01 setembro, 2017

Ó sr. Presidente da República, e que tal um beijinho para estes meninos?


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ex-deputado condenado por ter roubado gravadores a jornalistas com pena confirmada pelo Tribunal da Relação em 2013, acaba de ser nomeado para o Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais.


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2-António Gameiro, deputado e advogado condenado em tribunal por ter ficado com 45.000 euros de um cliente​ ​com pena confirmada pelo Tribunal da Relação em 2016, acaba de ser nomeado para o Conselho de Fiscalização do Sistema Integrado de Informação Criminal.
Sendo obviamente impossível esperar que os senhores deputados fizessem o favor de aprovar uma lei que impeça políticos condenados de voltarem algum dia a exercer cargos públicos, pois Portugal não é a Suécia nem a Alemanha, seria pedir muito que aprovassem pelo menos um período de nojo mínimo de 10 anos ?

Nota de RoP:

De facto,  a integridade de carácter, hoje, não vale nada. Qualquer pilha-galinhas tem acesso aos partidos políticos, e a partir daí, ao Poder. 

Como ainda ontem referi, não é a competência, nem muito menos a honradez, que explica o "sucesso". É a pulhice. Quem ousar contrariar esta norma ( musa inspiradora de todas as cartilhas), sujeita-se a ir parar à prisão.  

30 agosto, 2017

Chegou a altura de falar de Fernando Gomes, presidente da FPF.

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Fernando Gomes, Presidente da FPF

A circunstância de o actual presidente da FPF, Dr. Fernando Gomes, ter sido atleta e administrador da área financeira da SAD do FCPorto, não pode impedir-nos de lhe dedicarmos alguns minutos. 

Não sei, nem interessa saber, se houve outras razões para a sua saída do FCPorto além da ambição pessoal. O importante, é tentar perceber como é que alguém cotado como bom profissional no FCPorto, não consegue corresponder na Federação a essa mesma reputação dentro do próprio organismo.  A opinião é minha, não é uma opinião generalizada, considerando os cargos que lhe têm sido atribuídos no estrangeiro (é presidente e membro do Comité Executivo de Competições de Clubes da UEFA). 

Nos tempos que correm, as avaliações dos altos dirigentes  feitas de fora para dentro, não traduzem forçosamente provas de reconhecimento por competência e integridade, mas antes uma garantia de obediência a determinados padrões de domínio hierárquico. Foi o caso de Victor Cônstâncio que transitou promovido de presidente do Banco de Portugal, para vice do Banco Central Europeu, e o caso ainda mais antagónico de Durão Barroso, de 1º Ministro, para Presidente da Comissão Europeia. Em ambos os casos, não foi, nem a competência, nem o rigor, que lhes valeu a promoção. Um, foi completamente inócuo com o buraco do BES, e o outro, com a governabilidade do país. Paradoxos dos tempos modernos...  

São registos deste tipo, que nos conferem uma certeza: o melhor juíz das capacidades de liderança públicas, é o público. É neste mesmo registo que avalio o trabalho de Fernando Gomes à frente da Federação Portuguesa de Futebol. O seu comportamento enquanto chefe máximo da estrutura do futebol português não tem correspondido ao prestígio que adquiriu. Tem sido omisso e passivo com o que está a acontecer, mesmo tendo a colaboração preciosa do FCPorto com a denúncia de uma rede de corrupção instalada no futebol português, que era algo que não devia acontecer, e está a acontecer. A sua intervenção e colaboração neste caso concreto tem sido nula, e demasiado permissiva. Se antes mesmo de ter conhecimento dos emails critiquei Pinto da Costa por não defender o FCPorto dos abusos das más arbitragens que foram crescendo de intensidade nos últimos anos, não posso deixar de fazer o mesmo com Fernando Gomes dentro da sua área. 

O silêncio, num caso de tamanha gravidade como é este, só serve os infractores e compromete seriamente quem o defende. É no silêncio, face às suspeitas de que são objecto, que os cartilhistas vermelhos apostam. A táctica é essa, nada responder, e converter tanto quanto possível a defesa em ataque. Dar tempo a uma rede tão poderosa e maléfica como é a deste "Polvo", é ajudá-lo a manipular pessoas e organismos desportivos e  públicos de toda a ordem. Repito: o FCPorto tem toda a legitimidade para exigir explicações céleres ao Governo. Há que testá-lo, para vermos até que onde quer levar os crimes do clube do regime à lavandaria. O Governo tem de se retratar. Mas também a Assembleia da República.

Como disse Francisco J. Marques ontem, se calhar precisamos de fazer uma revolução para sermos atendidos. Já o admiti antes: a aparente passividade do FCPorto pode obedecer a uma estratégia sustentada em pareceres jurídicos experimentados de não querer interferir nas investigações em curso pela Unidade N. Contra a Corrupção. Mesmo assim, não me parece desaconselhável pressionar o Governo para também os investigadores perceberem que podem avançar com a investigação.

Se o Governo não reagir, resta-nos o recurso aos tribunais europeus, à revolta, ou em último caso desistir (morreria de desgosto). Assim, seríamos mais um clube a contribuir para que Portugal se afirme como a cloaca mais fétida da Europa.     

