19 fevereiro, 2014

17 fevereiro, 2014

Mude-se o paradigma da importância

O que pode dar este homem ao Norte?

É fácil aderir às causas quando a maré é favorável. Nessas circunstâncias, qualquer sevandija imita o nobre, tal como o sendeiro parece um cavalo de raça. Lamentavelmente, é mais este, que outro, o comportamento de um grande número de "lutadores" de marés. Pesssoas que ironicamente pertencem na sua maioria a grupos sociais tidos como os mais "relevantes". Políticos, grandes empresários e jornalistas predominam, constituindo-se como os maiores entraves ao refinamento da democracia.

Não direi que a "maré" da descentralização tenha chegado aos media nacionais, porque lá para a capital continuam a não ligar nada ao assunto, e então se lhes falarmos de regionalização, reagem como se viéssemos de um planeta estranho e falássemos uma língua diferente. Para Lisboa, esses dois temas, (descentralizar e regionalizar), são ambivalentes. Por um lado, funcionam como um alarme, do tipo "estes gajos afinal não dormem",  e por outro, como um súbito sentimento de patriotismo normalmente ligado à "coesão" nacional. Naturalmente que, esse sentimento de coesão é tão falso e acintoso como a indiferença com que olham para a discriminação promovida ao resto do país, com mais evidência a Norte.

É verdade que muitos nortenhos das classes que indiquei (e não só), são responsáveis pela macrocefalia crescente de Lisboa, mas também ainda não vi nenhum lisboeta incomodar-se com a situação. Há quem ache isso normal, quem diga que quem está bem com o que tem não queira mudanças, mas se é normal, então talvez ficasse bem não se melindrarem quando associamos o centralismo aos lisboetas, porque se quisessem provar que confundimos as coisas, talvez surtisse algum efeito mostrarem alguma solidariedade connosco . Só assim teria eco a tal coesão nacional só evocada quando o fantasma da regionalização paira no ar...  Até hoje, ainda não vi um só lisboeta assumidamente regionalista. O que vejo, sobretudo nos políticos, é a tal assunção regionalista de marés. 

Ninguém pode negar a verdade do que atrás escrevi. Contudo, o Porto e o Norte, tendo uma boa oportunidade para mudar esse rumo desvirtuado de fazer política, dispondo agora de um canal de televisão pró-descentralização, parece não querer aproveitar a oportunidade para mostrar como se pode fazer jornalismo sério, nacional e competente, sem plagiar o déjà-vu que se faz na capital do país.

É incompreensívelmente provinciano acreditar que o prestígio de um canal de tv se ganha com a cooperação de derrotados, só porque são famosos, em vez de procurá-lo entre gente credível, com carácter e sem rabos de palha. Fosse minha a responsabilidade, o Porto Canal daria protagoismo a figuras com futuro, nunca àquelas com um passado cinzento, sem êxitos verdadeiramente relevantes para a região (o país não é Lisboa).  E, principalmente fecharia as portas a quem se sabe, ou se suspeita ser apologista do centralismo. Isto para alguns, até poderia parecer anti-democrático (pareceria mesmo?), mas continuar a dar voz a quem nos prejudicou seria repetir novo erro, seria regredir, era uma verdadeira pedra na engrenagem no processo descentralizador. O tempo dos debates sobre o tema já se esgotou. Quem for nortenho, e se depois de tantos anos de discriminação ainda tiver dúvidas sobre a necessidade de combater o centralismo, ou é tolo, ou vive na Lua, ou por qualquer razão anómala não quer mesmo que as coisas mudem.

Historicamente, o medo munca foi o melhor aliado dos vencedores.

PS-Há jornalistas e políticos honestos, mas são uma minoria facilmente identificável. 

14 fevereiro, 2014

Estejamos atentos aos próximos convidados do Porto Canal

Sendo um tripeiro que viveu alguns anos fora da sua cidade e que já viajou um pouco por quase todos os continentes (excepto pela Oceania e Ásia), sinto-me à vontade para não aceitar lições de ninguém sobre o que é o amor à terra. Depois de cumprido o serviço militar, residi parte desse tempo em Sintra e outra parte na capital. Vivida essa experiência, a saudade falou mais alto e tive de regressar à base, ou seja, ao meu Porto natal. Tanto o meu pai (transmontano) como a minha mãe (minhota), vieram ainda na infância viver para o Porto com os meus avós e ambos tiveram o bom gosto de adoptar esta cidade como a sua verdadeira terra, já que foi nela que viveram a maior parte das suas vidas. Não sei se foi deste cruzamento entre nortenho de Trás-os-Montes e do Minho que herdei esta afectividade pelo Porto, este bairrismo vaidoso, o que sei é que não trocava a minha cidade por nenhuma outra. Por isso não me espanta que o Porto, apesar do seu avançado estado de degradação urbana e social, tenha vencido dois prémios consecutivos como o melhor destino Europeu. 

Além do Porto cidade, outra das minhas "amantes" (não gosto do termo paixão, porque a paixão imbeciliza o amor), é o FCPorto. E não é só o FCPorto intercontinental da era Pinto da Costa, é também o FCPorto do tempo em que meu pai me levava ao estádio das Antas quando ainda era criança. A mim pouco me interessava se o Benfica ou o Sporting tinham mais troféus, o FCPorto era o CLUBE, o meu, o único.

É portanto natural que nutra uma instantânea simpatia por tudo que esteja associado ao clube e à cidade, sobretudo se se tratar de algo que possa ajudar ambos a defenderem-se das garras do centralismo mais doentio e anti-patriota que o país conheceu. Foi com esse estado de espírito que vi a chegada do Porto Canal, principalmente depois de saber que o FCPorto ia candidatar-se à sua propriedade. De início, rejubilei com a notícia, embora tivesse algumas dúvidas quanto  à escolha de Júlio Magalhães para Director Geral, mas, à medida que o tempo foi passando fui-me apercebendo  de algumas lacunas e as minhas dúvidas acentuaram-se. Salvo um volte-face espectacular, receio que as minhas suspeitas comecem a fazer sentido. O Porto Canal e o FCPorto parecem dessintonizados, sem nada a ligá-los à excepção dos conteúdos de âmbito desportivo.

Não creio que haja um único portuense que não estranhe que o Porto Canal não tenha convidado Rui Moreira para uma entrevista depois de eleito Presidente da Câmara, nem mesmo tenha anunciado a entrevista que este ia dar à RTP na passada 2ª.feira. Não sabia? Então para que serve o jornalismo de investigação? Para alimentar boatos? Colocar o interesse do Canal à frente do interesse público da cidade o que é que significa? No mínimo, é suspeito. E as suspeitas sobem quando a qualidade dos convidados o é também. Se já vos falei de certas pessoas cuja importância para os nortenhos é discutível, algumas delas fanáticos centralistas, que havemos nós de pensar? Não é possível separar as águas. Se querem um canal generalista para deixar entrar quem odeia o Porto, ou quem só "gosta" do Porto para cá ganhar a vida, podem ter a certeza que isto um dia vai dar bronca. Nem todos são como o Júlio Machado Vaz, nem como Rio Fernandes...

Estejam portanto atentos ao programa "Pólo Norte"desta noite.  Algo me diz que o convidado de hoje, o vereador do PSD Amorim Pereira vai para lá "malhar" no Rui Moreira. Posso estar enganado, mas palpita-me que é para isso que ele lá vai. Já para não falar da presença de Luís Filipe Menezes como convidado residente das próximas 6ªs. feiras... Em Portugal é assim, os perdedores são consideradas fontes credíveis de oposição... O Sócrates perdeu, fugiu, regressou e agora voltou à ribalta na RTP. No futuro será o actual 1º. Ministro que tão criticado é (como foi Sócrates) que irá para um qualquer canal fazer comentários. Para os media, a lógica de qualidade é simples: ganhar fama. O resto é acessório. Parece ser essa a via do Porto Canal.

Querem saber a última do Porto Canal? Ontem, enquanto era anunciado o programa "Pena Capital" no guia da Zon, à mesma hora era transmitida a gravação repetida do programa "Saúde no Tacho". Resumindo: o programa não foi transmitido e o Porto Canal, o tal que pretende partir do Porto para o mundo e ajudar a descentralizar o país, decidiu não apresentar uma simples desculpa pela falha, nem mesmo em rodapé...

