19 junho, 2014

Jornais desportivos são vigarice, mas vendem. Viva a vigarice!

Não é fácil nem pacífico, lidar com a prepotência da comunicação social. E se falarmos da imprensa desportiva, o caso é ainda mais bicudo.  Consta que é mais ou menos assim em todo o lado, não posso afirmá-lo, nem tenho como prová-lo, mas não acredito que haja imprensa desportiva mais sectária e desonesta como em Portugal. E por que é que isto acontece? Calculam? Eu tenho algumas respostas, as minhas, claro... 

Uma, quiçá a mais lamentável de todas, é que, a coberto do argumento demagogo mais conhecido por liberdade de opinião, oportunisticamente irmanado com a sacro-santa democracia, permitiu-se à comunicação social direitos e impunidades que são negados à maioria dos cidadãos. Ou seja, mentir, discriminar e burlar.  Muitos desses jornais fundamentam tão prestigiante conduta (sem o assumir), sempre com a imperiosa necessidade de vender para sobreviverem! E pronto, fica dada a explicação, não precisam de acrescentar nada. Qualquer larápio maltrapilho usa o mesmo argumento, mas estes são mais sofisticados, estes são larápios com status... Por outras palavras, a mentira, o hábito de levar ao engano os consumidores, é tido (nos media) como uma forma legítima e natural de ganhar a vida. Ora, como há sempre quem queira interpretar mal o que lê de viés, afirmo, como afirmei várias vezes, que considero o jornalismo uma actividade imprescindível numa democracia, desde que seja desempenhada com toda a seriedade. E no caso em apreço, não é.

Outra das razões, é também a passividade dos dirigentes dos clubes e atletas face a esta praga. Seja por medo, seja por haver interesses em comum, a verdade é que pactuam com esta pouca vergonha. Faltam provas? Não senhor não faltam. Pelo contrário abundam, tal é o despudor e o sentido de impunidade que se instalou na corporação e os cidadãos pouco podem fazer com elas. 

Eis um extracto que retirei da blogosfera portista, publicado nos 3 jornais desportivos desde Maio deste ano com putativas contratações de jogadores só para o FCPorto:



Guarda-Redes

Keylor Navas Levante



Defesas

Braima Cande-Sporting (Juniores)

Daniel Opare-Standard Liege BEL.
Alberto Moreno-Sevilha
Miiko Albornoz-Malmo 
Raphael Guerreiro-Lorient
Juan Bernat-Valencia
Nacho Fernandez-Real Madrid
Igor Lichnovski-Universidade Chile
Éder Balanta-River Plate ARG.
Aderlan Santos-Braga
Marc Bartra-Barcelona
Malthe Johanssen-Brondby

Medios
Cristian Tello-Barcelona
Carlos Carbonero-River Plate ARG.
Quincy Promes-Twente HOL.
Enner valencia-Pachuca MEX.
Leocisio Sami Maritimo
Suso Liverpool
Sergi Roberto-Barcelona
Evandro Goebel-Estoril
Abdelaziz Barrada-Al Jazira EAU
Yacine Brahimi-Granada CF

Avançados
Raul Jimenez-America Mexico
Michy Batshuayi-Standard Liege 
Guido Carrilo-Estudiantes 
Alvaro Morata-Real Madrid


18 junho, 2014

Uma homenagem contestada

Nunca apoiei, porque nunca apreciei, o estilo nem os resultados da gestão de Rui Rio enquanto presidente da Câmara do Porto, e por essas  razões, nunca teve o meu voto. E mais. Sempre considerei algo exagerada a imagem de homem íntegro que alguns criaram a seu respeito - sobretudo lá para os lados da capital -, porque a forma agressiva, hostil mesmo, como lidou com o FCPorto, foi mais oportunista do que séria, e isso nunca irei esquecer. É que, concorde-se ou não, os portuenses, sobretudo aqueles que mais se identificam com os símbolos e as tradições do Porto, viram nesse comportamento uma forma de traição, uma maneira cínica de agradar ao poder central e respectivo eleitorado para se promover. Associando estes factos ao seu feitio conflituoso e muito pouco empreendedor e até ao mito de bom contabilista (Fernando Gomes demonstrou-o num artigo do JN e não foi desmentido), pouco resta para elogiar a personagem.

No entanto, admito que outros não pensem como eu e que considerem ajustada a fama de que gozou (repito, exagerada) de homem sério, apenas porque tinha o "dom" de usar com mais frequência o não do que o sim em tudo o que tocava e que resultava quase sempre na paralização das negociações que encetava (Mercado do Bolhão, Rivoli vs Filipe Láféria, Teatro Campo Alegre,obras na Av. da Boavista, etc., etc.). Por isso, sob este ponto de vista, não concordo com a atribuição a Rui Rio da Medalha de Honra da Cidade. Compreendo sim, que Rui Moreira apoie esta iniciativa por uma questão pessoal de gratidão com Rui Rio por ter sido o seu principal apoiante na sua candidatura à Camara do Porto que o conduziu ao cargo de Presidente que hoje ocupa. 

Continuo a pensar, e já há alguns sinais que o indiciam, que Rui Moreira é muito diferente de Rui Rio. Os próprios vereadores da oposição o têm demonstrado. Manuel Pizarro do PS e até Pedro Carvalho da CDU que o digam, independentemente das inevitáveis discórdias pontuais. E também não acho que seja o momento para a oposição se agarrar ao prestígio de Pinto da Costa para daí retirar dividendos políticos, conhecendo como conhecem a simpatia de Rui Moreira pelo FCPorto e até da amizade que o une ao Presidente portista. Lá chegará o momento, se calhar muito mais oportuno e adequado para homenagear Pinto da Costa, disso não tenho dúvidas. 

