05 dezembro, 2014

Quem não quer ser lobo...

Não sei se José Sócrates está inocente, ou se é culpado, isso competirá aos tribunais decidir se chegar a ser julgado. O que sei é que algo de muito opaco e suspeito terá feito para um juíz lhe ter ordenado prisão preventiva. Já disse, e vou-me repetir - embora às vezes me canse esta missão ingrata de andar frequentemente a chamar a atenção de quem me lê, para o fazer com o maior rigor possível - que sou totalmente contra a violação do segredo de justiça. 

Portanto, não mudei de opinião, só porque estamos a falar do ex-primeiro ministro. No entanto, será bom lembrar que na maior parte dos casos de investigação criminal, o segredo de justiça só vem a público quando os suspeitos são figuras socialmente relevantes, e isto não é despiciente. Muita gente anda a ganhar dinheiro à custa da "bufice" e tal também devia merecer das autoridades judiciais uma investigação profunda, para de uma vez por todas, colocar essa gente atrás das grades. Denunciar é uma coisa, bufar é outra bem diferente, e bufar a soldo de alguém ainda é pior...

Naturalmente, nestas condições é muito difícil ao melhor dos juízes fazer cumprir a Lei, porque tal como para os negócios, o segredo pode ser a alma da Justiça. A bem do seu bom funcionamento, os magistrados deviam exigir que este assunto fosse de vez discutido e resolvido na Assembleia da República com todos os partidos, quanto mais não seja para percebermos quem está interessado em melhorar o sistema, ou quem tem interesse em mantê-lo como está.   

Como não somos nós quem decide, e as informações que nos chegam a público são veiculadas pelos media, é praticamente impossível nestas ocasiões termos uma ideia firme sobre a veracidade dos casos. Mas, das duas, uma: ou os media enganam sempre, e nesse caso é preciso fazer qualquer coisa para acabar com isso, ou se só engam às vezes, então devemos filtrar o que lemos para retirarmos as nossas próprias ilações. E já nem falo de jornais sensacionalistas, como o Correio da Manhâ e outros, porque a esses, pessoalmente, não dou qualquer crédito, e nunca os leio. Resumindo: ninguém tem informação priveligiada, excepto uns tantos que vivem promiscuamente da espionagem ilícita entre o poder do dinheiro, e o poder da política.

Posto isto, pergunto: será que o legado de Sócrates foi assim tão positivo, tão íntegro, tão cumpridor com os portugueses que justifique um cuidado especial de avaliação? Ele não nos mentiu? Politicamente, ele não fez o mesmo que Passos Coelho também está a fazer? Não traiu os eleitores? Não prometeu a contenção dos impostos, a preservação das reformas, o aumento do emprego, e o desenvolvimento do país?  Não foi ele que inventou as SCUTS? E Passos Coelho não as manteve? Então, dado que no momento é Sócrates quem está sob a alçada da Justiça, pergunto: com um currículo destes na folha de serviços, será caso para confiarmos abertamente na inocência do homem? Será caso para intentarmos acções de habeas corpus, como alguns carentes de protagonismo fizeram? Isto é assim? Soltam-se as emoções para decidir se alguém é culpado ou inocente?   

Passos Coelho, tal como Paulo Portas, por agora, têm sobrevivido às suspeições que cirandam sobre as suas cabeças, mas politicamente não merecem mais credibilidade que Sócrates. A realidade, é que mal ou bem, é Sócrates quem está preso. Por isso, pergunto:  o Jornal de Notícias será como o Correio da Manhã, ou há algumas diferenças, para melhor? Se não é, e se o que nele vamos lendo tem alguma credibilidade, temos de parar os neurónios, deixar de pensar?

Pois, a avaliar pelo pouco que saiu a público, das "engenharias" financeiras  usadas por Sócrates em transferências de património pessoal através de um amigo, que ainda por cima era presença assídua em alguns negócios do Estado, o mínimo que posso dizer sem arriscar ser acusado de estar a presumir culpa, é que este, não só é um procedimento invulgar na gestão de bens pessoais, como não parece sério. E, se Sócrates assim não pensou, penso eu:

um 1º. Ministro prudente, e ciente do seu cargo, tem o dever de parecer sério. Estando eventualmente inocente, tudo fez para parecer culpado.   

03 dezembro, 2014

Que efeito terá nestes homens o poder, se lá chegarem?

Marinho e Pinto

Nos tempos que correm,  ninguém pode dar-se ao luxo de pôr as mãos no fogo por quem quer que seja, por mais credível que alguém nos pareça. Constatar isto, é em si mesmo dramático, e a pior reacção que podemos ter para lidar com a situação, é refugiarmo-nos em lugares comuns que nada resolvem, e que só servem para suspeitarmos de quem os utiliza. Se repararam, dos lugares comuns mais usados no vocabulário sócio-político estão sempre presentes dois adjectivos: um é  o populismo e o outro o pessimismo. São duas palavras muito banalizadas pelos políticos, mas que por força da fraca capacidade do povo em acompanhar e perceber devidamente as motivações de quem as aplica, continuam apesar de tudo a surtir algum efeito.

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Paulo Morais
Mas o nosso drama não começa e termina por aqui. É que, mesmo quando aparece alguém na ribaltada política a falar claro, a produzir afirmações que, por experiência cognitiva sabemos ser verdadeiras e muitas vezes factuais, nunca sabemos o mais importante, que é descobrir se essa pessoa está a falar verdade meramente para atingir um fim, que é chegar ao poder, ou se está realmente imbuída de uma genuína vontade de mudança. 

No universo restrito desses protagonistas, emergiram duas figuras: Marinho e Pinto e Paulo Morais. O primeiro, não conseguiu conciliar a coerência do discurso com a das suas acções, e num curto espaço de tempo fez o mais difícil, que foi usar um partido (MPT) para se candidatar às eleições europeias e logo a seguir o abandonar, para uns mêses depois de chegar ao Parlamento Europeu se mostrar indignado com os salários dos deputados, incluindo o seu... Por muita compreensão que se tenha pelas dificuldades específicas do seu percurso, a coerência ficou muito comprometida, o que seria evitável se optasse por outros caminhos e outras posturas. Para mim, foi uma decepção.

Agora, Paulo Morais. Tem sido uma das vozes mais activas a denunciar o problema da corrupção em Portugal. O que ele diz não é ficção, é bem estruturado, não se limita a lançar para o ar acusações subjectivas, tem tido a coragem de citar nomes, de empresas, de figuras públicas, e de criticar o próprio parlamento. Sabemos, ao ouví-lo, que é mais assertivo que politicamente correcto, e no entanto ignoramos se tudo isso será apenas o meio  habitual para atingir um fim, ou se é o resultado de alguém de têmpera rija com vontade para contribuir - caso aceda de alguma maneira ao poder - para livrar Portugal do pantanal em que os políticos (e seus correligionários) o transformaram. 

