03 janeiro, 2011

Grande entrevista de Pedro Baptista a jornal da Galiza

Novas da Galiza - Pode falar-nos um pouco dos seus antecedentes em termos políticos? Sei que o seu percurso começou durante o fascismo.

Pedro Baptista – Aos sessenta e alguns anos é a segunda vez que estou metido no projeto de criação de um partido. Na primeira vez tinha 21 anos. E às vezes dou por mim a fazer comparações entre uma coisa e a outra. As comparações não as faço muito em torno de mim mas em torno do mundo que me rodeia. E de facto são mundos diferentes.

NGZ - E qual foi esse primeiro primeiro partido?

PB – Foi o Grito do Povo, um jornal-movimento que deu origem à OCMLP, que era uma organização comunista, como eram todas, com uma orientação maoísta, como eram quase todas, que ultrapassou e abafou um pouco o PC, como também todas, no fim dos anos 60. E essa foi a minha primeira experiência política organizada, como um dos fundadores desse movimento.

NGZ - E esse segundo momento?

PB – Não tem nada a ver. Num caso e noutro, resulta de uma indignação pessoal e de sentir a nível social essa mesma indignação. Neste caso eu era militante do PS, na oposição já há muito tempo, principalmente neste período do [Governo de] Sócrates, nos últimos anos, estava completamente na oposição interna. Fui verificando a impossibilidade de fazer qualquer alteração interna dentro do PS, as coisas estavam montadas em termos de um aparelho e de uma oligarquia, que corresponde no fundo à oligarquia financeiro-política que domina o país. Senti na sociedade e várias pessoas falaram comigo no sentido de se avançar com uma iniciativa como esta. Se quer que lhe conte a estória específica, isto surgiu de uma conversa num canal de televisão daqui do Norte, num debate, em que eu, que sou que sou um homem de esquerda, convergi com alguém vindo da direita, dos setores conservadores, como é o Anacoreta Correia. Concordámos que havia uma situação que implicava a criação de uma força autónoma, aqui no Norte, para defender os interesse da Região. Este é o ponto essencial de tudo, uma vez que isto não se tratava de nenhum processo de desenvolvimento, tratava-se simplesmente de uma situação dramática que era a decadência, em particular dos últimos dez anos, em que o Norte foi a única região do país a regredir em todos os indicadores: económicos, sociais, culturais, etc. Então colocámo-nos de acordo sobre a necessidade de criar uma força autónoma. Porquê? Porque as pessoas do Norte têm consciência social e económica de que estão a ser espoliadas pelo Governo Central. Têm também consciência de que não conhecem os deputados que elegem de sítio nenhum, que vão tratar da vidinha deles e em momento nenhum pensar nos interesses do Norte. Aqui é que está o clique da questão: temos de perceber que cada um de nós como cidadão, contribuinte e como eleitor, como participante da democracia, tem direito a um voto, e esse voto é tão precioso como numa revolução uma espingarda. E portanto cada cidadão do Norte deve perceber que tem uma arma poderosíssima, que é o seu voto, mas que não deve ir para o inimigo, deve ficar consigo, deve ir para uma força que defenda o eleitorado – esta parte de Portugal – e ao defender esta parte de Portugal defende Portugal. Porque os votos que têm sido utilizados até agora pelo Norte têm ido diretamente para os partidos que dizem que estão organizados por todo o país mas que na verdade são completamente dominados pelos diretórios nacionais, que estão sediados em Lisboa. A lista do Porto, de Braga ou de Viana ou de Vila Real ou de Bragança do PS, do PSD, do CDS ou do PCP – mesmo do Bloco de Esquerda – é tudo gente de confiança da direção nacional dos respetivos partidos – ou seja, direção de Lisboa – que lhes dá garantias que eles em momento nenhum colocarão a defesa do seu eleitorado acima da defesa da estratégia desses partidos. E qual a estratégia desses partidos, sediados em Lisboa? É a defesa dos interesses da região de Lisboa, a defesa dos interesses do centralismo, a defesa dos interesses de uma corte onde vão colocando pessoal – seja como assessores, seja como secretários de Estado – em todos os lugares da administração e da política central. O necessário é que os cidadãos façam o clique. E esse clique é organizar uma força autónoma do Norte para defender os interesses do Norte, votando em peso neles. Nesse caso tudo estremecerá e tudo mudará. Nesse caso, se os partidos que são dirigidos por Lisboa forem derrotados por um partido que é dirigido pela região que representa, então tudo mudará. É este o projeto do Partido do Norte – um projeto talvez com alguma loucura – mas em 1969, 70 e 71, quando decidimos derrubar a ditadura, também houve gente a dizer que era um projeto louco, e no entanto passados três anos a ditadura estava derrubada. E foi derrubada pelo exército porque se criou um movimento de opinião a nível popular que influenciou o próprio exército. O próprio 25 de Abril foi o resultado do trabalho de revolta e de contestação que foi criado pelas ideias. As ideias é que se transformam em factos.

NGZ – Quais os objetivos imediatos do partido? Os princípios e os objetivos misturam-se um pouco. Um dos objetivos primaciais e primordiais do Partido do Norte é criar em Portugal Autonomias Regionais. As Autonomias Regionais dos Açores e da Madeira têm sido um sucesso absoluto – para eles. Se nós tivermos Autonomias Regionais em todo o país que sejam um sucesso para essas regiões são um sucesso para o país. Nós temos de perceber que o país é um todo que é constituído por partes. Um todo não é uma coisa abstrata, uma coisa que só existe no céu – o todo existe aqui na Terra, e é constituído por partes. Ora se as partes funcionam, se as partes se desenvolvem, o todo desenvolve-se. Se as partes não se desenvolvem, o todo não se desenvolve. Nós temos como objetivo…

NGZ - A regionalização, talvez?

PB - Exatamente. A criação de Autonomias Regionais, com Governos Regionais eleitos, que são necessárias para o desenvolvimento e são necessárias também no contexto de uma reforma imediata global do Estado para fazer frente à situação de défice público que resulta das políticas centralistas e do regabofe explorador em que o centralismo tem vivido de ter um aparelho de Estado a nível central absolutamente colossal, enquanto que ao nível da ligação com as populações, ao nível regional, é completamente deficitário. Isso provoca um terrível défice das Finanças Públicas e também uma grande ineficiência do aparelho de Estado. É essa a situação que se pretende inverter. Nós temos que lutar contra a cabeça do polvo para eles manterem e reforçarem as ligações do Estado às regiões e às pessoas – porque juntas de freguesias, câmaras municipais, tudo isso é Estado – e quando nós falamos de regionalização é uma regionalização para diminuir a despesa central do Estado e para diminuir o défice público. Para diminuir a despesa do Estado, para aumentar a eficiência do Estado e para aumentar o desenvolvimento económico. E nós somos contra a ideia de roubar a capacidade de investimento ao país para concentrar nos três A, os três Abortos: o Caia-Poceirão [Alta Velocidade], o Novo Aeroporto de Lisboa e a Terceira Travessia [do Tejo]. Somos contra isso. Achamos que é preciso manter o investimento, mas o investimento junto da malha produtiva, onde se criam produtos transacionáveis e onde se criam produtos de exportação. Hoje toda a gente fala disto mas nós [MPN] dissemos isto há sete meses e foi um escândalo na altura. Este é o caminho. Mas isso implica cortar com os investimentos faraónicos. Este Governo tem uma vantagem incrível – que é uma desgraça para o país – que é o apoio do PSD e do CDS ao corte nas bases do aparelho de Estado para manter os clubes de cortesãos no Terreiro do Paço, e para manter o esbulho do país (em relação ao investimento público), para a deslocação das verbas da linha Porto-Vigo, e a deslocação de todos esses investimentos para o Caia-Poceirão, Novo Aeroporto de Lisboa e Terceira Travessia tem o apoio do Bloco de Esquerda e do PCP. Chegamos à conclusão que os deputados dos cinco partidos estão completamente alienados do país. Portanto nós queremos a regionalização para que as regiões do país tenham auto-governo e voz, legal e autónoma, gastando menos dinheiro ao país. Para que o Estado sirva para ajudar as pessoas no ponto de vista social e sobretudo ajudando-as no ponto de vista económico dinamizando o tecido que existe em Portugal, de pequenas e médias empresas, dinamizando-as, seja através de incentivos, seja através das mil e uma propostas que temos plasmadas nas nossas Linhas Programáticas que temos disponíveis no nosso site, abertas à discussão pública, e mais aquelas que se seguirão no período de debate que estamos agora a abrir com a sociedade para colher novas ideias e para auscultar mais pessoas. Os objetivos da regionalização, que se misturam um pouco com os objetivos do MPN, são estes. Em relação à questão concreta de como fazer a regionalização, ela só será feita na medida em que haja um grande clamor popular na sua defesa, nomeadamente na nossa Região. Desde que haja uma grande exigência popular para que ela seja feita. Em democracia as coisas são assim. Foi assim que foi feita nos Açores e na Madeira. E na medida em que haja deputados na Assembleia da República que sejam porta-vozes desta bandeira, essencial e não aqueles que utilizam a regionalização quando estão na oposição e se esquecem quando estão no poder, como tem acontecido com o PSD e o PS. Sempre que estão na oposição agitam a bandeira da regionalização e sempre que vão para o poder colocam-na na gaveta.

NGZ – Então o objetivo primeiro será serem eleitos para a Assembleia?

PB - O objetivo imediato e primeiro será elegermos um grupo parlamentar para a Assembleia da República, porque são as próximas eleições que temos.

NGZ - A Constituição de 1976 fala da instituição de Regiões Administrativas no país. Isso foi feito na Madeira e nos Açores. Portanto, a Madeira e os Açores já tiveram a sua regionalização. O que falhou no referendo de 1998?