Se é com este desprezo, com esta total falta de respeito pelos nortenhos que Júlio Magalhães quer afirmar o Porto Canal, pode tirar o cavalinho da chuva porque não serei eu que lhe darei audiências. Júlio Magalhães critica os nortenhos, diz que são os piores. Mas o que será que pensa dele próprio?

Termino dizendo: tem dias que parece não haver ninguém que mande no Porto Canal. Será que os leitores já não tiveram o mesmo pensamento?

PS-Afinal, as minhas suspeitas acerca da intenção do convidado do programa de ontem "Pólo Norte", confirmaram-se. Quem tiver a possibilidade de rever o programa sugiro que o faça. Depois, se quiserem, digam se eu tinha ou não razão para escrever o que escrevi. 

Já Luís Filipe Menezes foi mais cordato (para já, pelo menos). Não entrou a matar sobre Rui Moreira, veremos como se comporta nas próximas sextas-feiras... 

13 fevereiro, 2014

Última hora

O Porto foi eleito hoje Melhor Destino Europeu 2014, entre outras 19 cidades a concurso, realizado no âmbito de uma competição destinada a escolher os melhores destinos na Europa.




Porto melhor destino europeu 2014

12 fevereiro, 2014

Lamento dizê-lo mas assim, o Porto Canal irá perder a corrida...

...caso contrário teria arranjado forma, tempo, e espaço, para, em vez de andar preocupado  na "conquista" de Lisboa/Poder Central pelo método nacional porreirista - que nunca levou o Porto e o Norte a lado nenhum -, procurar capitalizar para a estação da Senhora da Hora a presença de Rui Moreira, porque motivos é coisa que não falta. Não o fazendo (e este é um enigma que um destes dias havemos de descobrir pelas fontes menos credíveis), deixou o terreno livre para a RTP avançar, como se constatou na passada 2ª. feira no programa  de Fátima Campos Ferreira, Prós e Contras, por sinal muito bem concebido. 

Se Júlio Magalhães não perceber que a concorrência não dorme em serviço, prova que não sabe o que é o mercado em que se move. A decisão da direcção da RTP desta vez foi inteligente, ou oportunista, se quisermos avaliar o caso pelo lado mais realista.

Embora desconheça quem decidiu o local para a entrevista a Rui Moreira, a escolha da estação do Metro de Campo 24 de Agosto foi de primeira água, e a entrevista um indiscutível sucesso para o actual edil portuense. E o ambiente foi  promissor. Não conheço quem negociou o quê, sobre a realização do programa, e até admito que para Rui Moreira nesta fase fosse estrategicamente importante conceder a entrevista à RTP 1, porque goste-se ou não, é o canal público e não está condicionado pela cabo.

Além da qualidade da entrevista, Rui Moreira conseguiu duas coisas que não são comuns aos políticos tradicionais da cidade e região: "obrigou" a entrevistadora e os técnicos da RTP a deslocarem-se ao Porto, e depois conseguiu algo que, parecendo irrelevante não é, que foi mudar eventualmente o nome do próprio programa  de Prós e Contras para um feliz Porto Sentido.

Ora, tudo isto parece ter passado ao lado da Direcção do Porto Canal, o que não se compreende, tratando-se do Presidente da Câmara do Porto... Algo se passa no reino do Porto Canal... Aquela *parte da entrevista de Júlio Magalhães em que acusa Rui Moreira de ir a correr para o Correio da Manhã depois de ter sido eleito presidente, é tanto mais estranha quanto sabemos que ele mesmo se esmerou até há bem pouco tempo a escrever para o pior pasquim desportivo  que o país conhece (Record). Se isto não é gato escondido com rabo de fora, o que poderá ser? Não tarda, saberemos a côr do gato.


M&P: Piores?

«JM: Muito piores. Rapidamente se deixam enredar nas teias de poder, esquemas, lobbies. Rapidamente se esquecem de defender as suas regiões. Estou a falar de políticos, empresários, jornalistas. Mesmo os políticos do Porto têm esta tentação de governar para agradar a Lisboa. O mesmo acontece com os empresários. Isto agora tem de mudar. Porque é que Lisboa consegue ter este ascendente sobre o país? Porque tem televisão. Os ministros saem do governo e querem ir para comentadores de TV. E vão todos. A mesma coisa acontece com os autarcas de Lisboa. Não me esqueço que a primeira entrevista que Rui Moreira deu depois de ser eleito foi ao Correio da Manhã e à SIC. Foi para Lisboa a correr dar entrevistas.»


PS-Se é o Porto Canal  que tem concentrado (pelas piores razões) os temas dos meus últimos posts, é porque o optimismo de Júlio Magalhães deve estar algo desenquadrado da realidade. Ou então, serei eu que faço as avaliações mal feitas. 

10 fevereiro, 2014

Gostava de ser formiguinha

Para quem não leu a entrevista de Júlio Magalhães à M & P, poderá lê-la  aqui



Sobre a referida entrevista tenho a comentar o seguinte:

começando pela questão do estigma chamado FCPorto que Júlio Magalhães quer eliminar com receio que o Porto Canal seja considerado um canal do clube. Vamos lá ver se nos entendemos: então o FCPorto já  não adquiriu 97% da parte do capital detido pela Mediapro? Falta, ou não, pagar em 3 anos apenas os restantes 3%, ou ainda não pagou nada? O Jornal de Notícias ter-nos-á informado mal? E se o fez, por que é que não houve um desmentido com a respectiva correcção? Ou, a versão do jornal Económico é que conta? Qual delas é para considerar?

Admitindo que a notícia do JN estava correcta, quem é afinal o detentor da maioria do capital? Não será o FCPorto? E se fôr, porque raio é que não há-de assumi-lo? Por ser um canal generalista? Então, o FCPorto investe num canal de televisão e tem de omitir a sua propriedade? Por quê? Será - como imagino -, por questões estratégicas? Pensará Júlio Magalhães porventura que se explicar muito bem aos mercados que o Porto Canal é um canal generalista e não exclusivamente dedicado ao desporto que os investidores vão ignorar o nome do proprietário (FCPorto) e começar a encharcar com dinheiro os cofres do canal? E o FCPorto vai na conversa? 

A mim, estes "estigmas" fazem-me pensar no pior, isto é, que Júlio Magalhães pode não estar preparado para agarrar o projecto Porto Canal pelos "cornos", e teme entrar em choque com os poderes centralistas e seus representantes. A preocupação de J.M. (e do FCPorto) com os financiamentos, é compreensível, mas seguidista. Na entrevista dada à M&P, além de mostrar disponíbilidade para dar maior atenção ao Norte e ao Porto, Juca não revela como pretende superar a concorrência em criatividade, que era aí que se devia apostar para atrair mais investidores. 

Tenho noção da importância para um canal que precisa de se afirmar das entrevistas com figuras ligadas ao poder político (J.M., entrevistou Passos Coelho, Seguro e outros), mas o patamar de exigência devia passar por figuras credíveis da região, cujo currículo e competências merecessem o benefício da dúvida, e não tanto pelos detentores do poder que as aproveitam só para promover a imagem e a dos respectivos partidos. Passos e Seguro, são mais do mesmo. Nem o Norte nem o país precisam deles. Júlio Magalhães espera o quê desta gente? Ainda por cima, quando Passos Coelho concedeu a entrevista num Hotel de luxo do Porto... Talvez para  mostrar solidariedade com  a coerência e o espírito austero do 1º. Ministro...

Já louvei aqui o que se fez de bom no canal e repito para não gerar polémicas: Pólo Norte, Caminhos da História, Pena Capital, Valter Hugo Mãe,Territórios, Mentes que Brilham, Porto Alive, etc., são programas para manter e melhorar, mas, e aquelas horas imensas sem programação, darão audiências ou afugentam-nas?  E já agora pergunto: se é a falta de financiamento a causa das gravações, será boa estratégia pensar que as audiências dispensam uma palavra, uma explicação?

