29 março, 2017

Um país desgovernado por um clube


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Sondando a blogosfera portuense, observa-se que apesar da fama bairrista das suas gentes, são poucos os blogues temáticos sobre a cidade do Porto. Além do Renovar o Porto/As Casas do Porto, A Cidade Surpreendente/A Cidade Deprimente, A Baixa do Porto, o Amar o Porto e pouco mais, todos os outros blogues têm como tópico o futebol. É de facto redutor, para uma cidade com uma história tão rica como a do Porto, que vai muito para além do campo desportivo.

Há no entanto uma explicação para esta preferência que é quase consensual, que deriva da paixão que grande parte dos povos do mundo têm pelo futebol e que até lhe valeu a fama de desporto-rei. Em  Portugal, particularmente, ao contrário do que alguns intelectuais defendem, o futebol não aliena absolutamente, o futebol serve também para esclarecer outras realidades, desde que lhe dediquemos o tempo necessário, e que saibamos refinar a nossa capacidade de análise sobre os seus protagonistas fora dos bastidores clubistas. Esses protagonistas (os + perigosos), jogam fora das 4 linhas. Encontram-se nos partidos políticos, na Banca, na Federação P. Futebol, na Liga, na comunicação social, e até nos órgãos judiciais do país.

O Benfica tem sido protegido por toda essas estruturas, não há como negá-lo, porque é com esse apoio sincronizado que consegue manter-se acima da própria lei e manipular o que bem entende. De resto, outra coisa não faria sentido nem se compreenderiam as causas para tamanho descuido, sobretudo por parte da Justiça e do Fisco... Portanto, os tentáculos do polvo são mais longos e mais sofisticados do que à partida podíamos imaginar. 

A nossa luta, como adeptos, e a do FCPorto, enquanto clube/empresa e mesmo a do Porto Canal, vai ser dura e demorada. O Benfica é, em poucas palavras, o clube que melhor espelha a realidade do país, com fraudes, promiscuidade, tráfico de droga, e corrupção por todo o lado, que vão da política, às finanças públicas e ao desporto. Todos os dias deparámos com novos casos, e outros que julgávamos arquivados, são reanalisados. É um sufoco de malandragem, e malandragem da pior espécie. 

A memória remete-me inevitavelmente para uma questão intrigante: como será que o impoluto Rui Rio avaliará hoje o quadro do país sem ter o FCPorto e a Câmara do Porto para acusar de promiscuidade?

Ah, acho que descobri: o ex-presidente da Câmara portuense, tal como certos intelectuais de aviário, não liga ao futebol fora da periferia do Porto. Também ele, não viu, não ouviu, nem leu, nem sabe.

O futebol não tem nada a ver com o resto...

Compreendido.   

28 março, 2017

Insuficiências

Mariana Mortágua*

Queriam que ficássemos mais pobres, e o país empobreceu. Queriam-nos mais flexíveis, mais baratos, e o país criou o seu batalhão de precários quinhentos-euristas. Queriam-nos mais dóceis, e o país aguentou. Aguentou a troika e o Governo Passos/Portas. Aguentou o ataque aos salários, os impostos e a humilhação. Porque em terra de cristãos a culpa não morre solteira, a preguiça é um pecado e os povos honrados pagam sempre as suas dívidas. Ou assim nos foi dito.
Tudo o que Portugal recebeu desta Europa na última década foi autoritarismo e austeridade. Uma terapia de choque sem qualquer fundamento económico ou racional. Puro radicalismo ideológico misturado com uma boa dose de preconceito. Afinal, as declarações de Dijsselbloem não são mais do que uma interpretação rasca do discurso oficial da irresponsabilidade dos países do Sul.
Se excluirmos os juros, Portugal tem hoje o saldo orçamental mais elevado da Europa. Demasiado foi sacrificado para obter esse resultado, mas dizem-nos que não chega. O Banco Central Europeu quer agora sancionar o país pelos desequilíbrios macroeconómicos. É claro que não importa para esta história que, segundo as regras, o BCE não possa interferir com o poder político. E também não interessa que, segundo o mesmo procedimento que o BCE invoca, a Alemanha deveria ser multada. Sim, porque é tão desequilibrado o défice comercial em excesso como é o excedente predatório. Não interessa nada. A Alemanha é Alemanha, a França é a França, e em Portugal não chega.
Não chega para o BCE nem para a Comissão Europeia, que veio ontem recomendar mais cortes, mais permanentes. E também no sistema financeiro não chega. Não basta vender uma parte do Novo Banco, querem garantir que o Estado não manda, mesmo quando paga. Não chega, nem nunca vai chegar.
Pois vai sendo tempo de dizer que uma Europa onde só cabe quem obedece é uma Europa onde a democracia não chega, nem nunca vai chegar. E esse, sim, é o défice mais insuportável de todos.
* DEPUTADA DO BE

27 março, 2017

Cuidado com os cadastrados

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O rosto da inocência
encarnada

Após dois anos de uma inexplicável renúncia à indignação, e concomitantemente à defesa dos seus legítimos interesses - com as consequências danosas que se conhecem -, o FCPorto lembrou-se de quebrar o silêncio para voltar à sua génese combativa, denunciando a situação indecente de impunidade e proteccionismo intolerável de que aproveita o seu principal rival de Lisboa.

Ainda assim, fê-lo tardiamente, numa fase já avançada da temporada em que esse mesmo clube voltou a amealhar pontos, com a cumplicidade das arbitragens, patenteada em benefício próprio, ou indirectamente em prejuízo do FCPorto. Quanto a isto, só gente estruturalmente desonesta terá estofo para o negar (em Portugal é o que mais há, infelizmente).

O programa do Porto Canal, Universo Porto da Bancada, foi o meio de defesa escolhido, e quanto a mim, bem, porque é sem dúvida o mais indicado para atalhar caminho, poupando tempo, comprovando e compilando factos das acusações que apresenta. Pessoalmente, gostaria de saber de quem partiu a iniciativa, ou quem influenciou os dirigentes do FCPorto/Porto Canal, a avançar com o programa e porque não o fizeram mais cedo. Mas isso, são outras questões que poderemos abordar noutra altura só por uma questão de transparência e rigor analítico...

Como era de prever, os resultados falam por si. Aqueles para quem tudo estava impecável, enquanto eram protegidos jornada após jornada, e o FCPorto altamente lesado, com esta pedrada no charco chamada Universo Porto da Bancada, os emissários do "fair play e da verdade desportiva", passaram, num ápice, de "pacificadores" a "revoltados", usando a manha e a hipocrisia muito próprias dos marginais, para se metamorfosearem em vítimas. 

É claro que estes estrategemas só têm resultado, porque a classe política, por culpa própria, se deixou tomar pelos votos maioritários de uma comunidade clubista que, através do seu presidente - cadastrado recidivo -, usa e abusa da chantagem eleitoral junto do poder político para conquistar títulos que não consegue de forma legal. E os governantes, tendo perfeito conhecimento do buraco financeiro que o Benfica deixou no BES, e da sua ligação a actos criminosos, pactuam com esta pouca vergonha e permitem-lhe tudo. Até um dia. 