PB - O que falhou não foi em 98, foi logo em 76. Foram criadas as Regiões Administrativas nos Açores e na Madeira e não foram criadas no Continente. E quer que lhe diga porquê? Porque nos Açores tinham medo de uma coisa chamada FLA [Frente de Libertação dos Açores], que era um grupo separatista e na Madeira de um grupo semelhante que era a Frente de Libertação da Madeira, FLAMA. Portanto foi o aparecimento de grupos, que aliás entabularam relações com os Estados Unidos nessa altura, dizendo que se em Portugal prevalecesse a esquerda e se a bandeira vermelha do PC flutuasse sobre Lisboa, proclamariam a independência dos Açores e da Madeira, que surgiu o contexto em que Mário Soares e o Partido Socialista acederam a cumprir a Constituição. Mas como no Continente não houve a mesma reivindicação, como os líderes regionais de Portugal Continental esqueceram rapidamente o que tinham aprovado na Assembleia Constituinte para a Constituição de 76, isso não aconteceu aqui. É uma situação vergonhosa, é um escarro da nossa história jurídica e da nossa história constitucional. Porque foram anos e anos de inconstitucionalidade por omissão. Agora repara, as regiões estão lá desde 76, não é desde 98. De 76 a 98 vão 22 anos. Em 97-98 o que aconteceu foi: vamos para a frente com a regionalização. Eu, que era deputado do Partido Socialista entre 95 e 99, acho que tive algum peso nisso. Sinto-me honrado de saber o peso que tive nisso e acho que outras pessoas que hoje estão no Partido Socialista também tiveram algum peso nisso. Ao mesmo tempo outras pessoas, também do Partido Socialista, e também de outros partidos, como o PSD e o CDS, fizeram tudo para impedir essa concretização. Aliás, deixe-me voltar atrás um bocadinho, porque logo em 91 foi aprovada a Lei-Quadro da Regionalização com Cavaco Silva, que logo a seguir decidiu rasgar todo esse capítulo da Constituição. A regionalização ia ser feita em 91, havia um ministro que estava concentrado nisso, que era um homem daqui do Porto, Valente de Oliveira, e até era bom perguntar-lhe a ele o que aconteceu, porque de repente, da manhã para a noite o primeiro-ministro decidiu rasgar um capítulo inteiro da Constituição e hoje até é Presidente da República, veja lá o absurdo deste país. Isto em 91. Em 97-98 tentou-se avançar finalmente e o que é que aconteceu? Mais uma vez, houve um acordo, uma conspiração, que incluiu o estado-maior do PS e do PSD – Marcelo Rebelo de Sousa e António Guterres cozinharam ali uma coisa com Jorge Lacão, que hoje é ministro do Partido Socialista, veja lá como estão as coisas, no sentido de que a regionalização só se podia fazer se houvesse um referendo. Foi então introduzido um aborto na Constituição – uma Constituição que nunca foi referendada passa a ter uma parte que tem de ser referendada. E a partir daí surgiu um referendo. Convenhamos que a Lei-Quadro das Regiões Administrativas não era uma grande lei-quadro, não garantia que a regionalização não aumentasse a despesa e a verdade é que com a campanha feita contra a regionalização pela direita e a extrema-direita, onde pontificou o Paulo Portas, com apoio de muita gente do PS, são naturais os resultados que se verificaram.

NGZ – O mapa das regiões também era diferente.

PB - A questão do mapa diferente serviu de pretexto a muita gente para dizer que era contra a regionalização. Enquanto que nós temos um mapa consensualizado, que é o das cinco regiões, nessa altura foi criado um mapa muito esquisito que parecia mais ao sabor dos interesses de cada uma das personalidades influentes do que propriamente duma tradição que já tínhamos que vinha dos anos 60. Hoje, com as cinco regiões-plano parece que tudo é mais fácil. Convém não esquecer que são as regiões-plano considerados em termos europeus, consideradas aqui na nossa tradição desde os anos 60. Correspondem às NUTS II e existem depois as NUTS III, que são as sub-regiões. Às vezes em Trás-os-Montes dizem, “nós não queremos pertencer a uma única região”. Ora o Norte tem vários Nortes. É por isso que o Norte é uma NUTS II, é uma região, e depois há oito sub-regiões no Norte, e todas elas têm uma palavra e têm os seus instrumentos de influência e de poder democrático dentro da Região Norte.

NGZ - Como é que se pode ser regionalista e nortenho vendo que foi no Norte que houve mais votos contra a regionalização, em 98?

PB – A situação de 98 não tem nada a ver com a situação atual. Eu até nem sei se foi assim, na Área Metropolitana do Porto a regionalização venceu numa série de grandes concelhos, como Matosinhos, na Maia e no Porto. O que se notou é que os partidos da direita, PSD e CDS, fizeram uma campanha muito forte contra a regionalização. O PS não fez campanha nenhuma, e portanto isso teve influência na votação das pessoas, que foi uma votação mínima. Convém não esquecer que o referendo à regionalização não foi vinculativo, mais de 50% das pessoas inscritas não votaram.

NGZ – O modelo que o Movimento Partido do Norte defende é semelhante ao modelo do Estado espanhol?

PB - Sim. Nós achamos que não tem que haver homogeneidade no desenvolvimento das regiões. Ou seja, a sua dinâmica depende das próprias características económicas, sociais, culturais e políticas de cada região. E portanto achamos que só deve existir a segunda pergunta no referendo e não a primeira. Ou seja, não deve haver uma pergunta a nível nacional a perguntar se querem ou não a regionalização. A única pergunta a ser feita deverá ser: “quer ou não quer a sua Região? Só a segunda pergunta tem algum sentido. Ainda bem que o PSD apareceu com a proposta das regiões-piloto, porque isso permite justificar este ponto de vista. Pode haver uma região que não queira [a regionalização], e se não quiser não tem, mas passado um ano ou dois já a vai querer. Não há ninguém no mundo que diga mal da regionalização.

NGZ - Depois de a ter.

PB - Depois de a ter. Não há nenhum país do mundo, muito menos da Europa que diga mal da regionalização. Ora estávamos a falar do modelo que ocorreu em Espanha. A Galiza tem uma dinâmica, a Euskádia tem outra dinâmica, a Catalunha tem outra dinâmica, e em qualquer delas foram criados graus de autonomia diferentes, como aqui com os Açores e a Madeira, isso dependendo das dinâmicas regionais. Mas para que isso exista é preciso uma dinâmica política regional, são precisos partidos regionais, é preciso haver país, porque nós em Portugal não somos um país, neste momento somos um deserto de que vive a capital. Não temos um desenvolvimento policêntrico como tem a Espanha, e é isso que se pretende, que as próprias regionalidades (ou como se diz em Espanha, as nacionalidades e as nações) desenvolvam o policentrismo e o desenvolvimento multipolar. Em Espanha surgem movimentos de independência o que é natural porque têm razões históricas, o que não é o caso daqui, onde não há qualquer reivindicação de independência. Aliás aqui no Norte somos os fundadores da nacionalidade, existimos desde 1143, Lisboa só foi tomada posteriormente, quando procedemos à conquista de Lisboa aos mouros, portanto mal era que quiséssemos agora abandonar esse passado. Aqui não se põe nenhuma questão de independência. Temos uma língua única, uma cultura que tem aspetos unitários mas tem aspetos diferenciados, uma idiossincrasia com aspetos unitários mas também com aspetos diferenciados, temos uma pluralidade. O país só lucra se essa pluralidade se exprimir politicamente. Às vezes perguntam-me: “E se aparecer um Partido do Sul?”. Isso é a melhor coisa que pode acontecer. Se aparecesse um Partido do Sul até podíamos fazer uma coligação pós-eleitoral e governarmos os dois. De certeza que comandávamos melhor do que a oligarquia financeiro-política que tem levado o pais ao estado em que está.

NGZ - Continuando pelo Estado espanhol, como é que vê o estado das relações entre o Norte de Portugal e a Galiza e como augura o futuro?

