02 fevereiro, 2017

Uma pipa de massa

Rafael Barbosa*

1 Sabe quem é Jaime Andrez? Provavelmente não. Mas devia. Porque este gestor público está sentado em cima de uma pipa de massa: 4141 milhões de euros, o montante de fundos europeus atribuídos ao programa de Competitividade e Inovação. O gestor do Compete vai tomar, em cinco anos (2016-2020), decisões sobre como, onde e junto de quem se vai aplicar o equivalente a 21 anos de orçamentos do Município do Porto (se tivermos em conta o valor previsto para 2017, que é de 207 milhões de euros). Sendo que, apesar da relativa pequenez orçamental, e ao contrário do que acontece com Jaime Andrez, o leitor sabe bem quem é Rui Moreira. Sabe o que pensa o presidente da Câmara do Porto, sabe as decisões que toma e porque as toma, sabe quais são as suas prioridades, sabe quase tudo sobre como, onde e junto de quem aplica o dinheiro público que lhe é confiado. A mesma leitura se pode fazer relativamente a Gabriela Freitas, a gestora do Programa de Desenvolvimento Rural, que guarda nos seus cofres 4058 milhões de euros (Eduardo Vítor Rodrigues teria de estar 25 anos à frente da Câmara de Gaia para aspirar ao mesmo); Joaquim Bernardo, gestor do Capital Humano, fiel depositário de 3096 milhões (28 anos de Eduardo Pinheiro em Matosinhos); Helena Azevedo, da Sustentabilidade e Eficiência, com um tesouro de 2253 milhões (22 anos de Ricardo Rio em Braga); e Domingos Lopes, da Inclusão e Emprego, com 2130 milhões para distribuir (Rui Santos teria de estar 71 anos à frente da Câmara de Vila Real para lá chegar).

2 O Governo socialista tem em marcha um projeto de descentralização que implica a transformação das comissões de coordenação e desenvolvimento (CCDR) em protorregiões. A vingar a proposta do PS, as CCDR absorvem tarefas e financiamento de uma série de direções regionais na área do ambiente, da cultura, da mobilidade e transportes, da educação, da agricultura e da economia. Mas, mais importante, ficarão com a gestão dos fundos europeus referidos acima. O projeto é ambicioso e representa na verdade uma regionalização encapotada. Porque agregada a estas mudanças está a eleição indireta (um colégio de autarcas) dos futuros presidentes regionais. A fórmula eleitoral é excêntrica e medrosa (só se percebe que não haja sufrágio universal por medo das reações à regionalização). Mas a fórmula político-administrativa é pelo menos mais transparente do que a atual. Particularmente no que diz respeito ao Norte, Centro e Alentejo, as regiões destinatárias dos fundos europeus, atualmente geridos a partir de Lisboa, por uma legião de centenas de técnicos, através de estruturas opacas e processos ininteligíveis, que o cidadão não é capaz de fiscalizar. Numa palavra, de forma antidemocrática.

* EDITOR EXECUTIVO (JN)

01 fevereiro, 2017

Portugal, o país do(s) porreiro pá

Resultado de imagem para um portugues orgulhoso
Protótipo do "bom" português


Já aqui ironizei várias vezes com a infantilidade do nosso povo quando lhe pedem para falar de Portugal. Provavelmente, a avaliar pelos sinais que continua a transmitir, nada mudou.

Embrutecidos pelo poder dos media (que é cada vez mais intenso), manipulador, centralista e fanfarrão, as pessoas esquecem a sua própria natureza e a do país real, para se focarem nos clubes de futebol privilegiados da capital como se isso fosse a salvação das suas vidas. Com Mourinho (do pós FCPorto...), com Ronaldo - depois de Eusébio -, e um campeonato europeu no papo, ficam assim reunidas as condições para se sentirem os melhores do mundo e arredores. 

Os portugueses, salvo algumas excepções, perderam o que de melhor tinham, e hoje só vemos praticamente gente aparvalhada, e desprovida de sentido cívico. Ignoram, também por culpa própria, que quando abrem a boca para darem largas ao seu "orgulho" nacional de forma tão imprudente e por coisas tão fúteis como as atrás citadas, estão com isso a dizer (sem o perceber) aos políticos que os desgorvenam, que podem prossseguir nessa empreitada. E os políticos, agradecem, claro.

Não gosto de generalizar virtudes, nem defeitos. Desconfio sempre dos extremos. A expressão "somos os melhores do mundo", avaliada num momento de euforia, é inofensiva. O pior, é quando ela é assimilada à letra, depois de ultrapassado o momento que a justifica, porque deixam de olhar para a realidade das suas vidas para a escudar na clubite imposta por terceiros. Este é um dos grandes cancros do centralismo, abastarda a vontade natural das populações e depois serve-se delas.

São contradições deste cariz que me levam a rejeitar a ideia muito propagada que os portugueses não sabem dar valor ao que de bom se faz no próprio país, quando olhando para as coisas realmente importantes, verificamos que em 42 anos de democracia uma parte substancial do povo se orgulha de viver num país onde:
  • o salário mínimo nacional é dos mais baixos da Europa
  • a corrupção é constante na classe política, empresarial, judicial e desportiva
  • o fosso entre pobres e ricos está sempre a aumentar
  • o centralismo promete mudança, mas continua a crescer (vidé TAP...)
  • morre muito mais gente de frio que nos países nórdicos 
  • a democracia é aviltada e a Constituição ignorada
Num país com todos estes gravíssimos problemas eternamente por resolver, com Mourinhos e Ronaldos, continuamos a ter motivos para nos envergonharmos do que na realidade somos. Pela minha parte, é apenas vergonha que sinto.  

31 janeiro, 2017

As canalhices da TAP

Cristiano Vanzeller
(Quinta do Vale D. Maria,
produtor de vinho do Douro)

[CLICAR NA IMAGEM]

As viagens de longo curso da TAP são mais baratas a partir de Vigo, em Espanha, do que do Porto, que após várias simulações, conclui que a diferença pode ir dos 100 euros até aos 600 euros, avança o Jornal de Notícias, esta terça-feira.

O ponto de partida é sempre o mesmo, em que  se viaja até Lisboa para apanhar um outro voo em direção ao destino final e depois fazer o mesmo percurso no sentido inverso. Nas simulações realizadas pelo Jornal de Notícias (JN) na plataforma online da TAP e nas efetuadas por agências de viagens, é quase sempre mais baixo iniciar a viagem em 
Vigo do que no Porto.

