20 novembro, 2010

Ainda o top 10 2010, da Wine Spectator


1 º. SAXUM / 65 $
Origem: Califórnia

3 º. Peter Michael / 85 $
Origem: Califórnia

2 º. Two Hands / 65 $
Origem: Austrália

10 º. Clos des Papes / 100 $
Origem: França


9 º. CARM Douro / / 27 $
Origem: Portugal




6 º. Paul Hobbs / 45 $
Origem: Califórnia

5 º. ALTAMURA / 85 $
Origem: Califórnia

4 º. Revana / 125 $
Origem Califórnia
8 º. Fontodi / 110 $
Origem: Itália 




7 º. Schild / 20 $
Origem: Austrália


Além do 9 º. Lugar do atribuído ao nosso CARM / Douro, não é irrelevante o facto de constarem nesta pequena lista de vinhos premiados, 5 vinhos norte americanos, 2 australianos e apenas três de origem europeia [Itália, Portugal e França].


Doris Day - Autumn Leaves - 1956

19 novembro, 2010

DOURO - CARM reserva Douro 2007 no top 10 do "ranking" da Wine Spectator

O vinho CARM Reserva Douro 2007 foi considerado este ano um dos “dez melhores do mundo” pela revista norte-americana Wine Spectator, que classificou este vinho português no nono lugar do seu ranking anual.

A revista norte-americana Wine Spectator, considerada internacionalmente 'a bíblia' dos vinhos, está desde segunda feira a divulgar paulatinamente o Top 10 de 2010 depois de analisar mais de 15.000 vinhos de todo o mundo.

Na nota de prova pode ler-se que este reserva Douro 2007 é um “elegante e poderoso tinto, pleno de estrutura, com intensos aromas e sabores de baga vermelha, fumo, framboesa e especiarias com taninos bem integrados. Estilo da Borgonha, com final focalizado em frutas vermelhas esmagadas, e ainda é um bebe para beber”.

Filipe Madeira, responsável comercial da Companhia Agrícola Reboredo Madeira (CARM), disse que “é a segunda vez que um vinho português aparece na lista dos 10 melhores vinhos do ano".

Este facto "é muito significativo para nós e para os vinhos do Douro”, disse.

“Hoje quando cheguei ao escritório tínhamos já dezenas de pedidos de todo o mundo para serem distribuidores e para saberem mais sobre as características do vinho” observou Filipe Madeira, acrescentando que as primeiras posições do 'ranking' são, normalmente, ocupadas por vinhos franceses e italianos.

O destaque deste vinho português dos enólogos Rui madeira e António Ribeiro obteve 94 pontos, no nono lugar.

O décimo lugar foi atribuído ao francês Clos des Papes - Châteauneuf-du-Pape branco 2009.

A empresa CARM, situada no Douro Superior, em Almendra, Vila Nova de Foz côa, foi criada em 1999 para trabalhar com a herança das propriedades de vários séculos da família que produz igualmente azeites e produtos gourmet.

A 22 de novembro a revista irá apresentar a lista completa dos 100 e o “melhor vinho do mundo” deste ano.

Esta lista anual que iniciou a sua apresentação em 1988 chama, segundo a organização “a atenção às marcas mais importantes e trás à luz da ribalta regiões e os seus ilustres produtores”.

(In Portugal Global)


///////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////


RoP:
E os supermercados nortenhos a abarrotar de vinhos alentejanos...

Ana Belén e Victor Manuel



DESLIGUEM-SE [SE PUDEREM] DA DROGA DA CIMEIRA DA NATO. É MAIS UMA PAROLADA À MODA LISBOETA. DIVIRTAM-SE [SE SOUBEREM]. BOM FIM DE SEMANA!

Boys, boys, boys

[Fonte: JN]

O Estado português, é sabido, tem as costas largas. Demasiado largas. Tão largas que há quem trepe por ele acima, se empoleire nos seus ombros e, lá do alto, grite, a plenos pulmões: "Também eu já bebi do seu cálice, também eu já fui bafejado pela sorte!"

O cálice é o Orçamento do Estado, a sorte é ser amigo de alguém que mexe uns cordelinhos no partido que está no poder. Ou, como normalmente são designados, os "boys" que se acotovelam nas trincheiras desta Função Pública que oscila de regime para regime, gente esperta o suficiente para não fazer muitas perguntas inteligentes.

Veja-se o caso do jovem dirigente socialista que, sem currículo profissional ou canudo académico, conseguiu a proeza de ser, simultaneamente, assessor político da Câmara de Lisboa (lá está, a confiança) e receber subsídios do Instituto do Emprego para criar uma empresa que, entretanto, está desactivada.

Tudo somado, recebeu qualquer coisa como 41 mil euros indevidos. Tanto quanto ganhariam 86 trabalhadores que aufiram o salário mínimo. Mas o partido achará que o jovem "boy" vale bem por 86.

Veja-se, ainda, o exemplo dos arábicos salários de que beneficia(ra)m os elementos do Conselho de Administração da Fundação Cidade de Guimarães, entidade que gere a Capital Europeia da Cultura, e que ontem levaram uma castanhada. Haja justiça, pensará o incauto leitor. Mais ou menos.

Isto porque o corte de 30% decretado pela autarquia, parecendo salomónico, não corrige o erro e a falta de pudor. Mesmo com o acerto de contas, o vencimento de Cristina Azevedo, presidente do Conselho de Administração, baixa de 14.300 para 10 mil euros mensais (mais do que, por exemplo, ganha o presidente da República e o primeiro-ministro).

A mais extraordinária lição a tirar desta história é que foi António Magalhães, autarca local, a decidir o montante a pagar aos representantes daquele órgão, num acto de desprezo pelos dinheiros públicos. Se um deputado do PCP chamado Agostinho Lopes não tivesse reparado, calava-se tudo bem caladinho.

Não custará muito projectar, a partir destes dois casos, milhares de outros. Um exército silencioso que se encosta ao poder, que priva com ele, que desfruta das suas mordomias, que tem do Estado uma visão maniqueísta ("eu sou o Estado, por isso, ele tem de me servir"), gente que não abunda nos discursos dos políticos, porque é sempre mais fácil atacar os desempregados e os beneficiários de prestações sociais. Esses sim, são as sanguessugas dos nossos impostos. Os outros não. Os outros são "atarefados" funcionários públicos. Com amigos nos sítios certos.