Para que serve...

Palácio de S. Bento


... a Constituição da República Portuguesa?


  • O Presidente da República?
  • A Assembleia da República?
  • O Governo?
  • O Tribunal?

Para quem representa estes órgãos de soberania é  demasiado simples responder: os subterfúgios do costume.

Para quem os analisa e não está agarrado a qualquer compromisso de favor, como é o meu caso, e o de muitos portugueses, a resposta só pode ser uma e curta: para nada! Ou, se preferirem (mas vai dar ao mesmo), para brincarem aos países! 

29 agosto, 2017

O artigo de Vitor Santos podia ser útil, só não é por lhe faltar profundidade

Não sei que tipo de pacto fala o autor da crónica do post anterior, o que sei, é que mais uma vez, quando se trata do Benfica, os jornalistas não conseguem ser pragmáticos, optam sempre pela abstracção das generalidades, ou então quando identificam, são os adversários... 

Resumidamente, o que parece preocupar Vitor Santos é a violência no futebol. Para isso, valeu-se de algumas ocorrências entre adeptos nos jogos entre o Rio Ave e o Benfica, o Braga-FCPorto, e também do vandalismo na casa dos dragões em Famalicão. Em princípio toda a violência é censurável, e eu só posso estar de acordo, só não percebo são as razões estafadas apresentadas. Expressar como argumento causa-efeito as Associações de Clubes através da Liga, e o cultivo do discurso violento na praça pública entre dirigentes sem especificar quem, é criticar todos, sem criticar ninguém. 

O momento actual, pode ser único para os jornalistas sérios decidirem se querem continuar alinhados num jornalismo cartilhista e cobarde, ou se optam pela coragem de chamar os bois pelo nome, como fizeram quando o clube do regime inventou o processo Apito Dourado com o fracasso vergonhoso que se sabe. Aí, até o JN pela mão do jornalista Nuno Miguel Maia foi incansável no acompanhamento do dito processo sem nunca se coibir de falar de Pinto da Costa e do FCPorto. Não se percebe portanto que, agora, com tantos, e tão evidentes indícios criminosos no seio do Benfica e do seu presidente, os jornalistas, como aparenta ser o caso de Vitor Santos, veja nos dirigente(s) a culpa da falta de fair -play e da violência. Assim como se estranha não acompanhar o comportamento da Federação Portuguesa de Futebol face aos escândalos em que muitos árbitros estão aparentemente envolvidos, e este "aparentemente", é delicadeza minha... 

Sinceramente, para um jornalista, é uma visão demasiado ingénua, desfocada da realidade e do alvo. Os jornalistas têm, como é natural, acesso privilegiado à informação, portanto só podemos atribuir ao medo que o autor do artigo não tenha encontrado melhor argumento que uma abstracção já muito gasta. 

Mas pronto, eu vou fazer de conta que não li, que se trata de um jornalista muito distraído, e presto-lhe uma ajuda: o Benfica é suspeito de ter construído uma rede gigantesca de esquemas ilícitos no futebol português. 

Que tal começar por aí? Pelo menos, seria original. 


Um pacto à grande

Victor Santos
(JN)

O fim de semana deixou-nos sinais preocupantes no que concerne à violência no futebol. E desvalorizar o que se passa é meio caminho andado para, um dia destes, voltarmos a ter mais um problema sério, até porque o campeonato principal ainda está a começar e já abundam episódios que apenas servem para afastar as pessoas dos estádios. Convém, portanto, não enfiar a cabeça na areia, antes enfrentar a situação de frente.
A Liga Portuguesa de Futebol Profissional tem realizado ações importantes no sentido de promover o fair-play na competição, mas nada parece chegar para arrefecer o ambiente, o que nem espanta. Afinal, a Liga é uma associação de clubes que "apertam a mão" nas reuniões de Direção, mas continuam a cultivar um discurso violento na praça pública, por vezes, através de responsáveis, noutras situações de forma encapotada, socorrendo-se de blogues e páginas no Facebook para dizer aquilo que pensam, ou querem que os outros pensem, sem sofrerem qualquer admoestação ou castigo.
A violência esteve bem patente sábado, no Estádio do Rio Ave, quando, após o final do encontro com o Benfica, adeptos da águia carregaram sobre vila-condenses, depois de o contrário também ter acontecido, mas dentro do recinto. Horas depois, em Famalicão, a Casa do F. C. Porto foi apedrejada e atingida com engenhos pirotécnicos; no domingo, registaram-se incidentes entre adeptos portistas e do Sporting de Braga, na Cidade dos Arcebispos.
Uma ocorrência já era de lamentar, mas o facto de se multiplicarem numa fase tão precoce da época dá que pensar. Se é assim agora, como será quando o campeonato aquecer verdadeiramente? Não faltam questões por resolver, como a das claques - as que existem e as que teimam em dizer que não existem -, mas entendo que o problema é mais vasto, e passará, sobretudo, por um pacto, ou um acordo, entre os três grandes clubes portugueses, no sentido de não deitarem gasolina na fogueira, seja de forma oficial ou oficiosa.
Por mais medidas de segurança que sejam adotadas - e algumas poderão ajudar a evitar problemas - não vejo outra forma de impedir uma escalada de violência a não ser com o exemplo a partir de cima. Todos sabemos a quem os adeptos dão ouvidos. A bola está nas mãos dos responsáveis dos clubes, convém que não a larguem e que a tratem bem, não vá um dia destes quererem agarrá-la e ela ter fugido irremediavelmente ao seu controlo, com consequências imprevisíveis.
EDITOR-EXECUTIVO-ADJUNTO
Nota de RoP: Tenho algo a dizer sobre este artigo. Será explicado dentro de alguns minutos. 

