08 novembro, 2011

Consulte a infografia de alguns líderes nacionais

Todos "estão" inocentes, tão certo como estarmos em Portugal. Grande país, grandes líderes! Estou mesmo muito órgulhoso [com acento lisbonário].

06 novembro, 2011

Victor Pereira, assim não vai lá...


Victor Pereira
Ninguém que acompanhe com regularidade o Renovar o Porto me pode acusar de não defender o FCPorto, sobretudo nos momentos mais difíceis, em que toda a sua estrutura, incluindo Pinto da Costa, foi atacada e perseguida pela comunicação social centralista, apoiada por um Procurador Geral frouxo e incompetente, que nunca revelou a mínima coragem para manter o distanciamento e a isenção que o seu cargo exigia. Censurei-o a ele, e aos diversos agentes ligados àquele infame processo, que nunca souberam mostrar categoria e capacidade para lidar com a situação antes mesmo que ela ganhasse as proporções que levaram ao escabroso Apito Dourado.

Cheguei, inclusivé, a encabeçar uma Petição no sentido de responsabilizar a RTP e respectivas Direcções, pelo trabalho macabro de apoio e cobertura aos criminosos que estavam por detrás de toda aquela tramóia. Resultado: em 4 mêses, não consegui mais do que mil e poucas assinaturas...  

Por conseguinte, pouca moral têm essas criaturas agora para me encher a caixa de comentários, caso o que vão ler a seguir não seja de seu agrado. É que nem sequer os publicarei, que é para ficarem desde logo a saber o valor que lhes atribuo.

Ora, se defendi o FCPorto em momentos difíceis, como foi o que já citei, na qualidade de adepto, tenho legitimidade para criticar o treinador do FCPorto, porque mesmo sabendo que este também não é um momento fácil para o clube, não tem, nem de longe nem de perto, a gravidade do Processo Apito Dourado. A gravidade do momento existe de facto, mas é de outro tipo. Em causa está, a possível perda de importantes verbas para o clube e o eventual afastamento prematuro das competições que ainda tem para disputar. Sem querer ser demasiado simplista, tudo isto se resume ao seguinte: Victor Pereira, foi o treinador de recurso, o pronto-socorro que Pinto da Costa tinha à mão para substituir o recém premiado com o Dragão de Ouro, André Villas Boas. Quem disser que uma coisa não tem a ver com a outra, está a navegar no reino da fantasia, mundo em que Pinto da Costa não tem por hábito entrar, embora as circunstâncias o forcem por vezes a improvisar. Foi o caso, com Victor Pereira, e desta feita, não está a resultar...

Como adepto sinto-me insultado com as declarações irreflectidas de Victor Pereira, quando depois de vários jogos a jogar mal, vem para a comunicação social fazer afirmações surrealistas sem qualquer conexão com a realidade. Mais uma vez, VP repete o discurso anterior,  dizendo que a equipa "trabalhou muito durante o jogo", como se isso significasse trabalhar bem, que é a "pequena" diferença que ele ainda não   foi capaz de estabelecer entre os dois advérbios, talvez por não compreender que ela é fundamental. As suas afirmações espelham de certa maneira - ou pelo menos fazem-nos intuir -, as dificuldades que seguramente terá em comunicar com os jogadores, não devendo por isso espantar que eles pareçam autênticas baratas tontas em campo, sem lucidez nem garra competitiva. Exactamente o inverso do que ele diz...

A cereja no pico do bolo, foram as suas palavras denunciadores de fraqueza quando, à pergunta se achava que  "ainda mantinha a confiança dos adeptos" respondeu, procurando passar a mão pelo pêlo a Pinto da Costa, dizendo "temos um grande líder, que não vai pela teatralização que há à volta do futebol...". Estas não são respostas de um líder, são respostas de quem sente o barco a afundar e não sabe o que fazer para o evitar. Decisivamente, Victor Pereira não é treinador para um clube com as ambições do FCPorto. Podia ter resultado, mas não resultou. Podem-me dizer que nada está perdido, mas o que vejo não me alimenta minimamente a confiança numa reviravolta.

Só não queria, era estar no lugar de Pinto da Costa e da SAD, porque este de facto, é um daqueles momentos complicados para tomar decisões.

O FCPorto corre o risco de sair da Champions sem os milhões que tanta falta fazem ao clube, já que as receitas de publicidade e de bilheteira são risíveis. Arrisca-se a perder o campeonato, até porque este ano está mais competitivo, com as principais equipas separadas por poucos pontos. O que fazer então? Manter, reforçar a confiança num treinador que não dá sinais de saber aproveitá-la em seu benefício e do FCPorto, ou dispensar os seus serviços numa altura em que o mercado de treinadores cotados está fechado? E quanto terá o clube de lhe pagar para o indemnizar?

Todas estas dúvidas servem também para percebermos as contradições e verdadeiras armadilhas do regime capitalista e dos famosos mercados que o dominam. Há quem sobreviva nesta selva, mas que pode transformar, num ápice, um Herói em vilão, disso penso que já ninguém duvidará.

Esperemos é que - mais uma vez -, aqueles que nem sequer coragem tiveram para assinar uma simples Petição, não venham agora pedir a cabeça do Presidente, à boa maneira dos "amiguinhos" de Lisboa.

05 novembro, 2011

No melhor pano cai a nódoa

Mais um caso em que "assuntos de âmbito profissional" ultrapassam os pruridos de ordem ambiental e patrimonial.

Decididamente, não são só os jogadores de futebol e  treinadores que por dinheiro aderem depressa ao clube "O que é verdade hoje, é mentira amanhã". 

04 novembro, 2011

Esperanza Spalding - Precious

Do Movimento PPartido do Norte para Rui Farinas


Rui Farinas
O Movimento Partido do Norte agradece reconhecidamente ao Sr. Rui Farinas, um conhecidíssimo portuense ligado à blogosfera e à vida cívica do Porto e do Norte, o ter-se deslocado ao nosso balcão de recolha de assinaturas com várias dezenas recolhidas pelos seus próprios meios, o que demonstra que estamos perante um espírito jovem que percebe bem o que significa a solidariedade, o apoio, a responsabilidade e o poder das redes.