Pedro Ivo Carvalhoa

###############################################################

Nota do RoP

Este paradigma dos jobs for the boys, também aqui magnificamente glosado por M. António Pina, explica, em parte, ou até no todo, por que é que os fundos [RIME's, ILE's e outros] concebidos para apoiar e incentivar a iniciativa privada e a criação do próprio emprego, nunca ou muito excepcionalmente foram atribuídos a quem não tinha filiação partidária...

18 novembro, 2010

Orgulho socratiano

É um assombro perder alguns segundos para observar a bem ensaiada pose de José Sócrates sempre que é entrevistado ou quando debita algum discurso de circunstancia! Fala com tal expressividade e convicção, que até ele deve acreditar no que diz.

Se há coisa que me custa é ter de elogiar alguém que ignora a essência das suas responsabilidades e cuja acção governativa vem desgraçando o país, mas tenho de reconhecer o inesgotável talento do 1º. Ministro pela arte de bem representar a todo o palco.

Excluídos estes inadequados talentos, purgados os efeitos hipnóticos das primeiras impressões, pouco sobra de edificante do comportamento de José Sócrates enquanto governante. Só mesmo os distraídos, ou a malta agradecida do aparelho e os boys, é que são de outra opinião...

Sócrates, talvez pela sua profunda falta de visão estratégica para administrar o País no seu todo, abusa demais da pior face da política, onde a inverdade e o compulsivo incumprimento de promessas estão na ordem do dia. Com a imagem  de um moderno estadista multiplica-se em iniciativas de duvidosa bondade procurando passar a ideia de que são o País e a oposição parlamentar que não o compreendem. É firme a resistir à adversidade e não gosta de dar parte de fraco, embora sem conseguir encobrir uma crónica obsessão centralista e uma parolice própria dos mais básicos complexados.

Quem se orgulha de um evento como "marco histórico" [Cimeira da NATO] por ele se realizar em Lisboa, sem antes se preocupar com os custos para um país que está de tanga e de mão estendida para o Mundo, pode ser um magnífico propagandista, mas não deixa de parecer uma espécie de palhaço-rico numa terra que se transformou num circo lunar a céu aberto.

17 novembro, 2010

Valerá a pena, Suu Kyi?

Foi com enorme satisfação que recebi a notícia da libertação de um cativeiro de 7 anos, da Nobel da Paz e opositora do regime militar birmanês, San Suu Kyi .  Tenho um especial fascínio e respeito por esta mulher corajosa mas de aspecto frágil, por tudo o que tem feito e sofrido para levar a Democracia ao seu país. Porém, receio bem que esta grande mulher tenha uma noção realista da profundidade ideológica da sua luta e das muitas frustrações que a esperam.

É claro, que qualquer regime ditatorial é condenável, seja ele mais ou menos musculado, isso é indiscutível. As ditaduras já não deviam sequer existir. Pertencem aos tempos mais negros e violentos da história da humanidade, e é isso que é preocupante: não conseguirmos consolidar o passo seguinte à queda de uma Ditadura.

A questão que me coloco é esta: será o fracasso da construção da Democracia no Mundo responsável pela manutenção das Ditaduras? É do conhecimento público que foi o agiotismo social e o oportunismo político que fez falir a Democracia na Alemanha que guindou Hitler ao Poder. Em Portugal, por razões quase similares, há quem já peça  uma mão de ferro para pôr "ordem na casa".

Aquela ideia da Manuela Ferreira Leite de suspender a Democracia por 6 meses [impressiona a precisão do timing], não será um claro sintoma de que a Democracia, tal como a concebemos, não leva a lado nenhum? Palpita-me que o problema reside aqui. A Democracia alberga em si mesma, mais Liberdade do que a que realmente pode oferecer, sendo parte dela, completamente inócua quando devia ser utilitária e consequente. E é por essa razão que os portugueses  assistem hoje impotentes à destruição do país por um punhado de irresponsáveis sem disporem de meios eficazes e suficientemente céleres para deles se desembaraçarem. Falta à Democracia um mecanismo legal que permita a ablação, em tempo útil, deste tipo de obstáculos. 

Nada me convence de que este status quo sirva ao Povo. Serve o Poder e quem o detém, mas não serve certamente o Povo. É só uma questão de tempo, e veremos como as coisas se vão passar na Birmânia de San Suu Kyi...

Até poderá acontecer mais liberdade, daquela liberdade que permite o insulto fácil e a difamação pública injustificada, mas que pouco irá contribuir para a melhoria de condições de vida do Povo. Por essa altura, o que iremos perceber é que o "nome" do regime mudou, mas os oportunistas continuam lá todos, só que, com outros rostos.  Tal como no tempo de Salazar e de Sócrates.

A melhor defesa da Europa vive no Dragão

Os líderes do campeonato são a equipa com menos golos sofridos das principais Ligas europeias. A explicação está num bom entrosamento, contratações atempadas e integração paciente.

Luis Aguiar, Lima, Faouzi e Carlão. Estes são os autores dos quatro golos que o FC Porto sofreu no campeonato, os únicos que conseguiram ultrapassar a muralha defensiva dos “dragões” e obrigar Helton a ir buscar a bola ao fundo das redes. Decorridas 11 jornadas da Liga, os portistas têm, por larga margem, a melhor defesa da prova. O Marítimo é segundo no ranking, com oito golos sofridos, seguido pelo Olhanense, que já sofreu dez golos. Os três perseguidores na tabela, Benfica, Vitória de Guimarães e Sporting, contam 11 golos sofridos (média de um por jogo).

O registo actual do FC Porto é uma melhoria assinalável em relação à época passada. Em 2009-2010, à 11.ª jornada, os “dragões” tinham nove golos sofridos. A equipa então orientada por Jesualdo Ferreira não tinha sido batida em apenas três jogos – tantos quantos aqueles em que o conjunto liderado por André Villas-Boas sofreu golos. Pelo contrário, em 2007-2008 (no segundo ano de Jesualdo Ferreira), o FC Porto chegou à 11.ª jornada com os mesmos quatro golos sofridos da presente época.

