07 setembro, 2011

Apesar do Tua, ainda nos resta isto

Régua

Comboio e [a destoar] o inevitável mamarracho



O "crime" de Ricardo Carvalho e os media

Habituados que estamos a ver altas figuras da nação a assumir ciosamente as suas responsabilidades, entre as quais pontuam o desapego pelo poder, a fobia às offshores, e o regular cumprimento de promessas, compreendem-se as declarações de Paulo Bento dirigidas a Ricardo Carvalho, aconselhando-o a pedir desculpas aos portugueses. Sim, porque o que Ricardo Carvalho fez, foi gravíssimo, é imperdoável, e os portugueses não estão habituados a tamanhas traições... 

Se Ricardo Carvalho tivesse imitado o Sá Pinto, pregando um murro na cara ao Artur Jorge [então seleccionador], ou o seu colega de equipa Pepe, que pontapeou como um doido um adversário na cabeça quando este ainda se encontrava no chão, ou então o genial João Pinto [do Benfica], que ao serviço da selecção encostou docemente o punho no estômago de um árbitro, isso sim, seria irrelevante. Agora, bater com a porta, com ou sem razão, e abdicar da selecção, isso é crime, é um verdadeiro acto de deserção. Não se faz, repito. Nós não estamos habituados a essas poucas vergonhas.

Justificam-se portanto, aquelas maratonas de debates, as aberturas e fechos de telejornais, até altas horas da madrugada na RTPN [N de nazi], esmiuçando o acto tresloucado do jogador, na patriótica tentativa de encontrar pena ajustável a tamanha barbárie. Irradicado da selecção, já está. Agora, é preciso fazer tudo para impedir R.Carvalho de jogar no seu clube para que a Justiça seja feita. Eu acho que não chega, R. Carvalho merece a forca [sem cedilha]...

Muito patriótico, por exemplo, foi o nome que hoje o JN entendeu dar a uma  conspiração. Chamou-lhe estratégia. O JN não podia encontrar melhor eufemismo para a reunião que os Presidentes do Benfica e do Sporting tiveram ontem num hotel de Lisboa para cozinharem o apoio à candidatura  do insuspeito Fernando Seara à Federação Portuguesa de Futebol. É do Benfica, como se sabe, fanático e intriguista, possui portanto o perfil indicado para o cargo. Mas, haverá algum mal em apoiar um suspeito candidato a um lugar que devia ser só para gente insuspeita? Não, claro. Isso, era se a reunião tivesse sido convocada com o FCPorto e o Braga, e o candidato à Federação se chamasse, por exemplo Victor Baía. Nessa altura, tal Fénix renascida das cinzas, caía o Carmo e a Trindade, e lá tínhamos nós de aturar umas doses maciças de fóruns sobre promiscuidades e transparências "sistemáticas", nos canais centralistas. Exactamente como acontece com os árbitros. Se é de Lisboa e benfiquista, ou sportinguista, pode apitar os jogos do seu clube contra o FCPorto, logo é sério. Se o árbitro é do Porto e é portista, nem pensar! É garantido que é gatuno.    

É assim, nestes charcos de imoralidade institucional,  que os media sobrevivem, com truques de linguagem, procurando transferir seriedade para coisas que não são para levar a sério. 

Prova-se assim, claramente,  que os media há muito deixaram de prestar serviço público para antes se prestarem a enganar o público. O que, vendo a coisa pelo lado optimista, podia constituir uma grande oportunidade para a blogosfera do Norte se unir e organizar e roubar-lhes o lugar. Nós, fazemos melhor. 

06 setembro, 2011

Faça feliz o seu médico

Joana Lopes dá, em entreasbrumasdamemoria.blogspot.com, uma boa ideia, inspirada na sempre inspiradora dra. Manuela Ferreira Leite que, no "Expresso", viu o óbvio ululante que só o esforçado (e "competente", dizem eles) ministro das Finanças não viu: com o fim das deduções de despesas de saúde no IRS, para que é que havemos de pedir recibos?, e, visto que, não exigindo nós recibo de, por exemplo, uma consulta médica, o médico poderá poupar em IRS e IVA mais de 50%, porque não pedir-lhe um desconto?, ou, no caso de pessoas tímidas como eu, ficar-se apenas por uma gentileza no momento do pagamento: "Não, Sr. Dr., não passe recibo, para que quero eu o recibo?".

Não sou dado a assinar petições mas assinaria uma apelando à desobediência civil (já que há muito perdi também o hábito dos "tumultos" de rua, como Passos Coelho diz) intitulada: "Não peça recibo ao seu querido médico. Você não ganha nada com isso, e ele ficará mais feliz".

Talvez, quem sabe?, quando chegar ao Ministério das Finanças a conta da receita fiscal, o dr. Vítor Gaspar descubra (ele e o primeiro-ministro, que já consegue vislumbrar o "princípio do fim da crise" em 2012 mas não vê o que tem debaixo dos olhos) que o que entrou pela porta do fim das deduções de despesas de saúde saiu, multiplicado, pela janela da evasão fiscal.

(Agora, antes que ler poesia seja tributado, vou continuar a ler "Punto cero", de José Ángel Valente).

Manuel António Pina [JN]

05 setembro, 2011

Haverá bons ditadores?

Foi Conselheiro de Estado, hoje tem
um resort de luxo em Cabo Verde
Cada vez me convenço mais que é por causa do  nosso conformismo ancestral, pela passividade com que aceitámos as coisas mais abjectas, que continuamos a ser desrespeitados e a ser tratados como gado.

Se cada um de nós fizesse uma retrospectiva cuidada do que têm sido as prestações dos vários governos ao longo destes 37 anos de democracia [já só faltam poucos mais para ultrapassar os de ditadura], compilando as promessas não cumpridas e as mentiras praticadas, teríamos vergonha de votar e de continuar a dar ouvidos aos rapazes da política. Nesse capítulo, e no que me diz respeito, não me pesa a consciência, pois desde que Mário Soares me ensinou que os políticos não são para levar a sério, deixei de entrar nessas brincadeiras. O tempo tem-me dado razão.