28 agosto, 2017

Do futebol na relva aos bastidores

Corona festeja o seu golo à Maradona

Não é por falta de apoio dos portistas que o FCPorto tem razão para se queixar. Apoio desse tem tido de sobra, graças a uma massa de adeptos generosa que nunca se cansa de puxar pela(s) equipa(s) - não é só no futebol - mesmo que o senhor presidente tenha decidido nos últimos anos actuar como uma espécie de raínha de Inglaterra. Ele, e os outros, que o rodeiam... 

Sobre o jogo de ontem, foi um bom jogo com os jogadores aplicados, mas muito nervosos na hora de rematar. Valeu o resultado, ou melhor, os 3 pontos do resultado, e o empenho da equipa. Um golo soberbo de Corona, pleno de técnica e beleza. Pena é ainda vermos alguns passes mal dirigidos a permitir aos adversários intercepções perigosas perto da baliza que podem deitar a perder a vantagem no marcador. Esse, é um aspecto que ainda falta melhorar a par do lado psicológico na hora de rematar. Nota-se ainda alguma ansiedade, alguma pressa de ampliar o marcador, o que é compreensível numa equipa cujos jogadores têm sido submetidos a permanentes arbitragens discriminatórias que desmoralizam o mais duro valentão. Tenho isto como um dado adquirido, as arbitragens tendenciosas (que agora sabemos fazem parte da cartilha) podem destruir qualquer equipa.

É neste capítulo, e no distanciamento algo arrogante da SAD, que os adeptos não podem dizer que se sentem apoiados. Nada mesmo. A soberba, tal como o poder absoluto, corrompe o carácter e a noção do dever. Pinto da Costa foi um grande Presidente, um dos melhores do futebol internacional, mas perdeu a noção dos seus deveres para com a massa associativa. Esquece-se que o prestígio que conquistou não lhe dá o direito de proceder como se o FCPorto fosse propriedade sua, que não é de todo, apesar da legitimidade do seu cargo. E uma das suas muitas obrigações para com os adeptos é explicar os insucessos desportivos, mas também os financeiros. As más contratações, o desperdício de capital, não podem ser  justificados em Assembleias tímidas nem tão pouco com silêncio.

Mas, o pior que tem feito Pinto da Costa nestes últimos anos, é não querer dar a cara para defender o clube. Estou sempre a dizer o mesmo, a gestão invisível do Presidente continuando a delegar nas denúncias de Francisco J. Marques responsabilidades que deviam ser suas, não chega para defender o FCPorto.

A SAD portista tem um departamento jurídico experiente, e já devia ter uma estratégia de defesa estudada. Se tem, não parece. A sensação que  a SAD deixa é opaca, parece sentir-se confortável  na expectativa que seja a boa vontade dos dirigentes desportivos e disciplinares da Federação a resolver os problemas, e isso, como tem sido evidente, é o que eles querem para continuarem a fazer nada. Aliás, nem faz sentido que façam, porque alguns deles são parte interessada no status quo. Outros, estão ligados à cartilha por razões clubistas e pecuniárias. José M. Meirim é só um deles. Ele é suspeito, não lhe adianta ser juiz em causa própria para puxar dos galões da seriedade. É preciso parecer, e ser sério. 

Vou dizer uma redundância, mas às vezes elas são precisas, tal é a minha incapacidade para compreender a apatia dos dirigentes do FCPorto. Se alguém me assaltar a casa, eu recorro à Polícia, se a Polícia não actuar terei de recorrer ao Ministério Público e deste para a Procuradoria-Geral. Se nenhum actuar, como obriga um Estado de Direito, então resta-me fazer justiça pelas próprias mãos... Não sei se o FCPorto, passe a ligeireza do raciocínio, pode argumentar desta maneira, mas a situação acaba por ser essa. O FCPorto não é um clube amador, tem toda a legitimidade e o dever de processar a Justiça Desportiva, porque o problema está aí. O Benfica, ou melhor, quem o representa e com ele colabora (Imprensa, Televisão e Rádio), é o autor do crime, mas quem o permite é a Justiça Desportiva! Ou não será assim?

Já estou cansado deste folclore. Pessoalmente, e como portista, não me vejo ressarcido dos longos anos de discriminação praticados contra o FCPorto com denúncias. É preciso dizer às autoridades: vocês têm aqui a "papinha", agora façam o vosso trabalho. Não precisam de nos agradecer, mas avancem e digam-nos a que conclusão chegaram.    

