03 abril, 2012

Nós e o país das túlipas

Países Baixos
Regressando  ao  tema da  Regionalização, aos poucos,  tentaremos  desmontar o  estigma dos "tachos" germinado pelos centralistas com o  objectivo de  afastar  "a paisagem"  [leia-se, o resto  do país], da causa...   
Há países que, pela sua  natureza  específica e  dimensão, não estão divididos  em regiões,  por  tal  não ser possível,  nem  desejável, apesar de não  negligenciarem a sua  diversidade. Contudo, importa não haver confusão entre as suas várias facetas, geográfica, política, jurídica,  identitária e  administrativa.  Estão  nesse  grupo  pequenos Estados como:   
Andorra, Liechtenstein,  Malta,  Mónaco, San Marino, etc.
Simultaneamente, a política de distribuição dos fundos estruturais da UE para projectos, obrigou alguns estados à criação de novas regiões, que às vezes são simplesmente inventadas, a fim de adaptar a sua organização administrativa às normas da UE . Muitas dessas "regiões" não servem a nenhum outro objectivo e, consequentemente, não são regiões autónomas, como os discutidos no relatório, aqui referenciado neste post.

A Albânia, Andorra, Arménia, Azerbaijão, Bulgária, Croácia, Estónia, Grécia, Islândia, Irlanda, Letónia, Liechtenstein, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Mónaco, Montenegro, Noruega, Roménia, San Marino, Eslováquia, Eslovénia, Suécia, a Antiga República da Macedónia e a Turquia, não têm regiões politicamente autónomas , embora alguns deles tenham sub-divisões administrativas do Estado ou subdivisões que existem para estatísticas, planeamento ou, em estados membros da UE, para  atribuição de fundos estruturais. Contudo, é interessante notar que nalguns destes países, está em andamento um processo de regionalização [a Grécia já o concretizou].


Por outro lado, é um facto indesmentível que as regiões autónomas estão muito difundidas nos países maiores da Europa. Mais de vinte estados tiveram que adoptar algum tipo de autonomia regional, fosse ele específico para uma determinada área geográfica, ou de carácter geral, como em estados federais.
As regiões destes países são extremamente variadas, com graus muito diversos de autonomia e muito diferentes em características jurídicas e políticas. Embora não se possa generalizar, esses estados podem ter usado diferentes tipos de estatuto de autonomia para resolver históricas reivindicações territoriais ao poder, ou problemas culturais de identidade e  política.
Há quem argumente com a dimensão geográfica do país para justificar o desinteresse pela  Regionalização, ainda que sem fundamentar de forma séria esses argumentos. Só para dar um exemplo:

Portugal Continental tem:
  • uma área de 89.015 Km2 
  • uma população de 10.047.083  habitantes
  • um PIB de US$ 247.037 mil milhões 
e os Países Baixos [a Holanda como indevidamente é conhecida] : 
  • uma área de 41.528 Km2
  • uma população de 16.570.613 habitantes
  • um PIB de US$ 676.895 mil milhões
Ou seja, os Países Baixos que são constituídos por 12 províncias, cuja organização corresponde a uma forma aligeirada de regionalização sem poderes legislativos, mas com algumas competências próprias, não só têm uma área territorial que é metade da nossa, como têm 6 milhões de habitantes a mais que nós, e um PIB incomparavelmente superior a Portugal, que, insiste em manter-se enfeudado ao centralismo. 
Concluindo: política e economicamente, não temos uma única vantagem em relação aos holandeses, excepto talvez o clima, que felizmente [digo eu] ainda não depende de nenhum ministério... 

02 abril, 2012

Em 213 anos, a qualidade de vida melhorou assim tanto?*

Almeida Garrett
E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infância, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?

Almeida Garrett, 1799-1854





* Mas, é claro que sim! Teriam respondido os Mexias e os Catrogas, se nos estivessem a ler... 

01 abril, 2012

A directoria do Porto Canal será masoquista? Ou andará a dormir?

