28 janeiro, 2014

Não votaria em nenhum


Por mais auto-crítico que seja, não há meio de me convencer que sou um gajo esquisito só porque não quero nenhum destes cavalheiros elevados ao status de Presidente da República. 

Apesar de não ir à bola de Rui Rio nem um bocadinho, e de ainda não estar convencido da solidez da sua integridade, diria que o menos mau destes 4 mosqueteiros, seria ele, mas mesmo assim, não votaria em nenhum. O certo é que Cavaco também não é grande coisa e conseguiu lá chegar... Em Portugal  o grau de exigência é baixo e espelha bem o país que somos.

Haverá porventura alguém com perfil para o cargo, neste momento?

Que sorte a nossa!


24 janeiro, 2014

Ainda sobre os fundos europeus

A Câmara do Porto reafirma que Bruxelas “recusa as propostas centralistas do Governo” por não acautelarem a promoção e coesão territorial, apontando como prova “notícias vindas a público” que não foram desmentidas.

“Não bastasse a limpidez com que a imprensa dá conta de factos que não foram desmentidos, tem a Câmara do Porto fontes fidedignas sobre a forma como este processo tem decorrido e, sobretudo, sobre as preocupações que a Comissão Europeia tem vindo a manifestar ao Governo de Portugal”, refere a autarquia em comunicado enviado à Lusa que, contudo, não identifica as fontes.

A Câmara do Porto aprovou na terça-feira, com a abstenção de 2 dos 3 vereadores do PSD, uma moção em que reclama participar ativamente na negociação do próximo Quadro Comunitário de Apoio (QCA) e afirma que “a Comissão Europeia recusou assinar o acordo de parceria proposto pelo Estado português por considerar que este não acautelava os mecanismos de promoção de coesão territorial e de valorização das regiões de convergência, nomeadamente da região Norte”.

No mesmo dia, a Comissão Europeia afirmou que qualquer sugestão de que as propostas de Portugal para o Acordo de Parceria foram recusadas resulta do desconhecimento da natureza do processo, esclarecendo que nenhum país o assinará antes de Março.

Entre “outras notícias publicadas nas últimas semanas”, a autarquia destaca um artigo publicado no Jornal de Notícias (JN) no dia 16, “nunca desmentido”, em que, “cita fontes oficiais da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Regional e da Comissão Europeia”, intitulado “proposta não ultrapassa desequilíbrios regionais”.

“Sempre citando fontes oficiais, o JN esclarece que a proposta do Governo a Bruxelas ‘nem se debruça sobre as causas do atraso do Norte, Centro e Alentejo, depois de milhares de milhões de euros de fundos dados precisamente para reduzir a disparidade, nem propõe soluções’, fazendo notar que, segundo a Comissão Europeia, a proposta do Governo ‘não tem um pensamento’ e ‘não está bem definida a articulação entre os programas geridos em Lisboa, nas regiões e as Iniciativas Territoriais Integradas”, sustenta a Câmara.

O ministro-adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, afirmou na quinta-feira que o programa Operacional Regional vai sofrer um aumento de 24,8% no Norte, pelo que as críticas de alguns autarcas “não têm qualquer correspondência” com a realidade.

A autarquia sustenta novamente ser necessário “acautelar o interesse das regiões de convergência, como é o caso da região Norte de Portugal, e, em particular, o interesse da cidade do Porto”, criticando o facto de as propostas “não terem sido em momento algum dadas a conhecer à Câmara e muito menos ter sido solicitada a sua contribuição”.

“O que a Câmara pretende” é “acautelar que na preparação do 5.º QCA não voltem a ser cometidos os erros dos anteriores 4 processos”, “contribuir de modo efetivo para que, na elaboração de um Acordo de Parceria o Governo realmente garanta resultados concretos na coesão nacional, através da canalização dos fundos para as regiões de convergência” e “tomar posição firme e disponibilizar a sua colaboração antes de o processo estar concluído e formalizado, por forma a evitar o eterno desígnio da região e da cidade de ‘chorar sobre o leite derramado”.

No comunicado, de 6 páginas, a Câmara do Porto adianta ter já solicitado, “com carácter de urgência”, ao secretário de Estado do Desenvolvimento Regional cópias das versões provisórias enviadas para Bruxelas do acordo de parceria e dos respectivos relatórios de avaliação.

Foi também pedido ao Governo a calendarização prevista para o processo de elaboração da Estratégia de Especialização Inteligente, para a apresentação e aprovação do Acordo de Parceria e para a entrada em vigor do novo QCA.
A Câmara critica ainda “o atraso” no processo de programação do novo ciclo de programação dos fundos comunitários para 2014–2020, considerando que “Portugal poderá vir a apresentar propostas elaboradas de forma apressada e pouco consistente, não conhecidas pela grande maioria dos seus destinatários, elaboradas de forma pouco transparente e, muito provavelmente, pouco ou nada adequadas aos objectivos e à realidade visados”.

Neste comunicado, a autarquia cita uma declaração de 1969 de Francisco Sá Carneiro para afirmar que “a cidade e o distrito deixaram-se atrasar no campo cultural e no campo económico, em parte por culpa do desinteresse e inércia de todos nós, em parte devido à excessiva concentração de riqueza na capital”.

“É preciso que não nos resignemos a viver dos restos de um passado mais próspero, tanto cultural como economicamente, nem das sombras que no presente até nós chegam. Mas isso depende de todos e de cada um e não só do Governo ou da Assembleia. É essencialmente às autarquias que cabe lutarem pela defesa dos direitos próprios e dar voz às reivindicações colectivas”, concluiu a afirmação do antigo primeiro-ministro utilizada esta sexta-feira pela Câmara do Porto.

Esta notícia foi actualizada às 16h03.

(do Porto24)

23 janeiro, 2014

Rui Moreira: Moção sobre fundos comunitários “tem absoluta fundamentação”

O presidente da Câmara do Porto diz que “ficaria muito feliz” em não ter razão nas preocupações sobre os fundos comunitários e garante que a moção tem “absoluta fundamentação”, frisando que tudo foi noticiado pela comunicação social sem nenhum desmentido.
A Câmara do Porto aprovou na terça-feira uma moção afirmando que “a Comissão Europeia recusou assinar o Acordo de Parceria proposto pelo Estado português”, ação que provocou a reacção do Governo – que alertou para as “incorrecções objectivas” desta moção – e de Bruxelas, que também desmentiu a autarquia.

Esta quarta-feira, em declarações aos jornalistas à margem da apresentação da campanha “Voto no Porto”, o presidente da autarquia, Rui Moreira, começou por dizer que “se há circunstância em que ficaria muito feliz em não ter razão é esta”.

“As notícias que hoje vieram a lume por parte do Governo de Portugal dizem que a cidade do Porto e que o presidente da Câmara do Porto não têm razão em estar preocupados. Se assim for direi que se há uma situação em que eu terei todo o prazer em estar enganado será esta”, reiterou.

Mas Rui Moreira deixou a garantia de que tudo aquilo que foi escrito na moção “tem absoluta fundamentação”.

“Tudo aquilo foi noticiado pela comunicação social nos últimos 10 dias. Nós não vimos nenhum desmentido então. O facto de então não haver nenhum desmentido também credibiliza de alguma maneira a nossa posição”, justificou.

O presidente da Câmara do Porto insistiu que as informações que a autarquia tem sobre esta matéria “são preocupantes”.

“E principalmente nós não nos podemos esquecer que nos últimos quadros comunitários – estamos no quinto – as coisas correram sempre mal e os resultados estão à vista”, recordou.

Rui Moreira rejeita por isso queixar-se “depois de as coisas correrem mal”, considerando que se deve “alertar os responsáveis do país antes das coisas correrem mal”.

“Conseguimos que na Câmara, o Partido Comunista votasse connosco, houvesse um deputado do PSD que votasse connosco e até os outros que tinham dito que iam votar contra acabaram por se abster e isso tem um significado para nós muito importante: as pessoas reconhecem que esta é uma preocupação para a cidade e para a região”, concluiu.

