus interesses legítimos. Tem o Porto Canal, mas Pinto da Costa raramente lá vai. Chama aos estúdios alguns autarcas do Norte e despreza o da própria cidade, apesar da amizade entre Pinto da Costa e Rui Moreira. Mas que raio de amizade será esta? Do tipo vai-vem, como a que parece ter com o presidente do Marítimo?

Ao contrário de outrora, o FCPorto de hoje promove jogadores antes de mostrarem o seu valor e de se integrarem no clube. Os jogadores usam o canal para spots publicitários de moda, como Quaresma (caprichoso), e recentemente com Osvaldo, que nem sequer teve ocasião para provar ser uma mais valia para o clube. Estimula-se a vaidade individual, antes da exigência desportiva, e espera-se que os jogadores entendam a mensagem como um sinal de rigor e austeridade. Jogadores e treinador, foram entregues a si próprios. O Presidente hoje já não aparece, como fazia antes, nos momentos chave para os defender da pressão dos media. Quando aparece, chega sempre tarde, para dizer nada. Será falso isto? Haverá algum portista honesto que não concorde com esta descrição? 

Sábado, o treinador Lopetegui vai ter um teste derradeiro, mas Pinto da Costa também... Se falhar, se não vencer em Alvalade, nada estará perdido, mas não deixará de ser um retrocesso de 2 pontos. Nada estará perdido, é verdade... Mas, colocará Pinto da Costa a sua teimosia à frente dos interesses do FCPorto e voltará a reforçar a confiança em Lopetegui?

Falemos claro. Houve épocas, não interessa agora como nem quando, que Pinto da Costa despediu treinadores com o campeonato a decorrer (cinco), sendo que o último foi Paulo Fonseca, portanto não é nada de insólito. A questão que se põe é: terá mesmo o presidente portista confiança nas competências do treinador, ou irá mantê-lo apenas porque acha que não vale a pena arriscar noutra pessoa? O momento, não é o ideal para ir ao mercado, mas então porque não o fez com calma no início da época passada e foi buscar Lopetegui cujo currículo era pouco mais que o de seleccionador dos Sub-19, 20 e 21 de Espanha?  Não foi uma aposta de risco? Portanto, corremos riscos na pré-época e agora tememos fazê-lo com Lopetegui a revelar óbvias dificuldades nos momentos decisivos? O risco é dele, é certo, mas isso para os portistas pode significar mais uma época sem ganhar nada, mas também o fim da confiança em Pinto da Costa...

Falemos mais claro ainda. Nada me move contra Lopetegui, até simpatizo com ele. Já o apoiei muitas vezes, mas nada é perene, porque antes do mais,  move-me tudo a favor do FCPorto. Não quero ver o nosso clube transformado num museu passadista, nem muito menos num palco de vaidades e oportunismos. Quero continuar a ver o FCPorto como um grande clube de futebol que é, de grandes jogadores, com ALMA e ALEGRIA, e não esta amostra tristonha que vemos agora. 

Lamento deixar no ar uma ideia demasiado negativa, mas tenho poucas expectativas na manutenção do primeiro lugar no Campeonato. Não vejo solidez, constância, força anímica, nem qualidade que me convençam. Estou apenas a traduzir com honestidade aquilo que os meus olhos vêem desta nossa equipa.

Mas, nada é impossível. Mais do que uma victória em Alvalade, interessa-me saber se equipa e treinador terão estaleca para manter a fasquia alta para o que resta das competições em curso.

PS-Nada do que está aqui escrito ensombra o muito de bom que Pinto da Costa trouxe ao clube. Há um tempo para tudo. Se as capacidades estão intactas, os méritos têm de ser traduzidos em acções. Se essas acções não têm a mesma objectividade, se ignoram sócios e apoiantes, é porque chegou o tempo de parar e dar o lugar a outros. O arquivo registará o passado e só ficará imune a desvios se houver a modéstia de reconhecer que o nosso tempo passou.


29 dezembro, 2015

FCPorto aburguesado, 1 - Marítimo, 3

Tello: um dos piores em campo, a par de Marcano
Ponto 1º:
Quando é o próprio Presidente a desvalorizar uma prova em que o seu clube participa, quem é que vai valorizá-la?

