12 fevereiro, 2017

Turismo de Portugal visado por ignorar vitória do Porto como destino europeu



A página do Turismo de Portugal no Facebook está a ser alvo de comentários críticos de utilizadores, indignados com o facto de aquele organismo não ter feito qualquer referência pública à eleição do Porto como melhor destino europeu.

Horas antes do sucedido, Rui Moreira publicou um texto na mesma rede em que acusava o Turismo de Portugal de não se ter empenhado tanto nesta eleição como há dois anos, com Lisboa.

O Porto foi eleito o melhor destino europeu de 2017, ficando à frente de Milão e de Gdansk, no pódio das três cidades mais votada, após já ter conquistado esta distinção em 2012 e 2014.

A eleição é da responsabilidade da European Best Destination, sediada em Bruxelas, na Bélgica, e consiste numa votação online. Em 2015, o Turismo de Portugal promoveu a candidatura de Lisboa a este galardão, sem vencer.

Agora, acusa o presidente da Câmara do Porto, nem apoiou a candidatura portuense nem felicitou a vitória da Invicta. As críticas de Rui Moreira ecoaram nas redes sociais, com muitos internautas a manifestarem-se no Facebook do Turismo de Portugal, com mensagens de desagrado.

(do JN)

SEM COMENTÁRIOS...

11 fevereiro, 2017

Se a equipa B é isto, que futuro reservará a principal?


Acabei de assistir ao jogo entre a equipa B do FCPorto e o Freamunde, e não posso deixar de dizer o que me vai na mente. O FCPorto perdeu e pela forma como jogou, mereceu inteiramente a derrota. Neste caso, não podemos queixar-nos da influência negativa do árbitro, porque nem se deu por ele, esteve muito bem. Por outras palavras, esta equipa tem tudo menos Porto. Não tem velocidade, não tem garra, sentido de oportunidade, nem capacidade de remate. 

Pelos vistos, nem Folha parece ter pulso para acabar com os vícios de certos meninos-bem da equipa que, em vez de transmitirem alegria e gosto por jogarem no FCPorto, parecem estar a fazer um grande frete à plebe. Mal começou o jogo, logo sentimos as dificuldades que nos esperavam, tal foi a previsibilidade que mostraram. Jogo, lento, de bola para o lado e para trás, ao estilo daquilo que estamos fartos de ver. Estilo esse, altamente gratificante para os adversários, dos mais fortes aos mais banais, que têm todo o tempo do mundo para montar o autocarro com marcações a toda a largura do terreno, avançando ou recuando consoante o ritmo do FCPorto.

Foi assim, com esta tranquilidade que o Freamunde saiu do Olival, retirando merecidamente, diga-se, 3 pontos ao clube da casa, sem ter de queimar os neurónios a inventar outras estratégias. Bastou colocar a barreira para bloquear o ataque indolente do FCPorto, e contar com a sua falta de ideias, agressividade e lentidão. Já não é a primeira vez que isto acontece. Os métodos da B parecem uma fotocópia da principal. Falta de profundidade e posse de bola estéril. Não gosto mesmo nada deste tipo de futebol, e até acho um atentado à reputação da modalidade considerá-lo como tal. Sou um portista atípico, tenho o grande defeito, que é gostar do FCPorto com particular vaidade, quando é capaz de associar às victórias, a qualidade. Assumindo o risco de me repetir, porque continuo a constatar estes factos, os jogadores portugueses são muito fracos a chutar à baliza. Não se compreende que jovens adultos com estatura mediana-alta, alguns acima do 1,80m e aparentemente bem constituídos, revelem tão frágeis argumentos físicos e técnicos.

Decididamente, o FCPorto só tem uma modalidade onde a palavra "garra" não é simples oratória: o Andebol. Que todas as outras, lhe sigam o exemplo, é o que mais desejo. Por ainda não estar convencido que a equipa de futebol já assimilou bem essa mística, decidi não ver o jogo de esta noite contra o  V.Guimarães. Tenho de olhar pela minha saúde. Que sofra por mim Pinto da Costa, que tem outras coisas bem mais substanciais com que se compensar...

PS-Se os comentadores do Porto Canal, nomeadamente Cândido Costa, acham que por avaliarem sempre pela positiva a equipa do FCPorto, mesmo quando ela joga mal, fazem crítica construtiva, estão redondamente enganados. A isso, chama-se viciar os dados, ou talvez, como dizem os brasileiros, puxa-saquismo à entidade patronal.

10 fevereiro, 2017

E vai mais um tri para a cidade do Porto!

A cidade do Porto foi eleita, pela terceira vez, melhor destino europeu, indicou esta sexta-feira a página da internet desta iniciativa – ‘European Best Destinations’, apontando que “nunca a votação foi tão unânime”.
Porto à Noite
“Com os votos dos viajantes mundiais de 174 países, o Porto ganha este título europeu pela terceira vez (2012, 2014, 2017). Viajantes dos Estados Unidos, Reino Unido, França, Dinamarca, África do Sul, Coreia do Sul, Suécia, Irlanda e Canadá votaram o Porto no primeiro lugar nesta competição”, lê-se na informação colocada no site da iniciativa.
Já a Câmara do Porto, liderada pelo independente Rui Moreira, destaca também no seu portal online que esta distinção “atesta o potencial e atratividade da cidade, não só para os portuenses, mas também para os portugueses e para os turistas provenientes de todo o mundo”.
A autarquia aponta que “de acordo com os dados já divulgados pela organização do concurso, o Porto seria vencedor mesmo só com os votos registados fora do território nacional”.
Em segundo e terceiro lugar ficaram, respetivamente, as cidades de Milão (Itália) e Gdansk (Polónia).
Entre as 20 cidades finalistas encontravam-se, além das citadas, Porto, Viena (Áustria), Berlim (Alemanha), Atenas (Grécia), Londres (Inglaterra), Bruxelas (Bélgica), Praga (República Checa), Basileia (Suíça), Stari Grad (Croácia) e Wild Taiga (Finlândia), Sozopol (Bulgária), Roterdão e Amesterdão (Holanda), Roma (Itália), Paris e Bonifacio (França), San Sebastian e Madrid (Espanha).
A votação decorreu desde 20 de janeiro até esta sexta-feira.