Aqui chegados, digam-me: será possível mudar este país quando se ataca o poder judicial logo que este esboça vontade para contrariar a onda de corrupção instalada no país? Se a um juiz cabe o direito de colocar alguém em prisão preventiva justificada por perigos vários, por que raio é que também isso tem de mudar só por se tratar de um ex-1ºministro?  

Estão a perceber agora por que é que a Constituição nem sempre é levada a sério? Serve, mas tem vezes, que não...


02 dezembro, 2014

Brahimi está só a começar...

Image de Brahimi eleito Futebolista Africano de 2014 pela BBC, mas fora da corrida da CAF
Brahimi premiado

Brahimi foi eleito melhor jogador africano pela cadeia de televisão inglesa BBC, mas é a ausência mais destacada da lista final dos candidatos ao galardão entregue pela Confederação Africana de Futebol (CAF).
De fora desta lista ficaram também de fora o “dragão” Vincent Aboubakar e o “sportinguista” Islam Slimani. Os 2 jogadores do FC Porto e o “leão” faziam parte da lista inicial de candidatos, tendo sido afastados da eleição final, que vai decorrer a 8 de Janeiro, na Nigéria.
A lista final é composta pelos nigerianos Ahmed Musa (CSKA) e Vincent Enyeama (Lille), o ganês Asamoah Gyan (Al Ain), o gabonês Pierre Emerick Aubameyang (Borussia Dortmund) e o costa-marfinense Yaya Touré (Manchester City).
Contratado no início da época ao Granada pelo “dragões”, Yacine Brahimi bateu, na votação promovida pela BBC  – e decidida pelos adeptos  –, o gabonês Pierre-Emerick Aubameyang (Borússia Dortmund), o nigeriano Vincent Enyeama (Lille) e os costa-marfinenses Gervinho (Roma) e Yaya Touré (Manchester City), que tinha vencido num anterior.
Em declarações difundidas pelos canais oficiais do FC Porto, Brahimi revelou a sua satisfação: “É uma grande honra receber este prémio, representa muito para mim, e queria dedicá-lo, primeiro, à minha família, mas também à Argélia e a todos os países africanos”.
“Por agora, 2014 tem sido um ano muito bom e tenho de continuar assim, a trabalhar mais para evoluir e a ganhar troféus com o meu clube, o FC Porto, e se possível, na CAN (Taça das Nações Africanas), com a Argélia”, afirmou o jogador.
O futebolista destacou o papel do emblema “azul e branco” na conquista do prémio.
“Tenho de agradecer ao meu novo clube, aos jogadores que jogam comigo, ao treinador, à equipa técnica e a toda a gente do clube”, afirmou.
Brahimi confessou ainda estar satisfeito por ser “a primeira vez que um argelino vence este prémio”, apesar de esperar “que não seja a última”, enfatizando o quanto a distinção pode ter na carreira.
“Dá-me muita vontade e determinação para trabalhar mais, fazer mais e subir de nível a cada dia que passa”, afirmou.
O avançado argelino sucede a Yaya Touré, vencedor em 2013, que é atribuído desde 2000, 15 edições em já foram distinguidos jogadores como George Weah, Jay Jay Okocha e Didier Drogba.
Para Brahimi, trata-se do segundo prémio no espaço de pouco mais de um mês, depois de ter sido recentemente considerado o melhor futebolista africano da Liga espanhola 2013/14, ao serviço do Granada.
(do jornal Porto24)

28 novembro, 2014

Solideriedade socratiana

Solidarizem-se com estes

Não percebo estes portugueses, pegam de estaca quando se trata de caridadezinha. Mais sensíveis à lamechice que à participação cívica, cá estão eles a reagir à campanha de solidariedade lamechas promovida a José Sócrates, como se ele tivesse sido um grande 1º. Ministro e nunca tenha estado envolvido em qualquer acto ilícito. Estes fadistas já se esqueceram que foi ele o mentor das SCUTS, que foi ele quem deixou chegar o país no estado em que está. Que fique claro que ao dizer isto, não estou a dizer que Passos Coelho seja melhor, porque não é, lá chegará (espero) o seu dia de prestar contas pela trapalhada generalizada em que colocou o país, provando que em matéria de irresponsabilidade é igual ou pior que Sócrates. O que estou a dizer, é que não compreendo a solidariedade quando é dirigida a quem fez mais mal do que bem - não a uma, ou outra pessoa -, mas a um povo. Ser solidário, nestes casos, é um desperdício de humanismo, havendo como há, tanta gente neste mundo carente dele. Além de mais, é um perfeita injustiça!

Mário Soares está velhote, e só isso e a memória da sua contribuição para a manutenção da Liberdade (não disse democracia, porque a democracia é bem mais que Liberdade) me faz tolerá-lo, mas achei absolutamente ridículo o papel a que se prestou, só para mostrar ao país que ainda é um "gajo porreiro". Os gajos porreiros para mim não são os que permitem tudo, os que têm da tolerância uma noção ilimitada, ou os que desautorizam e mandam os senhores guardas para casa, quando estão a cumprir o seu dever. Os gajos porreiros, são na maioria das vezes cumplíces das negociatas mais corruptas e da libertação de muitos criminosos.

Mas, a cereja no bolo deste Big Brother político, foi ouvir as palavras de um dos visitantes do suspeito nº.44, pelos vistos, um amigo agora casado com a ex-mulher de Sócrates, à saída da visita, uma pérola assim:


Por estas, e outras como estas, é que não levo estes gajos da política a sério, e me enoja o discurso ora em voga, do dever de separar a política da justiça. Falsários! Com o futebol, parece que já não não há problemas de misturas, o que é preciso é dizer coisas que sensibilizem o coração dos benfiquistas. Agora, imaginem o que seria se ele tivesse falado no FCPorto... Mas, fica a coerência.  

   

27 novembro, 2014

Sócrates, anti-Sócrates, Passos

Daniel Deusdado
Estamos colocados perante um problema: ser a favor ou contra Sócrates. E dessa escolha vêm as consequências seguintes - achar a Justiça excessiva ou exemplar, achar o PS um antro de corrupção ou, pelo contrário, pensar-se que há corruptos em muitos partidos mas não são todos iguais. A vida não é a preto e branco apenas mas uma coisa é certa: só por este abanão a sociedade portuguesa já ganhou algo. Obviamente, seria trágico se isso fosse feito à custa de um homem inocente. Mas agora já é irreversível.consequências seguintes - achar a Justiça excessiva ou exemplar, achar o PS um antro de corrupção 






