PB - Oiça, eu acho uma coisa espantosa isso. Na Galiza toda a gente fala de Galiza e Norte de Portugal como uma euro-região, e aqui no Norte de Portugal ninguém sabe que somos uma euro-região. Nós não sabemos, ninguém sabe isto. Os galegos sabem, mas aqui não; os galegos têm um governo regional, nós não temos absolutamente nada. Nós temos perto de 100 Câmaras Municipais no Norte de Portugal, mas não temos nenhuma consciência de que a nível europeu já somos uma euro-região. O que vejo é que é preciso desenvolver o mais possível as relações entre as pessoas, entre as associações, entre os partidos – os partidos que sejam representativos da região – no sentido de estabelecer e estreitar cada vez mais os laços transfronteiriços. Para isso também é necessário romper com o muro que foi criado pelo salazarismo e pelo franquismo – o muro fronteiriço. A fronteira acabou e nós temos agora de desenvolver cada vez mais os meios de comunicação, os meios de ligação entre o Norte de Portugal e a Galiza. Mas o aspeto fundamental no que diz respeito ao Norte de Portugal, embora esteja a falar para um jornal galego, o mais importante é terem consciência de que pertencem a uma euro-região, que na Galiza percebe-se, mas aqui não. Na Galiza percebe-se porque têm um governo regional, e nós ainda não temos nada. Nós no MPN ultimamente temos defendido – para além desta reivindicação política de termos a Região Norte e fazermos a eleição de um governo regional – a necessidade de iniciativas concretas. Mesmo com as Câmaras Municipais e o governo regional [da Galiza]. Por exemplo esta questão da linha Porto-Vigo. Não há razão nenhuma para estarmos à espera. As cerca de 100 Câmaras do Norte de Portugal, ou algumas delas, deviam associar-se no sentido de criarem uma empresa pública, que pode ser feita com a participação do governo regional galego – já tenho a fundamentação jurídica – para eles próprios criarem uma empresa (como a que existe em Portugal, a REFER, mas de caráter regional) para concessionarem a linha e para que o concessionário se candidate aos fundos europeus. Nós por um lado temos de agir no plano da reivindicação, mas por outro lado temos de agir no plano da ação imediata. É bom que os presidentes de Câmara daqui do Norte também deixem de serem apenas peões e percebam que são pelo menos bispos e torres deste xadrez europeu. E que tomem iniciativas. E nesse sentido defendemos, no MPN, se tivéssemos meios para avançar com isso, nós já tínhamos criado uma empresa pública intermunicipal e transfronteiriça para concessionar a linha e para que o concessionário-construtor se candidatasse aos fundos europeus, avançássemos na linha Porto-Vigo e conseguíssemos de facto uma situação que impediria o esbulho de que estamos a ser vítimas – do tipo colonial – pelo governo de Lisboa. Pensamos que é nesta via que devemos seguir no que diz respeito à fronteira norte, com a Galiza, e também, no que diz respeito à fronteira norte-leste, desenvolver relacionamentos com Leão e Castilha, também no que diz respeito a essa zona do nordeste transmontano que também tem a mesma problemática e onde projetos como o avanço da Linha do Douro até Salamanca e outros projetos transfronteiriços têm a maior importância. Mas realmente o que é axial, o que é o eixo do ponto de vista político é esta euro-região Norte de Portugal-Galiza. É bom que os galegos também tomem consciência – os que ainda não têm – que o problema do Norte de Portugal com Lisboa é semelhante ao problema que a Galiza tem em relação a Madrid. São dois problemas paralelos.

NGZ – Já existem duas entidades que trabalham dentro do eixo. Uma é o Eixo Atlântico, uma associação de Câmaras, outro é o Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial – a primeira a nível europeu – que, disseram no ato fundacional, poderia movimentar fundos europeus. Antes de termos essa autonomia, é importante agilizar estas entidades?

PB - É importante por um lado ir avançando nestas entidades cooperacionais que a União Europeia propicia, mas temos de saber que o mais importante é conquistar uma bandeira. Para nós, no Norte, conquistar a bandeira Norte, e depois conquistarmos a bandeira da euro-região Norte de Portugal-Galiza. Mas que ninguém pense que isto é uma luta fácil – é uma luta muito difícil. Porque Lisboa, infelizmente – não é Lisboa, são algumas pessoas de Lisboa-, nomeadamente do Governo atual, e falo em particular do Ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, que é praticamente um fanático em relação a isto, vêem com maus olhos o desenvolvimento do Noroeste Peninsular, e na sua mente, que me parece até um pouco psicótica, vêem nisto um fator de desestabilização. Ora se há alguma coisa que a Espanha dos últimos 30 anos ganhou foi exatamente o desenvolvimento dos diversos pólos, foi o crescimento das suas regiões, foi um sucesso absoluto. Aqui em Portugal o centralismo é um centralismo mesquinho que nem sequer consegue compreender a dialética entre uma unidade nacional e o desenvolvimento regional.

NGZ – O Movimento Partido do Norte, e futuramente o Partido do Norte têm como objetivo principal a regionalização. Depois de a conseguir, o Partido desaparece ou muda?

PB – O objetivo principal não é a regionalização, o objetivo principal é a defesa dos interesses do Norte. A regionalização é uma das muitas medidas que interessam à defesa dos interesses do Norte. O Partido do Norte é para defender os interesses do Norte, com regionalização ou sem ela. Defende antes da regionalização e defenderá depois. É para defender esta parte de Portugal. Agora é a defender esta parte de Portugal que se está a defender Portugal. É um Partido do Norte, é um partido regional e é um partido nacional. Porque tem consciência que ao ser um partido regional e ao defender a região está a defender o país. E de que maneira nós defendemos o país? Até fomos nós que fundámos o país. Nos momentos mais difíceis da história tem sido o Norte o elemento essencial para a consolidação nacional do país. A regionalização é o objetivo primeiro? O objetivo primeiro é a defesa dos interesses da Região Norte. A regionalização defende os interesses da Região Norte? Defende, assim como defende os interesses das outras regiões. O que nós pensamos é que a defesa da Região Norte através de um Partido do Norte é a defesa do país inteiro e é a defesa do sistema democrático, também. Porque os nossos deputados vão ser deputados com um compromisso direto em relação à defesa da Região Norte. Vão fazer um juramento, que estamos a preparar, sobre a defesa do eleitorado da Região Norte, e assim defenderem o país. Se o traírem, acontecer-lhes-á o que acontece aos traidores. Trata-se também aqui de aproximar os eleitores dos eleitos. Enquanto atualmente, com este sistema, as pessoas não sabem em que é que estão a votar. Quem votar nas próximas legislativas no Partido do Norte sabem que vão votar em pessoas que defenderão sempre a Região e nunca votarão um orçamento que prejudique o Norte. A sua forma de defenderem o país é defenderem a região. E terão toda a consideração pelos deputados das outras regiões que defendam as outras regiões.

NGZ - Pode dar algum exemplo do mal que o centralismo nos tem feito?

PB - Basta ver, nos últimos dias, esta tentativa de assaltar o Porto de Leixões, por exemplo. Queriam tomar o Porto de Leixões e passá-lo para uma gestão nacional, da mesma forma que não querem que o Aeroporto Sá Carneiro se autonomize, querem mantê-lo dominado pelo centralismo para que se possa fazer a gestão que interessa a Lisboa. Já que estamos a falar com os nossos companheiros e compatriotas galegos, basta ver o assalto às verbas da via férrea Porto-Vigo lá para baixo, para o Caia-Poceirão. É uma vergonha que demore tanto tempo uma viagem entre o Vigo e o Porto, de 120 km. Não precisamos de TGV, de grandes velocidades. Mas precisamos um meio de transporte que faça esses 120 km numa hora, como fazemos Porto-Coimbra. Mais coisas? Constantemente! Ainda agora o assalto ao Teatro de São João. Isto é todos os dias. Ou no turismo quando querem acabar com as direções regionais. Esses estúpidos, em vez de perceberem que é preciso cortar na administração central, que é a que gasta o dinheiro, querem cortar nos órgãos que têm o contacto direto com os cidadãos, que são as Direções Regionais de Turismo. Em vez de cortarem lá em cima querem cortar cá em baixo. Em vez de descentralizarem para reduzir os custos, não, querem centralizar para reduzir os custos. Isto é um erro completo, porque não só não reduzem os custos como impedem o desenvolvimento. E ao impedirem o desenvolvimento impedem a criação de riqueza e portanto a criação de massa tributável e portanto os próprios impostos para os sustentar.

[Fonte: Blogue Movimento Pró Partido do Norte]

Nota do RoP
Não deixa de ser elucidativo o facto de a Galiza dedicar mais atenção aos problemas do Norte que o próprio Norte. Os jornais do Norte, JN e Público, não parecem muito interessados em desenvolver e discutir as questões regionais. Por que será?

30 dezembro, 2010

Os conselhos de Cavaco e os CTT's...


Parafraseando Manuel António Pina que diz no artigo abaixo publicado que a vida, é a vidinha, a cultura dos países sul europeus tem sido quase sempre dominada por uma herança de valores completamente perversa e oportunista, sendo Portugal, talvez a par da Itália e da Grécia, aquele que "melhor" segue essa doutrina. 

Cavaco Silva vai por isso ser reeleito Presidente da República, não apenas porque uma fatia maioritária da população sofre do mal de comer e calar, mas também porque desconfia da concorrência. Eu diria que o Povo tem razões de sobra para reagir assim, mas também não pode lavar as mãos das suas próprias responsabilidades.  

A experiência pessoal que aqui relatei há umas semanas, quando fui aos CTT e tive de esperar uma hora para ser atendido, é um caso paradigmático que devia fazer pensar as pessoas antes de seguirem os insensatos "conselhos" de Cavaco Silva de comer e calar,  que ao próprio poderão servir, mas que em nada contribuirão para alterar o tal atavismo cultural de de que Manuel A. Pina se queixava, e com toda a razão.

Hoje mesmo voltei a passar por uma situação idêntica, também nos CTT, desta vez para levantar uma carta registada, numa outra estação, mais pequena, mas ainda assim com lugares vagos no balcão de atendimento. Resultado: quem paga as favas [e o resto], são os utentes.  Voltei a protestar, embora não tenha apresentado a respectiva queixa no Livro de Reclamações, porque se a consequência não fôr além de um simpático pedido escrito de desculpas com  promessas vagas de futuras melhoras, de pouco me serve esse recurso. Podemos por isso estabelecer um paralelo entre entre este tipo de mecanismos de "defesa" do consumidor com o voto eleitoral. Ambos são inconsequentes, para não dizer ridículos. É isto que Cavaco defende, e é este tipo de gente que lidera o país...

Apesar de tudo, a lição que devemos extrair destas inutilidades cívicas não é desistir, é continuar a reclamar, se for preciso partindo a loiça toda, berrando, vociferando até, porque o país, ou melhor, as elites do país, não estão preparadas para responder a reacções civilizadas, porque são manifestamente hipócritas e mal formadas. Talvez só à porrada levem a sério uma reclamação.

Provem-me o contrário.

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Ps-Se querem um bom conselho não gastem um cêntimo na compra daqueles artigos de papelaria/livraria que os CTT's têm à venda. É que só servem para piorar o serviço de atendimento da sua principal função. Além disso, dão cabo do negócio aos pequenos comerciantes da respectiva área. 




