29 abril, 2015

Os descentralistas do Porto sofrido no habitat da corte

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O Juca diz: então digam lá se não nos portamos bem, este ano! Nem
o nosso grande Presidente abriu a boca. Gostam assim, ou também
querem o estádio do Dragão?

Se o futebol fosse a coisa mais importante da minha vida, criava um blogue dedicado exclusivamente ao FCPorto. Já estive para o fazer, mas achei que era redutor, para poder abordar outros temas. Não sendo a coisa mais importante para mim, o futebol é mesmo assim uma das mais importantes, de contrário não escreveria tanto sobre futebol, e quem diz futebol, diz Futebol Clube do Porto. que é o único clube do mundo que me consegue emocionar...O clube verdadeiramente português, ainda quero acreditar...

A decisão de falar do FCPorto não foi apenas estimulada pelo gosto do futebol jogado. Foi também, mas não unicamente. Para esse fim, existe uma série de blogues especializados, onde tudo é esmiuçado ao detalhe, das tácticas às estratégias, sem esquecer o lado negro das arbitragens (que o digam os portistas). A ideia, era que, através do futebol, pudesse catapultar para áreas da vida social mais importantes (como a política, e a cidadania), esse ainda imenso grupo de portistas apaixonados, que por serem apaixonados não percebem que há problemas que não cabe ao FCPorto resolver, mas sim a todos nós, portuenses, portistas, e nortenhos em geral. São problemas da governação nacional, de decisão política. Não percebem, e a avaliar por aquilo que leio, continuam sem perceber, o que significa que a minha mensagem não passou. Demérito meu, admito, mas ninguém me pode acusar de não tentar. 

Confio que interpretem pela positiva o que acabo de afirmar, porque não passa por mim a intenção de insinuar, mas só constatar factos, e os factos falam por si. Não me refiro apenas às pessoas intelectualmente mais condicionadas, pelo contrário, refiro-me também àquelas figuras que sendo públicas e letradas, pouco interesse mostram pela coisa pública (excepto, pela sua própria imagem). Se lerem o início deste texto , do Manuel Serrão, vão compreender onde quero chegar.

Como poderão confirmar na sua crónica de hoje no JN, Manuel Serrão até parece alguém altamente seduzido pela descentralização (de regionalização, é que já ninguém se atreve a falar...), tal como o seu amigo do Porto Canal, Júlio Magalhães, ainda que essa sedução não iniba o primeiro de se deixar insultar nos estúdios da TVI por um médico alcoólatra, num programa onde o "D" de Democracia consiste em humilhar o FCPorto, e o segundo de não abdicar da presença dos amiguinhos de Lisboa no Porto Canal (que o diga a Maria Cerqueira Gomes).

Talvez por mero gesto de gratidão, é que ontem estes dois amigos "portistas" e "regionalistas", foram convidados pela nossa "descentralizada e amiga" RTP, para o programa da tarde do Herman José, onde nem sequer faltou a presença num filme de apanhados do nosso querido *amigo Carlos Daniel, com... o Director do Porto Canal.

São assim mesmo, os novos homens do Norte. Nada provincianos, nada bairristas, nada ressentidos. Os homens do Porto, agora deram nisto: sofridos, mas contidos. O lema destes dois amigos, é:  "quanto mais me bates, mais gosto de ti...". Por este andar, Pinto da Costa ainda vai completar o trio... 

Que mundo este, que ventos tão estranhos varreram o Porto.


* Se pesquisarem bem, o link permite ver o filme onde Júlio Magalhães acompanha (espanto!) o benfiquista de Paredes, Carlos Daniel... Parece uma provocação.
   

27 abril, 2015

Julen Lopetegui, o novo patinho feio da imprensa rasca

JULEN LOPETEGUI

Como  a memória amiúde é curta, mesmo para quem tem à frente do nariz um rol de posts a avivá-la, eu sempre respeitei e admirei o trabalho de Pinto da Costa no FCPorto, enquanto Presidente. Está feito, e não me arrependo de assim ter procedido, porque da minha parte, esses foram reconhecimentos honestos, justos e merecidos, tanto pela competência, como pela resiliência revelada como defensor-mor do grande clube da cidade do Porto. O que mais queria mesmo, era continuar a manter essa admiração por muitos anos, sendo certo que só a manteria se ela fosse merecida, se o presidente do FCPorto conservasse intactas as suas faculdades de líder, de primeiro baluarte do nosso clube. Mas, isso depende mais dele que de terceiros, da sua capacidade para perceber as suas próprias condicionantes físicas e intelectuais, e principalmente da sua capacidade para intuir os anseios do universo portista. Assim, como essa admiração foi ferida pela remissão ao silêncio, só me resta o respeito pelo que Pinto da Costa fez no passado recente.

Como tudo foi correndo bem nestes últimos anos, e porque muitos foram  os anos de sucesso, a tendência natural, foi concentrar em Pinto da Costa os louros do mérito, e secundariamente nas equipas técnicas e jogadores. Até fazia sentido que assim fosse. Pelas razões opostas, já não faz sentido que derive exclusivamente para o treinador, ou para a equipa, a responsabilidade pelos fracassos. Nesta linha de pensamento, tentarei não me contradizer por considerar Julen Lopetegui o menos culpado por tudo o que sucedeu de negativo esta temporada. E não se trata de mera simpatia, trata-se de avaliar a postura de um treinador personalizado, que dentro dos limites da sua função mostrou, fora do campo, mais coragem que aqueles que o deviam fazer e lhe estão acima na escala hierárquica.

Para o bem e para o mal, Lopetegui foi contratado pela SAD portista e Pinto da Costa. Quando chegou ao Porto era um estranho. Decorridas as primeiras jornadas do campeonato, percebia-se que continuava alheado da realidade chamada FCPorto, o que deixava transparecer alguma negligência da parte da estrutura portista em termos de apoio ao treinador na adaptação muito própria  a um clube como o FCPorto.