Mas a solidez defensiva dos portistas não se fica pelo plano interno. Nos jogos da Liga Europa, a equipa de Villas-Boas sofreu dois golos em quatro jogos. Contando as partidas da Supertaça e da Taça de Portugal, a média global é pouco superior a 0,4 golos sofridos por jogo.

Se nos debruçarmos sobre os principais campeonatos da Europa, a conclusão é que os “dragões” têm a melhor defesa, à frente de equipas como Real Madrid, Chelsea ou Inter de Milão.

Os merengues de José Mourinho concederam cinco golos em 11 jogos da Liga espanhola, mais dois na Liga dos Campeões e um na Taça do Rei. A média total é de 0,47 golos/jogo – próxima da do FC Porto, mas superior. Já o campeão inglês tem uma prestação razoável no campeonato (oito golos sofridos em 13 jogos) e na Champions (dois em quatro), mas a média é inflacionada pelas derrotas na Supertaça (1-3) e na Taça da Liga (3-4). Feitas as contas, os blues concederam 0,89 golos/jogo.

Estes bons resultados surgem num ano em que a defesa portista perdeu uma referência como Bruno Alves, transferido para o Zenit de São Petersburgo. Ao PÚBLICO, dois antigos defesas do FC Porto desvalorizam esse facto. “No futebol, ninguém é insubstituível”, frisa Eduardo Luís, campeão europeu em 1987, acrescentando: “A forma como o FC Porto joga faz com que os adversários tenham poucas oportunidades de golo. Para além disso, há a grande qualidade dos jogadores na defesa.”

À situação actual não será alheio o facto de os três totalistas do FC Porto no campeonato serem defesas: Helton, Álvaro Pereira e Rolando jogaram os 90’ nos 11 jogos disputados. Otamendi alinhou em três partidas (duas a titular) enquanto Sapunaru e Fucile se têm revezado na lateral direita – o romeno foi sete vezes titular contra quatro do uruguaio. “Na defesa não há só os quatro que jogam, o FC Porto tem seis ou sete jogadores a postos e o treinador não tem dores de cabeça em substituí-los”, continua Eduardo Luís, que vê melhorias também no meio-campo: “Toda a equipa trabalha no sentido de recuperar a bola o mais rapidamente possível.”

Augusto Inácio, que foi parceiro de equipa de Eduardo Luís, concorda, destacando a “organização, confiança e espírito colectivo bastante forte” na equipa do FC Porto. “Não é só a defesa que sofre poucos golos. A equipa ataca e defende bem, tem que ver com o nível de confiança”, aponta.

Na opinião do treinador do Leixões, a própria política de contratações do clube ajuda a equipa a manter os mecanismos, nomeadamente a solidez defensiva. “O entrosamento é bom, os jogadores já se conheciam há algum tempo”, aponta Augusto Inácio. “O FC Porto trabalha para além do momento. Não ficam à espera que as coisas aconteçam. A base colectiva nunca se desfaz”, vinca o técnico, apontando como exemplo as contratações de Maicon e Rolando.

[Fonte: Público]

========================================================================


Nota do RoP
Manda o bom senso que o que aqui vem descrito não deva ser levado demasiado à letra. A megalomania é paranóia que não encaixa lá muito bem no espírito dos portistas. Esses, são complexos proprios dos frequentadores da 2ª- circular, não dos da Circunvalação. Não digo com isto que não haja no FCPorto alguns exagerados, mas  estou convencido que no Porto ainda não se perdeu o sentido da realidade e ... do ridículo.  Agora, factos são factos, e se não há argumentos para contrariar os factos, por que havemos de ser nós portistas a contrariá-los? Só fazemos votos é que estas estatísticas se mantenham.

16 novembro, 2010

Sistema não funciona e discrimina turistas e visitantes estrangeiros

[Fonte: Pùblico]

Reclamação de cidadão inglês dá conta das suas infrutíferas tentativas para tentar pagar portagens. "Muitos não irão incomodar-se a voltar", conclui

Um sistema inconveniente, que não funciona e discrimina os visitantes estrangeiros e turistas. É assim que, num email de protesto remetido à Câmara do Porto, um cidadão inglês descreve a cobrança de portagens das Scut, concluindo de forma elucidativa: "O Porto não é um lugar ideal para se visitar e muitos simplesmente não irão incomodar-se a voltar."

O desabafo do comerciante britânico, que regularmente se desloca em negócios pelo Norte do país, pode bem ilustrar os receios quanto aos efeitos que a confusão com as portagens pode causar sobre o turismo e o movimento no aeroporto do Porto, dois exemplos de crescimento económico na deprimida região Norte.

No email, a que o PÚBLICO teve acesso, o visitante conta a sua infrutífera odisseia na tentativa de pagar as portagens depois de ter circulado com um carro alugado à chegada no aeroporto. No regresso, quando quis pagar, informaram-no de que apenas o poderia fazer no posto de Correios. Além de o encontrar já fechado, foi informado de que também nunca o poderia pagar, uma vez que os dados não estão disponíveis antes de 48 horas após a passagem pelos pórticos das Scut.

Mesmo tendo que apanhar o voo de regresso, diligenciou depois junto de amigos em Portugal para que lhe efectuassem o pagamento. Nem assim, já que, além das passagens nos três dias em que circulou com o carro alugado, nos Correios exigiam que fossem igualmente liquidadas outras 20 passagens efectuadas pela mesma viatura em dias anteriores. "Tudo isto quando eu estou mais que disposto a pagar o euro que me custaria, mas não há maneira de o fazer", lamenta o britânico. Concluindo que "o sistema é impossível de utilizar por um visitante que chegue ao Porto", o indignado comerciante questiona: "Qual é a intenção? Impedir para sempre as visitas ao Porto, pois é isso que o actual sistema vai fazer", vaticina.

Mas não são só os estrangeiros. Também os utentes que optam por pagar nos Correios ou nas pay-shop se têm queixado da cobrança abusiva das taxas administrativas. A lei diz que será cobrada por cada viagem, mas o que acontece é que está a ser liquidada uma por cada operador, mesmo que numa só viagem. Quem, por exemplo circular na A28 (Viana/Porto) em direcção ao aeroporto é obrigado a pagar uma dupla taxa. Com a agravante de que para as centenas de metros que faz na A41 a taxa (30 cêntimos) é até superior aos 20 cêntimos que são cobrados pela portagem.

