20 junho, 2016

Rui Moreira/FCPorto

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Rui Moreira o líder que o Norte não sabe aproveitar

Terminou a temporada 2015/16 com o FCPorto a ter talvez dos piores resultados desportivos das últimas 10 épocas, com os efeitos colaterais que isso implica do ponto de vista financeiro e de imagem para o clube. Com os cofres mais vazios e as desastradas opções nos negócios da compra de jogadores que têm pautado os anos mais recentes, será extremamente difícil acreditar que a temporada que aí vem seja promissora. Se a isso juntarmos a rendição clara e notória do presidente e dos seus colaboradores mais próximos às tropelias dos adversários com a habitual conivência dos órgãos federativos e da Liga, é improvável que possamos fazer melhor.

Como se pode comprovar facilmente, dedico parte considerável do tempo neste blogue a falar do FCPorto mais sob o ponto de vista político e social do que propriamente desportivo, embora não me prive de mostrar a alegria  que as suas victórias me causam sobretudo quando acompanhadas de bom futebol. Isto, porque num país centralista, profundamente assimétrico pouco dado a exercícios democráticos como Portugal, é extremamente injusto carregar apenas nas costas dos dirigentes a tarefa hercúlea de o mudar.

Não me interpretem mal, porque não estou com isto a dizer  que o Presidente e os seus colaboradores mais próximos devam manter-se mudos e indiferentes como têm feito nos últimos anos. Pelo contrário, essa postura é inaceitável e indigna, como aliás já aqui o dei a entender sem meias palavras. Mais. Perdi muito do apreço que tinha por Pinto da Costa e duvido, pelas reacções que tem revelada a todas essas arbitrariedades que volte a recuperá-lo.

Exceptuando um restrito número de portistas que por aqui passam regularmente deixando os seus comentários, a grande maioria parece estar convencida que isto do centralismo se resolve através do futebol, o que é um grande erro. Foi por causa da discriminação que ao longo dos anos nos discriminou e prejudicou que começamos a dar valor às intervenções polémicas, mas oportunas, de Pinto da Costa que serviram para conter os abusos centralistas e fizeram dele um líder. Até porque na área política nunca tivemos um verdadeiro líder regional. Mas é tempo de exigirmos aos políticos essa responsabilidade, sobretudo no que concerne a zona norte. Que os benfiquistas de todo o país se deixem comer como otários com o sedativo nacional benfiquista, lastima-se, mas ainda se percebe, agora que os nortenhos não saibam unir-se, independentemente das preferências clubistas, contra esse cancro chamado centralismo, é um atestado de imbecilidade que passam a si próprios, e isso sai-lhes do bolso, a eles e a nós...

Há uns tempos atrás anunciei aqui o lançamento do último livro de Rui Moreira "TAP-Caixa Negra" , que recomendei por esclarecer minuciosamente o imbróglio do negócio, com evidentes prejuízos (passados, presentes e seguramente futuros) para a região e para nós próprios cidadãos. Ali se explica tintim por tintim as omissões, as condradições do negócio TAP, com evidentes sinais de embaraço para os responsáveis da TAP e do próprio Governo.

A causa da TAP não é uma causa que importa apenas aos viajantes aéreos, interessa aos bolso de todos nós. Por isso devíamos acompanhá-la com mais interesse, quanto mais não seja para termos uma ideia justa do combate que Rui Moreira está a travar contra mais esta facada ao Norte e ao Porto. António Costa mantem-se calado... Rui Moreira está estrategicamente a aguardar pelas respostas que precisa do Governo a tudo o que só o livro pode esclarecer, dado que para a imprensa e comunicação social em geral, este é um assunto tabu. Não será por ela (comunicação social) que ficaremos esclarecidos. Moreira, está a fazer um trabalho notável em defesa do Norte. Tem gente a apoiá-lo, mas precisa de muita mais, de todos nós. Trabalho tanto mais admirável quanto tem de arrastar com ele políticos engajados nos respectivos partidos ideologicamente diferentes, o que não é fácil,porque só depende do carácter e sentido de cidadania de cada um. 

No meio deste turbilhão de desconsiderações, é no mínimo incompreensível que o Porto Canal não tenha até hoje revelado interesse nem coragem para apoiar a luta de Rui Moreira. Ele não está parado, e continua a olhar como sabe e pode pela nossa cidade. E tem estado bem. Estou certo e seguro que vai ser reeleito. Esta desunião entre autarca e Presidente do FCPorto, não é culpa sua. O tempo se encarregará de desvendar este estúpido mistério. Mas era preferível que se entendessem pela mesma luta. Com o Porto assim, dividido, estamos a fazer a vontade aos centralistas.  É assim que eles nos querem ver: divididos.

Será que lhes vamos fazer a vontade? Que raio de alma é essa, a dos nortenhos? Onde pára o nosso orgulho?

19 junho, 2016

Marcelo e as elites. Mas, que elites?