A Comissão Executiva do MPPNorte



Nota do RoP
Este pequeno texto foi extraído do blogue do Movimento Pró Partido do Norte. A alusão ao espírito do Rui Farinas corresponde à realidade. É um jovem, inconformado e lutador. E um bom amigo. 


Gente útil, gente fútil

Nuno Oliveira [ao centro]
O Prémio Quercus 2011 foi atribuído por esta coletividade ao Parque Biológico de Gaia: são já quase "30 anos de trabalho em prol do ambiente, nomeadamente ao nível da educação ambiental em Portugal", refira-se. A cerimónia decorreu em Lisboa no passado dia 31 de Outubro durante a celebração do 26.º aniversário da associação ambientalista

Podia voltar a falar da inutilidade que é para o país profundo, ter um Presidente da República como Cavaco Silva, e do peculiar cinismo com que trata os portugueses do Norte. Podia dizer que o seu pedido de esclarecimento ao Governo sobre a introdução de portagens nas Scut, mais não é do que um novo comprovativo do que atrás escrevi. Podia até fundamentar esta opinião, referindo que nunca, até o momento em que esteve em causa a introdução de portagens nas auto-estradas do Algarve, Beira Interior, Interior Norte, Beira Litoral e Beira Alta, o senhor Cavaco Silva se lembrou de apresentar igual pedido de esclarecimento sobre as Scut do Norte, nem tão pouco se perturbou com a imoralidade de ser esta região do país a única a pagar portagens [há cerca de um ano]...

Podia concluir que esta, não é a postura do Presidente de todos os portugueses, mas antes o comportamento de um homem vulgar, que portugueses vulgares elegeram para o cargo mais nobre da hierarquia nacional. Podia dizer que esses portugueses estavam errados, e que a situação miserável do país o confirma. Podia estar aqui a falar do rol de assuntos importantes onde Cavaco foi cumplíce por omissão, e das suas frívolas intervenções em casos ridículos, como foi o do Estatuto dos Açores. Podia, mas prefiro falar de coisas úteis.

Vou falar-vos de um Homem - que por mero acaso conheci em contactos profissionais -, e que tem feito um trabalho muito mais prolífero para o país [e para o planeta] do que os peritos em assuntos económicos todos juntos. Chama-se Nuno Oliveira e é o Director do magnífico Parque Biológico de Gaia, um regenerado pulmão da cidade, e um importantíssimo centro de Recuperação de Animais Selvagens.

A Quercos, decidiu justamente premiá-lo. É merecidíssimo. Muito mais sério, e interessante, que cavacadas e outras boliqueimadas.

03 novembro, 2011

Geração rasca, está nos actuais partidos


Nunca escondi o meu profundo descrédito pela classe política, e o decorrer do tempo, sempre mais fértil em factos que os deviam envergonhar, só reforça essa convicção. Apenas se estranha, é que os jornalistas estejam a descobrir isso agora. Paulo Ferreira, escreveu hoje um artigo no JN que retrata essa realidade, mas que só peca por tardio e raro.

Em síntese, a crónica referia-se a declarações proferidas pelo [jovem] secretário de Estado da Juventude e Desporto, que "aconselhavam" os jovens portugueses a emigrar... Sugiro que a leiam, aqui, para ficarem a saber que a moda pegou de estaca, fazendo crescer adeptos curiosamente no interior dos partidos do chamado "arco do poder".

Pessoalmente, não fiquei mesmo nada surpreendido com esta "descoberta", porque, os jovens, à falta de ideias próprias, preferem imitar os mais velhos, sobretudo aqueles que atingiram lugares de destaque na hierarquia política e social. Ora, que melhor exemplo podia inspirá-los, que não o Presidente da República? Em rigor, foi também o Sr. Cavaco Silva quem lhes deu o élan para produzirem estas afirmações que nada ficam a dever à inteligência e, principalmente, ao bom senso.

Os leitores ainda devem estar lembrados do que aqui escrevi àcerca do assunto. Foi numa deslocação ao estrangeiro, que Cavaco, dirigindo-se aos emigrantes afirmou, ipsis verbis, "vocês, são o orgulho de Portugal!". Pena foi, que nenhum dos presentes não tivesse retribuído o piropo ao Presidente, mas ao contrário, para ver se dessa forma conseguia o milagre de obrigar Sua Excelência a repensar no que disse assim que chegasse a casa. 

A classe política portuguesa, além de incapaz e oportunista, é insensata. Quando jovens candidatos ao poder [o poder, não é literalmente o mesmo que Governar]  fazem afirmações desta natureza, estão, mais do que a passar a si próprios um atestado de incompetência, a passar um atestado de estupidez aos eleitores que os vão certamente outra vez guindar ao Poder. O nosso drama é esse: o povo, e a sua crónica permissividade cívica. Com o cinto a apertar e o dinheiro a faltar, talvez essa consciência desperte da letargia em que o acesso ao crédito e os "facilitismos" do passado recente o deixou.

02 novembro, 2011

Ditos e mitos

Quem vive muito acima das suas possibilidades é o Estado, a classe política, os gestores públicos.
A mentira mais repetida na vida política portuguesa é a de que os portugueses vivem acima das suas possibilidades, trabalham pouco, ganham demasiado e deveriam poupar mais. Nada de mais errado: este conjunto de mitos constitui um embuste.

O primeiro mito é o de que os portugueses vivem acima das suas possibilidades, fazem férias caras e compram bens que não deviam. Um logro. Quando adquirem bens ou serviços, os cidadãos fazem-no ou com o seu dinheiro ou a crédito. No primeiro caso, estão no seu direito. Na segunda hipótese, a responsabilidade será sempre do cliente; ou, se resulta de má avaliação ou ganância por parte da banca, é por esta que deve ser assumido o prejuízo. Muito pelo contrário, quem vive muito acima das suas possibilidades é o Estado, a classe política, os gestores públicos e todos os que comem da manjedoura que é o orçamento do estado. O português comum, esse, infelizmente, tem vivido muito abaixo do nível médio do europeu.