Júlio Magalhães diz que tem propostas "magníficas" para novos programas "e muita gente de Lisboa conhecida que quer trabalhar aqui" (acredito), mas que não tem dinheiro para lhes pagar...Fala de programas âncora, que precisa deles, não de um Big Brother (porque custa muito dinheiro), mas algo que tenha esse tipo de impacto... É de prever mais do mesmo. Assim sendo, a tentação pela vulgaridade televisiva está à bem à vista, o que é lamentável. É assim, a prostituição intelectual ainda dá dinheiro, e até parece infundir "respeito". Magalhães diz também que (cito) "não tenho nada contra Lisboa, que considera aliás, que as pessoas do Porto e das regiões são as piores", que são "muito piores, que se deixam enredar na teias do poder". Em certa medida acho que tem razão (sobretudo quando aponta o dedo aos políticos, empresários e jornalistas), mas conviria ser mais assertivo e menos categórico. Pergunto: essas pessoas do norte terão nome? Marcelo Rebelo de Sousa, por exemplo, será um desses políticos/comentadores/políticos, do Norte, ou será do Sul? Em que quadro qualitativo o colocaria o J. Magalhães? No dos melhores?  E em que área geográfica?

Só gostava era de ser formiguinha para sondar o que pensará o Juca de gajos do Norte como António Sala e João Malheiro (do Norte) para lhes ter franqueado simpaticamente  as portas do Porto Canal. Gostava de saber também em que patamar de prestígio coloca o Bagão Félix (do Sul) para vir falar a um canal que pretende lutar contra o centralismo. Provavelmente, Bagão Félix converteu-se ao regionalismo e o Juca não nos disse nada.  Mas, será que Juca lhe falou do centralismo?

Não estará o bom do Juca, sem se dar conta, a fazer a mesma figura dos piores homens do Norte? A propósito: o que pensará ele do nortenho e jornalista Carlos Daniel? Pertencerá ele ao grupo restrito dos melhores?

Como gostava de ser formiguinha...  


09 fevereiro, 2014

O Porto Canal tem de ter mais Porto e Norte, e menos preconceitos

Não vejam isto como presunção, mas afinal tenho ou não razão em defender a denúncia contra essas figuras que em todas as áreas andam a semear a discórdia  e (o que é mais grave),  a corrupção? Estão a ver como Pinto da Costa acabou por ir (ontem) ao Jornal da Noite do Porto Canal denunciar publicamente as aberrações e incompetências da Liga e da F.P.Futebol. Eles vão retaliar? Pois que retaliem, mas assim forçá-mo-los a serem mais criativos para nos prejudicarem. Se o ganha-pão deles é a calúnia, então, não lhes deixemos o caminho livre para manipularem preguiçosamente. Obrigue-mo-los a trabalhar e a gastar mais tinta. 

05 fevereiro, 2014

Denuncie-se o que é para denunciar. Quem cala, consente.


Desculpem lá a teimosia, vou-me repetir:    desde miúdo, nunca gostei de fado.  Por intuição, ou por mero gosto musical, a verdade é que ainda hoje dispenso o fado. E não vale a pena tentar promove-lo a património nacional, nem relacioná-lo com o jazz, com o tango, e até (como já li algures) com a música clássica (imaginem), que nada fará mudar a minha opinião. Sim, porque lá para promover o fado (ou o Benfica), a comunicação social centralista não se poupa a esforços.

(Des)honra lhes seja feita, essa garotada que viveu os quase 40 anos desta postiça democracia a promover tudo quando é da capital à custa do resto do país, desviando verbas da União Europeia das regiões mais pobres para a imperial Lisboa, alegando um desenvolvimento paralelo que obviamente nunca veio a comprovar-se, não olha a meios para atingir os  fins. Claro que comigo é pura perda de tempo, sou um bocado duro de convencer.

A nossa "querida" RTP bem se esforça por nos domesticar os gostos e até as convicções, mas nem o "assim se fala em bom português" me convenceu a trair os ensinamentos que os professores me transmitiram desde a escola primária. Por essa altura, ainda havia uma noção correcta sobre a fonte da língua-pátria, agora, parece que é no Brasil... Mas, adiante. O que quero dizer é que, se muitos nortenhos tivessem sabido olhar e respeitar o que é seu, nunca Lisboa se teria dado à liberdade de governar o país como se a capital fosse o país ela própria. E quando digo Lisboa, digo todos aqueles (lisboetas e outros) que representando o Governo (que sempre aí teve sede) nos conduziram à deplorável situação actual. 

Das duas uma, ou eu sou um iluminado (que não sou, de facto), ou há por aí muitos gajos a fazer de nós burros, ou os burros são eles e há quem os tome por inteligentes. Vejam este artigo do JN de hoje (com o qual até estou em sintonia) e leiam o primeiro parágrafo. O autor, admitindo ter sido praxado, refere que não diz o nome de quem o praxou, porque não é bufo. E escreveu isto como se estivesse a praticar um acto de heroísmo...

Se o leitor acompanha regularmente o Renovar o Porto, saberá o que eu penso sobre o tema dos "bufos". Hoje, pretende-se confundir - talvez por conveniência, ou por mal simulada cobardia -, a expressão bufo que se usava depreciativamente quando alguém acusava outro de ser contra os regimes salazaristas e marcelistas. A "confusão" não seria grave se não houvesse o inconveniente de alguns quererem comparar um bufo com um denunciante. Há diferenças e são quase antagónicas. Denunciar é um acto de coragem, e pode até ser a alavanca para acabar com muita irresponsabilidade e atenuar as malfeitorias que florescem pelo país. Bufar é trair alguém supostamente pelas suas opções políticas.

Agora, notem nas consequências espelhadas num caso recente. Refiro-me ao jovem estudante de Chaves que teve de viajar 400 Kms porque no Porto e em Coimbra lhe rejeitaram entrada nas urgências dos hospitais respectivos por falta de vagas. Por que é que a comunidade médica que tanto poder tem e o próprio bastonário, em vez de reagirem à posteriori, permitindo que o rapaz acidentado corresse risco de vida, não bateram o pé ao Governo com veemência responsabilizando-os por quaisquer ocorrências graves que viessem a acontecer por estarem a ser despojados de pessoal de saúde diferenciado? Resultado: agora, o odioso da situação vai recair sobre o Hospital Sto António e sobre o bastonário que não soube denunciar categoricamente o caos que vai nos hospitais. 

Outro caso: . Por que é que a Direcção do Futebol Clube do Porto,  aproveitando o acesso ao contraditório que o Porto Canal (de que é proprietário) faculta, não denunciou, em devido tempo, toda a polémica urdida pela comunicação social centralista com o suposto atraso da equipa portista no último jogo para a Taça da Liga? Por que é que o FCPorto optou pelo silêncio, deixando o monstro crescer, abrindo espaço à calúnia, e quem sabe, a fastidiosos processos jurídicos que podem arrastar-se pelos tribunais com todas as consequências desagradáveis que isso tem? Por quê? É uma ingenuidade pensar que este tipo de calúnias são inofensivas, que a Justiça, tal como está em Portugal, tratará de colocar tudo no seu lugar sem antes deixar um rasto de acusações e de suspeitas. 

Aqui chegado, pergunto: como é possível haver no Porto quem critique Rui Moreira por ter antecipado a denúncia daquilo que aconteceu no passado e que provavelmente ia (ou irá ainda) de novo repetir-se? Se assim não acontecer, óptimo, é sinal que terá valido a pena a denúncia.

PS-Votem no Porto para ser eleito, pela 2ª vez,  o melhor destino europeu em 2014. 

31 janeiro, 2014

O problema do PortoCanal, será o Porto ?

Porto Canal - Homepage
Espero um dia vir a mudar de opinião se a interrogação em título não chegar a confirmar-se, mas receio que o Porto e o Norte poucas vantagens cheguem a tirar do facto de disporem agora de um canal de televisão. Quando digo vantagens, refiro-me naturalmente para a população, e não somente para ao lado económico e financeiro da empresa, que é também um aspecto importante. 