Qualquer jornalista ligado à economia ou à política esperava por um dia assim: o dia em que as histórias de bastidores, tantas vezes ouvidas, tinham finalmente provas judiciais e um grande político ia preso. Desde os escândalos PS em Macau que o financiamento partidário se supunha como uma área escaldante. Mas na verdade nunca se sabia ao certo se o dinheiro também tinha ficado nos decisores, se cá ou na Suíça, suscitado por este ou aquele contrato, favor, lei, etc... E as provas eram impossíveis de obter por jornalistas.
Se Sócrates realmente enriqueceu à custa de empreitadas ou outras angariações públicas com "luvas", uma coisa é absolutamente certa: não foi o primeiro. O flagrante caso dos submarinos é gritante no que diz respeito a luvas pagas - como se sabe pelas informações decorrentes do caso Espírito Santo. Inúmeros casos suspeitos vão surgir agora à luz do dia porque talvez se passe a acreditar que alguém na Justiça quer saber. E ou Sócrates está absolutamente limpo ou o novelo vai ser longo. Até porque as opções do socratismo eram, em certos casos, de bradar aos céus. Por exemplo, o projeto do aeroporto da Ota - que só um milagre conseguiu parar. Já o escandalosíssimo Plano Nacional de Barragens, onde a EDP levou a fatia de leão e comprou ao Estado por "tuta e meia" 10 licenças de instalações de hidroelétricas, não tem retorno. Em consequência, vamos pagar estas "scut da energia" através de contratos que nos condicionarão ao aumento da tarifa energética de Portugal nas próximas décadas.
Arrepia por isso no caso Sócrates a lista imensa de obras realizadas pelo seu Governo, que, agora, serão vistas à lupa. Eram mesmo para o "bem comum"?
Voltemos ao caso Freeport. Afirmo hoje o que disse há três anos (está gravado): um ministro do Ambiente que assina no último dia de funções uma muito polémica autorização para instalação de um empreendimento em zona ambientalmente protegida, não é um bom ministro do Ambiente. Se fosse o ministro da Economia a fazê-lo talvez compreendesse melhor. Agora, ser o ministro a quem compete a defesa do Ambiente a apressar a obra, é incompreensível. Ainda por cima, já havia um novo ministro escolhido pós-eleições, com maior legitimidade democrática, e que poderia tomar ou não essa decisão. Qual a urgência? Registe-se em sua defesa, no entanto, que de nada foi alguma vez Sócrates acusado.
O mesmo se passou com as obras da Parque Escolar (e outras). Em 2009, ano eleitoral, poucas vozes criticaram a construção de novas escolas (estávamos na fase em que a União Europeia tinha dado ordem para "investir" sem olhar ao défice). Pessoalmente era contra. Duas razões: tratava-se de adjudicações diretas; considerava um esforço na criação de uma linha de bitola europeia ferroviária que nos tirasse as exportações por menos custo. O resultado está à vista: a Parque Escolar tornou-se, em meia dúzia de anos, numa das empresas públicas mais endividadas - mais de mil milhões. Pior: muitas das escolas tiveram gastos faraónicos e hoje não têm dinheiro para pagar as várias faturas.
Aqui chegados: quem não gosta de Sócrates é porque apoia Passos ou Portas? Não necessariamente. Depois da brutal dívida acumulada, não basta ir gerindo a pobreza. É preciso mais que isso. Mas a questão essencial é a de que não sei se os portugueses não suspiram cada vez mais pelo estilo político de Salazar. Ou seja, se os argumentos das contas certas de Passos (ou, noutra versão, de Rui Rio) não são exatamente aquilo que a nossa menoridade enquanto país afinal deseja. Pequeninos e remediadinhos, no nosso cantinho, sem tentações ou ambições. O fado português.
(do JN)                                                                                                                                                                                                                                                                                                                           Nota de RoP: 
É pertinente a observação do autor sombreada a azul, mas é também perigosamente ambígua, porque se é verdade que o nosso país precisa de uma liderança séria e competente, não é menos verdade que governar numa democracia onde a autoridade do Estado é sempre beliscada, cada vez que se quer impor, não sei bem em que regime é que queremos viver.
              






26 novembro, 2014

E o que fizeram a Pinto da Costa, seus moralistas da cáca?

O meu sentido de humor não encaixa nas anedotas personificadas pela classe política por uma simples razão: exijo para governar o meu país gente competente, e integralmente séria. Não fosse assim, ria-me a bandeiras despregadas desta nova máxima que separa a política da justiça, como eles tanto gostam de dizer, sem se darem conta do ridículo em que caem.

O que eles querem dizer, como sublinearmente o demonstram, é que nada na vida pode ter um só significado, depende da conveniência, da ocasião e dos protagonistas. Por outras palavras, momentos há, em que afirmam que a Justiça é igual para todos, e noutros nem por isso. Que o segredo de justiça é para ser respeitado, mas tem dias. Gostam num dia de juízes reservados, e no dia seguinte já preferem juízes do tipo papagaio. E contudo, na Assembleia da República, onde o tema do segredo de justiça devia ser debatido à exaustão, até conseguirem consensos, suas Exas. os ilustres deputados não se entendem, preferindo continuar a chafurdar nestas areias movediças. Depois, a culpa é dos juízes, que não legislam...

Entretanto, a realidade diz-nos que tudo o que ouvimos e lemos nestes últimos dias, não passa de cínicos exercícios de retórica. Falemos como exemplo, dos jornalistas.

Há o jornalismo dos jornalistas (passe a redundância), que consiste em blindar a classe com todos os direitos, e sem nenhumas obrigações. Desta casta generalizada, emergem duas sub-classes: os jornalistas sócio-políticos e os jornalistas desportivos. Não consta que gostem uns dos outros, ou de se misturarem, mas sabe-se que abrem excepções corporativas quando o perigo espreita. Uns, não querem saber da idoneidade dos outros para nada, e assobiam para o ar se alguém lhes pedir para a comentarem (em nome do serviço público).

Depois desta intoxicação socratiana, entre deveres de juízes e direitos de suspeitos, continua bem guardada no baú do esquecimento a discriminação que os 3 pasquins desportivos praticam há muitos anos sobre um clube de futebol chamado FCPorto. Pena é, que o sentido de observação e da ética destes cavalheiros - comentadores, advogados, políticos e jornalistas - se mantenha indiferente com o que está bem à vista em todos os canais e jornais da capital: a DISCRIMINAÇÂO com laivos de racismo, movida ao FCPorto!  É a tal treta da calendarização das legalidades. Tem dias. Valorizam-se ou desprezam-se, conforme a côr dos interessados.

Nem o monopólio mediático com que dominam o país, os incomoda. Nem o cerco que eles próprios moveram a Pinto da Costa com artigos sensacionalistas nos jornais, dia após dia, com escutas, frutas e insinuações, lhes pesa na consciência, agora que tão incomodados se mostram com os problemas comunicacionais do juiz Carlos Alexandre. Nem o facto de Pinto da Costa ter sido absolvido pelos Tribunais os fez recuar na missão destruidora de o abalar e através dele o FCPorto.

