19 janeiro, 2012

Que queridos que são os nossos deputados...


Maioria parlamentar manifesta-se contra o fim das touradas


A maioria parlamentar manifestou-se, esta quinta-feira, contra o fim das corridas de touros, pedido por uma petição, tendo o BE apoiado esta intenção e "Os Verdes" defendido uma reflexão sobre a caracterização das touradas como um espectáculo violento.
 
Maioria parlamentar manifesta-se contra o fim das touradas
Maioria parlamentar defende tourada
 
A petição pelo fim das corridas de touros reuniu cerca de sete mil assinaturas, mais três mil do que as necessárias para levar a sua discussão a plenário da Assembleia da República.

A deputada Isilda Aguincha, do PSD, defendeu que esta é "uma matéria que respeita à liberdade individual de cada um", sendo as corridas de touros "historicamente reconhecidas como arte, com elevado número de espectadores".

No mesmo sentido, a deputada socialista e ex-ministra da Cultura Gabriela Canavilhas sublinhou a "manifestação inequivocamente cultural" da tauromaquia, que leva anualmente 900 mil pessoas às praças e mais de três milhões a festas taurinas e que, tal como não foi introduzida por decreto, não poderá ser abolida dessa forma.

A democrata-cristã Teresa Anjinho lembrou a "relevante actividade económica" da tauromaquia, situando-a simultaneamente no domínio dos "direitos culturais" que "são centrais à vida contemporânea", cabendo ao Estado "preservar a vida cultural que existe, não criar uma".

O deputado comunista Paulo Sá disse não entender ser "acertado" qualquer "tipo de proibição por via legal", mas manifestou a disponibilidade do PCP à "reflexão" sobre uma matéria que, disse, divide a sociedade portuguesa, garantindo ainda o empenhamento dos comunistas na "protecção dos animais".
[Fonte: JN]
 
 

Totoloto - Já vai no 3º. e... nada!

 
 

 Totoloto

Sorteio: 005/2012 - Quarta-Feira  Data do sorteio: 18/01/2012
Chave: 18 26 35 36 49 + 4
Ordem Saída: 49 18 26 35 36 + 4
Prémio Acertos Número de vencedores Valor
1.º Prémio 5 Números + Nº da Sorte 0 (1)
2.º Prémio 5 Números 1 € 26.889,23 
3.º Prémio 4 Números 112 € 300,10 
4.º Prémio 3 Números 5.561 € 6,04 
5.º Prémio 2 Números 86.937 € 2,31 
Nº da Sorte Nº da Sorte 98.343 Reembolso do valor da aposta de Totoloto

Estatísticas
Nº de Bilhetes/Matrizes 540.719
Nº de Apostas 1.508.936
Receita ilíquida apostas € 1.358.042,40
Montante para prémios € 672.230,99
(1) Previsão 1º Prémio c / Jackpot € 2.000.000,00

TGV, Porto-Vigo, é o desvio que se segue ...

Com a população nortenha completamente abúlica, mais interessada em seguir o clube de futebol e os reality shows ordinários que Lisboa lhes impinge, do que em se livrar da canga que o centralismo lhe está a colocar, o futuro do Norte e de Portugal, não pode ser risonho.

Mas, o povo, não está só nesta pasmaceira. Tem a companhia de umas "elites" baças  e comprometidas com os todo-poderosos do Terreiro do Paço, cuja única preocupação é preservar o património pessoal e estatutário. A partir daí, preferem não ouvir, não ver, nem reagir. O lema é: "o melhor, é o calado"... Paralelamente, contam com a "solidariedade" imbecilóide da comunicação social que, ao mesmo tempo que paga alguma irreverência intelectual a alguns cronistas, partilha a bovinidade geral com a publicação de revistas côr-de-rosa, onde divulgam a futilidade da vida de jogadores de futebol, de actores mais ou menos talentosos, e de participantes em programas decadentes. É este o país de contradições de que não queremos abdicar. Reclamamos a excelência e os bons costumes, mas de mãos dadas com a corrupção e a ordinarice. Povo reles este, que passa a vida a queixar-se do lixo mas não se quer livrar dele.

Ontem, foi sobre o porto de Leixões que recaiu a gula centralista. Hoje - com a descontracção  própria dos cobardes, de quem sente a fraqueza da vítima -, o (des)governo prepara-se tranquilamente para cancelar o TGV Porto/Vigo e encaminhar, sob efeito de um spillover  invertido, os respectivos fundos [244 milhões!], para a ligação ferroviária Lisboa-Madrid.

E Salazar, é que era o Ditador? Nunca imaginei que atrás de um alíbi chamado Democracia se escondesse tanto banditismo. Muito menos imaginava que, decorridos 37 anos, a população fosse incapaz de reagir a tanta desconsideração e irresponsabilidade.Os governos são maus? São! E o povo? Tem o que merece!

18 janeiro, 2012

Links & Media

Utentes partiram a pontapé divisórias de loja da Segurança Social

Duarte Lima recusa recreio para evitar presos

IHRU procura reunir condições para pagar dívida à Porto Vivo

 

Gostava de ser espanhol...


Espanha  perseguirá penalmente  políticos  que não  cumpram  orçamentos

Publicado em 2012-01-18


O ministro da Fazenda espanhol, Cristóbal Montoro, afirmou, esta quarta-feira, que o Governo avançará com mudanças na lei para exigir responsabilidades penais a gestores públicos, políticos ou não, que não cumpram os orçamentos.

"Vamos fazer uma mudança que chamamos Lei de Transparência de Governo. Vamos exigir responsabilidades penais para os gestores públicos", sejam políticos ou pessoas nomeadas por políticos, afirmou em declarações à Cadena SER.