Fazer pela vidinha

O "sensato" conselho de Cavaco Silva para comermos e calarmos de modo a que "os nossos credores" não se zanguem connosco e nos castiguem com juros cada vez mais altos espelha uma cultura salazarenta de conformismo que, sendo muito mais antiga que Cavaco, ele representa na perfeição, até nos seus, só na aparência contraditórios, repentes de arrogância.

Quando Cavaco nos recomenda que amouchemos pois "se nós lhes [aos 'nossos credores'] dirigirmos palavras de insulto, a consequência será mais desemprego para Portugal", tão só repete, adaptada à actual circunstância, a "sensata" e canónica fórmula do "Manda quem pode, obedece [ no caso, cala] quem deve".

Trata-se de uma atávica cultura em que a vida é vidinha, a crítica deve sempre ser "construtiva" e colaborante, os trabalhadores, por suave milagre linguístico, se tornam "colaboradores" (e se colaboracionistas melhor ainda) e servilismo e acriticismo são alcandorados a virtudes cívicas. Porque é assim que se faz pela vidinha, de joelhos.

Estejamos, portanto, gratos às "companhias de seguros, fundos de pensões, fundos soberanos, bancos internacionais e cidadãos espalhados por esse mundo fora" que nos emprestam dinheiro a juros usurários, pois eles apenas querem o nosso bem. E, como o bom Matateu numa famosa entrevista a Baptista Bastos, digamos tudo o que quisermos, excepto dizer mal, "porque [cito de cor] Matateu não diz mal de ninguém".

[Manuel António Pina / JN]

29 dezembro, 2010

Leixões quer inundar o Norte com turistas a partir do novo terminal

Cruzeiros


O porto de Leixões quer seguir (e incrementar) o sucesso do Aeroporto Sá Carneiro e tornar-se numa importante porta de entrada de turistas na região. No próximo ano, 15 paquetes de grandes dimensões vão estrear o novo terminal de cruzeiros.

Taxas aumentam

As obras de construção do cais de atracagem para navios de cruzeiro estão praticamente concluídas. A estrutura tem 340 metros de comprimento e 18 metros de largura, estando preparada para receber navios com 300 metros de comprido, de fora a fora

Entre o novo cais e o molhe norte haverá um porto de recreio para 170 embarcações e um cais fluvino-marítimo onde poderão acostar os barcos que fazem cruzeiros fluviais no rio douro

O novo edifício do terminal de passageiros vai ser construído na área do aterro visível na fotografia ao lado, erguendo-se, nos seus cinco pisos, acima da cota do molhe sul. A cobertura terá um anfiteatro, virado para Matosinhos

Matos Fernandes, presidente da APDLa Conta-se em metros, poucos, o que falta de obra para terminar o novo cais de atracamento de cruzeiros que está a ser construído no molhe sul do Porto de Leixões. Num exemplo pouco habitual, no sector das obras públicas, no que ao cumprimento de prazos e orçamentos diz respeito, a infra-estrutura vai estar pronta em Março, como contratado. Desaparecerá, assim, uma limitação deste porto, que até agora não podia receber os grandes cruzeiros e passa a poder acolher paquetes com um máximo de 300 metros de fora a fora e fundos até dez metros. E já esta semana, a Administração dos Portos do Douro e Leixões (APDL) aprova os termos do concurso internacional para a construção do arrojado terminal de passageiros, um edifício que, em 2013, vai mudar a face sul do porto e de Matosinhos.

Leixões prepara-se para entrar no campeonato dos grandes cruzeiros do qual tem estado arredado, apesar de, este ano, com as suas limitações, ter sido porto de escala de 50 paquetes de dimensões médias. Estima-se que o novo terminal venha a movimentar 110 mil passageiros por ano e é grande a expectativa entre autarquias, operadores turísticos e responsáveis pelo sector em relação ao impacto que isto terá na economia regional, que, no turismo, está a crescer há 17 meses consectivos, como sublinha o presidente da Entidade de Turismo do Porto e Norte de Portugal. Receber turistas equivale a exportar serviços e, na região mais exportadora do país, depois do sucesso do aeroporto que, em cinco anos, após avultadas e muito criticadas obras de renovação, tem batido metas e acaba de ultrapassar os cinco milhões de passageiros transportados num ano, os olhos viram-se para esta nova porta, marítima, e para as possibilidades de articulação entre as duas.

É Matos Fernandes, presidente da APDL, quem o assinala. "Com um aeroporto desta qualidade a minutos, Leixões pode ambicionar deixar de ser apenas o porto de escalas de cruzeiro que já é, para se tornar ponto de partida ou de destino de cruzeiros. O segmento do turnaround, assim chamado nesta indústria, tem um impacto maior na região, já que aumenta o período de permanência dos turistas, antes ou depois das viagens, com reflexos na economia local. A APDL, que criou uma equipa própria para "vender" no exterior o potencial do novo terminal e da região envolvente quer convencer primeiro os operadores de cruzeiros das suas qualidades como porto de escala, perspectivando que, a seguir, vão aparecer as propostas de turnaround.

Mesmo sem o edifício do terminal de passageiros - um projecto de Luís Pedro Silva, cujo desenho em espiral, com vários pisos, termina, na cobertura, com um anfiteatro virado para a cidade de Matosinhos -, os grandes barcos vão começar a chegar já em 2011. São 15, dos 65 cruzeiros previstos para o próximo ano em Leixões, aqueles que, até este momento, não poderiam fazer aqui escala por excederem, em dimensão e calado, a capacidade do porto. Em Maio, o Oceana, com os seus 261 metros, será o primeiro a testar as condições técnicas e, à chegada, os seus mais de dois mil passageiros vão encontrar um estaleiro disfarçado por enormes telas de PVC com imagens alusivas ao turismo no Norte. Serão recebidos numa estação provisória, "confortável", garante a APDL que está a negociar com os responsáveis alfandegários a possibilidade de escoar rapidamente as dezenas de autocarros com os turistas pela Via Interior de Ligação ao Porto de Leixões (dedicada à entrada e saída de camiões de mercadorias para as principais auto-estradas da região).


Diversificar oferta

Apesar de alguns receios quanto a esta convivência entre o bulício da chegada de um grande cruzeiro, com mais de duas mil pessoas, e as obras do edíficio - que "não podiam começar antes de terminado o cais, por falta de espaço para dois estaleiros", nota Matos Fernandes - é positiva a perspectiva dos operadores que já habitualmente trabalham com os paquetes que chegam a Leixões. António Diogo, da Welcome Portugal, empresa que se dedica ao acompanhamento dos turistas estrangeiros, contratando a fornecedores os pacotes de serviços que lhes oferece à chegada a Portugal, admite que as empresas com que trabalha venham a ganhar com o novo panorama de Leixões. Em duas mil pessoas, argumenta, os interesses são muito variados e a oferta de "experiências" em terra vai ter de ser muita e variada também, explica.

A explorar os nichos de interesses, com os special interest tours, António Diogo considera que vai ser preciso inovar na oferta, e puxar por áreas que diz estarem ainda pouco aproveitadas, como enofilia, a gastronomia, a arquitectura, o turismo de natureza. E continuar a apostar no Douro, cujos cruzeiros rio acima são dos "produtos com mais sucesso". Não é por acaso que no cais já praticamente concluído, no lado oposto ao destinado aos paquetes, há uma zona de atracagem dos barcos-cruzeiro do Douro que podem, querendo os operadores, começar a partir deste ponto a sua viagem.

É de diversificação de oferta que fala também Fernando Baptista, da VT-Viagens, consciente de que o tipo de serviço que oferece aos navios que hoje aportam a Leixões não pode ser replicado nos grandes paquetes agora esperados. "Não vamos conseguir pegar em 2500 pessoas e pô-las todas a visitar o Porto. É preciso canalizá-las para Braga, Guimarães, para o Douro", elenca, considerando, tal como António Diogo, que com as novas acessibilidades em auto-estrada, as quintas nesta região vinícola passam a ser um destino mais interessante para uma escala de um dia. Ambos assumem que o novo cenário poderá ajudar a gerar emprego a jusante, bem como aumentar a procura por guias. "Se chegar aqui um cruzeiro alemão, neste momento temos de os ir buscar a Lisboa", alerta o gestor da Welcome Portugal.

Melchior Moreira não só não contraria o discurso destes operadores como o reforça: O Norte tem sete produtos turísticos diversificados e, para além do city short breaks e do turismo de negócios, o turismo de natureza (o Gerês é o único parque nacional português), o religioso, o cultural e paisagístico, (o Porto e Guimarães, o Douro e o Côa foram classificados pela Unesco), o gastronómico e o turismo de saúde e bem-estar "podem ganhar com o incremento dos cruzeiros em Leixões", vinca. E promete promover em força esta nova valência, ao longo de 2011.

Se os impactes regionais estão à vista, bem mais perto do porto as expectativas não são mais baixas. Mesmo admitindo que não terá o grosso dos turistas que cheguem a Leixões, o presidente da Câmara de Matosinhos considera muito importante a mudança que se está a operar nas imediações do molhe sul. A próxima fase do projecto do terminal contempla, para além do edifício que segundo Guilherme Pinto "vai marcar a paisagem urbana", um conjunto de obras de integração urbanística que vão abrir o porto à cidade, a sul. E para além das vantagens óbvias para os matosinhenses, que vão passar a poder visitar esta área do porto, fica aberta uma porta para os turistas que não sigam nos tours para outros destinos na região: um desafio para Matosinhos, que se vende como o "restaurante" da área metropolitana e que vai tentar fixar estes passageiros e os muitos tripulantes em trânsito às dezenas de establecimentos das redondezas.

