10 janeiro, 2008

Cuidado com o negócio...

Casa do Douro e Berardo prosseguem negociações

As negociações entre a direcção da Casa do Douro e o empresário Joe Berardo mantêm-se, e depois de uma reunião realizada ontem de manhã, em Lisboa, o comendador deverá deslocar-se à Régua, na próxima semana, onde permanecerá durante dois dias.Segundo apurou o JN, Joe Berardo vai estar no Porto, na terça-feira por causa da assembleia do BCP, e nos dois dias seguintes, ou seja, quarta e quinta-feira (dias 16 e 17) vai deslocar-se à região do Douro, onde deverão continuar as negociações.
O presidente da Casa do Douro, Manuel António Santos, recusou avançar quaisquer pormenores sobre estas negociações, dizendo apenas que o empresário de origem madeirense se "mostrou desde o início disponível para ajudar o Douro".No próximo sábado, o Conselho Regional de Vitivinicultores vai reunir-se para decidir a venda da maioria da participação da instituição duriense na Real Companhia Velha (RCV), onde detém 40% das acções. Caso a venda se venha a concretizar, 85% do valor obtido com esta alienação será integralmente usado para abater a dívida de cerca de 40 milhões de euros, ao Estado (as dívidas totais, incluindo banca ascendem a 125 milhões).
A Casa do Douro adquiriu o capital da RCV, em 1990 por 50 milhões de euros, mas na altura o negócio foi declarado nulo, o que evitou que aquele organismo tomasse posse, até agora, da sua parte na empresa.Os conselheiros deverão, ainda, debater a proposta de criação de uma nova empresa de produção, elaboração e comercialização de vinhos da região do Douro e seus derivados, na qual a instituição duriense irá deter uma participação em conjunto com outros parceiros ainda não divulgados.Nas últimas semanas, a Casa do Douro vendeu cerca de 15 mil pipas de vinho do Porto, encaixando 21 milhões de euros.

Ermelinda Osório (JN)

Nota:

Querem lá ver que ainda vamos ter o vinho do Porto transformado em vinho de Lisboa?
Tudo é possível e já nada me surpreende neste meio país.

Há moral, ou comem todos?

Depois de assitirem ao habitual aparato histérico das televisões lisboetas em redor do processo "Apito Dourado", com Portugal profundo a deleitar-se com a imagem de Pinto da Costa a ser diligentemente escoltado por agentes de segurança, os portugueses mais susceptíveis devem ter ficado convencidos que o homem que pretendem colonar com a Camorra Napolitana ia rapidamente ser "condenado à morte". Puro engano. A procissão ainda vai no adro e o processo decorre com a recôlha de elementos de prova a revelar-se pouco animadora talvez por (quem sabe) ainda não existirem.

Entretanto, o público assiste, mais impávido do que sereno, a todo o género de
ocorrências, geradas pelos poderes políticos cuja única virtude é transmitirem-nos a certeza que não dão grande importância à história que recomenda à mulher de César parecer séria.

Um ex-político (será mesmo, que o 'ex' se aplica aos políticos?) de seu nome Armando Vara, acaba de pedir uma licença sem vencimento da CGD para se candidatar à vice-presidência do BCP, conservando prudentemente (como convém) o vínculo laboral com a Banca pública, a fim de não hipotecar o seu futuro profissional (vulgo emprego) incluindo as respectivas aposentações.

Tudo isto, sublinhe-se, dentro da maior legalidade. Contudo, a pergunta que apetece fazer nesta altura é a seguinte: quantos portugueses, sem ligações partidárias, gostariam de ter esta facilidade "salta pocinhas", de andar de um emprego (fortemente remunerado) para o outro sem arriscar perder nenhum?

António Lamego, ex-sócio do Ministro da Justiça, Alberto Costa, adquiriu recentemente uma prisão desactivada em Setúbal, com 46.000 m2, no âmbito de um programa de alienações, por um preço inferior em cerca de 890 mil euros ao que o Estado pagou, com a curiosidade de ter apresentado a respectiva proposta de aquisição antes mesmo do registo comercial da empresa compradora de que é dono (Diranniproject III) ter sido feito! Genial!

É óbvio, que todos estes processos terão naturalmente obedecido a mecanismos legais, mas não parece menos óbvio que, de transparentes e correctos, tais processos, pouco têm.

Trata-se, de dois processos distintos, em que os respectivos procedimentos deviam parecer sérios, acima de qualquer suspeita, sobretudo, pelas pessoas neles envolvidos terem grandes responsabilidades político/institucionais, e o dever cívico de praticar (para os poderem transmitir à população) bons exemplos. É também para isso que lhes é conferida a autoridade. Ora, não é isso que está a acontecer.

Como já foi aqui abordado, tanto o mérito como a legalidade, não podem justificar e ainda menos explicar, tudo. Outros valores parecem estar esquecidos, sendo o bom senso um deles e a Ética, outro.

Ética que, em absoluto não existiu e que abre caminho às mais cinzentas suspeições.

Senhores políticos e ex-políticos: depois não se queixem, nem digam que são mal pagos, porque não é isso o que parece. Afinal, gostam imenso de acumular lides políticas com empresariais e, nesse caso, nem sempre é possível compatibilizá-las com a implícita declaração de interesses.

Como à mulher de César, é preciso parecer sério...

09 janeiro, 2008

JUSTIÇA À MODA DA FIFA


Alguém é capaz de imaginar a Justiça lisboeta (sim, porque
tudo indica que a justiça nacional já não existe) a ser tão
célere e capaz de a aplicar - com a simbólica venda nos olhos - a um Clube ( F.C.P. ), cujo Presidente anda a anos a ser perseguido e difamado pelo centralismo sob suspeita das mais alucinantes ligações à Máfia?
Co Adriaanse

"O COXO CULTO DO MÉRITO"

Admito ser falha minha, mas ainda estou por perceber a razão objectiva pela qual determinados cargos administrativos, públicos e privados têem de continuar a ser pagos a pêso de ouro.