A pergunta que deixo no ar e para quem de direito, é esta: afinal, o FCPorto está ou não está a ser lesado no seu património desportivo? Se está (e para nós portistas não restam dúvidas), por que não leva o caso às instâncias judiciais mais altas da Europa? Se as nacionais não funcionam porque não recorrer à UEFA? Sim, porque a avaliar pelo comportamento da Direcção portista, existe ainda muita disponibilidade para perder.

E não é só dinheiro, são títulos!


26 agosto, 2017

A nenhuma-vergonha é para continuar? Até quando?


Deixemo-nos de artifícios, Portugal é de facto, socialmente o país mais africanizado da Europa. Aqui, o "africanizado" não tem nada a ver com as diferenças da côr da pele, nem com paixões ardentes dos nossos governantes pela inclusão racial. Bem pelo contrário! Em Portugal exerce-se racismo político e territorial, contra os próprios conterrâneos! Que importa especificar as diferenças entre os vários tipos de discriminação? Discriminar pela côr da pele, pelo local de nascença, ou pelo clube de futebol, que diferença faz? É sempre discriminação. Ponto.

A expressão "africanizado" é para mim a que melhor define o nosso atraso, pela reputação antiga que têm a grande maioria dos países desse continente, quer em termos de civismo social, como de seriedade política. Só nos faltam as bananeiras, porque República, já a temos. 

Desenganem-se aqueles que pensam que o 25 de Abril mudou alguma coisa. Portugal está a ficar pior. A única diferença é que, agora não é a PIDE a perseguir e condicionar quem contesta o regime. Agora, é o centralismo* quem faz esse serviço   propagandeado e desenvolvido e pelos media instalados na capital .

Sedes de Bancos, Jornais, Estações Rádio e Televisão [públicas e privadas], quantas existem fora de Lisboa? E no tempo da outra senhora, seria mesmo pior? Nesse tempo, que não era propriamente dourado, o Porto  tinha jornais, rádios, sedes de bancos e grandes empresas, só não tinha estações de tv porque a televisão ainda não existia, e se existia era ainda incipiente. Então, como é, estamos melhor agora? Somos mais autónomos?  Haverá algum político que se atreva a negar esta realidade? Pode ter a certeza que se o fizer aqui, chamo-lhe vigarista.

Políticos... Sobre esta pouca vergonha que se está a passar no futebol, não abrem a boca? Confiam nos órgãos de justiça desportivos? Ainda não perceberam que estão corrompidos?  Por que não falam, nem reagem? Mesmo assim, querem convencer-nos a votar? Acham porventura que lhes reconhecemos mérito e dignidade para o merecerem? E os partidos da oposição, nada têm a dizer das denúncias que semanalmente são divulgadas no Porto Canal sobre as habilidades mafiosas do Benfica que fariam envergonhar Al Capone? 

Onde estão V. Exas., que ninguém vos vê, a não ser na rua a vender banha da cobra? Onde está o Partido Comunista? O Bloco de Esquerda e todos os outros, que também optaram pelo assobio para o lado? Terão medo de perder os votos dos vermelhos? Mas olhem que eles não são assim tantos como parecem, e mesmo que sejam, a vossa atitude não deixa de ser infâme.

Continuem neste registo de fazer do povo um trampolim para as vossas inúteis carreiras e um dia, quem sabe,  talvez se venham a arrepender. 

Fica desde já aqui declarada a minha opinião sobre o que penso da vossa utilidade. E gostava muito, muito mesmo, que me lêssem e se atrevessem a contestar-me, ou negar o que aqui está lavrado. Mas, acho que não têm coragem para isso, porque sabem tão bem como eu que jamais as negaria. 

Mesmo o argumento de o FCPorto ainda não ter apresentado queixa oficial (que não se compreende) contra estes escândalos às autoridades respectivas, não explica a indiferença nem o silêncio de toda a classe política, sobretudo do 1º. Ministro, e mesmo do Presidente da República. 

Isto não é Pedrogão Grande, não tem a gravidade da morte de 64 pessoas, mas esta é outro tipo de fogueira não menos perigosa: trata-se da degradação cívica e moral de todo um país. 

