28 julho, 2018

A mesquinha Lisboa

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Terreiro do Paço, o
 monumento centralista


Vamos lá ver se, definitivamente, consigo fazer-me entender do motivo porque penso tão mal de Lisboa. Já tentei várias vezes, mas não me importo de tentar novamente, de forma a não criar confusão na cabeça de certas pessoas. Antes porém, quero pôr uma condição: a sinceridade.

Primeiro, nunca fui um grande apreciador de Lisboa. Já lá vivi, como devem saber, mas nunca consegui apegar-me à cidade talvez por ter sempre no coração o Porto, a minha cidade natal, onde cresci e vivi durante a maior parte do tempo da minha vida, incluindo o do serviço militar (4 anos) e o de "emigrante" temporário.

Conheci e percorri vários sítios  nacionais e internacionais, uns mais aprazíveis, outros menos, mas o suficiente para não me impressionar facilmente por qualquer um. Foi isto que senti em Lisboa. Sempre que contemplava a cidade, logo me sentia impelido a compará-la com o Porto que ficava sempre a ganhar. A Lisboa faltava-lhe sempre qualquer coisa. Havia uma imagem muito especial que me fazia sempre orgulhar do Porto e que acontecia sempre que regressava do sul na abordagem lenta do comboio à ponte D. Maria de Gaia para o Porto. O sentimento era sempre o mesmo. O morro denso do casario da cidade parecia saudar o visitante e dizer: estou aqui, és benvindo! Só este  forte sentimento faz toda a diferença, é impossível vivê-lo sem ser de comboio, em Lisboa ou noutra cidade qualquer. É único. Como único é admirar o Porto visto do cais de Gaia. Vou ficar-me por aqui.

Passemos do aspecto sentimental para o político. Lisboa não é só urbana, é como qualquer cidade a sua gente, e é aqui que não pode haver lugar a hipocrisias, nem para falsas tolerâncias. Lisboa é também a capital, mas não se tem portado à altura desse estatuto. Não se comporta como a capital do país, comporta-se como se ela própria fosse o país, e isso é patente na mentalidade da sua  população, e dos políticos. Podemos sempre argumentar que os lisboetas não são todos iguais, mas se não são, parecem. O facto é que ao longo destes anos nunca vi, ou ouvi ninguém, a reconhecer a discriminação que tem sido feita ao Porto. Nunca! E contudo Lisboa  é a cidade do país que mais meios de comunicação tem!

O exemplo mais recente desse egocentrismo foi dado pelos funcionários do Infarmed! Precisamos de mais exemplos? Têm acompanhado o caso, e o modo como se agarram à "mama" da Infarmed, como justificaram os seus direitos, mesmo quando lhes foi dada a oportunidade de manterem os seus postos de trabalho? Bem sei que pior do que a reacção, foi a iniciativa do Governo, pura e simplesmente desastrosa, porque era n naturalmente expectável. E pela parte dos portuenses também, porque devíamos exigir sim organizações de raíz relevantes, para bem dos portuenses, e não envenenados, como foi o caso.

Há ainda no Porto quem se compadeça muito com os problemas de Lisboa, o que me deixa confuso e leva a questionar porque é que ainda temos tanta tolerância por gente que nunca fez nada por nós. Nunca os vi solidários connosco, pelo contrário. E se falarmos de futebol, são do pior que há. Tenham paciência, eu não tenho a memória curta, nem fico preso facilmente a sentimentos efémeros.

Estou-me a borrifar para os lisboetas, tanto ou mais como eles estão para os tipeiros. Detesto amores fadistas e detesto dar a outra face quando me sinto desconsiderado.

PS-Às vezes, parece que pressinto o que vai acontecer. Não no timing, porque para mim o drama do centralismo é coisa antiga. Se quiserem ter a confirmação sugiro que gravem o último programa da SicNotícias, "O Eixo do Mal" e vejam como reagiram os três participantes lisboetas à hipotética transferência do Infarmed para o Porto. Só lhes faltou pularem das cadeiras...  



  

    

27 julho, 2018

Democracia não liga com Lisboa nem Benfica

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Motores da corrupção benfiquista


Para que serve a um país ter uma Constituição, um Presidente da República, um 1º. Ministro, um Governo, e um Tribunal Constitucional, se existe um reles clube de futebol que os domina a todos? 

Um clube, onde a corrupção supera o desporto, com dívidas enormes à Banca, corrompido e corrupto,  e com um presidente cadastrado com poderes superiores aos do próprio Estado! 

Serve para fomentar conflitos, dividir, provocar revoltas e gerar mortes!

Haverá alguém no Porto, além dos desalmados benfiquistas, que se orgulhe deste esterco de país? Eu tenho a resposta: sim há, e muitos: orgulham-se os benfiquistas,  as rádios, os jornais e as estações de televisão, incluindo as do Estado.

Corruptos assumidos, sim, porque são eles próprios, homens e mulheres ,que se denunciam pelas suas atitudes vergonhosas.


