30 abril, 2008

Trabalhar para vencer, o quê?

O oportunismo político?

Mas, quem pensa que é esta senhora para fazer de nós parvos?
Que é de uma seriedade indiscutível? Pois, pela minha parte, não só a discuto como a contesto.
Contesto a seriedade de quem, a troco do apoio de um clube desportivo (o Benfica) para as eleições legislativas de 2002 aceitou as acções da SAD desse clube como garantia à impugnação de uma dívida fiscal do mesmo.
Contesto esta e todos os outros putativos candidatos à "mudança" com perfume nauseabundo a naftalina que já nem para as traças tem serventia.
Então como é, meus senhores, corrupção intelectual desta envergadura não dá direito a abertura de processos? É só para o futebol? Ou não acham que esta é uma das formas mais hediondas de corrupção?
O regime centralista/divisionista é cismático e obcecado por processos em forma de apito, já percebemos, mas nós, talvez estejamos mais interessados em dar um toque de originalidade às investigações. E que tal, por acaso, abrir um processo com o nome: "O Ministério Encarnado"?

Ainda sobre a Liberdade

Já aqui se falou da Liberdade e das suas presumidas propriedades "terapêuticas" na vida dos cidadãos, mas nunca é demais voltar ao tema. Do 25 de Abril de 1974 que tanto nos prometia, já só resta mesmo a Liberdade.

Não vou falar agora das pontes ou das auto-estradas construídas desde então, e muito menos, das obras faraónicas de Lisboa, nem da sua pertinência, porque me recuso a reconhecer nelas sinais paradigmáticos de progresso. Pior seria, se depois de tantos financiamentos provindos de fundos comunitários nada se tivesse feito entretanto.
Mais importante, era sabermos, com rigôr e transparência, aonde, e em quê, é que esses fundos foram aplicados, mas isso ficará para outra ocasião. Outra coisa importante, é vincar bem a noção de que esses fundos não foram fruto do nosso desenvolvimento económico, mas apenas o resultado da nossa adesão à União Europeia.

Retomando a Liberdade, o tema dilecto da Comunicação Social no 25 de Abril, mas tão ferido de orfandade e compreensão, talvez seja tempo de nos questionarmos se há só um tipo de Liberdade ou se, decididamente, ele tem ou não uma relação directa com o nível sócio-económico das populações. A resposta, é obviamente, afirmativa, mas o facto de termos de o lembrar já é, de per si, um sinal de que se anda há muito anos a fazer jogo sujo.

Quem, porventura, me ler de má fé, e quiser fazer de conta que não percebe onde pretendo chegar, dirá que estou a defender o regresso à censura de regimes totalitários. Nada mais errado. Com todo o respeito, duvido que exista alguém que ame mais a Liberdade do que eu, porque ela já nasceu comigo, está-me na massa do sangue. Se assim não fosse, não dizia o que digo e como digo, preocupar-me-ia (como muitos) mais em ser aceite pelos apoiantes do regime que não se resumem apenas aos que estão no poder, mas também aos que vivem dele. E não são poucos.

Recordo-me bem, das muitas noites sem sono nem cama, em que ficava na rua com os amigos, em animada cavaqueira até ser dia, a discutir sobre a vida e a política do país. Francamente, não me apercebi nunca de ver "pides" atrás de nós quando essas reuniões espontâneas aconteciam. Ou tivemos sorte, ou a PIDE/DGSE não era tão eficiente quanto isso, mas que ela existia, disso não há dúvidas.

Verdadeiramente, só tive noção da existência da PIDE, poucos dias depois do 25 de Abril, em Lisboa, em pleno Rossio, quando, na companhia de uma namorada, me apercebi de um ambiente invulgarmente sinistro entre os cidadãos, a PSP, e uns tipos vestidos à civil que depois soube serem agentes da PIDE. Com os meus vinte e poucos anos, era tal a minha imaturidade política que, quando vi aqueles "gorilas" a dispersar e agredir indistintamente quem circulava em paz, dirigi-me furioso a um chefe da PSP a perguntar-lhe o que se estava a passar e porque não fazia nada para o impedir. Lembro-me só do homem, um pouco atrapalhado, me ter aconselhado a seguir o meu caminho e de ter sentido uma indignação profunda.

Bem, mas a narração deste episódio pré-revolucionário não quer ter carácter histórico ou ser auto-biográfico, mas fundamentalmente salientar que apesar da Ditadura, do Estado Novo, eu(como outros), já tinha a minha liberdade pessoal, ninguém ma ofereceu. Cada qual tinha a liberdade que o seu temperamento permitia. Eu tinha a minha. A liberdade de regime é outra coisa, e essa, foram os capitães de Abril quem a corporizou e restituiu ao país. Sem eles, não sei se os partidos políticos clandestinos mais expressivos (PCP, PS e PSD) bastariam por si só para destronar a Ditadura.

Por conseguinte, acabemos de uma vez com esta veneração à Liberdade utópica e passemos a construir a Liberdade concreta que se alicerça na qualidade de vida do povo. É dessa que é importante falar.

A blogosfera, não obstante ser ainda muito pouco difundida, vai acabar por se transformar num veículo de comunicação e de debate público mais credível do que os restantes mídia, da imprensa, rádio e televisão, e pode vir mesmo a constituir-se a principal responsável pela sua renovação. Precisamente, porque é mais livre do que elas todas juntas.

Os jornalistas não passam de meros funcionários ao serviço dos critérios editoriais das suas chefias que só usufruem verdadeiramente da sua liberdade de opinião quando saem das empresas onde trabalham. A seriedade do seu trabalho é sempre condicionada pela da própria entidade patronal, que pode ser mais ou menos credível mas, ainda assim será sempre condicionada.

Daí a importância de procurarmos sempre "filtrar" muito bem tudo o que lemos, para o melhor e para o pior. As audiências e os números de jornais vendidos só são importantes para a área comercial das respectivas empresas, não para o consumidor. Nós consumidores, é que teremos de ter sempre a última palavra. E pensar pela nossa cabeça é a primeira das últimas.