Portagens: Comissões de utentes acreditam que ainda é possível fazer o Governo recuar

Um mês depois da introdução de portagens nas ex-SCUT do Norte, as comissões de utentes ainda acreditam que é possível fazer o Governo recuar na decisão, tendo hoje lançado um abaixo assinado para exigir a revogação das portagens.

Numa acção simbólica de protesto no cruzamento das Guardeiras, na Maia, as comissões de utentes contra as portagens nas ex-SCUT Norte Litoral, Grande Porto e Costa da Prata distribuíram folhetos aos condutores relativos ao abaixo assinado hoje lançado online.

Em declarações à agência Lusa, o porta-voz das comissões de utentes, José Rui Ferreira, considerou que “é um dia muito simbólico”, acrescentando que “durante este mês se confirmaram muitas das preocupações manifestadas e que a introdução de portagens é um erro”.

Segundo José Rui Ferreira, “as vias alternativas são pseudo alternativas, tendo-se gerado situações de grande congestionamento de tráfego e sérios problemas de insegurança”.

O porta-voz disse ainda que as comissões querem “passar uma mensagem aos utentes”, garantindo que há toda a disponibilidade para continuar com o movimento de protesto.

(Fonte: Público) 

12 novembro, 2010

Pretensiosismo

Neste mês de Novembro vai realizar-se em Lisboa uma cimeira da Nato. Acontecimento de alto risco, alvo apetecido de todos os movimentos terroristas, nomeadamente os fanáticos islamitas da Al-Quaeda e aparentados, imaginem-se os recursos preventivos e de acção repressiva que forçosamente terão de estar a postos, e imagine-se também os respectivos custos. O país está na m**** , grande parte da população enfrenta difíceis condições de sobrevivência e a situação irá ainda piorar com a entrada em vigor do PEC 3, mas seguimos impassivelmente no caminho que nos conduziu ao pântano em que nos encontramos. Continuamos a fazer "vida de rico com carteira de pobre".

Por isso sou contra a realização desta cimeira em Portugal, vamos gastar milhões de euros para quê? Para satisfazer a vaidade dos governantes que nos lançaram nesta situação miserável?

Estou a imaginar os argumentos a favor da sua realização.

"Há muito que tínhamos o compromisso para a sua realização em Lisboa". Acredito, mas também há muito tempo que a crise existe, por isso o governo teve mais do que tempo para dizer, sorry boys, escolham outro local porque nós não estamos em condições de vos receber.

"A realização da cimeira em Portugal traz prestígio ao país". Atitude errónea e parola, o que nos daria prestígio era não termos chegado à miséria em que estamos, e termos diminuído o nosso atraso em relação aos nossos parceiros da União Europeia. Isso sim, seria prestigioso.

"É certo que o país vai gastar dinheiro, mas pensem nos euros que vão ficar aqui em consequência da estadia de tanta gente importante". Pois, é o costume, o país ( nós todos) pagamos a factura, mas os benefícios ficam em Lisboa. Ou alguém pensará que o resto do país verá algum dos euros deixados pelos visitantes em Lisboa, Estoril, Cascais, Sintra, Sesimbra? Além de que, feitas as contas, duvido muito que o saldo final seja positivo.

É assim que, como português e como nortenho, considero inoportuna a cimeira em Lisboa nas presentes circunstâncias, e não vejo que argumentos "patrióticos" possam justificar o pretensiosismo de querermos parecer importantes aos olhos dos nossos aliados da Nato.

HELEN SHAPIRO - Walking Back to hapiness [1970]



"Twistem", se souberem! Bom fim de semana!

O malvado RSI


Não posso garantí-lo, mas quase apostava como na Europa não existe povo tão contraditório e ao mesmo tempo tão influenciável como o português. O que é legal hoje, amanhã - por qualquer estranha conveniência -, deixa de o ser. O que é criticável para uns, em certas circunstâncias, já não o é para outros, em circunstâncias pouco diferentes.

Ao assistir à devastação do direito ao trabalho que assola o país, com fábricas e empresas a falirem à velocidade da luz, já não sei bem se hei-de lamentar ou aplaudir. Não me interpretem mal porque tenho muito respeito por quem está nessas condições, sobretudo aqueles que querem trabalhar e pouca responsabilidade têm pela desgraça que nos foi imposta fruto da absoluta incompetência de sucessivos governos. Só não se entende são as reacções de alguns cidadãos perante a tragédia de outros só porque o seu posto de trabalho ainda não passou pela provação do despedimento. E ainda entendo menos essas reacções neste momento onde a crise política e financeira não pára de fazer estragos. 

Foram os despedimentos da Groundforce no Algarve que me suscitaram algumas dúvidas sobre a solidariedade do povo. A televisão deu-lhes a devida relevância, opostamente à que tem dedicado à população do Norte, indiscutivelmente a mais flagelada pelo desemprego. Por isso, esta notícia pareceu-me mais um acto de discriminação negativa praticado contra a imensa mole de desempregados desta região. Os lamentos daquelas pessoas no Algarve, cujas vidas vão ficar seriamente afectadas, deixou-me, ao contrário do que seria normal, algo frio e distante. Tanto, como aqueles que agora estão empregados e apoiam o corte de subsídios sociais aos que estão sem trabalho.

É inadmissível que, em momentos terríveis como aquele que agora vivemos, continue a  haver gente que alinha irresponsavelmente pelo discurso de políticos fúteis e demagogos [como Paulo Portas e outros], sem perceberem que podem estar a bater em si próprios. Às tantas, muitos desses que agora choram por se encontrarem com o futuro comprometido, são os mesmo que aqui à uns dias consideravam os subsídio dependentes os grandes culpados pela crise. Com tamanha vulnerabilidade intelectual e fraco sentido cívico, quem se fica a rir e aproveita são os "empresários" sem escrúpulos que continuam a crescer como cogumelos, aproveitando a crise para despedir a torto e a direito ou então para continuarem a baixar os salários a quem os devia subir nivelando-os "estrategicamente" pelo rendimento mínimo. Que quem abusa e beneficia dessas ajudas sociais sem precisar seja devidamente penalizado só podemos concordar, agora, que se caia levianamente a meter no mesmo saco dos oportunistas aqueles que nada têm é uma atitude profundamente injusta e desumana. Tento na língua!

