03 agosto, 2016

O que os jornalistas não vêem


(Clicar para ampliar)
O calor do verão provoca em parte considerável da população uma certa tendência para relaxar, para impormos a nós próprios algum distanciamento da realidade. É natural, e nesta época, até se recomenda, porque se estivermos à espera que o país político nos surpreenda, no que respeita a justiça e prosperidade social, bem podemos morrer de desespero (da monarquia, à república salazarista, mais os 42 anos de democracia teatral, não passámos da mediocridade). 

Como não tenciono morrer deseperado, sigo essa tendência relaxante procurando divertir-me tanto quanto a vida mo permite sem que isso me torne desleixado com o que vou observando.

Não fôra as intermináveis aberrações da acção centralista e das discriminações daí decorrentes que me absorvem completamente o tempo (e os tópicos), podia variar um pouco mais os textos do Renovar o Porto. Não me caem os parentes na lama se assumir que o centralismo e a corrupção intelectual por si gerada tornaram-se quase numa "obsessão" para mim. Talvez seja uma forma de compensar o modo ocioso e pouco resiliente com que outros nortenhos encaram este grande problema... Adiante.

Foi esta pequena notícia do JN e outras lembranças que motivaram o post de hoje. A primeira observação não recai na notícia em si mesma, mas mais no papel passivo de quem a escreve, até porque já não é a 1ª.vez que isto acontece no mesmo local. O que quero dizer é o seguinte:  estará devidamente sinalizado o local de acesso à ponte D. Luís para quem vem de carro e não conhece a cidade? Contemplará essa sinaléctica as dificuldades inerentes a condutores idosos, com visão e a audição limitadas? Eu não sei, porque ainda não tive oportunidade de confirmar, mas ao que tenho visto por essas estradas fora, não me custa nada acreditar que haja ali qualquer falha.

Tendo viajado recentemente um pouco por toda a parte, entre as regiões do Douro e  Minho, fiquei ( uma vez mais) estupefacto com o desmazelo da sinalização rodoviária. Até mesmo em Viana do Castelo, vindo da antiga estrada nacional, é um problema, uma salgalhada tanto para quem quer ir para Norte como para Sul. Chegando à cidade pela antiga ponte Eiffel o condutor depara-se com uma profusão de pequenos sinais, colocados uns sobre os outros a distâncias irrisórias de segurança ao mesmo tempo que é confrontado com bifurcações à direita e à esquerda sujeito a provocar um acidente só porque não tem condições de segurança para escolher a rota pretendida. São tantas as situações deste tipo que dá para ficar com a ideia real do desleixo a que foram votadas a antigas estradas nacionais e para termos a certeza que isso só pode acontecer para nos obrigar a optar pelas vias com portagens. O condutor que optar pelas auto-estradas sistematicamente pode não se incomodar com esta situação, mas se quiser usufruir da beleza das paisagens, em vez de prazer, terá pesadelos, e na pior das hipóteses, acidentes.

É por estas e por outras que tenho muita dificuldade em olhar para o país com optimismo. Nós não nos adaptamos à ordem, às regras, temos sempre de estragar tudo. Fazem-se auto-estradas, degradam-se as estradas e  respectiva sinalização. Constroem-se novos e amplos postos dos CTT, e logo se espreme o espaço que fôra concebido para melhorar a qualidade de serviço e o conforto de utentes e funcionários para lá encaixar uma papelaria. O mesmo aconteceu com a Loja do Cidadão e com a Metro do Porto. Tudo começa bem, mas raramente continua nessa onda. São a porcaria dos políticos e os seus eternos saltos de videirinhos sem escrúpulos, que  não nos fazem avançar. E com um povo acrítico que se masturba de patriotice futeboleira, não sairemos tão cedo desta pocilga.


Grande atleta, igual carácter

Hugo Laurentino, acima de tudo um grande Homem
(clicar na imagem para ampliar)

01 agosto, 2016

Do FCPorto...

...que ontem vi jogar, gostei. Sobretudo na 1ª. parte. É a primeira vez, num prazo próximo dos 3 anos, que vejo o FCPorto soltar-se daquela caranguejola da bola para trás e para o lado, e fazer lindas  e envolventes jogadas de ataque.

Se isto quer significar que Nuno Espírito Santo está a saber "tocar" no coração e na cabeça dos jogadores, não sei, ainda é cedo, mas se gostei, é porque gostei mesmo. E isto é bom, mas é apenas isto: um bom jogo. Que querem que vos diga? Daqui a uns dias até posso (espero que não) estar a dizer o contrário, porque este Porto dos últimos anos tem-nos decepcionado tanto que até temos medo de ser espontâneos.

Independentemente do que N.E.Santo venha (ou não) a fazer , com estes jogadores e com outros que eventualmente possam ainda chegar, o meu maior receio está na permissividade da SAD portista (presidente incluído), caso venhamos a ser discricionados pelas arbitragens e precisemos de dar um murro na mesa, ou partir a loiça toda se preciso fôr.