A Câmara do Porto aprovou na terça-feira uma moção, apresentado por Rui Moreira, afirmando que “a Comissão Europeia recusou assinar o Acordo de Parceria proposto pelo Estado português por considerar que este não acautelava os mecanismos de promoção de coesão territorial e de valorização das regiões de convergência, nomeadamente da região Norte”.

Já esta quarta-feira, a concelhia do PSD Porto e dois vereadores na autarquia exigiram que o presidente da Câmara do Porto faça “um pedido de desculpas formal à cidade” pela “vergonha institucional” de ter faltado à verdade nesta questão.

(do Porto24

Aviso à navegação

A partir desta data, não são aceites no Renovar o Porto comentários de anónimos, ou que não sejam assinados com o primeiro e último nome (preferencialmente verdadeiros, e tolerantemente falsos). 

Detesto ler, e ainda menos responder, a anónimos. 

Pelos fundos da nossa vida

 

Os fundos comunitários mostram até que ponto o "Norte" não tem uma estratégia. Rui Moreira lidera a segunda Câmara do país e recusa decisões unilaterais do Governo. É ele o protagonista certo para esta batalha? Ou deveria ser a Área Metropolitana do Porto a tomar posição? E se fosse a anunciada, mas não implementada, Liga das Cidades do Norte? Já agora, seria assunto para a Frente Atlântica? E para que servirá a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte (CCDRN)?

Esqueçamos a política por momentos. Rui Moreira é provavelmente o político a norte que melhor conhece a realidade portuária e as questões de transporte. Elas são essenciais para o desenvolvimento do país. Há duas coisas que parecem consensuais para quem estuda estes dossiers: Leixões, Aveiro e Viana podem ser portos estratégicos para o reforço das exportações nacionais. Para isso não só necessitam de investimentos como é inevitável um interface ferroviário para mercadorias que os ligue à Europa.

Isto significa ter nas opções do Governo para 2014-2020 as linhas de bitola europeia que assegurem o eixo Lisboa-Porto, com derivação para os portos de Aveiro e Leixões. Idealmente esta linha poderia chegar à Galiza e incluir o porto de Viana. Mas a saída prioritária da linha Lisboa-Aveiro-Porto para a Europa é através de (Viseu rumo a) Salamanca. Este é o eixo fundamental das exportações, ponto final.

O que Rui Moreira está a fazer (presumo) é a tentar manter esta pressão na agenda porque parece não haver quem lute por um dossier estratégico como este. O passado demonstra, desde o famoso caso "Limiano" à subserviência nas CCDR, que todos se vendem pela sua "freguesia". O poder político central distribui rebuçados aos pequenitos e guarda o grande bolo para a sua área de influência.

Neste caso o bolo está à vista. O secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, tem uma estratégia própria, autista, e sem aderência à realidade. As declarações que profere são sempre no mesmo sentido: nunca se compromete com os fundos para os portos e ferrovia a norte, dá como facto consumado a execução ferroviária Sines-Badajoz e, na verdade, não desistiu de fazer o porto da Trafaria (os estudos demonstrarão à opinião pública que é vantajoso e sem custos públicos - é a tese).

Sérgio Monteiro montou o famoso "Grupo de Trabalho para as Infraestruturas de Valor Acrescentado" liderado pelo presidente da Associação Industrial Portuguesa (com sede em Lisboa) e onde não estão representadas as associações empresariais do Norte e Centro - apenas está lá a Confederação da Indústria Portuguesa. Fazem ainda parte deste grupo o Estado através do LNEC, AICEP, Instituto Mobilidade Terrestre, CP, Refer (que Sérgio Monteiro tutela), a par das associações setoriais dos transportes - cujas sedes estão primordialmente em Lisboa.

A questão é então esta: há mais autarcas a norte capazes de lutar por portos e ferrovias para exportação? Se sim devem juntar-se a Rui Moreira, não por ele ser o presidente da Câmara do Porto (o "Porto" maldito, centralista...) mas porque ele é, há pelo menos 20 anos, uma das pessoas que mais lutam contra o Estado central que investe nos sítios errados. Dê-se-lhe, por exemplo, o mérito de ter mantido na agenda a discussão sobre o tremendo erro do aeroporto da Ota durante vários anos. Não foi pouco.

O plano estratégico do Governo português para os fundos comunitários 2014-2020 só vai ser entregue talvez em abril. Seja pela Liga das Cidades do Norte, seja através da Comissão de Coordenação, seja, no limite, através do presidente da Câmara do Porto, é agora que o Norte deve dizer claramente onde quer ver os fundos aplicados e conseguir que a sua gestão seja descentralizada.

Bruxelas tem exigido uma condição, útil e certeira: que os autarcas percebam que acabou o tempo de "sacar" o dinheiro comunitário para as "obras de regime" porque hoje, ser autarca, é antes de mais ser capaz de criar polos de atração para fixar empresas que ajudem no combate ao maior problema: o desemprego. Se os novos homens do Norte tiverem grandeza para aceitar estas condições e conseguirem visão e união de objetivos, terão a razão (e o futuro) do seu lado. Se não for assim, a culpa não será de Lisboa. Têm dois meses para mostrar o que valem.

Nota de RoP:
Até prova em contrário, e por saber quão difícil é mobilizar pessoas em torno de uma causa, prefiro dar um pequeno passo, que não dar passo nenhum. Prefiro acreditar em quem ousa, do  que poluir os ouvidos com processos de intenção e com o bláblá dos regionalistas "convictos". 

Sei por experiência própria que quando chega a hora de agir os portugueses deixam a iniciativa para outros, e nem a uma simples petição são capazes de aderir, nem mesmo quando se trata do clube do coração, pelo qual muitos juram dar a vida (passe o exagero). Por isso, concordo absolutamente com a estratégia de Rui Moreira de "chorar" enquanto é tempo, do que fazer como o Rui Rio que nunca se atreveu a bater o pé com esta veemência ao poder central. Além de deixar os "boys" do PSD/PP e PS, sem vergonha na cara, confrontados com as suas próprias contradições político-partidárias.

Igualmente me incomoda aqueles que só aparecem para reclamar isto e aquilo, depois de alguém dar o tal 1º. passo. Foi paradigmática a reacção de alguns nortenhos com a constituição da Frente Atlântica aqui demonstrada.

Posto isto, e antes que alguém venha a terreiro rotular-me de "moreirista" ou coisa do género, quero acrescentar o seguinte: Rui Moreira sabe que nem sempre estou de acordo com as suas tendências políticas, mas tenho-o como um homem honesto e sou admirador de algumas iniciativas e decisões, entre as quais a defesa pela autonomia do Porto de Leixões, o modo cordato e aparentemente simples como se relaciona com os seus colaboradores (Manuel Pizarro) e com os autarcas de Gaia e de Matosinhos (ambos mal tratados pelo PS) e, noutro contexto, pela forma corajosa e digna como abandonou um execrável programa pseudo-desportivo de televisão (Trio de Ataque) que outros, ditos adeptos, nunca tiveram a coragem de imitar e com razões acrescidas para o fazer. 

Como tal, até prova em contrário, um bravo para Rui Moreira e um Tenham Vergonha para os meninos do PSD/PP e do PS. 

22 janeiro, 2014

Força Rui Moreira, é esse o caminho! Não vá em promessas, exija-lhes compromissos!


A concelhia do PSD Porto e 2 vereadores na autarquia exigem que o presidente da Câmara do Porto faça “um pedido de desculpas formal à cidade” pela “vergonha institucional” de ter faltado à verdade na questão dos fundos comunitários.



A Câmara do Porto aprovou na terça-feira uma moção afirmando que “a Comissão Europeia recusou assinar o Acordo de Parceria proposto pelo Estado português por considerar que este não acautelava os mecanismos de promoção de coesão territorial e de valorização das regiões de convergência, nomeadamente da região Norte”.