Passado todos estes anos, o balanço do regime democrático é simples de fazer: incapazes de produzir a nossa própria riqueza e de a distribuir, só tivemos arte para modernizar o país com os fundos da União Europeia em auto-estradas, e pouco mais. Paralelamente, assistimos ao enriquecimento súbito de muitos políticos e ao empobrecimento galopante da população. Demos conta que a Justiça não castiga quem merece mais castigo, como sejam, governantes e seus cumplíces. Entre a ditadura e este modelo pífio de democracia, houve quem conseguisse transformar uma revolução que se queria séria, numa fraude, através de uma estratégia tão simples quanto hábil, que consistiu apenas em deixar o povo falar.

Os políticos do pós 25 de Abril, alguns dos quais fizeram oposição ao regime de Salazar e Caetano, perceberam que na Europa já não era possível continuar a governar-se com ditaduras musculadas, e por isso, espreitaram a oportunidade para lhes ocuparem o lugar. Foi o que acabou por acontecer. A repressão do regime anterior, entrara em desuso, e era condenada praticamente pelos países mais avançados do Mundo, e Portugal tinha obrigatoriamente que se "democratizar". 

Decorrido todo este tempo, podemos resumir a mudança de regime, ao seguinte:  permitiu-se a organização e a constituição de partidos políticos, a seguir, seduziu-se o povo dizendo-lhe o que ele precisava de ouvir, depois, chegou-se "democraticamente" ao poder, e finalmente...  reinou-se. Uma vez ocupado o 'poleiro', terminaram-se as promessas, e tratou-se rapidamente da vidinha [deles]...

Efectivamente, tem sido isto que os políticos de hoje têm feito, e continuam a fazer com a política. Não esperemos que sejam eles a admití-lo, não sejamos ingénuos... A verdade, é que as únicas coisas que mudaram em relação ao regime do passado, foram o nome e a ferramenta. De resto, estamos praticamente na mesma, ou talvez pior.

Hoje, cairia muito mal à Europa, que o governo de um país não concedesse ao povo o direito de votar livremente. Então estabeleceu-se que isso seria suficiente para lhe transmitir a convicção de viver em democracia. A ferramenta então usada foi o voto,  o voto que domou a voz do povo sem a calar. Um paradoxo, isto? Talvez. Mas então, alguém será capaz de explicar por que é que este novo Governo, empossado  ainda há 3 mêses, renunciou a todas as promessas que fez? A resposta lógica é fácil. Exceptuando a hipótese remota [até ver], de entretanto o povo se revoltar, os governantes do pós 25 Abril assimilaram cedo [e irresponsavelmente], ser possível trair o povo e aguentar o impacto, pelo menos um mandato, sem correrem o risco de serem destituídos. Para o segundo, logo se verá, será apenas uma questão de talento oratório... O povo, merece-os, tem-se mantido ao seu nível. Permissivo e apático.

Ainda esta manhã sorri para o jornal, quando "democraticamente" me informava que um Chefe de Divisão da Direcção Geral de Veterinária foi condenado por subornos de empresários, mas...  ficou em liberdade. Isto, repete-se, e repete-se.

Perante estes cenários, às vezes, gostava de acreditar na existência de bons ditadores, mas não acredito. O problema, é que, o que vemos, leva-nos quase ao desespero e à suspeita de que aquilo que este exército de irresponsáveis estão a fomentar é um perigoso caldo de cultura para o despertar de um ditador. E eu, que considero fundamental a Autoridade com Justiça, temo os bons ditadores.

03 setembro, 2011

Os colunistas portistas de A Bola e similares

Há muito que ando para falar no assunto, e vai ser hoje mesmo. Antes porém, devo reconhecer não ser a pessoa indicada para falar dos meus incontornáveis defeitos, mas acredito não ser do tipo de homem facilmente consensuável, embora, quando tal é possível, e dependendo do quê, procure consensos.

Não sou consensuável* pela  resistência que ofereço às 'moralidades' impostas pela comunicação social, e à sua irresistível tentação para manipular a opinião pública. Este caso muito recente do atleta e grande profissional Ricardo Carvalho, que até já foi tratado pelo seleccionador por desertor, é paradigmático, mas é apenas mais um, entre centenas deles, com critérios de avaliação diferentes, consoante o nome, ou as origens  do "réu". Não confundam, porque não se trata de tribunais, com juízes, togas e tudo, trata-se de justiceirismo, feito a partir de estúdios de rádio e televisão, com o apoio editorial dos jornais.

Não queria perder muito tempo a especular sobre conceitos de "deserção", porque às tantas ainda vou magoar certa gente graúda que desertou efectivamente do país, e fugiu a uma guerra, a que chamaram colonial, mas que outros [a grande parte], acreditavam travar contra o terrorismo e com elevado sentido pátrio... Decorridos 37 anos, receio ser necessária mover outra "guerra", agora dentro de portas, para apurar as verdadeiras razões de muitas deserções, cinicamente baptizadas de políticas, para  pôr a casa em ordem. Mas isso, é apenas um cenário hipotético. Pelo menos, por enquanto.

Voltando a Ricardo Carvalho, que continuo a estimar e respeitar como nunca na vida respeitarei determinados jornalistas, com nome e rosto bem conhecidos, não ouso sequer julgá-lo pelo que fez de errado, num momento de algum descontrole emocional [mas se calhar justificado], pelo peso preponderante de grande profissionalismo e carácter que exibiu na sua honrada carreira. Coisa que, muitos dos que agora o querem queimar na fogueira da Inquisição Centralista, já deram provas sobejas de não possuir.

E é, baseado no histórico já antigo de justiceiros como estes, que sou absolutamente contra a colaboração em jornais como  A Bola, ou o Record, de figuras públicas adeptas do FCPorto, mesmo que em teoria seja para o defender. Sem ofensa para a mais antiga profissão do mundo, ninguém que frequente os espaços onde ela acontece se livra de passar por 'colega' de ofício da dita cuja se a assiduidade for muita.

