18 outubro, 2015

Yanis Varoufaquis versus coligação PS/CDU/BE


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"Há um debate no interior do PS sobre se deve haver uma aliança com partidos de esquerda que estão a rejeitar as regras do jogo, e alguns deputados estão preparados para que isso aconteça, desde que haja um acordo de que o governo português jogue pelas regras do Eurogrupo. Isto é um problema. Porque são compromissos que não se podem cumprir".

Yanis Varoufakis
(Ex-Ministro grego das Finanças)


Ou muito me engano, ou Varoufakis vai ser o homem a abater pelos economistas do capitalismo selvagem de todo o mundo. Despir, com tanta lucidez e coragem, o manto cínico de uma política económica  injusta como é a do Eurogrupo, poderá custar-lhe caro. Quero acreditar que a consciência dos cidadãos se fortaleça com as suas declarações, nomeadamente aquelas pessoas que o aplaudiram de pé no auditório da Universidade de Coimbra. 

Por cá, as direitas assumidas e tímidas, deixaram cair a débil máscara democrática para começarem a disparar em tudo que não diga ámen com a prole. Até no programa "Eixo do Mal", a Clara Ferreira Alves, mulher inteligente e amiga confessa de Mário Soares, tomou as dores da direita, depois de ter passado o tempo a malhar no governo de Passos Coelho. Já Pedro Marques Lopes, que nunca escondeu os seus gostos conservadores, foi o único que assumiu uma posição democrática, apesar de não acreditar na estabilidade da coligação PS/CDU/BE. Daniel Oliveira, esse, não se escandalizou com a aliança de esquerda, o que para quem militou no Bloco de Esquerda, é perfeitamente normal.

Pedro Marques Lopes, disse e bem, que as pessoas não votam em governos, votam em partidos para as representar no Parlamento. Só depois é que se fazem as contas dos votos para saber qual, ou quais, desses partidos, terão condições para formar um governo minimamente constante . Para mim, não é uma surpresa ver outra vez cair a cara falsa da democracia da direita. É só uma questão de tempo. Habituados que estavam às maiorias PSD (social democracia direitista) e PS (social democracia de esquerda), há políticos de ambos o quadrantes, incluindo do CDS, que parecem ter-se esquecido que a Constituição também faculta aos partidos de esquerda a possibilidade de se coligarem e formarem governo. Não é portanto compreensível o histerismo logo gerado à volta do assunto com a "preciosa" e anti-democrática colaboração da comunicação dita social...  

Naturalmente, conhecendo nós o estado calamitoso em que está a Europa e o próprio Mundo, é extremamente difícil prognosticar o futuro. O próprio ex-ministro das Finanças Varoufaquis sentiu na pele essa experiência, e sabe o que diz. Contudo, apesar de Varoufaquis aconselhar o PS português a não se comprometer com as regras da Zona Euro "por as achar impossíveis de cumprir", as dificuldades que a anunciada coligação de esquerda vai encontrar serão as mesmas que a coligação PàF, mas nenhuma pode garantir-nos certezas. Isto, já para não falar dos sucessivos fracassos no défice e incumprimentos eleitorais (o mais importante) do governo Passos Coelho/Portas.    

Quanto às teorias anti-comunistas e os medos pela sua tradicional rigidez política, (incluindo do Bloco de Esquerda) e que parecem renascidos das cinzas pelos amigos da conjuntura actual, são tudo, menos casuais, e não fazem nenhum sentido. Se qualquer dos três partidos de esquerda não cooperar nesse tratado comum de entendimento (que deverá ser cuidadosamente escrito), estará a comprometer o seu futuro. Nem vejo qualquer sentido estratégico, se por detrás da proposta colaboracionista do PCP e do BE pairar camuflada a intenção de esmagar o PS. Custa-me aceitar que qualquer destes partidos se tenha metido numa empreitada desta responsabilidade sem perceber que o momento não é para brincar à baixa política. O momento é de convergência e de pragmatismo. Tem de ficar claro em que pontos específicos assentam essa cooperação, e durante que período. Todos, devem saber o que os espera. Todos devem saber ao que vão, e o que os aguarda. O mínimo que deles esperam os eleitores (até eu, que não votei), é que, por uma vez, saibam provar-lhes que têm noção do que é o verdadeiro sentido de Estado. Vai ser uma dura tarefa, atrevo-me a dizer, quase impossível. Não tanto por desacreditar na seriedade dos protagonistas, mas porque o terreno está minado a montante, na União Europeia.

Varoufaquis já deu o mote. Aconselhou o futuro governo "a não se comprometer com regras que são fundamentalmente irracionais" . Disse, aos amigos do PS para defenderem um processo de renegociação das regras sensato, democrático e racional".

Cá para mim, ele é capaz de estar a dizer coisas acertadas. Talvez bem mais versadas que as constantes aldrabices de Passos Coelho e Portas.

16 outubro, 2015

Dedicado aos portistas da blogosfera


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Caros amigos portistas,

Cansado de ler os vossos comentários [justíssimos] na blogosfera, contra a comunicação social portuguesa, trauliteira e mafiosa, sem nada poder fazer para vos ajudar, gostava, mesmo assim, de vos dar algumas sugestões. Sei que vocês têm muita razão de queixa pela forma letárgica, quase submissa, como nos últimos anos a Directoria e o próprio Presidente do nosso clube têm reagido às provocações que os moços de recados do regime continuam a fazer ao nosso clube. E têm razão acrescida, quando lembramos que num passado ainda recente, Pinto da Costa nunca deixava este tipo de provocações sem resposta. É verdade. Só que o tempo passa, a idade e a saúde começam a fazer sentir-se e Pinto da Costa tem todo o direito e mesmo o dever de se distanciar um pouco dessas picardias. 

Nada impede porém que, continuando ao leme do FCPorto, não possa delegar em alguém da sua confiança e com perfil para tal, a tarefa de bloquear este tipo de pelejas. Assim, indiferente, é que não pode continuar. Tenho a certeza, que se nada se fizer, esta gente execrável vai continuar a provocar-nos, a usar a nossa imagem para nos chacotear, como é disso "bom" exemplo o recente anúncio do FCPorto - Maccabi Tel-Aviv FC, promovido pela "querida" RTP com imagens de jogadores do Benfica... Isto, é tudo, menos respeitável. Não há argumento, por mais refinada que seja a imaginação, que justifique um anúncio desta natureza. E vocês, amigos, gostaram? Eu, também não. E a SAD portista, o que terá a dizer sobre isto? Encolhe os ombros? Estará disposta a promover o clube rival com um anúncio que só ao FCPorto diz respeito? Seria o cúmulo da parvoíce!

Outra coisa que os sócios podiam fazer, porque têm esse direito, era passar a questionar a Administração portista sobre o andamento do Porto Canal, porque ao contrário do que todos esperávamos, e exceptuando a transmissão dos jogos das modalidades, a programação é uma miséria. Sintonizar o Porto Canal é quase um acto de masoquismo. Receio bem que, os poucos programas de qualidade, como é o caso de "Os caminhos da História", do Joel Cleto, acabem por prejudicar o trabalho dos seus autores, e se transfiram um destes dias para um qualquer canal de Lisboa. Além disso, dá uma péssima imagem do nosso clube. Não há qualquer reciprocidade entre a qualidade do clube e do canal.

Entretanto, e enquanto nada disto mudar, os adeptos, as claques, por exemplo, podiam contribuir de outra maneira para combater estas provocações. O humor, é muitas vezes uma "arma" letal. Cartazes com frases contundentes, irónicas, deviam ser sempre exibidas quando haja motivos para tal (não faltam). E os super-dragões podiam fazê-lo em grandes tarjas, bem colocadas, de modo a que todos vejam, sobretudo as câmaras de tv... Bem sei, que o Porto Canal  também podia (e devia) contribuir para apoiar o clube, de outra  maneira claro, com programas diferentes da porcaria que se faz nos outros canais, mas está visto que não há lá gente, com imaginação e vontade para isso. Júlio Magalhães, não é homem de causas, nem de ideias, está visto. 