25 julho, 2018

Salvar Bancos. Salvar vidas

Pedro Ivo Carvalho

Se há apenas três meses cometêssemos a ousadia de partilhar com alguém que, no pico de julho, Portugal ia enviar meios aéreos para acorrer a gigantescos incêndios florestais na Suécia, o mais provável era sermos beliscados violentamente numa zona carnuda do corpo. Ou aconselhados a tirar uns dias para recuperar do desvario. A verdade é que referências que normalmente associávamos ao universo da ficção científica já se apoderaram da realidade. Os fenómenos meteorológicos extremos, ligados com maior ou menor incidência às alterações climáticas, obrigam-nos a repensar as respostas. E tornam urgente a necessidade de os líderes políticos concertarem estratégias que previnam ou mitiguem o impacto das catástrofes naturais. Porque se há uma coisa que a deslocalizada onda de calor e a tragédia grega nos vêm provar é que nenhum país da Europa (e já agora do Mundo) está preparado para estas manifestações. Sejam elas espontâneas ou resultantes de erros humanos acumulados durante décadas. É neste contexto que as nações têm de reforçar a cooperação. No caso concreto da Europa, é imperioso tirar do papel o - vamos chamar-lhe assim - "Governo Europeu da Protecção Civil", consubstanciado num novo sistema de resposta a desgraças naturais. Com mais meios e outras competências. E um orçamento à altura.
Salvar bancos foi certamente importante para estancar a sangria económico-financeira da zona euro, mas salvar as vidas sacudidas pelas catástrofes também tem de motivar reuniões magnas entre chefes de Estado. A probabilidade de sermos confrontados com mais golpes desta envergadura é grande. Há oito anos, a Grécia chorou uma história parecida. Seria injusto concluir que não aprendeu nada com tantas mortes. Mas não seria entendível que, perante o que lhes aconteceu a eles agora, nos aconteceu a nós em Pedrógão em 2017 e está a acontecer ao planeta há tantos anos, não nos sentíssemos impelidos a prevenir mais e a lamentar menos.
*SUBDIRETOR

Nota de RoP:
Se os partidos políticos portugueses, constituídos por grupos de oportunistas e troca tintas, ainda conseguem ter eleitores, está tudo dito sobre o nível de exigência dos portugueses. É um nojo!

24 julho, 2018

Até o S. João incomoda Lisboa!


Vejo uma luz ao fundo do túnel na atenção dos portuenses no que diz respeito ao centralismo, e às suas consequências divisionistas. É ainda uma luz muito ténue, mas significativamente diferente do que acontecia há pouco tempo. 

Já aqui demonstrei diversas vezes, através de narrativas decorrentes, alguma preocupação com a lisboetização do JN malgrado as aparências. É verdade que agora cobre uma área maior, virado para outras mais a sul, sem descurar totalmente o Porto e a região Norte, como seria de prever quando a intenção é atingir, passo a passo, um objectivo sem dar muito nas vistas, assim como quem apanha uma mosca, mas o objectivo está quase atingido: dar mais palco a Lisboa e reduzí-lo ao Porto. Então se falarmos das páginas da "sociality" e da revista Evasões, Lisboa tem de estar sempre em destaque. Em condições normais até seria aceitável, equilibrado, o problema está na tendência natural dos media lisboetas para ignorarem o Porto, como de resto fazem todos os jornais e televisões da capital há longos anos. A execepção só acontece quando é para amesquinhar, ou para difamar as nossas gentes ou a nossa cidade.

Como não tenho outro jornal português para ler, a não ser o JN e sou incapaz de gastar um cêntimo num qualquer pasquim de Lisboa, seja ele generalista ou desportivo, prefiro (até ver) manter a leitura do JN do que não ter um jornal para ler. De uma coisa me orgulho: seja porque motivo fôr, em muitos anos, para aí já uns 40, não dei nada a ganhar àquela gente, e tenciono prosseguir nessa "empreitada".

Como mais atrás referi, acho que alguma coisa está a mudar para melhor na mentalidade dos nortenhos, particularmente dos tripeiros, quanto a esse cancro maligno chamado "centralismo". Antes, lia raras vezes o Correio do Leitor porque os assuntos abordados fugiam dessa importante temática, tirando um ou outro caso. Agora, e finalmente, vamos lendo cada vez com mais frequência cartas e emails dedicados ao repelente centralismo.

Escritos simples, objectivos, populares - e não populistas - como são (a)normalmente os escritos dos políticos. Já foi tempo em que também escrevia para o CL do JN, mas quando percebi que não podia dizer tudo o que pensava, desisti de o fazer. Curiosamente o extinto "Comércio do Porto", onde também colaborava o nosso amigo Bernardino Barros, publicava todas as minhas crónicas... Todas!  Um jornal muito bem concebido e virado para a descentralização e para o Porto!

Até o S. João do Porto os incomoda... De uma leitora, caso não tenham lido. Simples e claro:

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21 julho, 2018

Pinto da Costa é intocável, está acima do FCPorto


Todo o portista livre e consciencioso sabe perfeitamente que o Campeonato da época passada só foi conseguido devido ao notável trabalho de Sérgio Conceição, e não pela influência directa da SAD, ou pela qualidade extraordinária do plantel. Num campeonato viciado à partida por uma concorrência desleal e corrupta, onde figuras com responsabilidades políticas e desportivas têm e continuam a ter um papel preponderante nos "exitos" do Benfica, o feito de Sérgio Conceição foi quase um milagre!