Pessoalmente, preocupam-me mais, como o atestam os vários posts que tenho dedicado ao tema, os sinais de marasmo e de mediocridade evidenciados no Porto Canal. E isso, é também da responsabilidade de Pinto da Costa. Ou não será? 

  

15 junho, 2014

O que de melhor havia no Porto Canal, acabou...



Não é nenhuma novidade para quem passa pelo Renovar o Porto e lê o que aqui escrevo, que tenho uma opinião bastante negativa sobre o trabalho desenvolvido por Júlio Magalhães, enquanto director Geral do Porto Canal. E disse enquanto director Geral porque, ao que sei, é a ele e só a ele que compete a última palavra na decisão de aprovar, ou não, o que o director de Informação e Programas (Domingos Andrade) lhe põe na secretária para assinar. Isto, se as práticas hierárquicas funcionarem dentro da normalidade, respeitando naturalmente as competências de cada departamento. Por outras palavras, se a falha na programação parte do director de Programas, cabe contudo ao Director Geral dar o OK para que estes sejam emitidos. Por conseguinte, e em última análise, o Director Geral é sempre o principal responsável. Acima dele, estão os proprietários accionistas da estrutura maioritária do FCPorto e da MediaPro, mas pelo que se vê, estes não têm qualquer interferência na programação, excepto nos conteúdos desportivos entregues a Rui Cerqueira, director Desportivo. 

O desagrado pelo rumo que o Porto Canal está a levar prende-se com critérios e opções pouco condizentes com as expectativas criadas. Além das maçadoras repetições, verifica-se uma enorme falta de imaginação e pouca objectividade programática. Para reforçar o que tenho dito há uns mêses a esta parte, chegou a má notícia do fim do melhor programa de debate das sextas-feiras, anunciada no último programa "Pólo Norte" pelo voz do moderador David Pontes. Se havia programa com interesse, era este, ao contrário de outros, como o "Parlamento das Regiões" de Fernando Tavares, cujos convidados, deputados regionais sem estaleca, mais se parecem com catraios a discutir futebol do que pessoas idóneas, informadas e empenhadas nos problemas das regiões. Se há programa de debate dispensável, este podia ser um deles. Mas, não. Foram acabar precisamente com o melhor, o mais qualificado, o mais sério, quer nas temáticas, quer na qualidade dos intervenientes (Manuel Carvalho e José Mendes). 

Quem tomou tal decisão, e por que a tomou, é o que nos falta descobrir, mas provavelmente vamos ficar a saber o mesmo, porque o ar de gajo porreiro de Júlio Magalhães é enganador e está cada vez mais distante da consideração devida aos espectadores, uma vez que nem sequer se dá ao trabalho de os informar... 

Numa altura em que as regiões estão na ordem do dia, em que parece nascer um novo paradigma no modo de administrar as autarquias e de cooperação entre si, a direcção do Porto Canal decidiu dar um tiro no melhor programa sobre regiões (talvez o único no país), completamente em contra-ciclo com a política da abertura de delegações no norte do país e no sul... em Lisboa. 

Se alguém for capaz de me dizer se compreende o que se está a passar que o diga e explique muito bem, mas (por pavor), sem fazer de mim muito burro, porque eu não consigo compreender.

A falta de dinheiro, é para mim a única razão plausível, mas mesmo assim, insuficiente.



12 junho, 2014

Não chega ver bem, às vezes é preciso ver mais largo

Como vem sendo habitual, por altura dos campeonatos da Europa e do Mundo, o país fica totalmente dominado pelo patriotismo do pontapé na bola, tendo como testa de ferro do(s) governos(s) essa máquina dopante chamada comunicação social. Sou insuspeito, porque até gosto bastante de futebol. Agora, o que não sou capaz é de me deixar levar por esta onda de paranóia e de nacionalismo demagógico que a toda-poderosa e centrifugadora Lisboa, e seus agentes de propaganda, se encarregam de espalhar pelo resto do país, incluindo o Porto (o que muito me desgosta, diga-se)...

Já se adivinha a resposta: o futebol, por ser popular, é um grande catalisador de esperança e alegria, por isso, e só por isso, os nossos amigos da imprensa, da rádio e da televisão nos moem o siso com a selecção e o Ronaldo, de manhã, à noite, e pela madrugada fora. Boa gente esta, sempre disponível para nos servir com o blábláblá do costume.

Às vezes, nem sei se deva acreditar no que reza a história de Portugal, se ela não estará mesmo invertida... O que nela consta, é que fomos nós, os portugueses, quem colonizamos o Brasil. Mas custa a acreditar. Por duas razões. Uma, é por saber que foi o português falado e escrito pelos ex-colonizados que vingou para se chegar a um acordo ortográfico com o país ex-colonizador, de onde emergiu a língua-mãe. Nem ingleses, nem franceses, nem espanhóis, que saibamos, se lembraram de tal ideia, com os países outrora colonizados. Só nós mesmo. A segunda razão, é de ordem política e intelectual.

Com a realização do Campeonato do Mundo a caber este ano ao Brasil, e sabendo como os brasileiros são fanáticos pelo futebol, nem isso os impediu de se manifestarem, nalguns casos até com violência, contra o evento, por estarem descontentes com o governo e pelas dificuldades económicas e sociais que o país atravessa. E não foram meia-dúzia de gatos pingados, ou uma classe profissional específica, foram centenas de milhares de brasileiros, um pouco por todo o Brasil! Por cá, basta colocar um microfone à frente de uma pessoa para a ouvir soltar os mais disparatados e imbecilóides adjectivos de "orgulho" pátrio. É com este povo que os políticos se promovem e governam. É deste povo que eles gostam: manipulável e festivaleiro. É este mesmo povo que foi facilmente convencido a pagar uma crise com a "peta" de ter vivido acima das suas posses...