Mais a sul ainda, no Porto, a autarquia montou um grupo de trabalho com elementos da divisão da via pública, turismo, APDL, PSP e Polícia Municipal para, em conjunto com onze operadores turísticos que trabalham com os cruzeiros já previstos para Leixões em 2011, antever pontos de pressão no espaço urbano. "Estamos a falar de milhares de pessoas a utilizar o mesmo espaço, num curto período. A cidade tem que estar preparada", vinca Susana Ribeiro, Directora do Departamento Municipal de Turismo. Preocupados com a primeira imagem que o turista venha a ter do Porto, os responsáveis autárquicos estão a estudar os melhores percursos de circulação para os autocarros e, com o programa Vamos Receber à moda do Porto, tentam sensibilizar o comércio para as oportunidades de negócio que se abrem com a chegada de clientes com algum poder de compra. "Mas cada um deles deve saber também, fazer uma recomendação, vender a sua cidade, até a pensar num regresso", adverte Susana Ribeiro.

Quem conhece o sector, como Marta Sá-Lemos, contratada pela APDL para o marketing do novo terminal, diz que há muitos repetentes a fazer estas viagens em alto-mar. O que transforma esta vertente do turismo, de passagens curtas por um determinado lugar, numa oportunidade de fazer a promoção de uma cidade ou espaço regional para um possível regresso e até para visitas mais demoradas. Tal como já acontece com o serviço de mercadorias, Matos Fernandes considera que, no movimento de passageiros, Leixões tem que puxar pela região.

O certo é que, mesmo em tempo de crise, não se escutam vozes a contestar os 49 milhões de euros que estão a ser investidos no molhe sul de Leixões nos serviços para cruzeiros, complementados com uma nova marina para 170 embarcações de recreio e o já referido cais fluvino-marítimo para os barcos do Douro. Ao contrário do que aconteceu, no início do milénio, com as obras do Aeroporto - cujos resultados já fizeram esquecer as críticas de então.

A ajudar a este consenso está a integração, no Projecto do Parque de Ciência e Tecnologias do Mar da Universidade do Porto. Entre instalações no lado de Leça, a acolher uma incubadora de empresas da chamada economia do mar, e o edifício do terminal de passageiros, que vai acolher a sede do Ciimar - Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha - a UP está a transferir para Leixões as suas actividades ligadas a esta área, com proveitos futuros para a própria actividade portuária, acredita Matos Fernandes.

Esta integração agrada à Câmara de Matosinhos, que vê nascer no concelho um verdadeiro cluster de investigação na economia do mar, hoje tantas vezes referido como estratégico para o país, mas que Matosinhos traz há séculos presa à sua identidade, recorda Guilherme Pinto. A poucos metros do velho guindaste titã do molhe sul, exemplar raro da história da arqueologia industrial do século XIX, dezenas de investigadores vão assim partilhar o horizonte com os turistas que, em Maio, começam a chegar.

[Fonte: Público]

24 dezembro, 2010

Boas festas

Associando-me aos votos do Rui Valente, desejo a todos os que nos lêm, um bom Natal e um 2011 cheio de felicidade.

23 dezembro, 2010

A política está em boas mãos, não está?




Em protesto no Parlamento contra os cortes nas pensões para pessoas com deficiência, um técnico da televisão estatal romena lançou-se, hoje, quinta-feira, de uma altura de sete metros para cima dos deputados. Veja o vídeo.

O homem, Adrian Sobaru, de 41 anos, subiu a uma das galerias do Parlamento, em Bucareste, e, desesperado, gritou antes de se atirar: "Vocês estão a roubar o pão dos meus filhos". Na camisola que vestia, lia-se: "Vocês mataram o futuro dos nossos filhos, vocês venderam-nos".

O protesto referia-se ao fim das pensões para os portadores de deficiência. O técnico de televisão tem um filho autista e, por isso, vai perder as subvenções a que tinha direito.

BOAS FESTAS!




UM FELIZ NATAL A TODOS OS LEITORES DO RENOVAR O PORTO E UM ÓPTIMO ANO NOVO!

22 dezembro, 2010

O que a Pinto da Costa [e à SAD do FCP] falta fazer...


Só os néscios, ou os invejosos, se atrevem a contestar as qualidades de liderança e de gestão de Pinto da Costa no FCPorto. Mesmo se tivera razões para o fazer, custa-me bastante tecer críticas a quem como ele se tornou conhecido pelo muito que fez de bem feito e pelo pouco que fez de mal. E isto, nada tem a ver com fanatismos ou com alienação clubística, porque fora do futebol, tirando casos pontuais, pouco exemplos temos dignos de louvor. De mais a mais, no que diz respeito à região Norte e ao Porto, os casos de sucesso em outras áreas, também são praticamente ignorados pela comunicação social centralista, ou deficientemente publicitados.  O Centralismo, não só é um processo retrógrado de governação, como promove a inveja com tudo de importante que se faz longe das fronteiras da capital, seja no futebol, seja na Universidade [a UP, é a melhor do país].

Pelas razões que citei, o constrangimento que sinto a criticar Pinto da Costa é directamente proporcional à força e à convicção que tenho em criticar a classe política. A classe política, além de ineficaz, desonesta e incompetente, tem causado muitos mais danos colaterais ao Porto do que um campeonato perdido pelo Futebol Clube do Porto. Só isto me basta para não lhe reconhecer qualquer serventia. A política ainda está muito longe de dar lições ao futebol. O panorama actual do país testemunha-o.

Apesar disso, há algo que está a falhar na gestão do Futebol Clube do Porto, e que Pinto da Costa como grande líder que é,  parece não estar a valorizar,  que é a política de comunicação com os adeptos. Nos últimos anos, os comentários da blogosfera portista têm traduzido eloquentemente esse descontentamento. Os sócios e adeptos percebem que o clube não tem uma estratégia de comunicação eficaz, além da voz do Presidente e do Treinador, o que lhes tem causado alguma ansiedade, nomeadamente quando o clube é atacado impiedosamente pelos principais adversários [Apito Dourado, túneis, agressões, etc.].

Vale que, o clube tem sabido atenuar esse problema com uma consistente rotina de victórias em várias modalidades, o que não quer dizer que o resolva. A verdade, é que independentemente do melhor futebol praticado na época passada pelo Benfica, o expediente das agressões usado nos túneis da Luz com a consequente privação de dois jogadores importantes [Hulk e Sapunaru], ajudou e muito o Benfica a vencer o campeonato. Se juntarmos a isso o trabalho de bastidores perpretado pelo antigo Presidente de Disciplina da Liga de Clubes, Ricardo Costa, podemos dizer que foi cozinhado o caldo perfeito para levar o Benfica à conquista do título. E o FCPorto, o que é que fez? Limitou-se a falar para uns microfones "desligados", onde só uma minoria o ouviu, ou para umas câmaras de TV manipuladas pelas respectivas Direcções de Programas... A mentira do Benfica prevaleceu como verdade, e o facto é que venceu.

Ainda assim, há adeptos que continuam optimistas e que acham que esta discriminação pode ser combatida no campo, onde se ganham os jogos, o pior é se, ou quando  começarem a perder com mais frequência... Será que o optimismo dos adeptos se manterá? Ou, subitamente inverterão todo esse capital de confiança contra a Direcção e o Treinador?

É por termos de admitir a hipótese de uma nova série de ciladas, ainda mais perigosas do que as anteriores [e consentidas], esquematizadas pelos protagonistas do costume [conspirações e intrigas de toda a espécie], que o FCPorto podia já ter planeado uma joint-venture com uma nova operadora de TV dotada de excelentes recursos técnicos e humanos para se defender da concorrência desleal. Esse investimento poderia ter um retorno positivo não só em termos promocionais para o clube, como simultaneamente debilitaria a agressividade da concorrência. Mais do que a perda de audiências, o rombo nas TVs centralistas notar-se-ia na perda de credibilidade resultante da necessidade de lidarem com o contraditório em igualdade de circunstâncias e meios. As televisões em Lisboa, pública e privadas, são parceiras do mesmo ofício, não são concorrentes, a concorrência é feita praticamente contra o Porto e o resto do país.

Para além das victórias desportivas do FCPorto, aquilo que como portista e portuense mais gostaria de ver realizado, é que a Direcção do clube, ainda no mandato de Pinto da Costa, fosse capaz de gerar um projecto desta natureza, para bem do clube, e do Porto. 

Pobres é o que está a dar

De repente (a caça ao voto abriu este ano em época natalícia), os políticos descobriram os pobres. Assim, nos últimos dias, Cavaco organizou nada menos que duas expedições aos pobres levando consigo um batalhão de jornalistas e câmaras de TV que o mostraram ao Mundo destemidamente no meio deles a dizer frases sobre a pobreza.

Sócrates é que não gostou pois, afinal de contas, os pobres, ou boa parte deles, são seus e dos seus governos.

De facto, ainda há dias o jovem "boy" encarregado, na Secretaria de Estado da Segurança Social, das exéquias do falecido "Estado Social" se gabava de ter conseguido, em poucos meses, tirar o Subsídio Social de Desemprego a 10 291 desempregados e o Rendimento Social de Inserção a mais 8 321.

E ontem o Ministério das Finanças anunciava festivamente, conta o DN, "uma luz ao fundo do túnel", com "os cortes nos apoios sociais aos desempregados e crianças (...) a ser decisivos para a contenção nos gastos e, logo, para o alívio no défice".

Anda o Governo a fazer pobres para Cavaco vir aproveitar-se desse esforço!

Também os candidatos Francisco Lopes e Fernando Nobre se engalfinharam um destes dias na TV cada um reivindicando para si a glória de conhecer mais pobres (e pobres mais pobres) do que o outro.