Manuel Carvalho
Quando o Presidente da República subiu ao palco do 10 de Junho para recordar que “foi o povo, a arraia-miúda, quem nos momentos de crise soube compreender os sacrifícios e privações em favor de um futuro mais digno e mais justo” ou para sublinhar que “foi o povo, sempre o povo, a lutar por Portugal”, não se estava certamente a referir à crise de 1383-1385. Quando apontou o dedo a “algumas elites” que “nos falharam, em troca de prebendas vantajosas, de títulos pomposos, meros ouropéis luzidios, de autocontemplações deslumbradas ou simplesmente tiveram medo de ver a realidade e de decidir com visão e sem preconceitos” não estava seguramente a falar de D. João I ou a pensar em Nuno Álvares Pereira. Para notória infelicidade do povo, Marcelo Rebelo de Sousa pode pegar nas histórias da Caixa Geral de Depósitos, no ilusionismo de José Sócrates, na fuga de Durão Barroso, na arrogância venal de Ricardo Salgado ou na incompetência premiada de Vítor Constâncio (o homem que travou o debate sobre o desequilíbrio externo nacional acabou, recorde-se, na vice-presidência do BCE) para dizer o que disse. 
O que o Presidente não disse, e nós gostaríamos muito de saber, é se acha que a nova elite que governa hoje o país é capaz ou não de “ver a realidade e decidir com visão e sem preconceitos”. Porque, definitivamente, estamos cansados de andar sempre às voltas com o passado e de ver como o país esperançoso de 1986 a 2000 acabou no limiar da bancarrota e no sufoco de escândalos sucessivos. Sim, já sabemos que uma parte da elite política portuguesa contemporânea é o exemplo acabado do fracasso e da venalidade.
É por isso ridículo que o PSD queira avançar com uma comissão parlamentar de inquérito à Caixa Geral de Depósitos, porque todos e cada um dos seus deputados sabem o que todos e cada um dos portugueses conhecem: que a Caixa foi durante anos a fio um instrumento do tráfico de influências políticas, o lugar onde o Estado se deixou aprisionar em nome de uma rede de privilegiados sem o mínimo laivo de honra ou de sentimento de dever público. A questão é: e agora?
Se houve nos anos de chumbo da troika uma boa notícia foi a da varredela de uma certa elite que se instituiu com o alto patrocínio do Estado e dos nossos impostos. O fim do império do BES, a investigação judicial aos indícios que pairam sobre os negócios de José Sócrates ou de Armando Vara, a passagem à reserva (sejamos crédulos, ao menos por uns instantes) de Miguel Relvas ou a queda da Ongoing deixaram entrar algum ar fresco pela janela.
Mas, e o presente? Nada nos garante que debaixo dos escombros do ajustamento tenha nascido uma verdadeira elite política destinada a reformar o país e a expurgar o Estado das suas pústulas e dos seus vícios. Pelo contrário, podemos até suspeitar que nas negociatas da TAP ou nos arranjos com os estivadoresesteja outra vez presente o instinto de sobrevivência de uma oligarquia política (a expressão feliz de Rui Ramos nas suas crónicas no Observador) que faz tudo para se perpetuar no poder.
Num livro lúcido e admiravelmente bem escrito que a Fundação Francisco Manuel dos Santos lançou recentemente (Crime e Castigo, Os desequilíbrios e o resgate da economia portuguesa, de Fernando Alexandre, Luis Aguiar-Conraria e Pedro Bação) faz-se uma viagem pelos traumas do passado recente que nos conduz a uma actualidade não menos assustadora: os problemas que Portugal tinha no início da sua década e meia perdida (por volta do ano 2000) e que nos obrigaram a pedir um resgate à troikacontinuam presentes.
A dívida pública e privada é mais elevada do que no início desta fase da vida nacional e o crescimento económico continua a ser anémico. O défice, está bem, melhorou, mas permanecemos sentados em cima de um barril de pólvora. Portugal precisava de uma elite política que fosse capaz de ter coragem de assumir que a gravidade deste problema não se esgota nos artifícios fantasiosos do debate parlamentar actual. Que tivesse coragem de assumir que há reformas profundas a fazer, sejam as que se encaixam mais nos pergaminhos da direita ou as que reclamam a adopção de mecanismos de protecção social que se revêm mais facilmente nos programas da esquerda
(Fonte: Público)

18 junho, 2016

Visitas guiadas à história dos jardins do Palácio

Visitas guiadas à história dos jardins do Palácio
Enquadrada nas comemorações dos 150 anos dos jardins do Palácio de Cristal, haverá esta sexta-feira, 17 de junho, pelas 21,30 horas uma visita guiada pelo historiador Joel Cleto subordinada ao tema "Da Torre de Pedro Sem à Torre da Marca".

O percurso inicia-se no Largo da Maternidade e termina nos Jardins do Palácio de Cristal, onde será visitada a Capela de Carlos Alberto.

No dia 26 de junho, pelas 17,30 horas, haverá outra visita, essa conduzida pelo investigador Francisco Queiroz intitulada "Dos Jardins Emil David à Capela Carlos Alberto". O ponto de encontro será junto ao portão principal dos Jardins do Palácio de Cristal.

+Info: Necessária pré-inscrição através do 225 320 080 ou parquesurbanos@cm-porto.pt

14 junho, 2016

Só para ouvir. Rui Moreira, ontem na Rádio Renascença

A luta é (sempre) mais difícil

Eduardo Victor Rodrigues
Presidente da C.M.Gaia


A distribuição das verbas do novo quadro comunitário foi um dos momentos mais negros da Região Norte, território que tem vindo a perder influência e capacidade de reivindicação. Isso já foi evidente nas discussões da água e dos transportes.

O processo começou mal; não era imaginável que o Governo anterior atribuísse tão pobres montantes para a Região. Enquanto o Estado encontrava expedientes para se financiar pelas verbas europeias, retirava recursos às regiões e aos municípios.

Na altura, justiça seja feita, Rui Moreira assumiu a amplificação da voz dos descontentes, onde eu também me incluí, fazendo-o por razões objetivas e não por combate partidário. Outros ficaram calados, mesmo se a sua responsabilidade institucional os obrigaria a reclamar; falou mais alto a defesa das cores partidárias, a vontade de serem obedientes ao poder instituído ou o mero conformismo.

Foi dramática a acomodação às imposições do poder central; mas ainda pior foi o astuto processo de colocar a Região a discutir a distribuição das migalhas.

É clara a falta de músculo político na Região e na Área Metropolitana do Porto. Importa lembrar que o maior desenvolvimento do Norte ocorreu nos tempos dos compromissos regionais exigentes, liderados por gente que não se vergou às orientações da tutela. Fernando Gomes terá sido o seu mais evidente representante. Mas, também, Mário de Almeida, Vieira de Carvalho, Valente de Oliveira e Braga da Cruz. Todos juntos pela Região.

A proposta de financiamento comunitário foi indigna para a Região. Foi exígua nos recursos e foi injusta pelos modelos de distribuição. Basta publicar o mapa da capitação por Município para se perceber que há quem receba per capita três vezes mais do que o vizinho; basta publicar o mapa da distribuição para não se perceber como um Município com menos habitantes receba quase o dobro do outro.

Mas não pode ser este o principal debate. O dinheiro é pouco e o maior favor que podemos fazer à tecnocracia é desatarmos a discutir a divisão do pão, em vez de lutarmos por mais pães. E nisso, alguns foram magistrais, colocando os municípios uns contra os outros.

A verdade é que houve quem aceitou a proposta, presumindo-se contentamento ou resignação (para o caso, tanto faz). Outros não aceitaram, recusando-se a assinar os PEDU sem uma nova tentativa de exigir justiça e mais recursos. Sublinho que uns não são melhores do que os outros, apenas assumiram posturas bem diferentes.

Foi então iniciado um processo reivindicativo público e exigente. Aquilo que alguns chamam de "negociação direta", foi um normal processo reivindicativo. Se os representantes da Região e da Área Metropolitana estavam satisfeitos com o resultado, não restava alternativa aos descontentes que não fosse levar as reivindicações diretamente ao poder central.

O ministro Pedro Marques, em nome deste Governo, assumiu a necessidade de encontrar soluções imediatas de compensação. É verdade que haverá uma reprogramação dos fundos, mas convinha que, antes disso, houvesse reforço de verbas.