É por deturpações deste tipo, que hoje publico, discordando, do pequeno detalhe (a sombreado) do artigo abaixo reproduzido de Daniel Deusdado. Do resto, até concordo com muito que lá escreveu. E explico porquê, embora já o tenha feito em inúmeros postes. A avaliação do abstencionismo não pode continuar a ser radicalizada com o discurso populista e discriminador que reduz uma opção com diferentes fundamentações a um exército de preguiçosos irresponsáveis. O abstencionismo, tem de ser encarado definitivamente também, sob o ponto de vista de protesto, de repulsa mesmo, pelos meios democráticos vigentes por não darem quaisquer garantias aos eleitores. Haverá melhor argumento que esse? Estarão 61,2% dos portugueses contaminados pela preguicite aguda e os restantes servidores dos aparelhos partidários inchados de integridade e sentido cívico? E se os abstencionistas lhes disserem que são eles os principais responsáveis por termos os governantes de merda que temos, e por andarem a pagar uma dívida que não é a deles? O que terão para dizer?

Dou um pequeno exemplo: a guerra pelo poder no PS, entre A. Costa e AJ Seguro. Se me perguntarem qual é a minha impressão pessoal sobre os dois, só posso cingir-me a isso mesmo, a uma vaga opinião pessoal, ou seja, àquilo que penso sobre cada um, e pouco mais. E nem sequer me estou a referir a programas, a ideias precisas sobre governação, que neste caso concreto também não existem, de parte a parte.

O que pretendo dizer é que nem eu, nem ninguém deve votar por impressões, por intuições ou simpatias. Tudo isto até pode estar incluído no "pacote" eleitoral, mas a escolha tem, deve passar - agora mais do que nunca -, por garantias, por compromissos de honra efectivos, coisa que os políticos não parecem estar dispostos a assumir.

Ao que vejo, para os jornalistas, este é também um assunto tabu. Afinal, quem tem medo do compromissos sérios? Os políticos? Ou também os jornalistas?
      

6 de junho de 1944 parece ter sido há uma eternidade


 

1. Os desembarques das tropas Aliadas na Normandia, com início a 6 de junho de 1944, custaram 250 mil vidas - de soldados aliados , alemães e de civis franceses. O trajeto das tropas até Paris, arrasando os alemães e algumas cidades francesas com bombardeamentos pelo caminho, representaram a morte de mais 150 mil pessoas. Os documentários do National Geographic e do canal História na última semana deixam-nos de boca aberta não para os números apenas (porque esses são conhecidos) mas para a coragem e dor de ambos os lados, com o medo, a coragem e a rendição em imagens da época que simbolizam documentos preciosíssimos para a memória coletiva da humanidade.

2. O maior ataque militar da história da humanidade, liderado pelos generais norte-americano Eisenhower e pelo inglês Montgomery, consistiu neste feito logístico de fazer avançar perto de seis mil embarcações nesse dia, com 160 mil homens a bordo. Muitos daqueles homens não estiveram fora do barco mais do que meia dúzia de segundos. Quem estava dentro dos barcos sabia da elevadíssima probabilidade de "sair e morrer", sobretudo os primeiros pelotões. Estavam ali, ao lado, visíveis, os corpos a boiar em redor, o sangue a tingir o mar, os gritos dos feridos, os estrondos absolutos da artilharia de ambas as partes. E, mesmo assim, aqueles homens não deixaram de sair dos navios, e por serem tantos, os alemães não conseguiram abatê-los a todos.

3. Os Aliados conseguiram rasgar as linhas nazis até Paris, onde chegaram e expulsaram os alemães a 19 de agosto de 1944. Olha-se para a vitória e ela não parece ter resultado de um maior poder Aliado no terreno mas sim de um dado essencial: os soldados alemães sentiam que não tinham razão para aquela guerra. A sua rendição era quase sempre uma questão de espera. Por mais que se puxe pelos valores da "pátria", da honra pessoal ou de uma filosofia política que incuta a superioridade sobre os outros, há um momento em que o ser humano não consegue enganar-se a si mesmo. E, enquanto os Aliados percebiam que a missão valia a sua vida, os generais e tropas alemãs foram intuindo, ao longo do tempo, a insanidade a que estavam sujeitos. Matar inimigos em tempo de guerra é uma coisa; matar homens judeus, apenas por serem judeus, pode parecer a mesma coisa mas é diferente; quando a purga de Hitler obrigou os seus exércitos a executarem cidade a cidade, vila a vila, aldeia a aldeia, também as mulheres e crianças judias, os homossexuais, os deficientes, etc., começa a dar-se um salto gigante: um processo coletivo demencial em que a razão tem de ser posta de lado em função de obediência a uma bandeira, uma farda. Nem o "bom alemão", a lutar pela sua família e pelo seu povo, perde o sentido humano eternamente.

4. É neste ponto que estamos hoje. A memória humana é cada vez mais vácua. A multiplicidade de informação já impede o discernimento entre o essencial e o acessório. O Mundo está parecido com um passatempo frívolo. A "vida garantida" pelas democracias do Estado Social - pela qual tanta gente morreu - parece eterna. Daí os abstencionistas vitalícios, os novos nazis ou estalinistas sem Estaline. Daí a obediência servil ao mais forte - o Estado, o mercado, um qualquer dono da nossa vida. Pensarmos, enquanto sociedade, que a indiferença, o silêncio ou a abstenção é um valor em si, é abrir caminho aos demagogos. E nada mais fácil do que a economia para a alimentar, como aliás fez Hitler. Por isso 6 de junho de 1944 parece ter sido há uma eternidade na Europa, olhando-se para os resultados das eleições para o Parlamento Europeu ou para a rutura de um projeto europeu cada vez mais dividido entre fortes e fracos. Os meus filhos ou netos partirão para uma qualquer guerra (seja de que tipo for), consequência apenas desta falta coletiva de memória? Putin, Le Pen, o hermetismo alemão, a ingovernabilidade crescente da Ásia, o interminável fanatismo islâmico, mas também a demencial exploração dos recursos naturais e a emissão de CO2, todos eles, são factos sem recuo? Estou cada vez mais convencido de que a chave para se sair desta pré-loucura não passa pela economia. É hora da história.