Se esta equipa optar por este estilo de jogo, mais dinâmico e pressionante, as situações de contacto com os adversários (e vice-versa) vão aumentar, o que irá proporcionar às arbitragens malandras muitas oportunidades para amarelar e vermelhar os nossos jogadores. É isso que mais me preocupa, como sabem. Aliás, cheguei também a admitir a hipótese que, em parte, tenha sido o medo de serem injustamente penalizados pelos árbitros uma das razões que levaram os jogadores a evitarem contactos mais impetuosos com os adversários.  A não ser que finalmente os senhores do apito se dignem fazer aquilo que nunca deviam ter deixado de fazer, que é, serem imparciais e honestos. Só lhes ficava bem.

Ontem, até o Adrian Lopez brilhou. Vamos lá, já é tempo de andarmos a fingir que somos uns nabos, um clube e uma cidade (como algumas) que precisam do centralismo para mostrarem que existem*...

*para se promoverem não hesitam a aproveitarem-se do gesto nobre de uma criança...

27 julho, 2016

Do FCPorto ao Porto Canal

Carla Ascenção
(mais pragmatismo, pede~se)
Contrariamente ao que por aí costuma dizer-se dos treinadores de bancada (quase sempre mal),  eu gosto de ler os seus comentários. Então, quando começam a dar bitaites sobre as qualidades técnicas e posicionais dos jogadores, e explicam como mexeriam na equipa para a compensar de algumas lacunas, como por exemplo, recuando um médio defensivo para central, e vice-versa, acho até muito interessante. Nestes casos, a unanimidade é rara, mas é isso que explica em parte a atracção pública pelo futebol. Isto está a acontecer nos blogues portistas, o que até se compreende, dada a instabilidade latente da direcção do FCPorto traduzida em sucessivos fracassos na aquisição de jogadores qualificados para posições-chave, e na inédita dispensa/retoma de alguns jogadores...

Para mim, já disse, isto não me surpreende, embora nunca me passasse pela cabeça que o FCPorto chegasse a este ponto de desorientação e debilidade financeira. Mas é o que costuma acontecer quando a liderança se perde.

Dito isto, também não me aqueceu nem resfriou saber que o Porto Canal regressou à casa de onde nunca devia ter saído sem dar explicações, e de quem pagou para o ter. Aliás a NOS e o FCPorto ainda devem um pedido de desculpas explícito aos seus clientes e adeptos, convinha não esquecer... Deu para ver que tudo está como dantes, igualzinho ao Porto dos últimos anos, à execepção do histórico do clube que é incomparável com a vulgaridade da televisão.

O Porto Canal só poderá ter serventia se fôr para continuar a ver o FCPorto na senda do sucesso e da valentia de outrora, e para trabalhar em benefício claro dos portuenses e do clube, não para nos deixar furiosos com quem o dirige e se verga ao centralismo, como tem acontecido. Ainda ontem pudemos ver a Carla Ascenção a entrevistar Ricardo Rio, presidente da Câmara de Braga como se fosse o do Porto, sem qualquer pudor de continuar a omitir aos portuenses a causa da sua ausência... Como é que um canal do Porto, com tanta verborreia pseudo regionalista pode manter-se tanto tempo sem abrir as portas ao seu autarca principal e sem dar cavaco à população? Alguém compreende isto? Por que é que os portuenses não questionam estas coisas nem pedem explicações a uma, e a outra parte? Se fosse o Rui Rio todos entendiam, agora o Rui Moreira, que até é portista e gosta de futebol, ninguém entende.

Enfim, já dei para este peditório, mas mesmo assim, isto cansa, seca-nos as raízes.

Nota de RoP:
Acabo de assistir à melhor 1ª. parte de jogo dos últimos tempos do FCPorto. Finalmente, vi uma equipa solta, bem posicionada (principalmente o meio-campo) e agressiva. Destaque para Octávio/André Silva/Bueno/Corona/Herrera. A segunda parte não foi a mesma coisa. Houve jogadores (como Brahimi, e Aboubakar, por ex.) que voltaram a provar que não são adaptáveis às características do nosso futebol, porque não têm mobilidade e profundidade q.b. A defesa continua a ser o nosso calcanhar de Aquiles. Remediou-se na 1ª.parte por força de um meio campo pressionante, dinâmico e muito criativo. E o Adrian Lopez, alguém o viu?

26 julho, 2016

MUNICÍPIOS VÃO GERIR STCP MAS ESTADO É “DIRETOR FINANCEIRO”

