04 março, 2015

Um 1º. Ministro com Ministérios (Finanças) que não se lembra para que servem

Resultado de imagem para Um passos Coelho desmemoriado
Num regime de Democracia a sério, em que os eleitores se sentissem respeitados pelas instituições do Estado e por quem as representa, podíamos neste momento dizer, com alívio, que já não tínhamos de aturar o actual Governo por muito mais tempo. Se tudo correr dentro da normalidade, entre Setembro e Outubro deste ano, teremos eleições para as legislativas, portanto, a possibilidade teórica de eleger outros protagonistas para cuidar do país e nos livrarmos desta clã de incompetentes que ocupou, sem para tal estar qualificada, lugares destinados a gente de outro estatuto. Era uma possibilidade, mas pouco provável. O PS vai partilhar a derrota eleitoral com a coligação PSD/CDS, mas receio que ainda assim o actual Governo se aguente. Há muitos partidos novos e velhos na oposição, sem argumentação à vista para governar, sem capacidade para se unirem numa forte e ambiciosa frente comum . Divididos, nunca serão obstáculos aos partidos do governo. 

A principal dificuldade para demover essa gente do poder, é que o regime em que vivemos, nem é sério, nem democrático. A habitual indiferença do povo com as questões de cidadania, a par da ingénua convicção que com o voto se esgota a participação no exercício da democracia, não tem ajudado o país a avançar. Por outro lado, os políticos também nada têm feito para convencer o povo que há algo mais para refinar a Democracia que votar, e isso explica quase tudo.

Os partidos da oposição mais antigos, defendem-se, alegando que cabe aos eleitores a escolha, que se não votamos neles é porque não queremos. Falso. São eles que estão acomodados à condição de opositores, e não fazem tudo o que deviam para persuadirem o eleitorado que têm capacidade para se tornarem alternativas credíveis aos partidos tradicionais. É desse conformismo que se alimentam e defendem, os partidos do chamado arco da governação. Oportunistas como são, logo se aproveitam para ridicularizar os pequenos partidos, enfatizando a sua baixa percentagem nos resultados eleitorais puxando para si os galões da credibilidade para governar. Naturalmente, que nesse percurso de ruptura com o passado, os partidos recém formados mais dificuldades vão encontrar, porque nenhum beneficia de um líder suficientemente carismático que possa  convencer os eleitores mais atentos e exigentes.

Assim sendo, apesar de termos um ex-governante detido, a contas com a Justiça, apesar da má governação de outros governos, e de contarmos actualmente com um Primeiro Ministro que desconhece as suas próprias obrigações sociais e fiscais, será conveniente nos prepararmos para a possibilidade de vermos Passos Coelho ganhar as próximas eleições e continuar a desarrumar as nossas vidas lá mais para o fim do ano.

Como nada aponta para que os critérios de pré e pós-avaliação das novas candidaturas se altere, vamos continuar como sempre a "comer" o que nos colocarem no prato, sem sabermos nada, ou quase nada, das suas competências e cadastros. Nem mesmo assim teremos forma de passar a exigir-lhes pactos de compromisso e responsabilidade pessoal, que era por isso que devíamos lutar.

Para aqueles que como Passos Coelho não fazem ideia do que seja o sentido de Estado (ele não faz mesmo), talvez não fosse disparatado aditar uma clausula especial à Constituição, lembrando que a Lei, não é para esquecer, é para cumprir.

Ah, e já agora, a Constituição é para ser lida, e se não fôr pedir muito, também para não esquecer...


02 março, 2015

Última vítima de Pandemia Alzheimer


O  Exmo. e Honorabilíssimo, Dr. Passos Coelho, anda em maré de azar. 

Depois  dos  primeiros sinais  da maldita  doença, em  Setembro passado, que  o fez esquecer-se  de declarar ao Fisco  os valores que recebeu da Tecnoforma quando deputado, o "nosso" mode-lar, exemplar, Primeiro Ministro teve uma recidiva. 


Soube-se agora que se esqueceu de descontar para a Segurança Social, mais ou menos no mesmo período em que se esqueceu do IRS, o que agrava o seu quadro clínico.

Dramático, sem dúvida. Os portugueses estão a perder os seus cérebros mais destacados, desde  a banca à política.

É o nosso fado. 

27 fevereiro, 2015

Pandemia de Alzheimer exclusiva a "sobredotados"



Resultado de imagem para governador do banco de portugal
Carlos Costa (Gov.Banco de Portugal)
Resultado de imagem para imagens de zeinal bava, ricardo espírito santo,
Ricardo Espírito Santo 
Resultado de imagem para imagens de zeinal bava, ricardo espírito santo,
Zeinal Bava
Henrique Granadeiro
Resultado de imagem para imagens de zeinal bava, ricardo espírito santo,
José Maria Ricciardi


“PROJETO DAS 100.000 ÁRVORES” JÁ ATINGIU QUASE METADE DO OBJETIVO


Mais de 45.000 árvores foram já plantadas na Área Metropolitana do Porto (AMP) no âmbito da iniciativa “Futuro – projeto das 100.000 árvores”.


Projeto das 100.000 árvores na AMP, que arrancou em 2011 e se prolonga até 2016, é promovido pela Universidade Católica Portuguesa e pela AMP, sendo cofinanciada no âmbito do QREN.
O projeto conta com o envolvimento de 37 instituições, mais de 6.500 participações voluntárias individuais e mais de 17.500 horas de voluntariado, tendo como grande objetivo “criar bosques com espécies autóctones numa área metropolitana que precisa de enriquecer a sua biodiversidade, diversificar e qualificar a paisagem”.
“Aumentar a competitividade da região, sequestrar carbono, melhorar a qualidade do ar, proteger os seus solos e contribuir para uma melhor qualidade de vida das pessoas” são outros objetivos desta iniciativa, que decorre nos 17 municípios da AMP.
[Fonte: Porto24]





26 fevereiro, 2015

Segredo de Justiça, mal-me-quer, bem-me-quer...