Como é sabido, esta época deram-se mudanças profundas no modelo de contratações de jogadores. Uns, chegaram emprestados pelos clubes de origem, com clausulas que, não afectando os interesses do FCPorto privilegiam também o retorno à origem, no caso desses jogadores se evidenciarem, o que numa primeira análise, debilita as condições negociais do clube contratante. Outros, como Brahimi, estão com os passes parcialmente detidos por fundos (a Doyen, creio que com 80%). Depois, vêm-me igualmente à memória casos de jogadores como, Óliver, Casimiro e Tello (só para falar destes 3). Curiosamente, todos eles, cedo tiveram momentos brilhantes na Champions League, o que fez com que os seus nomes começassem a surgir na imprensa internacional como potenciais alvos da cobiça de grandes clubes estrangeiros. Ainda mal tinham tido tempo para conhecerem os cantos à casa, e já as suas cabeças eram dominadas pela possibilidade de sair para clubes milionários... Como combater esta praga? Será esta situação compatível com uma entrega integral dos jogadores ao clube? A mim, parece-me difícil, e não deve ser por acaso que a famosa mística do jogador à Porto se viu pouco esta época, sobretudo nos jogos decisivos. Salta à vista a necessidade de acrescer mais qualquer coisa aos antigos paradigmas de ambientação (e contratação) dos novos jogadores, sob pena de para o ano voltarmos a assistir a "fenómenos" semelhantes, ou ainda piores.

Há outra questão relacionada com a anterior, que sustenta a ideia de alguns para ultrapassar estes problemas, que passa pela aposta na formação. É preciso ter em conta a dificuldade em formar jogadores competitivos com capacidade para jogarem na equipa principal, sobretudo portugueses. Por isso, é que eles tem de rodar noutros clubes, e quando o fazem, às vezes não se chegam a afirmar. Aliás, se olharmos para a equipa B, só meia dúzia deles parecem dar garantias de poderem impor-se como séniores, e nem todos são nacionais...

Portanto, para resumir, muito há para fazer no FCPorto na época que vem. Primeiro, será preciso saber que estratégia querem para defender o clube - e não se iludam com essa treta de que é dentro do campo que as coisas se resolvem - porque como se viu esta época, foi mais fora dele que o nosso principal adversário as resolveu -, e quem será designado para essa função. Sim, porque ficou provado (espero), que a estratégia do silêncio só beneficiou os adversários, e só acredita que o silêncio tenha sido uma estratégia quem não souber em que país vive, e quão colonialista se tornou. Segundo: como resolver o problema da aceleração/adaptação ao FCPorto de jogadores estrangeiros. Terceiro: como desenvolver o factor comunicação (dentro e fora do clube), e qual o papel do Porto Canal nesse projecto.

Por todas estas lacunas, e pela forma como deu o corpo às balas pelo clube, sem as subserviências de outros treinadores portugueses, e sem o apoio inequívoco da estrutura directiva em momentos chave, é que esta época endereço totalmente a minha gratidão ao basco Julen Lopetegui. Podia ter feito mais? Talvez, mas Pinto da Costa também.


26 abril, 2015

O canto do cisne do FCPorto, ou de Pinto da Costa?

Escolha o leitor, se é sócio (eu já fui)

Em termos teóricos, não se pode dizer que o FCPorto se tenha despedido hoje do campeonato e com isso o tenha entregue de bandeja ao clube que simboliza o pior que há em Portugal, mas vendo as coisas pelo lado realista, é quase como se  lhe tivesse dito adeus. Neste momento, podia falar do jogo, da segunda parte miserável da arbitragem, dizer que o FCPorto teve mais posse de bola, que jogou mais que o Benfica e que o podia vencer, mas como não ganhou, não vou perder tempo com isso, porque nesta hora de total frustração é irrelevante.

Já o que não é irrelevante - porque a carreira do FCPorto  também foi manchada por motivos ligados às arbitragens -, foi a passividade de Pinto da Costa face a esses mesmos fenómenos, pautada por um silêncio de permissividade que não lhe era habitual, e que nem os próprios adeptos compreendem. Tenho dificuldade em acreditar que Pinto da Costa não se conheça um pouco a si próprio, que não entenda que o seu comportamento já não é o mesmo, que tal como eu, outros portistas o estranhem e que por essa razão, deve uma explicação à massa associativa.

Por muito que os portistas lhe devam pelo que fez no passado, tal não lhe dá o direito de não falar com os adeptos, de optar por uma postura sobranceira e distante com eles, e em contrapartida não abrir a boca para defender o clube de todas as trafulhices que se fizeram por esses  estádios fora, quer para beneficiar o Benfica, quer para prejudicar o FCPorto. Para falar honestamente, não foi só por isso que o FCPorto falhou esta época, houve erros próprios da equipa e do treinador que não devem ser negligenciados. Assim mesmo, se Pinto da Costa tivesse agido no momento certo, como só ele sabia, se tivesse sabido defender o clube quando ele precisou, talvez isso bastasse para ganhar este campeonato.

Resumindo: se fôr para repetir a "gracinha" para a próxima época, Pinto da Costa deve ponderar bem a sua recandidatura. Para mim, é o principal responsável pelo que aconteceu em termos desportivos internos*, porque uma liderança a sério não se contenta com victórias do passado.  

*  Na Champions fomos até onde podíamos, ou até mais longe. Nessa competição, o FCPorto ganhou muito jogos e dinheiro, e chegou aos quartos de final. Isto explica em parte o que atrás disse das arbitragens em Portugal, e também porque o Benfica sem árbitros cobardes não consegue brilhar na Europa. Mas explica também as consequências do que é ter um Pinto da Costa mansinho... 
   

24 abril, 2015

41 anos de Abril por cumprir...


...que se faça outro, com mais justiça.
Os responsáveis são conhecidos. Uns estiveram nos Governos, outros ainda lá estão. Os cravos não foram respeitados, e as balas serão?

22 abril, 2015

Amar o FCPorto

Em certos casos, é justo e faz todo o sentido que alguns portistas se sintam mais portistas que outros. Se falarmos daqueles portistas que nunca baixam a guarda, quando se trata de defender o FCPorto, independentemente do local e da condição em que o fazem, parece-me justo. Nestes casos, merecem ser discriminados pela positiva, comparativamente com aqueles outros que, por cobardia, ou submissão às avenças dos patrocinadores de programas desportivos (que mal soa esta designação), se sujeitam a si mesmos e ao FCPorto aos maiores vexames públicos. Outros há, que se julgam especiais por acharem que nunca devem criticar o clube, ou quem o dirige, seja em que circunstâncias fôr. Compreende-se, se a coisa fôr encarada sob o ponto de vista do adepto apaixonado, mas não lhe acrescenta nada à qualidade de portista. Aliás, como se sabe, a paixão é uma coisa irracional, que se não evoluir para o amor [que é um sentimento bem mais sério e consistente], pode degenerar para o ódio...