*Termo capcioso para  não se dizer racismo

25 agosto, 2017

10 razões para votar Rui Moreira


Logicamente que todos os cidadãos que amam o Porto vão votar Rui Moreira. Tenho a certeza que os milhões de estrangeiros que nos visitam todos os anos também votariam nele, se pudessem. Eu voto com mais vontade porque nasci e cresci nesta maravilhosa cidade que é um ex-libris incontornável da forma peculiar de ser Português. Do Minho a Timor todos são portugueses, mas os do Porto têm lá o étimo generativo (passe o pleonasmo).
Impõe-se elencar as razões pela minha opção por Rui Moreira, para dar continuidade ao excelente trabalho que tem feito.
1 – Recuperou a cultura para a cidade. Ao convidar Paulo Cunha e Silva para o pelouro da cultura, denunciou a promoção das Artes como desígnio político fundamental.
2 – Visão correta para o desenvolvimento da cidade. Retomou do consulado de Rui Rio a necessidade de manter as contas públicas corretamente saudáveis, mas investiu em projetos estruturantes que, por sê-lo, não podem ser feitos em cima do joelho. As críticas que os seus adversários políticos lhe fazem, principalmente o PCP e PSD, por alguma morosidade na consecução dos projetos, são sound bites marginais dos afastados do poder. A política de fundo não se compadece de pressas. Pressas tiveram, após o 25 de Abril, os comunistas e os esquerdistas dos extremos na ocupação daquilo que era dos outros. Política responsável tem de olhar ao trabalho e ao capital com os mesmos olhos equidistantes no sentido do desenvolvimento máximo da cidade.
3 – Tem um coração azul e branco. Eu voto nele com mais vontade porque ele é Portista, mas se fosse benf….. até me custa dizer a palavra, ou sport….. até me custa dizer a palavra, eu, menos motivado, continuaria convencido da sua competência política e continuaria a votar nele.
4 – Liberal e independente. Uma das suas forças mais pregnantes radica na sua reafirmada independência de tutelas partidárias que lhe tentem coartar a sua liberdade de pensar e agir.
5 – Apesar dos ataques soezes que lhe querem fazem ao carácter tenta anular a crispação nas relações com todas as forças políticas e sociais da cidade.
6 – A elegância e elevação cívica com que assume as diferenças políticas. Urgia, na cidade do Porto, um político que mantivesse a dissensão política ao nível dos argumentos e não dos ataques ínvios pessoais.
7 – A profunda convicção com que promove o desenvolvimento económico e social da cidade. Enquanto a “cigarra” comunista anda a cantar o estafado fado da recuperação das ilhas, Rui Moreira porfia no sentido de repovoar o centro da cidade com aqueles que não tragam os cartéis da droga e delinquência para a alma da urbe. A elites culturais e a classe média têm que ter condições para repovoar a baixa.
8 – Ganhou as últimas eleições contra tudo e contra todos porque os portuenses viram nele um homem sério e de forte carácter. A sua gestão tem comprovado o acerto dessa aposta dos tripeiros. Bateu as máquinas partidárias do PSD e PS mas, no interesse último da cidade, estabeleceu pontes com todos aqueles que aceitassem o seu projeto. O PS aceitou a sua tutela e colaborou profundamente com a sua governação; o PSD, ressabiado como virgem ofendida, remeteu-se a um ostracismo continuamente bloqueador que só não afeta a cidade porque a relação de forças o impede.
9 – A capacidade de ouvir os outros que também foram eleitos pelo povo. Rui Moreira, demonstrando que o interesse da cidade está acima de qualquer outro, corroborou propostas políticas dos seus adversários do PCP e Bloco.
10 – A cereja no cimo do bolo. A sua capacidade de dizer não ao controlo partidário do PS. Temos de reconhecer que Pizarro foi o “general” expedito das tropas do “rei”. Soube secundarizar-se, como obviamente tinha de fazer, para fazerem uma gestão autárquica que porfiasse em objetivos da cidade e não das máquinas partidárias. A nomenklatura bolchevique do Partido Socialista queria centralismos onde a alma é centrífuga. O centro para Rui Moreira são as periferias da cidade e não as cartilhas dogmáticas dos viciados no poder. Ao não ceder à chantagem aparelhística do PS ganhou nova liberdade para escolher os seus que, de certeza, também terão o bem da cidade como foco governativo.
Não conheço pessoalmente Rui Moreira, nem nunca falei com ele. Só sei que é um político com H grande como diria o melhor lateral direito do meu clube. Ao votar nele, voto na minha cidade.
(José Augusto R. Santos)
          Porto24

24 agosto, 2017

A cultura do medo numa democracia é Ditadura!

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Tenho um grande dilema. Não grave. Um sentimento misto de dúvida e ignorância parece ter-se apoderado de mim. Por um lado, tento acreditar nas virtudes da democracia conquistada no 25 de Abril. Não por convicção pessoal, que não a tenho, mas porque ainda vejo muita gente aparentemente convencida de que a usufrui, que algo tem a ganhar com ela. Apesar da ascenção galopante dos abstencionistas, ainda há demasiada gente a votar, a dar emprego aos profissionais da mentira. A política séria é uma causa, não um trampolim para interesseiros.  

As consultas diárias de jornais e televisões, ainda que cobertas de negatividade e contradições, corroboram muito para que essa ideia imprecisa de democracia mantenha alguma solidez, porque neste país há sempre um bom samaritano pronto para fazer crer nessa balela os mais incautos. Portugal pode estar a ferro e fogo (como está), mas o optimismo, esse grande mago, é que nunca falha. Resultado: Portugal é, e sempre será,  um país livre e democrático! Amén!

Por outro lado, algo coíbe o entusiasmo por este modelo de consensualidade, muito prá-frentex e optimista. Antes de tudo, porque é impossível haver democracia sem liberdade, e porque para haver liberdade também é preciso saber merecê-la. É aqui que reside a génese de todas as ditaduras: o medo. O medo, é o grande responsável por todas as cobardias, pelo anonimato, pelos nomes falsos, pela "coragem" sem rosto.