JEAN PAUL SARTRE
Para Jean-Paul Sartre, a liberdade é a condição ontológica do ser humano. O homem é, antes de tudo, livre. O homem é livre mesmo de uma essência particular, como não o são os objetos do mundo, as coisas. Livre a um ponto tal que pode ser considerado a brecha por onde o Nada encontra seu espaço na ontologia. O homem é nada antes de definir-se como algo, e é absolutamente livre para definir-se, engajar-se, encerrar-se, esgotar a si mesmo.
A liberdade humana revela-se na angústia. O homem angustia-se diante de sua condenação à liberdade. O homem só não é livre para não ser livre, está condenado a fazer escolhas e a responsabilidade de suas escolhas é tão opressiva, que surgem escapatórias através das atitudes e paradigmas de má-fé, onde o homem aliena-se de sua própria liberdade, mentindo para si mesmo através de condutas e ideologias que o isentem da responsabilidade sobre as próprias decisões.

29 abril, 2008

Uma das muitas coisas que não entendo (1)

Confesso não entender porque razão é preciso pedir autorização ao Instituto da Água(INAG) em Lisboa ( claro!) para antecipar a data do início da época balnear. E muito menos entendo os condicionalismos que o senhor presidente do INAG exprime para que essa antecipação seja autorizada. Uma das condições é que a antecipação se faça sem interrupções. "Não podemos estar a abrir e fechar praias de acordo com as conveniências comerciais ou com o estado do tempo". Realmente isso deve dar muito trabalho, implicando com o merecido descanso ao longo do dia dos zelosos burocratas que se ocupam dessa importantíssima missão.

O senhor presidente diz também que tem de haver uma dimensão geográfica "coerente e expressiva", seja o que for que "expressiva" signifique. Dá ideia que o que o INAG pretende é dificultar as licenças excepcionais para que não andem a incomodá-los.

Para mim, trata-se da burocracia inútil em todo o seu explendor. Eu, decerto porque sou um espirito símples, até mesmo simplório, desconhecedor das subtilezas da alta governação, vejo esta questão de outro modo. Acho que esta autorização deveria ser uma inerência das câmaras municipais, subentendendo-se que teriam de ser satisfeitos os condicionalismos vários, sobretudo de segurança, que estão estabelecidos em regras com validade nacional. Se todas as regras aplicáveis forem respeitadas, porque raio os concessionário de qualquer praia do Minho ao Algarve, há de ter que pedir uma autorização ao senhor presidente do INAG, e não ao presidente do seu município?

Na verdade esta incongruência até nem me espanta. A partir do momento em que ouvi o Dr.Paulo Mendo declarar publicamente num programa televisivo que uma vez, era ele Ministro da Saúde, tinha sido obrigado a assinar uma autorização de compra de um par de botas de borracha para um porteiro de hospital, já nada me surpreende. Sinto-me vacinado contra todas as barbaridades deste centralismo em que ditosamente vivemos.

Perdido o pudor fica o poder


Houve um elemento que se destacou na "Quadratura do Círculo" quando José Pacheco Pereira "enunciou" o "problema" da ida de Jorge Coelho para a Mota-Engil. Foi o silêncio de Jorge Coelho. Ouviu coisas terríveis a seu respeito e ouviu-as impávido.
Foram enunciadas sugestões de compadrio, sinecura, favoritismo e até incompetência para o lugar que vai assumir. Jorge Coelho manteve-se esfíngico não manifestando ter sentido qualquer ofensa. Se a sentiu ou não, não sei. Sei que não a manifestou. Conseguiu manter-se imperturbado enquanto era apregoado um terrível libelo de incoerências da vida pública em Portugal com ele no epicentro de impropriedades de comportamento. Nada de ilegal, mas tudo impróprio.O antigo ministro do Equipamento Social de António Guterres não clamou nem inocência, nem ultraje.
Olhou de frente o seu acusador e, com o silêncio, deu a única resposta que saiu do seu empedernido semblante e que eu traduzo como querendo dizer "É assim!". E é mesmo assim em Portugal. Perde-se o pudor, fica-se com o poder. Nada de ilegal, mas tudo despudorado.
O Conselho de Administração da Mota-Engil será uma constante reunião de Bloco Central, com dois antigos ministros das tutelas das construções do Estado em governos PS e PSD a desenhar estratégias para ganhar concursos públicos que vão ser decididos por funcionários que foram seus subordinados ou a conseguir de autarcas correligionários interpretações de PDM mais favoráveis a isto ou aquilo que se queira cobrir de vigas pré-esforçadas, argamassa ou asfalto. E se os antigos ministros não chegarem a nenhuma conclusão ainda há lá um antigo secretário de Estado entendedor dessas complexidades das obras públicas para afastar empecilhos do lucro.
O colosso a que Jorge Coelho agora preside opera sobretudo na área do domínio do que é público em Portugal.Tudo adjudicado por governos em que os seus quadros participaram. Claro que a Mota-Engil tem hoje interesses no estrangeiro, mas não me parece que Jorge Coelho tenha sido contratado para dar o seu parecer sobre a estrada entre Perote e Banderilla, que está agora a construir no México. A vantagem de ter um presidente executivo como Jorge Coelho é local. Só pode ter sido a sua agenda de contactos que a Mota-Engil adquiriu porque essa é a sua grande mais-valia. É nesta capacidade única de fazer rede entre o Estado, interesses privados, políticos e público-privados que reside o nexo de causalidade da escolha de um operador político para um lugar de gestão.
Este acto, conjuntamente com o caso BCP, assinala uma capitulação a uma realidade insofismável.A maior parte do sector privado lusitano só quer e, se calhar, só pode subsistir associado à tutela estatal e não tem pejo em subordinar-se aos operadores puramente políticos, abandonando a evolução de culturas de empresas inovadoras desenvolvidas por gestores profissionais que pusessem, finalmente, o mercado a funcionar em Portugal. No curto prazo, este hesitante sector privado nascido dos cravos de Abril parece ver mais ganhos incorporando governos em si próprio do que emancipando-se de tutelas constrangedoras.
Claro que daqui para a frente não haverá concurso que a Mota-Engil ganhe (ou perca) onde não se detecte a impressão digital de Jorge Coelho e não se fique com a sensação de que o mercado não está a funcionar. Numa altura de novas pontes, ferrovias e aeroportos vai ser interessante observar o relacionamento entre a Mota-Engil de Jorge Coelho e a Lusoponte de Ferreira do Amaral, também ele em tempos ministro de Cavaco Silva com responsabilidades tutelares passadas no sector público-privado que agora administra.
A participação da Mota-Engil no capital da Lusoponte é, segundo o seu relatório de contas, o maior investimento financeiro disponível para venda do grupo. Vão concorrer um contra o outro? Provavelmente, vão. Mas ninguém vai perder! Surpreendente? Não! Afinal foi assim que o Bloco Central se formou e se mantém. À custa dos milagres do método de Hondt, onde a partir de um certo número de votos nunca ninguém perdeu um lugar lá porque perdeu uma eleição. Só que Victor d'Hondt, provavelmente, nunca imaginou ver o seu método aplicado à economia de mercado.
Mário Crespo, no JN
NOTA DE RENOVAR O PORTO:

