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26 junho, 2012

do semanário Grande Porto


Pesquisa
Editorial: A galinha dos ovos de ouro
Autor : Miguel Ângelo Pinto - Director E-mail : miguel.pinto@grandeportoonline.com Data : 22-06-2012


1. Há dois grandes produtos pelos quais o Norte é reconhecido internacionalmente. Um é o Futebol Clube do Porto, um dos grandes embaixadores da região, que fruto das grandes vitórias internacionais que alcançou ganhou no estrangeiro um estatuto que muita boa gente na sua própria cidade teima em não lhe reconhecer. O outro é o vinho do Porto. Há mais de dois séculos que a Região Demarcada do Douro dá ao mundo um dos mais preciosos vinhos que se conhecem, levando bem longe o nome de Portugal e do Porto. Por isso, toda a polémica em torno da produção é difícil de compreender. O que parece é não existir uma estratégia clara sobre o vinho do Porto e a prova disso é a guerra pegada que todos os anos por esta altura rebenta em torno do benefício (quantidade de mosto que pode ser transformado em vinho do Porto). A plantação desenfreada de vinha no Douro, fora os últimos anos, não ajudou a estabelecer uma política coerente para este sector. Comparado com a Alemanha (sempre este país fatal!), o Douro tem uma produção por metro quadrado absolutamente inconcebível. Por todo o país de Angela Merkel, há cerca de 102 mil hectares de vinha. Só no Douro há perto de 45 mil hectares.

O perigo que está a correr-se é o de matar a galinha dos ovos de ouro. Na última década, as exportações de Porto foram decrescendo de forma sustentada, mas a quantidade de vinho que se foi produzindo manteve uma tendência ascendente. Em 2010, por exemplo, estima-se que cerca de 90 mil pipas tenham ficado sem comprador. Assim sendo, é fundamental que o Governo pense o vinho do Porto e a região do Douro como central para as nossas exportações e reconhecimento internacional. Urge o estabelecimento de uma política clara, que imponha limites, que congregue a produção e que faça do vinho do Porto aquilo que efectivamente é: um produto de excelência. De zurrapas já está o país cheio.

2. O GRANDE PORTO inicia hoje a publicação semanal de centenas de ofertas de trabalho contantes dos centros de emprego do Norte. Estamos inseridos numa região onde a violência do desemprego se nota com especial vigor, com todos os problemas sociais que isso acarreta. O que apresentamos não é a solução mágica para algo de tão complexo. É sim um contributo que, estamos certos, poderá ser útil aos milhares de
pessoas que neste momento estão em busca de trabalho.
*



11 maio, 2012

O drama da mitologia benfiquista

 Há muitos anos, os nossos antepassados inventaram deuses para explicar fenómenos - o vento e a chuva, o sol e a lua, o fogo e a tempestade, o dia e a noite - para os quais não tinham explicação, e organizaram religiões com o objetivo de influenciar os humores imprevisíveis da mãe Natureza.

Bastante empreendedores, como está documentado pela capacidade de construírem as pirâmides do alto das quais 43 séculos de História nos contemplam, os antigos egípcios arquitetaram uma narrativa religiosa bastante completa, onde, por exemplo, Rá, deus do Sol, cuspiu Shu, deus do Ar, e Tefnut, deus da Humidade.

No panteão de deuses egípcios, Ísis encarregava-se dos seres vivos, mas nem o futuro (Osíris superintendia a todo o processo da jornada até ao Além) nem os sentimentos - Seth era a divindade que tratava do ódio - eram negligenciados.

Interesseiros, os gregos abriram espaço na sua mitologia para Hermes, deus dos comerciantes, a quem rezavam e dedicavam o sacrifício de animais, na tentativa de o satisfazer e melhorarem as vendas.
Coube aos hebreus o louvável esforço de racionalização desta confusão panteísta de adoradores de uma multidão de deuses.

Abraão foi, à época, o equivalente à Maria Manuel Leitão Marques, o rosto do Simplex religioso, da fundação de uma religião monoteísta, em que um só Deus, todo poderoso, responsável por toda a Criação, que se ocupa em regime de acumulação de todos os pelouros - e a quem os fiéis podem recorrer seja qual for a índole da sua aflição.

Nove em cada dez dos seis milhões de benfiquistas refugiaram--se na religião para achar uma explicação para a esmagadora hegemonia portista no nosso futebol.

Os panteístas atribuem as culpas a efeitos conjugados da ação malfazeja de alguns anjos e demónios, como Jesus (o Jorge), Vítor Pereira (o dos árbitros), Luís Filipe Vieira e Pinto da Costa. Outros, monoteístas, optam por culpar apenas os árbitros por todas as suas desgraças.

Como portista e agnóstico compreendo a desorientação teológica que se apoderou dos benfiquistas. A moderação da minha satisfação pela conquista do bicampeonato deve-se ao facto de por mais de uma vez ter festejado tris, tetras e até um penta. Mas para se gabar de ter vivido um bi, um benfiquista tem de ter pelo menos 28 anos -e um sportinguista 59 anos!

Enjeitar as responsabilidades pelas derrotas e fracassos, atirando- -as para as costas largas da arbitragem, não é o caminho certo para os benfiquistas contrariarem o domínio azul e branco e devolverem algum suspense à indústria do futebol.

Demonizar os árbitros e sacrificar animais à Fortuna (a deusa romana da Sorte) é o drama da mitologia benfiquista. Para voltar às vitórias, o Benfica tem de aprender com Minerva (a deusa romana da Sabedoria) a lição de que as vitórias portistas são filhas da combinação de talento com competência e muito, muito, trabalho. Só assim a sua fé no futuro terá fundamento.

08 maio, 2012

Uma barata tonta (1)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 
Três antigos bastonários da Ordem dos Advogados ligados ao negócio das arbitragens (essa justiça privada e clandestina tão zelosamente promovida pelo actual governo) vieram atacar-me pessoalmente por eu ter criticado a ministra da justiça no programa da SIC «Conversas Improváveis», onde dissera que ela é uma barata tonta e uma pessoa traiçoeira em quem não se pode confiar.

António Pires de Lima, que já não se lembra dos insultos que dirigira a António Guterres, José Sócrates, Alberto Costa e Alberto Martins, veio dizer ao semanário Sol que eu devia «andar a puxar uma carroça em Lisboa». Ele, que há uns anos comparou o Ministério Público à Gestapo de Hitler e à PIDE de Salazar e que antes do 25 de Abril fora advogado de uma das mais ferozes forças de repressão da ditadura, defendeu a actual ministra afirmando que ela «tem feito o possível, o que não pode é fazer milagres». Confessou ainda «ter a maior consideração» por ela e desejou-lhe «boa sorte». Ámen!

