07 dezembro, 2007

Novo canal regional do Norte

Vamos lá ver, se é desta vez que vamos ter um canal 100% nortenho sem metástases centralistas...

As preocupações dos canais tv/empresas com a conquista rápida de mercados, leva-os a cometer sempre os mesmos erros, contando-se entre eles um muito particular, que é a obsessão de repetir o que já se faz em Lisboa e para Lisboa.

Infelizmente, continua a haver entre nós muitos "melros" que quando entram nestas coisas da TV não resistem a prestar vassalagem à capital, como que para transmitir a ideia politicamente correcta de bons meninos muito "cosmopolitas".

Nada mais errado, se começarmos a ver e ouvir nos écrans da nova RNTV (o nome confunde-se com a anterior NTV) as mesmas pessoas que os canais centralistas nos impingem há séculos...Há muita gente interessante no Porto e em todo o Norte do país, basta saber ir ao seu encontro.

A oportunidade terá de ser dada a gente do Porto e de todas as outras cidades do Norte de forma declaradamente prioritária e assumidamente regional. Há muita juventude local com talentos e capacidades à espera de uma opotunidade para se revelarem sem terem de imigrar para a capital do Império. Esperemos portanto,que desta feita não se cometam erros de um passado ainda recente que mais uma vez nos impediram de dar um importante passo em frente em termos de autonomia cultural e informativa.

NOTA: Este canal será transmitido, por cabo, 24 horas por dia em todo o país pela TVTel



Oliveira Marques sim, João Cravinho não!

Os novos bons costumes "democráticos" mandam que sejamos cinicamente educados mesmo para quem da educação retirou muito pouco. Por isso serei comedido nos meus adjectivos.

O "Termómetro" do JN de hoje, atribui duas setas ascendentes a João Cravinho e Oliveira Marques respectivamente, mas, do meu ponto de vista, só uma delas se compreende e aplaude: a de Oliveira Marques, obviamente.

Oliveira Marques, teve um papel preponderante no projecto do Metro do Porto, apesar das dificuldades financeiras que (como já vem sendo hábito) o Estado tem criado à sua sustentabilidade. Como sempre, o Estado persiste em dar maus exemplos. Através dos governos, o Estado faz aprovar e propagandear os investimentos públicos que lhe convém para recolher votos, mas depois vira as costas ao planeamento atempado dos respectivos financiamentos.

Assim mesmo, com todas estas incongruências da parte do Governo, Oliveira Marques fez o seu trabalho com distinção. Teve, é verdade, algumas falhas na concepção técnica de alguns detalhes (como o sistema de aquisição de títulos, a leitura de zonas, a falta de protecção solar nos monitores das box de títulos, etc.), mas, ultrapassados esses e outros pormenores importantes, o grosso da obra é altamente lisonjeiro para a sua administração.

Agora, João Cravinho? O protótipo do político portuga, que na oposição diz uma coisa e mal põe os pezinhos no governo, diz outra? O JN, ter-se-à esquecido do entusiasmo que este cavalheiro mostrava com a Regionalização quando o PSD governava, e mal o PS venceu as eleições perdeu completamente o pio, nunca mais tocou no assunto?

Este homem que se fosse do Norte e adepto do FC do Porto tinha toda a comunicação social a censurá-lo por "misturar" política com futebol e vice-versa, mas como é simpatizante do Benfica não se coíbe, mesmo fora do contexto desportivo tecer loas ao seu Benfica como se isso fosse a coisa mais natural do Mundo e sem que ninguém ouse criticá-lo?

Este homem que agora se cola ao mega projecto da OTA e anda outra vez arrogantemente convencido que os portugueses são parvos e que só existem dentro da grande Lisboa?
E é a um homem com estas características, que nada fez de verdadeiramente notável pelo país que o JN considera meritório o lugar que lhe ofereceram no Banco Europeu de Reconstrução de Desenvolvimento? Não será antes provocatória para a população uma promoção desta natureza artribuída a um homem que só se notabilizou pelo método ziguezagueante de fazer e estar na política. O JN hoje equivocou-se. O Jornal de Notícias de hoje, promoveu o oportunismo na política como se os portugueses já não tivessem que baste. Assim, definitivamente jamais seremos um país de gente séria. João Cravinho, devia ser sim, era irradicado da vida política, porque é um dos muitos que nos vem enganando, compulsivamente.

05 dezembro, 2007

Destaques do JN de hoje

Tempo de máscaras (de António Pina)

Será que o Porto se importa?
(de Helena Teixeira da Silva e José Miguel Gaspar)

Os pequenos partidos são uma falsa questão

Para não recuarmos ainda mais no tempo vamos considerar que a discussão só tem 17 anos, lembrando-nos do ano em que o então primeiro-ministro e líder do PSD, Cavaco Silva, tentou aprovar uma reforma do sistema eleitoral que haveria de ser rejeitada pelo Parlamento.17 anos depois, esta reforma que prevê a criação de círculos uninominais num sistema misto onde conviverão com um círculo nacional, volta a estar em cima da mesa e, como sempre acontece nestas coisas, por iniciativa do partido que não está no Governo.

Agora como então, os dois maiores partidos, PS e PSD, aparentam forte motivação para fazer vingar a proposta, tecendo os maiores elogios à principal virtude que lhe está subjacente a introdução dos círculos uninominais aproxima os eleitores dos eleitos.Logo aqui se percebe a urgência desta transformação. Se os dois principais partidos reconhecem e valorizam a necessidade de aproximação dos eleitores aos eleitos, é porque não duvidam que no sistema vigente existe um enorme e irreversível afastamento entre quem elege e quem é eleito.

O aumento exponencial da abstenção que se tem registado nos últimos actos eleitorais terá múltiplas razões, mas esta falta de identificação crescente entre quem vota e quem se apresenta a votos será um dos factores cruciais deste desencanto que tem afectado as recentes eleições.