Aceitando como correcta a teoria que valoriza o mérito, ainda não consegui descobrir um só que justifique - por exemplo - que o Governador do Banco de Portugal (este ou qualquer outro) para desempenhar com empenho e competência o seu trabalho, tenha de levar para casa 9 500,00 euros por dia ou 280 000,00 euros por mês (56 mil contos na moeda antiga)!!!

É a lei do mercado, afirmam os "advogados" de tão magnânimo princípio (talvez com receio que, para acabar com a miséria, se tenha de abolir o excesso de riqueza individual). Mas, insisto, pessoalmente - talvez condicionado pelos meus básicos dotes intelectuais - continuo sem saber por que é que o mercado tem de funcionar como regulador do mérito quando o mérito não é o único princípio que deve orientar uma sociedade que se pretende mais justa e humanizada.

Quando o mérito se separa do bom senso e permite anomalias, como são o exemplo citado do Governador do Banco de Portugal por oposição à mesquinhez governativa que resolve pagar a pensionistas uns míseros 9, 60 euros de actualização de reforma em 14 prestações de 0,68 cêntimos, é um mérito, intelectual e socialmente, imoral.

Por estas e muitas outras razões, se tivesséssemos de atribuir um salário aos nossos "insignes" representantes do govêrno segundo padrões de mérito mais sérios e equilibrados, não sei se os generosos 400,00 euros de pensão média seriam demais, face aos resultados conseguidos.

O poder de observação precisa, é vulgarmente chamado de cinismo por aqueles que não o possuem

(George Bernard Shaw)

08 janeiro, 2008

Humor natalício

-Não discuto a forma, digo simplesmente isto: não é o melhor momento!

O Colete de Forças de Rui Rio

Não será por falta de apoios que Rui Rio não consegue impor-se na Câmara Municipal do Porto.
Pessoalmente, acho fenomenal que ainda exista quem espere dele grandes feitos e até já cheguei a pensar se não seria eu que por má fé inconsciente ou cegueira, não conseguia descobrir-lhe os méritos que outros aparentemente tão bem lhe reconhecem.
A verdade, é que por maior que seja a minha vontade em compreendê-lo não consigo retirar outra conclusão que não seja a de considerar que de facto não está à altura das exigências de que o Porto actualmente carece para se restaurar.
Mas, para além das limitações evidentes que tem revelado na função de cargo tão importante como é o de Presidente da C.M. do Porto, Rui Rio está ser vítima da sua própria estratégia.
Talvez instigado pelo acessor do urbanismo, o benfiquista Artqº. Ricardo Figueiredo, ainda temos viva na memória a entrada de "leão" na tomada de posse na edilidade portuense, com a tão abrupta como dispensável hostilidade com Pinto da Costa e indirectamente (quer se concorde ou não com a inovação) para com os sentimentos clubísticos da maioria da população afecta ao F. Clube do Porto.
A urgente necessidade de criar roturas e mostrar autoridade mereceu logo o aval das hostes centralistas em cujo discurso "pseudo-anti-provinciano" se quis inspirar, como o comprova a sua diplomática frase: " não é por berrar contra Lisboa que o Porto se afirma".

O resultado de toda esta mise-en-céne política com inconfessáveis ambições políticas mais alargadas (provavelmente malogradas), é que, mesmo agora, quando Rui Rio precisa de dizer coisas importantes como criticar o Poder Central, ninguém o ouve. E devia ouvir.
Ele tem razão quando se queixa do Govêrno por ainda não ter pago à Câmara uma dívida de 1 milhão de euros e de abrir os cordões à bolsa para comprar terrenos em Lisboa no valor de 13,4 milhões de euros, mas como não gosta de levantar a voz para reclamar o que lhe é devido, o Govêrno aplaude a cortesia e agradece o estilo.

A ser verdade, o mesmo se pode dizer quanto às reclamações tímidas que faz sobre a escassez de verbas do Estado para fazer face ao projecto de requalificação da Baixa, mas o maior responsável é outra vez Rui Rio, por ter errado redondamente nas "armas" que ele próprio escolheu para combater o sistema centralista com o qual, aliás, esteve em sintonia durante muito tempo.

Agora, Rui Rio começa a ter necessidade de se soltar do colete de forças em que se meteu, mas não é com conferências oferecidas a alguns "amigos" numa sala do Município (praticamente ignoradas pelos media da capital) que o consegue.

Rui Rio podia (e devia) ser popular sem ter de ser populista, mas não quer ou não sabe. Mas, agora, até era capaz de lhe dar jeito sabê-lo ser para, com toda a legitimidade, ter o povo ao seu lado a ampliar-lhe a voz que lhe falta para se fazer ouvir e exigir do Govêrno mais respeito e atenção à cidade do Porto.

Ora, quando é a própria população que não percebe porque não ouve o que Rui Rio anda a dizer ao Govêrno, por não saber falar com ela, como pode o autarca ambicionar que o povo saiba o que anda a fazer?

Uma certeza: o Governo centralista agradecerá novamente e até é capaz de prometer reservar-lhe uma medalha de bom comportamento, pelas falinhas mansas de que Rui Rio decidiu (em má hora) fazer uma bandeira.

Exemplos de má informação televisiva

Domingo, uma da tarde. Enquanto leio o jornal, a RTP1 em fundo abre o seu noticiário com a notícia da troca de empurrões entre dois jogadores do Benfica, durante o jogo com o Setúbal. Fico perplexo por ser esta a notícia de abertura, no canal público. Empurrões?! ...