O que me parece que devíamos evitar, era a rendição, o conformismo que, decerto modo, a direcção do FCPorto está a transferir para os próprios adeptos.

Ser Porto, acho eu,  não é isso.

15 outubro, 2015

Rui Rio o eterno senhor Nim



Quem estiver interessado em ler o artigo de opinião de Rui Rio, publicado no Jornal de Notícias de hoje (cada vez mais lisbonário), poderá lê-lo na íntegra, aqui. A parte que a mim me interessa destacar [o resto do artigo, são desculpas próprias de quem não tem convicções], é o último ponto, o número 4 :
Num país profundamente centralizado como Portugal, lançar uma candidatura presidencial vencedora e nacionalmente reconhecida a partir de uma cidade que não a capital do país, é uma tarefa muito próxima do impossível. Apesar disso, um conjunto de pessoas independentes e pessoalmente desinteressadas, que apenas têm em mente o interesse público no quadro das suas convicções pessoais, conseguiram lançar nos últimos três meses as bases fundamentais para que o arranque pudesse ser possível do ponto de vista logístico e operacional. A todos eles devo uma sincera palavra de gratidão, de profundo respeito e de admiração por cidadãos que são verdadeiramente exemplares do seu ponto de vista cívico.
Só que, a par destes fatores indispensáveis (e bem raros na política portuguesa), há o elemento político que temos de equacionar. E, esse, tenho a obrigação de o deixar aqui bem explícito perante os portugueses.
Como disse em 2 de setembro, não tinha nem tenho qualquer dúvida que, do ponto de vista tático, devia ter lançado a minha candidatura nessa altura. Só que, como também então o disse, os seus pressupostos não acomodavam condicionantes exclusivamente táticas; acomodavam, como referi, um projeto para o país. E a exequibilidade desse projeto, pelas diversas circunstâncias da vida política nacional, apenas poderiam ficar claras após as eleições de 4 de outubro.
Foi por essa clarificação que esperei e é ela que me permite ter hoje uma leitura política final e uma decisão de não candidatura sustentada e coerente.

Foi este mesmo homem, este Rui Rio, não outro, que para agradar ao tal centralismo de que agora se lamenta, entrou a matar, assim que chegou ao Porto, qual Tarzan agarrado a cipó, não hesitando em desconsiderar a grande maioria dos portuenses, hostilizando frontalmente o maior clube da cidade e o mais representativo e prestigiado do país, o FCPorto. 
Uma frontalidade de coragem duvidosa, pois nunca o vimos incomodado com as poucas vergonhas e as perigosas promiscuidades entre a Câmara de Lisboa e o Benfica. Nunca o vimos proferir uma palavra de repúdio pelas figuras miseráveis, abjectas mesmo, que colegas do seu partido, como Rui Gomes da Silva, e tantos outros, fizeram e continuam a fazer, nas televisões públicas e privadas deste país. Rui Rio, é de compreensão lenta quando as prosmiscuidades sopram do sul... Precisa de tempo, de muito tempo mesmo, para perceber o que se passa na capital... Foi por isso, que antes de sair da Câmara do Porto disse, com a demagogia que o define, que ainda não estava convencido dos benefícios da Regionalização. Mas, finalmente, percebeu, agora, que os amigos dos partido lhe viraram as costas. Terá esta facadinha chegado para o convencer?  
É muito bem feito, Rui Rio! Vais morrer, do mesmo veneno com que ousaste afrontar os portuenses e quiseste engraxar os teus amigos da sempre traiçoeira capital. 
Termino dedicando-te esta singela expressão:


"Quando a verdade dói, a importância das coisas surge, e instala-se a certeza". 

13 outubro, 2015

O medo da direita com a hipótese de uma coligação da esquerda

Esta nunca será uma coligação de estabilidade
Um pouco contra a maré de alarmismo que paira nos media, considero a actual situação política bem mais interessante que a ociosidade dos resultados eleitorais a que assistimos nos últimos anos. Interessante, não pelo lado espectacular que à comunicação social sempre interessa dar, mas antes pela implícita submissão dos partidos de esquerda a um escrutínio de maturidade democrática difícil de gerir e que pode até determinar a sua própria sobrevivência. Para já, repito, para já, felicito toda a esquerda pela inteligência da iniciativa. Depois, veremos.

Mais do que nos preocuparmos com o que poderá acontecer, caso se concretize o acordo de entendimento entre  PS,  PCP e  BE, devíamos meditar nas contradições de quem teme essa eventual união. Eu, que me tenho abstido, e que para alguns, pertenço ao grupo dos eleitores "preguiçosos", e que não ando a apregoar o voto obrigatório a ninguém, até estou entusiasmado com essa possibilidade. Há riscos? Decerto haverá. Mas desde quando votamos sem arriscar? Suspendi o meu direito a votar, precisamente porque me cansei de arriscar, pelo que decidi a mim mesmo ser mais exigente.

Sim, porque ideologias e antagonismos políticos à parte, talvez este seja o momento ideal da história recente portuguesa, para os partidos políticos provarem ao país que o sentido de Estado existe e não é apenas simples retórica. É tempo da esquerda, à esquerda do PS mostrar que pode ser mais que oposição. Espanta-me pois, que sejam fervorosos adeptos do voto e os políticos profissionais a recear a eventualidade de uma coligação de esquerda, e que haja abstencionistas (por imperativo de consciência), como é o meu caso, a não se oporem a ela...

Além de mais, que raio de segurança podem ter os portugueses com uma coligação que fez do acto de governar uma miserável campanha de austeridade, deixando os seus principais responsáveis protegidos? Que garantias podemos esperar? O fim próximo da pobreza? Que o desemprego irá descer? Que a emigração terminou? Que as medidas para gerar emprego comportam condições de trabalho sérias?

Como é bom de entender, as questões que aqui coloco não aceitam como respostas válidas as que Passos Coelho & Ca costumam dar, simplesmente porque são respostas falsas. Haverá maior aventureirismo para os cidadãos que continuar a dar o benefício da dúvida a quem já provou não o merecer? Então, por que é que esta garotada que ocupou - através de um sistema de democracia vulnerável -, lugares para governantes, se acha no direito de duvidar das capacidades de uma coligação de esquerda, quando só prejudicaram o país? Por que insistem os amigos da direita em inventar competências quando olhámos para o país e só vemos desmazelo e pobreza?

Vou repetir-me, mas é propositado: sendo céptico, por força de muitos anos de intrujice política, não arrisco mais o meu voto sem receber garantias. E repare-se bem no que está a acontecer, e na minha opinião, bem: nas negociações que os três partidos de esquerda estão a encetar, serão lavrados contratos de compromissos comuns. Podem não resultar, mas é um bom princípio.

Então, porque não podemos nós, cidadãos, exigir condições similares quando queremos votar?

08 outubro, 2015

O circo político vai começar, ou haverá juizo?

Os resultados das eleições não foram brilhantes para os partidos com tradição governativa. A coligação PSD/CDS já anda a cantar de galo como se tivesse obtido uma maioria. Confesso que, tendo-me tornado um abstencionista militante por imperativo de consciência, quero ver até que ponto a esquerda saberá, ou não,  explorar a almofada de conforto que a maioria conjunta dos 40,65% de votos conseguidos entre PS (32,38%) e PCP (8,27%), lhes permitirá apertar o governo e deixar Cavaco a fazer contas de cabeça. 

Não alinho pela conversa catastrofista dos que já andam preocupados com a hipótese de os dois partidos de esquerda se coligarem para derrubar o governo, e eventualmente ganharem novas eleições. E não alinho, justamente pelas mesmas razões que apontei no post anterior, porque não gosto de ser aldrabado nem de verdades impostas a martelo pelos que menos legitimidade têm para as impôr. Este, como o governo anterior, já deram provas ao país do que valem, nunca foram capazes de o governar satisfatoriamente. Bem pelo contrário, limitaram-se a sacrificar o povo obrigando-o a pagar dívidas que nunca soube como, quando, onde e com quem as contraiu.