Esqueçamos, ou melhor, descontemos para o caso aqueles nortenhos desintegrados, sem espinha dorsal nem raízes, que não sentem mas tudo consentem aos centralistas, porque são tão bons ou piores do que eles. Não os ignoremos no entanto, e registemos na nossa memória, para justiça futura, os seus rostos e os seus nomes. 

Já agora, aproveito para recomendar à actual direcção do Porto Canal uma reflexão profunda sobre aquilo que pretende fazer do projecto de televisão para o Norte, porque ao que vejo, anda de portas escancaradas para esse tipo de criaturas, enquanto as mantém fechadas para pessoas que nunca renegaram as suas origens nem se venderam ao centralismo. Só para citar um caso [negativo], sugiro que não repita a gracinha de convidar o socialista Renato Sampaio e outros como ele, para falar sobre a regionalização, visto não ter deixado dúvidas a ninguém sobre a aversão que tem à causa, conhecidas que são as suas posições de apoio ao anterior governo PS, tão centralista como o governo actual do PSD.

A citação ao Porto Canal, parecendo a despropósito não é. De facto, continuamos a não usar o canal para denunciar determinado tipo de condutas anti-democráticas que a RTP - canal pago com o contributo dos contribuintes -, continua a praticar com o FCPorto. Estas condutas vergonhosas continuam a ser uma constante na RTP, e contudo, parecem passar despercebidas à direcção do Porto Canal. 

Hoje, no telejornal da noite, o jornalista começou a informação desportiva informando o resultado do jogo do Sporting com o União de Leiria acompanhada de algumas imagens. Logo a seguir, quando anunciava a victória do FCPorto sobre o Olhanense, e olhava para o monitor esperando pelas respectivas imagens, as que apareceram nos écrans foram as do jogo entre o Benfica e o Braga e os comentários da praxe do bajulado treinador dos vermelhos de Lisboa. A seguir, passou ao automobilismo e do FCPorto, nada! Nem um pedido de desculpas.

Ontem, durante a transmissão do "programa desportivo" onde participam João Gobern e Bruno Prata, aconteceu algo hilariante: o resultado entre o Braga e o Benfica mantinha-se ainda empatado 1-1, quando inadvertidamente, as imagens mostraram o anafado comentador benfiquista a levantar com inusitada exuberância [via-se que se sentia em casa] o braço pelo golo que acabaria por dar a victória ao seu clube, provando a quem tinha dúvidas, o facciosismo reinante naquela casa, paga também com o dinheiro dos contribuintes de outros clubes...

Se comportamentos deste nível não são suficientes para se ter uma ideia do sectarismo instalado impunemente na RTP, não imagino quais podem ser. Mas, o Porto Canal, mais uma vez, deixou passar...Não há dúvida, somos Porto. Mas que Porto?

Dia das mentiras? E os outros 364?

Manuel António Pina
Hoje, oficialmente o dia das mentiras, proponho um desafio ao leitor, adivinhar quem repetidamente afirmou aos portugueses, olhos nos olhos e sem corar: «Nós não dizemos hoje uma coisa e amanhã outra.»

Talvez o leitor (e eleitor) precise de algumas pistas. Foi a mesma pessoa que igualmente afirmou: «Dizer que o PSD quer acabar com o 13º mês é um disparate»; e ainda: «Do nosso lado não contem com mais impostos»; e ainda: «O IVA, já o referi, não é para subir»; e ainda: «Se vier a ser primeiro-ministro, a minha garantia é que a [carga fiscal] será canalizada para os impostos sobre o consumo e não sobre o rendimento das pessoas»; e ainda: «Eu não quero ser primeiro ministro para proteger os mais ricos»; e ainda: «Que quando for preciso apertar o cinto, não fiquem aqueles que têm a barriga maior a desapertá-lo e a folgá-lo»; e ainda: «Tributaremos mais o capital financeiro, com certeza que sim»; e ainda: «Ninguém nos verá impor sacrifícios aos que mais precisam»; e ainda: «Não quero ser eleito para dar emprego aos amigos»; e por aí fora, que um ano é muito, muito tempo e a memória é curta, muito curta. 