O próprio Governo, como aliás é sua imagem de marca, continua a atirar areia para os olhos deste povo-eternamente-criança obrigando os beneficiários a frequentarem cursos de requalificação escolar,  não lhes dando o mais importante, que é a garantia de trabalho remunerado concluída a respectiva formação. Por que é que ninguém questiona isto? E os jovens licenciados também não têm qualificação? Se têm, aonde estão os empregos? O que o Governo quer, disso não tenho a menor dúvida, é arranjar mais um pérfido pretexto para sacar dinheiro a quem já não o tem.

O Governo dita, destrói vidas, não governa. Entretanto, eles, os meninos do aparelho, continuam a gerar os jobs for the boys, sem pingo de vergonha, como aconteceu recentemente com o Secretário de Estado dos Transportes que ofereceu uns bons tachos nos CTT's aos amigos.

A corrupção está aqui, e as provas estão à vista de todos. Mas, pergunto: quem mete esta garotada na cadeia? Na cadeia, sim! Quem? Querem a resposta? Ninguém! Porque é nesta Democracia pôdre, corrupta e tremendamente destrutiva que estes bandidos melhor se acoitam! Querem provas? BPN não vos diz nada?
Dias Loureiro, também não? Querem que vos leia a lista? Não é preciso, pois não?


11 novembro, 2010

Nova nota autenticada pelo Banco Europeu

Era esta a seriedade que os portuenses procuravam?

Nova derrota de Rui Rio. Para mim não é novidade.
Corforme se previa, foram ontem absolvidos da acusação por crime de participação em negócio ruinoso, o ex-Presidente da Câmara Nuno Cardoso e os dirigentes desportivos do FCPorto, Angelino Ferreira, Adelino Caldeira e Eduardo Valente. Como se pode ler aqui, as conclusões da juíza foram demolidoras para a Inspecção Geral de Finanças e particularmente humilhantes para o actual Presidente da Câmara do Porto, Rui Rio.

Todos estamos sujeitos a fazer precipitados juízos de valor quando alguém é constituído arguido, a tendência é quase sempre essa. Na maior parte dos casos, a balança da nossa avaliação pende e depende, tanto da simpatia ou  antipatia que intimamente nutrimos pelos acusados, como do modo sensacionalista e frequentemente sectário como os media transmitem as notícias. Inevitavelmente entalados entre estas duas contradições, o mais sensato nestes casos, é acompanharmos com a máxima atenção a evolução das informações com grande  e repartido sentido crítico, quer para os suspeitos quer para as fontes de informação. É isso que procuro fazer, não garanto é que o faça sempre bem...

Apesar destas humanas imperfeições, há coisas de tal maneira intuitivas que quase tomam a forma de certezas. Uma delas, foi a que alguns portuenses sentiram depois da queda paraquedista de Rui Rio no Porto e a sua improvável eleição a Presidente da Câmara do Porto. Disse aterragem, porque até então, praticamente ninguém no Porto conhecia Rui Rio, ou mesmo sabia que era daqui, ou conhecia em rigor o seu currículo político . Isto explica, em parte, porque um homem apagado, cinzentão e inábil como Rui Rio decidiu investir a pouca audácia que possui no confronto com a instituição mais popular da cidade que é, sem dúvida, o FCPorto, com o notório fito de se guindar politicamente a vôos mais altos que de outro modo sabia jamais conseguir.  Colou-se, sem honra nem pudor (nem amor ao Porto), à campanha centralista anti-Porto e acabou por se tornar sua presa. Se antes de ser Presidente ninguém o ouvia, agora todos o ignoram, ninguém, nem o próprio partido o leva a sério.

Afinal de contas, a permuta de terrenos entre a família Ramalho e os lotes do Parque da Cidade foi um negócio bem mais transparente e vantajoso para ambos do que tantos outros similares realizados por outras autarquias [Lisboa, Estádio da Luz e Alvalade], pelos quais Rui Rio nunca teve a coragem e a coerência de se interessar e pronunciar. É que nestes casos, há grandes gatos escondidos com o rabo de fora  e com muita susbstância...

Rui Rio não é aquilo que se pinta. No meu caso e de outros portuenses, a intuição acertou na mouche. No caso dos [vencedores] eleitores de Rui Rio, admita-se, foi um redondo fracasso. Hoje, mais do que Rui Rio, o meu grande enigma é saber o que é que os seus eleitores esperam dele. Se quiserem continuar teimosamente a justificar a opção na pseudo seriedade do autarca, só negando a constatação dos factos. Este caso, torna-o algo mais do que suspeito: um oportunista.   

10 novembro, 2010

Na montra mesmo sem a Champions [Onde está Jesus?]

HUGO SOUSA [do jornal O JOGO]

Quantos adjectivos vale Hulk? Para a Marca, jornal espanhol que ontem o considerou destaque da semana, vale mais de meia dúzia: "endiabrado", "instintivo", "provocador", "sublime", "besta", "imparável", "incrível". Estão todos no mesmo texto, onde ainda houve espaço para mais alguns, com referências ao "intratável" FC Porto, ao "golaço" de Falcao e ao "magistral treinador de top" que é Villas-Boas.

A vénia aos portistas estendeu-se a outros jornais europeus, não só como eco da vitória gorda sobre o Benfica, mas também a título de espreitadela complementar a uma equipa que começa por surpreender nas estatísticas. Afinal de contas, sublinham espanhóis e italianos, este FC Porto continua sem derrotas. Ironia das ironias: à falta de Champions, e apesar da cavalgada imparável na Liga Europa, os portistas parecem ter encontrado, nas páginas de jornais por essa Europa fora, uma montra alternativa para garantir atenções. Só ontem, Hulk brilhava na Marca, como já se disse; Falcao também garantia umas linhas simpáticas à custa de uma acrobacia em forma de golo; João Moutinho estava no onze preferido da Gazzetta dello Sport, e André Villas-Boas estava em todo o lado: no banco, a comandar a equipa da semana da Marca, e num artigo de opinião capaz de lhe rebentar com o ego que aparecia generosamente espalhado nas páginas do italiano Corriere della Sera.