Não há dúvida de que os pobres é que estão a dar. Não só para o Governo poder ajudar bancos e grandes empresas mas também para os políticos exibirem na lapela.

[de Manuel António Pina, in JN]

21 dezembro, 2010

O metro do Porto


Agora que o país está completamente "teso", tão cedo não haverá 3ª fase do metro, se é que alguma vez ela se materializará. Há obras mais importantes com total prioridade, tais como o novo aeroporto de Lisboa, a alta velocidade ferroviária Lisboa-Madrid, a 3ª travessia do Tejo, e mais umas quantas que não deixarão de aparecer.

Parece por isso oportuno o Metro aproveitar esta acalmia para reflectir em detalhes que necessitam rectificação. Sugiro dois.

A sinalização destinada aos utentes é, sem favor, a pior que conheço em todos os metros por onde já passei. A identificação das estações para quem circula nas carruagens, é deficiente, mau grado as indicações sonoras e o letreiro luminoso no interior das composições, que aliás não são visíveis de todos os lugares.

O lado pior, no entanto, são as indicações no interior das estações, destinadas a orientar a circulação dos passageiros, onde há falhas gritantes. É-me mais fácil orientar-me nos metros de Londres ou Paris do que no Porto, embora a complexidade de linhas e destinos não seja comparável. As indicações devem ser claras,completas, facilmente visíveis, rapidamente compreendidas. Lamentavelmente isto não acontece no Porto, e por isso se eu mandasse no Metro organizaria uma task force que se ocuparia de propor medidas tendentes a acabar com esta situação amadora, que não prestigia nem a empresa nem os próprios portuenses.

A outra rectificação que entendo que deveria ser feita, diz respeito ao bem-estar dos passageiros que aguardam nas estações. Uma vez que grande parte destas é a céu-aberto, não se compreende que sejamos obrigados a arrostar com a inclemência do tempo, sobretudo com a chuva. A obra até agora executada custou vários milhares de milhões de euros. O custo adicional para cobrir a totalidade das plataformas, seriam meros trocos. Então porque não se fez? Não vejo razão plausível, o que desde logo atira para a única explicação possível:  lamentável falta de consideração pelos passageiros.

Não posso nem quero esquecer que o metro é uma obra notável que foi feita com uma eficiência invulgar em Portugal. Justiça tem que ser feita, mas essa constatação ainda torna menos aceitável que detalhes como os que mencionei tenham sido cometidos e, sobretudo, que não tenham sido posteriormente identificados e devidamente corrigidos.

Três simples interrogações



Você vive num país onde ainda nenhum governo foi capaz de desempenhar com competência as suas funções e que, ainda assim, premeia com reformas milionárias os respectivos responsáveis pela crise actual? Se vive, tenha calma, e seja optimista! Já sabe: uma das normas pragmáticas da Democracia, é saber comer e calar e ...  saber ser optimista.

Você vive num país cuja acção governativa, mais do que incompetente, é um verdadeiro caso de polícia? Não desanime, pode ser que outros criminosos, os pilhas-galinhas, se lembrem de atacar os seus congéneres do topo da pirâmide  contribuindo assim para desinfectar a corrupção instalada.  

Você acha que o país é uma aberração?  E daí? Não foi o Almirante Pinheiro de Azevedo que disse que  o povo era sereno? Não só era, como ainda é. Além de que as aberrações governativas, são próprias dos povos serenos.

Ao menos na Grécia a população já começou a dar uns ares da sua graça... apesar da «almofada» da União Europeia. 

Morreu Pôncio Monteiro


Pôncio Monteiro, histórico adepto do FC Porto e membro do Conselho Superior portista, faleceu esta manhã com 70 anos.

Pôncio Monteiro deu entrada no dia 17 deste mês no Hospital de Santo António com um quadro clínico de AVC hemorrágico.

O comentador desportivo esteve quatro dias nos cuidados intensivos da unidade de saúde em coma profundo, acabando por falecer esta manhã.

Em 2006, o ex-dirigente portista já tinha sofrido um aneurisma cerebral, que superou após uma intervenção cirúrgica e várias semanas de internamento.

Pôncio Monteiro era comentador do programa "Prolongamento" no TVI24.

[Fonte: Jornal Económico]


Obs:
Como é meu dever, enquanto portuense e portista, apresento aqui as minhas sinceras condolências à família do ex-dirigente do FCPorto.





20 dezembro, 2010

Fim da Linha de Leixões gera revolta

Guilherme Pinto promete usar "todos os meios para inverter" a decisão da CP

Os autarcas abrangidos pela Linha de Leixões estão "indignados" e "revoltados" com a suspensão daquele serviço da CP. Guilherme Pinto, presidente da Câmara de Matosinhos, fala em "prepotência" e promete "usar todos os meios para inverter a situação".

É o rosto da revolta dos três municípios abrangidos pela Linha de Leixões:Matosinhos, Maia e Valongo. Farto de não ser atendido pelo presidente da Refer, a quem quer pedir explicações pelo incumprimento de um protocolo celebrado em 2009, Guilherme Pinto acusa-o de "assumir uma atitude autista de falta de diálogo" e de "prepotência".

"Nem sequer tem tempo para atender o telefone. No mínimo, é alguém que não sabe as regras de cortesia", ataca o presidente da Câmara de Matosinhos.

Em causa, um dos argumentos da CP para a suspensão, no próximo ano, da Linha de Leixões, que liga Leça do Balio (Matosinhos) a Ermeside (Valongo):"não ter sido dada sequência" ao projecto de modernização que previa a construção das estações de S. João e de Arroteia.

"O presidente da Refer acertou um protocolo que nem sequer cumpriu", ataca Guilherme Pinto, lamentando não ter sido informado da decisão da CP.

"Estou profundamente indignado. A Câmara vai usar todos os meios para inverter esta situação", assegura o autarca. Bragança Fernandes partilha a indignação. "É uma vergonha e uma falta de respeito pelas populações", sustenta o presidente da Câmara da Maia, atribuindo o fracasso da Linha de Leixões (que transporta uma média de três utentes por viagem) à falta de planeamento do Governo.

"Se tivessem feito as estações de Águas Santas e de Pedrouços os comboios andavam cheios. Mas tomaram-se medidas eleitoralistas sem se fazer o correcto planeamento dos dinheiros públicos. É uma vergonha! Estou sentido e revoltado com a falta de planeamento deste Governo", acrescenta o autarca social-democrata.

Por sua vez, o presidente da Junta de Rio Tinto que, há um mês exigia, ao lado de Bragança Fernandes, um reforço do investimento na Linha de Leixões, diz-se "desiludido". "Espero, para bem das populações, que ainda se possa chegar a um acordo", afirma Marco Martins, reiterando uma proposta avançada há um ano: a abertura do troço Contumil-São Gemil ao transporte de passageiros.

Já a Câmara de Valongo compreende a decisão da CP assente precisamente "as taxas de ocupação muitíssimo baixas", além do incumprimento do protocolo com a Câmara de Matosinhos.

"Quando a linha foi anunciada, criamos alguma expectativa, sobretudo pela ligação ao Hospital de S. João. A partir do momento que essa ligação não se concretiza, a utilidade da linha fica posta em causa. É melhor então estancar o problema", admite o vice-presidente da Câmara de Valongo, João Paulo Baltazar, concordando, porém, que se trata de "um projecto onde do dinheiro foi mal gasto".

[Fonte: JN]

18 dezembro, 2010

Tiros nos pés

Como nota prévia, declaro que não faço parte daqueles que embirram com a PSP e com todo e qualquer elemento dessa força policial. Eu, pelo contrário,genericamente penso bem dessa corporação, reconheço a sua utilidade, a dificuldade da sua missão, os perigos que frequentemente correm os seus agentes, e o quanto são mal pagos. Olhando umas dezenas de anos para trás, vejo como mudou a imagem física do polícia. Nesse tempo eram normalmente uns "tacos de pia", barrigudos, de bigode façanhudo, boçais e incultos. Hoje são a antítese desta descrição, mas curiosamente a mentalidade dos seus dirigentes parece não ter acompanhado a transformação física, mantendo-se numa espécie de escuridão medieval.

Vem isto a propósito da anunciada intenção de os municípios do Porto e de Lisboa transferirem para as respectivas polícias municipais a responsabilidade da fiscalização do trânsito nas suas áreas.

Não sei o que se passa em Lisboa, mas conhecendo a realidade do Porto só posso aplaudir esta intenção, e a razão é simples, pois a acção da PSP neste campo, define-se por uma única palavra: VERGONHOSA. E vergonhosa sobretudo pela sua ausência, reveladora de incúria e desinteresse totais, propiciando o caos vergonhoso em que se transformou o estacionamento, selvagem e abusivo, em todos os locais e a todas as horas.

Este é um mal geral mas permito-me destacar, como mero exemplo, o que se passa à volta do hospital de Sto. António. Estaciona-se abusivamente em frente à escadaria da entrada principal, dificultando a movimentação daqueles que pretendem aceder ao hospital, e quantas vezes também impedindo a passagem dos eléctricos. Estaciona-se em tudo que é passagem para peões, incluindo nos passeios do jardim do Carregal. Estaciona-se até no espaço reservado às ambulâncias, obrigando-as a esperar os seus doentes na via pública. Este é um espectáculo que tenho observado diariamente durante semanas e meses, e que continua e continuará perante o desinteresse da secção de trânsito da PSP.