Se estes são os melhores exemplos que a classe política consegue dar ao povo, bem podem estar descansados (e estão, claro) que não é tão cedo que se livram da má fama que vão alegremente desfrutando.

A putativa candidata a 1ª. Ministra, Manuela Ferreira Leite queixou-se exactamente desta (má)fama há poucos dias. Francamente, alguém acredita que ela não perceba as causas? É que se alguém acreditar, então aconselho essa(s) pessoa(s) a não pensar(em) sequer nesta política para o que quer que seja, porque é demasiado óbvio que também dará carta branca a esta bandalheira.


28 abril, 2008

Automóvel Clube de Portugal: mais uma face do centralismo selvagem

Sou sócio do ACP ( Automóvel Club de Portugal) e uso sempre que necessário os serviços correntes prestados aos sócios: renovação de carta de condução, substituição de documentos, serviços de desempanagem, etc. Funcionam bem e o pessoal é extremamente educado e prestável.

Isto não me impede de afirmar que o ACP está cada vez mais virado para os sócios de Lisboa e arredores, e que desde que o actual presidente tomou posse do cargo, a restante massa associativa, aquela que vive noutras regiões, é nitidamente considerada como "verbo de encher". Eu sei que este tipo de atitude é corrente e normal: o poder central ou centralizado funciona numa lógica autenticamente colonialista. Uma das primeiras medidas tomadas por esta presidência foi "roubar", do Norte e do Centro, o Rally de Portugal, passando-o... para o Algarve obviamente. Míticos troços cronometrados, como Góis, Arganil, Piódão e tantos outros a norte do rio Douro, conhecidos e apreciados ano após ano por toda a comunidade automobilística europeia, foram sumariamente varridos para o caixote do lixo, e substituídos por troços, no Algarve, que nunca sairão da mediocridade, nem nunca farão parte da elite das provas europeias. Em compensação, os senhores que tomaram essa decisão terão mais um pretexto para se pavonearem no Algarve, pretendendo mostrar como são importantes e como fazem parte de uma determinada elite. Para eles, constituintes da corja para quem o país a norte das Caldas é a horrorosa província, povoada por seres cuja convivência não é recomendável, para eles, dizia eu, é mais fashionable mostrarem-se em Vilamoura ou Albufeira do que terem que andar pelas serras e "vilórias" do Norte e Centro do país.

Fico a pensar que só por comodismo e conveniência continuo sócio de tal organismo. Fico a pensar também que se existisse um Automóvel Clube em Espanha que tivesse actividade efectiva aqui no Norte, imediatamente eu mudaria. Ou então um Automóvel Clube do Norte de Portugal, mas provavelmente seremos poucos para isso, até porque nessa eventualidade o ACP substituiria o descaso a que nos vota por uma interesseira atenção.

Muita gente acreditará, como eu acredito, que seria mais benéfico ter ligações efectivas à Galiza, de quem somos genéticamente irmãos, do que manter-se a situação actual de sermos apêndices, pouco mais que tolerados, duma casta pretenciosa que nos dirige e condiciona à distância, e com a qual poucas afinidades étnicas temos. Separa-nos a cultura, a vivência, a idiossincrasia. Deles, somos primos, não somos irmãos. Até nos poderíamos dar bem com eles, mas só com estatuto de igualdade, e não com a actual situação que é algo muito parecido com o relacionamento de colonizadores com colonizados.

Este tipo de antagonismo, que se espalha cada vez mais, é prova provada que o regime centralista em que vivemos é altamente desagregador da chamada coesão nacional, muito mais desagregador do que aquilo que poderia resultar da criação de regiões, sejam elas administrativas ou até mesmo autónomas, por muito que esta suposta desagregação seja um "papão" a que os anti-regionalistas gostam de recorrer à falta de melhores argumentos.

Flexi-segurança à Dinamarquesa ou à Lisboeta?

Para nosso infortúnio, os dirigentes políticos deste país periférico, habituaram-se a governar pela boca, e pela boca vão continuar a governar. Por que haveriam eles afinal de mudar?

Não têm nada a perder e não correm grandes riscos. Não arriscam a ser despedidos com ou sem justa causa, como muitos assalariados que trabalham por conta de outrem, nem correm - como eles - riscos de falência económico-financeira.

Que se saiba, não há nenhum a quem tenha sido indiferido o pedido de reforma ou o acesso à direcção de grandes grupos financeiros. O "crime" compensa em Portugal, e podemos ter a certeza que não são os do tipo "Apito Dourado" os mais escandalosos. Esses são apenas o manto diáfano da verdadeira corrupção. Portanto, em termos de serviço público, só podem, é fazer mais do mesmo, ou seja, nada verdadeiramente significativo.

Esta redundância de afirmar que os nossos governantes se habituaram a governar pela boca, não me parece nada excessiva se fizermos uma simples recapitulação de todas as promessas eleitorais não cumpridas e até da violação frequente de algumas normas constitucionais, mas mesmo assim, não deve faltar por aí quem os queira proteger. Eles lá saberão porquê...

Estas minhas preocupações fundamentam-se no histórico passado,mas igualmente no futuro e sustentam-se nesta ideia luminosa da "flexi-segurança" que andam agora a tentar impingir-nos como remédio milagroso para os nossos problemas. Sem qualquer originalidade, os nossos governantes quando pretendem ser mais convincentes com uma "nova" reforma, costumam zumbir-nos a célebre frase: "lá fora também se faz" ou, "nos países desenvolvidos é assim".