Aos 33 anos, dado que não é esquecido, o treinador surge como mentor inevitável da mudança, centrando atenções à imagem do molde que continua a servir para decalcar semelhanças: José Mourinho, obviamente. Por cá, essa comparação foi perdendo força, mas a Europa, que começa a descobrir Villas-Boas, ainda a usa. Mas já não abusa, porque, ainda que o Sport, de Barcelona, insista na ideia de "clone", ontem a Marca (que antes desta página 36 tinha umas dezenas dedicadas ao fenómeno Mourinho, incluindo um longuíssimo artigo de opinião que assinalava o impensável para o Real Madrid: o galáctico é o treinador, numa "mistermania" nunca antes vista por ali) lembrava que os números do FC Porto de Villas-Boas "são melhores" que os de Mourinho. O Corriere della Sera não resiste a chamar-lhe "Mourinho loiro", mas informa os leitores de que o portista detesta a comparação e sublinha haver indícios de que Villas-Boas tem tudo para "uma caminhada autónoma". Diz mais: "Portugal é um laboratório perfeito para um aprendiz." E mais ainda, na tal parte capaz de levar pelos ares, numa explosão épica, o ego de Villas-Boas. Considerem-se avisados para o que se segue: "Tacticamente, o trabalho do Mourinho loiro é mais sofisticado que o do original, não só pela preparação dos jogos (baseada num estudo obsessivo de cada um dos jogadores adversários), mas também pela disposição da equipa em campo, com um 4x3x3 sólido e muito virado para o jogo de ataque." A isso junta-lhe o "poder de comunicação". Chega, não?

"Tic-tac, o Incrível voltará"

Hulk, "o brasileiro Incrível que chegou do subsolo asiático", está estampado na página 36 da Marca. Os adjectivos que lhe são dispensados já foram assinalados no texto principal, aqui ao lado, mas há mais. O autor do artigo diz que Hulk passou por David Luiz, "o central do futuro", como se fosse "uma bala" e superou os defesas benfiquistas "como se fossem cones". Hulk fez do Benfica "um gigante com pés de barro" e, elogiando o futebol dos portistas, a Marca diz que "os adeptos contam as horas para o jogo seguinte. Tic-tac, o Incrível voltará." Deve ser já no domingo, com o Portimonense...

"Mourinho loiro"

A Marca sentou-o no banco da equipa da jornada, diz que é "magistral treinador de top", e o Corriere della Sera dedica-lhe um artigo (as citações estão no texto principal...) capaz de lhe rebentar com o ego. O "Mourinho loiro", como é apelidado, "prepara melhor os jogos" e aposta num futebol "mais atacante", dizem os italianos....

Moutinho na equipa da semana

Hulk está na equipa da Marca, que já o imagina a brilhar noutros campeonatos; João Moutinho faz parte do meio-campo escolhido pelos italianos da Gazzetta dello Sport; Falcao também garantiu uns elogios em Espanha por conta do "taconazo", ou golo de calcanhar, que marcou a Roberto.

«««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»

Nota do RoP
A procissão ainda vai no adro, André Villhas Boas começa agora a consolidar a competência que já se notava quando treinava a Académica de Coimbra, mas não há dúvida que há nele algo de "specialmente" diferente de Mourinho.
Com tantos encómios da imprensa estrangeira não sei como se sentirão os crápulas invejosos da imprensa dita nacional...

09 novembro, 2010

MP pede absolvição de todos os arguidos no caso que envolve o FCP e Nuno Cardoso

Por Patrícia Carvalho
[ do Jornal Público]

Procurador defendeu que o processo se revelou "um balão sem ar". Representante da Câmara do Porto pediu indemnização para colmatar alegado prejuízo de 2,5 milhões de euros

Amanhã, os seis arguidos do processo que envolveu uma permuta de terrenos com o FC Porto, no âmbito do Plano de Pormenor das Antas (PPA), deverão descobrir se a juíza atendeu à recomendação do procurador do Ministério Público (MP), absolvendo-os a todos. Ao ex-presidente da Câmara do Porto Nuno Cardoso, a três dirigentes do FCP e a dois antigos engenheiros da autarquia é ainda pedida, pela autarquia, uma indemnização na ordem dos 500 mil contos (2,5 milhões de euros).

Depois de ouvir diversas testemunhas nas várias sessões de julgamento, o procurador do MP concluiu que o processo se revelou "um balão sem ar" e que, em tudo o que apontava para um alegado conluio entre Nuno Cardoso, os técnicos municipais e o FCP para beneficiar este último, estava-se, em termos judiciais, perante "uma ficção". "Não posso pedir a condenação de pessoas com base em ficções, peço com base em realidades", explicou o procurador, durante a tarde de ontem, nos juízos criminais do Porto, durante as alegações finais do julgamento.

Com críticas muito duras à forma como o próprio despacho de pronúncia e a acusação estavam delineados - referindo-se a "incongruências" e, pelo menos, uma "contradição insanável" -, o procurador desmontou os argumentos que apontavam para o alegado crime de participação em negócio - com o consequente favorecimento do FCP e lesão do erário público. Desde logo, afirmando que o facto de o FCP ser "pessoa colectiva de utilidade pública administrativa impede o cometimento do crime" pelo qual os arguidos estão acusados.


Câmara insiste no prejuízo

O procurador disse não entender o porquê de terem sido pronunciados os três dirigentes do FCP sentados no banco do tribunal, quando tinham sido duas outras pessoas ligadas à instituição a participar nas negociações da permuta que esteve a ser analisada durante o julgamento. De igual modo, classificou de "libelos persecutórios sem fundamento" o modo como fora associada a participação do antigo autarca socialista no conselho consultivo do FCP ao seu alegado interesse em beneficiar o clube. "Isto é uma imputação calvinista, para não lhe chamar outra coisa. Um conselho consultivo reúne-se uma vez por ano, só tem funções consultivas, a sua opinião não é vinculativa. Como é que pertencer ao conselho consultivo já era a fonte de promiscuidade para beneficiar o FCP? Não podemos ir por aqui", disse.