Resultado de imagem para Procuradora Geral da República e Bastonária dos Advogados
ELINA FRAGA
Resultado de imagem para Procuradora Geral da República e Bastonária dos Advogados
JOANA MARQUES VIDAL













Como bem disse o sociólogo Dr. Boaventura Sousa Santos [ver aqui], a eterna polémica em torno do segredo de justiça já podia estar resolvida se houvesse vontade política. Todos parecem perturbados com a violação do segredo de justiça, mas quando se trata de arregaçar as mangas para o estancar, a coisa muda de figura.

Quem comigo priva,  sabe que é mais ou menos a solução usada na Holanda que defendo, e que devia aplicar-se em Portugal para acabar com este mal há muito instalado nos meandros da investigação criminal e nos organismos da justiça. Mas, como disse, os políticos quando lhes interessa tornam difícil o que pode ser simples. Este, é mais um daqueles temas que define a verdadeira génese da nossa classe política. Grupos diferentes de gananciosos escudados atrás dum símbolo político-partidário com uma coisa em comum: trepar na vida, através do poder que só a política permite, com a vantagem de transmitirem a ideia que se trata de  serviço público. À partida, não há melhor álibi do que este, para quem ambiciona enveredar pela marginalidade, sem arriscar levantar as suspeitas de um  delinquente vulgar.

Depois, assistimos a uma coisa muito portuguesa que é não conseguirmos ultrapassar as nossas divergências para no sentarmos à mesa e procurar soluções. A Procuradora Geral da República e a Bastonária da Ordem do Advogados têm cada uma as suas razões acerca da violação do segredo de Justiça, e todas elas pertinentes, mas, em vez de dialogarem e procurarem juntas uma estratégia para atacar o problema, não! Preferem esgrimir argumentos pela imprensa, naquele estilo de bairro, muito portuga, "eu sou mais importante que tu", destruindo à partida qualquer hipótese de colaboração positiva.

Por outro lado, apesar de minoritários, os partidos da oposição não mostram arte, nem engenho, para cavalgar estas onda de oportunidade política em proveito próprio, batendo o pé, persistindo, forçando a barra contra os partidos do arco da governação, no sentido de os responsabilizar pelo insucesso das negociações que sobre esta temática fossem colocadas na mesa.  As minorias estão sempre em desvantagem, é certo, mas nem sempre se dispõem a investir tudo naquilo que lhes podia dar votos. E esta questão do segredo de justiça podia ser uma dessas oportunidades.


Cartune inteligente

25 fevereiro, 2015

O brilho da ética alfacinha, versus Portugal dos pequeninos

Clicar sobre a imagem para ampliar


É incontornável, e (para mim) impossível de dissociar, a indecência instalada no futebol português, da mediocridade de um grupo de garotos que no Terreiro do Paço queimam o tempo a brincar aos governantes.  A fazer coro com esta mediocridade temos um cavaco a imitar (mal) um presidente da República.

Mas descansem. Quando, ou se, acontecer uma desgraça a valer, com mortos e feridos num qualquer campo de futebol, veremos estes palhaços [agora alheados do que está a passar],  com aquele ar hipócrita que os caracteriza, a carpir mágoas de crocodilo,  exalando um hálito tão tóxico, tão tóxico, que, com um bocadinho de sorte, e um sôpro de justiça divina, talvez os faça morrer do próprio veneno. 

Amen!

24 fevereiro, 2015

Ser árbitro não é ser arbitrário


Ponto um: constatada que está a abdicação de Pinto da Costa da defesa do FCPorto, clube do qual é o mais alto responsável, quero antecipar ao que a seguir direi que, se assim mesmo o FCPorto conseguir ganhar o campeonato, ou um simples troféu que seja, os meus elogios serão exclusivamente dedicados ao treinador, Julen Lopetegui, equipa técnica, e jogadores. Pela primeira vez em muitos anos - e com grande desgosto meu -, não incluirei na lista dos vencedores Jorge Nuno Pinto da Costa. 

Ponto dois. Não querendo ser arauto da desgraça, mas consciente da impunidade que grassa neste país a todos os níveis, com particular despudor nos organismos do futebol, receio que o ambiente submisso instalado na direcção do FCPorto contamine o balneário, contribuindo para a promoção anunciada do Benfica a campeão nacional. Os dados foram lançados desde o início da época, primeiro timidamente, agora às escâncaras e sem aviso prévio. Não havendo a menor reacção do FCPorto, nem uma única explicação para tal comportamento, tudo o que fôr dito a partir de agora por parte da Direcção, é despropositado e inútil. Pelo menos, para mim.

Agora, sobre o jogo de ontem. Dando o benefício da dúvida a uma equipa que tinha disputado há poucos dias um jogo para a Champions, desfalcada de três titutalres, achei ainda assim que a primeira parte do jogo com o Boavista foi demasiado lenta para quem tinha todo o interesse em resolver cedo a questão. Posse de bola sim, mas uma posse de bola igual a tantas outras, sem o resultado esperado, que é transformar a posse de bola em golos. Um problema recorrente nesta equipa de Lopetegui, mas que vai sendo ultrapassado.

Muito jogo lateralizado, muita bola para trás, com o tempo a escoar-se e o empate a manter-se. Simplesmente enervante! É preciso lembrar que o primeiro golo aconteceu a pouco menos de 10 minutos do fim (79'), e o segundo a três minutos do tempo regulamentar (87').  É um risco. Ninguém pode garantir que futuramente tenhamos a sorte de resolver o jogo faltando tão pouco tempo para o fim. Isto, atendendo ao facto de o Boavista (apesar do autocarro) não ter propriamente uma equipa ao nível do FCPorto. Não é um colosso europeu. Porque se assim fosse, talvez tivesse sido a equipa adversária a tirar proveito da nossa prestação perdulária.