...Perante a gravidade dos factos de ontem, que determinaram a suspensão dos dois jogadores do Benfica, que importância tem saber, por exemplo, se faz sentido a Caixa Geral de Depósitos continuar estatizada e não se distinguir de qualquer banco privado, a não ser por pagar pior à sua administração?

...Acabo de escrever isto e arrependo-me quando me lembro que a Caixa ganhou à restante banca o patrocínio do Benfica. Ora aí está! É isto que lhe dá o sentido público. Ao fim e ao cabo, não há 6 milhões de benfiquistas?

(excertos de artigo de Alberto Castro no JN)

07 janeiro, 2008

A PORCA DA POLÍTICA

Afinal, para que nos serve a informação? Nem toda a informação é fiável, sabemos, mas mesmo assim, por entre esta profusão de ruído tolo e de crónicas agri-doces, muita coisa pode sempre ser filtrada para nossa avaliação. O problema está no que fazer com a informação fiável que recolhemos quando se trata de combater e restaurar os poderes políticos.

Nos últimos tempos temos sido "presenteados" com tudo o que há de mais abjecto nas relações entre instituições públicas e privadas, com os partidos políticos (do poder) desta feita a mostrarem-se incapazes de segurar a máscara da credibilidade com a mediana eficácia a que estavam habituados.

A fuga para a frente ('blindar' as aldrabices) parece ser a solução que lhes resta (como é costume também). Vão safar-se mais uma vez, é claro.

E a nós cidadãos, o que nos resta? Continuar a ver "a banda passar" e como obedientes meninos de côro assobiar para o lado e esperar pelas próximas eleições? Para quê? Para mantermos esta gentinha (que nos desgoverna) convencida que a banha da cobra não tem prazo de validade e que o Poder é um trono onde a Mentira se senta com direitos garantidos à Honra e à insuspeição? Para nos contentarmos em colocar um miserável voto na urna em nome de um outro candidato a subir na vida e nas finanças à custa de um qualquer aparelho partidário?

Bem. De facto, pouco podemos fazer, mas sonegar-lhes o votinho que os colocará no trampolim
do oportunismo, é coisa que só depende de nós. Pela minha parte, já lhes tracei o futuro. É muito pouco, concordo, mas já é alguma coisa...

O "banco central" de interesses!

Para além da posição cada vez mais insustentável de Vítor Constâncio - que deveria levá-lo a renunciar ao cargo no BP -, outros aspectos bem mais relevantes sobressaem na ignóbil luta de PS e PSD pelo controlo de instituições financeiras.
O decoro já não existe no bloco central de interesses das afirmações de Menezes sobre a partilha combinada de cargos no BP e na CGD às pretensas respostas do PS que, escondendo a cabeça, deixam à vista antigas e actuais manobras deste pântano partidário! Confirma-se finalmente o que já se suspeitava, mas que PS e PSD sempre tinham procurado esconder. Quem for competente e capaz só pode aspirar a certos cargos se tiver cartão rosa ou laranja; mas, definitivamente, quem se recusar a alinhar no compadrio e tiver outras opções, por mais competente que seja nunca chegará aos lugares cimeiros de empresas públicas ou grupos mais influentes!
Fica também mais clara a promiscuidade entre poder económico e poder político. Todos os dias saem "ilustres e competentes" personalidades (rosas e laranjas) do Governo para as administrações de grandes empresas e destas para o Governo, num corrupio que enlameia a democracia. Do que ninguém se lembra é de ver um membro do Governo sair para liderar um sindicato ou uma simples associação de solidariedade social!...
Outro escândalo surge com a transferência de Santos Ferreira para o BCP (para além do facto dela contar com o apoio de pessoas a quem este gestor emprestou milhões da CGD para comprarem acções do… BCP). Como é possível este senhor aceitar mudar de camisola e levar para o BCP todos os segredos e estratégicas da CGD (a que presidiu e que é o principal concorrente do ex-banco da Opus Dei)? Onde estão a ética profissional e o mínimo de vergonha? Quanto a isto apenas se "ouve" o silêncio comprometido de Teixeira dos Santos. Será que o ministro ainda não "percebeu" que esta escandalosa espionagem comercial (que inevitavelmente vai prejudicar o banco público), tinha de ter sido impedida pela tutela da CGD, isto é, pelo próprio Teixeira dos Santos?

Finalmente Constâncio tem as "mãos manchadas" com inquéritos recentes e com outros mais antigos, todos feitos por razões e queixas análogas. Só que os factos que motivaram os inquéritos mais antigos - "convenientemente" arquivados - tinham de ter sido do conhecimento da Comissão do Mercado dos Valores, na altura presidida por… Teixeira dos Santos. Será esta a outra razão do silêncio do actual ministro, o receio de que se note muito que pode ter as mãos tão "manchadas" quanto Constâncio?

Honório Novo (do JN)
Comentário
Salvaguardadas as devidas "distâncias" partidárias, e esquecendo por breves momentos que os comunistas comem criancinhas ao pequeno almoço, haverá alguém capaz de contrariar seriamente o que está acima escrito sem hipotecar a sua própria seriedade?
Nós já estamos cansados de saber que o regime comunista fracassou por não ter sabido auto-purgar-se dos desvios doutrinários que o tornaram incoerente e opressivo; mas, e o nosso? O regime capitalista em que vivemos, gordos de liberdade e de democracia, com estes exemplos a sucederem-se em catadupa, não terá também já fracassado há muito tempo? E se assim for, por que não procuramos nós outros regimes?
Que qualidade poderá ter uma Democracia que confere o poder ao povo e o impede de corrigir em tempo útil estas aberrações e abusos por parte de quem o representa?
RV

03 janeiro, 2008

Em Sá da Bandeira






É um dos prédios mais elegantes e bem conservados da Rua Sá da Bandeira. Não sendo perito em arquitectura, dá no entanto, para perceber como antigamente também havia fantásticos arquitectos.