A globalização e a crise económico/financeira tiveram o "dom" de fazer esquecer o povo que a Banca Nacional e Internacional e os países têm a governá-los pessoas, gestores pagos a peso de ouro para controlarem as oscilações dos mercados. Logo, são esses e apenas esses, que devem responder pela crise, não as populações que nunca foram tidas nem achadas para lidar com mercados monetários ou dívidas públicas, nem foram pagas para tal. 

Portanto, isto de pagarmos uma crise, com a qual nunca tivemos a menor noção de cumplicidade, são reles abusos de vários poderes políticos e económicos, internos e externos. Os supostos financiamentos para pagar dívida, são a trapaça do século. Quem quiser dar-lhe crédito político que lhe dê, eu ainda não vi qualquer sentido para tão macabra e abusiva colecta. De mais a mais, quando as instituições da finança mundiais têm pessoas com nome próprio a dirigí-las, e não uma abstractacção chamada  crise. A crise, não é mais que o resultado de uma situação muito  mal gerida, não uma calamidade natural. A crise,  não é uma entidade, nem pessoa colectiva, é a consequência de incompetências conjuntas de banqueiros e Chefes de Governo.

Voltando atrás, à hipótese de um eventual, mas improvável acordo político, entre PS e PCP, resta-nos saber em que pé ficarão as negociações (se as houver) com o Bloco de Esquerda. É que a percentagem de 10,22% corresponde 549.838 de eleitores somada aos 40,65% do PS e PCP, perfazem a bonita taxa de 50,87%, Como irá o PS lidar com este labirinto político-partidário, com as contradições ideológicas que o separam do PC e do BE? 

Terão os políticos dos partidos à esquerda do PSD coragem e sentido de Estado para se unirem e provarem aos respectivos eleitores que o país está em primeiro lugar? Antes dos caprichinhos interesseiros dos aparelhos?

Provem-nos que vale a pena acreditar nessa hipótese. 

07 outubro, 2015

Eu, abstencionista prevenido me confesso


Para as últimas gerações de políticos em Portugal - ou talvez para todas -, a última coisa que querem, é que os eleitores exijam responsabilidades severas pelas promessas feitas em campanha. Não será por acaso que durante toda a campanha eleitoral não se ouviu uma palavra sobre o assunto. E também já não espanta que nenhum jornalista se tenha lembrado de lhes colocar questão tão embaraçosa. Eles não estão para ultrapassar aquela linha limite de liberdade balizada no politicamente correcto e trocá-la pela liberdade absoluta de indagar aquilo que é realmente importante. Assim, tudo é mais simples. Mais uma vez se procura conservar a ideia que a "democracia" e as linhas que a regem em matéria de garantias são intocáveis, e ponto. Preferem habituar os cidadãos a encarar as eleições como uma espécie de jogo lúdico, fortuito, uma espécie de lotaria em que os políticos fazem o papel de números, do que correr o risco de lhes facultar o direito à fiabilidade na hora de votar. E tem de facto sido nestas precárias condições que  os eleitores se sujeitam a votar, sem nenhumas garantias.

Naturalmente que, para os interessados, é muito mais confortável terminar as campanhas eleitorais prometendo, ou então não prometendo nada, que apresentar garantias sérias de compromisso. Eu creio que os cidadãos eleitores ainda não perceberam que é essa a principal causa das péssimas prestações dos sucessivos governos pós 25 de Abril de 1974, e que explica também o sempre crescente abstencionismo. É também a nossa pouca exigência cívica que explica o falatório depreciativo contra os abstencionistas. É que, os abstencionistas assumidos (não confundir com negligentes), não dão votos, o tal papelinho precioso que, em vez de lhes facultar estabilidade social e económica, garante emprego e mordomias, aos carreiristas da política. Não se iludam, porque o que os políticos mais receiam não é a degradação da democracia, é a perda do cómodo caminho que escolheram para governar as suas vidas, porque governar a vida do povo nunca os comoveu. 

Há outro grande inconveniente nesse laxismo da classe política, que é continuarem a perder credibilidade enquanto classe. Pessoalmente, embora a eles me refira sempre de forma genérica, custa-me a acreditar que sejam todos uns malandros irresponsáveis, mas o facto de não se decidirem a purgar os respectivos partidos das suas "ervas daninhas", a par das más prestações governativas, faz com que, numa avaliação sintética, a má reputação se estenda a toda a classe, e se desvalorizem aqueles que individualmente deram o seu melhor. Surpreende-me que os partidos mantenham dentro dos seus quadros pessoas que só os envergonham, como é o caso, por exemplo, de Rui Gomes da Silva, e muitos outros, cujos líderes se recusam a assumir, face aos mesmos, uma postura crítica, quanto mais não seja perante os eleitores e perante a própria classe. Pelo contrário, calam-se como se o silêncio fosse a receita indicada para prevenir comportamentos similares no futuro. Não só não o fazem, como permitem que essas "ervas daninhas" se mantenham no activo, a conspurcar a classe  e a adensar a indignação da opinião pública.

Por ser recorrente a falta de auto-crítica nos partidos, e pela incapacidade de compreenderem as causas reais do abstencionismo, é improvável que a credibilidade político-partidária se robusteça nos próximos tempos. Quarenta e três por cento de desistentes votantes, não é o mesmo que 43% de eleitores sem vontade de votar. Salvo casos pontuais, pode até significar ser essa a fatia de eleitores mais conscientes. Deitar sobre as suas costas a responsabilidade pelos maus governos, é o mesmo que acusar a testemunha de um crime que outros cometeram de ser o seu autor, quando foram os votos dos eleitores que premiram o "gatilho" chamado voto.

A única maneira do eleitor se desvincular da acção negativa de futuros maus governantes, é simples: exigir garantias idóneas. E a única forma de um cidadão evitar cumplicidades convencionais com maus políticos e maus governantes, é a segurança que só o não voto permite.  O voto em branco, além de susceptível a manipulações (não há fraudes impossíveis), hoje em dia é pouco mais que ridículo.

De resto, a realidade dos resultados fala por si:  

  • Abstenções:          43% 
  • Votos em branco:   2,09%


06 outubro, 2015

Ou, para quem olha para (est)a democracia como para o Pai Natal


PARA QUEM AINDA NÃO PERCEBEU NO QUE ESTÁ METIDO

Há uma parte da oposição a este Governo e à coligação que ainda não percebeu no que está metida. Nessa parte avulta o PS, que acha que isto é um filme para 6 anos, ou, vá lá, 12 e está num filme para adultos, ou como se dizia antes, "para adultos com sérias reservas". Não, não é o Bambi, é o Exorcista ou o Saw

Tenho um bom lugar de observação da linha da frente no combate político com a actual "situação". Sei disso porque há muito tempo que conheço o vale-tudo, de artigos caluniosos a comentários encomendados em massa, até ao célebre cartaz anónimo, que não se sabe quem fez, nem quem pagou. Mas a mensagem é clara: não o ouçam porque é um radical violento. Tenho um processo instaurado pela "massa falida da Tecnoforma". Não digo "tenho sido vítima", porque não sou vítima coisa nenhuma, estou onde quero e faço o que entendo dever fazer. Se chovem paus e pedras, são para mim como elogios. 

Mas vejo as coisas porque percebo do que, do lado da coligação, se é capaz de fazer quando se lhes toca nos interesses vitais, e estas eleições tocam em demasiadas coisas vitais para não serem travadas com todas as armas, e algumas são bem feias de se ver. Agressivos de um lado, frouxos do outro. 