O JN indica ainda, que uma viagem de ida e volta (a 10 e 17 de junho) para Boston, Estados Unidos da América, a partir do Porto custa 810 euros e que a mesma viagem partindo de Vigo custa 710. De referir também que para Nova Iorque indo do Porto custa 745 euros, mas partindo de Vigo já custa 655. Isto sempre com escala em Lisboa e nas tarifas económicas.

[Porto Canal]



Nota de RoP:

Rui Moreira tinha toda a razão quando afirmou que havia uma estratégia para esvaziar o Aeroporto Sá Carneiro, usando-o como plataforma de vôos obrigatórios para Lisboa. 

A outra, é saturar a Portela para justificar (mais uma vez) a construção de um novo aeroporto para Lisboa. O que terá a dizer a isto o ex-vereador Rui Sá que só sabe criticar e olhar para as coisas que Rui Moreira não faz, sem ter a dignidade de louvar o muito que já tem realizado? 

E António Costa, o que terá a declarar sobre este paradigmático exemplo de "descentralização" de uma empresa participada pelo Estado? Estará Costa contaminado pelo síndroma Scollari, que via «o Porto lá ao longe»?

29 janeiro, 2017

Nuno Espírito Santo, é medroso ou incompetente?



No futebol, como na vida, tudo é possível. Possível, mas muito pouco provável, é esperar que os caprichos da sorte devam sobrepor-se à inteligência sempre associada com a determinação, quando se pretende atingir determinados objectivos.  Por aquilo que já me cansei de ver, e constatar, é que, foi exclusivamente na sorte que Nuno Espírito Santo decidiu apostar para atingir os objectivos do FCPorto que, naturalmente, consiste em ganhar títulos (no plural).

Sinceramente, posso vir a enganar-me, mas já dei por mim a questionar-me se Nuno E. Santo  assumiu conscientemente o seu papel treinador do FCPorto, no qual, aliás foi também jogador, ou se aceitou o cargo para fazer experiências técnicas e tácticas como se estivesse a lidar com um grupo de jovens da formação. De tanto falar na juventude do plantel, vou-me convencendo que o faz para camuflar a sua própria insegurança para a eventualidade de as coisas lhe correrem mal. Será que é por se lembrar do afastamento precoce das duas competições (Taça de Portugal e da Liga), que enfatiza a juventude da equipa? Se é, por que não assume a vontade de vencer, estabelecendo o padrão de jogo e os jogadores que mais garantias de êxito lhe dão?

Nuno, ainda não percebeu que esta teimosia de jogar sem extremos não é o caminho mais certo para lhe garantir os golos que ele próprio reconhece escassearem. Ou melhor, insiste neste método vezes sem conta, e sem grandes resultados, e com isso faz o favor de oferecer aos adversários, no mínimo, metade do tempo de jogo, o que significa, dar-lhes muitas oportunidades para discutir taco a taco o resultado. Esta indefinição no sistema de jogo, é para mim a principal causa da instabilidade exibicional da equipa com as consequências que sabemos. Dou de barato, que jogando assim, com a tal posse de bola estéril , possa sofrer menos golos, mas a verdade é que também marca menos, porque abdicando de extremos que cruzem para a área, torna muito previsível e mastigado o ataque. Estamos fartos de ver que assim, os adversários ficam de frente para os nossos jogadores (que ainda por cima são lentos e nem sempre assertivos na troca de bola), tornando-lhes a tarefa de evitar golos relativamente simples.

Ainda ontem, tivemos essa prova. Quando NES mudou a equipa, tirando o Diogo Jota e fazendo entrar Brahimi já tinham passado 35m da 1ª. parte e o segundo golo já foi marcado em tempo de compensações. Ainda assim, tardiamente, marcamos 2 golos, mas foram os dois golos que nos permitiram superar o 1 marcado pelo Estoril. Ou seja, é fundamental ter uma defesa coesa e atenta, mas é fundamental privilegiar com um pouco mais de coragem o ataque, caso contrário nunca mais sairemos  deste sistema de jogo angustiante e chato, sobretudo para os adeptos.

A nossa inquietude de adeptos, é resultante de vários equívocos. Estes últimos, não têm origem nossa, são provocados pela SAD, A contaminação das consequências é que nos atinge também. Gostava de adivinhar o que Pinto da Costa pensa deste futebol made in Nuno E. Santo! Não deve andar longe do que a maioria dos portistas pensa, suponho. Apenas com sentimentos diferentes. É que nós, não temos a compensação mágica que advém dos euros...  

26 janeiro, 2017

Samir, o sudanês

Rafael Barbosa (JN)
1 Enquanto escrevo, as televisões dão em direto o debate parlamentar em que se discute se a TSU dos patrões deve ou não baixar, para compensar a subida do salário mínimo de 530 para 557 euros. Só os vejo, não os ouço. Os dedos em riste, as expressões faciais vincadas, os sorrisos irónicos ou cínicos, os aplausos entusiasmados aos chefes. O culminar de quatro semanas de troca de argumentos, de cambalhotas políticas e acrobacias retóricas. Os entendidos chamam a isto debate político. Olhando para as bancadas do Parlamento, assim, sem som, diria que é um teatro. Um teatro absurdo, se tivermos em conta que, na sua origem, está, afinal, se é ou não possível pagar mais um euro por dia a cerca de 650 mil trabalhadores. Gente pobre e explorada que vai continuar a ser pobre e explorada.

2 Enquanto escrevo e olho de relance as televisões, intuindo os decibéis produzidos pelo entusiasmo dos tribunos, recordo o relatório da Oxfam (organização não governamental dedicada ao combate à pobreza e à desigualdade) segundo o qual os oito homens mais poderosos do Mundo acumulam tanta riqueza como os 3600 milhões de pessoas que fazem parte da metade mais pobre da humanidade. E lembro-me, concretamente, de que no segundo lugar, entre os oito empreendedores, está o espanhol Amancio Ortega. E não posso deixar de pensar que é o multimilionário dono do grupo Inditex quem verdadeiramente beneficia do miserável salário mínimo que se paga em Portugal. Mais do que o patrão da pequena ou média empresa têxtil do Vale do Ave que esmaga os preços para conseguir a encomenda da Zara.