Por algum motivo, o Dia das Mentiras é, nos países anglo-saxónicos, o April Fool's Day. Isto é, o Dia dos Tolos. «Tolos» são aqueles que acreditam nas mentiras inofensivas que, parece que desde a introdução do calendário gregoriano em França, no século XVI, mudando de 1 de Abril para 1 de Janeiro as festividades do Ano Novo, é tradição os media e os brincalhões dizerem hoje e logo desmentirem. E os que, num país onde já se realizaram, desde 1974, milhares de eleições, continuam a acreditar piamente em mentiras ditas em campanhas eleitorais e a levar a sério os mentirosos? (Outra pista: na pessoa que disse em campanha eleitoral todas as mentiras antes enunciadas  votaram em 5 de Junho do ano passado nada mais nada menos do que 2 159 742 portugueses...)

Fará sentido, num país onde profissionais da mentira mentem todos os dias do ano (e não falo só de políticos, falo igualmente de certos media), existir um Dia das Mentiras? Não seria mais apropriado existir antes um, um só que fosse, Dia das Verdades?

Nesse dia, ao contrário do resto do ano, só se diziam mentiras irónicas e improváveis que ninguém levaria a sério. Por exemplo: que a Dra. Manuela Ferreira Leite descobriu que é insuficiente renal crónica e agora defende que a hemodiálise para doentes com mais de 70 anos deve ser gratuita; ou que o Dr. Eduardo Catroga irá doar aos pobres e desempregados o seu salário de 639 mil euros na EDP porque a modesta pensão de 135 mil euros já lhe chega; ou que o trabalhador Américo Amorim vai finalmente sindicalizar-se; ou até que o árbitro Bruno Paixão decidiu ir a pé-coxinho a Fátima como penitência pelos pecados por pensamentos, palavras e, sobretudo, por obras cometidos no Gil Vicente-Sporting.

Nesse dia das Verdades, ou Dia das Mentiras Inacreditáveis, políticos, jornalistas e cidadãos comuns, só mentiriam a brincar ou, para variar (porque mentir sempre também cansa), apenas falariam verdade; os comerciantes cobrariam apenas o preço justo e revelariam aos clientes os defeitos dos produtos vendidos; os farmacêuticos diriam aos doentes acerca de certos medicamentos: «Beba um copo de água que faz o mesmo efeito»; os economistas com lugar cativo nas TV confessariam quando questionados sobre soluções para a crise: «Não faço a mínima ideia»; e Vitor Gaspar repetiria que Portugal voltará aos mercados em 2013 mas acrescentando: «Se Deus e a Sra. Merkel quiserem, claro...»

Talvez, quem sabe?, alguns acabassem por lhe tomar o gosto. À verdade, digo eu.

Nota de RoP:

Se o que esta brilhante crónica retrata, não correspondesse à mais profunda [mas lastimável] realidade, se não fosse uma súmula de factos, apenas requintados com umas pitadas de ironia, não me teria dado ao trabalho de a transcrever, letra a letra, sílaba a sílaba, uma vez que foi publicada na revista Notícias Magazine, incluída no JN de Abril, não me permitindo por isso a comodidade da colagem. 

Acrescentaria apenas que, a constatação e denúncia destes factos já não nos devia contentar o ego da nossa liberdade. Afirmá-lo, e escrevê-lo publicamente, já não devia bastar-nos. Numa Democracia adulta e séria  [cá está ela outra vez, a seriedade), há outra etapa a percorrer:  exigir que o crime passe a ter o respectivo castigo. Porque, mentiras desta gravidade, são pura traição à Pátria. 

31 março, 2012

FCPorto - Olhanense - A derradeira oportunidade?

Quero ver hoje esta imagem depois do 3º. golo e a 1 minuto do fim

Parafraseando a adepta que publicou no JN uma carta aberta aos jogadores do FCPorto, repetiria: pela última vez, ganhem os jogos que faltam. Sejam campeões! Se não for pelo dinheiro, pelo clube, pelo treinador, ou pela fama, façam-no por nós adeptos!

