19 dezembro, 2011

Informação à DECO sobre o Totoloto

 
 
Este e-mail é uma cópia da mensagem enviada a 12/18/2011 para os nossos serviços, com o seguinte conteúdo:
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Sou administrador do Blogue Renovar o Porto, no qual tenho vindo a manifestar suspeitas sobre a acumulação excessiva de sorteios do Totoloto com Jackpots para o 1º. prémio [26 seguidos], e alguns [12] até para o 2º. Suponho que a questão da casulidade/sorte/azar foi ultrapassada pelos próprios acontecimentos. O que está agora aqui em causa é a seriedade dos processos. Deixo este assunto à vossa consideração. Podem consultar o blogue em: http://renovaroporto.blogspot.com/ Com os melhores cumprimentos

Informações do cliente
Data e hora: 18-12-2011 14:34:10
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Nota de RoP:
Depois de ter dado conhecimento ao Jornal de Notícias [sem gerar reacção] do que está acontecer com os Jackpots do Totoloto, enviei também para a DECO informação idêntica. O JN parece não se incomodar com o que se está a passar ...

Palhaçada

No artigo abaixo publicado, Manuel António Pina relativizou, com alguma razão, a polémica gerada à volta das declarações do deputado do Partido Socialista, Pedro Nuno Santos, por ter dito recentemente que "se estava a marimbar para o pagamento da dívida". E fez bem. Os fundamentos, estão suficientemente plasmados no próprio artigo de M.A.Pina, e oportunamente corroborados também nesta crónica, pelo bastonário Marinho e Pinto [a propósito: ainda não enxerguei por que andam eles "picados"].

Mesmo assim, há coisas que um político categorizado nunca deve fazer, que é falar sem ponderar devidamente as palavras, sobretudo quando se trata de declarações públicas. Ora, não sei se por mau contágio, ou falta de sensatez generalizada [estes políticos parecem crianças influenciáveis], o que menos tem faltado ultimamente, são afirmações estúpidas e imprudentes. Mas também já não se justifica grande surpresa com a proliferação de tiros nos pés, porque ainda nos devemos lembrar das palavras dirigidas a uma comunidade de emigrantes portugueses pelo actual Presidente da República que dizia "sentir por eles um grande orgulho"... Mesmo que a ideia fosse dar-lhes outro significado, um Presidente da República nunca devia orgulhar-se de ocorrências que, em síntese, estão na génese da má governação e da incompetência de políticos que, como ele, desde de Abril de 1974, não tiveram arte nem engenho de acabar, ou pelo menos de atenuar, como foi a emigração...

Pedro Passos Coelho, uma criança na política, não fez mais do que imitar o seu mestre Cavaco, e vai daí, toca a soltar nova atoarda, e na falta de melhor, resolveu, também ele, fazer figura de parvo, sugerindo aos portugueses "qualificados" a emigração, que é um modo "simpático" de lhes dizer que com ele, Governo, não podem contar. Agora, imagine-se o que estará reservado* aos portugueses "(des) qualificados"...  Fantásticas e animadoras palavras, sem dúvida... 

Sejamos realistas. Actualmente, é este o nível de qualificação pessoal e intelectual dos nossos políticos, e enquanto aquilo a que só eles chamam Democracia não mudar, enquanto não permitir aos eleitores banir em tempo útil estas nulidades, a Democracia vai continuar a ser, o que sempre foi em Portugal: uma palhaçada. Pior, em muitos aspectos, do que a própria ditadura.

* Vejamos se descubro: talvez uns assaltozinhos a multibancos, ou a supermercados, não? Deduzo portanto, que  a criminalidade irá descer. Desculpem-me, mas só estou a tentar seguir a lógica deste Governo.

Finalmente alguém sensato

                    [Extraído do JN]

O que disse o vice-presidente da bancada do PS e tanta celeuma levantou é o óbvio: um Governo que se preocupasse exclusivamente com os interesses dos portugueses e não fosse um mero núncio local dos interesses dos "mercados" deveria ter como absoluta prioridade a renegociação da dívida.

É hoje claro para quem observa, sem palas ideológicas, a situação portuguesa que nunca conseguiremos pagar a dívida nas condições usurárias que nos foram impostas, as quais, gerando recessão e bloqueando o crescimento da economia, constituem o principal obstáculo a esse pagamento, forçando sempre a novas e sucessivas "ajudas", numa espiral de endividamento cujos resultados estão à vista na Grécia.

Assim, a reestruturação da dívida será, mais tarde ou mais cedo, uma inevitabilidade. Aos credores interessa que seja o mais tarde possível, quando o país estiver já completamente exaurido e sem património que vender ao desbarato. Nessa altura, tudo o que puderem ainda sacar será bem vindo. Aos portugueses interessa que seja já, enquanto ainda dispomos de uns restos de soberania.

A desassombrada afirmação de Pedro Nuno Santos, de que devemos "marimbar-nos para os credores" e usar todas as armas para obter condições que nos permitam pagar o que devemos e sobreviver como país independente, seria o desiderato patriótico de qualquer Governo que não agisse apenas como submissa correia de transmissão dos interesses da Sra. Merkel.

18 dezembro, 2011

E o jackpot do Totoloto dura, dura, dura...

Novo concurso, novo jackpot! E novo 2º. prémio... sem prémio. Não será mais rentável e seguro para os apostadores deixarem de jogar no Totoloto? Já vai no 27º. concurso sem direito a [ 1º.] prémio?!

Totoloto

Sorteio: 091/2011 - Sábado Data do sorteio: 17/12/2011
Chave: 8 11 37 43 48 + 10 Ordem Saída: 43 37 11 48 8 + 10

Prémio Acertos Número de vencedores Valor (Previsão)

1.º Prémio 5 Números + Nº da Sorte 0 (1)

2.º Prémio 5 Números 0 (2)

3.º Prémio 4 Números 122 ...........................................€ 708,60

4.º Prémio 3 Números 7.015 ........................................€ 6,84

5.º Prémio 2 Números 122.241 ....................................€ 2,35

Nota de RoP:
se juntarmos ao acima exposto, o valor irrisório dos 3ºs, 4ºs. e 5ºs. prémios, o caso ganha contornos escandalosos. Hoje mesmo enviei uma mensagem para o site da DECO a denunciar esta situação.


Nº da Sorte Nº da Sorte 138.031 Reembolso do valor da aposta de Totoloto

Estatísticas

Nº de Bilhetes/Matrizes 705.015

Nº de Apostas 2.156.122

Receita ilíquida apostas € 1.940.509,80

Montante para prémios € 960.552,35

(1) Previsão 1º Prémio c / Jackpot € 10.000.000,00



16 dezembro, 2011

John Denver

E o jackpot continua...

Nos tempos que correm parece-me demasiado ingénuo [e perigoso], confiarmos  no estatuto de pessoas e instituições. As razões, todos as conhecemos. Figuras e organismos públicos da mais alta relevância, envolvidas em negócios obscuros de corrupção, são quase o pão nosso de cada dia. Como tal, temos razões acrescidas para exigirmos absoluta transparência, para o modo como são controlados os jogos sociais, como é o Totoloto.

Como tive oportunidade de vos informar em post recente, foram realizados 25 sorteios consecutivos sem aparecer um único totalista com o 1º. prémio, 11 dos quais, inclusivé, sem contemplar 2ºs prémios.