Contudo, parece estar esquecida a inoperacionalidade dos dirigentes portistas. Uma incapacidade que não se limita à figura do Presidente, mas também a Fernando Gomes e Adelino Caldeira. É por essa razão (real,e não utópica) que fico embasbacado com o proteccionismo dado por alguns portistas aos dirigentes, no que concerne as contratações necessárias para manter o plantel competitivo, e que ainda não foram feitas, preferindo criticar o treinador por ter tido uma reacção negativa  a essa situação em vez de o fazerem aos dirigentes! Ninguém os compreende! Ora o treinador não serve, porque é um morninhas, sem fibra nem ambição, ora porque fala demais, ora de menos. Até aqui, Sérgio Conceição era fantástico. Agora, que não vê os reforços chegar para os treinar com os restantes jogadores do plantel em tempo útil, já não devia ter falado porque pode inflacionar o preço dos jogadores supostamente pretendidos. Eu quero ver se a coisa der para o torto.

E digo supostamente porque já saíram na imprensa tantos nomes, sem quaisquer desmentidos, que qualquer deles é automaticamente inflacionado. Portanto, não cabe ao Sérgio Conceição desmentir a imprensa, cabe ao Sr. Pinto da Costa ou a alguém da SAD, se é que estão lá a fazer alguma coisa...

Não há dúvida, para alguns portistas Pinto da Costa é sagrado, mesmo que leve o clube à falência. Consideração pelo passado não valida obrigatoriamente o sucesso do presente e muito menos do futuro. Isto não vai dar bom resultado, não.

Nota:
Pergunto-me se esses portistas acham que os Dirigentes não têm explicações a dar ao treinador numa situação como a actual, em que chovem jogadores para a equipa B e para a principal não chega ninguém. Sempre ouvi dizer que a antecipação nestes casos é meio caminho andado para o êxito.

18 julho, 2018

Também o FCPorto quer fazer marcha atrás?


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O que estará a acontecer no FCPorto? Ainda nem começamos a época e já há sinais de inquietação?

Será que o Sr. Pinto da Costa & Compahia pretendem repetir a gracinha d deixar Sérgio Conceição (e os portistas) com as mãos a abanar, sem cumprir com o que estava projectado? 

É caso para suspeitar desta repetida incapacidade para contratar os jogadores necessários ao reforço do plantel. A mim, isto já não me estranha, porque ando meio zangado com o presidente há um bom par de anos por teimar em não reconhecer que já não tem as mesmas capacidades de outros tempos. I

Isto é mau para ele, para a sua reputação, e principalmente para o FCPorto.

Não ficarei nada surpreendido se Sérgio Conceição bater com a porta se entretanto  nada for resolvido no que concerne os reforços. Quando ele diz que perdeu 50% da defesa, e que 6 dos jogadores do plantel não têm categoria para jogar no FCPorto, está tudo dito.

Acresce, que não temeu tornar público que já comunicou à Direcção essa mesma opinião. Portanto, Pinto da Costa só tem uma alternativa: ou cumpre o prometido, ou sujeita-se a perder um treinador e - mais uma vez -, a ficar péssimo na fotografia.

A margem de manobra para se defender é curta e dificilmente convencerá.

Estamos feitos. Será que, como o Porto Canal, vamos andar para trás?

PS-Que autoridade tem a Federação Portuguesa de Futebol (rasurem: , . em lugar de Portuguesa leiam Lisboeta. É mais real.) para "suspender" o Francisco J. Marques? Suspender por criticar um árbitro? Mas até onde está o FCPorto disposto a ser humilhado?

Quando é que há cadeia para esta pouca vergonha!

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Este artigo está perfeito. O Pinho, para mim, nem sequer merece julgamento. Só a petulância de querer fazer de nós burros (e dos deputados presentes no interrogatório) mereciam um repouso em cela suja. 

10 julho, 2018

Câmara de Gaia diz que acordo de descentralização da ANMP pode ser um presente envenenado

Câmara de Gaia diz que acordo de descentralização da ANMP pode ser um presente envenenado




09-07-2018
O presidente da Câmara de Gaia criticou hoje o acordo sobre descentralização assumido entre Governo e Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), que toma as autarquias por "serviços de manutenção local do Estado" e "pode ser um presente envenenado", acompanhando assim as posições já defendidas por Rui Moreira sobre o assunto.

"Os municípios poderão fazer melhor do que o Estado Central nas tarefas propostas, mas pedia-se muito mais e, sobretudo, um modelo de descentralização que emancipasse progressivamente as câmaras, em vez de as tomar por "serviços de manutenção local' do Estado", destaca Eduardo Vítor Rodrigues (PS), numa carta hoje enviada ao secretário-geral da ANMP, Rui Solheiro.

Na missiva, a que a Lusa teve acesso, o também presidente do Conselho Metropolitano do Porto critica ainda a "substituição da descentralização por uma mera 'tarefização' da intervenção, ainda somada a uma clara ausência de rigor nos dados e ausência de ambição nos valores em questão".

"Entristece, finalmente, que um qualquer calendário esteja a precipitar uma urgência no processo, que não compensa o arrastamento do mesmo ao longo de muito tempo e que poderá ser um presente envenenado para o poder local", destaca.