O eufemismo aplica-se perfeitamente a quem se arrisca a navegar nesse tipo de águas fétidas, a troco de umas democráticas avenças. Não me estou a ver a colaborar num jornal cuja direcção desde há muito escolheu o Futebol Clube do Porto como alvo a abater e tudo tem feito para denegrir a sua imagem. Esses ambientes, dos jornais e estúdios de tv, há muito que ultrapassaram a sadia rivalidade clubista, transformaram-se numa nova moda de caça ao homem. O processo Apito Dourado prova-o, e apesar de já ter sido julgado, a saga continua, como se pode constatar no Trio de Ataque e noutros programas do género. Portanto, quem entende que, nestas condições manifestamente discriminatórias para o FCP, está a defender o clube, engana-se, e engana todos os portistas.

Da participação de Rui Moreira num desses programas inquisitórios contra o FCP, a que mais apreciei e o honrou, foi justamente a daquela noite em que se levantou para abandonar o estúdio. Em vão, esperei que Miguel Guedes lhe seguisse o exemplo, ou que a aceitar substituir Rui Moreira, o fizesse sob determinadas condicões, como seja, a garantia da parte da direcção da RTP de que não se repetiria a linha programática  antiga.

O que vemos agora, dá-me razão. Nada mudou. Os ataques e as acusações continuam.

Só me espanta,é Rui Moreira ter escapado ao estigma de desertor. Teve sorte...

*Não faço ideia se o termo consensuável existe, sei que o que existe é:  consensual. Mas, o que pretendo aqui significar com consensuável é algo como isto: alguém vulnerável a falsos consensos.

Sou revivalista, sim senhor

Bom fim de semana!

02 setembro, 2011

Ricardo Carvalho, esquece este país

Tenho um problema comigo, que não o devia ser: não gosto da ingratidão e muito menos da cobardia.

Embora não vomite com muita facilidade, enoja-me nauseabundamente a patriotice de ocasião dos assalariados de todas as rádios e televisões do país.

Quem são afinal estes jornalistas de meia-tigela, cheios de rabos de palha, paus mandados, lambe-botas miseráveis e desonestos para criticar Ricardo Carvalho? Haverá porventura algum que se lhe possa comparar, em carácter e hombridade, para andarem agora a diabolizar a decisão do rapaz de sair extemporaneamente da selecção?

É preciso ter lata. E isso, é talvez a única coisa que não falta aos jornalistas. Raios os partam, vermes!

Um abraço para ti, grande Ricardo Carvalho, eu estou contigo!

PS-Lamento o carácter radicalista do meu comentário, até porque há jornalistas por quem tenho apreço, como é explícito e implícito do post anterior. Mas a verdade, é que os bons jornalistas nada têm feito para se livrarem do contágio epidémico daqueles que andam a queimar a reputação da classe. Lá diz o ditado: quem cala, consente.

01 setembro, 2011

Está quase? Só pecará por tardio


A guerra cidadãos-Estado

Infelizmente já é tarde. Mesmo que o Governo prometa que vai cortar cegamente em tudo e mais alguma coisa, algo se quebrou de forma muito séria na relação entre os cidadãos e o Estado. Não há uma moral de Estado, não há um bem comum evidente para os sacrifícios. Esta decadência já vem de longe e atingiu o zénite com Sócrates. Depois, a famosa frase com que Passos Coelho derrubou o anterior Governo - "há limite para os sacrifícios" -, por antítese a todas as medidas que vem tomando, fez emergir uma falta de confiança e um desespero que leva as pessoas a interiorizaram a sensação de que os políticos estão a arruinar-lhes a vida. Sem que compreendam verdadeiramente como isso sucede. Ouvem falar de défice, de dívida, de milhões e milhões, mas interrogam-se - porquê? O resultado está aí: uma guerra subterrânea entre os cidadãos e o poder. Uma sensação de que o país não vai ajudar a cumprir os objectivos do plano da troika. Porque não consegue. E talvez já não queira. O tempo é outro: salve-se quem puder.

Isto traduz-se em coisas muito concretas: são os multibancos que 'não funcionam', são as facturas que estão cada vez mais difíceis de emitir, os "ricos" que pela calada já perceberam que têm de ir para outras paragens, ou as empresas que lentamente deslocalizam os lucros. A guerra fiscal traduz-se em pequenos-grandes gestos. Perdeu-se o respeito pelo Estado a partir do momento em que este usa o seu poder para esmagar o cidadão - rico ou pobre. Sem aviso. Sem moral.

Vale tudo. Aumentos de impostos em cima de aumentos. Transportes mais caros, novas portagens, taxas moderadoras, menos medicamentos, mais IVA, IMI... Despedimentos com indemnizações reduzidas de forma retroactiva. Fim de isenções fiscais - educação, saúde, habitação. Redução de deduções das empresas... Um clima de terror fiscal, que promete piorar - basta ser preciso mais. E vai ser, porque as pessoas vão fugir da falência pessoal e o país não vai arrecadar em impostos o que as projecções macroeconómicas prometem. Um parêntesis: o que dirá a troika dos desvios? E os mercados, os ratings? Portugal não cresce? O défice não diminui? Apertem: mais medidas, mais repressão fiscal. Em termos macroeconómicos, sempre o mesmo movimento: transferir dinheiro da economia privada para o Estado.

Dois argumentos legitimam, na perspectiva do Governo, este extenso caderno de maldades em tempo recorde: o Executivo vai realmente endireitar o Estado e, além disso, os impostos extras servem para socorrer os mais necessitados. Mas há dois grandes problemas nesta equação. Primeiro, toda a gente sabe que não é possível endireitar radicalmente as contas públicas sem que o Estado diminua funções e despeça massivamente funcionários. Como não o pode fazer, vai simulando. Uma reestruturação à superfície, que nunca chega ao fundo do problema. Até hoje sempre foi assim.

Segundo problema: não faz sentido confiar apenas no Estado para o socorro dos mais pobres. Sem se "privatizar" o combate à pobreza - ou seja, colocar a sociedade civil a tratar dos seus próprios problemas, através de dinheiro dos impostos entregue ao Banco Alimentar, AMI, Cáritas, etc. - ninguém acredita que estes impostos extras cheguem realmente onde deviam. Mais: o dinheiro que entra no fisco para combate à pobreza é em boa parte engolido pela máquina que tem como emprego combatê-la...