Apesar de bastante decepcionado com o rumo difuso e algo paradoxal que o Porto Canal parece estar a seguir, não cometerei a injustiça de afirmar que tudo o que até agora foi feito é mau. O que digo e repito, é que sou contra a política do engodo de entreter os espectadores com doses maciças de repetições de programas de entretenimento de gosto duvidoso sem haver o cuidado de os informar. 

Já tive oportunidade de elogiar alguns programas de qualidade, seja no âmbito generalista, seja na área do desporto/clube, embora sem nada de verdadeiramente original, diga-se. Joel Cleto e o seu "Caminhos da História", culturalmente falando, é o meu preferido. Segue-se o painel de debate político "Pólo Norte" e a um nível inferior, mas bem humorado, o "Pena Capital". No que concerne o FCPorto, há coisas interessantes, mas é flagrante a falta de um programa de debate sobre assuntos relacionados com o futebol, entre os quais um que denuncie as intermináveis deturpações e arbitrariedades veículadas pelas 3 estações centralistas e os seus múltiplos canais derivados.

Não me interpretem mal, não quero, nem nada que se pareça, uma réplica do lixo que se faz em Lisboa. Nem por sombras. O que gostaria  mesmo, é que o Porto Canal, realizasse um programa que demonstrasse ao país que o que se faz em Lisboa nessa matéria, é isso mesmo : lixo e fanatismo. Pelos vistos, não é essa a "estratégia" da direcção do Porto Canal, é outra, bem mais soft, que passa por ignorar e permitir a proliferação do veneno difundido pela comunicação social centralista e deixar que ele se instale na opinião pública sem qualquer tipo de desmentido, talvez na vã esperança que o Portugal profundo compreenda o sentido de tamanha permissividade. Pura ilusão. Por mais que a direcção do Canal (e do FCPorto) procure ignorar as ofensivas centralistas, não se livram de deixar no ar - e na cabeça de muita gente - a ideia de que se cala, é porque consente, com a agravante de manter acesa a convicção que o Processo Apito Dourado até valeu a pena e que Pinto da Costa terá sido "mal" absolvido... Infelizmente, os portugueses ainda não atingiram um patamar de maturidade cívica suficientemente evoluído para não se deixarem influenciar pelo mau jornalismo. Se assim não fosse, o nosso país não seria seguramente um dos países mais atrasado da Europa, nem teria desperdiçado o 25 de Abril com governantes sem escrúpulos nem competência.

Mas o paradoxo desta "estratégia" vai mais mais além. A direcção do Porto Canal parece apostada em defender o Norte imitando Cristo, dando a outra face ao estalo depois de andar a ser esbofeteado todos estes anos de centralismo feroz. Persiste em chamar a si, a escancarar as portas, a gente da capital que se fartou de denegrir a imagem do FCPorto, do seu Presidente e da própria cidade (João Malheiro, António Sala, a "feiticeira" Maya, Carlos Barbosa e todo um rol imenso de gente insignificante que o Norte está cansado de conhecer por força da imposição monopolista do centralismo.

Já me perguntei o que terá levado a direcção do Porto Canal a pensar que estas pessoas fazem falta ao Norte, ou o que delas esperará para ajudar os nortenhos a livrarem-se da chaga neocolonialista lisboeta, a sua terra... Pensar que essa gente é alheia ao fenómeno centralista é passar um atestado de imbecilidade aos nortenhos e a si próprios. E não venham com a história estafada do bairrismo, que somos todos portugueses, etc., porque esse é o argumento dos centralistas. É que se nós somos bairristas, os lisboetas são monopolistas, e se nós somos portugueses os lisboetas ignoram-no, pois nunca os vi preocuparem-se com a discriminação que vem sendo feita ao Norte do país (a região mais pobre da Península Ibérica). Aliás, pergunto: que pensará Pinto da Costa sobre este assunto? Será que ele estará a perceber bem o rumo que o canal está a levar? Será que ele vê mesmo o Porto Canal e é cúmplice desta aberrante estratégia? Se vê e  gosta, então já não sei o que pensar e que explicação encontrar para tão estranho fenómeno. A não ser que de repente um forte surto de sado-masoquismo tenha assolado a nossa região, e se calhar até eu fui contaminado, e ainda não dei por isso...

PS-Nem de propósito. No momento em que acabei de publicar este post, soube que, mais uma vez, o Norte foi prejudicado nos fundos do novo Quadro de Apoio, e que Lisboa, a região mais beneficiada do país, vai receber mais dinheiro. É assim. Eles perderam-nos o respeito. Agora, digam que Rui Moreira não tinha razão de desconfiar...  
  

30 janeiro, 2014

E eu, também dou o benefício da dúvida, porque...

...se os partidos políticos não sabem cuidar dos interesses regionais, nem dar apoio aos respectivos candidatos ÀS câmaras*, então que aguentem com os efeitos colaterais,  que desamparem a loja, e deixem trabalhar os outros. não fizeram nada de jeito durante décadas e agora exigem que tudo seja feito em 100 dias. Só MESMO de carreiristas.

* ( QUE O DIGAM ELISA FERREIRA  E GUILHERME  PINTO DO PS, E  LUIS F.MENEZES DO PSD ]


100 DIAS: JORNALISTAS DÃO O BENEFÍCIO DA DÚVIDA AO ‘ESTREANTE’ RUI MOREIRA

Para o director-adjunto da agência Lusa Ricardo Jorge Pinto, num “balanço inicial, Rui Moreira sai muito bem na fotografia”. O independente e ex-presidente da Associação Comercial do Porto beneficiou de “visibilidade mediática fora de fronteiras” e beneficia do facto de o compararem com o seu antecessor.
Daniel Deusdado diz que “Rui Moreira conseguiu uma coisa tremendamente importante: criar uma maioria na Câmara que lhe permita gastar o tempo no que tem de ser feito e não em como conseguir fazer acordos para passar meia dúzia de coisas nas votações”. Mas, na opinião o director-geral e sócio da produtora de conteúdos Farol de Ideias, ainda é cedo para uma avaliação rigorosa.
“Os primeiros 100 dias são um período de instalação, sobretudo para um presidente que nunca desempenhou funções autárquicas e terá de aprender todos os trâmites administrativos que obrigam a uma enorme dilação entre o tempo de querer e o tempo de fazer”, refere Daniel Deusdado. “Talvez ao fim de um ano possa haver já factos mais concretos para avaliar a sua acção em concreto”, sublinha o jornalista.
Ricardo Jorge Pinto é da opinião de que “os primeiros 100 dias dificilmente poderiam desapontar”. Quanto mais não seja porque Rui Moreira, diz o jornalista da Lusa, “teve sempre o cuidado de não colocar muitas expectativas sobre o seu mandato na Câmara do Porto”.
O jornalista acredita que a vitória de Moreira se deveu precisamente “a essa postura e posicionamento político” e diz que o independente conta “com um factor que vem nos livros de estratégia política: o estado de graça do início dos mandatos”.
“Com boas entrevistas em jornais internacionais de referência”, o indepentente Rui Moreira “ajustou-se perfeitamente à imagem de um autarca elucidado, ilustrado e desempoeirado numa cidade que tem beneficiado com as linhas aéreas low cost para ganhar cosmopolitismo”, refere Ricardo Jorge Pinto numa resposta escrita enviada ao P24.
“As suas declarações são precisas, as ideias são claras e o registo é conciso: tudo ingredientes para passar uma boa mensagem”, sublinha o director-adjunto da Lusa.
Quando comparado com Rui Rio “não é difícil [Rui Moreira] sair-se bem”, diz Ricardo Jorge Pinto. “Rui Rio era cinzento, austero, encolhido, tacanho, rígido e ríspido. Rui Moreira chegou à presidência da Câmara do Porto apesar do apoio de Rio. E tem sabido distanciar-se dele, para não se deixa contaminar”.
Daniel Deusdado destaca como ponto positivo “a tentativa de reclamar um papel para o Porto no contexto nacional – à semelhança do que sucede com a Câmara de Lisboa”. “É uma boa estratégia, embora tenha demasiados rivais a Norte, prontos a fragilizá-lo sem que consigam por isso melhores resultados”, comenta o director-geral da Farol de Ideias.
Para Ricardo Jorge Pinto, “Rui Moreira ainda procura o seu estilo”, “algures entre a sua afirmação pessoal e a afirmação da cidade e da região”, mas o autarca “parece perceber que este momento inicial de mandato é a melhor altura para assumir riscos”.
“A forma como tratou as ameaças de esvaziamento da RTP Porto pode não ter sido a mais feliz” e “a maneira como está a insistir na sua preocupação com a distribuição de dinheiros do QREN pode ser arriscada”, mas Rui Moreira faz bem em correr riscos, entende o director-ajdunto da Lusa.
Moreira resiste “à tentação de dizer ‘Já estava assim quando cá cheguei’, como uma criança ao lado de um vaso partido”, saúda Jorge Pinto.
(do jornal Porto24)

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29 janeiro, 2014

É assim que reagem os partidos...