3 Enquanto escrevo e observo os gestos quase cacofónicos dos parlamentares, recordo a história de Samir, lida umas horas antes. O rapaz de 17 anos que fugiu à guerra e à fome no Sudão, atravessou o deserto até à costa líbia, fez-se ao Mediterrâneo até Itália, calcorreou a Europa do Sul para o Norte, até ficar encurralado na "Selva" de Calais. Nunca chegará à terra prometida. Morreu este mês, num centro francês de acolhimento para menores, de ataque cardíaco, poucos dias depois de lhe dizerem que o Reino Unido recusava o seu pedido de asilo. É assim, este admirável mundo novo: a riqueza não se partilha, protege-se com muros e arame farpado ou usando os cofres virtuais dos paraísos fiscais. Vivemos o que a Oxfam batiza como a era "dourada" dos super-ricos, alicerçada em dogmas que nenhum político no poder, incluindo os populistas, quer ou pode contrariar: o mercado tem sempre razão e o papel dos governos deve ser minimizado; as empresas têm de maximizar lucros e garantir maiores vantagens para os acionistas, seja qual for o custo; a riqueza individual (mesmo a extrema) é um sinal de sucesso.

* EDITOR-EXECUTIVO

25 janeiro, 2017

Ainda o «Universo Porto de Bancada»

Resultado de imagem para Joaquim Oliveira e Octávio Ribeiro do CM
Joaquim Oliveira
(O ressabiado)


Resultado de imagem para Joaquim Oliveira e Octávio Ribeiro do CM
Octávio Ribeiro
(a vergonha-mor do Correio da Mentira) 

Não sei se a decisão de denunciar o trabalho sectário das arbitragens, e as suas ligações impúdicas ao Benfica, ainda vem a tempo de remediar os danos causados ao FCPorto,
o que sei é que devia ter começado, pelos menos, há cerca de 3 anos atrás. Nem importa para o caso especular se com arbitragens isentas e competentes, teríamos sido campeões, o que realmente interessa é garantir que os árbitros actuais tenham comportamentos idóneos à altura daquilo que se lhes exige. 

É por tudo isto que o FCPorto não pode recuar na empreitada de acusar quem deve ser acusado, desde que o faça criteriosa e fundamentadamente, sem exageros, mas com toda a seriedade, determinação e objectividade, de molde a contribuir para o princípio de uma lavagem radical nos bastidores do futebol potuguês, que, como bem sabemos, está minado de oportunistas um pouco por todos os seus departamentos. 

Será uma luta árdua, e provavelmente solitária, dada a boçalidade intelectual de alguns clubes nortenhos, incapazes de se unirem para formar uma frente comum de combate contra os habituais artifícios do centralismo. São boçais, porque já deviam ter aprendido que para Lisboa só existe Lisboa, e o(s) seu clube(s) fétiche, o Benfica, os restantes, serão sempre isso: o resto. Mas, não. Pensam que, juntando-se a eles, seguindo cobardemente o lema "se não podes vencê-los, junta-te a eles", ganham alguma coisa com isso. Até podem ganhar pontualmente, com um ou outro "arranjinho", mas na volta vão ser tratados como nos tratam a nós, portistas. Ainda vamos ver esse filme, estou certo.

Mas, é assim mesmo, só podemos contar com nós. Salvo uma grande surpresa (que se saúda), teremos de estar preparados para ir à luta, contra tudo e contra todos, fora do campo, mas não podemos desistir. Pugnar para que não hajam árbitros a gritar vivas ao Benfica nas redes sociais, para que se abram processos a clubes que oferecem vouchers a arbitros e privam com traficantes de droga (porta 18), baseados em factos e não em conspirações como fizeram ao FCPorto com o Apito Dourado, e nunca desistir enquanto não vislumbrarmos seriedade na resolução destes vergonhosos problemas. Sanear a Federação Portuguesa de Futebol, terá de ser a exigência mínima para continuar a competir, caso não haja da parte do Estado (sim, do Estado de Direito), uma medida drástica para o que se está a passar.

O director de Comunicação do FCPorto, Francisco Marques e José Cruz, foram pedagogicamente assertivos, ontem, no programa "Universo Porto de Bancada", quando puseram a nu as «oportunas» pazes e  gentilezas entre Joaquim Oliveira e o director do pasquim Correio da Manhã, Octávio Ribeiro, sustentadas na dor de cotovelo de um, e no ressabiamento odioso de outro.

É assim mesmo, quem não deve, não teme. Estas coisas não são para omitir, são para divulgar as vezes que forem precisas, porque conspurcam toda a sociedade e degradam-na, como se constata. Denunciando-as, estaremos a defender-nos e ao mesmo tempo a prestar um arrojado serviço público! Mas também, é preciso que o senhor Pinto da Costa saiba dar o exemplo, que apoie este programa, e que não venha a pôr em cheque a disponibilidade dos seus interlocutores, nem se lembre de amanhã convidar o senhor Joaquim Oliveira para a festa dos Dragões de Ouro... 
    

23 janeiro, 2017

Um bom e gratuito conselho aos leitores

Caros leitores, 

tomem cuidado, não se deixem levar pelo canto da sereia, chegue ele das "vozes" da MEO, da NOS, ou mesmo da Vodafone. O encanto,  não provém propriamente destas empresas, surge subrepticiamente na forma dos milhões patrocinados aos principais clubes de futebol. Os adeptos dos clubes não são insensíveis a esses negócios, porque (em tese) correspondem à entrada de uns bons milhões de euros nos cofres dos respectivos clubes, mas talvez seja isso que explica a tendência para abusarem dos clientes que são afinal quem lhes faz chegar o pilim.

É que estes grandes grupos de comunicação, além de desrespeitarem os clientes em termos de isenção na informação desportiva, exercem sobre eles cada vez mais pressão, só para atingirem os seus escusos objectivos comerciais. Vale tudo, até imporem as regras que mais lhes convém, sem olharem minimamente aos interesses dos clientes, nem mesmo aos preços previamente estipulados. A estratégia comum, é proporem novos pacotes quando se aproxima o prazo do término dos contratos, com"ofertas"de novos serviços - grande parte das vezes dispensáveis -, como pretexto para subirem o preço da facturação e simultaneamente renovarem a fidelização dos clientes por mais dois anos. 

Houvesse seriedade e respeito nestes expedientes, até podía compreender-se, numa sociedade consumista e estupidamente competitiva, como é a nossa. Agora, não é isso que acontece, na maior parte dos casos.  Ligam-nos vezes sem conta, insistem, mesmo depois de dizermos que não estamos interessados em alterar os contratos (com o isco dos novos pacotes, nem sempre vantajosos), até perdermos a paciência e sermos impelidos a falar-lhes  grosso...

Sei que não é deles a responsabilidade por este novo estilo de sobranceria comercial, é dos administradores, e dos chefes que lhes impingem essas "estratégias". Mas lá está, enquanto cidadãos, cabe-lhes também fazer alguma coisa para se defenderem, até porque são eles quem dão a cara (e a voz) para lidarem com a indignação dos clientes. Não fazendo passar a voz dos clientes para os superiores hierárquicos, estão com isso a contribuir para a manutenção deste clima de desrespeito crescente entre consumidor e empresa.