Mas amar um clube, é mais difícil de gerir que amar a pessoa que connosco partilha a vida, porque estando próximos, sempre podem [se o quiserem e forem inteligentes], recorrer ao diálogo para esclarecer dúvidas, e eventualmente resolver conflitos. Vale isto por dizer, que numa relação, seja ela de ordem pessoal ou institucional, há sempre um factor preponderante que jamais deve ser negligenciado: a comunicação. 

Assim sendo, não aceito insinuações que relacionem o meu estado de espírito com a derrota de ontem do FCPorto, porque o que eu ando a dizer há muito tempo, e está aqui escrito para quem tiver dúvidas, é que no FCPorto de há uns tempos para cá, falta, entre outras coisas, liderança e uma política de comunicação a valer. Dantes, já o disse, justificava-se a blindagem de determinadas informações, porque o clube não tinha meios para contrapôr às deturpações dos media centralistas e o Presidente sabia como poucos lidar com eles. Agora, o FCPorto dispõe de uma estação de TV, tem tudo para combater a máquina mafiosa da informação do regime e não tem mostrado capacidade para tirar partido desse privilégio. Pelo contrário, o Presidente Pinto da Costa pouco ou nada tem usado o Porto Canal para falar de coisas importantes. Quando fala, agora, é para recordar o passado, ou para não dizer o que os adeptos esperavam. E há muitas coisas para esclarecer.

Em primeiro lugar, saber qual é a nova estratégia para o futebol, tendo em conta as condições do mercado expressas na nova política de contratações, onde o paradigma do recurso ao mercado sul-americano é curto para garantir a compra de jogadores já formados e de qualidade. A contratação de jogadores jovens é uma saída, mas comporta riscos, como se constata agora. O presidente do FCPorto não pode prometer aos adeptos dois objectivos em simultâneo e antagónicos, que é adquirir jogadores jovens, alguns deles emprestados, e esperar que tenham maturidade para competir ao mais alto nível. Os adeptos portistas têm-se revelado generosos e pacientes, apesar do silêncio algo arrogante do presidente que eles tanto admiram, e respeitam. Deviam e mereciam também ser mais respeitados...

Outra coisa que pessoalmente gostava de ouvir do Presidente Pinto da Costa era que dissesse se tem, ou tenciona ter, um projecto para o Porto Canal. Não queremos saber detalhes (o segredo é alma do negócio), mas seria importante explicar os contornos desse projecto, sobretudo os de ordem generalista e regional. E por que não exprimir com frontalidade o que ele próprio pensa do trabalho que está a ser desenvolvido no Porto Canal, também seria interessante, quanto mais não seja para termos uma ideia dos seus objectivos nessa matéria.

Continuando a assobiar para o lado, ignorando quem mais o estima, está a semear uma fonte de instabilidade dentro do clube. Pinto da Costa tem de aparecer "vivo", para falar mais do futuro que do passado, porque essa postura só serve para credibilizar as teses daqueles que o davam "finito" para o futebol. Além do mais, não acredito que o silêncio possa ser o caminho correcto para se transmitir liderança, e ninguém nos pode garantir que tal postura tenha incutido  qualquer espécie de optimismo no comportamento dos jogadores em quase todas as modalidades. Bons resultados não deu, como se comprova agora. Esta época, houve jornadas a mais de ilegalidades e discriminações em jogos do FCPorto que justifique tão estranho silêncio da parte do Presidente portista. É incompreensível, e para mim, confesso, acho mesmo intolerável.

Domingo próximo será o dia derradeiro: ou os jogadores do FCPorto se transcendem e oferecem uma última alegria aos portistas, ou arriscam-se a não ganhar nada este ano. Se tal suceder, se a equipa se deixar afundar, apontarei o dedo em primeiro lugar, e com desgosto, a Pinto da Costa. Não pelo que fez, mas pelo que decidiu não fazer.

     

19 abril, 2015

Força FCPorto! Impossível, não é coisa de portistas!

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Como admirador que sempre fui de Pinto da Costa, esperava conservar para sempre, ou na pior das hipóteses, por mais algum tempo, a mesma admiração, o mesmo respeito pelo líder do FCPorto. Era sinal que podia acreditar com segurança num futuro risonho para o FCPorto. Só que agora, é complicado. Há coisas que me levam a pensar que os tempos mudaram, que vou ter de me adaptar a uma outra realidade e conjugar no passado essas considerações.

Em tempos pouco distantes Pinto da Costa não precisava de falar muito, porque quando falava tinha sempre um objectivo: defender os interesses do FCPorto, "contra tudo e contra todos", era o mote...Só por hipocrisia, medo ou cegueira, é que alguém pode negar a espantosa mudança de estilo e subjectividade do Presidente portista dos últimos anos. É natural, e humano, que por razões sanitárias, ou mesmo de idade, que Pinto da Costa não queira envolver-se como outrora nas golpadas geradas pela inveja centralista, porque desgastam e são perniciosas para a sua saúde. Mas se fôr esse caso, não é razoável nem compreensível que não tenha já delegado alguém da sua confiança para desempenhar essa função. 

Como portista e portuense fervoroso que me prezo de ser, receio que Pinto da Costa não se dê conta das suas limitações físicas e psicológicas, e se agarre ao poder sem a consciência dos malefícios que tal opção pode comportar para o FCPorto. Pessoalmente, estou convencido que esse vazio de liderança, essa inconsciência, se transmite à maioria dos portistas, mas também junto dos atletas, o que de certa maneira explica a intermitência competitiva em várias modalidades nos momentos decisivos.