Um gestor público, insistiu Montoro, "não pode gastar além dos limites que tenha no seu orçamento" porque se o fizer estará a "falsificar a contabilidade pública e a guardar facturas numa gaveta que depois se tornam impagáveis".

O anúncio foi feito pelo governante espanhol depois de na terça-feira se ter reunido com os responsáveis de fazenda e economia dos Governos regionais, no âmbito do Conselho de Política Fiscal e Financeira (CPFF) para analisar a futura lei de estabilidade orçamenta.

Segundo explicou o próprio Montoro depois dessa reunião, os Governos central e regionais alcançaram um "compromisso de Estado" pelo equilíbrio orçamental, acordando medidas para garantir a liquidez e cumprir os pagamentos a fornecedores.

Os representantes dos Governos regionais deram o seu apoio à futura lei de estabilidade orçamental que está a ser finalizada pelo Governo nacional e que, entre outros aspectos, prevê sanções para as regiões espanholas que não cumpram os objectivos de défice.


[Fonte: JN]


Totoloto - Novo, e longo ciclo de jackpots, se avizinha...




 Consultar Sorteios
 
 Totoloto
Sorteio: 004/2012 - Sábado Data do sorteio: 14/01/2012
Chave:1014374149+3Ordem Saída:1449374110+3
PrémioAcertosNúmero de vencedoresValor
1.º Prémio5 Números + Nº da Sorte0(1)
2.º Prémio5 Números2€ 18.058,65 
3.º Prémio4 Números217€ 208,04 
4.º Prémio3 Números8.791€ 5,13 
5.º Prémio2 Números131.174€ 2,06 
Nº da SorteNº da Sorte151.469Reembolso do valor da aposta de Totoloto
Estatísticas
Nº de Bilhetes/Matrizes682.480
Nº de Apostas2.026.785
Receita ilíquida apostas€ 1.824.106,50
Montante para prémios€ 902.932,72
(1) Previsão 1º Prémio c / Jackpot€ 1.600.000,00



Consultar Sorteios

 Totoloto
Sorteio: 003/2012 - Quarta-Feira Data do sorteio: 11/01/2012
Chave:817334549+1Ordem Saída:498451733+1
PrémioAcertosNúmero de vencedoresValor
1.º Prémio5 Números + Nº da Sorte0(1)
2.º Prémio5 Números2€ 13.688,85 
3.º Prémio4 Números204€ 167,75 
4.º Prémio3 Números7.290€ 4,69 
5.º Prémio2 Números102.452€ 2,00 
Nº da SorteNº da Sorte59.206Reembolso do valor da aposta de Totoloto
Estatísticas
Nº de Bilhetes/Matrizes548.186
Nº de Apostas1.536.347
Receita ilíquida apostas€ 1.382.712,30
Montante para prémios€ 684.442,59

17 janeiro, 2012

Processo "Pinto Monteiro & Companhia"... Para quando?

Pinto Monteiro
Ponderando as declarações proferidas pela juíza do Tribunal Criminal de Lisboa que absolveu Pinto da Costa do processo que lhe foi movido pelo Ministério Público por suposta difamação, que diziam: "o ilícito de ofensa a pessoa colectiva só prevê punição para quem propalar factos inverídicos, capazes de ofender a credibilidade, o prestígio ou a confiança que sejam devidos a organismo ou serviço que exerçam autoridade pública" (sic), penso não incorrer em risco de ilícito se disser que Pinto Monteiro Pinto e a sua colaboradora Maria José Morgado foram incompetentes, ou agiram de má fé, por terem avançado com este e outros processos, sem previamente cuidarem de pesar bem os pressupostos legais que o justificaram.

Salvo melhor opinião, a acção pública de um Procurador Geral deve pautar-se pela rigor e pela sobriedade, de modo a evitar que a Justiça e a investigação criminal se conduzam com os típicos traços de sensacionalismo muito a gosto da comunicação social. Ora, particularmente em relação ao processo Apito Dourado, a sobriedade no Ministério Público foi coisa que não existiu. Antes pelo contrário, Pinto Monteiro, a dada altura, mais parecia o  Scolari, a deixar-se levar [ou a tirar proveito] na onda populista do anti-portismo muito característica do centralismo. Mais:  mandando recorrer de tudo sobre este processo, e rodeando-se de pessoas com a credibilidade de uma jornalista benfiquista fanática e pouco séria, como é comprovadamente, Leonor Pinhão, Pinto Monteiro deu fortes indícios de arbitrariedade, coisa que num país democraticamente evoluído, lhe custaria, por certo, a exoneração do cargo. 

Comparativamente, não vimos o Procurador da República e a sua "equipa especial"* a ter a mesma postura e o mesmo dinamismo com outros casos bem mais graves, como a incapacidade para deter o falsário fugitivo Vale e Azevedo, ou a aceleração do(s) caso(s)/processo(s) Duarte Lima, entre muitos outros.

O processo [Apito Dourado] que tanta polémica gerou afinal, não era caso, e, ou a Justiça está completamente falida, ou o caso [a pedir apurada e urgente investigação], é mesmo Pinto Monteiro.


* Curiosamente [ou, previsivelmente,já não sei], o senhor Procurador só se dá à tarefa de nomear equipas de investigação "especiais" quando o local do "crime" é o Porto, o FCPorto, ou o Norte. Será apenas coincidência, ou o Sr.Procurador é mesmo um péssimo gestor de conflitos?