O segundo mito, em Portugal trabalha-se pouco. Uma falsidade. Os nossos trabalhadores cumprem horários semanais dos mais extensos da Europa. Estão é mal enquadrados e são mal dirigidos. Na administração pública, a gestão é fraca, os dirigentes, "boys" partidários, são, na sua maioria, habilidosos caciques e organizadores de campanhas, mas péssimos gestores. Acresce que a incompetência se contagia às empresas privadas que vivem de favores do Estado e que, para isso apenas, contratam traficantes de influência. Com dirigentes destes, a produtividade só poderia ser fraca. E ganham demais? Não me parece que salários altos alguma vez tenham sido o problema de Portugal. Pelo contrário, é lamentável que tenhamos chegado a 2011 com um ordenado bruto médio de 900 euros, o que representa um rendimento líquido mensal de 711 euros. Isto é ganhar muito? Finalmente, é agora moda pedir aos portugueses que poupem. Mas vir pedir a um povo, que tem salários de miséria, para poupar é, no mínimo, ridículo e insultuoso. E inútil. Todo este chorrilho de mentiras e moralismos apenas servem para disfarçar a incapacidade dos políticos. O que os portugueses precisam não é de lições de moral, mas sim de governantes competentes e sérios.

[de Paulo Morais, Prof.Universitário]

Nota de RoP
O artigo é excelente, a fonte duvidosa. Continuo sem perceber o que leva pessoas credíveis, como é o Dr. Paulo Morais, a não serem muito mais selectivas com os órgãos de comunicação onde publicam as suas crónicas. O Correio da Manhã não é, de todo, a melhor referência, a nível da imprensa, sendo certo que em matéria de credibilidade os media deixam todos muito a desejar. 

Apoiar,não é engolir em seco


Fiquei agora a saber pela voz de Victor Pereira que o bom profissional é aquele que produz muito... Nem mais, nem menos. Imaginemos portanto, um cozinheiro. O homem, farta-se de trabalhar, mas é lento, e atabalhoado. Para fritar batatas, usa uma panela com água, em vez de uma fritadeira com azeite, ou óleo. Não tempera os alimentos, e dá-lhes tempo a mais, ou a menos, de apuro, sem nunca acertar no ponto.

Deve ter sido inspirado nesta estranha maneira de produzir que o treinador do FCPorto fez estas declarações no fim do encontro de ontem com o Apoel do Chipre para a Liga dos Campeões:

"hoje fomos Porto, trabalhámos muito, quisemos vencer e terá sido isso que nos penalizou. Depois do empate quisemos continuar atrás da victória. Isto caracteriza a nossa alma, mas há momentos em que temos de usar mais a cabeça. O resultado não traduz o que se passou no jogo".

Teoricamente ainda nada está perdido, mas realisticamente, perante a inexistência de fio de jogo  da mesma equipa que venceu a última Liga Europeia tem vindo a demonstrar, não se notando evolução de jogo para jogo que nos faça alimentar a esperança, vai ser uma tarefa complicada...

Para o adepto portista, sabendo do que se alimentam os vampiros dos clubes centralistas que passam o tempo a inventar casos, queimando rios de tinta para tentar desestabilizar o FCPorto, é muito ingrato criticar um treinador, que sendo ele muito competente ou um aselha, é o nosso treinador em exercício. Esta ambivalência emocional é um sentimento terrível, porque se por um lado queremos deitar cá para fora o desgosto provocado pelas más exibições, por outro, podemos involuntariamente estar a contribuir para adensar os problemas. Mas, pergunto: não será também contra natura ficarmos em silêncio fazendo de conta que não vimos, o que vimos? Confesso que não sei bem como encontrar a atitude certa.

Victor Pereira, com este tipo de declarações irrealistas, está a confirmar as minhas suspeitas e as de muitos adeptos, que não tem perfil técnico, nem psicológico, para treinar o FCPorto. O que a equipa ontem fez em campo, é o que vem fazendo há várias jornadas, sem que se note que os erros cometidos repetidamente nos jogos anteriores sejam corrigidos, o que quer dizer uma de duas coisas: ou Victor Pereira não percebe o que se está a passar e não diz nada aos seus pupilos, ou se percebe, não é capaz de lhes transmitir o que é preciso fazer em campo.

Não entro na barafunda de criticar os jogadores, porque é para os preparar e disciplinar que o treinador lá está. Não caio muito menos na tentação de criticar a SAD, ou Pinto da Costa, pelas razões que já aqui e aqui apresentei.

A partir de agora, como adepto, só me resta fazer  votos para que no futuro próximo as minhas suspeitas se traduzam em muitas victórias, e que Victor Pereira me prove que estava enganado. Mas, tenho fundamentadas dúvidas que o consiga.

01 novembro, 2011

O fim da lei do menor esforço


Após definir um país como a soma dos defeitos e qualidades dos seus cidadãos, o Almada Negreiros não resistiu a um exercício de ironia certeira e apelou : "Coragem portugueses, só faltam as qualidades".

No capítulo do trabalho, temos seguramente muitas qualidades, mas quase sempre escondidas, só se revelando quando emigramos ou somos geridos por multinacionais que nos balizam o comportamento com uma gramática rígida de regras a observar no dia a dia laboral.

Esta incapacidade para sermos naturalmente honestos e produtivos no trabalho é filha da cultura de uma nação que se habituou a viver dos recursos dos outros - e entrou em crise sempre que perdeu uma mama.

A perda do trato da Índia teve como consequência a União Ibérica. A independência do Brasil, que pôs termo ao fluxo de ouro, café e madeiras preciosas, foi a causa remota da queda da Monarquia e gerou mais de um século de turbulência.

No século XX, a incapacidade em mantermos as colónias africanas foi o fermento do desmoronar do Estado Novo, deixando-nos a vaguear até descobrirmos em Bruxelas uma nova fonte a jorrar dinheiro.