E recomendaria ao treinador Victor Pereira, caso as coisas se tornem muito complicadas, que não cometesse o mesmo erro de outros jogos, de hipotecar os primeiros 45 minutos sem fazer alterações no plantel. Mais: que consiga encontrar arte e engenho para convencer os jogadores a procurar tenazmente o segundo golo depois de obterem o primeiro, como fazia e bem, o saudoso Boby Robson.

Finalmente, que os persuada também a demonstrar aos adeptos que a concentração competitiva é para manter até aos últimos minutos do prolongamento, se o houver.  

  

29 março, 2012

A Regionalização que os desastrados governantes não querem


Li no Relatório da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa sobre a Regionalização, de 14/09/2007, da autoria do espanhol Lluís Maria de Puig, o seguinte:  "alguns dos estados membros da UE foram confrontados com reinvindicações linguísticas, culturais e de identidade, relacionadas com grupos étnicos, comunidades históricas e minorias nacionais, que procuraram fazer valer o direito de ter uma palavra a dizer em assuntos políticos e culturais."

Se pensarmos que estas iniciativas acontecem em países que já deram os primeiros passos na regionalização e que outros mais avançados fazem frequentes adaptações estatutárias para aperfeiçoar o processo de regionalização, enquanto em Portugal os governos se preocupam mais em adiá-lo para não o concretizar, podemos ter uma ideia realista do fosso regressivo de desenvolvimento em que nos continuamos a afundar.

Nesse relatório é também dito algo curioso, que devia fazer corar de vergonha os nossos governantes e que é o seguinte: é irrealista supor que estes movimentos de identidade irão diminuir ou extinguir-se. Pelo contrário, a globalização tem acentuado nas pessoas a vontade de retorno às raízes, de promover um sentimento de pertença a uma comunidade ou grupo mais próximo do local ou da região.

Depois de ouvirmos este tipo de declarações, ficamos com a sensação de viver noutro planeta, e com uma ideia mais clara do atraso em que se encontra a nossa população das coisas da cidadania e da cegueira dos nossos políticos, o que explica de certa maneira, o desprezo e o completo desrespeito que os sucessivos governos têm dedicado aos nortenhos.

Nos próximos posts farei pequenos apontamentos sobre a especificidade da regionalização dos vários países, de modo a criar nos leitores uma melhor percepção do nosso atraso neste domínio em relação ao resto da Europa.

Para começar, apresentamos o conjunto de países que fazem parte da UE e de outros que estão a negociar a adesão:

EstadosNa língua local*
 AlemanhaDeutschlandDE
 ÁustriaÖsterreichAT
 BélgicaBelgië / Belgique / BelgienBE
 BulgáriaБългарияBG
 ChipreΚύπροςCY
 DinamarcaDanmarkDK
 EslováquiaSlovenskoSK
Eslovénia EslovéniaSlovenijaSI
 EspanhaEspañaES
 EstóniaEestiEE
 FinlândiaSuomi / FinlandFI
 FrançaFranceFR
 GréciaΕλλάδαGR
 HungriaMagyarországHU
 IrlandaÉireIE
 ItáliaItaliaIT
 LetôniaLatvijaLV
 LituâniaLietuvaLT
 LuxemburgoLuxembourgLU
 MaltaMaltaMT
 Países BaixosNederlandNL
 PolóniaPolskaPL
 PortugalPortugalPT
 Reino UnidoUnited KingdomGB
 República ChecaČeská republikaCZ
Roménia RoméniaRomâniaRO
 SuéciaSverigeSE
Em negociação
 CroáciaHrvatskaHR
 IslândiaÍslandIS
República da Macedónia MacedóniaМакедонијаMK
 TurquiaTürkiyeTR

UE-EU-ISO 3166-1.png
Sobre esta imagem
Região ultra-periférica da União Europeia
França: Guiana Francesa (GF ) - Guadalupe (GP) - Reunião (RE) - Martinica (MQ)
Portugal: Madeira (Mad) - Açores (Azo)
Espanha: Ilhas Canárias (Can)
(*)= ISO 3166-1



Porto "melhor destino"


