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Editorial: A galinha dos ovos de ouro
Autor : Miguel Ângelo Pinto - Director
E-mail : miguel.pinto@grandeportoonline.com
Data : 22-06-2012
1. Há dois grandes produtos pelos quais o Norte é reconhecido
internacionalmente. Um é o Futebol Clube do Porto, um dos grandes
embaixadores da região, que fruto das grandes vitórias internacionais
que alcançou ganhou no estrangeiro um estatuto que muita boa gente na
sua própria cidade teima em não lhe reconhecer. O outro é o vinho do
Porto. Há mais de dois séculos que a Região Demarcada do Douro dá ao
mundo um dos mais preciosos vinhos que se conhecem, levando bem longe o
nome de Portugal e do Porto. Por isso, toda a polémica em torno da
produção é difícil de compreender. O que parece é não existir uma
estratégia clara sobre o vinho do Porto e a prova disso é a guerra
pegada que todos os anos por esta altura rebenta em torno do benefício
(quantidade de mosto que pode ser transformado em vinho do Porto). A
plantação desenfreada de vinha no Douro, fora os últimos anos, não
ajudou a estabelecer uma política coerente para este sector. Comparado
com a Alemanha (sempre este país fatal!), o Douro tem uma produção por
metro quadrado absolutamente inconcebível. Por todo o país de Angela
Merkel, há cerca de 102 mil hectares de vinha. Só no Douro há perto de
45 mil hectares.
O perigo que está a correr-se é o de matar a galinha dos ovos de ouro. Na última década, as exportações de Porto foram decrescendo de forma sustentada, mas a quantidade de vinho que se foi produzindo manteve uma tendência ascendente. Em 2010, por exemplo, estima-se que cerca de 90 mil pipas tenham ficado sem comprador. Assim sendo, é fundamental que o Governo pense o vinho do Porto e a região do Douro como central para as nossas exportações e reconhecimento internacional. Urge o estabelecimento de uma política clara, que imponha limites, que congregue a produção e que faça do vinho do Porto aquilo que efectivamente é: um produto de excelência. De zurrapas já está o país cheio. 2. O GRANDE PORTO inicia hoje a publicação semanal de centenas de ofertas de trabalho contantes dos centros de emprego do Norte. Estamos inseridos numa região onde a violência do desemprego se nota com especial vigor, com todos os problemas sociais que isso acarreta. O que apresentamos não é a solução mágica para algo de tão complexo. É sim um contributo que, estamos certos, poderá ser útil aos milhares de
pessoas
que neste momento estão em busca de trabalho.
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