16 janeiro, 2012

Link e crónicas do JN

Pinto da Costa absolvido do crime de ofensa de pessoa colectiva




Corrupção (II)

Na crónica que aqui escrevi em 22 de Maio do ano passado abordei o problema da corrupção em Portugal. Analisei então as suas nefastas consequências para a economia e para o desenvolvimento, já que ela distorce as regras da concorrência, promovendo não as melhores empresas mas sim as que proporcionam vantagens aos decisores públicos. A aquisição de bens e serviços pelo estado (em sentido amplo) bem como a adjudicação de obras públicas são os sectores onde a corrupção mais se entranhou sem que se tenha logrado combatê-la com sucesso.

Há, porém, um domínio da soberania nacional em que a corrupção se instalou de forma quase endémica mas da qual poucos falam. Refiro-me aos tribunais, onde o problema atingiu proporções devastadoras para a credibilidade da justiça e do estado de direito democrático. Não se trata de um fenómeno igual ao que ocorre na administração pública (central e local), na instância política ou nas empresas ou institutos públicos, onde a corrupção se deve sobretudo às vantagens patrimoniais directas que proporciona aos decisores ou a terceiros, como familiares, partidos políticos ou clubes de futebol. A corrupção que se instalou nos nossos tribunais é sobretudo uma corrupção moral resultante do facto de a justiça ter sido apropriada pelos magistrados e ser usada ao sabor dos seus interesses corporativos ou mesmo dos seus caprichos pessoais.

Nem só o dinheiro corrompe. O poder também corrompe, por vezes, muito mais do que o dinheiro. E - como é, desde há muito, consabido - o poder absoluto corrompe absolutamente. Ora, o que se passa nos nossos tribunais é, precisamente, isso - a corrupção das consciências de muitos magistrados devido ao poder ilimitado que detêm e que exercem sem qualquer escrutínio democrático ou cívico. Eles escolhem-se uns aos outros, avaliam-se uns aos outros (quase sempre com a nota máxima), julgam-se uns aos outros e absolvem-se (ou exculpam-se) uns aos outros com uma impunidade que choca flagrantemente com o fundamentalismo justiceiro com que julgam os restantes cidadãos. E, quase sempre, com ostensiva pesporrência perante o escândalo causado na sociedade.

É claro que também há casos de magistrados apanhados nas teias da corrupção típica, ou seja, por dinheiro em troca de decisões. Mas esses casos são pontuais e não fazem a primavera nem se devem confundir com a floresta. Já a forma como foram absolvidos ou exculpados é um sintoma escandaloso da referida corrupção moral. Senão, o que devemos pensar quando uma pessoa é condenada num processo porque se provou que entregou dinheiro a um juiz em troca de uma decisão e o juiz em causa é absolvido porque noutro processo não se provou que (ou se provou que não) recebera o dinheiro? Das duas uma: ou nenhum era condenado ou eram ambos. E o que pensar quando magistrados, contra as leis e pareceres dos maiores mestres de direito, decidem isentar de impostos parte significativa das suas próprias remunerações? E o que pensar também quando familiares de magistrados assassinam a sangue frio pessoas indefesas e não vão para a cadeia como iria qualquer outro criminoso? E o que pensar ainda quando tribunais superiores rejeitam recursos bem feitos com a justificação de que têm conclusões a mais e - escreveram-no - conclusões a mais equivalem à ausência de conclusões?

Quer a corrupção propriamente dita quer a corrupção moral derivam da mesma degenerescência do estado de direito e medram devido à mesma anomia da sociedade democrática. As pessoas têm medo de denunciar publicamente o que se passa nos tribunais, porque sabem que sofrerão retaliações, como já aconteceu, inclusive, com magistrados que tiveram a audácia de falar em corrupção na justiça. Em Portugal, qualquer pessoa que se queixe de um juiz ao Conselho Superior da Magistratura corre sérios riscos de vir a ser perseguido criminalmente pelo visado e condenado pelos seus colegas. É (também) por isso que é tão difícil combater a corrupção.
NOTA: Dedico esta crónica aos magistrados incorruptíveis, sobretudo aos juízes honestos, que, anonimamente, um pouco por todo o país, contra ventos e marés, persistem em administrar a justiça vinculados apenas ao Direito.



A honra perdida da política


Que pensaria um cidadão comum se alguém em quem tivesse confiado e com quem tivesse feito um acordo, apanhando-se com o acordo na mão, violasse todos os compromissos assumidos fazendo exactamente o contrário daquilo a que se comprometera?

Imagine agora o leitor que esse alguém é um político que obteve o seu voto jurando-lhe repetidamente que faria determinadas coisas e nunca, nunca!, faria outras ("Dizer que o PSD quer acabar com o 13º mês é um disparate"; "Do nosso lado não contem com mais impostos"; "O IVA, já o referi, não é para subir").

Um político que lhe jurou que "ninguém nos verá impor sacrifícios aos que mais precisam" e que fez o que a própria CE já reconheceu, que em Portugal as medidas de austeridade estão a exigir aos pobres um esforço financeiro (6%) superior ao que é pedido aos ricos (3%, metade).

Um político que lhe garantiu que "não quero ser eleito para dar emprego aos amigos; quero libertar o Estado e a sociedade civil dos poderes partidários" e cujos amigos aparecem, como que por milagre, com empregos de dezenas e centenas de milhares de euros na EDP, na CGD, na Águas de Portugal, nas direcções hospitalares e em tudo o que é empresa ou instituto público.

Quando os eleitos actuam impunemente à margem de valores elementares da sociedade como o da honra e o do respeito pela palavra dada não é só o seu carácter moral que está em causa mas a própria credibilidade do sistema democrático.