O problema, é que quando o fazem, só se preocupam em aplicar o lado mais sombrio da moeda, aquele que implica a anulação de algum privilégio ou um aumento da carga fiscal. O outro lado, aquele que deveria justificar positivamente o reforço dos encargos do cidadão, esse, raramente lhe é explicado e garantido. Ao contrário do que sucede na Dinamarca, por exemplo...

A Dinamarca, é um país pequeno como o nosso, mas é um país nórdico. E - lamento dizê-lo,porque infelizmente eu não nasci na Dinamarca - os dinamarqueses são um povo com processos de vida sérios, também porque os seus responsáveis políticos lhe transmitem seriedade. Essa seriedade, manifesta-se na forma e no conteúdo, o que significa que quando é proposto ao cidadão o pagamento de mais um imposto é-lhe imediatamente explicada (e passa a direito legal) a vantagem/benefício desse mesmo imposto. Depois, é posto em prática!

A flexi-segurança dinamarquesa cobra uma enormidade de impostos aos seus cidadãos, começando por (aquilo a que aqui alguns, chamam "demagogia") retirar a fatia maior do bolo contributivo a quem ganha mais e depois, por pagar salários médios relativamente altos.

Mas os dinamarqueses, não se preocupam com os altos impostos, porque o que ganham (apesar do seu alto custo de vida) chega e sobra para viverem com dignidade. Se um trabalhador vai para o desemprego, o Estado garante-lhe mais de 80% do valor salarial e fornece-lhe cursos de formação para um futuro posto de trabalho que também se encarrega de assegurar. As pessoas têm um conhecimento profundo e rigoroso das aplicações e benefícios específicos dos seus encargos fiscais. A isto chama-se fazer política com elevação e sentido de cidadania.

Aqui, a flexi-segurança à portuguesa vai ser um alfobre de problemas para os mais desprotegidos. A mentalidade da classe média empresarial nacional não prima pelos bons exemplos e vai ver nela um óptimo trampolim para alastrar o foco de desemprego que já existe na região.

O primeiro já começa a dar os primeiros passos. Há "empresários", que no respaldo da crise (sempre ela), perderam completamente a vergonha e já começam a habituar-se a dizer aos seus empregados que não sabem se têm dinheiro para lhes pagar ao fim do mês. Não será este, um indício de uma outra crise?

Obrigado Luís Filipe Menezes

É minha convicção, que no panorama actual da democracia portuguesa, dos poucos aspectos positivos que podemos retirar da actividade política não é - como devia - o seu produto global, mas apenas o trabalho pontual de algumas personalidades que dela brotam.
Há vários exemplos que o podem confirmar. O de Luís Filipe Menezes é o mais recente. Como receava e aqui o manifestei na altura, LFM não teve "unhas" para aguentar o compressor impiedoso dos barões do partido e acabou por entregar os pontos mais cedo do que se previa.
Fiquei ainda mais desanimado quando me apercebi que LVM se tinha rendido à política das falinhas mansas, mal chegou a Lisboa. Percebi depressa que o "líder" tinha morrido.

Estou convencido que nenhum líder se afirmará enquanto tal, se continuar a pensar numa possibilidade de afirmação, com avanços de "pézinhos de lã", dando uma no cravo e outra na ferradura, optanto pelo usado e ineficaz sistema do "sim, porém, mas talvez". O Centralismo, como os animais, não respeita quem lhes mostra medo. É preciso não tremer diante do Centralismo, é preciso enfrentá-lo.

Ora, não foi isso que fez Luís Filipe Menezes, e como tal, o Centralismo, à imagem do que sucedeu a Fernando Gomes quando o partido lhe "deu" a pasta da Administração Interna.Os centralistas dos respectivos partidos não perderam tempo, forjaram bem a ratoeira, apanharam-nos como ingénuos passarinhos, e devoraram-nos.

Curiosa e ironicamente, o sistema despachou duas personalidades de partidos diferentes, ambos competentes nos seus mandatos autárquicos. Ambos, deram provas de um "savoir faire" e dinamismo que aqueles que lhes prepararam a porta de saída em boa verdade ainda não foram capazes de mostrar.
Ninguém do grupo dos seus adversários de partido foi ainda capaz de revelar ideias e qualidades de trabalho superiores a Luís Filipe Menezes, mas no entanto acabaram por afastá-lo. Isto, serve também para contrariar a tese que, na política (e não só), nem sempre vence o mais competente. Só por má fé ou cegueira intelectual é que alguém pode negar a superioridade indiscutível de LFM por comparação com o complicado Rui Rio, e no entanto, é neste último que os centralistas melhor se revêem. E percebe-se muito bem porquê.

Para terminar, só me resta salientar uma coisa: Luís Filipe Menezes, não tem os vícios nem as manhas dos políticos de carreira. É mais pessoa, mais humano, tem outra dimensão, e só por isso deu parte de fraco. Pessoalmente, não o tenho como tal. Os fracos são outros.

O problema não está só neles, mas mais em quem lhes dá crédito e poder. Esses, os supostos fortes, são efectivamente os que menos prestam, logo, os verdadeiros e inconvenientes fracos.

Enquanto cidadão do Porto (e grande Porto) estou grato pelo que Luís Filipe Menezes tem feito na outra margem do Douro. Não é obra de fachada, é obra de utilidade pública objectiva com benefícios bem visíveis e importantes para toda a gente. Quem negar isto, ou é medíocre, ou invejoso. Não é certamente alguém amigo do Porto (neste caso concreto, Gaia).

"Um campeão de respeito!"

O jornal "O JOGO" faz, na sua edição de hoje, esta merecida dedicatória ao Futebol Clube do Porto. E faz muito bem. Só é pena, é achar que o mesmo título já é irrelevante para merecer a primeira página da edição Sul.

Mas, enfim, nós sabemos do que a casa gasta e já não nos admiramos com estes critérios jornalísticos. Agora, o que não permitimos, é que continuem a lançar para o ar aquelas bocas descabidas de atribuir a todos nós a culpa da situação que se vive actualmente no Porto.
Porque, no meio de tanta traição encapuzada por interesses comerciais há gente e instituições inocentes, que nem sequer imaginam o que possam ter feito para contribuir para a decadência local.