Júlio Castro Caldas, sócio do chefe de gabinete da ministra, veio também a público afirmar que ela fora alvo de uma «pública injúria com intenção de ofender» - um acto para o qual nem «o histrionismo de carácter, estimulado pelo talk-show, é atenuação suficiente». Castro Caldas tem motivos para vir em socorro da ministra, pois, além de interesses comuns nas arbitragens, foi nomeado por ela para a Comissão de Revisão do Código de Processo Civil. Também tem motivos para me atacar dessa forma descabelada pois, em tempos, escrevi um artigo sobre um bastonário da OA que fora alvo de uma participação de um juiz por se ter descoberto em plena audiência de julgamento que na véspera ele tinha reunido com as testemunhas do seu cliente, suspeitando o juiz e o advogado da parte contrária que essa reunião fora para as industriar. Claro que Castro Caldas foi absolvido pelo conselho Superior da OA, quando Júdice era bastonário, pois, em regra, esse tipo de comportamento só constituía infracção disciplinar quando visava advogados mais modestos, de preferência da província.

José Miguel Júdice que, enquanto bastonário da OA, tentava, entre outros negócios, vender submarinos ao governo, veio rasgar as vestes em público, dizendo que eu ultrapassei «todos os limiares da boa educação» por ter feito as declarações que fiz «contra uma senhora que está a desempenhar o seu papel da melhor maneira que pode e sabe». Refira-se que Júdice aumentou e muito a sua fama de «bem educado» pela forma elevada como em tempos tratou o bastonário Rogério Alves, o presidente do Conselho Superior, Luís Laureano Santos e o seu vogal, Alberto Jorge Silva, por lhe terem instaurado um processo disciplinar por, em declarações públicas, exigir que o estado consultasse sempre a sua sociedade de advogados. Também contribuiu para a sua láurea de boa educação, a forma elegante como passou a referir-se a outra «senhora», a antiga ministra da justiça Celeste Cardona, depois de o então ministro da defesa, Paulo Portas, ter preterido o cliente do escritório de Júdice na compra dos tais submarinos.
Júdice, que se demitiu do PSD para ir ganhar dinheiro com José Sócrates e António Costa (de quem foi mandatário à Câmara de Lisboa) quando Luís Marques Mendes era presidente do partido, terá agora de fazer muitos mais exorcismos públicos como este para voltar a estar em condições de facturar como na altura em que Durão Barroso e Santana Lopes chefiaram o governo. Recorde-se que, nesse tempo, o escritório de Júdice recebia, só de uma empresa pública, dois milhões de euros por mês (um milhão em cada 15 dias), supostamente, por assessoria jurídica. Por outro lado, a sua boa formação está lapidarmente evidenciada numa entrevista ao JN, em que, pronunciando-se sobre a Zona Ribeirinha do Tejo, para cuja administração José Sócrates acabava de o nomear presidente, disse: «Aí sinto-me um ginecologista. Trabalho onde espero que muitos se divirtam».

Enfim, são três antigos bastonários que, por inconfessados interesses pessoais, não hesitam em atacar publicamente o bastonário da OA em exercício, unicamente para cair nas boas graças do poder político. Estranha noção de dignidade, a deles.

24 abril, 2012

Crónica nojenta do sub-director do JN

Algo me deve estar a escapar, porque ainda estou para perceber o que levará certas pessoas a diabolizar as forças armadas cada vez que alguém desse importante sector da sociedade resolve opinar sobre a situação do país. Tudo indica, a avaliar por reacções anteriores, ter-se instalado em Portugal um estranho estigma sobre os militares, apesar da parcimónia que os tem caracterizado ao longo destes anos de má governação da responsabilidade exclusiva da classe política.

Depois de ler este artigo de opinião do director adjunto do JN, onde o autor fala dos militares de Abril de um modo algo paternalista e cínico, fiquei com a nítida sensação de haver da sua parte um ressentimento mal resolvido para com a Instituição Forças Armadas. Senão, registemos a primeira das suas expressões: «Todos os anos, por esta altura, a Associação 25 de Abril dá um sinal de vida, não vá o povo ser ingrato e incapaz de reconhecer  o mérito de um naipe de protagonistas responsáveis pela queda em 1974 de quase 50 anos de ditadura em Portugal». No parágrafo seguinte o jornalista vai mais adiante e diz: «Para uma boa parte de historiadores a instauração do regime democrático deu-se em Novembro e não em Abril». E a ambiguidade do texto só termina mesmo no fim. O link do artigo acima disponível permitirá ao leitor tirar as suas próprias conclusões, por mim chegam-me estes para levantar algumas das dúvidas que este texto me deixou.  

As questões que me ocorre colocar são as seguintes: serão porventura os militares de Abril a besta negra dos malefícios sociais e económicos de que o país hoje padece? Não terão eles, tal como nós, o direito de emitirem as suas opiniões, mesmo que a espaços e moderadamente? Afinal, em que é que os jornalistas e o resto da sociedade, onde se incluem políticos e banqueiros, se destacam eticamente para se acharem no direito de tapar a boca aos militares? Terão sido os jornalistas e os políticos os autores morais do 25 de Abril? Ou será o mês de Novembro o "verdadeiro" marco histórico da mudança de regime? Digamos - para não ferir susceptibilidades -, não terá sido em Novembro que se produziu a revolução à medida das conveniências das elites residuais do regime de Salazar e Caetano?

Quando se fala em respeito, como fez o jornalista no final do artigo, de forma petulante e ingrata, está-se por momentos [infelizes] a esquecer a pouca vergonha dos BPN's, dos submarinos e da Face Oculta, que por certo deixarão, pela enésima vez, os criminosos livres do merecido castigo, apenas porque pertencem à classe das tias e dos colarinhos brancos em que o regime anterior era pródigo, e que agora ousam empunhar a bandeira da democracia, como se ela existisse...

01 abril, 2012

Dia das mentiras? E os outros 364?

Manuel António Pina
Hoje, oficialmente o dia das mentiras, proponho um desafio ao leitor, adivinhar quem repetidamente afirmou aos portugueses, olhos nos olhos e sem corar: «Nós não dizemos hoje uma coisa e amanhã outra.»

Talvez o leitor (e eleitor) precise de algumas pistas. Foi a mesma pessoa que igualmente afirmou: «Dizer que o PSD quer acabar com o 13º mês é um disparate»; e ainda: «Do nosso lado não contem com mais impostos»; e ainda: «O IVA, já o referi, não é para subir»; e ainda: «Se vier a ser primeiro-ministro, a minha garantia é que a [carga fiscal] será canalizada para os impostos sobre o consumo e não sobre o rendimento das pessoas»; e ainda: «Eu não quero ser primeiro ministro para proteger os mais ricos»; e ainda: «Que quando for preciso apertar o cinto, não fiquem aqueles que têm a barriga maior a desapertá-lo e a folgá-lo»; e ainda: «Tributaremos mais o capital financeiro, com certeza que sim»; e ainda: «Ninguém nos verá impor sacrifícios aos que mais precisam»; e ainda: «Não quero ser eleito para dar emprego aos amigos»; e por aí fora, que um ano é muito, muito tempo e a memória é curta, muito curta. 

Por algum motivo, o Dia das Mentiras é, nos países anglo-saxónicos, o April Fool's Day. Isto é, o Dia dos Tolos. «Tolos» são aqueles que acreditam nas mentiras inofensivas que, parece que desde a introdução do calendário gregoriano em França, no século XVI, mudando de 1 de Abril para 1 de Janeiro as festividades do Ano Novo, é tradição os media e os brincalhões dizerem hoje e logo desmentirem. E os que, num país onde já se realizaram, desde 1974, milhares de eleições, continuam a acreditar piamente em mentiras ditas em campanhas eleitorais e a levar a sério os mentirosos? (Outra pista: na pessoa que disse em campanha eleitoral todas as mentiras antes enunciadas  votaram em 5 de Junho do ano passado nada mais nada menos do que 2 159 742 portugueses...)

