20 dezembro, 2016

Habemos Porto, no Porto Canal?

Quando um clube como o FCPorto tem um presidente que ainda há pouco tempo afirmou numa entrevista ao Porto Canal que as arbitragens não tinham piorado, e passado umas semanas se queixa de 15 grandes penalidades não assinaladas a favor do nosso clube, é caso para perguntar o que o fez ver só agora, o que todos os portistas viram desde o início da temporada. Que confiança nos pode inspirar um homem que muda de opinião tão abruptamente? Deixo a resposta ao critério dos leitores.

A minha opinião já a revelei, mas para que não hajam dúvidas, vou recordá-la: foi a blogosfera azul e branca! Sim, os blogues, esses mesmos a quem Pinto da Costa e o director geral do Porto Canal não "passam cartão", não lêem, embora toda a gente os conheça. Mas, pronto, como diz o ditado, só não mudam os burros, embora quando mudam, nem sempre tenham a nobreza de carácter para reconhecer que erraram.

O jogo de ontem com o Chaves (terra natal de meu pai, que era um portista ferrenho), provou, comprovou e confirmou, que os árbitros estão notoriamente empenhados e comprometidos com o clube do regime. Se há uns que disfarçam melhor a missão de que estão incumbidos, outros roubam à descarada, provocam até, e indignam qualquer espectador idóneo que acompanhe os jogos do FCPorto.

De tantas vezes o repetir, por uma questão de seriedade, estas constatações não são meras desculpas, são factos muito graves que mancham a tão badalada verdade desportiva daqueles que menos autoridade moral têm para a pronunciar (que enfie a carapuça quem se doer).

Por isso, apesar de estarmos a ser muito desconsiderados pelo senhor presidente, que agora só tem olhos para os super-dragões, ainda bem que a nossa resiliência e os nossos comentários fizeram abrir os olhos a quem teimava em mantê-los fechados. E ainda bem, porque agora já podemos assistir a alguns programas e debates onde esta questão dos árbitros começa a ser comentada sem medos nem mariquices, e com alguns testemunhos técnicos e visuais extremamente úteis. É por demais previsível que esta postura provoque uma reacção violenta e tipicamente manipuladora aos nossos inimigos, mas nada temos a temer quando a razão está do nosso lado, que é o lado dos factos, ou seja, sem precisar de argumentos. É uma boa oportunidade que daremos aos homenzinhos da Federação e das arbitragens se retratarem e testar até onde pode ir a sua desfaçatez.

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Fernando Gomes
(Presidente da Federação Portuguesa de Futebol)


























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José Fontela Gomes
(Presidente do Conselho de Arbitragem)


No  programa "Universo do Dragão" transmitido ontem depois do jogo no Porto Canal, apreciei tudo o que lá foi debatido, com particular relevo para o ex-jornalista da RTP, José Cruz e Rita Moreira, que não hesitaram em manifestar toda a indignação que lhes ia na alma. É bom sinal. Pena é, que tenhamos de pagar 3 épocas de verdadeiras pilhagens com influência nos resultados financeiros.

PS-Dos quatro presidentes aqui plasmados, só um tem afinidades com o FCPorto. Não consta que tenha usado a sua influência para beneficiar o clube onde trabalhou. Os demais, sabe-se, à boca pequena, que são todos benfiquistas (e qual é o problema?!)... 

Face ao que se tem passado com as arbitragens, umas, a levar o Benfica ao colo, e outras, a prejudicar exuberantemente o FCPorto, não será caso para pensar num cozinhado previamente marinado. Se foi, quais foram as contrapartidas? 

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Pedro Proença
(Presidente da Liga)


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José Meirim
(Presidente do Conselho de Disciplina)





16 dezembro, 2016

A reforma que não existe (II)

David Pontes
(JN)
Às vezes, desculpem lá, tem mesmo de ser. Temos mesmo de nos fazer os chatos do "eu não vos dizia?" Não para enaltecer as nossas qualidades de videntes, mas para tornar bem claro que há comportamentos que estão escritos nas estrelas e que por muito que deem palha ao burro ele só come se quiser.

Em abril deste ano, escrevi, numa crónica com o mesmo título desta, sobre a morte anunciada da reforma do Governo para as áreas metropolitanas (AM) que, nas palavras do ministro Eduardo Cabrita, faria com que os eleitores tivessem "quatro boletins de voto" nas próximas eleições autárquicas.

Depois de meses de propostas e reuniões, António Costa despejou a banheira e o bebé no último debate quinzenal, deixando cair a eleição direta dos líderes das AM em "benefício de um maior consenso". O consenso já sabemos qual é: em ano de eleições autárquicas ou quando estamos na Oposição, somos a favor da descentralização, depois no Poder é só uma questão de promessa não cumprida.

Para além da conceção esdrúxula desta reforma, já se tinha percebido que dificilmente a solução colheria os votos do PCP ou do PSD e que o presidente da República (que no passado torpedeou a regionalização) dificilmente deixaria passar uma lei sem que ela tivesse a aprovação de dois terços da Assembleia. António Costa, hábil como poucos, remeteu agora a questão para os presidentes das AM a quem convidou para apresentarem as suas propostas aos grupos parlamentares. Reparem, o primeiro-ministro socialista faz depender uma reforma que inscreveu no programa do Governo da iniciativa de um presidente de câmara do PSD e de um independente...

Resta-nos pois esperar que o bom senso de Hermínio Loureiro e de Basílio Horta ajude a que se avance alguma coisa na definição de competências de um organismo que ainda pode melhorar muito. Talvez possamos cultivar uma ténue esperança que a experiência autárquica do primeiro-ministro o incentive a dar alguns passos na descentralização do Estado para os municípios.
Mas se olharmos para a forma como esta "reforma" foi descartada, se lhe somarmos a vontade de, a bem da "geringonça", não ter grandes picardias eleitorais com o PCP, é plausível dizer que um partido, que nem candidato próprio terá na segunda cidade do país, não diz "que se lixem as eleições" autárquicas, mas andará perto de querer levantar ondas o menos possível no próximo ano eleitoral.


Veja as diferenças e as incoerências...



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Como  há dias aqui escrevi,  e é simples de  comprovar, o Jornal de Notícias 
voltou hoje de novo "à carga", colando na página de Justiça o nome de Pinto 
da Costa e de Antero Henrique, despudoradamente e a despropósito... 