Na mão dos gigantes

David Pontes
Elas andam por aí. São fortes, são grandes, têm imensos recursos, uma miríade de ligações e poucos são os que lhes conseguem fazer frente. Em países pequenos como o nosso, acabam por estabelecer-se com a inevitabilidade das leis da natureza, nem que seja para a destruir. Falo das grandes empresas, nomeadamente das que estão no negócio de bens essenciais como a energia ou as telecomunicações.

A Portugal Telecom conseguiu fazer com o processo da TDT o que muito bem quis, para sacrifício dos consumidores, com a concordância do Governo da altura e anuência do regulador. As petrolíferas há muito que mantêm uma estranha sintonia nos preços da gasolina e só muito recentemente vimos a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) começar a agir mas em outra frente, ao multar a Galp Power em 500 mil euros por violação das regras de atribuição das tarifas sociais e do Apoio Extraordinário ao Consumidor de Energia.

Este é o sinal que se saúda, até porque a ERSE, também no âmbito da aplicação da tarifa social, multou, já em 2015, a EDP com a coima recorde de 7,5 milhões de euros, só que a empresa recorreu, desconhecendo-se, de momento, o resultado final. Esta semana, soubemos também que a mesma empresa, mas em Espanha, foi multada pela Comissão dos Mercados e da Concorrência em 900 mil euros, por "infração grave" dos direitos dos consumidores, ao ter penalizado um cliente que trocou de operadora.

São sinais positivos, mas ainda há muito para fazer para conseguir um maior equilíbrio entre os consumidores e as empresas, entre o Estado que tem a obrigação de defender o bem público e as empresas que buscam o lucro.

Por isso, quando uma empresa, no caso a Iberdrola, avança com a construção de três barragens para o Tâmega, nós, que já vimos desaparecer o Tua dentro do mesmo Plano Nacional de Barragens, temos de fazer soar as campainhas de alarme. Pode ser que a contestação já venha tarde, como afirmou o secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, mas o direito a defender a natureza não caduca só porque em tempos houve governos que preferiram uns milhões à frente e abriram portas a toda esta fúria construtora. Nem caduca esse direito, nem fica estabelecido o direito de nos tratar como burros, quando se anuncia a criação de 13 mil postos trabalho, que só existirão para a construção, ou se apresentam números de produção energética, não explicando que muita energia vai servir para bombar água para a própria barragem. Como se percebe, ainda há muito a fazer para não ficarmos nas mãos dos gigantes.

SUBDIRETOR (do JN)

Nota de RoP:

Reagir energicamente aos abusos destas empresas, é o nosso dever de cidadãos emancipados. Não temos o poder que devíamos numa democracia idónea, mas temos o poder da nossa própria vontade, que já é alguma coisa. 

O que nunca por nunca devemos fazer, é abdicar desse direito, ou calar, sempre que tivermos motivos para isso.




09 fevereiro, 2017

Viva o Andebol do FCPorto!




Este plantel fantástico e este treinador à Porto, jogam a modalidade
(Andebol) que mais orgulho me tem transmitido esta época. Há muita qualidade, muita alma e força!Só não ganham o campeontato se houver um tsunami, ou arbitragens á moda de Lisboa...


http://www.ojogo.pt/modalidades/andebol/noticias/interior/o-festejo-euforico-do-fc-porto-apos-a-vitoria-sobre-o-sporting-5657067.html

08 fevereiro, 2017

Era bem feito que a traição da TAP matasse a geringonça!


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Por mais que procure habituar-me às cambalhotas dos políticos, não consigo. Depois, dizem que nós só sabemos descobrir-lhes os defeitos, que não avaliámos devidamente o seu trabalho em prol do povo... Grandes cínicos!

Ainda nem decorreram 2 anos do início do mandato de António Costa (26/11/2015), e já começam os tiros nos pés do costume. A solução inédita da geringonça e os surpreendentes resultados positivos de uma coligação aparentemente improvável parecem ter cansado o primeiro ministro. É sempre assim, em Portugal os governantes cansam-se de fazer as coisas correctamente. Preferem tomar decisões sectárias, injustas e anti-democráticas, a optar por soluções embuídas de seriedade e verdadeiro patriotismo.

O que o governo de António Costa está a deixar acontecer com a TAP e a permitir aos companheiros privados da parceria, é digno de tudo, menos de um estadista afirmativo. É inaceitável, impróprio de um governante com noção sólida dos poderes e responsabilidades que lhe cabem. Esta aberração de desviar rotas do aeroporto Sá Carneiro para a cidade de Vigo com preços vantajosos para os espanhóis, além de vexante e discriminatória para as gentes do Norte do país, é uma verdadeira traição aos eleitores locais, e uma falta despudorada de respeito para com os cidadãos em geral. Volta a provar que o centralismo é para continuar.

É mais um, entre muitos péssimos exemplos, a dar-me razão, e a todos os abstencionistas que, como eu, deixaram de votar, precisamente por se terem cansado de votar nestes troca-tintas. Depois, berrem que quem não vota por estas razões, é que tem responsabilidades pela falta de honestidade dos políticos. Comprometam-se previamente com garantias, como as que os bancos exigem para nos financiarem. Votar inspirados em lindos discursos e boas promessas é, hoje em dia, passar atestados de menoridade aos eleitores. Respeitem-nos, e trabalhem para quem vos elege, se querem mama.

Palpita-me, que a decisão tardia de avançar com a construção das duas linhas do Metro do Porto, poderá muito bem estar a servir de paliativo à traição da TAP, e sobretudo do Governo, o que só vem acentuar a sua falta de integridade. Se esta decisão não fôr atempadamente vetada, é bem possível que a geringonça tenha os dias contados.

O PSD e o CDS agradecem, e eu, só não aplaudo, porque sei que são todos iguais. Malditos políticos!

E o melhor Edifício do Ano é...o Terminal de Cruzeiros de Leixões

Arquitetura portuguesa segue em alta ao vencer dois dos prémios internacionais do prestigiado site ArchDaily. O Terminal de de Cruzeiros de Leixões venceu na categoria de melhor edifício público e a Casa Cabo de Vila, em Bitarães, Paredes, na categoria 'Casas'.
Terminal de Cruzeiros de Leixões

O site de arquitetura mais visitado do mundo anunciou, esta terça-feira, a lista de 16 edifícios mais belos do de 2017, escolhidos em função dos votos de mais de 75 mil pessoas em todo o ano. Entre os três mil edifícios selecionados, o belo Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões, da autoria do do arquiteto Luís Pedro Silva, venceu na categoria de melhor 'Edifício Público', prémio que se junta às distinções de 'Melhor Porto do Ano', da Seatrade Awards 2015, o tributo da 'AZAwards', prestigiada competição canadiana que todos os anos elege o que de melhor se faz no mundo ao nível da arquitetura e design, ou a classificação como 'Melhor Projeto Público da Revista Construir.