A Câmara do Porto vai presidir à Unidade Técnica de Gestão (UTG) da STCP, com os municípios a gerir a operação da empresa, mas o Estado terá de aprovar decisões que agravem o saldo.
A versão final do memorando de entendimento foi conhecida na terça-feira. O Estado vai assumir a dívida da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) e está obrigado a investir 88 milhões de euros na renovação da frota, colocando a circular nas ruas de Porto, Gaia, Matosinhos, Maia, Valongo e Gondomar mais de 300 autocarros ecológicos (movidos a gás natural) até 2023.
A UTG começará a regular a STCP a partir de 2017, mas “a efetivação do novo modelo de gestão do serviço explorado pela STCP dependerá ainda da apreciação favorável/não oposição por parte de terceiras entidades, designadamente, da Comissão Europeia, da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes e do Tribunal de Contas”, refere o memorando.
O Porto escolhe o presidente do Conselho de Administração da STCP, que incluirá um membro nomeado pelo Estado e outro por cada um dos cinco restantes municípios que assumem a gestão da empresa.
O administrador que o Estado nomear será, segundo explicou Rui Moreira na reunião do executivo da Câmara do Porto a que preside na terça-feira, “o CFO [diretor financeiro], porque fica responsável pela dívida”.
O memorando de entendimento é claro: o voto desde membro do conselho é determinante, uma vez que qualquer decisão “que possa agravar a condição financeira da empresa”, nomeadamente no que toca a medidas no âmbito do serviço público, tem de ser aprovada pelo administrador indicado pelo Estado.
Os municípios “vão ter de ser mais eficientes e menos egoístas”, afirmou Rui Moreira, que explicou aos vereadores que “o pior cenário” para as seis autarquias que vão gerir a empresa será pagar, em conjunto, 4,5 milhões de euros em 2017 e outros seis em 2023, mas garantiu ainda que “os valores estão a ser trabalhados”, uma vez que os munícipios “propuseram começar o processo de gestão com um investimento mais brando”.
Apesar da gestão da STCP ser dos municípios, a empresa continua a ser propriedade do Estado. As autarquias definem “os critérios de repartição dos encargos decorrentes das funções de organização, direção e financiamento de obrigações de serviço público” e de “acompanhamento do serviço prestado pela STCP que venham a ser exercidas pela Área Metropolitana do Porto através da UTG da STCP”.
Os municípios estão obrigados pelo memorando a chegar a acordo no que toca ao regulamento e funcionamento da UTG para “acompanhar o serviço público” explorado pela empresa. O memorando exige ainda um acordo das seis câmaras com a Área Metropolitana do Porto (AMP) que garanta que “a gestão da STCP não afetará financeiramente” os restantes 11 concelhos da AMP.

24 julho, 2016

O cherne está pôdre

Imagem de perfil de José Augusto Rodrigues dos Santos
José Augusto Rodrigues dos Santos
(Porto24)

Sei por experiência própria que a política não é para meninos de coro, para donzelas púdicas que ruborizam ao mínimo palavrão, para cidadãos com princípios e dignidade. Alguns destes, cidadãos com princípios e dignidade, tentam remar contra as marés sujas da política, mas rapidamente são trucidados pelas impiedosas máquinas partidárias ou seitas de interesses que dominam o aparelho de estado e as suas adjacências. Entre as seitas mais malévolas para o interesse público evidenciam-se as sociedades de advogados cuja habitual nefasta ação condiciona a política, economia e finanças.
Entrar numa destas seitas que controlam em seu proveito a coisa pública e privada seria o destino natural de Durão Barroso. Quer-me parecer que era a algo como isto que ele referia como solução profissional mais vantajosa, em contraponto à “coragem” que teve, por desejo de desafio, de entrar nos quadros da quadrilha de malfeitores que é a Goldman Sachs.
Conheci Durão Barroso num meeting político na faculdade de Direito de Lisboa, em 1975. Nessa altura eu fazia parte da Comissão Instaladora (CI) que elaborou o decreto-lei 675/75 que criou a via única de formação em Educação Física e que veio a desaguar na criação do ISEF do Porto e do ISEF de Lisboa. A minha ida para o INEF, onde se centralizaram as ações da CI, permitiu-me conhecer José Manuel Constantino, também ele integrante da CI e que era o “dono iluminado” de todo o fervor revolucionário maoista que invadiu o INEF, em contraponto ao fervor revolucionário revisionista defendido pelo neófito comunista Rabaçal. Deixei-me ser cooptado pelo Constantino para o MRPP, mais pela destreza argumentativa que demonstrava nos meetings que pela beleza e congruência da mensagem política implícita à vulgata expandida pelos prosélitos do Arnaldo de Matos.
Nessa altura, a faculdade de Direito de Lisboa era o sanctu santorum de todas as ideologias revolucionárias e feudo privativo de doutrinação da ideologia maoista que tinha como mártir “santo” Ribeiro dos Santos. Arnaldo de Matos e Saldanha Sanches, com uns arremedos do Fernando Rosas, empenhavam-se em reforçar a linha vermelha revolucionária que, em contraponto ao revisionismo soviético, elegia a união dos operários e camponeses como o ponto de partida para os novos amanhãs cantarem mais afinados. Nos intervalos das intervenções dos “grandes educadores” havia lugar para algumas tomadas de posição de “xicos” e “xicas” espertos, como Durão Barroso e Maria José Morgado, que debitavam anátemas a torto e a direito e marcavam com o ferrete de linha negra quem não bebesse até à alma e replicasse até ao enjoo, o mantra – “Nem fascismo, nem social-fascismo, revolução popular”. Mantra que eu debitava, com a força vocal que ainda hoje me caracteriza, na venda do Luta Popular em Algés e redondezas. Na exterioridade, calças-jardineira, boina, camisa à pescador, barba mal-amanhada, eu era um “verdadeiro” revolucionário. Na alma, as contradições eram insanáveis e, por momentos, adormeci aquilo que era e que os meus correligionários apodavam de fascista, assassínio colonial, salazarista, reacionário, conservador, gajo de direita, antirrevolucionário. Serei isso tudo, mas agora pouco me importa as críticas dos outros. Começo a estar em paz, comigo e com o meu passado. A minha militância no MRPP foi sol de pouca dura. A teologia dessa religião não me converteu, embora me tenha propiciado um curso rápido de iniciação à política mais irracional que deus ao mundo botou. Muitas noites passadas em claro a colar os cartazes puros da “revolução popular” e a arrancar os cartazes impuros dos comunistas enquanto os controleiros do INEF – Bispo e Constantino, não sei se alguma vez pegaram num balde de cola e pincel para afixar cartazes, iam reunir no sentido de decidir se íamos entrar na clandestinidade, na altura em que o “grande educador da classe operária” foi preso pelo COPCON. Outras vezes iam reunir para decidir sobre as grandes decisões políticas para o futuro. Ou seja, iam dormir enquanto os camelos dos “escravos” ideológicos iam penar por tudo o que era parede de Lisboa e arredores.
Desde essa altura fiquei de pé atrás com Durão Barroso. No meu classificatório registei-o logo como: puto palavroso, mal-educado e com a ânsia incontrolada de protagonismo. Hoje mantém os tiques que o evidenciam, pela negativa, na política nacional e internacional.
Que Durão Barroso está indelevelmente marcado com o estigma da cobardia, aproveitamento pessoal da política e oportunismo político é questão que não levanta dúvidas a qualquer mente lúcida e sensata. As críticas unânimes que recebeu são prova que há limites para a falta de vergonha e carreirismo patológico. O aproveitamento duma carreira política em proveito pessoal é “crime” ecuménico. Situações como a de Durão Barroso devem induzir legislação adequada que erradique o perigo de um político se desviar, em proveito próprio ou alheio, da missão elevada que é servir a res publica.
A defesa de Durão Barroso por alguns dos seus “compagnons de route” como Passos Coelho, Duarte Marques e outros serviçais do PSD evidencia a lógica de seita mafiosa que assiste a muita política partidária. Péssimo esteve também o Presidente da República ao evidenciar a promoção profissional do sujeito com algo de desígnio nacional, ao nível das medalhas dos nossos campeões desportivos. Asneira grossa caro Presidente. Era melhor que estivesse calado.