A lei do menor esforço foi a regra que nos regeu ao longo de seis séculos. Os poderosos enriqueciam roubando, um hábito lamentável que os casos Oliveira Costa, Duarte Lima e Isaltino nos fazem suspeitar que chegou aos nossos dias.

Os mais espertos das classes baixas tornaram-se comerciantes com lábia suficiente para vender aquecedores aos guineenses e frigoríficos aos esquimós, inspirando Hergé na criação do Oliveira da Figueira, o impagável personagem português do Tintin.

E os que não conseguiam sair da cepa torta, vingavam-se, com manha e ronha, fazendo o mínimo possível.
Agora, chegámos ao fim da linha. Já não vai mais ser possível viver ao abrigo da lei do menor esforço.

Os poderosos corruptos têm de ir para a cadeia - e os incompetentes têm de ser varridos para o desemprego. Os empreendedores têm de subir na escala de valor, passarem a ser mais Belmiros do que Oliveiras da Figueira. E aqueles que, como eu, optaram por trabalhar por conta de outrém, em vez de arriscarem criar o seu próprio emprego, têm de ser mais produtivos para fortalecer e tornar competitivas as empresas - e a nossa economia.

A dez horas a mais por mês que vamos trabalhar, o fim da rigidez da legislação laboral, o subsídio mais baixo e de menor duração que vamos receber se formos despedidos, são o preço a pagar por termos distribuido mais riqueza do que a produzimos.

Do ponto de vista dos trabalhadores, as novas e draconianas regras significam trocar mais horas e algum dinheiro pela preservação do emprego. Do ponto de vista dos empresários, significa um trunfo mais (os ganhos de competitividade derivados baseados da flexibilidade e redução dos custos) na luta pela sobrevivência.

Os sindicatos terão de perceber que nesta curva apertada em que fomos apanhados, os interesses dos trabalhadores e dos empresários podem ser os mesmos.


Vivaldi - Four Seasons (Winter)

31 outubro, 2011

Genéricos


Este, é outro assunto que há uns tempos a esta parte me anda a provocar  muita confusão. Li algures, um dia destes, que os médicos pretendem difundir informação pública sobre o risco da prescrição de medicamentos genéricos. O motivo, na opinião  do Presidente da Seccção Regional do Norte da Ordem dos Médicos, prende-se com a protecção da saúde dos doentes. Segundo diz, porque existem casos em que os médicos receitam medicamentos em que têm confiança clínica e que deviam ser proibidos de trocar por outros com o mesmo princípio activo. Isto, porque está para sair uma nova lei que obriga os médicos a receitarem os medicamentos pela Denominação Comum Internacional, ou seja, pelo princípio activo.

Ora, o que se estranha é que a comunidade médica internacional, assim como a indústria farmacêutica,  não tenham tomado atempadamente medidas drásticas, no sentido de esclarecer as populações de forma a não deixar instalar sobre elas um potencial sentimento de insegurança, não só em relação aos medicamentos, como sobre os próprios médicos.

Para o cidadão comum, é difícil de compreender como é que se permite lançar no mercado medicamentos sem a confiança da toda a comunidade médica, já que, segundo o Presidente da SRNOM, não existem testes de bioequivalência entre genéricos.  Há algo de muito grave e errado em tudo isto, e a legislação na matéria só por si, pouca utilidade tem.

Por outro lado, a ser verdade o que os médicos argumentam, não se compreende também que o Governo tenha tomado de ânimo leve a decisão de obrigar a prescrição de genéricos. É urgente desvanecer todas as dúvidas nesta matéria, caso contrário, qualquer dia arriscámo-nos a morrer da cura, e não da doença.  A menos que haja aqui mais uma nova versão do gato escondido...

30 outubro, 2011

Políticos. De corruptos a assassinos, o passo é curto



 
Duarte Lima

Sabendo como funciona a cabeça de determinados políticos quando se sentem acossados - previsível e reaccionária -, começo por declarar que o tema de hoje não deverá ser interpretado como uma crítica generalizada à classe, e sim como a opinião sincera de um cidadão baseada em factos que a história recente não pode  desmentir.

Amiúde, face ao excesso de escandalos em que se vão envolvendo, os políticos sentem-se impelidos a apresentar publicamente manifestações de repúdio pela péssima reputação que foram deixando colar à sua imagem, talvez na esperança de nos convencer de que afinal reside apenas na ignorância popular a fonte dessas opiniões. Está errado!

Um dos piores defeitos dos governantes, é precisamente o de insistirem em continuar a ver os cidadãos como uma massa acéfala e bruta, incapaz de os perceber. O mal do povo não está em conhecê-los, está em não saber combatê-los. Por comodismo, medos antigos, ou falta de civismo, o povo foi permitindo toda a espécie de abusos, de eleição para eleição, e hoje, algumas dessas figuras públicas, além de se terem tornado ladrões, "promovem-se" à categoria de assassinos...

Já os vimos nas rádios e nas televisões, tecer todo o tipo de opiniões de carácter moralista àcerca do comportamento de outras personalidades, não se coibindo de censurar, mas guardam a mais absoluta discrição se a figura em causa pertencer à prole política. Quando Pinto da Costa andava nas bocas do mundo no processo Apito Dourado não foram poucos os políticos que sugeriram pareceres e opiniões no sentido de o condenar. Agora, sobre Duarte Lima, Dias Loureiro & Companhia, todos optaram pela mais nobre das reservas...

Pois bem. Se porventura me fossem conferidos poderes para tratar destes casos inqualificáveis, e tivesse de os ajuizar, seria à classe política a quem atribuiria as penas mais pesadas. Este simulacro de democracia teria de fechar para férias, durante o tempo que fosse necessário para julgar estes casos com celeridade, evitando assim que o putativo criminoso se desse ao desplante de brincar com as ratoeiras da Lei na cara de todo um país, como fez e continua a fazer, João Vale e Azevedo [nome de barão, carácter de burlão].

O caso Duarte Lima, é a indecência elevada a padrões inimagináveis para qualquer político cumpridor que se preze. Mas, não é o único, há mais. Uns bem conhecidos, outros menos, mas há casos demais para um país civilizado. Se os associarmos  à crónica incompetência do seu histórico, não sei se restará muito espaço para benefícios de dúvidas.