À custa dessa luta dos municípios que recusaram assinar à primeira veio um adicional de 20 milhões de euros para a área da inclusão social, domínio em que a Região tem mais debilidades. Não foi extraordinário, é verdade, mas sem a nossa luta esses recursos não viriam.

No final, os que assinaram à primeira também acharam ter direito ao acréscimo que os outros reivindicaram. Mas teríamos sido mais fortes se todos batalhassem.

Contudo, todos têm razão. O dinheiro foi tão escasso que não há os bons e os maus. Mas há os que lutaram por mais e os que não acreditaram na luta. É justo criticar os poucos recursos que vêm para a Região? É justo, mas convinha lutar por mais e melhor, em vez de capitular.

A Região não precisa de gente que se afirme atirando uns contra os outros. A solidariedade tem que ser lutadora e exigente, não deve capitular aos receios do pó do campo de batalha com o poder central. É mais ordeiro, mas não serve a Região.



Nota de RoP:

Fartos de saber como a região Norte em geral, e a área Metropolitana do Porto em particular, têm sido prejudicadas por um centralismo parasita e anti-democrático, alguns autarcas da região, em vez de se unirem em bloco, e apontarem baterias para o inimigo comum, que é o centralismo do Terreiro do Paço, não; preferem obedecer aos interesses partidários que olhar pela vida da população que lhes deu o voto e a quem tinham o dever de servir.

Este artigo do autarca de Eduardo V. Rodrigues, é bem esclarecedor. Por isso, compreendo e concordo com a decisão de Rui Moreira e dos autarcas de Gaia, Matosinhos e Gondomar. Se o Porto só serve para servir de charneira para facilitar os interesses dos outros e não serve para ser por eles apoiado no interesse das regiões, depois não venham com a treta do portocentrismo, porque isso não existe. 
 

13 junho, 2016

Marcelo é fixe, mas às vezes fala demais

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Marcelo e o abraço da praxe a Holland
Os homens não são perfeitos, estamos cansados de saber. Porém, alguns há, que talvez por se acharem perfeitos, ética e intelectualmente, entendem que têm capacidade para governar outros homens, coisa que ainda está por provar, sobretudo num país como Portugal. Se a par dessa já habitual presunção houvesse seriedade, o mínimo que se lhes devia exigir, era que errassem menos, caso contrário muito dificilmente escapam da vulgaridade a que se habituaram (e ainda se queixam de ganhar mal).

Como é evidente, reportava-me aos  auto-considerados modelos de homens "quase" perfeitos que usam a política como trampolim  para vôos mais altos, do tipo cherne barrosão, que é como quem diz políticos fugidios que saltitam sem mais nem para quê do governo para comissários europeus, administradores bancários ou similares. O programa anteriormente plasmado da Quadratura do Círculo, dá-nos uma ideia próxima de quão preciso é recorrer a uma linguagem esteriotipada para caiar o oportunismo instalado na mente dos actores políticos. A perfeição é um mito que todo o homem de bem deve tentar alcançar, e a norma é tanto mais premente quanto maiores forem as responsabilidades de cada um.

Sem o querer encaixar neste quadro, Marcelo Rebelo de Sousa é talvez o Presidente da República eleito desde o 25 de Abril que mais tem surpreendido o país. Ainda é muito cedo para opiniões conclusivas, mas é por demais evidente que o seu estilo descontraído, cooperante, afectuoso, e pouco convencional, tem merecido rasgados elogios por uma grande franja da opinião pública. Neste aspecto também eu aprecio o género. Naturalmente, há sempre aqueles que criticam tudo, até a bondade - que é das melhores qualidades humanas -, mas temos de dar um desconto, porque esses fazem da má língua e da calúnia um modo de ganhar a vida, por sinal com sucesso e muitos seguidores.

Excluindo esta espécie, muito prolífica em Portugal, duvido que a maioria dos portugueses não olhe para o estilo de Marcelo Rebelo de Sousa com simpatia e alguma confiança. Mas, como disse há dias José Pacheco Pereira (com certa razão), será preciso ao actual P.R. controlar um pouco esta nova forma de presidir, porque a função do cargo assim o exige. Trata-se de moderar, não de mudar de estilo. Lá chegará o dia em que terá necessidade de se resguardar por efeito de uma qualquer situação delicada. Continuando neste ritmo, acelerado e dialogante, sobre tudo e sobre nada, a margem de manobra para a contenção será curta se um dia tiver de falar de assuntos importantes, ou impopulares. Nessa altura, o povo terá dificuldade em compreender a mudança. Oxalá me engane.

Marcelo decidiu, quanto a mim bem, comemorar o dia de Portugal em Paris, junto dos emigrantes, uma originalidade que outros nunca ousaram levar por diante. Esteve bem quando discursou junto de François Holland, da maire de Paris e da comunidade lusa. Seria "perfeito" se um dia depois não tivesse exagerado na linguagem com o intuito de alimentar o patriotismo dos presentes. O entusiasmo fê-lo cair numa autêntica ratoeira, precisamente por falar demais.  Esquecendo-se que estava em França, num país anfitrião, e como convidado, disse qualquer coisa como isto: os franceses são excepcionais, mas nós somos muito melhores!

Se quisermos avaliar estas declarações à luz do nacional-porreirismo, como um  estimulante sopro de orgulho para os emigrantes, esquecendo o país de acolhimento onde estas palavras foram proferidas, nada há a objectar.  Sucede, é que esse argumentário nacionalista podia (e ainda pode) ser interpretado pelo país anfitrião, no mínimo, como  soberba, como uma coisa deselegante, com odor a ingratidão. Afinal, qual dos dois países deu as melhores condições de vida aos portugueses em termos de dignidade humana? O país de origem, ou aquele que os acolheu?

Estes orgulhos de circunstância, assentes num passado de país de descobertas, colonizador - que hoje mesmo coloniza "o resto do país" com o centralismo -, que flutua num presente de prosperidade dúbia, e ainda lança para a emigração muita gente, a mim, provocam-me vergonha. É verdade que hoje em dia, toda a Europa está doente, mas não me importava nada de trocar a paz pôdre portuguesa, pela instabilidade da França.

Cá entre nós que ninguém nos ouve: os franceses (e não só) estão a pagar caro o preço de já terem sido um país "el dorado"  para muitos povos, incluindo os portugueses, e de lhes terem escancarado as portas de entrada.

Afinal, a onde é que está a nossa grandeza contemporânea, para lá da bazófia? Exmo. Sr, Presidente: optimismo, venha ele. Demagogia já temos que chegue.   

09 junho, 2016

Mais um reforço do Clube Bilderberg...


...para o meio campo de um futuro mais que promissor, garantido. Como tem sido norma com os ilustres convidados.