Uma das facetas que me agradam em Lopetegui, além das suas entrevistas assertivas aos caça-fantasmas da comunicação social, é a precisão com que mexe na equipa.  Não me recordo de o criticar pelas substituições que faz. Normalmente acerta, e é isso que conta. O único senão é o tempo. Ontem, por exemplo, penso que nada se teria perdido se fizesse entrar Tello, Brahimi e Evandro, 10 ou 15 minutos mais cedo para os lugares de Quaresma, Herrera, Hernani (ou mesmo Quintero que continua bipolar). É a minha opinião, claro. Mas ele é que sabe como estão os jogadores. Talvez não imagine é como os adeptos (como eu) sofrem... Como treinador de cadeira que sou, não me inibo de dizer o que vi no jogo de ontem, e em alguns outros. Processos ofensivos pouco audaciosos, demasiada lateralização, lentidão, e deficiente execução na área. Além de Jackson Martinez tem de haver mais gente a "puxar do gatilho" com capacidade para o remate. Aquele último terço ainda patina muito, complica. Gostava de ver estes pormenores transformados em pormaiores. Talvez assim ainda seja possível sonhar com aquilo que Pinto da Costa parece não querer ver realizado: ganhar este Campeonato, apesar dele.

PS- Valerá a pena falar no árbitro? Iria dizer algo que ninguém não saiba?

  

23 fevereiro, 2015

Norte e Galiza juntos

A Junta da Galiza, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte e organizações sindicais de Portugal e Espanha assinaram, na última sexta-feira, um protocolo de cooperação que visa melhorar as condições sociolaborais e de mobilidade dos trabalhadores transfronteiriços.
“Este protocolo (…) basicamente tem 2 grandes objetivos, promover e melhorar a mobilidade de trabalhadores nestas 2 regiões”, explicou o presidente da CCDR-N para quem o acordo reafirma a intenção daquela entidade em “promover o emprego mas em condições de sustentabilidade”.
Emídio Gomes destacou que os envolvidos estão “muito empenhados em aumentar” a mobilidade dos trabalhadores entre as regiões do Norte de Portugal e a Galiza “mas não a qualquer custo”.
“Para nós o trabalho com dignidade é uma condição essencial da sua promoção”, frisou o responsável segundo o qual a assinatura deste protocolo, com o apoio de confederações dos 2 lados, transmite uma mensagem de “mais trabalho dos 2 lados, mais facilidade nesse trabalho, condições rápidas e flexíveis na obtenção de emprego”.
Na prática o protocolo prevê que as partes colaborem “em tudo o que contribua para o aprofundamento do diálogo social e o reforço da cidadania da euro região, nomeadamente no que respeita aos temas que envolvem a melhoria das condições sociolaborais dos trabalhadores transfronteiriços galegos e portugueses, promovendo, em consequência, por solicitação de qualquer das partes, reuniões conjuntas entre os técnicos e dirigentes representantes das entidades”, pode ler-se no documento.
“Não é um processo de fiscalização mas de atuação conjunta”, frisou Emídio Gomes acrescentando que às confederações sindicais caberá observar as condições de trabalho na eurorregião e pressionar quer a CCDR-N quer a Junta da Galiza a “estimular o emprego”.
Também o secretário-geral da UGT, Carlos Silva, assinalou que com este convénio se pretende reforçar o empenhamento das centrais sindicais portuguesas e congéneres espanholas a “verificar no terreno” os direitos dos trabalhadores, quais as suas condições de trabalho” e se “estão em cumprimento das normas gerais do trabalho nos 2 lados da fronteira”.
Já o vice-presidente da Junta de Galiza, Alfonso Rueda, realçou as fronteiras são uma “vantagem” para os trabalhadores transfronteiriços sendo necessário que a qualificação de base seja igual nas duas regiões para os títulos profissionais correspondam às mesmas condições salariais.
No protocolo, válido por tempo indeterminado, as partes acordaram ainda em colaborar para a eliminação de barreiras à mobilidade transfronteiriça, desenvolvendo políticas ativas de emprego e realizar ações de mobilidade transfronteiriça na formação profissional através de trocas de experiências destinadas à aquisição de novos conhecimentos e práticas, à qualificação dos recursos humanos e ao favorecimento da inserção profissional dos jovens na eurorregião.
[do jornal online Porto24]

22 fevereiro, 2015

Senhores associados portistas, não será altura duma Assembleia Geral para saber o que se passa?

Resultado de imagem para assembleia geral fc porto
O Renovar o Porto não foi criado somente a pensar no FCPorto, mas também no FCPorto, como grande instituição a nível nacional e internacional, que é. Como espaço de cidadania livre, aberto e sem garrote temático, tem dedicado a maior parte do tempo à causa da regionalização, o grande tumor do país, principalmente do Norte profundo e da cidade do Porto.

Os tempos que correm não são famosos, e não só para Portugal, como também para a Europa e para o Mundo, o que não é nada animador para quem está a sofrer as consequências dessa situação. Não faltam portanto assuntos para abordar. 

Portugal, e aquele grupo de incompetentes que desonram a arte de governar, continuam a ser o espelho da mediocridade na União Europeia, e cada vez que o 1º.Ministro abre a boca para falar, mais essa mediocridade se revela. Tesos, bajuladores e maus pagadores, em vez de aguardarmos serenamente pelo que vai sair das negociações com a Grécia, preferimos optar pela arrogância, de complexados com a mania da superioridade, de queremos dar lições de bom aluno, posando para a fotografia com o patrão alemão.

E no entanto, basta olhar para o que se passa no futebol sem a camisola vestida, para perceber o alcance da falta de credibilidade das mais altas instituições do país. Acompanhar o futebol, é talvez o modo mais simples para aqueles intelectuais que (inacreditavelmente) ainda não sabem o que é o centralismo e que talvez por essa razão, desprezam a regionalização, para aprenderem alguma coisa. Se não aprenderem com o futebol, nem com as fraudes dos debates televisivos, ridiculamente ditos desportivos, e made in Lisbon, então nunca vão aprender. Esta última referência destina-se em especial aos que olham o futebol como um fenómeno alienante que embrutece e tolhe a noção de cidadania, mas que continuam a ter da regionalização uma visão muito distante, como coisa de provincianos...