Para Emílio Brògueira Dias, presidente da Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL), a reconhecimento do branco Terminal de linhas em espiral, construído a 700 metros da costa, em Matosinhos, vem contribuir “sem dúvida, para a projeção do Porto de Leixões e para a Área Metropolitana do Porto a nível mundial”.

06 fevereiro, 2017

FCPorto, um enigma a decifrar no fim do campeonato

Garra e união, é a grande virtude desta equipa do FCPorto

Fiquei, como é natural, agradado com os três pontos conquistados pelo FCPorto ao Sporting. É muito importante, neste momento, acumular pontos para não deixar outra vez descolar o Benfica e manter a diferença mínima, de forma a deixar o adversário sempre sob pressão. Com esta victória, afastamo-nos mais 3 pontos de um habitual candidato ao título, um rival de qualidade, igual, ou mesmo superior (por que não dizê-lo) ao actual primeiro classificado, podendo assim continuar a alimentar esperanças legítimas para lutar pelo campeonato até ao fim.

A par do resultado do jogo, valeu a entrega dos jogadores em toda a primeira parte, com destaque para os golos e a exibição surpreendente do estreante Soares, e para as soberbas defesas de Casillas, responsáveis pela manutenção da victória. Já não gostei nada da reacção tardia de Nuno Espírito Santo ao domínio do Sporting em toda a segunda parte, que precisou de sofrer um golo para mexer na equipa. 

Talvez seja esta flutuação repetida de métodos e comportamentos, que não inspira confiança a muitos adeptos. E isto, contraria o falso paradigma conhecido por treinadores de bancada, até porque não deve haver na Europa temática mais conhecida e entendida pelo povo, que o futebol. Até os espectadores intelectualmente mais ineptos, acabam por perceber de futebol, quanto mais não seja pelos muitos anos que passam a acompanhá-lo. Deixemo-nos de tangas proteccionistas, porque, tal como para se ser sério é importante parecê-lo, a competência também se revela frequentemente nas aparencias. 

A juventude do plantel não pode justificar sempre a lentidão do seu crescimento. Além disso, não estamos a falar propriamente de adolescentes, mas sim de rapazes com idade maior e já barbados com obrigação de assimilarem as recomendações do técnico rapidamente. Nuno, deve mesmo desafiá-los, motivá-los e responsabilizá-los no processo de crescimento, e sempre com um elevado grau de exigência. Mas também deve ensinar-lhes o que eles ainda não sabem e corrigir-lhes o que ainda fazem menos bem. Há aspectos que demoram a ser melhorados.

A apetência e o sentimento de medo pelo remate, por exemplo, já deviam estar resolvidos. Ainda há jogadores que preferem delegar noutros essa responsabilidade. Não duvido que isto seja relativamente simples de resolver, só falta é incutir-lhes essa confiança. Para isso existem os treinos à porta fechada e muita persistência. Aliás, nem se percebe por que outras razões hão-de ser sempre os treinos secretos (salvo, antes dos jogos). Ainda não se instalou no grupo a rotina de pressionar os adversários, nem tão pouco a gestão da posse e troca de bola em momentos de vantagem no marcador. Todos estes aspectos levam o seu tempo, só que não pode estender-se ad aeternum sem que a evolução se torne evidente.

Há jovens jogadores da equipa B do FCPorto que podem vingar na principal, e outros que tendo também essa possibilidade nem sempre acrescentam aquele must que o prenunciem claramente. Fala-se no talento de João Graça como medio de construção, e é verdade, mas pessoalmente acho que lhe falta fibra para se afirmar como marca "à Porto", porque frequentemente desaparece do jogo.  Vejo no brasileiro Galeno muito potencial e vontade de crescer. É rápido, tecnicamente evoluído e bom rematador. Mais recuado, temos o Inácio (também brasileiro), com boa técnica e com características ofensivas muito promissoras. Depois, temos os portugueses Diogo Dalot, Verdasca, Areias, Rui Pires e todos os outros que neste grau máximo da formação já deviam ter outra capacidade para abordar a bola na hora do remate, mais espontânea e destemida.

Não se entende - apesar da juventude - que ainda manifestem tanta parcimónia a chutar à baliza. Continua a perder-se muito tempo (e oportunidades) para surpreender os defesas, aflorando com toques e mais toques a bola até se decidirem a chutar. Neste patamar de formação já deviam ter estes hábitos mais padronizados, e a isto não pode estar alheia a nossa eterna dificuldade em marcar golos (mesmo a nível nacional). É preciso fazê-los crescer precocemente, ou seja, transmitir-lhes as manhas (boas) dos mais adultos, o sentido de oportunidade, antes da experiência que advém do tempo. A isso, chama-se jogar por antecipação, evoluir antes dos outros. Quem pensar que isto é contra-natura, engana-se. É assim que se faz a diferença.

Não sou treinador, nem de bancada, nem de computador. Apenas penso à minha maneira. Tão só. E gosto muitoooo! de (bom) futebol...     

      

02 fevereiro, 2017

Uma pipa de massa

Rafael Barbosa*

1 Sabe quem é Jaime Andrez? Provavelmente não. Mas devia. Porque este gestor público está sentado em cima de uma pipa de massa: 4141 milhões de euros, o montante de fundos europeus atribuídos ao programa de Competitividade e Inovação. O gestor do Compete vai tomar, em cinco anos (2016-2020), decisões sobre como, onde e junto de quem se vai aplicar o equivalente a 21 anos de orçamentos do Município do Porto (se tivermos em conta o valor previsto para 2017, que é de 207 milhões de euros). Sendo que, apesar da relativa pequenez orçamental, e ao contrário do que acontece com Jaime Andrez, o leitor sabe bem quem é Rui Moreira. Sabe o que pensa o presidente da Câmara do Porto, sabe as decisões que toma e porque as toma, sabe quais são as suas prioridades, sabe quase tudo sobre como, onde e junto de quem aplica o dinheiro público que lhe é confiado. A mesma leitura se pode fazer relativamente a Gabriela Freitas, a gestora do Programa de Desenvolvimento Rural, que guarda nos seus cofres 4058 milhões de euros (Eduardo Vítor Rodrigues teria de estar 25 anos à frente da Câmara de Gaia para aspirar ao mesmo); Joaquim Bernardo, gestor do Capital Humano, fiel depositário de 3096 milhões (28 anos de Eduardo Pinheiro em Matosinhos); Helena Azevedo, da Sustentabilidade e Eficiência, com um tesouro de 2253 milhões (22 anos de Ricardo Rio em Braga); e Domingos Lopes, da Inclusão e Emprego, com 2130 milhões para distribuir (Rui Santos teria de estar 71 anos à frente da Câmara de Vila Real para lá chegar).