Os exemplos da permissividade duma autoridade que é suposta fazer cumprir a lei mas que tem uma interpretação sui generis desta obrigação,estendem-se por todo o Grande Porto, mas gostaria no entanto de eleger, como símbolo da inércia policial, o que se passa junto à esquadra da PSP instalada no edifício do Norteshoping. Aí, bem em frente da entrada da esquadra e a uns 20 ou 30 metros de distância, diariamente estacionam carros irregularmente, incluindo em cima das "zebras" pintadas no chão ( serão carros dos próprios agentes?) na maior impunidade. Parece que não é somente nos desenhos animados que os ratos vêm comer o queijo nas barbas dos gatos!

Em face do deprimente espectáculo levado à cena diariamente perante os habitantes desta desgraçada cidade e seus visitantes, penso que não pode senão aplaudir-se a anunciada intenção do Porto e de Lisboa, e por uma simples razão: pior do que está, não pode ficar, e alguma coisa tem de ser feita.

Em consequência penso que é necessária uma grande lata e uma enorme dose de má-fé para um sindicato dos oficiais da polícia, corroborado posteriormente por uma individualidade da direcção nacional da PSP, vir afirmar publicamente a sua oposição, com a alegação de que os municípios apenas pretendem ficar com o dinheiro das multas!

Penso que declarações deste jaez só descredibilizam quem as profere. Lamentável que a PSP, que precisa de credibilizar-se, acabe por dar tiros nos próprios pés.

17 dezembro, 2010

Que reste-t-il de nous amours - Nolwenn Leroy & Patrick Bruel




Versão original: Charles Trenet

Carlos Pinto Coelho, o senhor "Acontece"

CARLOS PINTO COELHO
Sou pouco dado a unanimismos, sobretudo quando promovidos pela máquina de propaganda centralista. Um dos inumeráveis defeitos do regime centralista é o de alienar muito mais e por motivos  óbvios, os poucos que dele beneficiam, do que a imensa maioria a quem prejudica.

Se a fonte do mal centralista vem de Lisboa, a tendência natural dos habitantes das regiões afectadas pelo seu sorvedouro, é criarem anti-corpos contra os lisboetas. Dirão que é uma reacção injusta. Talvez, mas é natural. Tão natural, como o conformismo dos lisboetas em relação às injustiças do centralismo para com o resto do país. Conformismo, e uma crónica falta de solidariedade, ensurdecedoramente silênciosa...

Feita esta pequena introdução, gostaria de manifestar publicamente os meus sentidos pêsames pela morte [ontem] de Carlos Pinto Coelho por duas singelas razões. A primeira, por ter conhecido e privado com a sua mãe D. Sara, nos tempos em que vivi em Lisboa. A D. Sara era uma fantástica comunicadora, uma mulher de ideias arejadas muito avançadas para a sua idade. Era uma apaixonada pelo teatro e, como atrás escrevi, uma pessoa com quem dava gosto conversar horas a fio.

A segunda razão, é por considerar Carlos Pinto Coelho um jornalista de uma classe invulgar, completamente descontextualizada do jornalismo voyer e intriguista que agora se faz.

O Mundo não é perfeito, apesar disso, custa-me saber que à sua volta gravitavam "amigos" que nada tinham a ver com ele. Mas, a vida também é feita destes desencontros...

16 dezembro, 2010

À atenção da nossa classe política e empresarial...

Na sétima greve geral da Grécia este ano, a violência tomou conta das ruas de Atenas quando os manifestantes entraram em confrontos com a polícia. Carros incendiados e até um hotel em chamas e vários feridos é o balanço da violência que se prolongou por mais de uma hora na capital grega.



Alguns manifestantes arremessaram cocktails molotov e pedras e paus contra a polícia, que respondeu com gás lacrimogéneo e bastonadas contam os relatos das agências de notícias.

O número de manifestantes, que gritavam por revolta nas ruas contra as medidas de austeridade do Governo, não é certo. A BBC News cita uma fonte policial que indica 15 mil pessoas. A agência Reuters avança com 40 mil manifestantes. Isto no dia em que o parlamento aprovou mais medidas de contenção e cortes de despesa para conseguir uma ajuda estimada em 110 mil milhões de euros do Fundo Monetário Internacional e da União Europeia.

Cerca de 200 manifestantes à porta do parlamento grego chegaram mesmo a agredir um antigo ministro conservador Kostis Hatzidakis que, segundo relato da Reuters, teve de se refugiar num edifício nas imediações.

Voos cancelados, escolas, portos, ministérios e portos fechados e a rede pública de transportes paralisada foram outras consequências desta greve. Os jornalistas também se juntaram impedidno muitos órgãos de comunicação social de funcionar.

“A ira é tão grande que ninguém a pode parar. Isto é só uma amostra do que poderá acontecer depois da época de festas”, disse à Reuters Ilias Iliopoulos da associação ADEDY, grupo que luta contra formas de exploração no trabalho. Segundo a ADEDY a marcha de protesto de hoje foi maior que uma outra em Maio que juntou 50 mil pessoas.

Anastasia Antonopoulou, 50 anos, é professor e juntou-se à marcha: “Sou professora e a maioria dos pais dos meus alunos estão desempregados”, disse.

[Fonte: Público]



15 dezembro, 2010

O rosto do centralismo travestido de cineasta/comentador desportivo

António Pedro Vasconcelos [vestido à PIDE]
A foto ao lado é uma imitação ridícula do Hercule Poirot lisboeta, patético e complexado. Como sabem, Poirot foi um detective privado, criado pela talentosa escritora britânica Agatha Christie que se tornou conhecida na  produção de novelas policiais.

Ao contrário da escritora, cuja fama atingiu níveis de popularidade internacionais, esta criatura esguia e de aspecto cadavérico, só conseguiu ter alguma visibilidade em Portugal como cineasta porque o Estado centralista tudo fez, e continua a fazer, para lhe dar algum protagonismo com subsídios e apoios de toda a espécie. 

Curioso, é reparar que António Pedro Vasconcelos, apesar de ser um ilustre desconhecido em termos internacionais, se sente muito confortável a criticar o vetusto cineasta Manoel de Oliveira, como se ele próprio estivesse a um nível superior, desprezando o reconhecimento internacional e os inúmeros prémios recebidos pelo realizador portuense em vários festivais de cinema. Mas, agora que o Estado, através da RTP, nos deu a oportunidade de o conhecer melhor em sectários  Trios de Ataque,  será caso para nos admirarmos?  Não, não é, mas o que é demais é moléstia.

António P. Vasconcelos exibe perante as câmaras da televisão tudo aquilo que há de pior na sociedade portuguesa: a inveja e a falta de carácter. De facto, basta consumir alguns minutos para apreciar o seu comportamento no referido programa e perceber que ali não se discute, exactamente e só, futebol, dita-se o centralismo, com capital em Benfica. E para isso, vale tudo, até queimar autocarros!

Quem, por presunção intelectual, ou simples vaidade, continuar agarrado à ideia de que o futebol é um mundo menor, distinto do resto da sociedade, fará mal se não dedicar algum tempo a observar este tipo de programas pois isso poderá ajudar a compreender outros fenómenos de prepotência e discriminação que a política ainda consegue mascarar. Na RTP, como noutros canais sediados em Lisboa, aqueles programas onde seria suposto debater-se o futebol - o desporto dilecto dos portugueses -, o que se discute resume-se a um assunto:  arbitragens.

O espectador incauto [ingénuo, ou futebolisticamente inculto] poderá até admitir que esses desvios programáticos em que subitamente  a nomenclatura se desajusta do conteúdo, deixando portanto de fazer sentido , se devem apenas à incompetência de quem os concebe e dirige, mas é aí que está o engano. Os crónicos desvios temáticos destes programas [Trio de Ataque, na RTPN, Dia Seguinte, na SIC e Prolongamento, na TVI24], são intencionais de acordo com as circunstâncias, isto é, afastam-se sistematicamente da componente técnico-desportiva, para a componente das arbitragens, quando o centralismo representado pelo Benfica começa a perder terreno [pontos] em relação ao seu inimigo visceral da  "província", o Futebol Clube do Porto. O fenómeno é recorrente e tem a cobertura activa do regime.

Só que, este miserável cenário é suficientemente sofisticado, porque na aparência é democrático... De facto, cada clube, dos três mais populares, tem o seu representante que teoricamente dispõem de "toda" a liberdade para o defenderem, só que as coisas não são exactamente assim. No programa Trio de Ataque [e nos outros é a mesma coisa], o pivôt está nitidamente instruído para dar mais protagonismo ao representante do Benfica que ultrapassa sempre o tempo de antena que é concedido aos outros dois participantes. Além de que, interrompe constantemente os seus interlocutores vitimizando-se exactamente para disfarçar os excessos e poder voltar a falar logo a seguir. Nisto, o detective/cineasta falhado, é exímio. Mas é exímio porque tem a conivência do pivôt, que por sua vez está mandatado pelo seu director para dar lastro a esta discriminação em nome do glorioso clube do absolutismo!

Por isso, o cineasta subsídio-dependente faz o que lhe dá na gana. Insinua, difama, provoca, mente, envenena, contradiz e insulta impunemente. Enfim, tem as costas quentes, porque  sabe que lá no fundo, o Estado com todos os seus representantes incluídos,  é o seu grande mestre e protector.

13 dezembro, 2010

Separar o trigo do joio na política

Ao contrário do que poderá parecer, não olho para a Regionalização com os mesmos olhos que o doente olha para o remédio, apenas a defendo convictamente por me parecer que a proximidade do cidadão com o poder simplifica não só o seu controlo, como permite melhores desempenhos a quem governa. O centralismo, isso sim,  será sempre o problema, nunca a solução. S e g u r a m e n t e. Só o senhor  1º. Ministro e o respectivo Governo é que ainda "não perceberam" o que se está a passar, porque embora em teoria "defendam" a Regionalização, na realidade, não a querem, como aliás se pode facilmente comprovar pelas decisões que vão tomando.