Tudo, a Bem da Nação, como é visível e notório... Agora é que o Mundo vai ser um paraíso. Ah, grande mulher! Ah, grande clube! Não tarda nada supera o Benfica.

Estado assume dívida de Luís Filipe Vieira ao BPN


Dívida de 17 milhões de euros passou para a Parvalorem. Falta ainda apurar se resultou de esquema fraudulento, avança o "Diário de Notícias".O presidente do Benfica e um sócio estão há quatro anos a ser investigados acerca do seu alegado envolvimento num esquema fraudulento que prejudicou o BPN. Mas os prejuízos da operação, avaliados em 17 milhões de euros, já foram transferidos para o Estado, que arcará com eles.
Segundo a edição desta quinta-feira do “Diário de Notícias”, o Estado, através da Parvalorem (empresa que gere os créditos do BPN), herdou uma dívida de 17 milhões de euros dos empresários ao banco. Esta dívida poderá ter sido gerada por uma burla orquestrada por Luís Filipe Vieira e o seu sócio Almerindo de Sousa Duarte, uma situação que ainda está sob investigação e da qual o "DN" dá alguns pormenores.  

O crédito estava colocado no BPN IFI em Cabo Verde mas, segundo relata o jornal, o BIC, liderado por Mira Amaral, recusou-se a herdá-lo, pelo que o encargo ficará à responsabilidade da Parvalorem.

(Negócios.pt)

Nota de RoP:
Isto é o que chama transparência de gestão desportiva, ou pessoal, não sei. Acresce, o "célere" trabalho de investigação da Justiça lisbonária. Isto deve ser só para não os acusarem de laxismo, ou mesmo conivência. No fim, vai tudo ficar na mesma, vão ver. Ou, na melhor das hipóteses, só se atrevem a metê-lo na gaiola quando já não estiver no "mais maior grande" clube do espaço sideral...e arredores. 

Aposto que não resultou de um esquema fraudulento. Nem pensar! Isso, é lá mais para o Porto, lá longe, com apitos pintados a ouro e cheiro a fruta. Os vauchers são apenas uma leve marca da hospitalidade e boas maneiras do clube do regime. Nada mais que isso.

08 junho, 2016

RUI MOREIRA ARRASA CCDR-N POR CAUSA DOS FUNDOS COMUNITÁRIOS

“Critérios misteriosos e arbitrários, injustos e incompreensíveis”. Assim classificou Rui Moreira, esta terça-feira, o processo de atribuição pela CCDR-N das verbas comunitárias relativas ao programa Norte 2020
Após ter rejeitado, a semana passada, assinar o documento sobre fundos europeus destinados ao desenvolvimento urbano – tal como os congéneres Matosinhos, Vila Nova de Gaia e Gondomar –, o presidente da Câmara do Porto voltou a questionar a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) durante a reunião do executivo camarário que teve lugar esta manhã.
“A história deste processo não pode ser reescrita em função de conveniências político-partidárias que encaixem mais ou menos bem nas narrativas emanadas pelos diretórios partidários”, assinalou Rui Moreira, citado pelo Porto.pt, o portal da autarquia.
Recorde-se que pouco depois de ter sido conhecida a nega de vários municípios aos critérios da CCDR-N, o presidente desta entidade, Emídio Gomes, foi afastado do cargo pelo Governo.
“A disparidade é clara e gritante. Por que razão cada munícipe de Santa Maria da Feira, Vila Nova de Gaia ou Gondomar tem menos de 100 euros de fundos comunitários até 2020 e um de São João da Madeira tem 347 euros e Espinho 312? Qual é o critério? Porquê?”, referiu o autarca portuense.
Assim, “e não havendo critérios nem justiça”, Moreira deixou no ar várias perguntas: “Por que razão Gondomar ficaria com 8,4 milhões de euros a menos do que mandaria o critério populacional? E por que ficaria Paredes com menos 2,4 milhões? E qual a razão para que Valongo fosse prejudicada em 2,6 milhões?”
Rui Moreira falou ainda em solidariedade, ou falta dela, dos concelhos que foram “claramente beneficiados na simpática distribuição dos fundos” para com os municípios que acabaram por sair prejudicados.
“Poder-se-ia dar o caso – e seria legítimo até – que o Porto, ao reclamar aquilo a que tinha direito obrigasse à redução da parcela atribuída a outros municípios. Do Norte, ou da Área Metropolitana. Não foi o caso. O Porto deixou que os municípios do Norte obtivessem o seu quinhão; não foi ouvido sobre o que cabia à Área Metropolitana do Porto. Reclamou sozinho durante dois anos enquanto os outros iam tratando das suas vidas. Não se queixou por esses municípios deixarem o Porto sozinho. Mas não se vergou”, sublinhou.
Refira-se que PS, PSD e PCP, os partidos representados no executivo municipal do Porto além da lista independente de Rui Moreira, referiram durante a reunião desta terça-feira estarem de acordo com a tomada de posição do autarca.
[Porto24]
Nota de RoP:
Rui Moreira tem razão. Curiosamente (ou nem por isso), foi Emídio Gomes o recém exonerado Presidente da CCDRN, agora membro da estrutura directiva do FCPorto, quem resolveu desobedecer ao que estava combinado, enviando o contrato de acordo para assinar, sem levar em consideração o que já estava negociado (graças a Rui Moreira), demonstrando que não é homem para causas e sim para conveniências partidárias. É com este rigor que agora o FCPorto escolhe os seus colaboradores. Antes, apoiou Luis Filipe Menezes nas autárquicas do Porto, agora chamou para o FCPorto Emídio Gomes. 

Será que também me vão processar? Deixa-me estar caladinho senão ainda me acontece qualquer coisa...

06 junho, 2016

Tomados pela extrema-esquerda


Percebe-se o desespero de professores em risco de ficarem no desemprego. Tal como se percebe o empenho dos pais nas manifestações de colégios com história, com recursos e, em muitos casos, com resultados escolares acima da média. O que não se entende é a forma distorcida como o problema tem sido levado para as ruas, perdendo de vista os factos.

Os contratos de associação existem, à luz da lei, para complementar a rede pública onde esta é insuficiente. Foram ao longo de décadas mantidos muito para além desta fronteira. E os seus defensores não se apercebem das enormes contradições em que caem na argumentação usada. Havendo oferta pública, o apoio a estes colégios mas não a outros viola as regras de concorrência no mercado privado. E a liberdade de escolha em momento nenhum está posta em causa: apenas quem a financia.

É verdade que muitas das escolas até aqui com contratos não têm futuro sem este financiamento. Haverá desemprego, como há na rede pública. Mais de 23 mil professores ficaram sem colocação no início deste ano letivo e as mudanças demográficas têm levado ao sucessivo encerramento de centenas de escolas.