09 junho, 2014

Um dragão sem chama e sem maestro...

Há coisas verdadeiramente incompreensíveis no FCPorto dos últimos tempos...

Consta, à boca pequena, que o FCPorto se prepara para apoiar a candidatura à presidência da Liga do político, advogado e comentador desportivo, Fernando Seara. A ser verdade, por mais nebulosas que sejam as negociações nos bastidores do futebol, e por mais perspicaz que possa ser a estratégia do FCPorto para essa propagada "aliança", ninguém compreende uma coisa destas. Se não for verdade, como quero crer que não seja, mais uma vez o FCPorto permite com a táctica estafada do silêncio, que as especulações se difundam, até que todos acreditem no boato.

Nem sequer é o facto do referido candidato ser benfiquista que mais me inquieta, é sim a fraca personalidade do mesmo. Qualquer pessoa que tenha acompanhado um ou outro programa desportivo onde Seara faz os seus comentários não terá dúvida quanto à sua têmpera de intriguista e manipulador. E os portistas em particular, sabem-no melhor que ninguém. A confirmar-se o boato, ficarei muito decepcionado com Pinto da Costa, e pensarei duas vezes, se o deva apoiar ou não, caso no futuro ele volte a ser atacado por alguém ligado ao Benfica, ou à clã centralista que domina a comunicação social do país.

Pela blogosfera portista cresce o descontentamento com o FCPorto actual, tanto com os resultados desportivos, como com a política de comunicação que é praticamente inexistente, sobretudo quando se trata de defender a imagem do clube. Mesmo as victórias, que não têm sido propriamente uma rotina este ano em quase todas as modalidades (excepto o andebol), não devem servir de pretexto para dispensar que a verdade dos factos seja, como continua a ser, adulterada e devidamente reposta. É o prestígio e a honra do clube que está em causa , e quem diz do clube diz dos adeptos que sentem na pele os ataques que a comunicação social não pára de fazer. Isto, já para não falar da omissão de tudo o que concerne o FCPorto por mais relevante que seja. A este propósito devo salientar que os adeptos que mais sofrem com esta passividade - tão estranha ao ADN guerreiro de Pinto da Costa -, são precisamente aqueles que o acompanham e apoiam para todo o lado, e são quem mais sujeitos estão à barbárie dos rivais de Lisboa, descaradamente silenciada por uma comunicação social corrupta.

Assistimos impávidos e serenos [a direcção do FCP] ao cavalgar galopante sobre todas as regras desportivas por parte dos principais clubes rivais com o FCP com manifesto prejuízo para este, sem que a outrora implacável voz de Pinto da Costa se faça ouvir em tempo oportuno. Isto está a acontecer com uma frequência inaudita e preocupante, o que também contribui para afrouxar a combatividade dos atletas nos confrontos directos com os adversários como aconteceu ontem na final da Taça de Portugal, cuja federação permitiu a inclusão de um jogador castigado, coisa impensável se fosse com um atleta portista.

Enfim,  atletas, treinadores e simpatizantes rebentam de revolta e o senhor presidente parece não dar por isso. O que é que se passará?  A lei da rôlha estará de volta? O FCPorto, nomeadamente Pinto da Costa terá perdido o tal espírito guerreiro que ainda há dias evocou? Não é uma questão de pessimismo, é uma constatação: os portistas não estavam habituados a tanta moleza, quase submissão. Serão alheias a esta mudança de postura os resultados desportivos? Creio que não. Uma coisa, pode bem levar à outra... 

08 junho, 2014

A nova agenda dos autarcas



É difícil imaginar o que seria o Portugal de hoje sem os quase quarenta anos de Poder Local democrático. Até às primeiras autárquicas, em 1976, o país era uma espécie de paisagem rural, onde a pacatez e a fome coabitavam num equilíbrio que quase parecia natural. Deste "mar de tranquilidade", destoavam a capital, o Porto e um pequeno núcleo urbano chamado Coimbra. Na generalidade do território, era comum ver crianças a caminhar para a escola de pés nus sobre estradas de terra. Para ter um dia os pés calçados era necessário abandonar a escola e ir atrás dos calos nas mãos.

A primeira geração de autarcas herdou um país onde a obra pública fora da capital praticamente inexistia, refém dos magros recursos resultantes de um modelo económico de baixíssimo valor acrescentado. Foram eleitos com base em programas de ação exclusivamente dedicados ao investimento tangível, procurando suprir défices infraestruturais e de equipamentos. O autarca-empreiteiro arregaçou as mangas e, através de uma profícua combinação de políticas de solos e fundos comunitários, mudou a face do país. O abastecimento de água, a eletrificação, o saneamento, o destino final dos resíduos, as estradas, as escolas, as piscinas, tudo isto que antes era desconhecido passou a existir. No teste do tangível, que fez sentido durante três décadas, os autarcas passaram confortavelmente, nalguns casos com distinção. E o país deve-lhes esse reconhecimento.
Todavia, os fatores de competitividade dos territórios alteraram-se radicalmente na entrada do século XXI. Com a infraestrutura realizada e a habitação construída, o modelo de atuação e de financiamento dos próprios municípios caducou. Trata-se agora de atrair residentes, estudantes, talento, turistas, eventos, capital, empresas e instituições. O perímetro de competição deixou de ser o imediato para se estender à região, ao país e, nalguns casos, ao Mundo. Os tangíveis betão e asfalto, outrora ganhadores, foram substituídos pelos intangíveis conhecimento, inovação e distinção.