Exponho-vos esta situação, porque sendo cliente há muitos anos da NOS (ainda era TVCabo), estou farto de ter transtornos por causa destes expedientes de chico espertismo e de me arreliar escusadamente, umas vezes pela incompetência (ou medo)  dos funcionários, outras pela prepotência de quem os superintende. Tenho vencido  estes contenciosos, mas como disse, sempre com muita oposição e incómodo. Conheço outros casos,também pouco honrosos para estas empresas.

Como tal, aconselho os leitores a estarem atentos às bruscas subidas de preços e ao prazo de validade dos vossos contratos, sejam eles com esta, ou outra operadora (são todas iguais), e baterem o pé sempre que estiverem seguros das vossas razões. Pagar e não bufar, é a pior das decisões que podemos tomar, porque iremos contribuir para que estes esquemas mafiosos passem a ser a regra.

PS-
Este ano, houve uma nova  actualização do preço destes serviços. Agora, são anunciados previamente 2 mêses, mas reparem num detalhe: na NOS, essa indicação é apresentada na parte inferior da factura a letras minúsculas, só legíveis à lupa, mesmo para jovens.
Questão incontornável: para quem quer mesmo destacar uma informação, reduz-se o tamanho das letras, ou aumenta-se? Isto, é muito próprio de  países governados  por vigaristas.

20 janeiro, 2017

Que ensosso é o discurso de Nuno E. Santo!



Senão, leiam:

«Queremos estar no topo da tabela, é para aí que olhamos, mas não desvalorizamos todos os rivais que estão atrás de nós»

«Estamos nos objectivos de lutarmos até ao fim pelo título de campeão. Temos de ser melhores, crescer e estar à altura do FCPorto»

«Temos uma equipa jovem, mas é uma das melhores defensivamente a nível europeu. Temos de ser mais regulares na finalização»

As conferências de imprensa do actual treinador do FCPorto são, além de ensossas, monocórdicas. O verbo que aplica invariavelmente [a primeira pessoa do plural] no seu discurso, em vez de transmitir  uma ideia de colectivo,  parece excluí-la, dada a sensação abstracta que deixa no ar. Parece estar a falar para nenhures. Receio que as suas palavras surtam o mesmo efeito para os jogadores e que isso explique os altos e baixos das suas exibições.

Vejamos: o que é que ele pretende dizer na primeira frase, se ela for porventura dirigida aos adeptos? Que nós pensamos que não quer pôr a equipa a jogar para ganhar? E por que raio não deviamos nós (FCPorto) valorizar todos os adversários? Não será antes ele que desvalorizará o nosso clube, se não conseguir ultrapassar adversários com planteis financeira, desportiva e estruturalmente mais frágeis que o FCPorto, como tem acontecido?

A segunda frase é outra redundância. Temos de ser melhores? Então, para quem estará ele a falar? Para nós? Para os jogadores? Para nós adeptos, não vale a pena, porque nada podemos fazer, a não ser apoiar a equipa, e nisso temos sido do melhor que há (e nem falo por mim). Para os jogadores, também quero crer que não é, porque a principal solução está no treino, não apenas nas intenções, e é ele o treinador. Estará a falar para ele, para se convencer que é capaz de fazer o que diz?

Por último, a conversa gasta do costume: "temos uma equipa jovem", "temos de melhorar na finalização". Ao repetir sempre a mesma coisa, Nuno Espírito Santo não está mais que a "marinar" uma boa desculpa para um provável fracasso. Só pode. E esse, é mais um discurso anti-Porto, não é próprio de quem jogou no clube e diz conhecê-lo bem.

Quanto à finalização, seria muito mais prático que explicasse quanto tempo [horas extra] tem dedicado a treinar os jogadores nesse aspecto específico, e se os tem instruído para perderem o medo de rematar. Sim, porque aquilo que os adeptos têm visto, salvo raras excepções, é medo de chutar à baliza, e muito poucos ousam fazê-lo.

E já agora, talvez seja tempo de entender que não foi por termos uma defesa sólida que não perdemos 2 troféus já nesta época, e várias oportunidades para passarmos para o pódio do campeonato.

Isto, apesar da máfia das arbitragens...  


18 janeiro, 2017

Universo Porto de Bancada


Universo Porto - da BancadaContinuo a considerar o programa Universo Porto de Bancada, do Porto Canal, um progresso na defesa do FCPorto, mas parece-me demasiado inconclusivo em termos práticos. Se concordo com o conteúdo e a objectividade com que é apresentado, já não posso dizer o mesmo dos interlocutores, apesar do bom serviço que estão a prestar ao clube. 

Sem despeito para os outros, até por não terem vínculos profissionais com o FCPorto, Francisco Marques na qualidade de director de Comunicação, é sem dúvida o homem com mais responsabilidades, pelo que se faz e se diz no referido programa, a par do ex-jornalista da RTP, José Cruz. Mas, se a ideia é fazer sair da toca os responsáveis da Comissão de Arbitragem da FPF e obrigá-los a responder às reclamações do FCPorto, corremos o risco de ter de esperar sentados, devido ao papel secundário de Francisco Marques na estrutura directiva do clube. 

Por isso, para que este trabalho possa surtir alguns resultados, seria extremamente importante  que Pinto da Costa se decidisse a provar aos adeptos [e também aos adversários] que ainda é capaz de dar a cara pelo clube nos momentos difíceis. De contrário, não vamos conseguir suster os roubos de igreja que tanta mossa tem causado às prestações da equipa. E, será bom realçar que a roubalheira das arbitragens não se fica apenas pelo futebol, ela faz-se notar praticamente em todas as modalidades com efeitos colaterais no moral dos atletas (veja-se o que sucedeu com o Óquei em Lisboa).

Há ainda muita parcimónia no tratamento destes casos de polícia. Os comentadores, às vezes ainda exageram no politicamente correcto. Bruno Magalhães, um dos comentadores do Universo Porto, usou o verbo "pedir" quando se falava da Comissão de Arbitragem e da sua indiferença aos protestos do FCPorto. Ora, só pede quem precisa. Nós não precisamos de justiça, nós temos de a exigir, porque é para isso, e só para isso, que os árbitros existem. O pior que se pode fazer à justiça, é pedir a alguém que a representa  que a pratique. Se não nos querem ouvir, então teremos de passar para outro patamar mais alto de protesto, mas nunca calar.

É possível que esta tardia decisão de finalmente colocar o Porto Canal a fazer o contraditório do que se diz e escreve em Lisboa, sempre que tal se justique, venha de persi a refrear os ímpetos segregacionistas de alguns árbitros, mas pode não bastar para todos, porque, não tenhamos ilusões, há muitos que estão dispostos a cumprir a missão até ao fim, tal é o sentimento de impunidade que os domina.  