Os números da execução orçamental dos próximos meses vão dar ideia que país Pedro Passos Coelho tem pela frente. Se a confiança e o consumo continuarem a cair (como se começa a confirmar mês após mês) e o desemprego subir mais do que o ministro das Finanças previu ontem, os portugueses vão fazer-lhe sentir da pior maneira que há mesmo limites para os sacrifícios. É imperioso dar um pouco mais de tempo na concretização do ajustamento para que as empresas não fechem e a conflitualidade não rebente com a paz social do país. Isto não se mede em números mas é essencial. Se o Governo perder o equilíbrio dos portugueses, perde tudo. E está quase
[JN]

Nota de RoP

Absolutamente de acordo com o teor deste artigo.

Caricaturando os governantes do país, vejo um mastodonte com forma de homem [o Governo] a tentar asfixiar o zé-povo, e este a espernear quase a sufocar, e o mastodonte, bruto e insensível, a insistir a apertar-lhe a garganta, convencido, apenas porque o zé ainda não morreu, que lhe vai salvar a vida. Isto, é de loucos. Mas é a real politique.

31 agosto, 2011

Douro negativo...

Três detenções em manifestação de vitivinicultores na Régua 

Patrícia Posse/JN

Alguns vitivinicultores da Região Demarcada do Douro tentaram, esta quarta-feira, forçar a entrada no edifício sede do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, no Peso da Régua, na sequência de uma manifestação contra os limites impostos à produção de Vinho do Porto. Três indivíduos, do sexo masculino, foram identificados pela GNR.

Ler mais aqui.
Torre de Moncorvo

O serviço "público" da RTP...

Isto, alguma vez foi serviço público?
Podia falar-vos do coração partido de Rui Rio pelo  tratamento discriminatório ao Norte, agora com os passes sociais, ou da audição que os deputados tencionam fazer ao antigo director do SIED [Serviço de Informações Estratégicas e Defesa], mas como já todos sabemos no que isto vai dar, poupo-vos a mais uma mesmíce e passo. Porque é na informação, na sua qualidade e seriedade, que assenta a raiz de grande parte dos nossos problemas, prefiro abordar esta temática.

Há quem esteja preocupado com a anunciada privatização de um dos canais da RTP, e estoicamente se esforce por  justificá-la, com a inexorável "perda" do esmerado serviço público que nos tem sido prestado, se tal vier a acontecer.  Pois eu, não estou nada preocupado. Bem pelo contrário. Até acho que a RTP devia ser toda privatizada. Talvez até seja essa a melhor forma de acabar com muitos anos de proxenetismo* e sectarismo jornalístico, contra o próprio público. Porque, se há coisa que me indigna e faz trepar pelas paredes, é o trabalho sujo e sectário que anda a ser desenvolvido há demasiado tempo, por directores e jornalistas da RTP contra os interesses do Norte [e do próprio país], a todos os níveis. Não serei eu, pois, quem se comoverá, se muita desta gente desqualificada ficar sem emprego. Terão apenas um pouco daquilo que merecem!

É preciso descaramento para invocar o serviço público como argumento, quando ninguém ajuizado é capaz de vislumbrar diferenças profundas entre o que faz a RTP e o que faz a SIC ou a TVI. Tem dias que até os noticiários são exactamente iguais na forma e no tempo, e quanto à programação, são cópias uns dos outros. Não será pois o canal 1 da RTP que poderá vangloriar-se de prestar serviço público. Se algum canal da RTP tem de continuar a servir o Estado, então o Governo só poderá eleger o canal 2, nenhum outro. E, se quiser economizar como anda a apregoar, que acabe imediatamente com programas como o Trio de Ataque e com a colaboração sectária de determinadas figuras que só têm contribuído para denegrir a imagem do próprio Estado.

No que respeita às estações privadas, estamos conversados. O estatuto de privado, em vez de refinar a qualidade, serve-lhes de pára-quedas à irresponsabilidade, por isso, nada de dignificante daí poderemos expectar. Em contra-ponto, é uma oportunidade de oiro para o Porto Canal marcar a diferença, que, obviamente, só pode ser para melhor. Que a saibam agarrar, de uma vez por todas!

Pode fazer a diferença
* O Estado vai pagar em 2012 à RTP [do Estado] 225 milhões de euros de dívida. Se isto não é proxenetismo, o que é?

30 agosto, 2011

"O Porto pode tornar-se uma das cidades mais excitantes da Europa”



Por Pedro Rios/Porto24
São pequenos e discretos, mas já se venderam mais de um milhão de cópias Wallpaper* City Guides em todo o mundo. O Porto juntou-se agora ao lote de 80 cidades de todo o mundo com estes guias citadinos, uma referência. Falámos com o autor principal do “Wallpaper* City Guide: Porto“, o inglês David Knight, que está entusiasmado com a cidade: “pode tornar-se uma das mais excitantes da Europa”.

A quem devemos agradecer a existência deste guia?

Sou o autor do guia. Formei-me como um arquitecto e trabalho como designer freelancer e investigador. Para além dos editores na Wallpaper*, também contribuíram para o livro Cristina Monteiro, Paulo Moreira e Helena Reis. Eu e Cristina [arquitecta portuguesa a trabalhar em Londres] trabalhamos juntos há 11 anos. O Paulo é um arquitecto que está investigar em Londres e Angola, no âmbito de um doutoramento, e a Helena é uma artista que vive no Porto.

Quem teve a ideia de fazer o livro?

Os próximos guias são sempre anunciados nas últimas páginas dos guias já lançados. Vimos o Porto na lista e a conversa começou a partir daí.

Como foi o processo de produção?

A parte que deu mais trabalho – mas foi divertida – foi escolher o que incluir, em colaboração com os editores. Depois disso, a escrita propriamente dita foi muito rápida. A melhor coisa dos guias Wallpaper* é não terem publicidade ou patrocínios, por isso são livros com uma selecção cuidada e sem concessões. Isso é muito raro. Não há nada que não tenha sido meticulosamente considerado e reconsiderado.

Como vê o momento que o Porto atravessa?

O Porto está num momento verdadeiramente crucial da sua história porque manteve, de certa forma, muitas coisas que outras cidades destruíram. Não está cheio de centros comerciais e estradas; os pequenos negócios e a pequena indústria ainda estão presentes.