É nesta alteração de paradigma que estão os desafios do presente e do futuro para os municípios. Porque sou sensível à centralidade da política autárquica no quadro da competitividade das cidades (e também dos territórios de baixa densidade), tenho observado atentamente os passos de alguns autarcas. E tenho percebido que, após a eleição de setembro último, há uma nova atitude.

Tomando esta região que vai do Porto a Viana, dá para perceber que os autarcas dedicam parte da agenda à economia e à inovação nos seus territórios, desdobrando-se em visitas a empresas, iniciativas envolvendo investidores, programas de incentivos à criação de emprego e à eficiência coletiva. Esta semana, por exemplo, foi ver Rui Moreira a mostrar que o Porto pode crescer em emprego e sofisticação das suas empresas, naquilo que designou por contraciclo com o país. Ou Paulo Cunha a lançar em Vila Nova de Famalicão o Finicia II, que permite o financiamento de pequenas e médias empresas. Ou Domingos Bragança a aderir ao programa de redes elétricas inteligentes da EDP e, assim, adicionar racionalidade energética a um casco histórico emblemático pela qualidade da sua reabilitação. Ou Ricardo Rio a nomear "embaixadores empresariais" de Braga. Ou ainda José Maria Costa a assinar um acordo de cooperação com o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Franco-Portuguesa, para promover a internacionalização das empresas de Viana do Castelo junto do mercado francês.

Os tempos em que o presidente de câmara ficava sentado na sua cadeira a receber a constelação de empreiteiros, que durante a semana congestionavam os serviços municipais, foram agora substituídos por tempos em que são os autarcas que circulam pelas empresas, na tentativa de compreender e apoiar os mecanismos de criação de emprego e de riqueza. É que sabem bem que se acabaram as chorudas taxas urbanísticas e que só através do valor acrescentado gerado no município poderão obter o financiamento necessário para cumprir as competências que lhes estão atribuídas. Essas e aquelas que o Estado central devia cumprir, mas não cumpre. Mas este caminho só será efetivo quando existir uma lei das finanças locais que garanta aos municípios instrumentos de trabalho adequados a tão grande alteração de paradigma.

[do JN]

05 junho, 2014

As perguntas que nunca se fazem

Não se incomode sr.1º.Ministro, eu sei até onde posso ir...

A vida não está fácil para os íntegros. É uma sina antiga. Rebobinando com realismo a história, sempre soubemos que por estas bandas não é honestamente que alguém consegue viver em desafogo e assegurar um futuro tranquilo. Apesar de não ser uma norma exclusiva a Portugal, não há que duvidar, o salário mínimo nacional - o mais miserável da Europa comunitária - está aí para o confirmar. Quando falo de integridade, não estou a insinuar que nunca violei uma regra de trânsito, ou que não tenha omitido algo por delicadeza, estou a falar daquelas pessoas que são por natureza, ou educação, ordeiras e se sentem desconfortáveis com a cultura da fraude. Curiosamente, são aqueles que mais beneficiam das assimetrias económico-sociais, que vivem muito acima da média, os que mais depressa cedem à tentação do pecado da ganância, corrompendo e  deixando-se corromper. 

É pensando nestas contradições, e injustiças, que me pergunto se valerá a pena, hoje, educar um filho, transmitindo-lhe valores que já não existem, ou se existem estão em vias de rápida extinção. É bem verdade, e extremamente agradável, vivermos com a nossa consciência tranquila, sabermos que não construímos a nossa vida passando por cima de A, ou B, causando danos a terceiros para conseguirmos benefícios, mas será que compensa? Não estaremos a ser tomados por parvos, exactamente por aqueles que se estão a borrifar para a ética e vivem sem limitações, quando devíamos ser nós a governá-las? A resposta, é: estamos, e não é de ontem.

Reparem.  Como é público e  notório, na comunicação social, não há míngua de debates, e de toda a espécie. Políticos, no activo, ou retirados, apesar da sua histórica penúria curricular de competência e probidade, são a classe mais solicitada a entrevistas e comentários. Uns, são pagos para opinar, outros dão ocasionalmente umas borlas (darão?), mas para o cidadão, qual será o retorno desses investimentos? Eu digo: zero! E, pior que o retorno-zero, é o efeito narcótico das suas elocuções, na cabecinha de uma camada considerável da população, ainda muito dada a crendices antigas e presa à sapiência dos senhores doutores...  

E contudo, com tanta liberdade de expressão, com tanto jornalista, ainda não tivemos o prazer de ouvir um perguntar-lhes uma coisa tão simples, quanto esta:  «caro senhor, por que é que vocês políticos mentem compulsivamente aos eleitores? Por que é que não conseguem satisfazer a maioria das promessas que vos levam ao poder? E que antes da resposta, reforçasse a pergunta: «por favor, não me responda com outra mentira, ou darei imediatamente por terminada a entrevista».  Que formulasse ainda uma outra questão que jamais colocam: «caro senhor, a única argumentação que apresentam, quando confrontados com as vossas contradições, as vossas mentiras, com a consequente subida da abstenção,  é que "não conhecem outra forma de governar que não a democracia representativa". Já lhe ocorreu, e ao seu partido, introduzir novas normas ao vosso código de conduta que penalizem a irresponsabilidade e a mentira, contribuindo assim para esmerar a tal democracia representativa? Ou, opõe-se a ela? Se se opõe, que confiança imagina que podem ter os eleitores na sua/vossa  palavra?»

Bem, desculpem-me. De repente dei por mim a despertar da utopia das minhas propostas. Há questões tão simples e cristalinas que logo compreendemos porque se tornam em assuntos tabu... E porque é que os jornalistas nem sempre são aquilo que querem parecer.