Nem a fortíssima exibição contra o todo poderoso Bayern de Munique nos deve fazer esquecer os silêncios inoportunos de P. Costa numa época  marcada por casos de arbitragens altamente sectários e escandalosos contra o FCPorto, e de uma cumplicidade gritante com o rival de Lisboa. Ao contrário de alguns adeptos, Pinto da Costa nunca foi daqueles que diziam "não vale a pena", quando se tratava de defender o FCPorto. O que é certo,é que agora só ele parece indiferente ao que se está a passar. Esta é uma realidade que ninguém pode negar, nem ele próprio, se estiver em perfeita posse das suas faculdades intelectuais. O que já não me agrada de todo, é que ele ache que não deve explicações a ninguém, porque nesse caso estará a dar razão a todos aqueles que passaram a vida a perseguí-lo e cobrí-lo de defeitos.

Quem acompanhar o trabalho que é feito no Porto Canal e ignorar que o FCPorto tenciona adquirir o canal (e digo tenciona, porque Pinto da Costa ainda não confirmou a compra, apenas a anunciou), e se esquecer dos conteúdos desportivos, não acredita que o Porto Canal tenha qualquer relação com o nosso clube, pois vem sendo gerido um pouco ao sabor dos ventos, coisa que felizmente nunca aconteceu no FCPorto na gestão de Pinto da Costa. Se há coisa em que o FCPorto sempre se distinguiu pela positiva, foi pela forma cuidadosa e atempada de administrar, e de lidar com situações complexas, como contratações, lesões e recuperações de atletas, como aconteceu recentemente com Jackson Martinez, que apareceu a jogar são como um pêro, logo no jogo com o Bayern de Munique...

Ora, se não vemos sinais da mesma organização, da mesma competência, do mesmo rigôr no Porto Canal, só pode ter uma explicação: o FCPorto não superintende o Porto Canal. É certo, que existe uma estrutura directiva definida e remunerada, mas tenho sérias dúvidas que essa estrutura seja suficientemente idónea para poder funcionar autonomamente, já que não se vislumbra qualquer progressão, antes pelo contrário.

Agora pergunto: o evidente alheamento de um negócio que supostamente terá (ou já tem, não sabemos) o FCPorto como principal accionista, será normal numa pessoa com as características que conhecemos em Pinto da Costa? E se não é alheamento, o que será, se tudo está pior? Era deste canal amador e culturalmente pobre, que estávamos à espera? É com entrevistas aos meninos e meninas de Lisboa, perfeitamente dispensáveis, repetidas, uma, duas, três e quatros vezes, que o Norte e o Porto pretende afirmar-se, como estamos cansados de constatar ao extremo da náusea? Afinal, quem querem enganar?

Francamente, não sei de que massa é feita esta gente. Curvam-se, curvam-se, até causa dó...

PS:
Na terça-feira, teremos a segunda parte da eliminatória para aceder aos quartos de final da Champions com esse colosso alemão chamado Bayern de Munique.  Portanto, é hora de puxar pelo nosso grande clube, desejar todo o sucesso do mundo e deixar estas questões para outra altura. Apesar de tudo, estou mais confiante nesta grande competição, que no pequenino campeonato nacional, onde, tal como com o governo, paira a mediocridade  e a mesquinhez. Mesmo sabendo do poder dos grandes lóbis europeus, confio mais depressa nas arbitragens do exterior que nas "caseiras", onde os dados estão mais que viciados. Por isso força FCPorto! Impossível, não é para portistas!
   

Na Foz do Douro


17 abril, 2015

Do El País . "El Porto sorprende al Bayern

Um toque para controlar a bola enviado a 50 metros por Alexandro, a manobra fugaz entre Dante y Boateng, e a culminação, demolidora, elegante, coroaram Jackson Martínez à frente de um magnífico Porto. O colombiano recebeu a ovação vulcânica do estádio do Dragão em reconhecimento ao seu trabalho, e a esse 3-1 definitivo, quiçá o mais visível de uma partida colossal que deixou  o  Bayern desorientado. O grande estádio do rio Douro já constitui um dos melhores encontros da temporada europeia. Não é por acaso que Lopetegui e Guardiola partilham escola e princípios. Não foi casual tão pouco que estiveram até 12 jogadores espanhóis implicados de alguma maneira. O jogo foi uma verdadeira homenagem  da contribuição de Espanha no futebol contemporâneo. 

A noite foi abundante em contradições. Não há centrais menos adequados para jogar como gosta Guardiola. Mas o Bayern joga com Boateng y Dante. Lentos e vacilantes, parecem expostos a um drama que resistem a representar. Mostram-se preocupados ante a exigência de pensar a partida, fazer o primeiro passe, adiantar linhas, governar o latifúndio. O medo reflecte-se na sua expressão corporal. O público que assiste ao espectáculo sabe-o. Sabem-no os  seus companheiros. Sabe-o  Xabi Alonso, que pareceu nervoso quando se baixou para receber a bola, controlou e duvidou. Foi num segundo. Jackson Martínez lançou-se como uma pantera. No vértice do sistema de pressão do FCPorto, essa máquina que se liga quando o adversário dá mostras de insegurança com a bola o dianteiro colombiano faz de bisturi. Astuto, ágil, elástico, veloz, roubou a bola ao médio-centro espanhol e ficou só  ante Neuer. O guarda-redes desvalorizou-o, houve um contacto, Jackson caiu e o árbitro marcou penalti. Eram decorridos dois minutos de jogo quando Quaresma celebrou a execução, abrindo as portas de um jogo que concentrou desde o principio toda a problemática deste Bayern onde que se chocam duas culturas.
Não se tinha o Bayern ainda recomposto da surpresa,  quando Rafinha passou a bola a Dante e Quaresma lha tirou dos pés. O extremo português, que, contrariando a sua inclinação para a displicência, jogou concentrado, batendo  Neuer sem lhe dar tempo para reagir. O 2-0 aos dez minutos de jogo submeteu  o Bayern a uma prova de resistência psicológica. A situação colocava várias questões pondo em causa algumas das máximas inculcadas pelo treinador . Foi um bom momento para descobrir quem está,  e quem não está para trabalhar. Guardiola já sabe que pode contar com Lahm, com Lewandowski, e, sobretudo, com Thiago Alcántara. As suspeitas estendem-se a outros, especialmente sobre o lânguido Götze.
Thiago apresentou-se em todas as partes para solucionar todos los problemas do Bayern. Não eram poucos. Las dificuldades inundavam a jacto o campo numa corrente que partia desde a linha defensiva estendendo-se até à área contrária. Nessa conjuntura, a pior imaginável, destacou-se Thiago. O médio espanhol fez uma exibição de pundonor e classe. Tentou resolver o grande dilema da sua equipa: sair limpo desde trás, clarificar as jogadas, conectar com os atacantes até driblar para romper linhas. Thiago  apenas encontrou colaboração. Chamou a atenção o caso de Götze, que andava desaparecido. E o de Müller, cujo carácter expressionista contrasta com a lógica cartesiana que o seu técnico tenta transmitir nas manobras de ataque. Sem as fintas de Robben, que está lesionado, a equipa desgastou-se . 