Nota do RoP :

Resolvi juntar no mesmo post estas duas crónicas por duas distintas razões. Uma, é porque ambos os artigos denunciam, sem rodeios, o estado putrefacto, hipócrita e altamente perigoso da sociedade portuguesa política e judicial da actualidade. A outra, porque parecendo ter tanta coisa em comum, me causa estranheza ver estes dois cronistas crispados um com o outro, por qualquer coisa que ainda não consegui perceber, mas que me parece não ter passado de um momento infeliz ou de uma interpretação exacerbada de algo que um escreveu sobre o outro. 

Não sei porquê, mas eram mais úteis e ficavam melhor do mesmo lado da barreira... É por estas e outras, que os políticos fazem o que querem. Temos mais prazer em nos abespinharmos com futilidades, do que vontade de nos unirmos em torno de causas sérias. 


13 janeiro, 2012

Do centralismo ao separatismo a distância é curta


É uma maçada, mas lá vou eu ser outra vez politicamente incorrecto. Por precaução, embora não tencione difamar ninguém, o melhor é pedir antecipadamente desculpas públicas por me recusar a seguir a cartilha da hipocrisia institucional, não vá por acaso algum sacana mais sensível querer processar-me...

Afinal, o que tenho para dizer nada tem de transcendente e resume-se ao seguinte: se o 1º.Ministro, este, ou qualquer outro, ou o Presidente da República, este, ou qualquer outro, me forem ao bolso, sem minha autorização, e levarem a carteira [mesmo que vazia], tenho toda a legitimidade para os acusar de ladrões. Não deixarão nunca de ser gatunos por terem chegado a cargos para os quais não têm a exigível estrutura moral. Isso pode estar a acontecer, não de forma tão óbvia, mas por outras mais sofisticadas. Duarte Lima, que o diga. Foi Presidente do Grupo Parlamentar do PSD por decisão do actual Presidente da República, e no entanto, está a ser procurado pela justiça brasileira por suspeita de homicídio e detido pela portuguesa por branqueamento de capitais. Portanto, nada de melindres...

E por que é que coloco assim as coisas? Talvez para ajudar o próximo a passar a avaliar as pessoas por aquilo que elas realmente são, e não pelo estatuto que alcançaram. E muito menos pelo dinheiro que possuem. As pessoas, não são mais pessoas, pelo estatuto. Pelo contrário, o estatuto é precisamente a "arma" mais utilizada por certas indivíduos para passarem uma imagem de integridade que efectivamente não têm. Cito novamente, a título de exemplo, Duarte Lima, porque utilizou a sua condição de político e influência, para enriquecer, e para tudo o resto que mais tarde haveremos de saber. Mas haverá mais, e alguns deles, se calhar, até estão outra vez no Governo.

Estas conclusões, nada têm de inédito e abusivo, mas é importante transferí-las para escândalos aparentemente menos espectaculares, mas nem por isso menos graves. Refiro-me ao centralismo e à prepotência que lhe está colada.

Hoje, lendo o Gande Porto, fiquei a saber que o Governo se prepara para alterar o modelo de administração do sector portuário, no qual se inclui o porto de Leixões, que como é do conhecimento geral tem recebido toda a espécie de elogios à sua qualidade de gestão. A intenção, mais uma vez, é retirar ao Norte a autonomia administrativa da APDL para a concentrar em Lisboa. Tudo, com o sempre-eterno pretexto de reduzir custos.

Rui Moreira já se insurgiu contra esta nova ofensiva do centralismo, prometendo tudo fazer para impedir [cito] "a lisbonização do poder local", usando para tal a influência da Associação Comercial do Porto, mas duvido sinceramente que, se a intenção do Governo for para a frente, isso seja suficiente. Os governos centralistas há muito que perceberam o isolamento e a fragilidade reinvindicativa dos nortenhos, por isso, se decidirem avançar com a ideia, ninguém os deterá, e o Norte ficará mais uma vez a falar sozinho.

Apatias e oportunismos à parte - nomeadamente das suas vergonhosas elites -, os nortenhos estão a ser nitidamente gozados e desprezados pelo poder central, com a agravante de alguns deles se prestarem ao vil papel de serventuários do regime. Apesar disso, eu continuo a ter orgulho na minha condição de portuense e nortenho, não me revendo em nada nos exemplos miseráveis de alguns conterrâneos, que mal chegados ao poder, se vendem como putas.

E é chegados aqui, que chamo à colação a caricatura do início do post. O que os governantes estão a fazer, exacerbando irresponsavelmente o centralismo, é a fabricar um monstro. Estão a destruir e a dividir o país e, fanaticamente, a colocar nas mãos de cada nortenho que ainda mantém a dignidade intacta, um revólver que, mais cedo ou mais tarde se há-de voltar contra eles e, quem sabe, talvez matá-los.

É com estes actos irresponsáveis que nascem muitos movimentos separatistas, e não vale a pena depois chamarem-lhes terroristas, porque o mal estará feito, e a paz será então debitada, com toda a Justiça aos colaboracionistas do centralismo, de cá, e de lá. E pela minha parte, nessa altura, não verterei uma lágrima pelo que lhes possa acontecer.



 

12 janeiro, 2012

Deusdado pensa bem, mas pluraliza mal, as culpas*


Muita garganta


As derrapagens do défice são uma brincadeira de crianças quando comparadas às catástrofes que se abatem sobre o território. É nisto que o Governo devia ter pensado antes de entregar o que resta da EDP aos senhores das Três Gargantas, uma empresa detentora da maior barragem do mundo na China. Valeu só o encaixe imediato. A conta pagaremos nós a seguir.