Há momentos - quando esta falsa democracia se revela -, que devíamos perguntar-nos se certos políticos da nossa praça não mereciam ter o mesmo fim do Kadafi...  Uma coisa não merecem concerteza, que é a vida de nababos e as mordomias que, sem honra nem mérito, vão levando.  E os portugueses não podem mais conformar-se com isso.

Metro do Porto







Recentemente, e a propósito dos défices das empresas de transporte, assistiu-se a um inusitado ataque ao Metro do Porto. Primeiro, foi Miguel Sousa Tavares que se pronunciou sobre o projecto, tecendo críticas muito severas à sua sustentabilidade. Depois, foi Luís Filipe Menezes quem apareceu, em entrevista a este jornal, a criticar as sucessivas opções da empresa. Prefiro concentrar-me naquilo que Miguel Sousa Tavares (MST) escreveu, porque conheço a sua seriedade intelectual e tenho a certeza de que se baseou em informações e análises que certamente julgava credíveis, mas que, como adiante demonstro, carecem de fundamento.

A primeira questão, na comparação do Metro do Porto (MP) com o Metropolitano de Lisboa (ML), diz respeito ao esforço financeiro do Estado, ou seja, ao que o Estado português gastou com cada um dos projectos, em diversas rubricas que incluem o PIDDAC, as Indemnizações Compensatórias, Outras Subvenções Públicas e Dotações de Capital. Verifica-se, através da soma das parcelas, que o Estado gastou, entre 1993 e 2010, cerca de 209 milhões de euros com o MP, e nada mais, nada menos, que 1252 milhões de euros com o ML. E, quando decompomos estas verbas, apuramos que os problemas de financiamento do MP decorrem do facto de o Estado nunca ter feito dotações de capital significativas, já que estas ascendem a 2,5 milhões de euros, enquanto no mesmo período recapitalizou o ML, que em 1993 já existia como se sabe, em 658 milhões de euros. Ou seja, e para quem não é especialista em contas, o Estado avançou com o projecto do MP sem o dotar de capitais próprios, o que justifica que as sucessivas administrações tenham sido forçadas a contrair financiamentos bancários, e o que explica o montante do endividamento e os juros acumulados.

Relativamente aos rácios de operação, verifica-se que as comparações são favoráveis ao MP, ainda que seja necessário ajustá-las às características diversas de ambos os sistemas. O MP tem uma rede com a extensão de 67 quilómetros, com 81 estações distribuídas por 6 linhas, enquanto o ML tem 39,6 quilómetros, com 52 estações distribuídas por 4 linhas, mas é claro que essa comparação não é linear, na medida em que o MP é maioritariamente de superfície, enquanto o ML é totalmente subterrâneo. No que diz respeito à procura, que tanto preocupa MST, o metro atingiu em 2009 uma taxa de ocupação de 18,7%, muito próxima da que se verificou no Metropolitano de Lisboa que, no mesmo ano, rondou os 19,4%. Estas taxas são, note-se, razoáveis, quando comparadas com as que se verificam em sistemas de transporte idênticos em outras cidades europeias.

Já quanto às receitas por passageiro por quilómetro, verifica-se que a comparação é muito favorável ao MP, atingindo 2,5 cêntimos contra 1,5 no ML. Isso explica, aliás, os resultados económicos do MP, cuja taxa e cobertura (que considera as receitas de bilheteira e os custos directos da operação) passou de 53%, em 2007, para 75%, em 2010, sendo expectável que esta taxa seja, em 2011, superior a 92%. Não se conhecem os resultados comparativos do ML.

É evidente que Portugal tem, a exemplo de outros países, um sério problema político e orçamental com a avaliação dos benefícios económicos e sociais que resultam do transporte público e que não se repercutem nos resultados financeiros das empresas que, muita das vezes, são avaliadas ou criticadas de acordo com a óptica privada que é mais restritiva. Ora, sendo desejável que os custos de operação sejam cobertos pela receita, não é expectável que, num serviço público desta natureza, o investimento em infra-estruturas seja recuperável. É essa a situação do nosso metro, que está próximo do equilíbrio na exploração, mas cuja sustentabilidade está posta em causa pelo facto de ter sido financiado exclusivamente através do crédito bancário que vai crescendo, ano após ano, através da acumulação dos juros. Ainda assim, a análise comparativa permite concluir que, apesar desse pecado original, o MP não é tão desastroso como contaram ao MST, e nos querem fazer crer.

[Fonte: JN]

29 outubro, 2011

Jeff Buckley

Pode berrar um bocadinho Rui Rio, nós compreendemos



Lembro-me bem, como foi "sensato e ponderado" o início da relação de Rui Rio com o FCPorto, a marca e instituição mais famosa da nossa cidade. Recordo-me também, do que afirmou Rui Rio quando caiu de supetão na cadeira da Câmara Municipal do Porto, dizendo que "não era por berrar [foi este o termo] contra Lisboa que o Porto se afirmava".

Como o tempo é implacável a repor coerência e alguma justiça nas coisas, hoje, é o autarca do Porto quem teria vontade de elevar a voz para se fazer ouvir junto dos seus colegas de partido no Governo, uma vez que estes o estão a tratar com a mesma sobranceria e desprezo com que ele tratou o Presidente do FCPorto... Hoje, é Rio a reclamar sensatez e ponderação ao Ministro da Economia por este não lhe responder aos apelos diplomáticos solicitando uma reunião para discutir com a Junta Metropolitana do Porto questões relacionadas com o Metro e as portagens das SCUT.

Fiel à sabedoria popular que diz que "quem com ferros mata, com ferros morre", o  Ministro Àlvaro Santos Pereira mandatou a secretária do secretário das Obras Públicas para responder ao nosso ilustre autarca, provando-lhe assim o alto grau de estima e consideração em que o tem.