2 O Governo socialista tem em marcha um projeto de descentralização que implica a transformação das comissões de coordenação e desenvolvimento (CCDR) em protorregiões. A vingar a proposta do PS, as CCDR absorvem tarefas e financiamento de uma série de direções regionais na área do ambiente, da cultura, da mobilidade e transportes, da educação, da agricultura e da economia. Mas, mais importante, ficarão com a gestão dos fundos europeus referidos acima. O projeto é ambicioso e representa na verdade uma regionalização encapotada. Porque agregada a estas mudanças está a eleição indireta (um colégio de autarcas) dos futuros presidentes regionais. A fórmula eleitoral é excêntrica e medrosa (só se percebe que não haja sufrágio universal por medo das reações à regionalização). Mas a fórmula político-administrativa é pelo menos mais transparente do que a atual. Particularmente no que diz respeito ao Norte, Centro e Alentejo, as regiões destinatárias dos fundos europeus, atualmente geridos a partir de Lisboa, por uma legião de centenas de técnicos, através de estruturas opacas e processos ininteligíveis, que o cidadão não é capaz de fiscalizar. Numa palavra, de forma antidemocrática.

* EDITOR EXECUTIVO (JN)

01 fevereiro, 2017

Portugal, o país do(s) porreiro pá

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Protótipo do "bom" português


Já aqui ironizei várias vezes com a infantilidade do nosso povo quando lhe pedem para falar de Portugal. Provavelmente, a avaliar pelos sinais que continua a transmitir, nada mudou.

Embrutecidos pelo poder dos media (que é cada vez mais intenso), manipulador, centralista e fanfarrão, as pessoas esquecem a sua própria natureza e a do país real, para se focarem nos clubes de futebol privilegiados da capital como se isso fosse a salvação das suas vidas. Com Mourinho (do pós FCPorto...), com Ronaldo - depois de Eusébio -, e um campeonato europeu no papo, ficam assim reunidas as condições para se sentirem os melhores do mundo e arredores. 

Os portugueses, salvo algumas excepções, perderam o que de melhor tinham, e hoje só vemos praticamente gente aparvalhada, e desprovida de sentido cívico. Ignoram, também por culpa própria, que quando abrem a boca para darem largas ao seu "orgulho" nacional de forma tão imprudente e por coisas tão fúteis como as atrás citadas, estão com isso a dizer (sem o perceber) aos políticos que os desgorvenam, que podem prossseguir nessa empreitada. E os políticos, agradecem, claro.

Não gosto de generalizar virtudes, nem defeitos. Desconfio sempre dos extremos. A expressão "somos os melhores do mundo", avaliada num momento de euforia, é inofensiva. O pior, é quando ela é assimilada à letra, depois de ultrapassado o momento que a justifica, porque deixam de olhar para a realidade das suas vidas para a escudar na clubite imposta por terceiros. Este é um dos grandes cancros do centralismo, abastarda a vontade natural das populações e depois serve-se delas.

São contradições deste cariz que me levam a rejeitar a ideia muito propagada que os portugueses não sabem dar valor ao que de bom se faz no próprio país, quando olhando para as coisas realmente importantes, verificamos que em 42 anos de democracia uma parte substancial do povo se orgulha de viver num país onde:
  • o salário mínimo nacional é dos mais baixos da Europa
  • a corrupção é constante na classe política, empresarial, judicial e desportiva
  • o fosso entre pobres e ricos está sempre a aumentar
  • o centralismo promete mudança, mas continua a crescer (vidé TAP...)
  • morre muito mais gente de frio que nos países nórdicos 
  • a democracia é aviltada e a Constituição ignorada
Num país com todos estes gravíssimos problemas eternamente por resolver, com Mourinhos e Ronaldos, continuamos a ter motivos para nos envergonharmos do que na realidade somos. Pela minha parte, é apenas vergonha que sinto.  

31 janeiro, 2017

As canalhices da TAP

Cristiano Vanzeller
(Quinta do Vale D. Maria,
produtor de vinho do Douro)

[CLICAR NA IMAGEM]

As viagens de longo curso da TAP são mais baratas a partir de Vigo, em Espanha, do que do Porto, que após várias simulações, conclui que a diferença pode ir dos 100 euros até aos 600 euros, avança o Jornal de Notícias, esta terça-feira.

O ponto de partida é sempre o mesmo, em que  se viaja até Lisboa para apanhar um outro voo em direção ao destino final e depois fazer o mesmo percurso no sentido inverso. Nas simulações realizadas pelo Jornal de Notícias (JN) na plataforma online da TAP e nas efetuadas por agências de viagens, é quase sempre mais baixo iniciar a viagem em 
Vigo do que no Porto.

O JN indica ainda, que uma viagem de ida e volta (a 10 e 17 de junho) para Boston, Estados Unidos da América, a partir do Porto custa 810 euros e que a mesma viagem partindo de Vigo custa 710. De referir também que para Nova Iorque indo do Porto custa 745 euros, mas partindo de Vigo já custa 655. Isto sempre com escala em Lisboa e nas tarifas económicas.

[Porto Canal]



Nota de RoP:

Rui Moreira tinha toda a razão quando afirmou que havia uma estratégia para esvaziar o Aeroporto Sá Carneiro, usando-o como plataforma de vôos obrigatórios para Lisboa. 

A outra, é saturar a Portela para justificar (mais uma vez) a construção de um novo aeroporto para Lisboa. O que terá a dizer a isto o ex-vereador Rui Sá que só sabe criticar e olhar para as coisas que Rui Moreira não faz, sem ter a dignidade de louvar o muito que já tem realizado? 

E António Costa, o que terá a declarar sobre este paradigmático exemplo de "descentralização" de uma empresa participada pelo Estado? Estará Costa contaminado pelo síndroma Scollari, que via «o Porto lá ao longe»?