É o medo, a incapacidade de dizer não, quando alguém ultrapassa os limites da decência, seja ele patrão, político, ou o próprio pai. O poder exagerado e abusivo sobre alguém, deve sempre ser combatido com determinação. A não ser assim, como podemos nós acreditar num regime que se assume como liberal e democrático, e que ao mesmo tempo transforma pessoas aparentemente normais em perfeitas marionetes? Gente incapaz de condenar o condenável, quando o condenável tomou conta de si?

Estas questões não podem nunca ser interpretadas como impertinentes. Esse, tem sido um dos nossos males dos últimos anos, a incapacidade para reagir assertivamente às adversidades. Veja-se o que está a acontecer no futebol, a pouca vergonha que um simples clube (o Benfica) conseguiu semear no país para conseguir ultrapassar os adversários, a ponto de silenciar o próprio poder político? Veja-se igualmente a delicadeza como o FCPorto tem abordado este caso, além de apresentar publicamente as denúncias? Do Presidente não se ouve um rumor que seja! Veja-se como o silêncio dos órgãos de comunicação social "nacionais" pactuam com este caso gravíssimo, sem mesmo se preocuparem com a imagem abjecta que deixam na opinião pública? Então, aonde pára a liberdade desta gentinha, a moral, o sentido de justiça, da ética, da democracia? Conhecerá esta gente a história do menino que passava o tempo a gritar pelo lobo quando nem sequer o lobo via? Saberão o que aconteceu ao menino mentiroso? É uma história, é certo, mas talvez os ajudasse a crescer se os paizinhos a contassem no tempo certo... Assim, continuam a ter atitudes de catraios.

O meu espanto não se queda por aqui. Depois das velhaquices, das armadinhas que fizeram ao FCPorto, e ao seu Presidente, de todos os prejuízos éticos, desportivos e económicos porque passaram, o mínimo que o clube portista devia fazer, era exigir da justiça empenho e divulgação iguais aos que os fizeram passar. Mas não é isso que acontece. Suplicam. Agora que temos elementos, (praticamente provas) de uma rede mafiosa instalada no futebol, ainda estamos com paninhos quentes a pedir às autoridades desportivas e civis que façam o favor de investigar quando o que eles querem é que os deixem em paz?

Pergunto: também tu FCPorto, tens medo? O que será isso do "Somos Porto", o que quererá essa linda frase ainda dizer nos tempos que correm? "Somos Medrosos", será? Se não é, façam o favor de explicar os porquês para tanta parcimónia quando falámos de crimes de altíssimo teor criminável! Ou, estaremos a ser tolerantes com o crime? Em que posição ficamos? Na expectativa? Esperando que numa manhã de sol caia do céu um Justiceiro que venha pôr ordem no país? Isso nunca vai acontecer.

Esta pouca vergonha das cartilhas, por ser demasiado óbvia, desafiante, grave e tentacular devia servir como baluarte ao FCPorto, para lhe estimular a coragem que tem faltado estes últimos anos, sobretudo ao seu presidente. Neste momento, a par das denúncias que tivermos de continuar a fazer, devíamos pressionar o Governo português até o fazer agir, sair da toca, em vez de deixar que continue a fazer de conta que nada se passa. Devíamos envergonhar o poder político pela indiferença que dá mostras face ao maior escândalo do futebol nacional.

Pela minha parte (e isto que sirva de exemplo aos medrosos) afirmo aqui, neste simples blogue, sem qualquer receio de punição, que tanto o 1º. Ministro, como o Presidente da República, são cúmplices por, até ao momento, nem sequer terem dado sinais de exercer a tal magistratura de influência de que muitas vezes falam e muito poucas praticam.

Resumindo, e concluindo: em Portugal, a democracia não existe! Vive-se há 43 anos numa ditadura em que a mentira equivale à tortura da PIDE de outros tempos.

Tenham muita paciência senhores políticos, nunca conquistarão um voto meu. Pela minha parte, vão ter de arranjar outro emprego, ou na falta dele, emigrar!

22 agosto, 2017

Fogo, futebol e fado. A nova trilogia lusa

Não há argumentos dignos
de respeito para justificar
isto

Decorridas três jornadas da nova época futebolística, até ver, não se vislumbram sinais de mudança no comportamento dos organismos que tutelam o futebol português. Como sempre, há uns fogachos de boas intenções que  mais não  são do que areia para os olhos de quem assiste impotente à degradação (essa sim, galopante) de todas as áreas da sociedade. 

Sem me abstrair do futebol, que não é, nem deve ser a coisa mais importante da vida de todos nós, os incêndios, que para quem ainda não entendeu [refiro-me a todos os governantes], significa morte de humanos e animais, mais a destruição de florestas e terras de cultivo, são o fenómeno que melhor espelha o nível de civismo de quem tem gerido o país. 

Portugal, é, ao contrário do que esses mesmos políticos tentam fazer crer, o país mais inseguro e frágil da Europa. Qualquer criança malvada, pode arrasar o país com uma simples caixa de fósforos, porque a prevenção simplesmente não existe. Nunca vi um inferno destes em lado nenhum, com a mesma intensidade e progressão. Pena é, que os locais dos incêndios não se concentrem em casas ou propriedades de políticos, porque talvez assim tivessem um pouco de vergonha na cara de condicionarem a resolução destas desgraças às desculpas de sempre.