Mas, o contrário do que acima escrevi também é verdade.  E agora, vou reportar-me concretamente aos portistas, porque neste momento são sem dúvida aqueles que mais motivos de queixa têm da pouca vergonha instalada nas instituições do futebol português (FPF e LIGA), e que não podem estar à espera que seja o clube a resolver problemas que lhes dizem respeito. Ultimamente é consensual que algo de estranho se passa com Pinto da Costa. O silêncio a que se tem remetido está a servir como combustível para as piores especulações. A mais provável, ainda que lamentável, talvez se possa atribuir a uma rendição do clube ao poder esmagador do centralismo. Negociada, ou não, a rendição, será sempre abdicar de lutar honradamente pelos legítimos direitos do FCPorto a ser tratado com o respeito que lhe é devido.

Se assim fôr, caberá aos adeptos perceberem as suas responsabilidades enquanto cidadãos eleitores e tratarem de lutar nesse sentido para lutarem contra o centralismo. É sempre uma ajuda quando os dirigentes do clube se mostram incapazes de lutar como faziam no passado.

Por último, resta aos associados do FCPorto convocar reuniões especiais em Assembleia no sentido de obter respostas dos dirigentes sobre o que se está a passar. Se não o fizerem em tempo útil, então é porque adoptam a mesma subserviência da Direcção, e perdem o direito de a criticar.     

       

21 fevereiro, 2015

Um enigma chamado Pinto da Costa

Resultado de imagem para Pinto da Costa
O Senhor Enigma

Ainda ontem ficamos agradados com a homenagem que a Casa de Espanha dedicou a Pinto da Costa, mas uma vez mais o presidente portista limitou-se a lançar umas inofensivas bicadas ao rival de Lisboa, sem qualquer objectividade. O que se passa? Que metamorfose é esta que transformou Pinto da Costa numa espécie de corta-fitas do tempo da outra senhora?

Estranha-se mais, sabendo que agora a organização do FCPorto é constituída pela SAD, um grupo de pessoas que podiam muito bem alertá-lo para os prejuízos que a sua nova conduta podem trazer para o bom funcionamento do clube. Que influência, ou grau de amizade, terão Fernando Gomes e Adelino Caldeira para aconselhar o presidente a tomar uma atitude face ao que se está a passar com a pouca vergonha das arbitragens?  Terão alguma influência, e não estão interessados em usá-la, ou será o contrário, sabem o que se está a passar e decidiram unanimamente não reagir?  Com que fim? Estarão todos doidos? Terão todos MEDO? Estarão comprometidos com algo obscuro, ou viverão noutro planeta? Mas, o que é isto?  Que modo é este de mostrar respeito e consideração pelos sócios e a grande massa de adeptos que noutras ocasiões tanto gosta de evocar? Será senilidade, ou soberba?

Sinceramente, já não sei o que dizer. O que sei, é que não foi assim que o FCPorto de Pinto da Costa se desenvolveu e bateu o pé aos clubes de Lisboa que agora tudo corrompem e manipulam na cara de todos.

Não auguro nada de bom para o FCPorto. Veremos no que isto vai dar. 

18 fevereiro, 2015

Carta aberta ao director do Jornal de Notícias



Exmo. Sr. Afonso Camões
Director do Jornal de Notícias
                                                                                                                                  
                                                                                                                                
                                                                                                                                  Porto, 18 de Fevereiro de 2015


É com um sentimento, misto de revolta e ingenuidade, que lhe dirijo esta carta. De revolta, por  verificar há já algum tempo que o Jornal de Notícias, do qual V. Exa. é Director, vem optando por uma política de comunicação de duas caras, ou seja, democrática à semana, e centralista ao sábado e domingo. E de ingenuidade, por recear que da vossa parte haja humildade para reconhecer que o JN está ainda longe de ser o jornal que os nortenhos precisam. Peço-lhe que não veja nisto nada de pessoal, porque não o conheço, mas o que conheço, são as vossas limitações para se imporem no mercado nacional sem o recurso à publicação de edições para o Sul, e outras para o Norte do país.  Mesmo admitindo que tal opção seja determinada pelo mercado (sempre ele), é no mínimo preocupante para o futuro do JN, saber que este jornal sobreviveu durante décadas à humilhação de publicar edições especiais para o Sul, no tempo de Salazar e Caetano, e abdicou dessa liberdade agora, em democracia... O mesmo se aplica ao jornal O Jogo. De mais a mais, quando nenhum jornal de Lisboa  tem esse tipo de "atenções" editoriais com os nortenhos. A Global Notícias, grupo a que esses dois jornais pertencem já tem o Diário de Notícias para cobrir a zona de Lisboa e de todo o país, por que razão só o JN tomou essa opção?

Se lhe disser que o Jornal de Notícias é o único jornal que leio há muitos anos, não pela Net, mas em papel, e pago, e que o faço pela platónica razão de se tratar do único jornal ainda sediado no Porto, corro o risco que interprete isso como uma forma subtil de apelar à sua consideração, como se lhe quisesse pedir um grande favor. A intenção não é essa. Pretendo apenas ser uma pequena luz que ousa intrometer-se num mundo reservado a iluminados [os media] , onde a liberdade, as ideias e o serviço público claudicaram às regras do materialismo, para sugerir um outro caminho. Só isso.

Se continuo a ler o Jornal de Notícias não é, como atrás referi,  pela razão de ainda ser o único diário sediado no Porto, detalhe tanto menos relevante, quanto decisiva e elucidativa  é a constituição do respectivo Conselho de Administração, presidido pelo famoso advogado (beirão) de Lisboa Proença de Carvalho, sem afinidades ao Norte ou, que se saiba, à causa da regionalização, contra a qual espero que o senhor Director  nada tenha a opôr.  