29 janeiro, 2017

Nuno Espírito Santo, é medroso ou incompetente?



No futebol, como na vida, tudo é possível. Possível, mas muito pouco provável, é esperar que os caprichos da sorte devam sobrepor-se à inteligência sempre associada com a determinação, quando se pretende atingir determinados objectivos.  Por aquilo que já me cansei de ver, e constatar, é que, foi exclusivamente na sorte que Nuno Espírito Santo decidiu apostar para atingir os objectivos do FCPorto que, naturalmente, consiste em ganhar títulos (no plural).

Sinceramente, posso vir a enganar-me, mas já dei por mim a questionar-me se Nuno E. Santo  assumiu conscientemente o seu papel treinador do FCPorto, no qual, aliás foi também jogador, ou se aceitou o cargo para fazer experiências técnicas e tácticas como se estivesse a lidar com um grupo de jovens da formação. De tanto falar na juventude do plantel, vou-me convencendo que o faz para camuflar a sua própria insegurança para a eventualidade de as coisas lhe correrem mal. Será que é por se lembrar do afastamento precoce das duas competições (Taça de Portugal e da Liga), que enfatiza a juventude da equipa? Se é, por que não assume a vontade de vencer, estabelecendo o padrão de jogo e os jogadores que mais garantias de êxito lhe dão?

Nuno, ainda não percebeu que esta teimosia de jogar sem extremos não é o caminho mais certo para lhe garantir os golos que ele próprio reconhece escassearem. Ou melhor, insiste neste método vezes sem conta, e sem grandes resultados, e com isso faz o favor de oferecer aos adversários, no mínimo, metade do tempo de jogo, o que significa, dar-lhes muitas oportunidades para discutir taco a taco o resultado. Esta indefinição no sistema de jogo, é para mim a principal causa da instabilidade exibicional da equipa com as consequências que sabemos. Dou de barato, que jogando assim, com a tal posse de bola estéril , possa sofrer menos golos, mas a verdade é que também marca menos, porque abdicando de extremos que cruzem para a área, torna muito previsível e mastigado o ataque. Estamos fartos de ver que assim, os adversários ficam de frente para os nossos jogadores (que ainda por cima são lentos e nem sempre assertivos na troca de bola), tornando-lhes a tarefa de evitar golos relativamente simples.

Ainda ontem, tivemos essa prova. Quando NES mudou a equipa, tirando o Diogo Jota e fazendo entrar Brahimi já tinham passado 35m da 1ª. parte e o segundo golo já foi marcado em tempo de compensações. Ainda assim, tardiamente, marcamos 2 golos, mas foram os dois golos que nos permitiram superar o 1 marcado pelo Estoril. Ou seja, é fundamental ter uma defesa coesa e atenta, mas é fundamental privilegiar com um pouco mais de coragem o ataque, caso contrário nunca mais sairemos  deste sistema de jogo angustiante e chato, sobretudo para os adeptos.

A nossa inquietude de adeptos, é resultante de vários equívocos. Estes últimos, não têm origem nossa, são provocados pela SAD, A contaminação das consequências é que nos atinge também. Gostava de adivinhar o que Pinto da Costa pensa deste futebol made in Nuno E. Santo! Não deve andar longe do que a maioria dos portistas pensa, suponho. Apenas com sentimentos diferentes. É que nós, não temos a compensação mágica que advém dos euros...  

26 janeiro, 2017

Samir, o sudanês

Rafael Barbosa (JN)
1 Enquanto escrevo, as televisões dão em direto o debate parlamentar em que se discute se a TSU dos patrões deve ou não baixar, para compensar a subida do salário mínimo de 530 para 557 euros. Só os vejo, não os ouço. Os dedos em riste, as expressões faciais vincadas, os sorrisos irónicos ou cínicos, os aplausos entusiasmados aos chefes. O culminar de quatro semanas de troca de argumentos, de cambalhotas políticas e acrobacias retóricas. Os entendidos chamam a isto debate político. Olhando para as bancadas do Parlamento, assim, sem som, diria que é um teatro. Um teatro absurdo, se tivermos em conta que, na sua origem, está, afinal, se é ou não possível pagar mais um euro por dia a cerca de 650 mil trabalhadores. Gente pobre e explorada que vai continuar a ser pobre e explorada.

2 Enquanto escrevo e olho de relance as televisões, intuindo os decibéis produzidos pelo entusiasmo dos tribunos, recordo o relatório da Oxfam (organização não governamental dedicada ao combate à pobreza e à desigualdade) segundo o qual os oito homens mais poderosos do Mundo acumulam tanta riqueza como os 3600 milhões de pessoas que fazem parte da metade mais pobre da humanidade. E lembro-me, concretamente, de que no segundo lugar, entre os oito empreendedores, está o espanhol Amancio Ortega. E não posso deixar de pensar que é o multimilionário dono do grupo Inditex quem verdadeiramente beneficia do miserável salário mínimo que se paga em Portugal. Mais do que o patrão da pequena ou média empresa têxtil do Vale do Ave que esmaga os preços para conseguir a encomenda da Zara.

3 Enquanto escrevo e observo os gestos quase cacofónicos dos parlamentares, recordo a história de Samir, lida umas horas antes. O rapaz de 17 anos que fugiu à guerra e à fome no Sudão, atravessou o deserto até à costa líbia, fez-se ao Mediterrâneo até Itália, calcorreou a Europa do Sul para o Norte, até ficar encurralado na "Selva" de Calais. Nunca chegará à terra prometida. Morreu este mês, num centro francês de acolhimento para menores, de ataque cardíaco, poucos dias depois de lhe dizerem que o Reino Unido recusava o seu pedido de asilo. É assim, este admirável mundo novo: a riqueza não se partilha, protege-se com muros e arame farpado ou usando os cofres virtuais dos paraísos fiscais. Vivemos o que a Oxfam batiza como a era "dourada" dos super-ricos, alicerçada em dogmas que nenhum político no poder, incluindo os populistas, quer ou pode contrariar: o mercado tem sempre razão e o papel dos governos deve ser minimizado; as empresas têm de maximizar lucros e garantir maiores vantagens para os acionistas, seja qual for o custo; a riqueza individual (mesmo a extrema) é um sinal de sucesso.