Outro dos motivos deste alheamento que tem marcado os resultados eleitorais das legislativas tem também a ver com o desrespeito que permite que os primeiros nomes das listas nem sequer cheguem a tomar posse como deputados, ou abandonem os seus lugares quando a legislatura ainda se encontra bem longe do fim. Isto só é possível porque no actual modelo não existe (nem se cria…) qualquer ligação sólida e responsável entre o candidato a deputado e os eleitores do seu círculo distrital.Agora como então, o único argumento que parece ensombrar a discussão é a ideia de que a criação destes círculos uninominais prejudica a representação dos pequenos partidos.

Dito assim, até podíamos ser levados a pensar que estávamos perante um momento enternecedor da política portuguesa, quiçá inspirado pela época natalícia os grandes partidos que tudo mandam e tudo decidem na vida política nacional estão deveras preocupados com os pequenos partidos. Que bonito!Se há estórias que têm um final feliz, esta não é de certeza uma delas.

Os numerosos deputados dos dois maiores partidos estão preocupados, e muito, é com os seus lugares e com a possibilidade de não conseguirem a reeleição, num quadro em que os eleitores tenderão a afastar quem poucas ou nenhumas provas de respeito por eles deu nos últimos anos.

Por outro lado, os estados-maiores dos dois partidos também não esquecem que o seu controlo e influência sobre todos e cada um dos deputados sofrerão profundas alterações. Tornando-se mais dependentes dos eleitores do que das direcções partidárias, os novos deputados terão uma maior tendência para pensar pela sua cabeça e votar na defesa dos seus interesses, que passarão a ser muito mais regidos pelo sentimento e pelas cabeças dos eleitores do seu círculo, em vez de se alinharem invariavelmente pelas orientações dos chefes do partido.

Para que esta reforma não tenha o mesmo triste fim, era preciso que Sócrates e Menezes tivessem total consciência da imperiosa necessidade de a conseguir impor aos seus correligionários. Bem ao estilo divertido daquela série inglesa que fez as delícias de muitos dos meus serões, o "Yes minister", não será nunca por culpa dos dois líderes que ela ficará mais uma vez no tinteiro, ou como se deveria dizer nos tempos que correm, no desktop. Menezes e Sócrates sabem muito bem que as eleições respectivas dificilmente estarão em causa.

O problema está e estará sempre nos homens que os rodeiam, muitos dos quais perfeitos desconhecidos, mas cuja vida e sobrevivência política estão intimamente ligadas a uma suposta legitimidade eleitoral, que sempre têm conseguido com mais facilidade na frequência dos corredores do Poder do que no trabalho de campo junto dos seus verdadeiros eleitores.

Aqui está uma boa oportunidade para o dr. Menezes dar mais um sinal de que na sua eleição não foram só algumas moscas que mudaram.

Manuel Serrão

Fonte: JN

04 dezembro, 2007

Incúria, discriminação ou ignorância?


Há já alguns mêses (quase um ano), por razões de ordem familiar apontei aqui na Baixa do Porto esta singular ocorrência:

em vários quarteirões das redondezas da Rua Coronel Almeida Valente, só a placa toponímica desta rua e da Rua do Dr. Carlos Ramos,permaneciam inalteradas, com o antigo fundo branco. E permanecem ainda...

Como se pode constatar pelas fotos expostas, placas de outras ruas das proximidades (quase todas) foram devidamente substituídas pelas verdes. A questão que me intriga e quero aqui colocar ao senhor vereador do urbanismo da C.M.P., é a seguinte: será por incúria, discriminação ou ignorância que a placa do meu avô ainda não foi substituída?

Se foi por ignorância, posso ajudar:

O Coronel Almeida Valente de quem tenho muita honra de ser neto foi:
Militar ilustre, nascido em 2/12/1874 e falecido em 20/11/1949 que se notabilizou nas campanhas coloniais da 2ª. década do séc.XX
Aposentado da vida militar,foi vereador da CM do Porto,tendo sido convidado para presidir à autarquia, recusou o convite.
Foi Presidente do Tribunal Militar do Distrito do Porto e também Presidente da Associação de Proprietários e Lavradores do Norte de Portugal
O Primeiro de Janeiro destacou a sua morte assim:

"desaparece uma das figuras mais brilhantes da vida portuguesa
contemporânea!"
"como político - político na mais nobre acepção da palavra - comportou-se
sempre como um português de lei!"

Se a C.Municipal do Porto puder e quiser, fico muito grato que quem de direito. me informe qual destas três situações motivou e motiva tal tratamento.

Rui Valente
(Publicado também no blogue a Baixa do Porto)

PACHECO PEREIRA

Por falar em centralismo; já viram este ex-político- político e pseudo-intelectual-intelectual ou vice-versa, "portuense", (por sinal muito acarinhado pela SIC centralista de Pinto Balsemão) preocupado com a macrocefalia governativa?

Sendo um homem cotado de inteligente, há qualquer coisa de estranho nesta forma de ver os problemas nacionais...Qualquer coisa parecida como confundir Lisboa com o país...Qualquer coisa de muito pouco popular, muito característica de tão híbrida personagem...

RAMALHO EANES

Goste-se ou não (a relevância das figuras públicas não se deve orientar por simpatias), Ramalho Eanes é das personalidades mais íntegras que o Portugal de Abril conheceu. A prova, é que não agradou nem à esquerda nem à direita.

Ora, se o ditado diz que no centro é que está a virtude e que na política o centro não existe, não é exagero afirmar que Ramalho Eanes é um virtuoso. Não genericamente, mas naquilo que é essencial a um Presidente da Republica: coragem e integridade.