E José Luís Carneiro disse:
“Um assunto tão relevante como é o de trazer para Portugal 22 mil milhões de euros não deve ser objecto deste tipo de tratamento na praça pública. A CCDR-N [Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Norte] e o Conselho Regional são os órgãos onde estes assuntos devem ser tratados”, defendeu o líder da Federação socialista do Porto.
José Luís Carneiro comentava, por comunicado, a tomada de posição feita na terça-feira pela Câmara do Porto sobre candidaturas e prazos a fundos comunitários.

Nota de RoP:
A avaliar pelas reacções dos partidos, quer do PSD/CDS, quer do PS/PCP, Rui Moreira começa a "incomodar", o que pode ser bom sinal... As declarações do Presidente da Distrital do PS Porto, assim como as proferidas por alguns membros da coligação, são tão destituídas de fundamentação que tresandam a uma de duas coisas: dôr de cotovelo, ou medo de perda de protagonismo. Ou, as duas coisas juntas.
Sinceramente, não sei o que se estará a passar dentro da Câmara do Porto, o que sei é que numa altura em que finalmente temos alguém que começa a agitar as "águas" e a bater o pé ao poder central [e com sobejas razões], aqui d'el Rei que não é assim que se faz, que não é na praça pública que se tratam estes assuntos, e blá-blá-blá.  Este é o discurso dos acomodados. Ainda há pouco tempo Emídio Gomes, Presidente da CCDR-Norte, meteu a viola no saco, isto é, calou, não teve qualquer reacção, face à humilhação da não comparência  de membros do Governo numa reunião onde se prendia informá-los sobre os destinos de fundos europeus. Ora, não é de líderes com este perfil que o Norte precisa, por mais competentes que sejam. Estou de acordo com a estratégia de Rui Moreira.  Quem não chora (e com motivos para tal), não mama. De resto, basta olhar para o desprezo como os gajos do Governo tratam o Norte. Aliás, está bem patente no modo como reagiram às palavras de Rui Moreira.

O certo é que até aqui, todos se queixavam de falta de liderança, mas de repente surge Rui Moreira e parece que ninguém a quer. Preferem fazer tudo às escondidas, e nesse aspecto, PSD, CDS e PS estão curiosamente em sintonia...Por que será? Que grandes nortenhos são estes meninos!  Dividir, é com eles. Para reinar, porventura.
Será este o preço a pagar das candidaturas "independentes"? Será possível governar uma Câmara com tanto rato de esgoto? Ainda dizem que não há democracia sem os partidos? Se é para fazerem o que têm feito, se calhar é melhor procurar outras alternativas.
Aguardemos os próximos capítulos, e o que terá a dizer Daniel Bessa da sua auto-demissão.

O escaravelho da crise moral


A crise económica - e, por arrasto, a social - está a remeter uma porção substancial de portugueses para um gueto de pobreza.

Floresce entretanto a crise de valores, e não apenas patente nas patetices do momento - o efeito manada das imbecilidades das praxes e o esmagamento das audiências televisivas pelo maior telelixo alguma vez emitido em Portugal - o "Casa dos segredos, desafio final 2", maná de audiências para a TVI sedimentado na falta de escrúpulos e graças ao mais reles grupo de analfabetos alguma vez junto na pantalha, para gáudio de uma legião de fãs da ordinarice e paizinhos ululantes de orgulho por terem dado à luz descendentes tão mal-educados. Sim, vale a pena assistir a tanta ordinarice por metro quadrado para se ter consciência de como não se deve ser.

Sem reticências: a crise moral está para as relações humanas no país como a doença do escaravelho para as palmeiras: alastra, corrói e tem tudo para matar, pelo menos a esperança de um melhor futuro.
Os comportamentos nas praxes ou no reality show são paradigmáticos de um dia a dia feito, na rua de cada um de nós, de exemplos flagrantes da mais abominável falta de respeito pelo ser humano. São casos comezinhos, sim, mas preocupantes.

Três exemplos vivenciados, todos no âmbito do mercado de trabalho. Todos, curiosamente, na área da restauração, essa mesmo, a da choraminguice pelos efeitos do IVA a 23%.

1. Uma das muitas chafaricas feitas cafés no país. Entrada e saída permanente de esforçados feitos funcionários. Movimento principal à hora do almoço. Cliente assíduo pergunta ao dono do tasco se é eficiente o mais recente jeitoso que tenta equilibrar a bandeja. O homem diz que sim. E quanto ganha? Resposta na ponta da língua, com o ar mais normal do Mundo: tem direito a almoço! (Três dias depois, nem vê-lo. Claro.)

2. Restaurante afamado, construído na base de uma gerência muito relações públicas e funcionários simpáticos - cada vez mais gentis para tentarem receber o ordenado mínimo. Têm vários meses de salários em atraso. Comem e calam. O patrão, esse, feito empreendedor, rodeia-se de amigos, faz festas no espaço, usa os serviçais a seu bel-prazer e estes, num momento de juízo perfeito, acabam por bater com a porta. Cansados. No bolso levam créditos para receber nas calendas gregas. Trocados são por outros condenados ao ciclo vicioso.

3. Dois funcionários e um casal explorador de restaurante especializado num certo prato. Qualidade indiscutível. O cliente degusta os produtos e na hora de pagar a conta assume-se a patroa; à distância e nas costas da dita-cuja, o empregado faz um sinal de longe, adivinhando-se o "não, não, não". Não, o quê? Desfaz--se entre dentes o enigma enquanto a senhora vai fazer o troco das duas notas de 20 euros: "Não deixe ficar gorjeta! Não é para mim. A tipa fica com ela, embora não me pague o ordenado a horas". Está dito. E cumprido.

Aqui chegados, impõe-se aclarar: os casos são da área da restauração, mas podem ser replicados sem dificuldades para outros setores de atividade. Há excelentes empresários de todos os ramos, não se duvide; mas não faltam candidatos a imitadores da exploração ao jeito do Bangladesh.

A crise resulta num esfarelamento sequencial da sociedade, abrindo leque ao debate sobre os efeitos do desemprego e a qualidade dos novos - e poucos - postos de trabalho em criação.
Para onde vamos?

Amanhã, o Governo reúne-se com os parceiros sociais para debater - fórmula eufemística de apresentar decisões tomadas - seis pontos passíveis de elencar razões para o despedimento.

Assim vai o país

Nota de RoP:
Esta crónica saiu ontem. Apesar disso, dada a pertinência do tema (para mim, é pertinente), decidi publicá-lo hoje. Pena é que no grupo a que pertence o JN haja quem se esqueça das páginas com publicidade à prostituição, e das edições do jornal O JOGO consoante a região e a "côr clubista" dos leitores, quando na capital do império nem sequer se preocupam com o assunto. Batem em tudo o que mexe, sobretudo no FCPorto.

É preciso olhar bem para o que nos rodeia antes de escrevermos certas coisas...


28 janeiro, 2014

Não votaria em nenhum


Por mais auto-crítico que seja, não há meio de me convencer que sou um gajo esquisito só porque não quero nenhum destes cavalheiros elevados ao status de Presidente da República. 

Apesar de não ir à bola de Rui Rio nem um bocadinho, e de ainda não estar convencido da solidez da sua integridade, diria que o menos mau destes 4 mosqueteiros, seria ele, mas mesmo assim, não votaria em nenhum. O certo é que Cavaco também não é grande coisa e conseguiu lá chegar... Em Portugal  o grau de exigência é baixo e espelha bem o país que somos.