O pedido de absolvição foi repetido pelos advogados de todos os arguidos, ficando a representante da autarquia sozinha, a pedir uma condenação, de âmbito cível, traduzida numa indemnização na ordem dos 2,5 milhões de euros. A causídica disse ter ficado provado que a segunda avaliação feita aos terrenos da Quinta de Salgueiros teve o "intuito claro de permitir a permuta" com os terrenos do Parque da Cidade, defendendo que "esta permuta não era necessária para executar o PPA". O objectivo, concluiu, era "beneficiar o Futebol Clube Porto à custa do património da câmara".* A sentença será lida amanhã.

Nota do RoP
* É impressionante o contraste das duas facetas de Rui Rio. Mesquinho e oportunista para com os "seus" conterrâneos, dócil e reservado com o Governo Centralista de Lisboa [e respectivos clubes]. Que desgosto para o Porto!



Procurador diz que acusação contra Cardoso é "balão sem ar"

Por vontade do procurador do Ministério Público Carlos Santos, o ex-autarca do Porto, Nuno Cardoso, e três vice-presidentes do F. C. Porto serão absolvidos da acusação de, através de uma permuta de terrenos nas Antas, terem lesado os cofres públicos em 2,5 milhões.

Nas alegações finais do julgamento em que, a par daqueles responsáveis, dois engenheiros da Câmara do Porto são também acusados de crime de participação económica em negócio, o procurador foi além de considerar não ter sido feita prova para condenar: atacou a Inspecção Geral de Finanças, cujo relatório sustentara a acusação.

"Perguntei ao perito avaliador se ele sabe que consequência tem o facto de o F. C. Porto ter utilidade pública. Ele disse que sim. Mas não sabe", acusou.

Isto para sustentar como principal argumento do magistrado para a absolvição o facto de ao clube portista ter sido atribuída, desde o Estado Novo, "utilidade pública", o que lhe afastará a qualificação de "terceiro", num crime de "participação em negócio", que visará evitar promiscuidade entre os sectores público e privado.

O procurador foi cáustico até com a própria acusação e pronúncia do Tribunal de Instrução Criminal do Porto, que se refere a um "conluio" entre Nuno Cardoso e os dirigentes do F. C. Porto, Adelino Caldeira, Angelino Ferreira e Eduardo Valente. Leu, até, trechos do documento e classificou-os como "ficções". "Não posso pedir condenações com base em ficções... É um balão sem ar".

O actual autarca do Porto, Rui Rio, também não escapou às críticas, nomeadamente por ter-se referido a um prejuízo, para o erário público, de "seis milhões" de euros, contando com os direitos de edificabilidade que viriam a ser doados ao clube, depois do negócio de permuta dos terrenos da família Ramalho com lotes da frente urbana do Parque da Cidade e já na execução do Plano de Pormenor das Antas."O F. C. Porto recebeu duas vezes, mas neste julgamento só está em causa a permuta, pois o MP arquivou. O dr. Rui Rio, de direito não sabe nada; não pode falar de cátedra!".

O autarca do Porto - que exige uma indemnização de 2,5 milhões de euros aos arguidos, o valor estimado pela Inspecção Geral de Finanças como prejuízo, resultante da diferença de valor entre os imóveis permutados - foi também alvo de Gil Moreira dos Santos, advogado de Nuno Cardoso."Rui Rio é que deu os milhões ao FC Porto. Quem está acusado, não deu nada...", argumentou.

Já Sandra Martins Pinto, defensora dos engenheiros que avaliaram os terrenos em causa, acusou Rio e a Câmara de "descaramento" e "litigância de má-fé", ao manter pedidos de indemnização contra os funcionários, que nunca quis punir em termos disciplinares. A sentença será lida amanhã, nos Juízos Criminais do Porto.

««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»

Nota do RoP
As operadoras de televisão de Lisboa - publicas e privadas -, que emitem em canal aberto, são o espelho do governo que temos: completamente sectárias, desonestas e centralistas. Para elas, o Porto só é notícia se for para denegrir a sua gente e as suas mais populares instituições. Por isso, suspeito [para não dizer que tenho a certeza], que divulguem com a mesma atenção e visibilidade a notícia do JN acima reproduzida como divulgaram os Apitos Dourados e as Noites Brancas... Por isso, faço-o eu. 

Prós sem contras

Enquanto o Portugal profundo é cuidadosamente sedado pelos Prós e Contras do regime, o Estado [através da RTP], paga generosas avenças pecuniárias aos infractores [culpados por esta e outras crises], doutos pareceres sobre como sair dela... Por estranho que isto possa parecer,  esta é a mais pura verdade.

Por mais de uma vez escrevi aqui a minha opinião sobre programas como o Prós e Contras e o verdadeiro embuste que eles representam para cidadãos menos atentos, como tal, não vejo necessidade de me repetir. O que é curioso, é que ontem tive o prazer de saber pela RTPN, num programa apresentado pelo Provedor do Espectador, Paquete de Oliveira,  que já há quem tenha a mesma opinião do P&C na vertente económica! O Provedor não abriu propriamente a boca de espanto com a revelação, mas pelo menos, ficou agora a saber, através de um economista aparentemente não alinhado, que os responsáveis do Prós e Contras se limitam a convidar sempre as mesmas pessoas, com as mesmas ideias... Foi isto que o economista entrevistado quis dizer :  que o Prós e Contras não tem contraditório... E assim é.

Mas, será que são só os debates sobre Economia que não têm contraditório? Não, é claro! O Norte, em geral, e o Porto, que o digam! O país é já por si uma grande contradição. Só Lisboa tem tratamento próximo de um país, e mesmo assim, é uma vergonha...

O senhor economista só pecou foi por defeito! É que o viciado paradigma da política económica é apenas uma parte do todo, e o todo é a deteriorização do paradigma do proprio regime capitalista. Era por aí que a conversa devia ter começado, mas todos têm medo de abordar os assuntos pelo princípio... Por que será? Perguntem aos responsáveis editoriais pelos debates televisivos que eles devem saber a resposta. A verdade é muitas vezes perturbante...

Se esta crise pode ter alguma virtude, essa, é deixar cair completamente a máscara das falsas competências e dos falsos méritos. Resta saber se o Povão é suficientemente esperto para fechar de vez a torneira dos rega-bofes do regime. 