O aumento do turismo arrisca estragar isso tudo. Por exemplo, conheço designers gráficos que visitam a cidade pelos sinais incríveis que se encontram nas ruas. Não a vão visitar se o sítio se tornar asséptico, igual a todos os outros. Ambicionámos incluir no guia sítios que não só são óptimos espaços para comer, socializar, dormir, mas também que revelem um olhar positivo sobre a cidade – que aproveitem ao máximo os edifícios comerciais e residenciais extraordinários que o Porto tem, em vez de os descaracterizarem.

Arquitectos como Fernando Távora deram ao Porto um legado arquitectónico incrível, porque estavam empenhados socialmente, para além de serem óptimos arquitectos. O Porto pode tornar-se uma das cidades mais excitantes da Europa se continuar esse legado.

O evento de lançamento está marcado para 23 de Setembro. O que podemos esperar?

Estamos a planear uma festa muito grande, num sítio inesperado do centro da cidade. Queremos que as pessoas e as organizações que estão no livro se envolvam para que o evento, tal como o livro, celebre o melhor do Porto em 2011. A data de 23 de Setembro está fixa, mas estamos agora a pedir ideias e apoios. A melhor maneira para alguém se envolver é juntando-se ao nosso grupo no Facebook.

Nota de RoP
Imagine-se o que seria hoje o Porto se não tivesse desperdiçado 15 anos da sua vida num pouco higiénico e imprestável Presidente de Câmara...

29 agosto, 2011

Douro positivo II


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Douro positivo


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País positivo. Sorria, por favor...

  • "País muito desigual nas águas"
  • "Pais vão pagar totalidade dos livros escolares"
  • "Português morre em mais um acidente em Burgos"
  • "Século XXI foi tempo mais negro da sinistralidade"
  • "Dono de restaurante agredido fica sem 4000 euros"
  • "Ladrões deixam taxista sem carro"
  • "Saúde em dívida com as misericórdias"              
  • "Mata mulher a seguir ao casamento do filho"      
  • "Assassinada com oito tiros por querer trabalhar"
  • "Duo destrói janela para assaltar casa"                
  • Gás-pimenta causa pânico em restaurante"           
  • "Renault investiga furtos dos Mégane"    
  • "Morte acidental anulou a prova desportiva"
  • "Polícia sem lugar no novo mercado"     
  • "Caçador morto pela própria arma com um tiro acidental"
  • "Estaleiros precisam de investimento estrangeiro"
  • "Praia em alvoroço para encontrar criança"
  • "IP4 de Amarante a Mirandela sem posto de abastecimento"
  • "Foguetes de aniversário provocam 3 feridos"
  • "Portugal vai importar mais alimentos este ano"
  • "Porto, Aveiro e Braga com 45% das falências totais do ano"
Nota de RoP

O JN de hoje, enchia as suas páginas com estas notícias. E, das duas, uma: Ou, as Directorias dos jornais odeiam, de facto, as boas-novas, ou elas não existem, e se existem ficam inapelavelmente esmagadas pelas más.

Em que ficamos? São os portugueses que são pessimistas, ou são os nossos governantes que os tornam assim?      


27 agosto, 2011

Falta tão pouco ao FCPorto para ser o Barcelona do futuro


Como qualquer portista que se preza, não fiquei a dar pinchos de alegria pela derrota do FCPorto com o Barcelona; fiquei chateado, sim. Mas, longe de mim pretender voltar por isso ao revivalismo fadista das victórias morais, ou de querer justificar a derrota com o choradinho  dos clubes da capital do império com os erros [que aconteceram de facto] dos árbitros.

A verdade, é que este troféu disputado, não [com alguns dizem], com uma das melhores equipas da Europa, mas sem exagero, e de facto, com a melhor equipa do Mundo de sempre, o FCPorto soube estar à altura do estatuto que com toda a justiça já conquistou, literalmente, contra tudo e contra todos, como um dos melhores clubes de futebol do Mundo da actualidade.

Considerando as condicionantes impostas por um mercado de transferências com prazos estupidamente largos e desajustados, lesivos para clubes como o FCPorto, que não têm capital bastante para manter os seus melhores atletas a salvo dos grandes predadores, Victor Pereira soube gizar uma estratégia quase perfeita para, durante meia-hora neutralizar completamente o tricotado futebol catalão, mantendo abertas as expectativas dos  portistas. Só aquele erro infantil de Guarín conseguiu reduzí-las, e apenas as expulsões de Rolando e depois Guarín, acabaram com elas de vez. 

Erros e resultados à parte, não pude deixar de pensar até onde poderia chegar este FCPorto, soberbamente pilotado pelo Comandante Pinto da Costa e respectiva tripulação, se dispusesse dos petrodólares do Chelsea, ou do Manchester City, para, com tempo e dinheiro, poder criar e maturar uma equipa de futebol como só alguns clubes ingleses e espanhóis [e agora também alguns russos] se podem dar ao luxo de fazer.

Curiosamente, são também estas colossais assimetrias de recursos que tornam hoje Pinto da Costa o dirigente de clubes mais astuto e prestigiado do futebol mundial. Tenho sérias razões para duvidar que outros dirigentes desses tais clubes bilionários soubessem fazer desportivamente melhor que PdC, se vivessem num pobre país como Portugal, e com os mesmos meios.

Por isso, pus-me a pensar se - depois de arrumada a "casa", ou seja, depois de sabermos quem são os jogadores que ficam no plantel e os que vão sair -, no que Victor Pereira poderá fazer de jogadores com as capacidades de James Rodriguez, Iturbe, Danilo, Alex Sandro, Defour, Mangala e Kelvin, só para falar nos mais promissores. Conjuntamente com os mais antigos, e o tal ponta de lança maduro que falta, e com tempo suficiente, não será possível criar uma equipa tecnicamente mais próxima do Barcelona? Estrategicamente, nada temos a recear, mas em termos técnicos, não será possível extrair destes jovens jogadores com tanto potencial a mesma perfeição dos jogadores do Barcelona? 