02 janeiro, 2008

REVOLTANTE!!!

De novo Hélder Pacheco a servir de referência para o "Renovar o Porto". Tenho uma especial simpatia por este portuense que não se explica apenas pelo seu apêgo sincero à cidade do Porto e à sua história, mas sobretudo porque o seu modo simples e objectivo de sentir a cidade espelha com fidelidade rara o sentimento tripeiro. Tenho a certeza que esta é também uma emoção partilhada pela maioria dos portuenses.

É nele que revejo o meu Porto, o Porto autêntico, sem vendidos, aberto ao exterior, mas dos portuenses, aquele Porto liberal e insubmisso que se afirmou como cidade empreendedora e de trabalho, muito antes do advento das televisões.

Infelizmente, a televisão foi para o Porto um veículo de progresso envenenado. Por estarem (como praticamente tudo, aliás) desarmoniosamente sedeadas em Lisboa, as televisões cresceram e desenvolveram-se de forma a atrair para a capital tudo o que de mais relevante se foi realizando no país, levando a que o sentimento de orfandade se apoderasse de muitos portuenses a ponto de os "obrigar" a partir para o estrangeiro ou para a capital com receio de não conseguirem vingar na sua terra. Esta é a realidade.

Por isso, é-me impossível deixar de sentir alguma hostilidade para com aqueles que, sendo de cá, e a pretexto de se quererem afirmar como gente moderna e optimista, sintonizada com os valôres da capital de um império já falido, defendem a tese do "todos nós somos culpados" como que a tentarem branquear mais de três décadas de políticas instáveis e progressivamente centralizadoras acompanhadas de promessas que nunca foram nem serão cumpridas.

Esta crónica de Helder Pacheco é muito mais do que um testemunho dessas arbitrariedades, é um convite à revolta. Se Lisboa e o Sul pretendem morrer por excesso de benesses, então que o façam dentro da sua própria casa.

Já nos comeram a carne. Estaremos dispostos a dar-lhes também os ossos?

E se alguém lhes deitasse os paineis abaixo, será que os meninos de Lisboa e o senhor Procurador nos impingiam mais um processo? E como o baptizariam? "Muppies Azúis e Brancos"?

Francamente, no mínimo, era o que mereciam.

01 janeiro, 2008

A CÂMARA M. DO PORTO SÓ SABERÁ FAZER ISTO?


Como já vem sendo hábito, é esta a imagem de marca do Dr. Rui Rio, todos os fins de ano.


Para não fugir à regra, é com este espectáculo degradante mais o casario da cidade a cair de pôdre que os portuenses e turistas são brindados permanentemente.

E os homens do lixo, como sempre, são os únicos responsáveis...



GRANDE PRESIDENTE!





31 dezembro, 2007

O regresso da Santa Aliança

H I P P O C R A T E S
Finjamo-nos de desentendidos e de inocentes e agradeçamos a Luís Filipe Menezes o facto de ter lembrado um dos pactos obrigatórios que tem vindo a garantir a existência do Bloco Central. Com aquela candura fingida que usa nas suas declarações, o líder do PSD lembrou que estava decidido dividir, entre os dois maiores partidos do regime, o Banco de Portugal e a Caixa Geral de Depósitos. Convenhamos que não é exactamente assim. O bolo a repartir não eram as instituições, propriamente ditas, mas sim as suas presidências. Há uma diferença, evidentemente, mas agora sabemos que o pacto existia, e isso é importante.

Finjamo-nos de ainda mais inocentes (como se a candura de Menezes não nos impressionasse), para nos perguntarmos se é mais importante ter um representante partidário na presidência de cada um dos bancos do regime, ou, pelo contrário, colocar lá gestores acima de toda a suspeita.

Estes pactos não são originalidade portuguesa; existem como um contrato subterrâneo em vários países onde o Estado desempenha um papel essencial na economia. Mas a reivindicação desse pacto, da forma pública e cândida como Menezes a mostrou, é que parece uma novidade. Parece - mas não é. Os cargos públicos são normalmente distribuídos como uma espécie de garantia da sobrevivência do Bloco Central, o político e o dos interesses. Simplesmente, é tal a conivência entre aquilo que devia ser o debate político, e o que se tem visto ser a lógica dos interesses do "centrão", que já não há diferenças entre uma coisa e outra. Ou seja, para o que nos interessa a política morre às mãos dos interesses dos dois partidos do regime. Para quem pensava na política como uma arte nobre, um lugar de debates, um território de causas e de ideias - o retrato não é edificante.

Isto acontece, não nos esqueçamos, por causa do BCP, o principal banco privado português, a que a lógica de outros interesses conduziu à subserviência e à irrelevância como instituição, a ponto de os seus principais accionistas estarem dispostos a entregar a sua direcção ao presidente da CGD, positivamente conotado e ligado ao PS. Convenhamos que não é exactamente assim não foi o Estado nem o governo (entidades misteriosas que se confundem cada vez mais, à boa maneira latino-americana) que impuseram o presidente da Caixa ao BCP. Foram os accionistas do BCP que, manietados e cercados (pela ameaça de investigações policiais, pela descoberta de fraudes e de manipulação, pela evidência de actos de gestão que podem ser criminalizados), recorreram ao presidente da Caixa, convidando-o a livrarem o banco de mais trapalhadas. Em outros países, um convite desta natureza seria amplamente discutido. Em Portugal é apenas o sinal de um "capitalismo menor", subserviente e incapaz de existir sem os favores do Estado, colocando-se sempre a jeito e para melhor absorver favores, simpatias, influências e até negligências - como a do Banco de Portugal diante das operações irregulares que o BCP terá cometido desde 2000.