É só ligar as televisões, ou olhar as capas dos jornais, para a máscara lhes cair, mesmo nas barbas de portistas de trazer por casa, oportunistas, incapazes de sobrepor a dignidade aos rebuçados das avenças. Nem o facto do FCPorto estar quase impossibilitado de jogar à vontade com a pressão sectária dos árbitros, lhes ensombra o brio dos escrúpulos. Assim como, nem o facto de o FCPorto ter tido o melhor comportamento das equipas portuguesas na Champions os impede de desvalorizar o feito, preferindo destacar feitos menores dos clubes de Lisboa. Para isto, não há lei, nem regras. Vale tudo.

Sabem uma coisa: vão para a grande p.q.v.p, mais os vossos pregaminhos!  Que a terra vos pese um dia e vos conduza directamente ao inferno! Hipócritas!

25 novembro, 2014

Lembrem-se também do Juiz, faz favor!

Se ontem censurei a facilidade com que em Portugal se viola o segredo de justiça, expondo as pessoas à humilhação de serem julgadas na praça pública antes mesmo de serem interrogadas pelos investigadores, hoje vou dizer o que penso sobre o que uma figura de Estado (como foi José Sócrates) devia (ou não) fazer para evitar passar pelo vexame que ele passou. A missiva não é apenas dirigida a Sócrates, serve igualmente para aqueles senhores que estando ainda em liberdade e não tendo tido o mesmo "azar" de Sócrates, possam vir a ser submetidos à mesma  humilhação. 

É simples. Em primeiro lugar, devem ser honestos, e depois, como recomenda  o  velho ditado da mulher de César, têm de o parecer. Mas se não sabem o que isso significa, também explico: devem procurar agir como pessoas normais (não disse vulgares), por exemplo, registar e administrar os seus bens patrimoniais, sem delegar a terceiros essa responsabilidade, mais que não seja, por não ser lá muito curial em pessoas que sabem cuidar do que é seu. Depois, também devem ter muito cuidado com as companhias. Por último, não permitir que situações pouco ortodoxas se misturem com as funções de carácter público, e se possam confundir com as de um banqueiro [ou sucateiro] qualquer... Se seguirem à letra estes bem intencionados conselhos, podem ter a certeza que ninguém lhes  pode causar grandes danos, ainda que o tentem.

Ironias à parte, de todas as opiniões (tantas!) que ontem ouvi nos vários canais de tv sobre a detenção de Sócrates, algumas mais comedidas que outras, houve uma que fez a diferença, despertando o país para a realidade do que se estava a passar, foi a de Pacheco Pereira, que na presença de Clara Ferreira Alves e de Miguel Sousa Tavares, afirmou  o seguinte: se o juiz determinou a prisão preventiva a Sócrates foi porque encontrou indícios de culpabilidade suficientemente poderosos para o fazer. E acrescentou: é preciso que as pessoas tenham consciência que estamos a falar de alguém que foi 1º. Ministro, sobre o qual recaem suspeitas muito graves de crimes de evasão fiscal, corrupção e branqueamento de capitais...

A violação do segredo de justiça tem de acabar, mas mesmo assim, considero que ontem houve muita gente mais preocupada em criticar o juiz (nem sempre de forma directa), do que em admitir igualmente  a presunção de culpa do suspeito, considerando os elementos que só o juiz saberá avaliar para lhe impor a prisão preventiva como medida de coacção. Às vezes, não sei bem em que mundo as pessoas querem viver.

24 novembro, 2014

Tenham vergonha!



JOÃO LUÍS BARRETO GUIMARÃES
Vivemos tempos sem grandeza nenhuma. Quem julgava que, com a chegada da troika, os políticos portugueses - e esse imenso rol de responsáveis e dirigentes da coisa pública - iriam ter vergonha na cara enganou-se redondamente. Ainda as cadeiras não arrefeceram com a saída daqueles senhores, já os suspeitos do costume - leia-se, os descarados - levando à letra a máxima de Luís XIV "L"Etat c"est moi", fizeram jus à posição privilegiada que lhes foi confiada e, tomando despotismo por desportismo, meteram ao bolso o que pertencia ao Estado, sem qualquer escrúpulo ou pudor, recriando-se no nobre exercício da ganância.
Uma pândega. Um autêntico deboche. Essa coisa de aldrabar deve-lhes estar mesmo na massa do sangue. Não sei se ficam deslumbrados com o poder, se entontecem ao cheirar tanto dinheiro, o certo é que muitos já devem aceitar este tipo de cargos com o único objectivo de usurpar. São génios mefistofélicos que julgam que a máxima de Descartes "Cogito ergo sum" significa qualquer coisa como "Coage e ergue a soma" e vai de levarem a mão à dita, com a maior desfaçatez.
Mas, também, se formos a ver bem, que formação moral, académica ou profissional é que a maioria destes flibusteiros teve? Que provas é que já deram na sociedade civil? Que chá é que esses meninos beberam em pequenos? Uns, genericamente, nunca terminaram os cursos que dizem que tiraram (ou acabaram à pressa a um domingo, ou inventaram licenciaturas); outros, são produto desses verdadeiros lupanares chamados juventudes partidárias (autênticas escolas de primícias, quais banhos públicos romanos, lugares de prazer e boato) e nunca trabalharam em mais lado nenhum do que a empresa de um qualquer sacripanta do partido, onde foram admitidos com o boçal curriculum de "amiguismo"; finalmente, há os nefelibatas esforçados que rapidamente caem na chusma e, ou se tornam bandoleiros como tantos, ou são levados a desistir, por uma questão de honestidade. A política é uma perfídia que realmente não se recomenda.
Não deve haver nenhuma outra classe profissional que preste contas da sua incompetência apenas de quatro em quatro anos. Todas as restantes - professores, juízes, médicos, engenheiros, jornalistas, enfermeiros, funcionários públicos (e privados) em geral, de uma maneira ou de outra vão sendo avaliadas mais amiúde e têm sido (à vez, porque o truque reside, precisamente, em dividir para reinar), apoucadas, enxovalhadas e exploradas por uma classe política que, deliberando num parlamento com mais clareiras do que a alopecia de Diogo Feio, se dá ao luxo de exigir às outras classes o que não exige de si própria: exclusividade de funções e honestidade de meios.
A recente tentativa de repor o subsídio vitalício aos políticos, por exemplo, quando há portugueses a passar fome, é escandalosa! Se há dinheiro para repor, disse o bispo do Porto, "que se comece por quem tem menos". Como era óbvio! À maneira dos protestantes - que dispensavam os santos como intermediários dirigindo-se directamente a Deus -, está na altura dos cidadãos dispensarem estas alimárias e decidirem em conjunto, como em Espanha com o "Podemos", movimento criado pela sociedade civil. Ou como no Porto, por exemplo, com Rui Moreira, para grande sorte a nossa.
O problema de Portugal é um problema de gestão. Temos sido muito mal geridos por quem só se preocupa em gerir o seu próprio bolso. O Bloco central vai-se cevando, à vez, como uma Entente de inimigos aliados preocupada em manter a classe média anestesiada, para que não consiga parar, reflectir, ganhar forças e intervir, e se vá iludindo com a mediocridade para que o esquema da alternância se perpetue e os cidadãos se limitem a existir, como escravos legais, sujeitos ao ágio do capital, a quem os políticos lambem as botas porque esperam, um dia, vir a mamar daí.
A classe política, genericamente, cheira mal, está podre e fora de prazo. O neoliberalismo matou Morfeu, o deus dos sonhos, e a mão invisível destruiu a alegria de viver dos cidadãos. Alguma coisa tem de mudar a sério na política portuguesa, e esse papel cabe agora à sociedade civil.
Aos partidos é que já não sobra classe nenhuma. Nem sequer a classe média.