* EDITOR-EXECUTIVO

25 janeiro, 2017

Ainda o «Universo Porto de Bancada»

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Joaquim Oliveira
(O ressabiado)


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Octávio Ribeiro
(a vergonha-mor do Correio da Mentira) 

Não sei se a decisão de denunciar o trabalho sectário das arbitragens, e as suas ligações impúdicas ao Benfica, ainda vem a tempo de remediar os danos causados ao FCPorto,
o que sei é que devia ter começado, pelos menos, há cerca de 3 anos atrás. Nem importa para o caso especular se com arbitragens isentas e competentes, teríamos sido campeões, o que realmente interessa é garantir que os árbitros actuais tenham comportamentos idóneos à altura daquilo que se lhes exige. 

É por tudo isto que o FCPorto não pode recuar na empreitada de acusar quem deve ser acusado, desde que o faça criteriosa e fundamentadamente, sem exageros, mas com toda a seriedade, determinação e objectividade, de molde a contribuir para o princípio de uma lavagem radical nos bastidores do futebol potuguês, que, como bem sabemos, está minado de oportunistas um pouco por todos os seus departamentos. 

Será uma luta árdua, e provavelmente solitária, dada a boçalidade intelectual de alguns clubes nortenhos, incapazes de se unirem para formar uma frente comum de combate contra os habituais artifícios do centralismo. São boçais, porque já deviam ter aprendido que para Lisboa só existe Lisboa, e o(s) seu clube(s) fétiche, o Benfica, os restantes, serão sempre isso: o resto. Mas, não. Pensam que, juntando-se a eles, seguindo cobardemente o lema "se não podes vencê-los, junta-te a eles", ganham alguma coisa com isso. Até podem ganhar pontualmente, com um ou outro "arranjinho", mas na volta vão ser tratados como nos tratam a nós, portistas. Ainda vamos ver esse filme, estou certo.

Mas, é assim mesmo, só podemos contar com nós. Salvo uma grande surpresa (que se saúda), teremos de estar preparados para ir à luta, contra tudo e contra todos, fora do campo, mas não podemos desistir. Pugnar para que não hajam árbitros a gritar vivas ao Benfica nas redes sociais, para que se abram processos a clubes que oferecem vouchers a arbitros e privam com traficantes de droga (porta 18), baseados em factos e não em conspirações como fizeram ao FCPorto com o Apito Dourado, e nunca desistir enquanto não vislumbrarmos seriedade na resolução destes vergonhosos problemas. Sanear a Federação Portuguesa de Futebol, terá de ser a exigência mínima para continuar a competir, caso não haja da parte do Estado (sim, do Estado de Direito), uma medida drástica para o que se está a passar.

O director de Comunicação do FCPorto, Francisco Marques e José Cruz, foram pedagogicamente assertivos, ontem, no programa "Universo Porto de Bancada", quando puseram a nu as «oportunas» pazes e  gentilezas entre Joaquim Oliveira e o director do pasquim Correio da Manhã, Octávio Ribeiro, sustentadas na dor de cotovelo de um, e no ressabiamento odioso de outro.

É assim mesmo, quem não deve, não teme. Estas coisas não são para omitir, são para divulgar as vezes que forem precisas, porque conspurcam toda a sociedade e degradam-na, como se constata. Denunciando-as, estaremos a defender-nos e ao mesmo tempo a prestar um arrojado serviço público! Mas também, é preciso que o senhor Pinto da Costa saiba dar o exemplo, que apoie este programa, e que não venha a pôr em cheque a disponibilidade dos seus interlocutores, nem se lembre de amanhã convidar o senhor Joaquim Oliveira para a festa dos Dragões de Ouro... 
    

23 janeiro, 2017

Um bom e gratuito conselho aos leitores

Caros leitores, 

tomem cuidado, não se deixem levar pelo canto da sereia, chegue ele das "vozes" da MEO, da NOS, ou mesmo da Vodafone. O encanto,  não provém propriamente destas empresas, surge subrepticiamente na forma dos milhões patrocinados aos principais clubes de futebol. Os adeptos dos clubes não são insensíveis a esses negócios, porque (em tese) correspondem à entrada de uns bons milhões de euros nos cofres dos respectivos clubes, mas talvez seja isso que explica a tendência para abusarem dos clientes que são afinal quem lhes faz chegar o pilim.

É que estes grandes grupos de comunicação, além de desrespeitarem os clientes em termos de isenção na informação desportiva, exercem sobre eles cada vez mais pressão, só para atingirem os seus escusos objectivos comerciais. Vale tudo, até imporem as regras que mais lhes convém, sem olharem minimamente aos interesses dos clientes, nem mesmo aos preços previamente estipulados. A estratégia comum, é proporem novos pacotes quando se aproxima o prazo do término dos contratos, com"ofertas"de novos serviços - grande parte das vezes dispensáveis -, como pretexto para subirem o preço da facturação e simultaneamente renovarem a fidelização dos clientes por mais dois anos. 

Houvesse seriedade e respeito nestes expedientes, até podía compreender-se, numa sociedade consumista e estupidamente competitiva, como é a nossa. Agora, não é isso que acontece, na maior parte dos casos.  Ligam-nos vezes sem conta, insistem, mesmo depois de dizermos que não estamos interessados em alterar os contratos (com o isco dos novos pacotes, nem sempre vantajosos), até perdermos a paciência e sermos impelidos a falar-lhes  grosso...

Sei que não é deles a responsabilidade por este novo estilo de sobranceria comercial, é dos administradores, e dos chefes que lhes impingem essas "estratégias". Mas lá está, enquanto cidadãos, cabe-lhes também fazer alguma coisa para se defenderem, até porque são eles quem dão a cara (e a voz) para lidarem com a indignação dos clientes. Não fazendo passar a voz dos clientes para os superiores hierárquicos, estão com isso a contribuir para a manutenção deste clima de desrespeito crescente entre consumidor e empresa.

Exponho-vos esta situação, porque sendo cliente há muitos anos da NOS (ainda era TVCabo), estou farto de ter transtornos por causa destes expedientes de chico espertismo e de me arreliar escusadamente, umas vezes pela incompetência (ou medo)  dos funcionários, outras pela prepotência de quem os superintende. Tenho vencido  estes contenciosos, mas como disse, sempre com muita oposição e incómodo. Conheço outros casos,também pouco honrosos para estas empresas.

Como tal, aconselho os leitores a estarem atentos às bruscas subidas de preços e ao prazo de validade dos vossos contratos, sejam eles com esta, ou outra operadora (são todas iguais), e baterem o pé sempre que estiverem seguros das vossas razões. Pagar e não bufar, é a pior das decisões que podemos tomar, porque iremos contribuir para que estes esquemas mafiosos passem a ser a regra.