Apetece-me adiantar a resposta: ser possível, é, mas sem dinheiro [e muito] para conservar os melhores jogadores e lhes saciar a conta bancária, não! A "perfeição" do Barcelona, consegue-se com muito trabalho, talento, e principalmente com muito tempo! E tempo sem dinheiro, no futebol, não faz milagres. E é pena, porque o FCPorto tinha tudo, para ultrapassar o Barcelona e muitos outros grandes clubes europeus de top. Mesmo assim, com a bolsa mais pobre, conseguimos pela segunda vez, ser considerados o 3º. melhor clube do Mundo pela IFFHS [Federação Internacional de História e Estatística de Futebol].

É por estas e por outras, que me custa aceitar, sobretudo num país onde abundam mais oportunistas do que líderes ou grandes governantes, apareçam por aí certos vaidosos a criticar as decisões do Presidente PdC extemporaneamente e por dá cá aquela palha. Raramente acertam no prognóstico, mas não desistem. A vaidade é superior ao realismo e à capacidade de análise. Mas, que havemos de fazer? Os pavões, serão sempre pavões.  


26 agosto, 2011

FCPorto, mais que um clube

Não há como fugir à factualidade, desvalorizando a argumentação de quem é contra... "porque sim": o futebol está na primeira linha das raras áreas nas quais Portugal dispõe de reconhecimento no plano internacional.

José Mourinho, Cristiano Ronaldo, Figo e Eusébio são ícones incontornáveis da identificação portuguesa no Mundo. E outro tanto se passa por via do Benfica nos anos 60 do século passado ou do F.C. Porto nas décadas mais recentes. O futebol não é apenas área através da qual se satisfazem egos; obtém mesmo sucessos, sejam eles decorrentes das astronómicas transferências que é capaz de produzir e que o confirmam como um "cluster", seja pelos resultados puramente desportivos.

O mérito deve, pois, dar-se a quem efectivamente o tem. E o futebol português regista êxitos assinaláveis, não obstante as guerras de alecrim e manjerona em que paroquialmente se envolve.

Tanto quanto as participações asseguradas na Liga Europa e na Liga milionária desta época, o calendário é marcado hoje por mais um cenário de mediatização: a Supertaça Europeia.

A disparidade de receitas (e despesas) entre F.C. Porto e Barcelona são um excelente indicador de como um emblema português teve (uma vez mais) a arte e o engenho para dar cartas junto da elite, furando a malha da vivência do dia-a-dia num inexorável segundo mercado do futebol europeu - a escala do país em todos os índices para a rentabilização económica é o que é.

Se ninguém de boa-fé pode descartar o mérito, o F.C. Porto-Barcelona da Supertaça europeia não se confina a essa vertente de disparidade de meios para atingir um fim.

Há, na verdade, um factor identitário comum, muito bem expresso, aliás, no lema subjacente aos catalães. Como o Barcelona, também o F.C. Porto é "mais do que um clube".

Ambos os emblemas são, de facto, expoentes de afirmação de regiões e os seus dirigentes não abdicam dessa posição de porta-bandeira contra a tendência centralista de Lisboa ou Madrid. Só que, também aqui, há diferenças.

Enquanto a imagem do Barcelona é alavancada pelo efectivo poder autonómico da Catalunha, a do F.C. Porto reflecte-se na base de uma orfandade de intérpretes com influência e capacidade de afirmação do Norte de Portugal no todo nacional. E esse é mais um ponto a seu favor. Afinal o F.C. Porto dá prestígio ao país e simultaneamente mantém-se, quase solitário, como marca de água de uma Região. É o que se pode considerar um perfeito dois em um.

[Fernando Santos/JN]

25 agosto, 2011

Os Grupos de Trabalho para a TV

Segundo os jornais, parece estar em marcha um estudo para avaliar o serviço público dos órgãos de comunicação social do Estado. Para o efeito, foi criado um novo Grupo de Trabalho que terá a tarefa de apreciar o que se faz noutros países nessa matéria. Essa equipa, será liderada por João Duque*, e contará com a colaboração de: Ribeiro Cristóvão, E. Cintra Torres, Felisbela Lopes, F. Sarsfield Cabral, João do Amaral, José Manuel Fernandes, Manuel J. Damásio, M. Villaverde Cabral e Manuela Franco.

Cito estes nomes, porque quase todos eles são gente ligada ao jornalismo, conhecida pela maioria das pessoas, sobre as quais seguramente alguns de nós já teremos a nossa opinião formada, enquanto profissionais. Este grupo, terá assim dois mêses para tirar conclusões e apresentar o respectivo relatório ao Governo.

A curiosidade desta notícia, consiste no facto de não o ser. Ou seja, obriga-nos a pensar se valerá a pena avançar com ela. Isto, porque no passado recente [em 2002], outros Grupos de Trabalho foram criados para o mesmo fim e com alguns dos actuais elementos, sem grandes resultados. Podemos dizer, sem exagero, que daí para cá, o serviço público de televisão piorou. E muito. Até porque, Miguel Sousa Tavares, um dos analistas do Grupo de 2002, assegura que o trabalho sobre serviço público já foi feito, apenas não foi levado a sério pelo Governo de então... Então, para quê repetir a receita se o "cozinheiro" Governo não a garantir? Estarão desta vez asseguradas as responsabilidades governativas, se as conclusões do estudo não forem colocadas em prática, como em 2002? E se estiverem, quais são? Teremos alguma vez conhecimento delas?

Espanta-me [ou se calhar, nem por isso], que tratando-se de uma discussão de interesse público, que neste Grupo de Trabalho não conste um, ou mais cidadãos, desvínculados do jornalismo, o que, desde logo, abona muito pouco em favor da seriedade do objectivo, e lhe compromete o sucesso. Como diz o outro, as ovelhas não se tosquiam a si mesmas...Isto, já para não falar da credibildade de alguns membros da equipa, para não dizer mesmo, de todos eles.

Até hoje, não me parece ter ouvido uma única palavra crítica da parte de qualquer destes jornalistas em relação à qualidade do serviço público, de determinados programas desportivos, da RTP e RTPN [e também dos dois canais privados], que mais parecem autênticos silos de pólvora, de sectarismo e provocação apontados manifestamente ao FCPorto e aos seus adeptos.

Se estas pessoas fossem verdadeiramente idóneas, já há muito se teriam demarcado destes critérios "jornalísticos", não só para os rejeitar, como para condenar os colegas que os seguem,  desonrando-lhes o nome, e o da própria classe. Não o tendo feito, é porque corroboram com essas práticas.