Sou um leitor esquisito, sabe. Rabujento, não alinhado. Uma espécie de ovelha negra no imenso universo de leitores do JN. E foi por ser ovelha negra que suprimi dos meus hábitos de leitura o jornal desportivo O JOGO, já lá vão alguns anos, desde que, num assomo de "notável" altruísmo, a administração de então decidiu publicar uma edição para o Sul, para agradar a essa clientela, notoriamente, abdicando da sua independência para se juntar ao côro dos dois pasquins de Lisboa, facciosos e indiscutivelmente desonestos. Resultado: o jornal O JOGO perdeu leitores, credibilidade e identidade. 

Vale isto para dizer o seguinte, senhor Director: que, não sendo o JN o jornal que pessoalmente ambicionava para o Norte, mas que a nível regional vai satisfazendo [é sempre uma alternativa menor ao desdém da imprensa centralista], continuo assim mesmo a comprá-lo, por conseguinte a contribuir modestamenta para a sua sobrevivência. Mas, já não estou disponível para continuar a pagar 0,40 cêntimos a mais pela revista Notícias Magazine, que sai aos domingos com o jornal, cujo conteúdo habitual é 99,9% de promoção ao que acontece em Lisboa. 

E, antes que pondere replicar (se decidir responder-me) o aqui exposto com o discurso do provincianismo [uma manifestação bairrista e divisionista que só favorece os centralistas”], o que se me oferece dizer é isto: estou-me nas tintas para respostas esteriotipadas, com coesões e nacionalismos velhacos, que em nada me impressionam. Porque foi com essa mesma conversa que muitos regionalistas "assumidos", aniquilaram a regionalização, excluindo os nortenhos da lista cidadãos de direito deste miserável país. E isso, é despudoradamente perceptível nos media da capital. Como tal, não é pelo que se faz no Terreiro do Paço, ou pelo que se diz, que me sinto mais português. Bem pelo contrário, a minha pátria é cada vez mais o Porto e o Norte de Portugal.


Como referi inicialmente, duvido que as minhas inquietações o comovam - não por razões pessoais -, que não as tenho como já expliquei, mas porque sei que as orientações dos media são ditadas por interesses superiores ao interesse público, e o senhor sabe muito bem quais são. Mas como parte integrante desse público, ainda me cabe a mim decidir se devo continuar a comprar o JN ao domingo, durante a semana, ou mesmo nunca. É pouco, mas só depende de mim. E não necessito de apregoar  solidariedade ao Charlie Hebdo para provar que amo a Liberdade.


Com os melhores cumprimentos, 

Rui Valente

Obs.:
Remeti hoje mesmo para o Director do JN, Sr. Afonso Camões, por correio azul,  esta carta. Aguentei quanto a minha paciência o permitiu (e foi muita) a imposição de pagar mais 0,40 cêntimos por uma revista de propaganda a Lisboa que nada me diz, chamada Notícias Magazine, só para ler o jornal que custa um euro... 
Como se trata de um caso de interesse público, principalmente para os regionalistas, entendi publicar esta carta. Se houver resposta do director (o que não é impossível, mas duvido), publicá-la-ei igualmente. Quem não deve, não teme.   



14 fevereiro, 2015

FCPorto. Temos soldados, temos capitão, não temos general

Já tudo foi dito na blogosfera e na imprensa, sobre o jogo de ontem entre o FCPorto e V. Guimarâes. Grande exibição do nosso clube na 1ª.parte, com bom futebol mas pouca produtividade, e um jogo arriscado. de menor pressão na segunda metade, felizmente sem influência no resultado final. De destacar pela positiva  a postura de Lopetegui, quer no aspecto técnico-táctico, quer na reacção inconformista ao comportamento da equipa na 2ª parte prontamente corrigido com a saída de uns jogadores e a entrada de outros que para o caso não interessa agora identificar.

O que me parece importante repetir. se preciso fôr até à exaustão porque poucos parecem interessados em fazê-lo,  é falar da aposta suicida na política de meninos bem comportados encetada pela directoria do FCPorto, mormente do seu presidente. Suicida porque, mais que ninguém,  Pinto da Costa sabe perfeitamente em que país vive.  Portugal,  é conhecido como um país de brandos costumes, mas Pinto da Costa sabe que essa fama não é propriamente elogiosa, nem quer dizer país de bons costumes habituado a privilegiar quem se porta bem. E a prova que assim é, são as arbitragens tendenciosas - não apenas, mas particularmente - deste campeonato, visando favorecer o Benfica e dificultar o mais possível a vida ao FCPorto no sentido de lhe fazer concorrência. Isto, não é maniqueísmo de adepto frustrado, é por demais evidente e passível de provar, como aliás o próprio presidente e respectiva equipa directiva já terão percebido.

Por mais rebuscada que se possa imaginar uma estratégia para justificar o comportamento dos dirigentes portistas [pessoalmente ainda não consegui descobrir uma que seja], ela só faria sentido se pudéssemos descortinar alguma vantagem. Ora, como não consigo descortiná-la, e como pelo contrário, verifico que quem vem tirando vantagens do silêncio do FCPorto é o nosso principal adversário, apesar de jogar mal, só posso descortinar um final feliz para esta história se estivermos à espera, não de um, mas de dois milagres: um, da rendição súbita dos árbitros portugueses à causa da isenção e da seriedade e o outro o despertar tardio de Pinto da Costa para o combate fora do campo. 

Com esta postura de menino bem comportado, tímido, quase submisso, Pinto da Costa [já o disse, mas porque o considero, não me canso de repetir], arrisca-se a perder parte do capital de confiança da massa adepta portista. Ele tem obrigação de saber que a estrada que desce para a obscuridade é mais célere e cruel que a que conduz ao sucesso, por isso receio essa possibilidade. Lopetegui está pouco a pouco a provar que tem qualidades de capitão mas pouco poderá fazer se não puder contar com o apoio dentro e fora do campo do General. 