O golo do Bayern chegou depois de um canto. Boateng surpreendeu o seu marcador, fugiu-lhe e centrou.   Thiago aproveitou o descuido da defesa   para marcar à vontade.  Foi o único erro do FCPorto, elevado centímetro a centímetro sobre o seu gigantesco oponente, graças ao contributo impecável de todos os seus jogadores. Todos estiveram à altura. Comportaram-se como fanáticos para fechar as linhas de passe do Bayern, pressionaram, e uma vez que roubavam a bola jogaram-na com serenidade. Casemiro é um medio-centro maduro, Brahimi um extremo formidável, Quaresma um temerário, Oliver o sócio de todos, e Herrera um interior valente, dinâmico e hábil.
O Bayern não conseguiu penetrar com clarividência nas linhas que encontrou pela frente. Não se refez da perplexidade. Tão pouco Alonso, substituído no fim da partida, símbolo da claudicação, de das confusões do Bayern e do ímpeto de um FCPorto desafiador.

Nota do RoP:
Não é que seja difícil para nós portugueses entender o castelhano, mas como estamos num país divisionista, que anda a retalhar o solo pátrio através do futebol, e dos media (por mesquinhez e inveja ao FCPorto), entendi traduzir para a nossa língua este excelente artigo do El País, porque acho que vale a pena, e precisamente para destacar o facto de a voz da mouraria não entrar na consideração do país vizinho... Eles só piam cá dentro. Lá fora, rendem-se à sua menoridade intelectual... 

O original pode ler-se aqui.

15 abril, 2015

FCPorto 3 - Bayern de Munique 1, e o David venceu Golias



Ainda é cedo para lançar foguetes, mas a primeira parte foi cumprida. Com 20 valores! Jogo soberbo!

Queremos um FCPorto à David!

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  O troféu que tornou Lisboa a capital mais invejosa e centralista da Europa

Para o jogo desta noite [o mais importante a nível internacional] , com o FCPorto, como vem sendo habitual, a ser a única equipa portuguesa a representar o país, não espero milagres. O que espero, é a mesma abnegação, a mesma força mental, a mesma concentração que levou o FCPorto em 1987 a trazer para o museu do clube o primeiro e mais importante troféu europeu. 

Já por essa altura era dado todo o favoritismo ao Bayern de Munique, um colosso do futebol mundial. Para além disso, tratava-se de uma final que ainda por cima foi disputada "democraticamente" em Viena de Austria, país irmão da equipa adversária, portanto, com todos os condimentos teoricamente adversos ao FCPorto. 

Como país pequenino que somos - na acepção mesquinha do termo -  e que alguns teimam em preservar, e com os media da capital a rangerem os dentes de inveja, ansiando por uma derrota humilhante da equipa portista, mais uma razão para os jogadores do FCPorto se encherem de brios, e fazerem da inveja lisbonária e dos seus vassalos, um elixir de garra e ambição.  

Força FCPorto, a Europa tem os olhos em ti!

13 abril, 2015

As novas tecnologias de comunicação

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Inspirado neste artigo publicado no JN de hoje e assinado por José Manuel Diogo, cuja leitura aconselho para melhor entendimento do que escrevo, quero desde logo declarar a minha simpatia pelo progresso, no qual se incluem as novas tecnologias de comunicação, que para mim só não é total, pelas razões que adiante enunciarei. Antes porém, faço questão de reiterar aquilo que já tive oportunidade de dizer sobre a ideia que tenho do progresso, ou seja: tudo o que possa contribuir para melhorar a qualidade de vida humana, de preferência sem efeitos colaterais negativos... Utopia? Admito que sim. Mas então, progresso que não contemple a segurança da humanidade, também não é progresso, antes um modo utópico de definir o progresso.

O autor, avisa-nos para a necessidade de nos habituarmos à época da comunicação (como ele diz) desmaterializada, o que por outras palavras, significa não corporalizada, com um menor contacto físico entre pessoas (ou empresas), para realizarmos um sem número de serviços e negócios. 

Sem querer contestar a ideia de "matéria" do articulista, começo logo por discordar com este seu ponto de vista, porque do meu, tanto o que ele prevê para daqui a dez anos, como o que já acontece agora, está mais materializado que nunca. São cada vez mais os computadores pessoais e as impressoras que tanto jeito nos dão, os responsáveis pela perda de emprego de muita gente, para proveito das grandes empresas.

Em Portugal, raramente, ou nunca, beneficiamos destas evoluções tecnológicas. Por exemplo: se o leitor aderir à factura electrónica para pagar diversos serviços (Electricidade, gás, TVCabo, etc.), está com isso a reduzir os custos dos fornecedores em sêlos de correio, envelopes, impressão e a passá-los para si, sem contudo ser recompensado por isso, bem pelo contrário, os preços estão sempre a subir, por isto ou por aquilo. Logo, não me fascinam as tecnologias que aparecem inicialmente na forma de brinquedo, para logo se tornarem em mais um encargo para o consumidor, apesar das vantagens que nos aportam. 

Hoje, já há muita gente a usar os computadores e seus derivados (Tablets, Ipad's, Smartphones), que reagem invariavelmente de forma acrítica e demasiado entusiasta às novas tecnologias. Mas tal como os fabricantes, deixam para mais tarde (ou para nunca), as questões relacionadas com os efeitos no meio ambiente de milhares de milhões de pilhas e adaptadores que depois de usadas vão para as lixeiras poluir terras e águas de cujos produtos nos alimentámos. A isto, recuso-me a chamar progresso, embora também tenha o meu PC e Telemóvel, porque, como a grande maioria dos cidadãos, fui coagido pelo mercado a participar num estilo de vida para o qual nem sequer fui consultado.