Em reacção, o secretário de Estado do Desenvolvimento Regional alertou para as “incorrecções objectivas” desta moção, enquanto a Comissão Europeia também desmentiu a autarquia, afirmando que qualquer sugestão de que as propostas de Portugal para o Acordo de Parceria foram recusadas resulta do desconhecimento da natureza do processo.

Esta quarta-feira, em comunicado enviado à agência Lusa assinado pelo presidente da concelhia do PSD Porto e por 2 dos 3 vereadores sociais-democratas na autarquia, Amorim Pereira e Ricardo Almeida, Rui Moreira é acusado de ter faltado à verdade.

“O PSD da Cidade do Porto e os vereadores subscritores deste documento exigem um pedido de desculpas formal à cidade por parte do presidente da Câmara do Porto, pela vergonha institucional que sujeitou a cidade quando através de posições públicas demagógicas, demonstraram a falta de preparação para falar a verdade”, referem.

Os subscritores “estranham” ainda esta posição de Rui Moreira “de enaltecer um regionalismo meramente provinciano”, recordando que em Dezembro o Secretário de Estado Castro Almeida reuniu, no Porto, com o presidente da Câmara “precisamente sobre a questão dos fundos comunitários”.

“A bem da verdade e da ética política exige-se um retratamento do presidente da Câmara do Porto”, pedem.

A Câmara do Porto reclamou na terça-feira participar activamente na concepção e negociação do próximo Quadro Comunitário de Apoio (QCA), aprovando uma moção em que manifesta também preocupação por “nada saber” sobre as suas prioridades.


A proposta foi apresentada em reunião privada do executivo pelo presidente da autarquia, Rui Moreira, sendo aprovada com 11 votos a favor e as abstenções de 2 dos 3 vereadores do PSD.

[do Porto24] 



20 janeiro, 2014

Fisco apanha Marques Mendes em venda ilegal de acções



O Fisco detetou vendas ilegais de ações da Isohidra feitas por Marques Mendes e Joaquim Coimbra, em 2010 e 2011, e que terão lesado o Estado em 773 mil euros. As ações foram vendidas por 51 mil euros, mas valiam 60 vezes mais: 3,09 milhões.

Fisco apanha Marques Mendes em venda ilegal de ações
Marques Mendes e Joaquim Coimbra









Estas contas são de uma ação inspetiva sobre a Isohidra - Sistemas de Energia Renovável, Lda. que a Autoridade Tributária (AT) concluiu há menos de dois meses. Em relatório final, a Direção de Finanças de Viseu impõe duas correções, em montante de 3,09 milhões de euros, à matéria coletável declarada pela Isohidra nos exercícios de 2010 e 2011. E avisa a empresa, sediada em Tondela, que terá de pagar imposto sobre aquele montante. A taxa de IRC, naqueles anos, era de 25%. 






Nota de RoP

Bom, cá temos o pequeno-grande estadista, esse visionário, vítima da sede de sangue dos "populistas" (como eu). 

Então, será lá possível em Portugal acontecer uma coisa destas? A um Conselheiro de Estado? Qual quê? Porventura pensam que qualquer badameco chega a conselheiro de Estado sem mais nem para quê? Não! Em Portugal a escolha para estes cargos fia fininho, é primorosamente fundamentada. É só gente de grande competência e carácter! Não é para qualquer Dias Loureiro!

Logo ele, coitado, que tão bons projectos tem para o país e tanta sabedoria coloca nas suas eruditas intervenções de tv! E agora? Como iremos nós passar sem aquele filósofo, aquelas irrequietas e falantes mãos, aqueles braços de eloquência, que se abrem e fecham, como verdadeiras páginas de enciclopédia...

E agora? Será que vai fazer companhia ao igualmente ilustre ex-Conselheiro de Estado, Duarte Lima? Ou será ilibado daqui a uns anitos de tão vil acusação? Oxalá, não tenha assassinado ninguém, senão ainda vai ter de ser "fechado" em casa preventivamente, para fingir que a Justiça é igual para todos. 

E o Marinho e Pinto é que era o mau da fita...E ainda há tantos coelhos destes para sair da toca.

19 janeiro, 2014

Sofrimento democrático




Os psicólogos lidam com frequência, nos vários campos e domínios institucionais em que trabalham, com o sofrimento psicológico e com a dor mental. Os técnicos de intervenção social, quando trabalham em certas áreas e franjas populacionais, lidam com a vitimação colectiva e o sofrimento social. Pois há ainda um outro sofrimento que anda agora a alevantar-se e a que vou chamar sofrimento democrático. É menos óbvio, é mais insidioso e só atinge quem interiorizou a democracia enquanto liberdade, responsabilidade, compromisso ético e atitude cidadã – o que não é nada que se adquira automaticamente nem vá lá com discursos de boas intensões.

A expressão pode ser equívoca. O sofrimento democrático, para um saudoso do salazarismo, é o mal-estar que vive desde 1974. Para mim, seria passar horas intermináveis na Assembleia da República a ter de escutar certos parlamentares. Se mandasse, encarregava uma empresa de recursos humanos de fazer uma selecção profissional competente, exigente e rigorosa – quantos dos atuais ficariam nas bancadas de S. Bento?

Sofrimento democrático foi também o que aconteceu a não poucos portuenses durante os últimos doze anos de gestão autárquica do Porto. Não me fez mossa a mim, mas fez à cidade – o que é um modo também de me fazer mal. Mas tocou-me sobretudo o que sofreu muita gente da que, por capricho de decisões no campo das políticas sociais, se viu obrigada a sair dos seus contextos de vida com o falso argumento de que se estava a resolver o problema dos “bairros das drogas”. Para quem duvidar, é só ir agora ver como já está resolvido… Num mundo a alta velocidade, dir-me-ão que isto já não é notícia. Pois não. Notícia é uma torre do Aleixo a ser implodida, são os gritos entusiasmados dos que vêem ao longe e os gemidos de dor de quem via de perto. Agora, o sofrimento democrático prossegue em silêncio. Porque aquela gente não se evaporou, continua a viver todos os dias, em muitos casos pior do que antes da inteligente solução que a câmara ofereceu ao seu bairro… Entretanto, Rui Rio deve andar já a preparar o próximo lugar de onde nos oferecerá mais sofrimento democrático.

Sofrimento democrático é ver um governo em que o vice-primeiro ministro recolheu 12% dos votos nas urnas – quer dizer, 88 em cada 100 dos que votaram não o escolheram a ele. Sofrimento democrático é estar quase a vê-lo ir-se embora ao som dum “irrevogável” e vê-lo depois reentrar com poderes reforçados. Sofrimento democrático é ver José Sócrates instalar-se em pezinhos de lã em Paris, fugindo assim à queda no abismo que ajudou a cavar, e ter agora de o ver trepar outra vez ao palco televisivo como se a sua opinião fosse fulcral para os nossos destinos. Até onde trepará ainda? Até onde treparão os que sucessivamente nos desgovernam? Tenho uma sugestão: já que subir é sempre para mais alto, por que não promovem Durão Barroso daqui a uns meses, quando largar o tacho europeu, a embaixador da UE na lua? Teríamos finalmente o primeiro português no espaço, última fronteira da diáspora lusa.

Quando, há uns tempos, o governo de Passos Coelho tomou posse, pareceu-me logo que o sofrimento democrático ia piorar. E quando se me tornou claro o que nos iria acontecer até ao final do mandato desinteressei-me de mais notícias: desliguei dos noticiários televisivos, desisti dos blogs de política, das colunas de opinião (menos da minha, claro), neutralizando deste modo a máquina de tortura. Porque as notícias da política governamental e do seguidismo da maioria parlamentar que diz ámen são o contrário do que devia ser um organismo que governa: tiram-nos o que ganhamos, tiram-nos o que não ganhamos (no caso dos reformados), tiram-nos a esperança, tiram-nos a vontade. E fazem-no em tom de ameaça, como quem governa um bando de gente miúda.