O Porto foi eleito por 212 mil turistas como o melhor destino europeu e entre todos estes votos online está lá o meu. Há uns tempos surgiu na Internet uma onda que dizia: vota no Porto! E eu votei. Não é batota: acho mesmo que o Porto é um dos melhores destinos europeus, sobretudo depois de olhar para as cidades que se classificaram nos lugares seguintes - Viena, Dubrovnik, Praga e Bruxelas. De todas só não conheço a capital da Croácia, mas acho que o Porto é atualmente uma cidade inesperada e jovem, romântica e simples, barata e afetuosa, onde se podem passar dias estupendos com coisas para ver e fazer, animação para as noites e até sol nas praias! Claro que a "European Consumers Choice" é apenas uma instituição entre muitas que fazem esta eleição, mas as repercussões em guias de turismo como o importantíssimo "trip advisor" não são de desprezar. Sublinhe-se que, se a Ryanair mantiver o padrão de "hard-selling", não custa crer que pode colocar a promoção do Porto como destino recomendado no seu website mundial e, dessa forma, encher ainda mais os aviões. A verdade é que o prémio, reconheçamos, premeia as low-cost que apostaram no Porto, principalmente a Ryanair, Air Berlin, Easyjet e Transavia.

2. Há um facto importante nesta vitória: a extraordinária rede social dentro da região que gerou uma parte da corrente de votos. Informação é poder. Quem sabe mais aproveita melhor o tempo, a vida, viaja com menos custos, torna-se mais qualificado. Portanto, não se trata apenas de uma vitória da cidade como "destino turístico" mas também da confirmação que os portuenses/nortenhos estão cada vez mais preparados para a economia digital. Duplo prémio.

3. O Porto seria ainda uma melhor porta de entrada em Portugal se um dia tivesse aqui comboios rápidos para ligar a Invicta a Braga em 15m, à Galiza ou Salamanca numa hora, Lisboa em 1.30h, Évora e Faro em 2.30h, etc.... Para os novos comboios serem mais baratos não precisariam de ser TGV. Bastariam ser de velocidade elevada, como o Alfa, que podem fazer viagens em velocidade de cruzeiro de 220 km/h. Mas, então, por que não anda o Alfa sempre a 220 km/h? Depois das centenas de milhões de euros gastos na Linha do Norte, a viagem Porto-Lisboa demora hoje apenas menos 15m entre Campanhã e Santa Apolónia que o velhinho Foguete dos anos 70. A razão é a Linha do Norte ter um percurso e um urbanismo em redor que não permite refazer a linha nos troços mais críticos (o pior de todos é entre Ovar e Porto). O primeiro-ministro, o dr. Portas e os ministros Álvaro e Gaspar deviam ser 'obrigados' a fazer a viagem junto de um maquinista do Alfa numa das próximas viagens ao Norte (até poupavam dinheiro ao Estado e CO2 ao planeta...).O maquinista explicaria como é impossível andar mais depressa, que sinalização falta, o que está a cair, porque há ainda passagens de nível à moda antiga, etc.. Percebo que não se queira fazer o TGV - é política. Parece-me é que um desses dias vai ser mais caro "modernizar a linha do Norte" do que fazer uma linha nova... E até quando é que ela aguenta?

4. Para rematar, uma perplexidade. Como é possível a ministra da Agricultura permitir a alimentação não biológica dos animais "bio"? Pode sair mais barato ao Estado demitir-se de apoiar os agricultores nesta adversidade através, por exemplo, da negociação em Bruxelas de um apoio à suplementação biológica do gado. Infelizmente, com esta atitude a ministra destrói anos de credibilização dos produtos "bio". Quem acreditará que vale a pena pagar mais caro para adquirir um produto alimentar certificado, com regras exigentíssimas, que da noite para o dia podem ser quebradas? A culpa, evidentemente, não é de Assunção Cristas, que nunca esteve ligada à agricultura, mas de quem lhe dá indicações por controlo remoto. Os gabinetes do Ministério da Agricultura ficam muito muito longe do campo...

28 março, 2012

Tão «populista» que é, este Manuel António Pina...