Ponto 2º:
Quando a confiança dos adeptos assenta numa espécie de fé beata e não na força mental da equipa e na qualidade técnica do treinador e dos jogadores, não há confiança que resista.

Ponto 3º:
Quando o Presidente dá proridade aos contratos milionários e aos museus, esquece a produção da equipa principal e reforça a confiança num treinador que já deu provas de não ter unhas para um clube como o FCPorto do "passado" recente, os resultados não podem ser outros que não estes. Nem sempre se aplicam as mesmas regras para casos diferentes...

Ponto 4º:
Quando se perde um jogo em casa com uma equipa como o Marítimo na véspera de um jogo importante para a manutenção do 1º. lugar do Campeonato a disputar na casa do adversário, é pouco expectável que a moral para esse jogo seja a melhor.

Nota:
Lamento que as prestações de jovens jogadores como o André Silva, Victor Garcia e Sérgio Oliveira, que até nem jogaram mal, tenha sido manchada por uma defesa de papel.  

28 dezembro, 2015

As 7 virtudes imortais do meu FCPorto

Preferia ver estes sorrisos no fim da época

Antes de mais, reitero aos amigos e leitores do Renovar o Porto os meus votos de boas festas e de um Bom Ano 2016, esperando que o Natal tenha sido bem passado e em óptima companhia.

Ainda 2015 não terminou e o FCPorto decidiu dar uma excelente prenda à comunidade portista e a Pinto da Costa (que fez ontem 78 felizes anos), com o anúncio de um contrato de direitos televisivos com a PT/Altice no valor de 457,5 milhões de euros. É sem dúvida uma boa notícia, levando em conta a actual situação do país e a necessidade de angariar verbas para os desafios e compromissos assumidos pelo FCPorto para um período de 12 anos. 

Há no entanto uma dúvida, que devia ser esclarecida quanto antes, que é saber se  a partir de Janeiro do próximo ano, os clientes da NOS deixarão de ter acesso ao Porto Canal e aos conteúdos desportivos. Sinceramente, não sei se isto vai ser assim e se é legalmente aceitável do ponto de vista contratual entre operador e cliente, mas se não é, então pode ter-se aberto aqui um precedente. No meu caso, por exemplo, sempre preferi a oferta da NOS, por conter um pequeno leque de canais mais interessantes que a MEO, não obstante a maioria serem praticamentes iguais. "Obrigarem" os portistas a mudar de operadora para verem o canal, é tudo, menos correcto. Veremos,  entretanto o que vai acontecer.

Sendo o negócio importante para o clube, não deixo contudo de manter alguma apreensão com a realidade que são os resultados desportivos. Chegamos ao primeiro lugar da Liga mesmo no fim da primeira volta (vale mais tarde que nunca, já sei) a um ponto de avanço do 2º classificado, o Sporting, com quem jogaremos, por ironia, no início da segunda fase fora de casa. A questão que me coloco, e coloco também aos leitores, é a seguinte: estamos confiantes, ou temos de estar confiantes?

A resposta que a mim me cabe dar e que apresentarei a seguir, é ao mesmo tempo um desafio às dúvidas que certamente nos invadem, a resposta dos leitores, caberá naturalmente a cada um.

Uma coisa vos garanto, se o FCPorto fôr a Alvalade e sair de lá com os 3 pontos, ficarei muito contente, mesmo que a exibição não convença, mas pessoalmente preferia que saísse com uma victória convincente. Para que tal possa acontecer, será preciso estarem reunidas certas condições. Vamos a elas:
  1. Concentração do 1º ao último segundo de jogo, e tempo de descontos
  2. Força física e psicológica (preferencialmente)
  3. Assertividade e concentração nos passes, remates e desmarcações
  4. Marcação alta com tempos de pressão correctos (*)
  5. Velocidade de execução
  6. Lateralizar ou atrasar o jogo q.b., só e apenas para reorganizar os ataques
  7. Ter calma, sem nunca a confundir com lentidão 
(*) Chegar à bola antes de o adversário a controlar

Eis aqui uma sinopse de itens capazes de fazer a diferença entre estar confiante e ter de estar confiante. A primeira, implicará cumprir restritamente as 7 virtudes acima citadas, para a segunda, é simples, é como jogar no Euromilhões e confiar que a sorte nos proteja.