Em circunstâncias normais, se o Porto tivesse na Câmara um Presidente à altura dos pergaminhos e da história da cidade, não me liam aqui a ironizar com uma situação tão grave, lesiva e desconsiderante para os portuenses. Mas, neste caso concreto, apetece-me dizer apenas isto: bem feito, você tem o que semeou Dr. Rui Rio!

Só se lastima é que o povo que não o elegeu, tenha de pagar por tabela o preço da sua cobardia e do seu servilismo com o Terreiro do Paço. Tal qual, como agora tem de pagar pelas asneiras cometidas por sucessivos maus governos do país. E depois, sabe, às vezes, é mesmo preciso berrar e noutras até, recorrer às armas. Não há revoluções pacíficas.  E as revoluções só acontecem quando a Democracia não existe...

28 outubro, 2011

Movida do Porto, sem rei, nem rio


Copos, lixo e moradores
Quando começou a movida da Baixa do Porto, recordo-me de ter ficado com algumas reservas com o entusiasmo manifestado por algumas figuras públicas do burgo, entre as quais Rui Moreira, que confrontado com o desagrado de alguns moradores pelo ruído que entretanto ali se instalou respondeu que "isso eram reacções de pessoas com a mania de falar mal de tudo", e que achava muito bem, porque era importante revitalizar o centro do Porto, etc., etc. Não posso garantir que as palavras tenham sido exactamente estas, mas foi isto que reti na memória e suponho não fugir muito à verdade.

Na altura, o meu cepticismo nada tinha a ver com a movida, que aliás sempre apoiei [e apoio], mas sim com as declarações que fui entendendo sobre os seus benefícios para a cidade. Invariavelmente, aquilo que mais ouvia dizer foi que: "era preciso chamar gente ao centro do Porto", "que a cidade estava a ficar deserta e que era necessário repovoá-la, etc". Entretanto, alguns moradores reclamavam e com toda a legitimidade, que à noite era impossível dormir com o barulho. Um desses moradores, uma senhora, adiantava que tinha optado por residir no Porto, prescindido mesmo de adquirir uma casa com garagem mais barata nos arredores, por preferir viver no sossego do centro. Por instantes,  imaginei-me naquela situação e perguntei-me se reagiria de maneira muito diferente daquela senhora...

É claro que para os comerciantes da zona, sobretudo ligados à noite, a movida só tinha [e tem], virtudes, era tudo magnífico, porque como é comum nas pessoas, preferem avaliar as coisas com os olhos no umbigo e nem sequer se dão à maçada de pensar nos outros. Ora, tendo embora concordado com a reanimação nocturna do Porto, sempre pensei que a prioridade para repovoar a Baixa teria de ser dada à reabilitação urbana para residentes, e não chamando a si a população dos arredores para diversões nocturnas, devolvendo o deserto à cidade, no dia seguinte.

A ideia da movida foi óptima, o timing é que não.  Primeiro, a Câmara do Porto devia ter apostado fortemente e há muito tempo na recuperação dos edifícios degradados e por quarteirões, de forma a evitar que [como se tem visto], entre um prédio recuperado permanecessem casas a cair de podres, com todas as implicações de ordem sanitária e ambiental que isso implica, já para não falar da segurança... Além de que me parece a pior maneira de atrair moradores. Pessoalmente, e ao ritmo a que a reabilitação urbana avança no Porto, não era eu quem queria viver numa casa entalada entre outras arruinadas.

Agora, aí estão os jornais cheios de reclamações de moradores da Baixa, queixando-se do ruído, dos lixos, da anarquia dos horários de encerramento, do álcool, do comportamento dos utentes e da falta de policiamento. Há já em curso uma recolha de assinaturas de moradores contestatários, dispostos a exigir a reposição da ordem à Camara do Porto com manifestações, inclusivé, à porta da casa de Rui Rio.

E eu, acho muito bem. O Porto nunca esteve tão imundo, como agora. É uma vergonha.   

27 outubro, 2011

Rui Rio não há meio de desligar o complicómetro


Rui Rio
Se tivesse de escolher um adjectivo para definir Rui Rio, acho que o que lhe assentava melhor era o de: "conflituoso".

Não há caso onde ele esteja envolvido que não descambe para o litígio. Se juntarmos a isto a sua incapacidade genética para emperrar as coisas e o total desfazamento entre a reputação que tem [ou tinha], e a realidade nua e crua, teremos reunidos os condimentos para tentar descobrir o que viram nele os seus eleitores. Esta, é só mais uma das suas já habituais incongruências.

Isto aconteceu. Jorge Fiel não está a ser catastrofista

Cimeira devia ser em Cracóvia


Para se pouparem ao desgaste psicológico do processamento dos mortos, os nazis entregavam essa tarefa mórbida a prisioneiros, que recompensavam com uma ração extra de comida, senhas para o bordel de Auschwitz ou outras pequenas regalias.

Eram judeus, apelidados sonderkommando, que passavam em revista os corpos dos judeus acabados de morrer na câmara de gás decorada com chuveiros.

Extraíam-lhes os dentes de ouro, posteriormente fundidos em barras.

Despojavam-nos de anéis, pulseiras, brincos, e procuravam com detalhe todos os orifícios do corpo onde pudessem estar dissimuladas jóias ou dinheiro.

Cortavam-lhes o cabelo, posteriormente enviado para fábricas onde era usado como matéria-prima para confeccionar, entre outras coisas, peúgas de feltro para a tripulação dos submarinos.

Depois de processados os corpos, os sonderkommando transportavam-nos para os fornos crematórios.

Esta impressionante mecânica do processo de extermínio de milhão e meio de judeus, ciganos, homossexuais e presos políticos em Auschwitz é descrita e analisada pelo britânico Laurence Rees no livro "Auschwitz: The nazis and the final solution", que comprei na livraria deste campo de concentração, nos arredores de Cracóvia.

Domingo, ao visitar uma exposição sobre o terror nazi (1939-45) e soviético (45-56), no Museu Histórico de Cracóvia, localizado no edifício que serviu de sede à Gestapo, veio-me à memória o livro de Rees e as tenebrosas imagens da exposição de bens confiscados aos judeus - pares de sapatos, malas, próteses, roupas, óculos, pincéis de barba, carrinhos e enxovais de bebé, enxovais - que foi um dos mais violentos socos no estômago que levei quando visitei Auschwitz.