Num tempo onde alguns "amigos de Peniche" deixaram vazios os seus lugares no Estádio do Dragão por se terem deixado impressionar com a "caça ao homem" movida a Pinto da Costa pela ditadura centralista, Ramalho Eanes é igual a ele próprio: um HOMEM DE CORPO INTEIRO!

ISTO É DEMOCRACIA

Enquanto estes "pardais" (Renato Sampaio e Marco António Costa) se trocam de mimos à volta de uma causa (Regionalização) que nenhum (PS e PSD) chegou verdadeiramente a defender e respeitar, nós vamos assistindo, serenamente, como "bons" espectadores, à espera das próximas eleições, para tudo ficar como dantes...

03 dezembro, 2007

MEMORANDUM CASA PIA VII

O Escândalo Casa Pia rebentou nos finais de 2002, quando um antigo aluno da Casa Pia em entrevista à jornalista Felícia Cabrita, alega ter sofrido de abusos sexuais, enquanto jovem. Os principais responsáveis desses abusos eram figuras públicas e um ex-funcionário da Casa Pia, Carlos Silvino, mais conhecido como Bibi.

A 29 de dezembro de 2004, o Procurador-geral da República, José Souto Moura, acusa formalmente várias personalidade de abusos sexuais a menores (pedofilia):Herman José e Carlos Cruz, duas estrelas da televisão portuguesa.O arqueólogo Francisco Alves e o antigo médico da Casa Pia, Ferreira Diniz, o ex-Ministro da Segurança Social do governo de António Guterres e actual deputado do Partido Socialista, Paulo Pedroso e o embaixador Jorge Ritto.

O julgamento iniciou em 25 de Novembro de 2004, com sete arguidos: Carlos Silvino, Carlos Cruz, Jorge Ritto, Ferreira Diniz, Manuel Abrantes, Hugo Marçal e Gertrudes Nunes. O caso arrastou-se durante anos, com audiências públicas e não públicas para auscultar as alegadas vítimas. Em DEZEMBRO DE 2007 o caso ainda decorre.

O tema - valha-nos isso - não envolve o Porto, mas indigna todo o país. Os media tradicionais andam ao "ritmo" do regime e já se devem ter "cansado" de o pressionar. Nós não. Todas as semanas faremos questão de lembrar aqui esta vergonha nacional. Para que os respectivos responsáveis possam ter a noção exacta da valia da sua honorabilidade.

A Justiça criminosa

Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado. Não se fala mais nisso.

Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada.

Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia que se sabe que nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado.

Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve.

Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços do enigma, peças do quebra-cabeças. E habituámo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal e que este é um país onde as coisas importantes são "abafadas", como se vivêssemos ainda em ditadura.

E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogues, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade.

Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém que acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muito alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos?

Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção.

Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo "normal" e encolhem os ombros.

Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência de Leonor Beleza com o vírus da sida?

Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático?

Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico?

Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana?

Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?

Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma.

No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém? As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não substancia.

E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu?

E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou?

E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente"importante" estava envolvida, o que aconteceu?

Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.

E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente "importante", jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê?

E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára?

O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha.

E aquele médico do Hospital de Santa Maria suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?

E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca.

Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento. Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade.

Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra.

Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade. Este é o maior fracasso da democracia portuguesa e contra isto o PS e o PSD que fizeram? Assinaram um iníquo pacto de justiça.

de Clara Ferreira Alves

(Fonte OFC)

30 novembro, 2007

Os nossos bravos deputados

Sempre que me é possível, protesto contra o sistema em que os deputados à Assembleia da República são praticamente obrigados a votar com o seu Partido, mesmo em situações que lesam legítimos interesses dos circulos eleitorais que os elegeram. Por razões que detalhei num dos primeiros posts para este blogue, acredito que a existência de partidos regionais corrigiria esta anomalia.

Vem isto a propósito da notícia lida no JN de hoje em que se afirma que o governo resolveu que o prolongamento da futura A4 terá portagens nas circulares de Vila Real e de Bragança, sendo que o troço entre estas duas cidades será isento. A notícia de portajar envolventes de cidades é tão incongruente que o presidente da CM de Bragança admite que se trate de um lapso do diploma legal, que o governo se apressará a corrigir. Dadas as trapalhadas feitas pelo ministro Lino, até nem seria impossível que, mais uma vez ele desse provas da sua inabilidade. Creio que não será o caso.

Mas o mais interessante da história é que um distinto parlamentar do PS eleito por Bragança, na sua ânsia de agradar e mostrar serviço aos seus masters, e depois de acusar um seu colega do PSD, de não ter vergonha nas declarações que este fizera contra as portagens nas circulares urbanas, saiu-se com este desarrincanço: engano, as portagens nas circulares à cidade até são benéficas, porque os condutores, para poupar o valor da portagem, atravessam a cidade e deste modo estimulam a economia local!

Fala-se na diminuição do número de deputados. Espero que se concretize. Talvez o nível médio intelectual dos dignos representantes da Nação, sofra um acréscimo!

"O MEU 'IF', PARA A POLÍTICA NACIONAL"











Rudyard Kipling

Se, ao eleitor, fosse permitido, nas campanhas eleitorais partidárias, exigir aos respectivos representantes políticos :

  1. A apresentação de certificado passado por registo notarial de um prazo de execução prática das suas promessas eleitorais


  2. Uma declaração pessoal e partidária registada por notário de como não se queixariam da gestão anterior do cargo para o qual se candidataram


  3. Um atestado de honra registado em Notário, em como se comprometiam a abdicar do cargo público que exerciam caso não cumprissem o prometido dentro do prazo previsto para a sua excecução prática, constante no ponto 1.