O jogo que se avizinha, sem ser decisivo, pode comprometer as aspirações de ambas as equipas, em caso de derrota. Por isso, e tendo em consideração os sucessivos golpes de teatro que o antecedem, não me surpreenderei se acontecer alguma desgraça. O ambiente, está criado pelos mesmos de sempre. Aqui chegados, é à classe política, em primeira instância, que devemos atribuir a responsabilidade de qualquer eventual tragédia que possa acontecer. Pela experiência que temos, aos governantes da época não bastaram a morte de um adepto leonino, nem as agressões graves a um hoquista do FCPorto, ou o autocarro portista incendiado por benfiquistas, para se imporem como autoridade. Preferiram deixar às "autoridades" desportivas, cumplíces dos infractores, a responsabilidade e fazerem de conta que nada se passou.

Dados os factos, não deixa de estranhar um pouco que o responsável pela comunicação do FCPorto, Francisco J. Marques, depois de ter afirmado (e bem) que a comunicação social foi capturada pelo Benfica, tenha excluído o Jornal de Notícias e o desportivo O Jogo dessa condição, porque também eles foram já enclausurados, ou "seduzidos" pelo sistema.

Este assunto, dava aliás um excelente programa temático para debater no Porto Canal. Assim o queiram as partes (FCPorto/Porto Canal)... É que o Jornal de Notícias, para já, ainda não deixou cair totalmente a máscara, porque quem lá manda sabe como há-de fazer as coisas. Por enquanto, vai-nos fazendo o "favor" de nos dedicar algum espaço local, genérica e desportivamente. Com o passar do tempo, e se entretanto nada fizermos para o evitar, será apenas mais um jornal de Lisboa publicado e sediado no Porto (como o Público).

Portanto, senhores jornalistas do Porto Canal, não tenham medo de dizer tudo o que pensam, porque o panorama é bem mais negro e abrangente  do que julgam. O Porto, só depende dos portuenses legítimos, daqueles que se ofendem quando os aqui nascidos em vez de se juntarem a nós fazem coro com os que tudo fazem para nos prejudicar e humilhar. Por muitos argumentos que tenham, nunca, mas nunca mesmo, podem ser considerados tripeiros.

São antes uma espécie de cancro no corpo de uma cidade.   

22 março, 2017

Há que apoiar Francisco J. Marques & Companhia! Este, é outro campeonato

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Francisco J. Marques

Ignoro o que agora terão a dizer aqueles (poucos) que censuravam os vários artigos que aqui postei a lamentar o proveito que o FCPorto não estava a saber retirar do Porto Canal para se defender das diatribes dos clubes centralistas. Seria imodéstia minha, não reconhecer quão justificadas eram essas críticas, e quão assertivas foram as sugestões que as acompanhavam. Voilá! O FCPorto despertou de um jejum displicente a que não estávamos habituados, e decidiu finalmente seguir os nossos conselhos, mesmo que por iniciativa própria. 

Costuma dizer-se, que vale melhor tarde que nunca, mas talvez os danos colaterais tivessem sido menores se o despertar do Dragão fosse mais madrugador... Não foi com o renascer do líder Pinto da Costa (a idade pesa), foi com um programa televisivo, encabeçado por Francisco J. Marques e a cooperação de Bernardino Barros e José Cruz. Também serve (desde que os protagonistas possam contar com o apoio incondicional do presidente, e do departamento jurídico do FCP, se necessário)...

O reconhecimento e as justificações de que acima falava, nada têm a ver com ganhar, ou deixar de ganhar este campeonato, até porque ainda é cedo, e não se ganham campeonatos por querermos defender a nossa dignidade e o nosso negócio (o futebol, hoje, também é isso). Tem a ver, sim, com respeito, ética e justiça. A verdade, é que lá para aquelas bandas mouriscas, nos estúdios das têvês já começam a «reconhecer» que a nossa política de comunicação mudou, que é (cito) mais agressiva, embora não devamos encarar isto como um elogio...

A circunstância de começarmos a enervá-los com denúncias sustentadas em factos e imagens legais, está a fazê-los descer à terra, a perceberem que o polvo pode muito bem ter os dias contados, saiba o FCPorto levar esta cruzada até ao fim. E o fim, é dizer às entidades políticas e judiciais do país que chegou a hora de acabar com a impunidade de um clube, que a pretexto de as chantagear com o destino dos votos de (seis?vinte?) milhões de eleitores vermelhos para obter dividendos, não pode continuar a sobrepôr-se a um Estado de Direito íntegro.

A tarefa de decepar este monstro é penosa, mas vale a pena, porque ao fazê-lo não estaremos só a repôr a justiça no desporto, mas também a contribuir para regenerar a própria sociedade, tanto ética, como até economicamente. De resto, o medo nunca foi solução para nada. Desistir desta luta, é abdicar da liberdade. De resto, não estamos a inventar nada, estamos até a fazer um trabalho que devia competir às autoridades do Estado. As desportivas, são um dos tentáculos do monstro, como é público e notório...

Pela minha parte, podem contar com apoio incondicional. Um blogue, é apenas um blogue, pouco pode, mas é sempre um cidadão a dizer não! ao status quo obsceno do futebol português. 

Força, ao "Trio de Ataque" à moda do Porto! 

20 março, 2017

Ansiolíticos, e mãos na cabeça não ganham campeonatos


Compreende-se o desespero, não a atitude

Aconteça o que acontecer, nada pode alterar a verdade dos factos: ainda não foi esta época que os portistas puderam respirar de alívio com as exibições do FCPorto. De desconforto em desconforto, alternado por breves períodos de confiança, o maior dos quais foi precisamente o de ontem, a equipa do FCPorto resolveu, em má hora, interromper a fase mais promissora da actual temporada. 

Nos momentos-chave, regressamos à trapalhice, à bola para trás, ao jogo previsível, às marcações tardias e a uma indescritivel falta de calma na hora de rematar. O espelho do desespero dos jogadores, traduz-se num hábito que Nuno E. Santo já devia ter abulido há muito tempo, que é colocar as mãos na cabeça mal falham o golo. Psicológica e aparentemente, estes gestos denunciam falta de confiança e impreparação mental para encarar os momentos cruciais dos jogos. 

O futebol, por vezes, parece uma amarga pescadinha de rabo na boca. Ora ficamos decepcionados com as exibições, como subitamente parecemos ter entrado nos eixos com uma sucessão de jogos interessantes e victórias. A verdade é que, decorrido meio campeonato, ainda não conseguimos ultrapassar a fasquia da insegurança nos momentos mais importantes. Tudo isto, começa a ser intolerável, principalmente pelo apoio incondicional que os adeptos portistas têm dado a toda a equipa (treinador incluído), sem que a retribuição se manifeste em estabilidade, confiança e ambição. Dá a impressão que quanto mais os apoiamos e quando mais esperamos o retorno, mais eles fracassam.

Se Nuno Espírito Santo parece ter conseguido unir o plantel, e isso é de louvar, ficam dúvidas quanto à sua preparação mental no que concerne a ambição de vencer. Talvez seja essa a razão que me levou a desconfiar, quando Nuno começou a usar vezes demais a idade do plantel para justificar fiascos como os de ontem. Embora fizesse pouco sentido tal linguagem, seria melhor entendida se devidamente anunciada logo no início da época e pela voz do presidente. Como isso não aconteceu, e nos apresentaram o plantel do FCP como candidato assumido a ganhar o título, menos se aceita a conversa da juventude... Porque, na verdade, sem beliscar o desempenho na Champions, a nível interno ainda não ganhámos nada, só nos resta mesmo o campeonato.