Nota de RoP:
O cherne sempre esteve pôdre, só a mulher e alguns tótós o comeram...

22 julho, 2016

Oriento-me por sinais, não por fezadas


PSV-FC Porto, 3-0
Ainda a época passada estava longe de terminar, já aqui tinha manifestado a minha descrença na equipa principal de futebol do FCPorto. Lamentavelmente tinha razão, e não ganhei nada com isso, só perdi. Mas também não andei a fazer de conta que não percebia o que estava a acontecer, nem me limitei a criticar o jogador A ou B, critiquei o responsável principal, com a mesma naturalidade, (embora com sentimentos diferentes), com que o louvei e apoiei quando o mereceu: Pinto da Costa.

Para meu desgosto esses sinais (ou a falta deles) continuam a manter-se, poucos dias antes de abrir a nova temporada, o que me leva a reforçar a convicção que o problema é mesmo de falta de liderança e de quem a sustenta.

Ainda é cedo para desanimar, mas continua a notar-se em muitos atletas defeitos e vícios de um passado já com 3 anos, que nenhum treinador foi capaz de corrigir, o que pode significar que a prospecção/contratação de jogadores pode ser a causa-mor dos contínuos fracassos da direcção portista. Por outras palavras, se calhar, nós adeptos, andámos demasiado tempo iludidos com a qualidade técnica e pessoal dos jogadores. Já na época passada foi também assim. Começamos sempre por dar o benefício da dúvida, ora porque ainda estávamos a começar a época, ora porque alguns atletas não tinham tido tempo para se adaptarem, e depois passámos o ano a viver decepções, umas atrás das outras, até à humilhação final. Sem um único troféu!

Vou aguardar pelos acontecimentos, mas sem qualquer convicção, nem confiança. Quando os líderes se encolhem, desprezam os seus adeptos, e se intimidam para defender o clube, é porque já desistiram de lutar e não se importam de continuar a iludir aqueles que ainda hoje acreditam nas suas capacidades. Não é o meu caso, actualmente, como bem devem saber.


Oriento-me por sinais, não por fezadas


PSV-FC Porto, 3-0
Ainda a época passada estava longe de terminar, já aqui tinha manifestado a minha descrença na equipa principal de futebol do FCPorto. Lamentavelmente tinha razão, e não ganhei nada com isso, só perdi. Mas também não andei a fazer de conta que não percebia o que estava a acontecer, nem me limitei a criticar o jogador A ou B, critiquei o responsável principal, com a mesma naturalidade, (embora com sentimentos diferentes), com que o louvei e apoiei quando o mereceu: Pinto da Costa.

Para meu desgosto esses sinais (ou a falta deles) continuam a manter-se, poucos dias antes de abrir a nova temporada, o que me leva a reforçar a convicção que o problema é mesmo de falta de liderança e de quem a sustenta.