A minha preocupação em relação ao futuro político do país já se libertou dos dogmas que nos andaram a impingir durante anos,  que afinal de contas só serviram para nos estupidificar e para facilitar a vida a todos aqueles que, à sua sombra, se governaram melhor a si mesmos que governaram o país. Palavras como Democracia, Justiça, Humanismo, na prática, não correspondem em nada ao que os dicionários traduzem, visto que suas excelências os senhores políticos trataram de as desvirtuar sempre a pretexto de qualquer interesse "superior".

Por essa razão - que não me parece fútil - é que, independentemente de qualquer programa político, ou ideologia - como agora alguns gostam de dizer -, a minha primeira preocupação enquanto cidadão, é saber como, e com que solidez os futuros governos [regionalistas ou outos] estão dispostos a olhar para a autoridade, assim como para o oportunismo que tanto tem minado a credibilidade da política e da sociedade! A meu ver, é esse o maior obstáculo ao progresso da boa governação. A autoridade tornou-se escrava do autoritarismo, por isso é frágil.

Qualquer partido, novo ou antigo, que continue a assobiar para o lado face a este cancro terrível que consiste em não querer perceber que a autoridade e a Lei são imprescindíveis a uma sociedade futurista, que não devem ser manipuladas ao menor obstáculo, não terá sucesso. Se quisermos  devolver o devido significado às palavras e dar-lhes o sentido correcto, só há um caminho a seguir: é respeitá-las e não brincar demais com elas.

Um país que muda de Leis como quem muda fraldas de criança, não é um país para levar a sério e os seus defensores devem ser olhados com desconfiança pelos cidadãos. Só mexe frequentemente na Lei quem não tenciona respeitá-la. As pessoas já se habituaram [mal, quanto a mim] a conviver com os escândalos dos políticos, de os ver saltar da política para a administração de bancos privados e de grandes empresas, e esse é um hábito que é preciso perder. A política deve ser para os políticos, o empreendedorismo para os privados. Essa teria de passar a ser a ordem natural das coisas. Mas não esperemos que sejam eles próprios, os que já estão a gozar dessa privilegiada flexibilização a inverter esses hábitos porque como diz o ditado "as ovelhas não se tosquiam a si mesmas"! Pergunte-se, por exemplo [só dois,  mas há centenas deles], ao Jorge Coelho, ou ao Dias Loureiro, se concordam com estas ideias e podem ter a certeza que dizem que não. Como não, se elas colidem com a forma enviesada como eles decidiram singrar na vida? Foram para a política, não por uma opção determinada de servir o país, mas apenas para encurtarem o caminho que os pode conduzir à riqueza. Estes paradigmas não devem mais continuar a ser avaliados pelos cidadãos eleitores como normais, porque fazê-lo, é contribuir para a subversão das responsabilidades e dos próprios valores.

Estou por isso curioso de saber o que é que nesta matéria - que para  mim é fundamental -, vamos ouvir nos próximos jogos eleitorais. Pressinto que lhes vai passar ao lado, porque os bufos da antiga PIDE ainda não morreram. Servem também hoje de rótulo àqueles que não convivem bem com a corrupção e a querem denunciar...mas não é bem a mesma coisa. Ou será?

Carta aberta à ministra da Cultura

No dia 29 de Novembro, uma segunda--feira, tive a oportunidade de reunir com a Administração e Direcção Artística do Teatro Nacional de S. João (TNSJ), em conjunto com vários deputados do PSD eleitos pelo distrito do Porto. O objectivo desta reunião era tentar perceber a razão de ser da fusão do TNSJ no Organismo de Produção Artística (Opart).

Como preparação para a reunião que íamos ter, fui tentar perceber o que era o Opart. Percebi que gere o Teatro Nacional São Carlos e a Companhia Nacional de Bailado, em Lisboa. Percebi que tem um orçamento a rondar os 19 milhões de euros. E por fim percebi que dava prejuízos sucessivos há mais de três anos, tendo o prejuízo de 2009 sido de mais de 700 mil euros de resultado líquido negativo.

Este é o retrato, ainda que simplista, do Opart.

Já olhando para o TNSJ, a Administração tem sob a sua alçada, para além do TNSJ, mais dois equipamentos: o Teatro Carlos Alberto e o Mosteiro de S. Bento da Vitória, em Santo Tirso. O TNSJ tem um orçamento a rondar os 4,9 milhões de euros anuais, 25% do orçamento do Opart, para gerir três equipamentos culturais. O TNSJ cumpre os seus orçamentos à risca. E não dá prejuízo.

Este é o retrato, em termos comparativos com o anterior, do "nosso" TNSJ.

Mas o TNSJ é muito mais que mera aritmética.

Tem uma taxa de ocupação média dos seus espectáculos acima dos 70%, tendo um crescimento sustentado de espectadores todos os anos. Tem vários projectos em comum com grupos de teatro do Porto e do Norte. Tem encetado projectos comuns com a Orquestra Sinfónica do Porto, entrando em simbiose com outro grande equipamento cultural do Porto e do Norte do país, que é a Casa da Música.

Em suma, o TNSJ, é um dos grandes esteios da política cultural de toda a Região Norte, extravasando em muito a delimitação geográfica da cidade do Porto.

A sua integração numa macroestrutura centralizada em Lisboa, com vícios despesistas comprovados por anos de prejuízos sucessivos, como é o caso do Opart, nada mais fará que deitar por terra mais de 15 anos de trabalho da instituição TNSJ, arrojada na promoção cultural, e rigorosa na gestão da coisa pública.

A ministra da Cultura argumentou com poupanças que rondam os dois milhões de euros, resultantes da integração do TNSJ e do TN D. Maria II no Opart. Ora, ninguém consegue explicar de onde nasceram estes números. Tanto quanto nos foi até agora dado a entender, nascem da imaginação, fértil e generosa, de alguém no Ministério da Cultura, não tendo qualquer aderência à realidade.

No fim do dia, números à parte, e de forma objectiva, o que temos aqui é mais um exemplo da conhecida, e indisfarçável, tentação centralista deste governo socialista.

Sr.ª Ministra da Cultura, se quiser, reduza a modesta dotação orçamental que atribui todos os anos, que nós por cá nos arranjamos. A isso, infelizmente, já estamos habituados. Mas não destrua 15 anos de trabalho de promoção cultural, numa cidade e numa região, tão carentes de oferta pública e privada nesta área.

Por isso, peço-lhe humildemente, mas sem rodeios: deixe o Teatro Nacional de São João em paz!

[Luís Menezes, JN]

O Porto não vive sem reabilitação

O Porto só se manterá vivo se conseguir preencher o espaço vazio desse grande donut em que a cidade se transformou com a progressiva mudança de habitantes para uma periferia mais económica e pintada de fresco. Rui Moreira sabe que o repovoamento da cidade é uma causa política, imprescindível para que o centro histórico deixe de ser o que é: um monumento decrépito e, ainda por cima, oco. Espera-se, e acredita-se, que a escolha de Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto há quase dez anos, para a presidência da Porto Vivo, Sociedade de Reabilitação Urbana, em substituição de Arlindo Cunha, se traduza em maior dinamismo numa tarefa absolutamente crucial para o futuro da cidade.

A SRU tem entre mãos a recuperação de 32 quarteirões, a maior parte dos quais, como não poderia deixar de ser, na zona histórica do Porto, aquela que mais importa reabilitar, e cuja conclusão mudará a fisionomia da cidade. Mas o lento trabalho de reabilitação da SRU, quarteirão a quarteirão, está particularmente vocacionado para responder à procura de investimento de grandes empresas, interessadas na compra e recuperação de grandes áreas. O cidadão que individualmente recorra à SRU na tentativa de encontrar ajuda na procura de uma casa da zona histórica para recuperar é recambiado para as mesmíssimas imobiliárias às quais é possível aceder através de um anúncio num jornal ou de um classificado na Internet. E corre igualmente o risco de não ser informado sobre algumas das regalias que existem para quem adquira casa no perímetro de intervenção prioritária da cidade, que tanto podem implicar a devolução ou o reembolso do IMI ou do IMT, pela simples razão de que é insuficiente a articulação entre os serviços camarários e a SRU. E a reabilitação urbana mais visível na cidade foi a que resultou da intervenção da Porto 2001 ou da reabilitação individual, casa a casa, que acabou por ter um efeito mimético em algumas ruas, como aconteceu, quando os terrenos eram bem mais acessíveis, na Rua do Bonjardim, junto ao Marquês.

Como PSD e FCP não têm falta de interessados nas candidaturas à presidência da câmara e do clube, Rui Moreira pode ser bem mais útil à cidade. Se há algo de verdadeiramente estratégico para o Porto, aparentemente na moda, ao ponto de figurar como sugestão de luxuoso fim-de-semana na superexclusiva How to spendt it do Finantial Times, é a sua reabilitação urbana, histórica e cívica.

[Amílcar Correia, Público]

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Quem tomar conta do lugar agora deixado vago na Porto Vivo, seja Rui Moreira ou outra pessoa qualquer, terá incontornavelmente de se convencer que acima de todos os projectos de reabilitação urbana, tem de estar o cidadão residente.

É só com a sua inclusão massiva, mas criteriosa, que a cidade pode sair do estado comatoso a que chegou. Desiluda-se quem se contentar com as galerias e movidas nocturnas. A cidade tem que pulsar de vida também durante o dia, e é da mais imperiosa urgência acabar com o aspecto ruinoso e desolador que muitas casas ainda apresentam.

É triste percorrer as ruas do centro do Porto em pleno dia. As poucas e avulsas casas recuperadas passam despercebidas. 

Rui Valente