  4. Documento notarial a garantir a irradicação imediata do respectivo cargo e em qualquer escalão hierárquico com recurso a intervenção policial (se necessário), de todo e qualquer político que violasse o enunciado no ponto 2


  5. A implementação de uma lei registada em notário, que impedisse o desempenho para altos cargos administrativos de grandes empresas, como Bancos, Companhias de Seguros, Petrolíferas e afins, a ex-políticos que tivessem obrigado a comunidade a recorrer ao artigo 4


  6. Implementação legal, registada em notário, que obrigasse os políticos em funções governativas a reduzir em percentagens ascendentes (partindo de uma taxa de 20%) os seus vencimentos, cada vez que exigissem sacrifícios e contenção salarial à população
Em democracia, o acesso ao poder devia ser concedido naturalmente à nata da sociedade, aos mais honrados, mais inteligentes, mais corajosos, mais capazes. Ora, todos sabemos que não é isso que acontece. Salvo muito raras excepções, os políticos em Portugal, não se têm destacado pela rectidão de processos e de acções. Esta, é a fama que eles mesmos se encarregaram de ganhar e desenvolver. Não é mito, nem mania da populaça, é um facto.

O sarcasmo das seis alíneas do meu "IF para a política nacional" pode ser exagerado pelas bizarras 'muletas' da intervenção Notarial nelas inscritas, mas não é por acaso. É que, a experiência diz-nos que mais depressa se desrespeita a Lei Constitucional do que um simples registo de Notário. Então porque não tentar mecanismos legais de certificação mais populares? Afinal, a Constituição da República Portuguesa não tem a importância sacramental que se pintava, mas ainda é muito 'útil' para impressionar em discursos solenes.

29 novembro, 2007

RUI MOREIRA

Rui Moreira, é sem sombra de dúvida a personalidade eminente da sociedade civil portuense.

Com a sua habitual diplomacia consegue superar em pragmatismo e dinâmica a actividade da classe política regional. É um homem honesto e suficientemente corajoso para merecer a confiança dos cidadãos, mas isso, irá também custar-lhe algumas inimizades.

O dilema, é saber até quando é que sua intervenção na vida pública poderá manter-se sem se sentir "coagido" a filiar-se num qualquer partido político.

No dia em que isso acontecer (se acontecer), perderemos o que de melhor existe na sua personalidade: a autenticidade.

De qualquer forma, a nota positiva que o JN hoje lhe dedica é mais do que merecida.
PS-Aposto aqui e agora, como o estudo que Rui Moreira encomendou à UCP para o aeroporto
de Lisboa não terá a aceitação do Governo, por mais válida que ele seja. Era o que mais
faltava o Centralismo admitir que há quem apresente alternativas às suas propostas
faraónicas fora Lisboa!


Helder Pacheco no JN

Aconselho vivamente a leitura deste artigo. É caso para dizer: "ontem, como hoje."

E a paciência dos tripeiros a esticar, esticar, esticar...Até quando?

28 novembro, 2007

O nosso destino muda-se combatendo o embuste

Muito antes do referendo pela Regionalização de 1998 já a defendia. E por quê?

Primeiro, por estar prevista na Constituição, e depois, por me ir apercebendo, que a Regionalização era mesmo uma reforma necessária. Foram as sucessivas acções políticas de alternados governos, quer do PS, quer do PSD, com tendências para acentuarem a concentração do poder na capital que me retiraram as poucas dúvidas que ainda podia ter sobre o assunto e me fizeram interiorizar a sua necessidade.

O nosso país é pequeno para regionalizar, diziam e ainda dizem - com o descaramento de quem está impunemente habituado a vender banha da cobra - os defensores do status quo do regime. A seguir, cantavam-nos ( e ainda cantam) o fado vadio da "descentralização" e assim davam a volta ao eleitorado mais ingénuo e aos respectivos aparelhos partidários, ao bom estilo dos homens dos carrinhos de feiras de diversão: "nova corrida, nova viagem, freguês!"

A Regionalização não é cura para todos os males do país, mas só pode ser um sistema político/administrativo muito mais justo e eficaz do que aquele que agora vivemos. A sua maior vantagem, é a de aproximar o cidadão dos orgãos do poder e das suas reais necessidades. A outra, é a de lhe permitir também uma maior participação e controle do desempenho governativo.

Dizia há dias António Arnaut no lançamento de um livro seu, que hoje, há falta de carácter na política e que a astúcia se lhe sobrepõe... Pois sim, estamos fartos de saber que assim é, mas para quê usar expressões tão simpáticas como carácter e astúcia quando as podemos traduzir numa frase mais grosseira mas não menos honesta como: temos de acabar com a vigarice na política?

E por que é que o senhor dr.António Arnaut, que tanto se bateu pelo Serviço Nacional de Saúde, não disse nem explicou aos eleitores quem foi e o que foi que abortou esse seu desígnio quando esteve no Govêrno? Só se fala dos obstáculos criados (quando é o caso) passado muito tempo, quando a memória do povo começa a encurtar... Por que será? Ou terá o senhor doutor guardado segredo até hoje para nos esclarecer com a venda do seu livro?

Já repararam que hoje, há poucos políticos que tenham a dignidade de se demitir dos seus cargos e a coragem de explicar publicamente, preto no branco, as causas que estão na origem do boicote às suas reformas políticas, chamando os "bois pelo nome"? Mas então, estará a obediência partidária acima do dever de esclarecer os eleitores? Os partidos interessam mais que as pessoas? Se assim é, então não precisamos dos partidos políticos para nada, porque deixam de ser um organismo ideológico de representação pública para passar a ser um seu adversário, um entrave à cidadania.

Os próprios debates televisivos (muito bem pagos) onde participam governantes e ex-governantes são igualmente um processo cínico e simples para estes branquearem as suas incompetências e incumprimentos e ao mesmo tempo para restaurarem a sua credibilidade. Mas, o que nos obriga a aceitarmos isto? A televisão terá porventura mais força que a vontade do cidadão?