Por isso, se nem vidas humanas respeitam (apesar das palavras afectuosas do PR), é pouco provável que em Portugal, o futebol venha algum dia a ser regenerado. Os vídeo-árbitros são aparelhos que podiam ajudar as más decisões dos árbitros, mas são perfeitamente inúteis se atrás deles continuarem homens desonestos. Não vale a pena imaginar o contrário. Os erros dos árbitros são muito simples de tolerar, se forem apenas erros humanos, porque acontecem pontualmente, e um árbitro íntegro sabe muito bem ultrapassar essas situações pela sua competência na maior parte do tempo do jogo. Os erros criminosos, são deliberados, persistentes, e no caso português, mesmo provocatórios.

Ainda no sábado se constatou o que acabo de dizer, no jogo entre o Belenenses e o Benfica, numa jogada em que o vídeo mostra com nitidez que Eliseu pisou deliberadamente o adversário, e o árbitro deixou passar uma falta que implicaria a expulsão do jogador encarnado. Agora, não há lugar a desculpas. Ou o árbitro é desonesto, ou tem medo de alguma coisa, e se tem, que o diga a quem de direito.

Gostava que o FCPorto, tal como o Porto Canal, sendo duas referências da nossa cidade, se tornassem num modelo para o país, cada qual na sua área. Gostava, porque amo a minha cidade e tudo o que lhe está ligado. Que o FCPorto, neste caso concreto, quem nele manda [o Presidente] soubesse transformar ambas as instituições, em dois exemplos de vanguardismo. Que o Porto Canal produzisse um novo estilo de informação, mais sério, mais objectivo e mais pragmático, e que o FCPorto fosse um exemplo de combatividade desportiva, e cívica.

Como já não tenho idade para me iludir, embora o sonho comande a vida (como diria António Gedeão e cantava Manuel Freire], não acredito de todo que Pinto da Costa tenha as mesmas ideias. E se pensarmos no desleixo que paira no Porto Canal, e na subserviência de Júlio Magalhães para com os amigos lisboetas e do centralismo, a certeza dessa impossibilidade é total.

17 agosto, 2017

Incêndios para todos os "gostos"

Mais um verão de fogo e destruição no país. É assim, em Portugal, ano após ano, e cada qual o pior. Como noutras coisas, somos primeiros no que de mau se faz, e os últimos nas coisas mais relevantes. O pouco de positivo que conhecemos, é residual e muito particular. Não chega, para fazer de nós um país respeitável. Já nem há argumentos que sobrem para censurar esta forma de viver. Estou cada vez  mais enojado com a mediocridade dos governantes e da nossa classe política. Nada me retira a convicção de que, antes de mudarmos as leis, e os governos que as aprovam, temos de mudar de políticos e a política. A nossa exigência como povo tem obrigatoriamente de começar por aí, sob pena de tudo piorar, se é que ainda é possível piorar alguma coisa. 

No futebol, o problema é o mesmo. Mas agora não foi invertido, como os cartilheiros do regime fizeram crer. Agora, há mesmo matéria séria para investigar. Se houve mérito nas denúncias das trocas de e-mails entre a seita Benfica, o mais relevante foi ter apanhado de surpresa muita gente ligada à política e a diversos órgãos do poder, civil e desportivo. Sobre o da comunicação social nem é preciso falar, porque o silêncio a que se tem submetido é a prova acabada da assunção de culpas. E agora, qual é a iniciativa que se segue? Como é que o senhor Pinto da Costa e respectivo corpo directivo tencionam actuar? Continuar a apresentar denúncias, sem exigir do Estado a clarificação desta pouca vergonha? Ou vai dar tempo aos infractores para preparem a sua defesa? Sabendo como sabemos o tipo de personagens ligadas a este escândalo e o poder de que ainda gozam, será de uma intolerável estupidez não pressionar a investigação (se é que está a ser feita) e assim dar tempo aos envolvidos para continuarem a mover influências e tornar as provas mais fragéis.

Como sempre fui dizendo, pouco depois dos primeiros programas do U.Porto da Bancada, as denúncias isoladas, sem a abertura de um processo a quem de direito, podem ser esvaziadas pelo tempo e ganhar uma matriz negativa de credibilidade na opinião pública. Como tal, continuo a pensar que os sócios do FCPorto têm um papel muito importante, que é pedir explicações ao Presidente sobre o que tenciona fazer face a este caso que tantos dissabores trouxe ao FCPorto... Terão coragem para isso?   

08 agosto, 2017

Impensável, a réplica da época passada


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Já não sei o que é pior. Se a corrupção que se instalou no país, com a permissividade dos governantes, ou se são os cidadãos que a condenam, mas que ao mesmo tempo a toleram. 