Esta cultura do medo, ou de algo parecido com isso, está instalada no país, mas custa muito admitir que seja irreversível. No Norte, ela é mais visível e prejudicial, porque tem sido também sem dúvida alguma a região mais discriminada pelos governos e o futebol come por tabela.  Por isso, podia e devia ser a região cívica e politicamente mais combativa. Mas não é. Hoje, os nortenhos poderosos perderam a noção de identidade com as origens e vivem mais preocupados com a globalização dos seus investimentos do que no desenvolvimento das suas terras. Conseguiram um feito inacreditável e paradoxal, que foi provar que os empresários eram mais empreendedores e livres nas suas regiões antes do 25 de Abril, portanto na ditadura, que agora, supostamente num regime democrático. E digo supostamente porque não acho que esta palhaçada em que se transformou a sociedade tenha qualquer semelhança com aquilo que entendo ser uma democracia. Quem reduz a democracia à liberdade de votar, sem se interessar em credibilizá-la, ou é louco ou infantil.

Muito do êxito de Pinto da Costa deveu-se à sua combatividade, ao seu inconformismo com o nacional-benfiquismo, que alguns [como eu] interpretaram, se calhar erradamente, como uma expressão descentralizadora, clubista mas ao mesmo tempo política. Para muitos nortenhos, sobretudo portistas, foi o líder que nunca tiveram na política, depositando nele e na bandeira do FCPorto a representatividade de uma pequena nação.  Mas receio que essa ideia não corresponda à realidade. Se assim fosse, o Porto Canal não era o que é, tinha há muito implantada uma linha editorial bem definida, corajosa, assumidamente regionalista. Os protagonistas teriam de ser seleccionados a dedo, empenhados, criativos e lutadores pela abolição do centralismo. Pura fantasia. O Porto Canal, é um projecto de televisão sem projecto, nem ideias, nem líderes que as tenham. É este o panorama da actualidade do clube, do Porto e da região.

Pensar que o que acabo de escrever é um simples estado de ânimo, é negar a realidade que se desnuda. Sem uma forte contestação popular ao centralismo, e sem um Pinto da Costa regenerado, será muito difícil ao clube competir em circunstâncias iguais com os rivais de Lisboa. É lá que tudo se decide, e é para lá que os governantes do passado e do futuro continuarão a concentrar as prioridades em todas as áreas, inclusivé a desportiva.

Pensar que alguma vez esta situação se alterará por si mesma, é renunciar à mudança, é abdicar do direito a ser tratado como português  e implicitamente aceitar a condição de colonizado. Tudo o resto é história aldrabada. 


12 fevereiro, 2015

Porto sempre

Clicar para ampliar

Museu, piscinas e espaços comerciais do Benfica estão ilegais. E agora Sr. Rui Rio, não há promiscuidade?

Inaugurado em meados de 2013 numa cerimónia que contou com a presença do ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares e do presidente da Câmara de Lisboa, que se referiu a ele como “um equipamento cultural de referência da cidade”, o Museu Benfica Cosme Damião está em situação ilegal. O mesmo acontece com vários outros equipamentos existentes no complexo do Estádio da Luz, incluindo espaços comerciais, piscinas e um pavilhão.
Em causa está o facto de essas construções não cumprirem com aquilo que estava estabelecido no alvará de loteamento que foi emitido pela câmara em 2004. A “alteração da licença de operação de loteamento” que vai permitir a regularização desta situação só foi aprovada em reunião camarária esta quarta-feira, com a oposição do PCP e os votos favoráveis dos restantes eleitos.
De acordo com informações constantes deste processo, estão em situação irregular dois espaços comerciais, um equipamento desportivo, um balneário e duas bilheteiras, bem como o edifício, com uma superfície de pavimento superior a 18 mil m2, que alberga o museu, as piscinas e um pavilhão. O Estádio da Luz é a excepção, sendo a única construção que se encontra licenciada.   
O museu, que foi distinguido com o Prémio Museu Português 2014, atribuído pela Associação Portuguesa de Museologia, abriu as portas em Julho de 2013. Na altura, segundo se diz numa notícia publicada no site da autarquia, António Costa agradeceu ao Sport Lisboa e Benfica aquilo que considerou ser “uma dádiva à cidade” e realçou “o trabalho desenvolvido pela Câmara Municipal no âmbito dos Planos Directores Municipais e nos Planos de Pormenor, para ‘permitir que este museu aqui esteja’”.    
Certo é que só em Abril de 2014 é que a Benfica Estádio, a proprietária do lote em questão, submeteu ao município o “pedido de alteração da licença da operação de loteamento”. Com ele, além da regularização das construções já mencionadas, aquela entidade pretendia obter luz verde do município para fazer um dos edifícios existentes crescer dois pisos e acrescentar um piso a um balneário. Tudo somado está em causa um aumento da superfície de pavimento de mais de 38 mil m2.
“Como é que é possível que se tenha construído aqueles edifícios sem qualquer licenciamento e que a câmara o tenha permitido”, pergunta o vereador Carlos Moura, sublinhando que as obras não foram feitas “secretamente”. “Anos depois apresenta-se uma proposta de resolução, que além disso permite aumentar a construção”, condena o autarca comunista, lembrando que esta questão atravessou “várias gestões camarárias”.
E as críticas não ficam por aqui, já que a proposta aprovada esta quarta-feira prevê também “a submissão à Assembleia Municipal de Lisboa da aceitação da isenção do pagamento da taxa TRIU [Taxa pela realização, manutenção e reforço de infraestruturas urbanísticas] e da compensação urbanística (...) respeitante unicamente ao uso de equipamento e serviços complementares à actividade desportiva, que corresponde a 95% da superfície de pavimento”. A oposição a esta proposta, que segundo disseram ao PÚBLICO vários eleitos envolve um montante de cerca de 1,8 milhões de euros, foi alargada: PSD, PCP, CDS e a vereadora Paula Marques (dos Cidadãos por Lisboa) votaram contra, e o vereador João Afonso (do mesmo movimento) absteve-se.  
“É completamente inaceitável”, diz Carlos Moura. “Os portugueses, os lisboetas não conseguem já aceitar este tipo de tratamento diferenciado”, afirma por sua vez o vereador social-democrata António Prôa, que não hesita em falar num “tratamento de favor” ao Sport Lisboa e Benfica. Também o vereador centrista João Gonçalves Pereira se mostra contra uma isenção de taxas a esse clube, sublinhando que teria a mesma posição para qualquer outro.
Já Paula Marques explica que votou contra por entender que “não é correcto” isentar do pagamento de taxas um clube de futebol, entidade que, frisou, “não é uma associação sem fins lucrativos”. Especialmente, acrescentou, “na situação em que estamos a viver, na situação que o país está a atravessar”.
Tanto a vereadora dos Cidadãos por Lisboa, eleita na lista do PS, como António Prôa e João Gonçalves Pereira frisam que a sua posição poderia ter sido outra se a isenção se aplicasse exclusivamente a equipamentos para a prática desportiva.  
[do Público]