O Futebol Clube do Porto seguramente que não foi culpado. Pelo contrário. Mesmo na mira do pelotão de fuzilamento do Centralismo, resiste, luta, enfrenta e vence. A Bial, é um outro bom exemplo, num enquadramento diferente e, digámos que, menos "incómodo" para a "teta" do centralismo. A própria Associação Comercial do Porto é outro. Mas, há mais, felizmente; o que há, é poucos. Os jornais locais, não são certamente o melhor exemplo.

Esta artimanha das edições editoriais Norte-Sul, são um autêntico engôdo em termo de informação. São como uma espécie de mel para atrair as abelhinhas de acordo com os pontos cardiais das suas colmeias. Mas talvez esteja na hora de lembrarmos esses senhores directores de jornais que nós não somos abelhinhas, que somos pessoas e gostamos de ser tratados com mais respeito.

Mas, adiante. O título do jornal "O JOGO" foi, apesar de tudo, feliz. Feliz por ter escrito em três palavras aquilo que nós portistas e toda a gente de bem já sabe, mas que a Procuradoria Geral da República e a sua agente subordinada, Maria José Morgado, não sabem, ou fazem questão de não querer saber.

Foi feliz, por provar pela enésima vez, aos cineastas rasteiros deste país, que somos muito mais sérios do que eles, e que rejeitamos veementemente qualquer esboço de lição nessa matéria. Mesmo quando o seu reconhecimento é tardio e alimentado pelo oportunismo que os caracteriza.

26 abril, 2008

Rescaldo do 25 de Abril

Vencer a Liberdade!
Foi com esta frase grande eloquente que ontem, no dia 25 de Abril, o Director do JN titulou a sua crónica de homenagem dedicada à efeméride. Com poesia q.b., mas com muito pouca profundidade.

É por estas análises coloridas e irritantemente superficiais que gerei anti-corpos para me defender de lugares comuns regimentais deste tipo. Vencer a Liberdade! Que poético.

Basta haver um (pa)checo-esperto, lá das alturas herméticas da sua sabedoria, a vender certezas (sic)tárias, que não falta quem a queira comprar. E, ai de quem se atrever a contrariar estas "sentenças", que é logo desclassificado e retirado da estante reservada aos "bons cidadãos".

A Liberdade é uma coisa fantástica, particularmente para quem ainda viveu (como eu) num regime onde era muito espartilhada, mas parece-me exagerado falar dela como valor acabado e inquestionável. É petulante reduzir a Liberdade a um valor "simplex" como está agora na moda, e falar dela com demasiada euforia, sobretudo se nos esquecermos do factor sócio-económico de uma grande faixa da população que sobrevive em precárias condições. É pouco sério.

Se falarmos da Liberdade com seriedade, sem lhe retirar a importância, mas também sem a enfatizar demasiado, é o suficiente. Porque a Liberdade é o primeiro de todos os valores, é um ponto de partida, e não uma espécie de eucalipto mitificado de bondade que tudo seca à sua volta.

Não sei precisar neste momento, o número exacto de desempregados e gente abaixo do limiar de pobreza que pelo Porto e o Norte do país vão engrossando a fila dos descontentes, mas sei que não é da falta de Liberdade que mais razão de queixa têm.

Para testar esta tese, experimentem perguntar-lhes se alguma vez conseguiram fazer as compras no supermercado e pagar o respectivo consumo com notas de Liberdade. Perguntem-lhes também, se houve algum Banco que aceitou abrir-lhes conta e conceder-lhes crédito para habitação ou carro, apresentando como garantia doses q.b. de Liberdade.

A resposta é tão óbvia quanto revoltante. O objectivo principal do 25 de Abril não foi somente abrir ao país as portas da Liberdade. Foi abri-las sim, para deixar entrar o que até então faltava em Portugal, como o desenvolvimento gerador de riqueza, um maior equilíbrio social e económico entre a população, e uma integração harmónica aos padrões de vida europeus.
Mas foi também, para fechar as portas à corrupção, ao compadrio, ao oportunismo político, ao banditismo, às oligarquias políticas, e à mediocridade.

Ora, se ainda estamos tão longe destes patamares de progresso, é risível falarmos da Liberdade como se fosse possível adquirir só com ela as asas que nos permitem voar para a vida ambicionada.

25 abril, 2008

DESLEIXO!


Isto que aqui vêem "foram" (porque já não são) caixas de iluminação de solo instaladas sob o parapeito do passeio que ladeia o Estádio do Dragão, junto à estação do Metro.
Estão colocadas ao longo do referido passeio espaçados entre si cerca de 2 metros. Não há um único que tenha lâmpadas e o respectivo vidro protector.
Neste momento, estão cobertos de água com os mais variados "ovnis" a boiar sobre a mesma.
Aposto que para assumir a negligência destes actos não há ninguém. Foi S. Pedro o culpado.
Autista e arrogante (mas seriíssimo) como é o nosso Presidente da Câmara do Porto tenho pouca fé que o alarme sirva para alguma coisa.
Votem nele outra vez.

24 abril, 2008

A fraude dos ideais de Abril



Se por esta altura alguns "democratas" que se juntaram ao Movimento das Forças Armadas (MFA) para pouco depois constituirem partidos políticos "democráticos", tivessem avisado os portugueses que iriam fazer de Lisboa uma zona priveligiada de desenvolvimento, desprezando o resto do país e delapidando a sua 2ª cidade mais importante, talvez aí, quem sabe, o povo tivesse boicotado a Revolução dos Cravos...

No poupar é que está o ganho...

Convém não esquecer que do Porto a Vigo são 150 km, isto sem contar que não se paga tanto de portagens nem de combustível, temos possibilidade de abastecer o nosso deposito com menos euros.
Temos possibilidade de usufruir das belas paisagens da Galiza e mais importante do que isso não investimos um tostão em mais um evento, que claro, neste país só se poderia realizar na nossa muy querida capitalzinha...aliás, enquanto não levaram a exposição da Exponor para lisboa não andaram descansados...admitia-se lá que uma exposição de automóveis tivesse a sua realização em Matosinhos...nem pensar nisso...(sim..para aqueles que não se lembram este evento realizava-se na Exponor)...