O ano termina desta maneira com o Estado fortalecido e com os cidadãos indefesos. Os interesses dos grupos financeiros coincidem com os interesses do Estado; é uma santa aliança que deixa os cidadãos ainda mais desprotegidos, incapazes de reagir diante do encerramento de centros de saúde e de blocos hospitalares, indefesos diante do autoritarismo da máquina do Estado, abandonados às extravagâncias fiscais, sitiados pela vida difícil que se anuncia para 2008. É nisso que coincidem indecorosamente os partidos do regime, transformados em auxiliares do Estado em vez de se colocarem do lado dos cidadãos. Só isso explica o comportamento vergonhoso de eleitos que não se manifestam e aplaudem tanto o encerramento de hospitais como as perseguições políticas a que assistimos durante o ano de 2007. Estamos bem entregues a esta gente, não há dúvida.


Francisco José Viegas
(do JN de 31/12/2207)

Comentário de "RenovaroPorto"
Destaquei a negrito aquilo que me pareceu resumir o essencial do artigo de José Manuel Viegas e limito-me a deixar no ar esta simples questão:

descontando os tiros (com vítimas mortais) da noite do Porto, este tipo de criminalidade de que Francisco M. Viegas nos fala, não justifica o levantamento imediato de um processo de investigação por parte da Procuradoria Geral da República? Se não, por quê? Suporá porventura o senhor Procurador que este tipo de corrupção é inofensivo para os cidadãos do Porto e do resto do país? A do futebol, será assim tão diferente, para pior?

Outra situação preocupante:
Já foi dada a respectiva informação pública por parte P.G. de quem violou o segredo de justiça com a divulgação a Ferro Rodrigues de que o seu nome constava do Processo Casa Pia? Se foi (como Ferro Rodrigues declarou em Tribunal) Saldanha Sanches, quem informou este senhor? Neste caso, vamos investigar como deve de ser ou ficamos por aqui?

Será que as autoridades responsáveis pelas investigações da criminalidade nacional se contentam (como parece) com a noite portuense e apenas com os "Brunos Pidás"?

O que Francisco M. Viegas nos relata, será porventura ficção? Conspiração? Calúnia? Invenção? Mas por que raio é que continuamos a cerimoniar com os adjectivos qualificativos quando se trata de actos ilegais alegadamente praticados por gente poderosa?

Não será este hábito execrável uma forma aviltante de branqueamento do poder político?

27 dezembro, 2007

Ser tripeiro de "gema", para quem não sabe o que é...

Uns chamam-lhe saudosismo, outros passadismo. Alguns consideram fora de moda, inútil e, quando não, reaccionário o culto da memória consagrada como apego às referências e respeito pelas gerações que nos antecederam. E também de compreensão do significado humano dos acontecimentos que moldaram a História.

O Porto sempre foi cidade ciosa das suas memórias - sobretudo as ligadas aos faustos que marcaram o progresso do país. Uma cidade "grave, ponderada e séria" (no dizer de um jornalista francês) não poderia ser fútil, fácil, inconsistente, do tipo Maria-vai-com-as-outras, como agora é moda para agradar a ímpetos modernizadores com tanto de oportunistas como de invertebrados. Cultivador emérito da memória da cidade é o meu jovem amigo e leitor fiel destas crónicas, João Manuel, que, com a sabedoria das suas 87 primaveras e a persistência de um cidadão honrado, vai contribuindo, através do riso, para vermos a quantidade de reis nus que proliferam nesta maltratada República. Mas, para ele, cultivar a memória é também retratar, em flash-back literário, momentos, factos e personagens inesquecíveis que revelam o quotidiano portuense ao longo do século XX. Nos bons e nos maus momentos. Evocando-os graciosa e nostalgicamente, traz-nos a ambiência e a recordação de momentos perdidos num tempo sem regresso.


Brindou-me agora com um texto em verso, original, autorizando-me a fazer o que quisesse com ele. Acho-o tão carregado de simpatia pela realidade simples e anónima da cidade que resolvi, a título de brinde natalício, partilhá-lo com os leitores. Chama-se "Razão de ser" e começa assim "À porta senti bater / E ao espreitar pelo postigo / Nesse instante quis saber / Quem vinha falar comigo! // Era a saudade!... // Com vagar a porta abri / E logo lhe disse ali: / - Ó saudade, vai-te embora / Não venhas lembrar-me agora / O passado que passou!... // Ela que era teimosa / Pediu licença e entrou / - Que me vens aqui falar? / Para quê eu recordar / A vida que foi vivida / Tão alegre e tão sentida? / Ó saudade, vai-te embora / Para quê eu recordar / Ainda o sol a nascer / Na Rampa da Corticeira / Lá andava a carquejeira / Rampa abaixo! Rampa acima / O suor molhando o chão / Cada peso, grande rima / Pra ganhar o negro pão!"


A Calçada da Corticeira serve de introdução ao episódio seguinte (sugerido por uma destas minhas crónicas, alusiva às praias fluviais da margem esquerda), que nos traz imagens desses "dias do vinho e rosas" em que dificuldades e amarguras não apagavam a esperança, nem muita gente (contrariamente ao que o país visto a partir da capital por série televisiva recente faz crer) se deixava amarfanhar pela opressão. Vamos, pois, atravessar o Douro "O Santos era um senhor / E, na margem, lá estava / Era um grande nadador / E que bem que ele ensinava. // - Vamos prà água, rapazes / Com força para aquecer / Todos juntos são capazes / De nesta "luta" vencer // E era quem mais nadava / E o caíque a acompanhar / E se a força a algum faltava / O Santos logo atirava / A corda para se agarrar // Do outro lado era a margem / Do "Borras" e do "Aurélio" / E ali seria a paragem / Para o tal pequeno almoço / Sem espinha nem caroço! // De fígado eram as iscas / O presunto com a brôa / E essas tais "pataniscas" / Mesmo à moda de Lisboa... / Para o "môlho", o moranguinho / Vindo da Quinta da Vinha / Do Sabastião Ferreira Mendes / Portista e Homem de Bem / Que garrafas sempre tinha / Para oferecer a alguém! // Havia o jogo da bola / Malha e até sueca... / Tronco nu e de calções / Era assim a patuscada / Porque aquelas ambições / Eram Amizade e mais nada.