E vejo os exércitos juntarem-se, com armas e bagagens, muito ódio social, porque é um combate social e político que se vai travar e o ódio mobiliza as hostes, e muita agressividade. Do outro lado, salamaleques, um medo pânico de falar de "mudança", a quase total ausência de críticas ao Governo, o emaranhar-se em explicações e desculpas. Sempre na defensiva, sempre ao lado, sempre a perder. 

Uma parte da oposição prefere objectivamente que tudo continue na mesma para manter o bastião da identidade, outra passa o tempo em actividades burocráticas e escolásticas, para o interior das suas contínuas divisões, enquanto o "maior partido da oposição" se entretém a mendigar "confiança" certamente porque não consegue lidar com os rabos de palha que vieram de 2011. 

O caso do PS é parecido com aqueles generais franceses de luvas de pelica a almoçarfoie gras e champanhe, bem longe da frente, num castelo qualquer, com todo o tempo do mundo, enquanto os seus poilus morriam que nem tordos, ou fugiam para a retaguarda misturando-se com os civis, dependendo de que guerra se tratava. O modo como está o PS é devastador para toda a oposição, afecta as candidaturas presidenciais, permite o ascenso de candidaturas patrocinadas no seio do PS pela coligação, tem o duplo efeito de esmorecer e radicalizar, ambos processos de isolamento que abrem caminho para a assertividade e o espírito ofensivo da coligação. 

A propaganda da coligação, assente num castelo de cartas que ruirá ao mais pequeno vento, como aliás o ex-amigo próximo, o FMI, diz, não é desmontada com clareza e frontalidade, porque os compromissos nacionais e europeus do PS são demasiados.


Por seu lado, os portugueses que sofreram, sofrem e sofrerão a crise estão cada vez mais invisíveis. Não desapareceram, o seu sofrimento social aumenta com a passagem do tempo, mas não conseguem ultrapassar o ecrã do "sucesso" que 10 mil ministros e secretários de Estado fazem todos os dias. Num dia são as mulheres, noutro dia são as crianças, no terceiro dia são os velhinhos. É só caridade e bondade a rodos. Com a cumplicidade acrítica de muitos que na comunicação social andaram a louvar as virtudes do "ajustamento" e por isso selam o seu destino também com o destino da coligação. O PS, por sua vez, como andou estes anos todos a fugir da contestação social, continua a preferir os salões. 

(JPP/Sàbado)

Nota de RoP:
para os "coisas", comummente conhecidos por anónimos, replico esta frase do autor do artigo, na esperança de o fazer corar de burrice: 

"A maioria muito expressiva dos portugueses que recusam este Governo, um dado sempre constante nas sondagens, não encontra no sistema político uma resposta. E, mesmo que existissem novos partidos que dessem corpo a esse descontentamento, a maioria dos partidos representados no parlamento, não quer competição e encarrega-se de os calar na comunicação social, com a colaboração da comunicação social." 

02 outubro, 2015

Nem o Porto Canal quer saber da Regionalização

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Arq.Avelino Oliveira

Não faço suspense, a palavra a que me refiro é REGIONALIZAÇÃO. Como já estão divulgados os programas eleitorais dos principais concorrentes à governação, o do PS e o da coligação de direita, importa analisar, como sempre se faz aqui no Porto, a temática da regionalização. Devemos ler, linha por linha, o que ali se escreve, para melhor perceber as intenções. E numa coisa os dois programas são idênticos, a palavra REGIONALIZAÇÃO não aparece nenhuma vez. Na minha opinião, por razões bem diferentes, no caso do PS por pudor e para evitar divisões e no caso da coligação por profunda opção ideológica.
Ambos preferem utilizar o termo DESCENTRALIZAÇÃO. O PS usa-a 10 vezes, mas fá-lo essencialmente num subcapítulo chamado “DESCENTRALIZAÇÃO, BASE DA REFORMA DO ESTADO”, onde apresenta algumas propostas interessantes (embora discutíveis), como são as Áreas Metropolitanas eleitas por sufrágio universal, as CIM com mais competências, a reorganização dos serviços desconcentrados com alargamento da rede de proximidade através dos municípios e ainda a possibilidade de reversão da fusão de freguesias feita recentemente. A medida mais polémica é a proposta para que as CCDR’s sejam eleitas de modo indireto. Diz o texto que será votado o “respetivo órgão executivo por um colégio eleitoral formado pelos membros das câmaras e das assembleias municipais (incluindo os presidentes de junta de freguesia)”. Ou seja, a ideia de um governo regional com legitimidade dada pelo voto e por um programa político próprio desaparece, sendo substituída por esta reforma suave, que nem é carne nem é peixe, mas que me faz acreditar que poderá resultar em qualquer coisa. Pode ser apenas “wishful thinking”, como dizem os ingleses, mas, se o presidente regional for eleito com base num universo composto por todas as assembleias municipais, acho que vamos assistir a uma mudança significativa quando comparado com o que se passa atualmente.
No programa da coligação de direita, apesar das 12 referências à palavra descentralização, é difícil perceber o que querem dizer com isso. Desde logo pelo título do subcapítulo “APROFUNDAR O PROCESSO DE DESCENTRALIZAÇÃO”, que começa por nos tentar convencer que a dita já se iniciou neste mandato. Se o assunto não fosse sério até poderia dar vontade de rir, mas os exemplos dados são tão maus, tão maus, que retiram o bom humor a quem quer que seja. O texto fala da descentralização na área dos transportes (cujo processo é, como todos sabem, caótico) e continua sublinhando os projetos-piloto de descentralização municipal na educação, saúde e segurança social, o que ainda é pior, pois nem sequer os municípios da cor política do governo aderiram com afinco a tais iniciativas. Sobre novas propostas em termos de descentralização importa dizer que este programa da coligação é um “flop” total, tentando disfarçar com o programa Capacitar ideias tão pouco eficazes, e tão recorrentes, como são o “Erasmus autarquias” ou o “balcão único”. Conhecendo nós tantos sociais-democratas (e até um ou outro democrata-cristão) com pensamento consolidado nestes temas da reforma do Estado, ficamos com a convicção profunda de que este capítulo seguramente os embaraça.
A verdade é que tanto o PS como a coligação PSD/CDS fugiram da palavra REGIONALIZAÇÃO. Na minha opinião o PS não necessitava de o fazer, para não dizer que não devia fazê-lo, nomeadamente porque se se trocasse uma palavra por outra as propostas continuavam a fazer (algum) sentido.
Mas a ausência da palavra transformou a REGIONALIZAÇÃO num não-tema, num debate a evitar. E isso não pode ser. Haja coragem! Haja Porto!
(Porto24)

01 outubro, 2015

Do Chelsea para o Belenenses, o que irá mudar?


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Como é facilmente perceptível, tenho andado um tanto arredio da política e das campanhas eleitorais. Contrariamente àquilo que seriam as minhas prioridades naturais, enquanto cidadão, coloquei a luta pelos tachos nos partidos e no poder - a que alguns ingénuos chamam política -, num plano secundário. Para mim, a política é uma coisa demasiado séria que só deve ser encarada com seriedade se confiarmos nos políticos. Como deixei de acreditar neles já há alguns anos e não tenho motivos (até ver) para alterar essa posição, prefiro falar de futebol, não obstante a bandalheira que também o envolve, nomeadamente nos órgãos federativos e da Liga. 

É o que faz a contaminação negativa dos exemplos que nos chegam de quem tinha a obrigação de os dar pela positiva. Por isso (agora canto eu, menino Passos), que se lixem as eleições e os partidos! Até os pc's, os blocos e os marinhos não querem perceber o que se passa... Sim, porque esses, passados tantos anos, ainda não entenderam que o que falta a potenciais eleitores abstencionistas como eu, mais do que apresentar bons planos de governo, é a garantia da sua credibilidade. Votaria sim, no primeiro partido que percebesse isso, e que se comprometesse política, jurídica e pessoalmente (os partidos são agremiações de pessoas) com os eleitores. A palavra hoje não chega. Os bancos não financiam ninguém apenas com promessas e compromissos de palavra como garantia, e contudo, ainda há gente mais honesta que os bancos. Só que, os políticos não são honestos. Se acham que são, que o provem. Ponto final.

