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| Estação do Metro no aeroporto Sá Carneiro |
Permitam-me que coloque meias reservas ao que frequentemente alguns tomam como virtudes dos nortenhos [que em absoluto, não o são]: a franqueza e a disponibilidade.
Já foram mesmo assim os nortenhos em tempos remotos, e muito em particular os tripeiros. É a história quem o atesta, não eu, que sou suspeito.
O cosmopolitismo que hoje o Porto conquistou, perdeu um pouco em bairrismo, mas não totalmente, para nosso bem. A fama de gente solidária e hospitaleira, é real e ainda existe de facto, e é merecida, mas falta-lhe o cunho de outros tempos, a capacidade espontânea para se libertar de grilhetas e imposições externas.
Se é verdade que os tempos são outros, também seria avisado adaptarmo-nos a eles e aos desafios que nos são colocados, sem perdermos aquilo que nos burilava o carácter. Os portuenses, todos os portuenses, do mais humilde ao mais poderoso, social, e finaceiramente, têm as suas culpas no cartório pelo que nos estão a fazer... Consentiram tempo de mais, pelo silêncio.
Não é segredo, nem sequer novidade, já passou o patamar da afronta, que o Porto, tem sido reiteradamente discriminado por sucessivos governos ao longo de 43 anos. O rescaldo do 25 de Abril para os portuenses é hoje, tão ou mais macabro que o Estado de Novo de Salazar e Caetano. A democracia é meia-postiça para todo o país, e postiça por inteiro para o Porto. Por quê? Porque, por exemplo, entre outras extravagâncias, os tripeiros contribuem (como os outros) com taxas de audiovisual (acrescidas de 6% de IVA) para financiar legalmente o serviço público de radiodifusão e televisão, mas esse serviço é-lhes praticamente enjeitado, e além disso usado para os prejudicar [a RTP e as Antena 1, 2 e 3 que o assumam]. De Presidentes da República, a Primeiros Ministros, não houve em 43 anos de "democracia" nenhuma dessas entidades que reparasse neste "fenómeno"! Pudera, é bem mais cómodo atribuirem-nos os erros bárbaros da centralidade exorbitante. Nisso, especializaram-se bem os políticos,
Até agora, houve quem criticasse os nossos protestos por questões bairristas, por ciumeira com a capital, por rivalidades clubistas, etc.. Tão estúpida é a convicção dos lisboetas e seus cumplíces, que nem sequer se dão conta do papel mesquinho a que se prestam, negando evidências tão flagrantes. O Porto e outras cidades do Norte, têm as melhores Universidades, os melhores Hospitais do país, excelentes arquitectos, médicos e cientistas, todos reconhecidos insuspeitadamente por outros países, e sempre sonegados pela capital.
O Porto tem o melhor clube de futebol do país, o FCPorto, e outros menos representativos mas igualmente portuenses [Boavista e Salgueiros] que já devem saber o que significa o centralismo porque também foram suas vítimas. A própria cidade do Porto é eleita, entre outras igualmente belas, como melhor destino europeu pela terceira vez, e mais uma vez, sem qualquer apoio do Turismo de Potugal que não hesitou em dá-lo a Lisboa, ingloriamente...
O Aeroporto Sá Carneiro, é preterido pela TAP [empresa público/privada] e pelo Governo para benefício de Vigo e dos espanhóis, como se fosse a decisão mais patriótica do mundo. Enfim, são desconsiderações e maldades, umas atrás das outras, demais para ficarmos calados. Chega, de tanta apatia, de tanta compreensão, ou o que lhe queiram chamar, estas não são reacções próprias dos portuenses. Temos de reagir, senão a história e os nossos descendentes vão atribuir-nos as culpas por falta de comparência.
Não basta denunciar, falar para quem governa o país como quem fala a crianças. Que isto e aquilo não se faz, que é injusto, que é ilegal. Temos de os obrigar a cumprir o seu dever, batendo o pé, retaliando, negando pagamentos fiscais e tarifas que só nos prejudicam. Exigirmos tratamento igual pelos canais mediáticos do Estado, e mais seriedade sob pena de nos recusarmos a votar.
Precisamos de obter respostas céleres, para ontem. A justiça jamais será reposta se a deixarmos adiar ad eternum. Temos de fazer ruído, porque a nossa postura mansa e cordata não é reconhecida como tal, e apenas serve de pasto para o gozo daquela gente mesquinha, divisonista e falsa.
Ser do Porto, é também lembrarmo-nos dos nossos antepassados que tantos e tão variados motivos de orgulho nos deixaram. O FCPorto, é um grande símbolo do Porto, mas importa não esquecer, sob pena de nos iludirmos, não é o único. Já sei que vou ser vaiado pela ideia, mas uma das coisas que mais me alegrariam neste momento, era ver o FCPorto, o Boavista e o Salgueiros unidos publicamente em defesa da sua cidade. A cereja no topo do bolo, era ver os clubes (todos) do Norte seguirem-lhes o exemplo contra o centralismo.
PS-Ultimamente, tenho ouvido falar com mais frequência na descentralização do que era costume, mas (oxalá me engane), palpita-me que ainda não vai ser desta que tudo não passe de costumeiros e falsérrimos processos de intenção...