A despropósito, para o leitor atento, porque não se consegue enxergar nada de 
novo  nesta  notícia  comparada com a  primeira (pelas minhas contas,  esta  é 
para aí  a sexta!).   O  texto é praticamente o  mesmo.  Sendo uma  não notícia,
é porém bem objectiva nos seus desígnios, que é manter os nomes do presiden-
te portista e do ex-director desportivo do FCPorto sempre ligados ao mundo do 
crime. 

Por outro lado, surge outra não notícia, mas com contornos opostos, que mais
não é que uma nova versão do colinho ao Benfica, agora na página desportiva,
ironicamente o jornal eleito por Pinto da Costa para dar uma entrevista quando 
tinha o Porto Canal para o fazer.

Calculo que tudo isto tenha a ver com aqueles jogos de intrigas entre compadres
desavindos, mas convenhamos, é feio de mais para ser tolerado, quer a Pinto da 
Costa, quer especialmente ao Jornal de Notícias,  último baluarte do jornalismo
portuense, agora visivelmente dominado por centralistas, de cá, e de Lisboa.  

PS-Chamo a vossa atenção para a ambiguidade, para não dizer, para
o português abstracto do texto sobre a suspensão do "Orelhas" 

15 dezembro, 2016

Salários de miséria

Rafael Barbosa

1 É um dos mais duros retratos da nossa miséria. Segundo o gabinete de estatísticas da União Europeia (Eurostat), Portugal é um dos países com maior desigualdade salarial, ou seja, em que é maior o fosso entre os que ganham menos e os que ganham mais: os 10% de trabalhadores do fundo da tabela recebem, em média, 3,3 euros por hora; os 10% de trabalhadores do topo da tabela recebem, em média, 14,4 euros por hora, quase cinco vezes mais. Acresce que, feitas as contas, a média está nos 5,1 euros por hora (rendimento bruto a que ainda há que descontar os impostos e as contribuições para a Segurança Social). Como alertava o professor João Loureiro, aqui no JN, o que estes números nos dizem é que aquilo a que chamamos salário mínimo nacional se está a transformar em salário comum. O cenário piora quando se fazem comparações com outros países. Na Suécia, o país da UE em que a desigualdade salarial é menos acentuada, os 10% de trabalhadores mais "pobres" recebem quase tanto por hora como os 10% de trabalhadores portugueses mais "ricos". Números que ajudam a explicar por que razão, em Portugal, ter um trabalho já não constitui uma garantia de uma vida digna. Nos últimos anos aumentou sempre o número de pessoas que, mesmo trabalhando, vive abaixo do limiar da pobreza: são agora 11%.

2 O Bloco de Esquerda fez uma lista de todas as medidas que o Governo PSD/CDS e a troika implementaram, ao longo últimos anos, com a intenção de promover o que chamaram "desvalorização interna", eufemismo para a desvalorização dos rendimentos do trabalho e consequente empobrecimento dos trabalhadores, com o que se pretendia tornar o país mais competitivo. Mas, para além da lista, o Bloco fez também algumas contas, concluindo que, por via das alterações à legislação laboral (menos dias de férias, mais horas de trabalho, redução da remuneração por horas extraordinárias, redução das indemnizações por despedimento, etc...), terá havido uma transferência de rendimentos do trabalho para o capital de cerca de 2,3 mil milhões de euros. Não posso garantir que as contas do BE estejam certas mas, até ao momento, ninguém as desmentiu. E talvez valha a pena notar que, se forem verdadeiras, isso equivale a um desvio de cerca de 511 euros de cada um dos 4,5 milhões de portugueses empregados (incluindo os precários) para os respetivos patrões. Percebe-se assim melhor porque resistem as confederações patronais ao aumento de 27 euros no salário mínimo nacional. Mais um euro por dia no bolso dos trabalhadores representa menos uns milhões nas contas bancárias de um bom número de empresários. Quem não estiver contente com estes salários de miséria pode sempre abandonar a sua zona de conforto e emigrar para a Suécia.

(do JN)

Obs.-
Será que os portugueses pensam, quando falam do orgulho nacional?

13 dezembro, 2016

Os blogues para Pinto da Costa são anónimos...


Prezados portistas,

sócios, não sócios, super-dragões e colectivo ultras-95,

todos nós, pelo menos os portistas que escrevem e comentam na blogosfera, devemos ser uns facciosos, uma versão dragoniana do calimerismo do futebol luso. 

Digo devemos ser, porque quem o insinuou, não fui eu, foi o presidente Pinto da Costa, na décima resposta que deu  à entrevista de ontem no JN. À questão, se "considerava que o actual presidente do conselho de arbitragem da FPF, Fontela Gomes tinha trazido melhorias à arbitragem portuguesa", Pinto da Costa disse que ainda era cedo*para fazer uma análise ao trabalho do referido conselho, que era prematuro estar a fazer comparações com o presidente anterior...

Percebo, a  resposta tão comedida, mas não a aprovo, porque não deixa de ser uma resposta conveniente, de quem parece ter abdicado da sua própria autoridade na defesa do FCPorto e de fazer depender dos humores dos responsáveis federativos o critério de isenção que lhes incumbe, por dever. Tão pouco aceito, como portista, que faça indirectamente dos adeptos um grupo de alienados menos "tolerantes" que ele, porque é inegável que estes últimos anos temos sido indecentemente prejudicados por arbitragens habilidosas, muitas delas com influência directa na classificação geral, o que, a não acontecer, podia ter-nos valido um, ou mais campeonatos. Isto, repito, pela enésima vez, independentemente dos erros desportivos e da qualidade dos nossos planteis e treinadores. Não conheço nenhum portista que não assuma os deméritos competitivos próprios, mas também que não concorde (sem fanatismos) que temos sido constantemente lesados, e ofendidos na nossa própria dignidade enquanto pessoas. E o senhor presidente parece não querer saber disso para nada.

Portanto, o senhor Pinto da Costa está a mentir, quando dá respostas desta natureza. Mente, e ofende-me, enquanto adepto. Mente igualmente a todos os adeptos, mesmo que atrás de uma pseudo estratégia de puxa-saco, para ver se comove os elementos da Comissão de Arbitragem a desistir da pilhagem clara e óbvia em que estão empenhados. Se P. Costa não deu estas respostas de má fé, então é porque anda a ver mal e deve tratar dos olhos.