Teremos nós equipa para num só jogo reunir essas virtudes?

23 dezembro, 2015

22 dezembro, 2015

A geringonça ainda vai no adro

PAULA FERREIRA
Não basta anunciar que se vende um banco, praticamente em ruína, por essa ser a solução que melhor defende o interesse nacional. Quando se vende um banco por 150 milhões de euros e se entra com 2 mil milhões para guardar os seus ativos tóxicos - aquilo que ninguém quer, aquilo que contamina - é preciso explicar aos cidadãos a opção. E em detalhe.
Não é a primeira vez, em poucos anos, que os portugueses são chamados a pagar os erros de gestão da banca nacional. Banca privada, dirigida por gestores privados bem pagos. Muitos dos ativos que ficaram no Banif "mau" (o filme repete-se) são o resultado de crédito concedido, sem o mínimo critério de exigência, e corporizado por imóveis altamente desvalorizados. Algum gestor assume essa responsabilidade?
As pessoas, as mesmas de sempre, agora chamadas a entrar com dois mil milhões de euros, não entendem e perguntam com toda a legitimidade: "Por que raio não deixam os bancos ir à falência?" Ao longo de seis anos, entre 2008 e 2014, os portugueses contribuíram com quase 20 mil milhões de euros para suster instituições bancárias. A troco de quê? Da estabilidade financeira, dizem-nos. Algo pouco concreto. Real, bem real, foi aquilo que sentimos. Mais impostos, mais e mais austeridade. Disseram-nos: era preciso cortar salários, apoios sociais, subsídio de férias e de Natal. A nossa vida piorou. E afinal não andávamos a gastar acima das nossas possibilidades. Outros andariam. O povo português, isso sim, anda a pagar (por erros que não comete) acima das suas possibilidades.
Valerá a pena? Temo que não. Já vão quatro. Primeiro foi o BPN, depois o BPP, o BES e agora o Banif. Fica por aqui cortejo fúnebre da nossa desgraçada banca? As autoridades fiscalizadoras, reguladoras, as altas figuras do Estado nunca falaram com clareza aos portugueses. Pelo contrário. Até fomentaram o engano. Antes da derrocada do BES, o Banco de Portugal autorizou um aumento de capital, conduzindo os pequenos acionistas do banco para um beco sem saída. Na madrugada de ontem, ficámos a saber mais do rigor de quem regula o nosso sistema bancário. O caso Banif deveria ter sido atacado há um ano! Em vez disso, foi escondido: comprometia a saída limpa do plano de resgate. Não comprometeu, mas que benefícios trouxe esse jogo de sombras, esse silêncio cúmplice? O problema irrompe, agora, em todo o seu esplendor.
Havia eleições à porta, e isso, pelos vistos, tinha muita força. Tal como nos mentiram com a fábula da sobretaxa, também nos enganaram com o Banif. Temos muitas razões para desconfiar - e a geringonça ainda vai no adro.
Nota de RoP: é esta pouca vergonha que faz com que muita gente não acredite na Democracia. A questão é que, como sempre venho dizendo, a Democracia não é nada disto. 
Os políticos, tanto quiseram anarquizar as liberdades, que hoje transformaram o povo refém dessas pseudo liberdades. Uma Democracia com leis meramente decorativas é uma autêntica mina para os poderosos, um verdadeiro atentado às Liberdades e a porta perfeita para a Ditadura. E quem se fica a rir  são os Ricardos Salgados e Carlos Costas desta vida. Assim, é fácil enriquecer. A cadeia é o único lugar onde deviam curtir a  sua sabedoria.  