Sobre todo o trabalho feito em torno do acordo pela descentralização, o autarca ironiza e dá os "parabéns" ao Governo "pela negociação política obtida", também "à oposição parceira deste processo (PSD), por participar no que (só) parece ser uma efetiva reforma estrutural" e também à própria ANMP "pela ilusão da descentralização".

"Só não estarão de parabéns os municípios, a esses o tempo dirá que foi uma oportunidade histórica perdida: muita tarefa, muita burocracia, muito 'excel', mas pouca política, nenhuma estratégia, pouca participação no desenvolvimento local", lamenta.

Na carta dirigida a Rui Solheiro, Vítor Rodrigues começa por considerar "delirante conceder aos municípios, por igual, três dias para se pronunciarem sobre dados que, antes de analisar, importa validar", realçando que, no caso de Gaia, "os mesmos não estão corretos e necessitam de reconfirmação/atualização".

Entre as notas que faz, o autarca de Gaia fala em verbas "inscritas no 'excel'" que são "alheadas da realidade", "informação ainda mais vaga ou opaca" na saúde, critica que, nos centros de saúde, sejam os municípios a "ter tradição na pintura de uma parede e na assunção do (escasso) pessoal operacional, sem correspondente responsabilidade de gestão", e considera "confuso" o quadro relativo ao pré-escolar e 1.º ciclo.

Sobre finanças locais, o presidente da Câmara de Gaia diz que "a ANMP cai num grande logro, o da transmissão de uma imagem errada dos valores em questão".

"Mais do que dizer que receberemos 7,5% do IVA, que cria uma expectativa e representação social de rápido 'enriquecimento' dos municípios (que muito lhes vai custar, o tempo o dirá), importa dizer que isso significa valores ridículos. Pena que as grelhas do 'excel' enviado não concretizem isso, para podermos demonstrar o logro", realça.

Para Vítor Rodrigues, "vai custar muito aos municípios explicar às pessoas que, afinal, as verbas são irrisórias e a mensagem transmitida era, no mínimo, equivocada, com a cumplicidade da ANMP, com consequências nas dificuldades de intervenção nos problemas".

No sábado, o presidente da Câmara do Porto revelou que vai levar dia 24 à reunião do executivo camarário uma proposta de saída do município da ANMP por considerar "inaceitável" o acordo fechado com o Governo sobre descentralização.

A ANMP encerrou a 03 de julho o processo negocial com o Governo sobre descentralização e finanças locais e garantiu um aumento de dois a 10% das verbas a transferir para as autarquias.

O acordo fechado vai permitir às autarquias recuperarem 200 milhões de euros nas transferências do Orçamento do Estado e ter 75 milhões de nova receita, no âmbito do IVA.

* com Lusa.

Nota de RoP:

O 1º. ministro, na opinião de alguns, goza da fama de um político hábil. A habilidade, do meu ponto de vista, só é uma qualidade quando se aplica à arte e ao desporto. Quando é dirigida à política não é bom sinal, identifica-se mais com a vigarice, ou, se quisermos ser estupidamente tolerantes, com a "arte" de enganar. No pólo oposto, tenho o Presidente da Câmara de Gaia que prefere defender os munícipes, a lamber as botas ao chefe. E tenho na mesma conta Rui Moreira.    

05 julho, 2018

Aviso à navegação

Será que António Costa gosta de mirtilos?


Lamento constatar que o universo portista se mantenha algo adormecido com a protecção que o governo português e a comunicação social de Lisboa continuam a dar ao processo Benfica. 

Pelo que vou lendo no blogues e nas redes sociais azuis e brancas, a crítica é mais dirigida ao clube de Carnide e aos respectivos dirigentes, do que ao Governo, que, até prova em contrário, é quem tem o executivo, enfim o poder de decidir e intervir em todas as áreas da vida pública, incluindo o desporto. Para isso, existe uma Secretaria de Estado da Juventude e Desporto. Para isso, é que o Estado paga ao respectivo responsável, e se exige que o 1º. Ministro se mostre informado da competência e da  integridade de Paulo Rebêlo, actual Secretário do pelouro do desporto. Não sendo assim, é o 1º Ministro o principal responsável por bloquear o andamento dos processos e das investigações ligadas ao Benfica da PJ. 

Afinal de contas, o Benfica limita-se a fazer o papel do vulgar criminoso, ou seja, a negar o(s) crime(s) que vai consumando, vergonhosamente, com o aval dos seus adeptos... Mas isso já não espanta, estão habituados a essas habilidades, e dá-lhes jeito. O que já não dá para entender, é que os portistas, a começar pelos principais responsáveis do clube, se limitem a dizer: "aquele clube está corrompido", "eles são uns bandidos". Não chega, se actuam como marginais, não podemos esperar que dali saia a redenção e que o Orelhas vá voluntariamente entregar-se à Justiça. Até porque eles continuam a fazer o que melhor sabem, que é lançar venêno em tudo o que possa incomodá-los. 