Não é razão para esmorecer, mas a forma ansiosa e trapalhona como jogamos, não é propriamente um estímulo à ambição. Foram asneiras cometidas num passado ainda recente que tínhamos como superadas e isso é altamente desmoralizador para os próprios adeptos. E é nisso que NES tem de pensar e transmitir aos jogadores. O jogo de ontem, era mesmo para vencer, e como ficou mais uma vez provado, a garra não chega, é preciso descernimento. Os quase 50.000 de espectadores do Dragão mereciam muito mais, e os outros também.

PS-A exibição mal conseguida do FCPorto não irreleva, pelo contrário, acentua, a gravidade de o árbitro ter fechado os olhos a mais duas, ou três, grandes penalidades. Mas isso, é também culpa da administração do FCPorto que foi permissiva com a situação. Veremos se o programa Universo Porto da Bancada bastará para estancar a sangria da roubalheira... 


16 março, 2017

Troquem o nome às «elites», por favor

                 PS/PSD/CDS/BANCA, uma
                 "coligação"multipartidária
                imaculada...
Clicar na imagem para ampliar



Elites, designação charlatã para: fina-flor, alta-roda, nobreza, melhores elementos de uma sociedade...

Para um país com uma estimativa aproximada de 10 milhões, e quinhentos mil habitantes (censos de 2011), com um ordenado mínimo nacional de 557 euros (só aprovado em 2017), o número de políticos e agentes financeiros envolvidos em negócios de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais, é demasiado elevado e indecente para um verdadeiro Estado de Direito.

Podíamos apontar muitos mais à lista de infractores «elitistas» acima identificados, anteriores e mais recentes, mas não vale a pena. É um problema endógeno à política nacional e à degradação das chamadas sociedades modernas. Sendo isto real, apesar das tentativas deseperadas para o negar da parte dos visados, o drama para nós cidadãos, é que o sistema judicial tem-se mostrado incapaz de investigar e julgar em tempo útil esta profusão de crimes económicos com consequências directas para o bolso dos contribuintes, o que agrava a abrangência desses crimes. Sim, porque se no caso da Operação Marquês os indícios que chegaram a público sobre o comportamento de Sócrates deixam muito a desejar, é intolerável que depois de alongar dois prazos para o encerramento do processo, a Procuradoria Geral da República preveja um terceiro, de mais 60 dias...

Sabendo da dificuldade que há para incriminar crimes de colarinho branco, das duas uma, ou os investigadores são incompetentes, ou pactuam com mecanismos legais contraditórios que lhes dificultam a acumulação das respectivas provas. Deixar um homem publicamente, e tanto tempo, a passar por criminoso, sem reunir provas, é quase tão grave como os supostos crimes de que o acusam, e isso acabará por se virar contra a própria acusação, que, na impossibilidade de os poder provar, será provavelmente obrigada a indemnizar Sócrates.

Pessoalmente, e dando como correctos todos os indícios que são do conhecimento público, tenho a convicção que houve de facto grande marosca da parte do ex-1º.Ministro, e que o esquema por ele engendrado, sendo inteligente, é, por esse motivo, muito complexo de investigar, e sobretudo de provar. Mas, a Justiça não pode ser tão lenta a decidir, porque, por mais razões que tenha, desta maneira, nunca poderá alegar que sentenciou com Justiça.

De resto, o que torna estes casos mais lamentáveis e perigosos, é efectivamente a dificuldade em prová-los, o que não deixa de constituir um forte estímulo para outras «elites» políticas e sociais com vocação para a roubalheira. Governar, já sabemos, não governam, mas já para estas manobras de bastidores obscuras não lhes falta talento - ou, precisando - impudor.

Concluindo: ninguém fica bem nesta fotografia.

13 março, 2017

Prendam-me, que cometi uma heresia!

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Rui Gomes da Silva, tudo,
menos alguém respeitável

Venerabilíssimos* deputados, governantes e similares: 

Muito regozijado ficaria se soubesse que neste preciso momento alguém da vossa linhagem lesse estas palavras, porque é especialmente à vossa casta que me dirijo. 

Esqueçam, por momentos,  aquilo que vos e nos separa, e também o que vos une. Ignorem (se fôr possível, claro), a partidarite aguda, os fanáticos vínculos clubistas, os favores, os compromissos, as rivalidades, as invejas. Façam um esforço, procurando, ainda que por uns instantes, reavaliar seriamente a vossa condição de políticos, o respeito devido ao povo, e confrontem-na com as duas faces da moeda: teórica e prática... 

Se corarem com os resultados, já não é mau, será sinal que ainda conhecem o significado da palavra vergonha. Se não perceberem a mensagem, então é bem pior, porque ficamos a saber - corrijo -, com a certeza, que além de desavergonhados, vossas "excelências" são burros. 

Sim, burros, eu disse burros! Notem que chamar burro a alguém, nem sequer é o pior dos insultos, segundo os vossos próprios padrões, até porque foram (e são) vocês mesmos que em diferentes palcos (do Parlamento, às Televisões), nos ensinaram que a democracia também comporta e aceita o insulto ordinário, bem como a falta de respeito, entre outras modernices...  

Apresentado que foi o meu pedido, e agradecida a v/ boa vontade, questiono:

o exemplar da foto acima representado, corresponderá à imagem do político-tipo que cada um de vós idealiza para si mesmo? 

Segunda pergunta:

terá sido feliz, séria, e competente, a decisão que o ex-1º.Ministro, Pedro Santana Lopes, tomou, quando em 2004 nomeou RGS para Ministro dos Assuntos Parlamentares, e mais tarde, para Ministro Ajunto do 1º.Ministro? 

Última questão:

acreditam que este modelo tão frágil de democracia (só para os cidadãos), em que indivíduos com o perfil de Rui Gomes da Silva chegam a ministros, os eleitores lúcidos se predisponham a votar, ou mesmo a acreditar, em políticos da sua estirpe?

O remetente, agradece a resposta aos respeitáveis destinatários (de todos os partidos).

*o «venerável» é irónico, e o superlativo absoluto simples, também...

PS-A resposta à 2ª questão, lembrei-me agora mesmo, foi dada há poucos dias. O amigo Santana Lopes chamou o amigo Rui Gomes da Silva para colaborar com ele na Santa Casa da Misericórdia. Muito fazem pelo país estes políticos. Pelo país, é verdade, sim senhor! 

10 março, 2017

Habemos equipa!



Se já tinha gostado do jogo com o Nacional da Madeira, da abundância de golos, este, com o Arouca, foi para mim, talvez o jogo mais conseguido e criterioso que vi esta época. Isto, independentemente do valor do adversário. Gostei mesmo muito!

PS- Por que será que os árbitros de repente decidiram arbitrar e os nossos adversários começaram a jogar mais na bola do que nas canelas dos nossos jogadores? 