Fará sentido, num país onde profissionais da mentira mentem todos os dias do ano (e não falo só de políticos, falo igualmente de certos media), existir um Dia das Mentiras? Não seria mais apropriado existir antes um, um só que fosse, Dia das Verdades?

Nesse dia, ao contrário do resto do ano, só se diziam mentiras irónicas e improváveis que ninguém levaria a sério. Por exemplo: que a Dra. Manuela Ferreira Leite descobriu que é insuficiente renal crónica e agora defende que a hemodiálise para doentes com mais de 70 anos deve ser gratuita; ou que o Dr. Eduardo Catroga irá doar aos pobres e desempregados o seu salário de 639 mil euros na EDP porque a modesta pensão de 135 mil euros já lhe chega; ou que o trabalhador Américo Amorim vai finalmente sindicalizar-se; ou até que o árbitro Bruno Paixão decidiu ir a pé-coxinho a Fátima como penitência pelos pecados por pensamentos, palavras e, sobretudo, por obras cometidos no Gil Vicente-Sporting.

Nesse dia das Verdades, ou Dia das Mentiras Inacreditáveis, políticos, jornalistas e cidadãos comuns, só mentiriam a brincar ou, para variar (porque mentir sempre também cansa), apenas falariam verdade; os comerciantes cobrariam apenas o preço justo e revelariam aos clientes os defeitos dos produtos vendidos; os farmacêuticos diriam aos doentes acerca de certos medicamentos: «Beba um copo de água que faz o mesmo efeito»; os economistas com lugar cativo nas TV confessariam quando questionados sobre soluções para a crise: «Não faço a mínima ideia»; e Vitor Gaspar repetiria que Portugal voltará aos mercados em 2013 mas acrescentando: «Se Deus e a Sra. Merkel quiserem, claro...»

Talvez, quem sabe?, alguns acabassem por lhe tomar o gosto. À verdade, digo eu.

Nota de RoP:

Se o que esta brilhante crónica retrata, não correspondesse à mais profunda [mas lastimável] realidade, se não fosse uma súmula de factos, apenas requintados com umas pitadas de ironia, não me teria dado ao trabalho de a transcrever, letra a letra, sílaba a sílaba, uma vez que foi publicada na revista Notícias Magazine, incluída no JN de Abril, não me permitindo por isso a comodidade da colagem. 

Acrescentaria apenas que, a constatação e denúncia destes factos já não nos devia contentar o ego da nossa liberdade. Afirmá-lo, e escrevê-lo publicamente, já não devia bastar-nos. Numa Democracia adulta e séria  [cá está ela outra vez, a seriedade), há outra etapa a percorrer:  exigir que o crime passe a ter o respectivo castigo. Porque, mentiras desta gravidade, são pura traição à Pátria. 

28 março, 2012

Tão «populista» que é, este Manuel António Pina...


Um "negócio" surreal



A história trágico-financeira-política do BPN atravessa dois governos e é assustadoramente surreal (ou talvez antes neo-abjeccionista): "nacionalizado" por um Governo PS, isto é, nacionalizadas as suas dívidas, a maior parte resultante de trafulhices, e detido o seu guru-mor, Oliveira Costa, enquanto os demais responsáveis continuam a andar por aí de cabeça despudoradamente erguida e como se não fosse nada com eles, coube a um Governo PSD/CDS "privatizá-lo" de novo.

Os jornais publicaram há dias a notícia de um grupo norte- -americano que se disporia a dar 600 milhões pelo BPN. Parece que, apesar de repetidas tentativas, nunca conseguiu chegar à fala com o Governo. E o Governo, não tendo melhor oferta, acabou por vendê-lo a um banco, o BIC, de Isabel dos Santos, filha de Eduardo dos Santos, e de Américo Amorim, pela módica quantia de 40 milhões de euros.

Entraram, pois, 40 milhões nas contas do Estado? Não: saíram (mais) 600 milhões, pois o Governo PSD/CDS comprometeu-se, para que o BIC fizesse o favor de "comprar" o BPN por 40 milhões, a dar-lhe... 600 milhões. Parece que para o "viabilizar". E ainda a emprestar- -lhe outros 300 milhões a 0% de juros. E a ficar com o encargo de metade dos seus trabalhadores.

Não foi um negócio da China, foi um negócio de pôr os olhos em bico. E, como em negócios assim há sempre um otário, adivinhe o leitor a que bolsos irão parar os seus subsídios de férias e de Natal.

[In JN]

Nota de RoP:
Vou dizer uma coisa que alguns preferiam não ouvir. Sim, sim,  aqueles fidalgos que habitualmente aparecem a defender estas roubalheiras indecentes, como se estivessem na igreja a pregar a missa aos crentes: uma coisa destas justifica uma revolução, mas com balas nas culatras, em vez dos cravos de Abril nos canos.  Balas, selectiva e justamente dirigidas, aos alvos...

27 março, 2012

E o Oscar vai para...


Nestes nove meses, nós no Governo temos cumprido aquilo que prometemos", garantiu Passos Coelho aos correligionários e ao país durante o Congresso do PSD do passado fim-de-semana. Podia tê-lo dito pondo pudicamente a mão à frente da boca e rindo para dentro como Muttley, mas não: conseguiu dizê-lo com o ar mais sério deste mundo.

Foi aplaudidíssimo. E mais que justificadamente: todo a gente sabe que, como Passos Coelho prometeu, nestes nove meses os portugueses não ficaram sem o 13.oº mês; nem subiu o IVA; nem aumentaram os impostos sobre o rendimento, mas apenas os impostos sobre o consumo; nem "quando [foi] preciso apertar o cinto, não [ficaram] aqueles que têm a barriga maior a desapertá-lo e a folgá-lo"; nem foram "impostos sacrifícios aos que mais precisam" (a Comissão Europeia é que fez mal as contas ao concluir que, em Portugal, "nestes nove meses", as medidas de austeridade exigiram aos pobres o dobro (6%) do esforço financeiro pedido aos ricos (3%); além disso, amigos como Eduardo Catroga, seu braço-direito nas negociações com a "troika", Paulo Teixeira Pinto, autor da sua proposta de revisão constitucional, ou Ilídio Pinho, seu antigo patrão, colocados na EDP, para não falar dos colocados na CGD e em tudo o que é empresa pública, podem testemunhar que, como prometeu, Passos Coelho "não [deu] emprego aos amigos".

Só não se sabe se os aplausos foram para a interpretação se para o despudor.

[In JN]

22 março, 2012

Liberal-socialismo ou...