Quanto mais o tempo passa, mais claro fica que o território e a língua são as únicas coisas portuguesas que parecem resistir ao tempo. Da língua valerá a pena falar noutra ocasião. Quanto ao território, ele vai-se desfazendo à medida que a nossa geração o hipoteca com a mesma ganância com que absorveu a dívida e agora se queixa da conta. Obviamente esta venda levanta perguntas como: os chineses vão querer saber do Douro Património Mundial? Das espécies ameaçadas? Do equilíbrio da biodiversidade nos territórios do mastodôntico plano nacional de Barragens? Das campanhas de eficiência energética? E não ficarão zangados se forem reequacionados os contratos "SCUT" das barragens que impõem milhões por décadas e décadas em cima dos consumidores?

Vejamos a barragem das Três Gargantas na China. Obrigou à retirada de 1,3 milhões de pessoas do local onde viviam e deixou debaixo de água milhares de locais de interesse arqueológico. Os geólogos assinalam que Xangai é uma cidade na rota de uma tragédia se um dia um sismo acontecer nas Três Gargantas. Num país democrático esta obra teria sido feita? Muito dificilmente. Excepto se for um país despovoado, gerido de forma autista a partir de uma capital distante e com uma opinião pública indiferente...

Esta é uma questão central do nosso tempo: quem anda a falar de crescimento económico no Ocidente pensa imenso na energia e esquece a água. A população mundial crescerá até aos nove mil milhões de pessoas e os bebés nascerão sobretudo na Ásia e América Latina. No recente relatório das Nações Unidas sobre a água e recursos do solo, a equação é clara: até 2050 vai ser necessário aumentar a produção de alimentos em 70%. O consumo de água será brutal porque a agricultura é responsável por mais de dois terços do consumo global. Ora, embora se pense que as barragens podem dar um contributo positivo para isto, a realidade é a inversa. Como dizia ao "Público" a directora da Agência Europeia do Ambiente, Jacqueline McGlade, "vimos muitas barragens na Europa a falhar rapidamente porque se encheram com sedimentos, ou ficaram secas, ou não funcionaram como se esperava". Junte-se a isto a impactante produção agrícola de biocombustíveis nos férteis solos do Leste da Europa, as perdas arrasadoras na Amazónia ou das florestas da Ásia, a seca em África, a ameaça sobre os insectos polinizadores (abelhas, borboletas, etc...) e percebe-se como vai ser difícil alimentar tanta gente e manter a qualidade de vida que o ser humano alcançou.

Quando o Governo português escolhe quase por unanimidade a proposta chinesa está a dar um sinal também ambiental. Para as pequenas e grandes coisas. A luta para travar a barragem do Tua (e a do Sabor) é um delas e torna-se ainda mais quimérica quando o poder na EDP é agora chinês. Para os que acreditam na "arquitectura naturalista" com que Souto Moura vai 'salvar o Douro', devíamos fazer um desafio: caso a UNESCO retire o estatuto de Património Mundial ao Douro, Mexia (e Catroga) deviam demitir-se. E no Governo, os responsáveis da Economia, Ambiente e Cultura também. Aceitam o desafio ou são todos inimputáveis? E a EDP, pode ir pondo um dinheirinho de parte para pagar as indemnizações ao sector do turismo ao longo de anos?

A venda do poder de decisão na EDP a chineses, e o que se pode seguir na REN, GALP, Águas de Portugal (com potenciais angolanos, chineses ou árabes) é assustador. Os compradores chegam com dinheiro mas não trazem no currículo respeito pela democracia. Condenam-nos depois à mais vil pobreza: a de não termos sequer opinião sobre todo o lixo que nos quiserem pôr em cima. Ora, lá por não termos dinheiro, não temos que alienar o direito a viver com o mínimo de saúde e memória. A nossa terra vale zero em bolsa. Mas é tudo o que temos.
[Fonte: JN]

*O grande mal dos jornalistas, é o medo crónico de apontar o nome aos responsáveis. Não havendo quem reaja às generalizações de responsabilidades, seguramente  para evitarem citar os nomes de quem realmente as tem e de sofrerem eventuais represálias, o grande público permitiu que elas se tornassem moda, uma espécie de mentira repetida que acaba por se transformar em "verdade". 

Eu não tenho exercido, conscientemente, o meu direito de voto,  simplesmente porque perdi a confiança nos políticos, e tenho sobejas razões para o fazer.  Por isso, sinto-me ofendido quando oiço ou leio alguém dizer, quando as coisas não correm bem [e terão alguma vez corrido?], que a culpa é de todos. Quem generaliza culpas, não pondera, deliberadamente, a hipótese da abstenção poder também traduzir uma forma de rejeição à eficácia do acto eleitoral, o que explica, em parte, o esforço dos políticos tentarem, sistematicamente, diabolizar os abstencionistas. 

Os media, ao fim e ao cabo, pouco mais fazem do que imitar os vícios da política. Só dizem meias verdades e convivem com os infractores. É preciso deixar de ter medo. Afinal, o tempo da censura e da perseguição política já acabou, ou não? Se não acabou, por que não a denunciam? Fazer o diagnóstico sem revelar o nome da doença, é só meio trabalho.

Não queria falar do exemplo deste blogue, porque pode transmitir a ideia de fanfarronice, que desprezo, mas não me incomoda nada que me colem rótulos de populista, ou até de fundamentalista pela forma directa como escrevo, porque sei o que digo, e a consciência não me pesa. 

Pensem antes o que temem, ou os rabos de palha que escondem, aqueles que usam o verbo (populista) com reaccionária regularidade. Desconfiem deles, e observem-lhes os procedimentos. Verificarão que por de trás de um anti-populista se esconde quase sempre um grande traste.

Portugal é quase um asilo de alienados a céu aberto, é verdade. Mas ainda tem gente boa e competente. Neste grupo, não se incluem, como a História dita, os políticos. Contudo, os governos têm sido submetidos, em teoria, a escrutínios populares. Conhecem-se portanto os nomes de quem fez parte dos governos. São esses os responsáveis da nossa desgraça. 