17 janeiro, 2017

Escrever direito por linhas tortas

O salário mínimo em Portugal é indigno de um país que diz querer romper com o modelo dos baixos salários. Para muito mais de meio milhão de pessoas, o trabalho não chega para fazer face às despesas mensais básicas, e já nem falamos do que não devia ser um luxo: cultura, lazer, conforto.

Em 1990, um salário mínimo comprava menos 85euro que em 1974 e, em 2000, já valia menos 107euro. Os aumentos dos últimos anos reduziram esta perda, mas ainda não a compensaram. O salário mínimo continua a ter menos poder de compra que há 42 anos.

Não percamos mais tempo, portanto, a discutir a urgência óbvia do aumento do salário mínimo. Em vez disso, analisemos as razões para o Governo compensar o patronato por este aumento.

Em primeiro lugar, é preciso saber quem ficou a ganhar com o poder de compra perdido pelos trabalhadores desde 1974. Essa riqueza foi apropriada, precisamente, por quem paga o salário. Se há alguma compensação a fazer, cabe aos patrões fazerem-na e não beneficiarem dela.

Por outro lado, não há qualquer razão para a Segurança Social pagar, através do desconto na TSU patronal, 63 milhões pelo aumento do salário mínimo. O dinheiro da Segurança Social é dinheiro dos reformados, e não cabe aos reformados de hoje ou de amanhã pagar parte do salário. Essa é a responsabilidade dos patrões. Acresce que este desconto é inaceitável porque é um prémio decidido pelo Governo às empresas que contratam com salários mais baixos.
A qualidade dos representantes patronais e a sua estreiteza de espírito ficam à vista quando, de tantas reivindicações possíveis, se concentram nesta. É esta estreiteza de espírito que explica, em parte, o atraso produtivo do país.

Que uma reivindicação patronal tão retrógrada seja aceite e até defendida pela UGT, não surpreende. Ao longo dos últimos anos, a UGT apenas serviu para legitimar "acordos" de concertação social a medidas de verdadeiro ataque aos direitos dos trabalhadores.

Por fim, as reviravoltas políticas do PSD são o que menos importa neste debate. Se os cálculos políticos de Passos Coelho, oportunistas ou suicidas, permitirem uma maioria para impedir uma medida injusta e um "acordo" artificial e errado, então Passos terá escrito direito por linhas tortas...

DEPUTADA DO BE

Nota de RoP:

Esta mesquinhez do ordenado mínimo, é, a par da corrupção, talvez a maior vergonha da classe política e empresarial portuguesa. Não tem qualquer justificação, a não ser o que disse agora mesmo: mesquinhez. O António Costa deu o primeiro tiro no pé, como era de prever.

Mas, acalmemo-nos, porque ainda há quem sinta orgulho de ser português...



16 janeiro, 2017

TEATRO MUNICIPAL DO PORTO COM ORÇAMENTO REFORÇADO


Image de Teatro Municipal do Porto com orçamento reforçado

“A atividade do Teatro Municipal tem sido um sucesso. Tem havido enorme adesão ao que aqui temos feito. Entendemos que tínhamos condições para este reforço [no investimento], para fazer uma programação internacional mais forte”, afirmou esta quarta-feira Rui Moreira, em declarações aos jornalistas no Teatro Rivoli, um dos polos do TMP, a par do Teatro do Campo Alegre.
Na apresentação da programação até julho, o autarca e o diretor do TMP, Tiago Guedes, contabilizaram a realização de 19 espetáculos internacionais, 16 dos quais em estreia nacional, destacando a “estreia mundial” de “Couture Essentielle”, um “desfile performativo” sobre a história da moda, da autoria de Olivier Saillard, diretor do Museu da Moda de Paris.
Esta “primeira coprodução internacional” do TMP vai ser apresentada a 17 e 18 de março, no Salão Árabe do Palácio da Bolsa, e conta com a participação de cinco modelos que, nos anos 80, foram musas de estilistas como Yves Saint Laurent ou Lanvin, descreveu Tiago Guedes.
De acordo com o diretor do TMP, o mês de março é “um dos mais desafiantes em termos de programação”, começando com o “Foco Deslocações”, sobre “migrações e refugiados”, com espetáculos de dança de Dorothé Munyaneza (Ruanda) e de Mithkal Alzghair, sírio que vive em França.
Até julho, o TMP programou 85 espetáculos, 45 com “companhias e estruturas da cidade”, destacou Rui Moreira, notando que 37 apresentações serão “coproduções de raiz”, com um custo superior a 600 mil euros.
“A Cultura será a nossa bandeira até ao fim [do mandato]. Tem sido um grande sucesso, é muito importante, não apenas pela Cultura em si, mas também pelo impacto que tem na economia e na coesão social. O que aqui oferecemos é bastante acessível a todos os públicos. Temos visto um regresso aos públicos que foi ensaiado com a Porto 2001, que tinha sido perdido, e a cidade está reconfortada com esta aposta”, observou Rui Moreira, que acumula o pelouro da Cultura.
Tiago Guedes destacou a “forte programação internacional” de 2017 e o “grande foco dedicado às migrações e deslocações”, uma questão atual “pertinente”, para cuja “reflexão” a arte tem de dar “um contributo”.
“O Teatro Rivoli e o Teatro do Campo Alegre são os teatros da cidade que apresentam programação internacional. É um dos nossos pontos fortes, para além do trabalho que fazemos com as companhias das cidades”, vincou.
Para o diretor, a expectativa para 2017 é que o TMP “passe para outro nível”.
“Foram dois anos de muito trabalho a conquistar os públicos, a pôr o teatro em funcionamento, para agora pensar em novos projetos”, afirmou.
O diretor e o presidente da Câmara do Porto revelaram ainda que não vai ser lançado novo concurso para ocupar, com um espaço de restauração, o quinto piso do Teatro Rivoli.
“Foram lançados dois concursos e não houve candidatos. O espaço não está fechado. É um grande espaço de ensaios que está a ser aproveitado”, descreveu Tiago Guedes.
Rui Moreira realçou que “o teatro absorveu esse espaço”, sublinhando que “parece que a resposta que a cidade dá é que seja um espaço de teatro”.
Quanto ao terceiro piso do Teatro Rivoli, Tiago Guedes revelou que vai ser “todo intervencionado” para “finalmente ser a grande sala de visitas” do equipamento, devendo ser inaugurado no Festival Dias da Dança, agendado para maio.
A temporada de 2017 do TMP começa a 21 de janeiro, dia do 85.º aniversário do Teatro Rivoli, com “15 horas de programação ‘non-stop’”, sete espetáculos, quatro concertos, duas instalações, uma exposição, 14 artistas da cidade e 115 participantes em nove espaços de apresentação.
[do Porto24]