23 novembro, 2014

Sócrates versus media

Não quero parecer político por dizer que a sociedade portuguesa não é a única a sofrer do mal de que sofrem muitas outras sociedades, que é a perda crescente dos valores da ética e do rigor. Longe de mim entrar pelo caminho demagógico do Paulo Portas, que na comissão de inquérito parlamentar ao caso dos vistos dourados, argumentou favoravelmente sobre a temática, alegando que outros países da Europa fazem o mesmo, pensando que dizendo isso não precisava de acrescentar mais nada para credibilizar a resposta. Aliás, um argumento próprio dos povos de países periféricos, salpicado do provincianismo típico dos políticos menores. A realidade é que, quando a Europa adoece, Portugal nunca vende saúde, antes se aproxima do estado de coma. Foi sempre assim, e nada indicia que venha a ser diferente no futuro. 

Sócrates foi detido, todos sabemos. E sabemos também o folclore que à volta da sua prisão  começam a fazer os pasquins do costume, sempre sedentos de novelas sangrentas, onde o esfola anda sempre à frente do mata. Sobre a incompetência de Sócrates, como de Passos Coelho, nunca tive grandes dúvidas, e acho mesmo que ambos fizeram mal demais ao país para merecerem a nossa condescendência. Se um, infelizmente, ainda se mantém no governo, o outro já lá não está, e agora é indiciado como suspeito da prática de vários crimes, o que  para a questão em apreço não importa. Mas, e se fosse um de nós, supondo que não tínhamos cometido qualquer crime, gostaríamos que as coisas fossem tratadas da mesma maneira, com o mesmo folclore? Atenção, não me interpretem mal, não estou a defender Sócrates. Se se apurar aquilo de que é suspeito deve ser condenado exemplarmente. Pessoalmente, tenho as minhas convicções pessoais, mas não as vou revelar aqui porque já há muita gente a fazê-lo publicamente. 

Era apenas nisto que pensava ontem, quando via o programa Eixo do Mal, da SIC, e os comentadores denunciavam com veemência o comportamento dos media pela forma espectacular como comunicaram a notícia.  Este assunto, recordou-me a perseguição movida a Pinto da Costa, e não é o facto de o alvo a abater agora se chamar Sócrates que me faz mudar de opinião sobre o modo como estes casos são geridos pelos vários organismos judiciais que costumam acompanhá-los. Um dos problemas que continua por resolver é sem dúvida o respeito pelo famoso segredo de justiça, e outro, que se prende com o mesmo, é saber quem superintende pela manutenção e pelo cumprimento desse  direito.  Isto, se é que alguém superintende alguma coisa, claro! 

Por outro lado, pergunto-me qual seria o modo e o momento ideal para a divulgação pública deste tipo de notícias, sabendo como sabemos, da lentidão que (a)normalmente acompanham os processos onde constam figuras públicas. Se os media se deviam limitar a aguardar em silêncio o desenrolar das investigações para não as prejudicar - mas ao mesmo tempo possibilitando a sua manipulação - ou se estabelecendo regras temporais e comportamentais entre eles e as instituições policiais e da Justiça. Se essas regras existem, não sei. O que sei é que não funcionam, porque tem de haver alguém no interior do sistema judicial a informar a comunicação social. Sobre isso, parece-me não restar qualquer dúvida.   

O certo, é que esta situação não impede que alguns dados da investigação tenham vindo a público com indícios do foro criminal fundamentados em suspeitas aparentemente verosímeis, levando a opinião pública a tender mais para acreditar prematuramente na condenação que na inocência do suspeito. E isso, goste-se ou não do suspeito, é promover a injustiça antes mesmo de entrar no tribunal.
  

17 novembro, 2014

Paulo Portas é o principal responsável pela vigarice dos vistos gold


Portas, o trauliteiro-mor da corte

Para mim, ideólogo obstinado por sociedades pautadas nos bons costumes, pela justa distribuição da riqueza - mas também por severas punições pessoais e políticas a violadores da Lei -, as offshores deviam de ser, pura e simplesmente banidas, em todo o mundo.     Quanto mais não seja, pela indecorosa demagogia que promovem, com a implícita desautorização dos Estados que as toleram. Podem engendrar os argumentos que quiserem, por mais sofisticados que eles sejam, os paraísos fiscais são a negação absoluta da dignidade de todos os sistemas institucionais e co-responsáveis pela degradação moral e cívica de qualquer sociedade. A tese da criação de postos de trabalho não passa de um cínico engôdo para branquear dinheiro sujo muito típica de certas classes pseudo liberais...

Essa, obviamente, não é a opinião de Paulo Portas - um tipo que nem para motorista me servia - a quem alguns portugueses acharam muita piada, a ponto de o guindarem para a cadeira do poder... Foi ele e o recém demitido Miguel Macedo (parabéns pela demissão) quem abandalhou as regras de acesso aos famosos vistos dourados, aligeirando as obrigações das candidaturas através  de uma habilidosa portaria [1161-A/2013], a pretexto de uma suposta maior competitividade relativamente a outros países concorrentes...

Antes de Portas, só podia candidatar-se ao visto dourado quem transferisse um milhão de euros, ou mais (em capitais),  quem criasse 30 postos de trabalho, ou comprasse bens imóveis no valor de 500 mil euros, e era obrigado a permanecer em Portugal 30 dias no primeiro ano, e 60 dias no ano seguinte. Com o "tolerante" Paulo Portas, estes períodos de permanência obrigatória passaram para 7 dias no 1º.ano e 14 no seguinte, e o número de postos de trabalho a gerar pelos "investidores" passou para uns fantásticos 10! Brilhante decisão! É de estadista mesmo! Portas transforma em ouro tudo em que toca...

Mais comentários, para quê?


Os números dizem tudo sobre o fomento de emprego: 

do total de 1775 vistos concedidos, foram aplicados:
                  1681 para compra de imóveis (que grande negócio!)
                      91 para transferência de capitais
                       3 para criação de empresas 
                       (importa agora saber, que tipo de  empresas, quantos empregados e com que salários)

16 novembro, 2014

Labirinto ou pântano?