Há pergunta 13ª, "Tem sido criticado por não falar mais das arbitragens", a resposta foi sintomática: «o que vamos dizer? o que se passou em Chaves foi uma vergonha e toda a gente viu que estava a ser de mais. Continuo a não encontrar explicação para aquela arbitragem, mas os árbitros não vão deixar de errar. Só os animais não erram.».  Mas, o que é isto, senão uma desastrada contradição? Então, diz que não vê explicação para a arbitragem em Chaves? Só essa? E as outras, foram todas erros humanos? Ou não será antes um pretexto do senhor presidente para justificar o afastamento do FCPorto da Taça de Portugal? Esqueça, afinal, como diz, com uma coerência invejável, «só os animais não erram...». Portanto, já ficamos a saber com o que podemos contar. Só lá mais para o fim da temporada é que V. Exa. irá dar a sua opinião sobre a competência do actual presidente da Comissão de Arbitragem. Ou seja, quando e se, já não houver um único troféu para vencer. Perfeito.

Na seguinte questão, o entrevistador insistiu: "Mas reconhece que há adeptos do FCPorto que exigem mais...". Pinto da Costa não esteve com meias medidas: «As pessoas que querem dar opinião têm um sítio para o fazer, dando o rosto nas Assembleias Gerais. Agora, aproveitar os sites e os blogues... Tudo o que não tem um rosto não me diz nada. Criei neste mandato o provedor do associado, que uma vez por semana passa uma tarde no Dragão a receber as pessoas, estamos abertos às críticas, mas não as que aparecem nos sites.»  

Ainda bem que actualmente não sou sócio, mas também pode estar descansado que não me vou inscrever de propósito só para lhe responder como merece. Mas respondo-lhe aqui para lhe dizer que a sua sabedoria em matéria de comunicação pode levá-lo a cometer mais asneiras. É que os blogues, ao contrário do que afirmou, têm um administrador com rosto (está aqui mesmo a minha foto) devidamente identificado pela Google, com residência e nº. telefone, não são geridos por anónimos, como alguém de má fé o informou.

E já que puxou mais uma vez pelos cordões da arrogância, permito-me responder-lhe da mesma moeda, dizendo-lhe que se houve um veículo de comunicação que muito se bateu para que o Porto Canal promovesse programação para defender o clube da discriminação a que continua a ser sujeito, foram os BLOGUES, não foi a televisão, nem a rádio, nem o JN. Jornal de Notícias esse, que de vez em quando, e a despropósito até, se lembra de colocar o seu nome "respeitosamente" na página dedicada à Justiça...

Os jornais sim, são a sua praia, a sua cadeira de sonho. Talvez eu entenda agora porque convidou os amigos da BOLA para a gala dos Dragões de Ouro  (que prestigiante!).

Olhe, para falar francamente, já não sei é o que pensar de si. Estou decepcionado. Quem o viu, e quem o vê.

* é uma verdade, que a Taça de Portugal se finou muito cedo...


   

12 dezembro, 2016

Até o masoquismo tem limites, Julinho!

Por mais que me esforce, não sei onde pretende chegar o director-geral do Porto Canal com o tempo de antena dedicado ao Benfica. Não sei, mas sei a indignação que me causa ver um canal cujo dono maioritário tem sido reiteradamente desconsiderado pelos representantes do Benfica a falar dele como os media centralistas. Às vezes, deixam a ideia que ignoram o nome do principal patrão, que quem lhes paga o salário não é uma sociedade desportiva chamada FCPorto.

O comentador do Porto Canal não se limitou a dar-lhe tempo de antena, exaltou o Benfica com elogios pouco adequados a um canal propriedade do FCPorto... Foi isso mesmo que vi agora mesmo no jornal da tarde. Quem quiser confirmar, é só fazer uma consulta no guia da NOS, ou da MEO, para ficar esclarecido. Não vou alimentar mais ilusões àcerca da bondade da opção editorial Generalista/FCPorto, porque da forma como este negócio está a ser gerido a incompatibilidade é factual, salta a olhos vistos. 

Júlio Magalhães podia informar os espectadores sobre tudo, e todos, até sobre o Benfica, se soubesse fazê-lo com a discrição meteórica que uma notícia dessas "merece". Agora, pôr um gajo qualquer a tecer loas sobre um escabroso adversário da casa que lhe paga o salário, já não é liberdade de expressão, é atiçar os portistas contra o próprio canal. Como interpretar esta patética forma de informar, quando nem a própria RTP, canal pago por TODOS os contribuintes, tem destas gentilezas com os portistas? Esta cínica mania de querer agradar a gregos e troianos nunca deu bons resultados, não é agora que a lenda vai mudar.

Igual perplexidade senti, quando  hoje li a contra-capa do JN a anunciar o  lançamento do projecto Novo JN Directo, com uma entrevista a Pinto da Costa! É impressionante a desfaçatez com que gozam com o Presidente do FCPorto na cara dele. Passam o tempo, dias e dias, a fio, a envolvê-lo, e ao próprio FCPorto em casos de polícia, e o presidente consente caladinho. O JN passou a dar mais protagonismo ao Benfica que ao FCPorto, e ninguém parece incomodar-se com a "renovação editorial". Mesmo assim, o antigo guerreiro do FCPorto deixou-se seduzir pela "honra" do convite, parecendo não perceber que eles querem é vender papel à custa dele e dos portistas, com o velho ardil do cravo e da ferradura.

Tornámo-nos nuns artolas. Que vontade eu tenho ainda de emigrar.

11 dezembro, 2016

Quem inventou o Trump?

Há uma espécie de concurso entre as elites europeias e americanas de esquerda: quem insulta mais Donald Trump? Quem consegue escolher os epítetos mais violentos? Racista, boçal, cretino, sexista, corrupto, inculto e xenófobo estão entre os mais utilizados. Isto para além das classificações brandas de fascista e populista.

No entanto, o problema não é o de qualificar Trump nem de sublinhar a sua incultura e a sua falta de sofisticação. O problema consiste em saber por que razão foi eleito. Contra a opinião sondada e publicada, este senhor foi escolhido por 60 milhões de americanos que, creio, não são todos racistas, machistas, bandidos, milionários, fascistas e corruptos. E, se fossem, a questão era ainda mais difícil: como é possível que houvesse tantos assim?