É claro que, para os defensores do Simplex das emoções (quantas menos melhor, para não nos virem incomodar), falar da Quinta da Vinha e dos inesquecíveis piqueniques que lá se faziam aos domingos, nada diz. Mas quanta doçura de viver eles significavam para os catraios como eu, ávidos de experiências e sensações, nem que fossem ao pé da porta num almoço no campo. Talvez por isso, o poema acaba dividindo-se entre certo apelo ao esquecimento (para que as ausências não magoem demasiado) e a inevitabilidade da memória "Ó Saudade, vai-te embora / E fui fechar o postigo! / O tempo foi porta fora / Fiquei a falar comigo / Do que fui e o que sou... // De repente // Reparei que naquela hora // Teimosamente // Sempre a saudade ficou!".(Vendo bem, quem tinha razão era a inesquecível Ilse Losa ao interrogar-se "O que seríamos nós sem as nossas recordações?...")


Helder Pacheco
(Prof.e escritor)
do JN de hoje

21 dezembro, 2007

O HOMEM A ABATER

TÊEM MUITOS MAIS DEFEITOS QUE TU, E APENAS POR ESSA RAZÃO, TE INVEJAM, DIFAMAM E PERSEGUEM. COMO UMA PEÇA DE CAÇA. ENTRETANTO, VESTEM A MÁSCARA DA SERIEDADE E PROTEGEM OS PEDÓFILOS, SEM PINGO DE VERGONHA...

FALO DE ALGUNS INIMIGOS POLÍTICOS E CLUBÍSTICOS, FALO DO CENTRALISMO QUE FARIA INTIMIDAR O PRÓPRIO SALAZAR (CONHECIDO COMO UM DITADOR).

DEIXA-OS FALAR E PROSSEGUE O TEU TRABALHO DE SUCESSO CONTRA "TUDO E CONTRA TODOS" PORQUE SÓ TENS CONTIGO OS PORTUENSES E PORTISTAS DE TODO O PAÍS A TEMPO INTEIRO, QUE NÃO SÃO CAPAZES (COMO ALGUNS INFELIZES) DE SEPARAR A CIDADE DO PORTO DO CLUBE QUE COM TANTO SUCESSO E COMPETÊNCIA ADMINISTRAS E ENCHES DE ORGULHO.

VIVA O FUTEBOL CLUBE DO PORTO! VIVAS TU PINTO DA COSTA, E QUE MORRA DE PÔDRE O CENTRALISMO!

FIZESSEM O MESMO PELO PAÍS, OS NOSSOS 'GOVERNANTES' , ESTARÍAMOS TODOS MUITO MELHOR, COMO O F. CLUBE DO PORTO.

SÓ ELES É QUE TÊM 'CORAGEM' PARA DIZER O CONTRÁRIO, E SÓ ELES MERECEM UM 'APITO NEGRO' PARA OS PROCESSAR E CONDENAR PELAS PROMESSAS NÃO CUMPRIDAS DESDE O 25 DE ABRIL A ESTA PARTE.

O DESEMPREGO PROSSEGUE.

FELIZ NATAL A TODOS!

Nos sapatos do 'outro' ou HÁ LIMITES MESMO NA LUTA POLÍTICA

Caro Dr. Pacheco Pereira,Vamos supor que algum intelectual renomado, vá lá, um fazedor de opiniões para além da própria, a propósito do processo Casa Pia (I e II), dos ditos daqueles dois advogados casapianos ou dos seus livros, das revelações retardadas da dra. Catalina, das juras dos políticos das últimas décadas sobre a atenção desvelada que deram ao assunto, se lembrava de sentenciar:-

«que há um "meio" muito pouco saudável EM LISBOA, que se tem vindo a criar nos últimos 20 anos, que goza de consideráveis cumplicidades e complacências, policiais e políticas, no PS e no PSD, onde tudo acontece e parece que nada acontece, e que, quando se diz aquilo que é uma evidência, cai o Carmo e a Trindade»;


ou:- «… Numa também típica reacção "italiana" - os mafiosos dos Sopranos quando são perseguidos pelos seus crimes respondem que se trata de uma perseguição aos italo-americanos -, levantam-se vozes indignadas a defender, imaginem, LISBOA E O BENFICA…»;

e ainda:-
«… E é exactamente por isso que a doença que grassa já há uns anos (…) me preocupa e não me cala. Não foi o PORTO que a inventou, foram LISBOETAS que a fizeram e que a mantêm com todos os maus argumentos e com a única lógica que conhecem, a do poder e a do dinheiro, com a mesma dimensão do Bada Bing. Tenho a veleidade de considerar que, falando desta doença e destes "meios", sirvo melhor a minha terra…».

Como ficariam o Carmo e a Trindade acima citados? O que julgariam os lisboetas de tais analogias? O que sentiriam ao verem-se envolvidos na subtil leviandade de se tomar a parte pelo todo?Só fiz este exercício para que se saiba o injusto murro no estômago que alguns, como eu, sofreram ao ler o seu texto.