É óbvio que tem. Os cidadãos agora, comunicam (virtualmente) mais através da Net, mas mobilizam-se pouco. Por aqui, já podemos ter uma ideia mais realista do nosso efectivo poder e como será extremamente difícil mudar o nosso destino a mantermo-nos neste teatro de governabilidade.

Com a Regionalização, estou seguro, o nosso destino estará muito mais próximo das nossas mãos e das nossas legítimas ambições.

27 novembro, 2007

Podemos nós tomar o destino em nossas mãos?

José Sócrates, primeiro-ministro de Portugal em passeio pelo Norte, lançou há dias um repto à região dizendo que está nas mãos dos nortenhos suster a rota de declínio económico e levar a região para níveis que a façam sair da situação actual. Nas nossas mãos?

Esta afirmação ou é uma hiprocrisia ou, o que é menos crível, demonstra uma ignorância dos mecanismos governativos, que seria inadmissível num primeiro ministro.Dado o contexto, parece até uma provocação. Repare-se que a reunião em que esta afirmação foi feita, foi a mesma em que figuras públicas da sociedade civil do Porto lançaram um apelo para que o governo central despachasse favoravelmente a pretenção de uma low cost que quer trazer para a região Norte dinheiro e turistas. Esta pretenção foi travada e inviabilizada pela ANA, departamento do governo, através de argumentos espúrios, apresentados de forma terminante.

E qual foi a reacção do primeiro ministro, o mesmo que nos desafia a melhorar a nossa situação? " Os interesses nacionais e das regiões têm que estar acima dos interesses das empresas", foi esta a resposta.

Esta genérica declaração de princípio não é certamente resposta adequada a uma legítima pretenção regional que, beneficiando a região, beneficiaria automaticamente o país a que ela pertence.

O que acontece é que esta recusa, na realidade, é mais uma prova do conceito centralista de que aquilo a que se chama "benefício para o país" é coisa que não existe, porque o país, ele mesmo, é uma entidade abstracta. Existe sim Lisboa, e é em relação a ela que o binómio custo-benefício de qualquer medida é considerado. O resto... bem o resto é aquela zona difusa e nebulosa a que eles chamam "província", provadamente habitada por uma população de classe inferior em relação à qual convém manter uma salutar distância.

Cada um tire as suas conclusões deste episódio. Eu já tirei as minhas.

26 novembro, 2007

"MEMORANDUM CASA PIA-VERSÃO 2008"

O Escândalo Casa Pia rebentou nos finais de 2002, quando um antigo aluno da Casa Pia em entrevista à jornalista Felícia Cabrita, alega ter sofrido de abusos sexuais, enquanto jovem.

Os principais responsáveis desses abusos eram figuras públicas e um ex-funcionário da Casa Pia, Carlos Silvino, mais conhecido como Bibi. A 29 de dezembro de 2004, o Procurador-geral da República, José Souto Moura, acusa formalmente várias personalidade de abusos sexuais a menores (pedofilia):Herman José e Carlos Cruz, duas estrelas da televisão portuguesa.

O arqueólogo Francisco Alves e o antigo médico da Casa Pia, Ferreira Diniz.O ex-Ministro da Segurança Social do governo de António Guterres e actual deputado do Partido Socialista, Paulo Pedroso.O embaixador Jorge Ritto.O julgamento iniciou em 25 de Novembro de 2004, com sete arguidos: Carlos Silvino, Carlos Cruz, Jorge Ritto, Ferreira Diniz, Manuel Abrantes, Hugo Marçal e Gertrudes Nunes. O caso arrastou-se durante anos, com audiências públicas e não públicas para auscultar as alegadas vítimas. Em Fevereiro de 2008 o caso ainda decorre, e é tempo de mais.

Começamos a suspeitar das razões: talvez Pinto da Costa, ou (deixemo-nos de tretas) mais precisamente, as vitórias do F. Clube do Porto. Não é nada, não é nada, mas com elas o glorioso vem definhando e o eclipse é total.

O tema (até ver) não envolve o Porto, mas indigna todo o país. Os media tradicionais andam ao "ritmo" do regime e já se devem ter "cansado" de o pressionar. Nós não. Todas as semanas faremos questão de lembrar aqui esta vergonha nacional. Para que os respectivos responsáveis possam ter a noção exacta da valia da sua honorabilidade

DEMOCRACIA OU PACTOS COM MENTIRAS?

Aqui, como um pouco por toda a blogoesfera, discutem-se todo o tipo de questões relacionadas com a centralização e o consequente empobrecimento económico e social do Porto e do interior norte de Portugal. E daí?
Será esse o melhor caminho para mudarmos a situação? Francamente, não creio.
De forma mais ou menos contundente ou pacífica, vamos debatendo todo o tipo soluções para estes problemas, desde a descentralização efectiva dos vários orgãos de poder até à simples regionalização do país, mas na verdade esquecemos a sua essência, que também passa pela cumplicidade dos cidadãos para com os graves e repetidos erros governativos provocados por constantes atropelos às leis e a promessas eleitorais.
Com receio de sermos intolerantes ou acusados pelos fantasmas do radicalismo, vamos convivendo mal com as habituais artimanhas governativas com uma fatídica inevitabilidade em nome de uma aparente obediência cívica.
Mas, afinal, será mesmo este nosso comportamento o mais sensato? Será ele condizente com a letra do regime democrático? Quanto a mim, não é. Há demasiada subserviência da nossa parte - e que nada tem a ver com exemplos de boa cidadania - perante aspectos básicos essenciais às regras da democracia, entre os quais consta um da maior importância, como seja o da exigência de seriedade de processos, pela parte de quem governa (e como nos governa).
É justamente neste ponto, tão simples quanto óbvio, que reside a nossa cumplicidade face ao desempenho governativo. Sabemos que o regime democrático é (em tempo útil) parco em mecanismos reivindicativos e de rejeição governativa, mas embora discutindo, vamo-nos conformando parcimoniosamente com este tão espartilhado "trunfo" de cidadania democrática como é o voto eleitoral, deixando à oposição o papel retransmissor do nosso descontentamento.
Ora, todos sabemos que o défice de pragmatismo democrático não se tem circunscrito à actividade governativa, mas que também se estende ao desempenho das oposições, igualmente acomodadas e pouco interventivas. Entretanto, os anos passam, o país vai-se atrasando, o povo vai vivendo cada dia pior, ainda que ao som de uma "colorida" música regimental que lhe fala de progresso e reformas que porventura jamais chegará a usufruir.
Não se compreende a contestação diplomática quando se lida com ilegalidades. A diplomacia é um convívio que se alimenta e revigora com princípios de seriedade recíproca, mas que é inócua face a intervenientes desleais. O que sucede, é que este modelo de democracia em que vivemos não é compatível com protagonistas falsos. Poderá até funcionar razoavelmente com governantes idóneos (como sucede nos países nórdicos), mas é uma perigosa utopia quando praticada em países cujos principais responsáveis são os primeiros a romper compromissos.
Pessoalmente, na minha qualidade de cidadão, não me dá qualquer conforto moral saber que os nossos governantes mentem (é este o termo correcto), que mentiram e vão continuar a mentir aos eleitores. O conforto moral só acontecerá quando tiver a oportunidade democrática de os levar à barra de um tribunal e os condenar com equivalente gravidade pelos prejuízos causados à Nação.