O sorteio da última quarta-feira acumulou novo Jackpot, subindo para 26*o número de sorteios sem totalistas. Será isto normal? Valerá mesmo a pena apostar com tamanhas limitações? Nem o Euromilhões acumula tantos Jackpots seguidos, apesar de jogado por muita mais gente [em 9 países da Europa] e do grau de dificuldade  ser consideravelmente maior  [é preciso "adivinhar" um total de 7 números (5 + 2 estrelas)].

Desculpem-me voltar a este tema, mas uma vez que a comunicação-social parece andar muito distraída com isto [já alertei o JN 3 vezes!], não me importo nada de ser eu a prestar este serviço público [e não precisam de me agradecer :-)].

*Estes 26 sorteios sem totalistas correspondem rigorosamente a um período de 3 mêses de sorteios bi-semanais [de 14/09/2011 a 14/12/2011].

Obs.- A recorrência destes factos parece-me justificar um acompanhamento mais cuidado da parte dos apostadores, porque, o mínimo que se pode concluir, é não valer a pena apostar no Totoloto, dada a estranhíssima raridade dos prémios. Pela minha parte, vou continuar a seguir este quase caso-de-polícia que, a avaliar pelas reacções, ainda não está a levantar qualquer inquietação, ou suspeita...  

Eis a chave do concurso de 4ª. feira última:




 Totoloto

Sorteio: 090/2011 - Quarta-Feira  Data do sorteio: 14/12/2011
Chave:1323374042+9
Ordem Saída:4213374023+9
PrémioAcertosNúmero de vencedoresValor
1.º Prémio5 Números + Nº da Sorte0(1)
2.º Prémio5 Números1€ 29.181,42 
3.º Prémio4 Números279€ 130,74 
4.º Prémio3 Números9.154€ 3,98 
5.º Prémio2 Números119.633€ 1,82 
Nº da SorteNº da Sorte140.155Reembolso do valor da aposta de Totoloto

Estatísticas
Nº de Bilhetes/Matrizes 570.275
Nº de Apostas 1.637.566
Receita ilíquida apostas € 1.473.809,40
Montante para prémios € 729.535,65
(1) Previsão 1º Prémio c / Jackpot € 9.600.000,00

15 dezembro, 2011

BARRAGEM? NO PASARÁ!

1 – A UNESCO no seu relatório ( citado pelo jornal "Público" ). "A barragem de Foz Tua tem um impacto irreversível e ameaça os valores que estão na base da classificação do Alto Douro Vinhateiro como património mundial". Fim de citação.Este relatório resultou de uma visita da UNESCO em Abril. Foi concluido no fim de junho e remetido ao comité ICOMOS que acompanha a UNESCO nesta questão em Portugal, que o remeteu para o as autoridades portuguesas em Agosto, neste governo não-Sócrates...passa Agosto, passa Setembro – o governo entretido a cortar direitos sociais – passa Outubro – o governo entretido a cortar direitos sociais – passa Novembro e entra Dezembro e finalmente este relatório é tornado público...( O governo estaria á espera que passasse despercebida esta bomba nuclear? )

2 – Para facilitar o trabalho ao governo ( mais entretido em cortar direitos sociais que em governar o território ), aqui vai o que é preciso fazer, facilito o trabalho deste atarefado governo:

O mais fácil:

a) Agora é preciso parar as obras da barragem.

( Segundo Joanaz de Mello - grupo ambientalista GEOTA - a concessão da barragem custou 50 milhões de Euros. )

b) Depois é preciso indemnizar as empresas em causa, EDP e MotaEngil

( Segundo Joanaz de Mello, há-de ser cerca de 60 milhões de Euros em indemnizações ás empresas. )

Este ambientalista defende que os custos futuros da barragem a pagar pelos Portugueses na factura da electricidade seriam de cerca de 2 biliões de euros. Ou seja, a longo prazo estamos a poupar 1.940 milhões de euros ( 2 biliões de euros menos os 60 milhões de Euros em indemnizações ).

c) Limpar toda a obra já começada. Remover todos os corpos estranhos entretanto construidos no território.

O mais difícil:

d) Conceber um plano nacional de poupança energética que substitua a energia que se iria gastar e produzir com esta barragem, mudendo assim o paradigma "produzir para consumir" para o paradigma "pensar primeiro para poupar depois".

e) Com as forças publicas e privadas da região do Douro elaborar um Plano Económico.

f) Com a C.P. Elaborar um plano para a reabilitação da Linha do Tua.

g) Concertar com a UNESCO, a "inclusão" no plano Económico, o plano para a Linha do Tua, os planos públicos e privados para o Turismo do Douro e do Tua, as entidades ligadas ao Vinho do Porto, ao turismo, o Museu da Régua, etc...De modo a que uns justifiquem os outros, e se apoiem mutuamente numa planificação económica, cultural, ambiental e "logística" ( transportes) que faça sentido : Tua / Douro /Ferrovia / vinho do Porto / turismo

"Ser realista e Exigir o mpossível":

h) O "impossível" (nada é impossível) é enfrentar os lobbies, claro: Falemos da privatização da EDP em curso, então. Esta barragem e todas as barragens do Plano nacional de barragens "valorizam" a EDP, acrescentando margem de lucro futuro aos abutres - perdão, aos investidores - que se seguirão!! Sem a barragem do Tua no pacote a vender a Alemães, Chineses ou Franceses, a privatização vai sair a um preço mais barato. Pior para todos nós... tanto melhor para o vale do Tua que já existe há milhares de anos e se ri de coisas efémeras que as suas escarpas não são obrigadas a compreender... Coragem, portanto, governo.

Para indemnizar a EDP e a Mota Engil não é preciso coragem. É fácil, é o costume.Estamos habituados.

A barragem já não é um problema do malvado Sócrates, é antes um problema do bondoso Passos Coelho...Continuarão a assobiar para o lado, fingindo não haver problema algum? Barragem ou património!

A UNESCO foi claríssima....

( Parece-me que já oiço alguns Autarcas da região, com a grande visão que os tem caracterizado a dizer "Oh, mais valeu mesmo a pena a classificação? O que ganhámos nós com a classificação até agora?

...A classificação não resolveu todos os nossos problemas ! Somos uns meros caciques e irresponsáveis"

i) Se o governo fechar os olhos á polémica, o Douro é desclassificado. Se o Douro fôr desclassificado vai haver revolta, dor e ranger de dentes. Haverá muito menos turistas ( muitos conhecem e vêm porque a zona é classificada, é um chamariz típico do turismo internacional). Com menos turistas há muito menos economia numa economia já em declínio – não esquecer a situação dramática do corte do benefício aos vitivinicultores que está a estrangular os pequenos produtores ( para gaudio de quem defende a lei da selva do Liberalismo no Douro)...Assunção Cristas, Álvaro e José Viegas: Vocês ponham-se a pau com a questão da barragem do Tua: É uma bomba que vos explodirá nas mãos se o Douro fôr desclassificado. É um dossier que é transversal, é simultãneamente "Transportes", "Economia", "Turismo", "Energia" e tudo junto ao mesmo tempo.

i) Que parte da frase "Ou a barragem ou a classificação" é que a EDP não percebeu? A EDP não percebeu definitivamente a frase, pois, logo de seguida disfarça com "areia para os olhos", chamando um Arquitecto – Souto de Moura ao caso – para embelezar a barragem, fazendo crer que com isso está a dar um passo para cumprir os requesitos da UNESCO...Sem comentários. Somos um bocado burros, sim, mas não tão burros como a EDP nos pinta...

j) Exigir Democracia e responsabilidade aos representantes locais é outra causa dentro da causa:  Como explicar os resultados no Douro de quem luta pelos interesses dos Durienses? Um mistério. Bloco de Esquerda e PCP - PEV têm lutado incansávelmente pelos interesses do Douro em multiplos foruns e os seus resultados eleitorais são fracos.E o que fez o deputado por Bragança (PS) Mota Andrade? Nada pela região. Tudo pelos lobbies. Votou sempre pelo Plano nacional de barragens contra os interesses da região.