Haverá porventura alguém com perfil para o cargo, neste momento?

Que sorte a nossa!


24 janeiro, 2014

Ainda sobre os fundos europeus

A Câmara do Porto reafirma que Bruxelas “recusa as propostas centralistas do Governo” por não acautelarem a promoção e coesão territorial, apontando como prova “notícias vindas a público” que não foram desmentidas.

“Não bastasse a limpidez com que a imprensa dá conta de factos que não foram desmentidos, tem a Câmara do Porto fontes fidedignas sobre a forma como este processo tem decorrido e, sobretudo, sobre as preocupações que a Comissão Europeia tem vindo a manifestar ao Governo de Portugal”, refere a autarquia em comunicado enviado à Lusa que, contudo, não identifica as fontes.

A Câmara do Porto aprovou na terça-feira, com a abstenção de 2 dos 3 vereadores do PSD, uma moção em que reclama participar ativamente na negociação do próximo Quadro Comunitário de Apoio (QCA) e afirma que “a Comissão Europeia recusou assinar o acordo de parceria proposto pelo Estado português por considerar que este não acautelava os mecanismos de promoção de coesão territorial e de valorização das regiões de convergência, nomeadamente da região Norte”.

No mesmo dia, a Comissão Europeia afirmou que qualquer sugestão de que as propostas de Portugal para o Acordo de Parceria foram recusadas resulta do desconhecimento da natureza do processo, esclarecendo que nenhum país o assinará antes de Março.

Entre “outras notícias publicadas nas últimas semanas”, a autarquia destaca um artigo publicado no Jornal de Notícias (JN) no dia 16, “nunca desmentido”, em que, “cita fontes oficiais da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Regional e da Comissão Europeia”, intitulado “proposta não ultrapassa desequilíbrios regionais”.

“Sempre citando fontes oficiais, o JN esclarece que a proposta do Governo a Bruxelas ‘nem se debruça sobre as causas do atraso do Norte, Centro e Alentejo, depois de milhares de milhões de euros de fundos dados precisamente para reduzir a disparidade, nem propõe soluções’, fazendo notar que, segundo a Comissão Europeia, a proposta do Governo ‘não tem um pensamento’ e ‘não está bem definida a articulação entre os programas geridos em Lisboa, nas regiões e as Iniciativas Territoriais Integradas”, sustenta a Câmara.

O ministro-adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, afirmou na quinta-feira que o programa Operacional Regional vai sofrer um aumento de 24,8% no Norte, pelo que as críticas de alguns autarcas “não têm qualquer correspondência” com a realidade.

A autarquia sustenta novamente ser necessário “acautelar o interesse das regiões de convergência, como é o caso da região Norte de Portugal, e, em particular, o interesse da cidade do Porto”, criticando o facto de as propostas “não terem sido em momento algum dadas a conhecer à Câmara e muito menos ter sido solicitada a sua contribuição”.

“O que a Câmara pretende” é “acautelar que na preparação do 5.º QCA não voltem a ser cometidos os erros dos anteriores 4 processos”, “contribuir de modo efetivo para que, na elaboração de um Acordo de Parceria o Governo realmente garanta resultados concretos na coesão nacional, através da canalização dos fundos para as regiões de convergência” e “tomar posição firme e disponibilizar a sua colaboração antes de o processo estar concluído e formalizado, por forma a evitar o eterno desígnio da região e da cidade de ‘chorar sobre o leite derramado”.

No comunicado, de 6 páginas, a Câmara do Porto adianta ter já solicitado, “com carácter de urgência”, ao secretário de Estado do Desenvolvimento Regional cópias das versões provisórias enviadas para Bruxelas do acordo de parceria e dos respectivos relatórios de avaliação.

Foi também pedido ao Governo a calendarização prevista para o processo de elaboração da Estratégia de Especialização Inteligente, para a apresentação e aprovação do Acordo de Parceria e para a entrada em vigor do novo QCA.
A Câmara critica ainda “o atraso” no processo de programação do novo ciclo de programação dos fundos comunitários para 2014–2020, considerando que “Portugal poderá vir a apresentar propostas elaboradas de forma apressada e pouco consistente, não conhecidas pela grande maioria dos seus destinatários, elaboradas de forma pouco transparente e, muito provavelmente, pouco ou nada adequadas aos objectivos e à realidade visados”.

Neste comunicado, a autarquia cita uma declaração de 1969 de Francisco Sá Carneiro para afirmar que “a cidade e o distrito deixaram-se atrasar no campo cultural e no campo económico, em parte por culpa do desinteresse e inércia de todos nós, em parte devido à excessiva concentração de riqueza na capital”.

“É preciso que não nos resignemos a viver dos restos de um passado mais próspero, tanto cultural como economicamente, nem das sombras que no presente até nós chegam. Mas isso depende de todos e de cada um e não só do Governo ou da Assembleia. É essencialmente às autarquias que cabe lutarem pela defesa dos direitos próprios e dar voz às reivindicações colectivas”, concluiu a afirmação do antigo primeiro-ministro utilizada esta sexta-feira pela Câmara do Porto.

Esta notícia foi actualizada às 16h03.

(do Porto24)

23 janeiro, 2014

Rui Moreira: Moção sobre fundos comunitários “tem absoluta fundamentação”

O presidente da Câmara do Porto diz que “ficaria muito feliz” em não ter razão nas preocupações sobre os fundos comunitários e garante que a moção tem “absoluta fundamentação”, frisando que tudo foi noticiado pela comunicação social sem nenhum desmentido.
A Câmara do Porto aprovou na terça-feira uma moção afirmando que “a Comissão Europeia recusou assinar o Acordo de Parceria proposto pelo Estado português”, ação que provocou a reacção do Governo – que alertou para as “incorrecções objectivas” desta moção – e de Bruxelas, que também desmentiu a autarquia.

Esta quarta-feira, em declarações aos jornalistas à margem da apresentação da campanha “Voto no Porto”, o presidente da autarquia, Rui Moreira, começou por dizer que “se há circunstância em que ficaria muito feliz em não ter razão é esta”.

“As notícias que hoje vieram a lume por parte do Governo de Portugal dizem que a cidade do Porto e que o presidente da Câmara do Porto não têm razão em estar preocupados. Se assim for direi que se há uma situação em que eu terei todo o prazer em estar enganado será esta”, reiterou.

Mas Rui Moreira deixou a garantia de que tudo aquilo que foi escrito na moção “tem absoluta fundamentação”.

“Tudo aquilo foi noticiado pela comunicação social nos últimos 10 dias. Nós não vimos nenhum desmentido então. O facto de então não haver nenhum desmentido também credibiliza de alguma maneira a nossa posição”, justificou.

O presidente da Câmara do Porto insistiu que as informações que a autarquia tem sobre esta matéria “são preocupantes”.

“E principalmente nós não nos podemos esquecer que nos últimos quadros comunitários – estamos no quinto – as coisas correram sempre mal e os resultados estão à vista”, recordou.

Rui Moreira rejeita por isso queixar-se “depois de as coisas correrem mal”, considerando que se deve “alertar os responsáveis do país antes das coisas correrem mal”.

“Conseguimos que na Câmara, o Partido Comunista votasse connosco, houvesse um deputado do PSD que votasse connosco e até os outros que tinham dito que iam votar contra acabaram por se abster e isso tem um significado para nós muito importante: as pessoas reconhecem que esta é uma preocupação para a cidade e para a região”, concluiu.

A Câmara do Porto aprovou na terça-feira uma moção, apresentado por Rui Moreira, afirmando que “a Comissão Europeia recusou assinar o Acordo de Parceria proposto pelo Estado português por considerar que este não acautelava os mecanismos de promoção de coesão territorial e de valorização das regiões de convergência, nomeadamente da região Norte”.

Já esta quarta-feira, a concelhia do PSD Porto e dois vereadores na autarquia exigiram que o presidente da Câmara do Porto faça “um pedido de desculpas formal à cidade” pela “vergonha institucional” de ter faltado à verdade nesta questão.