Os nazis levaram a Humanidade ao ponto mais baixo da sua história. Mas a sua derrota e a reconstrução europeia do pós-guerra foram as estacas em que assentou o maior período de paz e prosperidade do Velho Continente, proporcionado pelo diálogo entre países outrora inimigos institucionalizado primeiro timidamente com a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, e depois aprofundado até ao euro.

Nesta curva da estrada em que a Europa está, é importante darmos ouvidos aos conselhos de quem tem memória e o saber de experiência feito, como Helmut Schmidt, que, de cadeira de rodas e já para além da fronteira dos 90 anos, saiu do seu retiro para avisar: "Quem considerar que a sua nação é mais importante que a nossa comum Europa está a prejudicar os mais fundamentais interesses do seu próprio país".

Se calhar não seria má ideia que a próxima cimeira europeia se realizasse em Cracóvia, após uma visita demorada dos líderes aos campos de morte de Auschwitz e Birkenau. Talvez fosse mais produtiva.

[Fonte: JN/Jorge Fiel]

26 outubro, 2011

Puxa-saquismo ou petulância?


Este cenário, foi o que eu próprio fotografei há um ano...
Olhar para a casa dos outros, sem olhar primeiro, e bem, para a nossa, recomenda-se, antes de fazer figuras tristes.

Só quem não quer mesmo ver, é que pode ficar indiferente à negligência da Câmara Municipal do Porto com a recolha dos lixos e escandalizar-se com o que se vê lá fora. Tanto mais, quanto nessa e em muitas outras matérias, estamos longe de ser um país modelo.

Leiam aqui e tirem vocês mesmo a pinta a este portuense amiguinho de Rui Rio.

Fêcho do dossier Villas Boas


Villas Boas
Para fechar de uma vez com o dossier Villas Boas, gostaria de começar por dizer o seguinte: o direito à crítica é tão legítimo como o direito ao louvor, desde que obedeça a critérios de justiça e coerência.

Pessoalmente, sou mais vulnerável à sabedoria popular, do que à verborreia político-conservadora, que não se importa nada  de recorrer ao discurso populista quando lhe convém...

Se há coisa que me chateia solenemente, é ver alguém sentenciar categoricamente, como decidiria quem não se conhece, se estivesse no lugar de determinada pessoa. É um pressuposto, no mínimo abusivo, porque  intui e impõe a terceiros desconhecidos a sua opinião pessoal como sendo a única válida, e possível.

Vem tudo isto a propósito da forma abrupta como o ex-treinador do FCPorto, André Villas Boas entendeu deixar o clube. Até pessoas de quem tenho a melhor opinião, como é o caso do escritor Álvaro Magalhães, cometem esse lamentável erro. Senão, vejamos o seu comentário sobre a entrega do Dragão de Ouro a Villas Boas: "Foi bonito. O clube fez o que tinha que fazer: agradecer e dar o Dragão de Ouro. É uma atitude que enobrece. Foi ultrapassado o rancor. Qualquer um no lugar de Villas Boas tinha feito o mesmo, isto é mudar de cadeira, para outra mais bem paga e de maior prestígio. Ficar no Dragão seria estar a atrasar o seu destino".

Vamos lá a ver se nos entendemos. Ninguém pode censurar Villas Boas sobre o legitíssimo direito de olhar pelo seu futuro, e eu não o censuro por isso, e pelos vistos [agora], Pinto da Costa também, que mesmo assim, na altura não se coibiu de lhe chamar medroso... Critico-o sim, pelo timing, que sendo embora pertença exclusivamente sua, colidiu com o timing do clube, que ainda por cima era o do seu coração. E quando digo que colidiu com o timing do FCPorto, quero dizer com os interesses do clube, entre os quais se releva a escolha do treinador. Ainda falta saber, só o futuro esclarecerá, que consequências e preço terá de pagar o FCPorto pelo recurso ao SOS/Victor Pereira, para treinador principal. Pinto da Costa é mestre a arriscar, mas já se tem enganado...

Ainda sobre a decisão de Villas Boas, não creio que se ele tivesse optado por ficar só mais uma época, corresse o risco de hipotecar a sua carreira. Jovem, confiante, competente e com o talento que tem, não creio que, mesmo admitindo uma segunda época menos feliz ao serviço do FCPorto, faltassem as propostas. Já entenderia bem melhor a decisão se ele fosse mais idoso, se tivesse 40, 50 ou 60 anos. Podem-me dizer, que jogou pelo seguro e aceito o argumento, mas não me podem é garantir que outro não teria tomado decisão diferente, e sobretudo, repito, tratando-se de um treinador que fez questão de exaltar a sua condição de portista. Então, como é? Como ficam aqueles teóricos que dizem que: se pode trocar tudo, de mulher e automóvel, só não se troca de clube? Não faltará acrescentar ao ditado, "excepto por dinheiro?". Alguma coisa não bate certo, nesta lengalenga.

Agora pergunto: e se em vez do Chelsea, os milhões que o cegaram viessem da Luz, o discurso contemporizador seria igual, ou era outro? Que raio de portismo conformista é este como o de Álvaro Magalhães que considera a cadeira do Chelsea mais prestigiante do que a do FCPorto? Terá ele confundido o campeonato inglês com clubes? Que o Chelsea tem mais dinheiro, tem, mas... prestígio?! Além de que, salvaguardando o facto relevante de André Villas Boas ter desenvolvido um trabalho sério, vitorioso e competente ao serviço do FCPorto [uma extraordinária atenuante], não vejo uma diferença muito grande entre a sua fuga do FCPorto e a deserção de Durão Barroso para Bruxelas ou de Guterres para Comissário das Nações Unidas. Ambos foram olhar pela vida, não é assim...

É certo que a estes últimos, como altos representantes do Estado, se exigiria uma outra elevação, outra noção de ética, mas não foi o vil metal que também aqui esteve em causa? Será que Álvaro Magalhães também considerou prestigiantes estas decisões? Que no lugar deles fazia o mesmo?