Falemos pois de futebol. Domingo o FCPorto joga em casa para o Campeonato com o Belenenses. No subconsciente dos portistas (de todos, diria sem risco de me enganar) paira ainda a expectativa de saber se é desta que a equipa de Julen Lopetegui vai arrancar solidamente para uma época de glórias e bom futebol. O jogo e a exibição com o Chelsea provaram outra vez que a bipolaridade da equipa está directamente ligada com as competições que disputa. Para consumo interno, a grande equipa que vimos jogar contra o Chelsea, encolhe-se e enfrenta os clubes pequenos como uma pequena equipa. Não ataca em profundidade, não pressiona nem cria dinâmicas. É uma pasmaceira. Para a Champions, veste (e bem) o fato de macaco, percebe que, para ganhar, tem de ir para a frente, tem de estar concentrada, acelerar à procura dos golos porque o relógio não perdoa. 

Ora, conhecendo o treinador do FCP a forma ultra-defensiva como os adversários jogam no nosso campeonato, será que ensaia nos treinos jogos (meínhos) com essas características? Dará ele instruções uma das equipas, depois de dividir o plantel, para jogar completamente fechada esperando erros do adversário, e explica à outra que ataca as dinâmicas ofensivas para ultrapassar o ferrolho? Se assim faz, não parece. Se não o faz, está errado.

É que, não há como contornar este dilema. Ou Lopetegui prova aos adeptos que percebeu finalmente o que se tem estado a passar (e isto já vem da época passada), determina dentro de portas instruções claras aos seus pupilos o que quer que eles façam - e também do que não quer -, e é assertivo a sentar no banco os que eventualmente não cumpram as suas ordens, ou insiste neste futebol lateralizado, lento e sem profundidade que tantos sustos nos tem pregado, e a ele próprio também. Tem de insistir em certos parâmetros comportamentais como quem instala um chip.

Mentalizar a equipa a procurar o segundo golo com a mesma intensidade que buscou o primeiro, convencê-los que um golo de diferença só serve para dinamizar o segundo, e não para o guardar como se fosse uma jóia adquirida. Está provadíssimo que sempre que o FCPorto segue essa regra, de defender o golinho com passes tímidos para trás e para o lado, roçando muitas vezes os pés dos adversários, o "ladrão" moraliza-se e acaba por marcar. 

Há que acreditar no talento dos nossos jogadores, porque eles têm-no, mas para isso, é imperativo criar rotinas de jogo com melhor proveito do tempo, ou seja, jogar com mais velocidade. Porque para consumo nacional ainda pode remediar (e nem sempre isso acontece), para consumo externo é uma pedra basilar. Basta recordar o fatídico jogo em Munique com o Bayern, onde a velocidade dos germânicos foi a chave mestra que construiu resultado tão volumoso (6-1).

Estaremos nós disponíveis para correr os mesmos riscos sem nos prepararmos já, para os enfrentar? 



29 setembro, 2015

Que hoje seja a aurora de uma temporada épica!

É preciso acreditar, temos de ser optimistas, hoje e sempre, mesmo que os dados dos últimos jogos nos deixem apreensivos.

Tenho a minha própria maneira de ser e reagir como adepto do FCPorto, e não escondo que neste momento, quando faltam menos de três horas para o jogo com o Chelsea, não sei como conciliar o lado muito afectivo de portista, com o frio racional de mero observador. Por vezes, o orgulho de portista parece sobrepor-se  ao de tripeiro, mas nunca me impediu de ter sido simultaneamente sócio do FCPorto, do Boavista e do Estrela e Vigorosa Sport. Para mim, tudo que se relacione com a minha cidade é respeitável, apesar das simpatias de portuenses de outros clubes da cidade se estenderem para latitudes distantes e muito pouco nortenhas...  

Como ia dizendo, ultimamente, a componente emocional do meu portismo,  não tem sido alimentada com a dieta a que estava habituado, que eram as victórias dentro (e quando necessário) fora do campo. Nos últimos tempos, vejo o meu FCPorto e o seu grande presidente, mais empenhados em evocar o passado que a intervir no presente para consolidar o futuro.  Noto um  excessivo discurso passadista e de saudade, que espero não ter qualquer vínculo com a perda de ambição. Há mais museu e menos futebol. Estávamos habituados a ouvir o Presidente, não só a falar com oportunidade, como a preparar activamente o futuro. Compreende-se, pela idade e pelos problemas de saúde que o têm acometido que  já não tenha o mesmo ritmo, não se compreende que não o queira reconhecer, e agir em conformidade. 

Mas se o lado emocional vive um jejum um tanto longo de sucessos desportivos (refiro apenas o futebol), o lado racional, também não convive lá muito bem sem eles. Racionalmente, tenho imensa dificuldade em acreditar que Lopetegui esteja mais seguro que eu (e um grande número de adeptos) com o tipo de futebol que apresenta. Essa insegurança está expressa no seu futebol bipolarizado, mas também na linguagem. Neste caso, só apreciei a que usou com os jornalistas quando se tratou de defender o clube. De resto, não noto diferença de linguagem nas conferências de imprensa antes dos jogos, quer vá jogar com o Arouca ou com o Chelsea. Não o dizendo textualmente, deixa sempre no ar a sensação que os adversários são todos melhores que o FCPorto. A palavra ambição é dita sem grande convicção. A ilusão e a esperança soam sempre a desejo impossível e deixam transparecer que a dúvida não consegue dar lugar à afirmação. 

Já não tenho idade para fantasias, para acreditar que expressões guerreiras ou apelos à garra podem resolver problemas de ordem técnica e táctica. Poder ajudar pode, mas o futebol tem de ter a objectividade que só a qualidade alcança. Não consinto por isso que nenhum portista se arrogue o direito de medir o portismo comigo só por duvidar que o rumo das coisas mude com estas oscilações exibicionais. Lopetegui até pode vencer hoje o jogo, e é isso o que desejo. Um jogo de futebol tem resultados imprevisíveis, mas um sistema de jogo errático, já não o é.

Se a victória possível de hoje significar o início do descer à terra do treinador e o FCPorto passar a ter uma postura em campo à Porto, com um futebol inteligente, solto, ofensivo e mandão, cá estarei para felicitar com o maior prazer e alegria Julen Lopetegui por ter finalmente percebido que mudar é também um sinal de inteligência. 

OXALÀ!

Nota pós-jogo:

como pudemos constatar esta noite, o FCPorto tem jogadores de grande qualidade (e garra), falta-lhe é a consistência e a determinação que hoje mostrou. Então no 2º.tempo foi irreconhecível em termos de objectividade. Jogaram como uma equipa, soltaram-se, gizaram finalmente belas jogadas de ataque e não de bola para trás. 
Apesar de privilegiar, como aqui tenho dito várias vezes, o jogo de ataque, é dever de justiça destacar aqueles que, na minha opinião, mais trabalharam: Aboubakar, André André, Ruben Neves (que gigante), Brahimi, Imbula, Maxi Rodrigues e Danilo. Todos os outros também estiveram bem, mas podem fazer melhor.  
Espero que Julen Lopetegui resolva de uma vez soltar mais a equipa e mentalizá-la psicologicamente para controlar o jogo quando se encontra em vantagem. Repito: quero que Lopetegui tenha êxito no FCPorto. Quero ter mais razões para gostar de o ver como treinador no FCPorto. Parabéns pela noite de hoje! Sigam-se outras.

27 setembro, 2015

Porto Canal, será autónomo? Ou (sobre)vive à custa do FCPorto?


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Quando alguém se lança num negócio - seja ele de que ramo fôr - e quer evitar cometer aqueles erros característicos da inexperiência, é prudente e até recomendável, que procure detectar o feedback do mercado potencial na  respectiva área. Não o fazendo, arrisca-se a afundar o negócio logo à nascença, que é a pior forma de arrancar com um negócio. É essa impressão que me deixa o negócio do Porto Canal, contraído entre o FCPorto Media e a sociedade Avenida dos Aliados, do grupo espanhol da Medialuso. 