Está pois, bem à vista de todos, aquilo que podemos esperar deste Grupo de Trabalho:  zero!

*João Duque é economista e líder desta equipa. Não é jornalista, mas tal como Villaverde Cabral, está bem relacionado no meio...

24 agosto, 2011

Para Lisboa, com carinho... Oiçam e digiram. Esta é a realidade do FCPorto






NO FCPORTO, NÃO É COSTUME DEIXAR CAIR NA PRAÇA PÚBLICA A "ALMA" DO NEGÓCIO, MAS A SER VERDADE O QUE AQUI DIZ FRANCESCO AO MINUTO 6':16", O JOGADOR NORUEGUÊS MARKUS HENRIKSEN FOI SONDADO PELO NOSSO CLUBE A QUEM FOI FEITA UMA PROPOSTA DE 7 MILHÕES DE EUROS!

PELA AMOSTRA, PARECE TER CATEGORIA, MAS CONVIRÁ NÃO LEVAR MUITO A SÉRIO ESTA NOTÍCIA. AINDA FALTA UMA SEMANA PARA FECHAR O MERCADO...

PS-Quem diria, que passados 36 anos de "Democracia", fosse preciso ligar para um canal da televisão espanhola para ouvirmos alguém elogiar, com toda a justiça,diga-se, o FCPorto e o seu Presidente.

Por cá,em Lisboa mais concretamente, continua a respirar-se a inveja e a falta de carácter. Definitavemte, não me revejo nesta cloaca de país, e neste tipo de gente.

23 agosto, 2011

Um Porto Canal, à FCPorto, é tudo o que queremos


Um tanto farto de lamuriar, em vão, o estado deste pedaço de terra baldia a que alguns "neo-colonialistas" eufemisticamente chamam país - apesar de continuarem a confiná-lo geograficamente à zona da grande Lisboa -, hoje, decidi falar sobre coisas práticas que podem, se assim os respectivos responsáveis o quiserem, mudar radicalmente o rumo da comunicação social.  Trata-se do Porto Canal.

Aqueles que acompanham o Renovar o Porto há mais tempo, sabem que o tema da comunicação social é talvez aquele a que tenho dedicado mais atenção, considerando o peso e a capacidade de influência que continua a ter na sociedade [apesar da relevância das redes sociais].

Não faço ideia se o FCPorto, actual proprietário do canal da Senhora da Hora, terá já gizada uma estratégia, de modo a diferenciar-se da política programática seguidista dos canais centralistas, mas é importante que o faça, sem demoras. 

A tacanhez do espírito centralista patente nas televisões lisboetas, abre um precioso "nicho" de oportunidade para o negócio televisão que não pode [nem deve] ser desperdiçado pelo Porto Canal. Urge aproveitar tudo o que tem sido desaproveitado, em termos de cobertura regional, pelos canais tradicionais que só começarão verdadeiramente a perceber o erro que cometeram por terem desprezado o Norte, quando toda a sua população se sentir bem representada pelo Porto Canal. Começam,aliás, já a notar-se alguns indícios de manifesta satisfação nas populações nortenhas pela presença desta estação que, reconheça-se, tem vindo a fazer um trabalho ainda incipiente, mas notável, tanto a nível da etnologia, como da cultura e da lavoura.

Muito mais e melhor, haverá para fazer, mas nunca como agora foi possível ouvir a voz dos durienses, dos minhotos e dos transmontanos. Mas, cuidado. Apesar dos centralistas pautarem a sua conduta pela fossilidade e pela discriminação, não desprezam o dinheiro, e por dinheiro estarão disponíveis para se converterem ao "regionalismo" se tiverem tempo e oportunidade para tal. Aliás, se estivermos atentos, verificaremos que tanto a RTP, a SIC como a TVI, andam, inusitadamente, há uns meses a esta parte a cirandar por terras do Norte, a descobrir os seus encantos. Não será por acaso...

Cabe pois, ao FCPorto, e sobretudo à Direcção de Programas do Porto Canal, "barrar-lhes" o caminho no sentido de aproveitar o que de bom já foi feito em termos de descentralização, e não permitir, através de um apoio empenhado [e sempre inovador], às regiões, que o seu mercado possa ser ocupado por quem nunca delas quis verdadeiramente saber e, pelo contrário, por quem politicamente a elas se opôs.

No entanto, todo esse esforço será inútil e dispendioso se a Direcção  do Porto Canal cair no disparate muito portuga de copiar o lixo que já se faz e supostamente vende. Criar aquele tipo de programação básica, os reality-Shows que ficcionam e pervertem a realidade em vez de a retratar e instruir, será um déjà vu requentado sem qualquer futuro.

A propósito, aproveito para dizer que considero dispensáveis programas como o "À conversa com Ricardo" [creio chamar-se assim], onde o moderador Ricardo Couto, que estabelece conversa com figuras públicas da esfera artística e desportiva, em pouco tempo esgotou o portefólio regional, e logo elegeu quase em regime de exclusividade, gente de Lisboa para convidar para o programa. Estes resquícios centralistas não devem ter lugar no futuro Porto Canal, nem muito menos perturbar a sua linha programática. Foi por cedências pseudo-cosmopolitas como estas que abortaram a NTV e que o Norte perdeu alguma da sua identidade. Isto, é tudo aquilo que não se deve fazer num canal regional. Pelo menos, até que nos provem não existirem no Norte litoral e profundo [que é grande e populoso], pessoas suficientemente interessantes e ainda mal conhecidas para entrevistar. Chamar de Lisboa, pessoas que já toda a gente conhece, quando há tanta gente ilustre e bizarra por cá, mais do que um manifesto sinal de inferioridade, é uma inutilidade, um atestado de carência criativa.

Há que perceber uma coisa, de uma vez por todas: os nortenhos não passarão a ser mais "civilizados" por afagarem o ego aos lisboetas, nem deixarão de o ser por darem preferência aos da região. Afinal de contas, reside na indiferença dos lisboetas [e não me venham com o fado do costume, que os lisboetas não têm culpa nenhuma, porque são os cidadãos que fazem as cidades], a importância de uma estação de âmbito regional.  Só falámos hoje na Regionalização porque o país, ao contrário das promessas de sucessivos governos com veia para a vigarice, foi sendo cada vez mais centralizado na capital, com toda a carga de facciosismo e injustiça que isso comporta, inclusivé no seio da própria comunicação social.