É preciso pensar melhor antes de pormos a boca no trombone de outros. Porque, apesar do oportunismo ser cada vez mais global e descaracterizante, ainda há outros, e... outros.

24 outubro, 2011

Os comentadores desportivos da TVI

Valdemar Duarte
(lá banha tem ele]
Começo por dizer, que como espectador, nunca percebi a necessidade da presença de comentadores durante a transmissão de jogos televisionados, ainda por cima quando esses comentadores não têm categoria para desempenhar a função com moderação e seriedade. Já sei que falar de seriedade e moderação, num país que tem sido governado por gente pouco séria e nada moderada, é um contra-senso romântico, é quase como esperar que filhos de pais alcoólicos se tornem exímios mestres em bons costumes. Mesmo assim, acho necessário chamar a atenção para a falta de isenção deste tipo de gentinha, sobretudo agora que a Troika anda a reclamar austeridade, a torto e a direito, obrigando o Governo a asfixiar a vida a tanta gente útil e trabalhadora. Se os nossos governantes não andassem cronicamente distraídos, era por aqui que deviam começar a limpar a casa, mandando para o olho da rua estes inúteis comentadores, contribuindo assim para a redução despesista do país.  

Ora ontem, aos microfones da TVI, um tal Valdemar Duarte ao piano, acompanhado por Manuel Queiroz ao violino, foram os protagonistas de uma miserável sessão de mau jornalismo.

Um, segundo consta, benfiquista fanático,  useiro e vezeiro a denegrir tudo que cheire a FCPorto, e o outro, um presumível portista que, à imagem de outros acomodados "portistas", são incapazes de levantar a coluna vertebral sempre que estão no meio de lisbonários. Já não é a 1ª vez que dou conta da incapacidade de Manuel Queiroz contrariar a opinião quase sempre tendenciosa do parceiro benfiquista, quando há razões para o fazer. E tem-nas muitas vezes. Ontem, chegou mesmo a ser mais papista que o papa seu colega, insinuando uma grande penalidade pretensamente provocada por um jogador do FCPorto [Álvaro Pereira] sobre um jogador do Nacional, quando as imagens ainda nada garantiam. O senhor Manuel Queiroz, que escreve no semanário Grande Porto e se diz regionalista, só vai conseguir convencer os espectadores mais atentos dessa sua vocação política, quando tiver coragem para se opor sem modinhas aos centralistas, mesmo que em "casa" deles e em modo clubista-desportivo.

Os espectadores portistas sabem muito bem distinguir o bom futebol do menos bom, e também do mau e muito mau. Não precisam da opinião de fanáticos corruptos para saberem que ontem o FCPorto não fez um grande jogo, apesar de ter vencido o adversário por 5-0. Sobretudo quando esses fanáticos parasitas lançam para o ar atoardas do tipo "foram os piores segundos 45 minutos do campeonato!", numa tentativa clara de desvalorizar a victória do FCPorto. Tomara a qualquer clube jogar sempre mal, e terminar os jogos com victórias tão expressivas, não é! Mas, como esse clube [felizmente] não arrasta consigo o estigma "glorioso" do fascismo, vencer por cinco a zero só tem brilho na voz do bronco Jorge Jásus [que é a pronúncia do aldeão]. Esse energúmeno, Valdemar Duarte, esqueceu-se foi de exaltar a magnífica victória do seu Benfica, tirada a ferros e com a cunha, quiçá involuntária, do guarda-redes do Beira-Mar, que fez a obra-prima de colocar a bola direitinha nos pés de Cardozo... Foi amnésia, ou falta de seriedade? 

Foi falta de seriedade, afirmo eu! E de vergonha!

23 outubro, 2011

Glenn Miller Orchestra / Chattanooga Choo Choo

Criminilização de actos políticos. Opinar não chega

Carlos Abreu Amorim
Deputado independente do PSD,disse:

A incompetência política não é criminalizável. Mas existem instrumentos para aferir, do ponto de vista penal, o que é certo ou errado nas decisões políticas. Até porque uma decisão considerada errada agora pode revelar-se certa mais tarde e vice-versa.






António Cluny
Procurador Geral Adjunto do Tribunal de Contas, disse:

Substituir a apreciação política pela responsabilização penal é uma forma de isentar os políticos das responsabilidades a que estão obrigados politicamente. Além disso, é uma armadilha para os tribunais e uma tentativa de desviar a atenção dos cidadãos do julgamento político.




Carlos Jalali
Politólogo, disse:                                                                                

É essencial manter-se a fronteira entre o plano político e o judicial.
É por isso desejável que seja claramente identificado o campo das
opções políticas, que são julgadas no tribunal eleitoral, e os actos
praticados violando as leis.



Paulo Morais
Vice Presidente da Transparência Internacional, disse:

Não se pode penalizar um político por ter gerido mal. Mas o quadro legal existente chega e sobra para criminalizar quem actuou fora do enquadramento da lei. Por exemplo, quem efectuou ou autorizou despesas não previstas no orçamento.






João Cravinho
Ex-deputado socialista, disse:

Só  se  pode criminalizar  os actos  que  foram  cometidos  contra a lei
e   não  as opções  políticas,  mesmo  que venham  a ser  consideradas
erradas.  E para isso há leis suficientes para que essa responsabilização
criminal  avance.  A  pergunta que se deve colocar é porque razão não
se tem aplicado a lei.



Nota de RoP:

A conclusão que podemos retirar de todas estas opiniões é que a Lei existe, aquilo que tem falhado é a sua aplicação, que é a parte mais importante. Aqui chegados - e acreditando que em Democracia a Lei é mesmo para todos -,  o que é que urge fazer, realizar, cumprir, deliberar, executar, enfim, justiçar? 

Repare-se que, ao contrário de João Cravinho, na pergunta que atrás formulei [com sinónimos para todos os gostos], está implícita uma acção efectiva, uma decisão, e não, procurar descobrir a razão de coisas para as quais já conhecemos [de longe] a resposta.