   

08 novembro, 2010

04 novembro, 2010

As outras "Faces Ocultas" da Democracia

Conforme ontem salientei, nem sempre é socialmente boa e justa a intervenção dos advogados. Para uma grande parte deles, desde que o cliente pague bem e muito, vale sempre a pena defender quem devia ser punido.

Há três arguidos do processo Face Oculta que fizeram o "favor" à sociedade de aceitar a suspensão do cargo de administradores da REN, uma vez que lhes continuam a ser garantidos os respectivos ordenados. Deve ser uma nova forma de mostrar solidariedade com o PEC xpto, digo eu...

Entretanto, como não existe prazo previsível para a decisão judicial e  que 34 dos outros arguidos acusados tencionam pedir a abertura de instrução, o que vai acontecer é o tradicional e muito português atraso da decisão judicial.  Ou seja , vários e longos anos a marinar ... Mais. Segundo o Público de hoje, mesmo que os 3 acusados de corrupção [Victor Baptista, Director Geral da REN, Fernando Santos, Administrador da REN Traiding, e Juan Oliveira, a Divisão Comercial], venham a ser condenados, o mais certo é continuarem a manter os seus lugares na empresa, visto que para serem despedidos com justa causa, teriam de lhes ser instaurados processos disciplinares e provadas violações graves dos deveres laborais, coisa que, ao que consta, a REN não parece muito interessada em fazer. E só tem 60 dias para decidir, depois disso, ninguém pode ser despedido! 

É a Lei, dirão alguns! Mas que estapafurdia Lei é esta que protege quem mais devia merecer condenação! Não serão estes irresponsáveis muito mais passíveis de uma dura condenação do que um pé rapado que assalta [mesmo armado] uma gasolineira ou uma máquina de Multibanco? Exceptuando os senhores advogados, por razões óbvias, creio não haver ninguèm que não saiba a resposta.

Entretanto, do processo Face Oculta só o sucateiro Manuel Godinho continua preso, por, segundo o Juíz, ser o que mais influências pode mover para boicotar as investigações... Então, e os que estão cá fora em liberdade,também não estão envolvidos nestes vergonhosos crimes? Esses cavalheiros, o Armando Vara & Companhia, não serão também parte dessas influências? Alguém acreditará que vão ficar quietinhos sem procurar "apoio" na prole amiga do aparelho? E têm amigos que são advogados, e outros até,  ministros da Justiça...

Alguém disse um dia que a Democracia é o pior dos regimes, à excepção de todos os outros. Até pode ser. Só ainda não estou convencido é que os outros,  sejam todos os regimes, porque se hoje não lemos à luz da vela, foi porque alguém saiu da pasmaceira e se recusou a aceitar que já não havia nada para inventar e criou a lâmpada a electricidade.

A Democracia só não é o melhor dos regimes, sem excepção, porque o capitalismo selvagem não quer.

O conservadorismo tem destas armadilhas, quando é excessivo, torna-se esclerosado e intelectualmente pouco empreendedor...

03 novembro, 2010

Justiça, Liberdade e Dignidade, um triângulo incompatível?

Nunca estamos livres de um dia prestar contas com a Justiça. Partindo do princípio da presunção de inocência, todos temos direito a ter quem nos defenda. Para isso, existem os advogados, e é nesses momentos particulares que mais lhes reconhecemos utilidade.

Do outro lado de um problema judicial há, implicitamente, uma ou mais pessoas com quem travamos um contencioso que por sua vez também gozam do mesmo direito à defesa. Até aqui, tudo bem, em teoria, pelo menos... A grande dúvida sobre a idoneidade profissional, moral e intelectual dos advogados surge-nos quando somos espectadores passivos da Justiça que se aplica aos outros, principalmente quando se trata de gente poderosa da política, da banca ou da própria Justiça... Em alguns destes casos, suponho não exagerar, se disser que tenho a certeza que a maioria de nós já não acha muita piada ao papel dos advogados. Por quê? Talvez porque percebemos que os advogados, hábeis na manipulação dos códigos jurídicos, dos recursos e de outras ratoeiras "legais", fazem emperrar muitos processos impedindo o seu bom andamento de forma a que  prescrevam, acabando assim por livrar de maus lençóis os seus milionários clientes. 

Um desses exemplos prende-se com o famoso caso dos submarinos e contrapartidas. O Ministério Público insiste na acusação e no julgamento dos arguidos por crimes de burla qualificada e falsificação e os advogados de defesa acusam a entidade [INTELI] que procedeu às peritagens de falta de isenção por alegada colaboração com empresas envolvidas no processo e por uma relação amorosa [assumida] de uma magistrada com o presidente da entidade de peritagens. Mas que confusão! Não será a vida em democracia "naturalmente" promiscua? Pelo menos, é o que tentam fazer dela,  exaurindo a um limite extremo a Liberdade.

Sempre defendi a ideia [polémica] de que até esse bem precioso que é a Liberdade devia ter limites. Sem limites à Liberdade torna-se impossível compreender aonde é que ela começa e onde termina. Esses limites deviam cingir-se a questões de rigorosa ética e responsabilidade civil. Deviam ser simples,  claros e taxativos, de forma a que nem os advogados pudessem contorná-los com as suas leis difusas e contraditórias. 

Cada vez me convenço mais que é por andarmos a degradar a Liberdade que ninguém [a começar pelos Governantes] leva nada a sério em Portugal [e noutros países também].

Não pertenço ao clube de fãs da "democracia/paradigma" norte americana, nem acho nada edificante que um Presidente da República participe em talk-shows ou em programas de humor duvidoso, como aconteceu recentemente com Barack Obama e o deixou próximo da humilhação.

Só uma "Liberdade" importada e voyerista explica também que António Oliveira [ex-jogador do FCPorto e Seleccionador Nacional] tencione processar o filho por ofensa à honra e consideração da família, que num desses reality shows acusou os pais de serem responsáveis pela sua expulsão do programa.

Estes espectáculos televisivos, onde a coscuvelhice roça a pornografia, podem até encher os cofres das estações que os transmitem mas empobrecem miseravelmente o sentido de cidadania, a dignidade das pessoas, e a própria aplicação da Justiça.

Se Presidentes da República de grandes países como a América do Norte já se deixaram encurralar nestas modas mediáticas, pouco faltará para lá vermos também os Juízes.