Ainda é cedo para desanimar, mas continua a notar-se em muitos atletas defeitos e vícios de um passado já com 3 anos, que nenhum treinador foi capaz de corrigir, o que pode significar que a prospecção/contratação de jogadores pode ser a causa-mor dos contínuos fracassos da direcção portista. Por outras palavras, se calhar, nós adeptos, andámos demasiado tempo iludidos com a qualidade técnica e pessoal dos jogadores. Já na época passada passada foi assim. Começamos por dar o benefício da dúvida, ora porque ainda estávamos a começar a época, ora porque alguns atletas não tinham tido tempo para se adaptarem, e depois passámos o ano a viver decepções, umas atrás das outras, até à humilhação final. Sem um único troféu!

Vou aguardar pelos acontecimentos, mas sem qualquer convicção, nem confiança. Quando os líderes se encolhem, desprezam os seus adeptos, e se intimidam para defender o clube, é porque já desistiram de lutar e não se importam de continuar a iludir aqueles que ainda hoje acreditam nas suas capacidades. Não é o meu caso, actualmente, como bem devem saber.


12 julho, 2016

O "orgulho" do nosso descontentamento

Bidonville

Sou port(o)guês, não lisbonário, e a partir do momento em que concedemos ao Brasil o privilégio de adaptarmos a nossa língua [mãe] ao português escrito nesse país, também nós temos o direito de criar a nossa própria ortografia particular, concorde-se, ou não, é irrelevante.

O  programa  da  RTP, "Assim se fala em bom português",  é o que mais gozo me dá contrariar. E eu, vou contrariá-lo até morrer, escrevendo sempre conforme me ensinaram. O efeito instantâneo que esse programa em mim provoca, é mudar logo de canal, mas às vezes opto por ver até onde vai a insolência de quem anda a difundí-lo para melhor os  conhecer. Quanto mais insistem em desrespeitar os professores que nos ensinaram a escrever de uma determinada maneira sem preocupações com outras normas ortográficas, viessem elas do Brasil ou de Timor-Leste, mais eu vinco o meu port(o)guês "arcaico". O inglês também é falado de modo variado em imensos países anglófonos (incluindo os Estados Unidos) e nem por isso a ortografia foi objecto de qualquer alteração legal. Mas isso, são os ingleses, que têm uma ideia mais plausível do que é o orgulho nacional, ainda que nem sempre pelas melhores razões, diga-se.

Por falar em orgulho, passada a euforia natural da conquista do Euro de futebol, que até a mim que não vou em palhaçadas me comoveu - não ao ponto de ir  festejar para a rua com a bandeirinha na mão -, há coisas que me ultrapassam, que não consigo entender quando oiço certos portugueses pronunciarem essa poderosa palavra. Orgulho. A língua portuguesa, já alguém disse, é muito traiçoeira, mas esta é uma daquelas palavras que merecem ponderação acrescida antes de ser dita, até porque comporta pelo menos três traduções: vaidade, desdém, ou honra.  

Entendo bem os emigrantes, até porque eu próprio vivi e trabalhei em França ainda muito novo, embora pouco mais de três anos. Vivi em Paris, Lille, Tours e outras cidades menos relevantes, com tempo e oportunidades para me aperceber das dificuldades por que passaram esses nossos conterrâneos. Por aquela época havia um bairro em Paris conhecido por Bidonville (creio que não foi totalmente eliminado) que era praticamente só habitado por portugueses e magrebinos. Era constituído por minúsculas barracas com telhado chapado (como o da foto) sem quaisquer condições. Não foi o meu caso felizmente, porque tinha lá conhecimentos de amigos franceses, mas pude ver com os meus próprios olhos as privações porque passaram esses portugueses. Conheci gente muito boa, pura, corajosa, autêntica, mas também vi do pior, como é inevitável, nestas situações. Eram quase todos nortenhos, do interior, e muitos transmontanos.

Fálo-vos de um tempo em que não havia telemóveis para contactar a qualquer momento com a família, nem instrução primária para facilitar a adaptação ao país e à língua. A maioria dos emigrantes era analfabeta. Ajudei, tanto quanto pude os melhores, os que estavam lá para fugirem à miséria, aqueles cujo carácter não enganava ninguém, apesar da sua humildade. Foi lá que fiz as melhores amizades, aquelas que o tempo e as circunstâncias não são capazes de fazer esquecer.

Actualmente, os emigrantes já partem daqui com alguma formação básica, e outros até com formação superior, com meios que tornam a partida e a distância da terra mais toleràveis. Mesmo assim, a razão que os leva a sair do país é a mesma de outrora, se não pior: falta de  trabalho, e de salários dignos. Ora, quando um povo - e falamos de milhões de pessoas - se vê reiteradamente empurrado, convidado mesmo, a emigrar, por quem tudo devia fazer para o integrar económica e socialmente no seu país,  pergunto: de que tipo de orgulho estarão a falar os emigrantes? Do orgulho/desdém, do orgulho/vaidade, ou do orgulho/honra?