E o que fará pelo Douro o deputado da nação Pedro Passos Coelho (PSD) eleito por Vila Real?
 
Pedro Figueiredo]

Políticos vira-casacas


Passei os últimos quatro anos com o peso da morte do rio Sabor na parte subterrânea do meu cérebro. De vez em quando, subitamente, lembrava-me de um rio pequeno que parecia chorar e rir, rebelde e limpo, de que quase ninguém queria saber à excepção de uns sonhadores unidos na Plataforma Sabor Livre.

Perante a ameaça de uma gigantesca barragem, eles falavam de um rio ainda com peixes, águias, lobos, vegetação milenar, muito inóspito, livre da nascente à foz, que viam morrer às mãos da ganância energética da EDP. E claro, com a bênção do anterior Governo - eram necessários muitos milhões para abater ao défice, a EDP pagava-os, foi sem espinhas.

Assim se vendeu a preço de saldo um extraordinário pedaço selvagem do território português, verdadeiramente único para quem tivesse olhos de ver - e muitos seriam os que, cada vez mais, acorreriam para sentir o que era a natureza em estado puro como quase já não há no mundo ocidental. Ou acham que os turistas viajam para visitar barragens e "centros de interpretação ambiental" que ficcionam o que existia antes destes holocaustos hídricos? Ou que alguém vem para Portugal para tomar banho em águas sujas e perigosas como são as de muitas barragens?

Sempre pensei que a esperança de salvar o outro rio também condenado, o Tua, não surgiria de um súbito alarme em defesa da natureza nem do reconhecimento do absurdo que é construir novas barragens (quando bastaria aumentar a potência das que já existem). A salvação do rio Tua seria... o comboio, essa obra humana que, apesar de tudo, não se compara com a "Mão de Deus" que esculpiu o vale do Sabor.

É o comboio que salva o Tua? Que seja. Uma obra extraordinária pela mão de uma geração visionária que rachou pedra e abriu túneis, fazendo uma engenharia notável para a época. Uma aventura que custou vidas e muito dinheiro - estávamos no século XIX, foi como se tivessem construído o TGV... Hoje percebemos que a linha do Douro e do Tua são a nossa "Suíça ferroviária". Só a poderemos aproveitar se não a destruirmos.

Além disso, os chineses ou os alemães que vão mandar na EDP não ficam mais ricos ou mais pobres se não construírem uma barragem no Tua. Mas nós perdemos muito sem o "Douro Património Mundial". Infelizmente, obediente a todos os poderes de circunstância, a CCDR-N continuou ontem o seu lamentável papel de cicerone da perda dos valores naturais do Douro sublinhando em comunicado que a barragem do Tua se situa em 99,9% fora do "Douro Património Mundial"...

É desta tragédia que vos falo: da tragédia da distância, quando as decisões dos gabinetes é meramente jurídica, técnica, quantas vezes absolutamente estúpida por ver as coisas por parcelas e não no seu conjunto. Como é o caso: então o comboio do Tua e a profunda afectação da paisagem está fora do tecnicamente designado "Douro Património Mundial"? Ah, bom, estamos mais descansados...

A EDP entretanto, que manda, paga e não dorme, o que fez? Contratou Souto Moura (do Porto, claro) para que o inquestionável "Pritzker" torne inquestionável a 'obra de arte' que vai ser a barragem. Um caso mundial. Será uma barragem forrada a granito? Dito de outra forma: não há, num homem como Souto Moura, um breve sobressalto antes de emprestar a sua mão a esse embuste que é pintar de "verde arquitectónico" a destruição irreversível de uma parte essencial do Douro natural e humano?

E Francisco José Viegas? Um homem nascido no Douro profundo - no Pocinho. Estou convencido que se dependesse dele isto parava. Mas a política é assim: instalem homens livres e inteligentes em gabinetes de Lisboa e Porto, submetam-nos aos lobbies ou à pressão dos partidos, e as suas decisões passam a ser a negação do que foi toda a sua vida. E mesmo que o secretário de Estado da Cultura comece por dizer no Parlamento que "a única coisa que o Governo não admite é perder a classificação de Património Mundial", tem depois de fazer números de circo e sugerir que se pintem barragens para as integrar melhor na paisagem. Ó Francisco, e se fizéssemos uma arrojadíssima jarra Phillipe Stark com as cinzas do original dos Lusíadas? Não era uma grande ideia?

[Fonte: JN]

Nota de RoP:

Por mais que custe reconhecê-lo, mesmo em Liberdade, a força das palavras ainda está longe  de poder travar as irresponsabilidades políticas. Como Daniel Deusdado escreve, é recorrente vermos pessoas que eram muito críticas antes de sentirem o inebriante perfume do poder, e renderem-se a ele, sem resistência, assim que lá chegam.

Creio não haver melhor momento para testar o carácter dos Homens, do que quando passam da política partidária para a governativa.  A porcaria, é sempre porcaria. Como não dar razão aos populares que, revoltados, ontem brindaram o 1º Ministro com mimos de "ladrão e mentiroso"? Raios os partam!



14 dezembro, 2011

Ao cuidado dos apostadores do Totoloto

Como há sempre quem queira dar-se ares de professor, começo por informar os leitores do seguinte: jogar, não é garantia de riqueza para ninguém, nem tão pouco modo vida em que se possa confiar. Dito isto, importa recordar que os concursos de apostas mútuas, como o Totoloto [e outros] são uma actividade legal, coberta pelo Estado, cuja exploração e organização está concessionada, exclusivamente, à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Outro "detalhe" a fixar, é este: é com o dinheiro de quem aposta, que a Santa Casa angaria fundos para suporte de diversas iniciativas de carácter social e de beneficiência.

Agora, passemos à questão principal. Trata-se de dúvidas antigas que, aliás, já tive ensejo de expor aqui e aqui, sobre a bondade da informação [não] disponível para os apostadores, quanto ao valor dos prémios e principalmente, do sistema de controle dos sorteios e registos do Totoloto. Recordo que, anteriormente, a televisão transmitia directamente [como agora no Euromilhões] os sorteios do Totoloto, com a presença dos júris, mas agora, ou andarei muito distraído, ou isso já não é feito.

Pelo que apurei [não é propriamente uma novidade], numa breve pesquisa na Internet, actualmente, o registo e validação das apostas é feito informaticamente, através dos terminais de jogo instalados nos mediadores [locais de registo]. Para quem não saiba, o processo de registo, anteriormente, era mecânico.