Posto isto e para os interessados deixo mais alguns endereços relativos a esta magnifica exposição automóvel:

http://www.ifevi.com/index.php?id_noticia=65

http://www.racingshowcaixanova.com/

http://www.eventosmotor.com/index.php

Vai tomar no c... Centralismo


Os mistérios de Sócrates

Se fosse possível auscultar a seriedade intelectual do ser humano, saberíamos exactamente qual é o estado de espírito de José Sócrates quando se ouve a si próprio e, preferencialmente, qual o nível de credibilidade que podíamos atribuir aos seus permanentes manifestos de optimismo tantas vezes deslocado da realidade. Como não é possível, só podemos intuir.

Ora, a minha intuição diz-me que Sócrates leva demasiado a sério a sua auto-confiança. Tão demasiado a sério, que se esquece do fundamental, que é do feedback do seu discurso nas massas, sem condicionalismos de classes e territórios. Não o fazendo, preferindo ignorar a sua condição de simples mortal passível de errar, Sócrates arrisca-se a cometer um erro bem mais grave: o do autismo.


Esquece, que antes dele, houve outros "Sócrates" (com nomes menos sugestivos), igualmente candidatos a filósofos, que também estavam cheios de certezas e que raramente se enganavam. E antes desses, outros igualmente 'seguros' imitaram o estilo sem contudo nunca terem conseguido dar provas da sua eficácia. Todos seguros à partida, mas todos derrotados no fim. Pouco ou nada do que desenvolveram das suas políticas agora se aproveita, o que nos leva a garantir sem margem para hesitações que se enganaram.


Apesar disso, o estilo fanfarrão, teórico, autista, continua, o que prova que Sócrates nada aprendeu com as asneiras dos outros. E é dramático que tal esteja de novo a acontecer, porque não é Sócrates nem "sus ministros" quem mais irá sofrer com as asneiras (eles ficam sempre bem, como os altos cargos empresariais o atestam no pós-política), é o país e a sua população. O cenário vai repetir-se, e é abominável que permitamos que se repita.


O Tratado de Lisboa é a menina dos olhos de Sócrates. Ele baba-se com o feito e imagina que nós portuenses também. Eu estou a borrifar-me para o Tratado de Lisboa, como muitos de nós se começam a borrifar para a entrada de Portugal na União Europeia, como outros começam a borrifar-se para a valia da nossa democracia. Tudo isto vem sendo contestado, até a própria Liberdade, porque se calhar a sua prática, em termos políticos, não é tão "livre" como parece.


A Liberdade é um bem precioso, mas numa sociedade moderna e justa, pouca valia tem se isolada de outros valores. Esses valores passam por uma distribuição mais equilibrada da riqueza, pelo acesso igual à justiça, por uma valorização de competências razoável, pelo respeito das regras do trabalho entre empregadores e empregados. Todos em teoria concordam com tudo isto, mas sabe-se que na prática (que é o que conta) as coisas não se passam assim.


E os jornalistas - os tais menssageiros do povo - sabem-no, mas também pouco se incomodam, desde que se mantenham encaixados em qualquer orgão informativo que lhes dê o pão. No JN de hoje, a autora desta crónica não encontrou tema melhor para abordar do que os dotes de alquimia do 1º. Ministro. Foi a mutação de um das letras dos três "D" do Movimento das Forças Armadas (MFA) que a inspirou. Segundo escreve, o "D" de Descolonização (a escôlha é dela) foi subsítuído pelo "E" de Europa, servindo para associar o 25 de Abril à ratificação (sem recurso a referendo) do Tratado de Lisboa. Que imaginação!


Já Rui Moreira, na recepção que concedeu a Sócrates, fez com apropósito o que dele se esperava , aproveitou a rara oportunidade de o ter na plateia para lhe acenar com os lembretes da Regionalização, do TGV e do Aeroporto Sá Carneiro. A mais não é obrigado.


Vamos lá a ver se Sócrates tomou boa nota dos seus reparos. Saiu sem dar uma única dica e isso pode querer dizer tudo. Veremos.

23 abril, 2008

Criatividade milionária

Esta charmosa senhora inglesa, de seu nome J. K. Rowling já foi casada com um português (creio que do Porto). As coisas deram para o torto e o casamento foi-se.

Nada de original, dir-se-à. O curioso desta história real é que ela encaixa perfeitamente naquele velho ditado que nos diz que a necessidade aguça o engenho. Pode não ter sido apenas uma questão de necessidade, mas consta que após o divórcio e com uma filha por criar, a senhora entrou numa profunda depressão chegando mesmo a pensar no suicídio.

Em boa hora mudou de ideias e fez-se à vida sem ter a mínima ideia do que a esperava. Pôs-se a escrever livros para crianças e inventou o Harry Potter (não, não se trata do Quaresma). A "brincadeira" transformou-a numa das 99 mulheres mais ricas do Mundo (estimada em 1bilião de dólares)...

Será que o ex-marido não vai reconsiderar???



Rui Rio, ainda há quem nele confie?

Ministério da Cultura diz que não recebeu nenhum projecto para o Bolhão

(Público) 23.04.2008, Margarida GomesDois meses depois de o Bloco de Esquerda (BE) ter questionado o ministro da Cultura, António Pinto Ribeiro, sobre o polémico projecto de reconversão do Mercado do Bolhão, apresentando pelo promotor holandês TramCrone, o Ministério da Cultura informou ontem que não deu entrada nos "serviços centrais ou periféricos" do ministério "nenhum projecto" relativo ao Bolhão.

Os ministério informa ainda que, por se tratar de um edifício "em vias de classificação como imóvel de interesse público", qualquer projecto "será analisado pela Direcção Regional de Cultura do Norte no âmbito da leio nº 1107/2001 de 8 de Setembro que estabelece as bases da política e do regime estabelecidas nas cartas internacionais de defensa e salvaguarda do património, nomeadamente no que concerne à preservação das suas características arquitectónicas e à sua função".