O problema não é o de classificar os defeitos de Trump e seus apoiantes nem de mostrar como são violentos, intolerantes, xenófobos e déspotas. O problema é o de saber por que razões perderam os virtuosos, os democratas, os liberais, os intelectuais, os jornalistas e os artistas. O problema é o de saber por que razão os pobres, os desempregados e os marginalizados não votaram em quem deveriam votar, isto é, em quem pensa que a solidariedade, a segurança social, o emprego e a igualdade são exclusivos dos democratas e das esquerdas.

As esquerdas em geral, incluindo artistas, intelectuais, jornalistas, liberais americanos e progressistas europeus, não suportam não ter percebido nem ter previsto o que aconteceu. Como não admitem que são, tantas vezes, responsáveis pelas derivas políticas dos seus países.
Já correm pelo mundo explicações fabulosas sobre estas eleições. As mais hilariantes são duas. Uma diz que, além dos machistas e dos racistas, votaram em Trump os analfabetos, os desesperados, os marginalizados pelo progresso, os desempregados e os supersticiosos. A outra diz que o fiasco das sondagens, dos estudos de opinião e dos jornalistas se deve ao facto de os reaccionários terem vergonha de dizer em quem votariam! Por outras palavras: quem não presta votou em Trump; e quem votou em Trump enganou-nos!

Tal como os democratas em geral, as esquerdas atribuem sempre as culpas das suas derrotas aos defeitos dos outros, da extrema-direita, dos ricos, dos padres, dos fascistas, dos proprietários, dos patrões, dos corruptos e agora dos populistas. Não pensam que os culpados são ou também são eles, os democratas, ou elas próprias, as esquerdas. Raramente se dão conta de uma verdade velha, com dezenas de anos, mas sempre esquecida: as democracias não caem por serem atacadas, não são derrubadas pelos seus inimigos, caem por sua própria responsabilidade, porque enfraquecem, porque se dividem, porque perdem tempo e energias com quezílias idiotas e porque deixam que o sistema político perca de vista as populações. Também, finalmente, porque acreditam nas suas virtudes, porque confiam na sua racionalidade e porque consideram que têm o exclusivo da bondade e da compaixão.

As esquerdas (nas suas versões americana e europeia) apresentam-se cada vez mais como uma soma de sindicatos e de clientelas: mulheres, negros, operários da indústria, desempregados, pensionistas, homossexuais, artistas, intelectuais, imigrantes, latinos ou muçulmanos. Todas as minorias imagináveis, incluindo as mulheres que o não são. Às vezes, resulta. Mas acaba sempre por não resultar. As esquerdas abandonaram as ideias e os direitos universais dos cidadãos e valorizam as suas circunstâncias étnicas, sociais ou sexuais. Como também abandonaram a capacidade de pensar a identidade nacional, entidade ainda hoje vigorosa e reduto de referências pessoais e culturais.

Acima de tudo, a arrogância e a superioridade moral, cultural e política das esquerdas têm destes resultados: afastam-nas do povo e favorecem os inimigos da democracia.

(António Barreto) 

09 dezembro, 2016

Um aviso à navegação

Domingo, o FCPorto desloca-se ao campo do Feirense para cumprir a 13ª. jornada da Primeira Liga. O jogo terá início pelas 16H00, duas horas antes do jogo entre vermelhos e verdes, o que significa que, caso saibamos corresponder às expectativas, podemos terminar o encontro reduzindo a distância pontual entre ambas as equipas, ou pelo menos, de uma delas.

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Árbitro Luís Ferreira, nomeado para o Feirense-FCPorto
Não pedimos que o magnífico jogo do FCPorto com Leicester, enfeitado por 5 golos de categoria, se repita, porque cada jogo é um jogo, e porque, independentemente do valor do Feirense ser muito inferior aos reservas do Leicester, temos a obrigação de ganhar. Para isso, convirá não esquecer que estamos em Portugal (lamento muito escrevê-lo, mas é verdade), num país onde as malhas do centralismo ocuparam totalmente o futebol, transformando as arbitragens em autênticos golpes mafiosos a pleno céu aberto para benefício do Benfica. Nem em Itália, terra de origem de Al Capone, consta que o futebol esteja tão minado por arbitragens manhosas, como neste país cinicamente considerado de brandos costumes...

Concluindo: o FCPorto tem de se precaver, não esperando que o árbitro,  seja ele qual fôr, venha instruído para marcar todas as faltas a nosso favor, como aconteceu com o árbitro alemão  no jogo com o Leicaster, ou como o que apitou o do Roma. O que vai acontecer, será mais do mesmo, ou seja, o árbitro apitará as faltas demasiado óbvias, esquecerá outras, e deixará passar a maioria. Não sou eu quem profetiza, são eles próprios que tratam de nos dar essas certezas, jornada após jornada. Como não são estúpidos de todo, ainda que desavergonhados, o mais certo, é que o árbitro nomeado alterne a acumulação de faltas perdoadas ao adversário, com a mostragem de uns inócuos cartõezinhos amarelos, lá mais para o final do tempo complementar... 

Todas as equipas rivais do FCPorto sabem disso. Não o transmitem, porque isso seria honestidade a mais para o nosso futebol (país), mas todos sabem que os árbitros na dúvida, a nós só nos prejudicam, por isso, os adversários não hesitam em dar-nos porrada da grossa nas suas barbas, tornando as accções ofensivas da nossa equipa numa tarefa muito mais árdua do que seria com árbitros bem nascidos. Não será essa a principal causa do longo jejum de golos dos nossos jogadores, mas é sem dúvida uma das causas, quiçá a mais grave.

Espero que Nuno Espírito Santo e os próprios jogadores tenham percebido a diferença entre jogar cá e jogar lá fora, e que todos estejam devidamente acautelados para o que nos espera. Temos de jogar intensamente, metendo o pé, mas lealmente, evitando que a mão pesada dos árbitros e dos cartões se vire contra nós. Pressionar alto, nunca desistir de ganhar a bola e chutar para a baliza como se ela fosse do tamanho do mundo.

Só assim, ela entrará na baliza. Enfim, com muita confiança.  

07 dezembro, 2016

FCPorto 5 - Leicester - 0



São dispensáveis os comentários. Só tenho a dizer, confesso que com grande desgosto, que se este mesmo jogo fosse arbitrado pelo melhor dos árbitros portuguêses, o resultado seria impossível. Não porque o árbitro alemão tivesse beneficiado o FCPorto, porque não é assim que gostamos de vencer, mas pela soberana razão de nos ter calhado um árbitro HONESTO  e competente (nem se deu por ele). Assim mesmo, HONESTO, com maiúsculas!