Considerando a pertinência do caso, enviei ao JN* um e-mail com o 2º.post acima linkado, o qual, estranhamente, não mereceu sequer uma resposta.  Curiosamente, uma semana depois terminavam os Jackpots, e o longo ciclo de sorteios sem chave premiada...

Quero admitir que tenha sido uma simples coincidência, mas o certo é que os sorteios sem prémio continuam a suceder-se a um ritmo que justifica a nossa atenção [pelo menos, a minha]. Antes de apresentar dados, insisto em dizer que há uns anos atrás, apesar de não existir a concorrência do Euromilhões, era frequente haver mais do que um apostar contemplados com o 1º prémio, facto que tornava o Jackpot bem mais raro, e por isso também mais apetecível. Nessa altura, para se ter direito ao 1º. prémio bastava acertar em seis números, e para aceder ao 2º. prémio, tinha de se acertar em 5 números + 1 [suplementar]. Presentemente, o grau de dificuldade explica-se, em parte, porque foram acrescidos 4 números [eram 45, e passaram a ser 49]. De resto, é praticamente igual, ou seja, agora, para ter direito ao 1º. prémio, é necessário acertar em 5 + 1 [o nº. da sorte]. Antigamente eram 6 números simples, o que vai dar ao mesmo. Se formos ver, hoje o 5 + 1 corresponde ao antigo 2º. prémio, o que equilibra teoricamente o grau de dificuldade.

Mas, o enigma não se fica por aqui. É que, actualmente, até para acertar no 2º. prémio é mais difícil que antes, quando o sistema era mecânico. Além de o valor ser muito baixo, e se falarmos então do 3º. prémio, é irrisório...

A conclusão que daqui se pode retirar, sem corrermos o risco de especular, é que a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa não terá muitas razões para se queixar da crise, ou para se assustar com a Troika. Nós, os apostadores, é que temos o direito de saber o que se está a passar, porque é do nosso dinheiro que os jogos vivem. E se há jogo, tem de haver prémios. A menos que o Estado, ou/e, a Santa Casa da Misericórdia estejam a fazer batota...

Deixo à apreciação dos leitores a lista de prémios das últimos 25 sorteios sucessivos do Totoloto [excluindo o de esta noite], com Jackpot [sem 1º.s  prémios], dos quais 11 com Jackpots em 2ºs. prémios:
  •   Sorteio Nº. 89/2011 =  Sem 1º. prémio,  e com 1 chave premiada no 2º.
  •        "        "   88/2011 =    "     "       "         e sem 2º. prémio atribuído
  •        "        "   87/2011 =    "     "       "         "     "    "        "         "
  •        "        "   86/2011 =    "     "       "         " com 1 chave premiada no 2º.
  •        "        "   85/2011 =    "     "       "         e sem 2º. prémio atribuído
  •        "        "   84/2011 =    "     "       "         " com 1 chave premiada no 2º.
  •        "        "   83/2011 =    "     "       "         e sem 2º. prémio atribuído
  •        "        "   82/2011 =    "     "       "         "    "   "        "          "
  •        "        "   81/2011 =    "     "       "         e com 3 chaves premiadas no 2º.  
  •        "        "   80/2011 =    "     "       "         "     "   2     "            "          "   "
  •        "        "   79/2011 =    "     "       "         " sem 2º prémio atribuído
  •        "        "   78/2011 =    "     "       "         "   "    "        "           "
  •        "        "   77/2011 =    "     "       "         " com 1 chave premiada no 2º.
  •        "        "   76/2011 =    "     "       "         " sem 2º. prémio atribuído 
  •        "        "   75/2011 =    "     "       "         " com 1 chave premiada no 2º.
  •        "        "   74/2011 =    "     "       "         " sem 2º. prémio atribuído
  •        "        "   73/2011 =    "     "       "         " com 1 chave premiada no 2º.
  •        "        "   72/2011 =    "     "       "         "     "   3 chaves     "        "   2º.
  •        "        "   71/2011 =    "     "       "         "     "   2      "         "        "   2º.  
  •        "        "   70/2011 =    "     "       "         "     "   1      "         "        "   2º.
  •        "        "   69/2011 =    "     "       "         "     "   1      "         "        "   2º.
  •        "        "   68/2011 =    "     "       "         "     "   2      "         "        "   2º.
  •        "        "   67/2011 =    "     "       "         "  sem 2º. prémio atribuído 
  •        "        "   66/2011 =    "     "       "         "       "     "         "           "
  •        "        "   65/2011 =    "     "       "         "  com 1 chave premiada no 2º.
* Este post será igualmente remetido para conhecimento, ao Jornal de Notícias 

13 dezembro, 2011

Ainda a barragem do Tua!

A meter água


O turismo, que devia ser uma das apostas estratégicas do País, é ignorado por causa de uma barragem

Há coisas que nunca mudam. O apego dos Governos às Parcerias Público-Privadas seria enternecedor se não fosse uma das grandes causas da ruína do País. A ligação quase umbilical entre o Estado, empreiteiros, bancos, concessionários e seus advogados pode explicar que ao fim de meio ano de Passos Coelho as PPP continuem a ser negócios ricos e florescentes para os privados e uma desgraça para o Estado. Está tudo na mesma, para pior.

Agora, há o risco de a Unesco retirar a classificação de Património Mundial ao Douro Vinhateiro, se a Barragem do Tua for construída. Podia não ter importância, só baixava um pouco mais o ânimo dos nativos, mas não. O que a Unesco disse, em 2001, é que há uma região tão bonita e fantástica em Portugal que tem de ser usufruída pelo Mundo inteiro. E isso atrai turismo, como tem atraído cada vez mais.

Mas subir o Douro de barco e andar na centenária e única Linha do Tua, submersa com a barragem, deixará de ser possível. O turismo, que devia ser uma das apostas estratégicas do País, é ignorado por causa de uma barragem que vai dar apenas 0,67 por cento a mais de energia e que, de custo inicial, é de 300 milhões (num total de 16 mil milhões pagos pelos contribuintes), fora as derrapagens e a mão de Souto Moura para “melhorar” o paredão de mais de 100 metros de altura.

Foi este paredão “imenso” que a ministra do Ambiente disse ao Parlamento já estar construído, para justificar a barragem. Mas não está. Confessou depois ao CM que o secretário de Estado Daniel Campelo a informou mal.

Mas, ficou tudo na mesma, pior. Mais de mil sobreiros já foram abatidos dos mais de cinco mil autorizados pela ministra e o argumento mudou. Agora, há um contrato para respeitar que, por acaso, tem sido seguido pela antiga firma de advogados da ministra e uma indemnização de cerca de 100 milhões no caso de quebra de contrato.

Então, retire-se o necessário dos 2500 milhões do CIEG (os custos políticos que se pagam com a factura da luz) e use-se como indemnização e isto sem invocar o interesse nacional que serve para alterar tudo o que é contrato laboral! Em vez das barragens, aposta-se na eficiência energética nos edifícios e nos transportes e a ministra do Ambiente, em vez de parecer… é!
 
[Fonte: CM, Autora: Manuela Mora Guedes]

Violência na Bélgica. Qual o espanto?