Na falta de castigo mais adequado, por que não começar por dar ouvidos a quem não tem culpa nenhuma do que nos está a acontecer, e esquecem a opinião dos políticos? 

É um pedido modesto, reconheço, mas é um começo. Discutir o sexo dos anjos não é bom jornalismo.

11 janeiro, 2012

A propósito dos raros prémios do Totoloto...


...enviei para a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa o e-mail/sugestão abaixo colado:

Exmos Senhores,


Há uns mêses a esta parte que acompanho os sorteios do Totoloto e constato, com alguma apreensão, que raramente foi contemplado o 1º.prémio.  A última vez que isso aconteceu foi em Agosto de 2011, do 56º. sorteio até ao 89º (33) do mesmo ano, mais o 1º.(+1)de 2012. O Jackpot apenas saiu ao fim 35ºs. concursos, ou seja, ao 2º.sorteio de 2012! No total, foram 34 sorteios [seis mêses] sem premiar um único totalista! Além disso, durante o mesmo período de tempo, houve cerca de 13 sorteios sem premiar os 2ºs. prémios! Não será tempo demais?


Tudo isto pode ser muito sério, mas com estes resultados, mesmo tendo em conta a componente aleatória do próprio jogo, a verdade é que não o parece. 


Por estas razões, seria recomendável que V. Exas tornassem público nos jornais diários, não o nome do premiado [como é lógico], mas, no mínimo, o local/região do balcão onde se  registam os prémios mais importantes. 


Assim, se dissipariam as eventuais suspeições que podem pôr em causa o prestígio e honaribilidade dessa Instituição.


Com os melhores cumprimentos,
Rui Valente



Maçons. Só se for para partir pedra, mas com o ordenado mínimo...

Símbolo Maçónico
Desde há umas três dezenas de anos que tenho comigo o livro "A Maçonaria Portuguesa e o Estado Novo", de Oliveira Marques, cujo prefácio começa por dizer que o objectivo é esclarecer todos os leitores sobre factos e ideias da matéria.

Devo dizer, que não consegui lê-lo até ao fim, tal foi o sentimento de desconfiança que me deixou. Por princípio, suspeito das intenções de qualquer sociedade secreta [embora haja quem diga que o não é], e quando admitem políticos no seu seio, ainda suspeito mais.

A Maçonaria possui normas nalguns aspectos semelhantes às da Constituição da República, mas ao contrário desta, não as altera, porque não precisa de as pôr em prática. A Maçonaria defende a Justiça Social, o aclassismo, a fraternidade, a igualdade e...a democracia. Num país integrado numa Europa desigual e profundamente desgovernada, o espírito da Maçonaria seria  menos ridículo e mais aceitável se servisse de reforço aos valores democráticos. Mas quando estes valores andam pelas ruas da amargura, e o número de pessoas sem emprego sobe assustadoramente, a coisa muda de figura. 

Não gosto de perseguições e defendo fortemente o direito à privacidade individual dos cidadãos, mas a Maçonaria nada tem a ver com a privacidade comum, a Maçonaria é uma sociedade ritualista, fechada e elitista. Quando os governantes se revelam incapazes de administrar com talento e saber os países, com consequências gravíssimas para a vida dos povos, sou a favor da proibição total da participação de políticos em qualquer tipo de sociedades, sobretudo de cariz hermética.

Vou mais longe, ainda. Considero que os políticos também não deviam imiscuir-se no futebol. Ao fazerem-no, perdem o perfil de independência exigível a quem tem de decidir com isenção.  Os políticos, sendo pessoas como as outras, não deviam assumir as liberdades mundanas do cidadão comum. As suas responsabilidades não deviam ter a elasticidade das de um jogador de futebol, requerem outra austeridade, outra elevação, mais próprias de um missionário.

Ao contrário do que alguns defendem, essa irracional "colagem" às bases que permite a uma figura do Estado ir ao futebol com o cachecol do clube ao pescoço, é o princípio da sua desautorização moral e pessoal, enquanto figura pública.

Só isso explica essa aberração da "democracia" moderna que permite vê-los a consumir o tempo - que deviam dedicar à resolução dos problemas do país -, em programas de rivalidade clubísta. Tal costume não pode ser compatível com a grande política, e grande política no sentido nobre do termo, é tudo o que nunca tivemos, antes, e depois de Salazar.


10 janeiro, 2012

10 anos de um Rio sem vida nem alma


Ontem, houve quem não resistisse ao beija-mão a Rui Rio, sob pretexto dos 10 anos à frente da CMPorto. 

Supostamente, consta que a seriedade é a sua maior virtude. Eu, não iria tão longe, até porque as pessoas sérias abdicam naturalmente da auto-promoção e do auto-elogio, coisa que o actual Presidente da Câmara é incapaz de fazer.

Até porque não tem muito de que se elogiar. Se o turismo aumentou no Porto não foi seguramente por intervenção directa ou indirecta de Rui Rio. Os vôos low cost, o Metro do Porto e o Aeroporto Sá Carneiro - que não são obra da sua lavra - foram os impulsionadores principais. Se algumas [poucas] casas foram recuperadas, não é motivo para grandes manifestações de orgulho, porque o Porto ainda precisa de reabilitar centenas delas e com rendas suficientemente atractivas para repovoar a cidade, coisa que a "movida",  por si só, não resolve.

Para terminar, a seriedade, apesar de andar efectivamente arredia da classe política, é um dever cívico do bom cidadão, mas não chega para se ser competente.

Portanto, numa nota de 1 a 10, eu dou um 5 a Rui Rio. Pela seriedade...