Habituado que fui a ver o presidente do meu clube como um homem astuto, objectivo, pouco dado a aventuras sem retorno financeiro ou desportivo, agora que o FCPorto se envolveu numa área que não domina, custa-me a aceitar a ideia que Pinto da Costa ande distraído em relação ao que se passa no Porto Canal. No entanto, é cada vez mais consensual o decréscimo de rigor e qualidade daquela estação, o que me leva a suspeitar o que atrás referi, ou seja, que há um bizarro distanciamento do presidente face à produtividade do canal da Senhora da Hora. Sendo o FCPorto detentor de uma maioria substancial das quotas, é inconcebível imaginar que estas se valorizem quando a falta de qualidade é cada vez mais patente. Mas, como sobre este tema já me cansei de falar, sempre com a melhor das intenções, sempre com o intuito de projectar algum sentido crítico aos responsáveis, vou-me limitar a retratar algumas das suas incoerências.

Um destes dias, assisti a uma entrevista de Júlio Magalhães a Marinho e Pinto, candidato às legislativas pelo PDR (Partido Democrático Republicano), que a certo momento me despertou especial atenção. Dizia Marinho e Pinto, em forma de pergunta ao entrevistador, o seguinte: então o Júlio acha que faz algum sentido que a candidata Catarina Martins pelo BE, natural de Aveiro, se apresente como candidata pelo círculo do Porto? E deu outros exemplos semelhantes. Insistia Marinho e Pinto: então, aqui no Porto não haverá ninguém competente para ocupar o cargo? Isto faz algum sentido, repetia?

Perante estas questões pertinentes, interroguei-me se na cabeça de Júlio Magalhães teriam entrado outras igualmente pertinentes relacionadas com o Porto Canal. Será, que naquele instante as questões de Marinho e Pinto não o incomodaram? Não o fizeram corar de vergonha por saber que a jovem Maria Cerqueira Gomes (ignoro por ordem de quem) já fez mais entrevistas (repetidas) a pessoas de Lisboa que aos seus conterrâneos do Porto e do Norte? Fará essa opção também algum sentido, quando essas pessoas são por demais promovidas pelos 4 canais em sinal aberto (mais outros 6 ou 7 em sinal fechado), quando a Norte e no Porto há ainda tanta gente por descobrir? Não faz. Faria sim, se essa gente de Lisboa, ou de qualquer outro sítio, fosse novidade, e verdadeiramente interessante. 

Walter Hugo Mãe, tem-no provado, esse sim tem escapado às dinâmicas de provincianismo e de complexos de inferioridade nada condizentes com o estatuto próprio de uma cidade invicta, como espero que continue a ser o Porto. Ele sim, consegue fazer o que os colaboradores do canal não sabem (ou não querem), trás ao conhecimento do público gente nova, culta e interessante da região... Não tarda, vão ver, W. Hugo Mãe vai perceber que o Porto Canal não é o sítio certo para se mostrar ao mundo. A não ser que lhe paguem muito bem...

Sucede, que a mediocridade é tão ou mais contagiante quanto medíocre fôr o meio em que nos movemos. Alguns colaboradores, jovens como Ricardo Couto e Maria Cerqueira Gomes, a quem de início reconheci capacidades, têm enveredado, não sei se por moto próprio, se por imposição superior, por um caminho de ascensão populista, oportunista mesmo, ao estilo da Cristina Ferreira e Luís Goucha, o que não os enobrece em nada, embora lhes possa dar dinheiro considerando a escola de "valores" de um país como Portugal.  Ricardo Couto, convenceu-se depressa demais de um sentido de humor que não possui, e está cada vez mais parvo. Maria C. Gomes, anda perdida entre optar pelo jornalismo sério (digo eu), e ser apresentadora show-off. Seria bom que alguém lhe soubesse apontar o caminho certo antes que o talento se dilua em vulgaridade. A vulgaridade é a rampa mais rápida para bater no fundo.

Que não hajam dúvidas, se há empresa que parece viver à custa de outra, essa é o Porto Canal. Seria importante que os sócios do FCPorto indagassem em Assembleia-Geral convocada para o efeito, quais são os custos suportados pelo clube, com o Porto Canal. É que, exceptuando os conteúdos desportivos, ninguém pode afirmar, sem mentir, que o canal está a produzir o bastante para se auto-sustentar. Se o recurso continuado a gravações, uma, duas, três e quatro vezes, não termina, é porque não há dinheiro para fazer novos programas. E se não há conteúdos renovados, duvido, mas duvido mesmo que a publicidade aumente. 
   

25 setembro, 2015

Moreirense 2 - FCPorto 2. Isto não é futebol, é masoquismo!

Julen Lopetegui
Tudo o que tinha a dizer sobre o modelo de jogo do FCPorto já disse. O encontro desta noite com o Moreirense só veio confirmar os comentários dos meus últimos posts. Isto não vai lá só com garra, com portismo, é preciso mais futebol, mais velocidade, melhores desmarcações e pressão alta, coisa que Lopetegui não consegue realizar.

Com maior ou menor dificuldade, lá conseguimos marcar o 1º. golo, mais uma vez de livre, ou seja, resultante de um remate bem colocado de Maicon (um defesa). Como  se não bastasse os erros da época passada, voltámos a repetí-los, adormecendo à sombra do golinho miserável, lá fomos outra vez trocando lentamente a bola para o lado, para trás, com toques e toquesinhos, deixando o tempo passar, parecendo contentes e convencidos que o resultado estava feito. Curiosamente, ao intervalo estávamos a ganhar e eu não me entusiasmei por aí além com o facto. O segundo tempo veio, a velocidade e a vontade de marcar o segundo golo parecia pouca, indiciando mais um jogo sofrido com esse colosso do futebol mundial chamado Moreirense...  Resultado: o golo chegou, mas foi para entrar na balisa de Casillas...

Então, lá fomos nós outra vez à procura do prejuízo com um bocadinho mais de velocidade, com pouca lucidez, quase sempre de uma forma desesperada, o que nunca dá bom resultado. E de novo, foi o talento individual de um jogador (agora, Corona) que num ressalto de uma bola dividida lá conseguiu introduzí-la no fundo das redes. Quando tudo apontava para uma victória sofrida, o pânico instalou-se na cabeça dos jogadores e o segundo golo do Moreirense aconteceu, quase aos 90 minutos.

Hoje, não estou com disposição para discutir detalhes. Começo  sim, é a consolidar a ideia que Lopetegui não sabe bem o quer. E eu, também já não sei bem o que ele quer.  Nem o que quer o FCPorto. 