Um "negócio" surreal



A história trágico-financeira-política do BPN atravessa dois governos e é assustadoramente surreal (ou talvez antes neo-abjeccionista): "nacionalizado" por um Governo PS, isto é, nacionalizadas as suas dívidas, a maior parte resultante de trafulhices, e detido o seu guru-mor, Oliveira Costa, enquanto os demais responsáveis continuam a andar por aí de cabeça despudoradamente erguida e como se não fosse nada com eles, coube a um Governo PSD/CDS "privatizá-lo" de novo.

Os jornais publicaram há dias a notícia de um grupo norte- -americano que se disporia a dar 600 milhões pelo BPN. Parece que, apesar de repetidas tentativas, nunca conseguiu chegar à fala com o Governo. E o Governo, não tendo melhor oferta, acabou por vendê-lo a um banco, o BIC, de Isabel dos Santos, filha de Eduardo dos Santos, e de Américo Amorim, pela módica quantia de 40 milhões de euros.

Entraram, pois, 40 milhões nas contas do Estado? Não: saíram (mais) 600 milhões, pois o Governo PSD/CDS comprometeu-se, para que o BIC fizesse o favor de "comprar" o BPN por 40 milhões, a dar-lhe... 600 milhões. Parece que para o "viabilizar". E ainda a emprestar- -lhe outros 300 milhões a 0% de juros. E a ficar com o encargo de metade dos seus trabalhadores.

Não foi um negócio da China, foi um negócio de pôr os olhos em bico. E, como em negócios assim há sempre um otário, adivinhe o leitor a que bolsos irão parar os seus subsídios de férias e de Natal.

[In JN]

Nota de RoP:
Vou dizer uma coisa que alguns preferiam não ouvir. Sim, sim,  aqueles fidalgos que habitualmente aparecem a defender estas roubalheiras indecentes, como se estivessem na igreja a pregar a missa aos crentes: uma coisa destas justifica uma revolução, mas com balas nas culatras, em vez dos cravos de Abril nos canos.  Balas, selectiva e justamente dirigidas, aos alvos...

Porto eleito "Melhor Destino Europeu 2012" entre 20 cidades


Porto eleito "Melhor Destino Europeu 2012" entre 20 cidades




O Porto foi eleito o "Melhor Destino Europeu 2012" entre 20 cidades selecionadas por um júri da Associação dos Consumidores Europeus.

A votação online decorreu nas últimas três semanas no sítio da Internet do European Best Destination, tendo sido contabilizados mais de 212 mil votos.

Em 2.º lugar ficou Viena, na Áustria, e em 3.º Dubrovnik, na Croácia, tendo Lisboa ficado em 8.º lugar no ranking.
À frente da capital portuguesa ficaram Praga (República Checa), Bruxelas (Bélgica), Berlim (Alemanha) e Budapeste (Hungria).

Em 2010, Lisboa foi a cidade eleita pela Associação dos Consumidores Europeus para o "Melhor Destino Europeu 2010" e, em 2011, a vencedora foi Copenhaga, na Dinamarca.

O Porto -- vencedor do título "Melhor Destino Europeu 2012" - vai poder incluir a utilização do logótipo "Escolha do Consumidor Europeu", durante um ano, em toda a comunicação do turismo oficial.

Nota de RoP:
Pois, é... Este Porto e este Douro, que tão mal tratados são, valem mais pelo labor das suas gentes e pelo que a natureza lhes deu, do que pela solidariedade dos nossos governantes, que comprovadamente não os merecem. Bem podem orgulhar-se os centralistas por mais esta distinção que a cidade do Porto oferece a todo o país. Desta vez, tenham pelo menos a humildade de fechar o "o", porque este, é um orgulho  com forte pronúncia do Norte.

27 março, 2012

Vá lá, vá lá, desta vez só durou 4 sorteios o jackpot...