09 março, 2017

Cleptocratas

Rafael Barbosa*

O elenco não é novo, mas não deixa por isso de ser impressionante: José Sócrates, deputado, ministro e finalmente primeiro-ministro de Portugal durante sete anos; Ricardo Salgado, líder do BES, com fama (e proveito) de ser uma espécie de DDT (Dono Disto Tudo) ao longo de várias décadas; Henrique Granadeiro e Zeinal Bava, a dupla que durante anos geriu a PT e os seus voláteis e volúveis milhares de milhões de euros; Armando Vara, ex--ministro e ex-administrador da CGD e do BCP, os dois maiores bancos portugueses; Joaquim da Conceição, do Grupo Lena, um dos maiores potentados da construção civil.

Há poucos anos, todos integravam a lista de indivíduos mais poderosos e influentes de Portugal. Admirados e temidos. Uma verdadeira elite política, financeira e económica. Eram políticos argutos e populares, gestores brilhantes, empresários visionários. Hoje, fazem parte de uma lista de indivíduos que, tudo o indica, deverão ser acusados de crimes tão graves como corrupção, fraude fiscal, branqueamento de capitais ou tráfico de influências.

É certo que não se devem fazer julgamentos precipitados. É certo que toda a gente tem direito à presunção de inocência. É certo que uma acusação não é sinónimo de uma condenação (e é até plausível que não se venham a provar em tribunal alguns dos crimes de que cada um destes indivíduos pode ser acusado). Mas essas garantias jurídicas, essenciais num Estado de direito, não diminuem nem invalidam o inevitável julgamento político, moral e ético (no fundo, a verdadeira justiça popular), para os quais já existem factos mais do que suficientes. E não é arriscado concluir que, independentemente do que venha a acontecer a partir do próximo dia 17 (data limite para ser concluída a acusação do Ministério Público), podemos olhar para esta lista, já não como a de um conjunto de homens ilustres, mas como um grupo de gente desprezível. Gente que usou o seu talento e o seu poder em proveito próprio e dos seus parceiros e à custa da comunidade e do bem comum. Se o país entrou em bancarrota, se a miséria social alastrou, se hoje somos confrontados com uma dívida pública insustentável, isso também se fica a dever à cleptocracia que esta (e outra) gente cultivou durante as últimas décadas.

Haverá, como sempre, um derradeiro grupo de fanáticos ruidosos que reclamarão, até ao último recurso transitado em julgado (e até para além disso), a inocência e respeitabilidade de todos eles, propondo, em alternativa, a tese da cabala protagonizada por um punhado de procuradores e juízes. Creio que a maior parte dos portugueses não se deixará ludibriar. O tal julgamento político, moral e ético não carece de uma sentença final do Supremo Tribunal de Justiça, do Tribunal Constitucional ou do Tribunal de Justiça da União Europeia.

* Editor Executivo


[O sublinhado, é da responsabilidade de RoP ]


Nota de RoP:

Depois de tantas vezes criticar o jornalismo oportunista, concretamente a contribuição que a nova administração do JN vem  dando aos interesses centralistas, é natural que haja quem estranhe continuar a ler este jornal e a publicar artigos de alguns dos seus colaboradores. 

A primeira causa, prende-se com um hábito antigo de leitura diária que me custa largar. O vício começou, há muitos anos, ainda trabalhava em Lisboa. Comecei com o «República», mais tarde com o «Diário de Lisboa», o «O Jornal», e posteriormente pelo «Jornal Novo». 


De jornais portuenses, havia, além do JN, o «Comércio do Porto», o «Primeiro de Janeiro»,  «o Diário do Norte» e no desporto o «Norte Desportivo». Foi uma época rica em termos de imprensa, altamente eclética, democrática e qualificada. Até o jornal A Bola se podia ler, sem se ficar (como hoje acontece) enjoado. Isto, traduz o quanto regrediu a democracia em Portugal, em termos de comunicação social, tanto em quantidade, como em qualidade ...Como ainda andávamos a saborear a Liberdade, tivemos de tolerar uma excepção negativa, qualquer coisa  parecida com o Correio da Manhã de hoje: o pasquim «O Diabo» da hiper-reaccionária Vera Lagoa (um resquício do que julgávamos finado).

Outra das razões para não ter acabado definitivamente com a leitura do JN, é que, embora a política editorial tenha reforçado a matriz centralista, ainda lá trabalham alguns jornalistas que vão riscando umas coisas interessantes [como é o caso deste]. Submissos - é lamentavelmente verdade -, mas ainda assim dignos de serem lidos.

PS-Isto hoje, correu-me mal. Peço desculpa pela péssima inserção ortográfica, mas não tenho tempo para resolver o problema. 

07 março, 2017

Complemento do post anterior

Importa observar, como uma meia notícia pode desvirtuar a notícia objectiva. A meia notícia, no caso, começa pelas parangonas da capa do jornal, onde consta: 

Árbitros 35 agressões desde o início da época (assim mesmo)

Sobre estas parangonas lia-se, a letra minúscula:
os casos ocorreram nos escalões não profissionais e Lisboa foi onde maior número de incidentes. No Porto há três denúncias.

E logo a seguir, isto:
Um terço dos agredidos tem menos de 18 anos. Juízes vão ao Parlamento e admitem posição conjunta para deixar de apitar. 

Agora, reparem como de uma situação relacionada com árbitros não profissionais se aproveita o balanço e salta para árbitros de topo...

O melro aqui ao lado, não perdeu tempo para ligar a bota com a perdigota:
«o aumento das críticas aos árbitros de topo está na origem desta situação».

É preciso ter lata, muita lata mesmo! A que críticas pretende ele referir-se? Será às críticas encomendadas e histéricas do Pedro Guerra no Prolongamento, sempre que o Benfica perde?

Onde estava este homemenzinho, e outros como ele, quando os gajos do Benfica fizeram apelos à violência na própria televisão? Quando os adeptos benfiquistas agrediram árbitros e adeptos rivais? Quando falou? Quando é que pensaram ir ao Parlamento? Não serão estas declarações extemporâneas uma mitificada coaccção às justas denúncias do FCPorto?

Por que será que só agora se lembraram de ir à Assembleia da República? Será porque o clube que protege está a fazer pressão? Será que sentem as dores do clube do regime? Ou será que os vauchers foram invenções dos portistas? E sobre a Porta 18, em que pé andam as investigações? E qual é o papel da PGR, no meio deste esterco? Também só têm olhos para norte de Leiria?

Sabem uma coisa? Quem precisava de uma sofisticada investigação eram todos vós. Tudo o que se viesse a descobrir de repugnante não me causava qualquer surpresa.

É o país que temos, na sua pior vertente.


E se os portuenses boicotassem o JN?


O momento prova que esta é
uma notícia encomendada


Desde que a nova administração do JN tomou posse [em Outubro de 2014], cedo se percebeu que o único jornal sediado no Porto ia ser submetido a mais uma dose musculada de centralismo. Saiu Manuel Tavares, da Direcção, chegou um tal Afonso Camões, albicastrense de nascença e adepto benfiquista... Para liderar a administração entrou o advogado dos ricos, Proença de Carvalho, secundado por outros 6 administradores, cada qual, o mais irrelevante para a cidade do Porto. São quase todos economistas de profissão, refira-se... 