23 novembro, 2007

Descubra as diferenças


Uma foto é a cores,

a outra a preto e branco






Apesar disso, existem algumas diferenças, de estilo.


Descubra-as, se souber...

Seis nítidos retratos

Busto de Sócrates
(versão original)

O JN de hoje dá-nos um considerável conjunto de retratos (meia dúzia) orientadores da eficiência e da seriedade governativa em várias vertentes da vida política e social do país. A primeira, é a vertente da descentralização, a segunda, mais genérica, pode incluir a vertente moral e a transparência de processos.


Vejamos:

Retrato 1) Vozes do Norte contestam obstáculos da ANA à Ryanair

Retrato 2) Tribunal arrasa contas do Serviço Nacional de Saúde

Retrato 3) Caso das Estradas de Portugal domina debate orçamental

Retrato 4) Juntas só com médicos do quadro

Retrato 5) CIP tenta evitar rotura com construtores civis

Retrato 6) Até que a morte os separe

Comentários aos retratos:

Ret. 1) Mais uma oportunidade perdida para descentralizar e prova indesmentível, da falta de
seriedade política e de respeito pelos cidadãos do Porto e do Norte de Portugal. As
promessas de descentralização são apenas isso: promessas! Podemos sem qualquer
receio acusar estes governantes de pouco sérios ( isto para não sermos mais
"categóricos" ).

Ret. 2) Tribunal de Contas acusa Governo de fraude na apresentação dos resultados económico- financeiros das contas do Seviço Nacional de Saúde. Neste caso, não somos apenas
nós, cidadãos a fazer graves acusações ao Governo, o que, reforça ainda mais a ideia
de autismo político premeditado.

Ret. 3) A oposição acusa o Governo de Desorçamentação com a Estradas de Portugal (EP) e o
Governo devolve o piropo ao governo anterior (PSD/CDS/PP)...Belo governo, bela
oposição, belo futuro para os portugueses.

Ret. 4) O que me ocorre dizer sobre o trabalho execrável das juntas médicas na CGA é o
seguinte: fosse eu a estar no lugar daquela desafortunada professora cancerosa e ver-
me recusada a passagem à reforma por invalidez comprovada, partia as pernas à
respectiva equipa (dita) médica e depois obrigava-a a ir trabalhar...de rastos, se preciso
fosse. De novo, a culpa morreu solteira. Tal como no caso Casa Pia, o que menos
interessa ao Governo é responsabilizar os infractores. Sobre isso, zero! Como é hábito!

Ret. 5) Para que abriste a boca Van Zeller? Agora tens à perna as madonas ofendidas da
construção civil e, ou negas o que afirmaste, ou tiras o rabo da presidência da CIP para
dar lugar a outro disponível para meter a cabeça no cêpo em defesa da honra dos
construtores civis. O governo aponta o dedo e acusa, mas mais uma vez, prefere ignorar
o nome e a cara dos foragidos do fisco. Dignificante!

Ret. 6) Este pertinente artigo de Manuel António Pina, a ser autêntico, é digno de uma
Revolução. Se ninguém se revolta com isto nem se manifesta, podemos ter a certeza que
uma Ditadura assumida está na forja. Isto é repugnante, e faz-me ter a certeza do tempo
perdido que é, pensar que as eleições servem para algo de sério. Comparado com estes
cavalheiros,Salazar era um democrata bem menos cínico.

22 novembro, 2007

Foi louvável o entusiasmo do público no Dragão?

Agora que o apuramento de Portugal para o Europeu de 2008 está conseguido, sinto-me à vontade para confessar que tenho sentimentos contraditórios quanto à realização no Dragão do jogo contra a Finlândia.

A dupla Madail-Scolari vem agora dar pancadinhas de amizade nas costas do público do Porto e restante Norte. Somos os melhores, fantásticos, nunca os desiludimos, bla, bla, bla. O público foi efectivamente super entusiástico e criou um ambiente caloroso, mas devemos nós, nortenhos, estar orgulhosos porque 50 mil pessoas se reuniram no Dragão para ver e apoiar um jogo da selecção nacional? Devemos considerar normal ver o presidente do FC Porto fazer o papel de solícito anfitrião? Aceito que Pinto da Costa tenha tomado a decisão mais sensata, mas ( aqui estão os sentimentos contraditórios) não gostei.