Estão a ver a frequência com que o André Silva é atropelado pelos adversários no nosso transparente campeonato, dentro e fora da área? Estão? Agora, contem as faltas que têm sido poupadas aos nossos adversários e tirem as vossas conclusões.

Que esta exibição seja para repetir e que os fantasmas tenham sido definitivamente afastados.

PS-Grande jogo colectivo e  individual. O golo do Corona é o meu eleito. À inglesa, sem preparação.

O Porto Canal já arrancou a mordaça? Espero bem que sim

Digam o que disserem, os blogues, sendo simples dispositivos de comunicação, vão fazendo o seu papel, conquistando o seu espaço, e tentando influenciar positivamente a opinião pública e as elites locais nas várias áreas da vida da nossa cidade. Por mais que tentem desvalorizar a blogosfera, está provado que actualmente são os blogues os únicos "media" verdadeiramente autónomos com liberdade e coragem para lutar contra o despotismo centralista.

O Renovar o Porto tem procurado, como sabe e pode, dar o seu pequeno contributo para atingir esse objectivo, criticando quando tem de criticar, mas também louvando e dando sugestões. Na área do desporto, não nos cansamos de sugerir, um melhor aproveitamento do Porto Canal para defender o FCPorto da discriminação e das arbitrariedades com que nos têm "mimado". Escrevemos inúmeros posts sobre o assunto, propondo debates, denunciando, expondo imagens, tirando partido das novas tecnologias para desmentir as opiniões manipuladas dos jornais e televisões do regime. Finalmente, parece que fomos ouvidos. Este trabalho teve o mérito de ser partilhado por muitos outros blogues, o que abona da importância do colectivo (tal como no futebol...), só é pena que não nos tenham dado ouvidos mais cedo. Mesmo assim, ainda há muito caminho a percorrer.

Mesmo que nos neguem essa influência, pela minha parte não me apoquento, desde que o Porto Canal, a partir de agora, dedique mais tempo a olhar mais para a cidade do Porto e para o FCPorto e que responda sem rebuço aos atropelos dos juízos que nos fazem, não com a mesma moeda, porque essa é falsa, mas com a moeda da verdade.

Ontem, no programa Universo Porto onde participaram o ex-jornalista da RTP José Cruz, Francisco Marques do Dragões Diário e Bruno Magalhães, moderado por Paulo Miguel Castro, foram abordados temas muito importantes. Discutiram-se as polémicas arbitragens mais recentes com requintada ironia, mas com a seriedade devida. Cronometrou-se o tempo de jogos desperdiçados pelos adversários do FCPorto (no caso, o guarda-redes Marafona do Braga) com o consentimento dos árbitros. Abordou-se a contratação dos ex-árbitros António Rola e Cosme Machado pelos rivais de Lisboa, enfim, uma série de casos que têm afectado frequentemente o nosso clube. 

José Cruz afirmou algo que não sendo propriamente uma novidade, é elucidativo do estado de resignação a que os portuenses chegaram. Disse ser muito diícil resistir a esta discriminação devido à comunicação social estar nas mãos de 3 ou 4 grupos económicos. Faltou dizer que grupos são esses. É que, mesmo que não possamos travar esta prepotência pelo poder que detém, denunciá-la é já um bom passo que se dá para os pôr em respeito. Os grupos económicos têm os seus representantes e de certeza que não vivem só das fontes que sustentam, os seus interesses são mais abrangentes. Sabendo-se controlados, é possível que comecem a sentir algum desconforto e a ter mais cuidado. 

A pior coisa que se pode fazer é ceder à opressão do dinheiro. Pode estar apenas nas mãos de uns poucos, mas antes de aí chegar, passa pelas mãos de todos nós, e eles sabem-no. De qualquer modo, o Porto Canal deu-nos razão, admita-o, ou não.

05 dezembro, 2016

CENTRO HISTÓRICO DO PORTO É PATRIMÓNIO MUNDIAL HÁ 20 ANOS


Tenho um hábito comigo, que não sei explicar muito bem, que é desconfiar do lançamento de foguetes, antes de saber onde é a festa. Só sei, é que, ao contrário do que acontece com a sorte, pressinto os inconvenientes das euforias mediáticas quando não as vejo sustentadas em fundamentos sólidos, e nestes casos, acerto quase sempre.

Ninguém, mais do que eu, portuense, portista, bairrista (e cosmopolita), se empolga quando lê e ouve, coisas elogiosas sobre o Porto e a região. Agora, esta história de se andar a dizer que "o Porto está na moda", pode, ao primeiro impacto, parecer  uma coisa boa, mas não deixa de me soar estranho comentar a nossa cidade como se tratasse de uma casa de alta costura. As modas são isso mesmo, modas apenas. Renovam-se continuamente para promover o consumo, nada mais. 

Uma cidade, não pode traduzir-se nestes termos, porque o Porto é sobretudo a sua gente. E porque não quero que o Porto seja apenas um capricho de momentos, sujeito a ocasionais ditaduras inspiradas em modas, preferia um slogan mais apropriado e intemporal. O Porto é eterno, não anda ao gosto de quem quer. Em vez de se dizer que o Porto está na moda, devía optar-se por clamar que "o mundo despertou para o Porto", porque a cidade está no mesmo sítio onde sempre esteve. Se esteve fechada tanto tempo foi porque não nos deixaram ir mais além (o centralismo dos governantes).

Pragmaticamente, o Porto modernizou-se (há que reconhecê-lo), sobretudo nestes três anos de mandato de Rui Moreira. A reabilitação urbana avança, o centro histórico regenerou-se a olhos vistos, a actividade cultural saiu da mediocridade inspirada no La Féria (de Rui Rio) para patamares de excelência, e a baixa nunca esteve tão pujante de povo de todo o mundo. Para além de isto, houve dois factores fundamentais responsáveis pela ideia parva de relacionar a moda com o Porto, como seja a modernização do Aeroporto Sá Carneiro (com os vôos low cost), complementada com a implantação do Metro. Estas duas obras, foram as principais dinamizadoras responsáveis pela "descoberta" da cidade para o Mundo. Tudo o resto já cá estava, não fossem as políticas mesquinhas centralistas e o Porto hoje estaria ainda melhor. 