04 junho, 2014

PORTO VAI TER PROVEDOR DO INQUILINO ELEITO PELA ASSEMBLEIA MUNICIPAL

A Câmara do Porto aprovou terça-feira o novo regulamento de gestão dos bairros municipais com os votos contra da oposição e alterou a proposta de criação do provedor do inquilino para que este seja eleito pela Assembleia Municipal (AM).

Na redacção final, a proposta de criação do provedor estipula que o mesmo seja eleito por “maioria simples” na AM, explicou aos jornalistas o vereador da CDU, Pedro Carvalho, no fim da reunião privada do executivo

A proposta da maioria camarária para criação do provedor indicava que o mesmo fosse designado pela autarquia “sob proposta do presidente”, ao passo que uma recomendação da CDU pretendia que fosse “eleito pela AM com uma maioria qualificada” (dois terços dos deputados).
Em declarações aos jornalistas, o social-democrata Amorim Pereira referiu que os três vereadores do PSD “também defendiam que fosse eleito pela AM”.
Quanto ao novo “Regulamento de Gestão do Parque Habitacional” da Câmara do Porto, PSD e CDU criticaram que não tivessem sido concluídas as negociações que julgaram estar em curso para consensualizar as propostas apresentadas por ambos os partidos, nomeadamente durante a discussão pública aberta em Dezembro para o efeito.
“Estivemos a discutir com o vereador da Habitação as alterações. Tínhamos a expectativa de que este texto pudesse ser novamente discutido para ser consensualizado”, justificou Amorim Pereira.
Para o social-democrata, o documento aprovado “viola” os princípios da “transparência, proximidade e do direito de igualdade”.
O vereador esclareceu que o PSD pretendia que a matriz que define os critérios de ponderação para estipular as prioridades na atribuição de casas fosse “aprovada pela AM”, que a audição das Juntas de Freguesia fosse “obrigatória”.
Amorim Pereira alertou ainda que, ao admitir a “a reinscrição de filhos e/ou netos” dos inquilinos municipais, o regulamento consagra “o direito de sucessão para todo o sempre”.
“Deve haver igualdade entre quem já tem habitação social e seus familiares e aqueles que, não tendo, têm as mesmas carências”, observou.
Admitindo que “este regulamento é melhor do que o anterior”, aprovado no anterior mandato gerido pelo presidente Rui Rio (PSD), Pedro Carvalho defendeu que a matriz do mesmo “devia ser discutida e aprovada na AM” e considerou a apresentação da proposta “uma ruptura clara do processo negocial”.
“Após a discussão pública o vereador da Habitação fez audiências com os partidos, nas quais foram ainda feitas propostas alternativas. Ficamos na expectativa de uma negociação. Mas não houve nova auscultação para consensualização de propostas”, criticou.
A Câmara aprovou também a primeira alteração ao orçamento de 2014 mas, para o vereador da CDU, o “aumento de 15,3 milhões de euros” não se traduz “do ponto de vista do aumento do investimento, nomeadamente em habitação social”.
Frisando que a autarquia “não pode continuar a gastar 5% do seu orçamento com a concessão da limpeza da cidade”, Pedro Carvalho congratulou-se com o facto de a Câmara estar a avaliar o processo.
O vereador da CDU elogiou a “inscrição de 300 mil euros para instalações de associações de moradores e apoio social dentro dos bairros”, lamentando que continue a não estar especificada a verba destinada “à programação do teatro Rivoli”.

[de Porto24]

03 junho, 2014

Não brinquem com a Terra!


Não sei se é no egoísmo, na insensibilidade, ou simplesmente na estupidez humana, que podemos encontrar a resposta para o modo displicente como os líderes mundiais têm lidado com as questões ambientais.  O certo é que, como podemos constatar o clima está a mudar assustadoramente, de ano para ano, e praticamente nada tem sido feito para procurar resolver o problema com seriedade e determinação. Comparados com ele, as crises económicas e financeiras, o desemprego, ou as troikas, não sendo propriamente corpos estranhos ao problema, parecem uma brincadeira, mas são apenas parte dele. E este "apenas" não é de tolerância, mas um "apenas" de escala na hierarquia do tema.




Sabendo, como sabemos, que os principais causadores da poluição do planeta são os países ditos "desenvolvidos" (EUA, China, Russia, etc.) e que esse desenvolvimento não é certamente sinónimo de felicidade para a humanidade, é extremamente simples compreendermos em profundidade o peso exacto da sua importância nas nossas vidas.

Hoje, carregamos num botão de comando de tv e num instante percorremos o mundo. Temos automóveis, aviões, computadores portáteis e sucedâneos (iPhones, iPeds,Smartphones,etc.) navegamos na Net, convivemos nas redes sociais, enfim, até parece  que temos o mundo nas mãos, e no entanto não nos interessamos pela "factura" que as gerações futuras vão ter de pagar pelo nosso vanguardismo... 

No rescaldo das intempéries do último inverno, com o mar a reclamar a devolução das areias que as obras faraónicas dos homens impiedosamente lhe roubaram com a construção de barragens, diques e chalets à beira mar, observamos agora as autarquias numa azáfama, procurando repor a areia que o mar reclamou. Uma decisão louvável, não fosse ela contraditória, se para restituir essas areias ao mar estas não tivessem de ser roubadas noutro lado, o que significa não resolver coisa nenhuma, isto é, protelar o problema.

Mas é assim que nós humanos nos habituamos a pensar o "progresso" no planeta, remediando sempre, em vez de prevenir. Até um dia. Até o planeta se cansar da estupidez humana e nos matar a todos.

É por estas, e outras como estas, que não consigo ser um optimista consciente.   





02 junho, 2014

O meu orgulho...