Dos três tipos de orgulho atrás citados o que menos me custa aceitar é o da vaidade. A vaidade, porque, não podendo ser o desdém, também não pode ser o da honra. Porque, apesar do sentimento de orgulho comportar alguma ambiguidade, tanto os portugueses emigrantes como os residentes não podem honrar-se de viver num país que nem depois de 42 anos de democracia conseguiu passar a fasquia da mediocridade. Construímos novas pontes e auto-estradas, mas o salário mínimo nacional permanece dos mais baixos da Europa "comunitária". Essa honra, esse orgulho, os emigrantes foram-na buscar a França e a outros países, que não ao seu.

Por isso, seria bom não confundir a terra, a aldeia, a família e os amigos, com o país, porque isso é emocionalmente legítimo, mas intelectualmente impróprio. A vaidade pela victória da selecção nacional de futebol, espelha e encobre ao mesmo tempo, o que nos falta conquistar como país socialmente harmonioso e justo.

É de um país assim que devemos ambicionar, porque ainda estamos muito longe de o ter. De resto, e em síntese, o orgulho, com toda a sua complexidade interpretativa, é acima de tudo um sentimento de suprema dignidade. E a dignidade de um povo, para se levar a sério, não pode ficar refém da conquista de troféus desportivos, embora saibam sempre bem. 

Cherne com lula-vampiro

Rui Tavares

Vamos ao que interessa. Era 1984 e a meia-final do Europeu de futebol. Os televisores de ambas as tabernas da aldeia ainda seriam a preto-e-branco, mas deu bem para ver que os dois golaços que o Jordão marcou contra a França nos davam uma superioridade estética perante os ressaltos e carambolas dos últimos seis minutos do prolongamento que nos tiraram o acesso à final e à glória. Doeu e ainda não foi esquecido.
Depois era 2000 e eu, chegado a Paris dois anos antes, todas as semanas atravessava a cidade para ver a bola com o André Belo, meu grande amigo, num clube de imigrantes portugueses de longa data. Num certo Inglaterra-Portugal para um outro Europeu de futebol, visto nesse mesmo clube, já perdíamos por 2-0 aos 20 minutos. Pior do que os golos dos ingleses eram os comentadores da televisão francesa, condescendentes e quase gozões com a nossa equipa — pelo menos até ao momento em que Luís Figo pega na bola a meio do campo e corre para a enfiar na baliza com um chuto de raiva. Calaram-se os comentadores, gritámos nós. Talvez nunca tenha visto aquela gente tão feliz como após a reviravolta com os elegantíssimos golos que vieram depois, de João Pinto e Nuno Gomes.
E não, não me obriguem a falar dessa meia-final de 2000 nem da famosa mão de Abel Xavier. Estou aqui nas horas antes da final do Euro, sou um daqueles adeptos que não quer morrer sem ver a seleção ganhar um título grande e vocês, a esta hora, já sabem se fomos campeões ou não.
É que se vamos falar de coisas tristes, admitamos o seguinte: ainda bem que esta é uma final entre futebolistas e não entre presidentes da Comissão Europeia. E mudemos de assunto para admitir — Durão não é nenhum Delors. O político português sempre sofreu com a comparação com o decano político francês mas acabou de pôr o último prego nesse caixão. Delors foi um verdadeiro líder da UE, que governou sempre com sentido de coesão e solidariedade; Delors não teria deixado, como Durão deixou, os governos rasgarem os tratados e usarem as instituições comunitárias para policiar e punir os estados mais endividados. Acima de tudo, Delors saiu para continuar a mobilizar gente pela causa europeia porque sabe que um ex-Presidente da Comissão Europeia não pode nunca, mas nunca, passar a servir um interesse privado extra-europeu.
Foi isso que aconteceu: o nosso cherne está agora ao serviço do banco que já foi descrito como “uma gigantesca lula-vampiro enrolada na cara da humanidade, com o seu tubo de sucção alimentar incansavelmente fossando em busca de tudo o que lhe cheire a dinheiro”. Os franceses são dos europeus mais escandalizados, e com razão.
Por isso falemos de coisas alegres — espero eu, já a poucos minutos de distância da final. Espero que a esta hora os nossos emigrantes em França estejam a chegar ao trabalho de peito cheio e sorriso de orelha a orelha. E se algum colega lhes disser que isto do Durão na Goldman Sachs é uma vergonha, que ao menos lhe possam responder: tens toda a razão. Mas nós temos a taça.
(Público)

11 julho, 2016

A minha alegria...


pela conquista do primeiro Campeonato Europeu de Futebol, não passa pelo histerismo mediático que se implantou no país, nem tão pouco pelo oportunismo daí decorrente. Já tinha escrito antes, e volto a escrever, que enquanto houver "jornalistas" a olhar para Lisboa como fosse nome de país e não de capital, e a usar o sucesso da selecção para promover os jogadores e clubes da 2ª. circular, nunca alinharei nessa euforia de falso patriotismo.

No que diz respeito ao feito desta selecção, há que louvar o espírito solidário e de resiliência, tanto dos jogadores (sem execepção) como do treinador Fernando Santos. Não venceu dando grandes espectáculos, é verdade, mas com o pragmatismo e o realismo dos grandes líderes. Por isso, digo com toda a franqueza, que apesar do histerismo a que atrás aludi, gostei daquele grupo de jogadores, todos, incluindo os que não tiveram oportunidade de jogar. Eles, só eles, o treinador e o público, mereceram esta grande alegria, mais que não seja por contribuirem para a moralização de um povo fustigado pelas contínuas trafulhices de governantes miseráveis. Destes portugueses sinto asco, um desprezo mortífero.