Ainda há dias chamei aqui a atenção para um assunto em que a própria comunicação social de Lisboa aparenta estar empenhada (vá-se lá saber por ordem de quem) que é diabolizar a imagem do Porto e dos portuenses. Tantos crimes acontecem no país diariamente, e Lisboa talvez seja o local onde há a maior percentagem, no entanto, não perderam tempo a propagar uma agressão de um funcionário dos STCP a uma suposta emigrante colombiana manifestamente apostados a empolar o nome do Porto como se fosse a cidade onde há mais crimes em Portugal, o que não é verdade. Até o Rui Moreira (hoje) se escandalizou com a forma tendenciosa como os media deram a notícia. Não citaram uma única vez o nome de Lisboa, quando os gangsters vermelhos assassinaram um homem ainda há poucos mêses, e isso explica tudo. 

O aviso à navegação que titulou esta crónica é para o presidente e para a SAD portista. Têm de acabar com a estratégia do politicamente correcto, porque não dignifica o clube e pode desencadear suspeitas, como o medo, ou a cobardia, na opinião pública. Não estou aqui a apelar à charlatonice, à clonagem "brunocarvalhista"  mas sim exigir do 1º. Ministro respostas responsáveis dos seus ministérios e secretarias de Estado, e apelar a uma comunicação social mais democrática e mais imparcial.

Em Portugal tudo é possível, mas não creio que o 1º. Ministro, ou quem quer que seja, posso levantar um processo aos dirigentes do FCPorto por chamarem à atenção a quem a devia ter prioritariamente, como o cargo obriga.    Além de mais, o FCPorto tem provas cabais de que tem sido prejudicado desportiva, e financeiramente. Não basta?        





02 julho, 2018

Se a Selecção não representa o país, a politica também não


Das duas, uma: ou os órgãos de comunicação social andam a enganar os portugueses, e se andam, alguma medida drástica tem de ser tomada pelo governo para acabar de vez com a fraude, ou se não andam, é porque o país está tomado pelo vírus da criminalidade e o governo faz o papel de cúmplice.

Tenho uma opinião formada dos jornalistas, e não é propriamente positiva. Daí, até garantir que são todos maus profissionais, vai uma grande distância, o que não quer dizer que os melhores tenham feito alguma coisa de relevante para se descartarem dos colegas medíocres. É aí que o problema se agrava. O conceito de liberdade da classe é utilitariamente comum a todos, e demasiado ambíguo para aliciar os mais honestos a imporem-se contra os que não o são. A ambiguidade é também comum a todos, assim como o corporativismo, porque eles sabem quão detestados são por muitos leitores que vivem fora da capital, e por quê. 

Por sua vez o governo nada faz para mudar o paradigma, dá-lhe jeito este modelo de liberdade anárquica. Desta forma, é mais simples para os governantes controlarem os media, mesmo quando são inconvenientes com eles. Provam-no a cumplicidade de silêncio dos órgãos de comunicação social de Lisboa com o escândalo de corrupção do Benfica, e o modo vingativo como tratam o Norte, particularmente o Porto. Até os crimes de faca e alguidar, que infelizmente continuam a acontecer em todo o país, servem para diabolizar o Porto e a região. Crimes que acontecem todos os dias em Lisboa, na Cova da Moura e afins, mas são anunciados sem enfatizar demasiado o nome de Lisboa! Não será caso de espantar, se nos próximos tempos assistirmos a uma série de "casos"empolgados ou mesmo inventados, para manipular a opinião pública contra o Porto (e o FCPorto), e ao mesmo tempo retardar o avanço das investigações  da PJ com o "mundo obscuro" do Benfica. Para além destas evidências, e das múltiplas conveniências dos media, é impossível negar que o país se está a degradar a uma velocidade atómica. 

São as reivindicações dos juízes, médicos, enfermeiros,  professores, os abusos subsidiários dos deputados, as benesses de F. Medina a Madonna, a esmola mesquinha do Infarmed, os buracos da Banca, os incêndios sem reforma florestal, o turismo desregrado, o despovoamento da cidade do Porto, as promessas ilusórias de descentralização, a depauperação galopante do sistema de saúde, o desmazelo do Metro do Porto e da STCP. Enfim, tudo isto e ainda mais! Pergunto-me se ainda assim, como há quem assobie para o lado e tenha a indistinta lata de dizer que o país está melhor!

Não está, nem nunca esteve! Com uma excepção que muito deve orgulhar os irresponsáveis políticos: este país é um diamante para os corruptos!  




01 julho, 2018

7 Minutos. Foi quanto durou o sonho português

Joana Marques (JN)

Fernando Santos tinha pedido que o país desse as mãos e eu dei. Foi esquisito porque estava a ver o jogo num café e o senhor ao meu lado estranhou. Mas por acaso nasceu ali uma bela amizade. O homem bebeu tanto, para afogar as mágoas, que tive de o acompanhar ao táxi da mesma forma que Ronaldo levou Cavani à linha lateral.
CR7 percebeu rapidamente que essa seria a sua melhor jogada ontem. Foi bonito ver o melhor do Mundo a ajudar o melhor do jogo. Na 2.ª parte, o Uruguai estacionou o autocarro com mais facilidade do que Madonna estaciona em terrenos da CML. Acho mal que não tenham usado videoárbitro no último lance. Pelo menos em Portugal estamos habituados a que o VAR sirva para ajudar a equipa pela qual mais gente torce. Não percebo por que mudaram a regra! O Uruguai, que eu saiba, só tem 3,5 milhões de adeptos. A não ser que o Pedro Guerra tenha (re)feito as contas. Como devem reparar, já reentrei em modo Liga Nos, pronta para embirrar com os rivais de sempre! Mas ainda me sobra alguma embirração para os franceses, por isso cá vai: força, Uruguai!
E até vos digo mais: Portugal, se quisesse, tinha ganho, mas viu as muletas de Óscar Tabárez e deu prioridade ao uruguaio na fila para os quartos de final. Civismo acima de tudo.
HUMORISTA