 Consultar Sorteios
 
 Totoloto
Sorteio: 024/2012 - Sábado Data do sorteio: 24/03/2012
Chave:1471832+7Ordem Saída:1321874+7
PrémioAcertosNúmero de vencedoresValor
1.º Prémio5 Números + Nº da Sorte1€ 1.904.235,92 
2.º Prémio5 Números3€ 10.808,45 
3.º Prémio4 Números342€ 118,51 
4.º Prémio3 Números12.421€ 3,26 
5.º Prémio2 Números141.858€ 1,71 
Nº da SorteNº da Sorte274.132Reembolso do valor da aposta de Totoloto
Estatísticas
Nº de Bilhetes/Matrizes629.427
Nº de Apostas1.819.606
Receita ilíquida apostas€ 1.637.645,40

Porto Canal, somos mesmo Porto?

Penso não se perder grande coisa, se aliviarmos a pressão de negativismo económico e social instalada no país pelo mão suicida do(s) govern(s), e nos focarmos de novo nos assuntos que nos estão mais próximos. Vou então voltar à carga com a situação do Porto Canal.

Dizia-me hoje o amigo e companheiro de blogue e tertúlias, Rui Farinas, que o FCPorto, actual co-proprietário do Porto Canal, parece alheado do respectivo planeamento programático e informativo. Tenho a mesma impressão, e como já tive oportunidade de dizer, não entendo por que é que o director Júlio Magalhães ainda não foi instado pela SAD do FCPorto a apresentar uma explicação/informação aos espectadores sobre as razões pelo atraso a que aparentemente se chegou. Seria um singelo gesto público de consideração, que só lhes ficava bem e que podia servir eventualmente para tranquilizar as potenciais audiências. 

Além da má imagem que esse estranho silêncio transmite, o Porto Canal arrisca-se a perder a confiança dos espectadores que dele perspectivam, mais do que um canal de televisão, uma plataforma de comunicação importantíssima, para o Porto, o Norte e o FCPorto se afirmarem, e se defenderem do ostracismo, da indiferença, e diria mesmo, do desprezo, a que têm sido votados, a todos os níveis, pelo intratável centralismo.  

Em termos programáticos, o que de bom ainda há no Porto Canal, vem da anterior administração. Dos poucos programas entretanto criados, suponho que pela actual direcção, alguns, como o que ontem foi transmitido [com o nome "O Parlamento da Região"], com a participação de deputados conhecidos que pouco mais fazem que defender a partidarite trauliteira do costume, não se vislumbra originalidade nem vontade de dar voz a gente mais credível, que podia muito bem fugir do quadro político-partidário, principalmente do  chamado arco do poder [PS/PSD/CDS]. 

O Norte e o Porto, precisam, em primeira instância, de um canal ousado, honesto, frontal; que saiba distanciar-se q.b. de protagonistas gastos e sem credibilidade, chamando a si,  de preferência, pessoas sem rabos de palha, com ideias novas, combativa, sem aquele medo irritante de provocar rupturas necessárias. Trazer os amigos do "politicamente correcto" ao canal, será mais uma forma de repetir o embuste de outros projectos que também muito prometeram, e nada cumpriram, acabando engolidos pelos capangas do centralismo [NTV e RTPN]. 

Falando nisto, lembrei-me de Pedro Baptista, líder do Movimento do Partido do Norte, e do seu aparente afastamento do Porto Canal. Terei de lhe perguntar, se foi ele que se afastou, ou se é o Porto Canal - ou alguém em seu nome -, que recomendou o seu afastamento, talvez inspirado naquele enigmático argumento de ser portador de alguns "anti-corpos"...

Pessoalmente, considero que no contexto político e social da actualidade, todos os anti-corpos são necessários para fazer frente a um outro corpo, esse sim, monstruoso, chamado centralismo que, paradoxalmente, parece não provocar alergias a ninguém, embora alguns passem a vida a queixar-se dele, só e quando, vão ao Porto Canal...

Tem a palavra o FCPorto. E, seria bom que a palavra do FCPorto fosse a do Jorge Nuno Pinto da Costa irreverente, dos bons velhos tempos.

E o Oscar vai para...


Nestes nove meses, nós no Governo temos cumprido aquilo que prometemos", garantiu Passos Coelho aos correligionários e ao país durante o Congresso do PSD do passado fim-de-semana. Podia tê-lo dito pondo pudicamente a mão à frente da boca e rindo para dentro como Muttley, mas não: conseguiu dizê-lo com o ar mais sério deste mundo.