Mas pior ainda do que tudo isto é a pressa com que se afadigam a mudar os fundamentos do regime, porque simplesmente não gostam da ideia de Estado Social e gostam da ideia de Estado neoliberal. São gostos, eu sei. Mas não foram legitimados nas urnas, assemelhando-se assim a abuso do poder. O sofrimento democrático é isto: esta dor de alma de ver uns quantos a achar-se no direito de decidir o destino de todos à revelia destes. Não é isto ainda uma ditadura, porque apesar de tudo estas são piores, porque já neutralizaram os mecanismos autocorretivos dos sistemas político e social, porque interrompem a ideia, cortam a palavra, perseguem e maltratam. Não, não é ainda uma ditadura – mas é uma espécie de pós-democracia. E a pós-democracia, a mim e com certeza a muita e muita gente, enche-me de sofrimento democrático.

(Porto24)

Links (Grande Porto)

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Frente Atlântica acusa Governo de “erro de cálculo” no IMI que ameaça contas municipais

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BE quer ARS Norte no Parlamento a explicar atendimento urgente no Porto

17 janeiro, 2014

Sobre a entrevista de Pinto da Costa ao Porto Canal...


 


...não fiquei propriamente surpreendido. Os sinais que vinham dos lados do Dragão, ou talvez a falta deles, indiciavam que Paulo Fonseca ia manter-se no comando técnico da equipa principal.  Isto, é Pinto da Costa no seu melhor estilo de líder. 

Não obstante a saída prematura da Champions, com os danos financeiros que isso implicou, e a saída do primeiro lugar no Campeonato, a verdade é que ainda há uma segunda volta e a diferença para o 1º. classificado é apenas de 3 pontos, portanto perfeitamente recuperáveis. Isto, se Paulo Fonseca souber aproveitar a oportunidade de estar num clube como FCPorto e com um presidente-líder, como é, indiscutivelmente Pinto da Costa. Acresce, como referi alguns posts atrás, que ainda estamos com tudo em aberto nas outras provas (Liga Europa, Taça de Portugal e Taça da Liga).

Tenho de ter muito cuidado com o que escrevo, embora me esforce por fazê-lo, porque há determinado tipo de leitores que só tem olhos para ler a parte dos textos que lhes convém, ainda que tenham à frente do nariz a resposta para as suas "dúvidas" se os lerem atentamente até ao fim, sem discriminações de ordem gramatical (que também as há...).  Percebo que é desconfortável ler aquilo que não gostamos, pela singela razão de sabermos que o que lemos é verdade. Vai daí, sentir-me obrigado a realçar que, apesar dos elogios que fiz a Pinto da Costa uns parágrafos acima, não partilho da sua confiança nas qualidades do treinador, a não ser que entretanto se produza uma metamorfose de estilo e de métodos. Se assim for, tudo ainda é possível. Aliás, a parte que Pinto da Costa reservou ontem às arbitragens seria  desnecessária se Paulo Fonseca a tivesse assumido nas conferências de imprensa após os jogos em que o FCPorto foi prejudicado. Nunca para justificar as más exibições, mas para marcar posição, de modo a não deixar a ideia que esteve distraído, ou que os árbitros não tiveram influência nos resultados. Paulo Fonseca já devia saber que o FCPorto é discriminado pela comunicação social sectária de Lisboa. Portanto, calar estas coisas não é propriamente a melhor estratégia. Assim mesmo, embora não acredite em milagres, pode ser que as palavras de confiança que Pinto da Costa lhe dirigiu os consigam... É um risco, mas o Presidente portista é mesmo assim.

Faltou porém à entrevista um tema muito importante: o futuro próximo do Porto Canal. Não para abordar os detalhes sigilosos da empresa, mas para dar uma explicação aos portuenses e nortenhos sobre os imensos "tempos mortos" do canal, bem como para falar dos projectos a curto médio prazo que há para realizar (se é que os há...). Pinto da Costa é Presidente do FCPorto mas não é pessoa estranha ao Porto Canal, pelo contrário, é um dos seus maiores responsáveis no momento.

A vertente da comunicação está a ser o grande calcanhar de Aquiles do FCPorto, sobretudo com a informação desportiva (não me refiro aos conteúdos), nos directos,  e nas áreas de debate desportivo. O que agora se faz, é consensual, mas acrítico. Não se entende que não exista uma maior aproximação e articulação entre o Canal e as audiências-alvo (que deviam incidir preferencialmente no Norte), porque é aí que se encontra o mercado mais fiável, mas um mercado pouco aberto a deslealdades e novelas do género "Perdoa-me". Por isso considero extemporânea a ideia de "dar o passo maior que a perna", de cativar público a Sul antes mesmo de adquirida a adesão maciça a Norte, sobretudo quando a justificação para as aberrações dos programas repetidos, uns em cima de outros, gira à volta da falta de recursos (e dinheiro).

Em suma: foi uma entrevista para serenar os ânimos dos adeptos portistas, não foi uma entrevista abrangente ao universo nortenho. Em que ficamos? Será possível ter um canal do Porto para o Norte e para o Mundo (como o Juca gosta de dizer) auto-estigmatizando o Porto Canal? Os dois temas (FCPorto e Porto Canal) não podiam ser discutidos no mesmo programa? Só faltava agora dizer que para Pinto da Costa falar sobre televisão teria de ir "na qualidade" de Pinto Balsemão"...

15 janeiro, 2014

Bem feito!


Só mesmo um cretino (ou gente ligada ao Governo),  terá lata para se indignar com a atitude do proprietário deste restaurante. 

Ao contrário dos governantes, este homem teve de facto coragem, porque inverteu a lógica cobarde do Governo, que é ser forte com os pobres e fraco com os ricos. Só pelo gesto, dá-me vontade de ir à Bairrada comer um leitãozinho...

É falso, é verdade? Que importa, os gajos do governo sempre foram uns trapaceiros! É assim, olho por olho, dente por dente. Nem mais! Deviam comer sempre do veneno que semeiam. Gostei!

13 janeiro, 2014

Um FCPorto à imagem do Porto Canal

Basta! Pela parte que me toca vou-me deixar de romantismos e esforçar-me por conter o que resta do meu já muito depauperado optimismo. A partir de agora procurarei ser menos entusiasta quando entender elogiar alguém, porque hoje em dia as pessoas mudam  depressa de opinião e de comportamento. Alguém disse um dia uma frase que se tornou célebre: "no futebol, o que é verdade hoje, amanhã é mentira". Creio que o autor foi o ex-presidente do Victória de Guimarães, Pimenta Machado. Estava cheio de razão, apenas se equivocou por defeito, porque a frase tem uma dimensão muito mais ampla, é transversal a toda a sociedade. Falar-se hoje de carácter tornou-se numa armadilha, já poucos falam dele e menos imaginam sequer o que seja. Portanto, calma com as apreciações positivas. É mais seguro criticar, mesmo correndo o risco de nos enganarmos, de sermos injustos, mas pelo menos poupámo-nos a decepções.

Ao longo do tempo que levo a escrever neste bolgue alimentei, por momentos, a esperança de que a vida mudasse, para melhor, na forma de se fazer política em Portugal. Combati tenazmente o centralismo, defendi o Norte, o Porto, o FCPorto e sobretudo o seu Presidente, como provavelmente nenhum dos que o rodeiam o faria. Animei-me com o nascimento do Porto Canal, imaginando que o Norte ia finalmente ter voz própria e solta de complexos de inferioridade. Reforcei o entusiasmo quando soube que o FCPorto passou a ser co-proprietário do Canal. E no entanto, tudo parece estar a desmoronar-se. 