Como desprezo, o despropósito dos mesmos do costume (pasquineiros da imprensa, rádio e tv) de continuarem a promover os clubes da capital, com incidência tendenciosa para o Benfica, à pála da selecção como genuínos parasitas de fazer inveja aos xulos do Bairro Alto. Ainda agora, por altura da aterragem do avião que transportava a selecção no aeroporto de Lisboa, pudemos assistir a mais um golpe destes. Logo a seguir à abertura da porta de saída do avião, houve alguém que decidiu colar na fuselagem a fotografia do Eusébio como se ele fizesse parte da selecção. Isto, é não só uma falta de respeito pelos jogadores que acabaram de realizar este sonho, como pelo próprio Eusébio, que já cá não está entre nós, e que apesar de ter sido um grande jogador, tal como Ronaldo,  também não jogava sozinho e nem sequer conseguiu a mesma proeza da actual selecção, apesar da prematura publicidade dada a Renato Sanches, que como ontem se viu nem sequer foi dos melhores.

Mas é assim o fanatismo  centralista, lisboetizar um país quando devia uní-lo. A esses, dedico o meu maior e eterno desprezo.

06 julho, 2016

Do nacionalismo bacôco à propaganda vermelha


Resultado de imagem para equipamento selecção portuguesa 2016

Hoje, a selecção lisbonária vai jogar o acesso à final do Campeonato Europeu de Futebol. Podia chamar-lhe nacional, só que seria errado e patético. Por mais que simulem, por mais que tentem convencer-nos que há verdadeiro nacionalismo na comunicação social, quando aproveitam a ocasião para promover os jogadores do Benfica e ofuscar a importância do único portista (actualmente, Danilo), nunca me renderei a esta "causa". Durante todo o percurso da dita selecção, tudo fizeram para influenciar o povo e o próprio seleccionador na escolha do grupo que acabou por se constituir. Não estão aqui em causa os critérios do seleccionador nem os próprios jogadores eleitos (não são estes últimos que se auto-seleccionam), nem tão pouco a qualidade do futebol produzido, que em abono da verdade não é dos mais atractivos. O que está em causa é a desonestidade moral e intelectual dos mesmos de sempre: os pasquineiros, erradamente tratados como jornalistas. 

Os leitores sabem tão bem quanto eu, a publicidade sufocante feita ao actual menino querido do nacional-benfiquismo, Renato Sanches, de seu nome. Não é o moço que para aqui é chamado, que até me parece bom rapaz, e bom jogador. É a projecção que à boleia deste jogador querem dar ao Benfica. Só os portistas, e as pessoas realmente honestas, sabem que isto é indiscutivelmente real. E não é só com este jogador, é também com aqueles que, jogando agora noutros clubes estrangeiros, passaram antes pelo Benfica. Os elogios são mais que muitos. Foram eles, aliás, que inventaram os "Génios" da bola. Do falecido Eusébio (também gostei deste jogador, e da sua simplicidade tão antagónica ao Benfica), ainda se podia compreender a propaganda, apesar do exagero Panteão Nacional.. Mas o João Pinto? O Chalana? O Rui Costa? Génios? Só na cabeça deles. Foram bons jogadores, sim senhor, mas ao nível deles, e até superiores, também o FCPorto teve muito jogadores, e no entanto, não lemos nem ouvimos daquela seita mafiosa a mesma terminologia e publicidade.

Quando se trata de jogadores (ou, ex) do FCPorto, a terminologia é substituída preferencialmente pelo silêncio, ou então pela crítica feroz. "Normalmente", os defesas do FCPorto eram (e segundo eles, serão sempre) todos caceteiros. O Bruno Alves já não está no Porto, mas ainda tem esse rótulo. O Pepe, também foi brindado com estes piropos, mas agora, como está no Real Madrid, e na selecção, já não lhe poupam elogios. O Maxi Pereira fartou-se de dar porrada a sério no Benfica e ninguém por aquelas bandas mediáticas (e alguns, destas) abriu o bico para o criticar. Chegou ao FCPorto, e levou mais cartões em meia dúzia de jogos que durante as 7, ou 8 épocas que esteve no Benfica. É desta mentalidade impostora e facciosa que não gosto. É deste postiço sentido pátrio que tenho repulsa, vergonha mesmo de ser português. Com esses, nunca estarei. Estarei sempre, sempre contra eles. Nunca os apoiarei em circunstância alguma. Eu, tenho memória, ao contrário do que parece ter acontecido com o presidente do FCPorto...

Mas, como aquele conjunto de atletas não tem voto na matéria nestas coisas (enfim, não têm mas deviam lutar contra esta discriminação), não pularei de alegria se logo formos eliminados. Mas, para que conste, se o País de Gales passar, não ficarei muito triste, porque, a par da Islândia (menos madura que o P. de Gales, mas de uma dignidade invejável), foi a selecção que mais gostei de ver jogar neste Europeu. Mais do que a própria Alemanha!

Por isso, que ganhe o mais competente.
  