Já sei, que para as mentes centralistas, viciadas em mesquinhez e embustice, a origem e os gostos clubistas pouco importam, o que importa é a competência etc. e tal. A cassete não muda, mesmo que se lhes faça um desenho, mesmo que se lhes explique com factos que a tese da origem e das preferências clubistas nunca se aplica na capital quando se trata de optar pelo país real, dentro do qual consta o Porto... Os partners, são escolhidos a dedo, e os que destoam do tom e do gosto alfacinha, normalmente são gatinhos e gatinhas amestrados. Pacíficos...Como não são democratas, antes oportunistas, são incapazes de reconhecer a discriminação que nos fazem em pleno regime democrático (julgam eles), nem muito menos de se envergonhar com a política monopolizadora  e sectária que praticam. 

O Jornal de Notícias, nunca é demais repito-lo, foi fundado e sediado no Porto no século dezanove (1888), é um jornal do Porto e foi um dos mais lidos em todo o país sem precisar da ajuda de forasteiros mal intencionados. Como tal, é a nós portuenses, e não às elites da capital, que compete escolher o que queremos como informação. E, entre outras coisas, não queremos, nem a benfiquização, nem a lisboetização do jornal. Ponto. Por isso, escusam de encher de vermelho o interior do JN, ou de ressuscitar os fantasmas da violência sobre os árbitros só porque o FCPorto ameaça o Benfica de o fazer cair da liderança. A notícia de capa de hoje, só serve para lançar a confusão, para procurar reverter no FCPorto o ónus da culpa por uma situação de que tem sido vítima, e não carrasco. 

Se esta notícia fosse credível, não era agora que devia ser publicada mas sim desde as primeiras jornadas do campeonato, em que o Benfica foi despudoradamente ajudado pelas arbitragens, sem que o FCPorto abrisse a boca para reclamar. Tanto assim é, que os adeptos, entre os quais me incluo, se lamentaram pelo silêncio do Presidente portista. Aliás, esta pouca vergonha do colinho, não é de agora, já dura há 3 épocas, pelo menos! Como é que agora, ousam dar uma ideia contrária? E os senhores (bons) jornalistas do JN, acham bem esta vermelhização do nosso jornal? Se acham, então façam as malas e instalem-se em Lisboa, mas deixem-nos de vez porque não fazem cá falta nenhuma. Pelo contrário, estão a tornar-se um vírus, um cancro que dispensamos. 

PS-Li ontem, que iam ser despedidos vários jornalistas do Correio da Manhã. Querem a minha opinião? Deviam ficar todos na miséria, pela forma porca e prostituída como ganham a vida. Pergunto: é isso que querem fazer com o Jornal de Notícias? Se é, desejo-lhes a mesma sorte.       

06 março, 2017

Uma boa causa que nós ignoramos

A União Europeia quer que todos os seus países membros reciclem 50 por cento de todo o lixo produzido anualmente até 2020, aumentando para 65 por cento até 2030. Parece uma meta utópica? Talvez não. Na Suécia, já se consegue fazer reciclagem a quase tudo, tanto que o país já não tem mais lixo para reciclar, e desde 2011 tem que importar resíduos de outros países para manter a sua indústria a funcionar.
Mesmo antes de entrar para a União Europeia, em 1995, a Suécia já tinha implementado leis ambientais mais avançadas, começando com um aumento dos impostos sobre produtos petrolíferos logo em 1991. Nessa época, a Suécia conseguiu avançar para a produção de eletricidade a partir de fontes renováveis, algo que consegue fazer a 50 por cento.
Atualmente, a reciclagem de lixo produzido na Suécia e de lixo importado do estrangeiro é feita através da incineração. O serviço é assegurado por empresas privadas, mas o resultado da energia produzido é aproveitado pelo serviço nacional que garante o aquecimento central. No entanto, críticos ao sistema apontam que material reutilizável não está a ser descriminado para reaproveitamento, sendo usado indiscriminadamente apenas para incineração.
Seja como for, a Suécia já quase não produz lixo. Desde 2011 que menos de um por cento dos resíduos são enviados para um aterro, uma parcela constituída por material que não pode ser incinerado ou reciclado.
[Motor24]

PS-É também com estes exemplos que um país se afirma aos seus cidadãos e ao  mundo. Nós, portuguesinhos de orgulho fácil, além dos salários mínimos miseráveis, e dos máximos hardcore, continuamos a dar  estes magníficos exemplos. 

05 março, 2017

GOLEADA DAS ANTIGAS E PRIMEIRO LUGAR NA MIRA

Image de Goleada das antigas e primeiro lugar na mira

Os portistas chegaram ao intervalo a vencer por 2-0, com os golos de Oliver (31) e Brahimi (45). Na segunda parte, André Silva (51 e 89), Soares (55 e 71) e Layun (63) transformaram a vitória na maior goleada da época.
Com este triunfo folgado, os ‘dragões’ somaram 59 pontos. Os ‘dragões’, que já tinham a defesa menos batida, com 11 golos sofridos, saíram desta partida também com o melhor ataque, com 52 golos marcados.
A vencer depois da 16ª ronda, quando empatou fora com o Paços de Ferreira (0-0), os portistas estão agora com oito vitórias consecutivas e não sofrem golos há quatro jogos.
O Nacional mantém-se no 17.º e penúltimo posto, com 16 pontos, ainda não ganhou este ano e deu mais um passo atrás na luta pela permanência.
O conjunto madeirense ganhou o primeiro canto deste jogo e depois mais dois consecutivos nos três primeiros minutos, mas o primeiro sinal de perigo foi do FC Porto, numa ‘bicicleta’ de André Silva, que saiu ao lado da baliza de Adriano Facchini.
Os portistas começaram sem pressas, tiveram o seu primeiro canto aos oito minutos. Aos poucos, e de forma paciente, forçaram a equipa madeirense a recuar e a correr atrás da bola, acabando, assim, com as veleidades ofensivas que o adversário mostrara nos instantes iniciais.
Brahimi começou então a dar nas vistas com os seus raides, ofereceu a Soares um golo aos 11 minutos, mas o atacante brasileiro fez o mais difícil cabeceando por alto, e foi dele próprio um remate aos 28 minutos que falhou o alvo por muito pouco.
A paciência portista deu resultado aos 31 minutos, quando Óliver Torres desviou um cruzamento de Alex Telles e abriu o marcador.
Embalado pelo golo, o FC Porto apertou ainda mais o cerco ao Nacional, lançou vários ataques e o clube madeirense passou então um mau bocado e mais não fez do que tentar defender a sua baliza, coisa que, com o tempo, se revelou cada vez mais difícil.
O ataque do Nacional ‘eclipsou-se’, dominado pela forte organização defensiva portista, e Brahimi acabou por ver o seu empreendedorismo premiado quando fez o 2-0, aos 45 minutos, com um com um bom remate.
Na segunda parte, a equipa de Nuno Espírito Santo vincou a sua superioridade logo aos 52 minutos, numa jogada muito bem construída e finalizada por André Silva, e até aos 70 minutos obteve mais três golos, tirando partido do completo desacerto defensivo do Nacional e também do brilhantismo e inspiração do seu meio-campo e do seu ataque.
Sem ataque, ‘macio’ a meio-campo e frágil a nível defensivo, o Nacional foi ‘atropelado’ por um FC Porto autoritário e de grande intensidade. Sem surpresa, sofreu mais um golo, o sétimo.
O autor desse golo foi André Silva, que hoje voltou a ser titular, fez outra vez dupla com Soares no ataque portista e assim bisou, tal, aliás, como o avançado brasileiro.
A expulsão do central Tobias Figueiredo, por segundo amarelo, aos 62 minutos, agravou ainda mais os problemas do Nacional, mas, nessa altura, já o FC Porto jogava a seu bel-prazer e fazia ‘gato e sapato’ da equipa de Predrag Jokanovic, que hoje não teve qualquer hipótese ante um FC Porto forte de mais.
(Lusa)