José Mendes
Justiça e Administração Interna são os esteios do Estado de direito. Quando tudo o  mais falha  ou funciona mal, ao cidadão  comum  resta sempre  a segurança do valor  matricial  da sua  condição  de membro  de uma sociedade organizada. Aqueles  que controlam as  fronteiras da  terra pátria, que  registam  quem somos e  que  atestam o nosso  direito à propriedade privada  terão, necessariamente, de estar acima de quaisquer suspeitas.
O triste espetáculo dos vistos dourados parece ter posto estas premissas em causa. A Operação Labirinto é mais um episódio de um Estado que, para além de omnipresente, se transformou num pântano.
Aquilo que parecia uma boa ideia acabou por se transformar em (mais um) pesadelo. Captar investimento através da concessão do título de residente a cidadãos de países estrangeiros é uma variante das políticas de IDE (Investimento Direto Estrangeiro) que muitos países adotaram, sobretudo no contexto de abertura e globalização que se constituiu como paradigma do Mundo moderno. Paulo Portas, o vice-primeiro-ministro e autor da ideia, teve o seu mérito no lançamento da iniciativa. Contudo, o problema das grandes oportunidades é a sua operacionalização. E aí o Governo português falhou em toda a linha.
Não será novidade para ninguém que o Mundo está cheio de malfeitores e de dinheiro ilícito. Uns e outros procuram pouso seguro, leia-se enquadramento legal e administrativo que lhes permita existirem formalmente e sem riscos. Os destinos habituais destes "clientes" são offshores permissivos ou estados protodemocráticos que valorizam mais o cifrão do que o princípio. Neste quadro, o lançamento de um programa de vistos dourados capta de imediato a atenção de gente pouco recomendável, razão pela qual se impõe a criação de mecanismos de pré-avaliação, decisão e monitorização à prova de bala.
A experiência de programas similares em países do mundo desenvolvido varia entre uma maior permissividade de Espanha ou Grécia e um extremo rigor do Reino Unido ou dos Estados Unidos. Sabe-se que a concentração de gente e dinheiro problemáticos no Sul de Espanha, para dar apenas um exemplo, suscita preocupações que deveriam ter sido consideradas quando se avançou para o programa dos vistos dourados em Portugal. A medida não podia ter sido implementada sem que antes fossem operacionalizados os mecanismos necessários para prevenir um assalto como o que se terá eventualmente verificado. E jamais poderiam ser atribuídos vistos de residência com este enquadramento colocando tanto poder nas mãos de um par de pessoas. Este tipo de decisões são, por natureza, colegiais, justamente para impedir a instrumentalização de um agente público que se deixe seduzir pelo dinheiro fácil.
Uma simples monitorização do programa teria sido indício suficiente de que o mesmo se havia convertido numa porta aberta para a compra de vistos, sem intuito de materializar investimento reprodutivo. Com efeito, desde 2012, foram atribuídos 1775 vistos dourados, sobretudo a cidadãos chineses, sendo que apenas 91 corresponderam à transferência de capital e, imagine-se, só três vistos visaram a criação de emprego. Tudo o resto foi compra de imóveis, ao valor mínimo (sabe-se agora, frequentemente manipulado) de 500 mil euros. Ora, salvo melhor opinião, investimento significa a aplicação de capital em meios de produção, visando o aumento da capacidade produtiva e do emprego. Mas aquilo que aconteceu com o programa de vistos dourados português foi a troca de uma transação comercial de consumo por um direito de residência. Com a agravante de que este direito vendido pelas autoridades portuguesas não é integralmente nosso, já que habilita os compradores a circular sem restrições no espaço Schengen.
A Operação Labirinto, que pôs a descoberto uma alegada rede de interesses e favores apoiada em figuras cimeiras da administração pública, revela duas realidades. A primeira é que continuamos a ter políticos trauliteiros e impreparados, que apostam mais na foto e no soundbite do que no trabalho de casa que é necessário desenvolver para que o Estado cumpra a sua função de facilitador, regulador e fiscalizador. A segunda é a certeza (absoluta) de que continua a existir um Portugal corrupto, onde interesses privados e públicos se entrecruzam de forma ilegítima em praticamente tudo o que importa neste país. Um pântano destes começa a pedir uma revolução.
(do JN)

11 novembro, 2014

Líderes do Porto de costas voltadas é dar tiro nos pés, e na região

O respeito é um sentimento que muito prezo e que procuro seguir na minha vida quotidiana no relacionamento com os outros, particularmente com desconhecidos, porque também gosto de ser respeitado, e porque parto sempre do princípio que, até prova em contrário, todas as pessoas são respeitáveis. Sou assim, e faço questão de continuar por esse caminho. Pontualmente acontece cruzarmo-nos com certo tipo de pessoas cujas reacções nos levam a pensar que não sabem bem o que isso é, porque parecem confundir atitudes gentis e de boa educação, com subserviência, interiorizando estupidamente que lhes é devido um respeito especial. Isto passa-se nos transportes públicos, na rua, em quase todo o lado, mas nota-se com mais evidência quando circulamos nas nossas viaturas e atenciosamente cedemos a passagem a tipos que circulam em carros majestosos todo-o-terreno e similares, e eles nem sequer se dignam agradecer.

Tais comportamentos exercem em nós um efeito de dominó negativo que logo nos leva a arrependermo-nos de termos sido educados... Portanto, é importante não confundir comportamentos. Sou pela boa educação e pelo respeito, mas fecho as portas das boas maneiras a todos os arrogantes mal educados que se me atravessem pelo caminho convencidos que os sinais exteriores de riqueza lhes conferem qualquer ascendente sobre os outros. Nesses momentos gostava de ter tempo para lhes tirar uma foto para depois as exibir num local público com estas palavras: atenção, este carro é caro, mas o gajo que o conduz é uma grande besta! Portanto, aqui está uma explicação resumida também para o desprezo e para a negação de respeito, relativamente a certas figuras públicas que tomaram conta do país e que não me furto a identificar. 

Aqui chegado, pouco me resta para contar sobre o meu estado de espírito e o que sinto sobre o clima irrespirável que infesta o futebol português... Se as instituições do Estado já bateram todas no fundo, se a Justiça é a vergonha que sabemos, se a Educação deseduca e promove a emigração, se a Economia está de rastos e a Saúde deporta os seus clínicos, se o país está falido e hipotecado à banca internacional, enfim, se os governantes não governam e se o Presidente da República não preside, apenas se preocupa com a pose e consigo próprio, como podem funcionar as instituições desportivas? Um desastre, claro! Uma miséria! Uma vergonha, um autêntico antro de prostituição desportiva!