Não fui eu, nem seguramente os leitores, que induziram os Dias Loureiros e os Duartes Limas desta bela democracia a enveredar pelos honrosos caminhos da delinquência. Se um, conseguiu escapar à Justiça e enriquecer subitamente, o outro, vai gozando os frutos das suas rapinagens num apartamento de luxo, em liberdade, embora nos queiram convencer que se mantém em prisão preventiva...

Podia falar também do ex-1º. Ministro José Sócrates, que só não foi condenado por viver em Portugal, onde a Justiça não passa de um constante circo cujas cobaias são zelosamente extraídas da pequena marginalidade para servirem de "exemplo". Esses, vão quase sempre parar à cadeia. Não faltam outros modelos, além dos que elenquei, davam para um livro com 600 páginas. Mas, não é preciso, porque sabemos todos muito bem quem eles são.

Mas, isto cansa de facto. Tal como os leitores, pouco mais posso fazer que denunciar esta pouca vergonha neste despretensioso espaço. No futebol, a nojeira é ainda mais difícil de suportar. O clima de impunidade perene  é cada vez menos tolerável porque além de sermos espectadores, somos simultaneamente testemunhas da podridão instalada nos bastidores do nosso futebol.   

A vergonha será tanto maior quanto a permitirmos. O futebol tem de ser antes de tudo regenerado. Mantê-lo neste estado, onde os sinais de corrupção já passaram ao patamar de provas, é colaborar para mais um campeonato viciado à partida. Os demais clubes (excepto o Sporting)  estão silenciosos. Não deviam, porque como já disse inúmeras vezes, nestes casos o silêncio é um voto de apoio ao criminoso. É outra forma de  cumplicidade. Mas isso, é lá com a consciência dos respectivos dirigentes.

Com o FCPorto não aceito mais um ano de silêncio. Estou (quero estar), convencido que depois de termos feito o papel de Sherlock Holmes, de denunciarmos este embuste mafioso dos e-mails, que não vamos deixar o(s) criminoso(s) sair intactos desta escandaleira, mesmo conhecendo a dimensão dos tentáculos do polvo. O campeonato já começou, e ao que pudemos ver, a bandalheira continua. Com vídeo-árbitro, ou sem ele, é a integridade dos homens que conta. Quem vicia o jogo no campo, também o faz frente a um ecrã. Não tenho ilusões sobre isso. A tecnologia vale o que vale. 

Não estou disposto a assistir a mais uma época de provocações e ofensas. O Porto, o meu Porto não era assim. Lutava, e exigia! Temos moral, e razões de sobra para ralhar com o Governo! Se o FCPorto se deixar de novo anestesiar por qualquer promessa politiqueira, sem que a Justiça seja reposta, deixo de uma vez por todos de falar do meu clube. Ele, como a cidade, como os portistas, merecem mais coerência com os slogans que o caracterizam. Basta de lamentos, vamos às atitudes e obrigá-los a olhar para nós com respeito. Definitivamente.
   

06 agosto, 2017

Há países, e paísezinhos

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Venceu a Holanda, mas se fosse
a Dinamarca era igual.
Venceu a dignidade e
o futebol sério


Assisti, por mero acaso, à final do Campeonato Europeu de futebol feminino entre a Holanda e a Dinamarca, e fiquei francamente impressionado. E não foi por se tratar do belo sexo das nórdicas e das holandesas. Foi muito mais do que isso. 

Quem quiser ficar agarrado a preconceitos machistas como aquele que por aí ainda anda, afirmando que o futebol é um desporto exclusivamente para homens, pode continuar a pensar assim, mas parou no tempo com certeza.

A evolução técnica do futebol feminino, comparada com o masculino, levando em consideração a antiguidade dos machos, é muito superior em muitos aspectos. Há na nossa 1ª. Liga, e mesmo nos escalões mais altos dos juniores, jogadores que rematam e dominam a bola muito pior que muitas mulheres. 

O facto de este jogo ter sido disputado entre duas equipas de países do Norte da Europa é de per si uma das razões que explica o fenómeno. E não se pense que as mulheres evitam o jogo "viril" muito peculiar nos homens. Não senhor, dão o corpo à bola com valentia, mas com muito mais fair play. Tive oportunidade de ver noutros jogos, jogadoras marcarem golos sem deixarem pousar a bola na relva verdadeiramente espectaculares! Golos que raramente, muito raramente mesmo, vemos no futebol masculino em Portugal. Para mim, são os golos mais sensacionais, porque não dão grandes hipóteses de defesa aos guarda-redes.

A cerimónia final deste evento foi sóbria, de uma dignidade tal, que ao vê-la, lembrei-me do esgôto descapotável em que se tornou o futebol nacional. Chegou-me logo aos neurónios a qualidade postiça dos nossos árbitros e a promiscuidade entre estes e um certo clube, abençoada e partilhada pelo Estado. Senti-me profundamente triste por ter nascido neste país, e simultaneamente (confesso),  com ciúmes daqueles dois pequenos/grandes países (apesar de todas as crises).

Caros amigos, não precisam evocar a universalidade da imperfeição humana, porque cá o rapaz já tem uns anitos, e já correu um pouco do mundo. Não há países perfeitos. Mas que diabo, podíamos ser um bocadinho mais amigos da rectidão e dos bons hábitos.