“ISENÇÃO DE TAXAS POUPA 12 MILHÕES À CÂMARA DO PORTO”

A decisão faz com que o município “evite demolir a expensas próprias o edifício, devolva as taxas de licenciamento acrescidas de juros – conforme estava judicialmente condenada –, pague indemnizações aos atuais proprietários e abra na cidade uma ferida que por largos anos demoraria a ser sarada”, reforçou esta sexta-feira, Rui Moreira, presidente da autarquia.
Numa conferência de imprensa nos Paços do Concelho em que esteve acompanhado pelo vereador do Urbanismo, Correia Fernandes, Rui Moreira salientou que a solução encontrada pela câmara garantia “o cumprimento da lei, a execução plena das sentenças judiciais transitadas em julgado, a resolução de um problema que representava um ónus gravíssimo para o seu orçamento municipal e a receita fiscal que advirá da continuação da atividade económica do imóvel e das centenas de empresas que nele operam”.
O autarca destacou ainda que ficava finalmente concluído um processo que podia representar para a Câmara “custos superiores a 12 milhões de euros”. E lembrou que a questão do Shopping do Bom Sucesso tinha caído nas mãos da equipa que lidera desde 2013 com um panorama negro. “A Câmara encontrava-se condenada, sem direito a mais recurso, e obrigada a demolir o edifício, com um custo nunca inferior a 10 milhões de euros, atingindo-se mais de 12 milhões de euros com a adição da devolução das taxas já em sua posse e respetivos juros”, enumerou Rui Moreira.
Recorde-se que a aprovação de isenção de taxas do Shopping do Bom Sucesso foi aprovada com o voto contra dos 3 vereadores do PSD e as abstenções do vereador da CDU e da vereadora do PS Carla Miranda.
Na altura, Rui Moreira e o seu executivo justificaram as “taxas de valor zero” com o facto de existir uma diferença entre o que os proprietários pagaram até aqui e o que a Câmara devia ter devolvido ao longo dos anos.
“A impossibilidade do pagamento de taxas está relacionada com o facto de o tribunal não ter identificado todos os condóminos. São 1.053 frações. Se o tribunal não consegue citar 5 dos 1.000, a Câmara muito mais dificilmente o fará”, explicou então o vereador Correia Fernandes. “Eram taxas que até agora se escondiam na ilegalidade”, assinalou.
Na conferência de imprensa desta sexta-feira, Rui Moreira sublinhou que, “além de impossível na prática”, a cobrança por inteiro dessas taxas seria “injusta uma vez que recairia sobre os atuais proprietários, isentos de responsabilidade em todo o processo e, certamente, na sua maioria, incapazes de assegurar o pagamento”.
Uma ação judicial datada de 2007 decidiu a legalização do Shopping do Bom Sucesso ou a sua demolição no prazo de 42 meses. Antes, em 2000, outro processo judicial havia considerado a obra ilegal. Uma nova lei saída no início deste ano, porém, enquadra a legalização do edifício.
Nota do RoP:
Passo a passo, Rui Moreira vai resolvendo problemas (bicudos) que outros não souberam (ou não quiseram) resolver. Há uma diferença muito grande,  para melhor, em relação a Rui Rio. Rui Rio, só adensava os problemas.

21 setembro, 2015

Juro que não confundo o Dragão com l' Ópera de Paris!

Casillas foi um dos melhores do FCPorto
Que me desculpem aqueles para quem a apreciação do futebol depende dos resultados. Ontem, com o Benfica e na quarta-feira passada com o Dínamo de Kiev, foi o resultado, mais o brilho de algumas individualidades (André André, Aboubakar e Casillas) que salvaram a angústia porque passaram muitos portistas. Nos dois jogos, repetiu-se a cena de uma primeira parte trapalhona, com os erros do costume. Das duas, uma, ou o sistema de jogo não funciona, porque os jogadores não conseguem assimilá-lo, ou o treinador ainda não descobriu a fórmula correcta de o fazer assimilar nos treinos. Mais uma vez, foi o sangue na guelra de um jogador com o contributo de outros, que na segunda metade resolveram um jogo que chegou a pender mais para o lado do Benfica, na 1ª. parte, não  fosse a atenção e experiência de Casillas. 

Naturalmente, agora que as coisas acabaram bem, poucos se importam com o que virá a seguir. A mim, preocupa-me o futuro próximo, a instabilidade da equipa e sobretudo as dificuldades que o treinador Lopetegui continua a ter no desenvolvimento do jogo ofensivo dos flanqueadores, onde Brahimi não faz um cruzamento de jeito, e se perde a rodar sobre si próprio quase sempre de costas para a baliza e cada vez mais fácil de anular pelos adversários. Tenho por isso alguma dificuldade em perceber como é que Lopetegui ainda não convenceu Brahimi a dosear o individualismo e soltar a bola mais cedo, antes de a deixar nos pés dos adversários. Isto não compreendo, porque vem sendo uma constante, e não me venham com as qualidades técnicas do jogador porque fui daqueles que também me deslumbrei nos primeiros jogos e golos que fez quando chegou ao FCPorto. Tenho memória passada, mas a presente também tem de entrar na apreciação.

A segunda parte foi, como sabemos, muito diferente da primeira, é verdade. Mas não terá a ver essa mudança (para melhor), com a necessidade de desempatar o jogo que jogadores e treinador se soltaram daquele futebol irritantemente lateralizado para finalmente correrem na direcção certa e chegar ao golo? Ou, alguém acredita que o golo foi fruto de uma estratégia consistente? Curiosamente (ou nem por isso) houve de facto o envolvimento de 4 jogadores na construção da jogada de onde resultou o golo (Osvaldo, Brahimi, Varela e André André), mas esse envolvimento felizmente só aconteceu porque nenhum daqueles 4 jogadores se lembrou (incluindo o Brahimi) de parar a bola e passar para trás, concluindo com sucesso uma manobra atacante. Agora, digam-me: por que é que isto só aconteceu quando o tempo do jogo se estava a esgotar? Não é correr riscos desnecessários? Por que será então que os jogadores tendem a bloquear nos flancos, a passar a bola para trás e para os lados de um forma quase suicída? Se o problema do treinador é não ter flanqueadores "natos" que saibam correr as laterais e cruzar, por que não lhes dará esses ensinamentos?

E o que dizer do ritmo? A forma como joga este FCPorto será compatível com o ritmo demasiado lento que lhe imprime? Ou, se calhar, não resultaria mais eficaz se carregasse um pouco no "acelerador" fazendo melhor pressão nas linhas avançadas bem cobertos pelos médios recuados? Estou cansado de ver Brahimi a desperdiçar o talento com voltinhas, indo primeiro para as laterais e a seguir voltar ao meio com as costas para a baliza, perdendo vezes sem conta a bola e permitindo contra-ataques perigosos aos adversários. Será este um problema assim tão complicado de resolver?

Por último: o remate de primeira, e os 3 ou 4 toques para dominar a bola. Quantos jogadores temos visto a rematar de pronto, quando tal é pedido? Ainda ontem, já depois do golo, o enorme André André perdeu uma oportunidade para fazer o 2º. golo se estivesse mentalizado e preparado para isso. Optou por passar a um colega por falta de confiança no remate espontâneo. Já com o Dinamo de Kiev aconteceu o mesmo. E estou a falar só do melhor jogador em campo, a par do fantástico Aboubakar.

É claro que fiquei - tal como todos os portistas -, aliviado e contente com o resultado final, mas acho que o que nós precisamos é de confiança, assim como o treinador e os jogadores . Lopetegui é um homem frontal com os media, gosto dessa frontalidade. Mas já não posso dizer o mesmo dos seus métodos de jogo. Até ver.

Acho que lhe falta uma pitada de audácia.

17 setembro, 2015

Um FCPorto para portista crer, ou sofrer?

Não gostei do jogo produzido pelo FCPorto, sobretudo na 1ª. parte.  Mais uma vez, foi o individual que levou a melhor sobre o colectivo, que é coisa (como já disse no post anterior) que não me agrada. O futebol não é o ténis, onde cada jogador é responsável pelas próprias decisões, o futebol vive do entendimento entre onze jogadores com umas pinceladas de génio individual pelo meio. Do jogo, salvou-se o resultado e a postura mais agressiva da 2ª. parte.  Mesmo assim, continuo algo céptico em relação aos progressos deste sistema de jogo de Lopetegui, demasiado refém da contenção de bola lateralizada e atrasada, sem lhe extrair os resultados que o justifiquem. 

Não sou de fazer diagnósticos apressados, mas um ano parece-me suficiente para perceber se uma equipa nova, com as limitações próprias dessa juventude, evoluiu consideravelmente naquilo em que estava pior, e o que se continua a verificar, é a manutenção de um modelo de jogo tímido, sem movimentações estudadas, de triangulações monótonas, com os jogadores mais preocupados em não perder a bola do que enfiá-la na baliza dos adversários. Bem sei que esta época entraram novos jogadores e saíram outros, o que não sei, é se uma época é tempo suficiente para estabilizar um modelo de jogo, e se não o fôr, quantas épocas teremos de esperar para termos uma equipa preparada para lutar pelo título sem desculpas. Isto, levando em linha de conta a filosofia de contratações com jogadores emprestados. Este ano, valha-nos isso, o problema não se porá, pelo que já não há margem de desculpa para a época vindoura.