Já aqui referi, mas tenho obrigação de repetir, o Porto Canal está pior gerido agora que no tempo em que era dirigido por Bruno de Carvalho. Hoje tem mais pessoal, é verdade, mas os resultados são decepcionantes. Só para terem uma ideia, em poucos dias contei 5 entrevistas repetidas conduzidas por Maria Cerqueira (que desperdício Maria!) ao ex-futebolista Norton de Matos. Cinco! E como imaginarão não passo a minha vida a sintonizar o canal... Tem sido o pão nosso de cada fim de semana. Está visto que não se faz programação. Por quê, senhor Júlio Magalhães (Director Geral)? Por quê, senhor Domingos Andrade (Director de Programas)? Serão V. Exas capazes de explicar a relevância deste tipo de programas e destes protagonistas? O que é que a vida desta gente poderá interessar aos nortenhos se já é por demais conhecida através dos canais lisboetas?  No Norte (já não digo apenas no Porto), ter-se-ão esgotado as referências regionais? Serão assim tão reduzidas e irrelevantes? Por quê esta psico-dependencia, esta atracção fatal pela capital e pela sua gente?  Será que a direcção (e o pessoal) do Porto Canal pretende colocar-se no miserável papel de bajulador para cair nas boas graças centralistas e garantir assim um possível lugar ao sol em Lisboa, no caso das coisas correrem mal por aqui? Pois se é essa a ideia, então estão no caminho certo. Continuem então a transformar o Porto Canal num enfadonho estúdio de gravações, chatas e imprestáveis, e numa sala de visitas para alguns amiguinhos dilectos, e o objectivo será alcançado, mas deixem de apregoar a defesa dos interesses da região, porque isso não passa de um embuste. A defesa da região não começa e acaba na reprodução das notícias de faca e alguidar do JN.

Tenho procurado conter-me, dar tempo ao tempo. Mas o que está a acontecer é demasiado mau para ser omitido. Se foi só para isto que o FCPorto ficou com o Porto Canal e nem sequer sabe dar cobertura aos acontecimentos desportivos mais relevantes [como o de ontem], então o melhor é desistirem da ideia de fazer televisão, porque talvez as pessoas contratadas para o efeito não sejam as indicadas para um projecto desta importância. O que se vem verificando, é que a par da inoperacionalidade do Porto Canal anda a ineficácia e a baixa de qualidade do futebol da equipa principal, o que pode querer indiciar que Pinto da Costa não foi feito para jogar nos dois tabuleiros. Então, é melhor que se dedique àquilo que sabe: ao futebol. E se for caso disso, que venda o Porto Canal a Lisboa. Com amizade... 

12 janeiro, 2014

Benfica 2 - FCPorto 0, o resultado expectável, mas...

com uma arbitragem que envergonha a memória do rei Eusébio, mas não envergonha a memória do clube mourisco, porque esse gosta é de árbitros com esta personalidade, que lhes facilite a vidinha...

Mais uma vez, o treinador do FCPorto não teve estaleca para ganhar a um Benfica de 2ª. categoria e muito ajudado por uma arbitragem sectária e altamente influenciável.

Nada está perdido? Pois não, o campeonato ainda está na sua metade, mas os indicadores não são para optimismos.

PS-Por sua vez, o Porto Canal de Júlio Magalhães e de Domingos Andrade foi incapaz de acompanhar os acontecimentos à altura das expectativas dos espectadores. O Benfica-FCPorto terminou e não se fez, em tempo útil, absolutamente nada para abordar e discutir os lances mais polémicos de um jogo com a importância deste, uma vez que foi disputado com um rival directo. Deixou a missão ao critério da concorrência. A isto chama-se desleixo, incompetência e a direcção do FCPorto não fica isenta de responsabilidades. Esta, também não é uma televisão à Porto. Estamos mal este ano, e não é só no futebol...

10 janeiro, 2014

Porto, Gaia e Matosinhos ganham força com união

Aplaudo esta iniciativa de cooperação no estabelecimento de políticas de investimento para uma área mais alargada do que cada um dos municípios envolvidos, permitindo assim uma gestão mais racional, eficiente e eficaz dos recursos existentes.
Rui Moreira, Eduardo Vítor Rodrigues e Guilherme Pinto estão de parabéns e dão um grande exemplo a todos nós.
A competitividade das cidades e das regiões também se faz em colaboração, deixando de lado o paradigma da competitividade e a réplica de investimentos.
A cooperação e a repartição de recursos são a própria lógica dos movimentos regionalistas e descentralizadores, sendo que a Área Metropolitana do Porto é uma organização que há muito deixou de ser eficaz e fazer sentido.  
A regionalização é um processo de ganho de escala, intermédia entre o município e o país como um todo, por fazer mais sentido assim investir e depois gerir.
Regionalizar não é só um exercício puro de tirar poder acima, ao Estado Central,  para o dar abaixo, a outra entidade. É, sobretudo, e nos tempos que correm, “tirar” poder abaixo – aos municípios – para o dar a uma entidade acima – a região, uma associação de municípios – por uma questão de racionalização dos recursos públicos e eficácia na aplicação dos privados.
Este senhores Presidentes de Câmara estão a dar uma lição a quem verdadeiramente se preocupa com o melhor para Portugal.
Mas, como o tema é a candidatura a fundos comunitários, há três pontos que a mim me preocupam no caso da cidade do Porto.
Recordo, que seria tempo de começar a preparar a candidatura da reabilitação do Mercado do Bolhão aos fundos do Portugal 2020, que esperemos disponíveis no início do segundo semestre de 2014.
     1 -  Sobre  a reabilitação do Mercado Municipal do Bolhão, não é  para mim assim tão  líquido que a mesma só possa ser feita se existentes fundos comunitários, tendo como  a outra  alternativa a sua entrega a privados, mesmo que parcial, deixando os “frescos” de fora.
    Façamos contas. Afinal não é esse o lema da cidade, ou de um porto?
    Os fundos comunitários servem para melhorar a rentabilidade de um projecto , que deverá ser viável sem eles.  
     
    Para isso, basta saber qual o valor e o cronograma de investimento ,   bem como o número de lojas e de balcões de venda, antes e pós projecto, e respectivas rendas, actuais e previstas.

     
    A montagem de um projet finance passa por endogeneizar os projectos. Isto é, pagam-se com o “pelo do próprio cão”. Para isso, acrescem-se os custos com os prémios de  seguradoras, que cobrirão despesas acima do previsto e as receitas aquém do esperado.  

    Não há aqui surpresas.
    Os fundos comunitários a receber ao longo da realização do projecto, entretanto objecto da candidatura, abaterão ao valor da dívida contratada, que foi assegurada no pressuposto de não existirem estes apoios comunitários, e que é apenas garantida pelas receitas previstas da actividade do Mercado – certas, dada a intervenção da seguradora -, nunca pela hipoteca do imóvel.   
     
    2 – Mexe comigo, e mal, a ideia de que o ex-Matadouro de Campanhã seria mais um depósito, agora logístico para PME's, ou seja, mais um mercado abastecedor junto do outro. Camiões, camionetas e carros a andar de um lado para o outro. Não estou a perceber muito bem o que se ganha na cidade com uma "nova Varziela". Rui Moreira tem demonstrado capacidade para muito melhor.
    Já chegava a  ideia  do parque das auto-caravanas no Parque Oriental.  
    Campanhã é a sede e o estádio do FC Porto. É empreendedorismo, liderança, risco e arrojo.
    Chega da ideia de depósitos de mercadorias, de dormitório, de ponto de partida e chegada  de trabalhadores para Lisboa. Ainda se fosse para Vigo, também … 
    Campanha exige um esforço para uma nova centralidade, própria , um parque empresarial.
     
    3 -  Uma parceria que também falta, com Gondomar, ligada à falta de visibilidade do Parque Oriental do Porto, que só encontro explicação porque quem tem sido responsável, seja da Câmara, seja de quase todos os Institutos e Empresas da cidade, só conhecer um dos lados da cidade.

    Falta uma simples sinalização adequada para encontrar a entrada do próprio parque.
    Assumo, nasci em Campanhã e tenho dificuldade sem saber onde é a porta de entrada.
Sopram bons ventos do Grande Porto.
Saibamos colaborar, apoiar, fazer.
Let's do Porto, Gaia, Matosinhos.
José Ferraz Alves

05 janeiro, 2014

Ainda sobre o portocentrismo

Não, não é da morte de Eusébio que vos quero falar, embora a lastime, naturalmente. Todas as mortes são lamentáveis, e esta não foge à regra, de mais a mais tratando-se de um dos melhores jogadores naturalizados portugueses (Eusébio era de origem moçambicana) que jogaram em Portugal. E por aqui me fico, deixando à imprensa reacionária do  país a responsabilidade de transmitir as condolências ao ritmo da maratona.