(do Porto24

Aviso à navegação

A partir desta data, não são aceites no Renovar o Porto comentários de anónimos, ou que não sejam assinados com o primeiro e último nome (preferencialmente verdadeiros, e tolerantemente falsos). 

Detesto ler, e ainda menos responder, a anónimos. 

Pelos fundos da nossa vida

 

Os fundos comunitários mostram até que ponto o "Norte" não tem uma estratégia. Rui Moreira lidera a segunda Câmara do país e recusa decisões unilaterais do Governo. É ele o protagonista certo para esta batalha? Ou deveria ser a Área Metropolitana do Porto a tomar posição? E se fosse a anunciada, mas não implementada, Liga das Cidades do Norte? Já agora, seria assunto para a Frente Atlântica? E para que servirá a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte (CCDRN)?

Esqueçamos a política por momentos. Rui Moreira é provavelmente o político a norte que melhor conhece a realidade portuária e as questões de transporte. Elas são essenciais para o desenvolvimento do país. Há duas coisas que parecem consensuais para quem estuda estes dossiers: Leixões, Aveiro e Viana podem ser portos estratégicos para o reforço das exportações nacionais. Para isso não só necessitam de investimentos como é inevitável um interface ferroviário para mercadorias que os ligue à Europa.

Isto significa ter nas opções do Governo para 2014-2020 as linhas de bitola europeia que assegurem o eixo Lisboa-Porto, com derivação para os portos de Aveiro e Leixões. Idealmente esta linha poderia chegar à Galiza e incluir o porto de Viana. Mas a saída prioritária da linha Lisboa-Aveiro-Porto para a Europa é através de (Viseu rumo a) Salamanca. Este é o eixo fundamental das exportações, ponto final.

O que Rui Moreira está a fazer (presumo) é a tentar manter esta pressão na agenda porque parece não haver quem lute por um dossier estratégico como este. O passado demonstra, desde o famoso caso "Limiano" à subserviência nas CCDR, que todos se vendem pela sua "freguesia". O poder político central distribui rebuçados aos pequenitos e guarda o grande bolo para a sua área de influência.

Neste caso o bolo está à vista. O secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, tem uma estratégia própria, autista, e sem aderência à realidade. As declarações que profere são sempre no mesmo sentido: nunca se compromete com os fundos para os portos e ferrovia a norte, dá como facto consumado a execução ferroviária Sines-Badajoz e, na verdade, não desistiu de fazer o porto da Trafaria (os estudos demonstrarão à opinião pública que é vantajoso e sem custos públicos - é a tese).

Sérgio Monteiro montou o famoso "Grupo de Trabalho para as Infraestruturas de Valor Acrescentado" liderado pelo presidente da Associação Industrial Portuguesa (com sede em Lisboa) e onde não estão representadas as associações empresariais do Norte e Centro - apenas está lá a Confederação da Indústria Portuguesa. Fazem ainda parte deste grupo o Estado através do LNEC, AICEP, Instituto Mobilidade Terrestre, CP, Refer (que Sérgio Monteiro tutela), a par das associações setoriais dos transportes - cujas sedes estão primordialmente em Lisboa.

A questão é então esta: há mais autarcas a norte capazes de lutar por portos e ferrovias para exportação? Se sim devem juntar-se a Rui Moreira, não por ele ser o presidente da Câmara do Porto (o "Porto" maldito, centralista...) mas porque ele é, há pelo menos 20 anos, uma das pessoas que mais lutam contra o Estado central que investe nos sítios errados. Dê-se-lhe, por exemplo, o mérito de ter mantido na agenda a discussão sobre o tremendo erro do aeroporto da Ota durante vários anos. Não foi pouco.

O plano estratégico do Governo português para os fundos comunitários 2014-2020 só vai ser entregue talvez em abril. Seja pela Liga das Cidades do Norte, seja através da Comissão de Coordenação, seja, no limite, através do presidente da Câmara do Porto, é agora que o Norte deve dizer claramente onde quer ver os fundos aplicados e conseguir que a sua gestão seja descentralizada.

Bruxelas tem exigido uma condição, útil e certeira: que os autarcas percebam que acabou o tempo de "sacar" o dinheiro comunitário para as "obras de regime" porque hoje, ser autarca, é antes de mais ser capaz de criar polos de atração para fixar empresas que ajudem no combate ao maior problema: o desemprego. Se os novos homens do Norte tiverem grandeza para aceitar estas condições e conseguirem visão e união de objetivos, terão a razão (e o futuro) do seu lado. Se não for assim, a culpa não será de Lisboa. Têm dois meses para mostrar o que valem.

Nota de RoP:
Até prova em contrário, e por saber quão difícil é mobilizar pessoas em torno de uma causa, prefiro dar um pequeno passo, que não dar passo nenhum. Prefiro acreditar em quem ousa, do  que poluir os ouvidos com processos de intenção e com o bláblá dos regionalistas "convictos". 

Sei por experiência própria que quando chega a hora de agir os portugueses deixam a iniciativa para outros, e nem a uma simples petição são capazes de aderir, nem mesmo quando se trata do clube do coração, pelo qual muitos juram dar a vida (passe o exagero). Por isso, concordo absolutamente com a estratégia de Rui Moreira de "chorar" enquanto é tempo, do que fazer como o Rui Rio que nunca se atreveu a bater o pé com esta veemência ao poder central. Além de deixar os "boys" do PSD/PP e PS, sem vergonha na cara, confrontados com as suas próprias contradições político-partidárias.

Igualmente me incomoda aqueles que só aparecem para reclamar isto e aquilo, depois de alguém dar o tal 1º. passo. Foi paradigmática a reacção de alguns nortenhos com a constituição da Frente Atlântica aqui demonstrada.

Posto isto, e antes que alguém venha a terreiro rotular-me de "moreirista" ou coisa do género, quero acrescentar o seguinte: Rui Moreira sabe que nem sempre estou de acordo com as suas tendências políticas, mas tenho-o como um homem honesto e sou admirador de algumas iniciativas e decisões, entre as quais a defesa pela autonomia do Porto de Leixões, o modo cordato e aparentemente simples como se relaciona com os seus colaboradores (Manuel Pizarro) e com os autarcas de Gaia e de Matosinhos (ambos mal tratados pelo PS) e, noutro contexto, pela forma corajosa e digna como abandonou um execrável programa pseudo-desportivo de televisão (Trio de Ataque) que outros, ditos adeptos, nunca tiveram a coragem de imitar e com razões acrescidas para o fazer. 

Como tal, até prova em contrário, um bravo para Rui Moreira e um Tenham Vergonha para os meninos do PSD/PP e do PS. 

22 janeiro, 2014

Força Rui Moreira, é esse o caminho! Não vá em promessas, exija-lhes compromissos!


A concelhia do PSD Porto e 2 vereadores na autarquia exigem que o presidente da Câmara do Porto faça “um pedido de desculpas formal à cidade” pela “vergonha institucional” de ter faltado à verdade na questão dos fundos comunitários.



A Câmara do Porto aprovou na terça-feira uma moção afirmando que “a Comissão Europeia recusou assinar o Acordo de Parceria proposto pelo Estado português por considerar que este não acautelava os mecanismos de promoção de coesão territorial e de valorização das regiões de convergência, nomeadamente da região Norte”.

Em reacção, o secretário de Estado do Desenvolvimento Regional alertou para as “incorrecções objectivas” desta moção, enquanto a Comissão Europeia também desmentiu a autarquia, afirmando que qualquer sugestão de que as propostas de Portugal para o Acordo de Parceria foram recusadas resulta do desconhecimento da natureza do processo.

Esta quarta-feira, em comunicado enviado à agência Lusa assinado pelo presidente da concelhia do PSD Porto e por 2 dos 3 vereadores sociais-democratas na autarquia, Amorim Pereira e Ricardo Almeida, Rui Moreira é acusado de ter faltado à verdade.

“O PSD da Cidade do Porto e os vereadores subscritores deste documento exigem um pedido de desculpas formal à cidade por parte do presidente da Câmara do Porto, pela vergonha institucional que sujeitou a cidade quando através de posições públicas demagógicas, demonstraram a falta de preparação para falar a verdade”, referem.