13 janeiro, 2017

Pinto da Costa, 12684 dias de liderança hipotecada


Imagem relacionada

Se houve coisa de que não gostei nada de ver hoje no Porto Canal foi o chorrilho de louvores  que fizeram a Jorge Pinto da Costa no momento menos indicado da sua carreira.  Falar da sua longevidade, da sua resiliencia e dos seus títulos, num momento em que parece outra pessoa totalmente diferente, distante, frouxa e conformista, é completamente desenquadrado no tempo, e na oportunidade. Podiam deixar os piropos para outra altura, lá mais para diante, quando esta fase derrotista e de orfandade com os adeptos estiver mais amenizada, de modo a conferir-lhes mais realismo. Assim, fica-nos uma ideia de falso, de iniciativa forçada, encomendada.

Ninguém é perfeito, todos o sabemos, mas nos últimos tempos tornou-se quase viral ver certas figuras públicas mancharem o prestígio adquirido com erros infantis que acabam por arruinar tudo de positivo que conseguiram construir nas suas diferentes actividades. Foi assim com Mário Soares*, parece ser assim também agora com Pinto da Costa. Um homem que tanto fez de positivo pelo FCPorto, que tantas victórias nos deu, que tão perseguido foi, caluniado pelos media, empurrado para os tribunais, e que mesmo assim conseguiu tudo ultrapassar, é agora o seu oposto.

Pinto da Costa é hoje um homem frágil, omisso e permissivo. Age como um perdedor e o clube acompanha-o... Não se insurge contra os actos discriminatórios inflingidos ao FCPorto, quer na comunicação social, quer nos órgãos desportivos. Consente. O pior, é que nem se importa com o sentir dos portistas ao verem-no assim tão diferente, mas responde aos que o criticam.

Para sermos honestos, é com esta imagem bipolar que temos de olhar para Pinto da Costa, hoje. Há, o do passado, e do presente. São realidades distintas, embora no mesmo corpo. No Porto Canal olha-se para o passado, salta-se sobre o presente. Talvez de um órgão de comunicação social, queira transformar-se num museu. 

Mas, para isso, já há um, não precisamos de mais.
  

*foi em Mário Soares que votei logo após o 25 de Abril

11 janeiro, 2017

O Monstro

Resultado de imagem para o monstro
Benfiiiiiiica! 

Assisti ontem ao programa Universo Porto da Bancada no Porto Canal, onde, de novo, se debateram vários assuntos relacionados com o comportamento dos árbitros e a complacência do presidente da F. P. Futebol. Gosto do programa e dos intervenientes, particularmente dos depoimentos assertivos de Francisco Marques, responsável pelo Dragões Diário. Pena é, que só tenha surgido agora, malgrado estarmos a ser reiteradamente estorvados nos nossos objectivos desde o início da temporada, já tendo sido eliminados na Taça de Portugal (incluindo a desprezada Taça Liga), ainda que também por culpas próprias.

Há muito que vinha alertando para esta situação, e por isso me "zanguei" com Pinto da Costa e lhe perdi muita da consideração que tinha por ele, enquanto líder. Teria sido inteligente da sua parte que, reconhecendo as suas limitações físicas e intelectuais, decorrentes do desgaste de muitos anos de luta desigual, soubesse delegar poderes em alguém da sua confiança para o substituir na defesa do clube, ou então, que não se recandidatasse ao cargo que detém. Mas não foi isso que decidiu. Teimou, agarrou-se ao poder, aparentando uma inconsciência alarmante sobre as suas próprias capacidades, preferindo deixar os portistas entregues a si próprios, tristes e revoltados com o clima de impunidade permitido ao nosso principal rival e seus conhecidos colaboradores.

O caso do vídeo do vandalismo (ou pseudo-vandalismo) aos escritórios de Adelino Caldeira foi também abordado no programa. Com imagens e comentários, especulou-se o que para já só pode ser especulado. O caso é tão lamentável quanto bizarro, porque os dirigentes portistas com a sua política kamikaze, abriram uma grande oportunidade a este tipo de (re)acções passíveis de ser realizadas por diferentes intérpretes. Tanto pode ter sido uma habilidade do "polvo", como uma loucura de adepto descontrolado. Só depois de devidamente investigado o caso (se chegar a ser) é que poderemos falar com propriedade.  

O lado bizarro da coisa, é vermos agora os comentadores do Porto Canal apelarem à união dos portistas quando deviam saber tão bem quanto nós, que os maiores responsáveis por termos chegado a este ponto foram e são, Pinto da Costa e todo o corpo directivo do FCPorto. Os comentadores não pousaram no prato da balança da análise, o principal, que foi a atitude distante e displicente do presidente portista em termos de comunicação com os adeptos, quando eles mais precisavam. Aliás, é mesmo caso para perguntarmos por que razão só agora decidiram reagir a esta inusitada situação, ou se só agora tiveram ordens para o fazer, e da parte de quem. Se não nos esclarecerem, então temos legitimidade para considerar o Porto Canal co-responsável pelo que vem sucedendo. A verdade tem de ser dita, até há bem pouco tempo pareciam meninos de côro. Às vezes perguntava-me se havia sangue naquelas veias...  Okey, o momento não é para ressentimentos, é de união, concordo, mas é preciso haver mais coerência quando reclamamos aos outros aquilo que nós esquecemos de fazer.

Pouco importa agora saber quem foram os autores do vandalismo, até para não nos desviarmos do assunto em apreço (como alguns pretendem), e também porque continuando neste registo neutral outros "não casos" vão acontecer. O que interessa agora é combater o Monstro até às últimas consequências, porque fomos nós (o Presidente e demais administradores) quem o deixou crescer. Demos-lhe demasiado tempo para estender os tentáculos de modo a invadirem os organismos mais relevantes da sociedade civil e política que passam pela comunicação social,  até à esfera forense e desportiva. A teia é tremenda e poderosa, por isso será necessária muita coragem e determinação para os derrubar. Não nos podemos contentar com a denúncia. Em democracia (e os nossos governantes garantem-nos que é séria), temos todo o direito de nos defender, de exigir justiça, jamais pedí-la! Temos esse direito, porque é criminoso o que nos andam a fazer.  