Quero falar justamente de temas que poderão contribuir para a abolição do totalitarismo mediático e reaccionário que acima citei e que se reinstalou em Portugal  depois do 25 de Abril. Um desses temas, é o da luta que é preciso reforçar contra o centralismo, e contra os obstáculos que todos nós nortenhos, devemos procurar transpor para que esse desiderato seja atingido sem mais delongas.

Há dias, transcrevi aqui um artigo de José Mendes sobre o Portocentrismo que foi seguidamente comentado por mim e mais tarde também abordado no último programa do Porto Canal "Pólo Norte", o que significa que nem tudo o que se escreve no Renovar o Porto é ignorado.

Nesse comentário referi a minha concordância com o autor do artigo da necessidade de Rui Moreira dever alargar a chamada Frente Atlântica a outras cidades do Norte, mas discordei da sua conclusão, que acusava as 3 autarquias (do Porto, Gaia e Matosinhos) de uma estratégia planeada tendo em vista a obtenção de vantagens nos fundos europeus destinados ao Norte. Admito que o problema seja da minha boa fé e que José Mendes visse nessa iniciativa uma conspiração portocentrista, mas não creio que Rui Moreira, assim como os autarcas de Gaia e de Matosinhos, tenham  tido uma visão tão redutora de uma frente de carácter político e regional com as ambições que o Norte precisa. Suponho mesmo, que ninguém (nem os mentores) conhece exactamente os objectivos da Frente Atlantica, por isso me limitei a realçar o espírito congregador da iniciativa e a avaliei como um primeiro passo no sentido de "muscular" (sem assustar) as autarquias mais próximas para futuras batalhas com o poder central e ao mesmo tempo como uma forma de facilitar a resolução de problemas comuns às 3 autarquias. 

É sempre preferível dar um passo, do que não dar passo nenhum, excepto se esse passo nos conduzir a um abismo (o que não me parece ser o caso)... Sempre que oiço alguém dizer que "ainda" não é oportuno criar a Regionalização, já sei que essa pessoa não a vai querer nunca, e o tempo vem-me dando razão.

Com estas ciumeiras, ou suspeitas [não entendo bem], é que não se chega a lado nenhum. Análises precipitadas sobre "centrismos" podem-nos levar ao papel mesquinho de invejar o carro do nosso vizinho, e dividem-nos. Para os nortenhos, o primeiro passo terá de passar por unir todo o Norte em torno de um objectivo comum. Repito: é preferível dar um passo de cada vez do que não dar passo nenhum. O Norte precisa de coesão, de construir um ideal colectivo, precisa de bairrismo mas não de um bairrismo paroquial e divisonista, mas sim de um bairrismo unitário e profundamente regionalista.

Além de mais, a questão que coloco é esta: se há dúvidas, por que é que não se procura dissipá-las junto dos visados? Meus senhores, dialogue-se, proponha-se, esclareça-se, construa-se, organize-se e evite-se a germinação de fracturas. Esse sim, tem sido o grande problema dos nortenhos em geral, e não exclusivamente  dos portuenses.

30 dezembro, 2013

UM FCPORTO SEM LIDERANÇA NO BALNEÁRIO E NO TREINO

Pessoalmente, já não tenho muito a acrescentar ao que penso das capacidades técnicas, tácticas, estratégicas, e de liderança, de Paulo Fonseca. Já disse tudo.

Resta-me aguardar o que irá fazer (se fizer) a estrutura directiva do FCPorto. Se tenciona esticar a corda toda e manter o treinador até ao limite do possível (conseguir guardar alguma coisa para ganhar esta época), ou se estará disposta a continuar a aposta arriscada em Paulo Fonseca e sujeitar-se a perder tudo aquilo que ainda pode conquistar (Campeonato, Taça de Portugal, Liga Europa e Taça da Liga), o que poderá implicar a assunção implícita do fracasso de todo uma época.

Vista a situação pelo lado positivo, temos de admitir que ainda há 4 competições em disputa, que está "tudo" em aberto, mas já sem acesso aos milhões da Champions, que tanto jeito dariam aos cofres da SAD. Realisticamente pensando, e fundamentado no péssimo futebol exibido pela equipa há mais de 5 mêses consecutivos, corremos o risco de continuar a ver o FCPorto praticar o pior futebol dos últimos 30 anos... e sem resultados.

Paulo Fonseca, será para continuar? Se sim, teremos de concluir que não é o único teimoso no clube. E se não sabem o que eu penso dos teimosos, façam o favor de ler aqui.

23 dezembro, 2013

Se houvesse Justiça

Eu não sei se os tribunais reconhecem oficialmente [ou não] que a Justiça não está a ser aplicada a todos e da mesma maneira. Não sei se reconhecem que a Justiça está a intensificar a protecção e a deixar fora da sua alçada aqueles que mais obrigações têm de a respeitar. Melhor que ninguém, os juízes deviam saber o que a expressão latina dura lex sed lex quer dizer [a Lei é dura, mas é Lei]. Por outras palavras, que a Lei só se reconhece na irreversibilidade do rigor.

O rigor pressupõe precisão e severidade,  justamente o contrário  da complacência e da flexibilidade. Logo, não havendo rigor na aplicação da Lei a Justiça está sem dúvida a ser mal exercida, está a ser INjusta. Apenas em casos específicos, particularmente com os mais carenciados ou com comprovados inimputáveis é que o rigor da Lei pode fazer algumas concessões. Mas, não é bem isso que acontece. As concessões estão a ser feitas àqueles que podem defender-se melhor, ou seja, os poderosos. Uma justiça assim, também carece ser julgada...

Volto de novo à questão da democracia representativa [que é o modelo em que vivemos] para lembrar que o poder não caiu à rua, que o povo vota e delega em terceiros o poder e a responsabilidade de o governar, não se governa a si próprio. Poder e responsabilidade são duas proposições que se devem contrapor como factor de equilíbrio, nunca como conjugação de prepotência. Se há poder, há responsabilidade, e o poder só deve crescer se for proporcional à responsabilidade. Assumida.

Então, que conclusão podemos tirar? Que tem sido esse o padrão comportamental de quem nos tem governado e de quem nos tem julgado? A resposta não merece dúvidas: Não! Afinal, quem é que devia estar a pagar a crise? Nós, os governados, ou os governantes? Ninguém estará interessado em esclarecer de uma vez este embuste? Por que é que os cidadãos devem ser bons cidadãos se os governantes são péssimos governantes e abusam do poder? Por que temos nós de pagar impostos se eles não os pagam. Por que temos nós de ir para a cadeia só por falar se eles não vão por falcatruar? Por que temos nós de  ser julgados quando eles têm como fugir dos julgamentos? Vão dizer que isto é mentira? A sem vergonhice dará para negar esta realidade? Não são todos, já sabemos que não devemos exagerar. Muito bem. Então por que é que Cavaco nunca se mostrou publicamente indignado com as canalhices dos seus colegas de partido e homens de confiança que estiveram envolvidos no escândalo BPN? Imaginará ele porventura que o seu silêncio nos fará dissociá-los uns dos outros como se fossem ilustres desconhecidos? Imaginará que pensamos que são de níveis éticos muito diferentes? Pelo contrário, o silêncio de Cavaco em relação aos seus antigos homens de confiança, Dias Loureiros, Duartes Limas e Oliveiras e Costas, não apaga a relação entre eles nem as identidades, antes as une e lhes acrescenta afinidade.

Se houvesse realmente Justiça, Cavaco Silva jamais seria Presidente da República, ou sendo-o, depois do BPN, hoje já não o era. 