Os subscritores “estranham” ainda esta posição de Rui Moreira “de enaltecer um regionalismo meramente provinciano”, recordando que em Dezembro o Secretário de Estado Castro Almeida reuniu, no Porto, com o presidente da Câmara “precisamente sobre a questão dos fundos comunitários”.

“A bem da verdade e da ética política exige-se um retratamento do presidente da Câmara do Porto”, pedem.

A Câmara do Porto reclamou na terça-feira participar activamente na concepção e negociação do próximo Quadro Comunitário de Apoio (QCA), aprovando uma moção em que manifesta também preocupação por “nada saber” sobre as suas prioridades.


A proposta foi apresentada em reunião privada do executivo pelo presidente da autarquia, Rui Moreira, sendo aprovada com 11 votos a favor e as abstenções de 2 dos 3 vereadores do PSD.

[do Porto24] 



20 janeiro, 2014

Fisco apanha Marques Mendes em venda ilegal de acções



O Fisco detetou vendas ilegais de ações da Isohidra feitas por Marques Mendes e Joaquim Coimbra, em 2010 e 2011, e que terão lesado o Estado em 773 mil euros. As ações foram vendidas por 51 mil euros, mas valiam 60 vezes mais: 3,09 milhões.

Fisco apanha Marques Mendes em venda ilegal de ações
Marques Mendes e Joaquim Coimbra









Estas contas são de uma ação inspetiva sobre a Isohidra - Sistemas de Energia Renovável, Lda. que a Autoridade Tributária (AT) concluiu há menos de dois meses. Em relatório final, a Direção de Finanças de Viseu impõe duas correções, em montante de 3,09 milhões de euros, à matéria coletável declarada pela Isohidra nos exercícios de 2010 e 2011. E avisa a empresa, sediada em Tondela, que terá de pagar imposto sobre aquele montante. A taxa de IRC, naqueles anos, era de 25%. 






Nota de RoP

Bom, cá temos o pequeno-grande estadista, esse visionário, vítima da sede de sangue dos "populistas" (como eu). 

Então, será lá possível em Portugal acontecer uma coisa destas? A um Conselheiro de Estado? Qual quê? Porventura pensam que qualquer badameco chega a conselheiro de Estado sem mais nem para quê? Não! Em Portugal a escolha para estes cargos fia fininho, é primorosamente fundamentada. É só gente de grande competência e carácter! Não é para qualquer Dias Loureiro!

Logo ele, coitado, que tão bons projectos tem para o país e tanta sabedoria coloca nas suas eruditas intervenções de tv! E agora? Como iremos nós passar sem aquele filósofo, aquelas irrequietas e falantes mãos, aqueles braços de eloquência, que se abrem e fecham, como verdadeiras páginas de enciclopédia...

E agora? Será que vai fazer companhia ao igualmente ilustre ex-Conselheiro de Estado, Duarte Lima? Ou será ilibado daqui a uns anitos de tão vil acusação? Oxalá, não tenha assassinado ninguém, senão ainda vai ter de ser "fechado" em casa preventivamente, para fingir que a Justiça é igual para todos. 

E o Marinho e Pinto é que era o mau da fita...E ainda há tantos coelhos destes para sair da toca.

19 janeiro, 2014

Sofrimento democrático




Os psicólogos lidam com frequência, nos vários campos e domínios institucionais em que trabalham, com o sofrimento psicológico e com a dor mental. Os técnicos de intervenção social, quando trabalham em certas áreas e franjas populacionais, lidam com a vitimação colectiva e o sofrimento social. Pois há ainda um outro sofrimento que anda agora a alevantar-se e a que vou chamar sofrimento democrático. É menos óbvio, é mais insidioso e só atinge quem interiorizou a democracia enquanto liberdade, responsabilidade, compromisso ético e atitude cidadã – o que não é nada que se adquira automaticamente nem vá lá com discursos de boas intensões.

A expressão pode ser equívoca. O sofrimento democrático, para um saudoso do salazarismo, é o mal-estar que vive desde 1974. Para mim, seria passar horas intermináveis na Assembleia da República a ter de escutar certos parlamentares. Se mandasse, encarregava uma empresa de recursos humanos de fazer uma selecção profissional competente, exigente e rigorosa – quantos dos atuais ficariam nas bancadas de S. Bento?

Sofrimento democrático foi também o que aconteceu a não poucos portuenses durante os últimos doze anos de gestão autárquica do Porto. Não me fez mossa a mim, mas fez à cidade – o que é um modo também de me fazer mal. Mas tocou-me sobretudo o que sofreu muita gente da que, por capricho de decisões no campo das políticas sociais, se viu obrigada a sair dos seus contextos de vida com o falso argumento de que se estava a resolver o problema dos “bairros das drogas”. Para quem duvidar, é só ir agora ver como já está resolvido… Num mundo a alta velocidade, dir-me-ão que isto já não é notícia. Pois não. Notícia é uma torre do Aleixo a ser implodida, são os gritos entusiasmados dos que vêem ao longe e os gemidos de dor de quem via de perto. Agora, o sofrimento democrático prossegue em silêncio. Porque aquela gente não se evaporou, continua a viver todos os dias, em muitos casos pior do que antes da inteligente solução que a câmara ofereceu ao seu bairro… Entretanto, Rui Rio deve andar já a preparar o próximo lugar de onde nos oferecerá mais sofrimento democrático.

Sofrimento democrático é ver um governo em que o vice-primeiro ministro recolheu 12% dos votos nas urnas – quer dizer, 88 em cada 100 dos que votaram não o escolheram a ele. Sofrimento democrático é estar quase a vê-lo ir-se embora ao som dum “irrevogável” e vê-lo depois reentrar com poderes reforçados. Sofrimento democrático é ver José Sócrates instalar-se em pezinhos de lã em Paris, fugindo assim à queda no abismo que ajudou a cavar, e ter agora de o ver trepar outra vez ao palco televisivo como se a sua opinião fosse fulcral para os nossos destinos. Até onde trepará ainda? Até onde treparão os que sucessivamente nos desgovernam? Tenho uma sugestão: já que subir é sempre para mais alto, por que não promovem Durão Barroso daqui a uns meses, quando largar o tacho europeu, a embaixador da UE na lua? Teríamos finalmente o primeiro português no espaço, última fronteira da diáspora lusa.

Quando, há uns tempos, o governo de Passos Coelho tomou posse, pareceu-me logo que o sofrimento democrático ia piorar. E quando se me tornou claro o que nos iria acontecer até ao final do mandato desinteressei-me de mais notícias: desliguei dos noticiários televisivos, desisti dos blogs de política, das colunas de opinião (menos da minha, claro), neutralizando deste modo a máquina de tortura. Porque as notícias da política governamental e do seguidismo da maioria parlamentar que diz ámen são o contrário do que devia ser um organismo que governa: tiram-nos o que ganhamos, tiram-nos o que não ganhamos (no caso dos reformados), tiram-nos a esperança, tiram-nos a vontade. E fazem-no em tom de ameaça, como quem governa um bando de gente miúda.

Mas pior ainda do que tudo isto é a pressa com que se afadigam a mudar os fundamentos do regime, porque simplesmente não gostam da ideia de Estado Social e gostam da ideia de Estado neoliberal. São gostos, eu sei. Mas não foram legitimados nas urnas, assemelhando-se assim a abuso do poder. O sofrimento democrático é isto: esta dor de alma de ver uns quantos a achar-se no direito de decidir o destino de todos à revelia destes. Não é isto ainda uma ditadura, porque apesar de tudo estas são piores, porque já neutralizaram os mecanismos autocorretivos dos sistemas político e social, porque interrompem a ideia, cortam a palavra, perseguem e maltratam. Não, não é ainda uma ditadura – mas é uma espécie de pós-democracia. E a pós-democracia, a mim e com certeza a muita e muita gente, enche-me de sofrimento democrático.

(Porto24)

Links (Grande Porto)

Porto de Leixões movimentou 17,2 milhões de toneladas em 2013

Frente Atlântica acusa Governo de “erro de cálculo” no IMI que ameaça contas municipais

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