Foi aplaudidíssimo. E mais que justificadamente: todo a gente sabe que, como Passos Coelho prometeu, nestes nove meses os portugueses não ficaram sem o 13.oº mês; nem subiu o IVA; nem aumentaram os impostos sobre o rendimento, mas apenas os impostos sobre o consumo; nem "quando [foi] preciso apertar o cinto, não [ficaram] aqueles que têm a barriga maior a desapertá-lo e a folgá-lo"; nem foram "impostos sacrifícios aos que mais precisam" (a Comissão Europeia é que fez mal as contas ao concluir que, em Portugal, "nestes nove meses", as medidas de austeridade exigiram aos pobres o dobro (6%) do esforço financeiro pedido aos ricos (3%); além disso, amigos como Eduardo Catroga, seu braço-direito nas negociações com a "troika", Paulo Teixeira Pinto, autor da sua proposta de revisão constitucional, ou Ilídio Pinho, seu antigo patrão, colocados na EDP, para não falar dos colocados na CGD e em tudo o que é empresa pública, podem testemunhar que, como prometeu, Passos Coelho "não [deu] emprego aos amigos".

Só não se sabe se os aplausos foram para a interpretação se para o despudor.

[In JN]

26 março, 2012

Quem quer afinal o insucesso do FCPorto?

Como é possível, a pretexto dos nossos afectos clubistas, ver uma equipa que o ano passado ganhou praticamente tudo que podia ganhar, interna e externamente, a praticar um futebol miserável, durante quase toda esta época, e imaginar que isso não está relacionado com a competência do treinador? Como é possível observar, jornada após jornada, o mau desempenho colectivo de uma equipa, espelhado no rosto impotente de um treinador, sem lhe apontar o dedo?  Só porque matematicamente ainda não perdemos o campeonato? Mas que masoquismo é este! Nem no futebol conseguimos ter sentido crítico? E o balanço do que entretanto já se perdeu esta época, não interessa? Será essa a melhor forma de darmos apoio ao nosso clube? 

Caros amigos, continuo a pensar que num espectáculo [e o futebol, é sobretudo um espectáculo], há os actores, e se uns, por serem bons, merecem ser aplaudidos, os maus não raramente justificam uns assobios. Caso contrário, deixa de fazer sentido a interactividade do público. Tudo isto, claro, não pode nem deve levar os espectadores a excessos, porque esses são sempre contraproducentes, mas entre uma assobiadela relaxante e o arremesso de pedras, ou very-lights, vai uma distância muito grande. A propósito, seria importante tentar perceber por que é que, agora, exceptuando as claques, muitos espectadores se tornaram aburguesados e tristonhos, para depois não nos queixarmos da falta de alegria no futebol.

Vão-me desculpar aqueles que não aceitam críticas objectivas a um treinador, só porque sim. Mas, por mais que a paixão ao clube nos possa tolher o espírito, antes de sermos adeptos somos pessoas, independentes, e não uma multidão acéfala de fanáticos da IURD. Todos os portistas querem o melhor para o clube, e tem de existir sempre essa premissa para aceitarmos as diferentes reacções. No que me diz respeito, nem Victor Pereira passará a ser um bom treinador, caso venha a ganhar este campeonato, nem quem o apoia perderá o estatuto de bom adepto, caso o perca. 

No final da época, ninguém gozará de privilégios especiais ou merecerá severas censuras pela forma como avalia as prestações do técnico do clube. Há quem não saiba quando deve criticar o clube e quando o deve apoiar incondicionalmente. Eu nunca o farei para dar trunfos aos nossos adversários. Esses, estarão sempre do lado de fora das minhas prioridades. As nossas críticas, têm de ser para o clube e para o bem do clube. No caso Victor Pereira, só me resta esperar que não afunde mais o "barco" FCPorto, porque confiar nas suas capacidades, francamente, já não confio há muitas e angustiantes jornadas. E não me interessa nada saber que o tempo me está a dar razão. Enquanto portista, ter razão neste contexto, é sempre uma perda.