CAA
(Extraído do Basfémias)

20 dezembro, 2007

O Dr Pacheco Pereira é intelectual e abruptamente desonesto

O Dr Pacheco Pereira , no seu "Abrupto" , foi intelectualmente desonesto quando perorou sobre as ligações perigosas entre a claque dos Superdragões e os mais recentes acontecimentos na noite do Porto.
Segundo este distinto político que não vai a nenhum sufrágio de jeito há longos anos, a melhor forma de acabar com a violência no Porto é extinguir a claque portista .

Este subido raciocínio deste intelectual que se diz do Porto porque cá terá nascido , mas que de portuense e nortenho nada tem há muitos anos,estriba-se no facto superveniente que se resume em poucas palavras. Todos os males que vêm ao Porto ( e daí talvez ao resto do país...) têm origem no F. C Porto e nas seus adeptos organizados em claques.

Mesmo dando de barato que possa existir algum membro de uma claque dos SuperDragões que venha a ser julgado culpado por qualquer crime , esta generalização é tão abusiva como intelectualmente desonesta.

Aceitando este raciocínio como válido seríamos obrigados a pensar que uma pessoa intelectualmente tão dotada como o dr Pacheco Pereira, também acha que é imprescíndivel acabar com a raça dos benfiquistas para devolver a segurança ao país , depois de se ter descoberto que o cabo Costa,o famoso serial killer de Santa Comba Dão, era não só adepto ferrenho do SLB... como até presidente da Casa do Benfica de Santa Comba Dão!

Caro ex-conterrâneo Pacheco Pereira : por amor de Deus , não finja que é estúpido , ou no mínimo , não faça de nós estúpidos. Deixe -se ficar na Marmeleira a gozar a reforma que a política lhe arranjou e não fale do que não sabe !
Exército de Salvação Nacional

Batalhão Bússola
Destacamento Roberto Ivens

Manuel Serrão

ESTADO DE DIREITO OU PARA ENDIREITA?

Com tanta trapalhada com os meandros da Justiça Nacional, é de facto muito complicado descobrir um atalho que nos possa projectar para um discurso optimista.
Demagogia e populismo, são as expressões mais ouvidas, usadas e abusadas pelos profissionais da política sempre que confrontados com factos incómodos e para os quais não encontram resposta. Espartilhados no colete de forças das suas contradições, a fuga para a frente manifesta com melancólicos recursos à política da frase-feita, é o singular argumento que lhes sobeja para tentar reforçar a credibilidade das suas teorias.

O artigo na última página do jornal Público de hoje, da jornalista Helena Matos, faz um enquadramento perfeito dos três casos mais mediáticos relacionados com a criminalidade (UGT, Casa Pia e Noite Branca) acentuando-nos a sensação de insegurança e descrédito com as mais altas e instituiuções deste país.

Fundamentemos: foram precisos 20 anos (7 300 dias), entre presunções de inocência e suspeições para o Tribunal decidir absolver 36 dos principais arguidos no processo UGT. Isto, nunca será justiça em parte nenhuma do bom senso humano, porque da má fama, entretanto gerada à sua volta, esses arguidos nunca mais se livram.

O mais escandaloso destes casos, pela circunstância de envolver crianças desprotegidas, o Casa Pia, em que alegadamente estão relacionadas figuras públicas - como políticos, embaixadores, médicos e advogados - arrasta-se penosamente no tempo, cruzando-se agora com fundadas suspeitas pelas recentes alterações ao Código do Processo Penal que contempla prazos mais curtos para a prescrição de processos... Coincidências? Que dizer de uma Justiça que pela sua lentidão excessiva se põe a jeito da especulação pública?

Por último, sobre os supostos responsáveis pelo mais recente assassinato do segurança Beto Maluco, adivinha-se alguma precipitação no enquadramento criminal por parte das entidades judiciais ao qualificá-lo de "terrorista", tendo como não despiciendas as graves acusações da mulher de Bruno Pinto (Pidá) que denuncia a existência de um telemóvel justificadamente remetido por um agente da PJ com mensagem para tentar angariar testemunhos contra o seu marido.

Afinal, o que se estará a passar? A Polícia Judiciária e o próprio Ministério Público estarão tão coesos como o Governo faz crer? O ministro da Administração Interna garante-nos confiar plenamente na investigação policial. E nós? Poderemos confiar?

Que estranhos jogos serão estes, entre membros da mesma equipa que a população não consegue entender? Será porventura neste clima de suspeita fundamentada pela própria acção das Instituições do Estado (Procuradoria Geral , Ministério da Justiça e da Administração Interna) que o senhor Ministro da Justiça pensa convencer a opinião pública que esta guerra semi-silenciosa entre pares não passa de "estados de alma"?

19 dezembro, 2007

Rui Rio bajula Lisboa

Por mais que nos esforcemos, não se consegue descobrir nas intervenções de Rui Rio, desde que é Presidente da Câmara, uma única que nos dê a convicção de estar de bem com o Porto e com os Portuenses.

Pelo contrário, Rui Rio não perde uma oportunidade para se mostrar crispado e frio quando fala do Porto e bajulador subserviente quando se refere a Lisboa.

Particularmente ( e creio que para muitos portuenses), não é novidade nenhuma o seu desejo inconfessado de se guindar um dia à Presidência do PSD provavelmente para chegar a 1º.Ministro, mas mesmo assim chega a ser revoltante a sua apetência indomável para nos passar atestados de menoridade.

Já todos sabemos, também, da guerra que moveu ao Jornal de Notícias e ao seus jornalistas, a quem acusa de perseguição e de outras maldades. Agora, arranjou outros inimigos; virou-se contra a Polícia Judiciária e para o DIAP do Ministério Público do Porto. D.Quixote não faria melhor com os seus moínhos de vento. É caso para se perguntar de que é que gostará Rui Rio no Porto.