28 junho, 2018

O provincianismo é isto*

Sofia Rocha (de o SOL)
Uma saloia da província
de Lisboa
Rui Rio foi eleito em Janeiro de 2018. Desde então passaram quatro meses, o tempo suficiente para que se possam analisar as medidas mais emblemáticas e ensaiar um breve balanço.
Rio arranjou uma nova sede no Porto onde passou a trabalhar – uma vez que, segundo se noticiou, não pretendia passar a semana em Lisboa. Assim, o PSD tem agora duas sedes. 
Quanto aos conselhos nacionais, órgão máximo do partido entre congressos, também diversificou: o primeiro teve lugar no Porto e o segundo em Leiria. 
Além disso, o aniversário do partido foi comemorado em Beja e as recentes jornadas parlamentares foram na Guarda. 
Ou seja, é evidente uma vontade de tirar o PSD de Lisboa, da sua sede na S. Caetano à Lapa. E constata-se que Rui Rio não teve nenhum encontro com os militantes da capital desde que é presidente do partido, pese embora já ter ido duas vezes a Beja – uma por ocasião da Ovibeja e outra, como se disse, no aniversário do PSD. 
Rui Rio tem uma estratégia bem definida de descentralizar o partido, de o levar para a província, sobretudo para o interior desertificado. Tem sobretudo a óbvia estratégia de não ter um partido sulista, elitista e liberal… Aliás, nunca escondeu que não gosta da capital, dos políticos da capital e dos media, que acha perniciosos. 
Acontece que esta estratégia de tornar o PSD um partido provinciano me parece francamente errada, porque não adianta ao PSD querer ser rural quando as pessoas querem ser urbanas e viver nas cidades -- em Lisboa, em Loures, em Odivelas, em Mafra, em Vila Franca de Xira, em Sintra, na Amadora, em Cascais.
Outra vertente da liderança de Rui Rio teve a ver com os acordos celebrados com o PS. Creio que foram positivos, pois correspondem a necessidades do país -- e os cidadãos (e eleitores) querem que os partidos se entendam. Foram passos no sentido certo. 
Outra medida emblemática foi a criação do Conselho Nacional Estratégico, uma espécie de Governo-sombra. A ideia é muito boa, mas a operacionalização tem sido difícil. Como foram escolhidos muitos porta-vozes de fora de Lisboa, que não conhecem a imprensa nem são por ela conhecidos, torna-se problemático passarem a mensagem e as posições do PSD. 
E tem havido atropelos notórios. Ainda agora Silva Peneda, que é coordenador da área de ‘solidariedade, sociedade e bem-estar’, e nem sequer é porta-voz, deu uma entrevista a um jornal diário a admitir a votação favorável do Orçamento do Estado. Ora, isto não é assunto da competência exclusiva da direção?
O PSD deve aproveitar este tempo em que o Governo e o PS vão estar a braços com o caos na saúde e na educação para corrigir estes aspetos: apostar na proximidade aos militantes e potenciais eleitores dos grandes centros urbanos, e melhorar a comunicação, passando melhor a mensagem.

Nota de RoP:
* O título é meu, e é obviamente dirigido à autora do artigo do jornal o Sol. Uma verdadeira pérola de parolice e provavelmente de inveja. Curiosamente, algumas das câmaras das cidades consideradas "urbanas" pela jornalista, à cabeça das quais consta Lisboa, estão sob a alçada da PJ por suspeita de corrupção e financiamento. Não são apenas as do Norte e rurais...

27 junho, 2018

Estou baralhado...

«Ética personalizada»


Vou fingir que sou político, ou jornalista (dos mais básicos, como a grande maioria).  Podia também fingir que era Presidente da República, que vai dar ao mesmo, apesar de não ter  jeito nenhum para distribuir ternura a eito pela populaça. Tanto faz. 

O que importa é  ter capacidade para olhar para  a democracia com o mesmo olhar de "respeito" e a mesma abrangência cívica que esse estilo de gente.

E por que raio me lembrei agora de armar em clone de figuras que nem sequer aprecio? É que, anseio por saber qual será o lado pedagógico do hábito de dar palco (e ouvidos) a indivíduos cadastrados por roubo,  actualmente investigados por suspeita de corrupção e tráfico de influências, e não consigo descobrir. 

Bem vistas as coisas, com o nível de desemprego a subir, e o emprego precário a virar rotina, é muito provável que a ideia seja banalizar o mundo do crime para as novas gerações se safarem na vida. 