Por isso, é fácil, mas não menos cínico, para os defensores e fanáticos destas modernidades, argumentarem que ninguém nos "obriga" a adquirir estes produtos, mas eles sabem bem como somos empurrados para "conviver" com elas, correndo o risco de nos desenquadrarmos da realidade, com os custos que tal importa...

Por conseguinte, não auguro nada de esplendoroso para as gerações vindouras quando descobrirem, ou sofrerem na pele, as consequências dos efeitos secundários das tão idolatradas novas tecnologias.
  

10 abril, 2015

Carro eléctrico na Praça Filipa de Lencastre

Praça Filipa de Lencastre

Nojentos e hipócritas

Há no país, um determinado grupo de figuras públicas com o condão de me desinteressarem radicalmente de tudo o que dizem, ou fazem. Corrijo! Há uma excepção:  que é ouví-las dizer que tencionam sair do país para sempre, ou  simplesmente desaparecer...

Falei em desinteresse, mas talvez me tenha exprimido mal. É mais uma espécie de temor de contaminação por proximidade. É o mesmo sentimento que temos com as coisas más, como o cancro, a sida, as máfias, ou com a própria morte. Grande parte dessas pessoas, são políticos com funções governativas, embora não o mereçam. Quando tal gentinha surge de rompante no écran da tv rodeada de repórteres, primo rápida e instintivamente o botão de comando para mudar de canal, como se de uma epidemia virosa se tratasse. Cito apenas dois exemplos: Passos Coelho e Cavaco Silva. A única diferença entre eles e uma virose, é que para certas viroses ainda podemos ter remédio...

No tempo da outra senhora, de Salazar a Caetano, aquilo também era uma hipocrisia, monótona e cinzentona. Sabíamos que era uma farsa, que não podíamos dizer abertamente o que pensávamos, mas não esperávamos nada de novo porque as coisas eram mesmo assim. Mas ninguém nos dizia que vivíamos numa democracia. Agora, a ditadura é outra, vestiu a roupagem da democracia, e em vez da PIDE, usa as escutas, a informática e a autoridade tributária para nos espiar. E em vez das armas, usam os votos. Em vez das balas, usam os impostos e o saque às reformas.

Nunca, em tempo algum, seria capaz de mexer uma palha para lutar por um país com tão miseráveis comandantes. Oxalá um dia não precisem de mim, para defender a "pátria" (Lisboa, segundo eles), porque saberei muito bem de que lado estarei.


07 abril, 2015

Um FCPorto igual ao Presidente de agora

Não tenho dúvidas sobre a importância de uma personalidade como a de Pinto da Costa para levar a bom termo o projecto de um Futebol Clube do Porto vencedor  ao longo de 33 anos. Só alguém com as suas características seria capaz de resistir ao poder absolutista do Terreiro do Paço exercido nos bastidores do desporto, e de lhe trocar as voltas sempre que tal se impunha. Astuto, e interventivo q.b., sempre arranjava forma de travar os ímpetos imperialistas dos clubes de Lisboa, e assim impedir que os abusos, as manipulações das arbitragens, bem como o controle dos órgãos desportivos (Liga e Federação)  atingissem os seus desígnios pouco escrupulosos. Foi por ser como era, que os adeptos o idolatravam, lhe perdoavam os excessos, e algumas contradições até.

Julgo ser por esse passado brilhante, que muitos portistas, sobretudo aqueles que [como eu] sempre o apoiaram na luta que travou contra o centralismo desportivo têm hoje alguma relutância em admitir que Pinto da Costa esteja a perder faculdades. Mesmo assim, continuo a pensar que aqueles que o davam como "finito" há uns anos atrás, não tinham razão, porque argumentavam com as mesmas teses intriguistas dos nossos adversários lisboetas. Além disso, Pinto da Costa não estava tão recolhido, tão ausente como agora. Este estilo apático, contemplativo, muito dado a recordar o passado, não é o estilo do líder que tantas glórias deu ao FCPorto, é de outra pessoa notoriamente diferente. Mais que a questão da idade, já alvitrei a hipótese de se tratar de uma questão de saúde, decorrente da operação cardíaca a que foi submetido, de recomendações médicas, e se assim fôr, mais uma razão para justificar uma estratégia para cuidar do futuro próximo do clube. O que não é tolerável, é a manutenção do silêncio.

O clube, está a ressentir-se da ausência do mestre, a combatividade dos atletas nas várias modalidades parece perder fulgôr. O Porto Canal está cada vez pior, e ninguém sabe o que esperar de positivo com a falta de ideias do Director Geral. Por outro lado, há momentos que o canal nem parece pertencer ao FCPorto, não fossem os programas desportivos lembrar-nos... Instalou-se a apreensão na comunidade portista, misturada de melancolia e de revolta contida. Os adeptos começam a perder a esperança nos êxitos das modalidades - e do futebol em particular - em que o clube participa. Não há feedback do Presidente às preocupações da maioria dos portistas, que se porta como alguém distante dos associados e da realidade. Que se pode fazer? O que pensarão os sócios desta situação? Vão continuar, também eles, calados, à espera de um D. Sebastião, ou tencionam exigir a resposta a que têm direito?

Pessoalmente, confesso, começo a ficar decepcionado com a postura de Pinto da Costa, e quando assim é, surge a tendência para se pôr em causa muito daquilo em que acreditamos, incluindo nele próprio. É incompreensível esta aposta no obscuro, no passado, na ausência. Teremos ainda um Presidente, ou estará ele a testar a paciência dos portistas?

PS-São mais que muitos, os indícios de que as coisas já não são como antes no FCPorto da actualidade, e como a perda de liderança se repercute nas várias áreas de actividade do clube. É o caso (como escrevi anteriormente), do Porto Canal. Uma das falhas que venho observando, é a incapacidade de estar em cima do acontecimento, na hora, como ditam as regras básicas da informação dos tempos modernos. 