Ataque com granadas e armas de fogo na Bélgica

Pelo menos duas pessoas morreram e várias ficaram feridas, esta terça-feira, no centro de Liége, na Bélgica, na sequência de um ataque com granadas e armas de fogo, executado por vários indivíduos. Polícia fechou centro da cidade. Embaixada diz que não há portugueses entre as vítimas.
Pelo menos dois mortos em ataque com granadas e armas de fogo na Bélgica
Vista geral das operações de socorro junto do Palácio da Justiça



Os disparos e o lançamento de artefactos explosivos ocorreram em Saint-Lambert, no centro da cidade belga de Liége, onde se situa o Palácio da Justiça, cerca das 12.30 horas (11.30 em Portugal continental). Nas proximidades, está a funcionar um mercado de Natal muito frequentado, segundo a agência de notícias belga.

Um jornal local avança com a hipótese de o atentado ter sido obra de um quarteto que se evadiu do Palácio da Justiça. Quatro homens de Liége em julgamento por vários roubos e um homicídio, conta o jornal "La Meuse".

Segundo aquele jornal belga, três homens empoleirados na plataforma acima de uma pastelaria lançaram granadas para um abrigo de autocarro, onde estariam várias pessoas. Um outro terá disparado uma kalshinkov, arma automática de fabrico russo, informaram os media, dando conta de um forte destacamento policial e de uma perseguição nas ruas próximas da praça.

A polícia disse que um dos suspeitos do ataque foi abatido e o outro fugiu, refugiando-se num edifício anexo ao palácio da justiça. As forças antiterroristas tomaram conta do caso, acrescentou.

Fonte da Embaixada de Portugal na Bélgica disse à Lusa não ter qualquer informação sobre a existência de vítimas portuguesas.

[Fonte: JN]

Breve nota de RoP:

Numa Europa desastrada, sem liderança nem valores, e com políticas completamente absurdas, é certo e seguro que os actos de violência e o aumento da criminalidade só podem aumentar. Não há como ficar  surpreendido. Pena é, que os criminosos não saibam escolher melhor as suas vítimas...

12 dezembro, 2011

Governos "evoluem" de centralistas para racistas


Contrariamente a Jorge Fiel, há muito que ultrapassei a fase de repúdio pelo sentido literal do termo "querer ver Lisboa a arder".

Quando falámos de coisas sérias, a tolerância tem limites. Não é por não gostar de Lisboa, que de facto não gosto [nem tenho de gostar], mas apenas porque Lisboa tudo tem feito - e continua a fazer -, para ocupar o lugar de Espanha na ameaça à soberania  nacional. Hoje, é de Lisboa, e não de Espanha, que não devemos esperar bons ventos, e muito menos bons casamentos.

Aliás, já se torna irritante termos de estar sempre a explicar que quando dizemos Lisboa, não falámos dos seus habitantes, mas sim do que a cidade representa para o Resto do país. E Resto, escrito assim mesmo, com érre maíúsculo, porque há um outro país forjado pela inconsciência centralista,  ao qual, no entanto,  recusa conceder a independência para também  poder beneficiar como ela dos fundos comunitários. Daí, a razão de já não me repugnar ver Lisboa a arder. Afinal de contas, existem outras formas de fazer arder cidades, como desviar fundos das regiões desfavorecidas para a capital, que é um género mitigado de dizer que Lisboa anda a roubar [ou chular, como diz Jorge Fiel] as outras regiões do pais. Amparada por uma vigarice estrangeirada que dá pelo nome de spill over,  que foi negociada por Sócrates e Bruxelas, o governo central de Lisboa continua a sugar o Resto, secando-o, em lugar de o desenvolver, como era suposto.

Consequentemente, os melindres evidenciados pelos amigos lisboetas de Jorge Fiel com a expressão clublista "nós só queremos Lisboa a arder",  não fazem muito sentido, antes denunciando a ignorância própria de quem se habituou a ver o país limitado pelas fronteiras de Lisboa, sem se preocupar com o que acontece fora delas.

Estar próximo do poder, cega, e provoca o mesmo tipo de  arrogância, tanto a quem o sente, como a quem o tem. Assim sendo, mostrando-se esta gente incapaz de perceber pelos seus próprios meios, o que se está a passar no Resto [do país],  então, teremos mesmo que recorrer à política do "chicote", porque é única que eles percebem. As soluções democráticas, são só para países democráticos, que é o que o nosso ainda não é. 

Dúvidas houvesse, quanto à falta de solidariedade nacional, elas dissiparam-se com o cumplíce silêncio que se expandiu da capital para o interior centro/sul, durante um ano de portagens cobradas, exclusivamente no Norte. Não ouvimos, nem lemos, da parte desse povo, uma palavra de indignação ou protesto com a discriminação feita contra a nossa região. Onde esteve afinal a tal coesão nacional que os centralistas tanto gostam de apregoar? O que fizeram do argumento que acusa a regionalização de ser fracturante ? Então, por que razão agora os noticiários não páram de falar sobre as portagens na Scut's? Já lhes dói? Ou terá sido porque as portagens chegaram finalmente também ao país "real"? Às tantas, ainda tinham esperança de sermos só nós os únicos a pagar...

Com jeitinho, qualquer dia teremos o apartheid nacional nos autocarros, no Metro,  e até nos passeios públicos. É só deixar andar. Estou convencido que os nortenhos ainda não ganharam consciência real do que nos estão a fazer, e de quanto a apatia da população tem sido usada contra os seus interesses.

Isto, já não é só centralismo, é segregação nacional, pura e dura, e por mais que se esforcem,  não há chupeta spill over que a consiga dissimular.

Nós só queremos Lisboa a arder

Nós não queremos mesmo Lisboa a ser consumida pelas labaredas. O que nós queremos é dizer, em voz bem alta, que estamos fartos de ser chulados.

Há alguns anos (não muitos), com os ânimos incendiados pela vã tentativa do estado-maior benfiquista de quebrar a hegemonia portista com manobras na secretaria, esteve em voga a palavra de ordem "Nós só queremos Lisboa a arder".

A provocação não caiu no goto da generalidade dos residentes na capital, pelo que amiúde alguns lisboetas, meus amigos ou conhecidos, perguntavam-me se também eu achava bem a ideia de pegar fogo à sua cidade.

"Não. Lisboa é uma bela cidade. O que defendo é o uso de uma bomba de neutrões, de modo a preservar o magnífico património edificado". Foi esta a resposta que formatei para dar nessas ocasiões. Quando a pergunta não é séria, sinto-me desobrigado de responder a sério.

Neste novo século, trabalhei oito anos em Lisboa, uma das mais bonitas cidades do Mundo, pela qual é muito fácil uma pessoa ter uma paixão fugaz e à primeira vista.

Estou imensamente feliz por o JN me ter proporcionado voltar a viver na cidade que amo e onde nasci, mas não posso negar que, de vez em quando, ainda sinto uma pontinha de saudade de alguns pequenos prazeres que Lisboa pode oferecer, como um fim de tarde no miradouro da Graça, petiscar ao almoço uma sanduíche de rosbife e um copo de branco no terraço do Regency Chiado, ou tomar o café matinal na esplanada da Ponta do Sal, em S. Pedro do Estoril.

Quando alguém é incapaz de diferenciar se estamos a falar em sentido estrito ou figurado, geram-se situações embaraçosas e terríveis mal-entendidos. Ninguém quer mesmo Lisboa a arder. O que queremos a arder, num fogo purificador, é a governação centralista que empobrece o Norte e desgraça o país.