A "Economist" dizia há um mês que vivemos uma era de "Capitalismo de Estado", onde governos pouco democráticos impõem o "bem comum". É assim na China, Rússia, Coreia do Sul, Índia, Malásia, Venezuela, mas também é assim no nosso vizinho Marrocos onde a família real privatizou as empresas públicas e comprou a maioria das ações para si ao preço que ela própria fixou - e agora obstaculiza a concorrência. É igualmente assim na Turquia, no Médio Oriente e nos países da "Primavera Árabe". Um dia veremos no que vai acabar a crescente espiral oligárquica brasileira e quem vai pagar a dívida dos grandes eventos.
Embora se diga que a crise é económica, sabe-se hoje que não é exatamente assim. A crise nasceu duma coisa simples: rutura na confiança, o que significa falência da ética e da justiça. A quebra destes princípios rompe diariamente o "contrato social". Por um lado, os cidadãos deixam de receber os seus direitos porque a realidade das contas mostra o cofre vazio. Por outro, os contratos entre grandes empresas e Estado são invioláveis. Qual das coisas está certa? Entretanto, as pessoas querem mais Estado para as proteger mas não estão dispostas a pagar mais impostos. Quem faz então o milagre da multiplicação dos euros? Muitas destas perguntas levam-nos a discutir política, essa palavra maldita, que quanto mais se repete mais se detesta. Mas é aqui que estamos outra vez. No princípio. Na ideologia ou na sua ausência.
Por cá não foi tão óbvio este "Capitalismo de Estado", mas por incrível que pareça começou nas privatizações de Cavaco para acabar nos interesses irrevogáveis dos grupos económicos protegidos de Sócrates. Mercado? Preferencialmente com grupos amigos.

O "Capitalismo de Estado" parece bom enquanto cresce. Da Direita à Esquerda, toda a gente o apoia, ainda que por palavras diferentes. A Esquerda, por exemplo, defendeu sempre as grandes obras públicas, desde as barragens ("Construam o Alqueva, porra!") às sacrossantas novas escolas da Parque Escolar a que nem Ferreira Leite se opôs na campanha eleitoral de 2009. Já a Direita sempre pugnou, direta ou implicitamente, pela ideia de que todos beneficiam do enriquecimento dos mais ricos. No essencial, ambos os casos reforçam a economia dos grandes interesses.

Por causa deste delírio estamos hoje envolvidos na tentativa de pagar os gastos de uma suposta "social-democracia" que tentou fazer esta quadratura do círculo: ajudar os pobres, criar o 'welfare state' para a classe média e fomentar a economia com dinheiro do Estado. Agora não tem como pagar a conta. A resposta em curso é feita través de uma massa ideológica opaca e camaleónica, um "liberal-socialismo" improvisado, onde Passos Coelho e Vítor Gaspar podem gerir o país com medidas antagónicas como se tudo fosse coerente e moral. E para quê? Apenas para que o Estado pague as dívidas em que ninguém se revê. No dia em que o Estado claudicar, a democracia deixa de ser útil e os portugueses votarão em líderes justiceiros e radicais.

Margaret Thatcher tentou no seu último governo fazer passar uma lei em que todos os cidadãos deviam pagar algum imposto, por mínimo que fosse, para darem valor aos bens públicos. Este princípio liberal ajudou à queda do governo britânico levada a cabo pelos próprios membros do partido. Mas esta é uma realidade, 30 anos depois: a classe média aproxima-se perigosamente de uma ideologia que, provavelmente, desprotegerá ainda mais os pobres no futuro e nacionalizará os ricos, considerando que ambos têm de fazer mais pela vida do que viver das "rendas". Há muita gente sem futuro à vista porque já perceciona que os seus direitos futuros foram confiscados. E isto vai mudar radicalmente a sociedade e a política. A falência das seguranças sociais pelo Mundo, fruto do incumprimento nas dívidas, é o clic que falta.
[In JN]

27 fevereiro, 2012

Manuel António Pina [no JN]


E nós a vê-los contratar

Publicado em 2012-02-27

De vez em quando vem a público, e logo é esquecida, a notícia de mais uma dessas inúmeras heterotopias jurídicas que é de uso designar de parcerias público-privadas, através das quais, sempre da mesma maneira, dinheiros públicos acabam em bolsos privados.

Desta vez é a Fagar, empresa de águas e resíduos sólidos de Faro criada há sete anos pela Câmara com capitais maioritariamente municipais e em parceria com a AGS (grupo Somague, detido pela espanhola Sacyr).

Uma auditoria do Tribunal de Contas descobriu que a Fagar representou, de 2006 a 2010, uma hemorragia de dinheiros públicos da ordem dos 3,6 milhões de euros, sendo que, a manter-se a "tendência crescente" de derrapagem, serão precisos 25,6 milhões para reequilibrar as contas até ao termo da parceria entre a Câmara e a Sacyr. O curioso do negócio é o mesmo curioso (chamemos-lhe assim, embora haja palavra mais adequada) de outros negócios do género: os riscos correm todos por conta do sector público; o capital privado, mesmo que a coisa dê prejuízo, tem contratualmente assegurada uma rentabilidade de 8,41% (paga adivinhe o leitor por quem).

Como se vê, não são só os chineses que fazem em Portugal negócios da China. Quando se trata de capital privado a render à sombra da árvore das patacas pública, os nossos eleitos não descriminam ninguém, dos espanhóis da Sacyr aos angolanos do BPN. Até porque o dinheiro não é seu e a impunidade está garantida.

28 março, 2011

O Norte e o TGV

O General Loureiro dos Santos, o advogado Garcia Pereira e o Clube Via Norte escreveram artigos de opinião onde desmontam o argumento da prioridade e importância da projectada ligação TGV Lisboa–Madrid por Badajoz. Cada vez mais gente idónea e preocupada com o futuro do país denuncia o logro que nos têm tentado vender.

A esparrela que o centralismo estendeu a algumas personalidades e instituições do Norte foi a famosa disposição da rede em Pi deitado que continha, entre outras, a Linha Aveiro-Salamanca. Sendo esta rapidamente esquecida, o fantástico Pi viu-se reduzido a um pobre L de Lisboa. Hoje já nem o L sobrevive. Tudo se resume a uma ligação directa de Lisboa a Badajoz. Apesar do partido único (PS+PSD) nos dizer que à luz das dificuldades actuais tudo está em “avaliação”, ela continua a ser construída à socapa mobilizando verbas monstruosas com o silêncio cúmplice do centrão que nos desgoverna. O governo já tentou vergonhosamente por duas vezes desviar os fundos da Linha Porto-Vigo para a Linha Lisboa-Badajoz.

Neste momento de penúria financeira impõe-se reequacionar estrategicamente toda a questão da nova rede ferroviária e estabelecer definitivamente aquelas que devem ser as nossas prioridades: a estruturação do eixo estratégico para Portugal que vai da Corunha à cidade de Setúbal – o Eixo Atlântico do qual faz parte a ligação Porto-Braga-Vigo; e o escoamento de mercadorias para a Europa via eixo Irun–Salamanca. Para as mercadorias, num país com as nossas limitações financeiras, a melhor opção será recuperar, reformular e modernizar as ligações já existentes: Linha da Beira Baixa, Linha da Beira Alta (com um novo ramal Aveiro-Viseu) e Linha do Douro (que liga Leixões a Salamanca). Urge criar um plano estratégico para a mudança da bitola ibérica para a bitola padrão das linhas europeias.