05 julho, 2016

Os sancionalistas


03 julho, 2016

Condado Portucalense



Condado Portucalense


Alguns anos mais tarde, em 1096, descontente com as políticas bélicas de Raimundo, Afonso VI entrega o Go-
verno do Condado Portucalense ao primo de Raimundo,
Rei da Galiza, o Conde D. Henrique de Borgonha, juntamente com a sua outra filha, D. Teresa, passando assim a ser Conde de Portucale. 
Na prática, o Condado Portucalense deixava de ser dependente do Reino de Galiza, para prestar vassalagem directamente ao Reino de Leão, o que provocou um grande descontentamento entre a nobreza galega.
Deste condado, nasceria o reino de Portugal. D. Henrique governou no sentido de conseguir uma completa autonomia para o seu condado e deixou uma terra portucalense muito mais livre do que aquela que recebera. Aquando a morte de D. Henrique (1112), sucede-lhe a viúva deste, D. Teresa, no governo do condado durante a menoridade do seu filho Afonso Henriques. 

Aos catorze anos de idade (1125), o jovem Afonso Henriques, com o apoio da nobreza portuguesa, arma-se a si próprio cavaleiro – segundo o costume dos reis – tornando-se assim guerreiro independente. A posição de favoritismo em relação aos nobres galegos e a indiferença para com os fidalgos e eclesiásticos portucalenses por parte de sua mãe, D. Teresa, originou a revolta destes, sob chefia do seu filho, D. Afonso Henriques



01 julho, 2016

Reconquista


Reconquista
 

(Capítulo IV)

Al-Andalus (em árabe: الأندلس) foi o nome dado à Península Ibérica pelos seus conquistadores islâmicos do século VIII, tendo o nome sido utilizado para se referir à península independentemente do território politicamente controlado pelas forças islâmicas.
Com a reconquista dos territórios pelos cristãos, descendentes dos godos, que se refugiaram na região das Astúrias, no norte da península, num processo que ficou designado historicamente por Reconquista, o nome Al-Andalus foi-se adequando ao cada vez menor território sob ocupação árabe-muçulmana, na metade sul da península, aproximadamente a mesma área da antiga província romana Hispânia Bética, cujas fronteiras foram progressivamente empurradas para sul, até à tomada de Granada pelos Reis Católicos.
Em 718 Pelágio, chefe dos Visigodos, aproveita a desorganização muçulmana e dá inicio a um processo de reconquista dos territórios hispânicos, que iria durar cerca de oito séculos. Não se sabe muito sobre Pelágio: o nome não é gótico: os autores de pequenas crónicas escritas pelo fim do século IX e no X procuram relacioná-lo com os antigos reis visigodos, para estabelecerem uma relação entre os guerrilheiros montanheses e a «restauração» do Cristianismo em Espanha. Um escritor árabe coevo diz que se tratava de um galego. Um historiador moderno supõe que seria um servo que se conseguiu impor aos companheiros no período de crise que seguiu a queda da monarquia; um outro considera-o um nativo das Astúrias; outros autores consideram que Pelágio era duque da Cantábria, parente, segundo a tradição, do rei Rodrigo.
Pelágio seria então o chefe daquele heróico grupo de montanheses (ástures e cántabros) que escaparam à dominação árabe da Península, refugiados nas montanhas quase inacessíveis das Astúrias. 

É em 722 que ocorre a primeira grande vitória dos Cristãos contra os mouros, na Batalha de Covadonga; dá-se assim a derrota dos muçulmanos. Alexandre Herculano considera que o ardil de guerra que deu a vitória a Pelágio tem muito de comum com aquele que Viriato pusera por vezes em prática, cerca de novecentos anos antes.
 


29 junho, 2016

Suébia




Capítulo III
Suébia

Com o declínio do imperio romano, um nova força politica surge no Norte, que veio trazer velhos custumes anteriores à presença romana.
Os Suevos eram um dos povos Germanos oriundos da região entre os rios Elba e Oder. O historiador romano Tácito chegou a referir-se a todos os Germanos de além-Elba como "Suevos". Mais tarde, e com outras tribos de diferentes etnias, participam na fundação da Suébia no sul da Alemanha.

Chegam à Península Ibérica em 409, juntamente com outros invasores germânicos –Vândalos, Alanos e mais tarde os Visigodos – afluem ao sul dos Pirenéus e fundam um reino, com capital em Bracara Augusta, o qual, na sua máxima extensão, englobava a totalidade da província da Galécia e a parte norte da Lusitânia, até ao Tejo. O território mais a sul foi ocupado pelos Visigodos. Os Suevos instalaram-se principalmente em torno de cidades como Bracara Augusta 8 o rei Suevo Hermenerico ratifica a paz com os povos Galaicos e, criando uma aliança com as populações locais, misturaram-se formando um só povo, o Regnum da Suébia.
Em 448 Réquila morre, deixando um estado em expansão a seu filho Requiário que, sendo católico, vai impor esta crença à população sueva. A população urbana da Galécia era já predominantemente católica. A cidade de Braga como capital do reino Suevo e sede episcopal ganha grande importância, a qual ainda hoje é visível no carácter metropolita da sua Sé, primaz entre as dioceses do Noroeste peninsular.