A adesão do público preocupou-me, não do mero ponto de vista futebolístico, mas porque representa a aceitação passiva pelo Norte ( que para o efeito considero do Mondego para cima) de todas as humilhacões sofridas às mão da dupla Madail-Scolari. Maus prenúncios para a regionalização no que diz respeito à região Norte, pois quem aceita humilhações no futebol, também aceita que continuar a ser colonizado pelo Terreiro do Paço é uma situação normal e aceitável. Eu sei o que os anti-Porto ( cidade e clube) alegam. "O problema é dos portistas que ficaram furiosos por o Scolari não ter convocado o Vitor Baía, mas o FC Porto não é o Norte e nós, que também somos nortenhos, não temos nada com isso". Raciocínio redutor que não leva em consideração que o caso do Vitor Baía é apenas um pequeno detalhe, e não o mais relevante.

Por razões desconhecidas, o técnico brasileiro mal tinha aterrado em Lisboa pela primeira vez, e já estava a tomar atitudes de hostilidade insultuosa a tudo o que dissesse respeito ao Norte, incluindo entre os seus alvos o clube de futebol do Porto que provavelmente já nessa época era o mais representativo de Portugal.

Mas enquanto o seleccionador hostiliza, com o silêncio cúmplice da Federação Portuguesa de Futebol, esta ignora, ostracisa e até humilha o Norte do País, e não é a realização do Campeonato Europeu de sub-21 que me fará mudar de opinião.

Lembremos os factos. No Euro 2004 o Norte apenas teve direito ao jogo inaugural. Todos os outros jogos de Portugal foram disputados em Lisboa. No apuramento para o Mundial 2006, dos seis jogos em Portugal, quatro foram no sul e dois no Norte (Aveiro e Porto) contra adversários sem interesse. E no Minho? Há quantos anos não há um jogo oficial em Braga ou Guimarães? E não esqueçamos que para o estágio final do Mundial, se fêz à pressa um centro de estágio em Évora. Nenhum dos centros que já existiam no Centro e Norte pareceu servir para o efeito. Mais uma vez fomos ostensivamente ignorados sem uma explicação. É indiscutível parecer haver a preocupação de isolar a selecção de futebol no Norte do País, e com este panorama só havia, em minha opinião, uma atitude possível: a selecção ignora-nos? Pois vamos ignorar a seleção. Mais uma vez aparecem os mixed feelings. Não tenho nada que condenar quem foi ao Dragão, mas ...

E é por tudo isto que me sinto incomodado pelos elogios hipócritas do Sr. Scolari ao público do Dragão, e muito embora tenha ficado satisfeito com o apuramento de Portugal, lamento que o jogo tenha tido a moldura que teve, até porque isso não vai servir para que no futuro sejamos melhor tratados, pelo menos enquanto a dupla se mantiver em funções. Só se lembram de nós quando troveja. Em 1975 onde se refugiaram os jactos da Força Aérea, e para onde iria fugir o Governo se fosse proclamada a Comuna de Lisboa?

OS PEDÓFILOS ANDAM À SOLTA

Após alguns anos sobre o escândalo da Pedofilia com crianças da “Casa Pia” de Lisboa, em que foram denunciados nomes sonantes da vida pública portuguesa que ainda não foram julgados ou condenados, surge de novo mais indícios de que nada se tenha alterado e continuem abusos sexuais com crianças neste país à beira-mar plantado.

Para piorar a situação, o Código do Processo Penal foi alterado e os pedófilos portugueses podem agora abusar à vontade as vezes que queiram com as crianças (20, 30, 40, 50, 100 vezes) pois lhes será apenas imputado um crime e nada mais. Não se sabe de quem partiu a ideia nem quem foi o legislador, mas dá para perceber que houve favorecimento a amigos de alta esfera influentes do Partido Político no Poder e não na Oposição que votou contra esta alteração.

É uma vergonha o estado a que chegou a nossa “Democracia” que entre outras coisas vergonhosas feitas em nome da ‘Liberdade’ favorece agora a Pedofilia. São os próprios magistrados da Nação que contestam alterações ao Código Penal que desagrava penas para criminosos que andam à solta e não só os abusos sexuais vão continuar como assaltos e roubos em pleno dia estão a aumentar.

O crime parece compensar...Mas o governo branqueia sempre a situação dizendo que tudo vai bem para justificar o que faz e tentar descansar a população. As opiniões dividem-se cada vez mais, e já não é só o cidadão comum que aponta o dedo aos (des)governantes mas gente de várias classes sociais que observam com preocupação o que se passa na Nação.

Entretanto vai-se entretendo o povo com futebol, concursos e telenovelas de televisão e promove-se o consumismo e a gastronomia, entre outras coisas, para satisfazer os mais aborrecidos ou chateados, que ficam mais consolados e calados, deixando aos outros a ‘pedrada’ de contestação.

Aqui fica a minha...Pausa para reflexão!

Rui Palmela

ANA tira as patas de Sá Carneiro! Já!

Há quatro anos, quando a TAP deitou as mãos ao pescoço do Sá Carneiro, desviando para Lisboa os voos directos do Porto, foi a Ryanair quem forneceu o essencial do oxigénio que evitou o nosso aeroporto de morrer asfixiado.

A Lufthansa também deu uma ajuda, ao aumentar a frequência de voos diários para Frankfurt. Os alemães foram rápidos a identificar a oportunidade de negócio aberta pela deserção da TAP – e a agir.

A companhia alemã não demorou a obter o retorno deste investimento. «Hub» por «hub», turistas e homens de negócios nortenhos preferem fazer escala em Frankfurt do que em Lisboa.

Mas foi a Ryanair quem salvou o nosso aeroporto da condenação à morte proferida pela TAP (nacionalizada nossa …?!), com a cumplicidade da ANA (nacionalizada nossa…?! ) a entidade gestora dos aeroportos.