Tenho ainda na retina a humilhante derrota com o Bayern de Munique, no jogo da 2ª volta, onde ficaram plasmados no resultado (6-1) todos os defeitos da equipa do FCPorto, não obstante o poderio da equipa alemã, onde a falta de hábito em jogar rápido e de objectividade do sector avançado foram os que mais se notaram. Aquela mesma equipa, com outra velocidade e outras rotinas, podia perder o jogo, mas nunca  por tamanha diferença, sobretudo depois de ter conseguido um inesperado 3-1 no jogo do Dragão.  

Pois, são os mesmos defeitos, as mesmas desconcentrações que continuo a ver no FCPorto. E não digo isto por ter empatado, que em tese, até pode ter sido um resultado positivo, diria exactamente a mesma coisa se tivesse regressado com o 1-2. O que é preciso, é ganhar, dir-me-ão, mas que diabo, é preciso também ganhar com categoria (não confundam com balet).

O próximo jogo no Dragão tem de ser para ganhar. Se tal não acontecer, não creio que o futuro próximo do FCPorto seja sorridente. Mas, acabo como sempre: contrariem-me, provem-me que isto é tudo pessimismo. 


15 setembro, 2015

Coisas da campanha...ou

...é preciso ter mesmo muita lata
Paula Ferreira

O cabeça de lista da PaF tirou um coelho da cartola. Apertado pelos lesados do BES, quis fazer boa figura dialogando com quem o insultava e lançou a ideia, tosca, de abrir uma subscrição pública para que os que ficaram sem as poupanças de uma vida possam recorrer à Justiça. Parece brincadeira de mau gosto. E a prudência ou as boas maneiras não recomendam humor com quem está desesperado.
Revelando mais bom senso do que o homem que governa o país, os lesados do BES ignoraram as palavras do candidato da coligação PSD-CDS. Consideram a proposta "indigna de um estadista", palavras do advogado que representa os lesados. E ontem fizeram uma contraproposta: pedem a isenção de taxas e custos judiciais nos processos que vão acionar para tentar recuperar o investimento.
O candidato Pedro Passos Coelho tem agora de voltar a vestir a pele de primeiro-ministro e decidir a resposta a dar a estas pessoas. Uma coisa é lançar ideias na refrega da campanha, outra é decidir perante uma proposta concreta de gente que se diz enganada pelos reguladores, precisamente aqueles que deviam garantir a confiança. Gente que já pouco ou nada tem a perder e que não hesita chamar, olhos nos olhos, mentiroso ao primeiro-ministro.
Tudo parecia correr bem enquanto o governante estava no recato de S. Bento, com as notícias da retoma. Mas Passos Coelho teve de sair à rua, dar a cara pelas políticas que fizeram Portugal sair da crise. E mostrar porquê. Enfim, é a campanha dia a dia, que se encarregará de lembrar a Passos e a Portas que por trás dos números estão pessoas. As que deixaram de integrar a estatística do desemprego, não porque estejam empregadas, mas porque simplesmente esgotaram o prazo para receber o subsídio; os pais que viram os filhos emigrar em busca de emprego, após anos de sacrifício para lhes pagar o curso superior; os reformados que sentiram os cortes brutais; os professores sem escola...
Eles vão andar aí até 4 de outubro. Mais ou menos organizados. E não bastará à dupla Passos/Portas recorrer a Sócrates para justificar todo o mal que aconteceu aos portugueses. Como lhe dizia ontem uma idosa durante uma ação de campanha em Paço d"Arcos, "agora o engenheiro José Sócrates paga por tudo e mais alguma coisa". "Quer que pague eu?", replicou Passos. Apenas pelos quatro anos.

14 setembro, 2015

Uma cidade com vocação empreendedora

E hoje o Porto continua a ser uma cidade com capacidade empresarial, gosto pelo trabalho e vocação empreendedora. Veja-se como o Porto se multiplicou em negócios para aproveitar o atual boom turístico. Ou como o seu tecido produtivo está a evoluir para uma economia do conhecimento, em boa medida devido às startups inovadoras criadas nos ecossistemas de empreendedorismo da cidade.
Relativamente a este último ponto, importa sublinhar que o Porto dispõe de excelentes ecossistemas de empreendedorismo, mercê do número apreciável de instituições do ensino superior, unidades de I&D+i, incubadoras de base tecnológica e associações empresariais sediadas na cidade, como a ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários. Esta massa crítica alimentou um núcleo de empresas intensivas em conhecimento e com perfil tecnológico.
Mas o Porto tem potencial para desenvolver e atrair mais empresas inovadoras. Para além do conhecimento proveniente das universidades e do apoio das muitas infraestruturas de incubação, a cidade garante qualidade de vida. O Porto oferece um clima moderado, beleza patrimonial e paisagística, equipamentos culturais, mobilidade urbana, ambiente cosmopolita, boa gastronomia, segurança e baixo custo de vida.
Há, pois, um conjunto de fatores estruturais que o Porto possui e que fazem da cidade um polo de atração de capital humano, nomeadamente de empreendedores, gestores e investidores com capacidade para dinamizarem a economia local. Resta, agora, potenciar cabalmente esse conjunto de fatores.
Shark TankEste artigo foi escrito por João Rafael Koehler, presidente da ANJE, a convite do P24.

13 setembro, 2015

Arouca, 1 - F.C. PORTO, 3 - Melhor o resultado que a exibição

Image de FC Porto passa teste em Arouca (3-1)
Adeptos do FCPorto em Arouca

O facto de o FCPorto ter vencido este jogo com uma margem confortável não me fez esquecer as dificuldades do costume. Lentidão, demasiados passes para trás e para o lado, enfim, uma tremideira em progredir com a bola que não se compreende. Não creio que por reconhecer a manutenção deste tipo de futebol, me possam acusar de qualquer exagero, até porque duvido que muitos adeptos não tenham sentido o mesmo que eu, embora essa desagradável sensação tenha sido muito  atenuada pelo resultado vitorioso. 

De positivo, e contrariamente ao que mais valorizo no futebol, que é o jogo de equipa e a sincronização de movimentos entre jogadores, devo destacar a estreia auspiciosa de Jesús Corona, com dois golos oportuníssimos, a entrega de Aboubakar, de André André, a classe de Rúben Neves e finalmente o (ainda) tímido perfume de Imbula. Na minha opinião de mero espectador, foram eles que coloriram a exibição e contribuíram para que o resultado não fosse outro. Não porque o Arouca merecesse outro resultado - porque o FCPorto foi superior -, mas porque a equipa ainda mostra fragilidades a assimilar este sistema de jogo e se perde num vai-vem de monotonia que lhe pode custar caro quando tiver de aproveitar as poucas oportunidades que terá para marcar. 

De resto, como esperava, o árbitro, já conhecido dos portistas por não perder oportunidade para prejudicar o FCPorto, mostrou ao que ia. Exibiu cartões amarelos com a discriminação que se lhe conhece, uma série deles para os jogadores do FCPorto, alguns patéticos, intimidou o nosso treinador e só não foi mais longe porque não pôde. Já com os jogadores do Arouca assobiou para o lado a alguns deles que mereciam um apito bem sonoro...

Resumido: tudo está bem, quando acaba bem. Mas, fica o aviso: se a máquina não fôr definitivamente oleada, se os jogadores não perderem o medo de ter bola (às vezes é isso que me parece), se não tiverem fome de baliza, não pressionarem mais à frente e forem um bocadinho mais expeditos, podemos ter de replicar filmes já vistos... Se isto coincidir com a apatia do ano passado da Direcção portista em relação ao colinho dado ao Benfica, podemos vir a arrepender-nos.