Há erros evidentes do Governo na gestão do processo, dialogando pouco e demonstrando lapsos escusados nos estudos que fundamentaram a decisão. Deveria ter sido dado mais tempo às escolas para se adaptarem ou estudarem alternativas. Mas o tempo, no essencial, seria apenas isso: o adiamento de uma mudança inevitável se quisermos cumprir a lei e ser justos na relação entre o Estado e o setor privado.


Os contratos de associação não foram criados para premiar as escolas com bons resultados, ao contrário do que tem sido invocado. Nem para permitir o acesso de crianças socialmente desfavorecidas a colégios. Dizê-lo é desvirtuar a realidade. E não é por ser tantas vezes repetida que essa argumentação passa a verdadeira.

Para cumprir a Constituição, o Governo - qualquer Governo - está obrigado a gerir recursos que assegurem um ensino tendencialmente gratuito capaz de contribuir para a igualdade de oportunidades e a superação das desigualdades económicas, sociais e culturais. Numa escola pública em que caibam todos, a não ser os que livremente fazem outra escolha. Se defender isto é ser de extrema-esquerda, pelos vistos somo


(Inês Cardoso, JN)

05 junho, 2016

Sub 19 do FCPorto, Campeões Nacionais!

Comandados por Folha, os sub 19 festejaram mais um título

Já  tantas vezes falei  dos nossos inimigos sem os eufemismos branqueadores de alguns patriotras de ocasião que preferem tratá-los com a candura adjectiva de "adversários", que já me chateia ouvir falar do assunto. Não porque me conforme com a situação, bem pelo contrário, mas por nada de verdadeiramente importante estarmos a fazer para nos livrarmos deles. E isto passa-se na política como no desporto. Quem tiver a ilusão que são coisas distintas, então que se deixe de queixas e se cale para sempre. Portanto não me admira mesmo nada que esta boa notícia para o desporto jovem, nem sequer seja citada telegraficamente pelos intocáveis media da porcaria da capital.

Ainda hoje, me se me reviraram as tripas com esta notícia do JN e com os comentários qua alguns cretinos fizeram com as insinuações cínicas do costume, tentando associar a volência aos gajos do norte. Como me tenho como gente de bem, que repele a violência gratuita, estar-me-ia a contradizer se aprovasse actos desta natureza. Não aprovo mesmo. Mas, há limites para a tolerância.

Dito isto, não posso fechar os olhos às injustiças e sectarismos permanentes praticados por certos árbitros contra alguns clubes, como é disso exemplo o FCPorto. Sabendo da ladaínha do costume de portugas básicos que se incomodam com estas denúncias [como se fossem exemplo para alguém], não quero com isto dizer que o FCPorto merecesse ganhar o campeonato pela qualidade do futebol praticado, mas não ando a dormir para ver o que os árbitros toleram às equipas de Lisboa e o que não perdoam ao FCPorto. E isto, aplica-se a todas as modalidades. Se estão à espera que aplique a treta dos treinadores que só criticam os árbitros quando prejudicam a sua equipa de momento, mas que quando estão no desemprego logo mudam o discurso para a ambigudade de que no final das contas sai tudo empatado, e que os clubes grandes são sempre os mais beneficiados, bem podem esperar sentados porque não embarco nessa nau. Não é bem assim, porque o FCPorto tem sido tratado como equipa pequena. 

Mais. O discurso da não violência faria sentido usá-lo por quem tivesse consciência de viver num país civilizado onde os órgãos da justiça, civil e desportiva, estivessem acima de qualquer suspeita e funcionassem. O problem é que não vivemos num país desses. O civismo é coisa que os portugueses estão longe de saber o que é. Só quem nunca saiu daqui, ou os políticos é que "acreditam" nisso. Há gente ligada à justiça e à política que têm  comportamentos abaixo dos quadrúpedes, que até fazem incitamentos à violência e que não se importam de publicamente mostrar o seu sectarismo quando se sujeitam a entrar em programas de qualidade duvidosa e não se inibem de se portarem como o mais fanático dos adeptos.  Somos nessa matéria uma vergonha. 

Por isso, como a injustiça é a semente de todos os ódios e guerras, não me choca nada que quando essa Justiça fecha os olhos às discriminações que se praticam fora e dentro dos recintos desportivos pelo facciosismo e desonestidade de certos árbitros, alguns espectadores percam o controle e cheguem a roupa ao pêlo a certos vigaristas vestidos de negro que se passeiam impunes nas nas barbas do país. Só digo isto: se no jogo em causa o árbitro foi mesmo descarado e gatuno, foram poucas as que levou. O mesmo devia ser feito a certos "jornalistas" pelo ódio que andam a semear há muitos anos. 

Chega de comer e calar.
  

02 junho, 2016

Agora que há treinador, é comer e calar

Sinto-me algo isolado nas convicções que venho mantendo em relação à crise que se instalou no FCPorto. Há um grupo de portistas que partilham amiúde das minhas inquietações, eu sei, mas como disse anteriormente, decepciona-me ver tantos a assobiar para o lado, fingindo que não sabem onde está o centro dos problemas. Ou, se acanham, com receio de serem mal interpretados, acusados de falta de gratidão, ou preferem esperar (mais uma época) para ver no que dá. Como quer que seja, se quisermos fazer avaliações ponderadas sobre o assunto, deixando em banho-maria a objectividade, colocando em seu lugar questões de fé, é inútil andarmos a pregar todos os dias das maleitas do doente (FCPorto) se recusamos aceitar o diagnóstico da doença.

Se insisto nesta postura de cepticismo, é porque já cheguei à conclusão que o timoneiro não só perdeu qualidades, como hoje tem nas mãos "barcos"  a mais para pôr a navegar na rota certa (do êxito). Um deles chama-se Porto Canal. Além de continuarmos sem termos garantias de competitividade que implicam luta, dentro e fora do campo, nada sabemos (uma vez mais) do rumo que se entende dar ao Porto Canal. Porque, tal como está agora, nem para quem lá trabalha pode interessar, a não ser por mero comodismo ou falta de ambição.

Será que o presidente leva mais a sério a burocracia da SAD, que o futuro desportivo do FCPorto e pensa que também não deve explicações aos adeptos?  Não havendo uma estratégia de comunicação bem gizada, um plano programático que satisfaça as carências regionais e clubistas, que comporte a irreverência e a combatividade, para que serve um negócio que abdica da sua concepção genética? Passe o exagero, de que serve um rádio, sem som? Uma televisão híbrida, sem imagens, ideologicamente pobre? Já não bastam as que temos em Lisboa, que frequentemente e à mesma hora estão todas a dizer a mesma coisa? Será possível que alguém dentro da SAD considere o Porto Canal uma aposta bem sucedida? 