PS-
Este ano, houve uma nova  actualização do preço destes serviços. Agora, são anunciados previamente 2 mêses, mas reparem num detalhe: na NOS, essa indicação é apresentada na parte inferior da factura a letras minúsculas, só legíveis à lupa, mesmo para jovens.
Questão incontornável: para quem quer mesmo destacar uma informação, reduz-se o tamanho das letras, ou aumenta-se? Isto, é muito próprio de  países governados  por vigaristas.

20 janeiro, 2017

Que ensosso é o discurso de Nuno E. Santo!



Senão, leiam:

«Queremos estar no topo da tabela, é para aí que olhamos, mas não desvalorizamos todos os rivais que estão atrás de nós»

«Estamos nos objectivos de lutarmos até ao fim pelo título de campeão. Temos de ser melhores, crescer e estar à altura do FCPorto»

«Temos uma equipa jovem, mas é uma das melhores defensivamente a nível europeu. Temos de ser mais regulares na finalização»

As conferências de imprensa do actual treinador do FCPorto são, além de ensossas, monocórdicas. O verbo que aplica invariavelmente [a primeira pessoa do plural] no seu discurso, em vez de transmitir  uma ideia de colectivo,  parece excluí-la, dada a sensação abstracta que deixa no ar. Parece estar a falar para nenhures. Receio que as suas palavras surtam o mesmo efeito para os jogadores e que isso explique os altos e baixos das suas exibições.

Vejamos: o que é que ele pretende dizer na primeira frase, se ela for porventura dirigida aos adeptos? Que nós pensamos que não quer pôr a equipa a jogar para ganhar? E por que raio não deviamos nós (FCPorto) valorizar todos os adversários? Não será antes ele que desvalorizará o nosso clube, se não conseguir ultrapassar adversários com planteis financeira, desportiva e estruturalmente mais frágeis que o FCPorto, como tem acontecido?

A segunda frase é outra redundância. Temos de ser melhores? Então, para quem estará ele a falar? Para nós? Para os jogadores? Para nós adeptos, não vale a pena, porque nada podemos fazer, a não ser apoiar a equipa, e nisso temos sido do melhor que há (e nem falo por mim). Para os jogadores, também quero crer que não é, porque a principal solução está no treino, não apenas nas intenções, e é ele o treinador. Estará a falar para ele, para se convencer que é capaz de fazer o que diz?

Por último, a conversa gasta do costume: "temos uma equipa jovem", "temos de melhorar na finalização". Ao repetir sempre a mesma coisa, Nuno Espírito Santo não está mais que a "marinar" uma boa desculpa para um provável fracasso. Só pode. E esse, é mais um discurso anti-Porto, não é próprio de quem jogou no clube e diz conhecê-lo bem.

Quanto à finalização, seria muito mais prático que explicasse quanto tempo [horas extra] tem dedicado a treinar os jogadores nesse aspecto específico, e se os tem instruído para perderem o medo de rematar. Sim, porque aquilo que os adeptos têm visto, salvo raras excepções, é medo de chutar à baliza, e muito poucos ousam fazê-lo.

E já agora, talvez seja tempo de entender que não foi por termos uma defesa sólida que não perdemos 2 troféus já nesta época, e várias oportunidades para passarmos para o pódio do campeonato.

Isto, apesar da máfia das arbitragens...  


18 janeiro, 2017

Universo Porto de Bancada


Universo Porto - da BancadaContinuo a considerar o programa Universo Porto de Bancada, do Porto Canal, um progresso na defesa do FCPorto, mas parece-me demasiado inconclusivo em termos práticos. Se concordo com o conteúdo e a objectividade com que é apresentado, já não posso dizer o mesmo dos interlocutores, apesar do bom serviço que estão a prestar ao clube. 

Sem despeito para os outros, até por não terem vínculos profissionais com o FCPorto, Francisco Marques na qualidade de director de Comunicação, é sem dúvida o homem com mais responsabilidades, pelo que se faz e se diz no referido programa, a par do ex-jornalista da RTP, José Cruz. Mas, se a ideia é fazer sair da toca os responsáveis da Comissão de Arbitragem da FPF e obrigá-los a responder às reclamações do FCPorto, corremos o risco de ter de esperar sentados, devido ao papel secundário de Francisco Marques na estrutura directiva do clube. 

Por isso, para que este trabalho possa surtir alguns resultados, seria extremamente importante  que Pinto da Costa se decidisse a provar aos adeptos [e também aos adversários] que ainda é capaz de dar a cara pelo clube nos momentos difíceis. De contrário, não vamos conseguir suster os roubos de igreja que tanta mossa tem causado às prestações da equipa. E, será bom realçar que a roubalheira das arbitragens não se fica apenas pelo futebol, ela faz-se notar praticamente em todas as modalidades com efeitos colaterais no moral dos atletas (veja-se o que sucedeu com o Óquei em Lisboa).

Há ainda muita parcimónia no tratamento destes casos de polícia. Os comentadores, às vezes ainda exageram no politicamente correcto. Bruno Magalhães, um dos comentadores do Universo Porto, usou o verbo "pedir" quando se falava da Comissão de Arbitragem e da sua indiferença aos protestos do FCPorto. Ora, só pede quem precisa. Nós não precisamos de justiça, nós temos de a exigir, porque é para isso, e só para isso, que os árbitros existem. O pior que se pode fazer à justiça, é pedir a alguém que a representa  que a pratique. Se não nos querem ouvir, então teremos de passar para outro patamar mais alto de protesto, mas nunca calar.

É possível que esta tardia decisão de finalmente colocar o Porto Canal a fazer o contraditório do que se diz e escreve em Lisboa, sempre que tal se justique, venha de persi a refrear os ímpetos segregacionistas de alguns árbitros, mas pode não bastar para todos, porque, não tenhamos ilusões, há muitos que estão dispostos a cumprir a missão até ao fim, tal é o sentimento de impunidade que os domina.  

17 janeiro, 2017

Escrever direito por linhas tortas

O salário mínimo em Portugal é indigno de um país que diz querer romper com o modelo dos baixos salários. Para muito mais de meio milhão de pessoas, o trabalho não chega para fazer face às despesas mensais básicas, e já nem falamos do que não devia ser um luxo: cultura, lazer, conforto.