O modelo centralista de pôr todas as fichas em Lisboa, partilhado por todos os partidos do arco da governação, é o responsável por 2000-2010 ter sido a pior década de Portugal desde 1910-20 - anos terríveis em que vivemos uma guerra mundial, golpes de Estado e a epidemia da gripe espanhola.

Na primeira década deste século, o crescimento médio anual da nossa economia foi de 0,47%, apesar do afluxo diário médio de seis milhões de euros de Bruxelas, que valiam todos os anos 2% do PIB.

Já ultrapassado pelo Alentejo e Açores, o Norte é a região mais pobre do país, apesar de ser a que mais contribui para a riqueza nacional, com 28,3% do PIB, logo a seguir a Lisboa e Vale do Tejo, com uns 36% enganadores, já que aí está contabilizada a produção feita noutras partes do país pelas grandes companhias nacionais e multinacionais com sede na capital.

Quando leio (ver página 2) que ao abrigo do famoso efeito de dispersão - uma vigarice inventada para desviar para Lisboa fundos comunitários - dinheiro destinado às regiões mais pobres está a ser usado pelos serviços gerais e de documentação da Universidade de Lisboa, dá-me vontade de ir para a rua gritar "Nós só queremos Lisboa a arder".

Não. Nós não queremos mesmo Lisboa a ser consumida pelas labaredas. O que queremos é dizer que estamos fartos de ser chulados e já é tempo de impedir que Portugal continue a arder em lume brando, por culpa de governantes incompetentes ou corruptos.

[Fonte:JN]

10 dezembro, 2011

Lisboa + o Resto = a Portugal. Afinal, quantos países somos?


Descubra as diferenças
Hoje, não tenho bem a certeza se valeu a pena o 25 de Abril. Sendo certo que a Liberdade reprimida só pode ser conquistada lutando por ela, é inconcebível que haja no Mundo quem não a considere um direito inalienável da Humanidade.

Nada está garantido. A imprevisibilidade dos Governos, mesmo dos que foram eleitos pelos povos, obriga-nos a manter-nos vigilantes. Mas, usar a Liberdade como trunfo supremo de uma revolução, já só faz sentido nos regimes ditatoriais.

Num país verdadeiramente evoluído, a Liberdade de expressão e de opinião, seria apenas a meninice da Democracia. Em Portugal, a Liberdade ainda não deu o passo seguinte, que é deixar amadurecer a Democracia, blindá-la dos abusos, das tentações absolutistas, dos oportunistas, e apetrechá-la com ferramentas funcionais que permitam aos eleitores controlar os eleitos, de modo a exonerá-los, em tempo útil,  sempre que se desviem das rotas programadas.  Mas não esperemos que sejam os detentores do poder a ditar essas regras, eles não se levam a sério a esse ponto.

Liberdade, não é compatível com pobreza. Juntá-las, é como lançar para o espaço um pássaro sem asas. Liberdade, em termos políticos, só fará sentido quando caminhar a par com o pleno emprego e a saúde. E disse emprego, não trabalho. Porque, ao contrário do que dizem os políticos, é tempo de saberem que há por aí muita gente que trabalha, sem receber nada por isso. As pessoas precisam é de emprego para ganhar a vida trabalhando, não de trabalho sem emprego.

É pensando nisto, e em todas as discriminações infligidas pelo centralismo ao Porto e ao Norte, que não sei se valeu a pena o 25 de Abril. O que sei, é que nunca me senti tão ofendido enquanto cidadão deste país como agora. Portugal foi dividido, o centralismo conseguiu separá-lo mais do que o antigo regime. Agora, temos, para já dois países: um, chama-se Lisboa, o outro, o Resto. Embora eufemisticamente continuem a chamar-lhe Portugal, eles [os centralistas] sabem que isso não é verdade. E nós também. E no entanto, limitámo-nos a constatá-lo.

Por cá, vão-se ouvindo algumas vozes discretas dizendo e repetindo o que já sabemos, que ninguém abdica do poder pacificamente, que a Regionalização nunca irá avançar, etc. E  no entanto ... nada.  As elites deixam cair as máscaras, os líderes não lideram, e ao povo impingem-lhe o fado.

Como estaríamos hoje, se em 25 de Abril de 1974, os jovens capitães não nos tivessem ajudado a fazer aquilo que devia ter sido feito por todos nós?

Provavelmente, incomodados, mas seguramente submissos. Como agora.

  

08 dezembro, 2011

Soares, o bochechas...


Mário Soares
Descansem aqueles que pesam o valor dos políticos pelas simpatias partidárias, porque não serei eu quem tenciona imitá-los. Por mais infantil que pareça a comparação, sou mais clubista do que partidarista, e posso explicar em poucas palavras a razão desta afirmação. Os partidos políticos, desde Abril de 1974 para cá, só me trouxeram decepções e motivos para desconfiar das suas capacidades, enquanto que o meu clube, o FCPorto, mesmo discriminado por sucessivos governos, em igual  período de tempo, deu-me muitas mais alegrias que desgostos, razões de sobra bastantes para continuar a confiar em quem o dirige.

Talvez ainda não tenham atingido o sentido da primeira frase do anterior parágrafo, mas tentarei explicá-lo. Vou-vos falar de um "bicho sagrado" da política pós revolução chamado Mário Soares. Esse mesmo. Aquele àcerca do qual, decorridos 37 anos, ainda não consegui compreender a razão de ser tão "idolatrado" pela comunicação social. Pensando bem, se calhar, até encontro algumas afinidades que explicam o fenómeno. É que, Mário Soares, em matéria de rigor e de flexibilidade, é tão volátil e oportunista como todos os órgão de informação juntos.

Já agora, confidencio-vos que o Partido Socialista foi o primeiro partido político em que votei. Portanto, será simples deduzir que simpatizei com o programa de governo da época, e sobretudo com o reforço de Liberdade que Mário Soares lhe soube aditar, detalhe relevante para a projecção e a credibilidade da sua própria imagem, da qual, aliás, ainda hoje continua a colher frutos. Será importante registar, que vínhamos de 47 anos de uma ditadura cinzentona e repressiva, e de cujos efeitos, ainda hoje, muitos portugueses não se refizeram. O medo, ainda predomina na mente de milhares de anónimos que comentam nos blogues e nas redes sociais. Mas, de Mário Soares, só esse detalhe me infunde ainda algum respeito. E agora, também, a idade. 

Contudo, os 87 anos de Mário Soares não podem servir de atenuante para a inaptidão e demagogia com que desempenhou as funções de 1º. Ministro ainda com a lucidez da juventude,  nem tão pouco podem conferir-lhe autoridade moral e política, para censurar as más opções governativas de agora, que apesar de merecerem crítica, ditas pela sua boca, soam a um enfadonho déjà vu.

A um político, mesmo a um pseudo dinossauro [e com boa imprensa], como ele é, não basta apregoar revoluções em fóruns ou conferências, sem assumir responsabilidades. Durante os seus mandatos, enquanto Ministro e depois Presidente da República, não foram poucas as vezes que incumpriu com o que prometera nas campanhas eleitorais. Nalguns sectores da população mais idosa, ainda há quem não lhe perdoe o facto de ter "metido o socialismo na gaveta", que era à época para muitos a opção política ideal, entre os partidos conservadores [CDS e PPD] com ligações ao regime anterior, e o comunismo [PCP] que definitivamente a maioria do povo rejeitara.