Deve ser esse o lado pedagógico da coisa, presumo.
    

23 junho, 2018

Ó tempo, volta para trás. É o lema do Arco de Poder

Domingos de Andrade


O PAROLO DO NORTE

A cadeira faz mais vezes o homem do que o homem a cadeira. Mas esta máxima da sociologia do poder aplica-se pouco a Rui Rio. E o problema maior é que, no caso do líder do PSD, nem a cadeira faz o homem, nem o homem a cadeira. Vamos por partes.
O grupo parlamentar foi escolhido a dedo por Pedro Passos Coelho. E eleito em legislativas. Rio não escolheu ninguém e foi escolhido por uns poucos. Mais contra o outro candidato do que a favor dele. Da eutanásia, ao imposto sobre combustíveis, passando pelos professores e acabando em críticas ao Governo, os deputados dizem uma coisa, Rio outra. Para fadar o caminho do PSD numa ideia, numa opinião, numa votação, no sucesso ou insucesso de uma proposta, basta que o líder do PSD se pronuncie, para que os deputados façam o contrário.
Em tudo o mais Rio perde. Quando passa meses para apresentar uma ideia, uma boa ideia, a da natalidade, e a deixa cair porque ela mal resiste às contas. E aos deputados. Quando dedica uma semana aos problemas da Saúde e não sobra ideia nenhuma. Quando, contrariando a sua máxima de ser ele a gerir o tempo, não resiste a comentar a fervura dos dias não comentando e deixando o comentário para os seus deputados que hão de comentar o contrário do que pensa para ele vir comentar que não comenta. Leia devagarinho. Porque é mesmo assim.
Mas Rui Rio, que faz questão de deixar correr que tem equipas multidisciplinares a trabalharem em projetos para o país, que acredita resistir até às eleições escolhendo depois a dedo os seus deputados, mas esquecendo que a oposição dos próprios será mais feroz fora do Parlamento, tem um problema ainda maior. Parágrafo.
É olhado como um parolo do Norte. Mesmo para os parolos do Norte do partido que o derretem na praça pública. E o Norte, para uma parte da política do Sul, é uma terra longe onde chove muito e as florestas ardem. O PSD não vai longe.
DIRETOR-EXECUTIVO



Nota de RoP:

Sim, o PSD não vai longe. Não podia estar mais de acordo. Mas o PS tem a passada cada vez mais curta... Pergunto: para que serve a democracia se não existem as alternativas que precisamos?  

20 junho, 2018

Patifes!


Ainda sobre a (in)Justiça portuguesa, e do  excesso de optimismo de Francisco J. Marques àcerca do escândalo do Benfica (que parece não ter pressa no respectivo desfecho), li agora mesmo no JN que o julgamento do adepto benfiquista acusado de assassinar o italiano Marco Ficini foi adiado para 11 de Setembro de 2019!!!  

O crime foi cometido em Abril de 2017 e o julgamento devia ter começado em Setembro deste ano, portanto o alegado criminoso já está a "beneficiar" de um ano, e teve agora mais um...  A juíza Helena Pinto limitou-se a justificar o adiamento de mais um ano com "o número elevado de julgamentos com presos preventivos...

O que Francisco J. Marques disse por diversas vezes no programa Universo Porto da Bancada, talvez para evitar que a PJ interpretasse como pressão um discurso mais exigente, foi que a Justiça precisava  de tempo. Sucede que esse é o principal problema de Portugal, e nem com todo o tempo do mundo se ajuíza bem!  Além de que, diz a sabedoria popular que justiça tardia não é justa! Ou agora também invertemos o refrão?

A propósito, recomendo aos leitores (com box) a gravação do filme romeno "Patifes" que passou na RTP2 na 2ª.feira por volta meia noite (ver aqui). Trata-se de um filme baseado em factos verídicos onde a corrupção entre o poder político e social é praticamente absoluta. Já agora, vejam-no, e depois digam-me se acham se Portugal não está no mesmo caminho?


18 junho, 2018

Justiça de papel


Não era este cavalheiro um grande católico?
Quando figuras públicas com responsabilidades de Estado são apanhadas a cometer crimes que vão da corrupção ao roubo, até ao homicídio, e conseguem assim mesmo escapar à prisão, algo de muito grave está a acontecer na Justiça portuguesa.

E se além disso é a própria Associação Sindical que defende a prisão logo a seguir à condenação em segunda instância e nem assim consegue chegar a um consenso, é difícil acreditar que a Justiça em Portugal tarda mas não falta. É uma questão genética, ou andam todos a brincar aos adultos?


11 junho, 2018

A patriótica selecção "lisbonal"

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Portogalmente, a minha selecção NACIONAL, é esta!

Ainda Marcelo Rebelo de Sousa era comentador da TVI, quando decidi enviar-lhe uma carta a protestar sobre um assunto por si abordado no referido canal. Creio que se tratava de incêndios, não tenho a certeza. Desfiz-me da carta, porque isto passou-se em 2003, como consta do cartão aqui apresentado, e se a memória não me falha tratava-se de incêndios. A resposta foi meramente formal, não mais que isso:
Pode-se gostar ou não de Marcelo - e quando digo gostar, é sob o ponto de vista político -, que ninguém o pode acusar de antipatia. Só que esta virtude, mais a de beijoqueiro, sendo sempre agradável à populaça, não definem a qualidade do homem, nem do político. Pode muito bem ser apenas fachada.