...passa por não me sentir na obrigação de saudar Cavaco Silva - nem na qualidade (muito dúbia) de Presidente da República -, ou ter de gramar os seus discursos hipócritas e terrivelmente enfadonhos na cerimónia de despedida da selecção. O meu orgulho passa pelo compromisso pessoal de mudar celeremente para um canal estrangeiro cada vez que os canais portugueses (todos!) me impingirem a abertura de telejornais com a dita seleccção, para me convencerem que não há assuntos mais importantes para noticiar. Não convencem.

O meu orgulho também se fortalece resistindo facilmente às injecções de patriotismo do pontapé na bola, mesmo quando tentam chamar a uma equipa engendrada por Lisboa a "selecção nacional"... 

O meu orgulho não perdoa aos responsáveis da FPF, a começar pelo seu presidente, que tenha permitido a colocação de grandes painéis com a foto de 2 ex-jogadores do Benfica nos treinos dessa putativa selecção,  a pretexto do que quer que seja, só para agradar à prole do referido clube, mesmo que ela tenha 10 milhões de fratelli do tipo siciliano e eu seja o renegado nº. 10.000.001...

Se Passos Coelho disse uma vez que se lixem as eleições, hoje digo eu: que se lixe ele, mais esta selecção de centralistas.

Posto isto, suponho ser desnecessário fazer um desenho para se perceber que me oponho a todas as selecções made in Lisbon. O que é bom para eles, nem sempre é para mim. Quase sempre, não é bom para mim...

31 maio, 2014

O FCPorto estará mesmo sintonizado com o Porto Canal?

É praticamente consensual que a política de comunicação actual do FC Porto não corresponde às expectativas da maioria dos adeptos e associados. O descontentamento é quase geral e patente em todo o lado, tanto na blogoesfera e redes sociais, como nos espaços públicos.

No passado recente todos compreendiam a necessidade do clube se fechar, devido ao aproveitamento sectário e desonesto que a comunicação social fazia de qualquer assunto relacionado com o FCP, por mais comezinho que ele fosse, transformando-o logo em  intrigas, ou mesmo em casos de polícia, com o único objectivo de desestabilizar o clube. Essa discriminação ainda se mantém, e até se intensificou, mas também é verdade que as condições do clube hoje são outras. Se no passado o FC Porto dependia apenas da voz de Pinto da Costa para se defender desses ataques, hoje com o Porto Canal, já não faz muito sentido a estratégia do silêncio, nem se recomenda. No entanto, é aquela que continua a ser usada, para desespero e espanto dos adeptos...

Se politicamente o Porto e o Norte se queixam (com razões) de serem discriminados, de não terem um líder, desportivamente as coisas parecem ir na mesma direcção, coisa que paradoxalmente não acontecia antes da parceria com o Porto Canal. Ninguém compreende esta aparente contradição. Nem eu. Muito menos se compreende certas opções da direcção do Porto Canal. Uma, talvez a que me tem causado mais estranheza e que não tem merecido qualquer explicação da referida direcção, é a ausência de Rui Moreira, o Presidente da Câmara do Porto, sobretudo depois de lá terem estado todos os autarcas do grande Porto e de outras cidades do Norte e Centro do país. Júlio Magalhães nada diz sobre o assunto e o FCPorto também não lho pergunta. E a meu ver devia, quando não sujeita-se a que alguém ou algum órgão de comunicação social centralista o faça por ele...

Outra opção, para mim completamente inaceitável, é o critério de avaliação e selecção usados com alguns convidados para debates e entrevistas. Já referi alguns desses convidados em posts anteriores, portanto não vou repetir-me, agora o mais recente foi precisamente o mesmo a quem Pinto da Costa se referiu em moldes pouco simpáticos (mas merecidos), que foi António Mexia o manda-chuva da EDP.

Todos se devem ainda lembrar do que disse este cavalheiro há poucos mêses, mas não me importo de reproduzir.  Com a leviandade que tem (des)caracterizado as figuras de "relevo" deste anedótico país (incluindo a do sr.Presidente da República), afirmou publicamente que [cito]: "seria bom para a economia NACIONAL que o Benfica fosse campeão". 

Ora, se Pinto da Costa disse, à laia de resposta, que tencionava mudar de fornecedor de energia por causa destas infelizes declarações, o que terá levado Júlio Magalhães a aceitar a sugestão de Luís Filipe Menezes para bajular nos estúdios do Porto Canal aquela criatura, como se os portugueses lhe devessem gratidão pelos preços acessíveis a que pagam a electricidade?

Podem-me dizer o que entenderem, mas estas contradições só servem para atear mais fogo às fogueiras conspirativas dos inimigos de Pinto da Costa e do FC Porto. A não ser que, como já aqui admiti, Pinto da Costa não acompanhe, ou não se interesse pelo trabalho que é produzido no Porto Canal, e se assim fôr, faz mal, muito mal, mesmo.

27 maio, 2014

De cidadão para cidadão...



...gostaria de dizer o seguinte: apesar de em democracia os partidos políticos se constituírem por grupos de cidadãos legalmente organizados para influenciar e tomar o poder, e de até ao momento ainda não ter sido inventada outra forma legítima de organização democrática para esse fim, não devemos nunca desistir de procurar novos caminhos para lá chegar.

Sabemos que a vida está em constante mutação. Na ciência, nas artes e até o próprio planeta, tudo tem sofrido mudanças. Umas ocasiões para melhor, outras para pior. De tão habituados estamos à mudança que às vezes até nos esquecemos que a tuberculose já foi uma doença mortal, que só o vírus da SIDA veio levantar novas suspeitas sobre a estabilidade da sua cura. Picasso e Dali romperam com a tradição conservadora do realismo e revolucionaram completamente a arte. Hoje, os seus quadros valem verdadeiras fortunas... Só uma coisa parece ser avessa à evolução: a democracia. E sabem quem mais tem feito por isso? Sabem, não sabem? Os próprios políticos.