Há certos tabus que têm de acabar na actual organização do FCPorto. A blindagem de outrora não faz sentido hoje no clube, e muito menos no Porto Canal. A televisão é mais do que uma ferramenta, é uma arma. Uma arma, que outros têm usado e abusado para "destruir" o FCPorto e de que nós abdicamos, até para nos defendermos.  E eles lá em Lisboa não têm só uma, têm várias e manejam-nas conforme entendem sem preciosismos de consideração e respeito por nós. Não foi isso que ainda ontem Pinto da Costa disse? Que estavam a tentar matar-nos (o FCPorto)? Quem são os nossos inimigos? O Miguel Sousa Tavares? O Pedro Marques Lopes? O Renovar o Porto, que ele nem sequer lê? Quem, senhor Pinto da Costa? Não me responda a mim, responda ao universo portista que vai muito para lá do universo dos super-dragões.

Será com isto que vamos ter de viver nos próximos tempos? Nesta angústia, com este clima de fragilidade, sujeitos a tanta humilhação? Será este o peso que Nuno Espírito Santo também vai ter de suportar como treinador do FCPorto, ou haverá alguém na administração que assuma essa responsabilidade? São estas as respostas que não temos. Os discursos abstractos nunca foram o forte de Pinto da Costa. Podiam ser mordazes, pouco simpáticos, mas eram pragmáticos, e nós até gostávamos das comichões que eles geravam nos nossos adversários saloios. Como Mourinho, a simpatia nunca foi o seu forte, mas era eficaz. Tal como Pinto da Costa foi.  


31 maio, 2016

Opinem, opinem, e não falem do essencial...

Cada cabeça cada sentença
Respeito a opinião de todos estes portistas, embora me identifique mais com a de Carlos Tê. Como disse anteriormente e repito, para mim na actual conjuntura dirigente do FCPorto, não é a constituição do plantel, nem a escolha do treinador que mais me preocupa, é a liderança.

Se não invertermos as prioridades, se não cairmos na abstracção e ignorarmos a realidade tal qual ela se nos apresenta, e pensarmos que tudo se resume à equipa técnica e ao plantel, estaremos a negar tudo o que dissemos no passado (e bem) sobre a  solidez e competência de Pinto da Costa. Antes, dávamos ao presidente toda a liberdade para escolher a equipa técnica que bem entendesse, porque confiávamos nele, a ponto de nos convencermos que no FCPorto qualquer treinador estava "condenado" ao  sucesso. Agora, a exigência dos portistas está praticamente concentrada em quem vai ser o treinador e os jogadores. Compreende-se, mas dá-me a impressão que para eles o principal problema do FCPorto é a equipa e o treinador, quando a questão é outra.

Depois, começa a tornar-se maçador - de rotineiro que passou a ser -, vasculhar o passado deste ou daquele treinador, para daí concluirem se serve ou não para o FCPorto. Já se esqueceram que Mourinho era um ilustre tradutor de Robson e pouco mais, quando chegou ao clube e fez o que fez. Isto, depois de ter passado pelo Benfica com o moralizador currículo de nada ter feito. Fernando Santos tinha consigo a experiência de ter treinado esse colosso chamado Estrela da Amadora. Jesualdo Ferreira, idem aspas. Enfim, agora ninguém serve. Nem Nuno Espírito Santo que em termos de carácter é bem mais portista que Victor Baía. Nunca se queixou quando ficava no banco. Vi-o a defender a equipa como poucos. Contudo, não me arrisco a dizer se ele vai ser, ou não, bem sucedido, porque se dantes podíamos confiar praticamente em qualquer um, porque tínhamos um líder forte, hoje duvido que Simeone, ou Guardiola, fossem bem sucedidos mesmo com um bom plantel, mas com esta liderança permissiva de agora. 

Só isto, explica em parte, por que é que os portugueses apesar de andarem há 42 anos a serem mal governados, discriminados, explorados mesmo, continuam a votar maioritariamente nos mesmos partidos que os desgraçaram. No entanto não me parece que essa maioria tenha a vida fácil, ou viva dos rendimentos...Vá lá, que desta vez pode ser que consigamos respirar um bocadinho melhor, graças à coligação insólita do PCP/Bloco de Esquerda com o Partido Socialista! Até Marcelo Rebelo de Sousa foi contagiado! Para melhor, quanto a mim.

Metam um coisa na cabeça, só quando Pinto da Costa disser que não vai mais permitir abusos, discriminações contra o nosso clube, quando nos provar que está preparado para enfrentar o centralismo pelos cornos, como tão bem sabia antigamente, é que podemos passar a discutir com a devida prioridade a questão dos treinadores. 




29 maio, 2016

Moncho Lopez conseguiu escapar à crise. Parabéns redobrados!



Como se previa, a crise de liderança instalada ao mais alto nível na estrutura directiva do FCPorto, reflectiu-se noutras modalidades que também muito prometiam pela excelência dos seus jogadores e treinadores (hóquei e andebol). Tanto numa, como noutra destas duas modalidades, não notei qualquer decréscimo em termos qualitativos, quer no que respeita a jogadores, quer a treinadores. Bem pelo contrário. 

No andebol, acho até que desenvolvemos um tipo de jogo mais coeso e espectacular que no tempo do insuspeito e fantástico Obradovic. Contudo, não escapamos à vergonha do proteccionismo das arbitragens que beneficiaram como vem sendo hábito, os nossos adversários da capital nos jogos decisivos, porque fomos mansos. O mesmo se aplica ao hóquei, muito embora aqui o factor juventude tenha contribuído também para o insucesso. Tudo isto torna o trabalho de Moncho Lopez duplamente louvável. Mas, isto não pode nem deve servir para branquear o efeito dominó que uma gestão descuidada sempre provoca nos atletas de um clube, seja em que modalidade fôr. A excepção foi o basquete, e provavelmente um ou outro escalão de formação (sub 19).

Tive o ensejo de ler as declarações aparentemente emocionadas de Pinto da Costa, em Espinho, no almoço de aniversário da conquista da Champions de 1987.  Aqui vai um excerto:


Luta contra o centralismo

“Se nos atacam desta forma é porque não nos consideram mortos, mas querem-nos matar. Desde jovens que fomos habituados a ouvir que o FC Porto, para vencer, tem que ser muito melhor do que os outros. Temos de estar atentos ao fenómeno que as nossas vitórias causam num país centralista, no qual os jornais teimam em ignorar-nos, sabendo que sempre somos obrigados a pagar o preço do nosso sucesso. No dia em que jogámos a final da Taça de Portugal, um jornal desportivo ignorava-o e trazia uma grande fotografia do Jorge Jesus. Mas no dia seguinte, só porque o FC Porto perdeu, o jornal já fazia primeira página com a vitória do Sporting de Braga.”