É que, tal como o 1º. Ministro, e toda uma comunicação social eticamente miserável, o Presidente da República, até ao momento, não tugiu nem mugiu, uma palavra sequer sobre a gigantesca escandaleira que grassa lá para os lados do Estádio da Luz, o que não abona muito a seu favor.

Gostaria imenso que tanto um como outro (Costa e Marcelo) ficassem a saber que neste cantinho do país, que deu nome a Portugal, há quem se esteja a borrifar para o sucesso, ou insucesso, da selecção nacional, porque para ser nacional precisava de ter governantes honrados e nacionalistas de verdade, e não de uma turba de oportunistas, medrosos e segregacionistas, como provam as suas atitudes.

Desculpem lá conviver muito mal com patriotismos de telenovela (rasca).   



 

07 junho, 2018

06 junho, 2018

País pôdre, jornalismo rasca



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Impressiona-me ter de concluir, com intenso desgosto mas sem grande margem para erro, quão desonesta é uma parte significativa da comunicação social lisboeta. É essa mesma comunicação social, que com frequência faz questão de se encher de brios censurando opiniões desfavoráveis  generalizadas sobre terceiros, mas que é incapaz de evitar que outros generalizem as da sua classe, por culpa própria. Valha a verdade, apesar de não gostar do actual perfil do JN, é mesmo assim o único jornal nacional que não se tem coibido de publicar os escândalos ocorridos com o Benfica.  

Impressiona-me o ascendente que um simples clube de futebol, neste caso o Benfica, conseguiu exercer sobre quase toda a comunicação social do país, como se de uma matilha de animais domésticos se tratasse abdicando de uma das principais obrigações, que é denunciar o crime! 

Não fosse a memória recordar-nos como esses media, desde a televisão à rádio, passando pelos jornais, se agarraram com unhas e dentes ao postiço processo Apito Dourado, podíamos acreditar que era uma questão de ética deontológica, mas basta vermos como neste preciso momento acompanham os problemas do Sporting (muito menos graves que os do Benfica), para percebermos que é uma atitude pensada e corporativista. Sendo assim, como querem eles (jornalistas) que não generalizemos sobre a sua já fraca reputação quando se comportam como gente intelectual, e profissionalmente desonesta?

Mas por que é que ainda me dou ao trabalho de constatar estas vergonhas se é a partir do próprio poder político que a corrupção faz escola?  

28 maio, 2018

Eutanásia


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Para mim, há muito passou o tempo de ceder à tentação de me deixar influenciar pela ideia que os portugueses são um povo fantástico, muito melhor que os demais.

Sou português, mas penso que, como qualquer outro povo, temos as nossas próprias idiossincrasias, a nossa cultura, os nossos defeitos e qualidades. Há uma tendência muito portuguesa de enfatizarmos a nossa condição de povo, plausivelmente motivada pela nossa eterna pequenez.

Uns, chamam a estas fanfarronices orgulho, outros - como eu -, preferem chamar-lhe complexo de inferioridade, ou de superioridade, consoante a perspectiva de cada um. Mesmo na época mais intrépida da nossa História, em que a condição periférica do país e as frequentes guerras com Espanha nos empurraram para os oceanos à conquista de novos mundos, não está isenta de crítica, mas talvez seja a única data histórica que nos distingue de outras nações. Um dos nossos grandes males é precisamente esse, ficarmos agarrados aos descobrimentos do passado, para ocultarmos o atraso social do presente.

Sobre esse atraso, tenho como principal referência a qualidade de vida dos portugueses avaliada em escala ascendente, seguida da integridade dos seus governantes. Dois pólos de avaliação fundamentais e relevantes, que dispensam comentários. Claro que, na vida, nem tudo é mau, há sempre pequenos pontos isolados de sucesso, que não caracterizam um país no seu todo. Não é a hipocrisia que nos faz grandes, é a verdade positiva dos factos.

O assunto da Eutanásia só é polémico sob o ponto de vista genérico que há anos descredibiliza o país, ou seja, o nosso desrespeito sistemático pelas Leis. Para mim, é apenas a questão do controlo do processo eutanásico que verdadeiramente  me preocupa, porque se me perguntarem se sou contra ou a favor, só tenho uma só resposta: sou a favor. Não aceito, sob que argumento fôr, que alguém cuja enfermidade seja cientificamente incurável, depois de muito sofrimento, ao ponto de suplicar a própria morte, seja coagido a suportar uma vida privada de prazer. Quem defende isto só pode ser hipócrita.

A única atitude nobre que os "Contra" podiam tomar para serem coerentes com a importância que querem demonstrar pela vida, era preocuparem-se com a daqueles que, tendo saúde, andam há anos a degradá-la, por não terem uma existência digna motivada pela eutanásia dos salários miseráveis e pelo emprego precário.

Aí sim, estariam a falar de humanismo a sério. Agora, querer mostrá-lo obrigando os que já não suportam a vida a vegetar contra a sua soberana vontade, não é humanismo, é sadismo.