Pela importância social que têm,  são as pessoas mais solicitadas pela comunicação social, portanto, aquelas que mais oportunidades têm para influenciar o povo. Povo esse que, curiosamente, e ao contrário deles, só é chamado a opinar para actos eleitorais, para colocar na urna o papelinho que os fará chegar ao poder com o respectivo cheque de cada voto nosso. Não admira pois, que sejam eles quem mais se insurgem contra os abstencionistas e que tudo fazem para banalizar a sua opção democrática, legítima. Pena é, que muitos de nós ainda não tenhamos percebido isto e nos deixemos influenciar com estes mitos, esta demagogia. com esta falta de respeito pelos cidadãos. Gostava, era de os ver honestamente preocupados com as causas substantivas do abstencionismo e a admitir que os patamares de exigência político-partidária têm de mudar em duas direcções básicas: seriedade absoluta e competência.

Para terminar, e para não ser mal interpretado, porque há sempre quem só leia a parte e não o todo de um texto, quero dizer o seguinte: os políticos são necessários em democracia, pelo menos, enquanto vigorar no léxico nacional o adjectivo, é assim que devem ser tratados. Não temos culpa é que eles próprios, por irresponsabilidade pessoal e partidária, tenham deixado cair tão baixo a reputação. É que, qualquer um de nós se um dia entender militar num partido e se tornar figura relevante, corre o risco de se tornar num deles: político. E só de imaginar a colagem com os que nos precederam é desmoralizante. E essa, é também uma factura cruel que os políticos do passado e do presente estão a passar aos vindouros.

Nota:
São conhecidos alguns bons exemplos de actividade política, principalmente ao nível das autarquias, e em quase todos os partidos, mas infelizmente não são esses que governam o país...

26 maio, 2014

66,1 de eleitores conscientes

TODO O PAÍS

  • 3092 de 3092freguesias apuradas
  • 4.42%votos brancos
  • 3.07%votos nulos
  • 65,34%abstenção
PSPPD/PSD.CDS-PPPCP-PEVMPTB.E.LPANPCTP/MRPPPNDPTPPPMPNRMASPPVPDAPOUS
31.5%
27.7%
12.7%
7.2%
4.6%
2.2%
1.7%
1.7%
0.7%
0.7%
0.5%
0.5%
0.4%
0.4%
0.2%
0.1%


Cada cidadão faz o que entender da sua consciência cívica. Na Alemanha de Hitler houve também quem apoiasse (e votasse, sim) a ascensão ao poder do maior facínora da história europeia, e não foram poucos... Esses, estavam convencidos que só um mão de ferro iluminado podia colocar o país nos eixos e terminar com os abusos usurários dos judeus, como se os judeus fossem os únicos usurários...

Vale isto por dizer, que nos tempos que correm talvez seja mais prudente filtrar e dispensar todas as "recomendações" políticas para aquilo que devemos fazer com o nosso voto, porque os partidos - como os altos níveis de abstenção indicam -, estão ainda muito longe de se poderem arrogar ao direito de passar por provedores dos cidadãos.

Se há ilação que se deve extrair das últimas eleições autárquicas e  europeias, é que as pessoas estão cada vez mais decepcionadas com os partidos políticos, porque, como antes escrevi, a crise ultrapassa a Europa, e tenderá a expandir-se, caso os líderes europeus não arrepiem caminho e corrijam o que é preciso corrigir para salvar as democracias. Ontem, os grandes "vencedores" foram os abstencionistas (66,1%), embora esta seja uma victória de pura repulsa à actual partidocracia.

O drama é que os políticos nunca mais aprendem. Mesmo com estas grandes lições, mesmo sabendo que as suas irresponsabilidades tem permitido às direitas e esquerdas mais extremistas um crescimento até aqui inimagináveis. Os políticos, continuam a errar sem quererem assumir que são eles os principais culpados pelas abstenções. Continuam a querer tapar o sol com a peneira e a procurar responsabilizar a abstenção pelos maus resultados dos seus partidos, o que significa que nem sequer capacidade têm para admitir as suas próprias asneiras.

Se há coisa que me repugna, são as generalizações oportunistas. Não contentes com as humilhações sofridas, os partidos do arco do poder preferem certificar os abstencionistas (entre os quais me incluo) de que a decisão que tomaram foi a correcta, caso contrário não se agarravam ao discurso demagógico de quererem convencer o povo que as pessoas não votam porque não querem sair do conforto da casa... Este discurso só prova a profunda falta de respeito que sentem pelos cidadãos. Eu, quando votava, até gostava de me levantar muito cedo para ser dos primeiros a colocar o papelinho na urna, convencido que estava a tratar dum assunto sério... Regressava a casa com a noção do dever cumprido. Mas se o fizesse hoje tenho a certeza que me ia arrepender mais tarde.    

Se votasse, teria votado em Marinho e Pinto, como tal, não me desagrada que tenha conseguido um lugar no Parlamento Europeu. Mas, como prometi a mim mesmo nunca mais voltar a votar enquanto não tivesse provas das qualidades cívicas e intelectuais dos candidatos, traduzidas nas suas acções, aguardarei para ver se fiz bem, ou mal. Que diabo, se os políticos não são sentenciados quando erram (e erram demais), por que raio teria eu (e outros abstencionistas),  de o ser por não querer errar? Acresce que, políticos e respectivos aparelhos partidários não perdem a credibilidade apenas porque se enganam, mas essencialmente porque enganam compulsivamente os seus eleitores. A gravidade está aí, mas eles recusam-se a compreender.

Outra conclusão a tirar destas eleições, é que os eleitores têm mais confiança hoje nas candidaturas individuais (independentes nunca serão) do que nas promovidas pelos partidos, o que acentua a má reputação destes últimos. Pode ser que esta situação conduza os partidos a uma grande inflecção de conduta, mas a avaliar pelas últimas reacções tudo me leva a crer que nada vai mudar...