Sei que não estou a dar nenhuma novidade. Mas nós, portuenses, o que fazemos? O nosso clube o que faz? Onde está aquele homem temerário chamado Pinto da Costa, que nada deixava passar-lhe ao lado se soubesse, ou suspeitasse, que estavam a tentar prejudicar o FCPorto? Porque é que em vez de apontar baterias a Rui Moreira, seu conterrâneo e portista, por escrever no Correio da Manhã, não aponta para alvos mais pragmáticos? Eu também discordo, nem acho que Rui Moreira ganhe grande coisa por escrever nesse pasquim (só perde), mas se Pinto da Costa quer provar com isso que é mais criterioso que ele quanto aos orgãos de comunicação social que elege para falar, então não entendo por que é que foi à RTP (e à SIC) já depois do muito mal que lhe fizeram a ele próprio (Apito Dourado) e continuam a fazer ao FCPorto. Se o critica por isso, Moreira também o pode criticar por ter escancarado as portas do Porto Canal a gente que vimos ainda há bem pouco tempo falar tão mal dele, como os Malheiros, os Salas e as Maias feiticeiras, e outros do género...  Tão pouco aprovo que Rui Moreira tenha deixado o lugar que ocupava no Dragão, e ainda menos a história infeliz do portista e do portuense. Ambos, estão a agir mal e voltados para o lado errado do problema, ambos estão a promover uma guerra patética que não serve a ninguém, excepto os centralistas. Convenhamos, há que recuperar o bom senso. Entendam-se, cavalheiros!

Sempre admirei Pinto da Costa e o defendi, talvez no pior momento da sua vida, mas também acho uma perda de tempo (e de energia) o sentido que ele está a dar às suas "lutas" e à definição dos seus adversários, precisamente num momento em que todos os portistas mais anseiam por sentir que ele está bem vivo, combativo, que ainda não esmoreceu para se opôr ao centralismo mais feroz e descarado que se instalou no futebol nacional... Tão, ou mais descarado, que o saque do governo de Passos Coelho na bolsa dos portugueses.

10 novembro, 2014

Há, ou não há, liderança no FCPorto?



Desde praticamente as primeiras jornadas da 1ª. Liga que venho alertando a directoria do FCPorto  para a urgência de nomear alguém com respondabilidades que possa corporizar a voz do clube para assuntos relacionados com a nomeação de árbitros para os jogos disputados pelo clube e dos adversários mais competitivos. Esse alguém, devia ser Pinto da Costa, por ainda ser ele o Presidente e também por ter sido ele sempre a dar "o corpo às balas" e a defender o FCPorto quando tal se tornava necessesário. Acontece que, como todos já se aperceberam, nos últimos tempos, Pinto da Costa parece não estar para aí virado, sejam quais forem as razões que lhe assistam.

Contudo, nunca como agora, o FCPorto teve e tem motivos para falar, para denunciar, alto e bom som, a discriminação negativa a que tem sido submetido pelas arbitragens em quase todos os jogos, em flagrante contraste com a protecção e o claro favorecimento promovido ao Benfica. Não me lembro, desde que acompanho o FCPorto (e já são muitos anos), de assistir a uma tão descarada cumplicidade entre os árbitros e o Benfica como agora, e ela sempre existiu, como sabem... Em contrapartida, é neste preciso momento que Pinto da Costa resolve não protestar... Se isto não é estranho, o que será então? 

Pois bem. Se é esta a linha de conduta que a Direcção do FCPorto decidiu escolher para levar até ao fim do campeonato, se não ousa dar um murro na mesa para dizer basta, garanto-vos desde já que o campeão já está decidido, e nem preciso de vos dizer quem é. O FCPorto não será campeão, nem dentro, nem fora do campo.

É claro que, para os nossos adversários, este meu discurso não passa de uma forma enviesada de redireccionar a má prestação da nossa equipa no jogo de ontem com o Estoril, que a culpa devia ser atribuída ao treinador, etc., etc. Mas com a opinião dos nossos adversários directos posso eu bem, porque sei perfeitamente do que a casa deles gasta em termos de integridade e de fair play. Temos provas do que afirmamos, físicas e tecnológicas, não temos embustes nem manipulações dos media seus serviçais, e muito menos a cumplicidade de árbitros de espinha retorcida.

A questão do nosso treinador só a nós respeita, e quanto a isso sabemos muito bem quando lhe devemos reconhecer o mérito ou não, é cá entre nós. Agora, se mesmo com a intermitência da nossa equipa temos apenas 3 pontos de atraso dos vermelhos, em que lugar estaria a FCPorto se não fosse a acção predadora dos árbitros contra o nosso clube e persistentemente favorável, quase servil, a favor deles? No mínimo, teríamos uns 6 pontitos a mais... Isto, mesmo levando em conta os jogos mal conseguidos da nossa equipa.

Resumindo e concluindo: mais que Lopetegui, mais que as prestações oscilantes da equipa, mais do que tudo o resto, a minha preocupação principal é a passividade do FCPorto e da sua estrutura directiva face a estas graves situações. Isso para mim é um verdadeiro caso de estudo.

  

08 novembro, 2014

Porto Canal renova a Direcção de Informação e Programação

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Não sei se o anunciado neste clipping do JN será, uma boa, ou uma má notícia . 

Antes de mais, porque não sei se Ana Guedes terá perfil para a cargo de directora de informação. Sei que enquanto jornalista Ana Guedes tem uma excelente presença e experiência q.b. para desempenhar sem dificuldade o novo cargo, mas isto é tão só uma opinião impressionista. 

Quando a Paulo Ferreira, vou esperar para ver, dado também não poder extrapolar uma opinião cabal sobre os seus dotes de programador e director, apenas baseado no conhecimento dos seus artigos no Jornal de Notícias. 

Mais preocupante para mim é a anunciada dispersão do capital ainda que até aos 45%...É que, se por um lado a busca de accionistas no capital do Porto Canal em empresas nortenhas parece uma ideia interessante e uma maneira de reduzir os custos do investimento, por outro, poderá condicionar a liberdade editorial. Basta perceber o que acontece com o JN, que apesar de ser o único jornal nortenho ainda "vivo", não deixa de obedecer ao que os administradores ditam. 

Por último, gostava de acreditar nas competências de Júlio Magalhães, enquanto Director Geral. Mesmo sabendo que não terá tido as melhores condições para fazer do Porto Canal aquilo que todos esperávamos e de fazer algumas cedências ao centralismo, acho que podia e devia ter feito muito mais. Até porque, alguns dos erros da sua gestão foram demasiado básicos para merecerem atenuantes. 


  

05 novembro, 2014

Da porca da política, mais do mesmo

Não dispondo de momento de tempo para mais, relevo apenas essa coisa "inusitada" nos políticos, neste caso António Costa do PS, mas que podia ser de qualquer outro partido, que é falar da regionalização ou de qualquer coisa parecida com isso (o que é preciso é sugerir), com a aproximação das eleições parlamentares. O oportunismo é tão previsível quanto descarado, mas eles, como políticos de pocilga que gostam de ser, não se importam, porque nas suas cabecinhas geniais, já interiorizaram que é assim que é, o que equivale a dizer que olham para os eleitores como quem olha para um grande rebalho de cordeiros. Mesmo que tenham razão, porque de facto os portugueses levam muito tempo a encarar a realidade, não deixa de ser uma sacanice, um sinal claro de falta de respeito pelo povo.