09 janeiro, 2012

Aleluia! Houve prémio no Totoloto!

Ao fim de 33 sorteios consecutivos, sem que nenhum apostador tenha logrado acertar no 1º. prémio, eis senão quando, a "sorte" bateu à porta de alguém mais persistente e ...confiante.

Foi preciso esperar quase meio ano, para alguém ter direito a prémio. Por incrível que pareça, não houve 2º. prémio! Desde Agosto de 2011, a partir do 56º. sorteio, até 2º sorteio de 2012 que a Santa Casa da Misericórdia não teve de abrir os cordões à bolsa com prémios...

Consultar Sorteios

 Totoloto
Sorteio: 002/2012 - Sábado Data do sorteio: 07/01/2012
Chave:1220293241+6Ordem Saída:4129322012+6
PrémioAcertosNúmero de vencedoresValor
1.º Prémio5 Números + Nº da Sorte1€ 11.832.880,70 
2.º Prémio5 Números0(1)
3.º Prémio4 Números252€ 354,71 
4.º Prémio3 Números10.693€ 4,64 
5.º Prémio2 Números147.710€ 2,01 
Nº da SorteNº da Sorte183.115Reembolso do valor da aposta de Totoloto
Estatísticas
Nº de Bilhetes/Matrizes725.838
Nº de Apostas2.229.428
Receita ilíquida apostas€ 2.006.485,20
Montante para prémios€ 993.210,17

Nomeações para a EDP demonstram apropriação pelas clientelas do Governo

António José Seguro mostrou-se "muito surpreendido" com os nomes adiantados para o Conselho de Supervisão da EDP considerando que são uma "demonstração" da "apropriação por parte das clientelas dos partidos do Governo " de cargos públicos. 

Seguro referia-se à promessa feira durante a campanha eleitoral pelo agora primeiro-ministro de "por um travão" a este tipo de nomeações.

"Considero que isto é mais uma demonstração daquilo que é a apropriação por parte das clientelas dos partidos do Governo em relação a áreas importantes da nossa economia, onde o Estado ainda tem participação mas também do próprio aparelho do Estado", afirmou o líder socialista.

António José Seguro afirmou ter ficado "muito surpreendido" com as escolhas para ocupar o conselho de Supervisão da EDP e, realçando que não fazia "nenhuma referência a nomes", apontou como "facto" ser "evidente" a "identificação" dos nomes vindos a público com os "dois partidos do Governo".

Eduardo Catroga, Celeste Cardona, Paulo Teixeira Pinto, Rocha Vieira, Braga de Macedo e Ilídio Pinho são alguns dos nomes propostos à Assembleia Geral de Accionistas para integrar o Conselho de Supervisão da EDP.

Para o secretário-geral do PS, "houve um processo de privatização da EDP que aparentemente está associado a um processo de contrapartidas que passa pela governamentalização e partidarização deste conselho da EDP".
[Fonte: JN]



Nota de RoP:

Básicos, e mal formados que são, os governantes nem sequer são capazes de perceber que cada vez que falam de populismo quando são alvo da censura pública por se envolverem em constantes promiscuidades, mais não fazem do que acentuar a revolta dos cidadãos. Ninguém se aproveita. Nem partidos políticos, nem pessoas. Andam todos atrás do mesmo. E ouvir Seguro a criticar estas decisões, quando o PS se tem fartado de fazer o mesmo, dá vontade de vomitar.

Assim, os jobs for the boys vão continuar, e em força, alternando-se consoante se altermam os partidos no poder. É a vida. Num país onde o Ministério Público está mais preocupado em gastar o dinheiro dos contribuintes para tentar calar Otelo do que em concluir processos-crime em que estão envolvidas figuras públicas como Duarte Lima e Companhia, não podemos esperar grandes mudanças.

De facto, Otelo tem razão, isto só lá vai à força, porque estas elites de cáca não estão educadas para respeitar as regras democráticas.  São gente mal comportada. Estas notícias, provam-no, à exaustão.

05 janeiro, 2012

Que "modelo" sugere, caro Daniel?

Apesar da pertinência das questões levantadas por Daniel Deusdado na crónica plasmada aqui em baixo, não estou certo que "a pior coisa que nos pode acontecer seja fazer do FCPorto o líder do processo político de combate à macrocefalia lisboeta".  Estou para esta opção, como a anedota do limite da paciência: não vale a pena defecar para dentro de uma gaiola e esperar que o acto se transforme num belo canto de passarinhos... A mesma teoria aplico à regionalização. Não quero, nem preciso de me deixar matar pela ganancia centralista para me tornar num regionalista convicto. Essa, é a teoria dos falsos regionalistas, como Rui Rio. 

Deusdado diz que o FCPorto não é uma instituição pública imitável, e eu pergunto: qual é a instituição pública que o é? A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa de Santana Lopes? Diz também que o FCPorto é uma empresa notável, de um líder absoluto, mas com uma capacidade de acção e métodos que não se compaginam com decisões democráticas, e eu questiono: que líder conhecerá Deusdado, que seja simultaneamente Líder, e compaginável com decisões democráticas? Os leitores conhecem? Eu não. 

Por mim, cansado que estou de políticos medíocres e desonestos, alguns deles, verdadeiros gangsters, já aceito qualquer solução, incluindo aquela que o Otelo defendia, um golpe militar, caso fossem ultrapassados todos os limites. Venha ele. Os limites já foram ultrapassados há muito, e estão directamente ligados com a degradação social, moral e económica da actualidade. 

Só quero, firmemente, é que me tirem deste pesadelo e metam os verdadeiros responsáveis pelo status quo nos calabouços, que é também para tipos como eles, que foram criados. 