Vejamos: estas declarações não cheiram a prato requentado? Será alguma novidade para qualquer portista que tenha os olhos bem abertos, o que ele disse? Afinal, quem é que deixou de estar atento ao que dizem e escrevem os media centralistas? Nós, ou ele? Não foi ele quem abriu as portas a uns cavalheiros com responsabilidades nesses pasquins de Lisboa na gala do Dragões de Ouro? 

Não é a discutir o sexo dos anjos que pessoalmente me convenço que algo de importante está para acontecer para melhor num futuro próximo do FCPorto. Não é assim que se restaura a união, e se acaba com a especulação, é reconhecendo erros próprios e dando garantias que não voltam a acontecer,  e esses erros foram explícitos pelo silêncio e pela indiferença face à discriminação de que ele agora se queixa e que todos estamos cansados de saber.

Sendo assim, por que é que Pinto da Costa em vez de repisar no que já sabemos de ginjeira, não nos garante o que precisamos de ouvir? Por quê? Isto parece mais o jogo do gato escondido com o rabo de fora, que uma declaração de regresso à combatividade, que é o que o FCPorto precisa. Disso, e de uma estratégia de comunicação franca, destemida e aberta, sobretudo com o universo portista. 

Para mim, não é o treinador nem os jogadores que mais me interessam, é a consistência e a frontalidade de quem lidera. Se esta for garantida, o resto virá por acréscimo, como sempre foi, aliás. Não me meto a dar palpites sobre quem vem ou deixa de vir, desde que o mais importante seja garantido. E o mais importante, é sem dúvida, a força da liderança. Não me sinto incomodado por dizer aquilo que convictamente penso, nem belisco em nada o meu portismo, estou à vontade. O FCPorto não é uma única pessoa, por mais que ela tenha feito pelo clube, são todos os portistas, sejam eles sócios ou adeptos.


25 maio, 2016

Bairrismo

Resultado de imagem para Porto
Em contra-ciclo com a corrente lisbonária que durante anos procura intoxicar os portuenses pelo seu excesso de bairrismo, e que para desgosto nosso, foi acarinhada por alguns híbridos do burgo - com, e sem responsabilidades públicas -, sempre me opus a esse embuste de urbanidade made in Lisbon.

Em primeiro lugar, porque nunca lhes reconheci a abertura intelectual nem a tolerância próprias de uma cidade cosmopolita que sabe absorver naturalmente a cultura mundana, tanto na qualidade de anfitriões como de visitantes.  Bem pelo contrário. O lisboeta vulgar é sectário, invejoso, saloio e arrogante. Tem a típica mania dos novos ricos, daqueles que tudo fazem para parecerem muito mais do que efectivamente são. Muito mais cultos, mais espertos, mais civilizados, enfim, melhores em tudo. Comportam-se como se o epicentro da virtude humana emanasse de um único ponto: Lisboa. 

Não estou com isto a dizer que em Lisboa não há gente boa, culta e acima de preconceitos, porque ela existe lá, como em toda a parte, só que pouco se revela. Não estou tão pouco a insinuar que os portuenses são todos bons rapazes e superiores a qualquer outro português, de Lisboa a Freixo-de-Espada-à Cinta. O que quero dizer, e tenho como dado adquirido, é que, enquanto o país inteiro é obrigado a olhar para Lisboa por força de um mediatismo hiper-centralista (ene canais de tv, rádios e jornais) o resto do país mal pode dar-se a conhecer pelos mesmos meios, pela simples razão de não os ter.

O Porto, só há poucos anos dispõe de um estação de tv, e mesmo assim em canal fechado. De resto, tudo está concentrado na capital. Digam o que disserem, nenhum cidadão de Lisboa pode contrariar esta realidade: os lisboetas são mais observados que observadores. Comparada com o resto do país - e cuidado que digo resto do país  inconformado -, Lisboa é o palco, a estrela, os "outros" são espectadores, sem direito a aplaudir, ou a rejeitar. Logo, estando mais habituados a olhar para o país a partir do próprio umbigo, com a miopia daí derivante, só o podem ver desfocado, por isso limitam-se a especular, quase sempre secundariamente. No extremo oposto, fica o resto do país, que dessa discriminação medieval só tira uma vantagem: uma ideia mais fiável àcerca do que pensa um lisboeta em relação à "província", do que a noção real de um lisboeta sobre o que pensa e sobretudo sente, o resto do país... Por mais que o neguem, isto é inegável, porque são factos físicos, palpáveis, comprováveis, não apenas emocionais.

Como as coisas são mesmo assim, e não de outra forma, é legítimo dizer que também pela televisão se pode conhecer relativamente bem, não só a mentalidade dos que lá trabalham, como os personagens que ali colaboram, desde actores a políticos e jornalistas, etc.,etc. E é aqui que entra a sabedoria do tempo que ninguém pode negar, sem se assumir embusteiro. Durante longos anos a ver o Porto a ser lesado económica, política e desportivamente, caluniado e até gozado pela sua pronúncia em programas pseudo-humoristas (excluo o Herman, e outros como ele, porque sei distinguir o humor da maldade), não vi nem ouvi um único lisboeta a insurgir-se contra essa segregação miserável. Um único! Mas também (e é aí que dói mais) não vi muitos nortenhos, "portuenses" e até portistas que tiveram oportunidade para o fazer, a indignarem-se com veemência, mas apenas a sussurrarem tímidos lamentos em obediência à mui respeitável avença. Todos se deixaram esmagar pelos recados anti-bairristas e "portocentristas", mais os Big-Brothers estupidificantes, até se tornarem híbridos, assobiadores pipoqueiros despojados de alma, e de Porto.

Quando atrás falei da televisão do Porto, referia-me naturalmente ao Porto Canal sem tocar na sua utilidade, porque aí estamos conversados. Não quero repetir-me, mas porque detesto generalizar, sempre lamentarei que  o efeito dominó do peso da mediocridade acabe por ensombrar programas como "Os caminhos da História", as entrevistas de Walter Hugo Mâe e poucos mais. Tal como sucede na gestão do FCPorto dos últimos 3 anos, a qualidade programática do Porto Canal foi um fracasso e não se vislumbra sinal nem vontade de mudança.