Os portugueses continuam sem perceber que o problema da nossa democracia (e volto a dizer-vos que sempre que exprimo esta palavra me soa a falso) não se resolve com a criação de novos partidos, mas sim com uma maior responsabilização pessoal e política de quem os representa, principalmente quando estão no poder. Senão, tirem as dúvidas na próxima campanha eleitoral e vejam se há algum partido a propor algo semelhante de forma verdadeiramente comprometida.

Off topic:
Quero ver logo à noite no S. Mamés, um FCPorto pressionante de início, começando logo na linha da frente e a terminar no guarda-redes. Tenho algumas dúvidas que isso venha a acontecer, porque me parece não ser muito do gosto de Lopetegui. Para mim, ao contrário da rotatividade e das quaresmices lisbonárias, o problema do FCPorto desta época reside só aí.

01 novembro, 2014

O espetáculo deprimente da Justiça

Paula Ferreira
São apontados como responsáveis pelo crash que deixou 44 dias os tribunais portugueses moribundos: um especialista em Ciência Política, outro em Marketing. Paula Teixeira da Cruz encontrou os rostos que, parece acreditar a ministra da Justiça, diminuem a sua responsabilidade política. As notícias vindas agora a público devem dar que pensar. O Estado, esse pequeno monstro que para tudo pede pareceres, cria grupos de trabalho e comissões pagas a preços de ouro - dizem até ser essa uma das explicações por que a despesa pública não emagrece - entregou a um indivíduo, que entrou na PJ como segurança e, em dois anos, ascendeu à direção do Departamento de Arquitetura de Sistemas do Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça, a gestão do sistema informático do Ministério da Justiça.











Bem pode Paula Teixeira da Cruz usar a velha fórmula de pedir que a Justiça investigue e daí lavar as mãos. Antes disso, a senhora ministra deve uma explicação ao país, aos cidadãos. Esta novela leva já episódios em demasia e cada um mais deprimente que o anterior.
Deixem a Justiça investigar. Se de facto houve sabotagem, como Paula Teixeira da Cruz deu a entender, é muito grave. Todavia, antes de a Justiça chegar a alguma conclusão, a ministra, ou alguém por ela, tratou de crucificar várias vítimas. A Procuradoria-Geral da República há de chegar a alguma conclusão - no limite, arquiva o caso. As responsabilidades políticas são outra coisa: nesse campo, esta ministra não tem tido limites para as chutar para canto.
No mesmo dia em que os rostos do colapso do Ministério da Justiça foram conhecidos, o JN relata mais um episódio de um outro crash. Nas escolas portuguesas, há alunos ainda sem aulas: há professores colocados de manhã e descolocados ao final da tarde.
Nádia Bastos, docente do primeiro ciclo, recebeu um e-mail a colocá-la no agrupamento de escolas de Carnide. A viver em Ermesinde, no concelho de Valongo, preparava-se para mudar para Lisboa com as duas filhas de três e cinco anos. Mulher prevenida, decidiu ligar primeiro para a escola. Poupou a viagem: pois a vaga já estava preenchida. A confirmação chegou mais tarde, novamente por e-mail, com um pedido de desculpa da Direção-Geral da Administração Escolar para que desconsiderasse o mail anterior. Era um erro informático.
É caso para perguntar quem serão os técnicos informáticos contratados pelo Ministério da Educação. Se o Ministério da Justiça escolheu um antigo segurança, licenciado em Ciência Política, e um especialista em marketing, sem qualquer formação em Informática, que razões teria o Ministério de Nuno Crato para não fazer o mesmo?                                                                                                                    
(do JN)


29 outubro, 2014

Uma gala sem sal nem pimenta. Chôcha!


Espero não surpreender ninguém se passar a falar menos de política e dos políticos. A paciência tem limites.

Se a política em si mesma nunca gozou de boa reputação, se anda justa e lendariamente associada ao mundo fétido das pocilgas, os políticos, por sua vez, pelo seu comodismo, por falta de brio, ou por mera incompetência, vão continuar naturalmente a ser comparados aos suínos que as habitam. Se não arriscam mais de si mesmos, se não querem comprometer-se a sério com os cidadãos além de verbalizar processos de intenções, que prometer para convencer o eleitorado, é porque não se importam muito de continuar a viver sob o estigma do curral. Nesse caso, por mim, podem esperar sentados, jamais lhes darei o meu voto. E podem à vontade tornar o voto obrigatório, que a minha decisão está tomada.  

Não é por acaso que os cidadãos tendem a concentrar-se no futebol e a afastar-se  da política. Os portistas, por efeito das muitas alegrias causadas pelos sucessos desportivos do clube nos últimos anos, em contra-ponto com o desprezo que os políticos têm lançado ao FCPorto e à cidade, acabaram por canalizar para o clube todas as expectativas, dado já não esperarem nada de positivo dos governantes. Pessoalmente, não perco um segundo a ouvir Passos Coelhos, Cavacos, Sócrates, Barrosos, Constâncios,  e toda a súcia que os rodeia, porque já interiorizei que nada de sério e importante pode sair daquelas bocas. E tenho a certeza que não estou errado. Por isso, prefiro falar do FCPorto.

Assisti a mais uma Gala dos Dragões de Ouro, e não gostei do que vi. Exceptuando a entrega dos troféus aos atletas e colaboradores, acho que em relação a anos anteriores a qualidade do espectáculo piorou. Os humoristas convidados não tinham piada nenhuma, e os cantores (rappers e fadistas) não tinham grande interesse. O único de jeito foi Jorge Palma (eu gosto), mas mesmo ele não esteve brilhante naquele "concentrado" minimalista de canções. A acústica não ajudou, e o público também não.  

Além disso, há efectivamente um aburguesamento instalado na estrutura dirigente do clube (não serão eles que contagiam o público?). Falta alguém - que não é Júlio Magalhães seguramente - que perceba alguma coisa de espectáculos daquela natureza, que transmita mais leveza e naturalidade ao evento. E falta essencialmente público que seja capaz de aportar mais  calor, vivacidade, alegria e espontaneidade ao ambiente. Há demasiado formalismo na entrega dos troféus, e tempos demasiado longos de silêncio. Curiosamente, ou talvez não, sempre o silêncio... 

Por que será que este clima não me espanta? Talvez por ser pública e notória a incapacidade do FCPorto encontrar alguém que perceba realmente de comunicação e saiba organizar eventos de carácter festivo, e não de espectáculos a lembrar outro tipo de cerimónias. Júlio Magalhães é um locutor de televisão, não tem tarimba de criativo. Aliás, nem sei porque foi ele o apresentador da cerimónia quando tinha no Porto Canal gente mais habilitada para a tarefa (mulheres, sobretudo!).

Sobre organização, no ambito do clube propriamente dito, o FCPorto dá cartas. Na comunicação, ainda não. E faz muita falta.

PS-Esqueci-me de citar a gafe mais grave em termos de televisão: a falta de pontualidade. O início do espectáculo propriamente dito estava anunciado para as 21H30, começou perto das 22H00. No Porto Canal isto é recorrente.