Outro dia, em vez de ser a estação do Porto a dar a notícia da transferência de Danilo para o Real Madrid ( até porque é  fonte privilegiada), o director do Porto Canal deixou para a concorrência lisboeta essa oportunidade... Como disse na altura, à mesma hora que tive conhecimento na SIC,e na TVI, o Porto Canal impingia-nos uma gravação do programa "Consultório" que passa em directo às 18H00... 

Hoje, foi através do JN, portanto, um dia depois, que soubemos do 43º.aniversário da Casa do Desporto onde se prestou tributo a Manuel Puga pai do médico do clube, Nelson Puga, e, note-se, com a presença do Director do Porto Canal. Curiosamente, ou talvez não, Pinto da Costa aproveitou o momento para evocar o homenageado como "um grande defensor dos interesses do Norte e do Porto  e de lutador contra o centralismo"... E não encontrou melhor pretexto para ironizar do que mandar umas bicadas a Rui Moreira, não simagino a que propósito. Se lá estivesse, talvez perguntasse a Júlio Magalhães o que pensava sobre o assunto, já que parece continuar mais preocupado em chamar ao canal gente de Lisboa, do que do Norte, e do Porto (isso sim, é provincianismo). A última figura a merecer uma entrevista ("importantíssima" para os nortenhos), foi o actor Fernando Mendes, o qual aliás foi recebido com honras de chefe de Estado. Aliás, o senhor Pinto da Costa devia era explicar por que é que fechou as portas do Porto Canal a Rui Moreira, ou se as abriu, que diga aos portuenses por que é que ele não as franqueou. 

Se é com estes exemplos de união que o Porto se quer afirmar, vamos longe, vamos.

Repensar as nossas possibilidades

Mariana Mortágua



Lembrei-me das entusiasmadas palavras do primeiro-ministro, que apregoava o novo e saudável modelo económico português, assente na justiça social, e livre do endividamento, a propósito de duas pequenas notícias que saíram a semana passada. A primeira, uma investigação do "Dinheiro Vivo", diz-nos que as empresas cotadas do PSI-20 distribuíram, no ano passado, mais de 1,8 mil milhões em dividendos, acima do valor de 2007. Ao mesmo tempo, nos últimos oito anos, aumentaram a dívida em 23%, para 37 mil milhões de euros.
Apesar da crise, dos despedimentos, dos prejuízos e da necessidade de investimento, as grandes empresas portuguesas estão a distribuir mais dinheiro aos acionistas do que faziam antes da entrada da troika no país, quando vivíamos "acima das nossas possibilidades".
A PT é, aliás, um belíssimo exemplo disto mesmo. Uma empresa que, há 20 anos, antes de António Guterres lhe ter aberto as portas às maravilhas do mundo privado, valia mais 75% do que vale hoje, depois de por lá ter passado o melhor CEO do Mundo. Entretanto deu mais de 11 mil milhões a ganhar em dividendos aos seus acionistas, embora a dívida se fosse acumulando. Não é a única.
A EDP, que cobra as astronómicas contas de eletricidade em Portugal, lucra cerca de mil milhões ao ano. Em 2014 distribuiu 67% desse valor em dividendos, quase nada ficou em Portugal. Ao mesmo tempo, o gigante elétrico apresenta uma dívida de 17.083 milhões de euros, cerca de 10% do PIB português.
Mas vamos à segunda notícia, outro exemplo de como a austeridade pode ser tão seletiva. A REN prepara-se para pagar aos seus administradores mais 26% em 2015, ao mesmo tempo que corta 2% nos custos totais com pessoal. Há que fazer escolhas, não é?
Já nos bons velhos tempos de 2013 a PT pagava à volta de 1 milhão a Zeinal Bava, mas isto foi, é claro, nos bons velhos tempos. Hoje a PT não se pode dar a estes luxos. Mas a EDP pode, e paga um valor semelhante a António Mexia. Na GALP o salário de CEO chega aos 1,7 milhões.
Salários milionários, dividendos impossíveis e dívida. Tem sido esta a fórmula da maior parte das grandes empresas portuguesas, na sua maioria privatizadas, a operar em lucrativos monopólios naturais. Era assim antes da troika, e continua a sê-lo depois.
A nova economia que Passos Coelho apregoa não passa da mesma velha e relha economia. Mudaram os donos e os CEO.
[do JN]                                                                                                                                                
Nota de RoP: 
É uma pena que os partidos à esquerda do PS (BE, PCP, PEV, etc.), não se determinem a constituir-se como alternativas de governo. Desta maneira, - e apesar dos fracassos históricos dos partidos do arco governativo -, acabam dando alguma "razão" a estes últimos,  quando os tratam como partidos menores, e demagôgos. É que, se há demagogia (e incompetência) provada e comprovada, é exactamente a dos partidos que têm "governado" o país. As aspas, dizem tudo.  





























03 abril, 2015

Manoel de Oliveira, um tripeiro de gema, um Homem autêntico, partiu...

MANOEL DE OLIVEIRA
Há quem tenha da cultura conceitos antagonistas. Uns, olham-na com snobismo, como uma coisa hermética, reservada a mentes intelectualmente superiores... Esta classe de pessoas, é normalmente a que menos absorve da cultura. Para outros, não menos preconceituosos, tudo é cultura, partindo do princípio que nada é inexplicável. Estou a lembrar-me daqueles mamarrachos que os emigrantes (e não só) construiram por esse país fora, feios e inestéticos, que constrastavam pela negativa com as características das regiões onde eram implantadas,  em perfeito conflito com a paisagem envolvente. Esses, explicavam a teoria com o facto daquele tipo de construções assinalar uma época histórica (o processo de emigração), que não devia ser ignorada, defendendo portanto a sua manutenção. Pessoalmente, não acredito que as piores causas, mesmo que históricas, justifiquem classificações culturais quando não têm qualquer ligação com a arte. 

Com Manoel de Oliveira, penso que sucedeu o mesmo. Muitos, diziam que não compreendiam os filmes dele e que por isso não gostavam. É a mesma teoria que  à partida negava o talento de Salvador Dali e de Pablo Picasso, só porque os seus quadros não possuíam o bucolismo de uma máquina fotográfica. 