Para já, devemos puxar pela língua ao presidente da Federação e exigir-lhe, não apenas uma resposta, mas uma tomada de posição clara e objectiva para com o que está a acontecer. Com os jornalistas a mesma coisa. Se querem entrar no nosso estádio para fazerem o seu trabalho, a prerrogativa é o respeito com o nosso clube, não só lá dentro, como nos jornais em que escrevem. Difamam-nos, não entram mais. Não pode haver umas normas para uns, e não haver para outros. Com a rádio e a televisão, a mesma coisa. Com a RTP exigimos tratamento igual pela parte dos seus colaboradores, ou podemos reclamar o direito de recusa ao pagamento de taxas por incumprimento de dever enquanto empresa do Estado. Enfim, não faltam no FCPorto advogados com experiência e argumentação jurídica suficientes para travar este Monstro, assim queiram eles.

Então, não é verdade que vivemos em Democracia? Sim, ou não? Então há, ou não há, justiça? Sim, ou não? Chegou o momento de fazermos o teste e de os pôr à prova! 

09 janeiro, 2017

De Mário Soares à Liberdade

Mário Soares
Sábado passado morreu Mário Soares, o guru da democracia em Portugal (opinam). Soares, a par de Álvaro Cunhal, foi um tenaz lutador contra a ditadura de Oliveira Salazar e Marcelo Caetano, o que lhes custou vários anos de prisão e de exílio. Só por isso, merece o meu respeito, e naturalmente as minhas condolências. Sobre a sua perda não tenho mais nada a acescentar, porque não é preciso, depois da cobertura merecida, mas exagerada e um tanto cínica, que a comunicação social lhe tem dedicado.

Sendo certo que os regimes comunistas não são propriamente modelos de democracia, não me custa aceitar que se atribua quase por inteiro a Soares os louros de pai da democracia, em detrimento de Cunhal, embora me pareça aqui residir um equívoco. Pela experiência que a vida me tem dado, não estou assim tão seguro que democracia e liberdade sejam a mesma coisa, ou melhor, sejam uma espécie de irmãs gémeas siamesas. Deixem-me que me explique.

Sem liberdade não existe democracia, todos sabemos, agora o que parece ninguém querer saber é de que tipo de liberdade falámos. Aqui, já sei, entroncamos com a utopia  e os lugares comuns daqueles que, como Mário Soares, acham que a liberdade para manter esse estatuto, tem fatalmente de ser incondicional. Eu já não acredito nessa teoria. E digo já, porque cheguei a acreditar nos primeiros anos de regime "democrático". E, se deixei de acreditar, dê-vo-o a Mário Soares. É verdade. Acho mesmo que um dos grandes erros de Mário Soares foi querer levar à letra a utopia da liberdade absoluta. Nesse aspecto, foi tudo menos pragmático. Foi um idealista sagaz, não foi um humanista convicto e realista, porque desautorizou a própria autoridade. Na altura, todos lhe achavam muita graça, e o caso do "ó senhor guarda desapareça" é um pequeno exemplo do que um país avesso à ordem não deve dar. E agora, o que é que temos?

Temos, uma comunicação social completamente dominada por agencias de informação constituídas por dirigentes políticos, gestores, dirigentes desportivos (ler o artigo mais abaixo de Marinho e Pinto), com um vasto número de jornalistas sem escrúpulos a serví-los e outros teoricamente contrariados, mas comodamente resignados, e sem fibra para reagir ao status quo. Pergunto: será este o comportamento de pessoas normais, numa democracia livre? Será este ambiente irrespirável, onde o medo se instalou e os corruptos proliferam, o país livre idealizado por Mário Soares? Penso que não. Contudo, Soares foi sempre demasiado permissivo com os corruptos e essa era a faceta que menos me agradava nele. Esse porreirismo, essa liberdade, dispenso. Nunca me hei-de esquecer quando contactava com empresários da região, por volta dos anos 80 me dizerem (insinuando com sorrisos) que, não sendo afectos ao PS, preferiam Soares no governo porque era mais "liberal". Era simples perceber por quê...

Mas, o que aqui está em causa já não é o currículo político de Mário Soares. Ele já cá não está e o que passou, passou. O que questiono é a ideia de liberdade onde a calúnia, a acusação pública, a infâmia são toleradas. Ora, é disto que falámos quando se trata de liberdade e de jornalistas. Estes, por força dos maus exemplos que se foram instalando através dos anos, já se acham intocáveis, nem sequer admitem "trabalhar" de outra forma que não através da difamação, da acusação gratuita e da impunidade.

Pessoalmente, estou disponível como cidadão para abdicar destas "liberdades", pela histórica razão/causa de mexerem com a liberdade dos outros. Ela vale tanto como as mensagens insultuosas de anónimos que nos entram na caixa de comentários cujo destino não pode ser outro que não o lixo. Pois foi esta a grande bandeira da liberdade que Soares içou, voluntária ou involuntariamente. Os valores da ética e da honradez foram desprezados em nome do vale tudo e da ganância. Não param de emergir casos e casos de enriquecimento ilícito, de políticos, conluiados com empresas financeiras e bancários. O oportunismo e a corrupção fazem escola sem cessar, nem pudor. Durão Barroso, Duarte Lima, Sócrates (este ainda sem acusação à vista...), são 3 espécies distintas, mas a pior imagem que se pode dar deste país. E muitos, muitos mais. Tudo nos diz que é neste regime de democracia "tolerante" que os oportunistas e criminosos se sentem melhor. Mas, não me interpretem mal, porque a última coisa que almejo é o retorno a qualquer ditadura, seja ela de esquerda, ou de direita.

Agora, o que considero perfeitamente possível coexistirem numa Democracia a valer, é a Liberdade recheada de respeito pelos bons valores e pela ética. E isso, é coisa que esta liberdade desregrada nunca nos dará.

   

07 janeiro, 2017

Sobre o jogo jogado e esquecendo o árbitro...

... chega-se à triste conclusão que não temos equipa para lutar pelo campeonato. Não me lembro de ver o FCPorto ter equipas tão previsíveis e fáceis de controlar como esta e as dos últimos 3 anos. O futebol praticado é por demais previsível e lento para surpreender os adversários. Os jogadores continuam a cometer muitos erros. 

Há um hábito que define as dificuldades dos nossos jogadores para provocarem desiquilibrios, que é jogarem com frequência de costas para a baliza adversária muitas vezes ainda no seu meio campo, o que os obriga a rodar para ver a quem devem passar a bola com o risco de a perderam por terem logo atrás um adversário para a roubar.