21 dezembro, 2013

Carlos Eduardo

Ainda é cedo para se poder traçar um perfil consistente das qualidades do médio do FCPorto, que tantas expectativas está a levantar aos adeptos portistas. Mas há coisas que não enganam, para lá das suas valências como jogador: a sua personalidade. Posso vir a arrepender-me do que hoje estou a dizer, porque as pessoas mudam bruscamente, mas é assim que penso neste momento. Carlos Eduardo reúne todas as características daquilo que deve ser um jogador à Porto. Tem qualidades técnicas, inteligência, humildade, garra e boa têmpera. Nem sempre é possível, porque não há muitas pessoas com este perfil, e ainda menos no mundo do futebol, mas deviam ser assim todos os jogadores do FCPorto.

Carlos Eduardo sempre aceitou, sem reclamar, o facto de não ter sido inscrito na Champions por opção do seu treinador, nem ser encaminhado muitas vezes para jogar na equipa B. Quando entrevistado, não personaliza demasiado a sua importância na produção da equipa optando preferencialmente pelo colectivo. Posso enganar-me, mas o FCPorto tem aqui um diamante já meio lapidado. Oxalá saiba aproveitá-lo e rentabilizá-lo, como costuma. Tem a batuta, o treinador.
CARLOS EDUARDO

19 dezembro, 2013

Jornalismo à Pingo Doce

Já todos sabemos que os jornalistas não gostam de ser criticados, que preferem que os leitores aceitem incondicionalmente tudo o que escrevem e decidem, como se fossem proprietários exclusivos do saber. Afinal, esta forma de estar na vida não difere por aí além da dos políticos e de outras profissões com algum peso social. Julgam-se insubstituíveis a tal ponto que nem se dignam admitir que alguém, que não os próprios, possa ver as coisas com mais objectividade que eles. É pena que assim seja, porque se descessem mais vezes à terra, em vez de levitarem na inocuidade das sua convicções e das entrevistas à la carte, talvez prestassem melhor serviço público do que imaginam.

Os anos que tenho de idade a ler e a conhecer jornalistas são demais para poder tolerar o marasmo em que a classe se deixou cair. A ideia com que ficamos  muitas vezes é que, mesmo quando se atrevem a usar da irreverencia junto de algumas figuras públicas poderosas, nunca tocam nos pontos mais incómodos de forma a deixá-las sem resposta. Parece que já ficam realizados com a glória de ter conseguido a entrevista. A proximidade com os poderosos inibe-lhes a coragem e fá-los imaginar estarem no mesmo patamar de importância, ainda que por instantes. A vaidade tem destas coisas...

Não tenho a menor dúvida do que atrás escrevi, porque se assim não fosse nunca mais veríamos na televisão figuras como o dono do Grupo Jerónimo Martins (do Pingo Doce) a dar pareceres políticos,como se fosse alguém com estatuto cívico e moral para o fazer. De todas as ocasiões que Alexandre Soares foi à televisão, não me lembro de nenhum jornalista lhe ter perguntado porque é que não pagava condignamente aos seus empregados para ajudar a economia a rolar, e porque é que sediou a empresa na Holanda e fugiu ao fisco escandalizando o país inteiro... Mas não. Só podemos deduzir que o exemplo deste "grande" empresário deve ser para louvar, caso contrário não se entenderia porque continuam a chamá-lo à televisão. O resultado é que cada vez o homem diz mais disparates, mas tal como num Big Brother ele aproveita para se achar importante. Mas, pior que ele, é o jornalismo de sarjeta que se continua a fazer em Portugal.  O jornalistas querem audiências não querem mudar o país.


17 dezembro, 2013

RTP 2 vai passar para o Porto. Irá mesmo? E em que condições?

A produção da RTP2 vai passar para o Porto, uma transferência que já está a acontecer, disse à Lusa fonte oficial da Rádio e Televisão de Portugal (RTP).

“Toda a produção da 2 vai passar para o Porto e outras produções de outros canais passam também para o Porto”, nomeadamente da RTP 1 e da RTP Internacional, afirmou a mesma fonte, adiantando que esta decisão da Administração liderada por Alberto da Ponte não traz encargos extra já que alguns serviços que eram contratados externamente passam a ser feitos dentro da estação pública.

Questionado sobre se a decisão implica a contratação de trabalhadores ou a ida de alguns de Lisboa para o Porto, a mesma fonte disse apenas que esta “significa a melhor utilização dos meios humanos e físicos que existem no Porto”.

Os serviços de produção da RTP2 vão começar a ser transferidos ainda durante o mês de Janeiro.
(do jornal Público)


Nota do RoP:
Notem bem as preocupações de quem está mal habituado. Em vez de se regozijarem com a notícia [que ainda nem sequer está garantida], os jornalistas querem é saber se o pessoal de Lisboa vai ser transferido para o Porto, em vez de procurarem saber quantos postos de trabalho serão abertos aos nortenhos, que como é sabido têm sido muito mais flagelados com o desemprego que qualquer outra região do país. Por outras palavras, o que eles querem dizer é o seguinte:  se querem descentralizar descentralizem, mas nunca à nossa custa.
Tenho a impressão que isto ainda vai dar muito que falar. Aguardemos...   

15 dezembro, 2013

Portocentrismo


 

Porto, Gaia e Matosinhos resolveram criar uma liga de cidadesquecendo o passado dividido, por vezes conflituoso. Procuram uma Frente Atlântica, que poderá mesmo dar origem a uma associação de municípios, para perseguir interesses comuns. Aquilo que, em abstrato, seria uma boa ideia tem todas as condições para se transformar num movimento divisionário típico do pior portocentrismo.

A forma mais benigna de olhar para esta nova liga é considerá-la um exercício exploratório de um objetivo de união mais amplo. Vale aqui recordar que Rui Moreira defendia há 10 anos a criação de uma única cidade, unindo o Porto, Gaia e Matosinhos, invocando a mais óbvia de todas as razões: não existe fronteira real entre as três. É bom de perceber que não é aceitável que três presidentes recém-eleitos coloquem sobre a mesa a fusão dos respetivos municípios, sobretudo quando tal não estava explícito nos seus manifestos eleitorais. Assim, iniciar um processo de aproximação mais técnico e menos político permitiria ir, paulatinamente, entranhando a ideia da cidade única. A verdade é que os três autarcas emprestaram à iniciativa um simbolismo político mais amplo do que um simples processo incremental de aproximação.

Abre-se, assim, espaço para uma leitura menos prosaica, que é a de que o Porto vira costas à região. A história recente da região Norte revela um espaço geográfico, administrativo e político muito dividido e muito desequilibrado, que entrou numa deriva de empobrecimento verdadeiramente vergonhosa. E, por muito que o Norte grite contra o centralismo de Lisboa, quase sempre com razão, a suposta liderança desta região tem também sérias responsabilidades nesta rota de insucesso. O Porto, sempre mais preocupado com o seu umbigo, não tem sabido nem querido liderar. Satisfaz-se com o exercício do controlo dos fundos do Programa Operacional Regional, capturando por completo as estruturas de decisão, esquecendo que, com isso, enfraquece toda uma região e, por maioria de razão, definha ele próprio.

A prova acabada desta visão curta é a declaração que os autarcas do Porto, de Gaia e de Matosinhos vão assinar contra "o reforço centralista" da RTP. É claro que o Centro de Produção da estação de televisão pública em Vila Nova de Gaia tem de ser preservado, e sobre isto sou insuspeito pois já o defendi neste mesmo espaço, mas o que estes três autarcas parecem ignorar é que esta é uma infraestrutura que serve e interessa a toda a região Norte. A lista de subscritores de tal documento teria de ser mais regional e menos portocêntrica.