10 fevereiro, 2015

Globalização e mística

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, diz o refrão, e é verdade. Podemos mesmo acrescentar, que não raro os hábitos e as normas comportamentais, também têm de mudar e se adaptar aos novos tempos.

Pensava no FCPorto,  no  presidente, e no seu modo muito peculiar de gerir o clube, quando escrevi o parágrafo anterior. Presumo não espantar ninguém se disser que, tanto o FCPorto, como o modo como o presidente Pinto da Costa vem gerindo o clube nos últimos anos, também mudaram. Ainda está por saber, é se a mudança foi a correcta.

Nem será preciso evocar o tempo em que Pinto da Costa se sentava no banco, ao lado dos jogadores e treinadores, nem recordar as suas intervenções oportunas quando percebia que estavam a prejudicar o clube. O facto, é que a idade sempre pesa, e os tempos mudam efectivamente.  O que não pode nunca mudar no FCPorto, é a ambição de vencer. Mas houve uma condição, sem a qual seria impossível o sucesso de Pinto da Costa, foi a estabilidade que a sua liderança firme e pro-activa conseguiu implantar no clube. Sem querer relacionar estes factos com a realidade actual do FCPorto, e a do próprio presidente, a verdade é que a globalização a par das redes sociais, geraram mudanças de toda a ordem, algumas delas impostas do exterior, mas que não podem passar sem uma adaptação aos novos tempos.

Felizmente que, modo geral, o FCPorto tem tido o mérito e a sorte de contratar atletas de boa formação, de carácter, como costuma dizer-se. Mas, de vez em quando, surgem excepções que já têm trazido alguns dissabores. O mais recente foi o caso do defesa Rolando que, talvez por se convencer possuir um valor de mercado superior ao que na realidade tem, começou a ceder às pressões da imprensa que o davam como certo em vários clubes oferecendo-lhes mundos e fundos, criando problemas à direcção que duraram até há poucos dias e que só terminaram (espero) com a recente transferência para o Anderlecht. Resultado: nem o atleta (por teimosia própria) esteve ao serviço do clube, nem o clube o rentabilizou desportiva e financeiramente.

Jackson Martinez deu recentemente uma entrevista a um jornal do seu país onde dava como certa a sua saída do FCPorto no próximo verão. Segundo consta essas declarações cairam mal na SAD portista, embora já não seja a primeira vez que o faz.

Jackson é um excelente atleta, quase exemplar em campo, e por isso é que foi nomeado (e bem) para capitão da equipa. Mas é também por isso que o colombiano devia saber quando deve ou não falar para a imprensa, e neste contexto, mais uma vez, não soube gerir o silêncio. A globalização tem vantagens mas também inconveniências. Uma, é fazer com que as notícias corram à velocidade da luz, a outra, é poder criar problemas ao próprio jogador e ao clube que lhe paga quando se diz aquilo que não deve.

É aqui que entra o FCPorto e a tal adaptação aos novos tempos de que falei mais acima. Hoje entram mais jogadores estrangeiros que antigamente, a maioria deles de outros continentes, sem grandes conhecimentos sobre a realidade do FCPorto, o que dificulta a sua integração. A SAD portista parece ainda não ter percebido essa realidade, pois ainda não foi capaz de resolver o problema que as redes sociais, a imprensa e os atletas imprudentes podem criar quando ainda estão ao serviço do clube. Para tanto, bastava delegar em alguém da casa, carismático, que soubesse transmitir aos que chegam a famosa mística do jogador à Porto, as dificuldades, as injustiças sofridas, as invejas suscitadas, bem como o tratamento arbitrário dos media, devidamente precedida de uma visita ao museu... Tudo isto me parece possível e fácil de concretizar, basta fazê-lo.

Mas o caso de Jackson deve ser analisado mais pelas consequências do que pelo conteúdo das suas declarações. Afinal de contas todos sabemos que em princípio não continuará no clube na próxima época, mas o problema não é esse, é sim o impacto que a decisão de falar de questões profissionais pode ter no grupo de trabalho, bem como a influência que elas podem gerar nas competições em que participam. É também uma questão de disciplina que não pode ser negligenciada.  O impacto pode ser negativo e a influência de contágio à equipa também. Quem pode garantir que outros jogadores, depois da entrevista de Jackson não se sintam tentados a imitá-lo? Não estamos a falar de futebol amador, falamos de profissionais que só tiveram visibilidade porque o FCPorto os procurou e contratou, e lhes paga muito mais do que os clubes de origem. Depois, há o mais importante: o contrato de trabalho. Contrato que deve ser respeitado até ao último dia do seu término. E respeitar, implica também zelar pelos interesses do clube que lhe paga, não para se recrearem com a bola, mas para atingirem determinados objectivos, obstando que clube e jogador sirvam de alvo para a especulação dos tablóides, pondo em causa as negociações de interesse para ambas as partes. A questão de fundo é esta.

A SAD do FCPorto tem cometido outro erro, talvez dos mais graves, que é ignorar a blogosfera portista. Mais que a presença do público nos jogos, a blogosfera devia ser hoje uma visita de rotina obrigatória para os responsáveis portistas, incluindo para o próprio presidente. Hoje os blogues são o pulsar mais fiável dos adeptos, onde se pode colher o retorno das suas alegrias e preocupações. Nos blogues portistas há gostos para todos, mas uma única corrente a ligá-los, talvez a mais importante: o portismo. Ignorá-los, é tão grave, como grave e hipócrita é o afastamento dos políticos do povo após as eleições. É grave, hipócrita, e igualmente vulgar.  
   