Entre outras incongruências, Mário Soares obcecado com a garantia da Liberdade, esqueceu-se de consolidar a autoridade democrática, levando a que as gerações de políticos que lhe sucederam perdessem progressivamente a noção do dever e do respeito pelos eleitores. Não espanta pois, que sejamos permanentemente confrontados com escândalos, escabrosos onde os políticos são os principais protagonistas influenciando negativamente o resto da sociedade. Nem tão pouco se aceita por que é que Mário Soares nunca se opôs frontal e oportunamente à política suicída de Sócrates que acelerou o caos governativo a que hoje chegamos. Já para não falar das mais recentes declarações de Sócrates, que sintetizam a baixa elevação dos políticos contemporâneos.  Qualquer que tenha sido o contexto dessas declarações - supostamente sustentadas nos seus conhecimentos de economia -, as dívidas, são para se pagar, sob pena de se estar a assassinar o direito ao crédito a quem dele carece. Só um caloteiro pode fazer tais afirmações. Tipicamente político, Mário Soares não se incomoda com as asneiras, desde que tenham origem na bandeira do PS. 

Mas, também não são Paulo Portas, nem Freitas do Amaral , que podem atirar pedras ao telhado de outros. A índole é parecida, mas há uma diferença não dispicienda, que consiste no facto de Mário Soares ter combatido o Estado Novo e ter sido preso por isso, ainda que à posteriori, tão nobre luta esteja hoje reduzida a discursos de ciscunstância e à banalidade de continuarmos a ser um pobre país.

      

A revolução, amanhã


Daniel Deusdado [no JN]
1 Mário Soares, 1983. Uma campanha eleitoral épica. Um mote: salvar o país da bancarrota, através da austeridade. No final, os portugueses escolheram uma minoria de 36%. Nasce o governo do bloco central com o PSD. A história é bem conhecida: Portugal chamou o FMI, Ernâni Lopes cortou 28% do subsídio de Natal de todos os portugueses, desvalorizou a moeda fortemente e a economia afundou. O valor dos salários caiu, e muito.

2. Sem surpresa, Cavaco Silva tirou o tapete a um governo que colocou Portugal na CEE e o fez sair da bancarrota. Apenas dois anos depois. Do ponto vista histórico, o trabalho de Soares não foi coisa pouca, mas revela até que ponto austeridade e lealdade são coisas que não rimam nem dão votos.

3. O actual presidente governou o país durante quase 10 anos no momento mais extraordinário da história recente: dinheiro da Europa, baixo preço do petróleo, crescimento económico mundial e europeu ímpar (até 1993). A pergunta é sempre esta: que modelo era o de Cavaco Silva? O da mudança das infra-estruturas do país: desde estradas a novas universidades, um novo sistema financeiro e o legado do "mercado". E, em simultâneo, melhores serviços públicos - o chamado Estado Social.

4. Como discutimos o presente, parece que tudo começou hoje. Que foi com Guterres, Durão Barroso e Sócrates que o caos surgiu. O problema da bola de neve no topo da montanha... Mas é difícil esquecer os 100 mil funcionários públicos precários do tempo do cavaquismo admitidos por Guterres - "não existiam" estatisticamente. Ou lembrar também a política do escudo forte iniciada em 1992 que condicionou fortemente a balança comercial. E ainda as baixas taxas de juro resultado desse escudo forte que potenciou o 'boom' do crédito à habitação, consumo, etc..

5. Guterres chegou com um sonho: diminuir as desigualdades do cavaquismo. Criou dependências difíceis de curar. Durão Barroso (através de Ferreira Leite) tentou começar a travar a espiral de endividamento do Estado, mas foi-se embora a meio do processo e deixou uma solução política sem sentido - Santana Lopes. Veio depois Sócrates e insistiu na opção do crescimento pelo investimento público, além do orgulho no aumento da despesa social em 4% do PIB... Naturalmente chegamos aqui, ao dia de amanhã, à cimeira do caos do euro. Não dependemos de nós.

6. E agora? Se Portugal cumprisse o défice de 2012 e crescesse mais que o previsto, talvez aspirasse a alguma independência, a médio prazo. Mas esse caminho não é o da revolução de Mário Soares - a revolução dos que têm dívida e não têm culpa. Tal como em 1983, a melhor revolução é sair da zona de dependência dos mercados financeiros através de uma maior credibilidade económica. Estamos sob uma ameaça de "guerra soberana" que nos empobrecerá caso fiquemos sem financiamento nem moeda (minimamente forte) para comprar coisas essenciais - petróleo, alimentação e tecnologia. A maior revolução é conseguirmos fazer crescer o valor do que produzimos e aumentar a qualificação dos estudantes, trabalhadores e empresários portugueses. Coisas quase impossíveis neste contexto de desânimo.

7. Para já, a revolução poderia começar contra estes mercados: - os do dinheiro, contraindo menos dívida. Contra as multinacionais da alimentação e consumo industrial, pelas consequências tóxicas que têm na saúde das pessoas. Contra as grandes empresas que destroem o território fingindo criar emprego. E contra o mercado da doença, que encharca os portugueses de medicamentos e desânimo. Ou o mercado da conflitualidade, que cria uma espiral monstruosa de advogados e juízes em redor do negócio da justiça. Mas disto pouca gente quer saber, apesar de poder ter efeitos práticos, imediatos. Contra "os mercados".

8. Deveríamos continuar a comemorar o dia 1 de Dezembro de 1640 em vez de um 10 de Junho salazarento. Há coisas que uma geração não tem o direito de apagar. Até porque vamos sobreviver ao euro. Só não sabemos como.

07 dezembro, 2011

Foz Tua, a próxima vítima da ingovernabilidade



APOIEMOS ESTA GENTE, É IRRESPONSABILIDADE CIVIL PERMITIR QUE O PAIS PERMANEÇA NAS MÃOS DE CANALHA!


clique sobre o título do post e veja o vídeo!


06 dezembro, 2011

Se eu fosse...


... um patriota, devia andar babado com a elevação do fado a património da humanidade, apesar de viver numa cidade onde o fado ainda não conseguiu superar em popularidade as tripas à portuguesa e o FCPorto.

Se eu fosse um patriota, fazia da movida portuense o dia-a-dia dos tripeiros no desemprego.

Se eu fosse um patriota, transformava os prémios Pritzker de arquitectura, atribuídos a Ávaro Ziza e  Souto Moura,  na fase terminal da reabilitação urbana do Porto.

Se eu fosse um patriota, acreditava que a Lonely Planet - a melhor editora em guias de viagem -, que nomeou o Porto como o 4º. melhor destino do mundo, irá beneficiar muito o sector da restauração e da hotelaria, apesar do aumento do iva para 23%.

Se eu fosse patriota, tornava a loja do melhor chocolate do Mundo [como é pequeno o Mundo para nós], na suprema realização dos "poucos" sem-abrigo que vagueiam pelo burgo.

Se eu fosse patriota [dos bons], com tanta coisa positiva, jurava a pés juntos, ser redondamente falso  que Portugal é o país europeu com o maior fosso entre ricos e pobres, "orgulhosamente", à frente de Israel e EUA...