A resposta do Ministério da Cultura está relacionada com um requerimento que o deputado do BE, João Semedo, enviou, no dia 15 de Fevereiro, ao ministro da Cultura, questionando-o sobre as medidas a "tomar para assegurar que o projecto em causa esteja de acordo com os conceitos arquitectónicos internacionalmente reconhecidos para a reabilitação do património". "Pretende ou não o Ministério da Cultura intervir no sentido de garantir a protecção que a lei e o relevo patrimonial e cultural do Mercado do Bolhão impõem?", questionava o documento, no qual o deputado do BE perguntava ainda ao ministro da Cultura se tinha conhecimento do projecto do promotor TramCrone relativamente ao Mercado do Bolhão.

Um requeimando idêntico foi apresentado esta semana pelos deputados comunistas Jorge Machado e Honório Novo, eleitos pelo círculo do Porto na Assembleia da República. Os parlamentares advertem para a importância de preservar um edifício que é "o símbolo social e cultural da cidade" e, tal como o BE, querem saber se o ministério tutelado por António Pinto Ribeiro tem conhecimento oficial do projecto já apresentado à Câmara do Porto, que concessionou ao promotor holandês a gestão daquele espaço pelo período de 50 anos.

Dr. Rui Moreira reeleito Presidente da A.C.P.




Palácio da Bolsa abre portas à comemoração do centenário






"Rui Moreira, presidente da ACP-Associação Comercial do Porto, será reeleito para novo mandato e José Sócrates, convidado de honra das cerimónias, escutará preocupações quanto ao TGV e privatização do Aeroporto Francisco Sá Carneiro."

O Parque Biológico de Gaia




O Parque Biológico de Gaia, empresa municipal é, a par do Corte Inglês e do Cais de Gaia, um dos ex-líbris de Vila Nova de Gaia.
Gerido com dedicação e sabedoria por Nuno Gomes Oliveira, este parque tem recebido os mais rasgados elogios de toda a parte, inclusivé do estrangeiro. Vale a pena lá ir.
Aqui está outro bom exemplo, do que pode ser feito em prol da qualidade de vida das cidades pelas autarquias para lá das chamadas "obras de fachada do cimento".

22 abril, 2008

A luta pelo poder no PSD, com galos e galinhas...

Cada um é livre de pensar o que quiser. Eu também não fujo à regra e para não variar, reafirmo o meu descrédito total em relação aos partidos políticos actuais, quer sejam os do governo, quer os da oposição.

Daí que, não esteja minimamente interessado em participar ou dissecar estes jogos (muitas vezes sujos) de bastidores disputados por membros de famílias desavindas, chamem-se elas PSD ou PS.

Pouco me interessa a opinião de uma Maria João Avilez, cópia rasca do "bon chic bon gendre"parisiense, ou de qualquer outro chefe de propaganda centralista. O que dizem ou pensam, para mim - desculpem-me a grosseria, mas é mesmo assim - é para deitar ao lixo. Não pertenço, nem pretendo pertencer a tais "famílias" ou seus aparentados. Estou noutra.

Mas não deixa de ser caricata a importância que é dada pelos media a esses jogos de poder, os infindáveis debates que se vão promovendo à volta do assunto como se o povo profundo - que não aquele subjugado aos favores dos aparelhos partidários - não estivesse farto de saber que se trata apenas de meras candidaturas individuais a altos lugares (empregos) do Estado e ao poder que ele confere. Não creio que qualquer pessoa experiente e lúcida acredite que algum destes protagonistas tenha dimensão para liderar um país. Mais do mesmo, é o que o futuro nos reserva.

Já que (garantem-nos os sábios) é só através dos partidos políticos que a democracia melhor se expressa, então talvez esteja na hora de nos disponibilizarmos para a criação de um novo partido capaz de romper com os laços putrefactos dos existentes e de transmitir credibilidade ao eleitorado por meio de acções de seriedade reais e aparentes, e não por discursos comparáveis aos vendedores de banha-da-cobra de qualquer jardim público.

Se a democracia é inseparável dos partidos, a criação de novos partidos é imperativa, principalmente quando os que há provaram à exaustão não serem capazes de dar conta do recado.

Os portugueses do Portugal profundo não se revêem nos modelos existentes de partidos políticos, que mais se parecem com empresas públicas transformadas em agências de emprego para os filiados do que organismos de estudo e execução de projectos com impacto objectivo na vida dos cidadãos.

Até lá, não há partido político para o qual me disponha a oferecer o meu voto. Nem um.

PNDD (seria a minha sigla para um novo partido: Partido Nacional Descentralizador Democrático)

Artigos favoritos de Renovar o Porto (JN de hoje):

IPATIMUP na dianteira do diagnóstico precoce

O exemplo de Guimarães

Exame e diagnóstico de cancro da mama num dia

21 abril, 2008

Porto, sempre em perda com Rui Rio

Dentro em pouco, o Porto, como qualquer aldeola, poderá deixar de ter cinema alternativo, por inépcia da Câmara que se recusa a perceber que tem a ver com o assunto. A Câmara é que autoriza ou não as mudanças de ramo. E se isso de "cinema alternativo" é muito nebuloso para Rui Rio e para o seu vereador da cultura ( há? quem é?), mesmo em relação ao mais comercial-xunga o Porto poderá ficar apenas com as salas junto ao Dragão, uma vez que todas as da Baixa feneceram com as grandes políticas de revitalização desta coligação de direita no poder camarário.

Olhem o que seria se não fosse a centralidade do Dragão que, por sua vez, nunca existiria se Rui Rio estivesse à frente da cidade há mais tempo.

A verdade é que se acabarem as 4 salas da Medeia na Boavista, onde os portuenses podem ver cinema de qualidade, na maioria de origem europeia, o Porto que ainda há pouco era um centro de cultura mundialmente conhecido poderá passar para o nível das cidades mais desertificadas culturalmente, feitas as contas, ao nível do terceiro-mundo.

É claro que o cinema alternativo, como toda a cultura, ao contrário dos espectáculos meramente comerciais como os do La Féria que deviam pagar e bem pago a utilização dos espaços públicos, tem de ser apoiado pelas instâncias estatais centrais, regionais (se as houvesse) e municipais, caso contrário não consegue sustentar-se, nem no Porto, nem em Paris, nem em parte nenhuma, toda a gente sabe porquê.