09 fevereiro, 2015

Politólogos futuristas do caos

Tantos debates, tantos comentadores, tantos politólogos, tantos peritos para tudo, e mais alguma coisa, e no entanto o mais importante fica sempre por fazer. 

As reacções à situação da Grécia, de gente como a que acima aludi, sintomaticamente ligada à direita, são tudo menos surpreendentes. Só quem andar distraído e ignorar o que a direita mais soft (PS), e sobretudo a mais despudorada (PSD e CDS) fizeram do país, desde que há eleições livres em Portugal, é que pode levar a sério as suas preocupações. Tecem os cenários mais catastróficos para o futuro da Europa, arvorados em grandes estadistas, em grandes amigos do povo, sem que haja alguém capaz de refrear-lhes a soberba. Tão sábios que são a adivinhar o futuro, quase sempre tenebroso, não há quem lhes recorde o óbvio: as densas trevas do presente, das quais são os primeiros responsáveis. 

Esta, é uma estratégia muito parecida com a da Regionalização. É um perigo para a coesão nacional e um oásis para a corrupção, dizem. Perdão, diziam (com as eleições à porta os ventos regionalistas sopram fortes e "convictos")... Igualmente visionários com o futuro, e igualmente cegos com o presente. O BPN, o BPP, BES,  e o obscuro negócio dos submarinos passa-lhes ao lado. Talvez por ter um cariz centralista, quero crer...





A estes, os outros chamam-lhes populistas. E estes, estarão dispostos a dar-lhes razão?

04 fevereiro, 2015

Não percebo. Nós é que somos os provincianos...

Alguma coisa está errada neste país. Corrijo! Alguma coisa não, tudo está errado neste país! Para aquela gente de Lisboa, nós não passámos de uns provincianos, nós é que temos complexos de inferioridade, eles é que são os cosmopolitas, os centros-mor da cultura avançada...

O curioso é que as notícias relevantes do país estão precisamente no Norte, e no Porto, e estão frequentemente a acontecer, saídas das várias universidades, seus principais berços.

Outro dia, falava-se que uma equipa do Porto tinha vencido um concurso internacional para levar vida a Marte. Hoje, foram notícia três investigadores da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto por venderem à Austrália nova tecnologia para a produção de painéis fotovoltaicos no valor de 5 milhões de euros... 

Não querendo puxar pelo meu "bairrismo" que não refuto e de que me orgulho, a verdade é que não somos nós quem se auto-promove, como acontece com Lisboa pelas razões mais comezinhas, mais ridículas até;  são entidades respeitáveis de outros países que nos reconhecem o valor, que nos honram e respeitam.

Para os nortenhos, é caso para dizer que de Lisboa, nem bons ventos nem bons casamentos...  

03 fevereiro, 2015

Assassinos da Democracia



Não sei se é por nunca terem chegado ao poder, ou se por uma questão de ética política, o certo é que não me lembro de ver alguém ligado a partidos à esquerda do PS [PCP, BE,PEV], que tenha participado em programas de televisão para falar de arbitragens, como fazem a SIC, a TVI e a falsa pública RTP. Se a razão dessa postura é deliberadamente ética, só posso aplaudir.  Se isso bastasse para me convencerem a dar-lhes o meu aval para governar, podem ter a certeza que o faria. Não tenho é culpa que esses partidos não façam mais para persuadirem o eleitorado das suas competências governativas. Ficar no conforto da oposição não é suficiente para chegar ao poder, é preciso persuadir, insistir, apresentando propostas credíveis e uma forte ambição de se constituirem como alternativa ao déjà vu governativo.

Paradoxalmente, ou talvez não,  são os políticos do PSD (Rui Gomes da Silva, Fernando Seara e Guilherme Aguiar, Bagão Félix) que mais se destacam nessa antagónica e desprestigiante actividade de comentador de futebol. Antagónica, porque um político honrado (onde estarão eles?) deve inspirar confiança a todos os cidadãos, de todas as religiões, de todos os clubes e condições sociais. Desprestigiante, porque sob a capa de adepto comum, "igual" a tantos outros, pronto a defender o seu clube, certos políticos deixam transparecer a sua verdadeira índole, de crápulas e fanáticos, dando um péssimo exemplo aos governados. Uns mais contidos que outros, a verdade é que nunca seria capaz de votar para um cargo de responsabilidade pública, por mais modesto que fosse, em nenhum desses comentadores, porque demonstram o que há de mais odioso num ser humano: o fanatismo e o ódio. Rui Gomes da Silva, não está só nessa moldura, mas é talvez o paradigma máximo do que há de pior, quer como político, quer como ser humano. Como se não lhes bastasse liderarem o tabela dos comentadores políticos, invadiram o terreno reservado ao futebol, minando o resto de fair play que ainda restava, influindo normas editoriais de comunicação, na rádio e televisão, e nos próprios jornais desportivos. 

Não sei se haverá outro país onde o descaramento dos políticos tenham ido tão longe como em Portugal, onde se atrevem a desafiar e contestar as preferênciass clubistas dos eleitores, passando anos a mostrarem um profundo desprezo por tudo o que não seja vermelho, dando como garantidos os votos de milhões (seis, dizem eles) num supremo abuso do poder. O que sei, é que programas como os que vemos em Portugal só são possíveis num país centralista e desigual como o nosso. A falta de seriedade e a discriminação são gritantes. 

Esqueçam a Jihad islâmica. Há terrorismo em Portugal? Há! Quem são os terroristas? Todos os que governaram Portugal desgovernando-o, individando-o, ignorando aquilo que todos vêem como se não fosse nada com eles. Se fosse eu a escrever a história homenageava-os numa lápide com estas palavras: aqui jazem os assassinos da democracia portuguesa.