05 dezembro, 2011

Porto, só meio optimismo

A "movida" do Porto chegou às páginas do New York Times, através de uma reportagem do jornalista de viagens Seth Sherwood que elogia a nova oferta cultural, turística e de lazer da cidade.

"Um novo quarteirão 'à pinha' de vida nocturna está a ganhar forma, e uma florescente cena criativa que tem de tudo, desde um emergente centro de design a uma vanguardista Casa da Música desenhada por Rem Koolhaas, um espaço de concertos deslumbrante", descreve Sherwood.

O jornalista, baseado em Paris, afirma que a "segunda maior metrópole de Portugal" já não precisa de se "encostar" à reputação do famoso vinho digestivo com o mesmo nome.

"E há grandes notícias para os enófilos também. Com a emergência da região do Douro como berço de vinhos tintos premiados -- não apenas o Porto --, o Porto (conhecido também como Oporto) pode agora inebriá-lo com uma miríade de 'vintages', novos restaurantes ambiciosos e até hotéis vínicos temáticos", realça o repórter.

No artigo "36 Horas no Porto, Portugal", já disponível online e a ser publicado na edição de domingo do New York Times em papel, são apresentados 11 pontos de passagem/paragem de um percurso pela cidade que começa às 18 horas de uma sexta-feira e termina ao meio-dia de domingo.

Um "passeio barato (2,50 euros)" de eléctrico entre a Praça do Infante e a Foz marca o início da viagem, que é seguida de uma Super Bock saboreada numa explanada à beira rio e de um jantar de Francesinha, "a sanduíche local não aprovada por cardiologistas". 

[Fonte: Porto24]

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Concordo totalmente com Germano Silva quando diz que o Porto perdeu muita da sua identidade. Apesar do fluxo crescente de turistas, devido, principalmente, às óptimas funcionalidades do aeroporto Sá Carneiro, que proporcionou todas as condições para a instalação da base de companhias de vôos low-cost, e do Metro do Porto, que lhe deu complementaridade, a cidade do Porto continua a viver de fogachos de alguma iniciativa privada, e pouco mais. É preciso esclarecer que, nada deste aparente progresso se deve a iniciativas da responsabilidade da actual CMPorto. Pelo contrário. Uma das razões, para o atraso económico e social do Porto, é a falta de um autarca dinâmico e de vistas largas para a cidade. A outra razão, é o centralismo e a sua sofreguidão de eucalipto que tudo seca em redor. 

Tal como o Douro, com os seus cada vez mais prestigiados vinhos, tem cada vez menos gente, o Porto vem perdendo habitantes de ano para ano, e ao contrário do que para aí se diz, não será a movida que irá  fazer regressar habitantes à cidade, assim como não é o excelente vinho do Porto, que vai repovoar o Alto Douro. Todas estas notícias, aparentemente contraditórias, deviam obrigar governantes e empresários a repensar a ideia de progresso. O progresso, ou o bem estar [se preferirem], das populações não está directamente ligado ao sucesso das iniciativas empresariais. É preciso começar a falar claro e não ocultar os factos. E se os factos nos têm ensinado que por cada máquina inventada há dezenas, se não centenas e milhares, de pessoas desempregadas, isto diz-nos que uma empresa que produz muito não é propriamente uma empresa que emprega mais gente. Portanto, acabe-se com a demagogia de relacionar o empreendedorismo com a prosperidade dos povos. Empreender é necessário, mas sustentar a prosperidade de um negócio com benefício para todos não é bem o que tem acontecido. 

Por vezes, dou comigo a pensar se não será uma criancice entusiasmarmo-nos demais com certos sucessos momentâneos,  ou mesmo com algumas distinções que nos chegam de fora e suavizam a chaga que é, continuarmos a ser um dos países mais pobres, e pior governados da Europa. 

Para mim, o problema vai muito para além da má construção da nossa Democracia e da baixíssima qualidade dos nossos políticos. O capitalismo, definitivamente, tal como está, não é regime para levar a sério. A crise global está aí, a berrar, para quem a quiser ouvir.  
 

Tristezas não pagam dívidas


Os meus amigos já o sabem há muito tempo, mas agora tenho de o dizer em voz alta para a mobília ouvir: não vou à bola com o fado e está a fazer-me um nervoso miudinho a histeria, disfarçada de consenso nacional, gerada pela gentileza da UNESCO em incluir a canção de Lisboa na lista de 90 obras-primas consideradas património oral e imaterial da Humanidade, em que figuram as festas funerárias dos indígenas mexicanos, o teatro de marionetas siciliano e os tambores da aflição, uma dança de cura popular entre os tumbuka, uma tribo do Norte do Malawi.

O fado, que bebe a alma e mergulha as raízes na indolência dos cânticos mouros, veste-se de negro para cantar o luto, o sofrimento, a dor, a desgraça, o amor perdido, o ciúme doentio, a miséria e a saudade, ou seja, é uma canção em permanente marcha atrás, uma antologia de valores que detesto e de sentimentos perniciosos que abomino.

Ao apregoar a submissão aos ditames do destino, o fado foi, de braço dado com Fátima e o futebol, uma das fundações do aparelho ideológico do Estado Novo, que reabilitou e integrou um género musical que medrou nas casas de prostituição dos bairros pobres da Mouraria e Alfama.

No tempo em que o vinho dava de comer a um milhão de portugueses, o fado era a peça fundamental da doutrina da resignação de um povo anestesiado pelo religião e que, na sua doce e alimentada ignorância, rejubilava com as vitórias internacionais da nossa selecção no hóquei em patins, modalidade a que mais ninguém ligava pevas.

Sei que o fado se renovou, com a transfusão de vozes novas como as de Camané, Aldina Duarte, Ana Moura, Mariza ou, mais recentemente, de Carminho. Sei que mesmo nos tempos da Outra Senhora o choro da guitarra acompanhou belíssimos poemas do Ary dos Santos, do David Mourão Ferreira ou do O'Neil. Não me atrevo a beliscar sequer o tremendo talento de Amália. E se me oferecerem o Fado, do Malhoa, vou logo a correr pendurá-lo na parede da sala. Mas isso não chega para me fazer gostar do fado, uma canção triste que não rima comigo.

Não gosto do fado, como também não gosto do Benfica - clube cujo fado, desde a maldição de Bella Gutman, é não ter imagens a cores dos seus êxitos europeus para mostrar aos adeptos que não os puderam viver por terem 50 anos ou menos. Mas isso não me impede de reconhecer o talento de Eusébio, elogiar a liderança de Borges Coutinho ou admirar a resistência dos seus adeptos às adversidades.

Tenho um enorme pó à fatal e indolente resignação face ao destino que é o programa de vida do fado. Em vez de nos agarrarmos ao passado e de fazermos uma festa com a bondade da UNESCO em acolher o fado numa lista étnica (uma distinção de importância equivalente à vitória do Benfica na Taça Latina), devemos olhar para o futuro. O povo está coberto de razão quando diz que tristezas não pagam dívidas. E nós temos uma data delas para pagar.

Nota de RoP:

Outro portuense e português, que [como eu] não vai à missa  do fado. Se a distinção da UNESCO fosse pela negativa, no sentido de considerar o fado como símbolo do centralismo português ainda fazia sentido. Mas tratá-lo com honrarias imateriais da humanidade, só mesmo em Lisboa.