A cultura é arte, e a arte sem criatividade é arte postiça, morre. Manoel de Oliveira era sobretudo um cineasta documentarista, ligado à cidade, ao Douro e às gentes do Porto. Os seus filmes eram para ver segundo o homem que estava por detrás da câmara. Eu, também não acho que o cinema tenha que ter obrigatoriamente sexo, violência, rodas a chiar, e carros a capotar, e contudo parece ser o que as pessoas mais gostam. Eu também abomino os Big Brothers das televisões, mas o povo, segundo as estatísticas audiovisuais, parece adorar... A arte é tudo menos aquilo que nos é imposto como bom. 

Morreu uma pessoa da minha cidade, talentosa, de uma dignidade rara e de quem gostava muito. Lamento-o, mas a vida é assim mesmo. Teve uma vida longa, e suponho que muito feliz, porque gostava do que fazia.

Fica para a história do Porto e do resto...   


02 abril, 2015

Agora, só nos resta a utopia

Podem dizer o que quiserem. Que os jogadores não se empenharam, que o Lopetegui armou mal a equipa, que devia lançar o jogador A, em vez do B, que a relva não ajudou, que o árbitro fez (como de costume), "as coisas pelo outro lado", como marcar um penalti duvidoso contra o FCPorto e perdoar outro claro à equipa adversária. 

Mais que previsível, é certo, que desportivamente falando, este ano dificilmente teremos razões para nos congratularmos. No que diz respeito ao futebol sénior, já se foram dois troféus: a Taça de Portugal, e hoje mesmo, a da Liga. E deixemo-nos de alinhar pela demagogia barata de Pinto da Costa que sempre mostrou desprezo pela Taça da Liga (hoje perdida), porque se fosse verdade  mais valia recusar disputar o troféu. Ponto. Mesmo admitindo que o FCPorto  estava obrigado a participar, então, podiam ter dado oportunidade aos júniores A, ou à equipa B, para rodarem, e mais que não fosse para vincar a coerência no discurso. Assim, nem houve troféu, nem coerência no discurso...

Venho dizendo há uns tempos a esta parte, que com esta política de medo, de submissão humilhante às mais torpes discriminações a que o clube tem sido sujeito, isto só pode acabar mal. Qualquer pessoa minimamente experiente sabe a influência que tem para os colaboradores de uma organização empresarial, militar ou desportiva, o sentimento da falta de liderança, sobretudo quando se sentem prejudicados por ocorrências externas que não podem controlar. Se os adeptos, que são quem mais ama o clube, andam aborrecidos e pouco confiantes com o que se está a passar, e que sendo sócios têm mais a perder que a ganhar, ao contrário de quem trabalha para o clube, o mínimo que lhes era devido, era uma palavra de consideração, acompanhada com mais algumas que explicassem o porquê desta "política" de comunicação fratricida.

O Campeonato ainda não está perdido, é verdade, mas é verdade também que não se vislumbra alma, determinação, para o ganhar, sobretudo no topo da pirâmide da SAD e do Presidente. A Champions, não é impossível, mas é quase uma utopia se tivermos bem a noção das diferenças com o nosso próximo adversário.

Caso não consigamos vencer nada esta época, então sim, talvez seja o início do fim de um ciclo indesejável, mas que o senhor Pinto da Costa consciente, ou inconscientemente, ajudou a cavar,


   

01 abril, 2015

Porto Canal, outra vez distraído

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Se bem conheço Júlio Magalhães - que não é propriamente um homem humilde - não sei que desculpa poderá ele apresentar, quando colocado perante determinadas situações (factuais) ocorridas no Porto Canal que não abonam nada a seu favor, tais como:
  • Por que é que sendo - ou estando para ser -,  o FCPorto sócio maioritário, ou se preferirem, o principal proprietário do Porto Canal [é prudente não dar já como certo...], portanto com acesso privilegiado a informações relacionadas com o clube, a estação não foi capaz de se antecipar à concorrência para dar a notícia sobre a venda de Danilo ao Real Madrid devidamente autenticada pela CMVM?  Tenho a minha resposta: logo após ter lido essa notícia de "última hora" em rodapé, na SIC e na TVI, pulei imediatamente para o Porto Canal para saber se também diziam alguma coisa sobre o assunto, mas "nicles", no seu lugar estava, devidamente gravado, a retransmissão do programa "Consultório"... 
  • Já hoje, no noticiário da hora do almoço, quando o locutor anunciava a pouca vergonha* do dia, isto é, a habilidade de António Costa para contornar o impedimento camarário de cobrar directamente a taxa de turismo, transferindo-o para a ANA (gestora dos aeroportos portugueses), e se preparava para nos dar imagens da reportagem, eis senão quando nos impingem em segunda dose uma reportagem completa sobre o caso da Igreja de Nossa Sra.dos Navegantes, em Vila do Conde... Finda a reprise, o pivot optou por ignorar a ocorrência sem sequer apresentar um pedido de desculpas, e o tema da ANA morreu ali mesmo.
Se tudo isto é  competência, então,  serei eu que  não  faço ideia do  que é ser competente,  e o problema  estará em mim.   Mas,  se fôr  incompetência, ou desleixo  - como  me parece  que é -, então, é porque a entidade patronal ( FCPorto & Compa.)  não  acompanha   com  o  cuidado devido o trabalho desenvolvido pela régie (controladores técnicos das emissões)  e demais  colaboradores (dirigentes incluídos) ? E  se fôr verdade  que  é  o  FCPorto  quem  paga  os salários   do   director geral,  o assunto  fia mais fininho, porque os associados do clube têm uma palavra a dizer.

Mais uma vez, estou a falar de factos. Isto não pode acontecer, nem deve ser encoberto, sob pena de nos tornarmos uns imbecis, só porque não ousamos pôr em causa a imagem de Pinto da Costa. Se disso se tratar, descansem, porque essa imagem já pertence ao passado.

* Pouca vergonha se o privilégio turístico não fôr extensível a outras autarquias...


PS-Que me desculpe o leitor o preciosismo da observação. É que, não sei se repararam, já há alguns tempos alguém decidiu pintar a preto e branco o logótipo do Porto Canal que detinha o azul no lugar do preto, nos microfones... Não me digam que foi por razões "estratégicas", que ainda me dá um AVC.