F.C.Porto / Lisboa





Por que chegamos à indigência social e económica do Norte? Situo no tempo o ano de 1995 - quando o Banco Português do Atlântico (BPA) foi entregue ao BCP, depois fundido e arrasado na sua matriz de instituição com centro de decisão no Norte.

O BPA era o braço da indústria e o seu centro de estudos um alforge de pensamento estratégico para as universidades e Poder Político. Quem tomou a decisão de o comprar e levar para Lisboa? Um homem do Porto na capital, Jardim Gonçalves.

Quando um grupo dos empresários, liderados por Belmiro de Azevedo, tentou fazer frente à aquisição hostil (OPA) do BCP, a coesão do grupo nortenho falhou e venceu a lógica do encaixe rápido. Poderia ter sido diferente? O que seria hoje da Sonae, Mota (Engil), Riopele, entre outros, se um importante motor financeiro como o BPA tivesse existido?
E Portugal seria diferente se o portuense Valente de Oliveira, o ministro do Planeamento e Ordenamento do Território, não tivesse fomentado, durante o cavaquismo, a teoria de Lisboa como "centro de difusão de riqueza" para o resto do país?
Outra circunstância histórica: a globalização fez entrar os produtos asiáticos a preços imbatíveis. Uma boa parte da geração dos "capitães da indústria" do Norte vendeu ou fechou as empresas. Muitos dos que conseguiram aguentar-se transferiram boa parte do capital ganho na indústria para os negócios financeiros (acções de bancos, por exemplo). Ora, o mundo financeiro é controlado na capital. O Norte financiou a explosão do lobby financeiro gerido a partir de Lisboa... Obviamente, reconstruir uma geração de exportadores fortes e com força política para ser ouvida pelo Governo demora décadas. Estamos a meio deste processo.

Outra questão central é a dos média. E, neste ponto, o cenário é de catástrofe. Ainda há bem poucos anos havia pelo menos três órgãos de comunicação com dimensão e capacidade de influenciar as decisões em Lisboa: o Público, que lentamente perdeu pessoas e meios e cujo futuro é incerto; a TSF, hoje muito mais reduzida no Norte do que já foi; e a RTP, a única televisão com uma grande Redacção no Norte.

O actual processo de privatização da RTP é o novo momento de desmantelamento do que resta de "televisão com força política" fora de Lisboa. Sem média fortes, sem políticos, universitários e comentadores em estúdio, sem programas e notícias pensados e emitidos doutro sítio que não da capital, o mundo português é o eixo Lisboa-Cascais. Curiosamente, os média no Porto têm ignorado olimpicamente a questão da provável dissolução da RTP no Norte como se isso até fosse positivo.

Por fim: a pior coisa que nos pode acontecer é fazer do F. C. Porto o líder do processo político de combate à macrocefalia lisboeta, por muito que se goste do clube (e eu gosto). O F. C. Porto não é uma instituição pública imitável. É uma "empresa" notável e quase global, de um líder absoluto, mas com uma capacidade de acção (e métodos) que não se compaginam com decisões democráticas.
Infelizmente, a frase "Lisboa a arder" e a dúbia posição do presidente do clube contribuíram para tribalizar a gestão do território, como se ela fosse futebolística. Portanto: se o país não esquece as ameaças separatistas de Pinto da Costa e não deixa o Porto (o Norte?) ser "livre", qual o passo seguinte? Só vejo o caminho da internacionalização da economia. Exactamente o que aos poucos se vai fazendo. O que dará novo fôlego político à região.
E a regionalização? Sou a favor da ideia de que "perto" se gere melhor do que "longe". Não é um João Jardim que apaga milhares de bons autarcas (e não, a única rotunda boa do país não é a do Marquês do Pombal...). Mas estou convencido de que só haverá regionalização se a medida for imposta já que Portugal é o único país da União Europeia não regionalizado. Ora... alguém conhece um dos membros da troika e o convence a meter isso na agenda? Só assim. Não vejo a maioria dos portugueses a querer deixar de depender do "Estado centralista" gerido a partir da capital. Está tudo escrito há muito pelo Eça de Queiroz.

32º. sorteio consecutivo sem acertadores e novo 2º.prémio... sem prémio

NÃO JOGUEM NO TOTOLOTO, PORRA! 
ISTO É MAIS UMA VIGARICE!


Consultar Sorteios
 Totoloto
Sorteio: 001/2012 - Quarta-Feira Data do sorteio: 04/01/2012
Chave:618253940+6Ordem Saída:391840256+6
PrémioAcertosNúmero de vencedoresValor
1.º Prémio5 Números + Nº da Sorte0(1)
2.º Prémio5 Números0(2)
3.º Prémio4 Números198€ 350,47 
4.º Prémio3 Números8.749€ 4,40 
5.º Prémio2 Números125.290€ 1,84 
Nº da SorteNº da Sorte148.180Reembolso do valor da aposta de Totoloto
Estatísticas
Nº de Bilhetes/Matrizes590.046
Nº de Apostas1.730.727
Receita ilíquida apostas€ 1.557.654,30
Montante para prémios€ 771.038,88
(1) Previsão 1º Prémio c / Jackpot€ 11.900.000,00
Observações


Jogos

O Departamento de Jogos tem por objectivo explorar os jogos sociais concedidos pelo Estado de forma eficiente, garantindo o cumprimento da política nacional de jogos definida, nomeadamente, o respeito pelo princípio da proibição, da ordem pública que visa preservar, contribuindo para a satisfação dos apostadores e criando valor a devolver à sociedade através do financiamento público das despesas de natureza social.
Nota do RoP:
Sobre a satisfação dos apostadores suponho que estamos conversados...