Em 1990, um salário mínimo comprava menos 85euro que em 1974 e, em 2000, já valia menos 107euro. Os aumentos dos últimos anos reduziram esta perda, mas ainda não a compensaram. O salário mínimo continua a ter menos poder de compra que há 42 anos.

Não percamos mais tempo, portanto, a discutir a urgência óbvia do aumento do salário mínimo. Em vez disso, analisemos as razões para o Governo compensar o patronato por este aumento.

Em primeiro lugar, é preciso saber quem ficou a ganhar com o poder de compra perdido pelos trabalhadores desde 1974. Essa riqueza foi apropriada, precisamente, por quem paga o salário. Se há alguma compensação a fazer, cabe aos patrões fazerem-na e não beneficiarem dela.

Por outro lado, não há qualquer razão para a Segurança Social pagar, através do desconto na TSU patronal, 63 milhões pelo aumento do salário mínimo. O dinheiro da Segurança Social é dinheiro dos reformados, e não cabe aos reformados de hoje ou de amanhã pagar parte do salário. Essa é a responsabilidade dos patrões. Acresce que este desconto é inaceitável porque é um prémio decidido pelo Governo às empresas que contratam com salários mais baixos.
A qualidade dos representantes patronais e a sua estreiteza de espírito ficam à vista quando, de tantas reivindicações possíveis, se concentram nesta. É esta estreiteza de espírito que explica, em parte, o atraso produtivo do país.

Que uma reivindicação patronal tão retrógrada seja aceite e até defendida pela UGT, não surpreende. Ao longo dos últimos anos, a UGT apenas serviu para legitimar "acordos" de concertação social a medidas de verdadeiro ataque aos direitos dos trabalhadores.

Por fim, as reviravoltas políticas do PSD são o que menos importa neste debate. Se os cálculos políticos de Passos Coelho, oportunistas ou suicidas, permitirem uma maioria para impedir uma medida injusta e um "acordo" artificial e errado, então Passos terá escrito direito por linhas tortas...

DEPUTADA DO BE

Nota de RoP:

Esta mesquinhez do ordenado mínimo, é, a par da corrupção, talvez a maior vergonha da classe política e empresarial portuguesa. Não tem qualquer justificação, a não ser o que disse agora mesmo: mesquinhez. O António Costa deu o primeiro tiro no pé, como era de prever.

Mas, acalmemo-nos, porque ainda há quem sinta orgulho de ser português...



16 janeiro, 2017

TEATRO MUNICIPAL DO PORTO COM ORÇAMENTO REFORÇADO


Image de Teatro Municipal do Porto com orçamento reforçado

“A atividade do Teatro Municipal tem sido um sucesso. Tem havido enorme adesão ao que aqui temos feito. Entendemos que tínhamos condições para este reforço [no investimento], para fazer uma programação internacional mais forte”, afirmou esta quarta-feira Rui Moreira, em declarações aos jornalistas no Teatro Rivoli, um dos polos do TMP, a par do Teatro do Campo Alegre.
Na apresentação da programação até julho, o autarca e o diretor do TMP, Tiago Guedes, contabilizaram a realização de 19 espetáculos internacionais, 16 dos quais em estreia nacional, destacando a “estreia mundial” de “Couture Essentielle”, um “desfile performativo” sobre a história da moda, da autoria de Olivier Saillard, diretor do Museu da Moda de Paris.
Esta “primeira coprodução internacional” do TMP vai ser apresentada a 17 e 18 de março, no Salão Árabe do Palácio da Bolsa, e conta com a participação de cinco modelos que, nos anos 80, foram musas de estilistas como Yves Saint Laurent ou Lanvin, descreveu Tiago Guedes.
De acordo com o diretor do TMP, o mês de março é “um dos mais desafiantes em termos de programação”, começando com o “Foco Deslocações”, sobre “migrações e refugiados”, com espetáculos de dança de Dorothé Munyaneza (Ruanda) e de Mithkal Alzghair, sírio que vive em França.
Até julho, o TMP programou 85 espetáculos, 45 com “companhias e estruturas da cidade”, destacou Rui Moreira, notando que 37 apresentações serão “coproduções de raiz”, com um custo superior a 600 mil euros.
“A Cultura será a nossa bandeira até ao fim [do mandato]. Tem sido um grande sucesso, é muito importante, não apenas pela Cultura em si, mas também pelo impacto que tem na economia e na coesão social. O que aqui oferecemos é bastante acessível a todos os públicos. Temos visto um regresso aos públicos que foi ensaiado com a Porto 2001, que tinha sido perdido, e a cidade está reconfortada com esta aposta”, observou Rui Moreira, que acumula o pelouro da Cultura.
Tiago Guedes destacou a “forte programação internacional” de 2017 e o “grande foco dedicado às migrações e deslocações”, uma questão atual “pertinente”, para cuja “reflexão” a arte tem de dar “um contributo”.
“O Teatro Rivoli e o Teatro do Campo Alegre são os teatros da cidade que apresentam programação internacional. É um dos nossos pontos fortes, para além do trabalho que fazemos com as companhias das cidades”, vincou.
Para o diretor, a expectativa para 2017 é que o TMP “passe para outro nível”.
“Foram dois anos de muito trabalho a conquistar os públicos, a pôr o teatro em funcionamento, para agora pensar em novos projetos”, afirmou.
O diretor e o presidente da Câmara do Porto revelaram ainda que não vai ser lançado novo concurso para ocupar, com um espaço de restauração, o quinto piso do Teatro Rivoli.
“Foram lançados dois concursos e não houve candidatos. O espaço não está fechado. É um grande espaço de ensaios que está a ser aproveitado”, descreveu Tiago Guedes.
Rui Moreira realçou que “o teatro absorveu esse espaço”, sublinhando que “parece que a resposta que a cidade dá é que seja um espaço de teatro”.
Quanto ao terceiro piso do Teatro Rivoli, Tiago Guedes revelou que vai ser “todo intervencionado” para “finalmente ser a grande sala de visitas” do equipamento, devendo ser inaugurado no Festival Dias da Dança, agendado para maio.
A temporada de 2017 do TMP começa a 21 de janeiro, dia do 85.º aniversário do Teatro Rivoli, com “15 horas de programação ‘non-stop’”, sete espetáculos, quatro concertos, duas instalações, uma exposição, 14 artistas da cidade e 115 participantes em nove espaços de apresentação.
[do Porto24]