Por muitos anos que viva, nunca esquecerei da conferência de imprensa que Michael O’Leary, presidente da Ryanair, deu no Porto, paramentado com a camisola azul e branca do FC Porto, que tinha acabado de conquistar a Liga dos Campeões em Gelsenkirchen.

A combinação entre o prestígio, no Reino Unido, do vinho do Porto e do FC Porto (que acabara de exportar José Mourinho para o Chelsea) convenceu o irlandês de que a sua aposta numa ligação «low cost» entre as cidades do Porto e Londres ia ser ganhadora - e que os seus aviões andariam cheios nos dois trajectos.

Os dois milhões de passageiros transportados, em menos de quatro anos, de e para Portugal, provam que O’Leary tinha razão. A sua Ryanair é a principal contribuinte para as taxas de crescimento da ordem dos 17% ao ano registadas pelo Sá Carneiro, de que já é a sua segunda principal cliente.

O ano passado, três milhões de passageiros usaram o aeroporto do Porto. Este ano, prevê-se que sejam quatro milhões. Mais um milhão.

Mas a monopolista e estatal ANA está a cortar as pernas à continuação deste espectacular crescimento ao boicotar, há quase um ano, um investimento de 220 milhões de euros no Sá Carneiro da Ryanair, que quer instalar no nosso aeroporto uma base de operações.

Entre outras coisas, esta base permitira que, no espaço de um ano, a Ryanair triplicasse o número de passageiros que transporta no Sá Carneiro.

É inadmissível que numa economia que se pretende de mercado, a TAP continue estatal e que através dela o Governo tenha nacionalizado uma companhia privada (a Portugália).

É inadmissível que numa economia que se pretende de mercado, haja uma entidade estatal a monopolizar a gestão dos nossos principais aeroportos, impedindo a concorrência entre eles e prejudicando o Sá Carneiro.

Não há uma entidade única a gerir os portos nacionais e os resultados transparentes deste saudável estado de concorrência estão à vista: o porto de Leixões é o único que dá lucros. Os outros todos, sem excepção, acumulam prejuízos.

A AEP e a Associação Comercial do Porto já se disponibilizaram por criar uma entidade que substitua a ANA na gestão do Sá Carneiro, onde reuniriam empresas exportadoras e operadores turísticos.

É urgente que a ANA tire as patas do Sá Carneiro para que o nosso aeroporto seja gerido pela sociedade civil e, assim, possa continuar a prosperar - e ser a porta de entrada e saída, por via aérea, do Noroeste Peninsular.


Jorge Fiel
(do Bússola)

21 novembro, 2007

A CONTROLINVESTE E A NOVA TV

Vale a pena ler esta notícia do JN e observar os comentários de algumas entidades ligadas ao negócio dos media. É caso para se dizer: é preciso ter lata! Mas, já sabemos, lata é coisa que não falta em Portugal.

A pretexto da intenção da Controlinveste pretender lançar uma nova operadora de TV, supostos "especialistas", afirmam que o mercado actual publicitário não comporta a presença de mais um canal aberto de televisão, considerando por esse motivo a sua inviabilidade económica.

Depois, acrescentam: "um quarto operador, caso se afirme, tornará a sobrevivência da SIC e da TVI ainda mais complicada."

A justificarem-se estes receios pela concorrência, é caso para perguntarmos se estes cuidados alguma vez se manifestaram em relação ao impacto negativo que causariam (e ainda causam) noutras áreas do país, nomeadamente na sua segunda maior cidade como é o caso do Porto.

Mais: estas entidades gostam - quanto é conveniente - de apelar ao bom senso e às regras democráticas, mas como se comprova, nunca se sentiram incomodadas com o facto do Porto não ter, ainda hoje, uma única operadora em canal aberto e de estarem a viver (e, como referem, a sobreviver) também à custa do mercado nortenho, incluindo as empresas públicas, como é o caso da RTP. Esta empresa, dispõe de dois canais abertos e mais alguns outros em cabo (RTPN, RTP Memória, RTP Àfrica), mas nenhum com direcção autónoma instalado no Porto. Nesta altura, inclusivé, a pouco autónoma RTPN vai emitir a partir de Lisboa no horário da noite (de maior audiência).

Resta-nos saber, já agora, aonde é que Rolando Oliveira (supostamente um homem do Norte), estará a pensar implantar a nova operadora. Algo me diz, que mais uma vez os pergaminhos do rigôr e da justiça vão ficar na gaveta das conveniências e que a nova Televisão será outra vez instalada na grande Lisboa, em mais um coerente acto de "descentralização" e de "seriedade".

20 novembro, 2007

O Condado de Portucale

Bandeira do Condado
Portucalense

Houve, no actual território de Portugal, ao longo do processo de reconquista, dois Condados Portucalenses ou Condados de Portucale distintos: um primeiro, fundado por Vímara Peres após a presúria de Portucale (Porto) em 868 e incorporado no reino da Galiza em 1071, após a morte do conde Nuno Mendes (e que embora gozando de certa autonomia, constituiu sempre uma dependência do reino das Astúrias/Leão/Galiza sendo sensivelmente equivalente ao actual Entre-Douro-e-Minho).

Um segundo, constituído c. 1095 em feudo do rei Afonso VI de Leão e Castela e oferecido a Henrique de Borgonha, um burguinhão, que veio auxiliá-lo na Reconquista de terras aos Mouros, tendo também recebido a mão de sua filha Teresa de Leão. Este último condado era muito maior em extensão, já que abarcava também os territórios do antigo condado de Coimbra, suprimido em 1091, partes de Trás-os-Montes e ainda do Sul da Galiza (mormente da diocese de Tui).

De notar que Condado é um termo genérico para designar o Território Portucalense, já que os seus chefes eram alternativamente intitulados Comite (conde), Dux (duque) ou Princeps (Príncipe).