Os TGV, que só transportam passageiros, não nos ligam à Europa: com o traçado proposto, ligam apenas Lisboa a Madrid e deixam mais de metade dos portugueses e da economia nacional de fora. Pior, esta ligação ignora a região mais exportadora (Norte) e a que mais tem contribuído nos últimos tempos para o equilíbrio da balança de transacções. Ninguém de Braga percorrerá 350 km de comboio em direcção a Lisboa, para depois efectuar mais 600 km até Madrid, quando se encontra a escassos 500 km da capital espanhola. A norte do Mondego vivem 5 milhões de portugueses e Madrid está à latitude de Aveiro, não de Lisboa. Estamos perante mais uma megalomania cara e provinciana tal como o sempre tão incensado Porto de Sines, que há 40 anos não cumpre as enormes promessas sobre as quais foi construído apesar dos rios de dinheiro que já consumiu.

António Alves [no Grande Porto] 
Membro da Comissão Coordenadora do Movimento Partido do Norte

03 março, 2011

Matar a Regionalização


Sob pena de fruir de uma candura já sem hipótese de redenção, ninguém se pode admirar pelo facto de José Sócrates ter enjeitado mais um dos seus múltiplos compromissos eleitorais.

Na verdade, é difícil recordar um só que tenha sido levado até ao fim - a regionalização, apesar de reiteradamente anunciada nos programas dos dois Governos socialistas, no fenecido PRACE, em comícios e em exibições "marketeiras" variadas, acabou por ter o triste fim de todas as demais declarações de intenções deste primeiro-ministro.

Servindo-se da boleia falaciosa da crise, que tudo quer desculpar (na premissa instalada de que fazer política se reduz à arte de tratar as pessoas como seres incapazes de raciocínio próprio), Sócrates voltou a dar o dito por não dito e disse que "não estão reunidas as condições" para cumprir a regionalização.

Só que não ficou por aí: na moção que leva ao Congresso deste PS tragicamente domesticado, Sócrates precipita-se num arremedo de medidas amalgamadas, sem amparo na Constituição e cujos efeitos redundariam em (ainda) mais centralização. Falo, sobretudo, na ideia de eleger directamente os líderes das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto.

A descentralização territorial, constituiu o modo mais idóneo de se adquirir um desenvolvimento homogéneo - até a Grécia, (pen)último reduto dos ideais centralistas, para poupar na despesa pública, regionalizou-se em Janeiro passado com o Plano Kallikratis.

Entre nós, a desigualdade mais gritante nos vários índices de riqueza e de massa crítica é a que existe entre uma faixa litoral de pouco mais de 50 quilómetros e o resto do País. E mesmo dentro dessa estreita cinta litoral, resistem discrepâncias assustadoras se compararmos os níveis de desenvolvimento da região de Lisboa (e até do Porto) com o que se passa em Setúbal, Viana do Castelo ou Leiria.

As medidas agora atabalhoadamente preconizadas por Sócrates têm o condão maligno de privilegiar as áreas mais apetrechadas e mais ricas, Lisboa e Porto, com os benefícios evidentes da descentralização, esquecendo, novamente, as restantes e, sobretudo, as necessidades pungentes do interior do País - zona que parece governamentalmente predestinada a remeter-se a lides de apascento de cabras, de turismo rural e num imenso eucaliptal, cada vez mais deserto de gente e de condições mínimas de desenvolvimento.

Sócrates, em 2007, fez cessar a "Reforma Relvas" em nome da futura regionalização - agora, reproduz vários dos seus aspectos mas retirando-lhes qualquer bondade descentralizadora.

Recordemos que as cinco CCDR já foram despidas de poderes e relevância e que foi proibida a eleição dos seus presidentes. Este chorrilho de medidas hoje ameaçadas por Sócrates irá extinguir a viabilidade do mapa das cinco regiões-plano e o projectado ensaio das regiões-piloto: nem o mais carunchoso centralista se atreveria a tanto...

Sejamos claros: Sócrates não se limitou a adiar a regionalização - caso avance o seu deplorável remendo de remodelação administrativa, liquidou o ensejo de se poder realizar uma reforma descentralizadora decente neste País, de longe, o mais obsessivamente centralizado do mundo civilizado.

[Carlos Abreu Amorim/DN]

Ponte de Entre os Rios cai pela segunda vez

Paulo Teixeira, presidente da Câmara de Castelo de Paiva à data da tragédia da ponte de Entre os Rios, vai apresentar amanhã um livro que escreveu sobre o assunto. Este livro pode ser considerado uma espécie de epitáfio da Regionalização, que o PS acaba de enterrar pela segunda vez com o silêncio cúmplice do PSD e o alívio do CDS.

A propósito do livro recordou Paulo Teixeira que recebeu em Castelo de Paiva 19 membros de dois governos, sendo que pelo menos dois deles lhe confessaram que nunca tinham ido ao Norte. (E atenção que para muita desta gente o Norte começa nas portagens de Alverca.)

Quanto mais depressa se voltava a pôr na agenda a questão da Regionalização, mais depressa os seus figadais inimigos arranjariam forma de abortar o tema. Na verdade, ao longo dos últimos meses políticos e não políticos de vários quadrantes fizeram um esforço para que o debate sobre esta reforma essencial para a modernização e desenvolvimento geral do país voltasse a ser discutida.

Como novidade em relação aos tempos anteriores de debate assistimos à entrada em cena de novos protagonistas, muitos deles antigos adversários convertidos à bondade do tema e também à introdução de novos argumentos que vieram colocar a questão da Regionalização completamente fora da velha disputa entre Porto e Lisboa.

Hoje em dia, ninguém minimamente informado considera que a Regionalização seja apenas mais um episódio da guerra de disputa do Poder entre as macrocefalias das áreas metropolitanas do Porto e de Lisboa. É ponto assente que o que está claramente em discussão é uma melhor, mais eficaz e mais justa distribuição dos recursos nacionais pelo todo nacional que os gera. Também já ninguém minimamente sério vai na historieta de que a Regionalização é um paliativo para criar "mais tachos" e gastar mais dinheiro. Ainda há um ou outro "Velhinho do Restelo" como Medina Carreira, que são capazes de dizer que a Regionalização é apenas uma forma de gastar mais dinheiro público, mas isso é hoje visto como uma tolice a que já poucos ligam.

O verdadeiro problema que a Regionalização não consegue resolver (e por isso mesmo nunca mais a deixam avançar) é como é que é possível fazer uma reforma destas sem beliscar o Poder, os interesses financeiros e as mordomias dos senhores que vivem em Lisboa sentados à mesa do Orçamento.

[Manuel Serrão/JN]

25 fevereiro, 2011

O desperdício nacional

Queixamo-nos de falta de recursos, mas mal damos conta do nosso grau de desperdício. Por exemplo, o país tem escassas fontes próprias de energia, mas a eficácia energética de Portugal é das mais baixas da Europa.

A maioria dos estádios construídos para o campeonato europeu de futebol em 2004 não consegue hoje sequer pagar a sua manutenção. E boa parte dos fundos europeus é gasta por privados e entidades públicas apenas para aproveitar o dinheiro em empreendimentos sem viabilidade.