04 março, 2017

O Governador omisso

Domingos de Andrade*

1. Vamos assistindo incrédulos, só pode, e anestesiados com tantas peças que vão destapando os últimos anos que quase desgraçaram o país. E todas elas com um denominador comum: a banca. Do caso BES e da sua gigantesca extensão que ajudou à queda da PT, uma das empresas com mais prestígio reduzida a um joguete de poucos, passando pelo Banif, o BPN, o BPP. E a resistente Caixa. Capturada por algumas elites do momento para uns empréstimos aos amigos.

Há política no meio disto tudo. Claro. Primeiros-ministros, ministros e secretários de Estado. Haveremos, se a culpa não morrer solteira, de chegar lá. E há o governador do Banco de Portugal. É a ele que cabe interpretar os sinais, vigiar, evitar o descalabro. Mas nem Vítor Constâncio o soube fazer no caso BPP, nem Carlos Costa demonstrou ter essas capacidades. Pode ser mais grave do que a omissão, mas é certo que não sabem a missão.

O Banco de Portugal não emite papel-moeda, deixou de ser um instrumento de condução da política económica, no que eram as missões típicas de um banco central no contexto de um país com soberania financeira. Regula, fiscaliza, inquieta-se, alerta. Tem que ser competente nessa função. E não noutras.

Para não nos inquietarmos, precisamos de um governador que assuma essas competências.

2. De repente, não se pode ter a ousadia da crítica neste país. Teodora Cardoso, presidente do Conselho de Finanças Públicas, disse que o défice conseguido pelo Governo, contra todas as expectativas e previsões, da própria inclusive, foi um milagre. Que não se voltará a repetir. Caiu o Carmo e a Trindade, do presidente da República, ao deputado do PCP Miguel Tiago, que ajudou à festa com esta pérola: "Milagre é Teodora Cardoso ainda ter salário e ocupar o lugar que ocupa".

Podemos concordar ou não com a visão mais economicista para o país de Teodora Cardoso. Aplaudir mais ou menos as suas análises, consoante a cor política de quem está no Governo se ajusta à nossa. Criticar até a imprevisibilidade das previsões, como são todas, e que se fossem todas boas estaríamos mais precavidos para os desastres que se abatem de surpresa sobre a economia. Logo, sobre nós.

Diferente é a crítica ser intolerante à crítica. E a crítica ser enviesada na crítica, omitindo pela negação, por exemplo, que o Conselho de Finanças Públicas foi muitas vezes duro com a política de baixos salários e o corte de investimento público dos anos da troika.

Sim. Teodora Cardoso errou e errou profundamente. Não soube ler os sinais. E ficou cega pela fé dos seus próprios números. Que seja criticada por isso. Diferente é querer, por via da intromissão política, ameaçar o lugar que ocupa e a reconhecida independência do órgão a que preside.

* DIRETOR-EXECUTIVO




02 março, 2017

Citação, com convicção

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Este, é só um pequeno exemplar.
Sosseguem, porque a lista é enorme...
Se a Justiça fosse sempre divina e impiedosa com os falsários, nenhum político ousaria citar Guerra Junqueiro, Antero de Quental, ou Eça de Queiroz, porque seria imediatamente fulminado por um relâmpago, mal abrisse a boca.

[Esta é de minha autoria ;-) ]


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01 março, 2017

Do Benfica à porca da política

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Sentido de Estado.São todos iguais...

Deixem-me hoje dissertar um pouco sobre o que é o Estado de Direito em Portugal.

Como em muitos outros países europeus, trata-se, grosso modo, de um regime de princípios comportamentais, gerado e imposto por um grupo de instituições para regular as relações sociais. A maioria dos estados modernos baseia-se na separação de poderes e nas suas limitações. Reza que numa democracia parlamentar o poder legislativo controla o executivo, e que por sua vez o poder judiciário serve para contrabalançar algumas decisões governamentais. 

Não faço ideia até que ponto isto funciona assim em Portugal, o que sei é que, em tese, um Estado de Direito devia actuar mais ou menos por esta ordem. Como não sou perito na matéria, gostaria apenas de perceber que importância é dada por todas estas instituições a essas normas, e em que circunstâncias lhes é permitido ignorá-las. Se económica e politicamente não conseguimos organizar o país com critérios de justiça elevados, socialmente também não fomos muito longe. 

Na política, como na sociedade, a ética é um zero à esquerda de um zero. Não existe, é um embuste pregado. É a partir dessa negação que o Estado de Direito permite a contaminação mútua dos três poderes. Depois, em vez de partilharem esses poderes dentro de cada competência e com uma só ética, fundem-se todos na irresponsabilidade. Os noticiários, excluindo os excessos de um ou outro pasquim, testemunham-no todos os dias.

O que está a acontecer no futebol, o clima de perversão que este nosso Estado de Direito ajudou a formar, em que um único clube de futebol se permite cuspir em todos os seus princípios, sem respeito pelas leis desportivas, nem civis, é talvez o ponto máximo de degradação da democracia representativa.

Esse clube, salta aos olhos, chama-se Benfica, e tem a suportá-lo um grupo enorme de políticos como cumplíces, dentro e fora do(s) governo(s). Se como escrevi de início, é ao Parlamento (legislativo) que cabe o papel de "moderador" da acção governativa (executivo), e continua a mostrar-se alheado da bandalhice gerada pelo nacional-benfiquismo, desrespeitando por incúria ou cumplicidade todos os outros cidadãos com preferências clubísticas diferentes, então, são os três poderes (o Estado de Direito) os grandes criadores do Monstro.

E agora, a quem nos devemos socorrer? Talvez, à vizinha Espanha, não?

Bem, já sabem, senhores assalariados da porca política: cá o rapaz vai continuar fiel a si próprio: não contem com o meu votinho, está bem?     

27 fevereiro, 2017

Não podemos calar arbitragens de escandalizar, só porque vencemos


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Haja paciência, e muita tolerância para aturar esta gente da comunicação social. 

Não há hipótese, eles são mesmo uns embusteiros por natureza. Ontem, o comentador da SportTv, Luís de Freitas Lobo, mancomunado com  o apresentador da transmissão, bem que tentou disfarçar a sua condição de militante benfiquista. Murmurava oportunas loas ao jogo entre Boavista e FCPorto, classificando-o como"rasgadinho", "à moda antiga",  quando eram os do Boavista a dar porrada nos nossos. Mas, à mais pequena falta que os jogadores do FCPorto cometessem, o discurso mudava logo para a crítica severa e extrapolada. Foi incapaz de relatar o que todos víamos com seriedade, porque os olhos só viam vermelho através das camisolas xadrez, bem como os euros das avenças que os patrões do regime lhe garantem. O efeito hipnótico da prostituição desportiva é avassalador, não há duvida. 