De resto, as minhas únicas inquietações nesta matéria, prendem-se com o fundamental: a população. Urge incentivar o regresso dos portuenses ao centro da cidade, criando fórmulas acessíveis à habitação. O Porto tem de ser uma cidade multi-classista, com gente de diferente matiz. Esta onda algo obssessiva de impulsionar o turismo está a inflaccionar o valor das rendas e a obstar o repovoamento da cidade. É um problema que deve merecer a atenção de Rui Moreira, de modo a evitar que o desenvolvimento do Porto aconteça da pior maneira engendrando uma cidade comercial sem gente para a consumir. Os turistas, vão e nem sempre regressam. Os habitantes são potenciais clientes, não vitalícios, mas para a vida.

PS-Não liguem a este meu estilo de falar frequentemente na primeira pessoa, porque tenho sempre de admitir que nem todos concordem comigo, apesar de sermos todos portuenses. 




02 dezembro, 2016

As frases ôcas de Pinto da Costa são a sua nova imagem de marca

"No último jogo, eles deram um exemplo fantástico do que é o amor ao clube. Quem gosta do FCPorto, tem de apoiar, mas nós sabemos que nem toda a gente que vai ao estádio do Dragão é do FCPorto. É por isso que se ouvem assobios ao primeiro passe errado, mas os SuperDragões abafam-nos imediatamente com o seu apoio".

Foram estas, entre outras, as palavras que Pinto da Costa usou na festa dos 30 anos da claque SuperDragões. Palavras merecidas, porque é um facto que os SD têm sido inexcedíveis no apoio ao clube, deslocando-se incansavelmente para todo o lado, dentro e fora do país, para darem força e moral às equipas do FCPorto. Contra isso, nada, tudo a favor. Só que, o senhor presidente do FCPorto, ultimamente, fala muito do que lhe convém, e pouco, ou nada, do que interessa a todos os portistas, incluindo os SuperDragões. 

Por exemplo, devia explicar-lhes seriamente o que se passou durante estes últimos 3 anos para que a equipa principal não tenha produzido o rendimento a que estávamos habituados, quer em termos qualitativos, quer classificativos. Todos nós sabemos que não se pode vencer sempre, porque os nossos rivais directos têm as mesmas pretensões. Mas, três anos sem ganhar um campeonato, com grandes probabilidades de chegar ao quarto, já justificariam uma outra postura no relacionamento com os adeptos que não o silêncio, a indiferença, ou processos de mudança pouco convincentes. E quando falo em adeptos, falo dos sócios, dos não sócios, dos superdragões, dos colectivo-ultras 95, enfim, de todos os que amam efectivamente o FCPorto.  

Um clube com a dimensão do FCPorto alberga todo o tipo de simpatizantes, não sendo portanto de estranhar que alguns tragam consigo as limitações intelectuais que a natureza lhes deu. Estão neste grupo, os assobiatores de combustão acelerada que, antes mesmo dos jogos começarem já estão a afinar a melodia. A mim, também me irritam, mas dizer que eles não são do FCPorto, é deitar areia para os olhos dos portistas, é dividí-los. É o mesmo que insinuar que só pode haver um modo de amar as coisas, mesmo que essa "coisa" se chame FCPorto.  

Também eu posso estranhar o modo como o senhor Pinto da Costa assume os seus compromissos amorosos, mas isso não me dá o direito de afirmar que não os leva a sério. Cada um tem a sua maneira própria de viver e manifestar afectos, ninguém tem o direito de se achar melhor que os outros. E a ser verdade o que disse, que os assobiadores não são portistas, que o prove, e os afaste do Dragão, pois nós não queremos ter inimigos dentro de casa.

É que, às tantas, esses assobiadores podem ser sócios pagantes. E das duas, uma: ou decidem identificá-los, e os aconselham a alterar o comportamento, caso sejam mesmo portistas (P. da Costa disse que sabia que não eram), ou se não forem, expulsam-nos e abdicam das cotas que indevidamente receberam de sócios que sabiam ser falsos portistas.

Não podemos é andar a fazer estas tristes figuras, de falar só para não estar calado. Não é assim que se unem os portistas, não é assim que se apoia o clube. E já agora senhor Presidente, porque anda tão calado com a roubalheira de que o FCPorto tem sido vítima? Terá voz para responder a isto?

PS-Pensando melhor, acho que estou a perder o meu tempo. O senhor presidente disse que não lia blogues (tal como o Julio Magalhães do Porto Canal), mas a verdade é que alguém o(s) anda a influenciar... Agora (talvez já seja tarde), começam a fazer debates no Porto Canal sobre as arbitragens. 

Se não somos nós a influenciá-los, quem será? Os jornais?! As redes sociais? Humm, não sei como.

30 novembro, 2016

Centro Hospitalar do Porto é o melhor do país



O Centro Hospitalar do Porto voltou a ser distinguido como o melhor hospital entre os maiores do país.


O Centro Hospitalar Póvoa de Varzim / Vila do Conde, os hospitais de Cascais e de Braga e a Unidade Local de Saúde de Matosinhos completam o "TOP 5" dos melhores hospitais do Serviço Nacional de Saúde.

Os prémios do "Top 5'16 - A Excelência dos Hospitais" atribuídos pela multinacional IASIST foram entregues, ao final da manhã desta terça-feira, em Lisboa, na presença do secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo.

À exceção do Hospital de Cascais, todos os outros vencedores são da região de saúde do Norte.
O Centro Hospitalar do Porto - do qual faz parte o Hospital de Santo António, o Centro Materno - Infantil do Norte e o Joaquim Urbano - e o Hospital de Braga, gerido em parceria público-privada pela José de Mello Saúde, consolidam o reconhecimento, repetindo o primeiro lugar dos respetivos grupos.
Na avaliação da IASIST, empresa que se dedica à realização de estudos de benchmarking na área da Saúde, os hospitais são divididos em cinco grupos, definidos segundo critérios da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), e comparados com outros de mesma dimensão e nível de diferenciação.

Em cada grupo são nomeados três finalistas, entre os quais é escolhido o vencedor.
O estudo avalia o desempenho dos hospitais em 2015, analisando indicadores de qualidade assistencial (índices de mortalidade, de complicações, de readmissões e de cesarianas) e indicadores de eficiência (índices de demora média, de cirurgia ambulatória, número de doentes por médico e por enfermeiro e custos operacionais por doente padrão).

No grupo das maiores e mais diferenciadas unidades do país, o Centro Hospitalar do Porto bateu-se na final frente ao Centro Hospitalar de São João e ao Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.
O Hospital de Braga voltou a destacar-se diante dos finalistas Centro Hospitalar Tondela - Viseu e Hospital Espírito Santo, em Évora.