Enquanto o Porto cai de pôdre e sujo e as poucas obras que se realizam surgem a conta-gotas, Rui Rio preenche o tempo no site camarário com elogios pegajosos ao Procurador Geral, possivelmente por ter tido a infeliz decisão de gerar problemas hierárquicos no seio da própria Procuradoria e da Polícia Judicária, e qualifica os agentes locais de incompetentes...

Mais uma vez, enganou-se Sr. Rui Rio. Incompetente é o senhor e já teve tempo para ter percebido isso. Vá para Lisboa por favor.

É ASSIM MESMO SENHORES, DÊEM-SE AO RESPEITO

Nenhum procurador do DIAP do Ministério Público do Porto aceitou voluntariamente integrar e equipa especial para investigar as mortes e crimes da noite do Porto nomeada pelo Procurador Geral da República!

Magistrada lisboeta Helena Fazenda teve de recorrer à ajuda de dois procuradores provenientes do DCIAP de Lisboa devido à recusa dos 45 procuradores do DIAP do Porto!

18 dezembro, 2007

DesNORTE?

Aqui, o articulista do JN destaca e compara "os tiques e as poses" dos indivíduos ligados à noite do Porto, como uma imitação da marginalidade norte americana , mas logo à noite, quando chegar a casa, é bem capaz de não dispensar um bom filme de violência importado da terra do Tio Sam...

Afinal, de que nos queixamos? Não é destes produtos "culturais" americanos que os portugueses e grande parte da Europa Comunitária mais consomem?

Os resultados já começam a notar-se: há cada vez mais assassinatos nas escolas europeias praticados por alunos contra alunos. Pode não explicar tudo, mas que contribui para o aumento da criminalidade, disso não devemos ter dúvidas.

oooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo

O senhor Ministro da Justiça, Alberto Costa, congratulou-se com a articulação perfeita entre a PJ e o Ministério Público, quanto ao sucesso da accção da PJ do Porto na operação "Noite Branca", mas esqueceu-se de acrescentar que essa "articulação" não emperrou devido ao voluntarismo de alguns agentes que não são remunerados por serviço extraordinário.

Pergunta inocente:
será que dos cerca de 56 mil contos de que o Governador do Banco de Portugal (se fosse 1º.Ministro corava de vergonha se com estas aberrações tivesse a lata de mandar o povo fazer sacrifícios) dignamente precisa de levar todos os mêses para casa para fazer o seu transcendente trabalho, não sobra algum para pagar esse trabalho de risco aos agentes da PJ? Não seria mais profícuo dar-lhes as condições que a função exige para então lhes pedir uma maior rapidez de acção e apresentação de resultados?

Um Governador do Banco de Portugal será mais útil à sociedade do que a segurança de todos nós? Será esta comparação demagógica?

Mais: atrevo-me a considerar o Governo parcialmente responsável pelo aumento da criminalidade na cidade do Porto. A centralização tem destas consequências e podem tornar-se crónicas se os responsáveis políticos continuarem convencidos que o empobrecimento da região e o desemprego não tem qualquer relação com a criminalidade. Qualquer idiota compreende isto, menos quem devia.

PS:
Exmo. Sr. Procurador Geral da República:
Não seria oportuno trocar de "agulhas"? Em vez de V. Exa. mandar e nomear para o Porto equipas de investigação e Procuradores Adjuntos, fazer ao contrário e nomear uma equipa do Porto para trabalhar em Lisboa? É que pela capital, os intocáveis investigadores parecem estar meio adormecidos do processo Casa Pia. Não lhe parece? Tantos anos e ainda nada? Estranho...

17 dezembro, 2007

MegaNatalices










Ontem, ao fim da tarde, em Gonçalo Cristóvão

Às autoridades competentes

Heiii!? Psssst!? Heiii!? Psssst!? Ó faz favor?!!!

Desculpem-nos V. Exas., mas já nos dói a voz e as mãos, de tanto recordar a V. Exas. que continuamos à espera que aqueles meninos que foram vítimas de uns tubarões famosos aí da capital sejam ressarcidos (se é que isso ainda é possivel) dos crimes brutais de que foram vítimas. Exactamente, é isso mesmo! Estamos a referir-nos ao famoso caso "Casa Pia". Afinal quem é culpado? Quem é inocente? Em Lisboa! É verdade Exas., em Lisboa! Parece impossível, Exas., mas é em Lisboa!

Ficamos muito gratos que velem rapidamente pela segurança do Porto, que se limpe depressa a cidade dos criminosos da noite, mas gostaríamos de ver resolvido esse hediondo crime que despedaçou definitivamente a vida de muitas crianças em Lisboa.

É que, já são passados alguns anitos e cá pelo Porto o pessoal anda um tanto confuso e já começa a coçar a cabeça para perceber em que é que a Polícia Judiciária de Lisboa é mais célere e competente que a sua congénere do Porto. Cá para nós, parece-nos que o contrário é capaz de ser eventualmente mais verosímil. Não acham, V. Exas.?

Já agora, a pretexto das eventuais ligações das claques dos super-dragões ao crime no Porto, sugerimos que vasculhem as claques benfiquistas dos Diabos Vermelhos porque consta por aqui à boca pequena que também têm ligações ao crime na capital, incluindo ao atrás referido, o chamado processo "Casa-Pia". É só uma sugestão de quem vive no Porto.

Muito obrigado a V. Exas.

Bofetada de luva branca

OPERAÇÃO DA EQUIPA DE INVESTIGAÇÃO AOS CRIMES DA NOITE PORTUENSE FORAM DA RESPONSABILIDADE DA POLÍCIA JUDICIÁRIA DO PORTO MANDATADA PELO TIC (TRIBUNAL DE INSTUÇÃO CRIMINAL) DO PORTO, SEM QUALQUER ORIENTAÇÃO DA EQUIPA DE LISBOA DESIGNADA PELO PROCURADOR GERAL PINTO MONTEIRO!