Portanto, já chega de politicamente correcto, é tempo de atalhar caminho e tentar recuperar aquele que nos foi roubado. Lisboa pode esperar.

22 agosto, 2011

Je t'aime, moi non plus...


Merkel & Sarkozy, ou os rostos da decadencia da UE?
                           

E assim vai Portugal

De regresso ao mundo real, aqui me têm de novo.

Não fora a Academic Rankin of Word Universities [ARWU], da Universidade de Jiaotong, em Xangai, ou a Times Higher Education World Universitiy Ranking [THEWUR], do Reino Unido, e a Universidade do Porto dificilmente veria reconhecido pelos meios de comunicação centralistas, o prestígio de estar entre as 400 melhores universidades do Mundo. Já o ano passado, a Universidade do Porto foi considerada pela THEWUR, como a 106ª melhor Universidade da Europa, e das 250ª melhores universidades do Mundo. 

Por mais que custe admití-lo, o excesso de centralismo praticado pelos governos dos últimos 30 anos, tornaram a cidade de Lisboa no símbolo do centralismo, e os lisboetas [pelo menos a sua grande maioria], nos seus mais ferozes simpatizantes. Nem sequer seriam necessárias grandes investigações para o provar, é suficiente ligar a rádio, ou a televisão, ou ler o grosso da imprensa [que está praticamente toda lá sediada], e as dúvidas dissipam-se. Na profusão de debates políticos, realizados ao longo destes anos, não há um só digno desse nome, sobre o tema da Regionalização, para servir de amostra. Para os media centralistas, este tema, é inconfessadamente tabu, e quando parece que vão finalmente abordá-lo, é sem a  seriedade devida, e apenas para o diabolizar.

Os governos, alternam-se, sem alternar as más práticas políticas, preferindo  imitarem-se na incompetência e  [o que é para nós mais dramático], até competir por ela. É quase surrealista! No espaço de poucos dias, sem honra nem pudor, os partidos renunciam completamente ao cumprimento das promessas que os guindaram ao poder. Passos Coelho, em pouco tempo de Governo, não foi capaz de deixar uma imagem de marca muito diferente de Sócrates. O desrespeito pelos eleitores é total. Tornou-se moda! Em particular, com os eleitores do Norte do país. Temerosos e falsos, sentindo a consciência residual que ainda conseguiram reservar, a começar a pesar-lhes, suplicam ao povo para não seguir os exemplos da Grécia e de Inglaterra, e recursar a via da violência. Ensaiam sobre a população a violência social, económica e financeira, e a seguir pedem-lhe cândidamente para não ripostar. Singular estratégia... O povo amansado "governa-se" melhor, claro.

Como terá sido educada esta gente e dentro de que princípios? Que valores lhe terão incutido os pais, para não esboçarem qualquer ideia de seriedade e a mais ínfima noção do que é o progresso, a justiça, ou a estabilidade social?

Num Norte órfão de lideres, ouvem-se algumas vozes de inconformismo, frágeis e dispersas, mas sem qualquer efeito prático. É o TGV,  são as SCUTS,  os desvios sucessivos dos fundos europeus para a capital, a gestão centralista da ANA do Aeroporto Sá Carneiro, a indiferença pelo bem gerido porto de Leixões, a inveja paranóica pela ascensão desportiva e financeira do FCPorto, a obsessão persecutória a Pinto da Costa, o proteccionismo/publicidade  dos media ao Benfica... Tudo isto, é o centralismo, no seu pior. Nem Salazar, esse ditador tão censurado por comunistas, socialistas, e sociais democratas, foi capaz de o elevar a padrões tão extremos. O que serão então eles, estes políticos do pós 25 de Abril?  

E contudo, parece que "temos" um Chefe de Estado. Teremos? Para que servirá?

07 agosto, 2011

INTERVALO

Renovar o Porto irá interromper a sua actividade por uns dias, mas promete o regresso para breve.

Um abraço a todos.

Rui Valente

O lento despertar de Rui Rio... Por quê, só agora?

RIO QUEIXA-SE DE LISBOA A BRUXELAS

Fundos para o Norte, Centro e Alentejo gastos em Lisboa [JN]
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Europa está a apreciar protesto do Porto, mas decisão pode vir depois de aplicado o dinheiro
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Ler mais, aqui.

Fundos europeus desviados para Lisboa centralista

INVESTIGAÇÃO

Dezembro 2010.....................12, 339 Milhões de euros
Março 2011 ......................... 12,306      "        "     "
Junho 2011 .......................... 13,097      "        "      "
Aumento Dez/Junho: 0,758

MODERNIZAÇÃO DO ESTADO

Dezembro 2010 ..................  153,343 Milhões de euros
Março 2011 ........................ 159,995     "         "     "
Junho 2011 .........................  166,367    "         "     "
Aumento Dez/Junho: 13,024

FORMAÇÃO DO ESTADO
Dezembro 2010 .....................  7, 458 Milhões de euros
Março 2011 ........................... 8, 677     "         "     "
Junho 2011 ............................  7,872     "         "     "

TOTAL:  541,454 Milhões de euros

MODERNIZAÇÃO DO ESTADO em Junho de 2011

Só em Lisboa:           
Projectos.....................................................................12,339 Milhões de euros
Fundos do FEDER...................................................   12,306      "        "      "
Total ...........................................................................24,645     "        "       "

Lisboa e outras Regiões:
Projectos.............................................................................. 27      Mil euros
Fundos FEDER ....................................................................31,47 Mil euros

Só outras Regiões:
Projectos.....................................................................................................23      Mil euros
Fundos FEDER ..........................................................................................22,31  Mil euros

Lisboa ficou com 135 milhões de euros que deviam ser investidos no Norte, Centro e Alentejo; e ainda recebeu parte de mais 31 milhões. Até Junho, 22 Milhões foram aplicados apenas nas 3 regiões.

Nota do RoP.
Um Estado que assim procede, é um Estado gatuno e terrorista. Tenho dito.