Este, não é caso único infelizmente. Da RTP, às estações privadas centralistas, existe um exército de comentadores, ex-árbitros e "moderadores" dispostos a vender a alma ao diabo para fazerem do Benfica campeão fora dos relvados. Vale tudo,  para aquelas almas mercenárias! Eles mentem, eles manipulam, eles caluniam, eles conspiram, eles agridem (dentro e fora dos recintos desportivos), e até já assassinaram... E contudo, quando a vida desportiva não lhes sorri (perdem), armam-se em virgens ofendidas, ou representam como se estivessem no teatro a fazer o papel de gente séria.  São mesmo asquerosos.

O jogo de ontem, com mais uma inenarrável prestação do árbitro, foi mais que um sinal - para quem ainda tivesse dúvidas - uma garantia de continuidade do colinho ao Benfica. Foi mais uma provocação, entre outras que já nos fizeram. Só não perdemos, porque os jogadores do Boavista não souberam aproveitar a série de faltas perdoadas, e outras não marcadas a favor do FCPorto, e também devido  à determinação dos jogadores portistas. É inaceitável pactuar mais um minuto que seja com esta pouca vergonha. Primeiro, porque (repito), não é justo nem sério, que o FCPorto exija entrega e raça aos jogadores, sem antes respaldar o clube com uma estrutura jurídica forte e pro-activa. Não é deixá-los entregues a si próprios que os jogadores se sentem mais protegidos e moralizados.  

O programa Universo Porto de Bancada, assim como a acção isolada em terreno inimigo de Bernardino Barros, são louváveis, mas não me parecem suficientes para bloquear os tentáculos deste "polvo". É importante para ir compilando provas e estruturar as queixas, mas insuficiente para estancar a sangria das arbitragens tendenciosas. Até pode resultar com alguns árbitros mais conscienciosos (onde é que eles páram?), mas não com os mais determinados a cumprir o seu papel de amas-secas do clube regimental. Eles fartam-se de nos dar provas da sua desonestidade (como o de ontem, por exemplo), e não irão vacilar porque se sentem protegidos. Não se trata só de incompetência, é mesmo falta de seriedade dos árbitros, e também de quem os nomeia...

Se a administração do FCPorto ainda estiver disposta a lutar pelo título, tem de arrepiar caminho e dar ordem ao gabinete jurídico para estudar uma defesa sustentada em factos, nas instâncias europeias, se preciso for. Na impossibilidade de poder levar a cabo a denuncia, há que pedir audiências ao PM, ou ao PR, como último recurso, alegando mesmo perda de confiança nos órgãos de justiça federativos. Neste caso concreto, parece-me relativamente simples reunir o ónus de causalidade.

Para todos os efeitos, hoje o FCPorto regula-se na prática como uma instituição cotada em bolsa, com activos e passivos, empregados e dirigentes, enfim, uma empresa com responsabilidades semelhantes a tantas outras, que vem sendo sujeita a uma concorrência desleal inconcebível num Estado de Direito. Abdicando desta luta, o FCPorto estará a pactuar com a fraude em prejuízo próprio e a assumir antecipadamente a derrota com aquilo a que agora chama - com toda a razão - o polvo.

Acreditando que Pinto da Costa (e todo o corpo administrativo portista) deu luz verde ao Porto Canal para denunciar estes lamentáveis acontecimentos, tem de levar a estratégia até ao fim, doa a quem doer. Senão, a montanha pariu um rato. E agora vai ser o FCPorto, não o regime político,  a dar-me razão, quando avalio a relatividade da liberdade de expressão: vale de per si pela denúncia, não pelas inerentes consequências...

24 fevereiro, 2017

O Porto, visto do espaço,ou a cidade das pontes virada para o Atlantico


Bonne nuit, Porto!

O astronauta francês Thomas Pesquet partilhou anteontem no twitter uma foto do Porto tirada a bordo da Estação Espacial Internacional que orbita a cerca de 350 kms de altitude. Além de desejar boa noite, aproveitou para elogiar a cidade em frente ao Atlântico que é uma digna rival da capital portuguesa.
(JN)


Observação de RoP:

Como portuense, portista, bairrista, e regionalista fervoroso, é-me difícil ficar indiferente a tantas notícias elogiosas sobre esta cidade. Por paradoxal que pareça, às vezes chego a apavorar-me com tantos encomios, pelas consequências negativas que eventualmente tal possa acarretar. 

Se não souber progredir bem, o Porto, pode tornar-se num local de cobiça mercantil onde oportunistas e megalómanos comecem a fazer estragos, em nome de um qualquer modernismo bacôco. É preciso, é urgente mesmo, repovoar a cidade, sobretudo com portuenses de todas as castas sociais. O comércio deverá destacar-se pela diversidade, e com rigoroso critério. Abrir apenas negócios de restauração pode ser um erro crasso não só para quem investe como para a cidade. É preciso ir com calma...

Mas, o que mais me satisfaz de toda esta vaga de distinções, é a sua origem forasteira. Não são apenas os tripeiros a admirar o Porto, são também os estrangeiros. Já em Lisboa, a ciumeira não dorme em serviço, tal qual como o Benfica... Consta até, lá para aquelas bandas, que já há quem reclame (tal como com o clube do regime), que para o ano tem de ser Lisboa a ganhar o prémio de melhor destino europeu...

Ah, outra coisa: deste sucesso do Porto, que espero se estenda à população que lhe dá vida, nada se deve à descentralização. Esta, continua a ser adiada, como sempre, aliás. Não foi seguramente pelo efeito spillover, nem das verbas europeias que nos eram destinadas e ficaram em Lisboa, que o Porto conquistou estas honrarias. De Lisboa, e do Terreiro do Paço só temos tido hostilidade e muita dôr de cotovelo. Desmintam-me, se tiverem coragem. 

22 fevereiro, 2017

Até os comemos!

À D'artagnan: um por todos, e todos por um

O FCPorto tem esta noite mais um grande desafio pela frente, que é tentar ultrapassar a Juventus de Turim, mais conhecida pela La Vecciha Signora, em mais uma etapa da Champions League. É um adversário poderoso em todos os sectores, com jogadores de alta qualidade, a começar pelo guarda-redes, o histórico Buffon, até ao exímio goleador Higuaín.

Por seu lado, o FCPorto está a passar por uma fase positiva, mais em resultados que em consistência exibicional, o que é sempre um sintoma neutro. Sem fugir do registo habitual, Nuno E. Santo, garante-nos que a equipa está preparada e com vontade de competir. Quer o Dragão cheio, e concerteza que irá tê-lo, espera um grande jogo, e nós adeptos, também. À partida, a sintonia entre ele e nós, é total.

Se, quando o treinador portista afirma que a equipa está preparada, quer dizer-nos que está bem treinada para aproveitar os poucos espaços que supostamente terá para rematar à baliza, e que na impossibilidade de se aproximar dela irá ensaiar remates de média/longa  distância, é já um progresso. Como o seu próprio discurso enuncia, a equipa continua a crescer. Fá-lo, sem contudo nos dar bem a ideia dessa evolução, sem sabermos se esse percurso tem contemplado o remate sem preparação com a força muscular no ponto.