É o caso de muitas auto-estradas. Hoje temos uma densidade de auto-estradas 25 % superior à média europeia, sem tráfego que justifique boa parte da rede. Uma desastrada aplicação de recursos escassos.

É a pressão dos empreiteiros e a obsessão nacional pelo automóvel, símbolo de estatuto social. 20% dos portugueses com menos de 30 anos compram carros novos, contra apenas 11% na UE, onde a preferência dos jovens vai para os usados. Somos o terceiro país europeu com mais carros por cem habitantes e Portugal é o membro da UE onde se compra um automóvel novo mais cedo: aos 43 anos, contra os 50 da média europeia.

Entretanto, o caminho-de-ferro foi desprezado, apesar das críticas que os socialistas dantes faziam à política do betão . Entre 1988 e 2009 os comboios portugueses perderam 43% dos passageiros, enquanto em todos os outros países da Europa ocidental o tráfego de passageiros no caminho-de-ferro subiu consideravelmente. Agora o Governo insiste no TGV, que promete ser um sorvedouro de dinheiro na construção e na exploração. Isto, quando o Porto de Sines ainda não dispõe de uma ligação ferroviária a Espanha digna da sua importância estratégica.

E tem sido criminoso o desperdício no sector da habitação. Salazar congelou as rendas em Lisboa e Porto. Em 1974, após o 25 de Abril, o congelamento foi estendido a todo o país. Seguiram-se anos de inflação alta, mas as rendas não mexeram. E, quando finalmente começaram a ser actualizadas, partia-se de uma base tão baixa que inúmeros senhorios continuam hoje a não ter hipótese de financiar obras nos prédios, que assim vão apodrecendo.

Compreensivelmente, o mercado de arrendamento quase desapareceu. E como, com a entrada no euro, as taxas de juro baixaram muito, a solução (para quem podia!) foi comprar casa com empréstimo bancário. Ora, para uma sociedade com o poder de compra médio da portuguesa, a opção predominante, porque mais racional, deveria ser alugar e não comprar casa. Mas nenhum governo se atreveu a mudar a sério a lei das rendas (com excepção do executivo de Santana Lopes, que não teve tempo para pôr em vigor uma lei que o governo de Durão Barroso receou publicar).

O resultado foi a desertificação do centro das cidades como Lisboa e Porto e o afastamento dos moradores para as periferias. É brutal o que isso significa em matéria de custos privados (no carro, na gasolina, no título de transporte, no stresse dos congestionamentos de trânsito) e custos públicos, nas rodovias e no urbanismo selvagem.

Agora, com o crédito caro e difícil, mais gente quer alugar casa. Mas a oferta é escassa, ficando aquém da procura. Por falta de casas? Pelo contrário, temos cerca de três casas por cada duas famílias (outro absurdo, havendo gente ainda a viver em barracas ou quase). E há mais de meio milhão de habitações devolutas.

O retraimento dos potenciais senhorios tem a ver com a actual e ineficaz lei do arrendamento, com um tratamento fiscal desfavorável e com o estado calamitoso da Justiça portuguesa. Parece que está a tornar-se hábito alugar casa, deixar de pagar a renda ao fim de um ou dois meses e esperar, continuando a habitar a casa, que o senhorio consiga um efectivo despejo, o que demora largos anos.

A irracionalidade destes enormes desperdícios sai cara ao país, embora alguns lucrem com ela. Mas quem se importa?

[Francisco Sarsfield Cabral, in Sol] 

22 outubro, 2010

Victor Baía, nódoa ou bom pano?

Do jornal O JOGO

«Vítor Baía considerou, ontem, que a sua carreira teria muito maior projecção se tivesse sido feita com a camisola do Benfica ou do Sporting. Disse ainda que o FC Porto é um clube "fechado em si próprio" que não valoriza "tanto como devia" os seus antigos craques.

Declarações do antigo director das relações externas dos dragões, proferidas numa visita à EB 2/3 Nicolau Nasoni, no Porto. "Se aquilo que consegui no FC Porto tivesse sido no Benfica ou no Sporting, acredito que teria outra dimensão, não tenho dúvidas. Se calhar isso tem a ver com o facto de o nosso clube ser muito fechado, de ter uma estratégia para dentro. Isso não ajuda. Perdemos uma oportunidade de ouro, quando fomos campeões europeus, de nos abrirmos bem mais do que fizemos. O nosso clube não faz tudo que está ao seu alcance para potenciar a imagem dos seus jogadores actuais e dos que deram muito ao clube", criticou.»

Ler o resto aqui


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Opinião do RoP

Diz a sabedoria popular que "no melhor pano cai a nódoa", e diz bem. Agora, foi Victor Baía que se lembrou de soltar a caixa de parafusos e começar a espalhar disparates.

Como é possível que um jogador feito na casa, um atleta amado pelos adeptos, próximo de se tornar um dos grandes ícones do Futebol Clube do Porto, tenha feito publicamente afirmações que além de não corresponderem exactamente à realidade, servem como uma luva para alimentar a insaciável má-língua dos inimigos do seu clube?

Não se discute aqui o inalienável direito de Victor Baía a emitir a sua opinião com toda a liberdade, o que se discute é o momento em que o faz, e o espantoso desconhecimento revelado com a idiossincrasia do clube que lhe lançou a carreira , assim como as estranhas argumentações que sustentam as suas críticas.

Victor Baía tinha a obrigação de saber que a maior ou menor projecção de um atleta [e de um clube] não depende exclusivamente do clube mas sim dos critérios de propaganda dos media. Ora, estando VB cansado de conhecer a forma discriminatória e mesmo hostil como o FCPorto é tratado pela comunicação social, é no mínimo, surpreendente que se tenha expressado sem ter tido o cuidado de ponderar esse pequeno-grande "detalhe". Ele devia saber como poucos por que é que o FCPorto é um clube fechado e até estar agradecido por isso, porque se assim não fosse talvez hoje não pudesse orgulhar-se de ter ganho tantos troféus e campeonatos ao serviço dos dragões.

Se Victor Baía quisesse ser mais correcto e objectivo podia ter dito, por exemplo, que "se houvesse justiça e os media dessem ao FCPorto a mesma atenção e promoção que é dada ao Benfica e ao Sporting, os seus jogadores eram muito mais conhecidos", não havia nada a apontar. Assim, ficando por meias palavras, omitindo a parte mais importante da declaração, foi como se tivesse dado um tiro no próprio pé e uma punhalada no clube. Victor Baía já não é nenhuma criança, sabe bem o que o centralismo tem feito ao FCPorto e não devia oferecer-lhe de bandeja este pretexto para explorar até à exaustão, que é [como iremos ver] o que vai acontecer nas próximas semanas.

Se é verdade que o FCP não tem sido eficiente na sua política de comunicação, inclusivamente com os adeptos, e que tarda em resolver, não é menos verdade que não pode competir com a máquina de propaganda da RTP, SIC, TVI, rádios e jornais ao mesmo tempo! Era destes últimos de quem Victor Baía se devia queixar, e não do clube que tanto lhe deu a ganhar e tão bem o tratou.

Mas, quer-me parecer, que tal como o zé povinho, Victor Baía não está a ver o que se passa no país e está se calhar convencido que é Pinto da Costa quem tem de pagar a crise. 