Por outro lado, e apesar das muitas correrias, para trás e para a frente, da posse de bola e do jogo afunilado, não se vêem desmarcações rápidas, o que facilita igualmente os defesas contrários. Acresce, evidenciar-se outra vez uma grande falta de confiança na concretização. Os jogadores quando chegam junto da áera adversária fazem-mo com tanta ansiedade que, ou não acertam na baliza, ou acertam nas pernas do adversário, ou enviam a bola para as mãos do guarda-redes. Sinal dessa ansiedade, é o maldito vício de colocarem as mãos na cabeça logo após efectuarem os remates. Estes gestos traduzem sobretudo uma manifesta falta de confiança e com um grande inconveniente, que é transmitir a negatividade ao resto da equipa (e até a nós, espectadores).

Que diabo, pelo menos que o NES saiba acabar com essa tremideira das mãos na cabeça, própria de perdedores, porque isso só é tolerável em jogadores que raramente falham, o que não é o caso dos nossos, infelizmente.

Como só vi o jogo a partir dos últimos 10 m da 1ª. parte, não sei se o árbitro deu as fífias a que estamos habituados, mas, por aquilo que vi, não foi por ele que não ganhamos. Por último, falta muita maturidade à equipa, falta-lhe sentido de oportunidade, enfim, aquela ratice dos grandes jogadores. 

Do treinador, só digo que estou cada vez mais decepcionado, tal como estou com o presidente.

Hipócritas!

Só mais um "detalhe" sobre a hipocrisia da comunicação social e da sua profunda falta de coerência. 

O JN começou estes programas sobre a escandaleira das arbitragens contra o FCPorto com a opinião de José Leirós que não disse mais do que a realidade. Foi honesto. Hoje, o JN foi procurar a opinião de um gajo (Cunha Antunes, um "especialista") que ninguém conhece de lado nenhum, mas que já vem repetir a ladaínha dos outros, ou seja, que a culpa é dos dirigentes (no plural), esquecendo-se que ao generalizar está a meter Pinto da Costa no pacote. Ora, isto é uma falácia, um acto da mais desprezível injustiça. 

Será que nós portistas andamos todos cegos a protestar há anos contra o silêncio do FCPorto e o nosso presidente tem-se fartado de protestar sem nunca darmos por ela? Não será ele ainda o dirigente-mor do FCPorto?

Grandes FDP!

Que terão a declarar os jornalistas honestos? O silêncio?

A miséria moral do jornalismo português



Clicar nas imagens para ampliar


Obs.-Este artigo ocupava 2 páginas do JN. As letras eram tão ridiculamente minúsculas que para as ler tive de recorrer a uma lente de aumento. É uma autêntica falta de respeito pelo autor.


Artigo extraído do JN de 29 de Dezembro de 2016

06 janeiro, 2017

A reacção não passarou :-), nem passará

Resultado de imagem para fontela gomes
Fontela Gomes, Presidente da APAF

Estão a ver? O polvo encarnado já se sente ameaçado, e ainda a procissão vai no adro. Se precisássemos de testar o poder de encaixe destes gangsters (sim, isto é um caso típico de gangsterismo) que dominam o futebol português, aí temos a resposta. Como vêem eles não perdem tempo quando se sentem controlados.

Enquanto fomos bons meninos, e nos mantivemos mudos e permissivos, não abriram a boca para se pronunciarem sobre a sucessão de penalties e golos anulados indevidamente ao nosso clube. Estava tudo bem, era o paraíso no futebol lisbonês. Agora que decidimos reclamar e vomitar a revolta contida, aqui del Rei que os coitadinhos dos árbitros precisam de ser protegidos, precisam de crescer (palavras de Fontela Gomes*) ! É preciso ter muita lata, não é? Pois é, se há atributo abundante na génese dos vigaristas, esse é a lata, juntamente com a espinha dorsal contorcida.  

Mas, a pouca vergonha não fica por aqui. A comunicação social portuguesa, incluindo a estatal, tem sido a principal guarda pretoriana do imperador Vieira que, louve-se-lhe a "ingenuidade", afirmou numa escuta, que tencionava fazer as coisas por outro lado. A verdade é que a táctica já deu resultados (3 campeonatos) com a estranha complacência dos dirigentes portistas, e ainda promete dar mais...

Como era de se esperar, todos os media fizeram côro sintonizado logo a seguir no sentido de perverter a verdade dos factos, e então toca a misturar o caso do FCPorto com o do Sporting, de colocar o odioso do complot por eles urdido sobre "os" dirigentes, generalizando assim as nossas legítimas reclamações, lançando a confusão, baralhando para dar de novo, como batoteiros profissionais. 

O que ocorre deste miserável comportamento dos árbitros, é serviço damasiado obsceno e abrangente para poupar os árbitros eventualmente mais sérios. Falo de serviço, em lugar de "trabalho", porque a sucessão de casos mal ajuizados contra o FCPorto é de tal modo profícua e repisada que ultrapassa a simples competência, é uma missão muito mal encapotada, um serviço sujo. Só pode. Pergunto: neste país de maus costumes, que juiz honrado terá coragem para olhar bem para o que se tem passado com o FCPorto e os árbitros, e achar tudo natural, tudo inocente? Será que o pretório vermelho já atingiu os juízes e lhes degradou o sentido da ética e da própria justiça que juraram respeitar?  Será possível terem batido tão fundo?

Agora, o FCPorto não pode voltar atrás, recuar é desistir de lutar por uma causa, mais do que justa, digna. Não queremos ser como eles, não precisamos de inventar, de conspirar, de distorcer, e omitir. Apenas precisamos de apresentar factos, e esperar que quem de direito, tenha a visão em melhor estado que a dos árbitros que nos têm calhado na rifa. Nada mais, e que a justiça seja regenerada e reposta no seu lugar.

Sei que a tarefa não vai ser fácil, há muita gente gorda importante envolvida nesta teia de interesses. Até aqui, sentiam-se protegidos pela impunidade do benfiquismo nem se dando ao cuidado de refinar a representação, já valia tudo, até provocar. A partir de agora, vão colocar em campo os legionários da comunicação social a trabalhar para eles, rebuscando casos, criando outros, frutas, apitos, tudo vai ser revolvido do baú da intriguice. Eles são assim, gente foleira, desonesta, intelectualmente prostituídos (SIC's, TVI's, RTP's e s/ derivados).

É assim, sem escrúpulos, que eles vão retaliar. Nada que nos espante. Portanto, agora é fazê-los engolir a Porta 18, os vauchers, a heroína, os almoços grátis. À força se preciso fôr. Sem dó nem piedade.  

*Presidente da APAF

PS-Amanhã tenciono publicar um artigo mais que esclarecedor de Marinho e Pinto sobre os jornalistas... 

Que vergonha para os raros, muito raros mesmo, bons profissionais da comunicação.