Esperemos que o PSD e os outros partidos da Oposição levantem a questão na Câmara e forcem-na a proibir a injustificada mudança de ramo que afastará, aliás, do centro comercial uma boa parte de clientes que lá vão fazer o circuito cinema-livraria.

Esperemos também que os outros comerciantes do centro percebam o que está em jogo.

(De Pedro Baptista)

Renovar o Porto

É incontornável. Rui Rio vai mesmo ficar na história do Porto, pelos piores motivos. Nem a fama de seriedade com que foi levianamente rotulado pelos seus seguidores, o livram de outra fama bem mais realista e concreta que resulta do facto de se ter transformado na "persona non grata" mais famosa dos portuenses de "couer".

Dos outros, dos portuenses de circunstância, dos ultra-leves, dos "cosmopolitas" serviçais de Lisboa, talvez não seja assim.

Mas esses, como Rui Rio, não contam, porque já muitos perceberam que em lugar de servirem o Porto, ocuparam as suas vidas a servir-se dele, em proveito próprio. Prejudicando-o e prejudicando o seu povo.

Parabéns ao Vitória de Guimarães

Sou português, portuense e portista. Depois, sou nortenho e anti-centralista ferrenho, pelo que defendo o direito ao mérito e o equilíbrio justo na distribuição da riqueza por todo o país .

Mesmo que um dia, o nosso clube dilecto, o Futebol Clube do Porto, passe por momentos menos épicos, faço votos e apelo a todos os portistas para que nunca se deixem cair na mediocridade - como fizeram e ainda fazem os adeptos de um certo clube de Lisboa - de não saberem reconhecer o mérito a quem o tem. De desenvolverem complexos de castração, o que vale dizer, que se valham de métodos desprezíveis para tentarem impedir os outros de crescerem.

Os adeptos do Guimarães (que nem sempre foram simpáticos com o FCP) são apaixonados pelo seu clube como nós somos pelo nosso, e isso é bom.

No próximo domingo, quero que ganhe o FCP, mas quero também que seja reconhecido ao Vitória de Guimarães o mérito que tem por estar em 2º. lugar e poucas vezes lhe ser dado o devido destaque.

Aqui ficam os meus sinceros parabéns.

Honra seja feita ao mérito...


... e o mérito está no Futebol Clube do Porto, e na capacidade para descobrir e gerar talentos como este: Lisandro Lopez!
É esta a "máfia" de Pinto da Costa, que nenhum governante deste país, apesar de não serem mais sérios do que ele, conseguiu imitar. Porque são uns incompetentes.

20 abril, 2008

CENTRALISMO=A INSURREIÇÃO= A VIOLÊNCIA

Insisto. Só quem viver com os pés na terra e a cabeça noutro planeta qualquer, é que ainda acredita (isto, se for daqueles que algum dia acreditou), que não se pode misturar o futebol com a política. O princípio até podia ser recomendável se nã fosse completamente surrrealista, mas é.

Cada vez me convenço mais que, em Portugal (como me custa agora, pronunciar este nome) o futebol tem servido para encobrir muita tramóia, muito oportunismo, muita projecção pessoal dos próprios profissionais da política. Se compararmos bem os escândalos financeiros do futebol com os da política e até do resto da sociedade, chegaremos à conclusão que estão longe de ser os mais expressivos em termos de prejuízo para o erário público.

O post anterior é uma excelente amostra para percebermos ao ponto a que chegou a noção de país neste rincão pobre e remoto da Europa mais civilizada. Um cineasta da capital, sem qualquer expressão internacional e mediocremente sucedido no país profundo, chegou a ponto de pensar que a credibilidade de uma notícia podia ser considerada séria mesmo quando oriunda das fontes mais suspeitas que possamos imaginar. Porque, para ele, ser juíz em causa própria é um acto de honestidade!

Vejam bem como estas mentalidades coincidem com as dos próprios mídia e fazedores de opinião de Lisboa que já mal utilizam o nome do país quando aparentemente a ele se referem, e que, sem o mínimo sinal de respeito falam dos interesses da capital como se fossem os interesses do país (apesar de tudo) real.

Quando vejo Sócrates a falar ao "país" com aquele porte de falso vencedor, com um sarcástico otpimismo completamente deslocado da realidade, a apontar o dedo afirmativo de uma competência que não tem, dá-me vontade de trepar pelas paredes...

Este homem não vive aqui, não levanta o rabinho de Lisboa, trabalha apenas e só para ela e anda a fazer de nós portuenses uma tribo de pacóvios.

Bem piores do que ele, são os lambe-botas do burgo, esses burgueses interesseiros e medrosos que sem relevância genuína vivem submissamente colados ao poder para se projectarem. São os piores inimigos do Porto. Os internos, aqueles que tudo continuam a fazer para emperrar o nosso desenvolvimento a nossa autonomia regional. Os que pactuam com esta humilhação. Calam-se, escondem-se, vivem arredados das carências do povo e quando falam dele, fingem vê-lo na sua própria imagem para melhor conviverem com a falsidade.

Como abutres, saem das escarpas das montanhas e voam apenas quando lhes cheira a cadáver, quando o trabalho de sapa foi feito por outros e candidatam-se ao poder mesmo sabendo que ninguém do povo os conhece.

Não será este cenário afinal, o que está neste preciso momento por detrás da demissão deLuís Filipe Menezes? É ou não é? Quem é Aguiar Branco? Que expressão pública tem este homem? O pouco que se sabe, é que é advogado e amigo de Rui Rio (o que não é bom presságio, note-se). Quem estará disponível agora para ouvir (se chegar a candidatar-se ao poleiro do PSD) este homem que, não mexeu até agora uma palha para tornar públicas as suas ideias em relação ao Porto e ao país (se é que as tem), que se manteve na penumbra impávido e sereno (como Rui Rio) face a estas arbitrariedades infligidas à nossa cidade? O que podemos nós esperar de personagem tão vulgar?

Eu só gostava de saber, é se vendo o que está bem à vista de todos (excepto, claro, os da teta partidária) haverá alguém que ainda se disporá a depositar um voto de confiança nesta gente e a acreditar na solenidade de qualquer acto eleitoral com protagonistas desta categoria!

Eu não serei seguramente. Quero demais ao meu país para me tornar mais um cumplíce da sua destruição.