08 outubro, 2010

O Trio de Ataque com Rui Moreira e António Pedro Vasconcelos acabou

Vivemos um tempo de má educação e de falta de respeito, exponenciados por políticos e comentadores. Por políticos na Casa da República. Por políticos e comentadores nos canais televisivos. Na ausência de argumentos com substância e solidez, provoca-se, insulta-se, rebaixa-se o adversário.

Há gente que aprecia a mesquinhez e se identifica com o baixo nível. Mas, na realidade, o povo não gosta disto. O povo que não é representado pelos fazedores de opinião que imaginam ser “os maiores da Cantareira” e reduzem quem não pensa como eles a uma data de imbecis, que não se sabe muito bem o que andam a fazer neste mundo. Segundo estes fabulosos pensadores, apenas há lugar para as suas opiniões, os seus pontos de vista – tudo o resto está (deixem-me usar o advérbio de modo como redundância) absolutamente errado! (até se justifica o ponto de exclamação).

Um dia destes, li uma afirmação sensata de José Alberto Carvalho. Disse o Director de Informação da RTP: “Recuso-me à tentação de sufragar tudo em nome da audiência”.

No Porto, há (pelo menos) um jornalista que segue a orientação do seu chefe: Hugo Gilberto. O responsável pela condução do debate no programa Trio de Ataque assume-se como respeitador de regras e leis, ao observar que a divulgação de escutas é proibida. Quem não o respeita continua no programa. Quem o respeita, sai, pianinho, sem fazer barulho. De tal modo que só se dá pela redução do trio a duo quando o realizador, com um grande plano, mostra uma cadeira vazia. O escritor francês Albert Camus (1913-1960), que adorava futebol e o praticou, foi capaz de explicar que “a integridade não tem necessidade de regras”. Uma escritora americana, Eudora Welty (1909-2001), argumentou que “a integridade não pode ser nem perdida nem disfarçada nem forjada nem sufocada nem criada artificialmente nem abandonada nem, creio eu, em última análise, negada”.

Se bem o conheço, Rui Moreira nunca mais se sentará ao lado de António Pedro Vasconcelos. O Trio de Ataque, tal como existiu durante anos, acabou.

Se bem o conheço, José Alberto Lemos (director da RTPN) considerará que a saída de Rui Moreira não passa de um dano colateral na luta pela audiência.

Se bem o conheço, José Alberto Carvalho não costuma mudar de opinião em oito dias e tenderá a pensar como um outro escritor, Oliver Goldsmith, este de origem irlandesa (1730-1774: “A honra afunda-se onde o comércio predomina”.

A televisão pública tem de seguir regras estabelecidas e as leis do país. Se o não fizer, deve viver com as receitas daqueles que suportarem as suas audiências – e não (na maior parte do seu orçamento) com o dinheiro dos contribuintes: do Orçamento Geral do Estado.

Se o Trio de Ataque não voltar a ser um programa de comentadores educados, civilizados, que valorizam os das suas cores mas são capazes de respeitar o que os adversários fazem bem, o melhor é pôr-lhe fim. Até como exemplo para outros – da política.



Autor : Alfredo Barbosa -
Consultor de Comunicação e Doutorando da UFP

[Fonte: Grande Porto]

25 setembro, 2010

Centralistas e lisboetas. Haverá diferença?

Sob pena de cair no ridículo, aos olhos de uma certa "elite" local, mais fria e calculista, o último programa da RTP2 [que devia ser RTP1] Sociedade Civil, abaixo linkado, apresentado pela excelente jornalista Fernanda Freitas, foi um autêntico tónico para a alma dos portuenses. Neste programa, falou-se exclusivamente do Porto, e do amor ao Porto, motivos mais do que suficientes para os portuenses mais ferrenhos se darem ao prazer de o ver do princípio ao fim. Se o fizerem, irão perceber porque é que os 90 minutos vão parecer 90 segundos.

Estes medos do ridículo, não tem nada a ver com o receio de certos complexados do burgo de mostrarem ao Mundo que também são capazes de se emocionar, de expor publicamente a "fraqueza" do seu bairrismo, de amar a sua rua [como disse e bem, o Álvaro Costa], tem a ver sim, com as insidiosas manipulações a que os portuenses são sujeitos sempre que têm o ensejo de manifestar publicamente o amor pela sua cidade. E é aqui que eu quero chegar.

Este programa emocionou-me, não tanto pelo que se disse, mas por quem o disse... Não é caso para estranhar, meus amigos, porque de facto, os portuenses não estão habituados a assistir a um programa inteiro composto por portuenses a falar orgulhosamente da sua cidade, sem terem à esquina do primeiro elogio alguém a atirar-nos à cara os nossos defeitos. E é isso que costuma acontecer em qualquer programa emitido a partir de Lisboa nos raríssimos momentos que decidem falar de nós, da nossa insubstituível cidade do Porto.

É baseado na objectividade destes dados que só concordo parcialmente com a opinião politicamente correcta do Manuel Serrão e do Álvaro Costa quanto à relação afectiva  dos lisboetas com  os tripeiros. Manuel Serrão diz que não confunde o centralismo com os lisboetas, e, com toda a franqueza, era assim que eu também gostaria de pensar. O problema não está aí. O problema é que foram os lisboetas que se deixaram "dominar" pelo culto centralista sem nunca se mostrarem incomodados com a "mordomia", porque perceberam que esse "domínio" os beneficiava. E não é por termos amigos em Lisboa, com quem vamos esporadicamente beber um copo, ou jantar, por razões familiares, ou em negócios, onde a circunstância manda enterrar o machado de guerra, que podemos medir a consideração e o respeito que eles sentem por nós. É sim, quando eles estão longe de nós.

Quando estão longe, no seu habitat natural, ou mesmo nos estúdios das televisões centralistas, aí, são incapazes de revelar a mínima solidariedade com os portuenses. Então, que raio  impede os lisboetas não centralistas de se solidarizarem com os nortenhos [e  não apenas com os portuenses] quando sabem que estamos a ser discriminados política e economicamente, quando sabem que somos a região que mais exporta e que paradoxalmente é a mais pobre do país, a menos favorecida? Onde estará então a porreirice lisboeta que não se vê nem se houve, e os distingue dos centralistas ? Nos salões de chá? Nas televisões [que é o local de privilégio dos alfacinhas], não é seguramente...

Noventa e nove por cento dos portugueses, de norte a sul, são influenciados por uma visão centralista do país. Desses, embora constituam uma maioria, por razões sócio-culturais, só uma pequena percentagem percebe as razões políticas da discriminação negativa de que é alvo,  enquanto na capital a diferença  legada pelo superior rendimento per capita  em relação ao resto do país, produz um efeito de benefício do qual não têm qualquer interesse em abrir mão. Se juntarmos a isto a clubite regimental, temos o caldo perfeito para sedimentar um sentimento de indiferença e até de desprezo para com os portuenses, não obstante os encómios simpáticos das lisboetas citadas no referido programa pela Katty Xiomara alusivos à beleza dos portuenses...