Não há ninguém que de boa fé, possa afirmar o contrário, chuta-se pouco e mal em Portugal. Na formação do FCPorto, isso é mais que evidente, os poucos golos que se marcam resultam mais de toques rápidos, do encostar o pé na bola para a baliza, do que de chutos na verdadeira acepção do termo. É raríssimo assistirmos a golos provenientes de remates fortes e bem colocados, e ainda mais raro de remates espontâneos para explorar o factor surpresa. Pelo que me é dado observar, em Portugal sempre se trabalhou muito mal este factor importantíssimo do futebol.

Salvo insólita distracção da equipa italiana, tão matreira e dura a atacar, como a defender, os jogadores do FCPorto irão ter grandes dificuldades para lhes marcar um golo se não souberem ser igualmente matreiros e oportunistas. O lema olímpico, mais rápido, mais alto e mais forte, é para levar a sério nestes jogos, se a ambição é mesmo chegar o mais longe possível numa prova de Campeões.  

Sem beliscar um milímetro que seja a grande victória (já distante) sobre a Roma, é acertado lembrar que nesse jogo  houve 2 jogadores italianos que abusaram da dureza a ponto de serem expulsos, e isso, diga-se o que se disser, facilitou-nos a vida. Mas, nem sempre acontece assim. Nem sempre a dureza dos italianos chega ao patamar da violência, e nem sempre deparámos com árbitros tão rigorosos, sobretudo com as equipas portuguesas...  Por isso, cuidados e caldos de galinha nunca são demais. 

Parafraseando o treinador do FCPorto, é altura de mostrarem aos adeptos o quanto cresceram. A garra já quase atingiu a maturidade, falta o resto. Provem-no.

E, força FCPorto! Hoje queremos um Porto canibal, comedor, guloso, insaciável.
Será pedir demais?


Nota do pós-jogo:

Houve garra, como esperava, mas pouco mais. Uma equipa construída para defender arrisca-se a perder. E perdeu. E quem foi comido foi o FCPorto, ou melhor, foi  Nuno Espírito Santo.


20 fevereiro, 2017

Trump, democracia e liberdade

Donald Trump, "democrata", republicano e ditador

Donald Trump  como todos sabemos, está nas bocas do mundo, e não é pelas melhores razões.  Só de olhar para esta figura e atentar na sua linguagem, é o bastante para recearmos que os eleitores norte-americanos tenham guindado ao poder um novo ditador.

A verdade é que, desde que tomou posse não tem parado de intimidar o mundo, incluindo os seus vizinhos mexicanos e canadianos. O mundo é ele, e os USA são agora propriedade sua para anexar ao seu já abastado pecúlio. Muita água pestilenta irá passar debaixo das pontes caso os americanos previdentes não saibam travá-lo a tempo. Os ditadores não custumam dizer ao que vêm, mas este candidato foge ao estereótipo, porque foi eleito "democraticamente". Palpita-me que o tempo não nos fará esperar para termos a certeza.

Um dia destes vimo-lo a destratar a comunicação social numa reunião com 40 jornalistas na Trump Tower. Chamou-lhes hipócritas e mentirosos, entre outras delicadezas. Nada que a mim me surpreenda, porque é verdade. Pena é, que o mundo, incluindo os jornalistas sérios, tenham de ouvir da boca de um putativo ditador a mais unânime e vulgar das realidades. Eles não só mentem como vendem a mentira. Sim, a classe jornalista deixou-se tomar pelo opiómetro do 4º. poder, não soube purgar-se da soberba dos oportunistas e agora tem o que merece, é tratada toda por igual porque nada tem feito para se reabilitar da má fama. Assim, viverá sempre debaixo do estigma da suspeita.

Ando há anos sem compreender as razões para tanta negligência. Entende-se mal que quem exerce seriamente a profissão de jornalista não veja razões para se indignar com colegas que pela sua desonestidade intelectual mancham a reputação de toda classe,  nem consta que tal os encorage a demarcarem-se deles. Em Portugal, este problema não deve ser muito diferente do que acontece noutros países, mas isso não justifica a indulgência, pelo contrário, revela uma cumplicidade corporativa e amoral com os medíocres e um despeito absoluto pelo público. A RTP, como empresa pública de comunicação, é o pior dos exemplos. Sendo empresa estatal, promove o sectarismo em vez da isenção, e alberga nos seus quadros o pior que há no jornalismo. As privadas seguem-lhe os maus exemplos. Não deviam fazê-lo, mas são empresas privadas. 

O que aconteceu aos norte-americanos com a eleição do Trump, pode a qualquer momento replicar-se em Portugal. Os portugueses não são substancialmente diferentes do americano medio, em termos de formação. Gozam de uma comunicação social degradada, corrupta e unipolar e nada ganham com isso. Hoje em dia é muito simples afirmar estas coisas com factos, porque é uma actividade permanentemente exposta ao escrutínio público, por isso fácil de deixar provas.

Não tenho dúvidas que a verdadeira Liberdade será sempre adulterada se continuarmos a avaliá-la como algo incondicional e absoluto. Esta ideia radicalizada de liberdade degenera a comunicação social. A ética e o respeito pelo outros, são o melhor amigo da Liberdade, a melhor couraça para uma democracia forte e idónea. 

A quem servirá então esta deturpação de valores tão importantes, como a liberdade e a democracia? Aos políticos e aos seus laços mercantilistas? Não vejo mais a quem. Por mim, como cidadão livre, não me importaria nada que me limitassem certas "liberdades".

Não creio que nos faça qualquer falta ouvir nas rádios ou nas televisões acusações em directo a outros cidadãos ou instituições, sobretudo sem fundamentação. Para isso há os tribunais e os advogados. Considero altamente indigno e negativo para a classe política permitir a deputados e ex-governantes a liberdade de comentar jogos de futebol. Isso não os aproxima (como alguns malandros dizem), do povo. Não, senhor! Isso vulgariza-os, e descredibiliza a própria política, que deve ser sempre séria e imparcial.

Aplaudiria já, o primeiro partido cujos estatutos vetassem o acesso dos militantes a esse tipo de programas. Contenção cívica exemplar, seria a norma da casa. Ou política, ou futebol, separados. Juntos, nem pensar. Nada destas liberdades fazem realmente falta, nem acredito que seja algo positivo para todos nós, até porque incitam à violência e a fundamentalismos. Isto aplica-se a jornalistas, magistrados, enfim, a todas aquelas funções onde é exigível e recomendável um certo distanciamento público. Se há quem goste deste folclore feito liberdade, arrisca-se a um dia destes ver os próprios juízes como comentadores de futebol...

Há limites para tudo na vida, até para estas liberdades. Cavalgar a onda da anarquia, confundindo austeridade social com condicionamentos à liberdade, é caminhar para o caos com um sorriso parvo nos lábios. É que, se o caos ainda não domina o mundo, pergunto: onde pára a paz mundial?

Pessoalmente, considero perfeitamente possível a imposição de certas regras. A liberdade de dizermos o que pensamos é inegociável, mas casá-la com a calúnia é dispensável. Recuso categoricamente uma democracia ao estilo de Trump, mas o respeito e as boas maneiras podem e devem ser perenes. Em Portugal há muitos Trumps à espera do seu momento. Que ninguém duvide.