A Unidade Local de Saúde (ULS) de Matosinhos destronou a ULS do Alto Minho, que tinha ficado em primeiro lugar no ano passado e este ano estava novamente nomeada para a final. Neste grupo das Unidades Locais de Saúde estava também nomeada a ULS do Nordeste.

O Centro Hospitalar Póvoa do Varzim / Vila do Conde venceu os finalistas Hospital de Santa Maria Maior, em Barcelos (vencedor 2015) e o Hospital de Vila Franca de Xira.

O Hospital de Cascais conquistou o lugar que no ano passado tinha sido ocupado pelo Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa. Neste grupo tinha sido também nomeado o Hospital Beatriz Ângelo, em Loures.

Todos os hospitais do Serviço Nacional de Saúde aceitaram participara no estudo "Top 5 - A excelência dos hospitais portugueses".

Apesar de a ACSS definir um grupo dos institutos de oncologia (Porto, Coimbra e Lisboa), o desempenho dos IPO não são analisados neste estudo da IASIST.

Do futebol deprimente para as modalidades brilhantes

Acho que já não vale a pena falar do futebol sénior do FCPorto, tal é a desorientação da equipa e do treinador. De qualquer maneira, é inevitável destacar os pontos mais fracos que o futebol de Nuno Espírito Santo revela. 

Aqui vão:
  • Sector ofensivo do meio campo sem rotinas de movimentos consolidadas nas desmarcações
  • Extremos impreparados para cruzar para a área adversária com regularidade (acontece uma vez por outra). A qualidade dos centros também nem sempre é a melhor.
  • Pouca velocidade nos lances de ataque, inviabilizando os contra-ataques, facilitando assim a vida ao sector defensivo dos adversários
  • Chuta-se muito pouco, fraco, mal, e sem convicção. Tudo indica que há um défice de confiança tremendo nesse aspecto, a baliza torna-se um pesadelo para os avançados. Mesmo com espaço para chutar, preferem endossar a bola a um colega marcado de perto por um defesa.
  • Pressão alta inócua e casual
Exceptuando a decadência da SAD, são estes, quanto a mim, os principais problemas do FCPorto que me parecem caber ao treinador corrigir. Duvido que o NES seja a pessoa certa para dar a volta à situação, mas acho que não devemos esquecer que esta inconsistência de jogo já vem de trás, pelo menos, dos tempos de Paulo Fonseca, Lopetegui e Peseiro, porque na verdade nenhum conseguiu acabar definitivamente com vícios que ainda persistem, entre os quais pontuam os passes para trás e para o lado.  Podemos alegar que nos falta um ponta de lança com créditos firmados, e é verdade, mas a jogar desta maneira decerto não teria muitas chances para marcar golos. Tudo isto resumido, está preparado o caldo ideal para colocar em causa a qualidade de todosos jogadores, incluindo os defesas. O sector recuado tem tido o mérito, mas também a sorte, de não sofrer muitos golos, mas bastaria aos adversários marcar apenas um para ser todo posto em causa.

Ora, aceitando que haverá meia dúzia de jogadores no plantel sem perfil técnico e psicológico para jogar no FCPorto (dos bons tempos), outros há (a maioria) que o têm, por isso daqui concluo que os treinadores de hoje já não perdem muito tempo a preparar e rectificar individualmente os pontos fracos dos atletas, o que leva a admitir estar instalada uma uniformização dos métodos de treino insuficiente para solucionar estes problemas. Estas conclusões podem ser imprecisas, admito, mas sem podermos ver com os nossos próprios olhos como treinam os técnicos, é impossível avaliar melhor.

Para terminar, gostaria apenas de dizer que lamento que o andebol, e o hóquei em patins, não rendam tantos euros como o futebol, porque estaríamos bem de finanças. Ao contrário do que sucede no futebol, tanto o Hóquei como o Andebol do FCPorto possuem excelentes planteis. Dá gosto ver como têm evoluído os jogadores de uma e outra modalidade, e a qualidade de espectáculos que proporcionam aos adeptos. Ambos os treinadores têm-se revelado extraordinários (Ricardo Costa, e Guillem Cabestany). Oxalá não se deixem infectar pelo vírus depressivo instalado no futebol sénior... Seria o caos. Para eles, os meus parabéns e votos de felicidade. Merecem-no. Isto, independentemente do que possa acontecer no futuro, porque não será por falta de qualidade que não serão campeões nacionais e talvez (quem sabe?) mais qualquer coisa...
Plantel de Hóquei em Patins do FCPorto

Plantel de Andebol do FCPorto


  