A visão conciliadora  do Manuel Serrão [não acredita na guerra Sul/Norte] sobre a relação dos lisboetas connôsco louva-se e percebe-se, se atendermos aos interesses decorrentes da sua actividade profissional - que deverá salvaguardar -, mas essa não é uma visão realista.

A opinião da grande massa anónima de portuenses, que não precisa de ter essas preocupações  diplomáticas, está seguramente mais  próxima dos factos. Tanto, como está distante dos eventos mundanos da capital, ou de jantares de negócios com o empresariado lisboeta.

   

04 março, 2010

Parecer do Prof.Costa Andrade sobre a decisão da CD da Liga

Satisfazendo o sugerido por um comentador anónimo "voilá" o artigo de opinião no Público de hoje da autoria do reputado Prof. Costa Andrade. Para o ler, basta clicar sobre o título do post.

28 abril, 2009

Nostalgias erradas ou diagnósticos incompletos?

Clicar sobre a imagem para ler
"Transportámos até ao presente um
guilty pleasure, uma dificuldade em viver em democracia e compreender os seus limites. Nesse desconcerto sobrevive também um desejo camuflado de voltar ao tempo dos ditadores, onde se pode gozar a pouco recomendável liberdade de entregar a nossa responsabilidade a outros. Essa passividade está por trás da forma como desprezamos o sistema partidário e da forma como o sistema partidário evoluiu, afastando-se dos cidadãos e transformando-se num universo opaco, oligárquico."
Este pequeno trecho da crónica plasmada, resume uma reflexão respeitável sobre a realidade contemporânea do país, só pecando por alguma surperficialidade quanto à explanação das causas. Como na medicina homeopática, quando se pretende chegar à cura da doença, buscam-se as causas que a originaram, recomendavelmente, antes que ela se instale de vez no corpo (ou na mente) do portador, caso contrário, só resta o recurso aos fármacos tradicionais com os incontornáveis efeitos secundários que estas sempre comportam.
O silogismo aqui não é irónico, procura apenas estabelecer uma similitude entre diferentes situações realçando o que de comum há entre ambas, incluindo as respectivas consequências. Nesta perspectiva, o desejo camuflado de voltar ao tempo dos ditadores de que fala o autor do artigo, devia ser bem explicitado, de modo a sabermos o que é que, e quem, o provoca.
Numa democracia representativa, é abusivo deixar pairar no ar a ideia de que, quando os governantes falham, falha implicitamente o eleitor que o mandatou, porque a responsabilidade dos eleitos é diferente e infinitamente maior. Se, à posteriori, estes se revelam incapazes e desonestos, como pode o eleitor evitá-lo? E, quando o desempenho governativo não evolui, se pauta por crescentes e douradoras crises de mediocridade, com consequências gravíssimas na qualidade de vida das populações, como é possível evitar a tentação de um regresso ao passado nas suas mentes?
A vontade de um povo, não se controla com dissertações e terminologias de cariz político, como ditaduras ou democracias. É urgente "descobrir" algo mais do que a Liberdade de expressão a diferenciá-las. Tem de haver entre ambas, substância de conteúdo efectiva, traduzível, por exemplo, nestas duas frases: credibilidade nas Instituições do Estado, e qualidade de vida das populações.
Aceita-se, no entanto, o argumento do cronista sobre o desprezo popular pelo sistema partidário como justificação para a sua passividade, mas não me parece sustentável relacioná-lo de forma qualificativa com o discurso do Presidente da República, porque o eleitorado é também composto de memória colectiva e não é obrigado a compartimentar a figura de Cavaco Silva entre o que ele foi (e fez) no passado com o que é no presente. Os cargos são diferentes, mas a pessoa é a mesma.
Mais do que o protocolo, mais do que enfatizar, tout court, o discurso do Presidente da República, o eleitor deverá atentar às suas acções do passado enquanto 1º Ministro, e investigar até que ponto também ele deu o seu contributo para a situação que hoje o país está a viver. Por que razão os discursos dos Presidentes da República não devem ser escrutinados também pelo o seu histórico? Por carneirice? Se assim for , então, já não estamos a falar de Democracia, mas sim de pastoreio.

23 julho, 2008

Sobre a entrevista de Rui Moreira ao SOL

Li a entrevista de Rui Moreira ao Sol e gostei. Como é habitual, não desperdiçou palavras nem fugiu às questões que lhe colocaram. A moderação e a inteligência, são de facto a sua imagem de marca - isto, claro, na perspectiva da maioria dos portuenses e dos portistas.
Como disse, e bem, Pinto da Costa é irrepetível, não há outro. Imitá-lo, será um erro para quem um dia quiser candidatar-se à cadeira da presidência do FCP. Contudo, num meio país como -cada vez mais - se está a tornar Portugal, onde o centralismo estende os seus tentáculos por toda a parte, incluindo (e de que maneira) o mundo do futebol, será muito importante que o futuro presidente do FCPorto, além de inteligente tenha muito de guerreiro.
Como já tenho dito noutras ocasiões, o centralismo, em certos aspectos, é mais impudente e abjecto que a própria ditadura. Num regime ditatorial as liberdades são coartadas à população, o controle sobre os cidadãos é mais apertado, mas mesmo assim, é também mais previsível e não se insinua tanto. O centralismo é muito mais hipócrita, divide, absorve recursos e direitos aos cidadãos depois de lhes ter prometido exactamente o contrário. É revoltante.
É nessa perspectiva que, tendo em conta a personalidade de Rui Moreira, preferia vê-lo à frente da Câmara do Porto, onde seguramente poderia exponenciar com muito mais tranquilidade todas as suas qualidades em benefício de todos os portuenses. Imaginá-lo neste contexto socio-político ligado ao futebol, onde a balbúrdia paira por todo o lado, onde os media difamam mais do que informam, confrange-me. Não por duvidar das suas capacidades para gerir um clube de futebol como o FCPorto, mas por considerar que, de momento, em Portugal, não estão reunidas as condições para alguém com o seu perfil se afirmar como merecia. Paira ainda muita toxicidade nos bastidores do futebol, muita sacanagem...
Não tenho dúvidas que, a partir do dia em que Rui Moreira começasse a ter sucesso à frente do FCPorto, seria igualmente perseguido e difamado pela comunicação social como foi Pinto da Costa. Seria apenas uma questão de tempo. Mas a verdade, é que também não estou a ver, de momento,ninguém melhor que ele para o cargo. Se tivesse de votar sobre esta curiosa ambivalencia, votaria em Rui Moreira, para Presidente da Câmara.
Para terminar, direi que a única coisa com a qual discordei da sua entrevista foi o recado que terá enviado para alguém da SAD portista (suponho), quando disse que Pinto da Costa "não precisava de gente eloquente para falar, porque ele gostava de falar, e de gente inteligente, porque ele já o era".
Rui Moreira lá saberá o que nós não sabemos, mas no que respeita a falar, ninguém pode acusar a SAD de andar a multiplicar-se em entrevistas ou falatórios para os media. A sobriedade e o recato públicos são comportamentos que os membros da SAD, regra geral, têm sabido manter, pelo menos nas aparências. Em privado, isso já não posso garantir.
Por último, ficou o mistério por revelar sobre a eventual "OPA" que fez à SONAE, do Público.
Talvez um dia decida desvendá-lo...