Mas é ao nível da Área Metropolitana do Porto (AMP) que a nova Frente Atlântica causa mais engulho. A AMP foi recentemente redesenhada, num exercício cínico de lhe conferir uma massa crítica esmagadora face às restantes NUT3 do Norte. Foram assim considerados metropolitanos municípios como Arouca, Oliveira de Azeméis e Vale de Cambra, o que não deixa de ser surpreendente. A razão reside, naturalmente, na perspetiva de este ser um nível territorial supramunicipal privilegiado na atribuição de fundos europeus. Tal facto faria supor um aguçado apetite pelo controlo do Conselho Metropolitano. Surpresa das surpresas, assim não foi. Os municípios de maior peso mostraram-se muito desinteressados no processo, acabando por ser eleito presidente Hermínio Loureiro, um autarca muito competente que, todavia, representa um município de menor peso.

Percebe-se agora que havia já uma estratégia autónoma para a captação de fundos por parte de Porto, Gaia e Matosinhos, a qual será, quer queiramos, quer não, conflituosa com a estratégia que estava já a ser iniciada pelo Conselho Metropolitano do Porto. O facto de este órgão não ter tido conhecimento da nova liga de cidades é bem elucidativo.

O desconforto está instalado a todos os níveis. Na capital, o que me preocupa pouco, mas também na CCDRN, na AMP e em muitas das mais importantes cidades e municípios da região.

Não escondi o meu ceticismo quando, no seu discurso de tomada de posse, Rui Moreira se referiu a uma liga de cidades. Achei a ideia demasiado vaga para merecer uma referência explícita. Esperei. Confesso hoje que o meu ceticismo, ao invés de se diluir, se intensificou. Temo que possamos ter mais do mesmo.

Nota de RoP:

Sempre embirrei com esta mania, [ainda mal resolvida], de relacionar o protagonismo do Porto com o portocentrismo [versão "regionaleira" de centralismo que alguém, em má hora, se lembrou de inventar]. Em primeiro lugar, porque a responsabilidade  de descentralizar ou concentrar o poder, parte, antes de mais, de quem o detém, ou seja, do Governo central, e não das autarquias, cujas competências já de si limitadas pouco podem fazer e decidir a nível nacional contra a macrocefalia do poder do Terreiro do Paço. Em segundo lugar, porque por vezes se confunde o dinamismo próprio e histórico de cada cidade/região com a vontade intrínseca de nelas concentrar o poder, secando todas as outras. O Porto, tal como Braga [o autor do artigo é bracarense], tem a sua história ligada à do país, ainda mais importante que a da própria capital.

O autor tem razão quando refere que o Norte "tem empobrecido nos últimos anos o seu espaço geográfico, administrativo e político", mas mais por culpa do marasmo dos nortenhos em geral, do que por culpa exclusiva dos portuenses, porque de facto, ainda não foram capazes de se unir e afirmar como um contra-poder respeitável. Mas, não me parece oportuno, nem feliz, que no momento em que Rui Moreira consegue dar o primeiro passo no sentido de juntar as forças políticas do Grande Porto, coligando-se estrategicamente com as câmaras de Matosinhos e Vila Nova de Gaia, se veja nisto a intenção de virar as costas ao resto da região. Pelo contrário, pode ser o primeiro dos pequenos grandes passos que será preciso dar, com a inclusão das principais cidades nortenhas. Francamente, não creio que Rui Moreira tenha uma visão tão curta e mesquinha da descentralização.

Por isso me parece algo precipitada a conclusão de José Mendes, de mais a mais, quando a presidencia da CCDR-Norte não tem sabido bater o pé às decisões arbitrárias do governo central, como aconteceu recentemente, com o cancelamento abrupto de uma conferencia previamente marcada com o Governo no sentido de o informar sobre as necessidades e os destinos dos fundos europeus. O Dr. Emídio Gomes, limitou-se a calar e obedecer. O que me leva a concluir que este artigo foi redigido sob o efeito de alguma pressão, com os preconceitos regionalistas do costume, esses sim, divisionistas. 

Falar de portocentrismo depois de tantos entraves e marchas-atrás à Regionalização, é um contra-senso. O poder não está no Porto. O Porto é vítima do centralismo, tanto quanto Braga, o Norte e, sobretudo, o nordeste transmontano.

12 dezembro, 2013

Rescaldo do post anterior

Não foi preciso ser adivinho para prever o que ia acontecer no jogo de ontem. Continuo a manter o que sempre aqui escrevi: a responsabilidade pela contratação do treinador é, em primeiro lugar, do Presidente e de toda a Direcção, e a responsabilidade pelo desempenho e produtividade da equipa de futebol é, naturalmente, do treinador. Se entendermos avaliar o mau momento do FCPorto de uma forma mais anárquica esquecendo a importância das escalas hierárquicas sem ter de apontar o dedo a ninguém, então podemos dizer que a culpa é de todos.

Pessoalmente, não alinho nestas mariquices de culpar todos. Se nunca aceitei, e até considerei um insulto à minha dignidade, que os Governos responsabilizassem todos os portugueses pela crise de que só eles e os seus "amiguinhos" de eleição [bancos, PPP's, etc.] , foram responsáveis, não é por se tratar de futebol que agora vou mudar os meus critérios de responsabilização. O que sei, é que algo vai mal no reino do Dragão, o que me leva a suspeitar que esta época a alegria vai continuar arredia das hostes portistas, o que para nós é quase uma heresia, porque fomos bem habituados, durante os últimos anos... 

Mas no FCPorto nada é inultrapassável. Ao contrário de alguns pensadores, não creio que Pinto da Costa esteja finito. O que receio é não haver tempo para recuperar a equipa ainda esta época. Com, ou sem chicotadas psicológicas.

11 dezembro, 2013

Triangulo invertido? Mas por quê?



Que me perdoem a redundância, aos que pensam como eu, mas há quem não veja diferenças entre a esperteza e a inteligência. Eu vejo. O esperto, não pensa os obstáculos, cavalga sobre eles. O esperto, é aquele indivíduo que está atento a todas as oportunidades que o possam beneficiar sem pruridos de ordem moral e social, e por isso, sem preocupações com os efeitos secundários que as suas acções possam causar a terceiros. O inteligente, abdica naturalmente da esperteza porque tem uma concepção civilizada e humanista das coisas, o que o leva a agir com mais prudência e respeito pela inteligência dos outros. Esta peculiaridade  leva-o muitas vezes a perder muitas vantagens materiais, mas reforça-lhe a índole. Mandela, por exemplo, era um Homem inteligente. Cavaco, pelo contrário, é esperto e saloio.

Entre o teimoso e o determinado também há algumas diferenças a separá-los. O teimoso é o tipo sem flexibilidade para admitir que pode errar [Cavaco dizia que nunca se enganava] . Já o determinado, pondera os prós e contras, estuda, e faz experiências até descobrir a fórmula que melhor encaixa no seu projecto e aplica-a.

Mas desta feita não foi a pensar na política e nos políticos  que cheguei a esta conclusão, foi a pensar no jogo que o FCPorto vai disputar dentro de sensivelmente 4 horas, mais propriamente no treinador Paulo Fonseca. É que, a menos que haja engano, ao olhar para o esquema da equipa plasmada no JN fiquei com a certeza que Paulo Fonseca pertence ao grupo dos teimosos. Vai voltar a repetir o triangulo invertido, isto é com Fernando acompanhado de Defour - que é onde rende menos -, com Lucho [recém-lesionado] mais à frente, e com Josué no papel de (falso) lateral direito com Varela do outro lado. Será possível? É! Paulo Fonseca ainda não está convencido que o seu modelo de jogo não funciona, que está a desorientar os jogadores e os adeptos, mas vai, ao que parece, insistir no erro. Se der para o torto, terá desculpa tamanha teimosia? Eu acho que não tem. Primeiro porque o sistema é feio, em termos futebolísticos e é extremamente vulnerável. Segundo, porque nem sequer é um sistema resultadista. Por último, porque impedirá o clube de amealhar alguns milhões que a continuidade na Champions poderia proporcionar. 

Já  sei que em futebol tudo é possível, mas também sei que não foi com teimosia que o FCPorto habituou os adeptos a vencer. Foi com a determinação própria de quem estuda bem o seu trabalho e as equipas adversárias. A determinação admite o erro e prepara-se bem para o evitar. A teimosia tem palas.