29 novembro, 2016

NORTE FOI O GRANDE MOTOR DA RECUPERAÇÃO ECONÓMICA DE PORTUGAL


A região Norte foi o “principal motor de crescimento da produtividade” no país durante o período de recuperação económica, concluiu uma análise aos resultados de 10 anos do relatório Norte Conjuntura da CCDR-N.
“Dada a dimensão económica da região do Norte, esta região foi o principal motor de crescimento da produtividade em Portugal”, indica em comunicado a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), responsável pelo relatório trimestral que completa 10 anos, assinalados com um ciclo de conferências que termina esta quarta-feira.
Numa análise aos dados estatísticos, reunidos durante os 10 anos do relatório, “conclui-se que a produtividade aparente do trabalho era na Região do Norte a quarta maior em Portugal em 2015 e cresceu 6,5 por cento entre 2008-2015, acima da média nacional”.
“O setor das indústrias transformadoras destaca-se claramente com um contributo relativo de 7,3 por cento. Sem este contributo, a produtividade total das empresas da região do Norte teria tido um decréscimo em vez dos +6,5 por cento verificados”, indica o relatório.
Já no chamado período de recuperação económica, entre 2012 e 2015, a produtividade na região “cresceu 8,0 por cento, bem acima da média nacional (5,2 por cento) e da NUTS II de Lisboa (1,8 por cento)”, acrescenta a CCDR-N.
Comparando indicadores estatísticos, nos 10 anos em causa o Norte perdeu pouco mais de 1.300 empresas (uma diminuição de 0,3 por cento entre 2008 e 2015), o que compara com as mais de 100 mil (8,3 por cento) que se extinguiram a nível nacional no mesmo período.
Já em termos de pessoal ao serviço, entre 2008 e 2015 o Norte registou uma redução de 80 mil trabalhadores, uma taxa de variação de -6,3 por cento, a menor quando comparada com outras regiões e mesmo a nível nacional.
No período de recuperação económica, a variação acumulada de pessoal ao serviço nas PME foi de 72.524 em Portugal e de 55.891 no Norte, de onde se conclui que “a Região do Norte contribuiu com 77,1 por cento para esse acréscimo nacional”, indica o relatório que junta 10 anos de indicadores económicos.
Em termos setoriais, os setores de atividade que mais contribuíram para a redução do pessoal ao serviço no Norte entre 2008 e 2015 foram o da Construção (-5,4 por cento), o das Indústrias Transformadoras (-3,0 por cento) e do comércio.
Quanto a gastos com pessoal por pessoa empregada (que inclui remunerações, contribuições para a segurança social, fundo de pensões, entre outros) os verificados na região do Norte só foram superados pela região de Lisboa em 2015.
Já numa análise a 10 anos, entre 2008-2015, estes gastos cresceram 8,4 por cento no Norte, contra 6,2 por cento em Portugal.
Em matéria de exportações, conclui a CCDR-N que “as empresas nortenhas demonstraram que foram capazes de reagir rapidamente à diminuição de atividade sentida em 2009, como consequência da crise internacional”.
“Logo em 2010, as empresas do Norte voltaram a exportar mercadorias num valor relativamente próximo do de 2008 e em 2011 voltaram a ter um crescimento muito acentuado”, destaca.
Estes e outros indicadores relativos à “resiliência e à capacidade exportadora” que as empresas do Norte de Portugal demonstraram nos últimos 10 anos de Norte Conjuntura serão apresentados pela CCDR-N esta quarta-feira, pelas 15h, no Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões, em Matosinhos.

28 novembro, 2016

O Porto votou SIM à Regionalização no referendo de 1998



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As 5 regiões teriam simplificado as coisas
Há um livro, chamado Constituição da República Portuguesa, ao abrigo do qual, todos os governantes e presidentes da República, nos respectivos actos de posse, prestam juramento de defender, cumprir e fazer cumprir, o que lá vem exarado.

A Constituição de 1976 foi lavrada dois anos após o 25 de Abril, data que  marca oficialmente a época da democracia em Portugal, vindo substituir a Constituição do Estado Novo de 1933. Quarenta e três anos de ditadura depois, parecem não ter sido suficientes para que os redactores da constituição democrática de 1976, tivessem plena consciência da importância de lá inserirem o Artº. 256º, do Capítulo IV, com estes três simples pontos:
  1. As regiões administrativas serão instituídas simultaneamente, podendo o estatuto regional estabelecer diferenciações quanto ao regime aplicável a cada uma.
  2. A área das regiões deverá corresponder às regiões plano.
  3. A instituição concreta de cada região dependerá do voto favorável da maioria das Assembleias municipais que representem a maior parte da população da área regional.
Como disse anteriormente, 43 anos de centralismo salazarista, com tudo o que isso teve de retrógrado, não bastaram para tirar as dúvidas aos políticos "democráticos" do pós Abril de 1974, com uma proposta referendária à regionalização (em 1998) desde logo envenenada, não fosse o próprio texto um convite ao fracasso. A saber:
  • «Concorda com a instituição em concreto das regiões administrativas ?»
  • «Concorda com a instituição em concreto da região administrativa da sua área de recenseamento eleitoral ?» (pergunta apenas colocada aos cidadãos recenseados em Portugal Continental)
Num país onde, apesar do referendo, se continua a não querer esclarecer a população sobre as vantagens da regionalização, dando como exemplo a maioria dos países evoluídos da Europa, tal reforma só terá sucesso se forem os próprios cidadãos a exigirem-na, em vez de a questionarem. Mas para isso, têm de se interessar pela causa, não podem ver no futebol a solução para os problemas políticos e sociais. Porque, está visto e provado que os políticos de todos os partidos não querem a regionalização, dado que isso ia obrigá-los a governar melhor, a terem de apresentar serviço junto dos eleitores, enquanto assim, como as coisas estão, sempre podem governar-se dentro dos partidos, movendo influências aqui e ali, pulando da política para os Bancos, ou grandes empresas, dos ministérios para a UE  (sempre apunhalando o povo), até à cadeira de sonho da Goldman Shachs (só um pequeno e vergonhoso exemplo)... 

É no entanto falso que os portuenses tenham votado NÂO no referendo à regionalização. O SIM, venceu no Porto, em Matosinhos e Gondomar. Obtiveram muito bons resultados Gaia, Maia e Valongo (e Vila do Conde). O NÂO prevaleceu no distrito de Braga e na Beira Litoral. As regiões de Trás-os-Montes e Alto Douro e Beira Interior conseguiram melhores resultados que  Entre Douro e Minho e Beira Litoral. No Algarve, houve um empate entre o SIM e o NÂO, e só o Alentejo respondeu SIM às 2 perguntas, bem como no distrito de Setúbal partilhado com Lisboa e Alentejo.

Portanto, sem negar a incompreensível indiferença dos nortenhos em geral por estas importantes causas (sobretudo entre Douro e Minho, com Braga à cabeça), mesmo assim houve muita gente a votar SIM. Não foi suficiente para ganhar, mas a pergunta devia ter sido mais simples e com mapas mais englobantes (5 regiões). Depois, houve a abstenção... Como devem intuir a essas eleições não me furtei, compareci, e comparecerei sempre que fôr preciso. Mesmo assim, ainda alimento a esperança que a pouca vergonha das arbitragens contra o FCPorto, bem como a despudorada e prostuída comunicação social "nacionalista", tenham aberto os olhos aos eleitores portistas e respectivas famílias por forma a que, se houver novo referendo (o que duvido), dessa vez, votem em massa no SIM.

Independentemente destas malabarices constitucionalistas, de consultas referendárias oportunistas, a Constituição permite revisões pontuais aos seus articulados, mas sempre no sentido evolutivo, não o contrário. O referendo, foi para mim, o maior atestado de desonestidade que a classe política passou a si mesma. Depois, os Dias Loureiros, os Relvas, os Sócrates, os Coelhos, os Duartes Limas, os Barrosos desta vida, estão aí para confirmar a tendência para a traição (e não só...).

Obs,- Depois da Constituição de 1976, fizeram-se 7 revisões (1988/1989/1992/1997/2001/2004 e 2005)