Quando lembro uma frase do Director Geral Júlio Magalhães, que intitulava uma sua entrevista dada à Meios & Publicidade onde dizia  "Os canais de Lisboa não querem saber do país para nada", e depois verifico o tipo e a origem dos convidados e entrevistados (lisboetas), e uma programação política e regionalmente pobre, acrítica, indolente e visivelmente subalterna, tenho tremenda dificuldade em acreditar que toda aquela gente goste do Porto.

Bolas, ninguém lhes exigia que fizessem do Porto Canal um antro de mediocridade arruaceira. Queríamos apenas equilíbrio, resiliência, combatividade, orgulho, bom gosto, seriedade e sobretudo muita originalidade. Nada de debates pseudo-desportivos comprados e tendenciosos, como o Dia Seguinte, ou aqueles de chinela no pé como o "Prolongamento", mas apenas um pouquinho de coragem para não nos fazerem passar por aquilo que nunca fomos: submissos e complexados.


23 maio, 2016

Sobre o respeito...

...direi que é um sinal de boa educação e consideração que muito prezo mas que só funciona na plenitude se fôr recíproco. Digam lá se quando dão prioridade de passagem a outro condutor (sem violar as regras do trânsito) para lhe facilitarem a vida e o próprio tráfego e o gajo não tem um simples aceno de mão para agradecer não ficam logo arrependidos pela cortesia? Há alguns, que até dão vontade de irmos atrás deles para lhes perguntarmos se são órfãos, ou filhos de pais incógnitos que não lhes deram educação. A arrogância é algo que me repele, que me enoja e faz pensar o pior possível de quem gosta de a exibir.

Não é a este tipo de educação e respeito que me quero referir, é de outro género. Reporto-me ao que alguns portistas invocam quando outros criticam o presidente (de agora) do FCPorto, a pretexto do bem que ele fez no passado. Compreendo, mas só parcialmente. Por outro lado, acho isso tão absurdo como a mulher que sempre amou e respeitou o marido e se habituou a ver no companheiro um amigo responsável, e de repente constata que ele mudou, que já não quer saber dela para nada, nem assume as suas responsabilidades familiares tornando-lhe a vida insuportável. Pergunto: não será legítimo que, se não houver um diálogo franco para uma tentativa de reconciliação, e o reconhecimento de culpa por parte do marido, a mulher perder-lhe o respeito? A não ser que seja daquele tipo de mulheres masoquistas daquelas parecidas com certas prostitutas que até gostam que o chulos lhes arreiem no pêlo. 

Mal comparando a analogia com o exemplo anterior, acham que Pinto da Costa continua a merecer o mesmo respeito que merecia quando governava com zêlo e defendia com unhas e dentes o FCPorto? Não foi por ser combativo, bairrista (sim, bairrista!) que ergueu o FCPorto para os patamares de grandeza que conhecemos? Acham que ele ainda conserva essas características? Que tem tido muita consideração e respeito pelos portistas? Pois eu acho que não. Que me interessa se ele foi reeleito se já não acredito nas suas capacidades?

Já falei da falta de comunicação, já falei do silêncio, já falei no negócio com a MEO que privou os portistas do Porto Canal, já falei do aburguesamento, já falei da humilhação da presença de inimigos do FCPorto nas galas do Dragão, enfim, um rol de comportamentos que são o oposto do que fez dele o homem admirado e respeitado por todos os portistas. Esse homem, reconheceu e assumiu frontalmente que errou ? Garantiu-nos que tencionava mudar de atitude? Que não ia mais permitir abusos de quem quer que fosse que prejudicassem o nosso clube? Ouviram-no garantir isso? Então, é porque não tenciona fazê-lo, e se assim fôr, então é altura de deixar o clube.

Claro que, para muitos portistas quando ele sair irá deixar no ar um sentimento de perda, porque ainda têm bem frescas na memória as glórias que conquistou à frente do FCPorto. Mas isso, é se ele quiser sair em grande (coisa em que não acredito), porque se continuar agarrado ao poder sem vencer, os adeptos vão chegar a um ponto que vão querer despachá-lo à força. Ora, pessoalmente, acho que seria bom para ele e para o clube evitar essa situação. Era acertado reconhecer naturalmente já não ter capacidade para lutar pelo clube como outrora, que o deixasse para manter bem vivas as boas recordações. Porque não basta afirmar que se sente bem de saúde se estiver condicionado física e intelectualmente. Mais do que administrar, é preciso comandar, lutar pelo FCPorto! Não quero acreditar que ele já tenha esquecido que o FCPorto foi, e continua a ser, um clube negativamente discriminado, e que para nós não chega negociar bons treinadores e bons  jogadores. Para o FCPorto é preciso, antes de tudo, um guerreiro ao comando, um lutador, já que muitos portugueses, incluindo portuenses, vivem imbecilizados pelo narcótico nacional-benfiquista porque esse guerreiro, chamado Pinto da Costa, agora baixou a guarda e deixou de lutar.

Vai ser difícil encontrar alguém com o perfil do Pinto da Costa do passado, mas a vida continua e não há gente insubstituível. Não é fácil. Cabe aos sócios saberem fazer a escolha certa. Se votarem com o rigôr que elegem os governantes, então vamos ter problemas.


22 maio, 2016

Batemos no fundo não foi sr.Presidente? E V. Exa., não?

Pois é, a sorte nem sempre bate à mesma porta e à mesma hora. Como se viu, não foi garra que faltou à equipa, foi tudo o resto que é necessário para ter direito à estrelinha de campeão.

Nem sequer me atrevo a criticar a defesa portista, já que os dois golos do Braga foram oferecidos de bandeja pelo tresloucado Helton. Outros tantos podíamos ter sofrido por asneiras semelhantes. No 1º. ele sai prematuramente da baliza deixando os dois defesas convencidos que ia ganhar a bola. Não! Saiu da baliza sem convicção nenhuma e deixou os companheiros com o ónus da responsabilidade pelo golo sofrido. No segundo, em vez de pontapear a bola para longe, para o campo do adversárrio decidiu passá-la a um colega que tinha à ilharga um adversário que aproveitou a asneira para a roubar e marcar o 2º.golo. 

Nos penalties, não esteve próximo de defender um único. Umas vezes lançava-se para o lado mesmo antes do jogador adversário chutar a bola. Antes do prolongamento parecia estar com os copos a chutar a bola quando a queria repor em campo sem sequer nela acertar. Uma nódoa completa. Para mim que até nem costumo individualizar os erros, foi o principal responsável pela perda do único trofeu que nos restava para conquistar. Acho que devem renovar contrato com ele, assim como com o Varela...

Quem não foi capaz de corrigir erros velhos é porque nunca mais vai apender. Para mim, o presidente, agora sim, é finito. Lamento, mas já não tenho dúvidas nessa matéria.