21 dezembro, 2015

O Pinto da Costa de ontem, e de hoje



Havia uma característica na acção de Pinto da Costa que, não sendo consensualmente simpática na opinião pública geral, continha aspectos muito positivos quando usada em defesa do FCPorto. Para a grande maioria dos portistas, a sua ironia, mordaz e provocante, encaixava como luva no cinismo conspirativo dos representantes dos clubes da segunda circular que, impotentes, mas cientes dos efeitos desse estilo aguerrido [dentro e fora do balneário], não descansaram enquanto não engendraram forma de o conotar como uma espécie de Al Capone do futebol português.

A Justiça Civil e o Tribunal Arbitral da UEFA, absolveram-no, apesar do vácuo das acusações que lhe eram imputadas pela (essa sim) pervertida justiça desportiva nacional, sintonizada com o coro dos media centralistas. Foi a maior sacanagem que vi fazerem a um dirigente de clube em toda a minha vida. Como portuense e portista, nunca me irei esquecer dos autores e das fontes desse atentado consentido à dignidade humana, apenas movido pela inveja. Por isso, e por muito mais, nunca apoiarei qualquer causa em que estejam envolvidos clubes de Lisboa, nem com eles me solidarizarei desportivamente, mesmo que sejam os únicos a representar o país. Se eles se esqueceram de respeitar o clube com o nome da terra que deu nome a Portugal, porque não hei-de eu esquecer-me que existem? Adiante.

Na realidade, a característica beligerante e de humor negro de Pinto da Costa não morreu, nem nunca morrerá, porque lhe está na génese, mas foi sem dúvida quebrada, e já não é ambivalente, como era. Os tempos mudaram. Agora, as suas declarações assemelham-se a breves atestados pessoais de utilidade social, quase sempre frívolos e tardios.  O seu jeito beligerante e jocoso, está lá, mas já não intimida os adversários e inimigos que o odeiam, porque inconscientemente redireccionou-o para os adeptos. Notemos. 

Quando interrogado das razões por que Lopetegui não lançou ainda o André Silva respondeu:

Já vi o André Silva em acção muitas vezes e quem quiser fazer uns quilómetros para se deslocar ao Estádio de Pedroso, também pode ver. Tenho a certeza de que é mais um jovem que chegará à equipa principal, assim que o treinador entenda que é momento de o fazer. 

Aparentemente, Pinto da Costa deu uma resposta inofensiva, descontando a impertinência habitual da pergunta dos jornalistas. Mas, será que Pinto da Costa acha mesmo que aos portistas só basta quererem fazer uns quilómetros para ver o André Silva jogar? Estará assim tão distante do país e da região em que vive para dar uma resposta destas? Estará já a confundir os destinatários dos seus recados? Não teria bastado sugerir a visão dos jogos da equipa B, no Porto Canal? Ou será que já não se lembra que o Porto Canal existe? Lembra certamente. E já agora, pergunto eu: não bastaria e ficaria mais económico ao Presidente do FCPorto deslocar-se de vez em quando aos estúdios do Porto Canal para comunicar com os adeptos sobre as questões que os apoquentam? Falar das suas relações com Rui Moreira e explicar por que é que ainda não o convidou o seu amigo para ir ao Porto Canal? Os sócios, terão só obrigações? De pagar cotas e mais nada? 

Como portista, não estou a gostar mesmo nada destes desvios temperamentais do presidente do FCPorto. Que o faça com os nossos adversários, não connôsco que não o merecemos. Que acabe com a bajulice serôdia de andar constantemente a convidar as tias e os tios da capital para darem entrevistas fúteis, de gente, e para gente fútil. Nós não precisamos de Lisboa para nada, só precisamos que nos respeitem e tratem sem discriminações de qualquer ordem. Além de mais, escolheu muito mal o timing para "apoiar" Lopetegui. Não me parece sério que queira colher os loiros da subida ao pódio da 1ª Liga, quando não abriu a boca para defender o treinador quando ele mais precisava.

Não sou um fã do tipo de futebol de Lopetegui, mas acho que o Homem não tem sido apoiado e defendido publicamente pelo presidente como devia. Só por isso, gostava que Lopetegui fosse feliz. O mérito seria só dele e dos jogadores. E se Pinto da Costa continuar neste registo de arrogância e distanciamento com quem sempre o apoiou, terei todo o direito de lhe fazer o mesmo.